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ENGENHARIA DA QUALIDADE Ricardo Jimenez Lopes 2 SUMÁRIO 1 CONCEITOS BÁSICOS DE QUALIDADE ...................................................... 3 2 ESTRUTURAS DA ÁREA DA QUALIDADE ................................................. 21 3 FERRAMENTAS BÁSICAS DA QUALIDADE ............................................... 32 4 QUALIDADE AVANÇADA NA INDÚSTRIA ................................................ 53 5 CONTROLE ESTATÍSTICO DE PROCESSO ................................................. 70 6 SISTEMAS DE GESTÃO DA QUALIDADE, AMBIENTAL E INTEGRADOS ..... 82 3 1 CONCEITOS BÁSICOS DE QUALIDADE Apresentação Neste primeiro bloco, vamos compreender os conceitos de qualidade, seu histórico ao longo do tempo, sua evolução e princípios. Vamos também conhecer a trajetória da qualidade no Brasil, a interpretação dos princípios da qualidade, e ainda entender a importância dos indicadores de qualidade nos dias de hoje nas organizações. Vamos começar? Bons estudos! 1.1 Histórico e terminologias da qualidade Podemos dizer que o histórico da qualidade se constitui de várias atividades vinculadas às operações, que ao longo do tempo foram se criando e transformando, a partir dos conceitos dos vários “gurus” da qualidade e de metodologias instituídas nos processos. Dessa forma, conceitos e terminologias da qualidade passaram por evolução, visando aprimorar atividades operacionais e estratégicas nas organizações produtivas. 1.1.1 Conceito da qualidade Quando falamos de “qualidade” de um produto ou serviço, ou ambos, inicialmente nos vêm a ideia do desempenho desse produto ou serviço. Segundo Britto (2015), atualmente temos um conceito mais amplo de qualidade, conceito este subjetivo, que na gestão moderna das organizações se caracteriza como sendo dois extremos do mercado consumidor, constituídos de processos integrados e sistêmicos das empresas de um lado, e de outro lado o consumidor ou cliente que deseja adquirir bens e serviços dessas organizações. A Figura 1.1, a seguir, traduz a relação entre esses extremos do conceito de qualidade, de uma maneira mais lúdica. 4 Fonte: Próprio Autor. Figura 1.1 – Conceito de Qualidade nas Organizações Na figura apresentada, temos os processos nas organizações, que são as várias atividades envolvidas nas áreas da empresa. Por exemplo, “Vendas” é um processo que se caracteriza por efetuar a comercialização de produtos e serviços, “Compras” é um processo que se encarrega de comprar na organização, e temos todos os processos que envolvem a organização, inclusive os processos produtivos. Todos os processos estão integrados uns com os outros, e são sistêmicos, pois desenvolvem atividades repetidamente. O conceito de qualidade é um todo na organização, e não só exclusivamente nos produtos e serviços fornecidos. Os clientes são atraídos pela oferta desses produtos e serviços que essas empresas fornecem. Portanto, o conceito de qualidade tem amplitude em toda a organização, desde a participação dos colaboradores da alta direção da empresa até os prestadores de serviços contratados e fornecedores que executam atividades nos processos da organização. Para os clientes, a qualidade se caracteriza com alto grau de subjetividade, uma vez que cada consumidor tem seu próprio critério de avaliação e apresenta uma demanda específica. Nas empresas, a produção de bens e serviços com alto padrão de qualidade proporciona vantagens competitivas, e também valor para os consumidores e a sociedade. Conforme Britto (2015), temos ganhos de custos nas instituições, uma vez que atuando com qualidade em todos os processos da organização, evitam-se os desperdícios e ORGANIZAÇÕES (EMPRESAS) CONSUMIDORES (CLIENTES) 5 retrabalhos, bem como a racionalização na utilização dos recursos disponíveis. Nos clientes, os ganhos estão na aquisição de melhores produtos e serviços com preços mais acessíveis e maior confiabilidade. 1.1.2 Histórico da Qualidade Primórdios da produção Os artesões e produtores dos primórdios se caracterizavam por controlar sua própria qualidade, já que todos os processos eram executados por uma única pessoa ou por um pequeno grupo. Revolução Industrial Quando se inicia a Revolução Industrial no século XVIII, segundo Britto (2015) temos o início da “Era da Inspeção”, uma vez que ficou impraticável se inspecionar item a item, com o aumento dos números de produção, devido à forte demanda. A produção gradativamente foi sendo estruturada e organizada, a busca por padrões de qualidade e algumas medidas preventivas são iniciadas, mas a qualidade de produtos e serviços tem sua avaliação no final da linha produtiva por amostragem. Os sistemas produtivos começam a se desenvolver nessa época, com início da moderna administração, como a Administração Científica de Taylor, a Administração Estruturalista de Max Weber e a Escola Burocrática de Fayol. Século XX No século XX, temos o surgimento dos chamados “gurus” da Qualidade, como: William Deming, Joseph Juran, Philip Crosby, Kaoru Ishikawa, Armand Feigenbaum e outros, que com seus princípios e teorias, geraram grandes contribuições para as organizações. Final da Segunda Guerra Mundial No final da Segunda Guerra Mundial, o Japão devastado pela guerra iniciou sua recuperação econômica com o auxílio de uma missão americana convidada pelo governo japonês, composta por: Deming, Juran e Walter Shewhart que contribuíram 6 para a recuperação daquele país visando à garantia da qualidade. Nos Estados Unidos, que atendeu em massa às necessidades de armamentos para a guerra, o clima para prosperar era favorável, e na Europa resultados também eram sentidos com os investimentos do Plano Marshall. Várias metodologias e conceitos novos de qualidade surgiram visando garantir a qualidade dos processos produtivos. Da década de 1970 até os dias de hoje Da década de 1970 até os dias de hoje, a economia se tornou global, com grandes potências, como o Japão e seu parque industrial, a transferência de conhecimentos tecnológicos dos Estados Unidos, e a evolução de potências na Europa, Ásia e América. É um período que propiciou grandes evoluções em termos de qualidade, e instituiu o conceito de gestão da qualidade que evolui até os dias atuais. 1.1.3 A Qualidade no Brasil Até a metade do século XX, o Brasil se dobrou à atividade primária com a lavoura de café como principal marco econômico. A partir desse cenário, o país não apresentava ambiente para desenvolvimento de empresas produtivas, e consequentemente, a qualidade não era uma preocupação maior. A seguir, segundo Britto (2015), temos algumas atividades industriais nesse período, na linha do tempo: ➢ 1919 – Início das instalações da Ford Motor Company do Brasil; ➢ 1921 – A linha de montagem da Ford; ➢ 1923 – A linha de montagem da GM, exclusiva para montagem de carros comerciais, com forte importação de veículos e peças; ➢ 1941 – Fundação da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional); ➢ 1946 – Começam as operações da CSN; ➢ 1956 – Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA); o GEIA foi um grupo instituído no governo de Juscelino Kubitscheck (1956/1961), que estabeleceu buscar o atraso de 50 anos em apenas 5. Esse grupo estabeleceu metas para nacionalizar a produção de veículos e minimizar as importações; 7 ➢ 1987 – A International Organization for Standardization (ISO), na qual o Brasil é membro fundador através da ABNT, aprovou uma série de normas ISO 9000 criadas para facilitar a comercialização internacional, uma vez que cada organização desenvolve seu próprio sistema de qualidade em particular; ➢ Década de 1990 – Abertura do mercado internacional, uma vez que o Brasil apresentava uma política restritiva ao comércio internacional. Devido às crises cambiais,alterações de última hora; • Fornecer produtos e serviços de qualidade, nos prazos definidos, a custos reduzidos. 4.1.3 Organizar a equipe O primeiro passo no conceito do APQP é a organização da equipe do projeto. Deve ser uma equipe multifuncional, que deve ser instituída buscando assegurar um planejamento da qualidade do produto de forma plena e efetiva. Portanto, a equipe é a chave de todo o planejamento, para o sucesso desse mesmo planejamento, reforçando a boa comunicação entre cada um dos envolvidos dessa equipe. Geralmente, a equipe 57 apresenta colaboradores de várias funções, conforme necessário, como das áreas de: Manufatura; Engenharia; Compras; Controle de Materiais; Vendas; Qualidade; Fornecedores e, inclusive, Clientes. 4.1.4 Definir a abrangência A equipe de APQP identificará a abrangência, que é fundamental, logo no início do projeto, determinando as necessidades, as expectativas e os requisitos dos clientes. Portanto, a equipe deve se reunir com o objetivo de: • Selecionar um líder de equipe do projeto, que será responsável pelo processo de planejamento; • Definir os papéis e a responsabilidade de cada função; • Identificar os clientes, internos e externos da organização; • Definir os requisitos específicos dos clientes; • Selecionar as disciplinas, indivíduos e fornecedores que devem se juntar à equipe; • Compreender as expectativas dos clientes, em relação ao projeto e número de testes; • Avaliar a viabilidade do projeto proposto; • Identificar custos, cronogramas e possíveis restrições; • Determinar a assistência exigida por parte do cliente; • Identificar o processo ou método de documentação. 4.1.5 Equipe a equipe Através de reuniões periódicas, a equipe do APQP de uma organização deve estabelecer as linhas de comunicação com os clientes e com as outras equipes, que fazem parte das demais empresas que atuam nesse projeto. Portanto, deve-se manter comunicação efetiva, através de equipe a equipe, na qual essas interações dependem das extensões que se fizerem necessárias no projeto. 58 4.1.6 Treinamento Para o sucesso do plano de qualidade, o treinamento é primordial e deve ser estabelecido, de maneira que sejam comunicados os requisitos e as habilidades do desenvolvimento do projeto, visando atender as necessidades e expectativas do cliente. 4.1.7 Envolvimento do cliente e da organização É através do cliente que se tem início o APQP, no entanto, a organização deve definir a equipe de APQP, que deverá ser multifuncional, objetivando o gerenciamento do processo. Os fornecedores, por sua vez, devem apresentar os mesmos envolvimentos com todas as partes. 4.1.8 Engenharia simultânea A engenharia simultânea trata-se de um processo no qual as equipes multifuncionais buscam o objetivo comum. Esse processo substitui a sequência de fases em que os resultados são transmitidos para as próximas áreas que executarão as atividades, visando à conclusão do projeto em tempos menores. Logo, a equipe de APQP busca assegurar que as áreas, em conjunto com a equipe, desenvolvam as atividades necessárias para o projeto, dando suporte aos objetivos que foram propostos. 4.1.9 Plano de controle Os planos de controle de peças e processos de manufatura são específicos, e se caracterizam em três fases, a saber: ▪ Protótipo ➔ Descrição das dimensionais, testes de materiais e desempenho que atenderão a construção do protótipo; ▪ Pré-lançamento ➔ Também se caracteriza como uma descrição das dimensionais, dos testes de materiais e do desempenho que ocorrerão logo em seguida da construção do protótipo, anterior à produção seriada; ▪ Produção ➔ Trata-se de uma documentação que abrange as características do produto, processo, controle de qualidade, testes e sistemas de medição que acontecerão durante a produção em série. 59 4.1.10 Resolução de problemas A possibilidade de ocorrência de problemas não está descartada no processo de planejamento, portanto, esses problemas devem ser documentados através de uma matriz, na qual temos a designação de responsabilidades e cronograma de resolução. 4.1.11 Planos referentes ao cronograma Visando que se tenha sucesso no atendimento das necessidades e expectativas do cliente, de acordo com os prazos estipulados, se faz necessário um cronograma bem elaborado. Esse cronograma e o ciclo do APQP exigem que se tenha um esforço maior da equipe de planejamento na prevenção de problemas, que são direcionados à engenharia simultânea, que, por sua vez, atua de forma simultânea com as áreas. Portanto, as equipes de planejamento devem se preparar para modificar os planos da qualidade de produtos, com o objetivo de atender as expectativas do cliente. A Figura 4.3 representa um cronograma de APQP, com os objetivos específicos e suas etapas. Fonte: Manual do APQP (IQA). Figura 4.3 – Cronograma de APQP. 60 4.2 PPAP 4.2.1 Conceitos de PPAP O Processo de Aprovação de Peças para a Produção – PPAP (do inglês, Production Part Approval Process) certifica ao cliente que os registros e as especificações de projeto de engenharia foram entendidos pelo fornecedor de peças. Além desse objetivo, o PPAP também registra e certifica, através de relatórios exigidos, a capacidade do processo em industrializar o componente em questão. Assim como o APQP, o PPAP também surgiu das necessidades de três grandes montadoras (Ford, General Motors e Chrysler), que decidiram utilizar esse método de aprovação de peças para finalizar o ciclo de desenvolvimento do produto e do processo. Com o objetivo de determinar os registros de projetos de engenharia e o atendimento dos requisitos de especificação do cliente, sua aplicação deve ser feita por plantas internas e externas dos fornecedores de peças. A Figura 4.4 demonstra um fluxo de processo, como exemplo, para a submissão do PPAP. Fonte: Manual do PPAP (4ª edição). Figura 4.4 ̶ Exemplo de fluxo de processo do PPAP. A submissão da documentação à aprovação do cliente, em grande parte, se dá na fase de desenvolvimento de um novo produto. Porém, existem outras situações que podem 61 requerer a submissão da documentação para aprovação do cliente. O Manual do PPAP cita quatro situações em que a submissão é necessária: 1) Desenvolvimento de uma nova peça ou produto (por exemplo: uma determinada peça, material ou cor não previamente fornecidos para o cliente específico); 2) Correção de uma discrepância em uma peça previamente submetida; 3) Produto modificado por uma alteração de engenharia nos registros do projeto, especificações ou materiais; 4) Quaisquer situações requeridas que exijam notificação de alterações ao cliente. 4.2.2 Níveis de apresentação do PPAP O fornecedor deverá reunir todos os documentos pertinentes ao nível a ser submetido no PPAP. O nível do PPAP geralmente é determinado pelo representante legal indicado pelo cliente. Esse profissional atua dentro do departamento de qualidade, especificamente com o desenvolvimento de fornecedores. Sua missão é atuar junto aos fornecedores, utilizando metodologias e ferramentas da qualidade para desenvolver o processo e garantir a qualidade do produto conforme suas especificações técnicas. Na Tabela 4.1, apresentam-se os níveis de submissão do PPAP e suas exigências. Tabela 4.1 ̶ Níveis de submissão do PPAP Fonte: Manual do PPAP (4ª edição). 