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Bilingüismo: uma abordagem de Fonoaudiologia: respeito à pessoa surda Esta obra reflete trabalho que tem sido feito em diversos núcleos universitários com rela- ção ao atendimento da criança surda. A pri- meira parte, denominada Linguagem e Sur- dez, trata das concepções básicas da práti- Surdez e ca fonoaudiológica e educacional da criança surda. A segunda parte, Possibilidades de Atuação Fonoaudiológica frente à Abordagem Bilíngüe, revela posturas sócio-antropológi- cas em respeito à minoria surda, incluindo uma análise comparativa do desenvolvimento de crianças surdas filhas de pais surdos e de pais ouvintes, além de reflexões sobre filo- uso de Língua de Sinais, Alfabeto Manual e agnóstico de Surdez e as Possibilidades de Encaminhamento, faz considerações impor- tantes de instrumentos e procedimentos. mas privilegia surdo dando direito e condi- ções de utilizar duas línguas. É um enfoque educacional fundamentado no fato de a pes- soa surda ser locutora natural de uma língua adaptada às suas condições de se relacionar no universo social, e ajustada às suas capa- fonoaudiologia: surdez e abordagem bilíngüe Abordagem sofia, abordagem e técnicas envolvidas na Comunicação Total e Comunicação Bimodal, LIBRAS. Finalmente, a terceira parte, Di- Bilíngüe A proposta bilíngüe não privilegia uma língua, Cristina F. de Lacerda cidades de expressão e compreensão. Por Helenice Nakamura seu aspecto sócio-antropológico, a educa- ção bilíngüe depende, em seu processo edu- cacional, de um conjunto de estratégias so- Maria Cecília Lima ciais utilizadas pelos surdos para viverem em uma sociedade de ouvintes. Assim, a abor- dagem bilíngüe de atenção à pessoa surda é produtora de um elo social. (organizadoras)de forma crítica, pode vir a estabelecer uma relação de parceria junto aos profissionais envolvidos diretamente nesta educação. Para finalizar, aventurei-me na área da Fonoaudiologia esco- lar, tema este polêmico e que tem sido objeto de discussões fre- EDUCAÇÃO BILÍNGÜE PARA SURDOS qüentes na área. Ana Claudia Balieiro Lodi EDUCAÇÃO DOS SURDOS E FONOAUDIOLOGIA Por muitos anos a discussão sobre a educação dos surdos teve Este capítulo visa discutir as possíveis relações entre a como ponto central a antiga divergência de formas e métodos Fonoaudiologia e a educação bilíngüe para surdos, educação esta comunicativos sobre os quais estaria assentada a educação. A pensada a partir de concepções lingüísticas e sócio-antropológi- questão língua oral versus Língua de Sinais na educação destes cas de respeito à minoria surda e que vem ganhando espaço indivíduos, teve seu início no século 18, quando o método fran- crescente nas discussões da área. cês (gestualista) foi criticado e debatido pela corrente cuja Para realizar esta discussão, optei, inicialmente, por posicionar ênfase era o ensino da língua oral. Entretanto, foi apenas no a Fonoaudiologia nas diferentes concepções em que a educação século 19 que o oralismo ganhou forças, a partir da decisão dos dos surdos tem sido pensada no decorrer da história, centrando participantes do Congresso de Milão, pela proibição do uso da minhas colocações nos aspectos relacionados à linguagem por Língua de Sinais na educação dos surdos, tornando a língua oral ser esta objeto do olhar e da escuta fonoaudiológica. Entretan- objetivo desta educação. to, gostaria de pontuar que este aspecto aqui enfatizado é ape- Os interesses políticos, ideológicos, sociais e culturais que nas um dos vários a serem considerados quando pensamos na estavam por trás desta decisão, fortalecidos pelos avanços da educação de surdos, pois as relações de poder que a maioria medicina, resultados da eletroacústica, pesquisas sobre a reabili- lingüística, social e cultural estabeleceu historicamente com estes tação das afasias e os trabalhos da clínica foniátrica foram deci- indivíduos vêm determinando uma educação para os mesmos que sivos para estabelecimento de uma educação para surdos rea- desconsidera suas particularidades, singularidades, língua e cultura. lizada exclusivamente por meio da língua oral. Para isso, era fun- As colocações iniciais sobre a história da educação dos sur- damental que os indivíduos surdos fossem expostos a um traba- dos que serão aqui realizadas têm, como objetivo, direcionar as lho voltado para desenvolvimento do aprendizado desta lín- discussões para ponto central deste capítulo, ou seja, a relação gua. Nesta perspectiva, a intervenção fonoaudiológica era fun- da Fonoaudiologia e educação bilíngüe para surdos e, por este damental, já que este profissional era 0 que detinha conheci- motivo, não serão apresentadas nem discutidas de forma mentos e técnicas para a realização deste trabalho. aprofundada (para uma discussão mais detalhada sobre a histó- Entretanto, um século se passou sem que a educação dos ria da educação dos surdos, veja Lane, Skliar, Moura). surdos pensada, dirigida e determinada por esta visão