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Apostila Original
Conteúdo novo
e exclusivo
Professor Mestre 
Flávio Donizete Batista
Antropologia 
Teológica
A P O S T I L A D E
ni
Fa
te
ci
e REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença
DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto
DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
DIREÇÃO DE INOVAÇÃO Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
DIREÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosisnski
NÚCLEO DE APOIO PSICOLÓGICO E PSICOPEDAGÓGICO Bruna Tavares Fernandes
BIBLIOTECÁRIA Tatiane Viturino Oliveira
PESQUISADOR INSTITUCIONAL Tiago Pereira da Silva
COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) - MODALIDADE PRESENCIAL
Profa. Dra. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) - MODALIDADE EAD Prof. Me. Bruno Eckert 
Bertuol
COORDENAÇÃO DE DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
Isabelly Oliveira Fernandes de Souza
Jéssica Eugênio Azevedo
Louise Ribeiro 
Marcelino Fernando Rodrigues Santos 
Maria Clara da Silva Costa
Milena Pereira do Espirito Santo 
Stephanie Rodrigues da Mota Vieira
Vinicius Rovedo Bratfisch
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
Carlos Eduardo Firmino de Oliveira
Késia Marjorri Santos Moreira
Lucas Patrick Rodrigues Ferreira
Roberto Garcia 
ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz
DE VÍDEO Guilherme Carrenho
 Pedro de Lima 
 Maria Beatriz Paula da Silva
 Thassiane da Silva Jacinto
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas do banco de imagens 
Shutterstock.
Ficha Catalográfica
B333a Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
Antropologia Teológica // Flávio Donizete Batista.
Paranavaí: EduFatecie, 2026.
98 p.: il. Color.
1. Antropologia teológica – Cristianismo . 2. Salvação - Teologia. 3. Escatologia 
I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. 
CDD: 23. ed. 233
Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
2026 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2026. Os autores. Copyright C Edição 2026 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
3
Currículo Lattes
Informações e contato
Sobre Mim
Possui graduação em Filosofia pela Universidade do 
Sagrado Coração (1999), graduação em Pedagogia pelo 
Centro Universitário Internacional UNINTER (2017) e 
mestrado em Educação pela Universidade Estadual de 
Londrina (2003).
Atualmente, é Coordenador Auxiliar do Curso de 
Pedagogia da FATECIE — Faculdade de Tecnologia 
e Ciências do Norte do Paraná e professor na área 
de Filosofia nos cursos de Pedagogia, Psicologia, 
Administração e Ciências Contábeis.
Professor efetivo da Secretaria de Estado da Educação 
do Estado do Paraná, tendo aprovação em dois concursos 
públicos.
Tem experiência na área de Educação, com ênfase em 
Educação e Filosofia, atuando principalmente nos 
seguintes temas: educação, ética, docência, ensino-
aprendizagem e relação pedagógica.
Professor Mestre
Flávio Donizete Batista
ni
Fa
te
ci
e Apresentação
4
Prezado(a) estudante, seja muito bem-vindo(a) ao nosso estudo de 
Antropologia Teológica! 
Nesta disciplina, vamos refletir sobre o mistério do ser humano à luz da fé 
cristã, compreendendo quem somos, de onde viemos, para onde caminhamos 
e como Deus se revela na nossa própria humanidade. Prepare-se para uma 
jornada de descobertas, aprofundamentos e diálogos que irão enriquecer sua 
visão sobre a pessoa humana e sua relação com o Criador.
Na Unidade I, vamos conhecer os fundamentos da Antropologia Teológica. 
Aqui, você será introduzido ao conceito de pessoa humana na perspectiva 
cristã, às bases bíblicas e teológicas que sustentam essa compreensão do ser 
humano como imagem e semelhança de Deus. É o ponto de partida para toda 
a disciplina.
Já na Unidade II, você irá saber mais sobre a condição humana, com suas 
grandezas e fragilidades. Vamos refletir sobre liberdade, consciência, 
corporeidade, afetividade e a dimensão relacional do ser humano. Também 
abordaremos a realidade do pecado e suas consequências, sempre à luz da 
misericórdia e do projeto salvífico de Deus.
Na sequência, na Unidade III, falaremos a respeito da vocação do ser humano, 
especialmente sua chamada à comunhão com Deus. Aqui estudaremos temas 
como graça, redenção, santidade, vida em Cristo e a ação do Espírito Santo 
que transforma e conduz a pessoa humana à plenitude. É uma unidade 
profundamente espiritual e existencial.
Em nossa Unidade IV, vamos finalizar o conteúdo dessa disciplina com a 
reflexão sobre o destino último do ser humano. Trataremos da esperança 
cristã, da ressurreição, da vida eterna e da consumação do projeto de Deus 
para a humanidade. É o momento de integrar tudo o que foi estudado, 
compreendendo o ser humano em sua totalidade: criado, amado, redimido e 
chamado à eternidade.
niFatecie
5
Seja qual for sua experiência prévia com o tema, este material foi preparado 
para acompanhá-lo(a) passo a passo, oferecendo clareza, profundidade e 
inspiração. Vamos juntos construir conhecimento, dialogar com a tradição 
da fé e descobrir mais sobre o mistério maravilhoso que é ser humano diante 
de Deus.
Um excelente estudo para você!
S
um
ár
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Unidade I
Unidade III
Unidade II
Unidade IV
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07
56
33
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A Antropologia Teológica: 
Identidade, Método e 
Fundamentos
Teologia da Criação: 
Questões Fundamentais 
Cristologia e Soteriologia: 
O Mistério da Redenção 
O Destino Último do Ser
Humano: Escatologia 
Cristã 
0101
A Antropologia Teológica: 
Identidade, Método e Fundamentos
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Objetivo de
Aprendizagem
Plano de Estudo
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• A identidade da antropologia teológica e seu lugar na teologia;
• O ser humano como mistério: grandeza, fragilidade e vocação;
• A imagem e semelhança de Deus: fundamentos da dignidade 
humana;
• O ser humano como unidade de corpo e espírito;
• A liberdade humana e a vocação à comunhão.
• Compreender a identidade e o papel da Antropologia Teológica 
no conjunto da reflexão teológica;
• Analisar o ser humano como mistério, reconhecendo sua 
grandeza, fragilidade e vocação;
• Explicar o significado teológico da criação do ser humano à 
imagem e semelhança de Deus;
• Avaliar a unidade corpo-espírito e a liberdade humana como 
elementos essenciais da vocação à comunhão.
U N I D A D E I 9
niFatecie
Introdução
Prezado(a) estudante: seja muito bem-vindo(a) ao estudo desta primeira 
unidade. 
Aqui começa uma jornada que convida você a olhar para o ser humano com 
profundidade, sensibilidade e fé — não apenas como objeto de estudo, mas 
como mistério vivo, portador de dignidade e chamado à comunhão.
A Antropologia Teológica nos ajuda a compreender quem somos diante de 
Deus e quem Deus revela ser ao nos criar, amar e chamar. Por isso, nesta 
unidade, você será conduzido a explorar temas fundamentais: a identidade 
dessa disciplina dentro da teologia, a grandeza e fragilidade da condição 
humana, o significado de sermos criados à imagem e semelhança de Deus, 
a unidade entre corpo e espírito e a liberdade que nos abre ao encontro e à 
responsabilidade.
Este percurso não é apenas intelectual. Ele tocada redenção e da nova criação.
REFLITA
“A criação é o primeiro gesto da revelação de Deus, e nela o ser humano descobre não apenas 
a origem do mundo, mas também o sentido de sua própria existência.”
Questão para reflexão:
Se a criação é, ao mesmo tempo, revelação e fundamento da existência humana, de que modo 
essa compreensão pode transformar nossa relação com o mundo, com os outros e com nós 
mesmos no cotidiano?
Fonte: BOFF, L. O cuidado necessário: ética do humano – compaixão pela Terra. Petrópolis: 
Vozes, 2012.
U N I D A D E I I 51
SAIBA MAIS
A Criação como Fundamento da Ética e da Visão Cristã de Mundo
Um aspecto particularmente relevante para aprofundar a compreensão teológica da criação 
é perceber como essa doutrina moldou, ao longo dos séculos, não apenas a espiritualidade 
cristã, mas também a formação de uma visão ética e cultural específica. A afirmação de que o 
mundo é criado por Deus e possui uma bondade originária estabelece um horizonte de sentido 
que impede tanto o pessimismo antropológico quanto o desprezo pela realidade material.
Na tradição cristã, a criação é entendida como boa, ordenada e destinada à comunhão. Essa 
perspectiva contrasta com visões antigas que consideravam o mundo material como inferior 
ou ilusório. Ao afirmar que tudo o que existe procede de um ato livre e amoroso de Deus, o 
cristianismo introduziu uma compreensão positiva da matéria, do corpo e da história. Essa 
valorização do mundo criado contribuiu para o desenvolvimento de uma ética do cuidado, da 
responsabilidade e da corresponsabilidade humana diante da criação.
Além disso, a doutrina da criação influenciou profundamente a maneira como a cultura 
ocidental passou a compreender o universo. A convicção de que o cosmos é racional e 
inteligível — porque procede de um Deus que cria com sabedoria — sustentou a ideia de que 
a realidade pode ser estudada, investigada e compreendida. Assim, a teologia da criação não 
apenas fundamenta a antropologia cristã, mas também oferece uma chave interpretativa para 
o surgimento de uma mentalidade científica e de uma ética ecológica contemporânea.
Essa visão integrada — que une fé, razão e responsabilidade — continua sendo um dos grandes 
aportes da tradição cristã para o debate atual sobre dignidade humana, cuidado ambiental e 
sentido da história.
Fonte: BENTO XVI. Introdução ao cristianismo. São Paulo: Edições Loyola, 2005.
U N I D A D E I I
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Considerações Finais
52
A reflexão teológica sobre a criação revela a amplitude da fé cristã diante do 
mistério do mundo e da existência humana. A criação não é apenas o início da 
história, mas o horizonte que ilumina a vida, a relação com Deus e a esperança 
escatológica. A partir disso, emergem alguns eixos fundamentais.
A criação é, antes de tudo, dom: tudo o que existe procede da liberdade amorosa 
de Deus e manifesta sua bondade. Essa gratuidade impede visões fatalistas e 
fundamenta uma espiritualidade marcada pela confiança. A criação é também 
boa; o refrão do Gênesis confirma que o mundo possui dignidade e sentido. 
Mesmo ferida pelo mal, sua bondade originária sustenta a esperança cristã de 
que o mal não tem a última palavra.
O ser humano ocupa um lugar singular como imagem e semelhança de 
Deus, chamado à comunhão e à responsabilidade. Essa vocação relacional 
fundamenta a dignidade humana e a ética cristã. Daí decorre que a criação é 
também responsabilidade: “cultivar e guardar” significa cuidar, não dominar. 
A ética ecológica nasce dessa missão, hoje ainda mais urgente diante da crise 
ambiental.
A criação, porém, é ferida, marcada pelo sofrimento e pela ruptura da relação 
com Deus. Ainda assim, permanece aberta à redenção, assumida e transformada 
em Cristo. Deus continua sustentando o mundo por sua providência, presença 
amorosa que acompanha a história sem anular a liberdade humana.
Além disso, a criação é um processo aberto, orientado para a plenitude. A 
“nova criação”, inaugurada na ressurreição, revela que o mundo caminha para 
sua consumação em Deus. Por isso, a teologia da criação é inseparável da 
esperança escatológica.
Por fim, o mundo é lugar de encontro com Deus. A criação é sacramento de sua 
presença, primeira linguagem divina que convida à contemplação, gratidão e 
louvor. Assim, esta unidade mostra que a teologia da criação fundamenta a 
antropologia, a ética, a espiritualidade e a esperança cristã. A criação é dom, 
chamado e promessa — horizonte que prepara a reflexão seguinte sobre a 
condição humana ferida pelo pecado e alcançada pela graça.
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l Livro
53
• Título: Teologia Bíblica da Criação
• Autor: Timóteo Carriker
• Editora: Ultimato
• Sinopse: Nesta obra, Timóteo Carriker 
apresenta uma leitura bíblica abrangente da 
criação, articulando o tema em três grandes 
eixos: passado, presente e futuro. O autor 
explora a criação como ato originário de 
Deus, examina sua continuidade na história 
humana e aponta para sua consumação 
escatológica. O livro destaca a relação entre 
criação, redenção e missão, mostrando 
como a compreensão bíblica do mundo 
criado fundamenta a dignidade humana, a 
responsabilidade ética e o compromisso com 
o cuidado da Terra. Carriker também dialoga 
com questões contemporâneas — como 
crise ambiental, justiça social e vocação 
humana — oferecendo uma abordagem que 
integra exegese, teologia e prática cristã. 
É uma leitura valiosa para estudantes que 
desejam aprofundar a visão bíblica da 
criação e compreender como ela estrutura a 
antropologia teológica e a missão cristã no 
mundo atual.
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l Filme
54
• Título: A Chegada
• Ano: 2016.
• Sinopse: “A Chegada” é um filme de 
ficção científica contemplativa que ultrapassa 
o gênero para tocar questões profundamente 
humanas. A narrativa acompanha a linguista 
Louise Banks, convocada para decifrar 
a linguagem de seres extraterrestres que 
chegam à Terra. À medida que Louise aprende 
a compreender a lógica e a estrutura da nova 
linguagem, o filme explora temas como 
tempo, liberdade, destino, comunicação e 
sentido da existência. A obra sugere que a 
forma como percebemos o mundo molda 
nossa relação com a realidade — um ponto 
que dialoga diretamente com a reflexão 
teológica sobre criação, providência e história. 
Além disso, o filme provoca o espectador 
a pensar sobre a responsabilidade humana 
diante do desconhecido, a abertura ao outro 
e a capacidade de encontrar sentido mesmo 
diante do sofrimento e da finitude. É uma 
obra rica para debates sobre antropologia, 
ética e visão de mundo.
R
ef
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ên
ci
as
55
BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002.
LADARIA, L. F. Teologia do pecado original e da graça. São Paulo: Loyola, 
2010.
PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA. O que é o homem? Um itinerário de 
antropologia bíblica. São Paulo: Paulinas, 2019. 
RUBIO, A. G. Antropologia teológica. São Paulo: Paulinas, 2006.
ZILLES, U. Antropologia teológica. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2012.
0303
Cristologia e Soteriologia:
O Mistério da Redenção
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 III
Objetivo de
Aprendizagem
Plano de Estudo
57
• O mistério de Cristo como centro da revelação e da salvação;
• Necessidade da redenção: a condição humana ferida e o 
chamado à salvação;
• Como Cristo realiza a redenção: modelos soteriológicos e sua 
complementaridade;
• A universalidade da salvação, a mediação de Cristo e a 
participação da igreja.
• Compreender o Mistério de Cristo como centro da Revelação e 
da economia da salvação, reconhecendo sua identidade e missão 
como chave interpretativa da existência humana e da história;
• Analisar a condição humana ferida pelo pecado e explicar por 
que essa realidade revela a necessidade da redenção, articulando 
elementos bíblicos, antropológicos e teológicos;
• Identificar e comparar os principais modelos soteriológicos 
da tradição cristã, avaliando como cadaum ilumina aspectos 
complementares da obra redentora de Cristo;
• Explicar a universalidade da salvação oferecida por Deus em 
Cristo, compreendendo a mediação única e insubstituível de Jesus 
e sua relação com a liberdade humana.
U N I D A D E I I I
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Introdução
58
Olá, prezado(a) estudante! 
Você já percebeu como, em certos momentos da vida, a gente se pega 
perguntando: “Por que as coisas são assim?” ou “Por que eu mesmo faço 
o que não quero?” Pois é… essas perguntas não são novas. Elas atravessam 
séculos, culturas e histórias — e, de algum modo, todo ser humano já tropeçou 
nelas.
É justamente nesse ponto que esta unidade começa: no encontro entre a nossa 
condição humana, tão bonita e tão ferida ao mesmo tempo, e o Mistério de 
Cristo, que se apresenta como resposta, caminho e sentido.
Aqui, não vamos falar de Cristo apenas como uma figura distante, mas como 
o centro da Revelação, alguém que ilumina quem Deus é e, ao mesmo tempo, 
quem nós somos. Vamos conversar sobre o porquê de precisarmos de redenção 
— não como um peso, mas como uma verdade libertadora que revela nossa 
vocação mais profunda.
Também vamos explorar como Cristo realiza essa redenção. Ao longo da 
história, a Igreja foi percebendo diferentes modos de expressar esse mistério: 
Cristo como aquele que vence o mal, que cura, que reconcilia, que se entrega 
por amor. Cada modelo destaca um aspecto, e juntos eles nos ajudam a 
enxergar a beleza completa da obra salvadora.
E tem mais: se Cristo veio para todos, o que isso significa na prática? Como 
entender a universalidade da salvação, a mediação única de Jesus e o papel da 
Igreja nesse processo? Afinal, a fé cristã não é só sobre “eu e Deus”, mas sobre 
um povo que caminha junto, que testemunha e participa da missão redentora.
Em outras palavras, esta unidade é um convite para olhar para Cristo de um 
jeito novo — não apenas como tema de estudo, mas como alguém que toca a 
nossa história e transforma a nossa humanidade.