62 Como podemos observar na tabela anterior, para cada nível do PPAP, temos uma relação de documentos que devem ser submetidos e requisitos que devem ser cumpridos. Esses documentos e requisitos são tratados no desenvolvimento do produto e processo através da ferramenta do APQP que desenvolve essas certificações a serem apresentadas. Geralmente, parte-se do nível 3 para apresentações do PPAP; os níveis 4 e 5 são, em geral, utilizados parafornecedores que apresentam problemas de qualidade, ou o produto exige uma dupla checagem por motivos de segurança. Os níveis 1 e 2 são comumente aplicados a fornecedores que têm um histórico de qualidade positivo e não geram problemas. A evolução de conceito positivo dentro da visão do cliente permite grande confiabilidade e pouca exigência. A Tabela 4.2 apresenta um pouco mais sobre os documentos que deverão ser submetidos e quais devem ser retidos no local do fornecedor. Tabela 4.2 – Tabela de Requisitos do PPAP em relação ao Nível de Submissão Fonte: PPAP (2006). 63 4.3 FMEA 4.3.1 Introdução de FMEA FMEA (sigla em inglês de Failure Mode and Effect Analysis) é a ferramenta da qualidade que mais ganhou prestígio nas montadoras de veículos e linha branca, mas nas últimas décadas se popularizou em outras organizações. Em português, significa “Tipo de Falha e Análise dos Efeitos” e busca inicialmente evitar que falhas potenciais ocorram a partir de propostas de ações de melhorias, seja em processos, produtos ou projetos. Em outras palavras, essa metodologia tem como objetivo que se detectem falhas antes que se produza um produto ou se realize um serviço, logo, a atuação em projetos e processos faz parte desse conceito. Portanto, com a aplicação da ferramenta, as chances de um produto ou serviço falhar se reduzem e, dessa forma, aumenta-se a sua confiabilidade. Confiabilidade tem sido uma das dimensões de qualidade, na ótica dos consumidores, com importância crescente, de maneira que as consequências de falhas podem significar risco de vida e falta de segurança de produtos e serviços. A metodologia FMEA iniciou sua aplicação em projetos relativos a novos produtos ou novos processos, porém, com sua aderência a processos e produtos, permitiu que sua aplicação se expandisse, de modo que a ISO TS 16949, a norma ISO voltada para a indústria automobilística, exigisse a aplicação da ferramenta como forma de melhorar produtos e serviços. Portanto, a metodologia FMEA, como ferramenta da qualidade, promove a aplicação de ações que buscam mitigar ou eliminar as falhas em produtos e serviços, a partir de critérios definidos e análise dos efeitos dessas falhas. 4.3.2 Tipos de FMEA Podemos dizer que existem dois tipos mais comuns de FMEA (FMEA de Produtos e FMEA de Processos), de forma que a realização o estudo é a mesma para ambos, diferenciando no que tange ao objetivo. Vamos à descrição desses tipos: 64 a. FMEA de Produto Neste tipo de análise, temos a avaliação do efeito da falha do produto durante a fase de projeto. Por esse motivo, também recebe o nome de FMEA de Projetos. Portanto, a ideia dessa ferramenta da qualidade é evitar as falhas do produto decorrentes do projeto do produto. b. FMEA de Processos Corresponde à avaliação do efeito da falha do produto durante o processo de manufatura ou uma atividade específica de áreas de apoio. Nesse caso, a ideia é avaliar o efeito da falha durante o processo de fabricação, ou de uma área de apoio como Manutenção, Segurança etc. Como se nota, a forma de efetuar as análises é similar, com relativas modificações conforme o objetivo a ser analisado. Podemos ter diferenciação nos índices para efetuar o FMEA, que abordaremos mais adiante. Vamos agora abordar outros tipos menos comuns e que podem ser aplicados em outros objetivos específicos. c. FMEA de Procedimentos Administrativos Corresponde à avaliação do efeito da falha nos procedimentos administrativos. Portanto, avaliam-se os efeitos das falhas potenciais na execução de um procedimento administrativo, com possíveis ações, e minimizando seu efeito. d. FMEA de Sistemas Corresponde à avaliação do efeito da falha nos sistemas ou subsistemas nas fases conceituais ou de projeto. Portanto, visa avaliar o modo de falha e seu efeito nas funções de sistemas. e. FMEA de Serviços Neste caso, no FMEA de Serviços, são avaliados os serviços antes que o cliente ou consumidor seja afetado. Portanto, é utilizado para identificar atividades críticas ou 65 impactantes no serviço, de tal forma que se auxilie a elaborar planos de controle para que o efeito seja minimizado. 4.3.3 Motivos para a aplicação da Metodologia FMEA Nos conceitos da ferramenta FMEA, os motivos que levaram à aplicação de sua metodologia partem de várias intenções, entre elas: ▪ reduzir a ocorrência de falhas potenciais em projetos de novos produtos; ▪ reduzir a ocorrência de falhas potenciais em processos; ▪ melhorar a confiabilidade de processo, a partir de falhas que ocorreram durante o próprio processo; ▪ minimizar a ocorrência de erros; ▪ buscar o aumento da qualidade em processos. 4.3.4 Planejamento da metodologia FMEA O planejamento de uma análise de FMEA é de responsabilidade de um colaborador, que deverá: • entender os objetivos e a abrangência da análise que será efetuada; • definir os produtos ou processos que deverão ser analisados; • formar o grupo que analisará as falhas, constituído de quatro a seis colaboradores, de preferência, multidisciplinares, ou seja, que atuam em áreas de diferente atuação; • agendar com prazo suficiente, visando à participação de todos e preparação da documentação relativa. 4.3.5 Analisando as falhas potenciais em FMEA As análises das falhas potenciais são efetuadas em formulário que deverá ser definido pela organização, a partir do preenchimento dos seguintes campos principais: ▪ O modo de falha, com sua respectiva função junto ao produto ou processo; ▪ É necessário listar os tipos de falhas potenciais para cada função; ▪ É necessário registrar os efeitos relativos ao tipo de falha; 66 ▪ É necessário listar as possíveis causas para o tipo de falha; ▪ É necessário definir os índices para cada causa relativa. 4.3.6 Índices de avaliação dos riscos Dentre os índices a serem avaliados relativos a cada causa listada, temos três índices relativos: Severidade ➔ relativo a quanto é a severidade no que diz respeito àquela causa ocorrer. Segue um exemplo de uma tabela de severidade, porém, vale ressaltar que a organização poderá definir uma tabela conforme sua conveniência ou definição de um fornecedor influente. Fonte: Lobo, R. N. (2010). Detecção ➔ relativo ao grau de detecção, ou seja, se será detectada a causa. Segue também um exemplo de tabela de detecção. Da mesma forma que a de severidade, a organização poderá definir uma nova tabela se desejar. 67 Fonte: Lobo, R. N. (2010). Ocorrência ➔ relativo ao grau de ocorrência, ou seja, a proporção em que essa causa pode ocorrer. Da mesma forma que os demais índices, segue um exemplo de tabela de ocorrência. A organização poderá definir uma nova tabela se assim o desejar. Fonte: Lobo, R. N. (2010). 4.3.7 O índice de Risco (RPN) O índice de risco é o valor que define as prioridades, do inglês RPN (Risk Priority Number), define o número prioritário de risco para cada causa específica. Para calculá-lo, basta multiplicar os três índices de severidade, ocorrência e detecção. Esse índice servirá de referência para determinar o grau de risco que existe para cada causa em especial (LOPES, 2019). 4.3.8 Formulário FMEA e cuidados a serem tomados Segue um exemplo de formulário de FMEA. Esse formulário necessariamente precisa apresentar: ▪ Cabeçalho com as especificações do que está sendo analisado; 68 ▪ Colunas de: função; modo de falha; efeito da falha; índice de severidade; índice de ocorrência; índice de detecção; índice de risco; ações a serem tomadas; responsável pela ação; ação tomada; e novamente colunas dos índices de severidade, ocorrência, detecção e risco. Outros campos poderão ser acrescidos, se a organização assim o desejar, como no exemplo apresentado a seguir (LOPES, 2019): Fonte: O autor (2018). 4.3.9 Detalhes relativos ao preenchimentodo formulário de FMEA 1) Os índices são independentes, ou seja, quando o grupo avaliador definir uma nota para um índice, esse índice é específico. Vamos a um exemplo, se adotamos uma nota para severidade, isso não tem nada a ver com os outros dois índices de ocorrência e detecção. As notas têm que ser avaliadas de forma independente. 2) Quando se tratar de processo produtivo, os índices de Cp e Cpk, referentes à Capabilidade de Processo, podem ser utilizados para definir o índice de ocorrência. 3) A coluna referente ao RPN (Risk Priority Number) deve ser a referência para a tomada de ações, ou seja, define-se um número de corte, a partir desse valor deve-se necessariamente tomar ações para a melhoria do índice de risco. Vamos a um exemplo: se a organização definiu que o ponto de corte é 120, todos os RPN iguais ou maiores que 120 deverão conter ações. 4) A melhoria dos processos advém de conhecimentos e criatividade dos membros do grupo, portanto, é importante a participação coletiva na definição dos índices e na tomada de ações. 5) O acompanhamento dos formulários de FMEA deve ser constante, ou seja, é um “documento vivo” que não termina. Portanto, deve ser acompanhada a SIMB. TIPO DESCRIÇÃO u ESPECIAL - Relacionado com a segurança Característica do produto para a qual uma variação pode afetar significativamente a segurança do produto ou sua conformidade (inflamabilidade, freios, ruidos). q ESPECIAL - Não relacionado com a segurança NÃO ESPECIAL Variação com baixa probabilidade de afetar significativamente o produto Característica do produto para a qual uma variação tem probabilidade de afetar significativamente a satisfação do Cliente com o produto REPRESENTANTE APROVADO NÃO APROVADO OBSERVAÇÕES OBSERVAÇÕES ÓRGÃO CARACTERÍSTICAS EQUIPE - ASSINATURA ANÁLISE CRÍTICA R ESP ON SÁ VEL E P R A Z O A ÇÃ O T OM A D A C ON T R OLES P R EVEN T IVOS EXIST EN T ES N O P R OC ESSO C ON T R OLES D ET EC T IVOS EXIST EN T ES N O P R OC ESSO A ÇÕES R EC OM EN D A D A S IT EM F UN ÇÃ O M OD O D E F A LH A P OT EN C IA L EF EIT O P OT EN C IA L D A F A LH A C A USA (S) P OT EN C IA L M EC A N ISM O (S) D E F A LH A RESPONSÁVEL PELO PROJETO EQUIPE ELABORADO - NOME PROCESSO PROJETO ALTERAÇÃO TÉCNICA DATA REVISÃO DATA INICIAL PÁGINA LOGOMARCA F M E A ANÁLISE DO MODO DE FALHA E SEUS EFEITOS TIPO CLIENTE PRODUTO Nº DESENHO FMEA Nº REV. 69 efetividade das ações com os novos índices para definir se o RPN baixou realmente. 6) A utilização de outras ferramentas da qualidade para definir as causas de um determinado efeito, como: Diagrama de Ishikawa ou Brainstorming, podem e devem ser utilizadas como referência sempre que possível. 7) A guarda desses formulários garante de forma sistêmica as informações sobre as falhas possíveis e o conhecimento dos problemas com produtos e processos, bem como a monitoração das ações tomadas, os benefícios conquistados e a busca constante da satisfação dos clientes (LOPES, 2019). 4.3.10 Integração da FMEA de processo com as operações padrão Quando temos operações padrão, ou seja, operações que se repetem constantemente, a planilha de FMEA deve se relacionar com todas as falhas potenciais que esse processo apresenta. Sempre que ocorrer uma falha, independente de que essa falha já tenha ocorrido, é importante que a mesma seja registrada na planilha, caracterizando a ferramenta como um documento “vivo” do processo (LOPES, 2019). Conclusão Acabamos de ver neste quarto bloco o APQP (do inglês, Advanced Product Quality Planning, ou, em português, Planejamento Avançado da Qualidade do Produto), o Processo de Aprovação de Peças para a Produção – PPAP (do inglês, Production Part Approval Process) e o FMEA (do inglês, Failure Mode and Effect Analysis, ou, em português, Tipo de Falha e Análise dos Efeitos). Esperamos que tenha gostado! Bons estudos! Referências APQP. Fases do APQP. Advanced Product Quality Planning. 2013. Disponível em: http://www.apqp.com.br. Acesso em: 7 mar. 2023. APQP. Manual do APQP. Planejamento Avançado da Qualidade do Produto. 2. ed. IQA. (Instituto da Qualidade Automotiva), 2013. LOBO, R. N. Gestão da qualidade. 1. ed. São Paulo: Editora Érica, 2010. PPAP. Manual do PPAP. Processo de Aprovação de Peças de Produção. 4. ed. IQA (Instituto de Qualidade Automotiva), 2006. LOPES, R. J. Ferramentas da qualidade. Unisa, 2019. (Apostila). http://www.apqp.com.br/ 70 5 CONTROLE ESTATÍSTICO DE PROCESSO Apresentação Aqui neste bloco, discutiremos os conceitos de controle estatístico de processo, compreenderemos suas particularidades e o conceito de estabilidade de processo, que é de extrema importância para sua aplicação. A partir da estabilidade de processo, é possível se aplicar as cartas de controle, que podem ser tanto por variável como por atributo, dependendo da característica a ser controlada. Bons estudos! 5.1 Conceito básico de CEP Uma das ferramentas da qualidade muito utilizadas e estudadas nas áreas produtivas é o CEP (Controle Estatístico de Processo). Embora essa metodologia não seja uma exclusividade nas indústrias, sua utilização não se resume exclusivamente a elas. Essa ferramenta objetiva reduzir a variabilidade através de melhorias de processos (atuações) ou permitir que se controle o processo de uma forma que minimize sua dispersão. Logo melhora, entre outros fatores, no produto ou no serviço a produtividade, a confiabilidade, a qualidade e os custos. O Controle Estatístico de Processo se caracteriza como um “sistema de controle de inspeção por amostras” durante o processo, portanto, de maneira diferente da inspeção tradicional que verifica os produtos após a produção, de acordo com a esquematização apresentada na Figura 5.1. A inspeção tradicional nos leva a três possibilidades: peças boas para o cliente, rejeição ou retrabalho. Nesse último, o produto poderia ser reavaliado pela inspeção ou retrabalhado pelo processo. 