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Revisão Integrada I Np2 
 
● Lesões cervicais não cariosas 
As LCNCs são caracterizadas pela perda crônica e progressiva de tecido duro 
dentário (esmalte, dentina e cemento) na região do colo do dente, sem o 
envolvimento de microrganismos (bactérias). A etiologia atual é considerada 
multifatorial e sinérgica, ou seja, raramente um fator atua sozinho. 
Abfração Perda de tecido por 
forças oclusais 
excêntricas (tração 
e compressão) que 
causam a flexão do 
dente. Os prismas 
de esmalte se 
quebram na região 
cervical. 
Lesão em formato 
de cunha ou "V", 
com ângulos 
internos nítidos e 
margens bem 
definidas. 
Bruxismo, 
apertamento, 
contatos prematuros 
e interferências 
oclusais. 
Abrasão Desgaste mecânico 
patológico 
decorrente da 
fricção repetida de 
objetos ou 
substâncias 
externas contra os 
dentes. 
Lesão mais ampla, 
rasa, de formato 
arredondado ou em 
"pires", com 
contornos suaves. 
Escovação 
traumática (força 
excessiva, cerdas 
duras), uso de 
cremes dentais 
altamente abrasivos, 
hábitos como morder 
caneta ou grampos. 
Erosão Degradação 
química da estrutura 
dentária por ação 
de ácidos (sem o 
envolvimento de 
bactérias). 
Lesão côncava, 
rasa, com aspecto 
liso, polido e 
arredondado. Em 
casos severos, pode 
haver preservação 
de uma "borda" de 
esmalte na gengiva. 
Extrínseca: Dieta 
ácida (refrigerantes, 
sucos cítricos, vinho). 
Intrínseca: Refluxo 
gastroesofágico(DRG
E), bulimia, azia 
crônica. 
Muitas LCNCs crônicas apresentam dentina esclerótica (hipermineralizada, com 
túbulos obliterados e aspecto escurecido/vítreo). 
Conduta clínica: Para garantir uma boa camada híbrida e a retenção da 
restauração, recomenda-se realizar uma leve asperização mecânica com ponta 
diamantada fina ou otimizar o protocolo adesivo (como o uso de sistemas 
autocondicionantes associados ao condicionamento seletivo de esmalte). 
 
● Tratamento/manejo de doenças periodontais/ considerar pacientes com 
comorbidades 
1. Diabetes Mellitus (Relação Bidirecional) 
A relação entre a doença periodontal e o diabetes é bidirecional: o diabetes 
descontrolado hiperativa a resposta inflamatória, acelerando a destruição 
periodontal; e a infecção periodontal severa dificulta o controle glicêmico (aumenta a 
resistência à insulina). 
Conduta Clínica e Manejo: 
Avaliação de Exames: Sempre solicitar e verificar o exame de Hemoglobina 
Glicada (HbA1c) recente. 
● Valor ideal/controlado: Abaixo de 7%. 
● Valores entre 7% e 8%: Paciente moderado, proceder com cautela. 
● Valores acima de 8%: Alto risco de infecção e cicatrização deficiente. 
Procedimentos eletivos (como cirurgias periodontais) devem ser adiados até 
a compensação metabólica. 
Protocolo de Atendimento: Consultas preferencialmente no período da manhã 
(maior nível de cortisol endógeno, o que reduz o risco de hipoglicemia). 
Alimentação: Confirmar se o paciente tomou a medicação/insulina e se alimentou 
adequadamente antes da consulta para evitar crises hipoglicêmicas na cadeira. 
2. Pacientes Cardiopatas e Hipertensos 
O estresse e a dor durante o atendimento periodontal podem liberar catecolaminas 
(adrenalina) endógenas, elevando a pressão arterial e a frequência cardíaca. 
Conduta Clínica e Manejo: 
● Aferição da Pressão Arterial (PA): Obrigatória antes de iniciar qualquer 
procedimento. Se a PA estiver muito elevada (ex: acima de 160/100 mmHg), 
os procedimentos eletivos devem ser adiados. 
● Uso de anestésicos: O uso de vasoconstritor (como a Adrenalina 
1:100.000) não é proibido para hipertensos controlados. Pelo contrário, 
garante uma anestesia profunda, evitando a liberação de adrenalina pelo 
próprio medo/dor do paciente. 
Regra de ouro: Limitar a no máximo 2 tubetes de lidocaína com adrenalina 
1:100.000 por consulta e evitar injeção intravascular. Para cardiopatas graves ou 
arritmias não controladas, avalia-se o uso de anestésicos sem vasoconstritor (como 
a Prilocaína com Felipressina ou Mepivacaína a 3%). 
Profilaxia Antibiótica: Necessária para raspagens subgengivais apenas em 
pacientes de alto risco para Endocardite Bacteriana (ex: portadores de próteses 
valvares cardíacas, histórico prévio de endocardite ou cardiopatias congênitas 
cianóticas não corrigidas). O protocolo padrão é Amoxicilina 2g (ou Clindamicina 
600mg se alérgico) via oral, 1 hora antes do procedimento. 
3. Pacientes em Uso de Anticoagulantes ou Antiagregantes Plaquetários 
A terapia periodontal (especialmente a raspagem sub gengival severa e cirurgias) 
envolve sangramento. 
Conduta Clínica e Manejo: Antiagregantes (AAS / Aspirina, Clopidogrel): NÃO 
se deve suspender o AAS para a realização de raspagem periodontal ou pequenas 
cirurgias. O risco de um evento trombótico ou infarto pela suspensão é muito maior 
do que o risco de sangramento local, que pode ser controlado com medidas de 
hemostasia local (compressão com gaze, sutura, uso de esponja de colágeno ou 
fibrina). 
Anticoagulantes Orais (Varfarina / Marevan): Exigem a avaliação do exame de 
sangue INR (Relação Normalizada Internacional) feito nas últimas 24 a 48 horas. 
INR ideal para procedimentos clínicos: Abaixo de 3,0 (em alguns casos 
aceita-se até 3,5). Acima disso, há alto risco de hemorragia e o médico assistente 
deve ser consultado para ajustar a dose, se necessário. 
4. Gestantes (A "Periodontite Gravídica") 
As alterações hormonais (aumento de progesterona e estrogênio) na gravidez 
modificam a permeabilidade vascular, exacerbando a resposta inflamatória da 
gengiva à placa bacteriana presente. Além disso, a periodontite severa está 
associada a riscos de parto prematuro e recém-nascido de baixo peso. 
Conduta Clínica e Manejo: 
Época Ideal de Atendimento: O segundo trimestre (entre o 4º e o 6º mês) é o 
período mais seguro e confortável para realizar o tratamento periodontal. No 
primeiro trimestre há organogênese fetal e enjoos frequentes; no terceiro, o 
tamanho do útero causa desconforto na cadeira odontológica (risco de hipotensão 
supina). 
Posicionamento na Cadeira: No terceiro trimestre, se necessário o atendimento, 
posicionar a gestante levemente inclinada para o lado esquerdo para evitar a 
compressão da veia cava inferior pelo útero. 
Controle de Placa: O foco principal deve ser a raspagem supra e subgengival 
minuciosa e uma rigorosa instrução de higiene oral para neutralizar a influência 
hormonal na gengiva. 
 
