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Autoras: Profa. Angélica Carlini 
 Profa. Mônica Maria de Campos Vieira Bortolassi
Colaboradoras: Profa. Sandra Maria Roque Nantes de Castilho
 Profa. Christiane Mazur Doi
Direito nas Organizações
Professoras conteudistas: Angélica Carlini / 
Mônica Maria de Campos Vieira Bortolassi
Angélica Carlini
É doutora em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e em Educação pela Pontifícia 
Universidade Católica de São Paulo (PUC‑SP). Mestre em Direito Civil pela Universidade Paulista (UNIP) e em História 
Contemporânea pela PUC‑SP. Concluiu pesquisa de pós‑doutorado em Direito Constitucional pela PUC‑RS, é graduada 
em Direito pela PUC‑SP e atua como advogada e docente de Ensino Superior na UNIP, na Universidade Metropolitana 
de Santos (Unimes) e na Escola de Negócios e Seguros (ENS). É professora de cursos de pós‑graduação na Escola 
Paulista de Direito (EPD) e na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Além disso, é membro da Comissão de Qualificação 
e Avaliação da UNIP.
Mônica Maria de Campos Vieira Bortolassi
É mestre em Direito do Estado pela PUC‑SP, professora de Direito Constitucional, Direito Administrativo e Direito 
Tributário na UNIP. Atua também como coordenadora auxiliar do curso de Direito da UNIP e como advogada.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
C282d Carlini, Angélica.
Direito nas organizações / Angélica Carlini, Mônica Maria de 
Campos Vieira Bortolassi. – São Paulo: Editora Sol, 2025.
104 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517‑9230.
1. Processos judiciais. 2. Direito tributário. 3. Direito do trabalho. 
I. Bortolassi, Mônica Maria de Campos Vieira. II. Título. 
CDU 342.2
U524.06 – 26
Prof. João Carlos Di Genio
Fundador
Profa. Sandra Rejane Gomes Miessa
Reitora
Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo
Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini
Vice-Reitora de Administração e Finanças
Profa. M. Marisa Regina Paixão
Vice-Reitora de Extensão
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento
Prof. Marcus Vinícius Mathias
Vice-Reitor das Unidades Universitárias
Profa. Silvia Renata Gomes Miessa
Vice-Reitora de Recursos Humanos e de Pessoal
Profa. Laura Ancona Lee
Vice-Reitora de Relações Internacionais
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Assuntos da Comunidade Universitária
UNIP EaD
Profa. Elisabete Brihy
Profa. M. Isabel Cristina Satie Yoshida Tonetto
Material Didático
Comissão editorial: 
 Profa. Dra. Christiane Mazur Doi
 Profa. Dra. Ronilda Ribeiro
Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista
 Profa. M. Deise Alcantara Carreiro
 Profa. Ana Paula Tôrres de Novaes Menezes
Projeto gráfico: Revisão:
 Prof. Alexandre Ponzetto Maitê Donato
 Andressa Picosque
Sumário
Direito nas Organizações
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7
Unidade I
1 O QUE É DIREITO .................................................................................................................................................9
1.1 Sistema jurídico brasileiro ....................................................................................................................9
1.2 A Constituição Federal brasileira: a lei mais importante do país...................................... 10
1.3 Conflito de leis no tempo ................................................................................................................. 11
1.4 Territorialidade da lei .......................................................................................................................... 13
1.5 Organização judiciária brasileira .................................................................................................... 15
1.6 A atividade dos magistrados e sua proteção ............................................................................ 19
2 REGRAS FUNDAMENTAIS DOS PROCESSOS JUDICIAIS NO BRASIL ............................................ 21
2.1 Processos judiciais no Brasil ............................................................................................................. 27
2.2 Mediação, conciliação e arbitragem ............................................................................................. 35
3 DIREITO TRIBUTÁRIO: CONCEITOS E PRINCÍPIOS ............................................................................... 40
3.1 O que são tributos? ............................................................................................................................. 40
3.2 Competência tributária ...................................................................................................................... 41
3.3 Espécies de tributos ............................................................................................................................. 43
3.4 Crédito tributário: criação e extinção .......................................................................................... 56
4 PRINCIPAIS TRIBUTOS PRATICADOS NO BRASIL ................................................................................ 58
4.1 Reforma tributária ............................................................................................................................... 62
Unidade II
5 DIREITO DO TRABALHO: CONCEITOS E PRINCÍPIOS .......................................................................... 68
5.1 Trajetória histórica do direito do trabalho ................................................................................. 69
6 DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO ....................................................................................................... 71
6.1 Diferentes formas de contratação de empregados ................................................................ 73
6.2 Contrato de trabalho .......................................................................................................................... 79
6.3 Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) .................................................................... 80
6.4 Encerramento do contrato de trabalho ...................................................................................... 81
6.5 Duração da jornada de trabalho .................................................................................................... 85
6.6 Intervalos para descanso ................................................................................................................... 87
6.7 Descanso semanal remunerado ...................................................................................................... 87
6.8 Férias .......................................................................................................................................................... 87
7 DIREITO COLETIVO DO TRABALHO ............................................................................................................ 88
7.1 Assédio moral e assédio sexual nas relações de trabalho .................................................... 89
8 DANO EXTRAPATRIMONIAL NAS RELAÇÕES DE TRABALHO .......................................................... 93
7
APRESENTAÇÃO
Olá, aluno!
Este livro‑texto tem como objetivo mostrar a relevância do Direito na atividade empresarial, levando 
você a dominar conceitos e princípios importantes para o trabalho do gestorjudicial, ou seja, tudo o que foi alegado contra a parte será considerado 
verdadeiro pelo simples fato de que ela não apresentou sua resposta no tempo correto fixado pela lei.
Para identificar uma citação judicial, observe primeiro os símbolos visuais do documento. Se for o 
brasão da República, é possível que seja uma citação judicial de um processo que está tramitando na 
Justiça Federal ou na Justiça do Trabalho.
Figura 4 – Brasão de Armas do Brasil
Disponível em: https://x.gd/mkA7k. Acesso em: 20 ago. 2025.
Se o documento tiver o brasão de um Tribunal de Justiça de estado da federação brasileira, é porque 
o processo judicial está em tramitação numa vara cível ou criminal do estado em que as partes têm 
domicílio, como exemplifica a figura 5 a seguir.
Figura 5 – Brasão do Tribunal de Justiça de São Paulo
Disponível em: https://x.gd/5lnCD. Acesso em: 20 ago. 2025.
32
Unidade I
A palavra citação sempre estará em destaque, normalmente em letras maiúsculas e em negrito. 
Com isso, você já terá condições objetivas de compreender que precisa levar esse fato imediatamente 
ao conhecimento de seus superiores ou dos advogados, caso sua função administrativa na empresa 
lhe permita fazer contato diretamente com o setor jurídico. Nunca adie essa informação, não deixe 
para informar no dia seguinte ou em outro momento qualquer. Essa é uma informação prioritária que a 
empresa precisa ter o mais cedo possível para poder adotar as medidas cabíveis e pertinentes.
É bastante comum que as empresas percam o prazo para contestar uma ação judicial que era injusta, 
que não tinha provas documentais ou técnicas adequadas, que seria facilmente revertida em juízo com 
bons resultados para a empresa apenas porque o empregado que recebeu a citação não a levou ao 
conhecimento dos responsáveis no prazo certo. Um esquecimento dessa natureza pode levar a empresa 
a perder valores muito significativos e, não raro, pode significar falência. Isso ocorre diariamente por 
falta de diligência de quem recebe a citação ou por falta de conhecimento sobre como agir.
Fique atento: decisões judiciais não podem esperar, devem ser imediatamente cumpridas. Se 
o juiz determinou a sua citação ou a da empresa para a qual você trabalha, aja imediatamente! Ao 
receber a citação, procure um advogado no mesmo dia, se for para você como pessoa natural, ou 
contate seus superiores ou o departamento jurídico da empresa, caso você receba a citação na condição 
de representante legal da empresa. Nunca deixe para outro dia, porque no Judiciário brasileiro o prazo 
perdido não volta.
Outro documento importante que pode ser enviado pela justiça durante um processo judicial é a 
intimação. Leia a seguir publicação do site do CNJ a respeito das intimações.
 Destaque
Intimação: quando é obrigatório comparecer?
Uma intimação é uma ordem de qualquer autoridade militar, civil ou judicial que obriga 
a pessoa a fazer, ou deixar de fazer, algo com base na lei.
Quem recebe uma intimação é obrigado a comparecer na data e horário estipulados 
no documento. O descumprimento dos termos estabelecidos em uma notificação pode 
trazer consequências sérias. O não comparecimento pode acarretar uma condução 
coercitiva (levada à força a comparecer), a depender do motivo da intimação. A pessoa 
que não cumprir uma intimação pode, inclusive, responder por crime de desobediência 
à ordem judicial. Com isso, ela responderá a um processo criminal. As consequências 
estarão descritas no documento de intimação.
Existem alguns tipos de intimação:
• Intimação por correspondência: carta registrada com obrigatoriedade de 
assinatura do Aviso de Recebimento.
33
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
• Intimação eletrônica: como o próprio nome diz, é feita pelos meios eletrônicos. 
Recentemente, o CNJ reconheceu intimações feitas pelo WhatsApp.
• Intimação judicial: a ordem parte de um juiz.
• Intimação por carta precatória: forma de comunicação de um juiz para outro 
juiz, solicitando que ele intime e ouça uma pessoa que mora em outra jurisdição.
• Intimação de despacho: aviso de um juiz para que as partes de um processo 
tomem ciência de uma decisão tomada por ele.
• Intimação por publicação: os advogados têm obrigação de acompanhar todas 
as publicações em seu nome. Sendo assim, os juízes determinam a publicação de 
suas decisões em Diário Oficial.
A intimação é entregue por oficiais de justiça. Há uma crença de que, se a pessoa não 
aceitar receber o documento de intimação ou não assinar o recibo de ciência, ela 
não poderia sofrer qualquer penalidade. Todavia, os oficiais de justiça têm fé pública. 
Portanto, basta a palavra dele de que o documento foi entregue, ou de que a pessoa está 
ciente da intimação, para o ato ser considerado válido.
Adaptado de: Intimação [...] (2018).
Leia atentamente as informações do CNJ, porque elas são realmente importantes. Muitas vezes, 
movidos pela emoção negativa de saber que alguém nos colocou como testemunha em uma ação 
judicial, ou que estamos sendo intimados para depor na justiça penal sobre um fato ocorrido na empresa 
ou na vizinhança, ou qualquer outra situação que nos desagrada, reagimos de forma intempestiva, 
decidindo não acatar a intimação e deixar de lado. Isso é um erro! Um grande erro que pode causar 
consequências bastante desagradáveis.
Intimado para depor como testemunha em um conflito judicial entre dois amigos, um indivíduo 
resolveu não ir e considerou até indelicado que um dos amigos tivesse arrolado seu nome como 
testemunha, pois sabia que ele não desejava se envolver naquele problema, afinal, era amigo de ambos e 
estava até constrangido com o problema que eles estavam enfrentando. Assim, ignorou a intimação 
e não compareceu. Na data em que deveria ter comparecido, nada ocorreu, porém, algumas semanas 
depois ele foi acordado logo cedinho pela polícia militar, que o conduziu coercitivamente para o fórum 
da cidade, onde ele permaneceu detido até o horário da audiência, quando então foi levado para depor 
como testemunha por meio de condução coercitiva em razão do fato de que ele havia sido intimado, 
porém se recusara a comparecer. Um verdadeiro vexame ter que ser conduzido em carro de polícia para 
cumprir uma obrigação legal!
E fique atento, porque as intimações judiciais poderão ser entregues pessoalmente, pelo oficial de 
justiça; por correspondência, quando chegam pelo serviço de correios; ou ainda por meio eletrônico.
34
Unidade I
 Saiba mais
O CNJ é uma instituição pública que visa aperfeiçoar o trabalho do 
sistema judiciário brasileiro, principalmente no que diz respeito ao controle 
e à transparência administrativa e processual. No site do Conselho, você 
encontrará importantes informações e orientações sobre o funcionamento 
da Justiça brasileira.
Disponível em: https://x.gd/YlOIv. Acesso em: 28 ago. 2025.
Contestação
Depois que a ação judicial tem início e a parte contrária é citada para responder aos termos da ação, 
ela deverá apresentar sua contestação. Em que consiste esse documento? Também chamado resposta 
do réu, esse é o momento em que o requerido, reclamante ou réu deverá apresentar suas razões de fato 
e de direito para o conflito apresentado na petição inicial.
Na defesa, a parte deverá manifestar‑se precisamente sobre as alegações de fato constantes na 
petição inicial e serão presumidas como verdadeiras aquelas que não forem impugnadas, salvo algumas 
poucas exceções, como quando a petição inicial não estiver acompanhada de documento que a lei 
considere fundamental, como acontece nas cobranças de título de crédito.
A realidade é que a petição inicial deve ser contestada ponto a ponto com a apresentação dos 
argumentos de fato e de direito. Os argumentos de fato deverão ser provados e, por isso, não será 
benéfico negar que tenham ocorrido ou narrar de outra forma se não for possível provar que aquilo 
aconteceu. É bastante comum que as pessoas queiram mudar os fatos para se beneficiar com a versão, 
mas, posteriormente, perante o magistrado, sejam fortementeadmoestadas por terem apresentado uma 
versão que não pode ser comprovada. É preciso priorizar as provas que serão apresentadas, uma vez que 
nas ações judiciais só se deve alegar aquilo que pode ser provado.
Produção de provas
Que provas podem ser utilizadas em uma ação judicial? As mais comuns são:
• Prova documental: todos os documentos válidos para comprovação dos fatos. Documentos 
servem de prova quando são idôneos, verdadeiros e válidos. Se houver dúvida sobre a origem e a 
veracidade deles, não servirão para provar fatos.
• Prova testemunhal: pessoas que podem narrar como os fatos aconteceram. Testemunhas prestam 
depoimento sobre fatos e não emitem opiniões.
• Prova pericial: prova produzida por peritos ou técnicos que elaboram laudos. Tem a possibilidade 
de empregar até três profissionais da área técnica sobre a qual repousa o conflito tratado na ação 
35
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
judicial: um perito indicado pelo requerente da ação, um perito indicado pelo requerido e um 
perito indicado pelo juiz. As partes formulam perguntas que o perito deverá responder e, ao final, 
o laudo pericial será a prova técnica que orientará o magistrado sobre a decisão a ser adotada.
Depois de apresentadas as provas, o juiz já está em condições de proferir a decisão, que é denominada 
sentença. Lembre‑se de que se trata de uma decisão por juiz singular e que poderá ser interposto um 
recurso contra ela. Às vezes, a decisão recebe recurso de ambas as partes, autor e réu, porque contrariou 
interesses de ambas. Então, o processo seguirá para o tribunal no qual a causa será analisada por 
um  colegiado. Nos tribunais de justiça estaduais, os juízes recebem o nome de desembargadores, e 
sua decisão recebe o nome de acórdão. Se existirem elementos legais para interposição de recurso 
especial ou de recurso extraordinário, o processo poderá ser enviado para um tribunal superior, como já 
mencionamos neste livro‑texto.
Ao final, quando a última decisão for tomada e não houver mais nenhum recurso legal para ser 
interposto, ocorrerá o trânsito em julgado e terá início a execução da decisão. Nesse momento é 
que a parte derrotada será instada por lei a cumprir aquilo que era objeto do conflito, por exemplo, o 
pagamento do valor da dívida, que agora, certamente, já estará muito mais alto do que estava quando 
a ação judicial teve início. É comum, no Brasil, que processos de área civil ou empresarial durem 10 anos. 
Faça os cálculos de incidência de juros legais e de correção monetária e aplique‑os durante 10 anos para 
um valor de R$ 50.000,00, por exemplo. O aumento é significativo e poderá ser muito prejudicial para a 
empresa que, sem mais nenhum recurso judicial para interpor, terá que dispor de suas reservas financeiras 
ou de seu patrimônio para pagar os valores.
Para evitar essa situação sempre negativa para pessoas naturais ou jurídicas, os instrumentos 
alternativos de solução de conflitos têm sido muito utilizados, como mediação, conciliação e arbitragem.
2.2 Mediação, conciliação e arbitragem
Conflito é a discordância que decorre de expectativas ou interesses contrariados. É um acontecimento 
natural que surge tanto nas relações interpessoais como nas negociais. Sempre existiu historicamente e 
surge em maior ou menor proporção nos diferentes agrupamentos sociais.
O conflito tem sido tradicionalmente tratado como algo negativo, o que não é necessariamente 
verdadeiro. A existência de um conflito pode ser altamente positiva se as partes souberem como agir 
e, principalmente, como retirar as melhores informações e experiências na solução do conflito. É muito 
importante olhar o conflito como oportunidade de aprendizagem se desejarmos que ele seja solucionado 
de forma autocompositiva, ou seja, com a participação das partes em conflito.
Quem participa de ações judiciais para solução de conflitos está sempre em busca de provas e 
argumentos para vencer a outra parte e, com isso, conseguir resultado positivo. Quem participa de 
práticas de mediação e conciliação precisa adotar uma nova postura, que inclui, necessariamente:
36
Unidade I
Encontrar formas de 
proteger ou realizar os 
interesses comuns
Reconhecer 
diferenças
Identificar 
interesses comuns
Figura 6
A mediação, a conciliação e a negociação são as formas mais comuns para solucionar conflitos sem 
o uso das ações judiciais. A outra forma é a arbitragem, de utilização mais específica, que também 
vamos conhecer.
É importante saber que o CPC brasileiro de 2015, denominado habitualmente de novo CPC, porque 
substituiu o que vigorava anteriormente, de 1973, adotou a solução consensual de conflitos como uma 
prática que deverá ser incentivada por magistrados, promotores de justiça e mesmo por advogados.
Veja a seguir alguns artigos do novo CPC brasileiro (Brasil, 2015b) que tratam dessa matéria e analise 
a aplicabilidade deles na vida empresarial, como solução para o gestor.
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei.
