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Revisão Integrada I Np2
● Lesões cervicais não cariosas
As LCNCs são caracterizadas pela perda crônica e progressiva de tecido duro
dentário (esmalte, dentina e cemento) na região do colo do dente, sem o
envolvimento de microrganismos (bactérias). A etiologia atual é considerada
multifatorial e sinérgica, ou seja, raramente um fator atua sozinho.
Abfração Perda de tecido por
forças oclusais
excêntricas (tração
e compressão) que
causam a flexão do
dente. Os prismas
de esmalte se
quebram na região
cervical.
Lesão em formato
de cunha ou "V",
com ângulos
internos nítidos e
margens bem
definidas.
Bruxismo,
apertamento,
contatos prematuros
e interferências
oclusais.
Abrasão Desgaste mecânico
patológico
decorrente da
fricção repetida de
objetos ou
substâncias
externas contra os
dentes.
Lesão mais ampla,
rasa, de formato
arredondado ou em
"pires", com
contornos suaves.
Escovação
traumática (força
excessiva, cerdas
duras), uso de
cremes dentais
altamente abrasivos,
hábitos como morder
caneta ou grampos.
Erosão Degradação
química da estrutura
dentária por ação
de ácidos (sem o
envolvimento de
bactérias).
Lesão côncava,
rasa, com aspecto
liso, polido e
arredondado. Em
casos severos, pode
haver preservação
de uma "borda" de
esmalte na gengiva.
Extrínseca: Dieta
ácida (refrigerantes,
sucos cítricos, vinho).
Intrínseca: Refluxo
gastroesofágico(DRG
E), bulimia, azia
crônica.
Muitas LCNCs crônicas apresentam dentina esclerótica (hipermineralizada, com
túbulos obliterados e aspecto escurecido/vítreo).
Conduta clínica: Para garantir uma boa camada híbrida e a retenção da
restauração, recomenda-se realizar uma leve asperização mecânica com ponta
diamantada fina ou otimizar o protocolo adesivo (como o uso de sistemas
autocondicionantes associados ao condicionamento seletivo de esmalte).
● Tratamento/manejo de doenças periodontais/ considerar pacientes com
comorbidades
1. Diabetes Mellitus (Relação Bidirecional)
A relação entre a doença periodontal e o diabetes é bidirecional: o diabetes
descontrolado hiperativa a resposta inflamatória, acelerando a destruição
periodontal; e a infecção periodontal severa dificulta o controle glicêmico (aumenta a
resistência à insulina).
Conduta Clínica e Manejo:
Avaliação de Exames: Sempre solicitar e verificar o exame de Hemoglobina
Glicada (HbA1c) recente.
● Valor ideal/controlado: Abaixo de 7%.
● Valores entre 7% e 8%: Paciente moderado, proceder com cautela.
● Valores acima de 8%: Alto risco de infecção e cicatrização deficiente.
Procedimentos eletivos (como cirurgias periodontais) devem ser adiados até
a compensação metabólica.
Protocolo de Atendimento: Consultas preferencialmente no período da manhã
(maior nível de cortisol endógeno, o que reduz o risco de hipoglicemia).
Alimentação: Confirmar se o paciente tomou a medicação/insulina e se alimentou
adequadamente antes da consulta para evitar crises hipoglicêmicas na cadeira.
2. Pacientes Cardiopatas e Hipertensos
O estresse e a dor durante o atendimento periodontal podem liberar catecolaminas
(adrenalina) endógenas, elevando a pressão arterial e a frequência cardíaca.
Conduta Clínica e Manejo:
● Aferição da Pressão Arterial (PA): Obrigatória antes de iniciar qualquer
procedimento. Se a PA estiver muito elevada (ex: acima de 160/100 mmHg),
os procedimentos eletivos devem ser adiados.
● Uso de anestésicos: O uso de vasoconstritor (como a Adrenalina
1:100.000) não é proibido para hipertensos controlados. Pelo contrário,
garante uma anestesia profunda, evitando a liberação de adrenalina pelo
próprio medo/dor do paciente.
Regra de ouro: Limitar a no máximo 2 tubetes de lidocaína com adrenalina
1:100.000 por consulta e evitar injeção intravascular. Para cardiopatas graves ou
arritmias não controladas, avalia-se o uso de anestésicos sem vasoconstritor (como
a Prilocaína com Felipressina ou Mepivacaína a 3%).
Profilaxia Antibiótica: Necessária para raspagens subgengivais apenas em
pacientes de alto risco para Endocardite Bacteriana (ex: portadores de próteses
valvares cardíacas, histórico prévio de endocardite ou cardiopatias congênitas
cianóticas não corrigidas). O protocolo padrão é Amoxicilina 2g (ou Clindamicina
600mg se alérgico) via oral, 1 hora antes do procedimento.
3. Pacientes em Uso de Anticoagulantes ou Antiagregantes Plaquetários
A terapia periodontal (especialmente a raspagem sub gengival severa e cirurgias)
envolve sangramento.
Conduta Clínica e Manejo: Antiagregantes (AAS / Aspirina, Clopidogrel): NÃO
se deve suspender o AAS para a realização de raspagem periodontal ou pequenas
cirurgias. O risco de um evento trombótico ou infarto pela suspensão é muito maior
do que o risco de sangramento local, que pode ser controlado com medidas de
hemostasia local (compressão com gaze, sutura, uso de esponja de colágeno ou
fibrina).
Anticoagulantes Orais (Varfarina / Marevan): Exigem a avaliação do exame de
sangue INR (Relação Normalizada Internacional) feito nas últimas 24 a 48 horas.
INR ideal para procedimentos clínicos: Abaixo de 3,0 (em alguns casos
aceita-se até 3,5). Acima disso, há alto risco de hemorragia e o médico assistente
deve ser consultado para ajustar a dose, se necessário.
