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AULA 5 - COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAIS • Definir Coesão e Coerência Textuais. • Reconhecer os Mecanismos de Coesão Textual. • Destacar e empregar os Fatores de Coerência Textual CONTEXTUALIZANDO A APRENDIZAGEM A partir de agora, você irá estudar sobre Coesão e Coerência. São dois termos que, de início, referem-se à boa construção de um texto. Sempre que a escrita de um texto apresentar-se como necessária, dúvidas podem aparecer sobre como escrever de forma clara, produtiva e com um resultado final que seja algo que direcione os sentidos desejados; e, que possibilite a tranquila compreensão por parte de quem recebe essa produção. Nesse sentido, um texto coeso e coerente pode colaborar para que o sucesso tanto de sua escrita quanto de sua leitura seja alcançado. Sendo assim, você poderá, nessa Aula, encontrar a definição e as explicações necessárias para a sua compreensão sobre a importância da Coesão e da Coerência para a produção textual. Você, também, terá em mãos os Mecanismos de Coesão, os Fatores de Coerência e algumas observações que poderão ajudá-lo(a) na melhoria da sua capacidade de ler, interpretar e produzir textos. Aproveite essa oportunidade e bons estudos! Mapa mental panorâmico Para contextualizar e ajudá-lo(a) a obter uma visão panorâmica dos conteúdos que você estudará na Aula 5, bem como entender a inter- relação entre eles, é importante que se atente para o Mapa Mental, apresentado a seguir: COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAIS 1 COESÃO TEXTUAL 1.1 MECANISMOS DE COESÃO 1.2 A COESÃO REFERENCIAL 1.3 A COESÃO POR SUBSTITUIÇÃO 1.3 A COESÃO POR ELIPSE 1.4 A COESÃO POR CONJUNÇÃO 1.5 A COESÃO LEXICAL 2 A COERÊNCIA TEXTUAL 2.1 FATORES DE COERÊNCIA 2.1.1 ELEMENTOS LINGUÍSTICOS 2.1.2 CONHECIMENTO DE MUNDO 2.1.3 CONHECIMENTO PARTILHADO 2.1.4 INFERÊNCIA 2.1.5 FATORES DE CONTEXTUALIZAÇÃO 2.1.6 SITUACIONALIDADE 2.1.7 INFORMATIVIDADE 2.1.8 INTERTEXTUALIDADE 2.2 PARA CRIAR A COERÊNCIA TEXTUAL COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAIS 1 COESÃO TEXTUAL A escrita de um bom texto requer, de quem o escreve, vários cuidados. Alguns desses cuidados estão relacionados às escolhas, tando das ideias que vão compor o conteúdo desse texto, quanto das palavras que vão ligar suas frases, seus períodos e seus parágrafos. Ao nos referirmos a essas palavras, cuja função é garantir relações de sentidos; e, consequentemente, o desenvolvimento de um Texto com maior legibilidade, estamos nos referindo à Coesão Textual. De acordo com Kock (2003, p. 18), a ”coesão textual diz respeito a todos os processos de sequencialização que asseguram (ou tornam recuperável) uma ligação linguística significativa entre os elementos que ocorrem na superfície textual”. Observe, no texto abaixo, como o exemplo desse “processo de sequencialização”, indicado pela Autora acima, que o termo “os gritos” foi retomado a partir da segunda oração. Figura 1 - Textos Coesos Fonte: Gritos não educam! - Acesso em 09/05/18 A Autora do texto escolheu, primeiramente, o pronome “eles” para retomar o “os gritos”; e, depois, a retomada fica implícita e perceptível pelas desinências de plural dos verbos que vão aparecendo; sem que apareça um termo anterior aos verbos (“Bloqueiam”, “Destroem” etc.). É justamente essa retomada, essa possibilidade de recuperar um termo pela utilização de elementos da Língua que possibilita a Coesão do texto. Outro rico exemplo que pode ajudar a perceber o funcionamento coesivo equivale àquele texto sobrecarregado de palavras repetidas. Essa ocorrência pode transformar a leitura e a compreensão dessa escrita em algo complicado; ou, até mesmo impossível de se entender. Uma escrita fluida, que permite uma leitura tranquila e sem atrapalhos, é aquela em que as palavras, importantes, ou menos importantes, são retomadas por outros termos, como um pronome, uma conjunção, um advérbio, etc. Veja : “As palavras são como moedas, ainda que uma valha por muitas, por vezes muitas não valem nada.” Os termos “uma” e “muitas” são exemplos da substituição de “palavras” para que o período não perca em coesão por repetição desse substantivo. Entendendo, portanto, que a Coesão Textual é o resultado da utilização de palavras que, ao serem dispostas em um Texto, vão permitir a ligação e a referenciação entre frases, períodos e parágrafos, é hora de pensar em como ela ocorre. 