Vamos juntos descobrir como esse mistério fala diretamente à vida real, às 
nossas buscas e às nossas feridas. Porque, no fundo, falar de redenção é falar 
de esperança. E isso sempre vale a pena.
U N I D A D E I I I
Tópico
Centro da Revelação e da Salvação
O Mistério de Cristo como
01
U N I D A D E I I I 60
A fé cristã afirma que Jesus Cristo é o centro da história da salvação e o ponto culminante da revelação 
divina. Nele, Deus se manifesta plenamente e realiza o plano eterno de reconciliação da humanidade. A 
cristologia, portanto, não é apenas um capítulo da teologia, mas o coração de toda a reflexão cristã. Como 
afirma Luis F. Ladaria, Cristo é a chave hermenêutica da revelação; é nele que Deus se dá a conhecer e é 
nele que o ser humano descobre sua verdade mais profunda (Ladaria, 2010). A soteriologia, por sua vez, é 
inseparável da cristologia, pois a identidade de Cristo está intrinsecamente ligada à sua missão redentora.
A Sagrada Escritura apresenta Jesus como o Verbo eterno que se fez carne (Jo 1,14), o Filho enviado 
pelo Pai para salvar a humanidade. A encarnação não é apenas um evento histórico, mas o mistério central da 
fé cristã: Deus assume a condição humana para elevá-la à comunhão plena consigo. A Pontifícia Comissão 
Bíblica destaca que a encarnação revela simultaneamente a proximidade de Deus e a dignidade do ser 
humano. Segundo a Comissão, em Cristo, Deus se aproxima da humanidade e a humanidade é elevada à 
intimidade divina (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a cristologia ilumina a antropologia teológica 
e fundamenta a esperança cristã.
A tradição cristã sempre reconheceu que a identidade de Cristo é inseparável de sua missão. Ele não 
veio apenas ensinar, mas salvar; não veio apenas revelar, mas transformar. Alfonso García Rubio observa que 
a encarnação é já o início da redenção, porque ao assumir a condição humana, Cristo a restaura desde dentro 
(Rubio, 2006). A salvação não é realidade externa ao ser humano, mas processo que acontece na própria 
humanidade assumida por Cristo. A união hipostática — a união das naturezas divina e humana na única 
pessoa do Verbo — é o fundamento dessa obra redentora.
A missão de Cristo se desenvolve ao longo de toda a sua vida terrena. Sua pregação do Reino de 
Deus, seus gestos de cura, sua compaixão pelos pobres e marginalizados, sua fidelidade ao Pai e sua entrega 
total na cruz revelam o amor de Deus que se faz próximo e solidário. Urbano Zilles destaca que a vida de 
Jesus é expressão concreta da misericórdia divina; sua existência inteira é soteriológica (Zilles, 2012). A 
redenção não se limita ao momento da cruz, mas abrange toda a vida de Cristo, que é dom de amor.
A cruz, porém, ocupa lugar central na soteriologia cristã. Ela não é fracasso, mas cumprimento da 
missão. Jesus entrega sua vida livremente, assumindo o sofrimento humano e vencendo o poder do pecado. 
A tradição cristã interpreta a cruz como sacrifício, expiação, reconciliação e vitória. Luis Ladaria afirma que 
a cruz é o lugar onde o amor de Deus se manifesta de modo supremo, transformando a morte em fonte de 
vida (Ladaria, 2010). A cruz revela que a redenção não é imposição, mas dom; não é violência divina, mas 
amor que se entrega.
U N I D A D E I I I 61
A ressurreição é o ponto culminante da obra redentora. Ela confirma a identidade divina de Cristo, 
inaugura a nova criação e abre ao ser humano a possibilidade de participar da vida eterna. A Pontifícia 
Comissão Bíblica afirma que a ressurreição é o acontecimento que transforma a história, porque revela que 
a morte não tem a última palavra (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). A ressurreição não é retorno à vida 
terrena, mas entrada na plenitude da vida divina. Ela é garantia da esperança cristã e fundamento da fé na 
redenção.
A cristologia e a soteriologia, portanto, são inseparáveis. Cristo salva porque é Deus e homem; 
salva porque assume a condição humana; salva porque vive o amor até o fim; salva porque vence a morte. 
Alfonso García Rubio afirma que a redenção é participação na vida de Cristo; é comunhão com sua morte 
e ressurreição (Rubio, 2006). Assim, a salvação não é realidade externa, mas transformação interior que 
acontece pela união com Cristo.
A reflexão sobre o mistério de Cristo revela que a redenção não é evento isolado, mas processo 
que envolve toda a existência humana. Cristo é o novo Adão, que inaugura a humanidade renovada. Ele é o 
mediador entre Deus e os homens, o caminho que conduz à comunhão plena com o Pai. Urbano Zilles observa 
que a cristologia é sempre soteriológica, porque Cristo é Salvador; e a soteriologia é sempre cristológica, 
porque a salvação acontece em Cristo (Zilles, 2012). Essa unidade é o coração da fé cristã.
Assim, a primeira parte desta unidade estabelece o fundamento da reflexão cristológica e soteriológica: 
Cristo é o centro da revelação e o autor da salvação. Sua encarnação, vida, morte e ressurreição revelam o 
amor de Deus e inauguram a nova criação. A partir dessa base, as próximas partes aprofundarão os diversos 
aspectos da redenção, sua necessidade, sua universalidade e sua realização na vida da Igreja.
Imagem 1: Cruz vazia (Fonte: Shutterstock)
U N I D A D E I I I
Tópico
Condição Humana Ferida e o
Chamado à Salvação
A Necessidade da Redenção: A 
02
U N I D A D E I I I 63
A reflexão cristológica e soteriológica só pode ser plenamente compreendida quando situada no 
contexto da condição humana ferida pelo pecado. A redenção não é resposta a um problema secundário, 
mas ao drama fundamental da existência humana: a ruptura da comunhão com Deus, consigo mesmo, com o 
outro e com a criação. A tradição cristã reconhece que o ser humano, criado para a comunhão, experimenta 
uma profunda divisão interior que o impede de realizar plenamente o bem que deseja. Luis F. Ladaria afirma 
que a necessidade da redenção nasce da incapacidade humana de superar, por suas próprias forças,a ferida 
do pecado (Ladaria, 2010). A salvação, portanto, não é luxo espiritual, mas necessidade existencial.
A Sagrada Escritura descreve essa condição de modo simbólico e profundo no relato do pecado 
original (Gn 3). A Pontifícia Comissão Bíblica destaca que esse texto não deve ser lido como crônica 
histórica, mas como interpretação teológica da experiência universal da fragilidade humana (Pontifícia 
Comissão Bíblica, 2019). O pecado não é apenas transgressão moral, mas ruptura da confiança, fechamento 
ao amor, recusa da dependência filial. A serpente simboliza a tentação de autonomia absoluta, a ilusão de que 
o ser humano pode ser “como Deus” sem Deus. Essa ruptura inaugura uma história marcada pela desordem, 
pela violência e pela morte.
A tradição cristã, especialmente a partir de Paulo, interpreta essa condição como estado de 
“escravidão” ao pecado (Rm 7,14). O ser humano deseja o bem, mas experimenta a força do mal que o 
arrasta. Alfonso García Rubio observa que o pecado não é apenas ato isolado, mas situação existencial que 
afeta a totalidade da pessoa e suas relações (Rubio, 2006). Essa dimensão estrutural do pecado explica por 
que a redenção não pode ser apenas mudança moral, mas transformação profunda da condição humana.
A necessidade da redenção também se manifesta na história humana. A violência, a injustiça, a 
opressão, a desigualdade e a destruição da criação revelam que o pecado não é apenas realidade individual, 
mas também social e estrutural. Urbano Zilles afirma que o pecado se acumula na história, criando estruturas 
que perpetuam a injustiça e o sofrimento (Zilles, 2012). A soteriologia cristã, portanto, não se limita à 
salvação individual, mas abrange a transformação das relações humanas e das estruturas sociais.
U N I D A D E I I I 64
A tradição cristã reconhece que o ser humano, por suas próprias forças, não pode superar essa 
condição. A liberdade humana está ferida, mas não destruída; é capaz de buscar o bem, mas incapaz de 
alcançá-lo plenamente sem a graça. Luis Ladaria afirma que a graça não substitui a liberdade, mas a cura e a 
eleva, tornando-a capaz de responder ao amor de Deus (Ladaria, 2010). A redenção, portanto, é a cooperação 
entre a iniciativa divina e a resposta humana.
A necessidade da redenção também ilumina o sentido da encarnação. Cristo não vem ao mundo 
apenas para ensinar ou para ser exemplo moral, mas para realizar a obra que o ser humano não pode realizar 
sozinho. A encarnação é resposta ao pecado, mas também é expressão do amor eterno de Deus. A Pontifícia 
Comissão Bíblica afirma que a encarnação é um gesto de solidariedade divina com a humanidade ferida 
(Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Cristo assume a condição humana para restaurá-la desde dentro.
A missão de Cristo, portanto, é essencialmente soteriológica. Ele é o Cordeiro que tira o pecado do 
mundo (Jo 1,29), o novo Adão que inaugura a humanidade renovada (1Cor 15,45), o mediador que reconcilia 
o ser humano com Deus (2Cor 5,18). Alfonso García Rubio observa que a redenção não é apenas perdão, 
mas recriação; não é apenas restauração, mas nova vida (Rubio, 2006). A salvação é participação na vida de 
Cristo, comunhão com sua morte e ressurreição.
A necessidade da redenção também revela a profundidade do amor de Deus. Deus não abandona a 
humanidade ao seu destino, mas intervém na história de modo definitivo. A cruz é o ponto culminante dessa 
intervenção. Urbano Zilles afirma que a cruz revela o amor que se entrega até o fim, amor que vence o pecado 
não pela força, mas pela misericórdia (Zilles, 2012). A redenção é, portanto, obra do amor, não da violência; 
é vitória da graça, não da imposição.
Imagem 2: Vitória (Fonte: Freepik)
U N I D A D E I I I 65
Por fim, a necessidade da redenção ilumina a esperança cristã. A salvação não é apenas libertação 
do pecado, mas participação na vida divina. A ressurreição de Cristo inaugura a nova criação, onde 
a comunhão rompida será plenamente restaurada. Luis Ladaria afirma que a redenção é antecipação da 
plenitude escatológica, promessa de vida eterna e comunhão definitiva com Deus (Ladaria, 2010). Assim, a 
soteriologia cristã é sempre soteriologia da esperança.
A reflexão sobre a necessidade da redenção revela que Cristo não é resposta a um problema 
secundário, mas ao drama fundamental da existência humana. Ele é o Salvador porque assume a condição 
humana ferida, vence o pecado e inaugura a nova criação. A partir dessa base, a próxima parte aprofundará 
como Cristo realiza a redenção, explorando os modelos soteriológicos e sua complementaridade.
U N I D A D E I I I
Tópico
Modelos de Salvação Integrados
A Redenção em Cristo:
03
U N I D A D E I I I 67
A obra redentora de Cristo é um mistério inesgotável que a tradição cristã procurou compreender 
ao longo dos séculos por meio de diferentes modelos soteriológicos. Cada modelo ilumina um aspecto da 
salvação, sem esgotar sua profundidade. A soteriologia cristã não se reduz a uma única explicação, mas é um 
mosaico de perspectivas que convergem para a mesma verdade: Cristo salva porque é o Filho de Deus feito 
homem, que viveu, morreu e ressuscitou por amor. Como afirma Luis F. Ladaria, a redenção é uma realidade 
tão rica que nenhuma categoria isolada pode expressá-la plenamente (Ladaria, 2010). A seguir, exploramos 
os principais modelos que a tradição desenvolveu.
3.1 Modelo da recapitulação (Irineu de Lião)
Um dos modelos mais antigos e influentes é o da recapitulação, formulado por Irineu de Lião. 
Segundo esse modelo, nos apresentado por Rubio (2006), Cristo é o novo Adão que refaz o caminho da 
humanidade, restaurando aquilo que o primeiro Adão havia desordenado. A encarnação é já o início da 
redenção: ao assumir a condição humana, Cristo a cura desde dentro. Alfonso García Rubio observa que a 
recapitulação mostra que a salvação não é apenas perdão, mas recriação; Cristo refaz a humanidade em sua 
própria pessoa (Rubio, 2006). A vida inteira de Jesus — sua obediência, sua fidelidade, seu amor — é ato 
redentor.
Esse modelo destaca a dimensão ontológica da salvação: Cristo salva porque une a humanidade 
a si mesmo. A redenção é participação na vida de Cristo, comunhão com sua humanidade glorificada. A 
Pontifícia Comissão Bíblica afirma que Cristo é o novo princípio da humanidade, no qual todos são chamados 
a encontrar sua plenitude (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a recapitulação ilumina a dimensão 
transformadora da salvação.
3.2 Modelo sacrificial (Tradição Bíblica e Patrística)
Outro modelo fundamental é o sacrificial, profundamente enraizado na Escritura. A morte de Cristo 
é interpretada como sacrifício de amor que reconcilia a humanidade com Deus. Esse modelo não deve ser 
entendido como exigência de punição por parte de Deus, mas como expressão suprema da entrega de Cristo. 
Luis Ladaria afirma que o sacrifício de Cristo é ato de amor, não de violência; é oferta livre que restaura a 
comunhão rompida pelo pecado (Ladaria, 2010).
A linguagem sacrificial, presente em Paulo e na Carta aos Hebreus, expressa a profundidade da 
entrega de Cristo. Ele é o Cordeiro que tira o pecado do mundo (Jo 1,29), o Sumo Sacerdote que oferece a 
si mesmo (Hb 9,11-14). Urbano Zilles destaca que o sacrifício de Cristo não é destruição, mas doação; não é 
morte imposta, mas vida entregue (Zilles, 2012). Esse modelo ilumina a dimensão expiatória e reconciliadora 
da redenção.
U N I D A D E I I I 68
3.3 Modelo da satisfação (Anselmo de Cantuária)
Na Idade Média, Garcia Rubio nos diz que Anselmo desenvolveu o modelo da satisfação, segundo 
o qual o pecado humano ofende a honra de Deus e rompe a ordem da justiça. Cristo, sendo Deus e homem, 
oferece a Deus uma obediência perfeita que restaura essa ordem. Embora esse modelo tenha sido mal 
interpretado como visão jurídica rígida, sua intenção é mostrar que a redenção é ato de justiça e amor. 
Alfonso García Rubio observa quea satisfação anselmiana não é pagamento, mas restauração da ordem do 
amor (Rubio, 2006).
Esse modelo destaca a seriedade do pecado e a profundidade da obediência de Cristo. Ele ilumina a 
dimensão moral da redenção: Cristo realiza aquilo que o ser humano não pode realizar por si mesmo.
3.4 Modelo da vitória sobre o mal (Cristo Vencedor)
Outro modelo antigo e sempre atual é o da vitória sobre o mal, também chamado de Christus 
Victor. Segundo essa perspectiva, Cristo vence as forças do mal, do pecado e da morte por meio de sua cruz 
e ressurreição. A redenção é libertação. A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a ressurreição é vitória 
definitiva de Deus sobre todas as forças que oprimem a humanidade (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019).
Esse modelo destaca a dimensão cósmica da salvação: Cristo não salva apenas indivíduos, mas 
transforma a história e o universo. Urbano Zilles observa que a cruz é o lugar onde o mal é desarmado e a 
vida triunfa (Zilles, 2012). A redenção é libertação integral.
Imagem 3: Mundo novo (Fonte: Freepik)
U N I D A D E I I I 69
3.5 Modelo do amor transformador (Abelardo e a Tradição Espiritual)
Outro modelo importante é o do amor transformador retratado por Abelardo, segundo o qual Cristo 
salva ao revelar o amor de Deus de modo tão radical que transforma o coração humano. A cruz é epifania 
do amor, capaz de converter e renovar. Luis Ladaria afirma que, nesse modelo, a redenção não é apenas um 
evento objetivo, mas uma transformação subjetiva do ser humano pelo amor de Cristo (Ladaria, 2010).
Esse modelo ilumina a dimensão existencial da salvação: Cristo salva ao tocar o coração humano e 
despertar uma resposta de amor.
3.6 Complementaridade dos modelos
Nenhum desses modelos, isoladamente, esgota o mistério da redenção. A tradição cristã reconhece 
que eles são complementares, não concorrentes. Alfonso García Rubio afirma que a riqueza da soteriologia 
cristã está na convergência de perspectivas que iluminam diferentes dimensões do mesmo mistério (Rubio, 
2006). A recapitulação destaca a transformação ontológica; o sacrifício, a reconciliação; a satisfação, a 
justiça; a vitória, a libertação; o amor transformador, a conversão interior.
A cruz e a ressurreição de Cristo são realidades tão profundas que exigem múltiplas linguagens. A 
Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a salvação é um mistério de amor que ultrapassa toda compreensão 
humana (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). A soteriologia cristã, portanto, é sempre humilde: reconhece 
que fala de um mistério que a supera.