● Indicações de Aumento de Coroa Clínica (ACC) 
O objetivo principal do ACC é expor a estrutura dentária sadia supra-gengival. Isso 
pode ser feito por meio de gengivectomia (remediação apenas em tecido mole, 
quando há faixa de gengiva queratinizada suficiente) ou cirurgia a retalho com 
osteotomia (remoção de osso para restabelecer o espaço biológico). 
1. Indicações Estéticas 
Focadas na harmonia do sorriso e na proporção dos dentes anteriores. 
● Sorriso Gengival: Pacientes que expõem uma quantidade excessiva de 
gengiva ao sorrir. 
● Assimetria do Zênite Gengival: Correção do contorno cervical da gengiva 
para nivelar a altura dos dentes homólogos (ex: deixar os dois incisivos 
centrais com a mesma altura gengival). 
● Dentes Curtos (Microdontia Relativa): Ampliar a coroa clínica de dentes 
que parecem muito pequenos, melhorando a proporção entre altura e largura. 
2. Indicações Protéticas e Funcionais 
Focadas na viabilização e na longevidade de restaurações e próteses unitárias. 
● Invasão do Espaço Biológico: Quando uma restauração antiga, cárie 
profunda ou fratura se estende abaixo da margem gengival, invadindo os 
tecidos de inserção (epitélio juncional e inserção conjuntiva). 
● Falta de Retenção Mecânica: Dentes severamente destruídos por cárie ou 
trauma. 
● Perfurações Radiculares ou Reabsorções Cervicais Externas: Permite o 
acesso visual e mecânico para que o profissional possa isolar e selar 
adequadamente a perfuração/lesão na região cervical. 
● Garantia do Efeito Férula (Ferrule Effect): Para cimentar uma coroa com 
segurança (especialmente em dentes tratados endodonticamentecom 
pino/núcleo), é necessário que haja pelo menos 1,5 mm a 2 mm de 
estrutura dentária sadia vertical acima do término do preparo, abraçando o 
dente. 
 
● Anatomia e acesso coronário em Endodontia 
Etapas do Acesso Coronário 
1. Ponto de Eleição: É o local exato na superfície externa do dente onde a 
broca deve iniciar o desgaste. 
○ Dentes Anteriores: Face palatina/lingual, cerca de 1 a 2 mm abaixo 
do cíngulo (superior) e acima do cíngulo (inferior) 
○ Dentes Posteriores: Face oclusal, no centro da fossa central. 
2. Direção de Acesso: A inclinação que a broca deve ter para alcançar a 
câmara pulpar com segurança. 
○ Dentes Anteriores: Inicialmente perpendicular à face palatina e, após 
romper o esmalte, muda-se a direção para ficar paralela ao longo 
eixo do dente para evitar perfuração vestibular ou lingual. 
○ Dentes Posteriores: Paralela ao longo eixo do dente, direcionada ao 
corno pulpar mais volumoso (geralmente o palatino nos superiores e o 
mésio-vestibular nos inferiores). 
3. Forma de Contorno: É o desenho final da abertura na superfície do dente, 
ditado pela anatomia interna da câmara pulpar de cada grupo dental. 
 
