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## Resumo sobre Síndrome Coronariana Aguda (SCA)A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) é um conjunto de condições clínicas que envolvem lesão miocárdica aguda associada à isquemia do músculo cardíaco. O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é caracterizado pela presença de lesão miocárdica, evidenciada pela elevação da troponina acima do percentil 99, acompanhada de manifestações clínicas e eletrocardiográficas sugestivas de isquemia. A injúria miocárdica pode ser aguda, quando há variação significativa nos níveis de troponina, ou crônica, quando os valores permanecem estáveis. Importante destacar que todo IAM apresenta injúria, mas nem toda injúria corresponde a um infarto.O diagnóstico eletrocardiográfico é fundamental para a classificação e manejo da SCA. O ECG pode mostrar elevação do segmento ST (IAM com supra de ST - IAMCSST), depressão ou inversão do segmento ST e da onda T (IAM sem supra de ST - IAMSSST), ou pode ser normal, o que não exclui a SCA. A elevação do segmento ST deve ser observada em pelo menos duas derivações contíguas, com critérios específicos para diferentes derivações e grupos demográficos. A presença de bloqueio de ramo novo ou presumivelmente novo também é um sinal importante. Em casos de ECG inconclusivo, derivações adicionais (V7-V9, V3R, V4R) e registros seriados são recomendados para melhor avaliação, especialmente para detectar infarto do ventrículo direito ou posterior.A SCA é dividida em dois grandes grupos: SCA com supra de ST (SCACSST) e SCA sem supra de ST (SCASSST). O SCASSST inclui a angina instável (AI), caracterizada por dor torácica recente e intermitente sem necrose miocárdica (troponina negativa), e o IAMSSST, que apresenta elevação dos marcadores de necrose. A fisiopatologia envolve a ruptura de placas ateroscleróticas instáveis, com formação de trombos que podem causar obstrução parcial (AI e IAMSSST) ou total (IAMCSST) da artéria coronária, resultando em diferentes graus de necrose miocárdica. O IAMCSST é caracterizado por infarto transmural, enquanto o IAMSSST geralmente apresenta infarto não transmural.## Diagnóstico e Estratificação de RiscoO diagnóstico da SCA baseia-se na avaliação clínica, eletrocardiográfica e laboratorial. A dor anginosa típica, prolongada e de início recente, associada a alterações no ECG e elevação dos marcadores de necrose (principalmente troponina), orienta o diagnóstico. O ECG deve ser realizado e interpretado em até 10 minutos após a chegada do paciente, com monitoramento contínuo e repetição em casos de sintomas persistentes ou recorrentes. A troponina ultrassensível é o marcador preferencial, com dosagens seriadas para confirmar a injúria miocárdica.A estratificação de risco é essencial para definir a conduta terapêutica. O HEART score é amplamente utilizado, classificando os pacientes em baixo, intermediário e alto risco, com recomendações que vão desde alta hospitalar até cateterismo precoce. Pacientes com escore baixo, troponina negativa e ECG sem alterações podem ser liberados para acompanhamento ambulatorial, enquanto os de risco elevado devem ser submetidos a intervenções invasivas.## Manejo TerapêuticoO manejo inicial da SCA inclui monitorização contínua, oxigenoterapia (quando saturação < 90%), acesso venoso, ECG rápido e radiografia de tórax. A administração de ácido acetilsalicílico (AAS) é obrigatória, salvo contraindicações, com alternativas como ticagrelor ou prasugrel em casos de alergia. A estratégia invasiva, com cateterismo e angioplastia, é indicada para pacientes de alto risco, especialmente aqueles com supra de ST.A terapia medicamentosa é dividida em anti-isquêmica, antitrombótica e estabilizadora da placa aterosclerótica. A terapia anti-isquêmica visa reduzir o consumo de oxigênio pelo miocárdio e aumentar sua oferta, utilizando nitratos, betabloqueadores (BB) e bloqueadores dos canais de cálcio (BCC). Nitratos promovem vasodilatação e alívio da dor, mas não reduzem mortalidade. BB diminuem frequência cardíaca, pressão arterial e contratilidade, reduzindo mortalidade e tamanho do infarto, sendo indicados nas primeiras 24 horas, salvo contraindicações. BCC são usados em casos específicos, como angina variante, mas não alteram mortalidade.A terapia antitrombótica é fundamental para estabilizar o trombo coronariano. O AAS é o pilar do tratamento antiplaquetário, associado a um inibidor do receptor P2Y12 (ticagrelor, prasugrel ou clopidogrel), mantidos por pelo menos 12 meses. Anticoagulantes, como heparina de baixo peso molecular (enoxaparina), heparina não fracionada (HNF) ou fondaparinux, são indicados conforme o risco e a estratégia terapêutica, com atenção especial para o risco hemorrágico e função renal.Outros aspectos importantes incluem o controle glicêmico rigoroso, evitando tanto hiperglicemia quanto hipoglicemia, e o uso criterioso de oxigenoterapia para evitar efeitos adversos. A analgesia com morfina é recomendada para dor persistente, considerando suas propriedades ansiolíticas e hemodinâmicas, mas com contraindicações específicas.Por fim, a avaliação contínua e o manejo individualizado, com base na estratificação de risco e nas características clínicas e laboratoriais, são essenciais para otimizar o prognóstico dos pacientes com SCA.---### Destaques- A SCA envolve lesão miocárdica aguda com evidência clínica e eletrocardiográfica de isquemia, sendo o IAM caracterizado pela elevação da troponina e alterações no ECG.- O ECG é fundamental para diferenciar SCA com supra de ST (IAMCSST) e sem supra de ST (IAMSSST e angina instável), com derivações adicionais e registros seriados para diagnóstico preciso.- O manejo inclui monitorização, oxigenoterapia, antiagregação plaquetária com AAS e inibidores do receptor P2Y12, anticoagulação, terapia anti-isquêmica (nitratos, betabloqueadores, bloqueadores de cálcio) e analgesia.- A estratificação de risco pelo HEART score orienta condutas que vão desde alta hospitalar até cateterismo precoce.- Controle glicêmico e avaliação contínua são essenciais para melhorar o prognóstico e reduzir complicações.