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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ CURSO DE PEDAGOGIA ANDERSON JOSÉ DIAS MACHADO POLÍTICAS PÚBLICAS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA IARAS 2019 ANDERSON JOSÉ DIAS MACHADO POLÍTICAS PÚBLICAS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Trabalho de proposta de trabalho para a disciplina de pesquisa e prática em educação – PPE Pré-Projeto. Orientador: MARIA DYLMA DA SILVA FERREIRA. IARAS 2019 LINHA DE PESQUISA: Práticas educativas ASSUNTO: Educação Inclusiva TÍTULO: Políticas públicas na Educação Inclusiva 1. INTRODUÇÃO O presente estudo visará discorrer sobre as políticas públicas na educação inclusiva. Será visto que a inclusão escolar se constitui numa proposta politicamente correta, que representa valores simbólicos importantes, condizentes com a igualdade de direitos e oportunidades educacionais para todos, em um ambiente favorável. 1.1. APRESENTAÇÃO DO TEMA Historicamente, nossa sociedade traz as marcas de tradições culturais e de práticas sociais discriminatórias. Assim, a educação para alunos com deficiência não tem se constituído, em geral, como parte do conteúdo curricular da formação básica, comum, do professor e quase sempre é vista como uma formação especial reservada àqueles que desejam trabalhar com esses alunos. Nesse sentido, conforme traz Cartolano (1998), pode-se dizer que a formação diferenciada para professores de uns e de outros alunos vem reforçar o modelo capitalista baseado na eficiência, na seleção dos melhores e na exclusão social de muitos. Corre-se o risco, assim, de institucionalizar a discriminação já na formação inicial dos professores, negando, portanto, o princípio da inclusão do aluno com deficiência na rede regular de ensino. Analisando a situação atual da educação brasileira e pensando na questão da inclusão das pessoas de uma maneira geral, surgem vários questionamentos de como lidar com essa realidade, de como as pessoas e, em especial o professor, deve se preparar profissionalmente. Diante de todas essas considerações, questiona-se: como deve ser a maneira correta de lidar com alunos com deficiência na perspectiva da educação inclusiva? O que a legislação educacional traz sobre o tema. Outro fator indispensável quando se trata de inclusão educacional é o planejamento educacional; o planejamento faz com que o educando crie estratégias educacionais que refletem no ensino e no diagnóstico de aprendizagem e deve ser feito considerando as noções da realidade e da vivencia individual e do coletivo da escola, comunidade e diferentes grupos pertencentes à sociedade que possa influenciar no ensino e aprendizagem. Outro fator que devemos considerar são as políticas sociais e os processos de educação que podem influenciar as ações educativas, atualmente as circunstâncias sociais e econômicas são fatores determinantes para a realidade das comunidades bem como da percepção de mundo dos indivíduos que a integram, logo, é imprescindível um bom planejamento para a adoção de decisões que devem ser constantemente reavaliadas submetendo-se a um julgamento crítico e estabelecendo metas e objetivos a fim de realizar um trabalho didático abrangente e efetivo para todos. Enfim, nota-se que dentro do processo de inclusão dispomos de diversas ferramentas que são fundamentais para a concretização dos objetivos pretendidos, trata-se de um processo gradual e sistematizado que requer uma sensibilidade e uma visão humana e técnica e por fim um desafio a cada profissional docente. Quais políticas sociais garantem efetivamente o direito de toda a população à uma educação eficiente e com equidade? 2. LEVANTAMENTO DO REFERENCIAL DA PESQUISA No transcorrer da história universal, desde os mais remotos tempos, o sentido da deficiência foi tomando diferentes interpretações, construindo as evidentes teorias e práticas segregadoras, ainda hoje presentes no nosso dia- a- dia, inclusive quanto ao acesso ao saber. As pessoas com deficiências, vistas como doentes e incapazes, ocupam uma situação de desvantagem no imaginário coletivo, colocando-as numa posição de alvos da caridade popular e da assistência social e não de sujeitos de direitos sociais, entre os quais se inclui o direito à educação. Um longo caminho tem sido percorrido entre a exclusão e a inclusão, proposta essa, que representa valores simbólicos importantes, condizentes com a igualdade de direitos e de oportunidades para todos. A legislação vem respaldar esses direitos com dispositivos que devem converter-se em um compromisso ético-político de todos, nas diferentes esferas do poder. Porém, somente os dispositivos legais não garantem, por si só, uma sociedade inclusiva, mas sim a forma como eles são operacionalizados no dia-a-dia. A política inclusiva exige intensificação quantitativa e qualitativa na formação de recursos humanos e garantia de recursos financeiros, além de serviços de apoio pedagógico públicos e privados especializados para assegurar o desenvolvimento de uma educação inclusiva. A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi proclamada e adotada em assembleia geral das nações Unidas, em Paris, França a 10 de dezembro de 1948, ainda na emoção da vitória contra as forças totalitárias lideradas pelo Nazismo na Europa. Em reação às atrocidades cometidas durante a II Guerra Mundial a comunidade internacional foi levada a criação de um sistema internacional de proteção dos direitos humanos. Na Declaração destacam-se alguns princípios, pela forte influência que têm exercido nas constituições de muitos países, inclusive o Brasil, o respeito à dignidade humana, a igualdade de direitos, a liberdade de pensamento e de escolha de todos os homens. Apontou em seu artigo 1.o que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos e dotados que são de razão e consciência, devem comportar-se fraternalmente um com os outros.” Estabelece em seu art 26: 1.Toda pessoa tem direito à educação. