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NOÇÕES BÁSICAS DE INTERVENÇÃO EM CRISE 
 
● Intervenção psicossocial em crise é auxiliar pessoas a desenvolver/entender os 
recursos mais eficazes de adaptação e enfrentamento frente a eventos críticos. 
● Crise = situação de urgência/evento específico; 
● Vários podem ser os fatores precipitadores de uma crise, mas não são somente 
os eventos em si que desencadeiam tal processo. Ele pode decorrer do 
significado que o indivíduo possa dar aos fatos, em termos de ameaça ou dano 
para si, assim como da avaliação dos recursos disponíveis para o necessário 
enfrentamento da situação. Então, é necessário sempre levar em conta a 
percepção do indivíduo frente ao evento, e não só a gravidade do mesmo 
isoladamente. 
● Evento que provoca intenso sofrimento e traz desestruturação psíquica e social; 
● Tende a ter como consequência distúrbios físicos, cognitivos, comportamentais e 
emocionais; 
● Parte de eventos imprevistos (incidente crítico que pode ser social, familiar, 
pessoal e ambientais); 
● Dado: 20% das pessoas que passaram por incidentes críticos tendem a 
desenvolver transtornos psicológicos. 
 
PALAVRAS-CHAVE: 
MUDANÇA, TRANSFORMAÇÃO E FORTE MOBILIZAÇÃO EMOCIONAL. 
 
CRISE: Estado temporário, extremamente perturbador e desorganizador. 
 
CRISE CIRCUNSTANCIAL 
➔ São decorrentes de situação encontradas principalmente no ambiente. 
Surgem em consequência de eventos raros e extraordinários, que o 
indivíduo não poder prever ou controlar, como a perda de uma fonte de 
satisfação básica, o desemprego, a morte abrupta, a perda da integridade 
corporal, as enfermidades, os desastres naturais, as violações e os 
acidentes. 
➔ Mudanças ambientais (imprevistos, desastres). 
 
CRISE DESENVOLVIMENTAL/EVOLUTIVAS 
➔ Dizem respeito à realização não satisfatória das passagens do 
desenvolvimento do indivíduo. 
➔ Elas podem ser previsíveis, já que as etapas do crescimento e os 
momentos decisivos em cada uma delas são conhecidos e ocorrem com a 
maiorias das pessoas. 
➔ Formas de resolução de problemas que não funcionam/ não se relaciona 
necessariamente a uma tragédia, mas um momento de mudança e 
incerteza. (Ex: ser concurseiro / fim de um relacionamento/ adolescência / 
maternidade...). 
● Para Wainrib e Bloch (2000), o ponto de diferenciação entre este tipo de crise e 
outras é que as circunstanciais são imprevistas, motivadoras, intensas e 
catastróficas. 
 
● Slaikeu (1996) destaca um modelo de etapas da crise postulado por Horowitz 
(1976), mencionando que, diante do evento que desencadeia o seu processo, o 
indivíduo apresenta: 
 
ETAPAS DA CRISE 
1. DESORDEM: É o período em que ocorre o evento crítico, caracterizado por um 
ambiente de caos e instabilidade. Esse momento é marcado por um evento 
crítico acontecendo, que gera confusão e desorganização. 
2. NEGAÇÃO: Refere-se a tentativa de amortecer o impacto do evento. A pessoa 
nesse estágio, pode tentar evitar pensar no ocorrido ou seguir suas atividades 
como se nada estivesse acontecendo. Um exemplo disso é uma pessoa que 
nega o risco iminente de sua casa desabar e recusa-se a sair da área de risco, 
mesmo com a região inundada ou em chamas. Essa recusa é uma forma de 
negação do evento, e o trabalho consiste em fazer com que a pessoa se mova 
para uma área segura, prevenindo que a crise se transforme em uma tragédia 
ainda maior. 
3. INTRUSÃO: Caracterizada pelo surgimento involuntário de pensamentos 
relacionados à dor e ao sofrimento causados pelo evento crítico. Pesadelos 
recorrentes, imagens e outras preocupações são características dessa etapa, 
trazendo elementos que não são reais. A pessoa passa a ruminar sobre o 
ocorrido e suas possíveis consequências. 
4. ELABORAÇÃO: O indivíduo começa a expressar, identificar e comunicar os 
pensamentos, imagens e sentimentos vivenciados durante a crise. Alguns 
conseguem elaborar seus sentimentos de forma autônoma, enquanto outros 
precisam de apoio externo para isso. A elaboração ocorre quando o indivíduo 
consegue entender o que aconteceu. 
5. INTEGRAÇÃO: Processo no qual a pessoa incorpora a experiência, os 
sentimentos, os pensamentos vividos, o que permite sua reorganização. Esse 
momento de reorganização não significa que esteja tudo resolvido, mas significa 
que o indivíduo sabe o que precisa fazer e que já tem o controle da situação. Ele 
não está mais vulnerável, nem em um estado de crise, e está emocionalmente 
preparado para tomar decisões. 
 
