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CENTRO UNIVERSITÁRIO DA AMAZÔNIA - UNAMA CURSO BACHARELADO EM ENFERMAGEM JAINY SANTOS DOS REIS - 04120350 SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE COM MICROCEFALIA: ESTUDO DE CASO SANTARÉM-PA 20 2026 JAINY SANTOS DOS REIS - 04120350 SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE COM MICROCEFALIA: ESTUDO DE CASO Esse estudo de caso realizado no Hospital Regional do Baixo Amazonas de Santarém, tendo como requisito de nota à disciplina de Estágio Supervisionado I – Setor de clínica pediátrica, sob orientação do(a) Preceptor(a) Enfermeiro(a) Thaís baldoni, do curso de Bacharelado em Enfermagem no Centro Universitário da Amazônia – UNAMA SANTARÉM-PA 2026 LISTA DE SIGLAS, SÍMBOLOS E ABREVIATURAS % Por cento °C / ºC Grau Celsius AC Ausculta cardíaca AF Antecedentes familiares AP Antecedentes pessoais / ausculta pulmonar, conforme o contexto BE Excesso de bases bpm Batimentos por minuto CHCM Concentração de hemoglobina corpuscular média EVI Eliminações vesicais e intestinais FC Frequência cardíaca fL Fentolitro FR Frequência respiratória g/dL Grama por decilitro HCM Hemoglobina corpuscular média HCO₃⁻ Bicarbonato HDA História da doença atual HRBA Hospital Regional do Baixo Amazonas IV Intravenoso kg Quilograma mg Miligrama mg/dL Miligrama por decilitro mg/ml Miligrama por mililitro ml Mililitro mm Milímetro mmHg Milímetros de mercúrio mm³ Milímetro cúbico mmol/L Milimol por litro MMII Membros inferiores MMSS Membros superiores MSD Membro superior direito PaO₂ Pressão parcial de oxigênio p. Página pCO₂ Pressão parcial de dióxido de carbono pg Picograma pH Potencial hidrogeniônico PICC Cateter central de inserção periférica RDW Índice de anisocitose eritrocitária RE Resultado esperado rpm Respirações por minuto SAE Sistematização da Assistência de Enfermagem Sat Saturação SatO₂ Saturação de oxigênio T Temperatura TCO₂ Dióxido de carbono total TQT Traqueostomia UTI Unidade de Terapia Intensiva VCM Volume corpuscular médio VO Via oral SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 5 2 OBJETIVOS ............................................................................................................ 6 2.1 Objetivo Geral ........................................................................................................ 6 2.2 Objetivos Específicos ............................................................................................. 6 3 ESTUDO DA PATOLOGIA .................................................................................. 7 3.1 Conceito ................................................................................................................. 7 3.2 Fisiopatologia ........................................................................................................ 8 3.3 Quadro Clínico ...................................................................................................... 10 3.4 Exames Diagnósticos ........................................................................................... 13 3.5 Tratamento ........................................................................................................... 15 4 SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM .................... 17 4.1 Histórico de Enfermagem .................................................................................... 17 4.2 Diagnósticos de Enfermagem .............................................................................. 18 4.3 Resultados Esperados .......................................................................................... 19 4.4 Implementação .................................................................................................... 19 4.5 Evolução ............................................................................................................. 20 5 REFERÊNCIAS ................................................................................................... 21 1 INTRODUÇÃO A microcefalia caracteriza-se como uma condição neurológica decorrente do desenvolvimento inadequado do encéfalo, identificada pela redução do perímetro cefálico em relação aos padrões estabelecidos para idade e sexo. Essa alteração pode manifestar-se de forma isolada ou associada a comprometimentos estruturais e funcionais do sistema nervoso central, repercutindo diretamente no desenvolvimento neuropsicomotor da criança. Entre suas principais etiologias encontram-se fatores genéticos, ambientais, metabólicos e infecciosos, destacando-se, nos últimos anos, a associação entre a infecção congênita pelo vírus Zika e o aumento da incidência de casos no Brasil. Conforme descrito pelo Ministério da Saúde, a microcefalia constitui uma malformação congênita capaz de produzir diferentes graus de comprometimento motor, cognitivo e sensorial, dependendo da extensão da lesão cerebral e do período gestacional em que ocorreu a agressão fetal (Brasil, 2016). A emergência sanitária relacionada ao vírus Zika evidenciou a magnitude dessa condição no cenário nacional, sobretudo após o aumento expressivo de recém-nascidos acometidos por alterações neurológicas associadas à infecção materna durante a gestação. A partir de 2015, o Ministério da Saúde passou a reconhecer oficialmente a relação entre o vírus Zika e a ocorrência de microcefalia, estabelecendo protocolos específicos para vigilância epidemiológica, diagnóstico, acompanhamento clínico e assistência integral às crianças afetadas e seus familiares (Brasil, 2016). Tal contexto ampliou as discussões acerca das repercussões clínicas, sociais e assistenciais da doença, evidenciando a necessidade de