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Técnicas Avançadas de Anestesia Local 2. Técnicas de Anestesia Espinhal As anestesias espinhais são bloqueios regionais, segmentares e temporários que envolvem o depósito de anestésico no canal espinhal para dessensibilizar regiões específicas. Anatomia e Barreiras Protetoras A medula espinhal é protegida por três meninges que devem ser compreendidas para o sucesso da técnica: 1. Dura-máter: A camada mais externa e fibrosa. A sensação de rompê-la com a agulha é descrita como "furar um plástico esticado". 2. Aracnoide: Camada intermediária que lembra uma teia de aranha. 3. Pia-máter: A camada mais interna, em contato direto com a medula. Classificação das Técnicas Espinhais ● Epidural (ou Peridural): O anestésico é depositado ao redor da dura-máter. Não deve haver retorno de líquido cefalorraquidiano (LCR). ○ Alta (L7-S1): Indicada para procedimentos em membros posteriores e abdômen. O animal geralmente perde o suporte motor. ○ Baixa (S2-S3 ou Sacro-coccígea): Utilizada em grandes animais para anestesiar apenas cauda e períneo, mantendo o animal em pé. ● Subaracnoide (Raquianestesia): O anestésico é depositado abaixo da aracnoide, em contato direto com o LCR. É identificada pelo gotejamento de líquido na agulha. Deve ser evitada na rotina a menos que o objetivo seja a coleta de LCR. Considerações Técnicas e Segurança ● Posicionamento: Em anestesias epidurais altas, a cabeça do paciente deve estar sempre mais elevada que o bumbum para evitar que o anestésico migre cranialmente e cause paralisia da musculatura intercostal (nervo frênico), levando à parada respiratória. ● Sinal de Sucesso: O relaxamento do esfíncter anal e a perda do tônus da cauda. ● Complicação Crítica: A cefaleia pós-raqui ocorre pela perda de LCR, causando dor intensa (pressão intracraniana alterada). O tratamento envolve fluidoterapia intensa e analgesia. -------------------------------------------------------------------------------- 3. Anestesia Intravenosa Regional (Técnica de Bier) Descoberta em 1880, esta técnica promove anestesia e analgesia de extremidades (dígitos) por meio do compartimento vascular. Procedimento e Fisiologia O membro é garroteado para interromper o fluxo sanguíneo e o anestésico (geralmente Lidocaína 1%) é injetado via intravenosa de forma retrógrada (de baixo para cima). O tecido é anestesiado por embebição. Dosagem de Lidocaína 1% (Referencial) Peso do Animal Volume de Anestésico Até 50 kg 5 mL 50 a 100 kg 10 mL 100 a 200 kg 15 mL Limite Máximo 20 mL Indicações e Cuidados ● Aplicações: Amputação de dígito (especialmente em ruminantes), desbridamentos, suturas, tratamento de pododermatites e neurectomias. ● Cuidados com o Decúbito: ○ Ruminantes: Deitar preferencialmente do lado direito para evitar compressão do rúmen (que fica à esquerda) e timpanismo. ○ Equinos: Deitar preferencialmente do lado esquerdo para evitar compressão do ceco (que fica à direita). ● Toxicidade: O garrote deve ser liberado gradualmente para evitar que uma grande carga de anestésico atinja a circulação sistêmica de uma vez, o que pode causar intoxicação e midríase (dilatação da pupila). -------------------------------------------------------------------------------- 4. Resumo de Contraindicações e Riscos Condição Motivo da Contraindicação Hipotensão/Choque O bloqueio simpático causa vasodilatação, agravando a queda do débito cardíaco. Sepse/Infecção Local Risco de levar contaminação para dentro do sistema nervoso central (Meningite). Alterações na Coluna Dificulta o acesso anatômico e pode agravar lesões pré-existentes. Anemia Grave O paciente já possui compensação cardiovascular limitada para suportar a depressão do miocárdio causada pelo anestésico. Citação Relevante: "Não é porque esses animais são de rua que vai fazer a anestesia de todo jeito... Se vê que não dá para fazer [com técnica e assepsia], não faça." — Orientação sobre a ética profissional e segurança do paciente. Técnicas Avançadas de Anestesia Local 2. Técnicas de Anestesia Espinhal Anatomia e Barreiras Protetoras Classificação das Técnicas Espinhais Considerações Técnicas e Segurança 3. Anestesia Intravenosa Regional (Técnica de Bier) Procedimento e Fisiologia Dosagem de Lidocaína 1% (Referencial) Indicações e Cuidados 4. Resumo de Contraindicações e Riscos