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. 2. [...] será orientada no sentido de pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do ser humano e pelas liberdades fundamentais. Este documento proclama, que todo ser humano tem direito à educação básica e profissional e que a educação deverá ser orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do respeito aos direitos de todos. Estabelece em 10 artigos os seguintes objetivos: satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem; expandir o enfoque; universalizar o acesso à educação e promover equidade; concentrar a atenção na aprendizagem; ampliar os meios e o raio de ação da educação básica; propiciar um ambiente adequado à aprendizagem; fortalecer as alianças; desenvolver uma política contextualizada de apoio; mobilizar recursos e fortalecer a solidariedade internacional. No que tange aos excluídos e portadores de deficiência constata-se a preocupação com as necessidades básicas de aprendizagem de todas as crianças. No art. 3, estabelece o compromisso efetivo para superar as disparidades educacionais, “os grupos excluídos [...] não devem sofrer qualquer tipo de discriminação no acesso às oportunidades educacionais”. Quanto às pessoas portadoras de qualquer tipo de deficiência deve-se garantir igualdade de acesso à educação, como parte integrante do sistema educativo. As autoridades nacionais, estaduais e municipais ficam responsabilizadas pelo oferecimento da educação básica. Foi aprovado o Plano de Açãopara satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem, cujo objetivo é servir de guia a todos os envolvidos com a meta de educação para todos. Foi elaborada em decorrência da Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais especiais: Acesso e Qualidade, promovido pelo governo da Espanha e pela UNESCO em junho de 1994. Em Salamanca, foi reafirmado o direito à educação de cada indivíduo, conforme a Declaração dos Direitos Humanos (1948) e as demandas resultantes da Conferência Mundial de 1990, o compromisso com a educação para todos. Também foram resgatadas as várias declarações das Nações Unidas, que culminaram no documento; normas uniformes sobre a igualdade de oportunidades para as pessoas com deficiência, que contém as regras padrões sobre a equalização de oportunidades para as pessoas com deficiências. Apela a todos os governos a dar prioridade política e orçamentária a essa área. A nossa constituição elege como fundamento da república a cidadania e a dignidade da pessoa humana (art 1º, Incisos II e III), como um dos objetivos fundamentais a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º inciso IV), após garantir o direito à igualdade (art. 5º), trata nos art. 205 e seguintes, do direito de todos à educação, que deve visar ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para a cidadania e sua qualificação para o trabalho. Assim, quando a Constituição federal garante a educação para todos, significa que é realmente para todos, em um mesmo ambiente, e ele pode e deve ser o mais diversificado possível, como forma de atingir o pleno desenvolvimento humano e o preparo para a cidadania (Constituição federal art. 205). No art. 208 III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. O termo preferencialmente tem deixado margem a interpretações dúbias, porém o preferencialmente se refere aos atendimentos especializados e não à educação claramente definido no art. 205, ou seja, refere-se a instrumentos necessários á eliminação das barreiras que as pessoas com deficiência naturalmente tem para relacionar-se com o ambiente externo, por exemplo: LIBRAS, BRAILE e apoios, os quais devem ser oferecidos preferencialmente na rede regular de ensino, mas podem ser oferecidos também pela rede especial. Cabe ressaltar que as linhas mestras estabelecidas pela constituição sobre educação foram regulamentadas em seus mínimos detalhes pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394/96. A LDB rompe com o modelo assistencial e terapêutico operante, até então, no que diz respeito ao tratamento dispensado a educandos com deficiências e necessidades especiais educativas. Tais proposições nos permitem inferir que os pilares da LDB podem favorecer à concretização de projetos flexíveis e inovadores referenciados no ideal de uma escola inclusiva. O Estatuto da Criança e do Adolescente inclui a criança e o adolescente na cidadania, com direito de acesso ao conhecimento e à formação, no seu tempo escolar, visando o pleno desenvolvimento de sua pessoa e qualificação para o trabalho. Em relação à educação, repete o inciso III, do art. 208 da Constituição Federal, garantindo preferência do atendimento na rede regular de ensino. O art. 53 do Estatuto da Criança e do Adolescente preceitua que “a criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-lhes: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola.” O PNE determina