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Pressupostos Legais e Políticas Currículares no Brasil
Olá, estudante! Nesta videoaula, compreenderemos como o currículo tem uma base determinada
em legislação, que é resultado de políticas públicas educacionais. A partir dessa compreensão,
veremos que atualmente, a maior referência para a construção dos currículos é a Base Nacional
Comum Curricular (BNCC), que não apenas dá as referências e os conteúdos essenciais para a sua
formação, mas também fornece ferramentas para o desenvolvimento dos estudantes e oferece as
melhores oportunidades para a vida. Vamos lá?
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Ponto de Partida
Você já pensou se cada sistema escolar, cada estado ou cada município decidisse o que ensinar em
suas escolas, sem nenhuma orientação prévia? O que aconteceria? Poderíamos ter locais com alta
qualidade educacional, mas outros em que a educação escolar não fosse minimamente satisfatória.
Isso seria bom para um país? Certamente não!Por outro lado, o excesso de rigor para uma proposta
curricular nacional acabaria contrariando a diversidade regional, as necessidades locais e a
melhoria das práticas pedagógicas que surge com a reorganização curricular.
No Brasil, passamos por fases de centralização curricular e, no momento, temos um documento
que organiza os direitos de aprendizagem dos estudantes em território nacional, chamado Base
Nacional Comum Curricular (BNCC). O percurso de construção da BNCC origina-se na Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9394 de 1996, e em políticas curriculares, tais como
as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e no Plano
Nacional de Educação.
O currículo, na verdade, corresponde a uma construção sócio-histórica que evidencia as relações de
poder, a evolução das políticas internacionais e os processos pedagógicos de ensino e
aprendizagem. Assim, a construção de um currículo observa o momento histórico nacional e
internacional, os movimentos educacionais em outras nações, as perspectivas de formação
integral, humana, crítica e transformadora, as necessidades locais do país, bem como nossa
cultura.
Veremos, então, nesta unidade, a evolução mais recente da organização curricular nacional,
apontando principais documentos e encerra com uma análise mais aprofundada da BNCC.
A BNCC, promulgada em dezembro de 2017, é um documento consistente e complexo, que
demanda estudo aprofundado, pois será o norteador da educação nacional ao longo de muitos
anos.
Vamos lá?
Vamos Começar!
Imagine que a escola do seu bairro decida desenvolver apenas competências leitora e escritora dos
seus alunos, deixando de desenvolver habilidades referentes ao raciocínio lógico e cálculos, sem
contemplar componentes curriculares (disciplinas) como história e ciências. A aprendizagem desses
alunos estaria defasada em comparação a outros que tiveram uma formação integral, certo?
Poderiam ser exímios leitores e excelentes produtores de texto, mas teriam condições de
desenvolver temáticas diversas de forma crítica e compreender a realidade para fazer as
intervenções necessárias? Muito provavelmente não.
Assim, um currículo é uma organização de informações acerca daquilo que se pretende que os
alunos aprendam ao final de um determinado tempo. No Brasil, dada sua natural e ampla
diversidade, é importante que haja orientações, parâmetros, indicações e até mesmo normas claras
para que se garantam o acesso e os direitos educacionais.
A discussão sobre a legislação e as políticas de currículo é longa e antiga. Vamos iniciar o estudo a
partir do marco legal mais importante, que é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº
9.394 de 12 de dezembro de 1996.
Em relação ao currículo, a LDB aponta que a União (portanto, o governo federal, representado no
caso pelo Ministério da Educação) será o responsável por:
IV – estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a
educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de
modo a assegurar formação básica comum; (BRASIL, 1996).
Assim, é possível perceber a intencionalidade em garantir que todos os estudantes brasileiros
tenham acesso a uma formação básica que contemple o desenvolvimento de competências e
habilidades, envolvendo a aprendizagem de vários objetos de conhecimentos, sendo necessário
uma normativa que direcione as habilidades essenciais a serem desenvolvidas em todas as escolas
do território nacional. No artigo 26 do Capítulo 2, novamente é mencionada a necessidade de uma
base nacional comum, complementada com uma parte diversificada, que leva em conta não apenas
a regionalidade, mas também o contexto histórico, cultural, social, econômico e ambiental.
É importante estar familiarizado com alguns termos da BNCC. Objeto de conhecimento é um deles.
Os objetos de conhecimento são temas abordados nos componentes curriculares, envolvendo
conteúdos, conceitos e processos (expressos em habilidades). Um objeto de conhecimento é uma
construção mais complexa que um conteúdo, pois é compreendido em sua relação com outros
objetos de conhecimento, em um dado tempo histórico, com implicações e que gera uma ação no
estudante, bem como a construção de valores sobre o que se estuda.
Os pressupostos legais e as políticas curriculares que organizam os processos educacionais no
Brasil podem ser visualizados em uma linha do tempo, que ajudará você a compreender como,
historicamente, estes documentos foram produzidos.
Na LDB 9394/96 já se menciona a BNCC como um documento orientador da educação básica
nacional. Trata-se, portanto, de um documento que compõe a política educacional brasileira.
Também menciona a criação da Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), outro documento
relacionado à política educacional do Brasil, para apresentar os objetivos de aprendizagem a serem
desenvolvidos em todos os segmentos educacionais da nação. Lendo assim, parece que BNCC e
DCN são a mesma coisa. Mas, na verdade, quais são as diferenças entre elas?
As DCN “estabelecem a base nacional comum, responsável por orientar a organização, articulação,
o desenvolvimento e a avaliação das propostas pedagógicas de todas as redes de ensino
brasileiras” (BRASIL, 2013, p. 4). Ou seja, elas são a base de organização e estruturação da BNCC.  
O grande diferencial das DCN de 2013 é que o documento traz diretrizes e resoluções para
“a Educação no Campo, a Educação Indígena, a Quilombola, para a Educação Especial, para Jovens e Adultos em
Situação de Privação de Liberdade nos estabelecimentos penais e para a Educação Profissional Técnica de Nível
Médio” bem como “para a Educação de Jovens e Adultos, a Educação Ambiental, a Educação em Direitos Humanos
e para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro- Brasileira e Africana.”
(BRASIL, 2013, p. 4).
Siga em Frente...
 