71 Fonte: O autor. Figura 5.1 – Esquema da inspeção efetuada após a produção. No caso do CEP, temos uma verificação periódica de uma variável ou atributo, em conjunto com a linha de produção, de tempos em tempos, de tal forma que se algo estiver em desacordo com a especificação do produto, a linha de produção é interrompida e se reavaliam as condições de manufatura, para recomeçar a produção novamente. A Figura 5.2 representa essa metodologia do CEP em conjunto com o processo, e caso haja uma não conformidade do produto na linha produtiva, interrompemos a produção por um determinado tempo, e se reavalia uma pequena quantidade de itens produzidos até que o processo se ajuste. Fonte: O autor. Figura 5.2 – Ação do CEP no processo produtivo. PROCESSO INSPEÇÃO CLIENTE RETRABALHO REFUGO PROCESSO CEP CLIENTE REFUGO OU RETRABALHO MÍNIMO 72 Portanto, o CEP efetua o controle do processo periodicamente, identificando sua variabilidade e, realizando o controle ao longo do tempo, por meio de retiradas de amostras, de maneira sistemática, dos itens produzidos. Ao se estudar a variabilidade nos processos produtivos, estamos nos referindo à variabilidade de um determinado parâmetro dimensional ou de uma característica. Em outras palavras, algo que pode ser medido por instrumentos de medição ou avaliação de uma característica de um produto ou serviço. Podemos citar, como exemplo, uma dimensão linear medida com um paquímetro ou micrômetro, um parâmetro como temperatura, peso, velocidade etc. Uma característica seria algo qualitativo que pode ser observado no produto por inspeção. Como exemplos, temos uma peça com riscos na superfície, chapa metálica com falha de fundição,falha na pintura de um item produzido. Todo processo produz resultantes, de suas variáveis ou atributos, seguindo algum tipo de distribuição. Essa distribuição pode ser descrita através de três propriedades: tendência, dispersão e distribuição. Nos processos produtivos, as variáveis geralmente se comportam similarmente a uma distribuição normal que cotidianamente chamamos de “curva normal”, “curva de Gauss” (em homenagem a seu descobridor) ou “curva em forma de sino”. A curva normal é um modelo matemático. Logo, consideramos a curva normal como “referência” para um processo que se assimila a essa condição. Conforme Montgomery (2017), a distribuição normal é tão usada que frequentemente usamos uma notação especial, na qual indicar que x é normalmente distribuído com média µ e variância σ2. A aparência visual de uma distribuição normal é a de uma curva simétrica, unimodal, em forma de sino conforme mostrada na Figura 5.3. 73 Fonte: O autor. Figura 5.3 – Curva Normal. Veja a Figura 5.4, na qual a distribuição de frequência de uma variável, de um item produzido hipoteticamente, se aproxima de uma curva normal. Fonte: O autor. Figura 5.4 – Distribuição de frequência de uma variável. Segundo Montgomery (2017), temos uma interpretação simples do desvio-padrão (σ) de uma distribuição normal, que é ilustrada na Figura 5.5, na qual notamos que 68,26% dos valores da população estão dentro dos limites definidos pela média mais ou menos variável função da variável Dispersão Distribuição Tendência 74 um desvio-padrão (µ ± 1σ); 95,46% dos valores dentro dos limites definidos pela média mais ou menos dois desvios-padrão (µ ± 2σ); e na sequência, temos 99,73% dos valores populacionais dentro dos limites definidos pela média mais ou menos três desvios- padrão (µ ± 3σ). Fonte: Montgomery (2017). Figura 5.5 – Área sob a curva de distribuição normal. Vale relembrar que a variabilidade está presente em todos os processos produtivos, e a dispersão corresponde à variabilidade de um parâmetro de processo, e essa variabilidade pode ser resultante de dois tipos de causas: Causas Comuns ➔ Devido a pequenas variações nas variáveis de processo. Como exemplos, temos: • diferenças normais na matéria-prima (devido à uniformidade normal no produto); • habilidade do operador ou operadores diferentes; • desgaste normal das ferramentas; • variação da temperatura durante o dia ou outro parâmetro, que não inviabilize a produção; • outras alterações no processo que afetam de maneira “aceitável”. 75 Causas Especiais ➔ Ocasionadas por variações que perturbam de forma acentuada nas variáveis de processo, que comprometem a manutenção da especificação. Como exemplos, temos: • não conformidade na matéria-prima (neste caso, devido a estar fora da especificação); • falta de procedimento operacional adequado ou mudança do procedimento; • falta de treinamento do operador (o operador não segue o procedimento); • queda de corrente elétrica ou pressão de ar comprimido; • troca de setup; • outras alterações no processo que afetam significativamente, ocasionando variações indesejáveis. 5.2 Cartas de controle por variáveis O CEP é um método preventivo que compara constantemente os resultados de um processo com os padrões estabelecidos, conforme ilustra a Figura 5.6, a seguir. Por meio da utilização de dados estatísticos, das tendências do processo e das variações presentes no processo, o acompanhamento das variáveis permite que elas sejam controladas, por meio de intervenção quando necessário, objetivando a redução gradativa e o monitoramento da variável a ser controlada. Fonte: O autor. Figura 5.6 – Conceito de prevenção através do CEP. 5.2.1 Cartas de Controle As cartas de controle são tipos de gráficos utilizados para o acompanhar um processo. Nesses gráficos, conforme mostra a Figura 5.7, especifica-se uma linha central que pode Processo 76 ser a média do processo ou a medida nominal do parâmetro. Além dessa linha, temos outras duas que se referem às linhas de controle, que são calculadas estatisticamente para atender o processo. Não confunda as linhas de controle com as linhas de limite de especificação do produto. Por exemplo, em um diâmetro de um furo 5,00 ∓ 0,20 mm, temos, então, a medida nominal do parâmetro (φ 5,00 mm) e os limites de especificação que são 4,80 mm na tolerância mínima e 5,20 mm na tolerância máxima, na qual esses limites são de especificação e não são os limites de controle, que devem ser calculados estatisticamente. Fonte: O autor. Figura 5.7 – Exemplo simplificado de uma carta de controle. A linha central, apresentada na figura, corresponde à média ou o valor nominal da dimensão a ser controlada, sendo que as linhas LSC e LIC são denominadas Limite Superior de Controle e Limite Inferior de Controle, que são calculadas estatisticamente. Os limites de controle LSC e LIC, respectivamente, Limites Superior de Controle e Limite Inferior de Controle, calculam-se de seguinte forma: LSC = 𝑿 + 𝟑 𝝈 (𝐧𝐚 𝐪𝐮𝐚𝐥 𝝈 é 𝒊𝒈𝒖𝒂𝒍 𝒂 𝒅𝒆𝒔𝒗𝒊𝒐 𝒑𝒂𝒅𝒓ã𝒐); LIC = 𝑿 − 𝟑 𝝈 . tempo variável de interesse LSC LIC média 77 As cartas de controle por variáveis correspondem ao controle de valores numéricos como exemplo dimensionais de comprimento, largura, pressão, temperatura e outros parâmetros. Os tipos de cartas de controle por variáveis podem ser: ▪ Médias e amplitudes; ▪ Médias e desvios-padrão; ▪ Medianas e amplitudes; ▪ Valores individuais e amplitudes móveis. 5.3 Cartas de controle por atributos Outro tipo de cartas de controle que podemos ter é o por atributos. As cartas de controle por atributo correspondem a características do produto, como por exemplo: a falha de pintura em uma peça, número de arranhões em um produto, falta de um componente, existência de defeitos em superfície etc. Os tipos de cartas de controle por atributos existentes são: ▪ Proporção de itens defeituosos (carta p); ▪ Número de itens defeituosos (carta np); ▪ Número de defeitos por amostra constante (carta c); ▪ Número de defeitos por unidade (carta u). Logo, cada carta apresenta finalidade específica, e a escolha deve ser efetuada de acordo com o tipo de controle que se está efetuando, se temos uma dimensional de uma determinada grandeza física que se comporta como variáveis, ou se são características, como por exemplo, defeitos que se apresentam como atributos em processos discretos. E ainda, é possível levar em conta as condições de tendência central do processo para as cartas de variáveis, e com relação às particularidades do defeito a ser controlado nas cartas por atributos. 78 5.3.1 Entendendo como funcionam as cartas de controle O apontamento nas cartas de controle deve ser feito de acordo com a amostra retirada. Por exemplo, nas cartas de controle por variáveis, podemos ter a média e a amplitude de uma amostragem, ou o número de itens defeituosos se for utilizar a carta de controle correspondente “np”, e assim por diante, para as demais cartas de controle. O cálculo da amostragem depende de vários fatores, podendo ser o tamanho da variação que se quer observar, de quanto em quanto tempo se nota essa variação, o quanto é crítica essa característica a ser controlada e o custo da amostragem. Pode ser, por exemplo, de 3 em 3 peças por minuto, 5 dados por hora etc. Cada amostra refere-se a um ponto no gráfico, conforme apresenta a Figura 5.8 de uma carta simplificada. Fonte: O autor. Figura 5.8 – Exemplo de plotagem dos pontos em carta de controle. Caso a produção de um item esteja com o “Processo sob Controle Estatístico”, dizemos isso para informar que o processo está de acordo com o esperado, ou seja, as maiorias dos pontos plotados no gráfico permanecem entre os limites de controle, conformemostrado na Figura 5.8. Entretanto, se a produção está com o “Processo Fora do Controle de Controle Estatístico”, então, parte considerável dos pontos está muito dispersa, com tendências ou fora dos limites de controle, conforme destacado na Figura 5.9. Fonte: O autor Carta de Controle LSC LIC 79 Fonte: O autor. Figura 5.9 – Processo fora de controle estatístico. Na Figura 5.9, observamos que alguns pontos estão fora dos limites superior e inferior de controle (circundados nos pontos extremos), e ainda, temos uma sequência de 5 pontos que é tendenciosa (esses pontos estão circundados com uma elipse). Essas condições informam para o processo que se deve parar a produção, e agir para tomar ações para eliminar as possíveis causas especiais que estão ocorrendo ou realizar ajustes no processo. Portanto, um ponto fora dos limites de controle indica que houve uma causa especial (anomalia) e devemos atuar para continuar produzindo, mas notamos que outras situações podem ser descritas como indesejáveis no processo, como as apresentadas nas figuras de 5.10 a 5.12, e que também exigem que se estude o que está ocorrendo no processo. Fonte: O autor. Figura 5.10 – Sequência de pontos consecutivos acima ou abaixo da linha central. Fonte: O autor Carta Fora de Controle Estatístico LSC LIC 80 Fonte: O autor. Figura 5.11 – Tendência de pontos consecutivos crescentes ou decrescentes. Fonte: o autor. Figura 5.12 – Diminuição da variação do processo. Conclusão Neste quinto bloco, discutimos os conceitos de controle estatístico de processo, compreendemos suas particularidades e o conceito de estabilidade de processo, que é de extrema importância para sua aplicação. Vimos que, a partir da estabilidade de processo, é possível se aplicar as cartas de controle, que podem ser tanto por variável como por atributo, dependendo da característica a ser controlada. Referências FEENG. Fundação Empresa Escola de Engenharia. Controle Estatístico de Processo. Porto Alegre – RS, 2012. (Apostila). 81 MONTGOMERY, D. C. Introdução ao controle estatístico da qualidade. Tradução e revisão técnica Ana Maria Lima de Farias, Vera Regina Lima de Farias e Flores. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. 82 6 SISTEMAS DE GESTÃO DA QUALIDADE, AMBIENTAL E INTEGRADOS Apresentação Aqui neste último bloco, abordaremos os sistemas de gestão, em particular o da Qualidade (ISO 9001) e o Ambiental (ISO 14001). Outro assunto que vale ser ressaltado na disciplina é o sistema de gestão integrado, que se caracteriza como sendo uma combinação de dois ou mais sistemas de gestão existentes, desde que a estrutura desses sistemas de gestão apresente a mesma estrutura de exigências. Vamos entender melhor esses sistemas de gestão? Bons estudos! 6.1 NORMA ABNT NBR ISO 9001 O termo “NBR ISO” especifica como sendo uma norma brasileira (NBR), e ISO (International Organization for Standardization) representa que a norma é oriunda de uma organização de padronização internacional. Essa organização internacional de padronização foi fundada em Genebra, na Suíça, e apresenta vários países membros, entre eles, o Brasil, através da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). A norma brasileira ISO 9001 destaca os requisitos de um sistema de gestão da qualidade, que uma organização pode adotar para buscar a certificação. Segundo Carpinetti (2020), um sistema de gestão da qualidade tem como propósito evitar ou mitigar as ocorrências de casos de não atendimento de requisitos dos clientes, ou seja, as não conformidades. Dessa forma, a norma contribui para o bom atendimento e também para a redução de desperdícios. Nesse contexto, a norma ISO 9001 destaca um conjunto de atividades de gestão que, se for bem implementado, contribui para que as não conformidades não ocorram, e consequentemente, evita os desperdícios. Para que se coloquem em prática as atividades de gestão de forma eficaz, se faz necessário que a alta direção das organizações se comprometa com os propósitos da norma, ou seja, que crie e lidere uma cultura que valorize a gestão da qualidade, 83 implementando e mantendo o sistema de gestão. A implementação e manutenção do sistema de gestão, seja ele qual for, necessita que a direção da organização dê suporte necessário, disponibilizando recursos físicos e humanos, desenvolvendo a capacitação dos colaboradores, e estabelecendo comunicação eficaz em toda a organização. A norma ISO 9001 apresentou sua primeira versão em 1987, e se atualizou ao longo dos anos, conforme mostra a Figura 6.1, destacando a evolução ao longo do tempo. Fonte: Autor. Figura 6.1 – Evolução das versões da norma ISO 9001 ao longo dos anos. Essa evolução se caracteriza por um processo de atualização e adequação às necessidades das organizações. A primeira versão de 1987, conforme o autor Carpinetti (2016), se baseou na norma britânica de BSI 5750. No ano de 2000, foi lançada a terceira edição que incorporou várias mudanças e tendo como objetivo: 1. tornar o sistema mais robusto, rebatendo as críticas que vinham comprometendo a credibilidade dos certificados, e 2. a estruturação melhor visando à integração de outras normas. A partir dessas mudanças, o sistema de gestão da qualidade se baseou nos princípios de gestão da qualidade, que atualmente são um total de sete princípios, conforme destacado na norma NBR ISO 9001:2015 (versão 2015), a saber: ▪ Foco no cliente; ▪ Liderança; ▪ Engajamento das pessoas; 84 ▪ Abordagem de processo; ▪ Melhoria; ▪ Tomada de decisão baseada em evidência; ▪ Gestão de relacionamento. O sistema de gestão da qualidade envolve várias atividades na organização, que a norma ISO 9001:2015 destaca como requisitos a serem atendidos. Nesses requisitos, podem ser aplicados o ciclo PDCA para todos os processos e para o sistema de gestão da qualidade como um todo, e a Figura 6.2 ilustra as seções de 4 a 10 da norma, que podem ser associadas em relação ao ciclo PDCA. Cada seção apresenta uma série de requisitos, que apresentam “O QUÊ” deve ser atendido, e a organização implantará “COMO” ela atenderá esse requisito, de acordo com sua realidade. Exemplo: uma organização de grande porte necessita de softwares de controle para algumas necessidades, no entanto, empresas de pequeno porte poderiam controlar algumas dessas necessidades com tabelas e planilhas. Logo, as organizações apresentam atendimentos diferenciados com relação aos requisitos da norma, conforme sua necessidade e de seus clientes. Fonte: reprodução da norma ISO 9001:2015. Figura 6.2 – Modelo do Sistema de Gestão da Qualidade. 