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Afya Faculdade de Ciências Médicas de Marabá CURSO DE MEDICINA NOTA FINAL Aluno: Componente Curricular: SISTEMAS ORGÂNICOS INTEGRADOS III Professor (es): Período: 202502 Turma: Data: 21/10/2025 2ª Avaliação Processual Programada RELATÓRIO DE DEVOLUTIVA DE PROVA PROVA 17518 - CADERNO 001 1ª QUESTÃO Resposta comentada: Resposta correta: Reação inflamatória alveolar secundária à entrada de material orgânico nas vias aéreas inferiores. Justificativa da alternativa correta: A alternativa está correta, pois descreve o mecanismo fisiopatológico característico da pneumonia aspirativa (ou pneumonia por aspiração de corpo estranho orgânico). A criança aspirou um fragmento de cenoura cozida, material orgânico que, ao penetrar as vias aéreas inferiores, provocou uma reação inflamatória intensa. Essa reação ocorre devido à injúria química e infecciosa combinada: Inicialmente, o material vegetal causa obstrução parcial e inflamação local do brônquio segmentar do lobo médio direito, o que favorece retenção de secreções e colonização bacteriana secundária. Posteriormente, o processo evolui para pneumonite química e infecciosa, com infiltrado alveolar, febre, taquipneia, leucocitose com desvio à esquerda e queda da saturação — exatamente como descrito no caso. A radiografia mostra infiltrado alveolar localizado, compatível com pneumonia aspirativa lobar direita, pela anatomia mais vertical do brônquio principal direito, que facilita a entrada de corpos estranhos e líquidos aspirados. Portanto, o mecanismo fisiopatológico é a reação inflamatória alveolar secundária à penetração de material orgânico nas vias aéreas inferiores, levando à resposta inflamatória local e infecção bacteriana subsequente. Justificativas das alternativas incorretas: Obstrução brônquica por corpo estranho com hiperinsuflação pulmonar compensatória se aplica ao pneumotórax obstrutivo parcial ou corpo estranho impactado sem infecção associada, mas não corresponde ao quadro clínico descrito. Na obstrução por corpo estranho com hiperinsuflação, espera-se ausência de febre, timpanismo à percussão e hipertransparência radiológica, pois o ar entra mas não sai, gerando aprisionamento aéreo. No caso descrito, há febre, infiltrado alveolar e leucocitose, indicando processo inflamatório infeccioso, e não hiperinsuflação. Assim, a alternativa é incorreta por descrever mecanismo ventilatório, e não o mecanismo inflamatório infeccioso que explica os achados. Embora pareça plausível, afirmar que há uma irritação brônquica com acúmulo de secreção e resposta inflamatória inespecífica desencadeada 000175.180016.cecbc1.bf5673.270db6.9f7198.2e39c0.1a2c8 Página 1 de 9 após episódio de aspiração, essa alternativa é incorreta por subestimar a gravidade do processo fisiopatológico. A aspiração de material orgânico não provoca apenas uma irritação brônquica, mas sim uma reação inflamatória intensa nos alvéolos e bronquíolos, levando à pneumonite aspirativa e, em seguida, à pneumonia infecciosa. O termo “resposta inflamatória inespecífica” é insuficiente para explicar a presença de infiltrado alveolar, leucocitose com desvio à esquerda e hipoxemia (SpO₂ 88%), que são achados típicos de inflamação alveolar infecciosa localizada, não de irritação brônquica simples. Não há resposta imunológica sistêmica com liberação de histamina e broncoconstrição generalizada. Essa alternativa descreve o mecanismo da reação anafilática ou da asma alérgica, que envolve liberação de histamina, leucotrienos e prostaglandinas por mastócitos e basófilos, levando a broncoconstrição difusa e sibilância generalizada. No entanto, no caso clínico apresentado, os sinais são localizados (estertores no hemitórax direito) e há infiltrado lobar radiológico, o que descarta uma resposta alérgica sistêmica. Além disso, a presença de febre e leucocitose indica processo infeccioso, e não reação imunológica imediata mediada por IgE. Referência Bibliográfica: GOLDMAN, Lee; SCHAFER, Andrew I. Goldman-Cecil Medicina. 26ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. Capítulo 79 – Doenças pulmonares em crianças. BEHMER, Otto A. Patologia: Estrutural e Funcional. 4. