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Filosofia_Direito-e-Moral Kant

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Direito e Moral 
A Filosofia de Immanuel 
Kant
Uma análise das relações, distinções e imbricações entre as normas jurídicas e morais — e por que o Direito sem moral é puro arbítrio.
1
Direito Moral e Direito Imoral
Direito Moral
Campos em consonância com os ditames morais da sociedade. Possui sentido, respaldo no consentimento popular e reflete valores coletivos cristalizados. É válido e desejável.
Direito Imoral
Contraria sentidos axiológicos latentes, mas ainda é válido e exigível. Sua característica principal é ser um fenômeno desprovido de sentido — mero instrumento de poder, destituído de legitimidade.
2
Características Essenciais
Direito
Heteronomia: as obrigações formulam-se do poder do Estado para o indivíduo.
Coercibilidade: o Estado monopoliza a violência e aplica sanções
Bilateralidade Atributiva: pressupõe ao menos dois sujeitos para existir (atrela o direito de uma parte ao dever de outra). 
Moral
Autonomia: nasce do próprio sujeito
Incoercibilidade: sem poder punitivo estatal
Unilateralidade: demanda intenção e convencimento interiores
3
A Origem Comum e a Interdependência
Historicamente, nas comunidades primitivas, as práticas jurídicas, religiosas e morais eram indistintas. A sacralidade e o ritualismo das antigas fórmulas jurídicas denunciam essa intrínseca relação.
O Direito se alimenta da Moral
Tem seu surgimento a partir da moral e convive com ela continuamente, trocando conceitos e normas.
A Moral é o fim do Direito
O Direito sem moral, ou contrário às aspirações morais de uma comunidade, é puro arbítrio, e não Direito.
4
Conclusão
A ordem moral, por ser espontânea, informal e não coercitiva, distingue-se da ordem jurídica — mas ambas se complementam na orientação do comportamento humano.
A axiologia é capítulo fundamental para os estudos jurídicos, pois dá cristalização reiterada e universal por meio dos costumes diante do surgimento de exigências normativas.
Pode-se perceber a inter-relação entre juízo jurídico e juízo moral no ato decisório do juiz, sempre sobrecarregado por inflexões pessoais, costumeiras, axiológicas, contextuais e socioeconômicas que circundam o caso sub judice.
5
A Filosofia de Immanuel Kant (1724–1804)
Nascido em Königsberg, lecionou 40 anos na universidade local e nunca se afastou de sua cidade. Principal pensador do Iluminismo alemão, sua filosofia repousa sobre dois pilares: Teoria do Conhecimento e Ética.
Revolução Copernicana
Não copiamos o mundo — nossa razão o organiza. Conhecemos apenas o fenômeno, nunca a "coisa em si".
Apriorismo
Supera Racionalismo e Empirismo: o conhecimento começa na experiência, mas é estruturado por formas a priori — Espaço, Tempo e Categorias.
Imperativo Categórico
"Age de tal modo que tua ação possa tornar-se lei universal." Moral = agir pelo dever, não por inclinações.
6
Direito, Moral e o Papel do Estado
Kant diferencia Direito e Moral pela motivação e pelo âmbito de atuação, embora ambos emanem da razão prática.
Critério
Moral
Direito
Âmbito
Interno (consciência)
Externo (ações)
Motivação
Dever pelo dever
Medo, lucro, etc.
Cumprimento
Espontâneo
Coercitivo
Objetivo
Aperfeiçoamento
Coexistência pacífica
Direito em Kant: Conjunto de condições que permite a liberdade de um coexistir com a de todos, segundo uma lei universal.
O Papel do Estado
O Estado não define como ser feliz — isso é individual. Sua função é garantir que as liberdades não se choquem, limitando a liberdade externa para que todos sejam igualmente livres.
Por que Kant é o "Divisor de Águas"?
Ele retira a moral da religião e da natureza biológica e a fundamenta inteiramente na Razão Humana.
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