clínico/ Num segundo momento discutirei uma "nova clínica patológica da surdez alcançasse os resultados esperados. fonoaudiológica" para surdos que compartilha das mesmas ideo- Foi apenas na década de 60 de nosso século que outros mé- logias e pressupostos da educação bilíngüe e que, se posicionada todos de comunicação foram pensados, criados, desenvolvidos 64 65e passaram a ser utilizados na educação dos surdos em oposição parados com aquelas expostas apenas à língua oral, estes pro- ao uso exclusivo da língua oral. Estes métodos tiveram como gressos ainda eram pequenos e insatisfatórios frente ao espera- influência a descrição da ASL (Língua de Sinais Americana) por do. Por outro lado, dificuldades na comunicação das crianças Stokoe como uma língua completa e de igual valor que as lín- com surdos adultos foram também observadas, pois estas utili- guas faladas. Além disso, nesta época, havia uma grande insatis- zavam uma modalidade que não se caracterizava como língua, fação com desempenho escolar apresentado pelos Surdos. Este ou seja, não era nem a Língua de Sinais nem a língua oral. descontentamento e preocupação determinou a realização de Vale ressaltar que a comunicação bimodal, em nosso país, é várias pesquisas que demonstraram um melhor desempenho ainda a opção comunicativa da maioria das escolas para surdos, acadêmico de surdos filhos de surdos se comparados a surdos mesmo cabendo para a maioria dos fonoaudiólogos que utili- filhos de ouvintes. zam sinais em sua prática clínica e escolar. Esta forma de comunicação, denominada bimodalismo, teve Com desenvolvimento de pesquisas que visavam a um como base a Comunicação Total filosofia que incorpora as formas nhecimento aprofundado das Línguas de Sinais em diversos de comunicação auditivas, manuais e orais apropriadas para assegurar países, mas principalmente nos países nórdicos, percebeu-se que uma comunicação efetiva com as pessoas surdas (Schindler, 1988, p.10) a manutenção das dificuldades dos surdos quando expostos à e como princípio, a utilização de sinais (retirados da Língua comunicação bimodal centrava-se, justamente, nas diferenças de Sinais) e da fala de forma concomitante, respeitando-se a relacionadas às condições de produção e percepção entre a Lín- estrutura da língua oral e não a da Língua de Sinais. O objeti- gua de Sinais e a língua oral. vo das formas bimodais de comunicação era facilitar a comu- Estas diferenças dizem respeito ao uso, na Língua de Sinais, nicação entre surdos e entre surdos e os ouvintes e de meios não-manuais (como expressões faciais, movimentos desenvolver a oralidade dos indivíduos surdos. da boca, direção do olhar...), simultaneamente aos sinais manuais, A educação que utiliza uma comunicação bimodal conserva, possibilitando assim, um aumento nas informações lingüísticas em sua maioria, as mesmas bases e sofre das mesmas influências se em comparação com a fala, e à organização espacial políticas, ideológicas e culturais que oralismo, mantendo como tridimensional que é utilizada na própria estruturação da língua. referencial (ideal) modelo dos ouvintes e, conseqüentemente, Entretanto, além da organização espacial e simultânea, as Lín- as mesmas relações de poder e saber destes sobre os surdos. guas de Sinais apresentam ainda uma organização temporal, ou A Fonoaudiologia aqui também tem um papel fundamental seja, a forma como um sinal segue a um outro no tempo, e que já que, embora haja a aceitação dos sinais na comunicação esta organização é a dominante nas línguas faladas. bimodal, objetivo de seu uso, como já comentado anterior- Assim, um indivíduo, ao falar e sinalizar ao mesmo tempo, mente, é desenvolvimento da comunicação oral dos indivídu- acaba por privilegiar a organização temporal da oralidade colo- OS surdos, não havendo, assim, razões para que a clínica cando os sinais em posição subordinada à organização temporal fonoaudiológica seja questionada. da fala. Assim, a informação em sinais é reduzida e fragmentada e as Observou-se, porém, que, se com a comunicação bimodal expressões para as relações inerentes entre sinais desaparecem. Nem uma houve uma melhora na comunicação das crianças surdas e nas grande quantidade de informações significantes na fala será expressa de habilidades destas com a língua da comunidade ouvinte se com- uma forma visualmente (Svartholm, 1999, p.16). 