Para compreender a enorme significância em termos de políticas educacionais que as DCN
representam, é preciso estudaremos alguns aspectos a partir 1980. Após um longo período em que
o Brasil foi submetido à ditadura militar, comandado por sucessivos generais, reestabeleceu-se o
modelo de governo republicano, sendo marcado em 1985 por eleições diretas (o povo pôde eleger
seu presidente pela primeira vez em 20 anos). Neste ano foi eleito um novo presidente por voto
popular, que veio a falecer em seguida (Tancredo Neves), de forma que o vice-presidente assumiu o
lugar de presidente (José Sarney).
O primeiro ato do presidente Tancredo Neves foi constituir uma nova assembleia para redigir uma
nova Constituição Federal em substituição à antiga de 1967, que representava os ideais da ditadura
militar. Em 1988, promulgou-se a nova Constituição e nela estava descrita a necessidade de
reconfiguração do modelo educacional do país: atualizado, moderno e arrojado.
Para a implantação do novo modelo educacional, foi necessário criar uma Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional, visando substituir a centralizadoracognitiva, já que sua
preocupação básica é compartilhar os conhecimentos construídos ao longo da história, para que o
estudante possa utilizá-los para resolver os problemas do dia a dia e produzir novos
conhecimentos.
A dimensão emocional,dimensão emocional,dimensão emocional,dimensão emocional, por sua vez, corresponde à forma como o indivíduo lida com suas
emoções, trata-se da compreensão dos sentimentos, autocontrole e até mesmo a capacidade de
acolher, compreender e apoiar pessoas que necessitem de alguma ajuda emocional (claro que esta
ajuda não substitui o atendimento profissional). Esta dimensão é uma das mais estudadas e
valorizadas atualmente, porém entrou no âmbito do debate educacional há poucos anos. Hoje, as
escolas consideram importante cuidar e aprimorar esta dimensão com os estudantes de todas as
etapas da educação básica.
A dimensão físicadimensão físicadimensão físicadimensão física aborda as questões de desenvolvimento saudável do indivíduo, respeito e
manutenção do corpo, compreensão e tratamento de doenças; envolve, também, a segurança física
dos alunos na escola.
A dimensão cultural dimensão cultural dimensão cultural dimensão cultural diz respeito ao acesso à educação de qualidade e aos bens culturais
construídos pela humanidade. Remete, também, ao sentimento de pertencimento à humanidade,
já que todas as conquistas, construções criações e realizações dos antepassados se constituem
num processo de melhoria de qualidade de vida observada atualmente em relação aos séculos
anteriores.
Portanto, os bens culturais existem para usufruto das gerações atuais e futuras. Um aspecto
importante do desenvolvimento da dimensão cultural é a conscientização de que todos os
indivíduos não só usufruem, mas são capazes de produzir cultura. Esta também é uma dimensão
que a escola tende a desenvolver, por sua própria natureza, mas só algumas correntes pedagógicas
são capazes de compreender o aluno, mesmo criança, como um produtor cultural e estimulá-lo
neste sentido.
A dimensão socialdimensão socialdimensão socialdimensão social é, nos dias de hoje, muito estudada e valorizada, pois diz respeito a como o
indivíduo se relaciona com os diferentes grupos que integra. Por exemplo, há o grupo familiar, o
grupo escolar, o grupo dos amigos, as redes sociais, se estiver trabalhando, incluem-se os grupos
de trabalho, o grupo religioso, o grupo esportivo, até mesmo o grupo de vizinhos e das ações
sociais, caso participe de projetos de voluntariado.
Esta dimensão trata também da forma como o indivíduo entende os sistemas sociais, das escolhas
que faz em relação aos representantes políticos (identidade político-partidária) e da forma como,
conscientemente ou não, combate a opressão, valorizando o ser humano e as diferentes
manifestações sociais.
Siga em Frente...
A BNCC apresenta o currículo comprometido com a educação integral, na medida em que organiza
a proposta de formação escolar a partir de dez competências gerais da educação básica, cujo foco é
desenvolver as cinco dimensões que integralizam o indivíduo.
Rico (2020) apresenta as palavras-chave referentes a cada uma das dez competências gerais, que
reproduzimos aqui como uma referência rápida:
Conhecimento.
Pensamento científico, crítico e criativo.
Repertório cultural.
Comunicação.
Cultura digital.
Trabalho e projeto de vida.
Argumentação.
Autoconhecimento e autocuidado.
Empatia e cooperação.
Responsabilidade e cidadania.
Neste sentido, todas as áreas de saber e respectivos componentes curriculares são organizados a
partir destas dez competências gerais. Cada área tem suas próprias competências específicas e
cada componente curricular, por sua vez, possui uma série de habilidades a serem desenvolvidas. 
O desenvolvimento das habilidades compreende a construção de conhecimentos, a aplicação
prática deles em situações do cotidiano e a construção de atitudes e valores que remetem à
conduta ética, responsável, proativa, protagonista, respeitosa e justa.
Uma habilidade movimenta três campos inter-relacionados: conhecimento, prática e atitudes, que
funcionam como engrenagens. Assim, ao movimentar qualquer um deles, os outros também são
acionados. Assim, ao adquirir um conhecimento, é preciso colocá-lo em prática e refletir sobre os
resultados, criando um juízo de valores sobre isso. Por outro lado, ao aprender uma prática – como
construir uma maquete – é preciso adquirir conhecimentos sobre o objeto a ser representado,
escalas e medidas. Além disso, a execução da atividade prática remete ao exercício da paciência, ao
aprimoramento das relações interpessoais (se a atividade for em grupo) e ao autorrespeito em
relação aos erros que provavelmente serão cometidos. Veja outro exemplo: ao aprender sobre
ecologia e sustentabilidade, o estudante desenvolve sua consciência crítica (valores), o que o leva a
ter práticas de preservação do meio ambiente. Também, ao conhecer as propriedades dos
alimentos e o balanceamento alimentar, o estudante pode praticar uma alimentação mais
saudável, que conduzem a uma atitude de autorrespeito e o levam a ser mais seletivos e
cuidadosos em suas escolhas. O desenvolvimento de uma habilidade movimenta os três campos
(conhecimento, prática e atitude e valor) como se fossem uma engrenagem.
Um conceito importante e que precisa ficar claro é o da integração curricular. Perceba que a forma
como a BNCC organiza a proposta curricular rompe com a ideia da fragmentação do conhecimento
em disciplinas isoladas, que não se relacionam:
A BNCC propõe a superação da fragmentação radicalmente disciplinar do conhecimento, o
estímulo à sua aplicação na realidade, a importância do contexto para dar sentido ao que se
aprende e o protagonismo do estudante em sua aprendizagem e na construção de seu projeto de
vida. (BRASIL, 2018)
Também, é importante compreender que a educação integral não se resume a projetos
interdisciplinares. Para Carlos (2007, p. 29) o conceito de interdisciplinaridade se relaciona a “um
comprometimento com uma aproximação das disciplinas na busca da unificação do saber e do
resgate de uma unidade do conhecimento perdida em algum momento da história da
humanidade”. Nesta perspectiva, a proposta é investigar ou aprender um determinado
conhecimento de forma mais ampla, desvelando suas múltiplas relações com outros
conhecimentos.
Vale ressaltar que o foco da interdisciplinaridade consiste na exploração e aquisição de um
conhecimento, mas, não necessariamente relacionado ao desenvolvimento de uma competência
ou da educação integral. Claro que a perspectiva interdisciplinar trouxe um novo olhar, novas
propostas e renovação no campo educacional na época em que foi estudada e disseminada e, com
certeza, ajudou a abrir o caminho para a nova organização curricular descrita na BNCC.
Porém, o grande diferencial que a BNCC apresenta é que o conhecimento não é observado mais
como uma conquista a ser realizada, um objetivo a ser atingido, mas como uma das bases que
sustentam o desenvolvimento de competências.
Como relatado, o desenvolvimento de competências se propõe a partir da aquisição de
conhecimentos, da aplicação prática e da construção de atitudes e valores (habilidades específicas).
A leitura atenta da BNCC permitirá que você observe como as habilidades específicas de um
componente curricular são alinhadas com as habilidades específicas de outros componentes
curriculares. As habilidades são as aprendizagens básicas, como se fossem unidades menores que
compõem um todo e que envolvem a aquisição de conhecimentos, a aplicação prática deles e a
construção de atitudes e/ou valores. O desenvolvimento em conjunto das habilidades específicas
permite que ocorra o desenvolvimento das competências (específicas e gerais).
Gostaríamos de trazer aqui a metáfora da Matrioska, que é um brinquedo de origem russa
composto por algumas bonecas esculpidas em madeira. São bonecas ocas, cada uma de um
tamanho diferente, de forma que a menor se encaixa dentro da maior, que, por sua vez se encaixa
dentro de outra maior, e assim sucessivamente,até que todas estejam inseridas na boneca maior
de todas (MOUNTIAN, 2018).
Nesta metáfora, a boneca maior representa as dez competências gerais da educação básica. A
boneca que se insere nesta maior, representa as competências específicas de cada área do saber. A
boneca que vai dentro desta, representa as habilidades específicas de cada componente curricular.
Ainda há uma boneca, que vai dentro da anterior, representando os conhecimentos, as práticas e
as atitudes e os valores.
Imagine que para que uma criança possa compreender e interpretar um texto (competência), ela
precisa saber ler (habilidade), para ler, a criança precisa conhecer algumas regras (a leitura de
textos da língua portuguesa inicia-se sempre da esquerda para a direita e de cima para baixo),
precisa diferenciar letras de símbolos etc. Neste exemplo, a boneca maior representa a capacidade
de compreensão e interpretação de texto; dentro desta boneca, há uma menor (habilidade da
leitura); dentro desta boneca, há uma menor (conhecimento das regras de leitura); dentro desta,
uma menor (diferenciação entre letras e símbolos).
Ainda pensando nesta metáfora, o currículo proposto na BNCC apresenta-se como um todo,
integrado, indivisível, e sua realização prática propiciará o desenvolvimento pleno dos educandos.
Neste contexto, a BNCC afirma de maneira explícita, o seu compromisso com a educação integral:
Reconhece, assim, que a Educação Básica deve visar à formação e ao desenvolvimento humano global, o que
implica compreender a complexidade e a não linearidade desse desenvolvimento, rompendo com visões
reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) ou a dimensão afetiva. Significa, ainda, assumir
uma visão plural, singular e integral da criança, do adolescente, do jovem e do adulto – considerando-os como
sujeitos de aprendizagem – e promover uma educação voltada ao seu acolhimento, reconhecimento e
desenvolvimento pleno, nas suas singularidades e diversidades. Além disso, a escola, como espaço de aprendizagem
e de democracia inclusiva, deve se fortalecer na prática coercitiva de não discriminação, não preconceito e respeito
às diferenças e diversidades. (BRASIL, 2018, p. 14)
Ressaltamos, neste compromisso, que a BNCC compreende o currículo como um continuum, ou
seja, sem fragmentação entre as etapas e anos. A visão de integralidade não se resume apenas ao
currículo, cada estudante (criança, adolescente, jovem, adulto) também são compreendidos como
seres integrais, reconhecidos em suas singularidades e diversidades. Desta forma, rechaça-se,
intencionalmente, qualquer prática discriminatória, preconceituosa, desrespeitosa e não inclusiva.
Assimile
A educação integral é diferente de educação de tempo integral. A primeira remete ao
desenvolvimento pleno do educando, desenvolvendo as cinco dimensões que constituem o
indivíduo: cognitiva, emocional, física, social e cultural. Já a educação de tempo integral é aquela
que oferece maior tempo de permanência na escola, além do próprio turno escolar. Os dois
conceitos não são sinônimos.
Reflita
As críticas sobre como a educação escolar é desenvolvida no Brasil e em outros países do globo são
grandes e apontam para os problemas decorrentes de uma aprendizagem fragmentada e
descontextualizada. A BNCC estabelece a perspectiva da educação integral a partir do
desenvolvimento de dez competências gerais.
Ainda que a BNCC aponte o caminho da formação continuada e em serviço para que os professores
se apropriem da nova proposta curricular e a implemente, como isso pode ser realizado? Como