3.7 A redenção como participação na vida de Cristo
Por fim, todos os modelos convergem para uma verdade fundamental: a redenção é participação 
na vida de Cristo. Não é apenas um evento externo, mas uma comunhão interior. Urbano Zilles afirma que 
Cristo salva ao unir o ser humano a si mesmo, fazendo-o participar de sua morte e ressurreição (Zilles, 2012). 
A salvação é vida nova, vida no Espírito, vida em Cristo.
U N I D A D E I I I
Tópico
Mediador e o Papel da Igreja
Salvação Universal, Cristo
04
U N I D A D E I I I 71
A obra redentora de Cristo não é evento restrito a um grupo específico, a uma cultura ou a um 
período histórico. A fé cristã afirma que a salvação realizada por Cristo é universal, destinada a todos os seres 
humanos, de todos os tempos e lugares. Essa universalidade não significa uniformidade, mas abertura radical: 
Cristo é o Salvador de toda a humanidade, e sua obra redentora alcança cada pessoa de modo misterioso 
e real. Luis F. Ladaria afirma que a universalidade da salvação é consequência direta da universalidade do 
amor de Deus, que quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (Ladaria, 2010). Assim, 
a soteriologia cristã é sempre soteriologia da inclusão.
A Sagrada Escritura confirma essa universalidade. O Evangelho de João proclama que “Deus amou 
tanto o mundo que entregou seu Filho único” (Jo 3,16). Paulo afirma que “assim como todos morreram em 
Adão, todos serão vivificados em Cristo” (1Cor 15,22). A Pontifícia Comissão Bíblica destaca que a salvação 
é oferecida a todos, porque Cristo é o novo Adão, representante de toda a humanidade (Pontifícia Comissão 
Bíblica, 2019). A redenção não é privilégio, mas dom universal.
Essa universalidade, porém, não elimina a necessidade da mediação única de Cristo. A fé cristã 
afirma que Cristo é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2,5). Essa mediação não é exclusão, mas 
inclusão: Cristo é mediador porque assume a humanidade inteira e a conduz ao Pai. Alfonso García Rubio 
observa que a mediação de Cristo é universal porque sua humanidade é universal; ao assumir a condição 
humana, ele se torna irmão de todos (Rubio, 2006). Assim, a mediação de Cristo não é barreira, mas ponte.
A mediação única de Cristo também ilumina a relação entre cristianismo e outras religiões. A tradição 
cristã reconhece que a graça de Deus atua além das fronteiras visíveis da Igreja. A Pontifícia Comissão 
Bíblica afirma que Cristo é o único Salvador, mas sua graça pode alcançar os seres humanos de modos que 
ultrapassam nossa compreensão (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Isso não relativiza a centralidade de 
Cristo, mas reconhece a amplitude de sua ação. A universalidade da salvação é um mistério de amor que 
supera toda lógica humana.
Imagem 4: Jesus Salvador (Fonte: Freepik)
U N I D A D E I I I 72
A mediação de Cristo se realiza de modo pleno em sua morte e ressurreição. A cruz é o lugar onde 
Cristo reconcilia a humanidade com Deus; a ressurreição é o lugar onde inaugura a nova criação. Urbano 
Zilles afirma que a mediação de Cristo é eficaz porque ele viveu o amor até o fim, entregando sua vida e 
vencendo a morte (Zilles, 2012). A mediação não é apenas doutrina, mas evento histórico e mistério eterno.
Essa mediação continua na história por meio da Igreja, corpo de Cristo. A Igreja não substitui 
Cristo, mas participa de sua missão. A tradição cristã afirma que a Igreja é sacramento universal da salvação, 
sinal e instrumento da comunhão com Deus e da unidade da humanidade. Luis Ladaria observa que a Igreja 
prolonga na história a obra redentora de Cristo, não por mérito próprio, mas pela graça que recebeu (Ladaria, 
2010). A Igreja é o corpo de Cristo porque vive da vida de Cristo.
A participação da Igreja na obra redentora se manifesta de múltiplas formas. A primeira é o anúncio 
da Palavra, que torna presente a mensagem de Cristo e convida à conversão. A segunda é a vida sacramental, 
especialmente a Eucaristia, onde a entrega de Cristo na cruz se torna atual e eficaz. A terceira é a caridade, 
que torna visível o amor de Cristo pelos pobres, pelos sofredores e pelos marginalizados. Alfonso García 
Rubio afirma que a Igreja é chamada a ser sinal vivo da redenção, testemunhando o amor que recebeu 
(Rubio, 2006).
A Igreja também participa da obra redentora por meio da intercessão. A oração da Igreja é participação 
na mediação de Cristo, que intercede continuamente pelo mundo. A Pontifícia Comissão Bíblica destaca que 
a oração cristã é expressão da comunhão com Cristo e colaboração com sua missão salvadora (Pontifícia 
Comissão Bíblica, 2019). Assim, a Igreja não é espectadora da redenção, mas colaboradora ativa.
A universalidade da salvação também ilumina a missão da Igreja. A evangelização não é imposição, 
mas oferta de vida; não é conquista, mas serviço; não é proselitismo, mas testemunho. Urbano Zilles afirma 
que a missão da Igreja nasce da gratidão pela salvação recebida e do desejo de compartilhá-la com todos 
(Zilles, 2012). A missão é expressão da universalidade da redenção.
Por fim, a universalidade da salvação revela a dimensão escatológica da obra redentora. A salvação é 
oferecida a todos, mas sua plenitude será revelada no fim dos tempos, quando Cristo entregar o Reino ao Pai 
e Deus será tudo em todos (1Cor 15,28). Luis Ladaria afirma que a redenção é um processo que culminará 
na comunhãodefinitiva com Deus, onde toda lágrima será enxugada (Ladaria, 2010). A soteriologia cristã é 
sempre soteriologia da esperança.
U N I D A D E I I I 73
REFLITA
“O Filho de Deus se fez homem para que o ser humano se tornasse Deus.”
Essa frase, tão ousada quanto profunda, nos convida a olhar para a redenção não apenas como 
um “conserto” da condição humana, mas como um movimento de elevação, de participação 
na própria vida divina.
Agora pense um pouco:
Se a redenção não é apenas libertação do pecado, mas também plenitude de vida, o que isso 
muda na forma como você enxerga a si mesmo, sua vocação e sua relação com Cristo?
Fonte: ALEXANDRIA, A. Sobre a encarnação do Verbo. São Paulo: Paulus, 2015.
SAIBA MAIS
A Redenção em Cristo Sob Novos Olhares
Você já reparou que, ao longo da história, os cristãos nunca deixaram de tentar compreender 
como Cristo nos salva? Isso não é por falta de resposta, mas justamente porque o mistério é 
tão grande que sempre permite novas perspectivas.
Um detalhe curioso: os primeiros cristãos não tinham um único “modelo” de salvação, mas 
várias imagens complementares. Para alguns Padres da Igreja, como Irineu de Lião (2017), 
Cristo é o Novo Adão, aquele que refaz o caminho humano desde dentro. Já para Atanásio 
(2015), a ênfase está na divinização: Deus se fez homem para que o ser humano pudesse 
participar da vida divina. Séculos depois, Anselmo de Cantuária (2008) propôs outra chave 
de leitura: a redenção como satisfação, uma resposta ao desequilíbrio causado pelo pecado. E, 
mais adiante, a reflexão teológica vai desenvolver o amor transformador de Cristo como força
U N I D A D E I I I 74
que converte o coração humano.
Por que isso importa para você hoje?
Porque cada modelo ilumina um aspecto diferente da experiência cristã. Em alguns momentos 
da vida, a gente se sente mais próximo da imagem de Cristo que cura; em outros, da imagem 
de Cristo que vence o mal, ou ainda daquele que reconcilia e restaura. A riqueza da tradição 
cristã está justamente nessa pluralidade que não divide, mas aprofunda.
Outro ponto interessante: quando falamos da universalidade da salvação, não estamos dizendo 
que “tudo dá na mesma”, mas que Deus não desiste de ninguém. A Igreja, ao longo dos 
séculos, foi amadurecendo a compreensão de que Cristo é o mediador único, mas que sua 
graça pode tocar pessoas de maneiras que ultrapassam nossas categorias. Isso abre espaço para 
um diálogo profundo com culturas, religiões e realidades humanas diversas — sem perder a 
centralidade de Cristo, mas reconhecendo a amplitude do amor de Deus.
Perceber essa complexidade não é um luxo intelectual. É um convite a olhar a fé com mais 
profundidade, maturidade e abertura. Afinal, quanto mais entendemos a riqueza da redenção, 
mais percebemos que ela não é apenas um conceito teológico, mas uma experiência que toca 
a vida concreta.
 
Fonte1: ALEXANDRIA, A. Sobre a encarnação do Verbo. São Paulo: Paulus, 2015.
Fonte2: CANTUÁRIA, A. Cur Deus Homo. São Paulo: Paulus, 2008.
Fonte3: IGREJA CATÓLICA. Catecismo da Igreja Católica. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2000.
Fonte4: LIÃO, I. Contra as heresias. São Paulo: Paulus, 2017.
U N I D A D E I I I
niFatecie
Considerações Finais
75
A reflexão desta unidade mostrou que a redenção é o coração da fé cristã e 
encontra em Jesus Cristo seu centro absoluto. A salvação não é ideia abstrata, 
mas acontecimento histórico e existencial que transforma a condição humana 
e orienta toda a esperança cristã.
A primeira afirmação fundamental é que Cristo é o centro da revelação e da 
salvação. Na encarnação, Deus se faz próximo e assume a humanidade para 
elevá-la à comunhão com Ele. A identidade de Cristo está unida à sua missão: 
Ele revela Deus ao mesmo tempo em que realiza a redenção.
A segunda afirmação é que a redenção responde à condição humana ferida. 
O pecado é ruptura de relações e fonte de desordem interior e social. A 
necessidade de salvação é concreta: o ser humano precisa ser restaurado e 
reconciliado.
A terceira afirmação é que Cristo redime de modo integral. Toda a sua vida — 
sua compaixão, seu anúncio do Reino, sua fidelidade ao Pai — é ato redentor. 
A cruz é o ápice do amor que vence o mal, e a ressurreição inaugura a nova 
criação, confirmando que a morte não tem a última palavra.
A quarta afirmação destaca que a obra redentora é rica e multifacetada. A 
tradição cristã elaborou diversos modelos soteriológicos que iluminam 
dimensões complementares do mesmo mistério: reconciliação, libertação, 
sacrifício, vitória sobre o mal, transformação interior. Nenhum modelo o 
esgota.
A quinta afirmação é que a redenção é universal. Cristo, novo Adão, representa 
toda a humanidade e oferece a salvação a todos, sem anular a liberdade 
humana, mas convidando cada pessoa a acolher o dom da vida nova.
A sexta afirmação é que a mediação de Cristo continua na história pela Igreja, 
corpo de Cristo e sacramento universal da salvação. Ao anunciar a Palavra, 
celebrar os sacramentos e viver a caridade, a Igreja participa da obra redentora.
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ni
Fa
te
ci
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76
A sétima afirmação é que a redenção é caminho de transformação. A salvação 
é um processo: o cristão é chamado a viver em Cristo, deixar-se conduzir 
pelo Espírito e participar de sua morte e ressurreição. A vida cristã é vida 
redimida e em contínua conversão.
Por fim, a oitava afirmação é que a redenção aponta para a plenitude 
escatológica. A nova criação já começou na ressurreição de Cristo, mas 
sua realização plena ainda está por vir. A esperança cristã afirma que Deus 
conduzirá a história à comunhão definitiva.
Assim, esta unidade mostra que a redenção é mistério de amor e comunhão: 
Cristo transforma a humanidade, renova a criação e inaugura o Reino de 
Deus. Esse horizonte prepara a reflexão seguinte sobre o destino último do 
ser humano e a esperança na vida eterna.
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M
at
er
ia
l Livro
Filme
77
• Título: O que é o homem?
• Autor: Pontifícia Comissão Bíblica
• Editora: Edições CNBB e Paulinas
• Sinopse: Esta obra oferece uma visão 
completa do que é o homem segundo a 
Sagrada Escritura, procurando responder 
qual é o seu lugar, origem, dever e, por 
fim, destino. Exortada pelo Papa Francisco, 
a Pontifícia Comissão Bíblica apresenta, 
neste Documento, o tema da antropologia 
bíblica, com o zelo de não empregar os 
textos bíblicos como um simples repertório 
de afirmações dogmáticas, mas sim como 
testemunho da Revelação de Deus na história 
da humanidade.
• Título: Quarto de Guerra
• Ano: 2015.
• Sinopse: O “Quarto de Guerra” acompanha 
a história de Tony e Elizabeth Jordan, um 
casal aparentemente bem-sucedido, mas 
cuja vida familiar está se desmoronando. 
A reviravolta começa quando Elizabeth 
conhece uma senhora idosa que a ensina 
a transformar um pequeno cômodo de sua 
casa em um “quarto de guerra”: um espaço 
dedicado à oração, discernimento e entrega a 
Deus. O filme aborda temas profundamente 
ligados à unidade III: a fragilidade humana, a 
necessidade de redenção, a força da mediação 
divina e a participação ativa do cristão na obra 
salvadora de Deus. A narrativa mostra que a 
salvação não é apenas um evento distante, 
mas uma realidade que toca a vida cotidiana, 
cura relações e transforma corações.
R
ef
er
ên
ci
as
78
BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002.
LADARIA, L. F. Teologia do pecado original e da graça. São Paulo: Loyola, 
2010.
PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA. O que é o homem? Um itinerário de 
antropologia bíblica. São Paulo: Paulinas, 2019.
RUBIO, A. G. Antropologia teológica. São Paulo: Paulinas, 2006.
ZILLES, U. Antropologia teológica. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2012.
0404
O Destino Último do Ser 
Humano: Escatologia Cristã
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 IV
Objetivo de
Aprendizagem
Plano de Estudo
80
• A esperança cristã e o sentido escatológico da existência 
humana;• Morte, juízo e a esperança da vida plena em Deus;
• A ressurreição final, a nova criação e a consumação 
escatológica.
• Compreender o sentido escatológico da existência humana à 
luz da esperança cristã, reconhecendo como a fé projeta o ser 
humano para além da história e orienta sua vida presente em 
direção à plenitude em Deus.
• Analisar teologicamente a realidade da morte e do juízo, 
identificando seu significado na tradição cristã e sua relação com 
a promessa da vida eterna e da comunhão definitiva com Deus.
• Explicar a doutrina da ressurreição final, compreendendo sua 
centralidade na fé cristã e sua conexão com a vitória de Cristo 
sobre a morte e com a transformação integral da pessoa humana.
• Interpretar o sentido da nova criação e da consumação 
escatológica, percebendo como a esperança cristã aponta para a 
renovação de todas as coisas e para a realização plena do Reino 
de Deus.
U N I D A D E I V
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Introdução
81
Prezado(a) estudante!
A unidade IV nos convida a entrar em um dos temas mais belos e desafiadores 
da fé cristã: a esperança escatológica. Aqui, não tratamos apenas de “assuntos 
do fim”, mas do sentido último da existência humana, daquilo que sustenta 
nossa caminhada e ilumina cada passo da vida presente.
Ao longo desta unidade, você será convidado a refletir sobre a morte e o 
juízo, não como ameaças, mas como realidades que ganham novo significado 
quando vistas à luz do amor de Deus. Vamos aprofundar a esperança na vida 
plena, na ressurreição final e na nova criação, compreendendo como a fé cristã 
projeta o ser humano para além dos limites da história e o insere no horizonte 
da eternidade.
Este é um percurso que exige abertura interior, disposição para pensar e 
coragem para tocar perguntas profundas:
Para onde caminhamos? O que Deus sonha para a humanidade? Como a 
esperança cristã transforma a maneira como vivemos hoje?
Por isso, acolho você com alegria nesta nova etapa do estudo. Que esta unidade 
seja uma oportunidade de crescimento, amadurecimento e descoberta — fruto 
do seu esforço, da sua dedicação e da sua busca sincera por compreender o 
mistério da vida à luz da fé.
Prepare-se para uma experiência de aprendizagem que não apenas informa, 
mas transforma. A esperança cristã não é uma ideia abstrata: é uma força que 
renova, sustenta e orienta toda a existência humana.
Vamos juntos!
U N I D A D E I V
Tópico
Escatológico da Existência Humana
A Esperança Cristã e o Sentido 
01
U N I D A D E I V 83
A escatologia cristã é o horizonte último da fé, o ponto para o qual convergem todas as dimensões 
da teologia: a criação, a antropologia, a cristologia e a soteriologia. Ela não trata apenas dos “últimos 
acontecimentos”, mas do sentido último da existência humana e da história. A esperança cristã não é fuga do 
mundo, mas interpretação profunda da realidade à luz da promessa de Deus. Como afirma Luis F. Ladaria, 
a escatologia é a dimensão mais profunda da fé, porque revela o destino final do ser humano e da criação 
à luz da ressurreição de Cristo (Ladaria, 2010). Assim, a escatologia não é apêndice da teologia, mas sua 
culminância.
A Sagrada Escritura apresenta a esperança como elemento constitutivo da fé. Desde o Antigo 
Testamento, Israel vive na expectativa da intervenção definitiva de Deus, que trará justiça, paz e plenitude. 