4. Gestantes (A "Periodontite Gravídica")
As alterações hormonais (aumento de progesterona e estrogênio) na gravidez
modificam a permeabilidade vascular, exacerbando a resposta inflamatória da
gengiva à placa bacteriana presente. Além disso, a periodontite severa está
associada a riscos de parto prematuro e recém-nascido de baixo peso.
Conduta Clínica e Manejo:
Época Ideal de Atendimento: O segundo trimestre (entre o 4º e o 6º mês) é o
período mais seguro e confortável para realizar o tratamento periodontal. No
primeiro trimestre há organogênese fetal e enjoos frequentes; no terceiro, o
tamanho do útero causa desconforto na cadeira odontológica (risco de hipotensão
supina).
Posicionamento na Cadeira: No terceiro trimestre, se necessário o atendimento,
posicionar a gestante levemente inclinada para o lado esquerdo para evitar a
compressão da veia cava inferior pelo útero.
Controle de Placa: O foco principal deve ser a raspagem supra e subgengival
minuciosa e uma rigorosa instrução de higiene oral para neutralizar a influência
hormonal na gengiva.
● Indicações de Aumento de Coroa Clínica (ACC)
O objetivo principal do ACC é expor a estrutura dentária sadia supra-gengival. Isso
pode ser feito por meio de gengivectomia (remediação apenas em tecido mole,
quando há faixa de gengiva queratinizada suficiente) ou cirurgia a retalho com
osteotomia (remoção de osso para restabelecer o espaço biológico).
1. Indicações Estéticas
Focadas na harmonia do sorriso e na proporção dos dentes anteriores.
● Sorriso Gengival: Pacientes que expõem uma quantidade excessiva de
gengiva ao sorrir.
● Assimetria do Zênite Gengival: Correção do contorno cervical da gengiva
para nivelar a altura dos dentes homólogos (ex: deixar os dois incisivos
centrais com a mesma altura gengival).
● Dentes Curtos (Microdontia Relativa): Ampliar a coroa clínica de dentes
que parecem muito pequenos, melhorando a proporção entre altura e largura.
2. Indicações Protéticas e Funcionais
Focadas na viabilização e na longevidade de restaurações e próteses unitárias.
● Invasão do Espaço Biológico: Quando uma restauração antiga, cárie
profunda ou fratura se estende abaixo da margem gengival, invadindo os
tecidos de inserção (epitélio juncional e inserção conjuntiva).
● Falta de Retenção Mecânica: Dentes severamente destruídos por cárie ou
trauma.
● Perfurações Radiculares ou Reabsorções Cervicais Externas: Permite o
acesso visual e mecânico para que o profissional possa isolar e selar
adequadamente a perfuração/lesão na região cervical.
● Garantia do Efeito Férula (Ferrule Effect): Para cimentar uma coroa com
segurança (especialmente em dentes tratados endodonticamentecom
pino/núcleo), é necessário que haja pelo menos 1,5 mm a 2 mm de
estrutura dentária sadia vertical acima do término do preparo, abraçando o
dente.
● Anatomia e acesso coronário em Endodontia
Etapas do Acesso Coronário
1. Ponto de Eleição: É o local exato na superfície externa do dente onde a
broca deve iniciar o desgaste.
○ Dentes Anteriores: Face palatina/lingual, cerca de 1 a 2 mm abaixo
do cíngulo (superior) e acima do cíngulo (inferior)
○ Dentes Posteriores: Face oclusal, no centro da fossa central.
2. Direção de Acesso: A inclinação que a broca deve ter para alcançar a
câmara pulpar com segurança.
○ Dentes Anteriores: Inicialmente perpendicular à face palatina e, após
romper o esmalte, muda-se a direção para ficar paralela ao longo
eixo do dente para evitar perfuração vestibular ou lingual.
○ Dentes Posteriores: Paralela ao longo eixo do dente, direcionada ao
corno pulpar mais volumoso (geralmente o palatino nos superiores e o
mésio-vestibular nos inferiores).
3. Forma de Contorno: É o desenho final da abertura na superfície do dente,
ditado pela anatomia interna da câmara pulpar de cada grupo dental.
Grupo Dental Forma de
Contorno
Particularidades Anatômicas Importantes
Incisivos
Centrais
Superiores
Triangular (base
voltada para
incisal)
Canal único, amplo e reto. Rara incidência
de variações.
Incisivos
Laterais
Superiores
Triangular ou Oval Canal único, mas apresenta frequentemente
uma curvatura apical para a
palatina/distal.
Incisivos
Inferiores
(Centrais e
Laterais)
triangular com
ângulos
arredondados,
podendo
apresentar uma
variação ovalada.
Atenção extrema: Alta incidência de 2
canais (um vestibular e um lingual). O canal
lingual costuma ser "escondido" por um
ombro de dentina; negligenciá-lo causa
insucesso no tratamento.
Caninos
(Superiores e
Inferiores)
Oval/Ovóide Dentes mais longos do arco. Canal único e
amplo no sentido vestíbulo-lingual.
1ºPré-Molar
Superior
Oval (alongada no
sentido
vestíbulo-palatino)
Apresenta 2 canais bem definidos (1
vestibular e 1 palatino) na grande maioria
dos casos (>80%). Pode apresentar duas
raízes distintas.
2ºPré-Molar
Superior
Oval Geralmente possui 1 canal, mas variações
com 2 canais são comuns.
Pré-Molares
Inferiores
Circular / Oval Geralmente 1 canal, mas o 1º pré-molar
inferior pode apresentar bifurcações
complexas no terço apical.