desenvolver a formação de professores e apoiar as ações pedagógicas que favoreçam a
implantação de um currículo comprometido com a educação integral?
Exemplificando
Você já percebeu que a educação integral não é apenas a realização de um projeto interdisciplinar
ou transdisciplinar. Como realizar o processo de educação integral na escola? Como, efetivamente,
colocar a BNCC em prática?
É preciso que todos os envolvidos conheçam a proposta curricular compromissada com a educação
integral. Isso se faz com leituras, discussões, debates e construção coletiva.
O grande paradigma a se superar aqui é que o olhar dos atores educacionais se transfere da
transmissão do conteúdo para o desenvolvimento de uma competência, ou seja, “os conteúdos”
devem ser submetidos a um objetivo maior (as dez competências gerais) e não o contrário.
Vamos Exercitar?
Retomando à situação-problema, Laura ficou sensibilizada quando a ONG procurou sua faculdade
pedindo ajuda. A ONG em questão atende crianças do ensino fundamental no contraturno escolar
e desenvolve um projeto de reforço educacional para o público atendido. Entretanto, as
educadoras não conhecem a BNCC e suas propostas, sabem que precisam se apropriar, pois todas
as transformações que ocorrem na escola impactam o projeto de reforço escolar.
Por este motivo, a ONG procurou a faculdade: seria possível fazer uma pequena palestra que
explicasse o que é a BNCC e seus princípios básicos? Como um grupo de alunos se sentiu motivado
a realizar este projeto, voluntariamente, a coordenadora do curso de Pedagogia respondeu
afirmativamente e fará a supervisão do grupo. A palestra ocorrerá no próximo sábado.
Como Laura ficou responsável por temáticas bem específicas (educação integral e desenvolvimento
pleno do educando e integração curricular), é importante criar uma proposta realmente formativa
para as educadoras da ONG. Quanto mais interativa, melhor será a aprendizagem das educadoras.
Vejamos, então, uma possibilidade de resolução da situação-problema, sabendo que esta não é a
única forma de realizar a atividade. A primeira temática a ser abordada é explicar o que é educação
integral.Uma forma bem interessante de conduzir ativamente esta primeira parte da palestra seria
pedir que as educadoras fizessem uma tempestade de ideias buscando responder qual é o objetivo
da educação: formar que tipo de ser humano? Quais características se espera que o cidadão ou a
cidadã do futuro possua? Esse brainstorm precisa ser registrada em um grande cartaz fixado
próximo ao local da apresentação. Em seguida, Laura poderia projetar a definição de educação
integral, que pode ser localizada logo nas primeiras páginas da BNCC e conduzir uma discussão
para que as educadoras percebam o que houve de similaridade e diferenciais entre a definição e as
ideias apresentadas no cartaz.
Para a segunda temática – desenvolvimento pleno do educando – Laura poderia desenvolver uma
dinâmica: cada educadora recebe uma orientação para desenhar algumas partes do corpo humano
(por exemplo, uma educadora desenha a cabeça e, em outro papel, a perna e o pé direito; outra
educadora recebe a incumbência de desenhar o tronco e o braço e a mão direita, em papéis
diferentes – uma educadora não pode ver o desenho da outra).
Ao acabarem, montam o boneco, juntando as partes desenhadas por cada uma. Claro que o
resultado não será harmônico, o boneco final ficará com um formato desigual pois cada educadora
fez uma parte do desenho. O que se espera aqui? Que as educadoras percebam a importância de
desenhar junto, de tomar decisões coletivas, de balancear o tamanho de cada parte do corpo
desenhada para que haja harmonia no produto final.
Este seria um bom momento para Laura introduzir o conceito de desenvolvimento pleno do
educando, considerando cada uma das dimensões que o compõe. Neste caso, é importante
apresentar citações da própria BNCC relativas a este tema, que também se encontram nas páginas
iniciais da Base.
Por fim, a temática final diz respeito à integração curricular: Laura poderia pegar dez fios de lã do
mesmo tamanho, unidos em uma das pontas e pedir que as educadoras peguem outros fios e
amarrem linhas verticais, construindo uma grande teia.
Este é o motivo para construir a ideia de integração curricular. Laura precisará explicar brevemente
que a BNCC se organiza a partir de dez competências básicas, que cada área do saber possui
competências específicas e que, cada componente curricular,possui habilidades específicas a
serem desenvolvidas – é o desenvolvimento destas habilidades em suas três dimensões: aquisição
do conhecimento, emprego prático e construção de atitudes e valores –  é que propiciarão o
desenvolvimento das competências específicas, que, por sua vez, propiciarão o desenvolvimento
das competências gerais da educação básica.
Além de apresentar definições presentes na BNCC, Laura pode ir ilustrando apontando para os
diversos componentes da teia: os dez fios iniciais representam as dez competências gerais e cada
nozinho que as professoras deram com os fios horizontais representam as habilidades específicas. 
Esta é uma das formas de resolver a situação-problema. Como você pretende conduzir a sua
resolução?
Bom trabalho e boas reflexões!
Saiba mais
O site “Currículo na educação integral” objetiva apoiar a construção de currículos alinhados à
educação integral nas redes municipais e estaduais de educação em todo o país. Para saber mais
sobre o tema, acesse o site e explore os materiais.
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular.Base Nacional Comum Curricular.Base Nacional Comum Curricular.Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. Disponível em:
https://bit.ly/3ejoOQp. Acesso em: 9 set. 2024.
BRASIL. Constituição da República Federativa do BrasilConstituição da República Federativa do BrasilConstituição da República Federativa do BrasilConstituição da República Federativa do Brasil. 1988. Brasília, DF: Senado Federal: Centro
Gráfico, 1988.
CARLOS, J. G. Interdisciplinaridade no ensino médio: desafios e potencialidadesInterdisciplinaridade no ensino médio: desafios e potencialidadesInterdisciplinaridade no ensino médio: desafios e potencialidadesInterdisciplinaridade no ensino médio: desafios e potencialidades. Dissertação
(Mestrado em Ensino de Ciências) –Instituto de Química, Universidade de Brasília, Brasília, 2007.
CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO INTEGRAL. Currículo na educação integral.Currículo na educação integral.Currículo na educação integral.Currículo na educação integral. Disponível
em: https://educacaointegral.org.br/curriculo-na-educacao-integral/.
MOUNTIAN, D. Falando russo:Falando russo:Falando russo:Falando russo: conheça história e significado das bonecas matrioska. Folha de São
Paulo, 27 jun. 2018. Disponível em: https://bit.ly/2VzTGpk. Acesso em: 9 set. 2024.
RICO, R. Conheça e entenda as competências gerais da BNCCConheça e entenda as competências gerais da BNCCConheça e entenda as competências gerais da BNCCConheça e entenda as competências gerais da BNCC. Nova Escola, 2020. Disponível em:
https://bit.ly/36zm39B. Acesso em: 9 set. 2024.
Videoaula de Encerramento
Olá, estudante! Nesta videoaula, conheceremos os pressupostos legais e as políticas curriculares no
Brasil, a organização curricular a partir da BNCC, os campos de experiência como arranjo curricular
na Educação Infantil e a educação integral. Esses conteúdos são fundamentais para sua prática
profissional, pois ajudam a estruturar um ensino inclusivo e de qualidade. Prepare-se para essa
jornada de conhecimento! Vamos lá?
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Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta Unidade, que é diferenciar pressupostos
teóricos e práticos das concepções curriculares não-crítica, crítica e pós-crítica  e identificar os
desafios de um mundo em mudanças aceleradas, você deverá compreender profundamente os
conteúdos abordados em cada uma das aulas.
Primeiramente, ao estudar os pressupostos legais e as políticas curriculares no Brasil, você começa
a construir uma base sólida para entender diferentes concepções que orientam a educação no país.
Esse conhecimento é essencial para que você possa distinguir as abordagens não-críticas, críticas e
pós-críticas, percebendo como cada uma delas impacta as práticas pedagógicas e a formação dos
estudantes.
Em seguida, ao explorar a organização curricular a partir da BNCC, é possível compreender os
desafios contemporâneos da educação, como a necessidade de integrar competências e
habilidades que preparem os estudantes para um mundo em constante transformação. A BNCC é
um exemplo claro de como as políticas curriculares buscam alinhar a educação às demandas
sociais e econômicas do século XXI, permitindo a identificação os desafios e as oportunidades que
emergem em um contexto de mudanças aceleradas.
Os campos de experiência como arranjo curricular na Educação Infantil representam uma aplicação
prática desses pressupostos teóricos, demonstrando como a educação integral pode ser promovida
desde os primeiros anos de vida escolar. Aqui, há a reflexão sobre como essas experiências
formativas são organizadas para atender às necessidades de uma infância plural e diversa,
respeitando as diferentes culturas e realidades vividas pelas crianças.
Por fim, a concepção de educação integral amplia essa visão ao enfatizar a importância de
considerar o estudante em sua totalidade — corpo, mente, emoções e socialização — dentro de um
currículo que não fragmenta os saberes, mas os integra de forma significativa e contextualizada.
Isso reforça a necessidade de uma prática educativa que vai além do conteúdo acadêmico,
preparando o aluno para a vida em sociedade e para o exercício pleno da cidadania.
Esses conteúdos contribuem para o desenvolvimento da competência de diferenciar as concepções
curriculares, e fornecem ferramentas para enfrentar os desafios contemporâneos na educação,
promovendo práticas que favoreçam a responsabilidade individual e social.
É Hora de Praticar!
Imagine que você é o coordenador pedagógico de uma escola de educação infantil em uma
comunidade diversa, com crianças de diferentes origens culturais e socioeconômicas. A escola está
passando por uma reforma curricular para alinhar suas práticas pedagógicas à Base Nacional
Comum Curricular (BNCC). No entanto, alguns professores ainda têm dúvidas sobre como integrar
os campos de experiência na prática diária e como garantir que a educação seja realmente integral,
atendendo às necessidades de todas as crianças.
Desafio:
Sua tarefa é apoiar a equipe docente na construção de um currículo que respeite as diretrizes da
BNCC, integrando os campos de experiência de forma significativa e promovendo uma educação
integral que considere a pluralidade das infâncias presentes na escola. Além disso, você precisa
garantir que as práticas pedagógicas reflitam uma concepção curricular crítica e inclusiva, capaz de
preparar os estudantes para os desafios de um mundo em constante transformação.
Questões Norteadoras:
Como os pressupostos legais e as políticas curriculares, especialmente a BNCC, podem orientar a
construção de um currículo inclusivo e significativo na Educação Infantil?
De que maneira os campos de experiência podem ser integrados à prática pedagógica diária para
promover uma educação integral?
Como garantir que o currículo reflita uma concepção crítica da educação, respeitando as
diversidades culturais e preparando as crianças para enfrentar os desafios de um mundo em
mudanças aceleradas?
Reflita
Como você pode utilizar os pressupostos teóricos e práticos para transformar sua prática
pedagógica?
De que maneiras a BNCC pode ser um guia para enfrentar os desafios de um mundo em rápida
transformação?
Como os campos de experiência e a educação integral podem contribuir para uma educação mais
inclusiva e significativa?
Refletir sobre essas perguntas para consolidar a compreensão dos conteúdos e a aplicação prática
das competências em sua futura atuação profissional.
Resolução do Estudo de Caso
Como coordenador pedagógico, você se depara com o desafio de alinhar as práticas da escola à
BNCC, promovendo uma educação que que siga as diretrizes legais, e também seja significativa
para as crianças de diferentes origens. O cenário exige que você guie a equipe docente na
integração dos campos de experiência ao currículo, garantindo que a educação seja integral e
plural.
Caminhos de Resolução:Caminhos de Resolução:Caminhosde Resolução:Caminhos de Resolução:
Orientação pelas políticas curriculares e a BNCC:Orientação pelas políticas curriculares e a BNCC:Orientação pelas políticas curriculares e a BNCC:Orientação pelas políticas curriculares e a BNCC: comece por capacitar os professores para