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2019. 2ª QUESTÃO 000175.180016.cecbc1.bf5673.270db6.9f7198.2e39c0.1a2c8 Página 2 de 9 Resposta comentada: Resposta correta: Hipertransparência do hemitórax esquerdo com retração do parênquima pulmonar colapsado em direção ao hilo e desvio do mediastino para o lado oposto, caracterizando pneumotórax. Justificativa da alternativa correta O conjunto clínico dor torácica súbita após trauma fechado, dispneia, ausência de murmúrio vesicular à esquerda e som timpânico à percussão, indica entrada de ar no espaço pleural e perda da pressão negativa, levando ao colapso elástico do pulmão ipsilateral. Radiologicamente, isso se manifesta como hipertransparência do hemitórax acometido (pela presença de ar livre pleural) e retração do parênquima colapsado em direção ao hilo. Em pneumotórax com repercussão, o ar sob pressão pode ainda empurrar o mediastino para o lado contralateral. Essa correlação fisiopatológica e clínico-radiológica descrita na alternativa é a que explica os achados do caso. Justificativas das alternativas incorretas O velamento homogêneo do seio costofrênico com nível hidroaéreo sugere derrame pleural/hemotórax, quadro em que a percussão tende à macicez (líquido) e a ausculta revela redução do murmúrio vesicular, mas sem timpanismo. Além disso, derrames volumosos costumam desviar o mediastino para o lado oposto; o enunciado não traz indícios clínicos típicos de líquido pleural e, sim, de ar livre pleural (timpanismo), o que contraria a hipótese proposta pela alternativa. A atelectasia completa gera perda de volume pulmonar, com opacificação difusa do hemitórax, retração das fissuras e tração do mediastino para o lado acometido, além de elevação do diafragma ipsilateral. Do ponto de vista semiológico, espera-se som submaciço à percussão e redução importante do murmúrio vesicular, porém sem timpanismo. No caso descrito, o achado-chave é o timpanismo, que indica ar livre pleural e não colapso por obstrução brônquica; por isso a descrição de atelectasia não se ajusta à fisiopatologia apresentada. A contusão pulmonar é lesão do parênquima com hemorragia/alvéolos preenchidos, produzindo infiltrado heterogêneo e, frequentemente, broncograma aéreo. Clinicamente, predomina estertoração localizada e a percussão tende a macicez relativa, não a timpanismo. No caso, a combinação de dor súbita, ausência de murmúrio e som timpânico aponta para ar no espaço pleural e colapso pulmonar, não para alvéolos preenchidos por sangue/edema. Assim, a imagem proposta por contusão não explica de forma coerente os achados semiológicos descritos. Referências KUMAR, Vinay; ABBAS, Abul K.; ASTER, Jon C. Robbins & Cotran: Bases Patológicas das Doenças. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2022. WEST, John B. Fisiologia Respiratória: Bases Fisiológicas da Medicina. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. E-book. ISBN 9788527737876. 3ª QUESTÃO 000175.180016.cecbc1.bf5673.270db6.9f7198.2e39c0.1a2c8 Página 3 de 9 Resposta comentada: Alternativa correta: Hipersecreção de muco e hipertrofia das glândulas submucosas, associadas à inflamação crônica e ao estreitamento luminal das vias aéreas de médio calibre. Justificativa da alternativa correta A bronquite crônica caracteriza-se por um processo inflamatório persistente nas vias aéreas centrais, geralmente desencadeado pela exposição prolongada à fumaça do tabaco e a outros irritantes inalatórios. Esse estímulo contínuo leva à hiperplasia e hipertrofia das glândulas submucosas e das células caliciformes, resultando em hipersecreção de muco espesso e viscoso. O acúmulo de secreção, associado ao edema da mucosa e ao infiltrado inflamatório, reduz o calibre brônquico e aumenta a resistência ao fluxo aéreo, sobretudo durante a expiração. Esse estreitamento luminal explica a tosse produtiva crônica, a dispneiaprogressiva e o padrão obstrutivo na espirometria. Trata-se, portanto, de um distúrbio ventilatório obstrutivo de caráter irreversível ou parcialmente reversível, típico da DPOC. Justificativas das alternativas incorretas A destruição dos septos alveolares e a perda da retração elástica ocorrem no enfisema pulmonar, outro componente da DPOC, mas não na bronquite