fortalecimento das ações voltadas à prevenção, identificação precoce e acompanhamento contínuo dessas crianças. As manifestações clínicas da microcefalia apresentam ampla variabilidade e relacionam-se diretamente ao grau de comprometimento neurológico. Crianças acometidas frequentemente evoluem com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, alterações posturais, déficits motores, epilepsia, alterações musculoesqueléticas, dificuldades alimentares, distúrbios respiratórios recorrentes e comprometimentos auditivos e visuais. Em muitos casos, observa-se dependência parcial ou total para realização das atividades básicas, tornando necessária a manutenção de cuidados contínuos e acompanhamento multiprofissional especializado. Além das limitações físicas e cognitivas, a condição pode favorecer o surgimento de complicações secundárias decorrentes da imobilidade prolongada, do comprometimento nutricional e da vulnerabilidade às infecções respiratórias (Barbosa Et al., 2022). Nesse contexto, a assistência de enfermagem assume papel fundamental na condução do cuidado à criança com microcefalia, considerando a complexidade clínica e a necessidade de intervenções contínuas e individualizadas. A atuação do enfermeiro envolve monitorização clínica, prevenção de complicações, administração terapêutica, manejo de dispositivos invasivos, acompanhamento nutricional, realização de curativos, controle de sinais vitais e orientação familiar quanto aos cuidados domiciliares. A Sistematização da Assistência de Enfermagem constitui instrumento essencial para organização e direcionamento do cuidado, permitindo a identificação das necessidades humanas afetadas, elaboração de diagnósticos e implementação de intervenções compatíveis com as condições clínicas do paciente. O presente estudo de caso aborda a assistência de enfermagem prestada ao paciente D.H.S., 10 anos, sexo masculino, diagnosticado com microcefalia associada à infecção congênita pelo vírus Zika, apresentando como comorbidades paralisia cerebral, epilepsia, desnutrição proteico-calórica e broncopneumonia. Durante a avaliação clínica, foram identificadas alterações neurológicas importantes, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, caquexia, lesão por pressão em região occipital, presença de traqueostomia e gastrostomia, além de comprometimentorespiratório e nutricional, evidenciando a complexidade do quadro clínico e a necessidade de assistência especializada e contínua. Diante disso, o presente estudo tem por finalidade analisar a assistência de enfermagem prestada ao paciente com microcefalia, considerando suas manifestações clínicas, necessidades assistenciais e intervenções de enfermagem, fundamentadas na Sistematização da Assistência de Enfermagem e na literatura científica pertinente. 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Analisar a assistência de enfermagem a um paciente com microcefalia, por meio da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), visando um cuidado integral e baseado em evidências. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS - Descrever o caso clínico de um paciente com diagnóstico de microcefalia, destacando suas condições clínicas e evolução durante a internação; - Identificar os principais diagnósticos de enfermagem com base na taxonomia NANDA-I, a partir da avaliação das respostas humanas apresentadas pelo paciente; - Aplicar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) no planejamento do cuidado, contemplando histórico, diagnósticos, resultados esperados e intervenções de enfermagem; - Analisar a atuação da equipe de enfermagem na monitorização, manejo clínico e prevenção de complicações em paciente crítico com choque séptico. 3 ESTUDO DA PATOLOGIA 3.1 CONCEITO Microcefalia A microcefalia consiste em uma condição neurológica caracterizada pela redução do perímetro cefálico em relação aos parâmetros esperados para idade e sexo, resultante do desenvolvimento inadequado do encéfalo. Trata-se de uma alteração congênita ou adquirida, associada à interrupção ou comprometimento do crescimento cerebral, podendo ocasionar diferentes graus de alterações neurológicas, motoras, cognitivas e sensoriais. Segundo o Ministério da Saúde, a microcefalia é considerada uma malformação congênita na qual o cérebro não se desenvolve de maneira adequada, podendo estar relacionada a causas infecciosas, genéticas, ambientais ou metabólicas (BRASIL, 2016). A definição clínica da microcefalia baseia-se principalmente na mensuração do perímetro cefálico, utilizando-se curvas padronizadas de crescimento estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde. Em recém-nascidos a termo, considera-se microcefalia quando o perímetro cefálico apresenta valor inferior a dois desvios-padrão abaixo da média para idade gestacional e sexo. Em situações mais graves, quando o perímetro cefálico encontra-se abaixo de três desvios-padrão, caracteriza-se microcefalia severa, geralmente associada a maior comprometimento neurológico e funcional (Brasil, 2016). A microcefalia pode ser classificada em congênita ou pós-natal. A forma congênita está presente ao nascimento e decorre de alterações ocorridas durante o período gestacional, especialmente em fases críticas do desenvolvimento cerebral fetal. Já a microcefalia pós-natal ocorre após o nascimento, em decorrência da desaceleração do crescimento craniano associada a processos infecciosos, traumáticos, metabólicos ou neurológicos adquiridos. Independentemente da classificação, a condição pode comprometer significativamente o desenvolvimento neuropsicomotor e a capacidade funcional da criança (Brasil, 2016). Entre as principais causas