Os profetas anunciam novos céus e nova terra (Is 65,17), onde a dor e a morte não terão mais lugar. A 
Pontifícia Comissão Bíblica destaca que essa esperança não é mero consolo espiritual, mas a confiança 
ativa na fidelidade de Deus, que conduz a história para sua plenitude (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). A 
esperança bíblica é sempre histórica e concreta.
No Novo Testamento, a esperança cristã encontra seu fundamento na ressurreição de Jesus Cristo. 
A ressurreição não é apenas vitória pessoal de Cristo, mas o início da nova criação. Alfonso García Rubio 
observa que a ressurreição inaugura a realidade escatológica e revela o destino final da humanidade: participar 
da vida divina (Rubio, 2006). A fé cristã afirma que aquilo que aconteceu em Cristo acontecerá também em 
nós: a morte será vencida, e a vida plena será concedida a todos os que se unirem a Ele.
Imagem 1: O Fim? (Fonte: Freepik)
U N I D A D E I V 84
A escatologia cristã, portanto, não é especulação sobre o futuro, mas interpretação da existência 
presente à luz da promessa de Deus. A esperança cristã transforma o modo de viver, de agir e de se relacionar 
com o mundo. Urbano Zilles afirma que a esperança escatológica não aliena, mas responsabiliza; ela ilumina 
o presente com a luz do futuro de Deus (Zilles, 2012). Assim, a escatologia é a força ética e espiritual que 
sustenta a vida cristã.
A tradição cristã distingue entre escatologia individual e escatologia universal. A escatologia 
individual trata do destino pessoal após a morte: morte, juízo, céu, purificação e afastamento definitivo 
de Deus. A escatologia universal trata do destino da humanidade e da criação: a segunda vinda de Cristo, 
a ressurreição final, o juízo universal e a nova criação. Essas duas dimensões não são separadas, mas 
complementares: o destino pessoal está inserido no destino da humanidade inteira.
A morte, primeira realidade escatológica, não é fim absoluto, mas passagem. A fé cristã afirma 
que o ser humano, criado para a comunhão com Deus, não é destinado ao nada. A Pontifícia Comissão 
Bíblica afirma que a morte é ruptura dolorosa, mas não definitiva; Deus chama o ser humano à vida plena 
(Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). A morte é consequência da condição humana finita, mas é vencida pela 
ressurreição de Cristo.
O juízo, outra realidade escatológica fundamental, não deve ser entendido como tribunal arbitrário, 
mas como manifestação da verdade. Luis Ladaria afirma que o juízo é revelação da verdade da vida humana 
diante do amor de Deus (Ladaria, 2010). O juízo não é condenação automática, mas encontro com a verdade 
que liberta e purifica. A tradição cristã reconhece que o amor de Deus é o critério último do juízo.
A esperança cristã também afirma a existência de um processo de purificação após a morte, para 
aqueles que, embora orientados para Deus, ainda não alcançaram a plena comunhão. Alfonso García Rubio 
observa que a purificação é expressão da misericórdia divina, que prepara o ser humano para a comunhão 
plena (Rubio, 2006). Essa purificação não é castigo, mas cura.
A escatologia cristã culmina na promessa da nova criação. A fé cristã afirma que Deus não salvará 
apenas indivíduos, mas toda a criação. A ressurreição final, a transformação do cosmos e a vitória definitiva 
sobre o mal são parte integrante da esperança cristã. A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a nova criação 
é a realização plena do projeto de Deus, onde justiça e paz habitarão para sempre (Pontifícia Comissão 
Bíblica, 2019). A escatologia, portanto, é profundamente cósmica.
Por fim, a escatologia cristã é sempre escatologia da esperança. Ela afirma que Deus é fiel, que a 
história tem sentido, que o amor é mais forte que a morte e que a vida plena é destino de toda a humanidade. 
Urbano Zilles afirma que a esperança cristã é certeza humilde, fundada na fidelidade de Deus e na ressurreição 
de Cristo (Zilles, 2012). Assim, a escatologia ilumina toda a existência humana com a luz do futuro de Deus.
U N I D A D E I V
Tópico
da Vida Plena em Deus
Morte, Juízo e a Esperança 
02
U N I D A D E I V 86
A reflexão escatológica cristã começa inevitavelmente pela realidade da morte, experiência universal 
que marca a existência humana e suscita as perguntas mais profundas sobre o sentido da vida. A morte não 
é apenas um evento biológico, mas uma ruptura relacional, experiência de limite e confronto com a finitude. 
A tradição bíblica reconhece essa dramaticidade, mas a ilumina com a promessa de Deus. A Pontifícia 
Comissão Bíblica afirma que a morte é ruptura dolorosa, mas não definitiva;Deus chama o ser humano à 
vida plena (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a morte é vista não como aniquilamento, mas como 
passagem.
A antropologia teológica, como vimos nas unidades anteriores, afirma que o ser humano é unidade 
de corpo e espírito, criado para a comunhão com Deus. A morte, portanto, não é destino natural pleno, 
mas expressão da fragilidade da criatura. Luis F. Ladaria observa que a morte é consequência da condição 
humana finita, agravada pela ferida do pecado, mas não é o último horizonte da existência (Ladaria, 2010). 
A fé cristã afirma que a morte foi vencida pela ressurreição de Cristo, e que essa vitória é promessa para toda 
a humanidade.
A morte, porém, não é apenas realidade futura; ela ilumina o presente. A consciência da finitude 
convida o ser humano a viver com responsabilidade, liberdade e amor. Alfonso García Rubio afirma que a 
morte revela a seriedade da existência e a urgência de orientar a vida para aquilo que permanece (Rubio, 
2006). A escatologia, portanto, não é fuga da realidade, mas aprofundamento do sentido da vida.
Após a morte, a tradição cristã afirma que o ser humano se encontra com Deus no juízo particular. 
Esse juízo não deve ser entendido como tribunal humano, mas como manifestação da verdade. A vida inteira 
é colocada diante do amor de Deus, e cada pessoa vê com clareza aquilo que foi, aquilo que fez e aquilo 
que se tornou. Luis Ladaria afirma que o juízo é encontro com a verdade, onde o amor de Deus revela a 
autenticidade da vida humana (Ladaria, 2010). O juízo não é condenação automática, mas revelação.
A tradição cristã reconhece três possibilidades fundamentais diante desse encontro: a comunhão 
plena com Deus (céu), a purificação (purgatório) e a rejeição definitiva do amor (inferno). Essas realidades 
não são lugares físicos, mas estados de relação com Deus.
U N I D A D E I V 87
O céu é a comunhão plena com Deus, realização definitiva da vocação humana. A Escritura o 
descreve como vida, luz, paz, alegria e plenitude. A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a comunhão 
com Deus é o destino último da humanidade, onde toda lágrima será enxugada (Pontifícia Comissão Bíblica, 
2019). O céu não é fuga do mundo, mas consumação da história.
A purificação é um processo de cura e transformação para aqueles que, embora orientados para 
Deus, ainda não alcançaram a plena comunhão. Alfonso García Rubio observa que a purificação é expressão 
da misericórdia divina, que prepara o ser humano para a comunhão plena (Rubio, 2006). Não é castigo, mas 
graça.
O afastamento definitivo de Deus — tradicionalmente chamado de inferno — é possibilidade real, 
mas não desejo de Deus. A fé cristã afirma que Deus quer que todos se salvem, mas respeita a liberdade 
humana. Urbano Zilles afirma que o afastamento definitivo é consequência da recusa radical do amor, não 
imposição divina (Zilles, 2012). A escatologia reconhece essa possibilidade, mas insiste na misericórdia de 
Deus.
O juízo particular é seguido, no fim dos tempos, pelo juízo universal, que manifesta publicamente 
a verdade da história. A Escritura afirma que Cristo virá em glória para julgar vivos e mortos, inaugurando 
a plenitude do Reino. Esse juízo não é duplicação do juízo particular, mas sua dimensão comunitária e 
histórica. Luis Ladaria afirma que o juízo universal revela a verdade da história humana e a vitória definitiva 
do amor de Deus (Ladaria, 2010). A escatologia cristã, portanto, é profundamente comunitária.
Imagem 2: O Paraíso? (Fonte: Freepik)
U N I D A D E I V 88
A esperança cristã diante da morte e do juízo não é medo, mas confiança. A fé afirma que Deus é 
misericórdia, que Cristo venceu a morte e que o Espírito Santo conduz a história para a plenitude. A escatologia 
não é ameaça, mas promessa. A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a esperança cristã é certeza humilde, 
fundada na fidelidade de Deus (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Essa esperança transforma o modo de 
viver, de amar e de enfrentar o sofrimento.
Por fim, a escatologia cristã afirma que a morte e o juízo não são o fim, mas o início da vida plena. 
A ressurreição de Cristo é garantia dessa promessa. Alfonso García Rubio afirma que a esperança cristã 
nasce da ressurreição e se orienta para a comunhão definitiva com Deus (Rubio, 2006). Assim, a escatologia 
ilumina toda a existência humana com a luz do futuro de Deus.
U N I D A D E I V
Tópico
Criação e a Consumação Escatológica
A Ressurreição Final, a Nova 
03
U N I D A D E I V 90
A esperança cristã encontra seu ponto culminante na promessa da ressurreição final e da nova 
criação, realidades que expressam a plenitude do projeto de Deus para a humanidade e para o cosmos. A fé 
cristã não afirma apenas a imortalidade da alma, mas a ressurreição do ser humano inteiro, corpo e espírito, 
em comunhão definitiva com Deus. Essa afirmação, profundamente enraizada na Escritura e na tradição, 
revela que a salvação não é fuga do mundo, mas sua transformação radical. Como afirma Luis F. Ladaria, a 
ressurreição final é a consumação da obra redentora de Cristo, que envolve a totalidade da pessoa humana e 
a totalidade da criação (Ladaria, 2010).
A Sagrada Escritura apresenta a ressurreição como evento futuro e universal. Paulo afirma que 
todos serão vivificados em Cristo (1Cor 15,22) e que a ressurreição é a vitória definitiva sobre a morte. A 
Pontifícia Comissão Bíblica destaca que a ressurreição final não é retorno à vida terrena, mas transformação 
radical da existência humana, que será plenamente vivificada pelo Espírito (Pontifícia Comissão Bíblica, 
2019). A ressurreição é, portanto, continuidade e novidade: continuidade da identidade pessoal e novidade 
da condição glorificada.
A tradição cristã sempre insistiu que a ressurreição final é uma realidade corporal. O corpo 
ressuscitado não é corpo material no sentido atual, mas corpo espiritual, conforme a linguagem paulina 
(1Cor 15,44). Alfonso García Rubio observa que a ressurreição não anula a corporeidade, mas a eleva à sua 
forma plena, libertando-a da corrupção e da morte (Rubio, 2006). Essa afirmação confirma a dignidade do 
corpo humano e sua participação no destino eterno.
A ressurreição final também revela a dimensão comunitária da salvação. A fé cristã afirma que a 
humanidade inteira será reunida diante de Deus, e que a comunhão rompida pelo pecado será plenamente 
restaurada. Urbano Zilles afirma que a ressurreição final é um evento comunitário, onde a humanidade inteira 
participa da vitória de Cristo (Zilles, 2012). A salvação não é individualista, mas é comunhão.
A promessa da ressurreição está intimamente ligada à promessa da nova criação. A Escritura afirma 
que Deus fará “novos céus e nova terra” (Is 65,17; Ap 21,1), realidade onde não haverá mais morte, dor ou 
injustiça. A nova criação não é a destruição do mundo atual, mas sua transfiguração. A Pontifícia Comissão 
Bíblica afirma que a nova criação é a realização plena do projeto de Deus, onde a justiça e a paz habitarão 
para sempre (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a escatologia cristã é profundamente cósmica: 
Deus salva não apenas indivíduos, mas o universo inteiro.
U N I D A D E I V
Imagem 3: Ressurreição (Fonte: Freepik)
91
A nova criação é descrita no Apocalipse como cidade santa, nova Jerusalém, que desce do céu como 
dom de Deus. Essa imagem revela que a salvação é comunhão: comunhão com Deus, com os outros e com 
a criação. Alfonso García Rubio observa que a nova criação é plenitude da comunhão, onde Deus será tudo 
em todos (Rubio, 2006). A escatologia cristã, portanto, é teologia da comunhão.
A consumação escatológica também envolve a vitória definitiva sobre o mal. A fé cristã afirma 
que o mal, o pecado e a morte serão destruídos, e que Deus instaurará plenamente seu Reino. Luis Ladaria 
afirma que a consumação escatológica é triunfo do amor de Deus sobre todas as forças que se opõem à vida 
(Ladaria,2010). Essa vitória não é violenta, mas fruto da misericórdia e da fidelidade divina.
A escatologia cristã também reconhece que a consumação final é dom, não conquista humana. 
A humanidade é chamada a colaborar com Deus na construção de um mundo mais justo e fraterno, mas a 
plenitude só será alcançada pela ação divina. Urbano Zilles afirma que a esperança cristã é ativa, mas não 
promete aquilo que o ser humano pode realizar por si mesmo; ela confia na intervenção definitiva de Deus 
(Zilles, 2012). Assim, a escatologia evita tanto o pessimismo quanto o otimismo ingênuo.
A consumação escatológica também ilumina o sentido da história. A história não caminha ao acaso, 
mas é conduzida pela providência divina. A ressurreição de Cristo é garantia de que a história tem direção e 
sentido. A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a história humana está orientada para a plenitude, porque 
Deus é fiel e cumpre suas promessas (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). A escatologia cristã, portanto, é 
teologia da esperança histórica.
U N I D A D E I V 92
Por fim, a escatologia cristã afirma que a consumação final será comunhão definitiva com Deus. A 
tradição chama essa realidade de visão beatífica: contemplação direta de Deus, plenitude da vida, realização 
total da vocação humana. Alfonso García Rubio afirma que a visão de Deus é o destino último da humanidade, 
onde o desejo humano encontra sua plenitude (Rubio, 2006). A escatologia é, portanto, teologia do desejo: o 
desejo humano de plenitude encontra resposta no amor eterno de Deus.
Assim, a terceira parte desta unidade mostra que a ressurreição final, a nova criação e a consumação 
escatológica são o horizonte último da fé cristã. A próxima parte concluirá a unidade com uma síntese 
teológica da esperança cristã e sua relevância para a vida cotidiana.
REFLITA
“Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti.”
A esperança cristã nasce justamente dessa inquietação: o ser humano carrega dentro de si um 
desejo que nada neste mundo consegue saciar completamente. A escatologia não fala apenas 
do “fim”, mas do destino, da plenitude para a qual fomos criados.
Agora pense com calma:
Se o seu coração foi feito para Deus, como essa verdade transforma a maneira como você 
enxerga a morte, o futuro e o sentido da sua própria vida?
Fonte: AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Paulus, 2017.
U N I D A D E I V 93
SAIBA MAIS
A Esperança Cristã e o Horizonte da Eternidade
Quando falamos de escatologia, muitas pessoas pensam imediatamente em “fim do mundo”. 
Mas, na tradição cristã, o foco não está no fim, e sim no cumprimento. A palavra vem do grego 
éschata, que significa “realidades últimas”, aquilo que dá sentido ao caminho humano.
Um dado curioso: os primeiros cristãos não tinham medo de falar sobre morte, juízo e 
eternidade. Pelo contrário, viam tudo isso como parte de uma esperança ativa, que iluminava 
o presente. Para eles, a escatologia não era um capítulo final da teologia, mas o fio condutor 
da vida cristã.
Outro ponto interessante é que, ao longo da história, a Igreja desenvolveu diferentes maneiras 
de compreender a relação entre a vida presente e a vida futura. Santo Agostinho, por exemplo, 
dizia que o ser humano vive entre dois amores: o amor de si mesmo até o desprezo de Deus 
e o amor de Deus até o desprezo de si mesmo. Essa tensão revela que a existência humana 
é sempre inacabada, sempre em busca de plenitude — e é justamente a esperança cristã que 
aponta para essa plenitude.
Além disso, a doutrina da ressurreição final não é apenas uma promessa distante. Ela afirma 
que Deus não salva apenas a alma, mas a pessoa inteira, corpo e espírito, e que a criação 
inteira será renovada. Isso significa que a fé cristã não despreza o mundo, mas acredita que 
ele será transformado.
Essa visão amplia nossa responsabilidade ética: se Deus quer renovar todas as coisas, então 
cada gesto de justiça, cuidado e amor já antecipa, no presente, aquilo que esperamos para o 
futuro. A escatologia, portanto, não nos afasta da história — ela nos compromete ainda mais 
com ela.
A grande provocação é esta: Se a esperança cristã aponta para uma vida plena em Deus, como 
essa esperança transforma a maneira como você vive hoje?
Fontes: RATZINGER, J. Escatologia: morte e vida eterna. São Paulo: Loyola, 2007.
AGOSTINHO. A cidade de Deus. São Paulo: Paulus, 2012.
