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UMBANDA, CANDOMBLÉ E QUIMBANDA, SUAS ORIGENS, RITOS E DIFERENÇAS 
PRÁTICAS E TEÓRICAS 
 
O campo religioso que abarca as religiões de matrizes africanas é extremamente amplo 
e diversificado, seja em suas origens, ritos, credos, divindades, entidades e outros 
múltiplos fatores. Sendo assim é de suma importância que o conteúdo dessas religiões 
seja destrinchando atentamente de forma o mais neutra possível, sem um juízo de 
valores e moralidade pré-estabelecidos, sombreando o preconceito incutido em nossa 
sociedade. 
É de grande valia compreender que religiões de matrizes africanas tem suas origens e 
bases no continente africano, que é uma religião de porte territorial extenso, sendo 
mais especificamente localizado na África Ocidental, em países como Nigéria, Benin e 
o Congo. Estas religiões têm pilares comuns como por exemplo: o resgate das 
tradições ancestrais, processo de oralidade, conexão com a natureza e os orixás, que 
são consideradas divindades espirituais. Com o processo de escravidão milhares de 
escravos africanos foram trazidos para o Brasil e juntamente com ele a sua cultura, 
culinária e religião, esse processo foi marcado por muita repressão, violência e uma 
tentativa de apagamento cultural, contudo houve grandes esforços para que estas 
religiões se mantivessem vivas. 
Uma das táticas para manter o culto às suas divindades foi o que chamamos de 
“sincretismo” onde eles disfarçavam seu culto usando figuras do catolicismo, desta 
forma surgiram as religiões conhecidas como: Umbanda, Candomblé, Batuque e 
Quimbanda. Cada uma destas religiões apesar de uma origem comum, possui suas 
próprias características, ritos, musicalidade, preceitos e costumes, contudo 
frequentemente são generalizadas pelo preconceito e chamadas de “Macumba “que 
na realidade é um instrumento de percussão. 
 
SURGIMENTO DA UMBANDA EM TERRITÓRIO NACIONAL 
 
Como estas religiões possuem suas próprias peculiaridades iniciarei falando sobre a 
origem e os ritos da Umbanda, esta religião brasileira surgiu no início do século XX, e 
tem como conceito a união de tradições de matriz africana, o catolicismo popular e o 
espiritismo, mais especificamente o espiritismo kardecista, por esse motivo é 
considerada uma religião sincrética, ela foi fundada oficialmente no Rio de Janeiro em 
1908, por Zélio Fernandino de Moraes, que teve formação católica e relata ter tido 
diversas experiências mediúnicas durante a infância, em uma sessão espírita Zélio 
incorpora pela primeira vez um espírito que se denominava “ Cabloco das Sete 
Encruzilhadas “ o espírito em questão veio anunciar que iria fundar uma nova religião 
que acolheria todos, sem destinação de cor, renda, sexualidade ou credo e que teria 
como conceito unir os ensinamentos do espiritismo, a sabedoria dos chamados “ 
Pretos velhos “ – Espíritos ancestrais, muitas vezes de escravos mais velhos – e a 
inocência das crianças, chamadas de “ Erês “ . 
 
 
RITOS DE CULTO DENTRO DA UMBANDA 
 
Os ritos da Umbanda são marcados pela simplicidade, ligação com a natureza e 
sincretismo, dentre eles se destacam a “Gira “que é uma cerimônia ritualística e 
acontece nos terreiros conduzido pelo pai ou mãe de santo, durante o rito os médiuns 
incorporam entidades espirituais e efetuam atendimentos aos presentes. Estas 
entidades descritas são consideradas seres de luz, que tem o intuído de orientar, 
ajudar e curar, possuindo cada um suas características próprias, podendo ser 
caboclos, pretos velhos, erês, pomba giras e exus. 
Além da gira também são presentes os cânticos e pontos, onde há um encontro entre a 
ancestralidade juntamente a musicalidade, os pontos são entoados durante os ritos 
com instrumentos como atabaques e palmas. 
As defumações e oferendas também são um rito importantíssimo dentro do culto da 
umbanda, geralmente muito coloridas e diversas utilizam ervas para limpar 
energeticamente o ambiente e as pessoas, neste mesmo rito tão feitas oferendas a 
divindades, onde são ofertados flores, frutas, velas, alimentos e bebidas. 
 
 
SURGIMENTO DO CANDOMBLÉ NO PAÍS 
 
Assim como a umbanda o candomblé também é uma religião brasileira com sua 
origem no vasto continente africano, contudo chega ao Brasil juntamente aos escravos 
durante a escravidão, entre os séculos XVI e XIX como uma resposta ao apagamento 
cultural sofrido e um movimento de resistência á um período da história tão desumano. 
Os povos africanos trouxeram ao Brasil suas divindades, que podem ser denominados 
de orixás, voduns e inkices e juntamente a eles suas práticas religiosas, assim como na 
umbanda ouve forte sincretismo religioso para que a sua religião se mantivesse viva, 
neste contexto foram usados santos da igreja católica para disfarçar ou camuflar o 
culto aos orixás. O candomblé foi vítima de intensa perseguição no país e tem seus 
primeiros terreiros localizados na Bahia, em Salvador ainda sobre certo anonimato no 
século XIX, estes locais eram centros de resistência, cultura e preservação da 
ancestralidade, o candomblé se estabelece como religião legítima muito anos após sua 
chegada ao Brasil, apenas no XX. 
 
