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GESTÃO DE TRANSPORTE Unidade 4 Riscos logísticos em transportes Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial ALESSANDRA FERREIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria EMMANUELA JORDÃO 4 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 A U TO RI A Emmanuela Jordão Olá. Meu nome é Emmanuela Jordão. Sou formada em Ciências Econômicas, mestre e doutoranda em Engenharia de Transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Possuo um uma experiência técnico-profissional na área de engenharia de transportes de mais de 10 anos. Trabalhei para órgãos do Exército Brasileiro, voltados para a área de transportes. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! 5GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 ÍC O N ES Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO Para o início do desenvolvimento de uma nova competência. DEFINIÇÃO Houver necessidade de apresentar um novo conceito. NOTA Quando necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento. IMPORTANTE As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você. EXPLICANDO MELHOR Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado. VOCÊ SABIA? Curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias. SAIBA MAIS Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento. ACESSE Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast. REFLITA Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido. RESUMINDO Quando for preciso fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens. ATIVIDADES Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada. TESTANDO Quando uma competência for concluída e questões forem explicadas. 6 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Treinamento na Operação de Transporte .............................. 9 Treinamento de Pessoal .................................................................................... 9 Desafios ................................................................................................14 Penalidades e Medidas Administrativas no Transporte e Distribuição .............................................................................. 17 Órgãos Competentes ........................................................................................19 ANTT .....................................................................................................19 Polícia Rodoviária Federal- PRF ........................................................ 20 Penalidades Aplicadas às Empresas de Transporte .................................... 21 Transporte Rodoviário Internacional de Carga - TRIC .................. 22 Transporte Nacional de Carga .........................................................22 Transporte de Produtos Perigosos .................................................. 22 Gestão de Risco e Seguros ..................................................... 25 Fatores de Risco .................................................................................................26 Seguro .................................................................................................................28 Seguro do Transportador .................................................................31 Seguro do Transportador Rodoviário ............................................ 32 Rastreamento e Monitoramento dos Traslados e Tráfego . 35 Rastreamento ....................................................................................................38 Monitoramento .................................................................................................41 SU M Á RI O 7GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 A PR ES EN TA ÇÃ O Para que a operação de transporte seja executada com eficiência eficácia se faz necessário que as empresas pratiquem uma boa gestão do transporte. A preocupação com o produto, com sua armazenagem, manuseio e até mesmo com a segurança do transporte da carga faz parte da rotina das atividades da área de logística. A Unidade 4 abordará assuntos relacionados com a gestão do transporte, tais como treinamento de pessoal envolvido com a operação de transporte; as penalidades e medidas administrativas que podem ocorrer nas operações de transporte e distribuição; a gestão de risco, seguros e rastreamento e monitoramento do transporte da carga. Vamos embarcar juntos nesta jornada do conhecimento? Conto com sua companhia! 8 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 O BJ ET IV O S Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso propósito é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos: 1. Compreender a importância do treinamento de pessoal na gestão do transporte. 2. Listar as penalidades e medidas administrativas relativas à operação de transporte e distribuição. 3. Descrever sobre os aspectos relacionados com a gestão de risco e seguro inerentes a operação de transporte. 4. Entender como são realizados o rastreamento e o monitoramento dos traslados e do tráfego. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! 9GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Treinamento na Operação de Transporte OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de compreender a importância treinamento de pessoal na gestão do transporte, e o quanto é importante os empresários investirem em seus recursos humanos, e não somente nos recursos operacionais. Você sabe qual a importância do treinamento de pessoal para uma boa gestão das empresas? Qual o tipo de benefício o treinamento pode trazer para as empresas? Essas perguntas serão respondidas para você a partir de agora. Pronto para entender melhor do tema? Então vamos lá! Treinamento de Pessoal Acompanhar e atualizar os conhecimentos e qualificações não é tarefa, em função do rápido e crescente avanço da tecnologia, desta maneira, cada vez mais a gestão de pessoas, ganha uma posição estratégica na viabilização do crescimento da atividade logística das empresas em todo o país. Desta maneira, a gestão de pessoas na logística tem a função de refletir a maneira como as empresas veem e dispõem os colaboradores nessa era de tecnologia e informações avançadas. A grande necessidade é que o capital humano seja considerado parte inteligente do capital da organização, sendo qualificado com habilidades e conhecimentos que auxiliam na administração de todos os recursos. 