Principais transtornos relacionados a situação de crise: 
Transtorno de estresse agudo 
Transtorno de estresse pós traumático 
Transtorno depressivos moderado e grave. 
 
OBJETIVO 
● O Objetivo é ajudar a acionar a parte saudável preservada da pessoa, assim 
como seus recursos sociais, enfrentando de maneira adaptativa os efeitos do 
estresse. 
● Nessa oportunidade, devem-se facilitar as condições necessárias para que se 
estabeleça na pessoa, por sua própria ação, um novo modo de funcionamento 
psicológico, interpessoal e social, diante da nova situação. 
● Cabe lembrar que, no momento da crise, as defesas do indivíduo estão falhas, 
desativadas, de tal forma que ele se encontra mais receptivo à ajuda e os 
mínimos esforços podem ter resultados máximos (Wainrib&Bloch, 2000; Liria & 
Veja, 2002). 
● “A meta deve ser focada em ajudar as pessoas a lidar com o evento 
traumático, ajustar-se à nova situação e desenvolver um nível anterior de 
funcionamento.” 
 
ATUAÇÃO 
 
1. MOMENTO DE CRISE: Terapia de apoio e foco ao retorno do estado anterior 
(entender o que é necessário e possível no momento, estado de 
funcionamento de conseguir pensar, criar estratégias). 
 
MODELO PRIMEIROS SOCORROS PSICOLÓGICOS 
● Modelo de intervenção psicossocial; 
● Modelo usado muito na intervenção em desastres; 
● Deve ser empregada logo após ao evento ou no máximo após horas 
após o evento; 
● O principal objetivo é estabilizar emocionalmente as pessoas na 
situação de crise, diminuindo o impacto emocional e ajudando a criar 
estratégias de coping (estratégias de enfrentamento) mais adequadas e 
adaptadas à realidade apresentada; 
● Avalia necessidades e preocupações (identifica necessidades básicas 
daquele momento); 
● Busca informações, serviços/equipamentos de suporte; 
● Prevenção de danos adicionais; 
● Não visa diagnósticos e tão pouco substitui futuros atendimentos 
psicoterápicos; 
● Deve ser adotada o mais precocemente possível. 
● 5 PRINCÍPIOS BÁSICOS 
○ SEGURANÇA 
○ CALMA 
○ CONEXÃO (REDES) 
○ SENSO DE AUTOEFICÁCIA E EFICÁCIA COMUNITÁRIA 
○ ESPERANÇA 
 
2. MOMENTO PÓS EVENTO DE CRISE: desenvolvimento das estratégias para 
lidar com as situações causadas pelo evento crítico. 
 
MODELO DEBRIEFING 
● Também conhecido como SISD 
● Visa facilitar a expressão de sentimentos e emoções relacionadas ao 
evento (sempre em grupos, com pessoas que vivenciaram o mesmo tipo 
de evento); 
● Empregada dias após o evento (geralmente entre 42h e alguns dias); 
● Diminui o impacto emocional da situação crítica > Possibilidades de 
enfrentamento; 
● Possibilita a criação de redes social de apoio; 
● Contribui a análise da experiências traumática vivenciada > Para onde vou 
agora? O que faço? 
● INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA: Gestão do estresse, estratégias de 
enfrentamento e manejo de emoções. 
● INTERVENÇÃO OPERACIONAL: Informações (psicoeducação) 
organização da situação atual concreta, gestão da ansiedade ligada à 
situação presente. 
 
“As estratégias de intervenção em desastres devem estar articuladas às 
características de um determinado local e/ou de uma comunidade.” 
 
“A Psicologia deve, também, estar incorporada às equipes da Defesa Civil como 
agente que organiza linhas de cuidados e mobilização comunitária, escuta, acolhe 
e atua na defesa da população antes (prevenção, mitigação e preparação), 
durante (resposta) e após (reparação/reconstrução) situações de desastre.” 
 
CREPOP: Referências Técnicas para atuação de psicólogas (os) na Gestão Integral de 
Riscos, Emergências e Desastres 
 
Princípioséticos: 
Código de ética profissional do psicólogo: É dever do psicólogo “Prestar 
serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de 
emergência, sem visar benefício pessoal.” 
 
Caso o profissional esteja vivenciando a situação crítica juntamente com a 
sociedade, é necessário estar atento a duas questões: A autoridade e a 
formação ética e técnica. 
 
Moreno: Os profissionais que atuam com esse tipo de intervenção devem ser ativos e 
diretos, orientados a obter objetivos rápidos, diferente dos profissionais que não são 
de emergência, o profissional deve ser ágil, flexível, colocar em prática ações para 
resolução de problemas.

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