66 67Desse modo, a educação dos surdos passou, então, a ser pen- Trata-se de um repensar de uma política educacional e, portan- sada a partir da necessidade de desenvolvimento da Língua de to, deve ser discutida a partir de uma dimensão política geral como primeira língua, educação esta que vem mostrando que deve ser incluída no contexto discursivo apropriado à situ- resultados que, em nosso século, não haviam sido antes observa- ação lingüística, social, cultural e das identidades dos surdos e dos. Esta educação é denominada Educação Bilíngüe para Surdos. não dentro dos preceitos do que se tem denominado como "edu- Atualmente, há um movimento mundial que aponta em dire- cação especial". Assim, além da questão lingüística à qual, mui- ção à necessidade de se implantar uma política educacional bi- tas vezes, a educação bilíngüe para os surdos é reduzida, sur- Entretanto, este movimento, apoiado pela Comunidade dos devem participar deste processo de debates e mudanças em de Surdos, pesquisadores de várias universidades, educadores e sua educação, nas mesmas condições de igualdade e oportuni- alguns poucos fonoaudiólogos, levanta algumas questões que dades que os ouvintes envolvidos, pois só assim as questões re- tensionam as relações que a Fonoaudiologia vem estabelecendo, lativas à educação, cultura e acesso às informações podem ser há várias décadas, com a educação de surdos. discutidas, respeitando-se as singularidades e referenciais de Expostos de forma breve, os pilares da educação bilíngüe mundo desta minoria cultural, social e lingüística. para surdos defendem direito e a necessidade destes indivíduos O distanciamento que é imposto à Fonoaudiologia no debate adquirirem a Língua de Sinais como primeira língua no contato e discussões destas questões distanciamento este se pensado com surdos adultos usuários da Língua de Sinais, participantes na classe fonoaudiológica de forma ampla, e não daqueles pro- ativos no processo educacional de seus pares. Entretanto, esta fissionais realmente interessados na mudança da educação para educação assentada e construída a partir da Língua de Sinais, é os surdos deve-se não apenas ao fato de se estar pensando a vista numa dimensão que ultrapassa aspecto meramente educação a partir de seu referencial teórico próprio. Refere-se lingüístico e metodológico, ou seja, do simples acesso a duas também, ao posicionamento e discurso que a própria classe línguas a Língua de Sinais e o Português (no caso do Brasil) fonoaudiológica assume quando descaracteriza a Língua de Si- assumindo uma postura política e ideológica de respeito às mi- nais e movimento dos surdos na busca de seus direitos norias étnicas, culturais e lingüísticas. lingüísticos, culturais, legais e de cidadania. A surdez, conforme Skliar, é vista como uma experiência vi- Parece haver uma certa dificuldade dos fonoaudiólogos em sual que constitui e especifica a diferença dos indivíduos surdos abandonar referenciais antigos e tradicionais da área, que se ba- e esta particularidade deve ser considerada e enfatizada na edu- seiam na classificação audiológica quanto ao grau de perda audi- cação que se propõe para esta minoria assim como pensada a tiva destes indivíduos, tida, muitas vezes, como aspecto partir de uma construção histórica, cultural e social e das rela- determinante da conduta terapêutica a ser adotada na clínica ções de poder e conhecimento que subjazem a educação. fonoaudiológica. Esta, por sua vez, visa levar surdos ao de- Desta forma, por se distanciar do modelo clínico/terapêutico senvolvimento exclusivo da língua oral. Além disso, pensa-se no que vem sendo adotado na educação dos surdos há mais de um desenvolvimento destes indivíduos de forma isolada e não en- século, no qual a Fonoaudiologia, historicamente, tem inscrita quanto um grupo que se constitui como uma minoria. sua prática clínica e escolar, não se discute, nos princípios edu- Na busca de manutenção deste lugar no qual a cacionais bilíngües, a presença do fonoaudiólogo. Fonoaudiologia, no trabalho com surdos, construiu seus pila- 68 69res, percebe-se um movimento de descaracterização do papel papel da Fonoaudiologia a partir de um outro referencial teó- do fonoaudiólogo que possui um outro olhar para OS surdos e rico e ideológico. que adota OS sinais em sua prática clínica. Por estas razões, a tendência é questionar ou excluir fonoaudiólogo do trabalho A CLÍNICA FONOAUDIOLÓGICA com surdos. Neste momento de debates e de transição que estamos vivendo, Discuto, então, este posicionamento, formulando as seguin- ainda temos um papel importante e determinante num tes questões: reposicionamento teórico quanto à forma de conceber surdos, Estamos realmente sendo excluídos da educação e da possi- já que somos os profissionais procurados logo após o diagnósti- bilidade de um trabalho com surdos? Será que a educação bilín- co da surdez. A postura que fonoaudiólogo assume frente aos güe assumida enquanto posicionamento político não está pais será decisiva para uma aceitação precoce da Língua de Sinais apenas resgatando papel primeiro da escola a educação e de uma escolarização que a tenha como base lingüística. respeitando a diferença e as necessidades dos indivíduos surdos, Infelizmente, esta escolarização ainda não é uma realidade na assim como direito de cidadania destes indivíduos? cidade de São Paulo, embora alguns projetos já estejam em an- Responder a estas questões obriga-nos a realizar uma refle- damento. Porém, à medida que mais e mais escolas passem a xão profunda sobre concepções e conseqüentemente práticas modificar