da microcefalia destacam-se infecções congênitas, como toxoplasmose, citomegalovírus, rubéola, sífilis e, principalmente, infecção pelo vírus Zika. Além disso, fatores como exposição intrauterina a substâncias teratogênicas, desnutrição materna, hipóxia fetal, alterações cromossômicas e doenças metabólicas também podem estar associados ao desenvolvimento da patologia. No contexto epidemiológico brasileiro, a infecção congênita pelo vírus Zika tornou-se uma das principais causas relacionadas ao aumento da incidência de microcefalia observado nos últimos anos (Brasil, 2016). As manifestações clínicas variam conforme o grau de comprometimento cerebral, podendo incluir atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, alterações cognitivas, epilepsia, déficits auditivos e visuais, alterações musculoesqueléticas, distúrbios respiratórios e dificuldades alimentares. Em casos mais graves, observa-se dependência funcional significativa, exigindo acompanhamento contínuo e assistência multiprofissional especializada (Barbosa Et Al., 2022). No presente estudo de caso, o paciente apresenta microcefalia associada à infecção congênita pelo vírus Zika, acompanhada de paralisia cerebral, epilepsia, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, desnutrição proteico-calórica e comprometimento respiratório, condições que evidenciam a complexidade clínica da doença e a necessidade de assistência integral e contínua. 3.2. FISIOPATOLOGIA A microcefalia decorre de alterações no desenvolvimento do sistema nervoso central que resultam na redução do crescimento encefálico e, consequentemente, na diminuição do perímetro cefálico. Essas alterações podem ocorrer ainda durante o período embrionário ou fetal, comprometendo mecanismos fundamentais para a formação cerebral, como proliferação celular, migração neuronal, organização cortical e maturação neurológica. A intensidade das repercussões clínicas está diretamente relacionada ao grau de acometimento cerebral, ao período gestacional em que ocorreu a agressão ao feto e ao agente etiológico envolvido. Em razão disso, a microcefalia não deve ser compreendida apenas como uma alteração anatômica do crânio, mas como uma condição neurológica complexa, frequentemente associada a comprometimentos funcionais permanentes (BRASIL, 2016). Na microcefalia associada à infecção congênita pelo vírus Zika, o processo fisiopatológico inicia-se a partir da infecção materna durante a gestação. O vírus apresenta elevada capacidade neurotrópica, ou seja, possui afinidade pelas células do sistema nervoso central em formação. Após a infecção da gestante, o vírus consegue atravessar a barreira placentária e atingir o compartimento fetal, infectando principalmente células progenitoras neurais responsáveis pela formação e desenvolvimento do encéfalo. A partir disso, ocorre interrupção dos mecanismos de neurogênese, redução da proliferação neuronal e destruição celular por apoptose, comprometendo o crescimento cerebral adequado (BRASIL, 2016). Além da destruição direta das células neurais, o vírus desencadeia intensa resposta inflamatória no tecido cerebral fetal, ocasionando lesões estruturais importantes. Entre as alterações frequentemente observadas encontram-se calcificações intracranianas, ventriculomegalia, redução do volume cortical, alterações da migração neuronal, lisencefalia e atrofia cerebral difusa. Tais alterações comprometem áreas responsáveis pelo controle motor, pela cognição, pela coordenação neuromuscular e pelas funções sensitivas, justificando as múltiplas manifestações clínicas observadas nas crianças acometidas (BRASIL, 2016). A gravidade das lesões neurológicas está relacionada ao período gestacional em que ocorreu a infecção. Quando a exposição ao vírus acontece nos primeiros meses da gestação, fase crítica da organogênese e formação do sistema nervoso central, os danos tendem a ser mais extensos e permanentes. Isso ocorre pois nesse período há intensa multiplicação e diferenciação das células neurais, tornando o encéfalo fetal mais vulnerável à ação do agente infeccioso. Dessa forma, a interrupção do desenvolvimento cerebral compromete não apenas o crescimento do crânio, mas também o desenvolvimento funcional da criança ao longo da vida (Brasil, 2016). As alterações estruturais encefálicas decorrentes da microcefalia repercutem diretamente no desenvolvimento neuropsicomotor. Crianças acometidas frequentemente apresentam atraso motor importante, alterações do tônus muscular, déficits posturais, dificuldades de coordenação motora e comprometimento cognitivo. No mais, observam-se quadros de paralisia cerebral associados à limitação funcional significativa e dependência para realização das atividades básicas. No mais, lesões cerebrais favorecem a ocorrência de epilepsia em razãoda desorganização da atividade elétrica cortical, resultando em episódios convulsivos recorrentes e necessidade de tratamento anticonvulsivante contínuo (Barbosa et al., 2022). O comprometimento neurológico também interfere diretamente nas funções respiratórias e alimentares. A disfunção motora compromete os músculos responsáveis pela deglutição, mastigação e proteção das vias aéreas, favorecendo episódios de broncoaspiração e infecções respiratórias recorrentes, como broncopneumonias. Paralelamente, a dificuldade alimentar associada ao elevado gasto energético decorrente das alterações musculares contribui para o desenvolvimento de desnutrição proteico-calórica, frequentemente observada em pacientes com comprometimento neurológico severo. Em muitos casos, torna-se necessária a utilização de dispositivos como gastrostomia para manutenção do suporte nutricional