1.1 MECANISMOS DE COESÃO http://4.bp.blogspot.com/-qJ38Jdm5Skg/UtSKKoa51eI/AAAAAAAACes/C155r4vrqtY/s1600/os-gritos-nao-educam-eles-endurecem-o-coracao-e-bloqueiam-o-pensamento-1931.jpg Figura 2 - Coesão Fonte: Design Freepik - Adaptado NEAD Existem vários mecanismos que podem ajudar a garantir a Coesão em um Texto. Retomando algumas classificações clássicas e os estudos de Koch (2003), apresentaremos, abaixo, cinco Mecanismos Coesivos 1.2 A COESÃO REFERENCIAL Ela ocorre a partir do uso de pronomes (pessoais ou demonstrativos) e expressões adverbiais para evitar a repetição de termos textuais. Dois recursos coesivos contribuem para a ligação harmoniosa entre as partes de um Texto, a partir do uso de pronomes, a Anáfora e a Catáfora. Anáfora e Catáfora configuram-se, respectivamente, como retomadas e antecipações de termos, presentes ou não, no texto. Se o termo está sendo retomado, pois já foi mencionado anteriormente, na sequência discursiva, essa relação é anafórica. Caso o termo esteja sendo antecipado, ou seja, ele ainda irá aparecer na escrita do texto, a relação é catafórica. Observe os exemplos abaixo: 1.3 A COESÃO POR SUBSTITUIÇÃO Acontece pela utilização de palavras que retomam termos já referidos; ocorrendo, no entanto, uma redefinição desse termo. Enquanto na Coesão por Referência, há uma total identidade referencial entre os dois itens; com a Coesão por Substituição, não há essa identidade entre os termos. Algo se modifica, há uma especificação nova a ser acrescentada, podendo ocorrer, inclusive, uma relação de contraste em relação à primeira (original). Exemplo: O artigo indefinido “um” destacado refere-se a suco, mas mantém um caráter contrastivo de substituição, pois ele não se refere ao “suco de laranja”, mas a outro suco, o de abacaxi. 1.3 A COESÃO POR ELIPSE Nela, há a omissão de elementos anteriormente mencionados; porém, facilmente identificáveis. Exemplo: Entre meus pais há um grande amor! Sempre foram felizes. Na segunda oração, há uma referência a um termo não escrito, mas perfeitamente identificável: essa oração está se referindo ao termo anteriormente indicado “meus pais”. 1.4 A COESÃO POR CONJUNÇÃO Com essa Coesão, é possível estabelecer relações entre os elementos ou orações no texto. Essas relações são registradas pelo correto uso de conectores e partículas de ligação (por exemplo: e, mas, depois, conforme, por isso, etc.). Há vários tipos de conjunção, e, uma mesma conjunção pode manter um ou mais tipos dessas relações. Os principais tipos de conjunção são: aditivas, adversativas, causais, temporais e continuativas. Exemplo: Nossa proposta foi derrotada, porque ela não estava clara. Antes que chova, vou fechar as janelas. https://br.freepik.com/vetores-premium/maos-que-por-pecas-do-puzzle-juntos_795183.htm#page=1&query=Hands-putting-puzzle-pieces-together&position=19 1.5 A COESÃO LEXICAL Consiste na utilização de recursos coesivos lexicais, ou seja, palavras que permitem a manutenção do tema, sem repetições. Esses recursos coesivos utilizados devem possuir sentidos aproximados. Exemplo: Agatha Christie é chamada de Rainha do Crime por seus fãs. Autora de vários livros policiais, a escritora é uma das grandes referências do gênero policial. Você percebeu o uso de palavras sinônimas (“Autora” e “escritora”) para se referirem a Agatha Christie; garantindo, assim, a Coesão por evitar repetições. Também merece registro outros recursos que podem contribuir para a Coesão Textual: É necessário que um período apresente