1ºMolar
Superior
Trapezoidal com
base maior para a
vestibular (ou
Triangular)
Apresenta tipicamente 3 raízes e 4 canais.
O MV2 (segundo canal da raiz
mésio-vestibular) está presente em mais
de 70% dos casos e fica localizado na linha
que une o canal mésio-vestibular ao
palatino.
1ºMolar Inferior Trapezoidal ou
Retangular
Apresenta tipicamente 2 raízes (mesial e
distal) e 3 a 4 canais. A raiz mesial tem
sempre 2 canais (Mesiovestibular e
Mesiolingual). A raiz distal pode ter 1 canal
amplo ou 2 canais (Distovestibular e
Distolingual).
Instrumentação de Abertura: A penetração inicial (rompimento do teto) é feita com
alta rotação e brocas esféricas diamantadas (ex: 1012, 1014). A remoção do teto e
divergência das paredes (forma de conveniência) é feita com brocas de ponta
inativa (ex: Endo-Z ou diamantada 3082) para evitar perfurações no assoalho
pulpar.
● Infecções odontogênicas no âmbito da cirurgia
A microbiota das infecções odontogênicas é mista (polimicrobiana), envolvendo
bactérias aeróbias e anaeróbias. O quadro clínico evolui em estágios bem definidos:
Inoculação (Dias 1 a 3): Predomínio de bactérias aeróbias (Streptococcus).
Clinicamente, há edema difuso, mole, levemente doloroso e consistência
edematosa.
Celulite (Dias 3 a 5): Fase aguda e altamente destrutiva. Coexistência de aeróbios
e anaeróbios. O edema torna-se endurecido ("tábua"), vermelho, quente e
extremamente doloroso, sem limites precisos. É a fase mais perigosa para a
disseminação.
Abscesso (Dias 5 a 7): Predomínio de bactérias anaeróbias estritas. A infecção
torna-se localizada, com flutuação central (pus) e limites bem definidos. A dor tende
a diminuir devido à menor pressão nos tecidos circundantes.
2. Disseminação pelos Espaços Fasciais (Anatomia Cirúrgica)
Quando a infecção rompe a cortical óssea, ela se espalha pelos tecidos moles. O
caminho que o pus adota é ditado pela inserção dos músculos em relação ao
ápice dentário.
● Dentes Maxilares: Podem drenar para o espaço vestibular, canino
(causando edema infraorbital e risco de trombose do seio cavernoso) ou
infratemporal.
● Molares Inferiores (Relação com o Músculo Milo-hióideo):
Se o ápice da raiz estiver acima da inserção do músculo milo-hióideo, a infecção vai
para o Espaço Sublingual (assoalho da boca).
Se o ápice estiver abaixo da inserção (comum no 2º e 3º molares inferiores), a
infecção vai para o Espaço Submandibular (região do pescoço).
Emergência Médica: Angina de Ludwig
É uma celulite grave, bilateral, que envolve simultaneamente três espaços fasciais:
submandibular, sublingual e submentual.
● Sinais clínicos de alerta: Elevação e posteriorização da língua, trismo
severo, disfagia (dificuldade de engolir), odinofagia (dor ao engolir) e
dispneia (dificuldade de respirar).
● Conduta: Encaminhamento imediato para ambiente hospitalar para
manutenção das vias aéreas (intubação/traqueostomia), antibioticoterapia
intravenosa e drenagem cirúrgica ampla.
O tratamento de qualquer infecção odontogênica baseia-se em quatro pilares
fundamentais:
A. Remoção da Causa (Fundamental)
Não se espera que o antibiótico faça efeito para intervir. Se o dente tem indicação de
exodontia, ela deve ser feita o quanto antes (desde que haja abertura bucal e
controle sistêmico). Se for manter o dente, realiza-se a abertura coronária e a
pulpotomia/pulpectomia imediata para drenagem via canal radicular.
B. Drenagem Cirúrgica
Indicada sempre que houver acúmulo de pus (flutuação) ou para aliviar a pressão
tecidual na celulite.
● Realiza-se incisão em pele ou mucosa (em área declive, para favorecer a
gravidade).
● Divulsão romba com pinça hemostática (tipo e/ou curva) para romper os
lóculos da infecção.
● Instalação de um dreno (ex: dreno de Penrose ou fragmento de luva estéril)
fixado com sutura, mantido por 48h a 72h.
C. Suporte Sistêmico e Antibioticoterapia
O uso de antibióticos é indicado quando há sinais de disseminação sistêmica
(febre acima de 38°C, linfadenopatia regional, trismo pronunciado, mal-estar geral)
ou em pacientes imunocomprometidos.
● Protocolo de Primeira Escolha (Ambulatorial):
○ Amoxicilina 500mg (de 8h em 8h, por 7 dias).
○ Para infecções mais severas ou suspeitas de forte componente
anaeróbio, associa-se: Amoxicilina 500mg + Metronidazol 400mg ou
o uso de Amoxicilina com Clavulanato de Potássio 875mg.
● Pacientes Alérgicos à Penicilina:
○ Azitromicina 500mg (1x ao dia, por 3 a 5 dias).
● Urgências endodônticas / considerar pacientes com comorbidades e/ou
necessidades especiais
1. Alterações Pulpares (Dentro do Dente):
Pulpite Reversível: A polpa está inflamada, mas tem capacidade de cura. Sintoma:
Dor aguda e breve ao estímulo (frio/doce) que cessa imediatamente ao retirar o
estímulo. Tratamento: Remoção da cárie e restauração.
Pulpite Irreversível: Inflamação severa e dolorosa; a polpa não consegue se
recuperar. Sintoma: Dor espontânea, latejante, que dura muito tempo após o
estímulo e piora ao deitar. Tratamento: Tratamento de canal (endodontia).