e a rever seus pressupostos e a formação de seus pro- que, por estarem enraizadas em nossa cultura (tanto profissio- fissionais e, que um trabalho sociocultural de aceitação do sur- nal como do senso comum) demandam esforço e exercício re- do em seus direitos seja desenvolvido, nosso papel e trabalho flexivo, às vezes não tão simples de serem realizados. Difícil, realizado hoje deverá sofrer, uma vez mais, um novo mas não impossível. reposicionamento. Acredito, porém, que nós, fonoaudiólogos, clínicos em es- Discutirei, então, esta "nova clínica fonoaudiológica" no tra- sência, temos sim um papel a desempenhar em nossa clínica balho com surdos, remetendo-me, algumas vezes, à minha pró- com surdos. que me parece necessário é repensar deste pria experiência. Entretanto, faz-se necessário expor alguns prin- pel e o reformular de nossa clínica, para que ela também com- cípios básicos já que, sem explicitá-los, discorrer sobre esta prá- preenda as necessidades e especificidades desta população, de- tica se tornaria impossível. terminando uma atuação que se dê em sintonia e parceria com a escola; mas antes de tudo, assumindo um lugar de respeito aos Inicialmente, gostaria de marcar que compartilho dos mes- surdos em sua diferença. mos pressupostos do modelo sócio-antropológico de educação Nós, enquanto fonoaudiólogos, estamos acostumados a as- bilíngüe para surdos e, desta forma, inscrevo esta "nova clínica" sumir funções que, inicialmente, não deveriam ser ocupadas em em alguns dos pilares sobre quais esta educação tem sido nosso espaço clínico, e sim no espaço escolar. Com a adoção de pensada. Considero importante discuti-los, na medida em que uma educação bilíngüe, estas funções teriam de passar, necessa- são fundamentos desta. riamente, por outro delineamento. Concebo a Língua de Sinais como uma língua completa e úni- Levanto, então, alguns pontos para reflexão que dizem res- ca capaz de propiciar a entrada dos indivíduos surdos na lingua- peito à atuação fonoaudiológica e por meio dos quais discutirei gem, de constituí-los como sujeitos lingüísticos. Assim sendo, ela 70 71deve ser adquirida mais cedo possível e de forma natural, no tir e possibilitar este desenvolvimento. Além disso, torna-se um contato com adultos surdos usuários e fluentes nesta língua. espaço fundamental para que estas crianças possam ter acesso à A família deve fazer parte deste processo, aprendendo a Lín- sua cultura e à sua história, assim como desenvolver todo seu gua de Sinais e utilizando-a na relação com seus filhos. Este fato potencial intelectual, cognitivo e lingüístico. propicia que as crianças, tendo esta língua valorizada pela famí- Tendo seu direito de aquisição de uma primeira língua garanti- lia, sintam-se à vontade e confortáveis em sua aquisição. Entre- do, as crianças poderão, por meio dela, realizar sua leitura de tanto, por serem, em sua maior parte, filhos de ouvintes que mundo de forma reflexiva e interrogativa, adquirindo bases para não conhecem e não dominam esta língua, contato destas cri- desenvolvimento de uma segunda língua, no caso, o português. anças e, conseqüentemente de sua família, com adultos da Co- munidade Surda, deve ser estimulado. Como posicionar, então, a clínica fonoaudiológica frente a Isto não quer dizer que papel dos pais e a relação destes estes princípios? com seus filhos estejam sendo descaracterizados e As colocações sobre trabalho fonoaudiológico que serão desconsiderados, e que fato de se valorizar aprendizado da feitas neste espaço são desenvolvidas no decorrer do processo Língua de Sinais pelos pais seria um exercício de poder, visando terapêutico. Entretanto, para efeitos de organização deste capí- convertê-los numa família de surdos. Uma postura como esta tulo, alguns recortes foram feitos e, por este motivo, divididos seria de desrespeito à cultura e à língua dos membros ouvintes em secções. da família. Entretanto, contato dos pais com outros surdos adultos e com a Língua de Sinais leva-os a terem um novo olhar CONTATO INICIAL E A FAMÍLIA e uma nova compreensão sobre as diferenças de seus filhos as- Quando pais procuram a clínica fonoaudiológica, geralmente sim como respeito à cultura e à língua da outra comunidade à vêm buscar um trabalho de desenvolvimento de fala e indicação qual a criança também pertence. de aparelhos de amplificação sonora, tidos como instrumen- As crianças, por outro lado, à medida que se relacionam com tos que possibilitarão desenvolvimento oral de seu filho. É modelos adultos surdos, iguais em sua diferença, podem identi- neste momento inicial que a postura e as concepções do ficar-se positivamente com eles, construindo assim, uma identi- fonoaudiólogo a respeito da surdez e do desenvolvimento da dade íntegra e preservada. criança surda marcam as orientações e esclarecimentos ne- A criança (no contato com modelos surdos adultos) não apenas terá cessários a esta família. A escuta e respeito ao que pais têm assegurada a aquisição e