a correta ordem na colocação das As desinências nominais – indicativas de gênero e número – devem estar corretamente usadas. Também, as desinênciasverbais – flexão de número, de pessoa, de modo e de tempo – precisam estar adequadas. A utilização correta de preposições e de conjunções são essenciais. Após todo esse conhecimento, vamos praticar! Para você testar seu aprendizado sobre os mecanismos de Coesão, indique qual é o mecanismo de Coesão em uso, a partir do termo destacado, em cada texto abaixo. a)“Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura” (Manuel Bandeira) b) Antônio Frederico de Castro Alves era baiano e foi um grande poeta brasileiro. No período em que viveu o Poeta dos Escravos (1847-1871), ainda existia a escravidão no Brasil. c) Leia a fala de Calvin no primeiro quadrinho (“Não. No entanto, ela foi ao médico hoje.) da tirinha abaixo: Figura 3 - Calvin Fonte: Calvin - Acesso em 09/05/18 d) Observe a fala do Frango, na tirinha abaixo: “A filosofia de botequim explica.” Figura 4 - As Galinhas Filosóficas Fonte: Galinhas Filosóficas - Acesso em 09/05/18 • a) “Aqui” está se referindo a um novo lugar – Coesão por Substituição; “lá” refere-se à • Pasargada – Coesão Referencial. • b) O termo “o Poeta dos Escravos” reitera, sem repetir o mesmo item lexical, o nome “Antônio Frederico de Castro Alves”. Eis uma Coesão Lexical. • c) Nesse exemplo de Coesão por Conjunção, “No entanto” é uma conjunção adversativa, expressando uma ideia oposta ao “Não” que o garoto disse antes, como resposta à pergunta de Haroldo. É grande o número de conjunções em nossa Língua Portuguesa. Acessando aqui, você encontrará algumas tabelas com conjunções e suas classificações para ajudá-lo(a) em sua formação. Acesso em 09/05/18 http://3.bp.blogspot.com/-BczemjuEIBk/TaGjXvwTEwI/AAAAAAAAADA/6bvZ2sNKOCA/s640/Captura+de+tela+2011-04-09+a%25CC%2580s+15.37.41.png http://3.bp.blogspot.com/-cJJ94F_Ny6E/T4SsZBi8piI/AAAAAAAAAGs/DINCVRLGyNE/s320/TIRAS_galinhas-filosoficas_bem-mal.jpg https://www.infoescola.com/portugues/conjuncoes/ • d) Mesmo não estando escrito, há um complemento para a forma verbal “explica”, que pode ser recuperada pela fala anterior na tirinha. Explica o quê? ‘A filosofia de botequim explica sobre o bem e o mal’. O exemplo é de uma Coesão por Elipse. Agora que você terminou de estudar a Coesão Textual, é hora de partirmos para a Coerência Textual. Vamos lá? 2 A COERÊNCIA TEXTUAL A Coerência de um texto está ligada à sua lógica interna. O assunto, aquilo que está sendo apresentado como ideia central, deve permanecer intacto, ou seja, sem distorções, para que a mensagem possa ser entendida pelo Leitor. Perceba a seguinte letra da música O Segundo Sol (Arnaldo Antunes – regravação Cássia Eller) e conclua se a mensagem é transmitida de forma clara. Veja o vídeo e ouça a música, analisando a respectiva letra com foco na COERÊNCIA. https://www.youtube.com/watch?v=3eMyjTkLbxY Ao argumentar em defesa de um ponto de vista, por exemplo, é imprescindível que o texto esteja claro; não apresentando contradições, informações redundantes (repetições desnecessárias) ou ideias iniciadas e não concluídas. Esses problemas tornam um texto incoerente; comprometendo, assim, a sua clareza, como exemplificado na canção O Segundo Sol. Uma ideia desfocada do conjunto do texto é sinal de incoerência. Leia a tirinha abaixo: Figura 5 - IncoerênciaREFLEXÃO Fonte: Recruta Zero - Acesso em 09/05/18 O estranhamento indicado pelo Recruta Zero quanto à presença de algo totalmente desconectado (representado pelo desenho de uma flor) do resto da fala irritadiça e esbravejante do Sargento Tainha (os desenhos restantes que simbolizam xingamentos) é um bom exemplo de falta de Coerência em um texto. Aquela flor destoa do resto do texto; não deveria estar ali, considerando a ideia que permanece no restante da fala do Sargento, no primeiro quadrinho, não é?! Entendida como algo global, Koch e Travaglia (2002, pág. 21) definem Coerência