85 A versão atual de 2015 apresenta, além do foco no cliente, uma abordagem nos riscos e oportunidades da organização. A busca por eficiência e eficácia do sistema de gestão é direcionada para os processos, ou seja, os processos administrativos e os produtivos de acordo com cada organização. Portanto, os objetivos da qualidade devem ser definidos, e desdobrados em metas para o alcance dos resultados. Trata-se de um ciclo que avalia as metas contra os objetivos sistematicamente, e que os ganhos advêm das ações de melhoria. Algumas organizações se perguntam: “Preciso me certificar em ISO 9001? Ou seja, em um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ)?”. Depende. Em muitos casos, é uma exigência do cliente, que exige que seu fornecedor seja certificado, evidenciando a sua capacitação para atender aos requisitos da qualidade e aquisição de seus produtos e serviços. Em outros casos, a própria organização pretende se certificar visando conquistar novos mercados e destacando para seu cliente que é competente para com a qualidade. Vale ressaltar que estar certificada em ISO 9001 não significa que tudo quea organização faça esteja conforme, mas que ela está atenta para tomar ações quando as não conformidades ocorrem, e que possui um sistema de gestão de qualidade atuante. 6.1.1 Alterações na ISO 9001:2015 A antiga versão 2008 estava estruturada em cinco macroprocessos, ou cinco requisitos principais. A versão 2015 apresenta agora sete requisitos principais, a partir do requisito 4, uma vez que os tópicos 1, 2 e 3 são apenas informativos. Vejamos os requisitos auditáveis, que são: 4. Contexto da Organização; 5. Liderança; 6. Planejamento; 7. Suporte; 8. Operação; 9. Avaliação de Desempenho; e 86 10. Melhoria. Embora tenhamos dois novos requisitos, não houve alterações significativas, mas sim uma adequação da norma. A ideia foi alinhar a estrutura de requisitos, terminologia e textos com outros sistemas de gestão ISO. A norma destaca que as organizações não necessitam desenvolver um sistema com a mesma estrutura da norma, mas sim, atender a todos os requisitos. A versão NBR ISO 9001:2015 apresenta algumas mudanças em sua terminologia, a saber: ■ “produto” se refere tanto para produto, serviço ou ambos; ■ “informação documentada” é utilizado para substituir os termos que existiam no manual da qualidade, de procedimentos documentados e registros; ■ “ambiente de operação de processos” em substituição ao termo ambiente de trabalho; ■ “recursos de monitoramento e medição” em vez de equipamentos de monitoramento e medição; ■ “produtos e serviços providos externamente” em relação a produtos adquiridos; ■ “provedores externos” para representar os fornecedores; ■ o termo “exclusão” não é mais empregado. No entanto, embora a norma não se refira mais a exclusões, a aplicabilidade dos requisitos da norma está condicionada às particularidades das operações de produção da organização. Ou seja, na prática, se algum requisito não é aplicável, é passível de não ser atendido, mas se faz necessário que se justifique e evidencie tal fato. A norma esclarece que embora algumas terminologias tenham sido alteradas, a utilização delas pelas organizações pode ser feita, como: procedimentos, registros, fornecedores e outros termos empregados. Outro ponto importante nas alterações da norma é o enfoque em riscos e oportunidades, relacionados com as questões internas e externas da organização. Esses riscos estão relacionados com o efeito das incertezas que podemos obter nos 87 resultados, e as oportunidades seriam melhorias que podem ser objetivadas para alcançar resultados melhores na organização. Concluindo: as organizações que são certificadas com a norma NBR ISO 9001 são empresas que apresentam compromisso com a qualidade, a partir de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) reconhecido internacionalmente. Esse processo de certificação é considerado um desafio, no qual um número expressivo de processos é questionado, e que pode passar por modificação. As mudanças devem estar alinhadas com o escopo da certificação, que traduz um compromisso da organização no trabalho com um sistema de gestão da qualidade, de acordo com os requisitos da norma. 6.1.2 A norma IATF 16949:2016 Para que uma organização forneça peças ou itens para a linha de produção automotiva, se faz necessário que a mesma seja certificada IATF 16949. Essa é uma certificação que apresenta requisitos que são baseados na ISO 9001, acrescidos de outras exigências direcionadas para o mercado automotivo. A IATF (International Automotive Task Force), foi fundada nos anos 1990 e representa grande parte das organizações automotivas. Portanto, a IATF 16949 se concentra nos requisitos específicos do cliente que tratam da prevenção de defeitos, na melhoria contínua e na redução da variação e desperdício na cadeia de abastecimento para o segmento. 6.2 ISO 14001:2015 Com a busca por sustentabilidade e necessidade de tratativas mais adequadas com o meio ambiente, existe uma tendência para que as organizações se certifiquem em um sistema de gestão ambiental, ou seja, na ISO 14001. Essa norma, assim como a ISO 9001, apresenta uma série de requisitos a serem atendidos, porém, com enfoque ambiental. A versão atual da norma ISO 14001 é de 2015, e apresenta uma estrutura similar aos sistemas de gestão desenvolvidos, permitindo que se migre para um sistema integrado. 6.2.1 Diferenças entre a ISO 14001:2015 em relação à ISO 9001:2015 A estrutura de alto nível das normas, conforme Carpinetti (2016), tanto para o sistema de gestão ambiental como para o sistema de gestão da qualidade, segue as diretrizes da 88 ISO, estabelecendo um padrão de sequência dos requisitos (cláusulas das normas), terminologia e textos. Portanto, os requisitos auditáveis da ISO 14001:2015 são: 4. Contexto da Organização; 5. Liderança; 6. Planejamento do Sistema de Gestão Ambiental; 7. Suporte; 8. Operação; 9. Avaliação de Desempenho; 10. Melhoria. A base da abordagem do Sistema de Gestão Ambiental (SGA), segundo a norma NBR ISO 14001:2015, é também o conceito do ciclo PDCA para com as necessidades ambientais. Essa integração pode ser mostrada pela Figura 6.3, que apresenta a abordagem por sistemas para aplicação. Fonte: NBR ISO 14001:2015. Figura 6.3 – Relação do Sistema de Gestão Ambiental e o ciclo PDCA. 89 Os requisitos de Contexto da Organização (4), Liderança (5), Suporte (7), Avaliação de Desempenho (9) e Melhoria (10) são muito semelhantes com o Sistema de Gestão da Qualidade, sendo que a diferença está basicamente no fato de que o foco do sistema é de gestão ambiental. Logo, no requisito (4), a análise de contexto, necessidades e expectativas e escopo são relacionadas à gestão ambiental. As partes interessadas consideradas são as relevantes para o sistema de gestão ambiental, bem como as agências reguladoras e governamentais. No requisito (5), temos a Liderança que deve estabelecer a política ambiental. O requisito (7) destaca as atividades que estão relacionadas com suporte na gestão ambiental. E por fim, temos os requisitos (9) e (10), que abordam a avaliação e ações de melhoria para atender aos resultados na gestão ambiental da organização. As diferenças mais significativas estão concentradas nos requisitos relativos ao Planejamento (6) e Operação (8), nos quais, segundo Carpinetti, (2016), temos: - No Requisito “Planejamento”, a norma NBR ISO 14001:2015 estabelece que a organização deve determinar riscos e oportunidades relativos aos aspectos ambientais, requisitos legais e outros requisitos. A expressão “aspecto ambiental” se refere a qualquer parte da operação da organização, um processo ou equipamento que tem o potencial de causar impacto ao meio ambiente. Visando definir os riscos e planos, a ISO 14001 estabelece que a organização deve determinar seus aspectos ambientais e suas obrigações legais relacionadas a tais aspectos. De acordo com essa análise, a organização deve determinar seus planos de ação para a gestão ambiental e objetivar a diminuição dos seus impactos ambientais. A organização deverá manter a documentação com relação a suas obrigações legais, assim como com seus objetivos de gestão ambiental. No entanto, no Requisito “Operação”, a norma define que a organização deve implementar, controlar e manter os planos de ação para a gestão ambiental, de maneira que sejam necessários para atender aos requisitos de gestão ambiental definidos em relação à análise de aspectos ambientais e obrigações legais. A preparação e resposta a emergências é mais um dos pontos abordados nesse requisito. A norma define que a organização deve estabelecer, implementar e manter ações para situações de 90 emergência, como desastres ambientais. A norma define que se mantenha a documentação necessária para atender as atividades que foram executadas conforme o plano definido. 6.3 Sistemas Integrados Umsistema de gestão integrado é aquele que apresenta mais de um sistema de gestão em conjunto. Por exemplo, um sistema de gestão da qualidade e um sistema de gestão ambiental, esse seria um sistema integrado que apresenta a sobreposição de dois sistemas de gestão em conjunto. Nesse contexto, a vantagem está na estruturação do sistema com a abordagem dos requisitos e com as informações documentadas que são comuns. Segundo Carpinetti (2016), temos como exemplo as atividades de suporte do sistema, que são basicamente as mesmas, mas diferenciando em termos de foco: ora referente à qualidade e ora referente ao meio ambiente. As mesmas colocações se aplicam aos outros requisitos e seus tópicos, como: • Análise do Contexto da Organização (tópico 4); • Políticas e Objetivos da Qualidade e Ambiental (tópicos 5.2 e 6.2); • Suporte (tópico 7); • Avaliação de Desempenho da Qualidade e Ambiental e Análise Crítica (tópico 9); e • Melhoria (tópico 10). No Sistema de Gestão Ambiental (SGA), o processo de planejamento que trata de riscos e oportunidades (tópico 6.1) e Operações (tópico 8), embora sejam parte de um mesmo sistema de gestão integrado, apresentam atividades diferentes, com tratativas diferenciadas. Vamos ao exemplo relativo a esses tópicos: no tópico 6.1 da norma NBR ISO 14001:2015, se define que a organização deverá determinar os aspectos ambientais e requisitos legais, para na sequência planejar suas ações relativas. No entanto, no tópico 8.2 do requisito “Operações”, se define a necessidade de se estabelecer, implementar e manter processos necessários para responder a potenciais situações emergenciais que no tópico 6.1 foram identificadas. Da mesma forma, o sistema integrado deverá abordar em separado as ações para riscos e oportunidades do tópico 6.1 da norma NBR ISO 9001:2015, e também ao tópico “Operações” (requisito 8) que 91 aborda o planejamento e os controles operacionais relativos às provisões de atendimento dos requisitos de produtos e serviços, no âmbito da qualidade da organização. E assim deve ser entendido, para os outros tópicos que apresentam assuntos específicos de cada certificação a ser integrada. 6.3.1 Processo de Certificação do Sistema Integrado O processo de certificação passa por uma auditoria, e as auditorias podem ser classificadas por três partes distintas, a saber: Auditoria de 1ª Parte – Também chamada de “Auditoria Interna”, esta auditoria é desenvolvida e executada pela própria organização, ou por uma entidade auditora contratada pela organização; Auditoria de 2ª Parte – Também chamada de “Auditoria pelo Cliente”, esta auditoria é desenvolvida e executada por um cliente, ou por uma entidade auditora contratada por este cliente; Auditoria de 3ª Parte – Também chamada de “Auditoria Externa”, esta auditoria é desenvolvida e executada por um organismo certificador, que é credenciado para emitir certificações de gestão específicos. No Brasil, quem credencia é o INMETRO. Portanto, a certificação de um sistema integrado deve ser desenvolvida e executada por um organismo certificador, uma auditoria de 3ª parte, que está credenciada para certificar esse tipo de sistema. Conclusão Acabamos de ver neste sexto e último bloco um pouco da Norma ABNT ISO 9001. Também estudamos sobre a ISO 14001:2015. Vimos as diferenças entre essas duas normas e comentamos brevemente da IATF 16949:2016, norma voltada para a realidade automotiva. Concluímos com os sistemas integrados e as auditorias. Esperamos que tenha aproveitado. Bons estudos e até a próxima! Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. 92 NBR ISO 9001:2015. Sistema de Gestão da Qualidade: Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. NBR ISO 14001:2015. Sistema de Gestão Ambiental: Requisitos com orientações para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.importar somente era permitido para suprir a produção industrial. Com a abertura do mercado, tivemos grandes avanços no país com o aumento de qualidade, produtividade e competitividade de nossos produtos. Dessa forma, hoje a indústria automobilística apresenta padrões de qualidade de classe mundial, com a utilização de métodos de gestão modernos com aprimoramento constante da qualidade de seus produtos e serviços. A indústria automobilística teve papel de destaque no Brasil, com formação de uma cultura da qualidade, que serviu de referência para outras indústrias de bens e serviços; ➢ 1991 – Seguindo uma tendência mundial, o Brasil instituiu o Prêmio Nacional da Qualidade, objetivando os melhores modelos de Gestão da Qualidade; ➢ 1994 – Na mesma linha que a premiação na indústria, o Governo Federal Brasileiro instituiu o Prêmio Nacional da Gestão Pública, que premia as organizações públicas no investimento em ações de melhoria da gestão. 1.1.4 Terminologia da Qualidade De acordo com Lobo (2020), para a obtenção da excelência em qualidade de processos, de maneira a garantir produtos com qualidade, alguns conceitos e terminologias devem ser compreendidos, a saber: 8 Ação Corretiva ➔ Ações a serem tomadas para eliminar as causas de uma não conformidade. Auditor ➔ Pessoa qualificada para efetuar uma auditoria. Auditoria ➔ Exame independente e sistemático de atividades, que visam identificar a conformidade com uma norma ou com objetivos estabelecidos. Conformidade ➔ Caracteriza-se pelo atendimento de um requisito (necessidade) específica, seja de uma norma, processo, produto ou serviço. Custos da Qualidade ➔ Custos que envolvem que se assegure e garanta a qualidade de forma satisfatória. Entidade ➔ Descrição de algo individual, ou seja, uma organização, um processo, uma atividade, um produto ou pessoa, podendo ser combinações destes. Inspeção ➔ Trata-se de um conjunto de atividades, que visa examinar, medir, verificar ou ensaiar características, comparadas com resultados de requisitos específicos. Não conformidade ➔ Caracteriza-se quando não se atende a um requisito específico. Procedimento ➔ Informação documentada, podendo ser escrito, gravado ou vídeo que apresenta o passo a passo, a ser desenvolvido ou executado, de um processo ou atividade. Processo ➔ Caracteriza-se pelo conjunto de atividades inter-relacionadas e de recursos utilizados. Qualidade Total ➔ Trata-se de um modelo de gestão organizado, com foco em qualidade, baseado na participação de todos os colaboradores de uma organização. Registro ➔ Trata-se da retenção de uma informação documentada, que evidencia um requisito específico, ou seja, uma necessidade específica ou estabelecida. 