Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original
## Resumo da Aula 01 – Direito Empresarial para OAB 1ª Fase – XXIV Exame **Professor: Paulo Guimarães** **Tema: Nome Empresarial e Estabelecimento Empresarial**---### 1. Considerações Iniciais Nesta aula introdutória, o professor Paulo Guimarães destaca a importância dos temas **nome empresarial** e **estabelecimento empresarial** para a prova de Direito Empresarial, especialmente no Exame de Ordem e concursos públicos. Ele chama atenção para detalhes práticos, como a ação renovatória de contrato de locação e a locação sui generis em shopping centers, que são frequentemente cobrados. O objetivo é preparar o estudante para compreender conceitos fundamentais e suas aplicações jurídicas.---### 2. Nome Empresarial #### 2.1 Aspectos Introdutórios O nome empresarial não possui uma definição legal expressa, mas é conceituado pela Instrução Normativa nº 15/2013 do Departamento de Registro Empresarial e Integração (DREI) como o nome sob o qual o empresário individual, a EIRELI, as sociedades empresárias e cooperativas exercem suas atividades e assumem obrigações. Analogamente ao nome civil, o nome empresarial é um direito personalíssimo, essencial para a identidade do empresário, sendo protegido pelo Código Civil (arts. 16, 52 e 1.164).O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reforça a importância do nome empresarial, exigindo nova procuração para mandatários quando há alteração do nome, evidenciando sua relevância jurídica. O nome empresarial tem duas funções principais: - **Subjetiva:** Identificar o empresário como sujeito de direitos e obrigações. - **Objetiva:** Garantir fama, renome e reputação no mercado.Além do nome empresarial, existem outros elementos de identificação do empresário, que não devem ser confundidos: - **Marca:** Sinal distintivo visual que identifica produtos e serviços. - **Nome de fantasia:** Expressão que identifica o título do estabelecimento, muito usada para fins mercadológicos, embora não tenha proteção legal específica no Brasil. - **Nome de domínio:** Endereço eletrônico do empresário na internet, regido pelo princípio "First Come, First Served", ou seja, o primeiro a registrar tem direito ao uso, independentemente do nome empresarial. - **Sinais de propaganda:** Elementos que atraem consumidores, sem função identificadora direta do empresário.#### 2.2 Espécies de Nome Empresarial O Código Civil (art. 1.155) distingue duas espécies principais: - **Firma:** Nome formado pelo nome civil do empresário individual ou dos sócios, podendo ser completo ou abreviado, com possibilidade de adicionar a atividade econômica (exemplo: Paulo Guimarães Consultoria Empresarial). A firma serve também como assinatura do empresário. - **Denominação:** Usada por sociedades empresárias e EIRELI, pode ser qualquer expressão linguística, desde que contenha a indicação do objeto social (exemplo: Companhia XYZ). A denominação não serve como assinatura.A doutrina dominante entende que: - A **firma** é privativa de empresários individuais e sociedades de pessoas (com sócios com responsabilidade ilimitada). - A **denominação** é usada por sociedades de capital (limitadas e anônimas). - A EIRELI pode adotar tanto firma quanto denominação.Sociedades em conta de participação não possuem firma ou denominação (art. 1.162 do Código Civil). Sociedades simples podem usar firma ou denominação, conforme entendimento atual e Enunciado 213 do CJF.#### 2.3 Princípios Relacionados à Formação e Proteção do Nome Empresarial O nome empresarial deve obedecer a dois princípios fundamentais previstos na Lei nº 8.934/1994 (art. 34): - **Princípio da veracidade:** O nome não pode conter informações falsas, garantindo segurança nas relações comerciais. Por exemplo, a ausência da palavra "limitada" em sociedades limitadas implica responsabilidade ilimitada dos administradores. - **Princípio da novidade:** Proíbe o registro de nomes idênticos ou muito semelhantes a outros já registrados, evitando confusão no mercado.A proteção do nome empresarial é assegurada no âmbito estadual, ou seja, o registro na Junta Comercial garante exclusividade no Estado, podendo ser estendida nacionalmente mediante registro especial no DREI. A Constituição Federal (art. 5º, XXIX) também protege o nome empresarial como parte da propriedade intelectual.O STF já decidiu que a proteção ao nome empresarial é relativa, visando evitar prejuízos por semelhança ou identidade, mas não é absoluta. O STJ tem jurisprudência consolidada sobre conflitos envolvendo nomes empresariais, destacando: - A conjugação de palavras pode criar expressão única protegida (exemplo: "Best Way"). - A proteção é territorial e depende da atividade econômica para evitar confusão. - O uso de nomes civis (patronímicos) como marca não exige autorização recíproca entre homônimos, respeitando o princípio da especificidade.