como aquilo que “está diretamente ligado à possibilidade de estabelecer um sentido para o texto, ou seja, ela (a Coerência) é o que faz com que o texto faça sentido para os usuários”. Um texto coerente é aquele em que é possível o estabelecimento de uma unidade de sentido ou uma relação entre suas partes. Já um texto incoerente é aquele que não produz sentido na interação entre Autor e Leitor. Existem alguns Princípios da Coerência Textual que devem ser observados. São eles: Princípio da Não Contradição Em um texto, é esperado que não apareçam ideias que se contradizem e/ou prejudiquem a sua lógica interna. Se no texto aparece a defesa do Direito à Vida e contra o Aborto, por exemplo, não há nele espaço para afirmações que acabem por defender essa prática. Princípio da Não Tautologia Não deve aparecer em um texto a repetição exaustiva de uma mesma ideia, ou de um termo, prejudicando a compreensão da mensagem principal. https://www.youtube.com/watch?v=3eMyjTkLbxY http://2.bp.blogspot.com/-QmhtdFbb2mo/T2TvYMJWWGI/AAAAAAAAGJo/JONfimfCOiQ/s1600/RECRUTA+ZERO_TIRINHA+MIOLO.jpg Em “Estudar é minha primeira prioridade. ”, é tautológico dizer primeira prioridade, pois prioridade, conforme os dicionários apontam, já configura um primeiro lugar. Princípio da Relevância Aquilo que é apresentado no texto, pelo seu Autor, deve ser algo realmente necessário e relevante para a sequência de ideias. Tudo deve ser apresentado de forma completa e a estar dialogando entre si. Exemplo: “Na festa, Maria comeu bolo de chocolate. Saiu de lá direto para o hospital. Ela sabia da sua alergia.” Todas as informações que apareceram nesse enunciado são relevantes para o entendimento de suas partes. Nada parece dispensável para a compreensão dos fatos. A partir de agora, você encontrará alguns Fatores que colaboram para se ter um bom texto. 2.1 FATORES DE COERÊNCIA Para alcançar a Coerência em um Texto, são inúmeros os Fatores que podem contribuir para que ela ocorra. Figura 6 - Fatores de Coerência Fonte: Elaborada pelo Autor. Vamos conhecê-los detalhadamente. 2.1.1 ELEMENTOS LINGUÍSTICOS É fato que não se pode alcançar o sentido de todo e qualquer texto, somente com base nas palavras e na estrutura sintática que o compõem. Mesmo assim, é importante, para a escrita de bons textos, que se atente à seleção pertinente de palavras que servem como pistas para a ativação de conhecimentos e para a apresentação de ideias e informações que serão retomadas ao longo do texto. Os Elementos Linguísticos são as palavras, os termos que permitem a retomada e a apresentação dos dados do Texto; contribuindo, portanto, para a construção da Coerência. É exemplo do papel desses Elementos na construção da Coerência de um texto, o uso adequado e formal de termos e estruturas da Norma Culta, em um documento jurídico qualquer. Para quem está acostumado a esse nível de linguagem formal, esse tipo de documento apresentará sempre a Coerência necessária. E, para um leigo, tais termos podem não fazer o sentido adequado. Oberve o termo abaixo, do “juridiquês”: Figura 7 - "Juridiquês" Fonte: Linguagem Jurídica - Acesso em 09/05/18 2.1.2 CONHECIMENTO DE MUNDO É o conjunto de conhecimentos armazenados ao longo da nossa vida. Ele equivale ao armazenamento das experiências advindas do nosso contato com o mundo. Esse conhecimento é decisivo para se estabelecer a Coerência de um texto, pois, se ele falar de algo totalmente desconhecido para o Leitor, o seu sentido estará comprometido. O armazenamento desse conhecimento ocorre na memória, por meio de “blocos”, os chamados Modelos Cognitivos. Koch e Travaglia (2010) citam como modelos os frames (grupos de elementos ligados entre si), os esquemas (sequências de ações ou acontecimentos), os planos (como agir para alcançar algo), os scripts (modelos de atitudes e modos de agir), e as superestruturas ou esquemas textuais (o que se sabe sobre os diversos tipos e organizações de textos). https://i.pinimg.com/236x/45/48/89/45488979fe473ca24e6e8e73af1bfc73--leis.jpg Mesmo não possuindo elementos linguísticos que liguemos substantivos, é possível perceber a Coerência do texto, o qual descreve um dia na vida de uma pessoa. 