U N I D A D E I V
niFatecie
Considerações Finais
94
A escatologia cristã apresenta-se como dimensão essencial da fé, pois ilumina 
o presente com a luz do futuro de Deus e oferece horizonte de sentido para a 
existência. Sua raiz está na ressurreição de Cristo, que inaugura a nova criação 
e garante a vitória sobre a morte, tornando-se fundamento da esperança e 
princípio que orienta toda a história. A partir dessa certeza, a morte deixa de 
ser fim absoluto e passa a ser passagem para a vida plena: realidade dolorosa, 
mas iluminada pela promessa da comunhão eterna. Nesse caminho, o juízo 
não é ameaça, mas encontro com a verdade e com o amor de Deus, momento 
em que a vida humana se revela diante da justiça misericordiosa do Criador. 
A salvação, por sua vez, é comunhão: o céu não é lugar estático, mas relação 
plena com Deus, com os outros e com a criação, plenitude na qual toda lágrima 
será enxugada.
Para muitos, essa comunhão exige purificação, entendida como graça que 
amadurece o amor e cura o coração, preparando-o para a plenitude. A 
escatologia reconhece também a possibilidade do afastamento definitivo de 
Deus, consequência da liberdade humana, ainda que nunca desejado por Ele. 
Afirma igualmente a ressurreição final, na qual o ser humano inteiro será 
vivificado pelo Espírito, confirmando a dignidade do corpo e sua participação 
no destino eterno.
A consumação desse processo é a nova criação, quando Deus não apenas 
salvará indivíduos, mas renovará o cosmos, realizando plenamente o Reino. 
Essa esperança, porém, não se limita ao futuro: transforma o presente, 
inspira compromisso com a justiça, a paz, a dignidade humana e o cuidado 
da criação. Por isso, longe de alienar, a escatologia responsabiliza e sustenta 
uma espiritualidade ativa. Integrando criação, antropologia, cristologia 
e soteriologia, ela se apresenta como coroamento da teologia, revelando o 
destino último da história e a fidelidade de Deus que conduz todas as coisas à 
comunhão definitiva, onde o amor será tudo em todos.
U N I D A D E I V
M
at
er
ia
l Livro
95
• Título: Escatologia: Morte e Vida Eterna
• Autor: Joseph Ratzinger
• Editora: Molokai
• Sinopse: Nesta obra clássica, Joseph 
Ratzinger apresenta uma reflexão profunda 
e acessível sobre as realidades últimas da 
existência humana: morte, juízo, purificação, 
ressurreição, céu e nova criação. Com clareza 
teológica e sensibilidade pastoral, o autor 
mostra que a escatologia não é um apêndice da 
fé, mas o seu horizonte natural — o ponto para 
o qual toda a vida cristã se orienta. Ratzinger 
destaca que a esperança cristã não é fuga do 
mundo, mas força transformadora que ilumina 
o presente e dá sentido à história. A obra ajuda 
o estudante a compreender como a promessa da 
vida eterna, a ressurreição final e a consumação 
escatológica revelam o destino último do ser 
humano e da criação inteira em Deus.
Filme
• Título: O céu é de verdade
• Ano: 2014.
• Sinopse: Baseado em uma história real, 
o filme narra a experiência de Colton, um 
menino de quatro anos que, após uma cirurgia 
de emergência, relata ter visitado o céu. Suas 
descrições surpreendentes desafiam o pai 
— um pastor — e toda a comunidade, que 
precisam confrontar suas próprias crenças 
sobre morte, eternidade e esperança. A obra 
dialoga profundamente com os temas da 
unidade IV: a vida após a morte, o juízo, a 
esperança cristã e a promessa da vida plena 
em Deus. O filme convida o espectador 
a refletir sobre o sentido escatológico da 
existência humana e sobre como a fé iluminao mistério da morte e da ressurreição.
R
ef
er
ên
ci
as
96
BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002.
LADARIA, L. F. Introdução à antropologia teológica. São Paulo: Loyola, 2010.
PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA. O homem e a mulher os criou: para uma 
caminhada de leitura da Bíblia. São Paulo: Paulinas, 2019.
RUBIO, A. G. Unidade na pluralidade: o ser humano à luz da fé e da reflexão 
cristã. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 2006.
ZILLES, U. Antropologia teológica. 7. ed. São Paulo: Paulus, 2012.
niFatecie
Conclusão Geral
97
Prezado(a) estudante,
Agora que você chegou ao final desta apostila, é importante olhar para trás e 
reconhecer o caminho que percorreu. Ao longo das unidades, você explorou 
conceitos fundamentais, analisou exemplos práticos e refletiu sobre situações 
reais que ajudam a compreender melhor o tema central deste material.
Na Unidade 1, você teve o primeiro contato com os conceitos essenciais, 
construindo a base necessária para avançar.
Na Unidade 2, aprofundou essa compreensão, relacionando teoria e prática e 
percebendo como esses conhecimentos se aplicam no cotidiano.
Já na Unidade 3, ampliou sua visão crítica, analisando desafios, possibilidades 
e impactos.
Por fim, na Unidade 4, integrou tudo o que aprendeu, aplicando os conteúdos 
em atividades que exigiram reflexão, autonomia e tomada de decisão.
Essas unidades não funcionam isoladamente: elas se conectam, se 
complementam e formam um conjunto coerente que apoia seu desenvolvimento. 
As perguntas levantadas na apresentação — sobre a relevância do tema, sua 
presença na vida real e sua importância para sua formação — foram sendo 
respondidas ao longo do percurso, e agora você tem elementos para construir 
suas próprias conclusões.
Encerramos esta apostila com a expectativa de que o conhecimento adquirido 
aqui continue acompanhando você, ajudando-o a interpretar o mundo com 
mais clareza, agir com mais consciência e seguir aprendendo com curiosidade 
e autonomia.
Sucesso em sua jornada acadêmica!a vida concreta, ilumina nossas 
perguntas mais profundas e nos ajuda a reconhecer a beleza e a complexidade 
da existência humana. Por isso, quero incentivá-lo a dedicar-se com atenção 
e abertura: cada conceito estudado aqui tem potencial para ampliar sua visão 
de mundo, fortalecer sua fé e enriquecer sua prática pastoral, acadêmica ou 
pessoal.
Reserve um tempo tranquilo, permita-se refletir, anotar, questionar e dialogar 
com o conteúdo. A teologia cresce quando é estudada com seriedade, mas 
floresce quando é acolhida com o coração.
Vamos juntos. A unidade I está pronta para provocar, inspirar e aprofundar 
sua compreensão sobre o mistério que é o ser humano diante de Deus.
U N I D A D E I
Tópico
Teológica e seu Lugar na Teologia
A Identidade da Antropologia 
01
U N I D A D E I 11
A antropologia teológica é um dos pilares fundamentais da reflexão cristã, pois se dedica a 
compreender o ser humano à luz da revelação divina. Diferentemente das ciências humanas, que analisam a 
pessoa a partir de perspectivas empíricas, psicológicas, sociológicas ou biológicas, a antropologia teológica 
parte da convicção de que o ser humano só se compreende plenamente quando se reconhece como criatura 
chamada à comunhão com Deus. Como afirma Luis F. Ladaria, a revelação cristã não apenas ilumina a 
verdade sobre Deus, mas também revela o homem ao próprio homem (Ladaria, 2010). Essa afirmação ecoa 
a convicção do Concílio Vaticano II, segundo a qual Cristo manifesta o ser humano a si mesmo, revelando 
sua dignidade e seu destino último.
A antropologia teológica nasce, portanto, da fé na revelação. Ela não é uma construção abstrata, 
mas uma leitura da existência humana a partir da história da salvação. A Sagrada Escritura apresenta o ser 
humano como criado “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26), expressão que constitui o núcleo da 
antropologia bíblica. A Pontifícia Comissão Bíblica, em seu documento O que é o homem?, afirma que essa 
imagem não deve ser entendida como uma característica isolada, mas como uma vocação relacional: o ser 
humano é imagem de Deus porque é chamado a viver em relação com Ele, com os outros e com a criação 
(Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Essa perspectiva relacional impede leituras individualistas e destaca 
que a identidade humana é sempre construída no encontro.
Alfonso García Rubio desenvolve essa compreensão ao afirmar que a antropologia teológica é 
inseparável da cristologia. Para ele, o ser humano só alcança sua verdade plena quando contemplado à luz 
de Cristo, novo Adão, no qual a humanidade encontra sua realização definitiva (Rubio, 2006). Cristo não é 
apenas modelo moral, mas revelação daquilo que o ser humano está chamado a ser. Assim, a antropologia 
teológica não é apenas estudo do ser humano, mas estudo do ser humano em Cristo, o que confere à disciplina 
uma profundidade soteriológica e escatológica.
Essa perspectiva cristocêntrica é essencial para compreender o lugar da antropologia teológica dentro 
da teologia sistemática. Ela não é um capítulo isolado, mas atravessa toda a reflexão teológica. A criação é 
compreendida à luz da redenção; a liberdade humana é iluminada pela graça; a corporeidade é interpretada à 
luz da encarnação; e o destino humano é revelado pela ressurreição. Urbano Zilles destaca que a antropologia 
teológica é o ponto de encontro entre a doutrina da criação e a doutrina da salvação, pois o ser humano é 
simultaneamente criatura e destinatário da graça (Zilles, 2012). Essa dupla dimensão impede tanto o pessimismo 
antropológico quanto o otimismo ingênuo, oferecendo uma visão equilibrada da condição humana.
A antropologia teológica também possui um método próprio, que integra a Escritura, tradição e 
experiência humana. A Escritura fornece o fundamento revelado; a tradição oferece a interpretação contínua 
da fé; e a experiência humana permite que a reflexão teológica dialogue com as questões existenciais de cada 
época. 
U N I D A D E I 12
A Pontifícia Comissão Bíblica insiste que a antropologia bíblica não deve ser lida de forma literalista, 
mas interpretada à luz do gênero literário, do contexto histórico e da unidade da revelação (Pontifícia Comissão 
Bíblica, 2019). Essa abordagem evita reducionismos e permite que a antropologia teológica dialogue com as 
ciências contemporâneas, sem perder sua identidade própria.
A experiência humana, por sua vez, é ponto de partida indispensável. O ser humano se percebe 
como mistério: finito e, ao mesmo tempo, aberto ao infinito; limitado, mas capaz de transcendência; marcado 
pela fragilidade, mas portador de um desejo de plenitude que nenhuma realidade criada consegue satisfazer. 
Ladaria observa que essa abertura ao infinito é sinal da presença de Deus no coração humano, pois o homem 
é um ser que não se basta a si mesmo, mas que se realiza na relação com o Absoluto (Ladaria, 2010). A 
antropologia teológica, portanto, não ignora a experiência humana, mas a interpreta à luz da revelação.
Essa integração entre revelação e experiência confere à antropologia teológica uma dimensão 
profundamente pastoral. Ela responde às perguntas fundamentais da existência: Quem sou eu? De onde venho? 
Para onde vou? Qual é o sentido da vida? O que significa ser livre? O que significa amar? O que acontece 
depois da morte? A antropologia teológica não oferece respostas simplistas, mas ilumina essas questões 
com a luz da fé. Como afirma García Rubio, a antropologia teológica é, antes de tudo, uma antropologia da 
esperança (Rubio, 2006), porque vê no ser humano não apenas sua fragilidade, mas sua vocação à comunhão 
com Deus.
Assim, a identidade da antropologia teológica se define por três características fundamentais: 
ela é revelada, porque nasce da Palavra de Deus; é cristocêntrica, porque encontra em Cristo sua chave 
interpretativa; e é relacional, porque compreende o ser humano como chamado à comunhão. Essas três 
dimensões estruturam toda a reflexão que será desenvolvida ao longo desta unidade e das unidades seguintes.
Imagem 1: O homem: o finito aberto ao infinito (Fonte: Freepik)
U N I D A D E I
Tópico
Grandeza, Fragilidade e Vocação
O Ser Humano como Mistério: 
02
U N I D A D E I 14
A antropologia teológica parte da convicção de que o ser humano é um mistério que não se esgota em 
nenhuma definição puramente racional ou científica. A própria experiência humana revela essa profundidade: 
o ser humano é capaz de interrogar-se sobre sua origem, seu destino, o sentido de sua existência e o fundamento 
último da realidade. Essa capacidade de transcendência, que o distingue de todas as outras criaturas, é um 
dos sinais mais evidentes de sua abertura ao infinito. Como observa Luis F. Ladaria, o ser humano é um ser 
que não se basta a si mesmo; sua estrutura interior aponta para além de si, para o Absoluto que o fundamenta 
e o chama (Ladaria, 2010). Essa abertura constitutiva é o que torna o ser humano um mistério.
A Sagrada Escritura confirma essa percepção ao apresentar o ser humano como criatura singular, 
situada entre a terra e o céu. Por um lado, ele é formado do “pó da terra” (Gn 2,7), expressão que simboliza 
sua fragilidade, sua dependência e sua condição mortal. Por outro lado, recebe o “sopro de vida” que procede 
de Deus, tornando-se ser vivente. A Pontifícia Comissão Bíblica destaca que essa dupla dimensão — terrestre 
e divina — constitui a chave para compreender a antropologia bíblica: o ser humano é criatura, mas uma 
criatura chamada à comunhão com o Criador (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Essa tensão entre grandeza 
e limite acompanha toda a existência humana.
Urbano Zilles aprofunda essa perspectiva ao afirmar que a antropologia cristã nasce justamente 
da consciência dessa tensão. Para ele, o ser humano é grande porque é imagem de Deus, mas é frágil 
porque é criatura; é livre, mas vulnerável; é capaz de amar, mas também de ferir; é chamado à comunhão, 
mas experimenta asolidão (Zilles, 2012). Essa visão realista impede tanto o idealismo ingênuo quanto o 
pessimismo antropológico. O ser humano não é um deus caído, nem um animal aperfeiçoado: é um ser único, 
cuja identidade só se esclarece plenamente à luz da revelação.
A tradição cristã sempre reconheceu essa complexidade. Os Padres da Igreja, ao refletirem sobre a 
condição humana, insistiram que o ser humano é um “microcosmo”, síntese do universo material e espiritual. 
Essa síntese não é apenas metafórica, mas expressa a convicção de que o ser humano ocupa um lugar 
singular na criação: ele é capaz de conhecer, de amar, de criar, de escolher e de responder ao chamado de 
Deus. Alfonso García Rubio retoma essa tradição ao afirmar que o ser humano é mistério porque é relação: 
relação com Deus, com os outros, consigo mesmo e com o mundo (Rubio, 2006). Essa estrutura relacional 
é constitutiva e não acessória.
A condição humana, porém, não é apenas marcada pela grandeza. A experiência do mal, do 
sofrimento e da morte revela a profundidade da fragilidade humana. A Escritura apresenta essa realidade 
de modo dramático no relato do pecado original (Gn 3), que não deve ser lido como crônica histórica, 
mas como narrativa teológica que expressa a ruptura fundamental entre o ser humano e Deus. A Pontifícia 
Comissão Bíblica afirma que esse relato simboliza a tendência humana ao fechamento, à desconfiança e à 
autossuficiência, que distorcem a relação com Deus e com o próximo (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). O 
pecado não destrói a imagem de Deus, mas a fere, introduzindo desordem nas relações fundamentais.
U N I D A D E I 15
Luis Ladaria observa que essa ferida não é apenas moral, mas estrutural: o ser humano experimenta 
uma divisão interior que o impede de realizar plenamente o bem que deseja (Ladaria, 2010). Essa tensão é 
descrita por Paulo em termos existenciais: “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rm 7,19). 
A antropologia teológica reconhece que essa condição não é destino inevitável, mas realidade que exige 
redenção. A fragilidade humana, portanto, não é motivo de desespero, mas ponto de partida para a ação 
salvadora de Deus.
A grandeza humana também se manifesta na liberdade. O ser humano é capaz de escolher, de 
decidir, de orientar sua vida segundo valores e convicções. Essa liberdade, porém, não é absoluta: ela é 
situada, condicionada por fatores biológicos, psicológicos, sociais e históricos. Urbano Zilles destaca que a 
liberdade humana é sempre liberdade em relação: ela se realiza no encontro com o outro e se orienta para o 
bem (Zilles, 2012). A antropologia teológica reconhece que a liberdade encontra sua verdade no amor, pois 
o amor é a forma mais elevada de autodeterminação.
A vocação humana à comunhão é outro elemento essencial. A Escritura apresenta o ser humano 
como criado para a relação: “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18). Essa afirmação não se limita 
ao contexto matrimonial, mas expressa a verdade antropológica fundamental de que a pessoa humana só se 
realiza plenamente no encontro com o outro. Alfonso García Rubio afirma que a comunhão é o horizonte 
último da existência humana, porque reflete a própria vida trinitária, na qual as pessoas divinas vivem em 
relação de amor eterno (Rubio, 2006). 
Imagem 2: A experiência do pecado (Fonte: https://abre.ai/o35s)
U N I D A D E I 16
Assim, a antropologia teológica é, desde sua raiz, uma antropologia da comunhão.