Grupo Dental Forma de 
Contorno 
Particularidades Anatômicas Importantes 
Incisivos 
Centrais 
Superiores 
Triangular (base 
voltada para 
incisal) 
Canal único, amplo e reto. Rara incidência 
de variações. 
Incisivos 
Laterais 
Superiores 
Triangular ou Oval Canal único, mas apresenta frequentemente 
uma curvatura apical para a 
palatina/distal. 
Incisivos 
Inferiores 
(Centrais e 
Laterais) 
triangular com 
ângulos 
arredondados, 
podendo 
apresentar uma 
variação ovalada. 
Atenção extrema: Alta incidência de 2 
canais (um vestibular e um lingual). O canal 
lingual costuma ser "escondido" por um 
ombro de dentina; negligenciá-lo causa 
insucesso no tratamento. 
Caninos 
(Superiores e 
Inferiores) 
Oval/Ovóide Dentes mais longos do arco. Canal único e 
amplo no sentido vestíbulo-lingual. 
1ºPré-Molar 
Superior 
Oval (alongada no 
sentido 
vestíbulo-palatino) 
Apresenta 2 canais bem definidos (1 
vestibular e 1 palatino) na grande maioria 
dos casos (>80%). Pode apresentar duas 
raízes distintas. 
2ºPré-Molar 
Superior 
Oval Geralmente possui 1 canal, mas variações 
com 2 canais são comuns. 
Pré-Molares 
Inferiores 
Circular / Oval Geralmente 1 canal, mas o 1º pré-molar 
inferior pode apresentar bifurcações 
complexas no terço apical. 
1ºMolar 
Superior 
Trapezoidal com 
base maior para a 
vestibular (ou 
Triangular) 
Apresenta tipicamente 3 raízes e 4 canais. 
O MV2 (segundo canal da raiz 
mésio-vestibular) está presente em mais 
de 70% dos casos e fica localizado na linha 
que une o canal mésio-vestibular ao 
palatino. 
1ºMolar Inferior Trapezoidal ou 
Retangular 
Apresenta tipicamente 2 raízes (mesial e 
distal) e 3 a 4 canais. A raiz mesial tem 
sempre 2 canais (Mesiovestibular e 
Mesiolingual). A raiz distal pode ter 1 canal 
amplo ou 2 canais (Distovestibular e 
Distolingual). 
Instrumentação de Abertura: A penetração inicial (rompimento do teto) é feita com 
alta rotação e brocas esféricas diamantadas (ex: 1012, 1014). A remoção do teto e 
divergência das paredes (forma de conveniência) é feita com brocas de ponta 
inativa (ex: Endo-Z ou diamantada 3082) para evitar perfurações no assoalho 
pulpar. 
● Infecções odontogênicas no âmbito da cirurgia 
A microbiota das infecções odontogênicas é mista (polimicrobiana), envolvendo 
bactérias aeróbias e anaeróbias. O quadro clínico evolui em estágios bem definidos: 
Inoculação (Dias 1 a 3): Predomínio de bactérias aeróbias (Streptococcus). 
Clinicamente, há edema difuso, mole, levemente doloroso e consistência 
edematosa. 
Celulite (Dias 3 a 5): Fase aguda e altamente destrutiva. Coexistência de aeróbios 
e anaeróbios. O edema torna-se endurecido ("tábua"), vermelho, quente e 
extremamente doloroso, sem limites precisos. É a fase mais perigosa para a 
disseminação. 
Abscesso (Dias 5 a 7): Predomínio de bactérias anaeróbias estritas. A infecção 
torna-se localizada, com flutuação central (pus) e limites bem definidos. A dor tende 
a diminuir devido à menor pressão nos tecidos circundantes. 
2. Disseminação pelos Espaços Fasciais (Anatomia Cirúrgica) 
Quando a infecção rompe a cortical óssea, ela se espalha pelos tecidos moles. O 
caminho que o pus adota é ditado pela inserção dos músculos em relação ao 
ápice dentário. 
● Dentes Maxilares: Podem drenar para o espaço vestibular, canino 
(causando edema infraorbital e risco de trombose do seio cavernoso) ou 
infratemporal. 
● Molares Inferiores (Relação com o Músculo Milo-hióideo): 
Se o ápice da raiz estiver acima da inserção do músculo milo-hióideo, a infecção vai 
para o Espaço Sublingual (assoalho da boca). 
Se o ápice estiver abaixo da inserção (comum no 2º e 3º molares inferiores), a 
infecção vai para o Espaço Submandibular (região do pescoço). 
Emergência Médica: Angina de Ludwig 
É uma celulite grave, bilateral, que envolve simultaneamente três espaços fasciais: 
submandibular, sublingual e submentual. 
● Sinais clínicos de alerta: Elevação e posteriorização da língua, trismo 
severo, disfagia (dificuldade de engolir), odinofagia (dor ao engolir) e 
dispneia (dificuldade de respirar). 
● Conduta: Encaminhamento imediato para ambiente hospitalar para 
manutenção das vias aéreas (intubação/traqueostomia), antibioticoterapia 
intravenosa e drenagem cirúrgica ampla. 
O tratamento de qualquer infecção odontogênica baseia-se em quatro pilares 
fundamentais: 
A. Remoção da Causa (Fundamental) 
Não se espera que o antibiótico faça efeito para intervir. Se o dente tem indicação de 
exodontia, ela deve ser feita o quanto antes (desde que haja abertura bucal e 
controle sistêmico). Se for manter o dente, realiza-se a abertura coronária e a 
pulpotomia/pulpectomia imediata para drenagem via canal radicular. 
B. Drenagem Cirúrgica 
Indicada sempre que houver acúmulo de pus (flutuação) ou para aliviar a pressão 
tecidual na celulite. 
● Realiza-se incisão em pele ou mucosa (em área declive, para favorecer a 
gravidade). 
● Divulsão romba com pinça hemostática (tipo e/ou curva) para romper os 
lóculos da infecção. 
● Instalação de um dreno (ex: dreno de Penrose ou fragmento de luva estéril) 
fixado com sutura, mantido por 48h a 72h. 
C. Suporte Sistêmico e Antibioticoterapia 
O uso de antibióticos é indicado quando há sinais de disseminação sistêmica 
(febre acima de 38°C, linfadenopatia regional, trismo pronunciado, mal-estar geral) 
ou em pacientes imunocomprometidos. 
● Protocolo de Primeira Escolha (Ambulatorial): 
○ Amoxicilina 500mg (de 8h em 8h, por 7 dias). 
○ Para infecções mais severas ou suspeitas de forte componente 
anaeróbio, associa-se: Amoxicilina 500mg + Metronidazol 400mg ou 
o uso de Amoxicilina com Clavulanato de Potássio 875mg. 
● Pacientes Alérgicos à Penicilina: 
○ Azitromicina 500mg (1x ao dia, por 3 a 5 dias). 
 