2.1.3 CONHECIMENTO PARTILHADO É tudo aquilo que existe de comum entre o conhecimento de mundo de alguém e o das outras pessoas. Ninguém armazena exatamente os mesmos conhecimentos e as mesmas experiências que o outro. Entretanto, quem escreve e quem lê um texto, por exemplo, necessitam de uma boa quantidade de conhecimentos comuns sobre a escrita e até mesmo do conteúdo desse texto. Sem um ponto de partida comum, a progressão de sentido e a compreensão do Texto poderão estar comprometidas. Pense em um professor que chega à sala de aula e diz aos alunos: — Sobre a carteira, somente lápis, borracha e caneta. Guardem o restante do material. Mesmo sem precisar enunciar, o professor está avisando sobre o início da aplicação de alguma atividade avaliativa; seguindo o hábito já comum a ele e aos alunos. 2.1.4 INFERÊNCIA Equivale à utilização do conhecimento de mundo pelo Leitor de um texto, por exemplo, para o estabelecimento de relações não explícitas entre elementos desse texto. Para a compreensão integral de um texto, é natural a construção ou a busca dessas relações, por meio de inferências , simplificando as informações que são compartilhadas por todos. Quanto mais capaz você for de atingir os implícitos, mais profunda poderá ser a sua compreensão do texto. Na tirinha abaixo, é possível realizar inferências ao final da leitura. Figura 8 - Inferências Fonte: Mafalda - Acesso em 09/05/18 O termo “doente”, que aparece no primeiro quadrinho, está caracterizando o “planeta”, que aparece no último quadrinho. Podemos inferir (concluir) que a doença em jogo não representa um problema físico em alguém; mas, sim, a problemas socias que atingem várias pessoas no mundo todo. 2.1.5 FATORES DE CONTEXTUALIZAÇÃO Referem-se a tudo o que segura o texto em uma situação de comunicação. Podem ser a data, o local, o Autor, os elementos gráficos, as ilustrações, o título, etc. Tais Fatores ajudam a estabelecer a Coerência Textual. Um Anúncio Classificado exemplifica a importância da contextualização como Fator de Coerência Veja, como exemplo, um trecho do conto, de Ricardo Ramos, intitulado “Circuito Fechado”: “Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço. Relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos, jornal.(…) Fonte: Circuito Fechado - Acesso em 09/05/18 https://static.wixstatic.com/media/f70444_78c02b3931cb42a7ab3950d82d63debf~mv2.png/v1/fill/w_676,h_197,al_c,lg_1/f70444_78c02b3931cb42a7ab3950d82d63debf~mv2.png https://revistamacondo.wordpress.com/2012/02/29/conto-circuito-fechado-ricardo-ramos/ Figura 9 - Anúncio Classificado Fonte: Geografia para todos - Acesso em 09/05/18 O enunciado “Frente voltada para o sol no período da manhã. ” é relevante e coerente em uma oferta de terreno; posto que muitos podem, ou não, desejar fazer uma construção, recebendo essa luminosidade. 2.1.6 SITUACIONALIDADE Ela pode ser analisada sob o ponto de vista de duas direções: da situação para o texto – determina em que medida a situação comunicativa interfere na produção e na recepção do texto –; e, do texto para a situação (o mundo criado pelo texto não é uma cópia fiel do mundo real; mas, sim, como o Autor o vê). A função da Situacionalidade é a busca por se adequar um texto a um contexto, tanto de produção quanto de sua interpretação. Uma situação define e conduz o sentido do que está sendo produzido, pois, na escrita de um texto, a situação vai marcar o que está sendo produzido, ao determinar o que lhe é necessário e/ou adequado. Também, um texto traz uma lógica interna que vai determinando como a sua leitura (recepção) se dará, pois um texto apresenta um mundo criado pelo seu Autor; e, não o mundo real. Eis o motivo de se perceber que sempre há uma interação entre o mundo real e o mundo textual. No