desenvolvimento de linguagem, como (também) a a nos dizer, é primeiro passo no desenvolvimento de nosso integração de um autoconceito positivo. Ela terá a possibilidade de desenvol- trabalho, e já, neste momento, torna-se necessário discutir com ver sua identidade como uma representação de integridade, não como a de eles sobre que é a Língua de Sinais e a necessidade desta para falta ou de deficiência (...) podendo se perceber como capaz e passível de vir desenvolvimento de sua criança, enfocando-a como aquela a ser. Ela não terá de ir atrás de uma identidade que ela nunca consegue língua que será a base para todo desenvolvimento da criança, alcançar: a do ouvinte (Moura, Lodi e Harrison, 1997, 345). ou seja, a Língua de Sinais na dimensão de uma primeira língua. O lugar privilegiado para que este processo ocorra é a escola Por outro lado, a demanda inicial e a preocupação que muitas e, para tal, esta deve ter concepções bem alicerçadas para permi- vezes são por eles explicitadas no que se refere à língua oral, 72 73devem ser respeitadas e compreendidas, afinal, vivemos em uma cursos de familiares, amigos e mesmo de outros profissionais sociedade preconceituosa e exclusiva frente às diferenças, além que desconhecem a Língua de Sinais e a vêem como um empe- do fato destes pais quererem também a identificação com este cilho para desenvolvimento da criança. É importante que a filho por meio de uma língua comum à família. opção destes pais seja respeitada e, às vezes, estes necessitam de Entretanto, fato desta criança vir ou não a falar, é algo que um tempo para refletir e aceitar este trabalho. não pode ser determinado à priori; este desenvolvimento faz parte A partir, então, da aceitação dos pais quanto a realização des- de um processo maior e anterior, que é de aquisição de lingua- te trabalho, inicia-se o processo terapêutico. gem. Possibilitar a esta criança a aquisição de uma primeira lín- É importante que seja enfatizado aos pais a necessidade de gua sobre a qual ela poderá fazer sua leitura de mundo, inferências aprenderem a Língua de Sinais, de preferência com um surdo e reflexões, faz com que a oralidade seja colocada, inicialmente, adulto. Entretanto, muitas vezes, eles necessitam de um tempo em segundo plano, pois desenvolvimento do português como para que, internamente, possam lidar e estar seguros sobre este segunda língua será influenciado e determinado pelo processo aprendizado. Algumas vezes, em minha clínica, acabo sendo de desenvolvimento da primeira. interlocutor privilegiado destes pais iniciando sua exposição aos Mais do que desenvolvimento oral da criança, devemos es- sinais até que consigam buscar um professor surdo. tar preocupados com fato desta não possuir nem estar em Trazer estes pais para mais perto de seus filhos, restabelecen- processo de aquisição de nenhuma língua. do a comunicação que, muitas vezes, foi quebrada pelo diagnós- É importante que pais percebam que sinais não irão tico da surdez, é parte fundamental neste trabalho, pois, ...quan- impedir desenvolvimento oral de seu filho e, muito menos, do a surdez é diagnosticada na criança, é a mãe quem perde sua fala (...) ela são um apoio ou mero instrumento para que este desenvolvi- própria se torna impedida de se comunicar, incapaz de falar naturalmente mento ocorra. São, sim, as peças fundamentais deste processo. com sua criança (Bouvet, 1990, p. 108). E este processo, muitas Deve estar claro para OS pais que oralidade se torna vazia se não vezes, atinge a todos os membros da família. estiver assentada sobre uma base lingüística verdadeira, fato que ocorre É importante que os pais sintam-se à vontade para se comu- quando a de Sinais é desde cedo apresentada às crianças e adquiri- nicarem com seus filhos. Se num primeiro momento eles po- da como primeira língua... (Lodi e Harrison, 1998b, 44). dem usar apenas alguns poucos sinais acompanhados de fala, A oralidade, por sua vez, não será desconsiderada, mas, inicial- como lugar de comunicação e significação, este já é um grande mente, nosso olhar não estará voltado diretamente para ela. início. Exigir demais destes pais, inicialmente, é colocá-los num Somente a certeza e a segurança do fonoaudiólogo de que lugar de interlocutores impossibilitados de se comunicar. Além este é caminho certo para desenvolvimento da criança po- disso, o próprio desenvolvimento da criança será o grande derão levar estes pais a entenderem e a concordarem que este é incentivador para este aprendizado, assim como o fator de de- melhor para seu filho, conseguindo olhar para a criança como manda quanto à necessidade do mesmo. um ser que possui todo potencial humano de desenvolvimen- to, desde que seja dada a ela esta possibilidade. A CRIANÇA Entretanto, esta aceitação inicial nem sempre é tranqüila e O olhar do fonoaudiólogo deve voltar-se para processo de fazer esta opção, muitas vezes, é ir de encontro a crenças e dis- desenvolvimento de linguagem da criança, significando as pri- 