1.2. Princípios da qualidade Ao longo do tempo, o conceito de qualidade tem evoluído e as empresas não podem considerar o último conceito como sendo o melhor de todos. Conforme Lobo (2020), se faz necessário que se tenha cautela ao aplicar uma ou outra definição mais adequada 9 ao negócio, tendo em mente que o mundo passa por constantes mudanças, e o conceito está em constante evolução. Dessa forma, as organizações devem traçar um plano estratégico e os objetivos da qualidade que buscam obter e não esquecer que as indústrias são diferentes em relação a produtos e serviços que ofertam, quando atendem a satisfação das expectativas e necessidades dos consumidores. A busca desses consumidores por produtos e serviços de excelência em termos de qualidade traz segurança com preços atrativos. Conforme a ABNT (2015), a norma que apresenta os fundamentos e vocabulários do Sistema de Gestão da Qualidade (ISO 9000:2015) destaca os Princípios da Qualidade, que buscam orientar as organizações na excelência de qualidade, que norteará a empresa em seus planos estratégicos e objetivos. Vamos aos sete princípios da qualidade, com uma explanação de cada um deles: a. Foco no cliente Atender as necessidades dos consumidores e clientes, e buscar exceder as expectativas dos clientes é o foco principal da gestão da qualidade. Esse atendimento terá sucesso quando uma organização atrair e reter a confiança de seus clientes e das partes interessadas pertinentes, de forma sustentada. A interação com o cliente é um aspecto que criará valor para o cliente, e cada aspecto dessa interação é uma oportunidade. Logo, compreender as necessidades dos clientes atuais e futuras, e em seguida, atendê- las, contribuirá para esse fim. A ABNT (2015) destaca alguns dos principais benefícios potenciais de se manter o foco nos clientes, que são: • Aumentar o valor para o cliente; • Aumentar a satisfação do cliente; • Ampliar a base de clientes; • Melhorar a fidelidade com o cliente; • Aumentar a repetição dos negócios; • Melhorar a reputação da organização; • Aumentar a receita e a participação de mercado. 10 A Norma ISO 9000:2015 também apresenta algumas ações possíveis de serem implantadas nesse sentido, como: • Efetuar o reconhecimento dos clientes diretos e indiretos; • Compreender as expectativas e necessidades atuais e futuras dos clientes; • Efetuar a comunicação das expectativas e necessidades dos clientes para toda a organização; • Monitorar e medir a satisfação dos clientes e tomar medidas adequadas; • Desenvolver a conexão dos objetivos da qualidade com as necessidades e expectativas dos clientes; • Desenvolver planejamento, projeto, produção e entrega dos produtos e serviços entregues; • Implantar ações que se referem às necessidades e expetativas das partes interessadas, que afetem a satisfação do cliente; • Efetuar o gerenciamento das relações com os clientes para o sucesso sustentável. b. Liderança Para que se atendam e se alcancem os objetivos da qualidade na organização, se faz necessário que todas as pessoas estejam engajadas nesse sentido, e a liderança tem um papel fundamental nesse propósito de engajamento. Criar esse propósito, direcionar e engajar as pessoas da organização permite que haja um alinhamento das estratégias, políticas, processos e recursos para o alcance dos objetivos. Seguem alguns dos principais benefícios potenciais relativos à liderança, que são: • Incremento da eficiência e eficácia no atendimento dos objetivos da qualidade; • Melhoria na gestão dos processos; • Melhoria e desenvolvimento da capacidade do pessoal e da organização na busca por resultados; • Melhoria na comunicação entre os vários níveis da organização. 11 É possível implementar algumas ações nesse sentido, como: • Efetuar a comunicação a toda a organização da estratégia, missão, visão, políticas e processos; • Implantar modelos éticos de comportamento em todos os níveis a partir de valores definidos; • Estabelecer uma cultura de confiança; • Desenvolver treinamento para atuar com responsabilidade e prover autoridade; • Reconhecer, inspirar e incentivar o reconhecimento das pessoas; • Buscar incentivar compromissos com a qualidade em toda a organização. • Prover que a liderança seja exemplo de positivismo para com todos. c. Engajamento das pessoas As pessoas devem estar engajadas, competentes para o aumento da capacidade da organização na criação de entrega de valor. Com o objetivo de gerar uma organização eficiente e eficaz, se torna importante o respeito e o envolvimento de todos os membros da organização. Aperfeiçoar, reconhecer e empoderar as competências favorece o engajamento das pessoas para alcance dos objetivos da qualidade. Seguem alguns dos principais benefícios potenciais no engajamento das pessoas: • Melhoria no envolvimento das pessoas nas atividades de aprimoramento; • Melhoria da criatividade, desenvolvimento e iniciativa das pessoas; • Melhoria na confiança e colaboração em todo o ambiente da organização; • Melhoria na compreensão dos objetivos da qualidade, e motivação parao alcance; • Melhoria na satisfação das pessoas; • Maiores atenções para a cultura e os valores em toda a estrutura organizacional. É possível implantar algumas ações nesse sentido, como: • Buscar promover a colaboração de todos da organização; 12 • Compartilhar os conhecimentos, facilitando a discussão e o compartilhamento; • Comunicar e incentivar as pessoas na importância da contribuição de cada um; • Destacar o poder nas pessoas para a tomada de decisões sem medo; • Incentivar, reconhecer e aceitar o aprendizado, aperfeiçoamento e contribuição de todos; • Efetuar a realização de pesquisas de avaliação da satisfação das pessoas, comunicar os resultados e a tomada de ações; • Difundir a autoavaliação dos desempenhos para com os objetivos pessoais. d. Abordagem de processos As atividades dos vários processos inter-relacionados é compreendida e gerenciada de maneira mais consistente e previsível para o alcance da eficiência e eficácia. A compreensão dos resultados nos processos inter-relacionados permite a otimização do sistema e melhoria de seu desempenho. Seguem alguns dos principais benefícios potenciais: • Permissão para que a organização gere confiança para as partes interessadas em relação à eficiência e eficácia; • Incremento na capacidade de concentração de esforços nos processos e oportunidade de melhorias; • Através de processos alinhados, os resultados são mais consistentes e previsíveis; • Melhoria no desempenho, por meio de gestão de processos, através de eficiência na utilização de recursos e na redução de barreiras. É possível implantar algumas ações nesse sentido: • Definir os processos necessários para atendimento dos objetivos do sistema; • Buscar o estabelecimento de responsabilidade e autoridade para a prestação de contas junto à gestão de processos; • Determinar os limites dos recursos e compreender a capacidade da organização; • Definir a interdependência dos processos e analisar o impacto nas alterações; 13 • Gerenciar os processos e suas relações para alcance dos objetivos da qualidade; • Garantir que as informações estejam disponíveis para a melhoria dos processos, e para monitoramento, análise e avaliação do desempenho do sistema; • Gerenciar riscos que afetem a saída dos processos e resultados como um todo. e. Melhoria Vale ressaltar que as organizações de sucesso apresentam foco contínuo na melhoria. Dessa forma, fica fácil compreender que a melhoria se torna essencial para que uma organização mantenha seus níveis de desempenho, apresente reação às mudanças e crie oportunidades. Seguem alguns benefícios potenciais: • Melhoria na capacidade organizacional, nos processos e na satisfação dos clientes; • Reforça a necessidade de aprendizagem para a melhoria; • Melhoria na busca por inovação; • Melhoria na aplicação de prevenções e ações corretivas, a partir da determinação de uma causa-raiz; • Melhoria na capacidade e reação a riscos e oportunidades. Seguem algumas das ações potenciais possíveis: • Estabelecer e promover os objetivos de melhoria em toda a organização; • Treinar e educar na aplicação de ferramentas básicas e metodologias para o alcance dos objetivos; • Aceitar e reconhecer as melhorias; • Assegurar a competência das pessoas para a realização de projetos de melhoria; • Analisar, acompanhar e auditar os projetos de melhoria em todos os níveis; • Buscar o foco também nas melhorias do desenvolvimento de processos, produtos e serviços. 14 f. Tomada de decisões com base em evidência Na tomada de decisões, os resultados desejados são mais propensos a sucesso quando baseados em evidências. As tomadas de decisão podem apresentar condições complexas e envolvem alguma incerteza. Nesse contexto, quando analisamos fatos e evidências, temos maior confiança e objetividade na tomada de decisões, uma vez que geralmente envolve várias fontes de entrada e pode apresentar subjetividade em sua interpretação. Seguem alguns benefícios potenciais: • Melhoria nos processos que visam à tomada de decisão; • Melhoria na capacidade de análise crítica, desafios e decisões; • Melhoria na capacidade de alcance dos objetivos e avaliação de desempenho; • Melhoria da eficiência e eficácia na operacionalização da organização; • Capacitação para demonstrar a eficácia de tomada de decisões anteriores. Seguem algumas das ações potenciais possíveis: • Instituir, medir e monitorar indicadores de desempenho da organização; • Informar todos os dados às pessoas que tomam decisões; • Garantir que os dados são suficientemente confiáveis e apresentam segurança; • Utilizar métodos adequados na análise e avaliação dos dados; • Equilibrar experiência e intuição na tomada de decisões e execução de ações; • Assegurar que as pessoas apresentem competências na análise e avaliação de dados. g. Gestão de relacionamento Visando ao sucesso em termos de sustentabilidade da organização, a gestão de relacionamento com as partes interessadas é fundamental, inclusive para os provedores. As partes interessadas influenciam o desempenho da organização, e gerenciar o relacionamento com todos os envolvidos otimiza o impacto sobre esse 15 desempenho. Nesse contexto, o gerenciamento com a rede de provedores tem relevância e importância. Seguem alguns benefícios potenciais: • Comprometimento e compreensão dos objetivos e valores com as partes interessadas; • Melhoria do desempenho pelas partes interessadas; • Melhoria na capacidade de agregar valor por partes interessadas; • Melhoria no gerenciamento da cadeia de fornecimento para obtenção de fluxo estável de produtos e serviços. Seguem algumas das ações potenciais possíveis: • Destacar e determinar todas as partes interessadas (clientes, investidores, colaboradores, provedores, parceiros e a sociedade) e sua relação com a organização; • Priorizar e determinar o relacionamento com todas as partes interessadas; • Medir o desempenho sobre as partes interessadas, como apropriado, visando incrementar as melhorias; • Desenvolver e estabelecer a colaboração das partes interessadas nas melhorias; • Compartilhar e coletar informações, conhecimentos e recursos com as partes interessadas; • Reconhecer e incentivar as melhorias conquistadas por parceiros e provedores. 1.3 Indicadores de qualidade Existem muitos motivos para a mensuração do desempenho de uma organização, e segundo Juran e DeFeo (2015), as medidas de desempenho mostram até que ponto os objetivos foram atingidos quantificando a progressão em atendimento às metas. Outros motivos seriam que os indicadores (ou KPI – Key Performance Indicator) são necessários para o monitoramento do processo de melhoria contínua, e ainda que essas medidas de desempenho quando individualizadas, por equipes ou unidades de negócio, são necessárias para revisar periodicamente o desempenho das gestões. 16 Os indicadores devem ser estabelecidos após o estabelecimento das metas e subdivisões em submetas, destacando um sistema de medição que monitore claramente o desempenho em relação aos planos, que apresentam as seguintes propriedades: ▪ Indicadores de desempenho com forte vínculo às metas estratégicas, à missão e à visão da organização; ▪ Os indicadores devem incluir os interesses dos clientes, com foco nas exigências e necessidades dos clientes, tanto os externos como os internos; ▪ Quantidade de indicadores de fácil disponibilização, direcionados aos processos e que podem ser consultados nas decisões dos executivos; ▪ Identificar os custos de má qualidade e dos desperdícios. Os parâmetros quantitativos, gráficos e de simples interpretação são os melhores para o planejamento estratégico. A seguir, a Figura 1.2 apresenta uma planilha na qual podemos descrever os parâmetros-chave e como eles serão implementados.Fonte: Juran e DeFeo (2015) Figura 1.2 – Exemplo de Planilha de Mensuração das Metas de Qualidade. 17 A partir do estabelecimento e implementação das metas, temos que analisar os meios para o alcance de cada meta estipulada que sustenta cada objetivo. Recursos serão alocados para atender o resultado proposto e verificada a relação custo x benefício. Os parâmetros (indicadores ou KPIs), conforme Juran e DeFeo (2015), podem ser: Resultados dos dados financeiros ▪ Investimento; ▪ Retorno sobre o investimento; ▪ Ganhos obtidos; ▪ Desenvolvimento de pessoal; ▪ Treinamentos; ▪ Grupo de ativos em equipes de projeto. Quantidade de Projetos ▪ Projetos desenvolvidos; ▪ Projetos em andamento; ▪ Projetos concluídos; ▪ Projetos cancelados. Desenvolvimento de produtos e/ou serviços novos ▪ Percentual ou número de lançamentos; ▪ Retorno financeiro sobre investimentos para desenvolver novos produtos/serviços; ▪ Receitas relativas a novos produtos/serviços; ▪ Fatia de mercado adquirida no lançamento de novos produtos/serviços; ▪ Custo no desenvolvimento de um produto novo X Custo do Produto substituído; ▪ Porcentagem de lançamentos de novos produtos no prazo; ▪ Quantificação do custo da má qualidade no desenvolvimento de novos produtos; ▪ Quantidade de alterações de engenharia no ano após introdução no mercado. 