● Urgências endodônticas / considerar pacientes com comorbidades e/ou 
necessidades especiais 
1. Alterações Pulpares (Dentro do Dente): 
Pulpite Reversível: A polpa está inflamada, mas tem capacidade de cura. Sintoma: 
Dor aguda e breve ao estímulo (frio/doce) que cessa imediatamente ao retirar o 
estímulo. Tratamento: Remoção da cárie e restauração. 
Pulpite Irreversível: Inflamação severa e dolorosa; a polpa não consegue se 
recuperar. Sintoma: Dor espontânea, latejante, que dura muito tempo após o 
estímulo e piora ao deitar. Tratamento: Tratamento de canal (endodontia). 
Necrose Pulpar: É a morte da polpa dentária, frequentemente o estágio final de uma 
pulpite não tratada. Sintoma: Geralmente indolor. O dente não responde aos testes 
de sensibilidade térmica. Tratamento: Tratamento de canal. 
2. Alterações Periapicais (Fora/Ao Redor da Raiz) 
Periodontite Apical Aguda: O ligamento periodontal ao redor da raiz está inflamado. 
Sintoma: Dor ao mastigar ou tocar o dente; o paciente relata sensação de dente 
crescido. Radiografia ainda normal ou com levealargamento do espaço periodontal. 
Periodontite Apical Crônica: Uma inflamação de longa duração e baixa intensidade 
no osso ao redor da raiz. Sintoma: Geralmente assintomática. Descoberta por acaso 
em exames de imagem (ex: presença de lesões como granuloma ou cisto). 
Abscesso Periapical Agudo: É o acúmulo de pus rapidamente no osso e tecidos 
moles ao redor da raiz. Sintoma: Dor excruciante, inchaço (rosto inchado/bochecha), 
febre e sensibilidade extrema. Tratamento: Drenagem de urgência, medicação e 
canal. 
Abscesso Periapical Crônico: O acúmulo de pus encontrou uma saída (uma fístula, 
que parece uma "bolhinha" de pus na gengiva). Sintoma: Geralmente indolor, pois a 
fístula drena a infecção continuamente, aliviando a pressão. 
Manejo de Pacientes com Comorbidades na Urgência: 
Pacientes Cardiopatas / Hipertensos Descompensados 
● O Dilema do Anestésico: A dor e a ansiedade da urgência liberam muito mais 
adrenalina endógena do que a contida em dois tubetes de anestésico. 
Portanto, garantir o controle da dor com anestesia profunda é prioridade. 
● Conduta: Utilizar anestésico com vasoconstritor com técnica rigorosa 
(máximo 2 tubetes de Lidocaína 2% com Adrenalina 1:100.000). Evitar 
totalmente a injeção intravascular através da aspiração prévia. 
● Se a pressão arterial estiver em níveis de crise (ex: > 180/110 mmHg), o 
manejo clínico deve se limitar estritamente ao alívio imediato 
(drenagem/abertura rápida) ou controle medicamentoso inicial em ambiente 
seguro, monitorando os sinais. 
Pacientes Diabéticos 
● Risco de Infecção: Pacientes diabéticos descompensados (HbA1c > 8%) 
possuem resposta imune celular reduzida. Os abscessos periapicais crônicos 
podem evoluir rapidamente para infecções severas de espaços fasciais 
(celulites). 
Pacientes com Insuficiência Renal Crônica 
● Manejo Farmacológico: É o ponto mais crítico na endodontia para esses 
pacientes. O rim afetado não metaboliza ou não excreta fármacos 
adequadamente. 
● Conduta: Evitar totalmente Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINES) 
como Ibuprofeno, Diclofenaco ou Cetoprofeno, pois eles são nefrotóxicos e 
pioram a função renal. 
○ Para o controle da dor pós-operatória de urgência, utilizar Dipirona ou 
Paracetamol. Se a dor for refratária, o uso de opioides (como o 
Tramadol) deve ser discutido com o médico nefrologista para ajuste de 
dose de acordo com a taxa de filtração glomerular. 
Pacientes com Necessidades Especiais (PNE) 
Inclui pacientes com deficiências intelectuais, autismo severo, paralisia cerebral ou 
síndromes que limitam a cooperação na cadeira. 
● Abordagem Inicial: Condicionamento psicológico e técnicas de manejo 
comportamental. O uso de estabilização protetiva temporária e segura pode 
ser necessária se houver risco de acidentes com instrumentos 
perfurocortantes (como as limas endodônticas e brocas de alta rotação). 
● Simplificação do Tratamento na Urgência: O objetivo principal no PNE sob 
atendimento ambulatorial na Clínica Integrada é a eliminação imediata da 
dor e da infecção. 
○ Se o comportamento impedir o isolamento absoluto rigoroso ou as 
múltiplas trocas de limas exigidas em um tratamento de canais 
complexos, a exodontia do elemento causal deve ser considerada 
no plano de tratamento integrado como uma alternativa resolutiva e 
humanizada, evitando submeter o paciente a sessões longas e 
estressantes de dor crônica. 
● Sedação: Caso o procedimento endodôntico precise ser mantido e o 
paciente não coopere de forma alguma, realiza-se o encaminhamento para 
atendimento sob sedação consciente (óxido nitroso), sedação farmacológica 
ou anestesia geral em ambiente hospitalar. 
 
● Princípios dos retentores intrarradiculares 
A indicação de um retentor intrarradicular ocorre quando a estrutura coronária 
remanescente é insuficiente para conferir retenção e estabilidade mecânica para a 
futura restauração/coroa. 
1. O Princípio Biomecânico Fundamental: O Efeito Férula (Ferrule Effect) 
O efeito férula é o "abraço" que a futura coroa dá na estrutura dentária sadia. 
● O que é: É a presença de uma parede vertical de estrutura dentária sadia 
acima do término do preparo. 
● Requisito mínimo: Deve ter no mínimo 1,5 mm a 2 mm de altura e pelo 
menos 1 mm de espessura, envolvendo toda a circunferência do dente (360). 
Para garantir a retenção sem fragilizar o dente ou causar perfurações, o preparo do 
conduto deve seguir regras rígidas de proporção: 
● Comprimento do Pino: 
○ Deve corresponder a 2/3 do comprimento total da raiz, OU 
○ No mínimo, igual à altura da coroa clínica que será restaurada, OU 
○ Deve atingir metade do comprimento da raiz que está suportada por 
osso alveolar sadio. 
Limite Apical (Remanescente Endodôntico): É obrigatório manter, no 
mínimo, 3 mm a 5 mm de obturação endodôntica apical (selamento 
apical). Romper esse limite quebra o vedamento do canal e causa reinfecção 
periapical. 
Diâmetro/Espessura: O diâmetro do pino não deve passar de 1/3 do 
diâmetro total da raiz. Desgastar demais a dentina intrarradicular para 
colocar um pino mais grosso deixa a raiz suscetível a fraturas. 
 
