Prévia do material em texto
I9educacao.com Direito do Consumidor PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO CDC i9educação Prof. Dr. Joseval Martins Viana I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana Prof. Dr. Joseval Martins Viana PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana • A base dos princípios constitucionais que fundamentam o Código de Defesa do Consumidor está no artigo 1º do Código Consumerista: O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e interesse social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal e art. 48 de suas Disposições Transitórias. I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana a) Dignidade da pessoa humana – artigo 1º, inciso III, do CF Art. 1º da CF A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: III - a dignidade da pessoa humana. I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana • O fornecedor que prejudica a saúde do consumidor com seus serviços e produtos desrespeita a dignidade da pessoa humana desse mesmo consumidor. I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana “É abusiva a cláusula contratual que veda a internação domiciliar (home care) como alternativa à internação hospitalar, por não configurar procedimento, evento ou medicamento diverso daqueles já previstos pela agência. Precedentes. Ainda que não tenha havido a suspensão total do atendimento pelo regime de home care, a arbitrária, abrupta e significativa redução da assistência à saúde até então recebida pela beneficiária, no curso do tratamento de doença grave e contrariando a indicação do médico assistente, é conduta que também deve ser considerada manifestamente abusiva, por violação dos princípios da boa-fé objetiva, da função social do contrato e da dignidade da pessoa humana. I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana "A prestação deficiente do serviço de home care ou a sua interrupção sem prévia aprovação ou recomendação médica, ou, ainda, sem a disponibilização da reinternação em hospital, gera dano moral, visto que submete o usuário em condições precárias de saúde à situação de grande aflição psicológica e tormento interior, que ultrapassa o mero dissabor, sendo inidônea a alegação de mera liberalidade em seu fornecimento" (REsp 1.537.301/RJ, Terceira Turma, julgado em 18/8/2015, DJe de 23/10/2015). 7. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, provido. (REsp n. 2.096.898/PE, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 17/10/2023, DJe de 23/10/2023.) I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana b) Direito à Liberdade e à segurança – Artigo 5º, “caput”, da CF “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...”. I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana • O direito de liberdade relacionado ao consumidor diz respeito ao fato de ele poder adquirir e utilizar produtos e serviços de quem ele quiser. I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana REVISÃO DE CONTRATO BANCÁRIO – recurso apenas do réu - tarifa de avaliação de bem – tarifa de registro de contrato – seguro prestamista. TARIFA DE REGISTRO DE CONTRATO – possibilidade conforme o caso concreto – Resp. Repetitivo nº 1.578.553 – legalidade da cobrança caso comprovada o efetivo registro – caso concreto no qual houve a prova – recurso provido. TARIFA DE AVALIAÇÃO DE BEM – possibilidade conforme o caso concreto – Resp. Repetitivo nº 1.578.553 – legalidade da cobrança caso comprovada a efetiva avaliação - caso concreto no qual não houve a prova – recurso não provido SEGURO PRESTAMISTA – possibilidade da cobrança, se for provada a oportunidade de o consumidor contratar com outra empresa – cédula de crédito que não contém em si qualquer cláusula que disponha sobre a liberdade de escolha da seguradora pelo consumidor - cobrança ilícita - restituição devida – recurso não provido. SUCUMBÊNCIA – tendo em vista que o autor ficou vencido na maior parte dos pedidos formulados, cabe impor a sucumbência apenas a ele – honorários ao advogado do réu fixados em 10% sobre o valor da causa – recurso provido. DISPOSITIVO – recurso parcialmente provido. (TJSP; Apelação Cível 1019957-22.2022.8.26.0576; Relator (a): Achile Alesina; Órgão Julgador: 15ª Câmara de Direito Privado; Foro de São José do Rio Preto - 5ª Vara Cível; Data do Julgamento: 22/11/2023; Data de Registro: 22/11/2023) I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana • A venda casada é ilícita • O artigo 39, inciso I, do CDC explicita que: “É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos”. Neste sentido: I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana Indícios de venda casada. Réu não se desincumbiu de comprovar ter oportunizado ao autor a opção por contratação do referido serviço com empresas diversas. Cédula de Crédito Bancário encontrava-se com o valor do seguro previamente preenchido. Precedente desta Câmara. Devolução cabível. Tarifa de avaliação de bem. Tese firmada no REsp nº 1.578.553/SP. Necessidade de comprovação da efetiva prestação do serviço por empresa especializada. Restituição devida. Devolução simples dos valores. Ausência de prova de má-fé. Sentença parcialmente reformada. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (TJSP; Apelação Cível 1001294-76.2021.8.26.0538; Relator (a): Pedro Paulo Maillet Preuss; Órgão Julgador: 24ª Câmara de Direito Privado; Foro de Santa Cruz das Palmeiras - Vara Única; Data do Julgamento: 23/11/2023; Data de Registro: 23/11/2023) I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana - Segurança do consumidor na aquisição de produtos e serviços O artigo 5º, “caput”, da Constituição Federal diz respeito à segurança. Em outras palavras, o consumidor tem direito à segurança em relação aos produtos e serviços que são prestados pelo fornecedor. I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana • Segurança do consumidor diz respeito a um conjunto de medidas e padrões destinados a garantir que produtos e serviços disponibilizados no mercado não representem riscos à saúde ou segurança dos consumidores. I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO MORAL E MATERIAL - AQUISIÇÃO DE ALIMENTO COM CORPO ESTRANHO - NÃO INGESTÃO - FATO INDENIZÁVEL. 1. A Segunda Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp 1.899.304/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, ocorrido em 25/8/2021, DJe 4/10/2021, se posicionou no sentido de que a constatação, em concreto, da existência de corpo estranho totalmente distinto do produto adquirido cuja ingestão, manuseio e utilização seja comprovadamente capaz de causar risco e lesão à saúde ou incolumidade física do consumidor, por violar o dever de qualidade e segurança alimentar, enseja indenização por danos morais, ainda que não haja a ingestão do referido produto. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 2.063.710/RO, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 14/9/2023.) I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana c) Direito à intimidade, à vida privada, honra e imagem do consumidor O artigo 5º, inciso X, da CF afirma o seguinte: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. I9educacao.comProf. Dr. Joseval MartinsViana • A intimidade significa tudo quanto diga respeito única e exclusivamente à pessoa em si mesma, a seu modo de ser e de agir em contextos mais reservados ou de total exclusão de terceiros. • A vida privada é composta de informações em que somente a pessoa pode escolher se as divulga ou não. Já a intimidade diz respeito ao modo de ser da pessoa, à sua identidade, que pode, muitas vezes, ser confundido com a vida privada. Podemos dizer, assim, que dentro da vida privada ainda há a intimidade da pessoa. I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana • A honra constitui-se do somatório das qualidades que individualizam o cidadão, gerando seu respeito pela sociedade, o bom nome e a identidade pessoal que o diferencia no meio social. Tudo aquilo que depõe contra a pessoa, mas que faz parte de sua intimidade, não pode ser livremente divulgado ou revelado por quem tenha tido acesso às respectivas informações. I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana • A imagem é a apresentação, por desenho, impressão ou obra, de figura, pessoa ou coisa. Define-se o direito à imagem como a tutela da imagem física de pessoa, contra ato que a reproduz ou a represente em fotografias, filmagens, retratos, pinturas, gravuras, aquarelas ou até esculturas. I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana APELAÇÃO CÍVEL. Ação indenizatória por danos morais. Responsabilidade Civil. Falha na prestação do serviço bancário. Dever de informação. Devolução indevida de cheques emitidos pelo Autor. Inscrição indevida do seu nome em cadastro de inadimplentes. Conduta desidiosa da instituição financeira. Dano moral configurado. Responsabilidade objetiva do Réu. Inteligência do Recurso Repetitivo nº 1.199.782/PR e Súmula nº 479, ambos do STJ. Reparação do dano fixada em R$ 10.000,00, reduzida para R$ 5.000,00. Razoabilidade e proporcionalidade. Sentença reformada nesse ponto. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (TJSP; Apelação Cível 1000353-09.2023.8.26.0037; Relator (a): Emílio Migliano Neto; Órgão Julgador: 23ª Câmara de Direito Privado; Foro de Araraquara - 4ª Vara Cível; Data do Julgamento: 21/11/2023; Data de Registro: 21/11/2023) I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana d) Direito à informação Art. 220 da CF: “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.” I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana • Quando se trata de informação relativa à própria pessoa, a Constituição Federal garante-lhe inclusive um remédio processual específico: o habeas data. • Direito de ser informado: o consumidor tem o direito de ser informado pelo fornecedor. Os órgãos públicos são fornecedores. I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana • Artigo 5º, inciso XXXIII, da CF: “XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.” I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana • Nesse mesmo sentido, dispõe o artigo 43 do Código de Defesa do Consumidor: “O consumidor, sem prejuízo do disposto no art. 86, terá acesso às informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como sobre as suas respectivas fontes.” I9educacao.comProf. Dr. Joseval Martins Viana • O direito à informação também está registrado no artigo 6º, inciso III, do Código de Defesa do Consumidor: “São direitos básicos do consumidor: III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem”.