exemplo abaixo, a Coerência da tirinha só é possível de ser notada, se considerarmos a situação (a característica definidora) do personagem Cascão: todos desejam que ele tome um banho, mas ele é irredutível em sua decisão contrária. Figura 10 - Situacionalidade Fonte: Turma da Mônica - Acesso em 09/05/18 2.1.7 INFORMATIVIDADE Diz respeito ao nível de previsibilidade da informação presente em um texto. Esse será menos informativo à medida que a informação trazida seja mais previsível. Muita informação previsível e já esperada resulta em menos informatividade. A presença de informações não previsíveis caracteriza esse texto como de alto nível de informatividade. Um texto coerente quanto à informatividade é aquele marcado por um equilíbrio entre informação esperada e informação não previsível. É claro que o produtor do texto é quem determina a seleção e o arranjo do nível de informação no texto. Dependendo da intenção comunicativa do produtor e do tipo, o texto será mais ou menos informativo ou direto na sua produção de sentido. A imagem abaixo faz o Leitor refletir sobre uma questão social, exposta pelo outdoor, cuja discussão é ampliada pela presença de moradores de rua logo abaixo Figura 11 - Informatividade Fonte: Nossa Utopia - Acesso em 09/05/18 2.1.8 INTERTEXTUALIDADE Esse Fator de Coerência está ligado à capacidade de promover relações entre o texto em produção e o conhecimento prévio de outros textos. Ocorre, assim, um diálogo entre os textos, de forma explícita ( quando a fonte do primeiro texto é indicada); ou, de forma implícita (sem indicação da fonte). O Leitor/ Receptor deverá acionar seus conhecimentos para recuperar a relação entre os textos. Veja a tirinha abaixo e note a Intertextualidade nela presente com o poema citado. Figura 12 - Intertextualidade Fonte: "Canção do Exílio" - Acesso em 09/05/18 http://www.geografiaparatodos.com.br/img/enem2004_3.gif https://conversamos.files.wordpress.com/2017/02/16-1.png?w=660&h=211 http://bp2.blogger.com/_GGlC2YPPyV4/RilX79b0zkI/AAAAAAAAAAk/rBw5IxfN3SE/s1600-h/869652.jpg http://2.bp.blogspot.com/-BPmC3mHbp-o/T-Bp9me6vdI/AAAAAAAAAPo/WiaHICzXH-Y/s1600/s.jpg É hora de exemplificar o que você encontrou acima sobre os Fatores de Coerência. Para tanto, observe, analise e reflita sobre o seguinte texto publicitário, comentado, a partir desse texto, sobre os Fatores estudados: Figura 13 - Texto publicitário Fonte: Hortifruti - Acesso em 09/05/18 Um bom exemplo de texto Coerente é sempre um texto publicitário. Isso acontece em função de seu objetivo claro de convencer alguém a comprar algo ou uma ideia. Ele necessita de que tudo nele faça sentido e busque convencer o Leitor sobre suas qualidades, o mais rápido possível, não é? A propaganda vista não é diferente. Ela busca a criação de uma campanha publicitária que engrandeça os produtos de horticultura da empresa, a partir da ativação de certos conhecimentos do Receptor do texto. Isso tudo, claro, de forma coerente e produtiva. Quanto aos Elementos Línguísticos presentes na propaganda e que colaboram para a sua Coerência Textual, pode-se citar a escolha da hortaliça “coentro” em substituição ao “vento”, no nome do filme (“E o vento levou...) que é escolhido para compor a publicidade. A rima possível entre as duas palavras (“coentro” e “vento”) possibilitaram todo o desenrolar da propaganda. Também, é interessante notar a escolha do termo “um clássico” para se referir ao produto da empresa, pois o filme em questão é reconhecido como clássico; e, esse já é um elemento interessante para uma propaganda. O Conhecimento de Mundo é algo essencial para a compreensão do texto, pois é a partir do reconhecimento do título desse filme, considerado um clássico mundial, que a composição da promoção publicitária pode acontecer. A ativação desse conhecimento pode ser feita, inclusive,pela escolha das cores e da composição do “cenário” de fundo do texto. Quem assistiu ao filme “E o vento levou...”, e/ou viu