e traqueostomia para manejo das vias aéreas e prevenção de insuficiência respiratória (Barbosa et al., 2022). As limitações motoras prolongadas também favorecem alterações musculoesqueléticas importantes. A redução da mobilidade, associada à hipertonia ou espasticidade muscular, pode ocasionar deformidades articulares, retrações tendíneas, atrofias musculares e limitações funcionais progressivas. Ademais, a permanência prolongada no leito aumenta o risco para desenvolvimento de lesões por pressão, especialmente em proeminências ósseas, em razão da diminuição da perfusão tecidual local e da fragilidade nutricional frequentemente presente nesses pacientes. O Ministério da Saúde destaca que crianças com microcefalia frequentemente necessitam de acompanhamento multiprofissional contínuo, incluindo assistência de reabilitação motora, respiratória e nutricional, em virtude das limitações decorrentes do comprometimento neurológico (Brasil, 2016). No presente estudo de caso, o paciente apresenta microcefalia associada à infecção congênita pelo vírus Zika, acompanhada de paralisia cerebral, epilepsia, atraso importante do desenvolvimento neuropsicomotor, desnutrição proteico-calórica e broncopneumonia. Observam-se ainda presença de traqueostomia, gastrostomia e alterações musculoesqueléticas decorrentes do comprometimento neurológico crônico, evidenciando a complexidade fisiopatológica da doença e suas repercussões sistêmicas. O quadro clínico demonstra como as alterações encefálicas provocadas pela infecção congênita repercutem de forma progressiva sobre diferentes sistemas do organismo, exigindo acompanhamento contínuo e assistência multiprofissional especializada (Brasil, 2016). 3.3 QUADRO CLÍNICO O quadro clínico do paciente D.H.S., 10 anos, sexo masculino, evidencia uma condição neurológica crônica de elevada complexidade, compatível com microcefalia associada à infecção congênita pelo vírus Zika, acompanhada de paralisia cerebral, epilepsia, desnutrição proteico-calórica e broncopneumonia não especificada. Trata-se de uma criança internada na clínica pediátrica do Hospital Regional do Baixo Amazonas, acompanhada pela genitora, apresentando histórico de exposição materna ao vírus Zika durante a gestação e identificação das alterações neurológicas apenas no momento do parto. Esse percurso clínico está de acordo com a literatura, que descreve a microcefalia relacionada ao vírus Zika como uma condição capaz de produzir alterações neurológicas permanentes e repercussões motoras, cognitivas, sensoriais e funcionais significativas (BRASIL, 2016; BARBOSA et al., 2022). Do ponto de vista neurológico, o paciente apresenta atraso importante do desenvolvimento neuropsicomotor, associado à paralisia cerebral e epilepsia. Embora se encontre consciente e orientado no momento da avaliação, observa-se importante limitação funcional, evidenciada por atrofia de membros superiores e inferiores, dependência de cuidados contínuos e histórico de cirurgia tendínea. Essas manifestações refletem o comprometimento estrutural e funcional do sistema nervoso central, uma vez que a microcefalia pode cursar com atraso motor, alterações posturais, distúrbios de coordenação, comprometimento cognitivo e crises epilépticas, especialmente quando associada a lesões cerebrais decorrentes de infecção congênita (BRASIL, 2016; BARBOSA et al., 2022). No aspecto nutricional, o paciente apresenta estado de caquexia e peso corporal de 10 kg, achado compatível com desnutrição proteico-calórica importante. A presença de gastrostomia para administração de dieta enteral e medicamentos evidencia dificuldade ou impossibilidade de manutenção adequada da alimentação por via oral, condição frequente em crianças com comprometimento neurológico grave. Nesses casos, alterações da deglutição, redução da coordenação motora oral, maior gasto energético e dependência funcional contribuem para prejuízo nutricional progressivo. O Ministério da Saúde destaca que crianças com microcefalia podem necessitar de acompanhamento especializado e reabilitação contínua, incluindo suporte nutricional e avaliação multiprofissional, conforme as necessidades clínicas apresentadas (Brasil, 2016). No sistema respiratório, observa-se histórico de broncopneumonia não especificada e presença de traqueostomia com cânula de 4,5 mm. Apesar de o paciente encontrar-se em ar ambiente, eupneico, normossaturando e afebril durante a avaliação, a ausculta pulmonar revelou ruídos adventícios do tipo roncos em hemitórax esquerdo. Esse achado sugere presença de secreção em vias aéreas e reforça a vulnerabilidade respiratória do paciente. Crianças com microcefalia e paralisia cerebral apresentam maior risco de complicações respiratórias devido à limitação motora, dificuldade de eliminação de secreções, alterações da deglutição e possibilidade de broncoaspiração, fatores que favorecem episódios recorrentes de infecção pulmonar (Barbosa et al., 2022; Brasil, 2016). Em relação ao sistema cardiovascular, o paciente apresenta frequência cardíaca de 115 bpm, bulhas cardíacas normofonéticas em dois tempos e ausência de sopros à ausculta. A saturação periférica de oxigênio encontra-se preservada, com valor de 98%, e a temperatura corporal de 36,5 ºC indica ausência de febre no momento da avaliação. A perfusão periférica preservada em membros superiores e inferiores sugere estabilidade circulatória durante o exame físico. Entretanto, a condição clínica geral exige vigilância contínua, considerando a associação entre desnutrição, infecção respiratória, uso de dispositivos e fragilidade sistêmica decorrente do comprometimento neurológico crônico. No sistema