em seu art. 2º que os estados, o Distrito Federal e municípios, elaborem planos decenais correspondentes, tendo como referência o desejo nacional e as possibilidades locais. Trazer essa discussão sobre a educação da criança com deficiência, mais especificamente da criança com deficiência mental, para a discussão sobre a “Educação da criança de 0 a 6 anos” manifesta nossa concepção de que a criança com deficiência é antes de tudo “criança” (Lauro et al, 2003, p.79, grifo nosso) Na sequência, abordou-se o desenvolvimento infantil, enfatizando o papel desempenhado pelo lúdico nesse processo, na perspectiva da teoria de Vygotsky (1994), Leontiev (1998) e alguns pesquisadores brasileiros. Por fim, pontuou-se a relevância do professor da Educação Infantil no processo de inclusão de crianças com deficiências destacando possíveis intervenções em atividades lúdicas. Vygotsky defendia uma escola que se abstivesse de isolar essas crianças (deficientes) e, em vez disso, integrasse-as tanto quanto possível na sociedade. As crianças deveriam receber a oportunidade de viver junto com pessoas normais (VAN DER VEER,1996. apud LAURO et al. 2003, p.82). A partir da década de 1990, a sociedade brasileira, e em especial o campo da educação, foi tomado por um novo paradigma, qual seja, o da educação inclusiva, cujos princípios opõem-se, para alguns estudiosos da Educação Especial, aos da denominada integração. Assim, pontuou-se, de início, e com base na literatura, as especificidades conceituais dos modelos de integração e de inclusão, sendo que o primeiro, como apontado por Damiani (2001), ancorada em Mattos (2000), assim se apresenta: O conceito de integração tem sido utilizado com o objetivo de demarcar as práticas de segregação que consiste em agrupar e retirar do ensino regular os alunos deficientes que apresentem dificuldades de adaptação ou de aprendizagem. Para a autora [Mattos], a escola inclusiva deve acolher em toda sua extensão, o processo de inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais independentes de suas condições físicas, intelectuais, sociais emocionais e linguísticas (DAMIANI, 2001, p.53). Os dois conceitos que permeiam o cotidiano escolar referem-se à integração e à inclusão: o primeiro compreende o sentido de incorporação gradativa em escolas regulares, podendo o aluno permanecer parte do tempo em escolas ou classes especiais e sala de recursos. O segundo, da inclusão, é definido por um sistema educacional modificado, organizado e estruturado para atender as necessidades específicas, interesses e habilidades de cada aluno (BRASIL, 2000, p. 9). Assim, para Damiani (2001), a integração, refere-se à retirada do sujeito do meio social comum, colocando-o em espaços especializados, ou seja, com outras crianças com deficiência. No documento acima citado, a integração vem para incorporar gradativamente as crianças com NEEs às escolas regulares. A inclusão refere-se a uma mudança total em todo sistema educativo, com o intuito de atender as necessidades de cada criança promovendo o seu desenvolvimento, conjuntamente com as demais crianças. O conceito de integração, segundo Lauro et al. (2003), foi banalizado e mal interpretado o que ocasionou em um processo “centrado no indivíduo, provocando uma seleção entre deficientes que conseguiam ou não se ajustar aos padrões estabelecidos pelas instituições” (p. 82). Ainda, segundo a autora, o termo inclusão veio para superar o mal intendido, referindo-se à integração. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil: estratégias e orientações para a educação de crianças com necessidades educacionais especiais aponta a abrangência do significado de inclusão escolar: [...] considera a Inclusão escolar como alternativa necessária, a ser implementada desde os primeiros anos de vida. Para a efetivação desse modelo, requer a positiva participação da Instituição, da família e também da própria criança, em um esforço conjunto de aprendizagem compartilhada (BRASIL, 2000, p.9). O material de pesquisa contribuiu para uma visão da realidade da educação atual em nossa sociedade, expondo as dificuldades e progressos e apontando caminhos eestratégias para a efetivação das práticas educativas inclusivas. 3. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394 de 20 de dezembro de 1996. BRASIL. Programa Nacional de Direito Humanos. Brasília, Presidência da República, 1996. BRASIL. Ministério da Justiça. Secretária Nacional dos Direitos Humanos. Declaração de Salamanca, e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. 2. ed., Brasília: CORDE, 1997. BRASIL. Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência. Brasília, 1997. BRASIL. Conselho Nacional De Educação. Res. N.º 2, de 11 de setembro de 2001. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Brasília, 2001. LAURO, B. R. et al.. Construindo uma Educação Infantil inclusiva. In: MARQUEZINE, M.C. (org). Coleção perspectivas multidisciplinares em educação especial. LEONTIEV, A. N. Os princípios psicológicos da brincadeira pré-escolar. In: Linguagens, desenvolvimento e aprendizagem. Trad. Maria de Penha Villalobos. São Paulo: Ícone/ Editora da Universidade de São Paulo, 1998. MATTOS, M. G. e NEIRA, M. G. Educação Física Infantil: Construindo o Movimento na Escola. São Paulo: Phorte Editora, 2006. VYGOTSKY, L. S. O papel do brinquedo no desenvolvimento. In: VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1994, p. 121-137.