cartazes, promovendo-o, poderão identificar a tentativa do produtor do texto em recriar o clima geral do filme, por meio dessa imagem super valorizada no filme. Pode fazer parte do Conhecimento Compartilhado entre Produtor e Receptor desse texto, o conjunto dos demais textos da própria campanha publicitária da Hortifruti, cuja aposta é na composição de propagandas de seus produtos, por meio da associação de um deles com o nome de um filme. Dessa forma, o tom humorístico é aproveitado para conduzir o Receptor do texto, dependendo do que ele possui como dado sobre o filme e o produto, a um ambiente de promoção da empresa e de seus produtos. A escolha por enunciados como “A Hortifruti apresenta” e “Aqui, a natureza é a estrela” são exemplos de possíveis Inferências (deduções) que um Leitor poderia fazer para identificar que o universo de promoção de um filme está sendo recriado na propaganda. O verbo “apresentar” e o substantivo “estrela” aparecem com muita frequência em promoções de produções cinematográficas; o que pode promover a rápida identificação de que o texto simula a “divulgação”, a princípio de um filme, mas que, após as devidas identificações das relações de sentido entre o produto e o filme, percebe-se a intenção publicitária de promover o produto, ou seja, o coentro. Já ficaram aqui registrados alguns Fatores de Contextualização que “prendem” o texto acima a uma situação específica de comunicação: a promoção de um produto de horticultura. A associação de um produto com um nome de filme, a escolha de uma das cenas importantes do filme para compor o cenário de fundo da propaganda, a utilização de termos comuns a uma promoção de um filme – como “apresenta”, “estrela” e “clássico” – são exemplos de Fatores que criam expectativas positivas no Leitor do texto, à medida que o instiga a buscar sempre mais relações entre o filme e o produto anunciado. A Situacionalidade, enquanto Fator de Coerência presente no texto acima, é percebida quando se identifica que a situação de promoção do produto escolhido está ligada a uma tentativa de associar esse produto da horticultura a outra situação, que simula a promoção de um filme. A boa associação entre uma horticultura e um filme (clássico) de fácil identificação possibilita o Aqui, foram expostos os principais Fatores de Coerência. Caso você deseje conhecer outros Fatores, ou, queira ampliar a sua compreensão dos que aqui foram apresentados, fica como sugestão de leitura a obra “A Coerência Textual” (KOCH; TRAVAGLIA, 2010). Os Autores apresentam uma riqueza de exemplos e de comentários sobre eles, ao longo do livro, os quais podem contruibuir para a sua formação de Escritor(a). https://www.hortifruti.com.br/wp-content/uploads/2014/05/campanha_holly_coentro.jpg estabelecimento da Coerência Textual. A propaganda, também, está marcada pelo jogo de Informatividade para a construção da Coerência do texto. Entre o que é diretamente apresentado e o que é apenas sugerido, o Leitor se encontra envolvido pela identificação do que ele já sabe e pela descoberta de novas informações que estão promovendo o produto. A Intertextualidade é outro Fator de Coerência, dentre os estudados e de fácil identificação no texto acima. A referência direta a um nome de filme como estratégia para a promoção publicitária do produto ficou clara por tudo o que foi apresentado ao longo dos comentários acima. Algo que precisa ser registrado ao final dessa atividade de exemplificação é a interligação entre os Fatores que vão promovendo a Coerência de um texto. Tais Fatores não são totalmente independentes um do outro; pois, ao longo de uma análise, como a que aqui foi oferecida como exemplo de busca por elementos que garantam a Coerência, foi perfeitamente identificável a aproximação de muitos Fatores. O importante é notar que a Coerência é um dos objetivos a serem alcançados na produção textual e não a pura identificação de como ela ocorre. 