Necrose Pulpar: É a morte da polpa dentária, frequentemente o estágio final de uma
pulpite não tratada. Sintoma: Geralmente indolor. O dente não responde aos testes
de sensibilidade térmica. Tratamento: Tratamento de canal.
2. Alterações Periapicais (Fora/Ao Redor da Raiz)
Periodontite Apical Aguda: O ligamento periodontal ao redor da raiz está inflamado.
Sintoma: Dor ao mastigar ou tocar o dente; o paciente relata sensação de dente
crescido. Radiografia ainda normal ou com levealargamento do espaço periodontal.
Periodontite Apical Crônica: Uma inflamação de longa duração e baixa intensidade
no osso ao redor da raiz. Sintoma: Geralmente assintomática. Descoberta por acaso
em exames de imagem (ex: presença de lesões como granuloma ou cisto).
Abscesso Periapical Agudo: É o acúmulo de pus rapidamente no osso e tecidos
moles ao redor da raiz. Sintoma: Dor excruciante, inchaço (rosto inchado/bochecha),
febre e sensibilidade extrema. Tratamento: Drenagem de urgência, medicação e
canal.
Abscesso Periapical Crônico: O acúmulo de pus encontrou uma saída (uma fístula,
que parece uma "bolhinha" de pus na gengiva). Sintoma: Geralmente indolor, pois a
fístula drena a infecção continuamente, aliviando a pressão.
Manejo de Pacientes com Comorbidades na Urgência:
Pacientes Cardiopatas / Hipertensos Descompensados
● O Dilema do Anestésico: A dor e a ansiedade da urgência liberam muito mais
adrenalina endógena do que a contida em dois tubetes de anestésico.
Portanto, garantir o controle da dor com anestesia profunda é prioridade.
● Conduta: Utilizar anestésico com vasoconstritor com técnica rigorosa
(máximo 2 tubetes de Lidocaína 2% com Adrenalina 1:100.000). Evitar
totalmente a injeção intravascular através da aspiração prévia.
● Se a pressão arterial estiver em níveis de crise (ex: > 180/110 mmHg), o
manejo clínico deve se limitar estritamente ao alívio imediato
(drenagem/abertura rápida) ou controle medicamentoso inicial em ambiente
seguro, monitorando os sinais.
Pacientes Diabéticos
● Risco de Infecção: Pacientes diabéticos descompensados (HbA1c > 8%)
possuem resposta imune celular reduzida. Os abscessos periapicais crônicos
podem evoluir rapidamente para infecções severas de espaços fasciais
(celulites).
Pacientes com Insuficiência Renal Crônica
● Manejo Farmacológico: É o ponto mais crítico na endodontia para esses
pacientes. O rim afetado não metaboliza ou não excreta fármacos
adequadamente.
● Conduta: Evitar totalmente Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINES)
como Ibuprofeno, Diclofenaco ou Cetoprofeno, pois eles são nefrotóxicos e
pioram a função renal.
○ Para o controle da dor pós-operatória de urgência, utilizar Dipirona ou
Paracetamol. Se a dor for refratária, o uso de opioides (como o
Tramadol) deve ser discutido com o médico nefrologista para ajuste de
dose de acordo com a taxa de filtração glomerular.
Pacientes com Necessidades Especiais (PNE)
Inclui pacientes com deficiências intelectuais, autismo severo, paralisia cerebral ou
síndromes que limitam a cooperação na cadeira.
● Abordagem Inicial: Condicionamento psicológico e técnicas de manejo
comportamental. O uso de estabilização protetiva temporária e segura pode
ser necessária se houver risco de acidentes com instrumentos
perfurocortantes (como as limas endodônticas e brocas de alta rotação).
● Simplificação do Tratamento na Urgência: O objetivo principal no PNE sob
atendimento ambulatorial na Clínica Integrada é a eliminação imediata da
dor e da infecção.
○ Se o comportamento impedir o isolamento absoluto rigoroso ou as
múltiplas trocas de limas exigidas em um tratamento de canais
complexos, a exodontia do elemento causal deve ser considerada
no plano de tratamento integrado como uma alternativa resolutiva e
humanizada, evitando submeter o paciente a sessões longas e
estressantes de dor crônica.
● Sedação: Caso o procedimento endodôntico precise ser mantido e o
paciente não coopere de forma alguma, realiza-se o encaminhamento para
atendimento sob sedação consciente (óxido nitroso), sedação farmacológica
ou anestesia geral em ambiente hospitalar.
● Princípios dos retentores intrarradiculares
A indicação de um retentor intrarradicular ocorre quando a estrutura coronária
remanescente é insuficiente para conferir retenção e estabilidade mecânica para a
futura restauração/coroa.
1. O Princípio Biomecânico Fundamental: O Efeito Férula (Ferrule Effect)
O efeito férula é o "abraço" que a futura coroa dá na estrutura dentária sadia.
● O que é: É a presença de uma parede vertical de estrutura dentária sadia
acima do término do preparo.
● Requisito mínimo: Deve ter no mínimo 1,5 mm a 2 mm de altura e pelo
menos 1 mm de espessura, envolvendo toda a circunferência do dente (360).
Para garantir a retenção sem fragilizar o dente ou causar perfurações, o preparo do
conduto deve seguir regras rígidas de proporção:
● Comprimento do Pino:
○ Deve corresponder a 2/3 do comprimento total da raiz, OU
○ No mínimo, igual à altura da coroa clínica que será restaurada, OU
○ Deve atingir metade do comprimento da raiz que está suportada por
osso alveolar sadio.
Limite Apical (Remanescente Endodôntico): É obrigatório manter, no
mínimo, 3 mm a 5 mm de obturação endodôntica apical (selamento
apical). Romper esse limite quebra o vedamento do canal e causa reinfecção
periapical.