74 75meiras elocuções em sinais ou orais por ela realizadas e abrindo LÍNGUA ORAL espaço para que esta criança possa se perceber e se constituir Paralelamente a este trabalho de construção de linguagem da como "falante" (em Língua de Sinais e/ou oral). Este mesmo criança em parceria com pais, é indicado aparelho de ampli- processo envolve pais que podem olhar para seu filho como ficação sonora. A fala, que muitas vezes permeia também a rela- um ser completo e em constituição, quebrando assim, mito de ção que fonoaudiólogo estabelece com a criança (já que so- que a criança surda é deficiente e de que deve ser constante e mos ouvintes, falantes e temos um papel no desenvolvimento cansativamente estimulada e "trabalhada" para que possa vir a posterior da mesma), não ocupa um lugar privilegiado como se desenvolver. forma de comunicação neste primeiro momento. Ela aparece, É fundamental que pais retomem seus papéis de pais, que neste espaço, de forma incidental, da mesma maneira como tam- possam "falar" com e sobre seu filho, permitindo, assim, que bém faz parte do mundo da criança no contato social e com tanto a aquisição de linguagem como a relação pais/filhos se seus familiares. dêem na interação diária com e na linguagem. A oralidade passará a ser contemplada, num segundo mo- Desta forma, a própria criança ao iniciar sua apropriação da mento, tendo como base para este trabalho, linguagem, "convida" seus pais a serem seus parceiros e co-au- lingüístico da criança em sua primeira língua a Língua de Si- tores deste processo. nais a partir de contextos significativos e de interesse da crian- É importante também que pais, durante este processo, ça, por intermédio da comparação entre as duas línguas. percebam que eles podem utilizar diversas formas de comunica- É importante que sejam enfatizados para a criança aspec- ção com seus filhos, mas que estas podem diferir em maior ou tos próprios de cada língua, que embora existam diferenças tan- menor grau da Língua de Sinais da Comunidade Surda. Assim, to nas modalidades de produção lingüística como estruturais en- contato tanto da criança como dos pais com OS membros desta tre a língua oral e a de Sinais, significado do que está sendo Comunidade, será a única forma de permitir e garantir à criança dito ou sinalizado pode ser mantido e que ambas as línguas são a aquisição de uma primeira língua base para os processos válidas na comunicação, possuindo igual valor. Uma diferença, mentais mais elaborados. porém, entre ambas, está no uso que estas terão dependendo do Esta criança deve, também, iniciar seu processo de interlocutor, podendo, às vezes, ser necessário realizar alguns ajus- escolarização e este deve se dar, preferencialmente, numa escola tes (nas duas línguas) para que a comunicação seja garantida. para surdos, lugar onde elas poderão conviver com iguais, pros- Este trabalho é realizado também nos casos daquelas crian- seguirem em seu processo de aquisição de linguagem com seus ças que não puderam adquirir a Língua de Sinais como primeira pares, identificando-se com eles na diferença que os particulari- língua ou se relacionam com esta de forma distorcida, como se za. Neste espaço também, espera-se que estes pais possam par- ela fosse uma modalidade inferior do português. ticipar de reuniões com outros pais de crianças surdas, discutin- Utilizar a Língua de Sinais acreditando em sua importância do e revendo seus pressupostos anteriores no que se refere à como lugar de construção, reflexão e compreensão de mundo, é surdez e iniciando seu convívio com OS membros da Comuni- fundamental no possibilitar que a criança a veja com outros olhos dade de Surdos que participam da educação. e a utilize como base de seu desenvolvimento. Muitas vezes, porém, este não é um processo fácil à medida que a criança 76 77cresceu acreditando nesta língua como um apoio do português. É realizado, então, um trabalho de comparação lingüística Entretanto, quando através de nosso trabalho, conseguimos Português e Língua de Sinais respeitando-se as estruturas, sen- demonstrar e apontar que as diferenças lingüísticas existem quan- tidos e expressões que são próprias a cada língua, da mesma for- do comparamos quaisquer línguas, valorizando assim, a Língua ma como foi descrito no trabalho com a língua oral. Aspectos da de Sinais, processo desta criança se altera visivelmente. linguagem como polissemia, metáforas, construções e expressões próprias do português escrito, entre outros, podem ser aborda- LÍNGUA ESCRITA dos a partir daquele determinado contexto, facilitando assim que trabalho com a língua escrita tem sido foco de demanda de inferências e reflexões sejam realizadas pelas crianças. muitos surdos para a clínica fonoaudiológica. Esta procura deve- No caso daquelas crianças (o mesmo valendo para adoles- se, em grande parte, às concepções de língua, linguagem e de- centes e adultos surdos) que não tiveram a oportunidade de de- senvolvimento dos surdos que ainda