entenderem como os pressupostos legais e a BNCCpressupostos legais e a BNCCpressupostos legais e a BNCCpressupostos legais e a BNCC devem orientar a construção de um currículo
que seja inclusivo e atenda às necessidades específicas da comunidade escolar. Promova
discussões sobre as concepções curriculares críticas, que vão além da simples transmissão de
conteúdos, focando em como preparar as crianças para serem cidadãos conscientes em um mundo
diversificado e em constante mudança.
Integração dos campos de experiência:Integração dos campos de experiência:Integração dos campos de experiência:Integração dos campos de experiência: incentive os professores a usarem os campos de
experiência como uma ferramenta para criar práticas pedagógicas que integrem diferentes áreas
do conhecimento de forma significativa. Por exemplo, ao trabalhar com o campo "O Eu, o Outro e o
Nós", os professores podem desenvolver atividades que respeitem e celebrem as diferentes
culturas representadas na sala de aula, promovendo o respeito e a valorização da diversidade.
Promoção da Educação Integral:Promoção da Educação Integral:Promoção da Educação Integral:Promoção da Educação Integral: Para garantir que a educação seja realmente integral, é
importante que o currículo não se limite ao desenvolvimento cognitivo, mas que também aborde
aspectos emocionais, sociais e físicos das crianças. Promova projetos interdisciplinares que
envolvam as famílias e a comunidade, criando uma rede de apoio que contribua para o
desenvolvimento pleno dos estudantes.
Reflexão Final:Reflexão Final:Reflexão Final:Reflexão Final:
Desse modo, ao implementar esses caminhos, você atenderá exigências legais da BNCC e
promoverá uma educação crítica e inclusiva. Isso prepara as crianças para enfrentar os desafios
futuros com responsabilidade social e consciência de sua própria identidade e da diversidade ao
seu redor. Enquanto essa é uma possível solução, considere outros caminhos que também possam
integrar os campos de experiência e a educação integral na prática pedagógica. Como coordenador,
quais outras estratégias você poderia adotar para fortalecer ainda mais essa abordagem inclusiva e
crítica?
Este estudo de caso visa prepará-lo para enfrentar desafios semelhantes em sua prática
profissional, garantindo que você esteja pronto para implementar currículos que façam a diferença
na vida dos estudantes.
Assimile
Figura 1 | Principais documentos utilizados para orientar a construção dos currículos no Brasil.
Fonte: Batista (2021).
Referências
BATISTA, A. J. G.; BAREA, N. R. Currículo e InovaçõesCurrículo e InovaçõesCurrículo e InovaçõesCurrículo e Inovações. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional
S.A., 2021.LDB de 1971. Jorge Hage envia um
projeto de lei para a nova LDB e Darcy Ribeiro, envia outro. Durante oito anos houve um embate
entre os dois relatores, do qual Darcy Ribeiro saiu vitorioso
Sua proposta de LDB é centralizadora, já que parte do princípio que deve haver uma base curricular
comum a ser desenvolvida em todo território nacional, por qualquer escola.
O destaque desta Lei, é ampliar a obrigatoriedade da educação básica (indo desde os quatro anos
de idade na educação infantil até o ensino médio – na LDB de 1971, a educação obrigatória era
apenas de oito anos) além de democratizar e ampliar o acesso a todas as crianças brasileiras. Toda
as políticas e legislações educacionais que decorreram da LDB de 1996, tais como as DCN, os
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e a BNCC têm uma forte identidade cidadã, democrática e
voltada à justiça social que retratam as discussões da década de 1980 e trabalham arduamente
para soterrar as políticas relacionadas à ditadura militar.
Portanto, o primeiro objetivo das DCN é:
I – Sistematizar os princípios e diretrizes gerais da Educação Básica contidos na Constituição, na LDB e demais
dispositivos legais, traduzindo-os em orientações que contribuam para assegurar a formação básica comum nacional,
tendo como foco os sujeitos que dão vida ao currículo e à escola. (BRASIL, 2013, p. 7)
Assim, as DCN apresentam uma base comum nacional para as etapas que compõem a educação
básica, a saber: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, servindo como orientador
para a proposição dos currículos que correspondam a cada etapa, consolidando, desta forma, um
sistema nacional para a educação.
Elas também apontam que as oportunidades de acesso e permanência na escola é um fator
decisivo para a melhoria da qualidade educacional da população, orientado como deve ser a
democratização de acesso às escolas, propondo a criação de novas escolas em todo o território
nacional bem como a ampliação das escolas já existentes; também indicam a necessidade de
melhorar a qualificação profissional de professores como uma das formas de ampliar a qualidade
da educação e combater a evasão e o fracasso escolar.
Antes de entrar nos segmentos específicos, tais como educação no campo, educação quilombola,
entre outros, as DCN trazem uma definição para currículo como um: “conjunto de práticas que
proporcionam a produção, a circulação e o consumo de significados no espaço social e que
contribuem, intensamente, para a construção de identidades sociais e culturais” (BRASIL, 2013, p.
23).Assim, o currículo precisa descrever as práticas educacionais que levam à construção cultural e
social dos diversos coletivos de pessoas. Quando se inicia a abordagem sobre currículo, é
necessário trazer à tona duas grandes referências: os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e a
Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Os PCN foram publicados em 1997, são mais antigos, e serviram como uma proposta curricular
para as escolas, pois norteavam as atividades realizadas em sala de aula. Apontavam os conteúdos
a serem trabalhados e as melhores práticas pedagógicas para uma aprendizagem de qualidade,
enfocando as três etapas da educação básica (educação infantil – no caso, chamava-se RCNEI –
Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, ensino fundamental I e II e ensino médio).
Foram produzidos em volumes separados e específicos: língua portuguesa, educação física,
matemática, arte, ciências naturais, geografia e história, além de mais três volumes que tratavam
dos temas transversais: o que são e para que servem os temas transversais, pluralidade cultural e
orientação sexual e, o último, meio ambiente e saúde.
Os PCN representaram uma proposta moderna e focada no desenvolvimento de projetos que
servia como um estímulo reflexivo para que o professor pudesse criar seus próprios projetos e
enfocar outros conteúdos do currículo que não chegaram a ser expressos nos volumes dos nos
documentos oficiais. Como o próprio nome diz, a ideia era dar parâmetros para os professores,
mas um dos problemas encontrados é que grande parte dos professores apenas copia as
execuções propostas nos PCN, limitando-se ao que estava apresentado, sem incorporar novos
olhares, novas metodologias ou novos conteúdos específicos de cada área.
Esse documento é considerado como uma política educacional, uma vez que o governo federal
financiou a participação dos maiores representantes acadêmicos de cada área na elaboração dos
materiais, norteando uma proposta de melhoria para a educação escolar voltada às classes menos
privilegiadas. Trata-se de um material de fácil acesso, disponível gratuitamente na internet e que
apresenta grande qualidade pedagógica até os dias atuais, que deve ser do conhecimento de todos
os professores, um excelente ponto de partida para ajudar na compreensão da organização de
outro grande marco em termos de política educacional brasileira: a BNCC.
Ainda que os PCN trouxessem a perspectiva de uma base curricular comum, nem todos as suas
propostas podiam ser adaptadas às diversas realidades locais. Também passou a ser importante
considerar os diversos movimentos internacionais relacionados ao campo da educação e formação
do ser humano ético, responsável, proativo, protagonista e competente.
Antes de iniciar o estudo sobre a BNCC, é importante considerar que o mundo passou por algumas
transformações no campo da educação, com propostas formais e compromissos educacionais
assinados por diversas nações. A seguir, um panorama das políticas públicas educacionais, das
agências internacionais voltadas à promoção da educação e de projetos significativos que
influenciaram diversos países a repensarem seus objetivos em relação à formação dos cidadãos do
futuro e as práticas pedagógicas dos professores:
Declaração de Salamanca: a educação especial e inclusiva é um movimento de significativa
importância que se tornou evidente a partir da Conferência Mundial sobre Educação Especial
ocorrido em Salamanca, na Espanha, em 1994. A Declaração de Salamanca é o documento que
resultou desta conferência, do qual o Brasil é signatário, e traz as diretrizes básicas para criação e
implantação de políticas públicas alinhadas com o movimento de inclusão social.
Os quatro pilares da educação do futuro: no início dos anos de 1990 a Unesco (órgão da ONU
dedicado à valorização, à disseminação e ao aprimoramento da educação, à ciência e à cultura)
organizou uma comissão de representantes de cada país afiliado e outros convidados para que
organizassem uma proposta para a educação do futuro. Em 1996 foi publicado o livro-relatório:
Educação: um tesouro a descobrir, que versa sobre os quatro pilares essenciais para os processos
educativos do século XXI: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a
ser. Esses pilares representam uma carta de princípios básicos que sustentam a ação pedagógica,
considerando que o cidadão precisa ter essas quatro aprendizagens bem desenvolvidas para que
possa usufruir do futuro.
A aprendizagem por projetos: em Portugal existe uma escola chamada Escola da Ponte – trata-se de
um modelo pedagógico de trabalho baseado em projetos, ou seja, o aluno ou um pequeno grupo
de alunos se dedica a aprender por meio da criação e do desenvolvimento de sucessivos projetos
de pesquisa. O modelo de aprendizagem por projetos foi amplamente discutido na Espanha e
chegou a ser implantado em algumas regiões do país.
Você deve estar se perguntando: qual a relação da Declaração de Salamanca, dos quatro pilares da
educação e da aprendizagem por projetos com o tema desta seção (pressupostos legais e políticas
curriculares no Brasil)?
Pois bem, todas as legislações e políticas públicas que versam sobre educação são movimentadas a
partir de novas ideias, de novos compromissos, de situações que precisam ser melhoradas. A partir
de meados da década de 1980, o cenário educacional tornou-se palco de grandes discussões e
temáticas que até então não eram discutidas, foram evidenciadas: inclusão social,reconhecimento
da existência de diversos grupos sociais (indígenas, privados de liberdade, quilombolas, entre
outros), os pilares essenciais para a construção da sociedade do futuro justa, ética e igualitária.
Por exemplo, os PCN (em particular os Temas Transversais) tiveram sua escrita amplamente
influenciada pelo modelo de projetos educacionais desenvolvidos na Espanha, conforme
mencionamos. As políticas de inclusão escolar foram fortemente embasadas na Declaração de
Salamanca. Os estudos decorrentes dos quatro pilares da educação do futuro retomaram aspectos
antropológicos, filosóficos e sociológicos sobre a constituição das sociedades e sobre a visão de ser
humano competente em relação ao enfrentamento dos desafios próprios de cada época. Afinal, um
indivíduo competente é aquele que sabe empregar (aprender a fazer) eticamente (aprender a ser)
seus conhecimentos (aprender a aprender) em benefício próprio e do seu grupo social (aprender a
conviver).
O desenvolvimento de competências, principalmente as de ordem socioemocional, são a essência
da Base Nacional Comum Curricular.
A BNCC foi homologada em 2017 e, após quarenta e quatro mil contribuições, foi aprovada em 4 de
dezembro do ano seguinte. Trata-se de um documento normativo que traz as referências
obrigatórias para a educação infantil, para o ensino fundamental e para o ensino médio que cada
escola deve seguir ao elaborar seus currículos, ou seja, apresenta as aprendizagens essenciais e os
direitos educacionais para o desenvolvimento pleno de todos os estudantes.
Inovadora, a BNCC apresenta dez competências gerais que devem nortear as áreas de
conhecimentos e componentes curriculares: 
1) Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente
construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital
para entender e explicar a realidade, continuar
aprendendo e colaborar para a construção de uma
sociedade justa, democrática e inclusiva. 
 
2) Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à
abordagem própria das ciências, incluindo a
investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e
a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar
hipóteses, formular e resolver problemas e criar
soluções (inclusive tecnológicas) com base nos
conhecimentos das diferentes áreas. 
3) Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e
culturais, das locais às mundiais, e também participar de
práticas diversificadas da produção artístico-cultural. 
 
4) Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-
motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora
e digital –, bem como conhecimentos das linguagens
artística, matemática e científica, para se expressar e
partilhar informações, experiências, ideias e
sentimentos em diferentes contextos e produzir
sentidos que levem ao entendimento mútuo. 
5) Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de
informação e comunicação de forma crítica, significativa,
reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as
escolares) para se comunicar, acessar e disseminar
informações, produzir conhecimentos, resolver problemas
e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva
inclusiva. 
 
6) Valorizar a diversidade de saberes e vivências
culturais e apropriar-se de conhecimentos e
experiências que lhe possibilitem entender as relações
próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas
alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de
vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e
responsabilidade. 
7) Argumentar com base em fatos, dados e informações
confiáveis, para formular, negociar e defender ideias,
pontos de vista e decisões comuns que respeitem e
promovam os direitos humanos, a consciência
socioambiental e o consumo responsável em âmbito local,
regional e global, com posicionamento ético em relação ao
cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 
 
8) Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física
e emocional, compreendendo-se na diversidade
humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros,
com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 
9) Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e
a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o
10) Agir pessoal e coletivamente com autonomia,
responsabilidade, flexibilidade, resiliência e
respeito ao outro e aos direitos humanos, com
acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e
de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e
potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 
 
determinação, tomando decisões com base em
princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis
e solidários. 
Quadro 1 | Competências gerais da educação básica. Fonte: MEC.
Por ser um documento normativo, a BNCC pode ser considerada como uma legislação, ou seja,
deve ser cumprida, ainda que aceite flexibilização na escrita dos currículos escolares. Ao ler a BNCC,
percebemos que ela está organizada por áreas no ensino fundamental e no ensino médio e por
campos de experiência na educação infantil. Além disso, são arroladas as habilidades a serem
desenvolvidas ao longo de um ano letivo para cada série/ano.
Vejamos, ainda, duas políticas públicas que devem ser observadas quando as escolas escrevem
seus currículos: o Plano Nacional da Educação (PNE) 2014-2024 e a Agenda Global de Educação
2030.
O PNE 2014-2024 é, na verdade, uma lei (nº 13.005/2014) que apresenta 20 metas a serem
alcançadas. As primeiras tratam da universalização de acesso à educação aos diferentes públicos e,
em seguida, aborda a garantia de inclusão nos sistemas escolares. Também apresenta que todas as
crianças devem ser alfabetizadas até o terceiro ano do ensino fundamental. O PNE, portanto, acaba
norteando também a construção do currículo, uma vez que os processos de ensino-aprendizagem
devem corresponder as metas propostas. O trabalho inclusivo e os processos de alfabetização
exigem metodologia específica, o que precisa ser previsto no currículo.
A Agenda Global de Educação 2030 ou Declaração de Incheon foi a aprovada em 2015 no Fórum
Mundial de Educação que ocorreu na Coréia do Sul. A Unesco lidera e coordena a Agenda, que está
pautada no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4, voltado à educação: “assegurar a educação
inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida
para todos”. (PNUD; IPEA, [s. d.]). Deste objetivo, decorrem metas de ordem estrutural, quantitativa
e pedagógicas que influenciam a construção do currículo escolar:
4.2 Até 2030, garantir que todos os meninos e meninas tenham acesso a um desenvolvimento de qualidade na
primeira infância, cuidados e educação pré-escolar, de modo que estejam prontos para o ensino primário. 
4.4 Até 2030, aumentar substancialmente o número de jovens e adultos que tenham habilidades relevantes, inclusive
competências técnicas e profissionais, para emprego, trabalho decente e empreendedorismo. 
4.5 Até 2030, eliminar as disparidades de gênero na educação e garantir a igualdade de acesso a todos os níveis de
educação e formação profissional para os mais vulneráveis, incluindo as pessoas com deficiência, povos indígenas e as
crianças em situação de vulnerabilidade. 
4.6 Até 2030, garantir que todos os jovens e uma substancial proporção dos adultos, homens e mulheres, estejam
alfabetizados e tenham adquirido o conhecimento básico de matemática. 
 
4.7 Até 2030, garantir que todos os alunos adquiram conhecimentos e habilidades necessárias para promover o
desenvolvimento sustentável, inclusive, entre outros, por meio da educação para o desenvolvimento sustentável e
estilos de vida sustentáveis, direitos humanos, igualdade de gênero, promoção de uma cultura de paz e não-violência,
cidadania global, e valorização da diversidade cultural e da contribuição da cultura para o desenvolvimento
sustentável. 
Quadro 2 | Metas pedagógicas da Agenda Global de Educação 2030. Fonte: https://bit.ly/2U2D3m3.
Assim, as escolas e os professores, ao elaboraremos currículos, precisam estar atentos às
demandas apresentadas pelas políticas educacionais e pelos documentos internacionais dos quais
o Brasil é signatário.
Assimile O currículo é uma trajetória educacional organizada em cada escola proposta para a
formação dos estudantes. O documento base que orienta a produção deles é a BNCC. As políticas
curriculares também devem ser consideradas na construção dos currículos pois são construídas em
amplitude nacional e em nível internacional.
Portanto, tivemos como enfoque conhecer os pressupostos legais que orientam a elaboração dos
currículos – LDB, o PNE, a BNCC –  e as políticas curriculares, ou seja, o processo orientado para as
necessidades sociais que precisam ser contemplados no processo educacional dos alunos, como
Agenda Global de Educação 2030, DCN, entre outros.
Vamos Exercitar?
Na situação-problema proposta, Laura está em um processo seletivo para ser auxiliar de classe de
uma escola bastante respeitada em sua região. Ela precisa propor um planejamento para o 5º ano
do ensino fundamental como enfoque no: “Argumentar oralmente sobre acontecimentos de
interesse social, com base em conhecimentos sobre fatos divulgados em TV, rádio, mídia impressa
e digital, respeitando pontos de vista diferentes” (BRASIL, 2018).
Laura está muito empolgada e sabe que precisa apresentar um diferencial que a destaque no
processo seletivo. Decidiu que a melhor opção era escolher um trecho de uma legislação
educacional ou de uma política curricular para subsidiar seu planejamento. Você irá ajudá-la,
escolhendo um trecho dos documentos estudados nesta seção e apresentando ideias de como ela
pode construir sua proposta, justificando o motivo de sua escolha.
Qual seria sua sugestão?
Vejamos algumas opções para construir sua resposta.
Exemplo 1:
Escreva uma proposta que pode ser organizada como um pequeno planejamento (começo, meio e
fim de um pequeno projeto, por exemplo):
Durante a semana, observar uma notícia de grande destaque voltada para o universo das crianças
do 5º ano. Por exemplo, digamos que esteja perto do Dia das Crianças, levar notícias sobre o Dia
das Crianças e pedir que as crianças acompanhem TV, rádio, mídia impressa e digital. Realizar
pesquisa para saber a origem do Dia das Crianças, sobre a Declaração Universal dos Direitos da
Criança e refletir sobre o consumo e o marketing. Levantar exposições orais e debates sobre as
descobertas. Solicitar que as crianças gravem mensagens orais umas para as outras,
homenageando-as e comemorando esta data de forma diferente.
Elabore uma pequena justificativa para sua proposta.
Esta proposta é bastante interessante porque traz um contexto para discussão crítica relacionado
ao universo infantil, desenvolve a oralidade, associa-se às competências essenciais a serem
desenvolvidas para a educação integral dos alunos, coloca os alunos em situação de protagonismo,
enfim, atende as políticas curriculares e alinha-se com a BNCC.
Outro exemplo para ajudar a construção da sua resposta:
Escolha uma legislação ou política curricular estudada nesta aula para utilizar como fonte de
pesquisa a ser indicada à Laura. Cite o trecho escolhido e referencie conforme a ABNT ou indique o
autor, o título e a página da qual está retirando o trecho):
Vamos trabalhar agora a LDB:
Sessão III - § 5º O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, conteúdo que trate dos direitos das
crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da
Criança e do Adolescente, observada a produção e distribuição de material didático adequado. (BRASIL, 1996) 
Escreva uma proposta que pode ser organizada como um pequeno planejamento (começo, meio e
fim de um pequeno projeto):
Trazer a Declaração Universal dos Direitos da Criança, o Estatuto da Criança e do Adolescente,
permitir a livre exploração. Deixar que as crianças escolham um tema para pesquisar em diversas
mídias: TV, rádio, mídia impressa e digital – cada grupo pode ficar com um grande tema. A
professora precisará mediar a pesquisa, indicando materiais adequados para os grupos. Os grupos
apresentarão oralmente exemplos que conheçam ou que tenham acontecido com eles em relação
à preservação ou violação dos direitos infantis.
Elabore uma pequena justificativa para a sua proposta.
Aqui vemos uma proposta que atende a LDB e a habilidade descrita na BNCC, oportunizando uma
reflexão real, crítica e adequada à idade das crianças, uma vez que a proposta será mediada pela
educadora responsável.
Agora é a sua vez de buscar uma solução para esta situação-problema.
Com sua ajuda, Laura conseguirá ser contratada!
Saiba mais
Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo “Políticas curriculares, Educação básica brasileira,
internacionalização: aproximações e convergências discursivas” que apresenta um mapeamento
das políticas curriculares, os resultados mostram que há relativa identificação entre as atuais
prescrições curriculares oficiais da educação básica brasileira e os requerimentos ou expectativas
dos movimentos transnacionais de internacionalização, e que essa aproximação ocorre em
diferentes aspectos da dinâmica curricular.
Referências
BRASIL. Lei nº 9.394Lei nº 9.394Lei nº 9.394Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional. Disponível em: https://bit.ly/3rbDxCn. Acesso em: 6 set. 2024.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. Disponível em:
https://bit.ly/3wGttCy. Acesso em: 06 set. 2024.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Educação Básica.
Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação BásicaDiretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação BásicaDiretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação BásicaDiretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC, 2013. Disponível em:
https://bit.ly/2VJny2P. Acesso em: 6 set. 2024.MEC.
Base Nacional Comum Curricular - Educação é a Base. [s.d.]. Disponível em:
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#introducao. Acesso em: 28 jan. 2021.
PNUD; IPEA. Plataforma Agenda 2030.Plataforma Agenda 2030.Plataforma Agenda 2030.Plataforma Agenda 2030. Disponível em: https://bit.ly/3yX5m3R. Acesso em: 06 set.
2024.
THIESEN, J. S. Políticas curriculares, Educação Básica brasileira, internacionalização: aproximações e
convergências discursivas. Educ. Pesqui.,Educ. Pesqui.,Educ. Pesqui.,Educ. Pesqui., São Paulo, v. 45, e190038, 2019. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/ep/a/99G6fThFygFYqSHJZFrkvmM/?format=pdf
A Organização Currícular a Partir da BNCC
Olá, estudante! Nesta videoaula, exploraremos o papel fundamental da Base Nacional Comum
Curricular (BNCC) como orientadora do currículo educacional, destacando sua importância na
definição das aprendizagens essenciais para a educação básica, com o objetivo de promover o
desenvolvimento pleno de todos os estudantes. Abordaremos as áreas de conhecimento e suas
respectivas etapas de ensino, analisando os objetivos de aprendizagem, objetos de conhecimento,
habilidades e as concepções de avaliação, além de discutir como as 10 competências gerais da
BNCC servem como um norteador crucial para o desenvolvimento das competências específicas de
cada componente curricular. Prepare-se para uma compreensão aprofundada de como a BNCC
estrutura e organiza o ensino em prol de uma educação mais inclusiva e eficaz.
Faça o download do arquivo
Ponto de Partida
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é, no Brasil, a mais recente proposta em termos de
política curricular. É um privilégio participar deste marco histórico e pedagógico, mas exige
dedicação, aprendizagem e o esforço de ser o primeiro grupo a implementar as propostas
indicadas.
A elaboração da BNCC não foi um processo simples e isento de críticas. A sua primeira versão foi
disponibilizada para consulta e sugestões em setembro de2015. Em um estado democrático, as
grandes propostas nacionais são submetidas a consultas públicas e as sugestões são acolhidas,
analisadas e implementadas após análise de um comitê responsável.
Desta forma, organizações não governamentais, institutos vinculados ao campo educacional,
universidades e acadêmicos elaboram suas sugestões e encaminham ao comitê para análise. Caso
haja pertinência, as sugestões são implementadas no documento. Foram encaminhadas, no
período aberto para consulta e sugestão, mais de 44 mil propostas. Durante estes dois anos, foram
lançadas duas versões preliminares. A versão final da BNCC foi promulgada em 20 de dezembro de
2017.
A BNCC traz inovações. Em primeiro lugar, introduz a ideia de que a educação está intimamente
relacionada ao desenvolvimento de competências aliada à aprendizagem de objetos de
conhecimentos. Estes termos essenciais para a compreensão da Base, que parecem complexos à
primeira vista, serão detalhados nesta seção.
A BNCC sofre críticas e uma das mais contundentes é a de que a ideia de desenvolver competências
está alinhada com a lógica de mercado e não com a promoção da formação de um indivíduo pleno,
capaz de fazer as melhores escolhas para si e participar conscientemente da sociedade.
Há, também, críticas mais específicas em relação aos objetos de conhecimento que foram
escolhidos para estudo em detrimento de outros, apontando que  a BNCC tirou do professor a
autonomia de escolha das habilidades e dos objetos de conhecimento que são mais pertinentes de
serem estudados em função do período histórico e das características regionais dos alunos, assim,
as necessidades educacionais do público atendido não são consideradas, já que a BNCC normatiza
o que deve ser ensinado. Esta crítica não é tão pertinente, já que a autonomia didático-pedagógica
do professor é garantida e a BNCC tem caráter flexível, mas o que provavelmente acontecerá é que,
para que se garantam os direitos educacionais propostos na Base, os professores acabem
transitando apenas pelo que é proposto no documento.
Entende-se, então, que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento normativo que
apresenta a organização curricular a ser desenvolvida em cada rede de ensino, no caso, redes
municipais, estaduais e federais de educação. Este é, atualmente, o ponto de partida que orienta a
organização do docente da educação básica.
A constituição desse documento é fruto da evolução de políticas públicas, políticas educacionais
internacionais, uma aprimorada visão dos cidadãos que se deseja formar e o momento histórico
que vivemos, bem como do emprego de práticas pedagógicas modernas e ativas. Neste sentido,
vamos iniciar retomando a LDB 9394/96 e as Diretrizes Curriculares Nacionais como os primeiros
mecanismos de reorganização curricular que deram origem à BNCC.
Em seguida, estudaremos os PCN, propostas que orientam a ação didática dos professores e que já
admitiam a flexibilização curricular frente às diversidades regionais e necessidades educativas
locais. Os PCN apontavam para a construção de competências e habilidades, ainda que isto não
estivesse claramente descrito. Já a BNCC, nosso próximo assunto, é um marco em termos de
políticas públicas para a educação nacional. Veremos, então, como o currículo se organizou para
atender as propostas de desenvolvimento de competências e habilidades que formam o cidadão
proativo, crítico e transformador da própria realidade.
O PNE 2014-2024 norteia a política educacional brasileira, apontam-se as metas e os objetivos a
serem alcançados e você estudará como este documento propõe a democratização do ensino no
Brasil.
Agora imagine a seguinte situação: Laura participou de um processo seletivo para a vaga de
professora-auxiliar do 5º ano do ensino fundamental em uma escola reconhecida por sua
qualidade pedagógica na região onde mora. Ela foi aprovada no processo seletivo e atua há oito
meses como professora-auxiliar. Tem aprendido bastante e, algumas vezes, chegou a organizar
processos de ensino-aprendizagem substituindo a professora. A própria escola propõe que a
professora-auxiliar assuma, de tempos em tempos, a regência da sala para se acostumar e
desenvolver as próprias competências, afinal é provável que em algum momento a professora-
auxiliar se torne professora efetiva.
Laura está feliz com a nova oportunidade de trabalho e tem recebido elogios da professora da
turma do 5º ano. A coordenação tem observado o quanto ela é cuidadosa com as crianças e
responsável com as propostas pedagógicas que constrói.
Acontece que a professora da turma do Infantil III (crianças com cerca de cinco anos de idade) está
grávida e provavelmente entrará em licença-maternidade dentro de três meses.
A equipe de coordenação pedagógica analisou as possibilidades de realizar uma nova contratação
ou oferecer esta vaga para um dos colaboradores da escola. Optou-se por convidar uma das
professoras-auxiliares para substituir a professora do Infantil III durante sua licença maternidade, e
Laura foi a professora escolhida.
Laura não se sentiu muito segura com a proposta, mas não teve como recusar, afinal é uma
excelente experiência para compor seu currículo e para ampliar sua área de atuação, já que sua
única experiência tem sido no ensino fundamental anos iniciais.
Ela entende que precisa estudar e conhecer mais sobre o universo da educação para a faixa infantil.
Ela precisa imediatamente iniciar seus estudos sobre como a educação infantil é tratada na BNCC e
pede sua ajuda.
De que forma você conduziria um processo de formação para Laura?
Quais informações são significativas para a aprendizagem de Laura?
Descreva os temas principais que você proporia para Laura, utilizando três páginas no máximo, ou
três slides.
Considere que ela precisa aprender:
Os direitos de aprendizagem da educação infantil.
Os campos de experiência.
A transição da educação infantil para o ensino fundamental, mas que não representa ruptura, mas
continuidade e progressão dos objetivos/habilidades de aprendizagem já que o Infantil III, grupo
em que substituirá a professora de licença-maternidade, é o grupo final da educação infantil. Os
estudos sobre a educação brasileira não são simples e fazem parte da sua formação profissional.
Esperamos que aproveite bastante este estudo, observando tanto os aspectos inovadores que a
BNCC apresenta quanto a forma como se organiza, pois é esta análise que permitirá a você ter
atuação consciente, crítica e política.
Vamos Começar!
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que define o
conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem
desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, de modo a que tenham
assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em conformidade com o que
preceitua o Plano Nacional de Educação (PNE). (BRASIL, 2018).
Ou seja, trata-se de um documento que propõe o que os alunos precisam aprender em sua
trajetória escolar, em todo território brasileiro. Assim, os professores precisam atender o que a
BNCC propõe e, claro, podem ampliar a proposta, mas não fazer menos do que se apresenta na
Base.
Em sua parte introdutória, a BNCC traz a definição de competência como a mobilização
de: conhecimentos, que envolvem conceitos e procedimentos; habilidades, que envolvem as
práticas cognitivas e socioemocionais; atitudes e valores para resolver os desafios pessoais e da
vida em sociedade, em consonância com o exercício da cidadania e do mundo do trabalho.
De acordo com a Base, as dez competências gerais da educação básica se interrelacionam e se
desdobram nas três etapas: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.
1111  Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital
para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade
justa, democrática e inclusiva. 
 