tegumentar, destaca-se a presença de lesão por pressão em região occipital, associada à limitação de mobilidade, permanência prolongada em repouso no leito e estado nutricional comprometido. A pele encontra-se desidratada e hipocorada, especialmente em membros superiores e inferiores, o que reforça a condição de fragilidade orgânica. Crianças com alterações neuromotoras importantes apresentam risco aumentado para lesões cutâneas devido à dificuldade de mudança espontânea de decúbito, redução da massa muscular, proeminências ósseas evidentes e prejuízo nutricional. A prevenção dessas lesões exige reposicionamento sistemático, inspeção diária da pele, hidratação cutânea e controle de fatores associados à pressão e fricção. No sistema gastrointestinal, o paciente apresenta abdome plano, hipocorado, com ruídos hidroaéreos presentes e gastrostomia funcionante para dieta enteral e administração medicamentosa. A presença desse dispositivo demonstra a necessidade de suporte alimentar prolongado e reforça a dependência de cuidados especializados. Na cavidade oral, observa-se hiperplasia gengival e arcada dentária incompleta, alterações relevantes para o cuidado de enfermagem, pois podem interferir na higiene oral, conforto, risco de colonização bacteriana e manutenção da saúde bucal. Em crianças com condições neurológicas crônicas, o cuidado oral deve ser incorporado à rotina assistencial, principalmente quando há uso contínuo de medicamentos e limitação do autocuidado. Quanto ao sistema musculoesquelético,observa-se atrofia em membros superiores e inferiores, associada ao atraso neuropsicomotor e à paralisia cerebral. A limitação funcional decorrente da microcefalia pode comprometer a postura, o tônus muscular, a mobilidade e a amplitude de movimento, favorecendo retrações, deformidades e dependência para atividades básicas. Conforme discutido por Barbosa et al. (2022), a microcefalia pode gerar repercussões motoras importantes e demandar acompanhamento contínuo por equipe multiprofissional, com foco na manutenção funcional, prevenção de agravos e melhora da qualidade de vida da criança. Além das alterações clínicas, a presença de dispositivos como traqueostomia, gastrostomia e PICC em membro superior direito evidencia a complexidade assistencial do caso. Embora necessários para manutenção das funções respiratória, nutricional e terapêutica, esses dispositivos aumentam o risco de infecções relacionadas à assistência à saúde, exigindo técnica adequada de manipulação, avaliação frequente dos sítios de inserção, higienização rigorosa e orientação contínua à família. A literatura destaca que a enfermagem desempenha papel essencial no acompanhamento de crianças com microcefalia, especialmente no monitoramento do crescimento, prevenção de complicações, estimulação precoce, acolhimento familiar e articulação com serviços especializados (Pedroso; Kaspper; Fachinello, 2025). Dessa forma, o quadro clínico do paciente D.H.S. demonstra comprometimento multissistêmico decorrente da microcefalia associada ao vírus Zika, com repercussões neurológicas, respiratórias, nutricionais, tegumentares e musculoesqueléticas. A análise integrada dos achados evidencia a necessidade de assistência de enfermagem contínua, individualizada e fundamentada na avaliação clínica, com ênfase na prevenção de complicações, manutenção da permeabilidade das vias aéreas, suporte nutricional, cuidado com dispositivos, proteção da integridade da pele e orientação à genitora. Essa abordagem está de acordo com as recomendações de acompanhamento contínuo, reabilitação e cuidado compartilhado entre Atenção Básica e serviços especializados para crianças com microcefalia (Brasil, 2016; Pedroso; Kaspper; Fachinello, 2025). 3.4 EXAMES DIAGNÓSTICOS A interpretação dos exames diagnósticos em pacientes com microcefalia associada à síndrome congênita do vírus Zika deve considerar não apenas as alterações neurológicas permanentes, mas também as complicações sistêmicas decorrentes da condição clínica crônica e da vulnerabilidade imunológica desses pacientes. No presente caso, os achados laboratoriais e gasométricos demonstram alterações compatíveis com um quadro infeccioso grave associado ao comprometimento respiratório, metabólico e hematológico. Em crianças com microcefalia, especialmente aquelas dependentes de gastrostomia, uso contínuo de anticonvulsivantes e histórico de limitações neuromotoras, infecções respiratórias possuem maior risco de evolução para sepse e insuficiência orgânica, devido à dificuldade de eliminação de secreções, alterações da deglutição e maior suscetibilidade clínica (Brasil, 2024). A gasometria arterial evidencia equilíbrio ácido-base relativamente preservado, demonstrado pelo pH de 7,40. Entretanto, a análise integrada dos demais parâmetros revela alterações importantes relacionadas ao comprometimento respiratório. A pCO₂ de 46 mmHg encontra-se discretamente aumentada, sugerindo retenção leve de dióxido de carbono, possivelmente relacionada à hipoventilação e à dificuldade ventilatória secundária ao quadro infeccioso pulmonar. O bicarbonato elevado (28,5 mEq/L) e o excesso de bases positivo (BE +3,7) sugerem compensação metabólica. A PaO₂ de 72 mmHg caracteriza hipoxemia leve, indicando prejuízo nas trocas gasosas, situação frequentemente observada em pacientes neurológicos com infecções respiratórias recorrentes. A saturação de oxigênio de 94% demonstra discreta redução da oxigenação periférica, reforçando o comprometimento respiratório associado ao quadro séptico (Frazão et al., 2024). Tabela 1 – Gasometria arterial Exame Resultado Valores de referência Interpretação pH 7,40 7,35 – 7,45 normal pCO₂ 46 