§ 2º O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual 
dos conflitos.
§ 3º A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de 
conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos 
e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial. [...]
Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, 
incumbindo‑lhe: [...]
V – promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com 
auxílio de conciliadores e mediadores judiciais. […]
Art. 190. Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição, 
é lícito às partes plenamente capazes estipular mudanças no procedimento 
para ajustá‑lo às especificidades da causa e convencionar sobre os seus ônus, 
poderes, faculdades e deveres processuais, antes ou durante o processo.
Parágrafo único. De ofício ou a requerimento, o juiz controlará a validade 
das convenções previstas neste artigo, recusando‑lhes aplicação somente 
nos casos de nulidade ou de inserção abusiva em contrato de adesão ou em 
que alguma parte se encontre em manifesta situação de vulnerabilidade.
37
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
A partir de tal contexto, é importante conhecermos a diferença entre mediação e conciliação, que 
são as formas mais comumente utilizadas no direito brasileiro para autocomposição das partes. Segundo 
Pantoja e Almeida (2017, p. 48), mediação
é um processo dinâmico de negociação assistida, no qual o mediador, 
terceiro imparcial e sem poder decisório, auxilia as partes a refletirem sobre 
os seus reais interesses, a resgatarem o diálogo e a criarem, em coautoria, 
alternativas de benefício mútuo, que contemplem as necessidades e 
possibilidades de todos os envolvidos, sempre sob uma perspectiva voltada 
ao futuro da relação.
O marco regulatório da mediação, no Brasil, é a Lei n. 13.140, de 26 de junho de 2015, cujo art. 2º 
determina:
Art. 2º A mediação será orientada pelos seguintes princípios:
I – imparcialidade do mediador;
II – isonomia entre as partes;
III – oralidade;
IV – informalidade;
V – autonomia da vontade das partes;
VI – busca do consenso;
VII – confidencialidade;
VIII – boa‑fé (Brasil, 2015c).
Destacamos que o mediador deve conduzir seu trabalho com imparcialidade, sem manifestar 
preferência por nenhuma das partes envolvidas no conflito que está sendo mediado, isto é, deve garantir 
a igualdade de tratamento entre elas, priorizar a oralidade e a informalidade, porém sem perder de vista 
o respeito à dignidade da pessoa humana; deve respeitar a autonomia da vontade das partes de modo a 
não constrangê‑las a solucionar o conflito da forma como ele, mediador, entende mais adequada; deve 
agir na construção de consenso, o que nem sempre é fácil para partes em conflito, porém o consenso é 
sempre a solução que pode ser adotada sem que ninguém sinta que perdeu, mas sim que contribuiu para 
a solução. É o chamado ganha‑ganha, porque as partes se sentem satisfeitaspor terem sido coautoras 
da solução consensual.
Além disso, o mediador deve respeitar a confidencialidade das informações e fatos sobre os quais teve 
conhecimento no exercício da atividade de mediador e deve agir de boa‑fé, ou seja, com honestidade e 
transparência de propósitos.
38
Unidade I
Os mediadores deverão ser capacitados para isso, participando de cursos e vivências que os habilitem 
ao exercício dessa importante tarefa. Não é algo que possa ser feito apenas de maneira intuitiva ou com 
boa vontade. Ao contrário, exige conhecimento técnico da lei e, muito em especial, das práticas de 
mediação que são adotadas em todo o mundo. Conhecimento e experiência são fundamentais para que 
alguém possa ser um bom mediador.
O mediador não apresenta hipóteses de solução do conflito; ao contrário, ele estimula as partes 
para que analisem com profundidade a questão e encontrem os melhores caminhos para a solução. Ao 
final do processo de mediação, as partes se sentem vitoriosas por terem encontrado juntas a solução 
e responsáveis por tudo o que decidiram em conjunto, porque aquilo expressa sua vontade e escolha.
A conciliação tem outro modo de agir. É definida como
iniciativa a partir da qual os agentes envolvidos se esforçam para sanar 
litígios, se valendo da ajuda de um terceiro que atua como conciliador, agindo 
de maneira imparcial e gerenciando as partes para uma melhor solução, 
também oferecendo alternativas (Guilherme, 2016, p. 78).
A conciliação é regulada pela mesma legislação que trata da mediação:
Art. 24. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual  de 
conflitos, responsáveis pela realização de sessões e audiências de conciliação e 
mediação, pré‑processuais e processuais, e pelo desenvolvimento de programas 
destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição.
Parágrafo único. A composição e a organização do centro serão definidas 
pelo respectivo tribunal, observadas as normas do Conselho Nacional de 
Justiça (Brasil, 2015c).
A conciliação é mais conhecida e praticada no Brasil, inclusive pelos próprios magistrados nas ações 
judiciais, quando eles apresentam possibilidades de solução do conflito para as partes, de acordo com 
a avaliação de seus advogados. Normalmente, as audiências iniciam‑se com o magistrado lembrando 
às partes sobre a importância da solução célere do conflito, sobre como será melhor para todos que 
o conflito seja solucionado de forma breve e, para isso, indaga se elas têm alguma proposta para 
formalização de acordo. Não é raro que o próprio juiz formule a proposta de acordo para as partes, 
esclarecendo as razões pelas quais considera aquela solução mais justa.
É muito importante que o Brasil adote soluções por mediação e conciliação sempre que possível, 
mas, para isso, teremos que mudar a mentalidade das partes em conflito que, quase sempre, querem 
ganhar sem perceber o quanto se perde em recursos econômicos e emocionais com a longa duração de 
um processo judicial.
A arbitragem é outra forma extrajudicial de solução de conflito. Para Elpídio Donizetti (2019, p. 1), 
“a arbitragem consiste no julgamento do litígio por terceiro imparcial, escolhido pelas partes. É, tal 
39
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
qual a jurisdição, espécie de heterocomposição de conflitos, que se desenvolve mediante trâmites 
mais simplificados e menos formais do que o processo jurisdicional”.
Arbitragem é uma solução que virá de um árbitro escolhido pelas partes por seu notório saber sobre o 
assunto específico que está sendo tratado. É adotada por empresas em conflito sobre questões de ordem 
técnica que demandam apresentação de documentos e realização de perícias para serem solucionadas.
Exatamente por ser utilizada para questões técnicas controvertidas, a arbitragem impõe um custo 
para as partes, que deverão remunerar o árbitro e os peritos que forem utilizados na análise técnica. 
Além disso, a arbitragem é uma decisão que deverá ser aceita pelas partes e não construída por elas.
Não é incorreto compreender a arbitragem como justiça privada, ao contrário da atuação do Poder 
Judiciário, que é pública.
Assim, os meios de autocomposição, ou seja, aqueles em que as partes são estimuladas a buscar 
soluções por elas próprias sem decisão de outra pessoa, magistrado ou árbitro, são a mediação e a 
conciliação. Sobre elas, é importante recordar sempre:
Conciliador
Mediador
Propõe soluções, intervém diretamente para a 
realização do acordo
Deve ser estranho às partes e à relação que gerou 
o conflito
Atua para que as partes encontrem a solução 
mais adequada. Age para estimular que as partes 
analisem as razões recíprocas e encontrem uma 
solução que concilie os diferentes interesses
Deve ser estranho às partes e à relação que gerou 
o conflito
Figura 7
 Observação
Mediadores e conciliadores não tomam decisões pelas partes e devem ser 
muito bem preparados tecnicamente para atuar na construção de solução 
para os conflitos.
40
Unidade I
3 DIREITO TRIBUTÁRIO: CONCEITOS E PRINCÍPIOS
Direito tributário é a área do direito que trata das relações jurídicas estabelecidas entre o Estado e 
os contribuintes, que podem ser pessoas naturais ou pessoas jurídicas. Pode ser denominado também 
de direito fiscal.
É um ramo do direito público brasileiro que trata de questões essenciais para a manutenção do 
Estado e a realização de suas tarefas. É pela arrecadação de tributos que o Estado garante os direitos 
dos cidadãos, tanto no aspecto de direitos fundamentais individuais e coletivos, como no dos 
direitos sociais.
Pela arrecadação de tributos, o Estado garante que o cidadão tenha segurança, educação, saúde, 
lazer e equipamentos de uso público adequados, como estradas, viadutos, sistema de controle de tráfico 
aéreo, entre outros. Garante ainda o funcionamento de repartições públicas, o custeio do funcionalismo, 
a atuação do Legislativo, do Executivo e do Judiciário, entre tantas outras áreas importantes para a vida 
de todos nós.
Existe muita controvérsia sobre a arrecadação tributária no Brasil e seu uso. Em geral, os cidadãos 
brasileiros reclamam de alta carga tributária e de pouca efetividade na utilização desses recursos. Em 
resumo: tributos excessivos e altos sem a contrapartida adequada. Não por outra razão que a discussão 
contemporânea no país é sobre a necessidade de reforma tributária, a qual poderá reduzir a carga de 
impostos e, com isso, viabilizar aumento da atividade empresarial capaz de gerar empregos.
O tema da reforma tributária é muito complexo e deve ser acompanhado por estudantes e 
profissionais das áreas de administração, pois é uma questão importante para a gestão empresarial.
3.1 O que são tributos?
Tributo está definido no art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN) como “toda prestação pecuniária 
compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, 
instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (Brasil, 1966).
É uma obrigação compulsória para aquele que deve pagar, já que não é possível se recusar a fazê‑lo, 
sob pena de ser aplicada sanção. A vontade do contribuinte em pagar ou não pagar é irrelevante, 
porque será obrigado a isso se estiver inserido na hipótese de incidência tributária.
O tributo deve ser pago em moeda nacional, não sendo previsto pela lei o pagamento in natura, ou 
seja, em mercadoria ou em produção agrícola, por exemplo. Também não há previsão legal para 
pagamento de tributos em trabalho, por meio de prestação de serviços para o Estado.
Outra importante observação é que o tributo não é sanção de ato ilícito, ou seja, não é multa. 
No sistema jurídico brasileiro, multa é uma punição aplicada quando um dever legal é descumprido, 
como acontece, usualmente, quando trafegamos com nosso automóvel com velocidade acima daquela 
permitida na via urbana ou na rodovia. Somos multados também por estacionar em local proibido, jogar 
lixo em local não permitido, realizar uma obra em nossa casa semautorização da prefeitura e muitas 
outras hipóteses de atos ilícitos praticados no cotidiano e que são punidos com aplicação de multa.
41
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
O tributo não é cobrado em decorrência de ato ilícito, mas de um ato lícito, como possuir um imóvel 
que enseja o recolhimento de IPTU ou um veículo que demanda o recolhimento do IPVA. Essas são 
hipóteses de incidência de um tributo – propriedade de bem imóvel ou de automotor –, e são situações 
lícitas. Assim, não se deve confundir o pagamento de tributo com o pagamento de multa.
Outro aspecto importante relacionado aos tributos é que eles deverão estar previstos em lei, não 
existindo hipótese de um tributo ser cobrado pelo Estado sem que uma lei anterior o tenha definido 
como obrigatório e caracterizado a situação para a qual ele se aplica. A isso se dá o nome de princípio 
da anterioridade da lei, que será tratado mais adiante.
A Constituição Federal não cria tributos, mas em seu art. 145 permite que municípios, estados, 
Distrito Federal e a União o façam.
3.2 Competência tributária
Como apenas dito, é a Constituição Federal que atribui competência ou faculdade tributária para 
que os entes políticos criem tributos. A competência legal poderá ser exclusiva, quando só um ente 
político, como o município, cobrar determinado tributo; poderá ser comum, quando os entes políticos 
decidem que quem poderá cobrar é aquele que vai prestar o serviço, como acontece na cobrança de 
taxas de serviço de lixo; ou, ainda, residual, que é a competência que a União possui de instituir novos 
impostos além daqueles expressamente previstos na Constituição Federal.
Há tratamento legal diferenciado para a tributação de empresas de pequeno porte, de microempresas 
e do microempreendedor individual, o que foi uma forma encontrada pelo governo para regularizar a 
situação de milhares de trabalhadores informais, que agora podem atuar nessas categorias empresariais.
A competência tributária legalmente atribuída a um ente político é indelegável para outro, e há 
expressa proibição de bitributação, ou seja, não é admissível no sistema tributário brasileiro que uma 
mesma situação gere impostos para dois entes políticos ao mesmo tempo. Assim, não é possível que o 
estado e o município cobrem impostos sobre a propriedade territorial urbana, sendo lícito que apenas 
um deles tenha essa competência tributária.
A Constituição Federal determina que sempre que a lei criar um imposto é preciso que fiquem claros 
alguns de seus aspectos. Observe‑os no quadro 1.
Quadro 1
Hipótese de incidência Situação possível de gerar cobrança
Sujeito ativo Quem pode cobrar
Sujeito passivo Quem deve pagar
Base de cálculo Valor econômico utilizado
Alíquota Percentual aplicado sobre a base de cálculo
42
Unidade I
Vamos entendê‑los mais a fundo:
• Hipótese de incidência tributária: é a situação abstrata definida na lei para gerar a cobrança do 
tributo quando essa situação se tornar um fato real. Assim, a hipótese de incidência do imposto 
de importação (II) é a entrada no território nacional de mercadoria adquirida no exterior, por 
exemplo, matéria‑prima para confecção de produtos químicos. O fato gerador só se caracteriza 
quando a empresa realizar a importação, porque até então havia somente a hipótese, e não o 
fato. Essa distinção não tem caráter meramente acadêmico ou teórico, é útil para que os gestores 
avaliem as hipóteses tributárias em seu planejamento e, com isso, tomem as medidas necessárias 
para que a empresa tenha recursos econômicos para pagar os tributos quando for materializar 
a hipótese, ou seja, passar da hipótese para o fato gerador. É o fato gerador que faz nascer a 
obrigação de recolher o tributo.
• Sujeito ativo da obrigação: é a pessoa jurídica de direito público, titular da competência para 
exigir o seu cumprimento, ou seja, é o ente político autorizado a cobrar o tributo do sujeito 
passivo. Essa é uma definição do art. 119 do CTN.
• Sujeito passivo da obrigação principal: é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou 
penalidade pecuniária. Pode ser denominado contribuinte ou responsável, conforme explica 
o quadro 2.
Quadro 2
Contribuinte
Quando tiver relação pessoal e direta com a situação que 
constitua o fato gerador
Responsável
Quando não for contribuinte, mas sua responsabilidade 
decorra de expressa determinação da lei
Um exemplo de responsabilidade ocorre nos inventários, em que os herdeiros se tornam responsáveis 
pelo pagamento dos tributos sobre os bens imóveis, limitados ao quinhão recebido, porque são tributos 
de responsabilidade do espólio do falecido. O mesmo ocorre quando um bem é adquirido em leilão 
judicial e o adquirente se torna, de imediato, responsável pelo pagamento dos tributos incidentes sobre 
o bem, por exemplo, um apartamento que o proprietário não pagou e foi leiloado para pagamento de 
débitos. O adquirente em leilão será responsável pelo pagamento dos tributos.
• Base de cálculo: é a grandeza ou o valor econômico sobre o qual o imposto será aplicado. 
O CTN define a base de cálculo para os tributos, como acontece, por exemplo, no imposto sobre 
importação (art. 20), imposto sobre exportação (art. 24), imposto sobre transmissão de bens móveis, 
entre outros.
• Alíquota: é um percentual ou valor fixo que será aplicado sobre uma base de cálculo para 
determinar o valor exato do tributo a ser pago pelo contribuinte ou responsável.
43
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
 Saiba mais
Você poderá encontrar a definição de muitos termos específicos da área 
de direito tributário na Enciclopédia Jurídica da PUC de São Paulo, disponível 
gratuitamente. Consulte sempre e fique informado:
CARVALHO, P. B.; VIEIRA, M. L. L.; LINS, R. M. (coord.). Direito tributário. 
Enciclopédia Jurídica da PUC‑SP, [s.d.]. Disponível em: https://x.gd/0HRTp. 
Acesso em: 22 ago. 2025.
3.3 Espécies de tributos
No Brasil, a Constituição Federal e o CTN especificam três espécies do gênero tributo: os impostos, 
as taxas e as contribuições de melhoria.
Alguns estudiosos de direito tributário entendem, no entanto, que empréstimos compulsórios e 
contribuições sociais também seriam espécies do gênero tributo. Sem ingressar nesse debate de caráter 
técnico‑jurídico, vamos conhecer todas essas espécies.
Imposto
O imposto é uma exigência que não tem vinculação direta com nenhuma contraprestação estatal 
para o contribuinte. O valor arrecadado não é destinado a um fundo ou função específica, mas custeia 
as atividades próprias do Estado, como serviços de saúde, educação, segurança, entre outros.
Comumente, é definido como tributo aquele que não se encaixa no conceito de taxa, contribuição 
de melhoria, empréstimo compulsório ou contribuições especiais e previdenciárias. Se não for nenhuma 
dessas categorias, então é imposto.
O pagamento do imposto não tem o condão de fazer nascer para o Estado um dever específico em 
relação ao contribuinte, ou seja, não há contraprestação diretamente relacionada com o pagamento 
do imposto.
Os impostos podem ser cobrados pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios. 
A Constituição Federal nominalmente designa quais entes políticos podem cobrar cada imposto. Veja as 
figuras 8 a 10.
44
Unidade I
Un
iã
o
Imposto de Importação (II) e de 
Exportação (IE)
Imposto sobre a Renda das Pessoas 
Físicas (IRPF) e Jurídicas (IRPJ)
Imposto sobre Produtos 
Industrializados (IPI)
Imposto sobre Operações 
Financeiras (IOF)
Imposto sobre Propriedade 
Territorial Rural (ITR)
Figura 8 – Impostos federais
Es
ta
du
ai
s
Imposto sobre operações relativas à 
Circulação de Mercadorias e sobre 
Prestações de Serviços (ICMS)
Imposto sobre Transmissão Causa 
Mortis e Doação (ITCMD)
Imposto sobre a Propriedade de 
Veículos Automotores (IPVA)
Figura 9 – Impostos estaduais
M
un
ic
ip
ai
s
Imposto sobre Transmissão de Bens 
Imóveis (ITBI)
Imposto sobre Serviços (ISS)
Imposto sobre a Propriedade Predial 
e Territorial Urbana (IPTU)
Figura 10 – Impostos municipais
TaxaAs taxas são tributos cobrados pela União, pelos estados, pelos municípios e pelo Distrito Federal e 
estão previstas no art. 145, II, da Constituição Federal e no art. 77 do CTN. Para Chimenti (2019, p. 77), 
taxas “têm como fato gerador o exercício regular do Poder de Polícia, ou a utilização, efetiva ou 
potencial, de serviço público específico e divisível prestado ao contribuinte ou colocado à sua disposição”. 