Característica Núcleo Metálico Fundido (NMF) Pino de Fibra de Vidro 
(PFV) 
Módulo de 
Elasticidade 
Muito alto (rígido, não flexiona). 
Difere muito da dentina. 
Semelhante ao módulo de 
elasticidade da dentina. 
Distribuição de 
Tensões 
Concentra forças no ápice da raiz. 
Maior risco de fratura radicular 
catastrófica (incurável). 
Distribui as forças de forma 
homogênea ao longo de 
toda a raiz. 
Tipo de 
Retenção 
Mecânica/Friccional (cimento de 
fosfato de zinco ou resinoso). 
Adesiva (sistema adesivo 
+ cimento resinoso), 
formando um monobloco 
com o dente. 
Estética Desfavorável sob coroas metal-free 
(pode escurecer a gengiva/raiz). 
Excelente. Ideal para 
dentes anteriores e 
cerâmicas puras. 
Indicação 
Principal 
Grandes destruições, onde não há 
efeito férula e as paredes 
dentinárias estão muito delgadas. 
Destruições moderadas, 
onde há efeito férula e 
suporte de dentina. 
 
● Materiais de moldagem 
 
Material Subproduto 
da Reação 
Tempo Ideal 
para 
Vazamento 
do Gesso 
Principais 
Vantagens 
Desvantagens / 
Cuidados 
Críticos 
Alginato 
 
(Hidrocolóide 
Irreversível) 
Não se 
aplica 
(reação de 
gelificação) 
Imediato 
 
(no máximo 
10 a 15 min) 
Baixo custo, 
fácil 
manipulação, 
boa hidrofilia 
(tolera 
umidade). 
Baixa resistência 
ao rasgamento. 
Sofre sinérese 
(perda de água) e 
embebição 
(ganho de água). 
Silicona de 
Condensação 
 
(Elastômero) 
Álcool 
Etílico 
Até 30 a 60 
minutos 
 
(no máximo) 
Custo 
acessível para 
um 
elastômero, 
bom tempo de 
trabalho. 
A evaporação do 
álcool causa alta 
contração linear. 
Pior estabilidade 
dimensional entre 
os elastômeros. 
Silicona de 
Adição 
 
(Elastômero) 
Gás 
Hidrogênio 
 
(em algumas 
marcas) 
Aguardar 
de 15 a 30 
min 
 
(mas o 
molde 
Melhor 
estabilidade 
dimensional 
do mercado, 
excelente 
fidelidade de 
cópia, permite 
Enxofre das luvas 
de látex inibe a 
sua presa 
(manipular com 
luvas de vinil ou 
plástico). Custo 
mais elevado. 
permanece 
estável por 
dias) 
vazamentos 
múltiplos. 
Poliéter 
 
(Elastômero) 
Não possui Pode ser 
vazado em 
algumas 
horas ou 
dias (manter 
em ambiente 
seco) 
Altamente 
hidrofílico 
(excelente 
para copiar 
áreas com leve 
umidade 
fluida), ótima 
precisão. 
Muito rígido após 
a presa (cuidado 
com dentes com 
retração/retidos). 
Gosto 
desagradável. 
Deforma se 
guardado em 
ambiente úmido. 
 
● Resinas compostas associadas a planejamentos reabilitadores 
Indicações Principais em Reabilitação 
● Restabelecimento da Dimensão Vertical de Oclusão (DVO): Pacientes 
com severo desgaste dentário (decorrente de bruxismo, atrição ou 
erosão/biocorrosão) perdem altura facial. A resina composta é o material 
ideal para devolver essa DVO através de acréscimos (overlays/onlays de 
resina) nos dentes posteriores. 
● Guia Anterior e Guias Laterais (Desoclusão): Reabilitaçõesestéticas 
anteriores que visam devolver a Guia Canina e a Guia Incisal, protegendo 
os dentes posteriores de forças nocivas durante os movimentos excursivos 
da mandíbula. 
● Fechamento de Diastemas Múltiplos e Transformações Sorriso: Modificar 
a forma, largura e o posicionamento óptico de dentes conóides ou com 
espaços pretos (black spaces). 
A Sequência Lógica do Planejamento Integrado 
Para que uma reabilitação com resina composta tenha sucesso e longevidade, o 
protocolo clínico deve seguir rigidamente estes passos: 
1. Moldagem/Escaneamento e Modelos de Estudo: Obtenção dos modelos 
diagnósticos. 
2. Registro da Relação Cêntrica (RC) e Montagem em Articulador 
Semi-Ajustável (ASA): Fundamental para planejar o ganho de espaço e a 
nova oclusão se a DVO estiver colapsada. 
3. Enceramento Diagnóstico: O laboratório (ou o próprio dentista) encera em 
cera as anatomias ideais sobre o modelo de gesso. 
4. Ensaio Restaurador (Mock-up): Confecção de uma guia de silicone de 
adição (matriz) a partir do enceramento. Essa guia é preenchida com resina 
bisacrílica e levada à boca do paciente sem desgaste prévio. 
Função do Mock-up: Permite ao paciente e ao profissional avaliar a estética, a 
fonética e, principalmente, a função oclusal antes de iniciar o procedimento 
definitivo. 
5. Restauração Definitiva: Pode ser executada por técnica direta (com auxílio 
de guias de silicone palatinas recortadas a partir do enceramento) ou 
técnicas semi-diretas/indiretas. 
Fatores Críticos para o Sucesso e Longevidade 
● Isolamento Absoluto do Campo Operatório: A presença de umidade 
(saliva, fluido crevicular ou sangue) arruína completamente a união adesiva, 
gerando infiltração marginal, sensibilidade pós-operatória e deslocamento 
precoce das facetas/overlays. 
● Contração de Polimerização: Embora minimizada nos materiais modernos, 
o estresse gerado pela contração ainda existe. Deve-se aplicar a técnica 
incremental (técnica de inserção em incrementos oblíquos menores que 
2mm) para reduzir o Fator C (Fator de Configuração Cavitária) em cavidades 
posteriores. 
● Protocolo de Acabamento e Polimento: Resinas que não recebem um 
polimento rigoroso acumulam mais biofilme bacteriano, mancham com 
facilidade pela dieta e sofrem degradação superficial acelerada. 
 