18 Gestão da cadeia de suprimento ▪ Taxas de ocupação; ▪ Lead-time de movimentação na fábrica; ▪ Giro de estoques; ▪ Quantidade ou porcentagem de entregas dentro do prazo definido; ▪ Porcentagem de produtos feitos pela primeira vez adequadamente (first-pass yield); ▪ Custos relativos à má qualidade. Após ser colocado em prática o sistema de mensuração, esse sistema necessita ser de tempos em tempos revisado para a garantia do cumprimento das metas estipuladas. Portanto, ao se revisar formalmente e de forma eficiente, temos maior probabilidade no cumprimento das metas definidas. Logo, ao se efetuar o planejamento das ações, se faz necessário que se examinem as lacunas entre os valores do indicador atual e a meta a ser alcançada. Revisando o progresso Um processo de revisão formal e eficiente aumenta a probabilidade de cumprimento das metas. Ao planejar ações, uma organização deve examinar as lacunas entre o estado atual mensurado e a meta estipulada. A Figura 1.3 apresenta um exemplo de um indicador que deve ser revisado com ações, a partir da lacuna entre a situação atual e o almejado. 19 Fonte: Juran e DeFeo (2015). Figura 1.3 – Exemplo de revisão de um indicador em relação à meta. Observe que as medições dos processos quando exibidas de maneira gráfica auxiliam na identificação da lacuna a ser compensada, no entanto, para que essa condição ocorra se faz necessária a aplicação de um “ciclo de feedback”, ou seja, identificar as causas e efeitos que interferiram nessa lacuna destacando ações, responsabilidades e autoridades para o ajuste. Vale lembrar que as revisões nos problemas potenciais dos projetos também se fazem necessárias, visando tomar medidas adequadas antes da contabilização de perdas. Conclusão Acabamos de ver neste primeiro bloco um pouco sobre o histórico do conceito de qualidade e das terminologias a ela aplicadas, começando dos primeiros produtores e artesãos, passando pela Revolução Industrial, pelo século XX, até chegarmos aos dias de hoje. Também falamos sobre a evolução da qualidade no Brasil, a partir do início do século XX. 20 Na sequência, conversamos sobre os princípios da qualidade, que são: foco no cliente; liderança; engajamento das pessoas; abordagem de processos; melhoria; tomada de decisões com base em evidência; e gestão de relacionamento. Concluímos o bloco apresentando alguns indicadores de qualidade. Esperamos que tenha gostado. Bons estudos! Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR ISO 9000:2015 Sistema de Gestão da Qualidade: fundamentos e vocabulários. São Paulo, 2015. BRITTO, E. Qualidade total. Cengage Learning Brasil, 2015. Disponível em: [Minha Biblioteca]. JURAN, J. M.; DEFEO, J. A. Fundamentos da qualidade para líderes. Grupo A, 2015. Disponível em: [Minha Biblioteca]. LOBO, R. N. Gestão da qualidade. 2. ed. Editora Saraiva, 2020. Disponível em: [Minha Biblioteca]. 21 2 ESTRUTURAS DA ÁREA DA QUALIDADE Apresentação Neste bloco, vamos compreender as atividades de inspeção, controle e garantia da qualidade. Diante disso, temos uma evolução de um processo de inspeção, que apenas selecionava o produto considerado aprovado do rejeitado, passando para o controle de qualidade que busca estabilidade de um processo por meios estatísticos, que nesse caso objetiva atuar nas causas das não conformidades. Por fim, temos a conciliação do controle de qualidade com a garantia da qualidade, na qual essa última visa garantir as necessidades e expectativas dos clientes nas organizações. Vamos compreender melhor essa evolução? Bons estudos! 2.1 Inspeção da qualidade Segundo Mello (2011), os teóricos da qualidade dizem que inspeção e controles não contribuem para a melhoria da qualidade. Nesse sentido, a inspeção consta de verificação de produtos ou serviços depois de executados, o que resulta em apenas definir se o produto ou serviço está conforme ou não. Nas indústrias, a verificação de um produto acabado apenas definirá se esse produto está apto para enviar para o cliente, ou se devemos descartá-lo ou efetuar uma remanufatura. Essa atividade pode evitar que o produto com defeito seja destinado para o cliente, mas não contribuirá para as melhorias de produtividade e qualidade, pois não analisa as causas das falhas e defeitos ocorridos, e consequentemente, não previne que os defeitos e não conformidades continuem ocorrendo, gerando, assim, desperdícios. A inspeção é uma atividade que é desenvolvida desde os tempos dos artesões, quando os mesmos avaliavam se o produto estava adequado para comercialização, e atualmente ainda é uma atividade empregada por muitas organizações de pequeno e médio porte. Com o início da industrialização, os operadores passaram a desenvolver parte do processo produtivo, o que não propiciava a visão do processo do começo ao 22 fim. A divisão de trabalho proposta por Taylor, com os operadores desenvolvendo habilidades para uma produção mais eficiente, fez com que sistemas de inspeção fossem instituídos, de modo que outros colaboradores verificassem esses produtos, devido ao aumento de volume que passou a ser produzido. Note que essa verificação está direcionada para o produto final, e não para as fases do processo produtivo. Esse período desde o início da industrialização se caracterizou como a “Era das Inspeções”, na qual os colaboradores denominados de “inspetores” se incumbiam de checar o produto através de gabaritos e de modelos-padrão, que determinavam se um item ou peça estava aprovada ou não conforme. A inspeção da qualidade é o processo que visa identificar se um item ou peça, amostra ou lote atende a certas especificações da qualidade. Um dos procedimentos normais da inspeção é a avaliação por níveis da qualidade de um determinado produto pelo confronto com padrões estabelecidos. Na prática, geralmente, se verifica uma característica da peça ou item, no entanto, a inspeção tem como identificar se a peça como um todo deve ser excluída do fluxo de produção ou de uma etapa especifica. A tomada de decisão dependerá da criticidade da característica, ou seja, em determinados momentos apenas o retorno à operação anterior se faz necessário, em outros, a rejeição ou refugo dessa peça será uma decisão coerente. Conforme Paladini (2023), temos dois tipos de inspeção: por atributo e por variáveis. 2.1.1 Características por atributos As característicasgerais nas avaliações da qualidade por atributo são comumente avaliadas pelos cinco sentidos do avaliador. Seguem algumas particularidades dessas características: • Não apresentam medições; • O processo avaliativo não apresenta técnicas quantitativas; • O processo de classificação utiliza escalas discretas, geralmente binomiais; • Não apresenta intensidade, apenas se classifica como presença ou ausência de defeito; 23 • Esse tipo de inspeção pode apresentar expressões como “adequada”; “imperfeita”; “não conforme” ou “conforme”; • Calibradores aferidos podem ser utilizados, porém o resultado não define uma medição na característica, mas apenas uma forma de classificar, do tipo passa/não passa. Exemplos de avaliações por atributo: ▪ Degustação de bebidas, como refrigerantes, cervejas, vinhos, licores etc.; ▪ Análises de odores e perfumes; ▪ Verificação de manchas, arranhões e defeitos em superfícies; ▪ Testes de funcionamentos em produtos, como liga/desliga ou acende/não acende em lâmpadas; ▪ Verificação de granulometria em produtos a granel; ▪ Verificação por aparência de um acabamento ou pintura; ▪ Testagem do tipo passa/não passa, entra/não entra, encaixa/não encaixa; ▪ Análises de tonalidade de cores. A norma da ABNT NBR 5426 apresenta os planos de amostragem e procedimentos para a inspeção por atributos, que podem ser amostragens simples, duplas ou múltiplas. 2.1.2 Características por variáveis As características gerais nas avaliações da qualidade por variáveis, segundo Paladini (2023), são determinadas por instrumentos apropriados, e apresentam algumas particularidades como: • As características apresentam medidas, a partir de uma escala específica; • Utilização de dispositivos ou mecanismos de medição que apresentam valores exatos da característica, ou seja, existe uma técnica quantitativa; • Apresentam escalas contínuas, próprias de um sistema de medição; • Cada característica variável receberá um valor exato, que corresponde ao seu nível de qualidade; 24 • A intensidade de uma falha ou defeito fica clara, e não somente a ausência ou presença dessa falha ou defeito; • A avaliação é desenvolvida por meio de instrumentos de medição aferidos, que determinam o valor exato em uma escala específica. Exemplos de avaliações por variável: • Valores de medidas de comprimento, altura e profundidade em produtos, como apresentado na Figura 2.1; • Medições de temperatura em pessoas; • Testagem de dimensões comuns como peso e volume, altura, profundidades; • Pressão arterial; • Valores definidos de evaporação, fusão ou liquefação em soluções; • Capacidade de materiais de conduzir corrente elétrica ou calor; • Propriedades físicas em produtos, como: resistência a impacto, torção, flexão, pH ou o teor químico em materiais; • Valores ambientais como: temperatura, umidade relativa do ar e pressão. A norma da ABNT NBR 5429 apresenta os planos de amostragem e procedimentos para a inspeção por variáveis, baseada na MIL STD 414 (Military Standard americana), que define amostragem tanto para medições em processo, como medição final. Fonte: Paladini (2023). Figura 2.1 – Operador efetuando medição de característica por variável. 25 2.2. Controle da qualidade A partir dos anos 1930, conforme Gayer (2020), ocorreu um aumento considerável da inspeção nos processos intermediários em linhas produtivas, e também o aumento de atividades relacionadas à metrologia. Dessa forma, o controle de processo propiciou o desenvolvimento do controle da qualidade e a utilização de ferramentas no controle da qualidade no ambiente de fábrica. A utilização do controle da qualidade foi alavancada devido à quantidade de retrabalhos e rejeições que ocorriam no processo produtivo, ocasionando perdas de matéria-prima e demais custos relativos a não conformidade nos produtos. Com a idealização da produção em massa, conforme Mello (2011), as linhas de montagem não conseguiam viabilizar tempo e custos para as atividades de inspeção. Logo, com o aumento dos volumes produzidos nos sistemas de manufatura, acrescidos das dificuldades na inspeção dos produtos, uma nova solução deveria ser desenvolvida de maneira a viabilizar essa atividade. A saída foi o desenvolvimento de procedimentos baseados em amostragem, com embasamento na estatística, um dos dilemas produtivos daquela época com a criação do controle da qualidade. Entretanto, a inspeção nos produtos acabados com o controle e quantificação dos defeitos ainda era desenvolvida, sem que se estudassem suas causas. Como consequência do desenvolvimento de outros setores especializados em controle da qualidade, o efeito foi que a qualidade se tornou responsabilidade de apenas um setor, com isolamento dos demais setores do processo produtivo. No final da década de 1930, Walter Shewart, físico americano, foi o idealizador do método de controle de qualidade baseado em estatística, que foi batizado de CEQ (Controle Estatístico de Qualidade), e em conjunto com esse método a criação de setores de qualidade específicos nas indústrias. Shewart, na década de 1940, criou o gráfico de controle de processo, que é uma ferramenta estatística da qualidade muito utilizada atualmente, de fácil compreensão e que propicia a detecção de variações nos processos produtivos, e também a verificação das causas dos defeitos ocorridos. 26 O conceito de controle da qualidade passou por mudanças, de acordo com Gayer (2020), com uma maior abrangência e reformulação que permitiu a inclusão de outras áreas da organização, a partir de uma visão mais sistêmica e holística dos ciclos produtivos. Compreende-se que a qualidade ganhou maior destaque após a Segunda Guerra, de modo que o Japão estava com suas estruturas produtivas defasadas, e com a participação de Deming, Juran e Ishikawa, houve a conciliação dos conhecimentos técnicos de qualidade com o comportamento humano dos colaboradores, de maneira que o controle estatístico de processo já estava sendo utilizado em substituição gradativa das inspeções. Nessa integração, se instituiu os CCQ (Círculos de Controle da Qualidade), que eram grupos de funcionários que debatiam a possibilidade de implantar melhorias e ganhos nos processos produtivos, a partir de um determinado tempo destinado a esse fim. Esse período propiciou a criação de ferramentas no controle da qualidade, que perduram até os dias de hoje, com foco em melhorar os processos como diferencial de mercado. A terminologia “controle de qualidade” surgiu com o conceito de uma abordagem mais ampla para o alcance da qualidade, migrado da detecção de pós-produção (inspeção) para um controle mais proativo (controle preventivo). No século XX, durante algumas décadas, o termo controle apresentava um significado mais amplo, que incluía o planejamento do controle. No entanto, alguns eventos caracterizaram que era um controle estatístico de qualidade, ou seja, um controle da qualidade com utilização de métodos estatísticos. Esse movimento sustentava que o controle da qualidade seria considerado apenas nos testes desenvolvidos, e não durante sua vida útil. Nos Estados Unidos, o controle da qualidade se refere à “excelência” tanto operacional, de desempenho e empresarial, abrangendo toda a metodologia, ferramentas e técnicas que geram a qualidade em uma empresa. 2.2.1 Planejamento voltado para o controle Conforme DeFeo e Juran (2015), o planejamento quando voltado para o controle se caracteriza como sendo uma atividade, que atua no sistema com metodologia, conceitos e ferramentas, de modo que permite que os colaboradores da organização mantenham os processos operacionais estáveis, de maneira que atendam às necessidades dos 27 clientes com a manufatura de produtos de acordo com os requisitos estabelecidos. Características ligadas à entrada-saída(input-output) relativas a esse sistema, bem como processo estão destacados na Figura 2.2 que destaca a sequência de atividades. Fonte: DeFeo e Juran (2015). Figura 2.2 – Diagrama de Entrada-Saída. Conclui-se que a responsabilidade no que tange ao planejamento visando aos controles de processos são comuns no dia a dia, ou seja, os tradicionais ficam ligados aos colaboradores que planejam os processos operacionais. Processos que não são tradicionais ficam sob a responsabilidade de um grupo de especialistas de qualidade, que em seguida passam para o crivo dos gestores. Logo, a tendência de se atuar em equipe se torna importante, inclusive com a participação de clientes e fornecedores dos processos operacionais, e do pessoal de linha de operações. 