Essa vocação à comunhão também ilumina a dimensão ética da existência humana. O ser humano é 
chamado a viver de modo responsável, consciente de que suas escolhas têm impacto sobre si mesmo, sobre 
os outros e sobre o mundo. A dignidade humana, fundamentada na imagem de Deus, exige que cada pessoa 
seja tratada com respeito, justiça e amor. A Pontifícia Comissão Bíblica destaca que a ética bíblica nasce da 
experiência da aliança: Deus chama o ser humano a viver segundo sua vontade, não como imposição externa, 
mas como caminho de vida e de plenitude (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019).
Por fim, a antropologia teológica reconhece que o ser humano é mistério porque é chamado à 
eternidade. A abertura ao infinito, inscrita no coração humano, não é ilusão, mas sinal da vocação última 
da pessoa: participar da vida divina. Ladaria afirma que o ser humano só encontra sua plenitude quando se 
entrega totalmente a Deus, fonte de sua existência e meta de sua história (Ladaria, 2010). Essa dimensão 
escatológica será aprofundada nas unidades seguintes, mas já aqui se percebe que a antropologia teológica 
não se limita ao presente: ela aponta para o futuro, para a promessa de comunhão plena com Deus.
Assim, a condição humana, vista à luz da revelação, é marcada por grandeza e fragilidade, liberdade e 
limite, vocação e queda, mistério e esperança. A antropologia teológica não nega nenhuma dessas dimensões, 
mas as integra em uma visão unificada, na qual o ser humano é compreendido como criatura amada por Deus, 
ferida pelo pecado e chamada à plenitude da vida.
U N I D A D E I
Tópico
Deus: Fundamentos da Dignidade Humana
A Imagem e Semelhança de
03
U N I D A D E I 18
A afirmação de que o ser humano foi criado “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26) constitui 
o núcleo mais profundo da antropologia bíblica e teológica. Essa expressão, que atravessa toda a tradição 
cristã, não é apenas uma descrição metafísica da natureza humana, mas uma revelação sobre sua vocação, 
seu destino e sua dignidade. A Pontifícia Comissão Bíblica enfatiza que a imagem de Deus não deve ser 
entendida como uma característica isolada — como inteligência, liberdade ou racionalidade — mas como 
uma realidade relacional e dinâmica, que envolve a totalidade da pessoa humana em sua abertura ao Criador 
(Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a imagem é dom; a semelhança é tarefa.
A tradição patrística desenvolveu amplamente essa distinção. Para muitos Padres da Igreja, 
especialmente Irineu de Lião e Gregório de Nissa, a imagem refere-se à estrutura ontológica do ser humano 
— sua capacidade de conhecer, amar e relacionar-se — enquanto a semelhança diz respeito ao processo de 
crescimento na graça, que conduz à plena comunhão com Deus. Alfonso García Rubio retoma essa tradição 
ao afirmar que a imagem é constitutiva, enquanto a semelhança é vocacional; a imagem é dada na criação, 
a semelhança é construída na história (Rubio, 2006). Essa distinção permite compreender que a dignidade 
humana é inalienável, mas sua realização plena depende da resposta livre à graça.
A Escritura confirma essa dinâmica ao apresentar o ser humano como parceiro de Deus na história 
da criação. O mandato de “dominar a terra” (Gn 1,28), frequentemente mal interpretado, não significa 
exploração ou domínio arbitrário, mas responsabilidade e cuidado. A Pontifícia Comissão Bíblica destaca 
que o ser humano é chamado a exercer uma “senhoria participada”, refletindo na criação o cuidado amoroso 
de Deus (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a imagem de Deus não é privilégio, mas missão: o ser 
humano é chamado a ser sinal visível do amor invisível de Deus no mundo.
Luis Ladaria observa que essa vocação relacional é profundamente cristológica. Cristo é a “imagem 
perfeita do Deus invisível” (Cl 1,15), e é nele que a humanidade encontra sua forma plena. A antropologia 
teológica, portanto, não pode ser compreendida sem referência à cristologia. O ser humano é imagem de 
Deus porque é criado à imagem de Cristo, que é o modelo eterno da humanidade (Ladaria, 2010). Essa 
afirmação tem consequências profundas: a dignidade humana não depende de capacidades funcionais, mas 
da relação originária com Cristo, fundamento último da identidade pessoal.
Essa perspectiva cristocêntrica também ilumina a dimensão ética da imagem de Deus. Se o ser 
humano é imagem de Deus, então toda forma de violência, discriminação ou desumanização é uma profanação 
dessa imagem. Urbano Zilles destacaque a antropologia cristã fundamenta a defesa da vida humana em 
todas as suas etapas, porque cada pessoa, independentemente de sua condição, manifesta a presença de 
Deus no mundo (Zilles, 2012). A dignidade humana não é concedida pela sociedade, mas reconhecida; não 
é construída, mas descoberta; não é negociável, mas absoluta.
U N I D A D E I 19
A imagem de Deus também se manifesta na liberdade. O ser humano é livre porque participa da 
liberdade divina. Essa liberdade, porém, não é autonomia absoluta, mas capacidade de responder ao amor de 
Deus. A tradição cristã sempre insistiu que a liberdade encontra sua verdade no amor: a glória de Deus é o 
homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus, segundo Irineu de Lião. Alfonso García Rubio interpreta 
essa afirmação como síntese da antropologia cristã: o ser humano só se realiza plenamente quando se entrega 
ao amor de Deus, que o chama à comunhão (Rubio, 2006).
A imagem de Deus também ilumina a dimensão comunitária da existência humana. A criação do 
ser humano “homem e mulher” (Gn 1,27) revela que a imagem de Deus não é apenas individual, mas 
relacional. A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a diferença sexual é parte integrante da imagem de 
Deus, porque manifesta a vocação à comunhão e ao dom de si (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). A relação 
entre homem e mulher, portanto, não é apenas biológica ou social, mas teológica: ela reflete, de modo 
analógico, a comunhão das pessoas divinas.
Essa dimensão relacional impede qualquer visão individualista da pessoa humana. O ser humano não 
é imagem de Deus isoladamente, mas na relação. A comunidade humana, especialmente a comunidade de fé, 
é o lugar onde a imagem de Deus se manifesta e se realiza. Luis Ladaria observa que a Igreja é o espaço onde 
a imagem ferida pelo pecado é restaurada pela graça, e onde a semelhança com Deus é cultivada pela vida 
sacramental e pela caridade (Ladaria, 2010). Assim, a antropologia teológica é inseparável da eclesiologia.
Imagem 3: Onde está Deus? (Fonte: Freepik)
U N I D A D E I 20
A imagem de Deus também possui uma dimensão escatológica. A semelhança plena com Deus 
não é alcançada nesta vida, mas é promessa para o futuro. A tradição cristã afirma que a visão beatífica — a 
contemplação direta de Deus — é o cumprimento da imagem e a realização da semelhança. Alfonso García 
Rubio destaca que a escatologia não é apêndice da antropologia, mas sua conclusão natural: o ser humano 
é imagem de Deus porque é chamado à comunhão eterna com Ele (Rubio, 2006). A antropologia teológica, 
portanto, é sempre antropologia da esperança.
Por fim, a imagem de Deus ilumina a relação do ser humano com a criação. O ser humano é chamado 
a ser guardião da criação, não seu dominador. A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a ecologia integral 
é consequência direta da antropologia bíblica: cuidar da criação é cuidar da obra de Deus e reconhecer a 
interdependência entre todas as criaturas (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a imagem de Deus 
fundamenta não apenas a ética pessoal, mas também a ética social e ecológica.
A reflexão sobre a imagem e semelhança de Deus, portanto, revela a profundidade da antropologia 
teológica. Ela ilumina a dignidade humana, a liberdade, a vocação à comunhão, a responsabilidade ética e o 
destino escatológico da pessoa. A imagem é dom; a semelhança é caminho; a comunhão é destino. E é nessa 
dinâmica que o ser humano encontra sua verdade mais profunda.
U N I D A D E I
Tópico
Unidade de Corpo e Espírito
O Ser Humano como 
04
U N I D A D E I 22
A antropologia teológica cristã sempre insistiu que o ser humano não é composto por duas realidades 
separadas — corpo e alma — mas é uma unidade indivisível, na qual a dimensão corporal e a dimensão 
espiritual se interpenetram e se iluminam mutuamente. Essa visão, profundamente enraizada na Escritura, 
na tradição patrística e na reflexão teológica contemporânea, rejeita tanto o dualismo platônico quanto o 
materialismo moderno, oferecendo uma compreensão integral da pessoa humana.
A Sagrada Escritura apresenta o ser humano como um ser unitário. O termo hebraico nephesh, 
frequentemente traduzido como “alma”, não designa uma substância separada do corpo, mas a pessoa inteira 
enquanto vivente. A Pontifícia Comissão Bíblica destaca que, no pensamento bíblico, o corpo não é um 
invólucro descartável, mas expressão concreta da pessoa; e a alma não é uma entidade autônoma, mas a vida 
que anima o corpo (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Essa visão impede qualquer leitura que reduza o 
corpo a mero instrumento ou que absolutize a dimensão espiritual como se fosse superior ou mais “pura”.
Luis F. Ladaria observa que essa unidade antropológica é essencial para compreender a encarnação 
e a ressurreição. Cristo assume a totalidade da condição humana — corpo, alma, afetividade, vontade — e 
redime o ser humano inteiro. A salvação cristã não é libertação da corporeidade, mas sua transfiguração, 
afirma Ladaria (2010). A ressurreição de Cristo, portanto, confirma que o corpo tem valor eterno e que a 
salvação não é fuga do mundo, mas transformação da criação. Essa perspectiva cristológica impede qualquer 
espiritualismo desencarnado e fundamenta uma antropologia integral.
A tradição patrística desenvolveu essa visão de modo profundo. Irineu de Lião, por exemplo, 
combateu vigorosamente as tendências gnósticas que desprezavam o corpo e consideravam a matéria como 
realidade inferior (Rubio, 2006). Para Irineu, continua Rubio, o corpo é parte essencial da identidade humana, 
e sua redenção é parte integrante do plano salvífico de Deus. Alfonso García Rubio retoma essa tradição 
ao afirmar que a corporeidade não é obstáculo para a vida espiritual, mas seu lugar de manifestação; é no 
corpo que o ser humano ama, sofre, trabalha, celebra e se relaciona (Rubio, 2006). A espiritualidade cristã, 
portanto, não é fuga do corpo, mas integração harmoniosa de todas as dimensões da pessoa.
Essa visão integral também ilumina a relação entre corpo e liberdade. O corpo não é mero objeto 
manipulado pela vontade, mas parte constitutiva da identidade pessoal. Urbano Zilles destaca que a 
corporeidade é o lugar onde a liberdade se concretiza: não há ato humano que não seja corporal; é no 
corpo que a pessoa se expressa, se doa e se compromete (Zilles, 2012). Essa perspectiva impede leituras 
reducionistas que tratam o corpo como simples matéria disponível para qualquer intervenção técnica ou 
como realidade secundária diante da subjetividade.
A corporeidade também possui uma dimensão simbólica e sacramental. O corpo é linguagem: ele 
expressa emoções, intenções, afetos e valores. A tradição cristã reconhece que o corpo é lugar de revelação, 
porque nele se manifesta a interioridade da pessoa.
U N I D A D E I 23
A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a corporeidade humana é “lugar de encontro com Deus”, 
especialmente na liturgia, onde os gestos corporais — ajoelhar-se, levantar-se, estender as mãos — expressam 
a fé e a entrega (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). A sacramentalidade da vida cristã, portanto, pressupõe 
uma antropologia que valoriza o corpo como espaço de graça.
Essa compreensão integral do corpo também ilumina a ética cristã. A dignidade do corpo humano 
exige respeito, cuidado e responsabilidade. A sexualidade, por exemplo, não é apenas função biológica, mas 
expressão da vocação à comunhão. A diferença sexual — homem e mulher — não é mero dado biológico, 
mas dimensão teológica da imagem de Deus. Alfonso García Rubio afirma que a sexualidade humana é lugar 
de encontro, de dom e de reciprocidade; ela manifesta, de modo analógico, a comunhão trinitária (Rubio, 
2006). Assim, a ética sexual cristã não é repressão, mas valorização da corporeidade como espaço de amor 
e de responsabilidade.
A unidade corpo–espírito também ilumina a experiência do sofrimento e da morte. O sofrimento 
corporal não é apenasdor física, mas afeta a totalidade da pessoa. A antropologia teológica reconhece que o 
sofrimento revela a vulnerabilidade humana, mas também pode ser lugar de encontro com Deus. Luis Ladaria 
observa que Cristo assumiu o sofrimento humano e o transformou em caminho de redenção (Ladaria, 2010). 
A morte, por sua vez, não é separação definitiva entre corpo e alma, mas ruptura da unidade pessoal que 
será restaurada na ressurreição. A esperança cristã afirma que o corpo ressuscitado será transfigurado, não 
substituído.
Imagem 4: O homem integral (Fonte: https://abre.ai/o36a)
U N I D A D E I 24
Por fim, a unidade corpo–espírito possui uma dimensão escatológica. A ressurreição final não é retorno 
à vida terrena, mas transformação radical da existência. A tradição cristã afirma que o corpo ressuscitado será 
espiritual, não no sentido de imaterial, mas no sentido de plenamente vivificado pelo Espírito. A Pontifícia 
Comissão Bíblica destaca que a ressurreição é a confirmação definitiva da dignidade do corpo humano e da 
unidade da pessoa (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a antropologia teológica é inseparável da 
esperança escatológica.
A reflexão sobre a unidade corpo–espírito revela, portanto, a profundidade da antropologia cristã. Ela 
ilumina a dignidade da corporeidade, a integração entre liberdade e corpo, a sacramentalidade da existência 
humana, a ética do cuidado e a esperança da ressurreição. O ser humano é corpo e espírito, não como duas 
partes, mas como uma única realidade pessoal chamada à comunhão com Deus.
U N I D A D E I
Tópico
A Vocação à Comunhão
A Liberdade Humana e 
05
U N I D A D E I 26
A liberdade é um dos elementos mais profundos e enigmáticos da condição humana. Ela constitui, 
ao mesmo tempo, expressão da dignidade da pessoa e espaço de sua vulnerabilidade. A antropologia 
teológica reconhece que a liberdade não é apenas capacidade de escolha entre alternativas, mas abertura ao 
bem, capacidade de amar e possibilidade de responder ao chamado de Deus. Como afirma Luis F. Ladaria, 
a liberdade humana é dom e tarefa; ela é dada por Deus, mas deve ser exercida de modo responsável e 
orientado para o bem (Ladaria, 2010). Essa compreensão impede tanto o determinismo quanto o voluntarismo, 
oferecendo uma visão equilibrada da liberdade como relação.
A Sagrada Escritura apresenta a liberdade como elemento constitutivo da vocação humana. Desde o 
início, Deus coloca o ser humano diante da possibilidade de escolher: “coloco diante de ti a vida e a morte, 
a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19). Essa escolha não é arbitrária, mas expressão da 
relação de aliança entre Deus e seu povo. A Pontifícia Comissão Bíblica destaca que a liberdade bíblica não 
é autonomia absoluta, mas resposta ao amor de Deus, que chama o ser humano a viver segundo sua vontade 
(Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a liberdade é sempre liberdade em relação: relação com Deus, 
com os outros e consigo mesmo.
A tradição cristã desenvolveu essa compreensão ao afirmar que a liberdade encontra sua verdade no 
amor. A liberdade não é fim em si mesma, mas meio para a realização da vocação humana. Alfonso García 
Rubio observa que a liberdade humana só alcança sua plenitude quando se orienta para o amor, porque o 
amor é a forma mais elevada de autodeterminação (Rubio, 2006). Essa afirmação revela que a liberdade não 
é mera capacidade de escolher, mas capacidade de doar-se. A liberdade que se fecha em si mesma se destrói; 
a liberdade que se abre ao outro se realiza.
Essa dimensão relacional da liberdade também ilumina sua fragilidade. O ser humano é livre, mas 
sua liberdade é limitada por condicionamentos biológicos, psicológicos, sociais e históricos. Urbano Zilles 
destaca que a liberdade humana é sempre liberdade situada: o ser humano escolhe dentro de um horizonte 
de possibilidades que não controla totalmente, mas que pode transformar pela responsabilidade e pelo 
amor (Zilles, 2012). Essa visão realista impede tanto o fatalismo quanto a ilusão de autonomia absoluta, 
reconhecendo que a liberdade é sempre exercida dentro de limites concretos.
A antropologia teológica também reconhece que a liberdade humana está ferida pelo pecado. A 
Escritura descreve essa ferida como divisão interior: o ser humano deseja o bem, mas muitas vezes realiza 
o mal (Rm 7,19). Essa tensão não é apenas moral, mas estrutural: a liberdade humana está inclinada ao 
fechamento, à autossuficiência e à desordem. Luis Ladaria afirma que “o pecado não destrói a liberdade, mas 
a desorienta; a graça não anula a liberdade, mas a cura e a eleva” (Ladaria, 2010). Assim, a liberdade humana 
só encontra sua verdade plena quando iluminada e fortalecida pela graça divina.