Em síntese, seu fundamento é um fato do Estado.
As taxas não poderão ter base de cálculo e fato gerador idênticos aos dos impostos (CF, art. 145, § 2º).
 Observação
Taxas não se confundem com tarifas. Taxa é tributo, tarifa é preço público, 
não se sujeitando aos princípios constitucionais tributários.
45
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Existem taxas de serviço e taxas de polícia, como esquematizado na figura a seguir.
Ta
xa
s Taxas de serviço
Taxas de polícia
Figura 11
No que se refere às taxas de serviço, de acordo com o art. 145, II, da CF, apenas os serviços públicos 
específicos e divisíveis poderão ser remunerados por taxas.
Já quanto às taxas de polícia, elas se relacionam ao Poder de Polícia, que está previsto no art. 78 
do CTN. É o poder de limitar e disciplinar direitos e deveres com base no interesse público, regulando 
questões pertinentes à segurança, à higiene, à ordem (taxa de publicidade, taxa de fiscalização de 
elevadores etc.) e preservando a primazia do interesse público sobre o particular. A taxa decorrente do 
Poder de Polícia tem por justificativa o efetivo exercício de atos relacionados a esse poder.
Para cobrança com base no exercício do Poder de Polícia, impõe‑se que haja órgão administrativo que 
exercite o Poder de Polícia do ente tributante (Recurso Especial 261.571). Chimenti (2019, p. 75) aponta 
que se presume “o regular exercício do Poder de Polícia quando há órgão fiscalizador efetivamente 
instituído (Recurso Extraordinário 416.601)”.
Para compreender melhor a definição, é preciso conhecer o conceito jurídico de Poder de Polícia, que 
não está relacionado somente à atividade da polícia civil, militar ou guarda municipal. Esses são poderes 
de policiamento e proteção dos cidadãos e do patrimônio público e privado. O Poder de Polícia do 
Estado, compreendidos aqui os quatro entes políticos existentes no Brasil – União, estados federativos, 
Distrito Federal e municípios –, é diferente do poder de policiamento.
Em que consiste, então, o Poder de Polícia? Esse conceito está expresso no art. 78 do CTN:
Art. 78. Considera‑se Poder de Polícia atividade da administração pública que, 
limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática 
de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à 
segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do 
mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão 
ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à 
propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.
Parágrafo único. Considera‑se regular o exercício do poder de polícia quando 
desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com 
observância do processo legal e, tratando‑se de atividade que a lei tenha 
como discricionária, sem abuso ou desvio de poder (Brasil, 1966).
Hely Lopes Meirelles, que se notabilizou por seus estudos de Direito Administrativo, ensinava que 
Poder de Polícia é “a faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar e restringir o 
46
Unidade I
uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado” 
(Meirelles et al., 2018, p. 115).
Poder de Polícia é um instrumento da Administração Pública para conter abusos dos particulares para 
evitar práticas nocivas ou preponderância do interesse privado sobre o interesse público, que sempre 
deverá prevalecer em qualquer circunstância da vida cotidiana. Nenhuma pessoa tem direito que possa 
contrariar o interesse público, bem maior de uma sociedade politicamente organizada e que deve ser 
preservado mesmo quando signifique redução de direito individual.
O professor Celso Antônio Bandeira de Mello afirma que o Poder de Polícia será exercido pela polícia 
administrativa, que não é uma corporação específica como a polícia civil ou militar, mas é uma
atividade da Administração Pública, expressa em atos normativos ou 
concretos, de condicionar, com fundamento em sua supremacia geral 
e na forma da lei, a liberdade e a propriedade dos indivíduos, mediante ação, 
ora fiscalizadora, ora preventiva, ora repressiva, impondo coercivamente aos 
particulares um dever de abstenção (non facere) a fim de conformar‑lhes os 
comportamentos aos interesses sociais consagrados no sistema normativo 
(Mello, 2008, p. 221).
O Poder de Polícia é o que permite ao Estado brasileiro limitar o exercício dos direitos individuais, 
porém sem que isso se constitua em arbitrariedade, porque a limitação ocorrerá apenas e tão somente 
para proteger o interesse público, e não para cercear o particular do exercício dos direitos individuais 
e coletivos, assim como dos direitos sociais constitucionalmente garantidos. É limitação, porém com 
objetivos justificáveis para proteção do interesse público, de toda a sociedade brasileira.
A respeito do interesse público, afirma Cláudio Brandão de Oliveira (2009, p. 45‑46), magistrado e 
professor de direito, que
a vida em sociedade traz vantagens e desvantagens. Para usufruir os serviços 
prestados pela comunidade organizada, cada membro da sociedade deve 
renunciar ao conteúdo absoluto de determinados direitos, notadamente 
a liberdade e a propriedade, em prol do benefício da maioria. Constitui 
princípio fundamental da vida em sociedade que no confronto entre 
interesses individuais e interesses de toda a comunidade, a opção será 
no sentido da preservação do interesse público, resolvendo‑se, no campo 
indenizatório, o sacrifício do interesse individual.
A interpretação desse princípio deve ser feita com as cautelas necessárias 
para não legitimar abusos e ilegalidades. A supremacia é do interesse público, 
e não da Administração Pública. Esta última somente poderá usar de forma 
legítima os atributos resultantes deste princípio, quando impulsionada por 
razões de interesse público. É ilegal o uso de prerrogativas atribuídas ao 
Estado, quando não há interesse público correspondente ou proporcional.
47
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Assim, o poder público tem o direito de cobrar taxas na mesma medida em que tem o dever de 
realizar os serviços decorrentes da cobrança delas. Se cobra taxa de lixo, tem o dever de recolher o lixo 
e não permitir que se acumule em detrimento da saúde e do bem‑estar da população. Se tem direito de 
cobrar taxa para inspecionar e fiscalizar produtos animais e vegetais, tem o dever de fazer com que a 
fiscalização seja eficiente e nenhum produto contaminado ou em más condições de consumo chegue 
aos pontos de distribuição. Em outras palavras, os deveres do Estado devem estar muito claros para 
que os cidadãos possam cobrar seu cumprimento, na mesma medida em que serão cobrados para que 
efetuem o pagamento das taxas.
São várias as taxas cobradas no Brasil. Entre as principais, temos:
• Taxa de Avaliação in loco das Instituições de Educação e Cursos de Graduação – Lei n. 10.870/2004.
• Taxa de Coleta de Lixo.
• Taxa de Combate a Incêndios.
• Taxa de Conservação e Limpeza Pública.
• Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA) – Lei n. 10.165/2000.
• Taxa de Controle e Fiscalização de Produtos Químicos – Lei n. 10.357/2001, art. 16.
• Taxa de Emissão de Documentos (níveis municipal, estadual e federal).
• Taxa de Fiscalização da Aviação Civil (TFAC) – Lei n. 11.292/2006.
• Taxa de Fiscalização da Agência Nacional de Águas (ANA) – Medida Provisória (MP) n. 437/2008, 
arts. 13 e 14.
• Taxa de Fiscalização de Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – Lei n. 7.940/1989.
• Taxa de Fiscalização de Sorteios, Brindes ou Concursos – MP n. 2.158‑35/2001,art. 50.
• Taxa de Fiscalização de Vigilância Sanitária – Lei n. 9.782/1999, art. 23.
• Taxa de Fiscalização dos Produtos Controlados pelo Exército Brasileiro (TFPC) – Lei n. 10.834/2003.
• Taxa de Fiscalização dos Mercados de Seguro e Resseguro, de Proteção Patrimonial Mutualista, de 
Capitalização e de Previdência Complementar Aberta – Lei n. 12.249/2010, arts. 48 a 59.
• Taxa de Fiscalização e Controle da Previdência Complementar (Tafic) – Entidades Fechadas de 
Previdência Complementar – Lei n. 12.154/2009, art. 12.
48
Unidade I
• Taxa de Licenciamento Anual de Veículo – Lei n. 9.503/1997, art. 130.
• Taxa de Licenciamento, Controle e Fiscalização de Materiais Nucleares e Radioativos e suas 
instalações – Lei n. 9.765/1998.
• Taxa de Licenciamento para Funcionamento e Alvará Municipal.
• Taxa de Pesquisa Mineral (DNPM) – Portaria Ministerial n. 503/1999.
• Taxa de Serviços Administrativos (TSA) – Zona Franca de Manaus – Lei n. 9.960/2000.
• Taxa de Serviços Metrológicos – Lei n. 9.933/1999, art. 11.
• Taxa de Utilização de Selo de Controle – Lei n. 12.995/2014, art. 13.
• Taxas ao Conselho Nacional de Petróleo (CNP).
• Taxa de Outorga e Fiscalização – Energia Elétrica – Lei n. 9.427/1996, art. 11, I, e arts. 12 e 13.
• Taxa de Outorga – Rádios Comunitárias – Lei n. 9.612/1998, art. 24, e Decreto n. 2.615/1998, 
arts. 7 e 42.
• Taxa de Outorga – Serviços de Transportes Terrestres e Aquaviários – Lei n. 10.233/2001, art. 77, 
II e III, a art. 97, IV.
• Taxas de Saúde Suplementar (ANS) – Lei n. 9.961/2000, art. 18.
• Taxa de Utilização do Siscomex – Instrução Normativa (IN) n. 680/2006, art. 13.
• Taxa de Utilização do Mercante – Decreto n. 5.324/2004.
• Taxas do Registro do Comércio (Juntas Comerciais).
• Taxas Judiciárias.
• Taxas Processuais do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) – Lei n. 12.529/2011, 
art. 23.
Em todas elas, é possível identificar uma atividade do poder público no sentido de organizar melhor 
a vida em sociedade, como percebemos claramente nas taxas de conservação de limpeza pública, de 
fiscalização de produtos químicos, de coleta de lixo, de combate a incêndio, de fiscalização de 
atividades educacionais, de seguro, de saúde suplementar e de previdência complementar. Todas 
essas taxas de fiscalização revertem‑se em benefício da população porque é, ou deveria ser, a certeza 
de que o cidadão está seguro com a atuação preventiva do Estado. Nem sempre funciona da melhor 
forma, é fato, mas em tese a possibilidade de prevenção existe e os recursos são arrecadados.
49
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
É preciso, no entanto, que a população fiscalize o Estado para que ele exerça corretamente seu papel.
Contribuição de melhoria
A contribuição de melhoria é um tributo que tem como fato gerador a valorização do imóvel do 
contribuinte decorrente da realização de uma obra pública. Deve ser calculada de modo que não supere 
o montante de valorização individual.
Ricardo Cunha Chimenti (2019, p. 87) afirma:
A contribuição de melhoria tem como fato gerador a valorização do imóvel 
do contribuinte em razão de obra pública (instalação de rede elétrica, obras 
contra a enchente etc.). Os beneficiários diretos da obra arcam com seu 
custo, total ou parcialmente.
O art. 2º do Decreto‑Lei n. 195/67 só prevê a contribuição de melhoria em 
relação ao imóvel privado.
Cada contribuinte não pode ser obrigado a pagar quantia superior à 
valorização de seu imóvel. O total arrecadado, por sua vez, não pode ser 
superior ao custo da obra (art. 81 do CTN) [...].
Pelo exposto, percebe‑se que a contribuição de melhoria, assim como a taxa, 
é uma espécie de tributo vinculado, tributo cujo fato gerador está ligado a 
uma atividade estatal específica relativa ao contribuinte.
Anote‑se que não é qualquer obra pública que autoriza a cobrança da 
contribuição de melhoria. É necessária a valorização do imóvel do contribuinte 
em razão da obra pública.
O professor e magistrado Ricardo Chimenti ensina, ainda, que a contribuição de melhoria só pode 
ser cobrada do contribuinte depois que a obra estiver pronta, porque ela é decorrente da obra e não um 
fundo destinado à sua realização.
A competência legal para cobrar a contribuição de melhoria é do ente político que tiver a 
responsabilidade de realizar a obra, ou seja, a União, os estados, o Distrito Federal ou o município.
Nos grandes centros urbanos, é muito comum que uma obra pública proporcione valorização dos 
imóveis, em especial quando são obras que facilitam o deslocamento das pessoas, como acontece na 
instalação de estações do metrô ou construção de avenidas, pontes e viadutos. Nesses casos, os imóveis 
privados localizados na vizinhança são fortemente valorizados e é justo que seus proprietários tenham 
que pagar por isso. É parte do ônus da vida em sociedade, como já mencionamos neste livro‑texto.
50
Unidade I
Empréstimo compulsório
Empréstimo compulsório é um tributo instituído por lei complementar federal e tem por hipótese de 
incidência aquela que a lei determinar, porém o pressuposto constitucional é que seja aplicado apenas 
em casos de calamidade pública, guerra externa ou investimento público urgente.
Essa é a determinação do art. 148 da Constituição Federal:
Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos 
compulsórios:
I – para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, 
de guerra externa ou sua iminência;
II – no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante 
interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, “b”.
Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo 
compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição 
(Brasil, 1988).
Sobre o conceito de calamidade pública, o professor Paulo Caliendo (2013, p. 38) esclarece que se trata
de uma permissão constitucional para situações absolutamente 
extraordinárias, sob pena em se converter em uma autorização para os 
contínuos desastres e fenômenos naturais que se sucedem naturalmente 
ano após ano. A calamidade deve ser realmente avassaladora e inusitada. 
A ausência de previsibilidade nacional deve ser comprovada perante um 
fenômeno inesperado tal como uma seca, maremoto, terremoto, furacões e 
outros fenômenos naturais.
As despesas extraordinárias decorrentes de calamidade pública que autorizam a sua criação, com 
fundamento no art. 148, inciso I, da CF, são despesas imprevisíveis. Assim sendo, não seria motivação 
constitucional autorizada a instituição de empréstimo compulsório para fazer frente à seca no 
nordeste do país, por exemplo, visto que se trata de fenômeno conhecido e que deveria constar da 
previsibilidade nacional no combate de seus efeitos.
A calamidade pública, por sua vez, deve ser entendida em sentido amplo, abarcando não somente 
fenômenos naturais, mas também econômicos e sociais. Tal extensão, contudo, deve depender 
exclusivamente da noção de extrema gravidade do fenômeno, tal como a pandemia ocasionada pela 
covid‑19. O inciso I do art. 148 é reservado para os casos extremos e limites de ameaça à integridade 
nacional (Caliendo, 2013).
O inciso I do art. 148 da CF também autoriza a criação de empréstimo compulsório em caso de guerra 
externa ou sua iminência. O inciso II do mesmo dispositivo constitucional permite a sua instituição na 
hipótese de investimento público urgente e de relevante interesse nacional.
51
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Ainda sobre o empréstimo compulsório, é necessário que se diga que se trata de um tributo restituível. 
A lei que porventura venha criá‑lo deverá tratar de sua devolução, a qual deverá ser integral e idêntica, 
ou seja, a devolução ao contribuinte deve ocorrer na mesma quantidade que foi tomada emprestada, 
porque se assim não for, será considerado um confisco e não um empréstimo. E deve ser idêntica, ou 
seja, na mesma qualidade do bem tomado emprestado, mesmo gênero e mesma espécie, para não 
ofender a natureza do empréstimo compulsório, porquese assim não for, ficará convertido em permuta 
e não empréstimo.
Contribuições especiais
Contribuições especiais são instituídas pela União Federal e têm por base o disposto nos arts. 149 e 195 
da Constituição Federal. O art. 149 da CF estabelece que compete à União, com exclusividade, instituir as 
contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais 
ou econômicas. O art. 195 trata da seguridade social e determina que ela será financiada por toda a 
sociedade, de forma direta ou indireta, nos termos determinados pela lei e com recursos provenientes 
do orçamento da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
As contribuições sociais são aquelas que têm por objetivo custear a concretização dos direitos 
previstos no art. 6º da Constituição Federal, ou seja, saúde, educação, previdência, assistência 
social, habitação e outros. Elas são cobradas dos trabalhadores, das empresas e das entidades a elas 
equiparadas, dos prestadores de serviços sem vínculo empregatício, sobre a receita e faturamento das 
empresas, a exemplo da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para 
Financiamento da Seguridade Social (Cofins), e sobre o lucro. Incidem ainda sobre a receita das loterias, 
legalmente praticadas no Brasil, e sobre o importador de bens ou serviços do exterior. Já as contribuições 
de intervenção no domínio econômico, conhecidas pela sigla Cide, previstas no art. 149 da CF, possuem 
função regulatória da economia ou do mercado de consumo, que são chamadas de funções extrafiscais.
A contribuição denominada Cide‑Combustíveis, prevista no art. 177, § 4º, da CF, é um dos principais 
exemplos de intervenção da União Federal no domínio econômico. Essa contribuição “é a mais conhecida 
e de maior impacto, em termos de arrecadação” (Caparroz, 2023, p. 62). A respeito disso, o autor ensina:
a partir da previsão constitucional[,] o legislador ordinário publicou  a 
Lei n. 10.336/2001, que instituiu a Cide‑Combustíveis, incidente sobre 
a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural 
e seus derivados, e álcool etílico combustível.
A Cide‑Combustíveis tem como contribuintes o produtor, o formulador 
e o importador, pessoa física ou jurídica, de combustíveis líquidos, como 
gasolina e suas correntes, diesel e suas correntes, querosene de aviação e 
outros querosenes, óleos combustíveis (fuel‑oil), gás liquefeito de petróleo, 
inclusive o derivado de gás natural e de nafta, e álcool etílico combustível.