2.2 PARA CRIAR A COERÊNCIA TEXTUAL Se o principal propósito de um texto é a transmissão de uma mensagem, é também necessário que ele apresente certas características que possam facilitar ao seu Leitor a apreensão do sentido dessa mensagem. A Coerência Textual vem contribuir para que essa interação entre Autor e Escritor possa ser a mais produtiva possível. Em função disso, veja, agora, alguns aspectos que podem colaborar para a Coerência de seus textos: Escreva com clareza, objetividade e simplicidade. Estruture o texto a partir de uma ideia principal e de ideias secundárias. Elabore uma linha de raciocínio e de pensamento lógico. Apresente informações relevantes e suficientes. Demonstre domínio sobre o assunto e os fatos indicados. Produza uma unidade de sentido, com abordagem completa sobre o assunto. Evite: X Uso de palavras e repetições desnecessárias. X Ideias redundantes. X Informações e fatos contraditórios. X Fatos e dados isolados, sem conexão com o todo do texto. X Frases feitas, frases muito longas, clichês, jargões. Para finalizar esse nosso encontro, fica uma tirinha como exemplo de que Coesão e Coerência não são a mesma coisa. Entretanto, quando elas são bem trabalhadas e articuladas em qualquer texto, o sentido desejado pelo Produtor do texto é perfeitamente identificável pelo seu Receptor. Figura 14 - Coesão e Coerência Fonte: Clube dos Mentirosos - Acesso em 09/05/18 http://2.bp.blogspot.com/_SekuPoIqqTo/TILo2Fhh6mI/AAAAAAAAAP4/QDyHJb6SCM4/s1600/Hagar+-+Clube+dos+Mentirosos.gif Após o estudo da Aula 5, consegue definir o que são coesão e coerência textuais? Reconhece e sabe utilizar os mecanismos de coesão textual? É capaz de empregar ps fatores de coerência textual? Caso você consiga responder essas questões, parabéns! Você atingiu os objetivos específicos desta Aula! Caso tenha dificuldade para respondê-las, aproveite para reler o conteúdo da Aula, acessar o seu AVA - Ambiente Virtual de Aprendizagem e interagir com seus colegas, Chegou o momento de complementar seu conhecimento. Vá até seu Ambiente Virtual de Aprendizagem e acesse esta aula para assistir a Video Aula RECAPITULANDO Estudamos nesta aula a Coesão e Coerência Textuais. Você pode entender os conceitos, os mecanismos de coesão textual, assim como os princípios norteadores da coerência textual, e os fatores de coerência. Também teve a possibilidade de aprender algumas dicas de como desenvolver textos coerentes. Na próxima Aula, aprenderemos a Concordância Nominal e Verbal e, também, a Regência Nominal e Verbal. CRÉDITOS Capa: Coesão e Coerência - Acesso em 21/07/20 REFERÊNCIAS BECHARA, E. Moderna Gramática Portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004. FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. Para Entender o Texto: Leitura E Redação. 18 ed. São Paulo: Ática, 2007. KOCH, Ingedore V. A Coesão Textual. 22. ed. São Paulo: Contexto, 2010. KOCH, Ingedore V.; ELIAS, Vanda M. Ler e Compreender os Sentidos do Texto. São Paulo: Contexto, 2006. KOCH, Ingedore V; TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A Coerência Textual.18. ed. São Paulo: Contexto, 2010. http://hotsite.tvescola.org.br/percursos/wp-content/uploads/2019/07/coesao_coerencia.png Tautologia Inferências 1. Forma de linguagem que consiste em usar palavras diferentes para expressar a mesma ideia ou pensamento. 2. Expressão que, embora use termos diferentes, repete os mesmos conceitos ou ideias já emitidos, sem aclarar ou aprofundar o seu entendimento. 3. Proposição que se mantém sempre verdadeira, uma vez que o atributo é uma repetição do sujeito: A água é molhada. Fonte: Michaelis Operação por meio da qual se chega a uma conclusão ou se faz um raciocínio lógico com base em evidências circunstanciais e em conclusões já tidas como verdadeiras, e não com base na observação direta. Fonte: Dic. Michaelis - Acesso em 09/05/18 http://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/tautologia/ http://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/inferencia/