U N I D A D E I 27
A relação entre liberdade e graça é um dos temas centrais da antropologia teológica. A graça não é 
imposição externa, mas presença interior de Deus que liberta o ser humano de suas limitações e o capacita 
para o amor. Alfonso García Rubio destaca que a graça não substitui a liberdade, mas a torna capaz de realizar 
aquilo que, por si só, ela não conseguiria: amar de modo pleno, perdoar sem reservas, entregar-se sem medo 
(Rubio, 2006). A liberdade humana, portanto, não é diminuída pela graça, mas encontra nela sua plenitude.
Essa compreensão ilumina também a dimensão ética da liberdade. A ética cristã não é um conjunto 
de normas externas, mas um caminho de realização da liberdade. A moral cristã nasce da experiência da 
graça e da resposta livre ao amor de Deus. A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a ética bíblica é sempre 
ética da aliança: Deus chama o ser humano a viver segundo sua vontade, não como imposição, mas como 
caminho de vida (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a liberdade ética é liberdade responsável, 
orientada para o bem e para a comunhão.
A liberdade também possui uma dimensão comunitária. O ser humano não é livre isoladamente, 
mas na relação com os outros. A liberdade individual encontra sua verdade na construção do bem comum. 
Urbano Zilles observa que a liberdade humana é sempre liberdade com e para os outros; ela se realiza 
na solidariedade, na justiça e na fraternidade (Zilles, 2012). Essa visão impede qualquer interpretação 
individualista da liberdade e fundamenta uma ética social cristã.
A vocação à comunhão é o horizonte último da liberdade humana. A Escritura apresenta a comunhão 
como destino final da humanidade: comunhão com Deus, com os outros e com a criação. A liberdade é o 
caminho para essa comunhão. Alfonso García Rubio afirma que a liberdade humana é chamada a tornar-se 
amor; e o amor é a forma mais elevada de comunhão (Rubio, 2006).
Imagem 5: Liberdade! (Fonte: Freepik)
U N I D A D E I 28
Assim, a liberdade não é apenas capacidade de escolher, mas capacidade de entregar-se, de construir 
relações, de participar da vida divina.
Por fim, a liberdade possui uma dimensão escatológica. A plenitude da liberdade não é alcançada 
nesta vida, mas é promessa para o futuro. A tradição cristã afirma que a liberdade será plenamente realizada 
na comunhão eterna com Deus, quando o ser humano, totalmente transfigurado pela graça, poderá amar sem 
limites. Luis Ladaria observa que a liberdade humana encontra sua plenitude na visão de Deus, onde o amor 
será total e definitivo (Ladaria, 2010). Assim, a antropologia teológica é sempre antropologia da esperança.
A reflexão sobre a liberdade humana revela, portanto, a profundidade da antropologia cristã. A 
liberdade é dom e tarefa, grandeza e fragilidade, responsabilidade e vocação. Ela encontra sua verdade no 
amor, sua cura na graça e sua plenitude na comunhão. E é nessa dinâmica que o ser humano descobre o 
sentido mais profundo de sua existência.
REFLITA
“O ser humano não é apenas algo que existe; é também algo que deve tornar-se.”
Para pensar:
Se a criação nos oferece um ponto de partida — uma condição recebida, uma dignidade dada— como essa afirmação de Frankl ilumina a dimensão dinâmica da existência humana? Em 
que medida compreender-se como alguém que “deve tornar-se” amplia nossa percepção de 
liberdade, responsabilidade e vocação dentro da história da criação?
Fonte: FRANKL, V. Em busca de sentido. Rio de Janeiro: Vozes, 2019.
U N I D A D E I 29
SAIBA MAIS
A DIGNIDADE HUMANA E A IMAGO DEI EM PERSPECTIVA CONTEMPORÂNEA
Um dos temas centrais da antropologia teológica é a afirmação de que o ser humano foi criado 
à imagem e semelhança de Deus. Essa verdade bíblica, que fundamenta a dignidade humana, 
tem sido retomada de forma renovada por diversos teólogos contemporâneos, especialmente 
diante dos desafios éticos e sociais do mundo atual.
Uma curiosidade interessante é que, nos últimos anos, teólogos têm dialogado com áreas 
como neurociência, psicologia e filosofia da mente para aprofundar o entendimento da pessoa 
humana. Em vez de ver essas áreas como ameaças, muitos autores defendem que elas podem 
enriquecer a compreensão teológica da liberdade, da consciência e da unidade corpo-espírito.
Por exemplo, alguns estudos mostram que a experiência humana de empatia, cooperação e 
cuidado — frequentemente interpretada pela teologia como expressão da vocação à comunhão 
— encontra também respaldo em pesquisas sobre o funcionamento do cérebro e sobre o 
comportamento social. Isso não substitui a visão teológica, mas oferece um novo ponto de 
vista: a graça não anula a natureza, mas a eleva e a aperfeiçoa.
Assim, ao estudar a antropologia teológica, você é convidado(a) a perceber que a reflexão 
sobre o ser humano não está isolada do mundo contemporâneo. Pelo contrário, ela dialoga com 
descobertas científicas, debates éticos e desafios sociais, mostrando que a fé cristã continua 
oferecendo uma visão profunda e integradora da pessoa humana.
Fonte: RUTHES, V. R. M. Introdução à antropologia teológica. São Paulo: Paulus, 2020.
U N I D A D E I
niFatecie
Considerações Finais
30
A antropologia teológica, como vimos nesta unidade, oferece uma 
compreensão integrada da pessoa humana a partir da revelação, da tradição 
e da experiência. Longe de ser uma reflexão abstrata, ela ilumina as questões 
fundamentais da existência e apresenta o ser humano como mistério, imagem 
de Deus, unidade corpo-espírito, ser livre e chamado à comunhão.
Primeiro, o ser humano é mistério porque sua realidade ultrapassa o que é 
meramente material ou racional. Sua abertura ao transcendente revela a marca 
do Criador e fundamenta sua dignidade. Em seguida, a afirmação bíblica 
de que o ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus indica sua 
vocação à comunhão: com Deus, com os outros e com a criação. A imagem é 
dom recebido; a semelhança, caminho a ser percorrido na liberdade.
A antropologia teológica também reconhece a unidade corpo-espírito. A visão 
bíblica rejeita dualismos e afirma a bondade da corporeidade, confirmada pela 
encarnação e pela ressurreição de Cristo. O corpo é lugar de expressão da 
pessoa e de realização da liberdade.
A liberdade humana, por sua vez, é dom e responsabilidade. Ela não significa 
autonomia absoluta, mas capacidade de responder ao amor de Deus. Embora 
ferida pelo pecado, é curada e elevada pela graça, tornando-se apta a realizar 
o bem e a viver o amor.
Por fim, o ser humano é vocacionado à comunhão. A relação com Deus, com 
o próximo e com o mundo expressa sua identidade mais profunda e aponta 
para sua plenitude escatológica, quando a imagem de Deus será plenamente 
realizada e a comunhão alcançará sua forma definitiva.
Assim, a antropologia teológica apresenta uma visão integral da pessoa: 
digna, livre, relacional, marcada pela fragilidade, mas chamada à plenitude 
em Deus. Essa perspectiva orienta toda a vida cristã e prepara o caminho 
para as próximas unidades, que aprofundarão a condição humana ferida, a 
redenção em Cristo e o destino último da humanidade.
U N I D A D E I
M
at
er
ia
l Livro
31
• Título: Introdução à Antropologia 
Teológica
• Autor: Vanessa Roberta Massambani 
Ruthes
• Editora: Intersaberes
• Sinopse: Este livro apresenta uma 
introdução clara, didática e contemporânea à 
antropologia teológica, ideal para estudantes 
que estão iniciando o tema. Vanessa Ruthes 
articula fundamentos bíblicos, patrísticos 
e sistemáticos para responder à pergunta 
central: o que significa ser humano à luz da fé 
cristã? A linguagem acessível, o diálogo com 
questões atuais e a organização pedagógica 
tornam a obra especialmente útil para cursos 
introdutórios e para estudantes que desejam 
uma visão sólida, mas não excessivamente 
técnica.
Filme
• Título: A Árvore da Vida.
• Ano: 2011.
• Sinopse: “A Árvore da Vida” é uma obra 
profundamente contemplativa que explora o 
mistério da existência humana, a relação entre 
grandeza e fragilidade, e a busca de sentido 
diante do sofrimento e da beleza da vida. 
A narrativa acompanha a família O’Brien, 
especialmente o filho mais velho, Jack, que na 
vida adulta revisita suas memórias de infância 
marcadas pela tensão entre a severidade do 
pai e a ternura da mãe.
R
ef
er
ên
ci
as
32
BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002.
LADARIA, L. F. Teologia do pecado original e da graça. São Paulo: Loyola, 
2010.
PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA. O que é o homem? Um itinerário de 
antropologia bíblica. São Paulo: Paulinas, 2019.
RUBIO, A. G. Antropologia teológica. São Paulo: Paulinas, 2006.
ZILLES, U. Antropologia teológica. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2012.
0202
Teologia da Criação:
Questões Fundamentais
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Objetivo de
Aprendizagem
Plano de Estudo
34
• A criação como dom e revelação do amor de Deus;
• O ser humano na criação: dignidade, vocação e responsabilidade;
• A bondade da criação, o mistério do mal e a liberdade humana;
• A providência divina, a criação contínua e o sentido da história.
• Compreender a criação como dom e revelação do amor de 
Deus, reconhecendo seu caráter gratuito, relacional e orientado à 
comunhão entre o Criador e criatura;
• Analisar a dignidade, a vocação e a responsabilidade do ser 
humano na criação, identificando como a imagem e semelhança de 
Deus fundamentam a ética do cuidado e da corresponsabilidade;
• Avaliar a bondade originária da criação à luz do mistério do 
mal e da liberdade humana, refletindo sobre como a ruptura do 
pecado afeta a relação do ser humano consigo mesmo, com o 
outro, com o mundo e com Deus;
• Explicar o sentido teológico da providência divina e da 
criação contínua, reconhecendo a ação permanente de Deus na 
sustentação, condução e plenitude da história;
• Integrar os temas da criação, liberdade, providência e história 
para interpretar a existência humana como participação no projeto 
amoroso de Deus e na construção de um mundo reconciliado.
U N I D A D E I I
niFatecie
Introdução
35
Prezado(a) estudante,
A unidade II tem por finalidade aprofundar a compreensão teológica da criação 
e situar o ser humano no horizonte mais amplo do desígnio divino. Partindo 
da tradição bíblica e do desenvolvimento histórico-teológico da doutrina da 
criação, esta etapa do curso busca oferecer ao estudante uma visão sistemática 
e integrada dos fundamentos antropológicos que emergem da relação entre 
Deus, o mundo e a pessoa humana.
O estudo inicia-se com a análise da criação como dom gratuito e revelação 
do amor de Deus, destacando seu caráter intencional, ordenado e relacional. 
A partir dessa perspectiva, examina-se a condição humana como criatura 
dotada de dignidade ontológica, vocação específica e responsabilidade ética 
no interior da criação. A reflexão avança, então, para o exame da tensão entre 
a bondade originária do criado e o mistério do mal, considerando o papel da 
liberdade humana na ruptura e na possibilidade de restauração das relações 
fundamentais.
Por fim, a unidade aborda a providência divina e a noçãode criação contínua, 
elementos essenciais para compreender o dinamismo da história como espaço 
de atuação de Deus e de resposta humana. Essa abordagem permite articular, 
de modo coerente, a ação criadora e sustentadora de Deus com a participação 
responsável do ser humano no desenvolvimento histórico e cultural.
Trata-se, portanto, de uma Unidade que exige rigor conceitual, capacidade 
de articulação teológica e disposição para o diálogo crítico com a tradição 
cristã e com os desafios contemporâneos. O estudo atento dos conteúdos 
aqui propostos constitui uma oportunidade privilegiada de aprofundamento 
intelectual e de consolidação das bases antropológicas da fé cristã.
Assim, desejo um excelente estudo a você, estudante. Que o aprendizado seja 
uma experiência prazerosa e edificante. 
Grande abraço.
U N I D A D E I I
Tópico
e Revelação do Amor de Deus
A Criação como Dom 
01
U N I D A D E I I 37
A doutrina da criação ocupa um lugar central na fé cristã, pois estabelece o fundamento de toda a 
antropologia teológica, da soteriologia e da escatologia. Compreender a criação não é apenas refletir sobre 
a origem do universo, mas interpretar o sentido profundo da existência humana à luz do amor de Deus. A 
criação é o primeiro gesto da história da salvação, o ponto de partida da relação entre Deus e o ser humano, 
e o horizonte que ilumina toda a caminhada humana. Segundo Luis F. Ladaria, a criação não é um ato 
isolado, mas o início de um diálogo entre Deus e o homem, diálogo que culmina na redenção e na comunhão 
definitiva (Ladaria, 2010).
A Sagrada Escritura apresenta a criação como obra de Deus, realizada não por necessidade, mas 
por amor. O primeiro capítulo do Gênesis descreve a criação em linguagem litúrgica e poética, revelando 
que tudo o que existe é bom e que o ser humano ocupa um lugar singular dentro da obra criada. A Pontifícia 
Comissão Bíblica destaca que o relato de Gênesis não pretende oferecer explicação científica da origem do 
mundo, mas proclamar uma verdade teológica fundamental: o universo é fruto da liberdade e da bondade de 
Deus, e não resultado do acaso ou de forças impessoais (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Essa afirmação 
estabelece o fundamento da dignidade humana e da responsabilidade ética diante da criação.
A criação é, portanto, dom. Nada do que existe é fruto de conquista humana; tudo é recebido. 
Alfonso García Rubio observa que a criação revela a estrutura fundamental da existência humana, onde o 
ser humano é criatura, e sua verdade mais profunda é ser recebido de Deus (Rubio, 2006). Essa perspectiva 
impede qualquer visão autossuficiente da pessoa humana e fundamenta uma antropologia da gratuidade. O 
ser humano não é autor de si mesmo, mas destinatário de um amor que o precede e o sustenta.
A tradição cristã sempre interpretou a criação como expressão da liberdade divina. Deus cria porque 
quer comunicar sua bondade; cria porque ama. A criação não acrescenta nada a Deus, mas manifesta sua 
generosidade. Urbano Zilles destaca que essa compreensão impede qualquer leitura panteísta ou materialista 
da realidade, uma vez que a criação é distinta de Deus, mas depende totalmente Dele; é finita, mas participa 
da bondade infinita do Criador (Zilles, 2012). Essa distinção entre Criador e criatura é essencial para a fé 
cristã e para a compreensão da liberdade humana.
A criação também é revelação. O universo não é apenas cenário da história humana, mas sinal da 
presença de Deus. A Escritura afirma que “os céus proclamam a glória de Deus” (Sl 19,2), indicando que 
a criação possui uma dimensão sacramental: ela torna visível, de modo analógico, a beleza e a sabedoria 
do Criador. A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a criação é a primeira linguagem de Deus, anterior à 
revelação escrita, e que convida o ser humano à contemplação e à gratidão (Pontifícia Comissão Bíblica, 
2019). Assim, a teologia da criação é inseparável da espiritualidade cristã.
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Essa dimensão reveladora da criação também ilumina a relação entre fé e ciência. A doutrina cristã 
da criação não se opõe às descobertas científicas sobre a origem do universo, mas oferece um horizonte de 
sentido que a ciência, por sua própria metodologia, não pode alcançar. A ciência descreve o “como” dos 
processos naturais; a teologia responde ao “porquê” último da existência. Alfonso García Rubio observa que 
a fé na criação não compete com a ciência, mas a integra em uma visão mais ampla da realidade (Rubio, 
2006). Assim, a teologia da criação promove diálogo, não conflito.
A criação também possui uma dimensão histórica. Deus não cria e abandona o mundo à própria sorte; 
Ele sustenta e conduz a criação ao longo da história. A tradição cristã chama essa ação contínua de Deus de 
“providência”. Luis Ladaria afirma que a providência não é intervenção arbitrária, mas presença amorosa 
que acompanha a liberdade humana e orienta a história para sua plenitude (Ladaria, 2010). A providência não 
elimina o mal nem impede a liberdade, mas garante que a história não caminha ao acaso.
Por fim, a criação é o primeiro capítulo da história da salvação. A mesma Palavra que cria o universo 
é a Palavra que se encarna em Jesus Cristo. A criação encontra seu sentido pleno na redenção, e a redenção 
é nova criação. A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a criação e a salvação são dois momentos de uma 
única economia do amor de Deus (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a teologia da criação prepara 
o caminho para a compreensão da graça, do pecado e da esperança escatológica.
A reflexão sobre a criação, portanto, revela a profundidade da fé cristã. A criação é dom, revelação, 
responsabilidade, diálogo, história e promessa. Ela ilumina a dignidade humana, fundamenta a ética ecológica, 
sustenta a esperança e revela o amor de Deus que chama todas as coisas à plenitude.
Imagem 1: A beleza da criação (Fonte: Freepik)
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Tópico
Dignidade, Vocação e
Responsabilidade
O Ser Humano na Criação:
02
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A criação do ser humano ocupa um lugar singular dentro da teologia da criação. Os relatos do 
Gênesis, embora distintos em estilo e ênfase, convergem em afirmar que o ser humano é o ápice da obra 
criadora, não por superioridade ontológica sobre as demais criaturas, mas porque é chamado a uma relação 
única com Deus e com o mundo. A Pontifícia Comissão Bíblica destaca que a criação do ser humano é 
apresentada como momento culminante, no qual a relação entre Deus e a criatura alcança sua expressão mais 
profunda (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Essa centralidade não é privilégio, mas responsabilidade.