mmHg 35 – 45 mmHg Levemente elevado PaO₂ 72 mmHg 80 – 100 mmHg Hipoxemia leve HCO₃⁻ 28,5 mEq/L 22 – 26 mEq/L Elevado TCO₂ 29,9 23 – 27 Elevado BE +3,7 -2 a +2 Elevado SatO₂ 94% >95% reduzida Fonte: Elaborado pela autora (2026). Os exames bioquímicos demonstram alterações eletrolíticas importantes. O sódio de 134 mEq/L evidencia hiponatremia leve, alteração frequentemente encontrada em pacientes pediátricos graves e associada tanto ao processo infeccioso quanto ao uso contínuo de medicamentos anticonvulsivantes. O potássio reduzido (3,3 mEq/L) e o magnésio discretamente diminuído (1,7 mg/dL) representam distúrbios eletrolíticos que podem favorecer alterações neuromusculares e aumentar o risco de instabilidade clínica. Em pacientes com microcefalia e comprometimento neurológico, essas alterações merecem atenção especial, pois podem potencializar crises convulsivas e agravar o estado geral (Silva, 2023). O lactato sérico elevado (4,2 mmol/L) constitui um importante marcador de hipoperfusão tecidual e gravidade clínica. Sua elevação indica metabolismo anaeróbico secundário à deficiência de oxigenação celular, situação frequentemente associada à sepse. Em pacientes com infecção sistêmica, níveis elevados de lactato estão diretamente relacionados ao aumento do risco de disfunção orgânica e pior prognóstico clínico, sendo também utilizados para monitorar a resposta ao tratamento instituído (Hospital Israelita Albert Einstein, 2024). Tabela 2 – Exames bioquímicos Exame Resultado Valores de referência Interpretação Sódio 134 mEq/L 135 – 145 mEq/L Levemente reduzido Potássio 3,3 mEq/L 3,5 – 5,0 mEq/L Reduzido Magnésio 1,7 mg/dL 1,8 – 2,4 mg/d Levemente reduzido Lactato sérico 4,2 mmol/L na identificação de infiltrados pulmonares, consolidações e sinais de pneumonia aspirativa, condição frequente em crianças com comprometimento neurológico e dificuldade de deglutição. Além disso, exames neurológicos de imagem possuem papel importante no acompanhamento das alterações estruturais cerebrais relacionadas à síndrome congênita do vírus Zika, incluindo calcificações intracranianas, ventriculomegalia e redução do volume cerebral (Brasil, 2024). Dessa forma, a análise integrada dos exames diagnósticos demonstra um quadro de comprometimento sistêmico importante em paciente com microcefalia associada à síndrome congênita do vírus Zika, evidenciando alterações respiratórias, metabólicas, hematológicas e eletrolíticas relacionadas ao processo infeccioso grave. A correlação entre os achados laboratoriais e o quadro clínico permite compreender a complexidade da condição do paciente e direcionar intervenções mais seguras e eficazes no contexto da assistência intensiva. 3.5 Tratamento O tratamento da criança com microcefalia associada à síndrome congênita do vírus Zika deve ocorrer de maneira contínua, individualizada e multiprofissional, considerando as múltiplas repercussões neurológicas, respiratórias, motoras e nutricionais presentes nesses pacientes. O Ministério da Saúde ressalta que crianças com microcefalia frequentemente necessitam de acompanhamento permanente devido às limitações neurológicas e às complicações secundárias decorrentes da condição clínica, incluindo epilepsia, alterações motoras, dificuldades alimentares e infecções respiratórias recorrentes . No caso analisado, o tratamento encontra-se direcionado principalmente para estabilização clínica, controle infeccioso, manejo das crises convulsivas, suporte nutricional e manutenção das funções vitais. O manejo respiratório representa uma das principais prioridades terapêuticas do paciente, especialmente diante do histórico de broncopneumonia, traqueostomia e hipoxemia leve evidenciada na gasometria arterial. Crianças com comprometimento neurológico crônico apresentam maior risco de retenção de secreções e broncoaspiração devido à limitação motora e dificuldade no reflexo de tosse, favorecendo infecções pulmonares recorrentes. Dessa forma, a monitorização contínua da frequência respiratória, ausculta pulmonar, saturação de oxigênio e necessidade de aspiração de vias aéreas torna-se indispensável para prevenção de agravamentos respiratórios (Barbosa et al., 2022) . O tratamento medicamentoso instituído inclui antibioticoterapia de amplo espectro com Meropenem 500 mg IV 8/8h e Vancomicina 500 mg IV, dose administrada de 150 mg a cada 6 horas. Esses medicamentos possuem importante papel no controle do processo infeccioso respiratório, principalmente em pacientes críticos e com risco aumentado para infecções hospitalares. A utilização combinada desses antibióticos busca ampliar a cobertura contra microrganismos gram-positivos e gram-negativos, reduzindo o risco de progressão da infecção sistêmica. A enfermagem possui função essencial no preparo, administração e monitorização dessas medicações, observando possíveis efeitos adversos, sinais de reação medicamentosa e resposta clínica ao tratamento. Além do suporte infeccioso, o controle neurológico constitui parte fundamental da terapêutica, considerando o diagnóstico de epilepsia associado à microcefalia. O paciente faz uso contínuo de anticonvulsivantes, incluindo Fenobarbital 100 mg/ml IV 12/12h, Fenitoína 250 mg/5 ml IV 8/8h, Valproato de sódio 50 mg/ml VO 12/12h e Levetiracetam 100 mg/ml via GTM 12/12h. O Diazepam 10 mg/2 ml IV também integra a prescrição medicamentosa, contribuindo para controle da excitabilidade neurológica e prevenção de crises convulsivas. Em crianças com síndrome congênita do vírus Zika, as crises epilépticas representam complicação frequente, exigindo acompanhamento rigoroso do estado neurológico, nível de consciência e resposta aos medicamentos