Diâmetro/Espessura: O diâmetro do pino não deve passar de 1/3 do
diâmetro total da raiz. Desgastar demais a dentina intrarradicular para
colocar um pino mais grosso deixa a raiz suscetível a fraturas.
Característica Núcleo Metálico Fundido (NMF) Pino de Fibra de Vidro
(PFV)
Módulo de
Elasticidade
Muito alto (rígido, não flexiona).
Difere muito da dentina.
Semelhante ao módulo de
elasticidade da dentina.
Distribuição de
Tensões
Concentra forças no ápice da raiz.
Maior risco de fratura radicular
catastrófica (incurável).
Distribui as forças de forma
homogênea ao longo de
toda a raiz.
Tipo de
Retenção
Mecânica/Friccional (cimento de
fosfato de zinco ou resinoso).
Adesiva (sistema adesivo
+ cimento resinoso),
formando um monobloco
com o dente.
Estética Desfavorável sob coroas metal-free
(pode escurecer a gengiva/raiz).
Excelente. Ideal para
dentes anteriores e
cerâmicas puras.
Indicação
Principal
Grandes destruições, onde não há
efeito férula e as paredes
dentinárias estão muito delgadas.
Destruições moderadas,
onde há efeito férula e
suporte de dentina.
● Materiais de moldagem
Material Subproduto
da Reação
Tempo Ideal
para
Vazamento
do Gesso
Principais
Vantagens
Desvantagens /
Cuidados
Críticos
Alginato
(Hidrocolóide
Irreversível)
Não se
aplica
(reação de
gelificação)
Imediato
(no máximo
10 a 15 min)
Baixo custo,
fácil
manipulação,
boa hidrofilia
(tolera
umidade).
Baixa resistência
ao rasgamento.
Sofre sinérese
(perda de água) e
embebição
(ganho de água).
Silicona de
Condensação
(Elastômero)
Álcool
Etílico
Até 30 a 60
minutos
(no máximo)
Custo
acessível para
um
elastômero,
bom tempo de
trabalho.
A evaporação do
álcool causa alta
contração linear.
Pior estabilidade
dimensional entre
os elastômeros.
Silicona de
Adição
(Elastômero)
Gás
Hidrogênio
(em algumas
marcas)
Aguardar
de 15 a 30
min
(mas o
molde
Melhor
estabilidade
dimensional
do mercado,
excelente
fidelidade de
cópia, permite
Enxofre das luvas
de látex inibe a
sua presa
(manipular com
luvas de vinil ou
plástico). Custo
mais elevado.
permanece
estável por
dias)
vazamentos
múltiplos.
Poliéter
(Elastômero)
Não possui Pode ser
vazado em
algumas
horas ou
dias (manter
em ambiente
seco)
Altamente
hidrofílico
(excelente
para copiar
áreas com leve
umidade
fluida), ótima
precisão.
Muito rígido após
a presa (cuidado
com dentes com
retração/retidos).
Gosto
desagradável.
Deforma se
guardado em
ambiente úmido.
● Resinas compostas associadas a planejamentos reabilitadores
Indicações Principais em Reabilitação
● Restabelecimento da Dimensão Vertical de Oclusão (DVO): Pacientes
com severo desgaste dentário (decorrente de bruxismo, atrição ou
erosão/biocorrosão) perdem altura facial. A resina composta é o material
ideal para devolver essa DVO através de acréscimos (overlays/onlays de
resina) nos dentes posteriores.
● Guia Anterior e Guias Laterais (Desoclusão): Reabilitaçõesestéticas
anteriores que visam devolver a Guia Canina e a Guia Incisal, protegendo
os dentes posteriores de forças nocivas durante os movimentos excursivos
da mandíbula.
● Fechamento de Diastemas Múltiplos e Transformações Sorriso: Modificar
a forma, largura e o posicionamento óptico de dentes conóides ou com
espaços pretos (black spaces).
A Sequência Lógica do Planejamento Integrado
Para que uma reabilitação com resina composta tenha sucesso e longevidade, o
protocolo clínico deve seguir rigidamente estes passos:
1. Moldagem/Escaneamento e Modelos de Estudo: Obtenção dos modelos
diagnósticos.
2. Registro da Relação Cêntrica (RC) e Montagem em Articulador
Semi-Ajustável (ASA): Fundamental para planejar o ganho de espaço e a
nova oclusão se a DVO estiver colapsada.
3. Enceramento Diagnóstico: O laboratório (ou o próprio dentista) encera em
cera as anatomias ideais sobre o modelo de gesso.
4. Ensaio Restaurador (Mock-up): Confecção de uma guia de silicone de
adição (matriz) a partir do enceramento. Essa guia é preenchida com resina
bisacrílica e levada à boca do paciente sem desgaste prévio.
Função do Mock-up: Permite ao paciente e ao profissional avaliar a estética, a
fonética e, principalmente, a função oclusal antes de iniciar o procedimento
definitivo.
5. Restauração Definitiva: Pode ser executada por técnica direta (com auxílio
de guias de silicone palatinas recortadas a partir do enceramento) ou
técnicas semi-diretas/indiretas.
Fatores Críticos para o Sucesso e Longevidade
● Isolamento Absoluto do Campo Operatório: A presença de umidade
(saliva, fluido crevicular ou sangue) arruína completamente a união adesiva,
gerando infiltração marginal, sensibilidade pós-operatória e deslocamento
precoce das facetas/overlays.
● Contração de Polimerização: Embora minimizada nos materiais modernos,
o estresse gerado pela contração ainda existe. Deve-se aplicar a técnica
incremental (técnica de inserção em incrementos oblíquos menores que
2mm) para reduzir o Fator C (Fator de Configuração Cavitária) em cavidades
posteriores.