O primeiro relato da criação (Gn 1,1-2,4a) apresenta o ser humano como criado “à imagem e 
semelhança de Deus” (Gn 1,26), expressão que fundamenta sua dignidade e sua vocação. Como vimos 
na unidade I, essa imagem não é atributo isolado, mas realidade relacional. Alfonso García Rubio observa 
que a imagem de Deus confere ao ser humano uma dignidade inalienável e o insere em uma dinâmica de 
relação com Deus, com os outros e com a criação (Rubio, 2006). Assim, a antropologia teológica e a teologia 
da criação se entrelaçam: compreender o ser humano é compreender a criação; compreender a criação é 
compreender o ser humano.
O segundo relato da criação (Gn 2,4b-25) aprofunda essa relação ao apresentar o ser humano como 
formado do “pó da terra” e vivificado pelo “sopro de Deus”. Essa imagem revela a dupla dimensão da 
existência humana: terrestre e espiritual, finita e aberta ao infinito. Luis Ladaria afirma que essa tensão 
constitutiva é essencial para compreender a vocação humana. Para nosso autor, o ser humano é criatura, mas 
criatura chamada à comunhão com Deus; é terrestre, mas orientado para o transcendente (Ladaria, 2010). 
Essa visão impede tanto o materialismo quanto o espiritualismo, oferecendo uma compreensão integral da 
pessoa humana.
A relação entre oser humano e a criação é expressa no mandato de “cultivar e guardar o jardim” (Gn 
2,15). Essa dupla expressão — cultivar e guardar — sintetiza a vocação humana diante do mundo. Cultivar 
significa desenvolver, transformar, fazer frutificar; guardar significa proteger, preservar, cuidar. A Pontifícia 
Comissão Bíblica afirma que esse mandato revela a responsabilidade ecológica inscrita na própria criação, 
assim o ser humano é chamado a exercer uma senhoria participada, que reflita o cuidado amoroso de Deus 
pela criação (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Dessa forma, a teologia da criação fundamenta uma ética 
ecológica que não é opcional, mas constitutiva da fé cristã.
Urbano Zilles destaca que essa responsabilidade não é apenas funcional, mas teológica. O ser 
humano é guardião da criação porque participa da imagem de Deus, e Deus é o Criador que cuida de todas 
as coisas (Zilles, 2012). A relação entre o ser humano e o mundo não é de domínio arbitrário, mas de 
serviço. A criação não é propriedade humana, mas dom confiado à liberdade humana. Essa perspectiva 
corrige interpretações equivocadas que, ao longo da história, justificaram exploração ambiental em nome de 
uma suposta superioridade humana.
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A criação do ser humano como homem e mulher (Gn 1,27) revela outra dimensão fundamental da 
teologia da criação: a diferença sexual como expressão da imagem de Deus. A Pontifícia Comissão Bíblica 
afirma que a diferença sexual não é mero dado biológico, mas realidade teológica que manifesta a vocação à 
comunhão (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Alfonso García Rubio observa que a relação entre homem e 
mulher é lugar privilegiado onde a imagem de Deus se expressa, porque é relação de reciprocidade, de dom e 
de acolhida (Rubio, 2006). Assim, a sexualidade humana é parte integrante da criação e da vocação humana.
Essa dimensão relacional também ilumina a compreensão cristã da família. A união entre homem e 
mulher, apresentada como “uma só carne” (Gn 2,24), não é apenas instituição social, mas realidade inscrita 
na criação. Luis Ladaria afirma que a família é o primeiro espaço de comunhão, onde a vocação humana 
ao amor se manifesta de modo originário (Ladaria, 2010). A teologia da criação, portanto, fundamenta a 
dignidade da vida familiar e sua importância para a formação da pessoa humana.
A relação entre o ser humano e a criação também possui uma dimensão ética e espiritual. A criação 
é lugar de encontro com Deus, espaço onde a pessoa humana reconhece sua condição de criatura e responde 
com gratidão. A espiritualidade bíblica é profundamente marcada pela contemplação da criação: os salmos 
celebram a beleza do universo como expressão da glória divina (Sl 8; Sl 19; Sl 104). A Pontifícia Comissão 
Bíblica afirma que a criação é a primeira escola da fé, onde o ser humano aprende a reconhecer a presença 
de Deus (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a teologia da criação é inseparável da espiritualidade 
cristã.
Imagem 2: Homem e mulher: Deus os fez (Fonte: Freepik)
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Por fim, a criação do ser humano revela que a história não é produto do acaso, mas caminho de 
comunhão. A criação não é estática, mas dinâmica; não é concluída, mas aberta ao futuro. Alfonso García 
Rubio afirma que a criação é processo em direção à plenitude, e o ser humano é chamado a colaborar com 
Deus na construção desse futuro (Rubio, 2006). Essa visão prepara o terreno para a compreensão da redenção 
e da esperança escatológica, que serão aprofundadas nas unidades seguintes.
Assim, a teologia da criação revela que o ser humano é criatura amada, imagem de Deus, guardião da 
criação, ser relacional e colaborador de Deus na história. Sua dignidade, sua liberdade e sua responsabilidade 
encontram na criação seu fundamento mais profundo.
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Tópico
Mistério do Mal e a Liberdade Humana
A Bondade da Criação, o
03
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A teologia da criação afirma, desde suas primeiras linhas, que tudo o que Deus criou é bom. O 
refrão do primeiro capítulo do Gênesis — “e Deus viu que era bom” — não é mera observação estética, 
mas declaração teológica fundamental. A criação é boa porque procede da bondade de Deus; é boa porque 
é dom; é boa porque é expressão da liberdade amorosa do Criador. A Pontifícia Comissão Bíblica destaca 
que essa bondade originária é o fundamento de toda a esperança cristã. Para a Comissão, a criação é boa em 
sua origem e é chamada à plenitude; o mal não tem a última palavra sobre o mundo (Pontifícia Comissão 
Bíblica, 2019).
Essa afirmação, porém, suscita uma das questões mais profundas da teologia: se Deus criou tudo 
bom, de onde vem o mal? A presença do mal físico, moral e estrutural no mundo parece desafiar a bondade 
da criação e a providência divina. A teologia da criação não ignora essa tensão; ao contrário, ela a assume 
como parte do mistério da existência. Alfonso García Rubio observa que a experiência do mal não nega a 
bondade da criação, mas revela a fragilidade da criatura e a necessidade da graça (Rubio, 2006). O mal não 
é realidade criada por Deus, mas ruptura da ordem querida por Ele.
A tradição cristã distingue entre mal físico (sofrimento, doença, morte), mal moral (pecado, injustiça) 
e mal estrutural (sistemas sociais que perpetuam a opressão). O mal físico está ligado à finitude da criação; 
o mal moral nasce da liberdade humana; o mal estrutural é fruto da acumulação histórica do pecado. Luis 
Ladaria afirma que o mal não tem substância própria; ele é privação, desordem, ruptura da relação com Deus 
(Ladaria, 2010). Essa compreensão impede qualquer visão dualista que coloque o mal como força rival a 
Deus.
O relato do pecado original (Gn 3) não explica a origem metafísica do mal, mas descreve sua 
entrada na história humana. A narrativa mostra que o mal nasce quando o ser humano rompe sua relação de 
confiança com Deus e tenta assumir o lugar do Criador. A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que esse relato 
não é crônica histórica, mas interpretação teológica da condição humana ferida (Pontifícia Comissão Bíblica, 
2019). O pecado não destrói a criação, mas a fere; não anula a bondade do mundo, mas a obscurece.
A presença do mal no mundo também está ligada à liberdade humana. Deus cria o ser humano livre 
porque o chama ao amor, e o amor só pode ser vivido na liberdade. Urbano Zilles observa que a liberdade é 
condição da dignidade humana, mas também espaço de risco; sem liberdade não há amor, mas sem liberdade 
também não haveria pecado (Zilles, 2012). A teologia da criação reconhece que a liberdade humana é um 
dom precioso, mas vulnerável. A possibilidade do mal é consequência da liberdade, não da intenção de Deus.
Essa compreensão da liberdade ilumina a relação entre criação e responsabilidade. O ser humano 
é chamado a colaborar com Deus na construção do mundo, mas também pode distorcer essa colaboração. A 
criação é boa, mas inacabada; é dom, mas também tarefa. Alfonso García Rubio afirma que a criação é um 
processo aberto, e o ser humano participa de sua realização ou de sua destruição (Rubio, 2006).
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Assim, a teologia da criação fundamenta uma ética da responsabilidade, na qual cada pessoa é 
chamada a contribuir para a construção de um mundo mais justo e mais fraterno.
A presença do mal também suscita a questão da providência divina. Se Deus é Criador e Senhor da 
história, como compreender sua ação diante do sofrimento? A tradição cristã afirma que Deus não causa o 
mal, mas o assume e o transforma. Luis Ladaria observa que a providência não é intervenção mágica, mas 
presença amorosa que acompanha a liberdade humana e conduz a história para sua plenitude (Ladaria, 2010). 
Deus não impede o mal, mas o vence na cruz de Cristo. A teologia da criação, portanto, é inseparável da 
cristologia: o Criador é o mesmo que se encarna, sofre e ressuscita.
Essa perspectiva cristológica ilumina a esperançadiante do mal. A criação não está abandonada 
ao caos; ela é sustentada pela fidelidade de Deus. A ressurreição de Cristo é garantia de que a criação 
será restaurada e transfigurada. A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a nova criação, anunciada pelos 
profetas e realizada em Cristo, é resposta definitiva ao mal e ao sofrimento (Pontifícia Comissão Bíblica, 
2019). Assim, a teologia da criação é sempre teologia da esperança.
A bondade da criação também fundamenta a ética ecológica. O mundo não é recurso a ser explorado, 
mas dom a ser cuidado. A crise ambiental contemporânea revela a urgência de recuperar a visão bíblica da 
criação como obra de Deus confiada à responsabilidade humana. Urbano Zilles destaca que a destruição 
da natureza é forma de violência contra o Criador e contra as gerações futuras (Zilles, 2012). A teologia da 
criação, portanto, não é apenas reflexão doutrinal, mas apelo à conversão ecológica.
Imagem 3: Esperança (Fonte: Freepik)
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Por fim, a bondade da criação revela que o mundo é lugar de encontro com Deus. A criação é 
sacramento da presença divina, espaço onde o ser humano reconhece sua condição de criatura e responde 
com gratidão. Alfonso García Rubio afirma que a espiritualidade cristã nasce da contemplação da criação, 
que revela a beleza e a generosidade de Deus (Rubio, 2006). Assim, a teologia da criação é inseparável da 
oração, da contemplação e da vida espiritual.
A reflexão sobre a bondade da criação, o mistério do mal e a liberdade humana revela a profundidade 
da fé cristã. A criação é boa, mas ferida; é dom, mas vulnerável; é promessa, mas ainda não plena. E é nesse 
horizonte que a teologia da criação prepara o caminho para a compreensão da redenção e da esperança 
escatológica.
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Tópico
Contínua e o Sentido da História
A Providência Divina, a Criação 
04
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A doutrina da criação não se limita ao ato inicial pelo qual Deus trouxe todas as coisas à existência. 
A fé cristã afirma que Deus não apenas cria, mas sustenta, conduz e aperfeiçoa a criação ao longo da história. 
Essa ação contínua de Deus é tradicionalmente chamada de providência, e constitui um dos pilares da 
teologia da criação. A providência não é intervenção ocasional, mas presença constante; não é manipulação, 
mas acompanhamento; não é controle absoluto, mas relação amorosa que respeita a liberdade da criatura. 
Luis F. Ladaria afirma que a providência é a expressão permanente do amor criador de Deus, que sustenta o 
mundo e o orienta para sua plenitude (Ladaria, 2010).
A Sagrada Escritura apresenta a providência como cuidado atento e pessoal de Deus por todas as 
criaturas. Os salmos celebram esse cuidado com imagens de ternura e força: Deus alimenta os pássaros, 
veste os lírios, sustenta os fracos e protege os pobres (Sl 104; Sl 145). Jesus retoma essa tradição ao afirmar 
que “até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados” (Mt 10,30), revelando que a providência divina 
não é abstrata, mas profundamente pessoal. A Pontifícia Comissão Bíblica destaca que a providência é a 
continuidade da criação, pois Deus não abandona o mundo após criá-lo, mas permanece presente em sua 
história (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019).
Essa compreensão da providência impede duas visões equivocadas: o deísmo, que imagina um 
Deus distante que cria e se retira, e o panteísmo, que confunde Deus com o mundo. A fé cristã afirma 
simultaneamente a transcendência e a imanência de Deus: Ele é distinto da criação, mas está presente nela; 
é Senhor da história, mas respeita a liberdade humana. Alfonso García Rubio observa que a providência é a 
forma como Deus, sendo totalmente outro, se faz totalmente próximo (Rubio, 2006). Essa proximidade não 
anula a autonomia das criaturas, mas a fundamenta.
A providência divina também ilumina a compreensão cristã da história. A história não é uma 
sequência caótica de eventos, mas um caminho que se desenrola sob o olhar amoroso de Deus. Isso não 
significa que tudo o que acontece seja vontade de Deus, mas que nada escapa ao seu cuidado. Urbano Zilles 
afirma que a providência não é determinismo; é horizonte de sentido que sustenta a liberdade humana e 
impede o desespero diante do mal (Zilles, 2012). A história humana, com suas luzes e sombras, é lugar onde 
Deus age discretamente, conduzindo a criação para sua plenitude.
Essa plenitude é descrita pela tradição cristã como nova criação. A criação atual é boa, mas inacabada; 
é dom, mas ainda ferida; é bela, mas marcada pela fragilidade. A providência divina conduz a criação rumo 
à sua transfiguração final, que será plenamente revelada na ressurreição e na consumação escatológica. 
A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a criação está em processo, gemendo como em dores de parto, 
aguardando sua libertação (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019), retomando a imagem paulina de Romanos 8. 
Assim, a teologia da criação é inseparável da esperança escatológica.
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A ideia de criação contínua também ilumina a relação entre Deus e as leis da natureza. A ação de 
Deus não compete com as causas naturais, mas as fundamenta. A ciência descreve os processos internos da 
criação; a teologia reconhece neles a ação sustentadora de Deus. Alfonso García Rubio afirma que a criação 
contínua não é intervenção extraordinária, mas presença ordinária de Deus no dinamismo do universo (Rubio, 
2006). Essa visão permite diálogo profundo entre fé e ciência, sem confusão nem oposição.
A providência divina também se manifesta na liberdade humana. Deus conduz a história, mas o 
faz respeitando a autonomia da criatura. A liberdade humana é espaço onde a providência se realiza, não 
como imposição, mas como convite. Luis Ladaria observa que a providência divina não elimina o risco 
da liberdade, mas o assume, transformando-o em caminho de salvação (Ladaria, 2010). Assim, a história 
humana é lugar de cooperação entre a graça e a liberdade, entre a ação de Deus e a resposta da criatura.
Essa cooperação é expressa na tradição cristã pelo conceito de sinergia: Deus age, e o ser humano 
responde; Deus chama, e o ser humano acolhe; Deus sustenta, e o ser humano constrói. A criação é obra de 
Deus, mas também tarefa humana. Urbano Zilles destaca que a providência não dispensa a responsabilidade; 
ao contrário, a fundamenta (Zilles, 2012). A ética cristã nasce dessa cooperação: o ser humano é chamado a 
agir no mundo como colaborador de Deus, promovendo a justiça, a paz e o cuidado com a criação.
A providência divina também ilumina a experiência do sofrimento. A presença do mal no mundo 
não significa ausência de Deus, mas mistério de sua paciência. Deus não impede o mal pela força, mas o 
vence pelo amor. A cruz de Cristo é o ponto culminante da providência: nela, Deus assume o sofrimento 
humano e o transforma em caminho de vida.
Imagem 4: O tempo (Fonte: Shutterstock)
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A Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a providência divina se revela plenamente na cruz, onde 
o Criador se faz solidário com a criatura (Pontifícia Comissão Bíblica, 2019). Assim, a teologia da criação 
encontra sua profundidade na cristologia.
Por fim, a providência divina revela que a criação é história aberta. O futuro não está determinado, 
mas é promessa. A criação caminha para a plenitude, e o ser humano é chamado a colaborar com Deus 
na construção desse futuro. Alfonso García Rubio afirma que a criação é um processo de comunhão, e a 
providência é o fio invisível que conduz esse processo (Rubio, 2006). A teologia da criação, portanto, é 
sempre teologia da esperança.
A reflexão sobre a providência, a criação contínua e o sentido da história revela a profundidade da fé 
cristã. Deus cria, sustenta, acompanha e conduz. A criação é boa, mas inacabada; é dom, mas também tarefa; 
é presente, mas também promessa. E é nesse horizonte que a teologia da criação prepara o caminho para a 
compreensão

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