anticonvulsivantes (Brasil, 2016) . O suporte nutricional possui grande relevância no tratamento do paciente, especialmente devido à presença de gastrostomia e desnutrição proteico-calórica. A dieta enteral infantil polimérica com fibras administrada via GTM objetiva garantir aporte nutricional adequado, manutenção do estado metabólico e prevenção de agravamento nutricional. Crianças com microcefalia frequentemente apresentam dificuldade de deglutição, alterações motoras orais e elevado gasto energético, tornando necessária a utilização de suporte enteral prolongado. O acompanhamento da aceitação da dieta, controle hídrico, peso corporal e sinais de intolerância alimentar deve ser realizado continuamente pela equipe multiprofissional (Barbosa et al., 2022) . Os distúrbios eletrolíticos identificados nos exames laboratoriais também exigem intervenção terapêutica e monitorização constante. O uso de Espironolactona 25 mg via GTM 12/12h e Furosemida 40 mg auxilia no controle hídrico e prevenção de sobrecarga volêmica, porém pode contribuir para alterações nos níveis séricos de potássio e sódio. A hipocalemia observada no paciente reforça a necessidade de vigilância clínica, uma vez que baixos níveis de potássio podem desencadear alterações musculares, cardíacas e respiratórias. O Gluconato de cálcio 10% administrado contribui para reposição eletrolítica e suporte metabólico, especialmente em pacientes com uso contínuo de anticonvulsivantes e alterações nutricionais. O Omeprazol 40 mg administrado a cada 24 horas possui finalidade gastroprotetora, sendo importante para prevenção de gastrite medicamentosa e lesões gástricas associadas ao uso prolongado de múltiplos fármacos e à condição crítica do paciente. Já os colírios de Atropina 1% e Dextrana 70 0,1% + Hipromelose 0,3% são utilizados para proteção ocular e manutenção da hidratação da superfície ocular, prevenindo ressecamento e possíveis lesões em pacientes com limitação motora e redução do reflexo de piscar. O acompanhamento multiprofissional é indispensável no cuidado da criança com microcefalia, envolvendo enfermagem, fisioterapia, nutrição, neurologia, pediatria e demais especialidades necessárias. A literatura destaca que o cuidado integral dessas crianças deve contemplar não apenas o tratamento das complicações clínicas imediatas, mas também ações voltadas à qualidade de vida, prevenção de deformidades, estímulo ao desenvolvimento neuropsicomotor e suporte familiar (Frank; Nascimento; Benichel, 2022). Logo, a enfermagem desempenha papel fundamental na monitorização contínua do estado clínico, administração segura de medicamentos, controle de dispositivos invasivos, prevenção de infecções, realização de cuidados com traqueostomia e gastrostomia, além do suporte emocional à família. A Sistematização da Assistência de Enfermagem permite organizar o cuidado de forma individualizada, favorecendo identificação precoce de complicações e promoção de assistência mais segura e humanizada ao paciente com microcefalia associada ao vírus Zika. 4 SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM 4.1 HISTÓRICO DE ENFERMAGEM D.H.S, 10 anos, sexo masculino, internado no HRBA, na clínica pediátrica, acompanhado pela sua genitora. Dados socioeconômicos: reside no município de Santarém, bairro interventória, casa própria de alvenaria onde reside com 6 pessoas, coleta de lixo regular fornecida pela prefeitura, água proveniente de poço artesiano e acesso a saneamento básico. AP: apresenta microcefalia por zika, paralisia cerebral, epilepsia, desnutrição proteica- calórica, broncopneumonia não especificada. Alergias à buscopan e dipirona. Nasceu de parto normal, sem complicações, aleitamento materno até os 8 meses, de acordo com a genitora foi realizado todas consultas do pré-natal e a própria relata que o cartão de vacinação está completo. AF: não possui. HDA: Genitora relata que durante a gravidez foi exposta ao vírus da zika, mas não sabia e que durante suas consultas de pré-natal não foi identificado alterações no feto e apenas durante o parto foi identificado alterações anormais. Apóso nascimento ficou 12 dias na incubadora aquecida, realizado tomografia com 5 dias de vida e realizou cirurgia de tendão. No momento encontra-se em repouso no leito consciente e orientado, sem queixas álgicas no momento e EVI: presentes. Ao exame físico paciente em estado caquexia. Crânio microcefalia com lesão por pressão na região occipital, couro cabelo íntegro, sem sujidade, olhos simétricos, pupilas isocóricas e fotorreagentes, esclerótica branca e limpa, pele e mucosas hipocoradas, pavilhão auricular sem alterações visíveis, cavidade nasal sem lesões ou desvio de septo, cavidade oral com presença de hiperplasia gengival e com arcaria dentaria incompleta. Região cervical, com mobilidade preservada, com presença de TQT com diâmetro de 4,5 mm e ausência de linfonodos ou gânglios infartados à palpação. Respirando em ar ambiente, eupneico, normocárdico, normosaturando, afebril, acianótico, anictérico e desidratado. Tórax normolíneo, simétrico, com expansibilidade torácica preservada bilateralmente. AP: com presença de ruídos adventícios, roncos na região hemitórax esquerdo. AC: bulhas cardíacas normofonéticas em 2 tempos, sem sopros. MMSS: atrofiados com atraso neuropsicomotor, pele desidratada e hipocoradas com presença de dispositivo PICC no MSD com 6 cm externo, sem sinais flogísticos e perfusão periférica preservada. Abdome plano, hipocorado, ruídos hidroaérios presentes, e com presença de dispositivo gastrostomia (GTT) para dieta enteral e medicamentos. Genitália: sem alterações visíveis. MMII: atrofiados com atraso neuropsicomotor, pele desidratada e hipocoradas, com ausência de edemas e perfusão periférica preservada. FC: 115 bpm, FR: 18 rpm, Sat: 98%, T: 36,5 0 C, P: 10 kg. Segue aos cuidados de enfermagem. AC: Jainy Reis. 42 DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM 1DE: Domínio 11 (segurança/proteção); Classe 1 (infecção): Risco de infecção relacionado à presença de dispositivos invasivos (PICC, TQT, GTT) com internação prolongada em clínica pediátrica. 