● Planejamento de Prótese Total (PT) 
1. Exame Clínico e Diagnóstico do Rebordo 
Antes de moldar, é preciso avaliar a área basal (onde a prótese vai se apoiar): 
● Quantidade e Qualidade de Osso: rebordos altos e arredondados dão 
melhor retenção e estabilidade do que rebordos planos ou em "faca". 
● Presença de Hiperplasias (ex: Épulis fissuratum): causadas por próteses 
antigas desadaptadas. 
● Moldagem Anatômica (Preliminar): 
○ Objetivo: Copiar a anatomia geral do rebordo para confeccionar uma 
Moldeira Individual de resina acrílica em laboratório. 
○ Materiais comuns: Alginato ou Godiva em placa. 
● Moldagem Funcional (Definitiva): 
○ Objetivo: Obter o vedamento periférico e copiar os detalhes finos da 
área de suporte. 
○ Passo 1 (Selamento Periférico): Feito com Godiva em bastão de baixa 
fusão (ou elastômeros pesados) nas bordas da moldeira individual, 
realizando movimentos musculares com o paciente (sugar, engolir, 
abrir a boca) para registrar a ação das bridas e freios. 
○ Passo 2 (Moldagem do Corpo): Feito com Pasta Zincoeugenólica ou 
elastômero fluido (Silicona de Adição ou Condensação leve) no interior 
da moldeira individual. 
Planos de Cera e Registros Maxilomandibulares (A Etapa Crítica) 
Após a moldagem funcional, o laboratório envia a Base de Prova com os 
Rodetes/Planos de Cera. É aqui que o dentista planeja a oclusão e a estética do 
paciente. 
A. Ajuste do Plano Superior (Orientação Estética e Protética) 
● Suporte do lábio: A cera é desgastada ou acrescentada na vestibular até 
devolver o volume estético do lábio superior. 
● Corredor Bucal: Avaliar o espaço negro visível nos cantos da boca ao sorrir. 
● Linha de Camper: O plano de cera superior deve ficar paralelo à linha 
imaginária que vai do trago da orelha à asa do nariz. Usa-se o Plano de Fox 
para checar esse paralelismo. 
● Linha Bipupilar: Na visão frontal, o plano anterior deve estar paralelo à linha 
que une as duas pupilas do paciente. 
Determinação das Dimensões e Linhas de Referência 
Com o plano superior ajustado, determinamos: 
● Dimensão Vertical de Repouso (DVR): Altura da face quando a mandíbula 
está relaxada. 
● Dimensão Vertical de Oclusão (DVO): Altura da face quando os dentes estão 
em contato. 
○ Cálculo (Método de Willis): DVO = DVR - 
Espaço~Funcional~Livre~(EFL). O EFL geralmente mede de 2 mm a 4 
mm. 
● Linhas de Referência para a escolha dos dentes: 
○ Linha Média: Coincidente com a linha média da face. 
○ Linha dos Caninos: Marcada nas asas do nariz (indica a largura 
somada dos 6 dentes anteriores). 
○ Linha do Sorriso: Altura máxima que o lábio superior sobe ao sorrir 
(indica a altura dos dentes). 
Registro em Relação Cêntrica (RC) 
A mandíbula deve ser registrada em uma posição anatômica reprodutível, 
independente dos dentes: a Relação Cêntrica. Os planos de cera superior e inferior 
são estabilizados e fixados nessa posição (geralmente com grampos metálicos ou 
pasta zincoeugenólica) para serem montados no Articulador Semi-Ajustável (ASA). 
Seleção dos Dentes Artificiais 
A escolha dos dentes acrílicos baseia-se nas marcações feitas no plano de cera: 
● Forma: Deve harmonizar com o formato do rosto do paciente (quadrado, 
ovoide ou triangular). 
● Tamanho: Ditado pela distância entre as linhas dos caninos (largura) e linha 
do sorriso (altura). 
● Cor: Escolhida com base na idade, tom de pele e preferência do paciente, 
evitando contrastes artificiais exagerados. 
Prova dos Dentes em Cera e Instalação 
● Prova em Cera: É a última chance de fazer modificações. O dentista deve 
checar rigorosamente a estética (linha média, suporte labial), a DVO (se o 
paciente não ficou com aspecto "boca murcha" por falta de dimensão, ou com 
dificuldade de fechar os lábios por excesso) e a fonética (pedir para o 
paciente falar palavras com "S" e "F" para ver se os dentes não batem de 
forma errada). 
● Instalação: Após a acrilização em laboratório, a prótese é entregue. 
Realiza-se o ajuste clínico da base (checando áreas de compressão com 
pasta reveladora, como o Pressure Indicator Paste) e o ajuste oclusal em 
cêntrica e em movimentos excursivos para garantir uma oclusão balanceada 
bilateral. 
 
● Princípios de exodontia / considerar pacientes com comorbidades e/ou 
necessidades especiais 
Princípio de Cunha: A alavanca entra no espaço do ligamento periodontal 
perpendicular ou oblíqua ao dente, gerando forças que o expulsam. 
Fulcro Seguro: O apoio da alavanca deve ser sempre na crista óssea alveolar, 
nunca no dente vizinho. 
Movimento de Rotação: Exclusivo para dentes unirradiculares e de raízes 
cônicas (Incisivos centrais superiores e pré-molares inferiores). 
 