● Protocolo de Acabamento e Polimento: Resinas que não recebem um
polimento rigoroso acumulam mais biofilme bacteriano, mancham com
facilidade pela dieta e sofrem degradação superficial acelerada.
● Planejamento de Prótese Total (PT)
1. Exame Clínico e Diagnóstico do Rebordo
Antes de moldar, é preciso avaliar a área basal (onde a prótese vai se apoiar):
● Quantidade e Qualidade de Osso: rebordos altos e arredondados dão
melhor retenção e estabilidade do que rebordos planos ou em "faca".
● Presença de Hiperplasias (ex: Épulis fissuratum): causadas por próteses
antigas desadaptadas.
● Moldagem Anatômica (Preliminar):
○ Objetivo: Copiar a anatomia geral do rebordo para confeccionar uma
Moldeira Individual de resina acrílica em laboratório.
○ Materiais comuns: Alginato ou Godiva em placa.
● Moldagem Funcional (Definitiva):
○ Objetivo: Obter o vedamento periférico e copiar os detalhes finos da
área de suporte.
○ Passo 1 (Selamento Periférico): Feito com Godiva em bastão de baixa
fusão (ou elastômeros pesados) nas bordas da moldeira individual,
realizando movimentos musculares com o paciente (sugar, engolir,
abrir a boca) para registrar a ação das bridas e freios.
○ Passo 2 (Moldagem do Corpo): Feito com Pasta Zincoeugenólica ou
elastômero fluido (Silicona de Adição ou Condensação leve) no interior
da moldeira individual.
Planos de Cera e Registros Maxilomandibulares (A Etapa Crítica)
Após a moldagem funcional, o laboratório envia a Base de Prova com os
Rodetes/Planos de Cera. É aqui que o dentista planeja a oclusão e a estética do
paciente.
A. Ajuste do Plano Superior (Orientação Estética e Protética)
● Suporte do lábio: A cera é desgastada ou acrescentada na vestibular até
devolver o volume estético do lábio superior.
● Corredor Bucal: Avaliar o espaço negro visível nos cantos da boca ao sorrir.
● Linha de Camper: O plano de cera superior deve ficar paralelo à linha
imaginária que vai do trago da orelha à asa do nariz. Usa-se o Plano de Fox
para checar esse paralelismo.
● Linha Bipupilar: Na visão frontal, o plano anterior deve estar paralelo à linha
que une as duas pupilas do paciente.
Determinação das Dimensões e Linhas de Referência
Com o plano superior ajustado, determinamos:
● Dimensão Vertical de Repouso (DVR): Altura da face quando a mandíbula
está relaxada.
● Dimensão Vertical de Oclusão (DVO): Altura da face quando os dentes estão
em contato.
○ Cálculo (Método de Willis): DVO = DVR -
Espaço~Funcional~Livre~(EFL). O EFL geralmente mede de 2 mm a 4
mm.
● Linhas de Referência para a escolha dos dentes:
○ Linha Média: Coincidente com a linha média da face.
○ Linha dos Caninos: Marcada nas asas do nariz (indica a largura
somada dos 6 dentes anteriores).
○ Linha do Sorriso: Altura máxima que o lábio superior sobe ao sorrir
(indica a altura dos dentes).
Registro em Relação Cêntrica (RC)
A mandíbula deve ser registrada em uma posição anatômica reprodutível,
independente dos dentes: a Relação Cêntrica. Os planos de cera superior e inferior
são estabilizados e fixados nessa posição (geralmente com grampos metálicos ou
pasta zincoeugenólica) para serem montados no Articulador Semi-Ajustável (ASA).
Seleção dos Dentes Artificiais
A escolha dos dentes acrílicos baseia-se nas marcações feitas no plano de cera:
● Forma: Deve harmonizar com o formato do rosto do paciente (quadrado,
ovoide ou triangular).
● Tamanho: Ditado pela distância entre as linhas dos caninos (largura) e linha
do sorriso (altura).
● Cor: Escolhida com base na idade, tom de pele e preferência do paciente,
evitando contrastes artificiais exagerados.
Prova dos Dentes em Cera e Instalação
● Prova em Cera: É a última chance de fazer modificações. O dentista deve
checar rigorosamente a estética (linha média, suporte labial), a DVO (se o
paciente não ficou com aspecto "boca murcha" por falta de dimensão, ou com
dificuldade de fechar os lábios por excesso) e a fonética (pedir para o
paciente falar palavras com "S" e "F" para ver se os dentes não batem de
forma errada).
● Instalação: Após a acrilização em laboratório, a prótese é entregue.
Realiza-se o ajuste clínico da base (checando áreas de compressão com
pasta reveladora, como o Pressure Indicator Paste) e o ajuste oclusal em
cêntrica e em movimentos excursivos para garantir uma oclusão balanceada
bilateral.
● Princípios de exodontia / considerar pacientes com comorbidades e/ou
necessidades especiais
Princípio de Cunha: A alavanca entra no espaço do ligamento periodontal
perpendicular ou oblíqua ao dente, gerando forças que o expulsam.
Fulcro Seguro: O apoio da alavanca deve ser sempre na crista óssea alveolar,
nunca no dente vizinho.
Movimento de Rotação: Exclusivo para dentes unirradiculares e de raízes
cônicas (Incisivos centrais superiores e pré-molares inferiores).
Condição /
Medicação
Exame Crítico /
Limite Clínico
Conduta e
Limitação
Anestésica
Medidas de
Hemostasia /
Cuidados
Pós-Operatórios
Hipertensão /
Cardiopatia
Pressão Arterial
nas
últimas 24h-48h)
Anestesia
convencional
profunda com
técnica atraumática.