estão permeando as rela- senvolver a Língua de Sirrais, torna-se necessário que nosso tra- ções educacionais que vêm sendo desenvolvidas. Muitas vezes, balho seja orientado para conhecimento, valorização e apro- espera-se que estas crianças correlacionem fonemas a grafemas priação desta língua, base para posterior desenvolvimento da ou compreendam que a escrita desenvolve-se a partir da exposi- língua escrita. ção a estruturas simples que gradativamente progridem para Acredito, porém, que este trabalho, deixe de fazer parte de estruturas complexas. nossa clínica, caso sejam mudadas as concepções das escolas de Compartilho das idéias de Sánchez quando autor coloca surdos (e conseqüentemente, dos professores) no sentido da que ...os surdos, de forma diferente que os ouvintes, não podem aprender aceitação das particularidades, singularidades, diferença lingüís- som das letras porque não ouvem e não podem fazer uso do mecanismo tica e cultural dos surdos, pois hoje, muitas dificuldades a eles alfabético para extrair significado do escrito. (...) Neste sentido, devemos atribuídas, referem-se à falta de desenvolvimento de uma pri- reafirmar a necessidade de facilitar a aquisição da escrita através do meira língua sobre a qual eles podem refletir e construir os sig- contato significativo com ela... nificados da língua escrita. Desta forma, devemos criar as condições para que os surdos (...) tenham a possibilidade de acesso ao domínio da língua escrita (...) pela FONOAUDIOLOGIA ESCOLAR E EDUCAÇÃO BILÍNGÜE garantia de desenvolvimento normal de linguagem (...) Em segundo lugar, é Muito tem sido discutido sobre este tema e críticas feitas à Edu- imprescindível brindar a informação requerida para que as crianças surdas cação Bilíngüe por ela não vislumbrar fonoaudiólogo como elaborem um conhecimento prévio sem qual não é possível a interação com membro da equipe educacional. As razões pelas quais não se texto escrito... (Sánchez, 1996, p.7) inclui fonoaudiólogo nesta educação já foram comentadas Na clínica fonoaudiológica, este também deve ser o objetivo. anteriormente. Entretanto, a meu ver, nada impede que uma Assim, por meio da Língua de Sinais, os conteúdos dos textos instituição continue oferecendo este serviço a seus alunos desde são discutidos com as crianças e, na relação posterior da criança que as bases deste trabalho sejam revistas. com texto escrito, muitos dos significados partilhados podem que não pode acontecer (pois seria uma grande incoerên- ser obtidos e construídos pelo leitor. O processo de leitura é cia) é se pensar num trabalho fonoaudiológico que não aceite governado pela procura e construção de significados pelo leitor. ou num profissional que desconheça a Língua de Sinais, insis- 78 79Um outro trabalho possível para fonoaudiólogo escolar, tindo no desenvolvimento apenas da oralidade da criança como refere-se à observação e olhar atento quanto aos processos de a única língua capaz de levá-la ao desenvolvimento. e aquisição de linguagem Língua de Sinais fonoaudiólogo para trabalhar numa escola que assuma as pela criança surda, e este trabalho pode ser estendido para concepções e ideologias do modelo sócio-antropológico de edu- fonoaudiólogo na clínica. Este profissional, a meu ver, poderia cação, deve também compartilhar destas, sendo parceiro neste desenvolver mesmo trabalho que faz em muitas escolas de processo de mudanças, desenvolvendo seu trabalho a partir da ouvintes, ou seja, o de orientação daquelas crianças onde se per- primeira língua das crianças, ou seja, a Língua de Sinais. ceba atrasos ou desvios de desenvolvimento da linguagem. Um exemplo da possibilidade de parceria Fonoaudiologia/ Quanto a este ponto cabe, uma vez mais, uma discussão escola é trabalho realizado na mais antiga escola para surdos prévia. em Copenhagen Dinamarca e descrito em Lewis. Em 1982, Por vezes, somos procurados por crianças ouvintes expostas teve início desenvolvimento de um projeto experimental, que à língua oral desde o seu nascimento e que, pelas mais variadas foi a base para a implantação e desenvolvimento da educação razões, apresentam atraso ou desvios de desenvolvimento da bilíngüe realizada atualmente neste país. Neste, há a presença de linguagem e/ou da fala. fato de concebermos a Língua de Si- fonoaudiólogos na equipe. nais como uma língua, leva-nos a pensar, também, em eventuais As crianças que passam por um trabalho fonoaudiológico alterações de linguagem quando no desenvolvimento desta por nesta escola, não são encaminhadas para as terapias logo que algumas crianças surdas. iniciam seu período de escolarização, mas, sim, após terem ad- Gostaria de enfatizar que estas possíveis alterações no de- quirido a Língua de Sinais e estarem maduras, suficiente, para senvolvimento da linguagem teriam também as mais variadas início do aprendizado de uma outra língua dinamarquês oral. razões como nos casos de crianças ouvintes, e que nada tem de Este trabalho, que não faz parte da