10 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 DEFINIÇÃO O treinamento pode ser definido como uma atividade que tem como finalidade promover e aumentar o aprendizado entre os funcionários de determinado setor de uma empresa. O treinamento também pode ser definido como a aquisição sistemática de atitudes, conceitos, conhecimentos, regras ou habilidades que resulta em melhoria de desempenho no trabalho (Goldstein, 1991). O treinamento se torna uma ferramenta de aumento da lucratividade na medida em que as empresas efetivamente permitem que as pessoas contribuam para o resultado do negócio. Nestes termos, o treinamento se transforma na melhor maneira de agregar valor às pessoas, às organizações e aos clientes, enriquecendo o patrimônio humano das organizações (Chiavenato, 2008). O treinamento para ser efetivo precisa ser um processo sistemático, promovendo alteração no comportamento dos colaboradores na direção e alcance dos objetivos definidos pelas organizações. A figura apresenta as etapas do treinamento. 11GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Tabela 1: Etapas do Treinamento.Fonte: A autora adaptado de Chiavenato, 2008. A operação de transporte é uma atividade que depende de uma série de fatores para que ocorra de maneira eficiente, dentre os quais se podem citar como exemplo: equipamentos tecnológicos e adequados para cada tipo de operação; capacidade física suficiente, veículos adequados e de qualidade, entre outros. Apesar de todos os fatores citados, sem se considerar o aspecto humano, nada funciona, e sendo assim, os gestores estão sempre preocupados em manter suas equipes motivadas e em constante aprendizado. Desta maneira, a gestão de pessoas 12 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 se torna uma atividade imprescindível para todos os setores de uma empresa, assim como para a atividade de logística, a qual tem responsabilidade com a operação de transporte. Figura 1 – Gestão de pessoas Fonte: @freepik Seja o sucesso da empresa, seja a eficiência de uma operação de transporte, tudo depende das pessoas, afinal são elas que se encontram por trás de cada etapa do processo logístico. Sendo assim, se elas não recebem o treinamento e a capacitação adequados, se seus objetivos não estão alinhados com a equipe, a empresa pode estar comprometida. Determinadas empresas não priorizam as questões relacionados com o desenvolvimento e treinamento de seus colaboradores, promovendo o despreparo para o desempenho de algumas atividades do dia a dia de maneira produtiva. As questões relacionadas com treinamento, muitas vezes são preteridas quando a precisa optar por um investimento; geralmente o empresário opta por adquirir um equipamento a investir, em treinamento. 13GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Um importante aspecto a ser destacado é que a qualidade do serviço ofertado nos processos de armazenagem e transporte é diretamente proporcional ao nível de treinamento dos colaboradores. Apesar de toda essa relação, algumas empresas não investem o quanto é necessário em treinamento, por várias razões tais como: custo, retorno do investimento, que em geral é de longo prazo, e muitas vezes mesmo até por questões culturais. Porém, existem empresas que já se conscientizaram o quanto o conhecimento é importante para a obtenção de melhores práticas, sendo fundamenta para bons resultados operacionais na atividade logística. O treinamento de pessoal é uma importante ferramenta que tem como finalidade melhorar o desempenho do profissional, que está atrelada com as atuais habilidades e conhecimentos necessários para realizar as atividades com competência, assim como proporcionar uma melhora significativa na execução de tarefas. Os melhores resultados são obtidos, tanto nos setores gerenciais quanto operacionais, quanto mais realizados forem os treinamentos nas empresas, estimulando o ensino, o aprendizado. Destaca-se que o no Brasil, a operação logística como objeto de estudo e aplicação ainda está pouco desenvolvida, e por consequência, os profissionais da área ainda não está tecnicamente preparado, existe muito a ser a ser percorrido no desenvolvimento tácito da logística (Menchik, 2010). A figura 3 apresenta uma pirâmide relacionando atividades logísticas e seu valor agregado, desta maneira, encontra- se na base da pirâmide têm-se as atividades de transporte e armazenagem, que utiliza recursos humanos de baixo custo e consequentemente de baixa qualificação, salientando, assim a 14 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 necessidade de uma política de treinamento robusta por parte da gestão e principalmente de coaching da supervisão direta. Figura 2: Processos logísticos Fonte: A autora Desafios O treinamento de pessoal na área de gestão de transporte traz grandes desafios, porque são muitos os funcionários em diversas áreas, com níveis de conhecimento e capacidade de aprendizagem diferente. A capacitação do motorista pode ser citada como um exemplo. A capacitação de motoristas pode ser definida como uma peça fundamental para redução do orçamento e para garantir uma distribuição de mercadorias de maneira eficiente. 15GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 O treinamento de capacitação de motoristas é importante para conscientizar os motoristas, e educá-los quanto à melhor utilização dos veículos e a prioridade do controle de riscos, além de trazer benefícios para a empresa, tais como: • Menor desgaste dos veículos; • Menor número de acidentes; • Maior eficiência na entrega; • Mentos incidência de multas. Há diversas maneiras de capacitação de motoristas, dentre as quais se pode citar: • Teste com simuladores; • Técnicas de direção defensiva; • Cuidados com o meio ambiente; • Gestão de riscos; • Ética pessoal e profissional; O treinamento de motoristas propicia que as empresas possam realizar planejamento das rotas, afinal os motoristas passam a ter um domínio maior sobre os trajetos e respectivos perigos; somado a isso a redução do custo da renovação dos seguros é um benefício igualmente identificado. A precisão e a eficácia na operação de transporte podem ser consideradas como resultado da capacitação de motoristas. Ao se investir em treinamento a empresa tem como benefício estabelecer padrões que poderão até diminuir prejuízos e consequentemente aumentar a eficiência das suas operações. O treinamento proporcionado pela empresa é uma maneira de fazer com que o profissional se sinta valorizado em seu 16 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 ambiente de trabalho, isto é, profissionais treinados se sentem mais confiantes para executar suas tarefas, o que de alguma maneira, é percebido pelos clientes. SAIBA MAIS Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Livro: “Gestão Estratégica de Transporte e Distribuição (Menchik, 2010)”. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido sobre a importância do treinamento de pessoal na gestão de transporte. O treinamento de pessoal nem sempre é uma atividade que merece a atenção e investimento devido, muitos gestores e empresários preferem investir em maquinários e equipamentos, que aparentemente fornecem um retorno mais imediato. Por outro lado, há empresas que compreendem o quanto é importante os aspectos relacionados com a gestão de pessoas, e como essa visão pode proporcionar ganhos para a empresa. Em relação a operação de transporte, a capacitação de motoristas é um clássico exemplo de como o treinamento é importante para empresas que buscam melhorar a eficiência operacional de suas atividades. Nossa próxima competência está relacionada com a listagem das penalidades e medidas administrativas relacionadas com a operação de transporte e distribuição. Pronto? Vamos seguir em frente! 17GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Penalidades e Medidas Administrativas no Transporte e Distribuição OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de listar as principais penalidades e medidas administrativas relacionadas com a operação de transporte e distribuição. Você sabe qual a diferença entre penalidade e medida administrativa? Se você não sabe, não tem problema, vamos te apresentar um exemplo que vai te ajudar a compreender essa diferença. Exemplo: Uma das infrações mais comuns no transporte de cargas é a multa por dimensão além do limite. Esta infração segundo o artigo 231 do Código de Trânsito Brasileiro é de natureza grave e prevê multa como penalidade, além da retenção do veículo para regularização como medida administrativa. A penalidade pode ser definida como um ato administrativo que possui pressupostos de legalidade, ampla defesa e o devido processo legal. Já a medida administrativa é aplicada no local aonde a infração ocorre, sendo realizada pela autoridade competente, destaca-se que ela é aplicada sem a necessidade deprévio processo administrativo. Tanto as penalidades como a medida administrativa são aplicadas com a finalidade de combater uma atividade incorreta nas vias, sendo que a medida administrativa possui caráter emergencial. 18 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Ressalta-se que toda infração cometida gera uma penalidade, mas, nem toda infração tem uma medida administrativa correspondente. As penalidades e medidas administrativas no transporte são preocupações do fornecedor e do transportador, e elas podem ocorrer caso não se consiga atender a demanda de um cliente, tanto na quantidade quanto no tempo desejado. Os contratos de transporte possuem cláusulas de penalidades caso não ocorra o cumprimento correto da entrega da carga, ou até mesmo que atraso que possam gerar interrupção na linha de produção. Os embarcadores internacionais, para contratação da operação de transporte, exigem a apresentação de índices de desempenho mínimos ou até mesmo de planos e propostas de correção do problema ou restabelecimento dos índices para o próximo mês. A ausência de apresentação desses documentos pode culminar com o descredenciamento do fornecedor, tendo justificado pela falta de atendimento das necessidades de prestação de serviço (Menchik, 2010). A operação de transporte é avaliada por meio de indicadores de serviço, dentre os quais se podem citar: • Indicadores de eficiência de entrega: é metido com base nas entregas fracionadas, isto é, a cada 100 entregas fracionadas, o mercado admite que se tenha até cinco entregas atrasadas; • Indicadores de performance de rastreabilidade, ou seja, o transportador tem até ao meio-dia do dia seguinte para informar o status das entregas realizadas no dia, independente se houve alguma ocorrência ou não. 19GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Órgãos Competentes As penalidades e medidas administrativas no transporte e distribuição são elaboradas e aplicadas por meio de órgãos do governo tais como a Agência Nacional de Transporte Terrestre – ANTT e a Polícia Rodoviária Federal – PRF. Destaca-se que todas as regras pertinentes ao transporte de carga se encontram reunidas na Lei nº 11.442, de 5 de janeiro de 2007. A lei contempla questões relacionadas com a quantidade de veículos que cada contratante pode ter e detalhes dessa natureza. ANTT A ANTT é uma autarquia sob regime especial e está presente em todo o território nacional, e foi criada pela Lei nº 10.233. Este órgão do governo tem por finalidade regular, supervisionar e fiscalizar as atividades de prestação de serviços e de exploração da infraestrutura de transportes, exercidas por terceiros, visando garantir a movimentação de pessoas e bens, harmonizar os interesses dos usuários com os das empresas concessionárias, permissionárias, autorizadas e arrendatárias, e de entidades delegadas, preservando o interesse público, arbitrar conflitos de interesses e impedir situações que configurem competição imperfeita ou infração contra a ordem econômica (ANTT, 2020). A ANTT é a responsável por um importante registro obrigatório no transporte rodoviário de cargas, o RNTRC – Registro Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas, criado pela Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001. Sua obrigatoriedade foi implementada pela resolução nº 3.056, de 12 de março de 2009. 