O tributo tem como fato gerador as operações de importação e comercialização, 
no mercado interno, dos combustíveis líquidos (Caparroz, 2023, p. 62).
52
Unidade I
Compreendemos, então, que as contribuições corporativas, por sua vez, são aquelas cuja receita 
é destinada a um órgão ou entidade representante de uma categoria profissional, a exemplo da 
contribuição paga pelos médicos e dentistas a seus Conselhos Profissionais – contribuições de categorias 
profissionais – ou objetivam fiscalizar e regular o exercício de atividades econômicas como instrumento 
de sua atuação nas respectivas áreas, em que se enquadram as contribuições do Sistema S, como é 
o caso da contribuição ao Serviço Social do Comércio (Sesc) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem 
Industrial (Senai) – contribuições de categorias econômicas.
Princípios da tributação
Já estudamos que princípios são mandamentos nucleares de um sistema e, logo, servem de alicerce 
para sua sustentação. No sistema tributário, certos princípios cumprem essa finalidade e são a base de 
toda a estrutura. São eles:
• Princípio da legalidade tributária: está no art. 150, inciso I, da CF e determina que os tributos 
só podem ser criados por lei, assim como o aumento da base de cálculo e das alíquotas aplicáveis. 
A regra comporta algumas exceções:
— O art. 153, § 1º, da CF permite que as alíquotas dos seguintes impostos sejam alteradas por 
meio de ato do chefe do Executivo (através de um decreto, uma portaria ou uma instrução 
normativa, por exemplo):
— Imposto de Importação (II).
— Imposto de Exportação (IE).
— Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
— Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
— O art. 177, § 4º, inciso I, alínea “b”, da CF autoriza que as alíquotas da Cide para combustíveis 
sejam reduzidas e restabelecidas por ato do Poder Executivo.
— O art. 155, § 4º, IV, “c”, da CF autoriza que as alíquotas do ICMS‑combustível sejam reduzidas e 
restabelecidas por ato do Poder Executivo.
• Princípio da isonomia tributária: está previsto no art. 150, inciso II, da CF e determina que é 
vedado instituir tratamento desigual entre contribuintes de situação equivalente. Compete ao 
legislador estabelecer normas que garantam tratamento igualitário àqueles que estiverem na 
mesma situação fática e jurídica, ou seja, aos iguais. Trata‑se, aqui, da chamada igualdade formal, 
que tem por objetivo garantir que todos se submetam às mesmas normas.
• Princípio da capacidade contributiva: atende à determinação do parágrafo primeiro do art. 145 
da Constituição Federal, que determina:
53
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
§ 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão 
graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à 
administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses 
objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos 
da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do 
contribuinte (Brasil, 1988).
 Chimenti (2019, p. 92) comenta sobre essa previsão constitucional:
A análise conjunta dos princípios da capacidade contributiva e da dignidade 
da pessoa humana determina que o mínimo existencial para o bem‑estar do 
ser humano deve ser excluído da tributação.
A fim de dar eficácia ao princípio da capacidade contributiva, faculta‑se 
à administração tributária, respeitados os direitos individuais e os termos 
da lei, identificar os rendimentos do contribuinte, seu patrimônio e suas 
atividades econômicas.
As alíquotas diferenciadas do imposto de renda representam uma das 
formas de efetivar os princípios da igualdade e da capacidade contributiva, 
pois distribuem de forma proporcional os ônus de prover as necessidades 
da coletividade.
No Brasil, há alta incidência de impostos cobrados sobre o consumo, e não sobre a renda, o que torna 
bastante difícil para as camadas de baixa renda custearem os produtos de que necessitam para sua 
subsistência, porque ganham menos e pagam tributos sobre consumo no mesmo percentual que aqueles 
que ganham mais. Busca‑se corrigir justamente tal situação com a reforma tributária introduzida pela 
Emenda Constitucional n. 132/ 2023.
• Princípio da irretroatividade da lei tributária: está previsto no inciso III do art. 150 da CF e 
determina que a lei nova não se aplica a fatos geradores passados. Assim, os fatos ocorridos antes 
do início de vigência da lei que tiver criado ou aumentado um tributo não implicam obrigação 
tributária. Assim, por exemplo, o aumento da alíquota do IPTU não pode retroagir para atingir 
fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da lei que autorizou o aumento.
• Princípio da anterioridade: está previsto no art. 150, III, “b”, da CF. A lei que cria ou aumenta 
tributos só pode incidir sobre fatos que venham a ocorrer no exercício subsequente ao de sua 
entrada em vigor. A regra é que um tributo criado ou aumentado só pode ser exigido no primeiro 
dia do exercício seguinte ao da publicação da lei que o criou ou o aumentou, ou seja, no dia 1º de 
janeiro do ano seguinte. Este é o princípio da anterioridade anual.
A Emenda Constitucional n. 42/2003 instituiu ainda a chamada anterioridade nonagesimal,  que 
significa que os tributos só podem ser exigidos após o prazo de 90 dias da publicação da lei que os criou 
ou os aumentou (Brasil, 2003a).
54
Unidade I
 Observação
A anterioridade nonagesimal deve ser aplicada em conjunto com a 
anterioridade anual. Assim,por exemplo, se a alíquota de um determinado 
tributo é aumentada por lei publicada no dia 9 de dezembro de 2024, 
não é possível cobrá‑la já em 1º de janeiro de 2025. Em que pese ter sido 
respeitada a anterioridade anual, ainda é necessário observar a anterioridade 
nonagesimal. Assim sendo, a cobrança só se dará após o decurso do prazo 
de 90 dias da publicação da lei.
Existem exceções ao princípio da anterioridade anual e nonagesimal. O II, o IE, o IOF, os impostos 
extraordinários (CF, art. 154, II) e o empréstimo compulsório criado em caso de calamidade pública 
ou guerra externa (CF, art. 148, I) não se sujeitam a estes princípios, conforme art. 150, § 1º, da CF. Assim 
sendo, em caso de aumento da alíquota de um desses impostos, por exemplo, a exigência será imediata.
Há também tributos que não se sujeitam à anterioridade anual, mas que devem respeitar à 
anterioridade nonagesimal, quais sejam: IPI (CF, art. 150, §1º); contribuições do art. 195, § 6º, da CF; 
ICMS‑Combustível (CF, art. 155, § 4º, IV, “c”); ou, ainda, Cide‑Combustível (CF, art. 177, § 4º, I, “b”).
Por fim, as exceções à anterioridade nonagesimal são o IR, bem como a alteração da base de cálculo 
do IPTU e do IPVA, que não se sujeitam ao princípio da anterioridade nonagesimal, devendo respeitar 
somente a anterioridade anual (CF, art. 150, § 1º). A respeito, Mazza (2025, p. 152) ainda lembra que 
“com o advento da Emenda Constitucional n. 132/2023 – Reforma Tributária, o Imposto Seletivo (IS) e a 
Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) passam a ser, também, exceções à anterioridade nonagesimal, 
sujeitando‑se somente à anual”.
• Princípio do não confisco: nenhum tributo no Brasil pode ser cobrado em valor que impeça o 
exercício do direito de propriedade ou que seja uma forma de desestimular a livre‑iniciativa, que 
é um fundamento da República.
• Princípio da não discriminação: os estados federativos e os municípios não poderão praticar 
discriminação tributária entre bens e serviços em razão de sua procedência ou destino.
• Princípio da uniformidade geográfica: os tributos federais devem ser igualmente exigíveis em 
todo o território nacional, com exceção para a aplicação dos incentivos fiscais.
• Princípio da liberdade de tráfego: não pode haver limitação da liberdade de ir e vir do cidadão 
brasileiro ou do estrangeiro residente no país em razão de aplicação de tributos. A regra comporta 
exceção no caso da circulação de mercadorias e serviços.
• Princípio da exigência de lei específica para a concessão de benefícios fiscais: a concessão 
de benefícios fiscais poderá ser feita apenas por lei específica, ou seja, que trate apenas 
dessa finalidade.
55
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Alguns estudiosos de direito tributário diferem na relação de princípios aplicáveis à matéria – não 
há um consenso estabelecido. Esses são, portanto, alguns dos princípios básicos aplicáveis ao direito 
tributário no Brasil, embora outros também possam ser relacionados.
Acrescente‑se, finalmente, que a reforma tributária introduziu novos princípios na Constituição 
Federal: os princípios da simplicidade, da transparência, da justiça tributária, da cooperação e da defesa 
do meio ambiente, conforme o § 3º do art. 145 da CF, incluído pela Emenda Constitucional n. 132/2023.
Imunidades tributárias
Imunidade tributária é uma hipótese de não incidência do tributo. Está prevista no inciso VI do 
art. 150 da CF:
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é 
vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios: […]
VI – Instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; 
b) entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas 
organizações assistenciais e beneficentes; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional n. 132, de 2023)
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas 
fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições 
de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os 
requisitos da lei;
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil 
contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou 
obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como  os 
suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na 
etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser 
(Brasil, 1988).
Ressaltamos que a imunidade tributária não deve ser confundida com isenção. De fato, a imunidade 
é uma hipótese de não incidência tributária, prevista na Constituição Federal. A respeito, Mazza 
(2025, p. 186) ensina:
Imunidades são normas constitucionais que limitam a competência 
tributária afastando a incidência de tributos sobre determinados itens 
ou pessoas.
56
Unidade I
A análise do conceito apresentado exige a compreensão dos seguintes 
elementos:
a) imunidades são normas constitucionais;
b) que limitam a competência tributária;
c) afastando a incidência de tributos sobre determinados produtos 
ou pessoas.
A isenção, por sua vez, será sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos 
exigidos para sua concessão, bem como os tributos a que se aplica e o prazo de duração. Pode ser restrita 
a determinada região do território nacional em razão de condições peculiares.
3.4 Crédito tributário: criação e extinção
Crédito tributário é o direito da Fazenda Pública de cobrar um determinado tributo em razão da 
comprovada existência de uma obrigação tributária. O crédito tributário é aquilo que garante ao poder 
público a obtenção de receitas para dar cumprimento às suas obrigações legais. Por essa razão, ele terá 
privilégios para receber os créditos tributários, em especial na falência, quando estará à frente de vários 
credores, como os créditos trabalhistas acima de 150 salários mínimos, ou de credores bancários ou 
empresariais, exatamente porque os recursos são destinados ao interesse público.
O crédito tributário se constitui com o ato denominado lançamento, regulado pelo art. 142 do CTN e 
que se constitui em ato privativo de autoridade administrativa para proceder à verificação da ocorrência 
do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do 
tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
Determina a lei, ainda, que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, 
sob pena de responsabilidade funcional. Em outras palavras, caso a autoridade não faça o lançamento 
tributário, poderá ser punida em razão dessa falta.
Segundo o CTN, o crédito tributário pode ser extinto por:
• Pagamento: forma mais comum de extinção, que consiste em o contribuinte efetuar o pagamento 
em moeda corrente nacional no prazo determinado pela lei. Se o pagamento for efetuado, a 
maior gera ao contribuinte o direito de repetição de indébito tributário, que consiste em requerer 
a devolução da quantia paga indevidamente.
• Compensação: quando acontece um encontro de contas entre crédito e débito do contribuinte 
e do poder público. O contribuinte que for credor da Fazenda do Estado poderá compensar os 
valores de tributos dos quais seja devedor.
• Transações: acordo de vontade das partes que implica em concessões mútuas.
57
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
• Remissão: perdão da dívida por razões de justiça fiscal ou de inadequação da cobrança.
• Decadência: quando a Fazenda Pública deixa transcorrer o prazo de cinco anos sem efetivar o 
lançamento que dá ensejo ao crédito tributário.
• Prescrição: quando decorre o prazo que a Fazenda Pública tem para ingressar com ação judicial 
para cobrança do crédito tributário e ela não o faz. Perde o direito de interpor ação judicial e, com 
isso, o crédito não pode mais ser cobrado.
• Dação em pagamento: ocorre quando o contribuinte dá em pagamento de crédito tributário 
bens imóveis e, assim, quitasua dívida.
• Consignação em pagamento: ocorre quando, na dúvida para qual ente político deve pagar, o 
contribuinte deposita em juízo para que o magistrado decida o verdadeiro credor. Também pode 
ocorrer quando a Fazenda Pública cobra valores em excesso e o contribuinte deposita em juízo o 
valor que entende correto para evitar que haja execução do valor que ele entende indevido.
O art. 156 do CTN ainda complementa como modalidade de extinção de crédito tributário:
IX ‑ a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na 
órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória;
X ‑ a decisão judicial passada em julgado.
XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas 
em lei (Brasil, 1966).
Quando o contribuinte não paga o crédito tributário em favor do ente político legitimado 
para receber, poderá ser inscrito na dívida ativa, ou seja, será inscrito na repartição administrativa 
competente – lavratura em um livro de dívida ativa – que esgotado o prazo para pagamento este 
não ocorreu.
Com a inscrição na dívida ativa, o contribuinte não poderá mais receber a certidão de regularidade 
fiscal, também denominada de Certidão Negativa de Débito (CND). Essa certidão é essencial em 
pelo menos três situações definidas pelo CTN: (i) para as ações de recuperação judicial da empresa; 
(ii) para formalização de contratos com o poder público; e (iii) para promulgação da sentença de partilha 
em inventários.
A Certidão de Dívida Ativa (CDA) é um documento equivalente a título de crédito e tem presunção 
relativa de certeza e liquidez. É o documento comprobatório da existência de crédito tributário em 
favor da Fazenda Pública e, consequentemente, da existência de um débito por parte do contribuinte. 
A CDA é o título executivo que irá instruir a futura ação de execução fiscal.
58
Unidade I
4 PRINCIPAIS TRIBUTOS PRATICADOS NO BRASIL
Vamos conhecer os tributos mais praticados no Brasil, lembrando que são muitas as hipóteses de 
incidência tributária no país e aqui conheceremos apenas as principais, isto é, as quais estão mais 
presentes na vida de todos nós.
Imposto de Renda (IR)
Trata‑se de imposto de competência da União Federal cujo fato gerador encontra‑se previsto no 
art. 43 do CTN, incidindo sobre a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:
• de renda, entendido como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos;
• de proventos de qualquer natureza, entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos 
no item anterior.
A hipótese de incidência tributária é a aquisição de renda, seja pelo trabalho, por ganho de capital 
(aplicações financeiras) ou pela ocorrência de ambas as hipóteses (trabalho + aplicações financeiras). 
É aplicada inclusive para os proventos decorrentes de aposentadoria, mas não é aplicada às verbas de 
caráter indenizatório.
O contribuinte do imposto sobre a renda é a pessoa física ou jurídica, titular da renda ou dos 
proventos de qualquer natureza (CTN, art. 45).
Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)
Imposto de competência dos estados e do Distrito Federal que incide sobre a propriedade de veículo 
automotor de qualquer espécie (automóvel, motocicleta, caminhão).
Com a reforma tributária, o IPVA passou a incidir também sobre a propriedade de veículos aquáticos 
e aéreos, excetuados aqueles previstos nas alíneas de “a” a “d” do inciso III do § 6º do art. 155 da CF.
O IPVA poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo, do valor, da utilização e do impacto 
ambiental do veículo, conforme art. 155, § 6º, II, da CF (redação dada pela Emenda Constitucional 
n. 132/2023).
Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU)
Imposto de competência municipal e do Distrito Federal que tem como hipótese de incidência 
tributária a propriedade ou a posse com ânimo definitivo – usucapião – ou, ainda, o domínio útil, aquele 
adquirido pelo enfiteuta por aforamento mediante o pagamento de valor em dinheiro, que também é 
hipótese para pagamento de IPTU.
59
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
É considerado imóvel urbano aquele localizado na zona urbana do município que, nos termos do 
parágrafo 1º do art. 32 do CTN, tenha pelo menos dois dos seguintes melhoramentos:
I – meio‑fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais;
II – abastecimento de água;
III – sistema de esgotos sanitários;
IV – rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição 
domiciliar;
V – escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) 
quilômetros do imóvel considerado (Brasil, 1966).
Também será considerada urbana a área prevista em loteamento aprovado, ainda que não disponha 
desses melhoramentos.
Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI)
Trata‑se de imposto de competência do município e do Distrito Federal que incide sobre a transmissão 
onerosa da propriedade ou do domínio útil ou também dos direitos reais de bens imóveis. Aplica‑se 
igualmente nos casos de cessão de direitos.
Imposto sobre Serviços (ISS)
Trata‑se de imposto de competência municipal e do Distrito Federal que incide sobre a prestação, 
por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, dos serviços constantes da 
lista anexa à Lei Complementar n. 116/2003. Este imposto também foi alcançado pela reforma tributária, 
como será demonstrado mais adiante.
Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD)
Trata‑se de imposto de competência estadual e do Distrito Federal que incide nos casos de transmissão de 
quaisquer bens ou direitos por sucessão legítima ou testamentária, ou, ainda, nos casos de efetivação 
de doação de bens. A competência para cobrança desse imposto será do estado da federação em que o 
imóvel estiver localizado. Na transmissão de bens móveis, títulos e créditos, o imposto compete ao estado 
onde era domiciliado o de cujus, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal (redação dada pela 
Emenda Constitucional n. 132/2023).
Imposto sobre Propriedade Territorial Rural (ITR)
Imposto de competência da União Federal que incide sobre a propriedade, domínio útil ou posse de 
imóvel definido como rural. Portanto, se o imóvel possuir apenas um ou nenhum dos melhoramentos 
previstos no § 1º do art. 32 do CTN, a área será considerada rural e o imóvel nela situado será tributado 
pelo ITR.
60
Unidade I
 Observação
O ITR não incide sobre pequenas glebas rurais quando as explore o 
proprietário que não possua outro imóvel (CF, art. 153, § 4º, II).
As alíquotas do ITR serão progressivas (CF, art. 153, § 4º), de forma a desestimular a manutenção 
de propriedades improdutivas. Assim sendo, os imóveis improdutivos possuem uma tributação mais 
onerosa (alíquotas maiores), e os bens imóveis produtivos de menores glebas possuem uma tributação 
menos onerosa.
Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)
Trata‑se de imposto de competência da União Federal que tem como fato gerador:
I – quanto às operações de crédito, a entrega do montante total ou 
parcial ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à 
disposição do interessado;
II – quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de 
moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua 
colocação à disposição do interessado, em montante equivalente à moeda 
estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este;
III – quanto às operações de seguro, a emissão de apólice ou do documento 
equivalente ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável;
IV – quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a 
emissão, transmissão, pagamento ou resgate desses, na forma da lei aplicável 
(Brasil, 1966, art. 63, grifos nossos).
Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de 
Serviços (ICMS)
Imposto de competência dos estados e do Distrito Federal que tem como hipótese de incidência 
tributária a circulação de mercadorias de forma habitual, ou seja,em caráter empresarial. Não se aplica 
a mercadorias adquiridas por pessoas naturais para seu uso próprio. Também se aplica a transporte de 
pessoas ou cargas interestaduais ou intermunicipais; prestação onerosa de serviços de comunicação; 
e importação de mercadorias e serviços por pessoas físicas ou jurídicas ainda que sem habitualidade. 
Trata‑se de um dos impostos atingidos pela reforma tributária.
61
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
Imposto federal aplicável aos produtos que passaram por operação de modificação de sua natureza, 
por exemplo, o aço que se transforma em peça automotiva; a tora de madeira que é utilizada para 
confecção de móveis; o plástico que é industrializado para se tornar utensílio para indústria automotiva 
ou de medicamentos. Incide sobre produtos industrializados nacionais e importados. Está previsto na 
Constituição Federal no art. 153, inciso IV. O IPI também teve mudanças significativas em decorrência 
da reforma tributária.
Imposto de Importação (II)
O portal da Receita Federal define:
O imposto sobre a importação de produtos estrangeiros (II) incide sobre 
a importação de mercadorias estrangeiras e sobre a bagagem de viajante 
procedente do exterior. No caso de mercadorias estrangeiras, a base de 
cálculo é o valor aduaneiro e a alíquota está indicada na Tarifa Externa 
Comum (TEC). No caso de bagagem, a base de cálculo é o valor dos bens 
que ultrapassem a conta de isenção e a alíquota é de cinquenta por 
cento (II […], 2015).
O II também possui uma função extrafiscal, criada por motivos de ordem política e econômica. 
Ele atua para proteger os produtos industrializados nacionais contra a concorrência dos produtos do 
mercado externo, que, muitas vezes, chegam ao Brasil com preço inferior àqueles semelhantes que são 
fabricados aqui.
Imposto de Exportação (IE)
O Imposto de Exportação é um imposto federal cobrado pela União na exportação de produtos 
nacionais (ou nacionalizados) que se destinam a outro país. O fato gerador do IE é a saída desse tipo de 
produto do território nacional para o exterior.
O contribuinte do IE é o exportador, ou seja, a pessoa responsável pela saída do produto nacional ou 
nacionalizado, ou aquele a quem a ele a lei equiparar, conforme art. 27 do CTN.
 Lembrete
É a Constituição Federal que atribui a competência tributária aos entes 
políticos. Essa competência é indelegável, e não é admissível que uma 
mesma situação gere impostos para dois entes políticos ao mesmo tempo.
62
Unidade I
4.1 Reforma tributária
A reforma tributária teve sua implementação iniciada em 2025, tendo como foco tributos sobre o 
consumo, posto que os demais tributos sobre renda, propriedade, operações financeiras, de câmbio e 
seguros não foram alterados por este conjunto normativo.
O cerne do esforço político e legislativo é a unificação dos tributos sobre o consumo criados e 
cobrados pela União, especialmente IPI e PIS/Cofins, o ICMS pelos estados e Distrito Federal e o ISS 
pelos municípios e Distrito Federal, os quais têm estrutural legal e regulamentos diversos e, por vezes, 
redundantes ou contraditórios, e cuja atividade legiferante, em diversos momentos, é procedida de 
modo não integrado, gerando muitos questionamentos judiciais.
Após anos de negociações e projetos legislativos, foram aprovadas a Emenda Constitucional 
n. 132/2023, com reforma do Sistema Tributário Constitucional, e a Lei Complementar n. 214/2025, com 
o detalhamento dos conceitos e normas a serem implementadas.
Nesse sentido, PIS/Cofins, ICMS e ISS darão lugar a um imposto sobre valor agregado dual, composto 
por: Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), exigida pela União Federal, e Impostos sobre Bens e 
Serviços (IBS), divididos entre União, estados e municípios. Tais tributos terão ampla base de incidência 
sobre todas as operações originalmente abrangidas pelos tributos substituídos, além de incluir operações 
onerosas com bem materiais e imateriais de modo a evitar lacunas de tributação. Por outro lado, 
sua operacionalização permitirá o creditamento amplo dos tributos incidentes em operações anteriores, 
o que hoje é dificultado pela incomunicabilidade dos tributos federais, estaduais e municipais. Para além 
disto, os tributos não comporão sua própria base de cálculo, eliminando outra forma de diminuição da 
transparência da alíquota efetiva.
A definição do local de incidência do CBS/IBS passa a ser do estado do estabelecimento de destino, 
regra com implementação gradual, iniciando‑se em 1º de janeiro de 2029, incidindo conjuntamente o 
ICMS e o ISS até 31 de dezembro de 2032, reduzindo‑se o ICMS e ISS em 10% ao ano, acrescendo‑se 10% 
anuais de IBS, que terá alíquota cheia em 2033, momento em que ICMS e ISS deixam de ser exigidos.
O IPI terá sua incidência reduzida a zero, mantendo‑a apenas para itens fabricados na Zona Franca 
de Manaus.
Ainda no âmbito dessa reforma, será criado o Imposto Seletivo (IS), federal e cumulativo, a ser 
exigido sobre bens ou serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
63
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
 Resumo
Nesta unidade, entendemos que o Direito organiza a vida da sociedade 
a partir de leis, princípios e costumes. Pode ser dividido em direito público e 
direito privado a partir do tema de que trata preponderantemente: público 
para as questões que envolvem o Estado e privado nas relações entre 
pessoas naturais ou jurídicas privadas, ou seja, que não são entes públicos.
Compreendemos que o Brasil adota um sistema jurídico da civil law, 
em que a lei tem preponderância, ao contrário dos países anglo‑saxões 
que adotam o sistema de common law, no qual preponderam as decisões 
judiciais adotadas anteriormente em casos semelhantes, que recebem 
o nome de jurisprudência. No Brasil, também utilizamos os julgados ou 
a  jurisprudência, mas não o fazemos com a mesma importância que em 
países como Inglaterra, Austrália, País de Gales, Escócia, entre outros. Aqui, 
a importância maior é para a lei, sendo a Constituição Federal a lei mais 
importante do país. Ela ocupa o topo da hierarquia e nenhuma outra lei 
pode se contrapor a ela.
Para garantir a harmonia social, as leis devem obedecer a alguns critérios 
com o objetivo de evitar o conflito de normas. Os principais critérios são a 
irretroatividade da lei e o respeito ao ato jurídico perfeito, à coisa julgada 
e ao direito adquirido.
O Estado brasileiro tem soberania em seu território para adotar as leis 
aprovadas pelo Poder Legislativo, mas o campo de aplicação dessas leis é 
o território brasileiro porque não há autoridade fora de seus limites, na 
medida em que cada país do mundo adota e cumpre suas próprias leis. 
Considerando território como a porção de terra contínua ou não em que uma 
nação vive, é nele que se organiza e determina as regras de cumprimento 
obrigatório para todos. O território compreende o solo, o subsolo, o espaço 
aéreo e as águas fluviais e marítimas. Também compreende embaixadas, 
navios e aeronaves.
Debatemos também sobre o sistema do Poder Judiciário no Brasil, que 
está regulado pelo art. 92 e seguintes da Constituição Federal, estabelecendo 
que o mais importante tribunal é o Supremo Tribunal Federal (STF), sediado 
em Brasília e que conta com 11 juízes, que são denominados ministros.
Apresentamos, ainda, os elementos fundamentais para um processo 
judicial: a petição inicial, a contestação, as provas, as decisões judiciais e o 
trânsito em julgado. Além disso, deixamos claro que existem outras formas 
de solucionar conflitos, e quase sempre elas são mais indicadas, pois são mais 
céleres e menos custosas. São elas: a mediação, conciliação e arbitragem.
64
Unidade I
Debatemos também sobre o direito tributário, que é a área do 
direito que trata das relações jurídicas estabelecidas entre Estado e 
contribuintes,  que podem ser pessoas naturais ou pessoas jurídicas. 
Pode ser denominado também de direito fiscal. No Brasil, os tributos podem 
ser:  impostos, taxas, contribuição de melhoria,de empresas.
Além de apresentarmos noções gerais de Direito, que são necessárias para a administração de empresas, 
pretendemos que você, estudante, tenha contato com áreas específicas do direito do trabalho e do direito 
tributário, que regulam as relações com os trabalhadores e com o Estado arrecadador. Essas relações 
podem se tornar fonte de grandes problemas para o administrador de empresas se não forem gerenciadas 
com conhecimento e com segurança.
Sabemos que o conhecimento técnico não se constrói de forma isolada, mas de modo imbricado com 
outras áreas do saber com as quais dialoga necessariamente. Nesse sentido, o Direito tem sido muito 
importante para a atuação de várias áreas profissionais. De maneira especial com a Administração, 
ele fornece conceitos e princípios de aplicação prática no cotidiano que orientam as decisões dos 
administradores, a fim de que estejam sempre em consonância com as melhores práticas empresariais 
e com os preceitos legais.
INTRODUÇÃO
Abordaremos aqui dois aspectos do vasto campo do Direito: o direito tributário e o direito do trabalho.
Inicialmente, vamos compreender a relevância do Direito para a área de Administração e, em seguida, 
analisaremos os principais tópicos do trabalho dos administradores.
Trataremos dos aspectos gerais referentes à estrutura das leis e da justiça no Brasil. Discorreremos 
sobre o direito tributário, com o objetivo de apresentar seu viés constitucional, os principais conceitos 
e princípios que regem essa área do conhecimento, os tributos a que estão sujeitas as atividades 
empresariais e as consequências do não recolhimento desses tributos, inclusive no âmbito penal.
Discutiremos a respeito do direito do trabalho, área do Direito que sofreu recente reforma legislativa 
com o objetivo de aprimorá‑la e flexibilizá‑la. A Reforma Trabalhista está no centro de várias mudanças 
que as relações de trabalho têm sofrido nos últimos tempos, no Brasil e no mundo, e às quais os 
profissionais precisam estar atentos. Também no campo do direito do trabalho, vale destacarmos que o 
descumprimento de leis pode levar a péssimas consequências, em especial no que se refere ao pagamento de 
indenizações aos funcionários e de multas aplicadas pelo Estado.
Aproveite ao máximo a disciplina e bom estudo!
9
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Unidade I
1 O QUE É DIREITO
Direito é o conjunto de leis e costumes que organizam a vida de um determinado grupo social 
historicamente situado e que modifica essas regras à medida que adota novas formas de organização. 
Todos os grupos sociais em todas as épocas da história da humanidade adotaram regras de conduta 
com o objetivo de organizar a vida social e impedir que a força física prevalecesse, já que ela não é um 
atributo de todas as pessoas e, consequentemente, não gera resultados justos.
O Direito pode ser classificado em público e privado:
• Direito público: é a área do direito que tem por objetivo regular os interesses gerais da sociedade 
(interesses públicos). Os principais ramos do direito público são o direito constitucional, o 
direito administrativo, o direito penal, o direito processual (civil ou penal), o direito ambiental e 
o direito internacional.
• Direito privado: é a área do direito que tem por objetivo regular os interesses dos particulares 
nas relações que estabelecem entre si – por exemplo, contratar, casar, locar um imóvel, constituir 
uma sociedade empresária, entre outros. Assim, nesse campo do direito estão o direito civil e o 
direito empresarial.
As duas áreas do direito que vamos estudar aqui – tributário e trabalhista – são classificadas como 
direito público e direito privado, respectivamente, mas alguns estudiosos classificam o direito do trabalho 
como direito social, ao lado do direito do consumidor. Essa é uma forma de classificação válida, embora 
haja intenso debate de ideias, pois há uma parcela entre os estudiosos que não defende a existência de 
um ramo denominado direito social.
1.1 Sistema jurídico brasileiro
O Brasil adota o sistema jurídico de civil law, que significa que o sistema jurídico brasileiro é regido 
prioritariamente por leis e que nelas se encontram os principais fundamentos para que os magistrados 
decidam os casos concretos que forem levados ao Poder Judiciário. O sistema de prevalência das leis, ou 
civil law, é adotado também em alguns países europeus e na América do Sul.
Outros países do mundo, no entanto, adotam o sistema da common law, que significa que as decisões 
de processos judiciais anteriores têm mais relevância que o texto da lei, como acontece na Inglaterra, 
Escócia, Irlanda, Estados Unidos e Austrália, por exemplo. Nesses países, o magistrado, ao julgar um 
caso concreto, estuda que decisões foram adotadas no passado em casos semelhantes e julga com base 
nessas decisões anteriores.
10
Unidade I
No Brasil, as decisões anteriormente adotadas por um tribunal também são levadas em conta: é a 
chamada jurisprudência, o conjunto de decisões anteriores que podem ser aplicadas para a solução de 
um caso posterior, desde que estejam presentes as semelhanças que autorizem a utilização do julgado 
precedente. É o que acontece na atualidade com situações como a colisão traseira entre automóveis, 
em que há jurisprudência consolidada no Brasil a respeito da culpabilidade do condutor do veículo que 
colide contra o carro da frente, independentemente de haver uma lei específica que determine essa 
culpabilidade. Mas utilizar os julgados anteriores como parâmetro para decisões atuais não torna o Brasil 
um país inserido no sistema da common law. Continuamos sendo um país de sistema jurídico em que 
prevalece a força da lei escrita e hierarquizada, ou seja, algumas leis são mais importantes que outras.
Lei é a norma que está escrita, foi publicada e tornou‑se obrigatória para conhecimento de todos 
os que vivem no Brasil. Deve ser elaborada por autoridade competente, ou seja, aquela designada para 
tratar desse assunto. No Brasil, exercem essa autoridade o Poder Legislativo e, excepcionalmente, o 
Poder Executivo. A lei é tão importante no sistema jurídico brasileiro que o art. 5º da Constituição 
Federal (CF) determina que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em 
virtude de lei” (Brasil, 1988). Em outras palavras, se existir lei para um determinado assunto, ela deverá 
ser cumprida; se não existir lei, ninguém poderá exigir nenhuma conduta do cidadão.
A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), que é o Decreto‑Lei n. 4.657/1942, 
alterado pela Lei n. 12.376/2010, determina em seu art. 3º que “ninguém se escusa de cumprir a lei, 
alegando que não a conhece” (Brasil, 1942). Assim, aprovada e publicada a lei, todos os cidadãos devem 
conhecê‑la, porque não poderão alegar em sua defesa que, por desconhecimento, deixaram de fazer 
alguma coisa a qual estavam obrigados.
Existindo a lei, não é possível indagar sobre se queremos ou não a cumprir, porque isso é obrigatório, 
mesmo que não nos agrade. É o caso do recolhimento de tributos. Ninguém paga com alegria, mas todos 
somos obrigados a pagar nas hipóteses previstas na lei – por exemplo, quando somos proprietários de 
um imóvel, temos de pagar o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), ou se 
somos proprietários de um veículo, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
1.2 A Constituição Federal brasileira: a lei mais importante do país
A organização política mais conhecida nos diferentes países do mundo é aquela que estrutura o 
Estado em Três Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, competindo ao primeiro estabelecer as 
leis que deverão ser cumpridas por todos os integrantes daquele país. A primeira lei que um país constrói 
quase sempre é sua Constituição Federal, a lei mais importante, porque estabelece as regras gerais para 
todos os Poderes, para os cidadãos e para as organizações.
É comum que a Constituição Federal seja denominada Carta Magna ou Lei Maior, denominaçõesempréstimo compulsório, 
contribuição social e contribuição de intervenção no domínio econômico 
e contribuições corporativas.
Compreendemos que o direito tributário é regido por princípios 
como legalidade, isonomia, capacidade contributiva, irretroatividade, 
anterioridade, não confisco, não discriminação, uniformidade geográfica, 
liberdade de tráfego e exigência de lei específica para a concessão de 
benefícios fiscais, tendo a reforma tributária introduzido os princípios 
da simplicidade, da transparência, da justiça tributária, da cooperação 
e da defesa do meio ambiente.
Por fim, apresentamos os mais importantes tributos praticados no Brasil 
e tratamos sobre como a reforma tributária também introduziu novos 
impostos a ser considerados.
65
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
 Exercícios
Questão 1. No município de Içanguintinho, o prefeito criou um imposto para ser pago por todos 
os moradores do local, somente pelo fato de serem moradores. Chamou de Taxa de Moradia Municipal, 
que deverá ser paga anualmente, em conjunto com o IPTU. Ele alega que os valores são necessários para 
manter os gastos do governo municipal e que o projeto foi aprovado pela Câmara Municipal e, portanto, 
tudo está regularizado. Alguns cidadãos foram ao Poder Judiciário para reclamar da cobrança indevida e 
obtiveram liminar em que o magistrado anula a lei aprovada pela Câmara em razão das irregularidades 
existentes. Com isso, o prefeito vai à rádio local e afirma que vai mandar mudar o juiz porque ele não 
entende nada de leis e, ainda por cima, é muito arrogante. Afirma o prefeito que vai providenciar com 
o governador para que ele seja transferido para outro município. Você está ouvindo a entrevista do 
prefeito na rádio e, naquele momento, pensa:
A) O prefeito está certo, é melhor transferir o juiz.
B) O prefeito deveria convencer o juiz de que a Taxa de Moradia é positiva para o município.
C) O prefeito está errado, porque juízes não podem ser removidos sem que manifestem expressa 
concordância.