RITOS DO CANDOMBLÉ 
 
Os ritos do candomblé são especificamente diferentes dos praticados na umbanda, e 
inclusive mais presentes, o candomblé tem uma infinidade de ritos, festividades, e 
outras comemorações, começando pela chamada “iniciação “que é considerado o rito 
mais importante da religião, nele se marca a iniciação da vida religiosa do indivíduo 
como filho de um orixá. A iniciação tem a primeira etapa com a reclusão, ou chamado 
“Roncó” onde o foro fica isolado os dias ou semanas recebendo apoio espiritual, logo 
após temos a raspagem da cabeça, ato simbólico que representa a entrega da cabeça 
ao orixá, em seguida ocorre o assentamento do orixá, onde se prepara objetos sagrados 
para a morada espiritual do orixá iniciado. 
No mesmo segmento ritualístico acontecem sacrifícios de animais como galinhas e 
cabritos e alimentos específicos para o orixá em questão. Outro ritual que finaliza a 
iniciação é a saída do santo, ritual público onde o fiel aparece com trajes tradicionais e 
danças que simbolizem o seu orixá. 
No seguimento de celebrações temos o conhecido “Xirê” ou toque, como o propicio 
nome sugere é uma comemoração pública onde os orixás são cultuados por meio da 
música, dança e cânticos. 
Um dos rituais mais conhecidos do candomblé são os “Ébos” caracterizados por 
entregas feitas aos orixás com sentido de agradecer, pedir proteção ou paz, neste ritual 
temos a presença de animais sacralizados como oferendas, frutas, flores, alimentos 
cozidos como acarajé, amalá e dentre outros, onde cada um é dado de acordo com a 
preferência do orixá, estes rituais acontecem em locais tidos sagrados e sue também 
fazem referência aos orixás, como mar, cachoeira e demais localidades. 
 
O candomblé também possui uma variedade de rituais e comemorações para datas 
especiais, como ritos fúnebres como despedida do corpo físico onde se corta os laços 
espirituais dos falecidos com os orixás, oferendas para eguns como intuito de que o 
espírito siga em paz. Além disso há datas comemorativas como festa de Iemanjá, de 
Xangô, Oxum, Ogum e outros, além da presença do tradicional jogo de búzios. 
 
SURGIMENTO DA KIMBANDA NO BRASIL 
 
 
Do mesmo modo das religiões de matrizes africanas citadas anteriormente a Kimbanda 
também carrega um estereótipo extremamente preconceituoso, sendo das três 
religiões há mais marginalizada devido as diversas controvérsias do senso popular, a 
Kimbanda também surge no continente africano, mais precisamente na Angola e no 
Congo, o nome Kimbanda era dado há feiticeiros, xamãs ou curandeiros da região, 
estes eram especialistas em cura, adivinhação e proteção espiritual. No período da 
escravatura a religião chega ao Brasil juntamente com a umbanda e o candomblé, e 
também precisa usar só sincretismo para que permaneça existindo, porém essa 
mistura de religiões trouxe além do catolicismo, a feitiçariaeuropeia, pajearia indígena 
e o espiritismos kardecista, todos estes conceitos ajudaram a criar práticas mágicas e 
espirituais diferentes. 
A diferenciação da Kimbanda com a Umbanda auge apenas no início do século XX, 
onde a Kimbanda é tida como um lado mais escuro, oculto e de esquerda em 
comparação a outra religião, devido a essa marginalização a a Kimbanda se manteve 
um tanto quanto oculta durante muitos anos, sendo vista como feitiçaria/magia negra, 
contudo a situação muda na década de 1990 aos anos 2000, onde ela passa por uma 
desmistificação e reorganização estrutural. 
 
RITOS DA KIMBANDA 
 
Na Kimbanda a adoração é destinada aos Exus, que são diferentes dos Exus tidos no 
Candomblé e as pomba-giras, além do mais há 7 linhas dentro da Kimbanda, tidas 
como exemplo: Encruzilhada, Cemitério, Lodo e demais, todas essas diferenças 
tornam os ritos completamente diferentes do Candomblé e da Umbanda, pois a 
Kimbanda trabalha com o cruzamento de forças espirituais, magia ritualística e altares 
e assentamentos. 
Os ritos mais conhecidos são os despachos, que inclusive são extremamente 
hostilizados devido á intolerância religiosa, e as entregas, estes rituais acontecem 
como oferendas oferecidas em lugares simbólicos destinados há Pomba-giras e exus, 
nestas oferendas é comum que se ofereçam animais, roupas, acessórios, bebidas, 
velas e múltiplos artefatos simbólicos. 
Em seguida temos os assentamentos, que correspondem há uma casa espiritual onde 
já entidade irá trabalhar, nela se colocam oferendas como pedras, ossos de cadáveres, 
ferros, nomes mágicos e sigilos, este rito tem como objetivo fortalecer o vínculo entre o 
praticante e a entidade. 
Assim como no Candomblé também há uma iniciação, onde se começa pela eleição 
do Exu Guardião, rituais de firmeza e consagração e corte ritualístico. Além dos ritos da 
iniciação há uma forte presença de consultas ao Exu, via incorporação ou oráculo, 
onde se aconselha revela a causa dos problemas e adverte a situações. 
Outro rito extremamente conhecido são os trabalhos, que soa demandas solícitas de 
pessoas às entidades, podem variar muito, contudo os mais comuns são: abertura de 
caminho, amarração amorosa, quebra de demanda e fechamento de corpo, podendo 
variar de acordo com a linha e o Exu. Também há presenças de giras como na 
Umbanda, onde há sessão aberta ao público com cânticos, tambores e incorporações 
de entidades. 
É comum que haja ritos fúnebres que envolvam cultos a mortos, contato com Eguns e 
entidades errantes, neste contexto é comum rezas, velas e até exorcismos.

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