28 2.3 Garantia da Qualidade Podemos dizer que a garantia da qualidade é uma evolução do controle estatístico de processo, definida como a parte da gestão da qualidade que tem foco para obter confiabilidade de que os requisitos da qualidade serão atendidos. Segundo Lobo (2020), a garantia da qualidade se traduz em um conjunto de atividades planejadas e sistêmicas, que são necessárias para que uma organização garanta a satisfação dos requisitos da qualidade. Nesse contexto, a garantia da qualidade busca atender os objetivos internos e os objetivos externos, como detalhado a seguir: Garantia da Qualidade Interna ➔ A garantia da qualidade em uma organização gera confiança para a direção; Garantia da Qualidade Externa ➔ A garantia da qualidade em uma organização, nesse caso, gera confiança para os clientes e demais partes interessadas. Logo, para que a garantia da qualidade busque a confiança, se faz necessário que os processos sejam repetitivos e estejam em conformidade. 2.3.1 Assegurando processos repetitivos e conformes A conformidade de um processo se caracteriza como sendo um processo de controle, segundo DeFeo e Juran (2015). Esse controle se caracteriza como sendo um processo gerencial universal que busca a garantia de que todos os processos operacionais de relevância estejam estáveis, garantindo assim que as metas estipuladas sejam concretizadas. Faz-se importante saber que o controle, nesse caso, inclui produtos, serviços, processos e inclusive instalações. Com o objetivo de se manter a estabilidade, esse processo de controle busca avaliar o desempenho real comparado com as metas definidas, tomando, assim, decisões para atuar nas diferenças para atingimento das metas. 29 2.3.2 Conformidade e controle definidos Na Trilogia Juran, conformidade ou controle de qualidade se caracteriza como sendo o terceiro processo universal, os outros dois são planejamento da qualidade e melhoria da qualidade. A Figura 2.3 apresenta o inter-relacionamento nesses processos. Fonte: DeFeo e Juran (2015). Figura 2.3 − Diagrama da Trilogia Juran (Do Juran Institute, Inc., 2013). Note na Figura 2.3 que o processo está sob controle no centro do gráfico, independente do pico eventual, porém com desempenho inaceitável gerando desperdícios. Com a melhoria aplicada, temos um novo patamar aceitável de desempenho. Faz-se importante compreender que após a conclusão das melhorias, novos controles devem ser estabelecidos, e a garantia da qualidade deve atuar, tentando evitar que essas melhorias se deteriorem ou retornem para o patamar anterior, piorando novamente o processo. Portanto, o controle da qualidade e a garantia da qualidade apresentam pontos em comum, avaliando o desempenho e comparando com as metas definidas, e buscando tomar medidas que atuem nas diferenças entre o desempenho e as metas. No entanto, 30 enquanto o controle da qualidade busca manter o controle, a garantia da qualidade confere se o controle está sendo mantido conforme planejado. Se, por um lado, o controle se utiliza de parâmetros para o monitoramento da conformidade com os padrões, o desempenho é avaliado pela garantia da qualidade após as operações que informa os colaboradores se a conformidade e expectativas dos clientes estão sendo atendidas. 2.3.3 Ciclo de Feedback O ciclo de feedback é um exemplo claro de como se processa o controle de qualidade de uma organização. A Figura 2.4 apresenta um fluxo genérico do ciclo, a saber: Fonte: DeFeo e Juran (2015). Figura 2.4 – Ciclo de Feedback. Conforme os passos apresentados na Figura 2.4, temos: 1 – Temos a conexão de um sensor junto ao item a ser controlado, seja produto ou processo. 2 – O avaliador recebe a informação do sensor relativa ao desempenho. 3 – As informações sobre padrão ou meta de qualidade são informadas ao avaliador. 31 4 – O avaliador efetua a comparação do desempenho real, informado pelo sensor, com as metas e padrões de qualidade. Se a diferença for maior que o estabelecido, o avaliador informa o agente de correção para a tomada de ações. 5 – O agente de correção estimulará o processo, seja por ações humanas ou tecnológicas, visando modificar o desempenho e restabelecer o controle para obtenção da meta estipulada. 6 – O processo se restabelece, restaurando assim a conformidade. Conclusão Neste segundo bloco, estudamos a inspeção de qualidade, suas categorias e respectivas características. Conhecemos a diferença para controle de qualidade, do qual conhecemos o conceito e a origem da terminologia. Por fim, vimos a garantia de qualidade, sua definição e seus pontos em comum com o controle de qualidade. Esperamos que tenha gostado! Bons estudos! Referências DEFEO, J. A.; JURAN, J. M. Fundamentos da qualidade para líderes. Tradução de Ronald Saraiva de Menezes; Revisão Técnica de Altair Flamarion Klippel. Porto Alegre: Bookman, 2015. GAYER, J. A. C. A. Gestão da qualidade total e melhoria contínua de processos. Curitiba, Editora Contentus, 2020. LOBO, R. N. Gestão da qualidade. 2. ed. São Paulo: Editora Érica, 2020. MELLO, C. H. P. Gestão da qualidade. São Paulo: Editora Person, 2011. PALADINI, E. P. Gestão da qualidade: teoria e prática. 4. ed.; 3. reimp. São Paulo: Atlas, 2023. 32 3 FERRAMENTAS BÁSICAS DA QUALIDADE Apresentação Neste bloco, vamos acompanhar a importância de cada ferramenta da qualidade, de modo que apresentamos aqui as ferramentas básicas, acrescidas da metodologia “Brainstorm”, que é muito utilizado nas organizações, e da ferramenta 5W1H que consiste na elaboração de um protótipo para um plano de ação. Cada ferramenta da qualidade é adequada para um objetivo, e podemos combiná-las dependendo da necessidade. Prontos para esse desafio? Bons estudos! 3.1 Folha de Verificação e Análise de Pareto 3.1.1 Folha de Verificação A utilização da folha de verificação, segundo Carpinetti (2016), se faz necessária quando buscamos coletar dados para analisar futuramente. Nesse contexto, a coleta de dados deve ser simples e com base em planejamento e organização, de tal forma que se evite corrigir ou complementar esses dados. Na maioria das vezes, a folha de verificação se caracteriza como um formulário, com diretrizes para a tomada de dados. Existem diferentes tipos de folhas de verificação, algumas podem ser denominadas como “check list”, mas alguns tipos são definidos a seguir, de acordo com o objetivo na tomada de informações: • Analisar uma distribuição, a partir do controle de processo de um item, que apresenta limites superior de especificação e inferior de especificação, conforme mostrado na Figura 3.1. 33 Fonte: Carpinetti (2016). Figura 3.1 − Folha de verificação de um item de controle de um processo. • Destacar a quantificação de defeitos de um produto ou serviço, conforme exemplo apresentado na Figura 3.2, a seguir: Fonte: Carpinetti (2016). Figura 3.2 − Folha de verificação para a classificação de defeitos. • Variação de um processoespecífico por meio de tabelas, como uma titulação de uma solução, conforme segue a Tabela 3.1. 34 Tabela 3.1 – Planilha de Variação de Processo Fonte: Lobo (2020). • Levantamento de falhas em linha de produção, conforme mostra a Tabela 3.2. Tabela 3.2 – Planilha de causas por parada de Linha de Produção Fonte: Lobo (2020). Segundo Lobo (2020), na coleta de dados em uma folha de verificação, se faz importante a facilidade, concisão e que seja prática para utilização do analista. A utilização de impressos pode ser uma alternativa para facilitar essa coleta, em situações frequentes, que apresentam as seguintes vantagens: ▪ Facilidade quando utilizado por pessoas diferentes; ▪ Redução da margem de erro; 35 ▪ Garantia que os dados coletados sejam relevantes; ▪ Uniformização dos registros, similar a um sistema. Para se executar uma folha de verificação, é necessário: ▪ Estabelecer qual será o evento que será objetivo de estudo; ▪ Definição dos períodos de coleta de dados; ▪ Construção de um formulário, de fácil compreensão, com espaços para lançar dados; ▪ Destacar quais os momentos e tempos das coletas. 3.1.2 Diagrama de Pareto (Análise de Pareto/Gráfico de Pareto) O conceito do princípio de Pareto, conforme Lobo (2020), também é conhecido pela proporção 80/20, ou seja, que 80% dos problemas se concentram em 20% das causas potenciais. Como alguns exemplos, temos que 80% das receitas de vendas são adquiridas por 20% dos clientes ou que 80% da poluição advém de 20% das indústrias. Na prática, em uma organização produtiva, é comum utilizar o gráfico de Pareto para identificar e priorizar as causas mais significativas. Trata-se de um gráfico de barras, no qual temos uma classificação de causas por frequência, da maior para a menor frequência de ocorrência. Dessa forma, é possível visualizar as causas mais relevantes. Note a Figura 3.3 que apresenta os tipos de defeitos pela porcentagem acumulada, para atuar nas causas principais. 36 Fonte: Lobo (2020). Figura 3.3 – Tipos de Defeitos X Porcentagem Acumulada. 3.1.2.1 Como elaborar um diagrama de Pareto Para se elaborar um diagrama de Pareto, necessitamos inicialmente das informações de causas relativas à ocorrência de um problema ou falha, que podem ser registradas a partir da utilização de uma folha de verificação. Os passos são: a) Faça o levantamento de causas de um problema ou falha; b) Organize as causas, listando da causa de maior frequência para a de menor frequência; c) Calcule a porcentagem e a porcentagem acumulada de cada causa (motivo), dispondo conforme mostra a Figura 3.4. 37 Fonte: Lobo (2020). Figura 3.4 – Tabela de porcentagem simples e acumulada. d) Desenhe um gráfico, com um eixo horizontal, e dois verticais nas pontas; e) Efetue a marcação da causa de maior frequência para a de menor frequência, no eixo horizontal, geralmente codificado com números ou letras; f) O eixo vertical esquerdo deve ser graduado, de acordo com as frequências apresentadas; g) O eixo vertical direito deve apresentar uma escala de 0% a 100%, proporcional ao eixo vertical esquerdo; h) Desenhe colunas, da frequência de cada causa, proporcionalmente; i) Lance as porcentagens acumuladas para cada causa destacada, de tal forma que a soma de todas obrigatoriamente será 100%. A Figura 3.5 apresenta um exemplo de Diagrama de Pareto, com as causas especificadas. 38 Fonte: Lobo (2020). Figura 3.5 – Exemplo de Gráfico de Pareto 3.2 Gráfico de Dispersão, Diagrama de Causa e Efeito (Diagrama de Ishikawa) 3.2.1 Gráfico de Dispersão (ou Diagrama de Dispersão) Utilizamos o gráfico de dispersão visando encontrar alguma correlação entre duas variáveis. Os diagramas de dispersão, ou gráficos de dispersão são úteis para relacionar causa e efeito, como o relacionamento entre dureza de um material em relação à sua composição, velocidade de corte correlacionado com a rugosidade superficial em um processo de usinagem, intensidade de iluminação de um ambiente e os possíveis erros em inspeção visual etc. 39 Alguns padrões de relacionamento entre duas variáveis são: • Relação positiva: temos que o aumento de uma variável tende ao aumento da outra variável (Figura 3.6 - (a)); • Relação negativa: o aumento de uma variável tende à diminuição da outra variável (Figura 3.6 - (b)); • Relação inexistente: a variação de uma variável não apresenta correlação, ou seja, não leva a uma variação sistemática da outra variável (Figura 3.6 - (c)). Segundo Carpinetti (2016), na construção de um Diagrama de Dispersão deve-se coletar ao menos 30 pares de observações (x, y) das variáveis cujo tipo de relacionamento será estudado. A variável registrada no eixo horizontal deve ser aquela que, por algum motivo, é considerada causa preditora da outra variável, a qual será plotada no eixo vertical y. Quando traçar as escalas das variáveis no gráfico, se torna importante que ela seja adequada para permitir uma facilidade no visual do padrão de dispersão dos pontos. É importante salientar que a observação de um Diagrama de Dispersão tem o objetivo de descobrir se existe ou não uma correlação entre as duas variáveis de interesse, dependendo muito dos intervalos de variação das variáveis. Em diferentes intervalos de variação, os resultados encontrados podem não ser visíveis da mesma forma. Fonte: Carpinetti (2016) Figura 3.6 − Diagrama de dispersão: correlação positiva (a), negativa (b) e inexistente (c). 40 3.2.2 Diagrama de Causa e Efeito ou Gráfico Espinha de Peixe O Diagrama de Causa e Efeito foi desenvolvido por Kaoru Ishikawa, de modo que alguns autores denominam essa ferramenta da qualidade como “Diagrama de Ishikawa”. Segundo Lobo (2020), esse diagrama teve seu desenvolvimento com o objetivo de relacionar as possíveis causas (ou causas potenciais) com um determinado efeito. Esse efeito poderia ser uma falha, um problema ou até mesmo uma melhoria. Ainda temos autores que denominam o Diagrama de Causa e Efeito de “Gráfico Espinha de Peixe” ou “Diagrama 6M”. A ideia da ferramenta é atuar em causas que possam minimizar um efeito ou melhorá- lo, ou até mesmo, eliminar o efeito indesejado. Ou seja, busca-se ter um documento “vivo”, que apresenta as causas para um efeito específico, e podemos atualizá-lo com o passar do tempo. De acordo com Carpinetti (2016), um exemplo seria o da Figura 3.7, que apresenta a estrutura básica de um Diagrama de Causa e Efeito, onde as causas de um determinado efeito são genericamente classificadas sob quatro categorias básicas: método; máquina; material; e operador. Fonte: Carpinetti (2016). Figura 3.7 − Estrutura Básica de um Diagrama de Causa e Efeito. Podemos ter a temática da causa primária, da forma como achar melhor, podendo ser a regra dos 6M (Máquina; Material; Mão de Obra; Método; Manutenção e Meio Ambiente), mas cada desenvolvedor do diagrama terá a liberdade para definir as causas primárias. 41 As etapas para a construção de um Diagrama de Causa e Efeito podem ser: A) Definição do problema, falha ou melhoria a ser considerada como “efeito”; B) As causas podem ser levantadas a partir de “Brainstorm” ou Folhas de verificação; C) Construa o Diagrama e inclua o “efeito” na ponta da linha central, e defina as causas primárias; D) Destaque as causas secundárias e terciárias, lembrando que a causa secundária é a que deriva da causa primária, e a terciária será a que possivelmente derive da causa secundária; E) Essas causas serão analisadas e validadas, a partir de estudos, e ações serão definidas visando atacar o “efeito”. Reuniões do tipo “Brainstorm” são muito utilizadas para definir o andamento das causas e ações a serem consideradas. Segundo Lobo (2020), a construçãodo diagrama de causa e efeito é desenvolvida por uma equipe de pessoas envolvidas, por meio de reuniões. A participação de várias pessoas pode aumentar a complexidade da construção do Diagrama de Causa e Efeito, porém garantirá que a análise seja completa e com informações detalhadas. Assim que definidos os problemas, a equipe deve categorizá-los em causas básicas, moderadas e complexas. Seguido do questionamento da pergunta: Por quê? A resposta deve delinear possíveis causas, assim, a identificação de causas fundamentais poderá ser mapeada. A Figura 3.8 mostra um diagrama de causa e efeito relativo a “Atraso no pedido de Compra”. Portanto, outras ferramentas da qualidade, como “Brainstorm” e 5W1H, podem ser úteis para o desenvolvimento do diagrama. O primeiro se refere a uma busca por ideias, que podem ser utilizadas para definir o problema ou as causas. O segundo, o 5W2H, trata-se de um plano de ação que definirá uma série de pontos, que podem balizar a tomada de ações. 