Planejar cirurgias o
mais atraumáticas
possível. Uso de
agentes hemostáticos
locais no interior do
alvéolo e sutura firme.
Insuficiência
Renal
Taxa de Filtração
Glomerular /
Avaliação
Médica
Anestesia
convencional
profunda. Evitar
bloqueios extensos
desnecessários.
PROIBIDO O USO
DE AINEs (são
altamente
nefrotóxicos). Utilizar
Dipirona ou
Paracetamol para
controle da dor.
Bisfosfonatos
(Alendronato,
Zoledronato)
Tempo e via de
uso (alto risco se
for via
Intravenosa)
Anestesia
convencional
profunda. Evitar
traumas excessivos
ao osso alveolar.
Risco de
Osteonecrose
(OMAM). Fazer
cirurgia
ultra-atraumática,
antibioticoterapia
profilática e
fechamento primário
do alvéolo.
● Diagnóstico endodôntico
Teste Térmico (Geralmente o Frio com Endo-Frost): Avalia a vitalidade da polpa
(presença de fluxo sanguíneo e resposta nervosa).
Percussão Vertical: Avalia a presença de inflamação no ligamento periodontal
(no sentido do longo eixo do dente).
Percussão Horizontal / Palpação Apical: Avalia inflamação periodontal lateral ou
a extensão de um abscesso na tábua óssea vestibular/palatina.
Exame Radiográfico: Fundamental para avaliar o espaço do ligamento periodontal,
integridade da lâmina dura, presença de lesões periapicais (rarefação óssea) e a
anatomia interna.
Condiçã
o Pulpar
Tipo de
Dor
(Sintomas
)
Resposta
ao Teste
do Frio
(Endo-Fro
st)
Resposta
à
Percussã
o /
Mastigaç
ão
Achados
Radiográficos
Comuns
Conduta
Clínica
Imediata
Polpa
Normal
Ausente. Positiva,
moderada.
Sente o
frio, mas a
sensação
desaparec
e em 1-2
segundos.
Negativa
(não dói).
Espaço do
ligamento
periodontal e
lâmina dura
íntegros.
Nenhuma
intervenção
necessária.
Pulpite
Reversí
vel
Provocad
a (por frio,
doces, ar)
e de curta
duração.
Cessa
assim que
o estímulo
é
removido.
Positiva,
aguda e
rápida.
Some
poucos
segundos
após
Negativa
(não dói).
Ausência de
alterações
periapicais. Cárie
ou restauração
infiltrada evidente.
Tratamento
Conservador
: Remoção do
estímulo +
Proteção
pulpar
direta/indireta
+
Restauração.
remover o
estímulo.
Pulpite
Irreversí
vel
Aguda
Espontân
ea,
severa,
lancinante
e
contínua.
Piora ao
deitar e o
paciente
mal
consegue
localizar o
dente.
Positiva,
violenta e
persistent
e.
A dor
continua
por
minutos/ho
ras após
remover o
estímulo.
Negativa
ou leve
sensibilid
ade
(depende
se já
atingiu o
periápice)
.
Espaço do
ligamento
periodontal normal
ou levemente
espessado.
Urgência
Endodôntica:
Pulpectomia
(esvaziament
o do canal) +
Curativo de
demora (ex:
Otosporin).
Necrose
Pulpar
Ausente
para
estímulos
térmicos.
(Pode
doer ao
morder se
houver
contamina
ção
periapical)
.
Negativa.
O paciente
não sente
absolutam
ente nada
de frio.
Depende
do status
periapical
(pode ser
positiva
ou
negativa).
Pode mostrar
normalidade ou
rarefação óssea
periapical
(lesão/cisto/granul
oma).
Tratamento
de Canal:
Necropulpecto
mia
(instrumentaç
ão,
sanificação
com
hipoclorito e
obturação).
Diagnóstico
Periapical
Resposta à
Percussão
Vertical
Aspecto
Radiográfico
Clássico
Sintomatologia /
Sinais Clínicos
Tecidos
Periapicais
Normais
Negativa (Não
dói)
Espaço do ligamento
periodontal íntegro;
lâmina dura
preservada.
Paciente assintomático
na região apical.
Pericementite
Apical Aguda
Altamente
Positiva (Dor
aguda ao
toque/morder)
Pode apresentar um
leve espessamento
do espaço do
ligamento
periodontal.
Sensação de "dente
crescido". Pode ocorrer
tanto em dentes com
polpa viva (trauma
oclusal) quanto
pós-necrose.
Abscesso
Alveolar
Agudo
Extremamente
Positiva
Pode não ter lesão
visível (fase inicial)
ou apresentar
rarefação difusa.
Presença de edema
(inchaço) intra ou
extraoral. Dor pulsátil
severa, febre e
linfadenopatia local
podem estar presentes.
Periodontite
Apical Crônica
Negativa ou
Leve
sensibilidade
Área de rarefação
óssea periapical
nítida (lesão
periapical clássica,
granuloma ou cisto).
Geralmente
assintomático. O dente
está necrosado e a
lesão é descoberta em
radiografias de rotina.
Abscesso
Alveolar
Crônico
Negativa ou
Leve
sensibilidade
Rarefação óssea
periapical associada
ao canal.
Presença de fístula
ativa (via de drenagem
crônica do pus pela
gengiva).
● Planejamento Cirurgia parendodôntica
Indicações Clássicas (Onde o tratamento convencional falha)
A cirurgia parendodôntica não substitui o tratamento de canal bem feito; ela é uma
alternativa terapêutica indicada em situações específicas:
● Persistência de Lesão Periapical: Casos onde, mesmo após um tratamento
e retratamento endodôntico bem executados, a lesão periapical não regride
(manutenção de sintomas ou fístula).
