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PROCESSAMENTO DA MANDIOCA: Polvilho Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais Campus Barbacena Curso Superior de Tecnologia em Alimentos Disciplina: Tecnologia de Produtos Amiláceos INTRODUÇÃO Definição: o polvilho azedo é um tipo de fécula de mandioca modificado por processo de fermentação e secagem; Origem: é um produto regional e, embora, de preparo artesanal, sua produção já era grande em 1978, nos estados de Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e São Paulo; O polvilho azedo é uma alternativa à produção de amidos modificados. A produção é realizada principalmente por pequenas e médias empresas, geralmente sem controle de qualidade e de processo, estando dependente substancialmente das condições climáticas, resultando em um produto desuniforme, com problemas de contaminação e muitas vezes com características tecnológicas indesejáveis (CEREDA et al., 1995; CIACCO; CRUZ, 1982; WESTBY; CEREDA, 1994). Principais aplicações Utilizado em produtos de confeitaria na forma de biscoitos, sequilhos, pão de queijo, bolos, etc.; É muito utilizado também como revestimento em amendoim japonês; É insubstituível no preparo de biscoito salgado, que se caracteriza por ser um produto leve e volumoso, resultado da expansão do polvilho azedo ao forno. Indústrias de polvilho O setor produtivo enfrenta dificuldades devido ao emprego de substituintes do polvilho azedo, que consistem no amido de mandioca não fermentado, mas modificado por ácido, que embora não apresente as características sensoriais e reológicas do tradicional polvilho azedo, apresenta expansão e valor de mercado inferiores aos do amido fermentado das tradicionais empresas familiares (AQUINO, GERVIN e AMANTE, 2016). Propriedades O polvilho azedo é um amido modificado com temperatura de gelatinização inferior à da fécula de mandioca nativa (polvilho doce); Isso explica a possibilidade de gelificação do amido pelo processo de escaldamento; O amido gelificado ajuda a reter o CO2 e expande a massa. Polvilho doce, amido fécula, tapioca... Não existe uma legislação específica para tais produtos. Têm-se como embasamento a RDC nº 263, de 22 de setembro de 2005 (ANVISA): Regulamento Técnico para produtos de cereais, amidos, farinhas e farelos. Características químicas, físicas e microbiológicas Parâmetro (%) p/p Umidade 14% Amido 80% Cinzas 0,5% Acidez (mL de NaOH/100g) 5% Tabela 01: Composição físico-química do polvilho azedo. Microrganismo Contagem (UFC/g) Contagem total em placase higiene do produto. Secagem natural do polvilho P A S S A G E M D E A R Q U E N T E A T R A V É S D A C A M A D A D E P R O D U T O D I S P O S T A S O B R E T E L A S D E A Ç O I N O X I D Á V E L O uso de esteiras de secagem automatizadas e cobertas evita problemas de contaminação. Não há diferença na qualidade quando comaparado ao produto seco ao sol. Esteiras de secagem Classificação/Empacotamento/Pesagem: após secagem, o polvilho é esfarelado e peneirado; O polvilho é acondicionado em sacos de 50kg para o mercado atacadista e 1kg para o mercado varejista. Armazenamento: em local seco e arejado e de forma a evitar o ataque de insetos e roedores. A importância da fermentação Substrato formado exclusivamente por amido granular; Meio semi-sólido, formado pela decantação do polvilho no tanque; Condições aeróbias se estabelecem nos primeiros cinco dias; Caracteriza-se por ser um processo rudimentar e empírico; Desenvolvido pela microbiota naturalmente presente na matéria-prima, na água e nos tanques de fermentação; Polvilhos produzidos em diferentes regiões apresentam diferenças quanto à acidez e composição de ácidos orgânicos; Alguns produtores utilizam como inóculo, o polvilho azedo da safra anterior (úmido ou seco). O início da fermentação é marcado pela rápida queda na concentração de O2 dissolvido, que é consumido por bactérias amilolíticas aeróbias, transformando-o em CO2 e H2, além de ácidos orgânicos (acético, butírico, lático e propiônico); A fermentação apresenta sinais visíveis após poucos dias, com formação de bolhas e espumas na superfície. Principais gêneros envolvidos na 1ª etapa: Achromobacter, Escherichia, Pseudomonas, Alcaligenes, Bacillus e Clostridium; Na 2ª etapa têm-se os microrganismos acidogênicos que exigem maiores condições nutritivas para o seu desenvolvimento; Na 3ª etapa, predominam os microrganismos saprófitos e contaminantes e leveduras de várias espécies; Tipos de fermentação Fermentação Lática: Lactobacillus, Leuconostoc e Pediococcus; Fermentação Propiônica: Propionibacterium; Fermentação Butírica: Clostridium. A produção de enzimas amilolíticas por Bacillus subtilis propicia fonte de carbono para os agentes de fermentação. Figura 01: Microscopia eletrônica de varredura de grânulos de amido nativo (fécula) e fermentado (polvilho azedo). Influência das condições climáticas Em regiões frias, a fermentação é lenta e predomina a microbiota lática (Lactobacillus plantarum); Nas regiões quentes, a fermentação é mais rápida e predomina a microbiota butírica (Clostridium butyricum). Principais modificações: - Viscosidade máxima menor que da fécula doce; - O início do processo de gomificação (50°C) o é detectado em temperaturas inferiores à do polvilho doce; - Mudanças no sabor e aroma. Variação da expansão do polvilho azedo A principal diferença entre o polvilho doce e o polvilho azedo refere-se ao índice de expansão ao forno (retenção de CO2 pelo amido gelificado); Tal propriedade não deve ser confundida com a expansão dos grânulos de amido. Metodologias para avaliar o grau de expansão: - Metodologia prática; - Metodologia instrumental: medida de viscosidade. A legislação brasileira não estabelece um padrão de qualidade para classificação da expansão ao forno do polvilho azedo; Portanto, foi proposta uma classificação onde os índices podem ser divididos: - Tipo A: qualidade extra; - Tipo B: média qualidade; - Tipo C: qualidade inferior. Figura 02: Amilograma comparativo do amido de mandioca não fermentado (fécula) e do amido de mandioca fermentado (polvilho azedo).