2222  Exercitar a curiosidade intelectual erecorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a
reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses,
formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das
diferentes áreas. 
 
 
3333  Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de
práticas diversificadas da produção artístico-cultural. 
 
4444  Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e
digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e
partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem
ao entendimento mútuo. 
 
5555  Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa,
reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar
informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e
coletiva. 
 
6666  Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe
possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da
cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade 
 
7777  Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias,
pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência
socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em
relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 
 
8888  Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e
reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 
 
9999  Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o
respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de
grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 
 
10101010  Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação,
tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. 
 
Quadro 1 | Competências gerais da educação básica. Fonte: Brasil (2018, p. 9-10).
As competências foram construídas de forma que o estudante aprenda os conhecimentos sociais e
saiba empregá-los em situações diversas da vida, de forma autônoma e proativa, e que também
tenha possibilidade de construir sua identidade e seu repertório de valores.
Essas competências estão associadas às aprendizagens essenciais que norteiam as áreas de
conhecimento e seus componentes curriculares. E é sobre o desenvolvimento das competências
que repousa o processo avaliativo. A avaliação precisa ser contínua para que possa trazer
indicadores rápidos e precisos sobre o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos. Assim, é
preciso criar mecanismos avaliativos que permitam evidenciar não apenas a aprendizagem de
conceitos e o manejo destes, mas que propiciem ao estudante expor a construção de suas atitudes
e de seus valores frente aos objetos de conhecimento aos quais foram expostos.
Siga em Frente...
Pedagogicamente, a BNCC se baseia nos estudos da Unesco, em particular nas orientações do
Laboratório Latino-americano de Evolução da Qualidade da Educação.
Desse modo, ao adotar esse enfoque, o documento indica que as decisões pedagógicas devem
estar orientadas para o desenvolvimento de competências. Por meio da indicação clara do que os
alunos devem “saber” (considerando a constituição de conhecimentos, habilidades, atitudes e
valores) e, sobretudo, do que devem “saber fazer” (considerando a mobilização desses
conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida
cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho), a explicitação das
competências oferece referências para o fortalecimento de ações que assegurem as aprendizagens
essenciais definidas na BNCC. (BRASIL, 2018).
O conceito de objeto de conhecimento é central na BNCC pois corresponde a um conceito ou
conteúdo a ser aprendido, porém não de forma fragmentada, e sim múltiplas relações com outros
objetos de conhecimento. Não se trata mais de uma visão simplista sobre conteúdos, mas da
análise e incorporação de um corpo complexo de significações que se relacionam iminentemente
com algum aspecto importante da vida do estudante.
Assim, o processo educacional escolar precisa priorizar a aquisição dos conhecimentos e propiciar
que os alunos aprendam a empregar tais saberes em situações da vida. A BNCC traz a ideia de
igualdade: possibilidade de todos terem acesso à educação de qualidade e equidade e o
reconhecimento de que cada indivíduo é único e possui necessidades específicas de aprendizagem.
E isso, inicia-se desde a educação infantil.
Vamos Exercitar?
Retomando à situação-problema, Laura está enfrentando um desafio importante em sua carreira.
Ela foi convidada a assumir a docência para o grupo III da educação infantil, crianças que possuem
por volta de cinco anos, substituindo a professora que está em licença maternidade. Embora
estivesse se adaptando ao 5º ano do ensino fundamental, considerou que a oferta de fazer esta
substituição é muito interessante para sua carreira e aceitou.
Foi então que pediu para você organizar um processo que a ajude a estudar a etapa da educação
infantil na BNCC.
O que você diria a ela? Por onde Laura pode começar?
Em primeiro lugar, para responder esta situação-problema, você pode organizar suas ideias em um
texto, apresentação eletrônica, em formato de perguntas e respostas mais comuns ou, ainda,
fazendo um resumo, desde que não ultrapasse três páginas ou três slides.
É importante que a proposta de estudo que você está construindo para Laura inicie apresentando
como a educação infantil é considerada na BNCC. Em algum momento você precisará deixar claro
que, nesta etapa, o cuidar está intimamente ligado ao educar, então os professores dos bebês, das
crianças bem pequenas e das crianças pequenas precisam ficar atentos às necessidades
educacionais, emocionais e sociais de seus alunos.
A BNCC afirma que o melhor processo de aprendizagem para a educação infantil se dá por meio da
brincadeira, então as ações pedagógicas precisam ser lúdicas ao mesmo tempo que promovem
evolução na aprendizagem, abarcando, necessariamente, os seis direitos de aprendizagem. E é isso
que será preciso explicar para Laura: existem seis direitos de aprendizagem para a educação
infantil: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. As propostas mais ricas
envolvem a maior quantidade possível dos direitos de aprendizagem.
Sua proposta de estudo precisará enfocar os campos de experiência. É preciso explicar que os
campos de experiência foram idealizados para que as crianças possam exercer seus direitos de
aprendizagem, por este motivo estão intimamente relacionados às ideias de conviver, brincar,
participar, explorar, expressar e conhecer-se e os eixos norteadores da educação infantil são o
brincar e o interagir.
Neste momento, pode apresentar os campos de experiência: o eu, o outro e o nós; corpo, gesto e
movimentos; traços, sons, cores e formas; escuta, fala, pensamento e imaginação; espaços, tempos,
quantidades, relações e transformações e trazer pelo menos uma habilidade de cada campo
relacionado ao grupo etário que Laura lecionará.
Por fim, é preciso considerar que o grupo III (ou infantil III) é o grupo de transição da educaçãoinfantil para o ensino fundamental e, ao longo ano, é necessário criar estratégias que promovam a
continuidade no desenvolvimento das crianças no Ensino Fundamental, uma vez que as habilidades
são progressivas e ampliam desafios.
Saiba mais
Conheça a linha do tempo com os marcos da elaboração da Base Nacional Comum Curricular e
acesse documentos que fizeram parte dessa história.
Referências
BASE NACIONAL COMM CURRICULAR. Histórico da BNCC. Disponível em:
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/historico. 
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. Disponível em:
https://bit.ly/3ejoOQp. Acesso em: 5 set. 2024.
Os Campos de Experiência como Arranjo Curricular na Educação
Infantil
Olá, estudante! Nesta videoaula, caracterizaremos a educação infantil, compreendendo seu papel
fundamental no desenvolvimento integral das crianças e sua organização no contexto da Base
Nacional Comum Curricular (BNCC). Discutiremos como a BNCC articula a transição entre a
educação infantil e o ensino fundamental, garantindo a continuidade das aprendizagens e o
desenvolvimento progressivo das competências. Além disso, exploraremos os "campos de
experiência" estabelecidos pela BNCC para a educação infantil, que orientam as práticas
pedagógicas e asseguram que as crianças tenham experiências ricas e significativas desde os
primeiros anos de vida. Vamos lá?
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Ponto de Partida
Olá, estudante! Nesta aula, entenderemos como a etapa inicial da educação é essencial para o
desenvolvimento integral das crianças e como ela se articula de maneira harmoniosa com o ensino
fundamental, de acordo com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Vamos, também. descobrir os "campos de experiência" que orientam as práticas pedagógicas na
educação infantil, garantindo que as crianças vivenciem aprendizagens significativas e
enriquecedoras desde os primeiros anos. Prepare-se para um encontro de trocas, aprendizados e
reflexões que vão enriquecer sua compreensão sobre o papel da educação infantil na formação dos
futuros cidadãos.
Vamos lá?
Vamos Começar!
A premissa básica é de que cuidar não se dissocia da função de educar, o que ocorre através das
interações e brincadeiras. A BNCC apresenta seis direitos de aprendizagem para a educação
infantil.
Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o
conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas. 
 
Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e
adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua
criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais. 
 
Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das atividades
propostas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras,
dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se
posicionando. 
 
Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos,
histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas
diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia. 
 
Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses,
descobertas, opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens. 
 
Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus
grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na
instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário. 
 
Quadro 1 | Direitos de aprendizagem e desenvolvimento na educação infantil. Fonte: Brasil (2018,
p. 38).
O trabalho pedagógico consiste em proporcionar experiências que permitam à criança construir
hipóteses, fazer julgamentos, tirar conclusões, assimilar valores e construir conhecimentos, em
uma proposta de intencionalidade educativa construída pelos professores. Para assegurar os
direitos de conviver/brincar/participar/explorar/expressar-se/conhecer-se, a Base estrutura cinco
campos de experiência organizados em objetivos de aprendizagem e desenvolvimento.
 
Figura 1 | Campos de experiência. Fonte: Batista (2021).
Assim, a educação infantil é organizada em grupos por faixa etária, divide-se em:
Creche:Creche:Creche:Creche: bebês de zero a um ano e seis meses e crianças bem pequenas, de um ano e sete meses a
três anos e onze meses.
Pré-escola:Pré-escola:Pré-escola:Pré-escola: crianças pequenas, de quatro a cinco anos e onze meses.
Para cada grupo, definem-se os campos de experiência em termos de objetivos de aprendizagem.
Trata-se de objetivos de aprendizagem e não habilidades, pois é necessário que certas aquisições
ocorram antes de serem colocadas intencionalmente em prática, como ocorre com as habilidades.
Todos os objetivos de aprendizagem na BNCC são descritos por códigos alfanuméricos, como é
possível observar na linha cinza escura, na figura anterior.
 