grade curricular (não sendo específico com a surdez e/ou Língua de Sinais. assim, obrigatório) tem como objetivo o desenvolvimento da Nestes casos, apenas fonoaudiólogos que dominam a Língua oralidade das crianças. É, na verdade, um trabalho clínico reali- de Sinais poderiam perceber e desenvolver um trabalho com zado dentro da escola. estas crianças, trabalho este que seria de grande ajuda para o Participam deste atendimento apenas aquelas crianças que irão desenvolvimento destas crianças, assim como na orientação aos se beneficiar deste, sendo esta escolha determinada pelas pró- pais, desmistificando estas alterações de desenvolvimento como prias habilidades lingüísticas que elas vão desenvolvendo duran- um déficit causado pela surdez. te percurso na escola e não mais pelo grau de perda auditiva. Entretanto, a necessidade de pesquisas a este respeito ainda é Este trabalho, que tem como objetivo desenvolvimento enorme. Faltam-nos dados e acompanhamentos para um maior articulatório das crianças, utiliza, algumas vezes, a leitura para esclarecimento sobre estas alterações. Inferimos a possibilidade permear este aprendizado. Disto decorre, então, que privilé- de ocorrência, mas não temos, em nossa prática, nenhum dado gio desta educação é desenvolvimento da Língua de Sinais, que corrobore as observações aqui realizadas. como primeira língua, e desenvolvimento do dinamarquês es- crito como segunda, para, posteriormente, pensar-se no desen- volvimento do dinamarquês oral. 81 80Com estas colocações, procurei mostrar que a parceria MAHSHIE, S.N. Educating Deaf Children Bilingually. Washington: Gallaudet Fonoaudiologia/educação para surdos pode vir a ocorrer, desde que University, 1995. MOORES, D.F. Educating the Deaf Psychology, Principles and Practices. Boston: as bases e concepções dos fonoaudiólogos sejam revistas e alteradas. Houghton Mifflin Company, 1978. Enfatizo que, em vez de nos colocarmos numa posição de MOURA, M.C. Surdo para nova identidade. Rio de Janeiro: Revinter, excluídos da educação, devemos, sim, rever princípios bási- 1999. que determinam nossa atuação, assumindo uma posição de MOURA, M.C.; LODI,A.C.B.; HARRISON,K.M.P. História e Educação: Surdo, respeito aos surdos, à sua língua, à sua forma de se relacionar a Oralidade e o Uso de Sinais. In Lopes F°, (ed.) Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Editora Roca, 1997. com mundo, e à sua cultura. Mais do que pensar e discutir SÁNCHEZ, La increíble triste história de la Sordera. Caracas: CEPROSORD, sobre desenvolvimento de línguas, assumir criticamente, uma 1990. posição ideológica de respeito à minoria surda. SÁNCHEZ, C. Los Sordos ¿ Debem Aprender a Leer ? Implicaciones de un Necessitamos mudar nosso olhar, enxergando o que esta problema mal planteado y sugerencias para su reformulación. Trabalho população tem a nos dizer e a nos ensinar. Só assim podemos apresentado no III Congreso Latinoamericano de Educación Bilíngüe para nos colocar ao lado daqueles que lutam por uma nova política los Sordos. Venezuela, Mérida, 1996. SCHINDLER, La Comunicazione Totale. In Arluno,G.; Schindler,O. educacional de respeito à diferença, sendo parceiros nesta luta e Handicappati e Scuola. Torino: Edizione Omega Torino, 1988. co-autores, em nossa clínica (e mesmo nas escolas), do processo SKLIAR, C. La historia de los Sordos: una Cronologia de Malos Entendidos y de de desenvolvimento destas crianças, da mesma forma que so- Malas Intenciones. Trabalho apresentado no III Congreso Latinoamericano mos daquelas crianças ouvintes que nos procuram. de Educación Bilíngüe para los Sordos. Venezuela, Mérida, 1996. SKLIAR, La Educación de los Sordos una reconstrucción pedagógica. Mendoza: EDIUNC, 1997. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SKLIAR, C. A Surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Editora Mediação, 1998. SKLIAR, A Localização Política da Educação Bilíngüe para Surdos. In Skliar,C. BOUVET, D. The Path to Language: Bilingual Education for Deaf Children. Philadelphia: (org) Atualidades da Educação Bilíngüe para Surdos, vol 1. Porto Alegre: Editora Multilingual Matters, 1990. Mediação, 1999. HARRISON, K.M.P.; de MOURA, Escolas e Escolhas: SVARTHOLM, K. Bilingüismo dos Surdos. In Skliar,C. (Org.) Atualidades da Processo Educacional dos Surdos. In Lopes F°, (ed.) Tratado de Fonoaudiologia. Educação para Surdos, vol 2. Porto Alegre: Editora Mediação, 1999. São Paulo: Editora Roca, 1997. LANE, H. When the Mind Hears A History of the Deaf. London: Penguin Books, 1988. LEWIS, W. (ed.) Bilingual Teaching of Deaf Children in Denmark. Aalborg: Doveskolernes Materialcenter, 1995. LODI, A.C.B.; HARRISON,K.M.P. Considerações sobre um lugar possível para a de Sinais e a Oralidade na Clínica Fonoaudiológica. Trabalho apresentado no III Simpósio sobre Comunicação DERDIC Pensando a Surdez. São Paulo, outubro de 1998. LODI, A.C.B.; HARRISON,K.M.P. Língua de Sinais e Fonoaudiologia. Espaço, n° 10, dezembro, 1998b. 83 82