Condição / 
Medicação 
Exame Crítico / 
Limite Clínico 
Conduta e 
Limitação 
Anestésica 
Medidas de 
Hemostasia / 
Cuidados 
Pós-Operatórios 
Hipertensão / 
Cardiopatia 
Pressão Arterial 
nas 
últimas 24h-48h) 
Anestesia 
convencional 
profunda com 
técnica atraumática. 
Planejar cirurgias o 
mais atraumáticas 
possível. Uso de 
agentes hemostáticos 
locais no interior do 
alvéolo e sutura firme. 
Insuficiência 
Renal 
Taxa de Filtração 
Glomerular / 
Avaliação 
Médica 
Anestesia 
convencional 
profunda. Evitar 
bloqueios extensos 
desnecessários. 
PROIBIDO O USO 
DE AINEs (são 
altamente 
nefrotóxicos). Utilizar 
Dipirona ou 
Paracetamol para 
controle da dor. 
Bisfosfonatos 
 
(Alendronato, 
Zoledronato) 
Tempo e via de 
uso (alto risco se 
for via 
Intravenosa) 
Anestesia 
convencional 
profunda. Evitar 
traumas excessivos 
ao osso alveolar. 
Risco de 
Osteonecrose 
(OMAM). Fazer 
cirurgia 
ultra-atraumática, 
antibioticoterapia 
profilática e 
fechamento primário 
do alvéolo. 
● Diagnóstico endodôntico 
Teste Térmico (Geralmente o Frio com Endo-Frost): Avalia a vitalidade da polpa 
(presença de fluxo sanguíneo e resposta nervosa). 
Percussão Vertical: Avalia a presença de inflamação no ligamento periodontal 
(no sentido do longo eixo do dente). 
Percussão Horizontal / Palpação Apical: Avalia inflamação periodontal lateral ou 
a extensão de um abscesso na tábua óssea vestibular/palatina. 
Exame Radiográfico: Fundamental para avaliar o espaço do ligamento periodontal, 
integridade da lâmina dura, presença de lesões periapicais (rarefação óssea) e a 
anatomia interna. 
 
Condiçã
o Pulpar 
Tipo de 
Dor 
(Sintomas
) 
Resposta 
ao Teste 
do Frio 
(Endo-Fro
st) 
Resposta 
à 
Percussã
o / 
Mastigaç
ão 
Achados 
Radiográficos 
Comuns 
Conduta 
Clínica 
Imediata 
Polpa 
Normal 
Ausente. Positiva, 
moderada. 
 
Sente o 
frio, mas a 
sensação 
desaparec
e em 1-2 
segundos. 
Negativa 
(não dói). 
Espaço do 
ligamento 
periodontal e 
lâmina dura 
íntegros. 
Nenhuma 
intervenção 
necessária. 
Pulpite 
Reversí
vel 
Provocad
a (por frio, 
doces, ar) 
e de curta 
duração. 
Cessa 
assim que 
o estímulo 
é 
removido. 
Positiva, 
aguda e 
rápida. 
 
Some 
poucos 
segundos 
após 
Negativa 
(não dói). 
Ausência de 
alterações 
periapicais. Cárie 
ou restauração 
infiltrada evidente. 
Tratamento 
Conservador
: Remoção do 
estímulo + 
Proteção 
pulpar 
direta/indireta 
+ 
Restauração. 
remover o 
estímulo. 
Pulpite 
Irreversí
vel 
Aguda 
Espontân
ea, 
severa, 
lancinante 
e 
contínua. 
Piora ao 
deitar e o 
paciente 
mal 
consegue 
localizar o 
dente. 
Positiva, 
violenta e 
persistent
e. 
 
A dor 
continua 
por 
minutos/ho
ras após 
remover o 
estímulo. 
Negativa 
ou leve 
sensibilid
ade 
(depende 
se já 
atingiu o 
periápice)
. 
Espaço do 
ligamento 
periodontal normal 
ou levemente 
espessado. 
Urgência 
Endodôntica: 
Pulpectomia 
(esvaziament
o do canal) + 
Curativo de 
demora (ex: 
Otosporin). 
Necrose 
Pulpar 
Ausente 
para 
estímulos 
térmicos. 
(Pode 
doer ao 
morder se 
houver 
contamina
ção 
periapical)
. 
Negativa. 
 
O paciente 
não sente 
absolutam
ente nada 
de frio. 
Depende 
do status 
periapical 
(pode ser 
positiva 
ou 
negativa). 
Pode mostrar 
normalidade ou 
rarefação óssea 
periapical 
(lesão/cisto/granul
oma). 
Tratamento 
de Canal: 
Necropulpecto
mia 
(instrumentaç
ão, 
sanificação 
com 
hipoclorito e 
obturação). 
 
 
Diagnóstico 
Periapical 
Resposta à 
Percussão 
Vertical 
Aspecto 
Radiográfico 
Clássico 
Sintomatologia / 
Sinais Clínicos 
Tecidos 
Periapicais 
Normais 
Negativa (Não 
dói) 
Espaço do ligamento 
periodontal íntegro; 
lâmina dura 
preservada. 
Paciente assintomático 
na região apical. 
Pericementite 
Apical Aguda 
Altamente 
Positiva (Dor 
aguda ao 
toque/morder) 
Pode apresentar um 
leve espessamento 
do espaço do 
ligamento 
periodontal. 
Sensação de "dente 
crescido". Pode ocorrer 
tanto em dentes com 
polpa viva (trauma 
oclusal) quanto 
pós-necrose. 
Abscesso 
Alveolar 
Agudo 
Extremamente 
Positiva 
Pode não ter lesão 
visível (fase inicial) 
ou apresentar 
rarefação difusa. 
Presença de edema 
(inchaço) intra ou 
extraoral. Dor pulsátil 
severa, febre e 
linfadenopatia local 
podem estar presentes. 
Periodontite 
Apical Crônica 
Negativa ou 
Leve 
sensibilidade 
Área de rarefação 
óssea periapical 
nítida (lesão 
periapical clássica, 
granuloma ou cisto). 
Geralmente 
assintomático. O dente 
está necrosado e a 
lesão é descoberta em 
radiografias de rotina. 
Abscesso 
Alveolar 
Crônico 
Negativa ou 
Leve 
sensibilidade 
Rarefação óssea 
periapical associada 
ao canal. 
Presença de fístula 
ativa (via de drenagem 
crônica do pus pela 
gengiva). 
 