20 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 DEFINIÇÃO O RNTRC pode ser definido como uma obrigação para todas as empresas e cooperativas de transporte rodoviário de cargas, bem como para os transportadores autônomos, que praticam atividades econômicas de transporte rodoviário no Brasil. SAIBA MAIS Para saber mais sobre a relação entre as infrações e as penalidades referentes à obrigação do RNTRC, acesse o link clicando aqui. Polícia Rodoviária Federal- PRF A PRF é o órgão que atua conjuntamente com a ANTT e tem como função fiscalizar em todas as rodovias federais do país, e pelos fiscais da ANTT, todas as rodovias concedidas à iniciativa privada. As competências da PRF são instituídas pela Constituição Federal, no artigo 144, pela Lei nº 9.503/97 – Código de Trânsito Brasileiro, pelo Decreto nº 1.655, de 3 de outubro de 1995 e pelo seu regimento interno, aprovado pela Portaria Ministerial nº 219, de 27 de fevereiro de 2018. Em relação ao RNTRC, a PRF autua, por meio de penalidades, os transportadores que não possuem o certificado ou estejam com irregularidades no registro, sendo impedidos de realizar e exercer atividade remunerada, mediante pagamento de frete. https://www.gov.br/antt/pt-br 21GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Penalidades Aplicadas às Empresas de Transporte Cada vez mais se percebe a necessidade de conhecer bem as normas e legislações relacionadas com o transporte rodoviário de cargas, o que se torna um desafio constante para as empresas, que tem um interesse em realizar boas práticas em logística, buscando se diferenciar positivamente em relação à concorrência. As exigências legais precisam ser bem compreendidas no que tange aspectos relacionados com estoque, transporte e entrega dos vários tipos de carga, garantindo o cumprimento das leis e diretrizes, e paralelamente gerando satisfação ao cliente. Neste contexto, se faz necessário saber que as penalidades aplicadas às empresas de transporte de carga, podem ser divididas em três categorias, sendo elas: transporte rodoviário internacional de carga; transporte nacional de carga; transporte de produtos perigosos. Figura 3: Penalidades aplicadas as categorias do tipo de transporte Fonte: @freepik 22 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Transporte Rodoviário Internacional de Carga - TRIC O Brasil, em função de sua extensão territorial, mas acordos de transporte internacional terrestre, especialmente rodoviário, com praticamente todos os países da América do Sul. O objetivo dos acordos de transporte é facilitar o incremento do comércio, turismo e cultura entre os países, no transporte de bens e pessoas, permitindo que veículos e condutores de um país circulem com segurança (ANTT, 2020). A ANTT é o órgão responsável pela negociação e aplicação dos acordos, assim como a instituição dos atos legais e regulamentares, os procedimentos operações e as informações estatísticas. Destaca-se que o TRIC realizado entre os países do MERCOSUL, possui acordos em estágio mais avançado com a negociação e adoção de normas técnicas comunitárias. Transporte Nacional de Carga Conforme já apresentado no capítulo, a ANTT é o órgão responsável pela regulamentação do transporte rodoviário de carga. A Lei 11.442/2007 possui uma infinidade de decretos e resoluções que igualmente versam sobre as exigências dentro deste setor. Transporte de Produtos Perigosos A ANTT, por meio da Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001, foi instituída como o órgão regulador do transporte de cargas e 23GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 produtos perigosos em rodovias e ferrovias, tendo uma gerência especial denominada de Gerência de Regulação do Transporte Rodoviário de Cargas (Geroc). A regulamentação brasileira sobre o transporte rodoviário de produtos perigosos baseia-se nas recomendações emanadas pelo Comitê de Peritos em Transporte de Produtos Perigosos das Nações Unidas, publicadas no Regulamento Modelo conhecido como “Orange Book”, atualizado periodicamente, bem como no Acordo Europeu para o Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, conhecido como ADR (ANTT, 2020). Dessa forma, o transporte rodoviário, por via pública, de produtos que sejam perigosos, por representarem risco para a saúde de pessoas ou para o meio ambiente, é submetido às regras e aos procedimentos estabelecidos pelo Regulamento para o Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, Resolução ANTT nº 5.848/19, (que revogou o antigo Regulamento aprovado pela Resolução ANTT nº. 3665/11), complementado pelas Instruções aprovadas pela Resolução ANTT nº. 5.232/16 e suas alterações, sem prejuízodo disposto nas normas específicas de cada produto. O Regulamento estabelece, entre outras, prescrições relativas às condições do transporte; documentação; deveres, obrigações e responsabilidades; infrações aplicáveis. SAIBA MAIS Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Site: Agência Nacional de Transporte Terrestre- ANTT. Disponível aqui . https://anttlegis.antt.gov.br/action/ActionDatalegis.php?acao=detalharAto&tipo=RES&numeroAto=00005848&seqAto=000&valorAno=2019&orgao=DG/ANTT/MI&codTipo=&desItem=&desItemFim=&cod_menu=5408&cod_modulo=161 https://anttlegis.antt.gov.br/action/ActionDatalegis.php?acao=detalharAto&tipo=RES&numeroAto=00005848&seqAto=000&valorAno=2019&orgao=DG/ANTT/MI&codTipo=&desItem=&desItemFim=&cod_menu=5408&cod_modulo=161 https://anttlegis.datalegis.inf.br/action/UrlPublicasAction.php?acao=abrirAtoPublico&num_ato=00003665&sgl_tipo=RES&sgl_orgao=DG/ANTT/MT&vlr_ano=2011&seq_ato=000 https://anttlegis.datalegis.inf.br/action/UrlPublicasAction.php?acao=abrirAtoPublico&num_ato=00005232&sgl_tipo=RES&sgl_orgao=DG/ANTT/MTPA&vlr_ano=2016&seq_ato=000 https://www.gov.br/antt/pt-br 24 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido sobre as penalidades e medidas administrativas no transporte e distribuição, e que há uma diferença em relação ao cumprimento de cada uma delas. No transporte rodoviário de cargas existem órgãos governamentais que atuam na elaboração das normas e das penalidades, nas quais as empresas de transporte estão sujeitas caso não as cumpra. A ANTT e a PRF são estes órgãos que atuam constantemente pelas rodovias brasileiras assegurando que as normas estabelecidas estão sendo cumpridas no que se relaciona como transporte de cargas. A abrangência das regulamentações do transporte terrestre é internacional, sendo realizada por meio de acordo com os países vizinhos. Por fim, uma legislação e penalidade específicas são instituídas para o transporte de produtos perigosos, os quais requerem mais cuidados e preocupação. Nossa próxima competência está relacionada com o entendimento sobre a gestão de riscos e tipos de seguros relacionados como transporte de cargas. Pronto? Vamos seguir em frente! 25GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Gestão de Risco e Seguros OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de descrever os principais aspectos relacionados com a gestão de risco e seguro inerentes a operação de transporte. E então? Preparado e motivado para desenvolver esta competência? Lá vamos nós! Você sabe por que as empresas que realizam a operação de transporte precisam de uma gestão de risco? E por que devem contratar seguro para suas cargas? A gestão de risco é uma atividade abrangente e que faz parte da rotina das empresas que tem a operação de transporte como atividade fim ou até mesmo como atividade meio. Este fato é consequência do baixo investimento governamental em infraestrutura logística, alto índice de roubo nas rodovias e defasagem no valor do frete. As empresas que não optam por uma gestão de risco podem ter poucas chances de se manter funcionando no médio prazo. DEFINIÇÃO A gestão de risco pode ser definida como um processo de gestão que abrange os cuidados no transporte de cargas em território nacional, e que é tanto aplicado para o transporte de cargas como para o abastecimento interno, ou para cargas destinadas à exportação no percurso inicial, e na importação no percurso complementar. É importante destacar que o Brasil é considerado como um dos dez países mais perigosos do mundo, no quesito roubo de carga, sendo preciso entender as questões de vulnerabilidade e as regras de segurança das vias. 26 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 A gestão de risco é utilizada para resguardar os acidentes, desvios ou danos à carga, sendo um sistema de gestão e mitigação de riscos, protegendo além da carga, os veículos de transporte e as pessoas envolvidas no processo. Fatores de Risco Uma das responsabilidades do gerenciamento de risco na operação de transporte é poder prever possíveis alterações em todas as etapas da operação, por meio da elaboração de ações que podem eliminar falhas ou que irão minimizar os danos causados por elas. Figura 4: Gerenciamento de risco Fonte: @freepik Na realização da operação de transporte de entrega, podem surgir fatores de riscos, dentre os quais se podem citar: problemas mecânicos; acidentes ou roubo de carga; falhas e atrasados na entrega. https://br.freepik.com/fotos-premium/fechar-o-botao-azul-com-sinal-de-caminhao-de-transporte-no-teclado-preto_5083757.htm 27GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 A tabela 2 apresenta uma relação com vários fatores de riscos e motivos que justificam a adoção da gestão de risco pelas empresas. Tabela 2: Fatores de risco e motivos para a adoção da Gestão de Risco Fonte: A autora. Com base nas informações apresentadas na tabela, é possível inferir que a gestão de risco é uma maneira que a empresa tem de investir em melhor qualidade e segurança dos processos logísticos de transporte. Para a realização de um bom gerenciamento de risco, algumas medidas devem ser realizadas, tais como: 28 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 • Controle de cargas e pedidos de frete; • Uso de inteligência embarcada para monitoramento a distância; • Realização de mapeamento das cargas; • Controle eletrônico da manutenção da frota; • Estudo de gerenciamento de risco em transporte de cargas; • Realizar um bom processo de seleção de motoristas e colaboradores; • Ter um ciclo constante de treinamentos e atualização para motoristas e demais colaboradores; • Conhecimento da legislação básica de transporte de cargas; • Contratar e manter em dia suas apólices de seguro; • Utilizar os serviços de consulta motoristas em uma companhia gerenciadora de riscos. Além de todos os itens apresentados como importantes para o gerenciamento de risco, a contratação do seguro é a atividade fundamental para resguardar toda operação de transporte que será realizada. Seguro Você saberia me informar qual o propósito do seguro? Realmente há necessidade de sua contratação? Seria ele mais um custo que onera a operação de transporte? Primeiramente, é preciso saber que sem a contratação de um seguro, não há gestão de risco na empresa. O propósito do seguro é de fornecer proteção financeira ao segurado com 29GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 relação à sua carga transportada contra sinistros. Estes sinistros podem ser avarias, tombamento, furto, desta maneira, o seguro tem o objetivo de apenas repor um dano advindo da ocorrência de um sinistro, e não proporcionar lucros com relação ao bem segurado (Menchik, 2010). O seguro do transporte de cargas tem como objetivo assegurar possíveis danos e garantir a segurança da mercadoria desde o embarque até a chegada ao destino. Sua contratação pode ser realizada por empresas transportadoras (garantir a segurança da carga de terceiros que estão sob sua responsabilidade), ou pelo dono da carga, que deseja transportar sua carga com mais garantia. Figura 5: Seguro de carga Fonte: @freepik O seguro contratado para uma operação de transporte é realizado em função de dois fatores distintos, sendo eles: https://br.freepik.com/vetores-premium/icone-de-logistica-de-entrega-rapida_5381788.htm 30 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 1. A compra e a venda de determinada mercadoria: aonde se estabelece de quem é a responsabilidade de contratação do seguro, levando em consideração a modalidade do frete contratado, isto é, se é CIF¹ ou FOB². 2. O tipo de transporte envolvido. NOTA CIF – Cost, Insurance and Freight (custo, seguro e frete): nesta modalidade, o freteestá incluso, e o vendedor é o responsável pelos custos, seguro marítimo e despesas de frete dos produtos. FOB – Free on Board (livre a bordo): nesta modalidade, o frete não está incluído, e o comprador é o responsável pela contratação do seguro. Uma apólice de seguro é composta por fatores determinantes, por condições estabelecidas para todas as coberturas, e aplicam-se aos bens