D) O prefeito está errado, porque o melhor a fazer é demitir o juiz, em vez de transferi‑lo para outro 
município.
E) O prefeito está certo e deve transferir o juiz e proibir que retorne ao município para qualquer 
atividade.
Resposta correta: alternativa C.
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: os prefeitos municipais integram o Poder Executivo municipal e não têm poder legal para 
transferir magistrados, que integram o Poder Judiciário estadual e se submetem às ordens do Tribunal 
de Justiça de seu estado federativo e às do Conselho Nacional de Justiça, órgão federal de controle e 
fiscalização da magistratura.
B) Alternativa incorreta.
Justificativa: magistrados não devem ser convencidos. Eles analisam fatos, provas e argumentos e 
decidem com base na convicção que formam a partir da análise desses elementos.
66
Unidade I
C) Alternativa correta.
Justificativa: os magistrados têm a garantia constitucional da inamovibilidade, que significa que 
um magistrado não poderá ser removido do local em que se encontra trabalhando sem que tenha 
manifestado sua prévia concordância.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: os prefeitos não têm poder para demitir juízes. Essa atribuição é exclusiva dos 
tribunais de justiça de cada estado da federação.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: prefeito não pode transferir o juiz, porque não tem poderes legais para isso, porque a 
Constituição Federal garante ao juiz a inamovibilidade e porque a mesma Constituição garante o direito 
de ir e vir para todos os cidadãos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país. Aliás, o prefeito não 
pode impedir nenhuma pessoa de ingressar no município.
Questão 2. Os moradores da rua Flores do Campo, na cidade de São Paulo, ficaram muito felizes 
com a notícia de que uma estação de transporte por veículo leve sobre trilhos (VLT) vai ser instalada 
naquela rua. Assim, além de contarem com serviços de transporte por ônibus, eles também utilizarão 
esse sistema, que é muito moderno, não poluente e bem mais rápido, já que circula por trilhos e não 
enfrenta congestionamento. O que eles não levaram em consideração é que:
I – A valorização do imóvel vai gerar a obrigação de pagar a contribuição de melhoria, prevista em 
lei federal.
II – A instalação da estação do VLT vai gerar aumento de capacidade contributiva.
III – A taxa da coleta de lixo vai aumentar, porque mais pessoas vão circular pelo local.
É correto o que se afirma em:
A) I, somente.
B) II, somente.
C) III, somente.
D) I e III, somente.
E) II e III, somente.
Resposta correta: alternativa A.
67
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: contribuição de melhoria é um tributo que tem como fato gerador a valorização do 
imóvel do contribuinte, decorrente da realização de uma obra pública. Nesse caso, em razão da obra 
de instalação do VLT naquela rua, os moradores terão que começar a pagar esse tributo.
II – Afirmativa incorreta.
Justificativa: capacidade contributiva é um princípio constitucional que determina que, sempre 
que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica 
do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses 
objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos 
e as atividades econômicas do contribuinte.
III – Afirmativa incorreta.
Justificativa: no Brasil, a taxa de coleta de lixo não é calculada pela quantidade de lixo recolhida em 
cada via pública, mas sim pelo governo municipal e igual para todos os continentes.que simbolizam sua condição de lei no topo do ordenamento jurídico de um país e que não pode ser 
descumprida por ninguém, nem mesmo por outras leis emanadas do próprio Poder Legislativo.
No Brasil, a Constituição Federal é a lei mais importante, e nenhuma outra lei pode colidir com o 
que está disposto na Constituição. Caso isso ocorra, a lei colidente será denominada inconstitucional e 
deverá ser excluída do ordenamento jurídico para não gerar mais nenhum efeito.
11
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Além do Poder Legislativo federal – representado pela Câmara dos Deputados, com representantes 
do povo, os deputados, e pelo Senado Federal, com senadores que representam os estados federativos –, 
temos no Brasil Poderes Legislativos estaduais e municipais, representados pelas assembleias legislativas e 
pelas câmaras municipais. Todos esses órgãos podem emitir leis, mas nenhuma delas poderá se confrontar 
com a Constituição Federal, sob pena de ser classificada como inconstitucional e prontamente afastada 
do ordenamento jurídico.
É a Constituição Federal que estabelece os assuntos para os quais os Poderes Legislativos poderão criar 
leis. Alguns temas são exclusivos do Legislativo federal, como as Leis Trabalhistas e as Leis Penais; outros 
temas são exclusivos do Legislativo municipal, como a organização do trânsito nas cidades; outros, ainda, 
podem ser de competência concorrente, como a fixação de tributos que poderão ser criados no âmbito 
federal, estadual e municipal.
 Saiba mais
Consulte os arts. 22, 23, 24, 25 e 30 da Constituição Federal brasileira e 
conheça mais detalhadamente as competências legislativas da União, dos 
estados, do Distrito Federal e dos municípios.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 
1988. Disponível em: https://x.gd/e5Q3p. Acesso em: 19 ago. 2025.
1.3 Conflito de leis no tempo
Para garantir a harmonia social, as leis devem obedecer a alguns critérios com o objetivo de evitar 
o conflito de normas. Os principais critérios são a irretroatividade da lei e o respeito ao ato jurídico 
perfeito, à coisa julgada e ao direito adquirido.
Irretroatividade da lei significa que nenhuma lei produzirá efeito para situações anteriores a ela, 
somente sendo aplicada a situações que ocorram depois de sua entrada em vigor, que, aliás, nem sempre 
coincide com a data da publicação oficial. É comum que as leis sejam aprovadas, publicadas e entrem 
em vigor apenas um período de tempo depois, o chamado vacatio legis – em tradução literal “vacância 
da lei”, “vazio da lei” –, no qual a lei está aprovada, mas ainda não pode ser aplicada. Esse período é 
determinado exatamente para que a sociedade tenha tempo de se adaptar à nova lei. Enquanto a nova 
lei não entra em vigor, prevalece a aplicação da lei antiga, e somente cumprido o prazo é que entrará 
em vigor a nova lei. Isso aconteceu em 2002 com o Código Civil, que corresponde à Lei n. 10.406/2002, 
cujo art. 2.044 determinava que ela só entraria em vigor um ano após a sua publicação. Durante esse 
período vigorou o Código Civil anterior, que era de 1916. No dia 10 de janeiro de 2003, sem que fosse 
necessária nenhuma outra solenidade ou publicação, entrou em vigor o novo Código Civil, que já havia 
sido aprovado em 2002.
Esse lapso de tempo e a determinação de que a nova lei só seja aplicável para fatos que ocorram 
após sua entrada em vigor são aspectos fundamentais para garantir a segurança jurídica, porque se a lei 
12
Unidade I
pudesse ser aplicada a fatos passados e já decididos pelos tribunais, não haveria harmonia social. A cada 
aprovação de nova lei estaríamos sujeitos a ter que modificar toda nossa vida, inclusive com a perda de 
direitos. Mas isso não ocorre no Brasil.
 Lembrete
Mundialmente, a organização política mais conhecida é a que estrutura 
o Estado em Três Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.
A Constituição Federal, em seu art. 5º, determina:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo‑se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e 
à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a 
coisa julgada (Brasil, 1988).
No mesmo sentido dispõe a LINDB:
Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico 
perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.
§ 1º Reputa‑se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente 
ao tempo em que se efetuou.
§ 2º Consideram‑se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém 
por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo 
pré‑fixo, ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem.
§ 3º Chama‑se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não 
caiba recurso (Brasil, 1942).
Por vezes, a lei entra em vigor na data de sua publicação sem que seja necessário cumprir o período 
de vacatio legis. Mesmo nesses casos, no entanto, não será aplicada a fatos anteriores, somente àqueles 
que vierem a ocorrer após a sua publicação e entrada em vigor.
Os três aspectos a seguir precisam ser bem compreendidos porque são muito importantes: o ato 
jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.
13
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
• Ato jurídico perfeito: é aquele que atende a todas as formalidades legais da época em que foi 
firmado por livre vontade das partes, como acontece, por exemplo, nos contratos de compra e 
venda de imóveis. Se o ato foi praticado com toda a solenidade exigida pela lei, não poderá vir a 
ser impugnado por uma nova lei que altere alguns aspectos da transação. Isso se aplica a todos 
os atos de nossa vida, inclusive casamento, locação, compra de bens móveis, contratação de 
prestação de serviços, entre outros. Formalizado o ato jurídico em conformidade com a lei em 
vigor, nenhuma outra lei poderá anular esse ato, que estará protegido pelo fato de ter sido um ato 
jurídico perfeito à luz das normas então vigentes.
• Direito adquirido: é aquele que já pertence a uma pessoa, seja ele um direito da personalidade 
ou um direito patrimonial. Um exemplo recente é o da mudança da lei de aposentadoria no Brasil. 
Muitas pessoas que já estavam aposentadas, ou que já haviam cumprido as regras e ingressado 
com o pedido de aposentadoria, não perderam esse direito com a entrada em vigor da nova 
norma, porque se tratava de um direito adquirido.
• Coisa julgada: é a decisão judicial para a qual não cabe mais nenhum recurso processual e, 
por isso, não pode mais ser modificada, nem mesmo por uma nova lei que regule a matéria. 
Assim, por exemplo, uma decisão judicial que solucionou um conflito entre uma empresa e um 
banco, determinando que a dívida já estava quitada e que não seria necessário nenhum outro 
pagamento; se uma nova lei for aprovada autorizando a incidência de um custo de administração 
pelo banco nos contratos de financiamento empresarial, essa nova lei não poderá ser aplicada ao 
contrato da empresa com o banco porque ele está regulado por uma decisão judicial transitada 
em julgado, ou seja, para essa situação já não há nenhum outro recurso que possa modificá‑la, 
porque se operaram os reflexos da coisa julgada que tornam a decisão imutável para todos os fins 
e efeitos de direito.
Respeitados esses três princípios, as leis podem ser alteradas, modificadas ou atualizadas sem gerar 
insegurança para os cidadãos e para suas atividades empresariais. Isso é muito importante para que uma 
sociedade se desenvolva em harmonia.
1.4 Territorialidade da lei
O Estado brasileiro tem soberania em seu território para adotar as leis aprovadas pelo Poder 
Legislativo, mas o campo de aplicação dessas leis é o território brasileiro, porque não há autoridade fora 
dos limites de nosso território, na medida em que cada país do mundo adota e cumpre suas próprias leis.
Território é a porção de terra contínua ou não emque uma nação vive, se organiza e determina 
as regras de cumprimento obrigatório para todos. O território compreende o solo, o subsolo, o espaço 
aéreo e as águas fluviais e marítimas. Também compreende as embaixadas, navios e aeronaves.
14
Unidade I
 Observação
Julian Paul Assange, ativista australiano fundador do site WikiLeaks, que 
publica informações de fontes anônimas, em especial documentos secretos de 
governos e de empresas que foram vazados para serem conhecidos do público, 
morou durante sete anos na embaixada do Equador na cidade de Londres, 
Inglaterra, sem poder sair de lá para não ser preso pelas autoridades inglesas. 
Essa história mostra, na prática, como a embaixada é o território de um país, 
ainda que geograficamente instalada em outro sob outra legislação.
Um estrangeiro que viva no Brasil deverá seguir estritamente as normas brasileiras para todos os 
atos de sua vida, inclusive na administração de empresas, compra de bens móveis ou imóveis, casamento 
ou qualquer outro ato que pretenda praticar. No entanto, se for possuidor de bens em outro país, serão 
as normas desse Estado que regerão o regime de propriedade dos bens, sem nenhuma interferência das 
normas brasileiras. Os estrangeiros deverão seguir as leis brasileiras também para envio de dinheiro ao 
exterior, mesmo que seja para sustentar sua família. O dinheiro poderá ser enviado, porém seguindo 
as regras de direito brasileiras.
Também poderão ser aplicadas normas de tratados internacionais dos quais o Brasil tenha se tornado 
signatário. Quase sempre são normas decretadas por organismos internacionais dos quais o Brasil é 
membro, como é o caso da Organização das Nações Unidas (ONU), Organização Mundial da Saúde (OMS), 
Organização Mundial do Comércio (OMC), Mercado Comum do Sul (Mercosul), Tribunal Penal Internacional, 
Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), entre vários outros dos quais o país participa.
Sempre que uma dessas entidades aprova uma lei, ela deverá ser cumprida por todos os membros 
signatários, ou seja, por todos os países que concordam com o cumprimento dela. Muitas vezes, os 
países concordam em cumprir a lei internacional, mas precisam de mais tempo para se adequar, 
ou pretendem implantá‑la por etapas. Isso ficará registrado no documento de assinatura, e o 
órgão internacional acompanhará as etapas de implantação.
Figura 1 – Prédio da ONU em Nova York, estampado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Disponível em: https://x.gd/H0C2M. Acesso em: 19 ago. 2025.
15
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Quando o Brasil se torna signatário de um acordo internacional, os termos do acordo são 
submetidos ao Poder Legislativo federal para que sejam aprovados e comecem a ser obrigatoriamente 
cumpridos por todos.
 Saiba mais
O Brasil ratificou o Estatuto de Roma de 1998, por meio do qual a 
ONU deliberou a criação do Tribunal Penal Internacional, localizado em 
Haia, na Holanda. O Brasil entende que esse tribunal é um avanço na luta 
contra a impunidade pelos crimes de maior gravidade praticados no cenário 
internacional. O Estatuto de Roma foi incorporado à legislação brasileira pelo 
Decreto n. 4.388, de 25 de setembro de 2002. Para saber mais sobre o Tribunal 
Penal Internacional, consulte o site:
Disponível em: https://x.gd/SVBij. Acesso em: 19 ago. 2025.
1.5 Organização judiciária brasileira
O sistema do Poder Judiciário no Brasil está regulado pelo art. 92 e seguintes da Constituição Federal, 
que estabelece que o mais importante tribunal é o Supremo Tribunal Federal (STF), sediado em Brasília, 
e que conta com 11 juízes que são denominados ministros. O STF tem por força de lei a obrigação 
de decidir os conflitos que envolvem a aplicação da Constituição Federal e, por isso, é chamado de 
“guardião da Constituição Federal”. Ele julga recursos interpostos em ações judiciais que tenham tido 
origem em outras instâncias, mas cujo assunto dependa da aplicação de norma constitucional; também 
trata dos casos daqueles que têm a prerrogativa legal de serem julgados pelo STF, como acontece com 
o presidente da República, ministros de Estado, parlamentares, entre outros.
O portal do STF na internet informa que
o Supremo Tribunal Federal é o órgão de cúpula do Poder Judiciário, e a ele 
compete, precipuamente, a guarda da Constituição, conforme definido no 
art. 102 da Constituição da República.
É composto por onze Ministros, todos brasileiros natos (art. 12, § 3º, inc. IV, 
da CF/1988), escolhidos dentre cidadãos com mais de 35 e menos de 70 anos 
de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada (art. 101 da CF/1988), 
e nomeados pelo Presidente da República, após aprovação da escolha pela 
maioria absoluta do Senado Federal (art. 101, parágrafo único, da CF/1988).
Entre suas principais atribuições está a de julgar a ação direta de 
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual, a ação 
declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, a 
16
Unidade I
arguição de descumprimento de preceito fundamental decorrente da própria 
Constituição e a extradição solicitada por Estado estrangeiro.
Na área penal, destaca‑se a competência para julgar, nas infrações penais 
comuns, o Presidente da República, o Vice‑Presidente, os membros do 
Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador‑Geral da 
República, entre outros (art. 102, inc. I, a e b, da CF/1988).
Em grau de recurso, sobressaem‑se as atribuições de julgar, em recurso 
ordinário, o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e 
o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais 
Superiores, se denegatória a decisão, e, em recurso extraordinário, as 
causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida 
contrariar dispositivo da Constituição (Institucional, 2024).
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), outro tribunal federal brasileiro localizado em Brasília, é 
chamado comumente de “tribunal da cidadania”, porque é a ele que os cidadãos comuns se dirigem em 
último grau para solução de conflitos das áreas de direito de família, contratos, relações de consumo, 
propriedade, direito penal, entre tantos outros temas corriqueiros na vida do cidadão.
No portal do STJ lê‑se:
Criado pela Constituição Federal de 1988, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) 
é a corte responsável por uniformizar a interpretação da lei federal em todo o 
Brasil. É de sua responsabilidade a solução definitiva dos casos civis e criminais 
que não envolvam matéria constitucional nem a justiça especializada.
[...] O STJ é composto por 33 ministros. Eles são escolhidos e nomeados 
pelo Presidente da República, a partir de lista tríplice formulada pelo 
próprio tribunal. O indicado passa ainda por sabatina do Senado Federal 
antes da nomeação.
A Constituição prevê que os ministros tenham origem diversificada: um 
terço deve ser escolhido entre desembargadores federais, um terço entre 
desembargadores de justiça e, por fim, um terço entre advogados e membros 
do Ministério Público (Institucional, [s.d.]).
Para os conflitos na área de direito do trabalho existe o Tribunal Superior do Trabalho (TST), composto 
por 27 ministros, aos quais incumbe a decisão final sobre a aplicação do direito do trabalho no plano 
coletivo e individual. Esse órgão julga em última instância no Brasil os processos coletivos e individuais 
que versam sobre relações trabalhistas.
17
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Segundo o art. 111‑A da CF:
O Tribunal Superior do Trabalho compõe‑se de vinte e sete Ministros, 
escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de setenta 
anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo 
Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado 
Federal, sendo: (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 122, de 2022)
I ‑ um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade 
profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez 
anos de efetivo exercício,observado o disposto no art. 94;
III ‑ os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos 
da magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior 
(Brasil, 1988).
No site do TST, temos que
o Tribunal Superior do Trabalho (TST), com sede em Brasília‑DF e jurisdição 
em todo o território nacional, é órgão de cúpula da Justiça do Trabalho, nos 
termos do artigo 111, inciso I, da Constituição da República, cuja função 
precípua consiste em uniformizar a jurisprudência trabalhista brasileira.