● Impossibilidade de Acesso ao Canal (Obstáculos Anatômicos ou
Mecânicos):
○ Canais severamente calcificados ou com curvaturas anatômicas
intransponíveis.
○ Presença de instrumentos fraturados (limas) no terço apical que não
podem ser removidos via conduto.
○ Presença de degraus intransponíveis ou desvios apicais.
● Impossibilidade de Retratamento por Razões Protéticas: Dentes com
lesão periapical crônica que possuem núcleos metálicos fundidos
calibrosos e coroas protéticas estéticas e funcionais. Remover o pino
metálico envolve alto risco de fratura radicular; a cirurgia resolve o problema
direto no ápice sem tocar na prótese.
● Perfurações Radiculares Apicais: Que não puderam ser seladas por via
interna.
Contraindicações (Quando não fazer)
● Razões Periodontais: Dentes com severa perda óssea periodontal
associada (lesões endo-perio verdadeiras onde o dente perdeu o suporte de
inserção).
● Razões Anatômicas de Risco: Proximidade excessiva com estruturas
anatômicas nobres se o cirurgião não tiver segurança técnica (ex: ápices de
molares inferiores colados no canal mandibular/nervo alveolar inferior, ou
ápices de pré-molares superiores dentro do seio maxilar).
● Condições Sistêmicas Descompensadas: Pacientes cardiopatas,
diabéticos ou com distúrbios de coagulação graves e não controlados
(aplicam-se os mesmos critérios rigorosos da tabela de exodontia).
Modalidades Cirúrgicas (Tipos de Procedimentos)
Dependendo do caso planejado, a cirurgia pode envolver uma ou mais das
seguintes modalidades:
1. Curetagem Periapical: Remoção cirúrgica do tecido patológico (granuloma
ou cisto) ao redor do ápice radicular, sem cortar a raiz.
2. Apicectomia: Secção e remoção da porção apical da raiz (geralmente os 3
mm finais). É nessa região apical onde se encontra o maior número de
ramificações, canais colaterais e deltas apicais contaminados.
3. Retroinstrumentação e Obturação Retrógrada: Após cortar o ápice
(apicectomia), realiza-se o preparo de uma pequena cavidade na ponta
cortada da raiz (geralmente usando pontas de ultrassom) e sela-se essa
cavidade com um material biocompatível (como o MTA ou biocerâmicos) para
impedir a saída de bactérias do canal para o osso.
4. Sequência Clínica e Planejamento Operatório
O planejamento cirúrgico segue passos sequenciais rigorosos na Clínica:
1. Exame Radiográfico/Tomográfico: A tomografia computadorizada de feixe
cônico (cone beam) é o padrão-ouro atual para planejar a extensão exata da
lesão e a distância das tábuas ósseas e estruturas nobres.
2. Desenho do Retalho (Incisão): Deve garantir amplo acesso visual e
preservação do suprimento sanguíneo. Os desenhos mais comuns são:
○ Retalho de Neumann (ou Triangular/Trapezoidal): Incisão intrasulcular
combinada com uma ou duas incisões relaxantes verticais. Dá
excelente acesso.
○ Retalho Semilunar (Partsch): Incisão curva na mucosa alveolar. Evita
tocar na margem gengival (ótimo para coroas estéticas), mas limita o
acesso visual e tem pior cicatrização.3. Osteotomia: Remoção de uma "janela" da tábua óssea vestibular com
brocas esféricas em alta rotação sob abundante irrigação com soro
fisiológico estéril, até expor o ápice radicular e a lesão.
4. Curetagem e Apicectomia: Remoção do tecido de granulação e corte de 3
mm do ápice em um ângulo perpendicular ao longo eixo do dente (bisel zero
ou mínimo, para expor menos túbulos dentinários).
5. Confecção da Retrocavidade e Obturação Retrógrada: Limpeza do
espaço com ultrassom, secagem com cones de papel invertidos e inserção
do MTA.
6. Sutura: Reposicionamento do retalho e sutura minuciosa (geralmente com
fios finos de nylon 4-0 ou 5-0).
1. Diabetes Mellitus (Relação Bidirecional)
2. Pacientes Cardiopatas e Hipertensos
3. Pacientes em Uso de Anticoagulantes ou Antiagregantes Plaquetários
4. Gestantes (A "Periodontite Gravídica")
1. Indicações Estéticas
2. Indicações Protéticas e Funcionais
Etapas do Acesso Coronário
2. Disseminação pelos Espaços Fasciais (Anatomia Cirúrgica)
Emergência Médica: Angina de Ludwig
A. Remoção da Causa (Fundamental)
B. Drenagem Cirúrgica
C. Suporte Sistêmico e Antibioticoterapia
Pacientes Cardiopatas / Hipertensos Descompensados
Pacientes Diabéticos
Pacientes com Insuficiência Renal Crônica
Pacientes com Necessidades Especiais (PNE)
1. O Princípio Biomecânico Fundamental: O Efeito Férula (Ferrule Effect)
Indicações Principais em Reabilitação
A Sequência Lógica do Planejamento Integrado
Fatores Críticos para o Sucesso e Longevidade
1. Exame Clínico e Diagnóstico do Rebordo
Planos de Cera e Registros Maxilomandibulares (A Etapa Crítica)
A. Ajuste do Plano Superior (Orientação Estética e Protética)
Determinação das Dimensões e Linhas de Referência
Registro em Relação Cêntrica (RC)
Seleção dos Dentes Artificiais
Prova dos Dentes em Cera e Instalação
Indicações Clássicas (Onde o tratamento convencional falha)
Contraindicações (Quando não fazer)
Modalidades Cirúrgicas (Tipos de Procedimentos)
4. Sequência Clínica e Planejamento Operatório