2DE: Código: 00217) Domínio: 11 (segurança/proteção) Classe: 5 (processos defensivos): Risco de reação alérgica relacionado a histórico de alergia medicamentosa (Buscopam e Dipirona). 3DE: Domínio 2 (nutrição); classe 1 (ingestão): Ingestão nutricional proteica-calórica inadequada, relacionada à condição neurológica comprometida, uso de gastrostomia, evidenciado pelo estado de caquexia, desidratação e peso corporal abaixo do esperado para idade. 4DE: Domínio 11 (Segurança/proteção); classe 2 (Lesão física): Risco de quedas na criança, relacionado à paralisia cerebral e mobilidade física prejudicada. 4.3 RESULTADOS ESPERADOS 1RE: Paciente apresentará o risco de infecção diminuído durante a sua permanência na clínica pediátrica. 2RE: O paciente permanecerá livre de sinais e sintomas de reação alérgicas durante todo o período de internação. 3RE: O paciente apresentará melhora do estado nutricional durante o período de internação e manterá ingestão nutricional adequada às necessidades metabólicas por meio da dieta enteral. 4RE: O paciente terá risco de queda na criança minimizado durante o período de internação. 4.4 IMPLEMENTAÇÃO 1IE: · Avaliar o sítio de inserção do PICC e GTT a cada turno, observando sinais flogísticos, durante toda a permanência em clínica pediátrica (Enf.) · Realizar troca de curativos com técnica asséptica conforme protocolo institucional ou quando necessário. (Enf.) · Monitorar temperatura corporal a cada 2 horas e comunicar alterações imediatamente. (Téc. /Enf.) · Aspirar vias aéreas superiores e TQT observando presenças de secreções, a cada 2 horas ou conforme avaliação e registrar no prontuário. (Enfermeira/Fisioterapeuta). 2IE: · Identificar o paciente com pulseira de alergia, conforme o protocolo institucional. (Enf/Técn). · Registrar de forma clara e visível no prontuário: alergia à buscopam e dipirona. · Conferir cuidadosamente prescrições medicas antes da administração de medicamentos. (Enf/Técni) · Orientar genitora/acompanhantes sobre as alergias medicamentosas da criança e importância de informar em futuros atendimentos. (Enf/ Téc.). 3IE: · Verificar posicionamento e permeabilidade da gastrostomia antes da administração da dieta e medicamentos. (Enf/Téc). · Realizar lavagem da GTT antes e após administração da dieta e medicamentos, conforme protocolo institucional. (Enf/Téc). · Realizar balanço hídrico rigorosamente, registrando ingestão e eliminações. (Enf/Téc). · Registrar em prontuário aceitação da dieta, intercorrências e evolução do estado nutricional do paciente. (Enf). 4IE: · Manter grades laterais do leito elevadas e travadas durante todo o período de internação. (Enf/Téc). · Orientar genitora/acompanhante quanto às medidas de prevenção de quedas no ambiente hospitalar. (Enf/Téc). · Avaliar diariamente o risco de quedas utilizando a Escala de Morse, considerando limitações motoras, dispositivos invasivos, déficit neurológico e histórico clínico do paciente. (Enf). · Registrar em prontuário as medidas preventivas implementadas e possíveis intercorrências relacionadas ao risco de quedas. (Enf). 4.5 EVOLUÇÃO 1EV: Paciente permanece sem sinais de infecção relacionados ao PICC, TQT e GTT. Dispositivos sem sinais flogísticos e paciente afebril. Logo, os cuidados permanecerão no plano terapêutico. 2EV: Paciente permanece sem sinais de reação alérgica medicamentosa. Histórico de alergia sinalizado e monitorização mantida. Logo, os cuidados permanecerão no plano terapêutico. 3EV: Paciente mantém ingestão nutricional prejudicada, com baixo peso e necessidade de dieta por gastrostomia. Dieta administrada sem intercorrências. Logo, os cuidados permanecerão no plano terapêutico. 4EV: Paciente permanece com risco de quedas devido à mobilidade prejudicada e paralisia cerebral. Mantidas medidas preventivas, sem episódios de queda. Logo, os cuidados permanecerão no plano terapêutico. 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolo de atenção à saúde e resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus zika [recurso eletrônico]. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. 45 p. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/biblioteca/protocolo-de-atencao-a-saude-e-resposta-a-ocorrencia-de-microcefalia-relacionada-a-infeccao-pelo-virus-zika/. Acesso em: 18 mai. 2026. Abordagem social da microcefalia, qualidade de vida e assistência governamental. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento , [S. l.] , v. 11, n. 11, p. e374111133681, 2022. DOI: 10.33448/rsd-v11i11.33681 . Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/33681. Acesso em: 18 maio. 2026. BASTOS, José Alexandre; BENICHEL, Cariston Rodrigo; DE OLIVEIRA PRADO, Josiane Estela. A IMPORTÂNCIA DO ENFERMEIRO NO ACOLHIMENTO AOS PACIENTES EM UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE. HERDMAN, T. H.; KAMITSURU, S.; LOPES, C. T. (org.). Diagnósticos de enfermagem da NANDA-I: definições e classificação 2024-2026. 13. ed. Porto Alegre: Artmed, 2024. 1 recurso eletrônico. ISBN 978-65-5882-254-7. PEDROSO, Alessandra Rodrigues; KASPPER, Ágatha Stheffany; FACHINELLO, Nicole. O papel da enfermagem no cuidado de crianças com micro e macrocefalia. ANAIS 14ª SEMANA DE ENFERMAGEM DA FACCAT, p. 13. image1.jpeg