Nos processos de sua competência, o TST é dividido em turmas e seções 
especializadas para a conciliação e julgamento de dissídios coletivos de 
natureza econômica ou jurídica e de dissídios individuais (Sobre [...], [s.d.]).
A capital federal brasileira sedia, ainda, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem a incumbência 
de julgar todos os conflitos que envolvem eleições no país, em qualquer nível – federal, estadual  e 
municipal –, no sentido de que sempre esteja garantida a regularidade dos partidos, dos candidatos 
e das próprias eleições. O site do TSE informa:
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão máximo da Justiça Eleitoral, exerce 
papel fundamental na construção e no exercício da democracia brasileira. 
Suas principais competências estão fixadas pela Constituição Federal e pelo 
Código Eleitoral (Lei n. 4.737, de 15.7.1965).
O TSE tem ação conjunta com os tribunais regionais eleitorais (TREs), que 
são os responsáveis diretos pela administração do processo eleitoral nos 
estados e nos municípios.
A Corte é composta por sete ministros: três são originários do Supremo 
Tribunal Federal, dois do Superior Tribunal de Justiça e dois representantes 
da classe dos juristas – advogados com notável saber jurídico e idoneidade.
18
Unidade I
Cada ministro é eleito para um biênio, sendo proibida a recondução após 
dois biênios consecutivos. A rotatividade dos juízes no âmbito da Justiça 
Eleitoral objetiva manter o caráter apolítico dos tribunais, de modo a garantir 
a isonomia nas eleições (O TSE, [s.d.]).
O último tribunal superior em Brasília é o Superior Tribunal Militar (STM), composto por 15 ministros 
e que tem como principal competência o julgamento de conflitos no âmbito das forças armadas.
 Saiba mais
Para mais informações sobre o STM, consulte a página da instituição.
Disponível em: https://x.gd/yFveK. Acesso em: 19 ago. 2025.
No âmbito de cada unidade da federação brasileira temos juízes civis e criminais, e tribunais de justiça 
para causas civis, empresariais e de consumo. Para a solução dos conflitos de direito do trabalho, temos 
varas trabalhistas e tribunais regionais do trabalho (TRTs); e para os conflitos que envolvem matéria 
federal, como alguns da área de direito tributário, temos justiça federal e tribunais regionais federais.
O Brasil possui 24 TRTs, que abrangem as seguintes regiões: Rio de Janeiro, São Paulo (2), Minas 
Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará, Amapá, Paraná, Distrito Federal, Tocantins, 
Roraima, Amazonas, Santa Catarina, Paraíba, Acre, Rondônia, Maranhão, Espírito Santo, Goiás, Alagoas, 
Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O país tem ainda cinco Tribunais 
Regionais Federais, com sede em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Recife. Além desses 
tribunais federais e regionais, cada estado da federação brasileira possui magistrados em comarcas e 
também seus Tribunais de Justiça.
Comarca é uma extensão territorial sobre a qual um juiz de primeira instância, ou de primeiro 
grau, exerce sua atividade jurisdicional. Em outras palavras, é uma porção territorial que está sob 
responsabilidade de um magistrado que será a única autoridade judicial a poder aplicar o direito ali. Por 
vezes, a comarca possui uma única cidade e, às vezes, engloba várias cidades que responderão para o 
mesmo magistrado. Cidades mais populosas são comarcas com vários juízes que, às vezes, atuam em áreas 
separadas, como direito civil, direito penal, direito de família e sucessões, direito empresarial e outras.
Essa organização é definida pelo Tribunal de Justiça de cada estado federativo por meio de seu 
código de organização judiciária. Assim, temos magistrados federais ou estaduais, mas não há previsão 
constitucional para justiça municipal.
19
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
1.6 A atividade dos magistrados e sua proteção
Os magistrados brasileiros de qualquer instância, juízo ou tribunal estão garantidos pela Constituição 
Federal em relação a três questões muito relevantes, em conformidade com o disposto no art. 95, 
incisos I, II e III, assim redigidos:
Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias:
I – vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos 
de exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação 
do tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença 
judicial transitada em julgado;
II – inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma do 
art. 93, VIII;
III – irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, 
§ 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I (Redação dada pela Emenda Constitucional 
n. 19, de 1998) (Brasil, 1988).
As três garantias se destinam a assegurar que os magistrados brasileiros no desempenho de suas 
atividades possam agir com independência e imparcialidade, sem temer nenhuma retaliação em 
decorrência de suas decisões, seja das próprias partes, seja dos governantes. Assim, o juiz tem garantida 
a vitaliciedade, que significa que o magistrado não perderá seu cargo em razão das decisões que adotar. 
Somente poderá perder o cargo de magistrado após sentença judicial transitada em julgado em processo 
no qual tenha tido a garantia da ampla defesa e de contrariar todos os fatos e argumentos apresentados 
contra ele (princípio do contraditório, garantido pela Constituição Federal).
Ensina Ronnie Herbert Barros Soares (2018) que
os magistrados de carreira, assim compreendidos os que ingressam no 
Poder Judiciário por meio do concurso público, após submeterem‑se a um 
estágio probatório de dois anos, em que são avaliados e orientados pelas 
Corregedorias de Justiça, Escolas de Magistratura e Administração dos 
Tribunais, sem que tenham enfrentado problemas de ordem profissional ou 
pessoal que afetem o exercício do cargo, são declarados vitalícios, o que 
significa que somente podem ser demitidos, só perdem o cargo, por decisão 
judicial transitada em julgado (art. 95, I, da CF).
O magistrado, após tomar posse como juiz substituto, está sujeito à confirmação no cargo e, enquanto 
não vitalício, pode ser desligado da magistratura por decisão administrativa do Tribunal ou do Conselho 
Nacional de Justiça (CNJ). Ao contrário do que comumente se afirma nos meios de comunicação, o 
magistrado pode ser demitido por infração disciplinar. Em se tratando de juiz não vitalício, a decisão 
pode ser proferida em processo administrativo. Para o magistrado vitalício, a perda do cargo depende de 
decisão judicial transitada em julgado, proferida em ação proposta para a perda do cargo.
20
Unidade I
Como ressalta Olavo de Oliveira Neto (apud Soares, 2018), essa garantia constitucional busca assegurar 
a independência funcional do magistrado, a fim de impedir que “venha a perder o cargo por proferir uma 
decisão contrária aos interesses de pessoas que poderiam, inexistente tal garantia, por meios políticos, 
forçar a sua demissão”. Sem a garantia da vitaliciedade, um magistrado que desagradasse lideranças 
políticas com suas decisões poderia ser demitido sumariamente sem que pudesse se defender. No Brasil 
contemporâneo, em que tantas decisões difíceis têm sido tomadas pelos magistrados, inclusive levando 
à prisão importantes figuras do mundo político e empresarial, é fácil compreender a importância da 
garantia da vitaliciedade.
Os magistrados têm, ainda, a garantia da inamovibilidade, que significa que um magistrado não 
poderá ser removidodo local em que se encontra trabalhando sem que tenha manifestado sua prévia 
concordância. Claro que existem hipóteses de remoção do magistrado de uma comarca para outra por 
razões de comprovado interesse público. Mas, em geral, a remoção do magistrado de um lugar para 
outro somente pode ser realizada com a concordância deste, para impedir a transferência arbitrária 
como vingança em decorrência de uma decisão tomada pelo magistrado.
Imaginemos que um juiz de uma comarca instalada em cidade grande provida de todos os recursos 
seja removido para uma pequena cidade do interior, muito distante da capital, simplesmente porque 
tomou uma decisão judicial que contrariou políticos locais. Essa possibilidade colocaria o magistrado em 
uma vida tormentosa, sempre à mercê daqueles que estivessem contrários às suas decisões. A lei prevê 
a hipótese de o magistrado recusar uma promoção se, por acaso, perceber que ela está sendo concedida 
apenas para disfarçar o interesse de removê‑lo da comarca em que ele está trabalhando e na qual, com 
certeza, está tomando decisões que contrariam o poder político ou econômico.
Agora, imaginemos que um magistrado de uma pequena cidade do interior do país julga um caso em 
que o Ministério Público tenta impedir grave dano ambiental a ser causado pela instalação de uma usina 
hidrelétrica que vai derrubar área de preservação. O juiz analisa o caso, as provas produzidas e, ao final, 
impede a instalação da hidrelétrica, contrariando um poderoso grupo econômico que apoia o prefeito.
Em seguida, o juiz recebe a informação de que será removido da comarca por promoção para a 
capital, e o grupo econômico aprova um novo projeto de construção de hidrelétrica, dessa vez alguns 
quilômetros acima do projeto inicialmente apresentado para aprovação. Essa hipótese pode ocorrer 
muitas vezes em um país de grandes dimensões como o Brasil, e é fundamental que os magistrados 
tenham garantia de que não sofrerão consequências negativas em razão de suas decisões.
Os magistrados possuem ainda garantia de irredutibilidade de vencimentos, ou seja, nenhum juiz 
sofrerá redução de seu salário como forma de inibir sua independência, ou como vingança contra 
atos praticados. Os magistrados estão sujeitos a descontos em seu salário como todos os demais 
trabalhadores,  em especial de Imposto de Renda (IR) e contribuição previdenciária, porém essas são 
hipóteses previstas em lei e aplicáveis a todos os trabalhadores.
Por outro lado, os juízes estão proibidos de exercer outras atividades além da magistratura por força do 
que determina a Constituição Federal, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, os Regimentos Internos 
dos Tribunais e as normas do CNJ. Assim, além da atividade como magistrado, eles só podem exercer o 
21
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
magistério, ou seja, podem ser professores, mas não podem exercer atividade empresarial, embora possam 
ser sócios ou acionistas de empresas. A vedação está restrita ao exercício de atividade administrativa 
ou gerencial à frente da empresa, o que, certamente, é incompatível com o exercício da magistratura.
É vedado aos magistrados, também, receber auxílio ou contribuições de pessoas físicas ou jurídicas 
ou, ainda, de custas processuais recolhidas pelas partes no processo. Quando se aposentam da atividade 
judicial, deverão cumprir um período de três anos para que possam exercer a advocacia perante o 
tribunal no qual trabalhavam, como garantia da transparência e da integridade ética.
Os magistrados são proibidos por lei de se manifestarem por qualquer meio de comunicação sobre 
processos que estejam julgando, ou sobre processos sob responsabilidade de qualquer outro magistrado. 
Somente poderão se manifestar em caráter científico ou acadêmico, numa aula, palestra ou artigo 
científico. Fora dessas possibilidades, as manifestações estão vedadas, em especial aquelas concedidas à 
imprensa. Por fim, é vedado aos magistrados exercer atividade político‑partidária, porque isso também 
é incompatível com as exigências que o cargo impõe.
2 REGRAS FUNDAMENTAIS DOS PROCESSOS JUDICIAIS NO BRASIL
Na vida cotidiana das empresas e de seus administradores, não é incomum que alguns conflitos sejam 
levados para solução judicial, razão pela qual os setores jurídicos internos ou externos das empresas são 
importantes para assessorar a tomada de decisões tanto no processo judicial como para evitar que eles 
aconteçam. Os consultores jurídicos e advogados são essenciais para a vida empresarial, mas isso não 
significa que os administradores não devam possuir noções sobre processo judicial, de forma a atuar em 
colaboração com o setor jurídico e para que suas decisões sejam mais bem fundamentadas.
Desse modo, trataremos agora dos processos judiciais em geral, que, como sabemos, podem ser 
para solução de conflitos de várias áreas diferentes do direito. As mais comuns na vida empresarial se 
relacionam a contratos, relações trabalhistas, recolhimento de tributos, danos ambientais, obrigações 
de pagamento, entre outros semelhantes.
Os elementos fundamentais para um processo judicial são: a petição inicial, a contestação, as provas, 
as decisões judiciais e o trânsito em julgado. Vamos conhecer esses elementos dos processos judiciais, 
mas antes vamos saber quais são os princípios que deverão ser obrigatoriamente obedecidos.
Na definição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2008, p. 747):
Princípio [...] é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro 
alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas 
compondo‑lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão 
e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalização do sistema 
normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. É o 
conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes 
partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico 
positivo. [...] A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um 
22
Unidade I
específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a 
mais grave forma de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, conforme o 
escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo 
o sistema, subversão de seus valores fundamentais, contumélia irremissível 
a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra. Isto porque, 
com ofendê‑lo, abatem‑se as vigas que os sustêm e alui‑se toda a estrutura 
nelas esforçada.
Para Miguel Reale (1986, p. 60):
Princípios são, pois, verdades ou juízos fundamentais, que servem de 
alicerce ou de garantia de certeza a um conjunto de juízos, ordenados em 
um sistema de conceitos relativos à dada porção da realidade. Às vezes 
também se denominam princípios certas proposições, que apesar de 
não serem evidentes ou resultantes de evidências, são assumidas como 
fundantes da validez de um sistema particular de conhecimentos, como seus 
pressupostos necessários.
As duas definições, proferidas por importantes estudiosos de Direito, nos permitem compreender 
a importância dos princípios jurídicos e, muito em especial, a importância dos princípios constitucionais, 
que são aqueles que emanam da lei fundamental do país. Existem princípios para as diversas áreas do 
direito, mas são os princípios constitucionais que possuem maior relevância, na medida em que criam 
parâmetros que deverão, obrigatoriamente, ser obedecidos por todas as demais áreas.
A respeito dos princípios constitucionais, o professor de Direito e ex‑ministro do STF Luís Roberto 
Barroso (1999, p. 147) afirma:
são o conjunto de normas que espelham a ideologia da Constituição, seus 
postulados básicos e seus fins. Dito de forma sumária, os princípios 
constitucionais são as normas eleitas pelo constituinte como fundamentos 
ou qualificações essenciais da ordem jurídica que institui.
Princípios são, portanto, a base que fundamenta uma determinada área do direito, e devem ser 
obedecidos da mesma forma que a lei, sob pena de sofrersanção legal aquele que deixe de cumprir o 
que os princípios determinam.
A seguir, verifiquemos os princípios processuais constitucionais.
Devido processo legal
Determinado pelo art. 5º, inciso LIV, da Constituição Federal, o cumprimento desse princípio 
é que garante que sejam respeitadas pelos magistrados e pelas partes todas as garantias processuais 
que tenham por objetivo garantir uma sentença justa e célere.
23
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Isonomia
O art. 5º, caput e I, da Constituição Federal garante que as partes recebam tratamento igualitário 
para o exercício de todos os seus direitos processuais. Ninguém será impedido de ingressar em juízo para 
defender seus direitos por qualquer razão, inclusive de caráter econômico. Para esses casos, ou seja, 
quando a parte precisar exercer direitos em juízo e não tiver condições econômicas para custear 
advogado ou pagar os custos do processo, o Estado terá obrigação de fornecer um advogado e isentar 
a parte da obrigação de pagar custas processuais. Claro que a parte terá que provar que não tem 
condições econômicas, mas trata‑se de prova simples que não causa maior ônus para ninguém. Durante 
o processo, as partes terão as mesmas oportunidades de manifestação, de forma a garantir a igualdade 
de tratamento.
Contraditório
Está previsto também no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, e significa a exigência de que 
o juiz dê ciência ao réu da existência do processo e às partes (autor e réu) de todos os atos praticados 
no processo. As partes têm direito a ter ciência dos atos praticados no processo para que possam se 
manifestar, apresentar suas provas e argumentos. É em decorrência do princípio do contraditório que as 
partes recebem citações e intimações durante o processo judicial e têm que se manifestar representadas 
por seus advogados ou diretamente, quando são chamadas, por exemplo, para prestar depoimento. 
Contraditório significa, na prática, que a cada manifestação de uma parte processual a outra terá direito 
de se manifestar, até que se encerre essa fase de coleta de provas e argumentos e o juiz tenha elementos 
para poder decidir o conflito e apresentar os fundamentos de sua decisão.
Algumas vezes, em caráter de exceção decorrente da necessidade de imediatez do caso, o juiz poderá 
tomar decisões sem ouvir a outra parte. Essas são as chamadas tutelas de urgência reguladas pelo 
Código de Processo Civil (CPC) brasileiro, que determina:
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos 
que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao 
resultado útil do processo.
§ 1º Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, 
exigir caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a 
outra parte possa vir a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte 
economicamente hipossuficiente não puder oferecê‑la.
§ 2º A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após 
justificação prévia.
§ 3º A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando 
houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão (Brasil, 2015b).
24
Unidade I
Para conceder a tutela de urgência, o magistrado deverá ter elementos que evidenciem a probabilidade 
do direito e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo. E mesmo assim, por vezes, poderá 
ocorrer uma audiência de justificação prévia, quando a parte requerente da liminar é chamada para 
apresentar provas que corroborem suas alegações e os documentos já apresentados. Isso significa que o 
magistrado quer ter muita convicção antes de decidir, porque ainda não houve oportunidade processual 
de defesa para a outra parte.
As tutelas de urgência são muito comuns em conflitos para embargos de obra de engenharia civil, ou 
para concessão de tratamento médico ou hospitalar quando o Estado ou a operadora de saúde negam 
o pedido ao usuário. Nessas hipóteses, entre outras, é usual que as partes ingressem com pedido de 
concessão de tutela, dada a emergência do assunto a ser decidido e os graves prejuízos que poderão 
advir da demora na decisão.
Inafastabilidade do controle jurisdicional
Previsto no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal, significa que nenhuma lei no país poderá 
excluir da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão ou ameaça de direito. Em outras palavras, esse 
artigo da Constituição Federal brasileira garante acesso à justiça a todos os brasileiros e estrangeiros 
residentes no país, de modo que possam ir ao Poder Judiciário para solucionar seus problemas.
Em muitos casos, a justiça poderá decidir que a parte não tem direito de pedir aquela solução, 
exatamente porque o direito não a socorre, não lhe garante a possibilidade daquele pedido. É o 
que acontecerá, por exemplo, se alguém ingressar com uma ação judicial alegando que não quer pagar 
as prestações a que se comprometeu em razão do contrato de financiamento do carro porque está 
cansado, não quer mais trabalhar e, por isso, não quer mais ter a responsabilidade de pagar as prestações. 