42 Fonte: Carpinetti (2016). Figura 3.8 – Diagrama de causa e efeito – Atraso em pedido de Compra. 3.3 “Brainstorm” e a Técnica 5W1H 3.3.1 “Brainstorm” “Brainstorm” ou “Brainstorming” é uma ferramenta que significa “chuva de ideias” (ou “tempestade de ideias”), e que busca obter um grande número de ideias possíveis de uma determinada necessidade, problema ou melhoria. A seguir, temos o funcionamento, passo a passo, do “Brainstorm”. 1º) Efetuar uma reunião com um grupo de pessoas que conhecem ou atuam em relação ao assunto específico que será tratado. Observação ➔ Nesse caso, pessoas de outras áreas, inclusive as operacionais, devem fazer parte e serem instruídas sobre o objetivo da reunião. 2º) Inicialmente, se define de forma clara o propósito da reunião, ou seja, qual o objetivo que se tem, ou seja, solucionar um problema, busca de uma melhoria ou outra necessidade específica. 43 3º) As pessoas do grupo propõem ideias que atendam ao objetivo da reunião. ATENÇÃO: Nesse momento, não se deve inibir as ideias, mesmo que sejam absurdas ou inúteis a princípio. Ao não inibir, temos novas ideias e assim não se inibem as pessoas mais tímidas de sugerir. Quanto maior o número de ideias, portanto, é melhor evitar menosprezar uma ideia ou elogiar outra. A intenção é que fluam as ideias de forma espontânea, e depois, as ideias que não atendam ao objetivo serão descartadas, evitando o conflito ao máximo. 4º) Anotam-se todas as ideias. 5º) Selecionam-se as melhores ideias para análise e serem possivelmente aproveitadas. Proporcione ao grupo o resultado da reunião, ou seja, mencione as ideias que contribuíram para as ações de solução ou melhoria. Importante entender que o “Brainstorm” é uma ferramenta da qualidade que visa propor soluções, e também, na maioria das vezes, definição de causas. Logo, não é definitivo, e outras ferramentas podem ser utilizadas em conjunto visando atender ao objetivo esperado. 3.3.2 Técnica 5W1H Esta ferramenta da qualidade visa definir um plano de ações, após a utilização de outras ferramentas que buscam priorização e definição da causa-raiz. Trata-se de uma planilha que contém as atividades que serão tomadas, e cada ação especificada deve apresentar uma sequência de respostas ao questionamento de sua razão de estarem presentes. Segue a planilha 5W1H, conforme apresenta a Figura 3.9, com os termos 5W e 1H referentes às palavras, em inglês: • WHAT (O QUÊ?) • WHY (POR QUÊ?) • WHERE (ONDE?) • WHO (QUEM?) 44 • WHEN (QUANDO?) • HOW (COMO?) Fonte: O autor. Figura 3.9 – Esqueleto de uma Planilha 5W1H. As colunas do plano de ação podem variar suas posições, conforme o autor, e também traduzidas para o português, como: O QUÊ? – POR QUÊ? – ONDE? – QUEM? – COMO?... Outra variação do 5W1H é o 5W2H, que inclui mais um “H” em uma nova coluna que significa: HOW MUCH? ➔ QUANTO CUSTARÁ? na qual essa última coluna será uma estimativa do custo da ação a ser tomada. 3.4 Fluxograma; Histograma e Cartas de Controle 3.4.1 Fluxograma O fluxograma é uma ferramenta que objetiva destacar, passo a passo, as atividades e o fluxo de um trabalho. Nesse contexto, podemos representar através de simbologias e textos sucintos a sequência das atividades, seja de um processo operacional ou administrativo, ou uma combinação de ambos. A grande importância dessa ferramenta gráfica universal é a descrição dessas atividades, permitindo uma compreensão prática do processo que se pretende detalhar, e facilitando análises dessas atividades. Segundo Lobo (2020), as vantagens de um fluxograma são: a) Permite verificação do funcionamento real de todos os componentes do sistema, mecânicos ou não, facilitando analisar sua eficácia; What? Why? Where? Who? When? How? Ação 1 ... ... ... ... ... Ação 2 ... ... ... ... ... ... Ação n 45 b) Compreensão simples e objetiva, com relação a outros métodos; c) Facilita a localização das deficiências, através do passo a passo visualizado; d) Aplicável a qualquer sistema, desde simples até complexos; e) Entendimento rápido, quando propostas alterações para alguma atividade. Segue um roteiro, de acordo com Lobo (2020), na elaboração de um fluxograma: 1. Comunicar a todos os envolvidos a elaboração do plano de coleta e análise do(s) processo(s) a ser(em) descrito(s) no fluxograma; 2. Coletar a sequência das etapas (ou atividades) para cada processo; 3. Criar o fluxograma com base nos dados obtidos; 4. Analisar o fluxograma, com relação a tendências, melhorias e otimizações do processo; 5. Pode-se desenvolver um relatório do fluxograma, que objetiva apontar pontos de “acúmulo” ou “gargalos” nas atividades. O fluxograma retrata uma situação real, demonstrando como as coisas são feitas realmente. A Tabela 3.3 apresenta a simbologia adotada nos fluxogramas. 46 Tabela 3.3 – Simbologia Adotada em Fluxogramas Fonte: Lobo (2020). 3.4.2 Histograma O histograma é um gráfico de barras no qual o eixo horizontal, subdividido em vários pequenos intervalos, apresenta os valores assumidos por uma variável de interesse. Para cada um desses intervalos, é construída uma barra vertical, cuja área deve ser proporcional ao número de observações na amostra em que os valores pertencem ao intervalo correspondente. 47 Dessa forma, o histograma dispõe as informações de modo que seja possível a visualização da forma da distribuição de um conjunto de dados e também a percepção da localização do valor central e da dispersão dos dados em torno desse valor central. Conforme Carpinetti (2016), a comparação de dados resultantes de um processo, para uma característica de qualidade de interesse, organizados na forma de histograma com os limites de especificação estabelecidos para aquela característica, nos permite responder às seguintes perguntas que podem surgir quando o desempenho de um processo está sendo estudado: • O processo é capaz de atender às especificações? • A média da distribuição das medidas da característica da qualidade está próxima do centro da faixa de especificação (valor nominal)? • É necessário adotar alguma medida para reduzir a variabilidade do processo? A construção de um histograma segue basicamente os seguintes passos: 1. Colete n dados referentes à variável cuja distribuição será analisada. É aconselhável que n seja superior a 50 para que se possa obter um padrão representativo da distribuição. 2. Escolha o número de intervalos ou classes (k). Não existe uma única regra universal para a escolha de k. A regra apresentada na Tabela 3.4 é bastante comum. Tabela 3.4 − Número de intervalos em função do tamanho da amostra Fonte: Carpinetti (2016). 3. Calcule a amplitude total dos dados, dada por: MIN e MAX representam, respectivamente, o menor eo maior valor da amostra. 48 4. Calcule o comprimento de cada intervalo, dado por: O valor de h deve ser arredondado de forma que seja obtido um número conveniente. Esse número deve ser um múltiplo da unidade de medida dos dados da amostra. 5. Calcule os limites de cada intervalo: o limite inferior do primeiro intervalo corresponde ao menor valor da amostra; o limite inferior do segundo intervalo corresponde ao menor valor (MIN) mais a largura do intervalo, h. Isso significa que o primeiro intervalo está entre: E o segundo intervalo entre: E assim sucessivamente, até que seja obtido um intervalo que contenha o maior valor da amostra (MAX) entre os seus limites. 6. Construa uma tabela de distribuição de frequências constituída pelas seguintes colunas: • Número de ordem de cada intervalo (i); • Limites de cada intervalo; • Ponto médio de cada intervalo. 7. Construa uma escala no eixo horizontal para representar os limites dos intervalos e uma escala no eixo vertical para representar as frequências de ocorrências dentro de cada intervalo. Desenhe um retângulo em cada intervalo, com base igual ao comprimento (h) e altura igual à frequência (fi) do intervalo. 49 A seguir, temos um exemplo de histograma na Figura 3.10, que apresenta as frequências de saídas de uma dimensional de um item produtivo, com intervalos de 0,2. Fonte: Carpinetti (2016). Figura 3.10 – Exemplo de Histograma. 3.4.3 Cartas de Controle de Processo (CEP) As cartas de controle são utilizadas para o Controle Estatístico do Processo (CEP), que tem a finalidade de desenvolver e de aplicar métodos estatísticos como parte de uma estratégia para prevenção de defeitos, melhoria da qualidade de produtos e serviços e ainda redução de custos. Para a determinação dos parâmetros das cartas de controle, segundo Lobo (2020), devemos determinar: Média de cada subgrupo Na qual X1, X2, X3 ...e Xn são as variáveis da amostra e (n) é número de variáveis. Amplitude de cada subgrupo 50 R = (maior valor dentro do subgrupo) – (menor valor dentro do subgrupo) Por exemplo: Supondo que um subgrupo, de 5 números, apresente as seguintes variáveis: 5,4 – 5,2 – 5,1 – 5,2 – 5,2 Amplitude R = 5,3 – 5,1 = 0,2 (amplitude no subgrupo) Média do Processo – (Média das médias) Na qual K é o número de subgrupos. Média das Amplitudes Cálculos dos Limites de Controle (A2, D3 e D4 são tabelados e apresentados a seguir) - Limite Superior de Controle (LSC) das variáveis: - Limite Inferior de Controle (LIC) das variáveis: - Limite Superior de Controle (LSC) da amplitude: 51 - Limite Inferior de Controle (LSC) da amplitude: A seguir, temos a Tabela 3.5, que especifica os fatores A2, D3 e D4 para cálculos dos limites apresentados. Tabela 3.5 – Fatores para carta CEP Fonte: Lobo (2020). Segue a Figura 3.11 mostrando um exemplo de carta de controle. 52 Fonte: Carpinetti (2016). Figura 3.11 – Exemplo de Carta de Controle (CEP). Conclusão Neste terceiro bloco, conhecemos algumas ferramentas de qualidade, como a folha de verificação, a análise de Pareto, o gráfico de dispersão, o diagrama de Ishikawa, o “Brainstorm” e a técnica 5W1H. Esperamos que tenha gostado! Bons estudos! Referências CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2016. LOBO, R. N. Gestão da qualidade. 2. ed. São Paulo: Editora Érica, 2020. 53 4 QUALIDADE AVANÇADA NA INDÚSTRIA Apresentação Olá, aluno! Neste bloco, exploraremos a metodologia do Planejamento Avançado da Qualidade do Produto, conhecido no meio organizacional, principalmente das montadoras automobilísticas e da “linha branca”, com sua sigla em inglês APQP (Advanced Product Quality Planning). Essa metodologia busca uma sistemática na concepção do produto a partir de fases bem definidas, visando que o produto e o processo produtivo sejam desenvolvidos com excelência de qualidade. Na sequência, temos parte desse planejamento, como o Processo de Aprovação de Peças de Produção (PPAP) e a Ferramenta de Análise dos Efeitos dos Tipos de Falha (FMEA). Vamos para mais esse conhecimento! Bons estudos! 4.1 APQP O APQP (sigla inglesa de Advanced Product Quality Planning, ou, em português, Planejamento Avançado da Qualidade do Produto) é uma metodologia que apresenta etapas, que se constitui de vários procedimentos e técnicas, os quais gerenciam a qualidade do projeto produtivo. Essas técnicas e procedimentos foram padronizados pelo AIAG (Automotive Industry Action Group), que é um grupo de algumas montadoras (GM, Ford, Chrysler) e também os seus fornecedores. Embora o APQP tenha sido desenvolvido exclusivamente para a indústria automotiva, várias organizações têm adotado essa metodologia, devido aos benefícios na estruturação de seus projetos de peças produtivas, de maneira a assegurar a qualidade de projetos, processos e seus produtos perante o mercado consumidor. 54 No APQP, os documentos relativos são controlados através de versões (ou revisões), e suas aprovações ocorrem por meio do fluxo do trabalho, portanto, para se estruturar por completo um documento, é necessário que a documentação que precede esteja concluída (publicada ou fechada). É importante salientar que a finalidade do APQP é a “boa comunicação” entre as organizações e os fornecedores das diretrizes do APQP e dos planos de controles. Essas diretrizes estão contidas em um manual, que orienta “o quê” deve ser desenvolvido, e apresenta orientações que buscam o desenvolvimento de um planejamento de qualidade do produto, de modo a satisfazer o cliente. Alguns dos benefícios que são adotados pelas diretrizes do APQP incluem: • Redução na complexidade do APQP para organizações e o consumidor; • Facilitação para as organizações, comunicando os requisitos do APQP para os fornecedores. Seguem as finalidades do ciclo de planejamento, que são: Planejamento avançado ➔ Inicialmente, as etapas do ciclo de planejamento buscam o planejamento prévio da qualidade do produto, através da validação do produto/processo; Ato de implementação ➔ Seria a etapa final do estágio em que a avaliação dos resultados tem duas funções: determinar se os clientes estão satisfeitos e dar suporte para a busca pela melhoria contínua. Uma representação do ciclo de planejamento da qualidade do APQP está apresentada na Figura 4.1, através da busca constante da melhoria contínua. 55 Fonte: IQA. Figura 4.1 – Representação do Ciclo de Planejamento da Qualidade do APQP. 4.1.1 Matriz de Responsabilidade do APQP No APQP, a matriz de responsabilidade objetiva auxiliar as organizações na definição de abrangência das suas responsabilidades com relação ao planejamento. Essa matriz não representa em sua totalidade os diferentes tipos de relações do APQP que possa haver entre as organizações, fornecedores e clientes. A Figura 4.2 mostra um exemplo de matriz de responsabilidade do APQP, ferramenta de grande importância na gestão de projetos. 56 Fonte: IQA. Figura 4.2 – Exemplo de matriz de responsabilidade do APQP. 4.1.2 Os princípios do APQP O APQP busca estruturar as etapas que irão garantir que o produto satisfaça a necessidade do cliente. A meta do APQP é a comunicação com todas as partes interessadas, de modo que as etapas sejam contempladas no prazo definido. Logo, a integração e o compromisso da alta direção da organização se faz importante, em relação à busca da satisfação do cliente. Alguns dos benefícios que os princípios do APQP apresentam são: • Converter os recursos para a satisfação do cliente; • Identificar antecipadamente as alterações das necessidades; • Evitar, ao máximo,