● Planejamento Cirurgia parendodôntica 
Indicações Clássicas (Onde o tratamento convencional falha) 
A cirurgia parendodôntica não substitui o tratamento de canal bem feito; ela é uma 
alternativa terapêutica indicada em situações específicas: 
● Persistência de Lesão Periapical: Casos onde, mesmo após um tratamento 
e retratamento endodôntico bem executados, a lesão periapical não regride 
(manutenção de sintomas ou fístula). 
● Impossibilidade de Acesso ao Canal (Obstáculos Anatômicos ou 
Mecânicos): 
○ Canais severamente calcificados ou com curvaturas anatômicas 
intransponíveis. 
○ Presença de instrumentos fraturados (limas) no terço apical que não 
podem ser removidos via conduto. 
○ Presença de degraus intransponíveis ou desvios apicais. 
● Impossibilidade de Retratamento por Razões Protéticas: Dentes com 
lesão periapical crônica que possuem núcleos metálicos fundidos 
calibrosos e coroas protéticas estéticas e funcionais. Remover o pino 
metálico envolve alto risco de fratura radicular; a cirurgia resolve o problema 
direto no ápice sem tocar na prótese. 
● Perfurações Radiculares Apicais: Que não puderam ser seladas por via 
interna. 
Contraindicações (Quando não fazer) 
● Razões Periodontais: Dentes com severa perda óssea periodontal 
associada (lesões endo-perio verdadeiras onde o dente perdeu o suporte de 
inserção). 
● Razões Anatômicas de Risco: Proximidade excessiva com estruturas 
anatômicas nobres se o cirurgião não tiver segurança técnica (ex: ápices de 
molares inferiores colados no canal mandibular/nervo alveolar inferior, ou 
ápices de pré-molares superiores dentro do seio maxilar). 
● Condições Sistêmicas Descompensadas: Pacientes cardiopatas, 
diabéticos ou com distúrbios de coagulação graves e não controlados 
(aplicam-se os mesmos critérios rigorosos da tabela de exodontia). 
Modalidades Cirúrgicas (Tipos de Procedimentos) 
Dependendo do caso planejado, a cirurgia pode envolver uma ou mais das 
seguintes modalidades: 
1. Curetagem Periapical: Remoção cirúrgica do tecido patológico (granuloma 
ou cisto) ao redor do ápice radicular, sem cortar a raiz. 
2. Apicectomia: Secção e remoção da porção apical da raiz (geralmente os 3 
mm finais). É nessa região apical onde se encontra o maior número de 
ramificações, canais colaterais e deltas apicais contaminados. 
3. Retroinstrumentação e Obturação Retrógrada: Após cortar o ápice 
(apicectomia), realiza-se o preparo de uma pequena cavidade na ponta 
cortada da raiz (geralmente usando pontas de ultrassom) e sela-se essa 
cavidade com um material biocompatível (como o MTA ou biocerâmicos) para 
impedir a saída de bactérias do canal para o osso. 
 
4. Sequência Clínica e Planejamento Operatório 
O planejamento cirúrgico segue passos sequenciais rigorosos na Clínica: 
1. Exame Radiográfico/Tomográfico: A tomografia computadorizada de feixe 
cônico (cone beam) é o padrão-ouro atual para planejar a extensão exata da 
lesão e a distância das tábuas ósseas e estruturas nobres. 
2. Desenho do Retalho (Incisão): Deve garantir amplo acesso visual e 
preservação do suprimento sanguíneo. Os desenhos mais comuns são: 
○ Retalho de Neumann (ou Triangular/Trapezoidal): Incisão intrasulcular 
combinada com uma ou duas incisões relaxantes verticais. Dá 
excelente acesso. 
○ Retalho Semilunar (Partsch): Incisão curva na mucosa alveolar. Evita 
tocar na margem gengival (ótimo para coroas estéticas), mas limita o 
acesso visual e tem pior cicatrização.3. Osteotomia: Remoção de uma "janela" da tábua óssea vestibular com 
brocas esféricas em alta rotação sob abundante irrigação com soro 
fisiológico estéril, até expor o ápice radicular e a lesão. 
4. Curetagem e Apicectomia: Remoção do tecido de granulação e corte de 3 
mm do ápice em um ângulo perpendicular ao longo eixo do dente (bisel zero 
ou mínimo, para expor menos túbulos dentinários). 
5. Confecção da Retrocavidade e Obturação Retrógrada: Limpeza do 
espaço com ultrassom, secagem com cones de papel invertidos e inserção 
do MTA. 
6. Sutura: Reposicionamento do retalho e sutura minuciosa (geralmente com 
fios finos de nylon 4-0 ou 5-0). 
 
 
 
 
 
 
 
	1. Diabetes Mellitus (Relação Bidirecional) 
	2. Pacientes Cardiopatas e Hipertensos 
	3. Pacientes em Uso de Anticoagulantes ou Antiagregantes Plaquetários 
	4. Gestantes (A "Periodontite Gravídica") 
	1. Indicações Estéticas 
	2. Indicações Protéticas e Funcionais 
	Etapas do Acesso Coronário 
	2. Disseminação pelos Espaços Fasciais (Anatomia Cirúrgica) 
	Emergência Médica: Angina de Ludwig 
	A. Remoção da Causa (Fundamental) 
	B. Drenagem Cirúrgica 
	C. Suporte Sistêmico e Antibioticoterapia 
	Pacientes Cardiopatas / Hipertensos Descompensados 
	Pacientes Diabéticos 
	Pacientes com Insuficiência Renal Crônica 
	Pacientes com Necessidades Especiais (PNE) 
	1. O Princípio Biomecânico Fundamental: O Efeito Férula (Ferrule Effect) 
	Indicações Principais em Reabilitação 
	A Sequência Lógica do Planejamento Integrado 
	Fatores Críticos para o Sucesso e Longevidade 
	1. Exame Clínico e Diagnóstico do Rebordo 
	Planos de Cera e Registros Maxilomandibulares (A Etapa Crítica) 
	A. Ajuste do Plano Superior (Orientação Estética e Protética) 
	Determinação das Dimensões e Linhas de Referência 
	Registro em Relação Cêntrica (RC) 
	Seleção dos Dentes Artificiais 
	Prova dos Dentes em Cera e Instalação 
	Indicações Clássicas (Onde o tratamento convencional falha) 
	Contraindicações (Quando não fazer) 
	Modalidades Cirúrgicas (Tipos de Procedimentos) 
	4. Sequência Clínica e Planejamento Operatório

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