Não há direito que fundamente esse pedido, porque a lei determina que todos aqueles que assumirem 
obrigações devem cumpri‑las, no tempo e no modo combinados no contrato ou no instrumento jurídico 
que representa a obrigação legal assumida. Nesse caso, o magistrado não poderá deixar a ação judicial 
seguir e deverá determinar seu imediato arquivamento, porque não há legítimo interesse de agir, não 
há direito a ser protegido.
Imparcialidade do juiz
Pelo art. 5º, incisos XXXVIII e LIII, da Constituição Federal, as partes não poderão escolher o juiz 
que vai decidir o conflito. Ele deverá pertencer a um tribunal que já existia anteriormente ao caso 
concreto, organizado em conformidade com a Constituição Federal e com as leis próprias de organização 
judicial. O juiz é funcionário do Estado e serve a esse Estado de forma imparcial em relação às partes, 
sem nenhum privilégio ou favorecimento, uma vez que poderá ser responsabilizado por atos dessa 
natureza, inclusive condenado a indenizar aqueles que tiverem sido prejudicados e sofrer a punição de 
ser exonerado do cargo por não cumprir determinações legais pertinentes.
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DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Publicidade dos atos judiciais
Está prevista no art. 5º, inciso LX, da Constituição Federal. Todos os atos praticados em um processo judicial 
são publicados no Diário Oficial do Estado ou da União, a depender do âmbito em que tramita o processo, 
se em esfera estadual ou federal. Os Diários Oficiais na atualidade são eletrônicos, acessíveis a todos, 
e a publicidade dos atos é a garantia de que a sociedade possa fiscalizar os atos praticados pelos 
magistrados no processo judicial para inibir qualquer prática ilegal ou imoral.
A publicidade também permite que a sociedade conheça as partes litigantes e a razão pela qual 
litigam, o que sempre é positivo como cumprimento do direito de informação que todo cidadão possui. 
Como toda regra, a publicidade do processo judicial também comporta exceções e poderá ser restringida 
quando se tornar negativa para as partes envolvidas no processo. Nesses casos, será aplicada o chamado 
segredo de justiça, em que se ocultam os nomes das partes no processo judicial, embora se publiquem 
os atos praticados.
O segredo de justiça é quase sempre aplicado nos casos de direito de família em que a divulgação 
do nome das partes será prejudicial a elas próprias, porque os fatos tratados são referentes ao núcleo de 
intimidade das pessoas e deverão ser protegidos na esfera da privacidade, à qual todos temos direito. 
De fato, um processo judicial de separação litigiosa por motivo de agressão física entre os cônjuges deve 
ser julgado com respeito à privacidade das partes, para que não fiquem expostas além do estritamente 
necessário. Mas, ainda nesses casos, serão publicados os atos judiciais praticados, embora os nomes das 
partes fiquem ocultados por siglas.
Duplo grau de jurisdição
Embora não haja expressa previsão constitucionalpara o duplo grau de jurisdição, ele é decorrência 
da própria organização judicial brasileira prevista na Constituição Federal, que viabilizou a existência de 
vários tribunais. O direito de recorrer a um tribunal superior é muito importante porque dá a garantia 
de que as decisões dos juízes singulares serão revistas por um colegiado, composto por magistrados 
mais experientes e que poderão corrigir eventuais equívocos praticados na primeira decisão.
Muito embora haja uma crítica quanto ao grande número de recursos que podem ser interpostos 
pelas partes após a decisão e o argumento de que eles atrasariam o efetivo cumprimento da decisão 
judicial, que, não raro, quando é cumprida já se passaram tantos anos que ela sequer cumpre seu 
papel, a realidade é que a existência de recursos é uma exigência da vida no Estado democrático de 
direito. Todos os cidadãos têm direito de ver a decisão judicial, principalmente aquelas proferidas por um 
juiz singular, conhecida e revista por um colegiado de três magistrados (como acontece nos Tribunais 
de Justiça de cada estado da federação), ou de número maior, como acontece nas Turmas dos 
Tribunais Superiores, para ter certeza de que a decisão está correta, bem fundamentada, que as provas 
apresentadas foram analisadas com rigor e, portanto, a decisão simboliza a aplicação da justiça.
Sabedor de que sua decisão será analisada por um órgão superior, o magistrado fica imbuído de 
ainda maior cautela, cuidado e rigor na avaliação das provas e na interpretação da lei para aplicá‑la ao 
caso concreto. Isso é positivo para a vida em sociedade e torna mais confiáveis as decisões proferidas.
26
Unidade I
Princípio da razoável duração do processo
Está previsto no art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal. Esse princípio é uma diretriz para todos 
os Poderes da República. Para os legisladores, é um aviso para que editem leis de fácil compreensão, 
que não criem interpretações divergentes. Para os administradores, um sinal de que devem propiciar 
aos órgãos do Poder Judiciário todas as condições necessárias para que o trabalho flua sem problemas. 
E, para o próprio Judiciário, o princípio é a exigência de trabalho célere, diligente, cuidadoso, porém ágil, 
de forma que os jurisdicionados – que são os cidadãos brasileiros e os estrangeiros residentes no país – 
recebam sempre a melhor solução da justiça (no sentido de tecnicamente perfeita), no menor tempo 
entre o início e o final do processo.
O CPC, Lei n. 13.105/2015, em seu art. 1.048, prevê situações para as quais as partes terão prioridade 
na tramitação de seus processos, perante qualquer juízo ou tribunal. São os casos em que figure: 
• como parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior a 60 anos, ou que seja portadora 
de doença grave;
• como parte crianças ou adolescentes;
• como parte vítima de violência doméstica e familiar, nos termos da Lei n. 11.340/2006, denominada 
comumente como Lei Maria da Penha;
• ou, ainda, “em que se discuta a aplicação do disposto nas normas gerais de licitação e contratação a 
que se refere o inciso XXVII do caput do art. 22 da Constituição Federal. (Incluído pela Lei n. 14.133, 
de 2021)”.
Evidentemente que no Brasil contemporâneo, por inúmeras razões, estamos muito longe de cumprir 
o princípio da razoável duração do processo. Você com certeza conhece um processo judicial que se 
arrasta há muitos anos sem decisão final, ou já viu notícias a esse respeito e, portanto, conhece os 
prejuízos que as partes sofrem quando a decisão não é proferida no tempo correto.
Imagine a situação da viúva que fica por 10 anos aguardando a decisão da ação movida contra o 
empregador do marido falecido, que não fornecia os equipamentos de proteção individual adequados 
e, em consequência, um acidente de trabalho custou a vida do esposo, pai de seus filhos pequenos. 
Como custear a manutenção de filhos e a sua própria quando não se tem mais os recursos do salário do 
esposo, e ainda é preciso esperar pela decisão judicial que vai definir o dever de indenizar, o valor a ser 
indenizado e a forma como a indenização será paga? Esperar 10 anos ou mais por uma decisão dessa é 
uma situação profundamente injusta.
Em outro exemplo que podemos utilizar para nossas reflexões, imagine uma indústria que foi multada 
por não recolher um determinado tributo que ela entende que não precisa ser recolhido, porque a 
hipótese de incidência tributária não está suficientemente clara. A empresa ficará com seus recursos 
econômicos comprometidos durante anos até que a decisão judicial definitiva decida que o tributo 
não é devido e, portanto, os valores pagos, inclusive a título de multa, deverão ser restituídos com 
27
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
juros e correção monetária. É, sem dúvida, uma hipótese comum na vida das empresas e sempre 
bastante prejudicial, porque aqueles recursos poderiam ter sido utilizados em muitas outras atividades, 
inclusive de expansão e modernização da empresa. Não é difícil encontrarmos casos reais de empresas 
que sucumbiram e fecharam suas portas por falta de decisões judiciais mais rápidas.
Por outro lado, é imprescindível que as partes litigantes no processo judicial tenham o direito de 
obter uma outra decisão além daquela primeiramente proferida, de forma que eventuais erros técnicos 
de aplicação da lei, de análise da prova ou de interpretação da lei possam ser corrigidos e, desse modo, 
que a justiça seja efetivamente aplicada.
A equação é difícil de ser solucionada, mas os esforços conjuntos dos poderes da República e da 
sociedade brasileira certamente nos conduzirão ao aprimoramento das práticas processuais judiciais 
com o objetivo de que tenhamos direito ao duplo grau de jurisdição, sem perder de vista a necessidade 
da celeridade do processo judicial.
2.1 Processos judiciais no Brasil
O Brasil vive há pelo menos 20 anos um fenômeno denominado judicialização das relações sociais. 
Consiste em dar preferência a soluções judiciais para os conflitos em vez de procurar outras formas de 
negociação que permitiriam soluções mais céleres e, por vezes, menos traumáticas do que a decisão judicial.
Há um enorme desgaste material e emocional com demandas judiciais, tanto para pessoas naturais 
como para pessoas jurídicas. Gastos com advogados e custas processuais, organização de documentos 
para serem utilizados como prova, busca de testemunhas que possam provar os fatos, comparecimento 
em audiências e encontro forçado com a parte contra a qual se litiga, dificuldade de o magistrado 
compreender detalhadamente a situação porque são muitos processos e ele nem sempre tem o 
tempo necessário para ler minuciosamente, todos esses são momentos difíceis para quem processa 
judicialmente ou é processado.
Existem outras formas de solucionar conflitos além dos processos judiciais e, quase sempre, elas são 
mais indicadas, porém ainda não estão suficientemente introduzidas na vida cotidiana dos brasileiros 
para quem, quando surge o conflito, prefere utilizar as ações judiciais.
Assim, não será improvável que um administrador de empresas no Brasil tenha que dedicar parte de 
seu tempo para organizar a atuação de sua empresa no Poder Judiciário, seja para se defender em um 
processo movido contra ela, seja para ela própria iniciar ação judicial contra outra pessoa jurídica ou 
natural. Os conflitos mais comuns são aqueles que envolvem questões trabalhistas, contratuais, tributárias 
e de cumprimento de obrigações assumidas – entrega de produtos, prazo, preço fixado, modelo –, entre 
outras. Por isso, é importante que o administrador de empresas conheça os fundamentos essenciais do 
desenrolar de um processo judicial, para que possa organizar e planejar atividades quando estiver às 
voltas com um conflito que se desenvolve no Poder Judiciário.
Por exemplo, uma empresa que pactua um contrato de entrega de matéria‑prima que não é 
cumprido incorre em prejuízos porque há necessidade de comprar novamente de outro fornecedor, com 
custo mais alto. Cobrada,a empresa fornecedora se nega a pagar e é necessário ingressar com uma 
28
Unidade I
ação judicial. O advogado da empresa é chamado para isso e solicita documentos e indicação do nome 
de testemunhas para elaborar a petição inicial. Depois dessa etapa, o administrador terá que planejar 
próximas compras e recursos destinados a isso e poderá se perguntar: em quanto tempo poderemos ter 
de volta esses recursos econômicos? Quando poderemos contar novamente com esses valores no caixa 
e dar a ele destinação útil para o planejamento da empresa? Essas e outras perguntas são comumente 
formuladas aos advogados empresariais.
Assim, é importante compreender as diferentes etapas de um processo judicial para avaliar o tempo 
necessário para a solução definitiva do conflito. Além disso, conhecer as diferentes etapas de um 
processo judicial auxilia na tomada de decisões sobre mover ou não uma demanda judicial. Por vezes, 
por maiores que sejam as provas documentais, técnicas e testemunhais, e os percentuais de chance 
de êxito no processo judicial, é melhor não mover a ação e solucionar o conflito por mediação ou 
conciliação, ou até por arbitragem, que teoricamente é mais cara que as outras duas modalidades, do 
que custear uma demanda judicial que poderá demorar muitos anos e implicar altos custos até que 
venha a solução definitiva.
Um roteiro simples de uma ação judicial de natureza civil – e não penal, porque então o roteiro pode 
ser outro – tem as seguintes etapas:
Petição inicial
Citação
Contestação
Produção 
de provas
Decisão de 
primeira 
instância
Interposição 
de recurso
Resposta 
às razões 
de recurso
Decisão de 
segunda 
instância
Excução 
da sentença
Figura 2
29
DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Considerando as etapas apresentadas, analisaremos algumas delas a seguir.
Petição inicial
É o documento escrito e assinado pelo advogado que narra os fatos conflituosos e fundamenta os 
direitos da parte que ingressa com o pedido com base na lei. Na área de direito civil, em que estão 
os direitos das pessoas naturais ou jurídicas, a parte que ingressa com a ação é chamada de autor, 
demandante ou requerente. A parte contra quem se propõe a ação judicial é chamada de requerido 
ou demandado. A palavra réu é utilizada usualmente para o direito penal, embora não seja incorreto 
utilizá‑la no âmbito do direito civil, empresarial ou tributário. Na área do direito do trabalho, a parte que 
propõe a ação judicial é chamada de reclamante, e a parte contra quem se propõe a ação é chamada 
de reclamado.
A petição inicial, em conformidade com o que determina o art. 319 do CPC, deverá indicar:
Petição inicial
Juízo a que 
é dirigida
Fatos e 
fundamentos 
do pedido
Provas que o 
autor pretende 
produzir
Pedido 
com suas 
especificações
Valor da causa
Qualificação 
detalhada do 
requerente e 
do requerido
Opção 
ou não por 
audiência 
de conciliação
Figura 3
Alguns esclarecimentos necessários:
• Juízo a que é dirigida não significa que a parte possa escolher o juiz, porque já vimos que isso é 
vedado pela legislação brasileira. Dirigir a petição ao juiz significa escolher apenas: (i) a área da 
justiça (civil, penal ou trabalhista); e (ii) a comarca na qual a ação judicial vai ser distribuída, que, 
quase sempre, é a comarca do domicílio do requerente.
• A qualificação das partes deve ser a mais completa possível com referência a nome, prenome, 
estado civil, existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de 
Pessoa Física ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, o endereço eletrônico, o domicílio e a 
residência do autor e do réu.
• Os fatos e fundamentos jurídicos do pedido devem ser detalhados, completos, minuciosos e, 
principalmente, alicerçados na lei, em decisões judiciais anteriores – jurisprudência – ou em 
instrumentos válidos, como contratos, títulos de crédito e outros aos quais a lei reconhece a 
capacidade de gerar direitos e obrigações.
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Unidade I
• Pedido com as suas especificações significa que ele deve ser certo, conforme determina o art. 322 
do CPC, e nele devem ser incluídos o principal, a incidência de juros legais e de correção monetária 
e as verbas de sucumbência, em especial os honorários advocatícios. Verba de sucumbência é o 
valor a ser pago pela parte que perde a ação judicial para o advogado da parte que ganha. É um 
percentual arbitrado pelo juiz entre 10% e 20% do valor dado à causa que, quase sempre, é o valor 
do pedido. Assim, em uma ação de cobrança no valor de R$ 200.000,00, a parte que perder deverá 
pagar esse valor acrescido de juros legais e correção monetária, de custas do processo e da verba 
honorária de sucumbência que o juiz arbitrar. Esse valor de verba de sucumbência é diferente do 
valor que a parte paga ao advogado para que trabalhe para ela. A parte contrata seu advogado e 
paga a ele um valor combinado entre eles para que seja proposta a ação judicial ou apresentada a 
defesa. Esse valor remunera o trabalho do advogado e a verba de sucumbência remunera o êxito 
que ele propiciou à parte, ou seja, remunera a vitória que o advogado teve.
• Valor da causa quase sempre é o valor atribuído ao direito pleiteado na ação judicial. Por 
exemplo, em uma ação de cobrança no valor de R$ 200.000,00, o valor da causa será o mesmo 
do valor do pedido. Para ações judiciais em que o pedido seja de prestação continuada, como no 
caso do dever de alimentos dos pais para os filhos, será calculado como o valor equivalente a 
12 prestações mensais.
• As provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados deverão ser 
especificadas, ou seja, se serão produzidas provas documentais, testemunhais ou provas técnicas 
como a perícia, por exemplo. As provas documentais devem acompanhar a petição inicial, todos 
os documentos que comprovam os fatos e o direito devem ser apresentados no mesmo momento 
da petição inicial, sob pena de o autor não poder mais apresentá‑los. O mesmo se dá para os 
documentos da defesa, que devem ser apresentados no momento da juntada ao processo da 
contestação, sobre a qual falaremos mais à frente.
• A opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação é uma 
novidade implementada pelo CPC de 2015, que substituiu o anterior, de 1973. Um dos objetivos 
do chamado novo CPC é tornar as oportunidades de conciliação mais simples, e, para cumprir 
esse objetivo, a parte deverá indicar logo no primeiro ato processual que pratica, a petição inicial, 
se concorda que seja agendada uma audiência de tentativa de conciliação para que as partes 
possam dialogar sobre um acordo que coloque fim à demanda. É sempre positivo concordar com 
a tentativa de conciliação porque ela será realizada em juízo, ou seja, por um representante do 
Poder Judiciário. Isso significa que não se trata de perda de tempo, mas de excelente oportunidade 
para colocar fim rapidamente ao conflito.
Recebida a petição inicial, o Poder Judiciário determinará que a parte contrária seja citada para 
apresentar sua defesa. Em conformidade com o disposto no art. 238 do CPC, “citação é o ato pelo qual 
são convocados o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual”. Integrar a 
relação processual tem um objetivo: apresentar os fatos e as provas necessárias para comprová‑los, no 
sentido de demonstrar que o pedido formulado na petição inicial não está correto ou, pelo menos, não 
está inteiramente correto.
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DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES
Citação
Receber uma citação significa que começa a correr um prazo processual para que medidas sejam 
adotadas. Por isso, ao receber uma citação é preciso informar imediatamente o setor jurídico ou 
o advogado prestador de serviços da empresa para que sejam adotadas providências legais necessárias.
Prazos processuais são fixados em lei e não podem ser prorrogados nem por decisão do magistrado. 
Eles são inflexíveis. É preciso ter muito cuidado para não perder o prazo processual, porque isso pode 
significar a perda do processo

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