segurados nas viagens em qualquer que seja o modo de transporte (rodoviário, aéreo, ferroviário, marítimos). São considerados fatores determinantes de uma apólice de seguro, os seguintes itens: • Objeto de seguro: cláusula inicial e genérica do interesse assegurado; • Importância segurada: estabelece qual o valor monetário correspondente ao objeto assegurado; • Limite de responsabilidade: define o valor monetário que a seguradora assumirá, por viagem de um modo de transporte; • Risco: pode ser definido como a expectativa do sinistro; 31GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 • Riscos cobertos: são aqueles definidos nas condições especiais de cada modalidade de seguro, que fazem parte integrante e inseparável da apólice; • Franquia: determina o valor no contrato representando o limite de participação do segurado nos prejuízos resultantes de um sinistro; • Prêmio: é a importância paga pelo segurado, ou estipulante, a seguradora em troca de transferência do risco a que ele está exposto. A contratação do seguro pode ser realizada de três maneiras, sendo elas: • Apólice simples ou avulsa; • Apólice de averbação; • Apólice flutuante anual. Em relação ao pagamento do prêmio, este também pode ser realizado de três formas diferentes: • Perda total; • Salvados; • Liquidação do sinistro. Seguro do Transportador Este tipo de seguro tem por finalidade preservar a operação de transporte incluindo; caminhões, navios, implementos, aeronaves etc. Neste tipo de seguro, diferentemente do que ocorre no seguro da mercadoria, que é realizado pelo embarcador; quem 32 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 o contrata é o transportador, que busca cobrir danos ou perdas aos veículos utilizados em seu transporte. Este tipo de seguro contempla os seguintes modos de transporte: rodoviário, aéreo e aquaviário. Vamos abordar as questões relacionadas com o seguro do transportador rodoviário, em função de ser o modo de transporte mais utilizado para o transporte de carga no Brasil. Seguro do Transportador Rodoviário Muitas são as modalidades de seguro disponíveis para o transportador rodoviário. Dentre as quais se podem destacar: • Seguro para o veículo (casco); • Seguro para os danos ocasionados pelos veículos e cargas contra terceiros; • Seguro de responsabilidade civil do transportador rodoviário de carga – RCTR-C (este seguro é obrigatório); • Seguro de Responsabilidade Civil Facultativa – Desaparecimento de carga – RCF-DC (este seguro é facultativo do transportador rodoviário de carga). Os custos de seguros na grande maioria das vezes são repassados ao embarcador por meio de tarifa ad-valorem³ estipulada sobre o percentual do valor da mercadoria, que engloba outros custos além do seguro diretamente, entre os quais se pode citar: avarias na carga e descarga, extravios nos terminais das transportadoras, administração dos seguros etc. 33GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 NOTA Ad Valorem é uma tarifa popularmente conhecida como “Frete Valor”, que é um seguro para mercadorias que transfere a responsabilidade sobre o transporte deste bem para a transportadora. Se você quiser mais informações, o Frete Valor foi estudo na Unidade 2 da disciplina. Para produtos com alto valor agregado e alvo de roubo de carga, foi desenvolvida uma prática chama de Dispensa de Direito de Regresso (DDR). Este documento tem a finalidade de formalizar a transferência do seguro da mercadoria para o embarcador, não sendo esta uma responsabilidade do transportador. Geralmente o embarcador consegue melhores condições de negociações com a seguradora. IMPORTANTE A origem do DDR remota a década de 90, quando era praticamente inviável a transportadora assegurar as cargas de medicamentos. Em função de tal cenário, as seguradoras começaram a isentar as transportadoras da responsabilidade da averbação das cargas oriundas dessa indústria, por meio da Dispensa de Direito de Regresso (DDR), porém as transportadoras deveriam segui um Plano de Gerenciamento de Risco (PGR), desenvolvido pelo embarcador em paralelo com a seguradora (Menchik, 2010). Atualmente, o que se verifica é uma grande diversidade de embarcadores, cada um possui seu PGR, resultando assim em um processo de grande complexidade para a gestão do transportador, em virtude da grande diversidade de modelos de gestão de risco. 34 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 SAIBA MAIS Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Livro: “Gestão Estratégica de Transporte e Distribuição (Menchik, 2010)”. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido sobre a gestão de risco e os seguros que devem ser realizados para a operação de transporte. A gestão de risco pode ser definida como um amplo processo, que deve ser aplicado ao transporte de carga, em todas as suas vertentes. Dentro do contexto da gestão de risco possuem os fatores de risco e motivadores, que são os responsáveis pela necessidade de implantação de uma gestão de risco. Em relação ao seguro, este pode ser feito tanto pelo embarcador da mercadoria como pelo transportador, e esta questão varia de acordo com o tipo de carga a ser transportada. O seguro do embarcador tem a finalidade de assegurar a carga, enquanto o seguro do transportador tem a finalidade de preservar a operação de transporte e todos seus meios de transporte físicos. Existem cargas que devido ao seu alto valor agregado, o seu seguro deve ser realizado diretamente entre o embarcador e a seguradora, tendo o transportador uma carta de DDR, mas devendo este cumpri um plano de gerenciamento de risco. Nossa próxima competência está a identificação da maneira que é realizada o rastreamento e o monitoramento dos traslados e do tráfego, nas operações de transporte. Pronto? Vamos seguir em frente! 35GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Rastreamento e Monitoramento dos Traslados e Tráfego OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de entender como são realizados o rastreamento e o monitoramento dos traslados e do tráfego das operações de transporte. E então? Preparado e motivado para desenvolver esta competência? Lá vamos nós! ACESSE Assista ao vídeo Conheça os desafios para combater o roubo de cargas no Brasil e veja os desafios encontrados pelos transportadores de carga e como o rastreamento e o monitoramento podem auxiliar nas questões relacionadas com a segurança na operação de transporte. Disponível aqui. Você sabe qual a importância do rastreamento e do monitoramento para a operação de transporte? Eu acredito que você deva ter uma ideia, mas vamos te ajudar a melhorar seu entendimento sobre essas ferramentas que são utilizadas no transporte e que trazem muitos benefícios para os transportadores, assim como para os donos de carga. Figura 6: Rastreamento e monitoramento Fonte: @freepik https://www.youtube.com/watch?v=2N8xGYCto_g 36 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Você já sabe que o modo rodoviário é o mais utilizado para o transporte de cargas, que devido a esta característica o custo do transporte no Brasil, é muito alto; que a infraestrutura viária não apresenta uma boa qualidade; e que sem uma gestão de risco e a contratação de seguro, a operação de transporte pode não ser realizada de maneira eficiente, resultando em perda de nível de serviço porparte das empresas. Neste contexto de gestão de risco e seguros, duas importantes ferramentas se destacam por proporcionar segurança e confiabilidade à operação de transporte. São elas: rastreamento e monitoramento. O quesito segurança é fundamental para uma boa gestão da frota, gerando credibilidade ao serviço, a carga e ao motorista, afinal proteger o seu negócio e a forma como ele é entregue é essencial. Desta maneira, investir em rastreamento e monitoramento de veículos, com a finalidade de garantir a integridade física do trabalhador e da carga. Vamos aprender mais sobre elas?! Na década de 80, no Brasil, começou a ser difundida a utilização da tecnologia de rastreamento e monitoramento, em função do crescente número de roubos de veículos de carga. Pode se dizer, que são inúmeros os riscos aos quais as empresas que realizam a operação de transporte estão submetidas, tais como assaltos, furtos, acidentes de trânsito e muitos outros. Sendo assim, o sistema de rastreamento e monitoramento surgiu como uma medida para reduzir drasticamente a probabilidade da ocorrência dessas ocorrências. A função de um sistema de rastreamento e monitoramento é informar com exata precisão a localização de uma frota, por meio de um software, permitindo que o gestor da frota, tenha em tempo 37GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 real, a informação da localização e várias outras informações relacionadas aos veículos. Figura 7: Rastreamento e monitoramento dos veículos Fonte: @freepik O monitoramento e o rastreamento são ferramentas diferentes? DEFINIÇÃO O monitoramento pode ser definido como um processo de acompanhamento passo a passo do veículo de carga, utilizando tecnologia de GPS e GPRS, sendo muito empregado por empresas para o gerenciamento de frotas, que buscam a informação on-line sobre a carga (GuiadoTRC, 2020). O rastreamento é uma ferramenta que integra o sistema de remessa de produtos com os mecanismos estratégicos de gestão de uma empresa. Como exemplo de tecnologia empregada nesta ferramenta está os softwares e programas instalados em rede, como os chamados Saas (Software as a Service), que tem como objetivo registrar as informações sobre a carga, o trajeto https://br.freepik.com/vetores-premium/sistema-de-rastreamento-de-entrega-de-carga-on-line-com-locais-de-posicao-de-caminhao-e-gps-com-smartphone-de-preensao-manual-vetor_5589442.htm 38 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 realizado, além de compilar referências dos profissionais envolvidos em cada etapa do procedimento de entrega. O rastreamento e o monitoramento são ferramentas que proporcionam à empresa a percepção de organização em sua gestão e frota, permitindo encontrar rotas mais rápidas e de fácil acesso, mapear a eficiência de cada empregado e até mesmo bloquear os veículos quando estiver acontecendo alguma situação anormal (parado por muito tempo, fuga de rota, etc.). Rastreamento O serviço rastreamento pode ser utilizado, praticamente, em qualquer veículo, desde carretas, caminhões e ônibus, passando por carros comuns e até motocicletas. Em um sentido mais amplo, os sistemas de rastreamento podem ser aplicados até mesmo em máquinas que não utilizam estradas, como por exemplo, trens, barcos e tratores, porém o funcionamento depende da disponibilidade de sinal. Os mapas, as operadoras móveis e a comunicação por satélite são o conjunto de ferramentas necessário para realização do rastreamento. O GPS pode ser considerado como o sistema de posicionamento veicular mais utilizado, o qual funciona por rastreamento via satélite, permitindo o envio de dados exatos de localização de um determinado objeto móvel para um determinado destinatário. Já o GPRS age por meio da rede de operadoras de telefones móveis, estando o destinatário associado a um software. O rastreamento é realizado de modo integrado a mapas digitais, que disponibilizam a visualização desde programa 39GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 administrativos, sendo parte importante para a otimização da frota, distribuição das cargas, elaboração de plano de manutenção veicular, entre outros. Figura 8: Rastreamento de carga Fonte: @freepik A tecnologia empregada no rastreamento de veículos deve se adaptar a cada tipo de operação de transporte realizada, como por exemplo: • Transferência intermunicipal; • Transferência interestadual; • Coleta e entrega urbana. https://br.freepik.com/vetores-premium/rastreamento-on-line-isometrico-remessa-e-entregas-globais-por-servico-aereo-caixas-de-papelao-com-produtos-aeronaves-voando_6630322.htm 40 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Atualmente, já existem diversas tecnologias diferentes e de fácil acesso, que consegue aderência à necessidade operacional do transportador. Para o rastreamento podem ser empregadas muitas tecnologias, dentre as quais se podem citar: • Rastreador de cargas via GPS: é uma ferramenta muito empregada pelos gestores de frotas, sendo um sistema que localiza o veículo e tem como finalidade acompanhá-lo por 24 horas, em tempo real; • Radiofrequência: tecnologia que utiliza a emissão de sinais de rádio, e proporciono ao gestor verificar a movimentação da frota mesmo em locais fechados (subsolos e túneis); • Telemetria: esta tecnologia fornece informações associadas ao desempenho do caminhão, do profissional que o está conduzindo e da operação como um todo; • Celulares: estes aparelhos podem ser utilizados para manter o canal de comunicação entre o gestor de frotas e os motoristas; • Aplicativos mobile: podem ser instalados em smartphones, tablets e notebooks. Destaca-se que o uso da tecnologia adequada pode gerar um benefício tanto para a empresa quanto para os clientes, exigindo que o gestor da frota esteja sempre ligado nas recentes inovações e eficiência que o rastreamento pode proporcionar. 41GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Monitoramento O monitoramento de carga possibilita a coleta e análise de informações sobre a rota seguida pelos veículos, antecipando desvios de trajeto para evitar atrasos ou orientando o motorista para um acostamento quando necessário. As informações relacionadas com congestionamento, roubos, avarias no veículo e até mesmo outros problemas possíveis que ocorrem durante o transporte, podem ser informadas de imediato. Existem diversos dispositivos que permitem o monitoramento de carga, dentre os quais se podem citar: • Câmeras de vídeo instaladas no interior dos veículos; • Celulares e outros equipamentos de telefonia, permitindo a comunicação entre o motorista e a central da transportadora; • Sistemas de GPS e GPRS fornecem os dados sobre a localização geográfica da carga transportada; • Software desenvolvidos pela tecnologia da informação permitem uma gestão integrada de todos os processos relacionados com o monitoramento. 42 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Figura 9: Monitoramento da carga Fonte: @freepik Os maiores desafios da ferramenta de monitoramento de cargas estão relacionados com: a ação de assaltantes, que nos últimos anos vem apresentando cada vez mais ocorrências; acidentes de trânsito muitas vezes ocorridos em função das péssimas condições das vias brasileiras; os equívocos na cadeia de distribuição que se relaciona com extravio, danos aos produtos e atrasos na entrega; falhas no aproveitamento da tecnologia devido a mau emprego por parte das empresas e de seus gestores das tecnologias disponíveis. 43GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 Uma das grandes vantagens da realização do monitoramento da carga é a possível aproximação entre o cliente e a transportadora, à medida que as informações podem ser repassadas ao vivo e on-line para todos os interessados. Outras vantagens podem ser destacadas, quanto ao uso de monitoramento para gestão de frotas, tais como: • Redução de custos operacionais: as empresas transportadoras buscam estratégias, que visem a redução de custoscom o propósito de aumentar a lucratividade; • Favorecimento de tomada de decisões: as ferramentas de monitoramento de frota podem fornecer suporte nesse momento porque registram todas as transações e convertem dados em tabelas e gráficos que podem ser analisados com clareza; • Otimização do processo de entrega: esta vantagem está diretamente relacionada com o comportamento do motorista. Essa medida evita a incidência de desvios na rota, visto que, o motorista tem ciência de que o trajeto está sendo controlado remotamente. Destaca-se que para que todos os benefícios sejam percebidos, se faz necessário que já um processo de planejamento em logística. Para isso deve ser estabelecido estratégias e ações bem articuladas e capazes de otimizar o monitoramento de cargas. Outra grande aliada para um bom planejamento logístico é a tecnologia, que possibilita integrar vários sistemas e acelerar a troca de informações relevantes entre a equipe de funcionários. 44 GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 SAIBA MAIS Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Livro: “Gestão Estratégica de Transporte e Distribuição (Menchik, 2010)”. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido sobre os aspectos relacionados com o rastreamento e monitoramento. É importante saber que estas duas ferramentas de gestão da frota, não representam a mesma atividade e possuem funcionalidades diferentes. O rastreamento está relacionado com o acompanhamento da carga, caso seja percebida alguma avaria ou ocorrência diversa da normalidade. Os mapas, as operadoras móveis e a comunicação por satélite são o conjunto de ferramentas necessário para realização do rastreamento, somados a utilização da tecnologia GPS e GPRS. O rastreamento é passível de aplicação a qualquer veículo e equipamento, desde que tenha disponibilidade de sinal. O monitoramento é uma ferramenta que proporciona um acompanhamento em tempo real, por meio de câmeras, celulares e até mesmo softwares. Esta ferramenta encontra desafios quando pretendem combater ações de roubo de carga, acidentes de trânsito. Tanto o rastreamento quando o monitoramento são importantes ferramentas associadas a gestão de frota e a gestão do risco. 45GESTÃO DE TRANSPORTE U ni da de 4 RE FE RÊ N CI A S ANTT. 2020. Agência Nacional de Transporte Terrestre. [Online] 2020. http://www.antt.gov.br. Chiavenato, Idalberto. 2008. Gestão de Pessoas. São Paulo : Campus, 2008. CNT. 2019. Anuário CNT do Transporte. Brasília : s.n., 2019. GuiadoTRC. 2020. Guia do TRC. Guia do TRC. [Online] 2020. http:// www.guiadotrc.com.br/. Menchik, Carlos Roberto. 2010. Gestão Estratégica de Transportes e Distribuição. Curitiba : IESDE Brasil S.A., 2010. —. 2010. Gestão Estratégica de Transportes e Distribuição. Curitiba : IESDE Brasil, 2010. —. 2010. Gestão Estratégica de Transportes e Distribuição. Curitiba : IESDE Brasil, 2010. Valente, Amir Mattar, et al. 2008. Gerencimaneto de Transportes e Frotas. São Pauo : Cenage Learning, 2008. Treinamento na Operação de Transporte Treinamento de Pessoal Desafios Penalidades e Medidas Administrativas no Transporte e Distribuição Órgãos Competentes ANTT Polícia Rodoviária Federal- PRF Penalidades Aplicadas às Empresas de Transporte Transporte Rodoviário Internacional de Carga - TRIC Transporte Nacional de Carga Transporte de Produtos Perigosos Gestão de Risco e Seguros Fatores de Risco Seguro Seguro do Transportador Seguro do Transportador Rodoviário Rastreamento e Monitoramento dos Traslados e Tráfego Rastreamento Monitoramento