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## Resumo sobre Processo de Trabalho em Fonoaudiologia I – Avaliação da Orelha Média e Vias Auditivas pela ImitanciometriaO material aborda o exame de Imitanciometria, uma técnica fundamental na avaliação das condições da orelha média e das vias auditivas, sem avaliar diretamente a audição. A Imitanciometria, também conhecida como Impedanciometria, analisa como o sistema auditivo responde a estímulos acústicos, verificando se ele impede, dificulta ou facilita a passagem das ondas sonoras. O conceito central gira em torno da imitância acústica, que pode ser dividida em impedância acústica — a resistência à passagem do som — e admitância acústica — a facilidade com que o som atravessa o sistema. Esses parâmetros variam conforme a frequência do som e as características do sistema auditivo, como rigidez ou volume.Por exemplo, em um sistema rígido, sons graves encontram maior dificuldade para passar, resultando em alta impedância e baixa admitância para essas frequências, enquanto sons agudos passam com mais facilidade. Já em um sistema volumoso, ocorre o inverso: sons graves têm baixa impedância e alta admitância, enquanto sons agudos enfrentam maior resistência. A membrana timpânica desempenha papel crucial, refletindo e absorvendo energia sonora de acordo com o tipo de som que incide sobre ela. A Timpanometria, um exame derivado da Imitanciometria, mede a variação da imitância em função da pressão aplicada no meato acústico externo, permitindo avaliar a mobilidade da membrana timpânica e a pressão na orelha média.### Preparação e Procedimento do ExameAntes da realização da Timpanometria, é essencial realizar uma otoscopia para verificar a presença de cerume, corpos estranhos ou perfurações timpânicas, que podem impedir ou dificultar o exame. Durante o procedimento, o aparelho injeta um som de 226 Hz (som grave) na orelha e mede a resposta acústica com um microfone, enquanto uma bomba de pressão altera a pressão no canal auditivo externo em até 200 daPa (deca Pascal). Essa variação de pressão provoca mudanças na rigidez e volume do sistema auditivo, refletidas na imitância acústica.O exame também pode ser realizado simultaneamente com a pesquisa do reflexo acústico, utilizando fones em uma orelha enquanto o aparelho atua na outra. Os resultados quantitativos incluem o volume equivalente do conduto auditivo externo, que varia conforme a faixa etária (menor em lactentes, maior em adultos), e a pressão do pico da admitância, que indica o ponto de equilíbrio da pressão na orelha média, onde a membrana timpânica está mais complacente e permite melhor passagem do som grave. O volume equivalente da orelha média pode ser calculado subtraindo-se o volume do conduto auditivo externo do volume total medido.### Interpretação dos Resultados e Classificação dos TimpanogramasDois fatores são cruciais para a avaliação da orelha média: o momento em que ocorre o pico da admitância (pressão do pico) e o volume da orelha média. Alterações nesses parâmetros podem indicar condições patológicas, como otite média, disfunção tubária ou alterações na cadeia ossicular.Os tipos de timpanogramas são classificados da seguinte forma:- **Tipo A**: Pressão entre -100 e 100 daPa, volume entre 0,3 e 1,6 ml. Indica integridade da orelha média, podendo estar associado a audição normal ou perda sensorioneural (que afeta a orelha interna). A curva apresenta um pico bem definido, representando a complacência normal da membrana timpânica.- **Tipo AR (rigidez)**: Pressão normal (-100 a 100 daPa), volume menor que 0,3 ml. Sugere rigidez na orelha média, frequentemente associada à otosclerose, que é a calcificação da platina do estribo, causando fixação da cadeia ossicular. A curva é baixa devido à redução do volume da orelha média.- **Tipo AD (alta complacência)**: Pressão normal, volume maior que 1,6 ml. Indica uma membrana timpânica muito móvel, comum em casos de desarticulação da cadeia ossicular, onde a mobilidade da orelha média está aumentada.- **Tipo C (pressão negativa)**: Pressão menor que -100 daPa, volume variável. Sugere retração da membrana timpânica, geralmente associada à disfunção tubária (antiga Trompa de Eustáquio), que é responsável por equilibrar a pressão entre o ouvido externo e médio. Essa condição pode preceder uma otite média.- **Tipo B (sem pico)**: Ausência de pico de admitância, indicando que a membrana timpânica não se movimenta com a variação de pressão. Isso sugere a presença de fluido na orelha média, característico da otite média.Além da classificação do timpanograma, a prova da função tubária avalia a permeabilidade da tuba auditiva, observando a variação da pressão durante a deglutição ou ingestão de líquidos. A tuba pode ser permeável (pressão varia normalmente), semipermeável (variações irregulares) ou impermeável (pressão permanece constante), o que influencia diretamente a saúde da orelha média.---### Destaques- A Imitanciometria avalia a orelha média e vias auditivas, medindo a impedância e admitância acústica, que indicam resistência e facilidade à passagem do som, respectivamente.- A Timpanometria mede a variação da imitância em função da pressão aplicada no canal auditivo externo, avaliando a mobilidade da membrana timpânica e a pressão da orelha média.- A interpretação do timpanograma é baseada no pico da admitância e no volume da orelha média, permitindo identificar condições como otosclerose, desarticulação da cadeia ossicular, disfunção tubária e otite média.- A prova da função tubária complementa a avaliação, verificando a capacidade da tuba auditiva em equilibrar a pressão entre o ouvido externo e médio.- O exame exige preparação cuidadosa, incluindo otoscopia para garantir que não haja obstruções ou perfurações que possam comprometer os resultados.