#### 2.4 Alienabilidade do Nome Empresarial O nome empresarial, em regra, **não pode ser alienado** (art. 1.164 do Código Civil). Contudo, o adquirente do estabelecimento pode usar o nome do alienante, acrescido do seu próprio, com a qualificação de sucessor, desde que previsto em contrato. A alienação do nome empresarial ocorre geralmente junto com a venda do estabelecimento, por meio do contrato de trespasse.#### 2.5 Perda do Nome Empresarial O nome empresarial perde proteção em situações como: - Expiração do prazo da sociedade por tempo determinado (art. 59 da Lei 8.934/1994). - Inatividade da empresa por 10 anos consecutivos sem arquivamento, salvo comunicação à Junta Comercial (art. 60 da mesma lei). - Cessação do comércio, liquidação da sociedade ou transformação societária.---### 3. Estabelecimento Empresarial #### 3.1 Aspectos Introdutórios O estabelecimento empresarial não é apenas o local físico onde a empresa atua, mas um **complexo de bens materiais e imateriais organizados para o exercício da atividade empresarial** (art. 1.142 do Código Civil). É a projeção patrimonial da empresa, distinto da empresa (atividade) e do empresário (pessoa física ou jurídica).O estabelecimento inclui: - **Bens corpóreos:** mercadorias, instalações, equipamentos, veículos, etc. - **Bens incorpóreos:** marcas, patentes, direitos, ponto comercial, etc.A doutrina italiana destaca dois elementos essenciais: o complexo de bens e a organização, que conferem ao estabelecimento sua instrumentalidade para a atividade empresarial.#### 3.2 Natureza Jurídica do Estabelecimento Empresarial As teorias universalistas predominantes consideram o estabelecimento como uma **universalidade de fato**, ou seja, um conjunto de bens que, pela organização e destinação dada pelo empresário, formam um todo unitário, distinto da mera soma dos bens isolados.#### 3.3 Contrato de Trespasse O contrato de trespasse é o contrato oneroso de transferência do estabelecimento empresarial como um todo (art. 1.143 do Código Civil). Para que tenha eficácia perante terceiros, deve ser: - Averbado à margem do registro do empresário ou sociedade na Junta Comercial. - Publicado na imprensa oficial (com exceções para micro e pequenas empresas).O alienante deve garantir que possui bens suficientes para pagar seus credores ou obter o consentimento destes, que pode ser tácito se não houver manifestação em 30 dias após notificação (art. 1.145 do Código Civil). A alienação irregular do estabelecimento pode configurar ato de falência (Lei 11.101/2005).#### 3.4 Sucessão Empresarial O adquirente do estabelecimento responde pelas dívidas anteriores, desde que devidamente contabilizadas, e o alienante permanece solidariamente responsável por um ano após a transferência (art. 1.146 do Código Civil). O prazo para dívidas vencidas começa na data da publicação do contrato; para dívidas vincendas, a partir do vencimento.No caso de falência ou recuperação judicial, a alienação do estabelecimento não transfere ônus ao adquirente, facilitando a venda dos ativos para pagamento dos credores.#### 3.5 Cláusula de Não Concorrência O art. 1.147 do Código Civil introduz a cláusula de não concorrência, que impede o alienante de estabelecer atividade concorrente após a venda do estabelecimento, protegendo o adquirente contra competição desleal. Este tema é bastante cobrado em concursos públicos.---## Destaques- O **nome empresarial** é um direito personalíssimo que identifica o empresário e garante sua reputação, protegido pelo Código Civil e pela Constituição. - Existem duas espécies principais de nome empresarial: **firma** (baseada em nome civil, usada por empresários individuais e sociedades de pessoas) e **denominação** (expressão livre, usada por sociedades de capital). - O estabelecimento empresarial é um **complexo organizado de bens materiais e imateriais** que serve para o exercício da atividade empresarial, distinto da empresa e do empresário. - O **contrato de trespasse** é a transferência onerosa do estabelecimento empresarial, exigindo registro e publicação para eficácia contra terceiros, e envolve regras específicas quanto à responsabilidade por dívidas. - A proteção do nome empresarial é territorial, podendo ser estadual ou nacional, e a alienação do nome é proibida, salvo quando vinculada à venda do estabelecimento. - A cláusula de não concorrência protege o adquirente do estabelecimento contra a concorrência do alienante após a venda.---Este resumo abrange os principais conceitos, definições, princípios e jurisprudência relacionados ao nome empresarial e estabelecimento empresarial, essenciais para a preparação para o Exame de Ordem e concursos públicos na área de Direito Empresarial.