crônica. Neste caso, a obstrução é causada por muco e inflamação brônquica, não por colapso alveolar. O espasmo do músculo liso brônquico é característico da asma brônquica, uma doença reversível e de base imunológica. Na bronquite crônica, o mecanismo é predominantemente estrutural e inflamatório, não broncoconstritivo. A deposição de colágeno e o espessamento da membrana alvéolo-capilar são achados típicos de doenças intersticiais pulmonares (distúrbios restritivos), não de DPOC. O paciente da questão apresenta distúrbio obstrutivo, confirmado pela redução do VEF₁. Referências bibliográficas KUMAR, Vinay; ABBAS, Abul K.; ASTER, Jon C. Robbins & Cotran: Bases Patológicas das Doenças. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2022. PORT, Carol Mattson. Fisiopatologia: Conceitos das Alterações da Função Humana. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. WEST, John B. Fisiologia Respiratória: Bases Fisiológicas da Medicina. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. MURRAY, John F.; NADAS, Amy S. Doenças do Tórax de Murray & Nadel: Medicina Respiratória. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2022. 4ª QUESTÃO Resposta comentada: Resposta correta: I, II e IV, apenas. Justificativa das afirmativas: I. O pneumotórax espontâneo primário ocorre pela ruptura de bolhas subpleurais (blebs) localizadas principalmente nos ápices pulmonares, permitindo a entrada de ar no espaço pleural. 000175.180016.cecbc1.bf5673.270db6.9f7198.2e39c0.1a2c8 Página 4 de 9 Verdadeira. O pneumotórax espontâneo primário (PEP) é aquele que ocorre sem doença pulmonar prévia identificável. A fisiopatologia clássica envolve a ruptura de pequenas bolhas subpleurais (blebs) ou de bolhas enfisematosas apicais (bullae), localizadas nos ápices pulmonares, onde a pressão transpulmonar é naturalmente maior. Essa ruptura cria uma comunicação entre os alvéolos e o espaço pleural, permitindo o vazamento de ar e resultando na perda da pressão negativa pleural, o que causa colapso parcial ou total do pulmão. Essas bolhas são mais frequentes em homens jovens, magros e tabagistas leves, pois o tabagismo e a distensão alveolar favorecem microlesões e fragilidade subpleural. II. A presença de ar na cavidade pleural aumenta a pressão intrapleural, levando ao colabamento parcial ou total do pulmão do mesmo lado. Verdadeira. Em condições normais, a pressão intrapleural é negativa em relação à pressão atmosférica, mantendo o pulmão expandido contra a parede torácica. Quando há entrada de ar no espaço pleural, essa pressão torna-se igual ou superior à atmosférica, rompendo o gradiente necessário à expansão alveolar. O resultado é o colabamento do parênquima pulmonar e o surgimento de hipertransparência e redução do murmúrio vesicular no lado afetado, como descrito no caso clínico. O grau de colapso dependerá da quantidade de ar acumulada e da pressão gerada, podendo variar de parcial (pequeno pneumotórax) a completo (colapso total do pulmão). III. O acúmulo de ar na cavidade pleural altera a permeabilidade capilar e estimula liberação de mediadores inflamatórios e produção purulenta, promovendo a pleurite infecciosa nas fases iniciais do quadro. Falsa. O pneumotórax espontâneo não tem caráter infeccioso e não cursa com formação de exsudato purulento. A simples presença de ar na cavidade pleural não altera significativamente a permeabilidade capilar nem estimula resposta inflamatória infecciosa. O quadro descrito corresponderia a um empiema pleural (acúmulo de pus no espaço pleural), condição que decorre de infecção bacteriana, geralmente secundária a pneumonia ou abscesso pulmonar, e não de pneumotórax primário. No pneumotórax, a resposta inflamatória é mínima e estéril, sem produção de pus ou mediadores pró-inflamatórios sistêmicos. IV. No pneumotórax hipertensivo, a pressão pleural positiva progressiva desloca o mediastino, compromete o retorno venoso e pode causar instabilidade hemodinâmica. Verdadeira. O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica caracterizada pela entrada contínua de ar no espaço pleural sem saída adequada, devido a um mecanismo valvular unidirecional. Isso leva ao aumento progressivo da pressão intratorácica, que causa colabamento completo do pulmão ipsilateral e deslocamento do mediastino para o lado oposto. Essa compressão mediastinal reduz o retorno venoso pela veia cava, diminuindo o volume diastólico do ventrículo direito e resultando em queda do débito cardíaco e hipotensão arterial — um quadro de instabilidade hemodinâmica potencialmente fatal. Clinicamente, observa-se dispneia intensa, cianose, hipotensão e turgência jugular, exigindo descompressão imediata com agulha e posterior drenagem torácica. Referências bibliográficas BROADDUS, V. Courtney. Murray & Nadel – Tratado de Medicina Respiratória. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2017. 000175.180016.cecbc1.bf5673.270db6.9f7198.2e39c0.1a2c8 Página 5 de 9 JAMESON, J. L. et al. Medicina Interna de Harrison. 20. ed. Porto Alegre: AMGH, 2019. FILHO, Geraldo B. Bogliolo – Patologia Geral. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2021. HALL, John E.; GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. WEST, John B. Fisiologia Respiratória. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. 5ª QUESTÃO Resposta comentada: Resposta correta: Destruição das paredes alveolares com perda da superfície de troca gasosa. Justificativa da alternativa Correta: A destruição das paredes alveolares leva à perda da arquitetura pulmonar, redução da elasticidade e diminuição da superfície de troca gasosa, resultando em hipoxemia, retenção de CO₂ e hiperinsuflação pulmonar. Esses achados explicam a dispneia progressiva, o tórax em barril, o tempo expiratório prolongado e os achados radiológicos. Segundo o Murray & Nadel, essa é a base fisiopatológica do quadro clínico descrito, com comprometimento ventilatório e difusional progressivo. Justificativas das alternativas incorretas: Embora a resistência das vias aéreas possa estar aumentada em algumas doenças pulmonares obstrutivas, a complacência pulmonar está aumentada no quadro descrito, devido à perda de elasticidade alveolar. A alternativa descreve um padrão mais compatível com bronquite crônica ou asma. O espessamento da membrana alvéolo-capilar é característico de doenças intersticiais pulmonares, como fibrose pulmonar, e não do quadro descrito. No enfisema, há destruição da membrana, não espessamento. O acúmulo de secreções brônquicas e atelectasias são achados típicos de bronquite crônica ou pneumonia, não compatíveis com os achados de hiperinsuflação, perda ponderal e hipoxemia crônica descritos no caso. Referências WEST, John B. Fisiologia Respiratória: Bases Fisiológicas da Medicina. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. KUMAR, Vinay; ABBAS, Abul K.; ASTER, Jon C. Robbins & Cotran: Patologia – Bases Patológicas das Doenças. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2022. BROADDUS, V. Courtney et al. Murray & Nadel – Tratado de Medicina Respiratória. 6ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. Capítulo 47 – Doença pulmonar obstrutiva crônica. 6ª QUESTÃO 000175.180016.cecbc1.bf5673.270db6.9f7198.2e39c0.1a2c8 Página 6 de 9 Resposta comentada: Resposta correta: I, II e III, apenas. Justificativas: I. Verdadeira: A formação de cavitações resulta da necrose caseosa central dos granulomas, gerada pela hipersensibilidade tardia mediada por linfócitos T CD4+ e macrófagos ativados. Essa é a base fisiopatológica clássica da TB pulmonar. II. Verdadeira: As manifestações sistêmicas (febre vespertina, astenia, perda de peso) decorrem da ação de citocinas pró-inflamatórias (IL-1, IL-6 e TNF- alfa), liberadas na resposta imune contra o Mycobacteriumtuberculosis. III. Verdadeira: A tosse produtiva e a hemoptise ocorrem por comunicação das cavidades com brônquios e erosão de vasos pulmonares, levando à expectoração de sangue e secreção purulenta. IV. Falsa: A infecção latente não implica ausência do bacilo como descrito na afirmativa, mas sim sua permanência viável em estado dormente, controlado pela imunidade celular. A eliminação completa do M. tuberculosis raramente ocorre. Referências Bibliográficas JAMESON, J. L. et al. Medicina Interna de Harrison. 20. ed. Porto Alegre: AMGH, 2019. BROADDUS, V. Courtney. Murray & Nadel – Tratado de Medicina Respiratória. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2017. FILHO, Geraldo B. Bogliolo – Patologia Geral. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2021. 7ª QUESTÃO 000175.180016.cecbc1.bf5673.270db6.9f7198.2e39c0.1a2c8 Página 7 de 9 Resposta comentada: Resposta correta: Sintomas diários e noturnos frequentes, limitação funcional moderada, necessidade regular de broncodilatador e VEF₁ entre 60 e 80% com reversibilidade significativa, compatíveis com asma persistente moderada. Justificativa da alternativa correta: A alternativa corresponde exatamente ao diagnóstico de asma persistente moderada conforme o GINA 2023 e o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde (2022). O quadro clínico mostra: Sintomas diários e noturnos recorrentes, com necessidade frequente de broncodilatador; Limitação funcional nas atividades escolares e físicas; VEF₁ = 60% do previsto, com melhora ≥12% após broncodilatador, caracterizando obstrução reversível moderada. Esses parâmetros definem um quadro de asma persistente moderada, cujo tratamento requer corticosteroide inalatório de dose média a alta associado, se necessário, a β2-agonista de longa duração (LABA). Justificativas das alternativas incorretas: Está incorreto descrever asma intermitente, que se manifesta com sintomas ≤2 vezes por semana, sem limitação funcional e VEF₁ ≥80%. A paciente, entretanto, tem sintomas diários, limitação física e VEF₁ de 60%, incompatíveis com forma intermitente. O erro é a subestimação da frequência e da gravidade dos sintomas. Está incorreto afirmar que é asma persistente leve, caracterizada por sintomas semanais, poucos despertares noturnos e função pulmonar preservada (VEF₁ ≥80%). O caso clínico é mais grave, pois há sintomas diários e noturnos frequentes, duas idas recentes ao pronto atendimento e VEF₁ de 60%, indicando uma limitação moderada e não leve. Embora pareça convincente, descrever asma persistente grave, com sintomas contínuos ao longo do dia, VEF₁ 0,5 e DHL elevada, preenchendo os critérios de Light, que confirmam o diagnóstico de exsudato. Clinicamente, o paciente apresenta dor torácica pleurítica, dispneia, macicez à percussão, redução do murmúrio vesicular e velamento radiológico, manifestações clássicas desse tipo de derrame. As causas mais comuns incluem pneumonia bacteriana (empiema parapneumônico), tuberculose pleural, neoplasias, e doenças autoimunes como lúpus eritematoso sistêmico. Justificativas das alternativas incorretas O aumento da pressão oncótica plasmática não causa derrame, e sim a sua redução (como na síndrome nefrótica ou hipoproteinemia) pode levar à formação de transudatos. O líquido descrito no caso é rico em proteínas e células inflamatórias, enquanto o transudato é pobre em proteínas e células, decorrente de desequilíbrios hemodinâmicos, não de inflamação. Portanto, há erro tanto no mecanismo (aumento x redução da oncótica) quanto na classificação do líquido. O quilotórax ocorre devido à ruptura ou obstrução do ducto torácico, com acúmulo de linfa rica em triglicerídeos e linfócitos, resultando em líquido leitoso e lipídico, não amarelado. A diminuição da pressão capilar pulmonar não é uma causa de acúmulo de líquido pleural. Logo, o mecanismo descrito é incompatível com o quadro clínico e com os achados bioquímicos do líquido pleural. A obstrução brônquica pode levar à atelectasia (colapso alveolar), mas este processo não causa acúmulo significativo de líquido pleural. A atelectasia reduz o volume pulmonar e pode gerar pressão negativa local, o que favorece pequeno deslocamento de líquido pleural, mas não um derrame verdadeiro. Além disso, o caso clínico apresenta líquido inflamatório e rico em proteínas, típico de exsudato, e não de atelectasia passiva. Referências WEST, John B. Fisiologia Respiratória: Bases Fisiológicas da Medicina. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. KUMAR, Vinay; ABBAS, Abul K.; ASTER, Jon C. Robbins & Cotran – Patologia: Bases Patológicas das Doenças. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2022. NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. Ebook. ISBN 9788527737876. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/. 000175.180016.cecbc1.bf5673.270db6.9f7198.2e39c0.1a2c8 Página 9 de 9