Figura 2 | Modelização dos códigos alfanuméricos da BNCC. Fonte: Batista (2021)
Todos os objetivos da BNCC são apresentados por códigos alfanuméricos. O primeiro campo
identifica a etapa: EI que significa Educação Infantil; EF = Ensino Fundamental; EM = Ensino Médio.
O segundo campo indica o grupo ou ano: 01 – grupo 1 (bebês), 02 –  grupo 2 (crianças bem
pequenas) e 03 –  grupo 3 (crianças pequenas), 12 (primeiro e segundo anos), 89 (oitavo e nono
anos), etc.
O terceiro campo apresenta os campos de experiência ou componentes curriculares:
EO = O eu, o outros e o nós.
TS = Traços, sons, cores e formas.
EF = Escuta, fala, pensamento e imaginação.
ET = Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.
CI = Ciências.
AR = Arte.
EF = Educação Física etc.
A transição da etapa da educação infantil para o ensino fundamental necessita de atenção para que
ocorra de sem rupturas pois os objetivos de aprendizagem acontecem progressivamente, em um
processo contínuo.
Siga em Frente...
Ensino fundamental
O ensino fundamental divide-se em dois segmentos: anos iniciais (do 1° ao 5° ano) e anos finais (do
6° ao 9° ano) e organiza-se em grandes áreas e subsequentes componentes curriculares.
A BNCC apresenta dez competências gerais, e cada área de conhecimento componente curricular
apresentam habilidades específicas que aumentam, gradativamente, as ações a serem
desenvolvidas. Estas habilidades constituem-se em aprender conceitos e fatos, aplicação em
situações práticas e construção de atitudes e valores.
As habilidades também são identificadas por códigos, do mesmo modo que ocorre na educação
infantil, por exemplo: “(EF02MA01) Comparar e ordenar números naturais (até a ordem de
centenas) pela compreensão de características do sistema de numeração decimal (valor posicional
e função do zero)” (BRASIL, 2018, p. 283).
Em EF02MA01, entende-se EF = Ensino Fundamental, 02 = segundo ano, MA = Matemática, 01 =
objetivo 01 de aprendizagem. 
O ensino médio também possui organização das áreas e dos componentes curriculares de forma
semelhante.
Assimile
A BNCC traz uma nova organização curricular para todo o território nacional. Não apresenta
conteúdos a serem aprendidos, mas objetos de conhecimento em uma proposta mais arrojada e
integradora para a aprendizagem, já que os objetos de conhecimento se interrelacionam e são
estudados em uma perspectiva sócio-histórica. Além disso, as aprendizagens estão relacionadas ao
desenvolvimento de habilidades, ou seja, precisam evidenciaruma relação da aprendizagem com
vivências práticas e que propiciem a construção de valores pessoais. Essas são transformações
significativas na forma como o currículo escolar passa a ser construído a partir de 2018. Os
temas/conteúdos estão a serviço das habilidades. Portanto, a partir das habilidades a serem
desenvolvidas os objetos de conhecimento são elencados.
Reflita
Neste momento, gostaríamos de convidá-lo a refletir sobre o papel do professor frente às novas
perspectivas que a BNCC trouxe em termos de formação escolar para os estudantes. Você se sente
preparado a estruturar processos de aprendizagem que levem os alunos a aprenderem conceitos,
aplicá-los e, ainda, ter atitudes e construir valores que representem uma aprendizagem
significativa?
Caso ainda não se sinta preparado, considere que você tem um percurso acadêmico à frente e este
precisa ser bem aproveitado, portanto, dedique todos os esforços para se apropriar das
aprendizagens de sua graduação, explore os espaços acadêmicos de aprendizagem, aprofunde
seus estudos e pesquise bastante. Talvez você possa fazer cursos complementares específicos,
certamente isso ajuda a sua formação.
Exemplificando
O plano escolar é um documento organizado pelo professor no qual aponta como organizará o
processo de aprendizagem dos alunos. Todo professor prepara seu plano escolar, baseando-se no
projeto político pedagógico e no currículo da escola. Esse documento trata-se da organização da
proposta de trabalho que o professor planeja desenvolver com sua turma, ou seja, é a explicitação
de sua proposta formativa.
Um plano escolar normalmente é composto por Habilidades/Objetos de
conhecimento/Metodologia (modalidades organizativas e situações didáticas/ tratamento didático)
e avaliação habilidades a serem desenvolvidas. A BNCC traz os elementos que compõem o plano de
ensino do professor, basta que se faça a consulta e a seleção dos elementos citados.
Um dos preceitos da BNCC é o conceito de competência. Trata-se da capacidade de mobilizar
conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver os problemas do dia a dia. A formação
integral propõe que os estudantes desenvolvam, no mínimo, as dez competências gerais da
educação básica. Sempre que elaborar seu plano de ensino, precisa considerar o rol destas dez
competências.
É importante que você se aproprie da BNCC, principalmente das etapas relacionadas diretamente
com sua formação. Nos próximos anos, a BNCC será estudada intensamente e fará parte do seu
cotidiano profissional no campo da educação. Aproveite este período da graduação para estudá-la,
compreender sua potencialidade e seus limites e refletir acerca de sua aplicação prática.
Esperamos que você tenha aproveitado os estudos introdutórios acerca da organização da BNCC e
dos conceitos e temas que ela apresenta!
Vamos Exercitar?
Retomando à situação-problema, a escola em que Laura trabalha parte do princípio de que a
participação da comunidade é necessária para a construção de uma parceria educacional bem-
sucedida, ou seja, família participativa tende a apoiar as ações escolares e estimular a
aprendizagem de seus filhos. As famílias dos alunos do colégio em que Laura trabalha não
conhecem ainda a BNCC e seu escopo.
A primeira reunião se aproxima e cada professor juntamente com seus auxiliares, organizam uma
apresentação inicial, indicando como será o percurso de aprendizagem dos alunos. No caso, do 5º
ano do ensino fundamental, a professora da sala apresentará todos os componentes curriculares e
os objetivos de aprendizagem de cada trimestre. À Laura, coube uma pequena parte: explicar às
famílias o que são competências, habilidades, atitudes/valores na perspectiva da BNCC e trazer, ao
menos, um exemplo de desenvolvimento de competência que tenha em si, a execução de uma
habilidade, a demonstração de uma atitude ou a construção de um valor.
Como ela poderia fazer isso? A apresentação dela possui quatro slides.
Para resolver esta situação-problema, você precisará escrever em um documento ou utilizar, no
máximo, quatro slides, o conceito de competência. Deve citar a Base pois deixa as famílias mais
confiantes, de modo que compreendam que podem localizar a informação por si só, se desejarem
pesquisar posteriormente.
A definição de competência pode ser exemplificada: o que é um estudante competente? Aquele
que entende o que vai ser aprendido e, ao final, é capaz de evidenciar com um produto a sua
aprendizagem, por exemplo: ao estudar os sólidos geométricos, o aluno é capaz de construir um
cubo, um cone, um prisma etc. Então, há o conhecimento que capacita a empregá-lo e relacioná-lo
na vida cotidiana. O conceito de competência não é tão simples assim, e Laura pode comentar
sobre isso.
Segundo, para esclarecer melhor, Laura deve entrar com o conceito de habilidade: capacidade de
ação, de realizar alguma coisa, tanto cognitivamente (como um cálculo) quanto fisicamente (escrita,
desenho, construção de maquete) e até mesmo socioemocional (saber se relacionar em grupo e
administrar situações que envolvem pessoas).
E, por fim, é preciso definir atitudes e valores: toda aprendizagem mobiliza uma construção crítica,,
o aluno que se envolve com a aprendizagem, demonstra-se motivado e é capaz de enxergar valor
no que aprende está desenvolvendo boas atitudes. Em termos de valores, entende-se como a
mudança de perspectiva sobre algo: quem não gosta de matemática passa a gostar, quem não usa
o conhecimento científico no cotidiano passa a usar, é capaz de ensinar outras crianças e até
mesmo promover mudanças em sua vida pessoal.
Saiba mais
O artigo “Currículo da educação infantil – considerações a partir das experiências das crianças”
analisa os sentidos produzidos pelas crianças sobre a experiência educativa. A partir de um quadro
teórico que articula os estudos da infância, a teoria de Walter Benjamin, a sociologia da experiência
de François Dubet e as pedagogias da infância e da Educação Infantil, busca-se compreender como
as falas e as ações das crianças contribuem para a proposição de um currículo por campos de
experiências.
Referências
BATISTA, A. J. G.; BAREA, N. R. Currículo e InovaçõesCurrículo e InovaçõesCurrículo e InovaçõesCurrículo e Inovações. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional
S.A., 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. Disponível em:
https://bit.ly/3ejoOQp. Acesso em: 5 set. 2024.
SANTOS, S. V. S. Currículo da educação infantil - considerações a partir das experiências das
crianças. Educação em RevistaEducação em RevistaEducação em RevistaEducação em Revista, v. 34, p. e188125, 2018. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/edur/a/xchDQ9dsNn6DzRzBsgr3wmP
Educação Integral e BNCC
Olá, estudante! Nesta videoaula, exploraremos a diferença entre um currículo compromissado com
a educação integral e a educação em tempo integral, destacando como o primeiro se foca no
desenvolvimento pleno do estudante em todas as suas dimensões, independentemente do tempo
escolar. Discutiremos a importância da integração curricular, promovendo uma educação sem
fragmentação dos componentes curriculares, que faça sentido para os estudantes, conectando
saberes e experiências. Além disso, abordaremos uma visão plural, singular e integral do estudante,
desde a infância até a vida adulta, considerando processos educativos que incluam as diversas
infâncias, juventudes e culturas juvenis, garantindo uma educação inclusiva e significativa para
todos. Vamos lá?
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Ponto de Partida
Olá, estudante! Estamos chegando ao final desta unidade e é importante que você se faça as
seguintes perguntas: em termos gerais, a nova orientação curricular, proposta pela BNCC, tem qual
finalidade? Quais problemas ou dificuldades ocorreram para que houvesse a necessidade de se
criar uma base curricular comum em todo o país?
Sabemos que essa discussão é antiga e, certamente, bastante longa, iremosapresentar alguns
fatos que trouxeram a necessidade de uma reformulação curricular.
A principal discussão sobre currículo se dá sobre que tipo de cidadão queremos formar. É preciso
saber que as primeiras escolas criadas, neste modelo que temos até os dias atuais, remontam ao
século XVIII, com a intenção de atender os filhos de operários e formar trabalhadores para a
fábrica, além de formar soldados para os exércitos. Então, como se percebe, a finalidade não era
promover um cidadão crítico, participante e autônomo, mas alguém que cumprisse suas
obrigações e segue regras.
Esta posição vem sendo duramente criticada desde então, principalmente no século XX, após a
Primeira Guerra Mundial. Diversas reflexões, teorias e propostas educacionais buscam, desde
então, uma nova perspectiva educacional que seja voltada à formação integral e ao
desenvolvimento pleno do indivíduo.
O movimento escola novista e a educação progressista norte-americana são exemplos desta
perspectiva educacional diferenciada, embora não tenham tido a força de uma política curricular
para se colocarem como propostas maiores, nacionais.
Assim, desde a década de 1990, o movimento educacional tomou mais força, passou a ser uma
preocupação global, retomando as perspectivas de formação integral e desenvolvimento pleno.
Nesta mesma intenção, cada vez mais políticas públicas passam a ser elaboradas visando o bem-
estar da população.
Para que a educação possa cumprir seu papel de formar um cidadão consciente, crítico, capaz de
resolver as situações do cotidiano, empregar todas as suas competências com sabedoria e
propósito, é preciso que sua dimensão seja ampla, irrestrita e suportada por força da lei. Dessa
forma, no Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), embora não seja uma lei, deve ser
seguida como um documento normativo, ou seja, é ela que estabelece como a educação escolar
deve ser organizada no território nacional, a partir do desenvolvimento das dez competências
essenciais, numa perspectiva de formação integral e desenvolvimento pleno dos educandos.
Pensando em uma situação-problema para contextualizar o conteúdo, retomamos ao caso de
Laura, que é estudante do curso de Pedagogia. A faculdade em que ela estuda foi procurada por
uma Organização da Sociedade Civil (OSC) que fez um pedido de ajuda. Esta ONG tem como
propósito atender crianças do ensino fundamental em situação de vulnerabilidade social no
contraturno escolar. Assim, no período da manhã, recebe 100 crianças, divididas em quatro turmas
multisseriadas (do 1º ao 9º ano do ensino fundamental), e recebe mais 100 no período da tarde,
também divididas em turmas multisseriadas.
Esta OSC desenvolve projetos esportivos, culturais e reforço escolar. Então, no período em que as
crianças estão na escola, elas participam, durante duas horas, do projeto de reforço e, nas outras
duas horas, de oficinas diversas.
No projeto de reforço, a educadora que está com o grupo de 25 crianças faz uma subdivisão da
turma em pequenos grupos, de forma que os alunos das séries mais avançadas ajudem os
menores, e ela realiza a supervisão, circulando pelos grupos. Os alunos das séries mais avançadas
também se reúnem para aprofundar os estudos, realizar as lições de casa, fazer os trabalhos e
realizar pesquisas.
É justamente no projeto de reforço que esta OSC precisa de ajuda. As quatro educadoras sociais da
instituição não possuem formação no curso de Pedagogia – duas delas são psicólogas e as outras
duas são assistentes sociais, portanto não possuem grandes conhecimentos na área de educação.
A direção da ONG sabe que existe a BNCC, mas não entende muito bem como esta política
curricular funciona. Como atende crianças do ensino fundamental em projeto de reforço escolar,
qualquer alteração na educação básica regular gera impactos nos trabalhos da ONG.
Assim, a diretoria da ONG consultou a faculdade de Laura para saber se havia possibilidade de
alguém realizar uma breve explanação à equipe de seus profissionais, explicando o que é a BNCC e
seus princípios básicos.
A coordenação do curso de Pedagogia decidiu consultar se os alunos e as alunas do curso
poderiam se responsabilizar por realizar esta apresentação de forma voluntária, porém sob sua
orientação.
Laura decidiu participar do pequeno grupo que fará esta apresentação, com data marcada para o
próximo sábado e ficou responsável pelos temas: educação integral e desenvolvimento pleno do
educando e integração curricular. De que forma ela poderia conduzir esta apresentação?
Elabore no mínimo dois ou no máximo três slides (ou duas a três páginas em documento
eletrônico) que contemplem o roteiro e os subtemas desta apresentação. Se for possível,
compartilhe com os colegas de classe. Bom trabalho!
Nesta seção, estudaremos as propostas de desenvolvimento pleno e educação integral, entretanto,
estas propostas nada têm a ver com a educação de tempo integral. Aproveite os estudos desta aula
e aprimore seus conhecimentos!
Vamos Começar!
Você já deve ter se deparado com o termo educação integral. Talvez até já tenha ouvido falar em
educação de tempo integral e é bem provável que, ao ouvir os termos, eles tenham sido tratados
como sinônimos, porém, não são.
Educação de tempo integral diz respeito a um período estendido oferecido aos alunos no
contraturno escolar ou ainda a expansão da carga horária de aulas. Atualmente, a carga horária
mínima anual em uma escola é de 800 horas, distribuídas em 200 dias letivos, e isto vale para toda
a educação básica. A perspectiva é que, até o ano de 2022, a carga horária mínima seja ampliada
para 1000 horas. Porém, muitas escolas já trabalham com uma carga horária maior: 1000 horas,
1400 e até mais.
As escolas que trabalham com até 1200 horas conseguem encaixar todas as aulas em um único
período do dia (manhã, tarde ou noite). As que trabalham com mais horas do que isso, acabam
utilizando, ao menos, mais um período no contraturno (por exemplo, cinco manhãs e duas tardes,
ou cinco manhãs e cinco tardes, dependendo da quantidade de horas ofertadas).
A educação de tempo integral é aquela, portanto, que oferta uma carga maior de horas. Também
se inserem nesta classificação as escolas que oferece atividades complementares no contraturno,
tais como dança, teatro, informática, línguas estrangeiras, esportes, empreendedorismo, robótica,
cultura maker, estudos para vestibular, atividades voluntárias de caráter social, música, entre
outras. Mas isso não quer dizer que a educação seja integral.
Vejamos o que é a chamada educação integral e como se organiza de acordo com a perspectiva da
BNCC, que parte do momento real que vivemos:
A sociedade contemporânea impõe um olhar inovador e inclusivo a questões centrais do processo
educativo: o que aprender, para que aprender, como ensinar, como promover redes de
aprendizagem colaborativa e como avaliar o aprendizado. (BRASIL, 2018)
Educação integral é uma perspectiva de formação escolar que seja capaz de abranger todas as
dimensões do indivíduo, independentemente da duração da jornada escolar, o conceito de
educação integral com o qual a BNCC está comprometida se refere à construção intencional de
processos educativos que promovam aprendizagens sintonizadas com as necessidades, as
possibilidades e os interesses dos estudantes e, também, com os desafios da sociedade
contemporânea. Isso supõe considerar as diferentes infâncias e juventudes, as diversas culturas
juvenis e seu potencial de criar formas de existir. (BRASIL, 2018)
Rico (2020), ao analisar a BNCC, aponta que o indivíduo possui cinco dimensões, não hierárquicas,
mas que se influenciam mutuamente, que são elas:
A dimensão cognitivadimensão cognitivadimensão cognitivadimensão cognitiva, que diz respeito à aprendizagem, aquisição de conhecimentos, utilização
dos conhecimentos nas situações do dia a dia e até mesmo ao processo de ensino do
conhecimento adquirido (afinal, um dia todo mundo ensinará alguma coisa a alguém). A escola, por
sua natureza, tem uma tendência a focar no desenvolvimento da dimensão

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