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ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO E CONTEÚDO PROGRAMÁTICO ............................................................5 Materiais básicos do curso ...............................................................................................................................................5 2. PREVISÃO CONSTITUCIONAL E DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL ..................6 Base do Direito Tributário .................................................................................................................................................6 Previsão constitucional ....................................................................................................................................................6 Breve contexto histórico ..................................................................................................................................................6 Código Tributário Nacional (CTN) ...................................................................................................................................6 Definição de tributo no CTN ............................................................................................................................................7 3. CONCEITO DE TRIBUTO ..................................................................................................8 Caráter compulsório ...........................................................................................................................................................8 Formas de tributo .................................................................................................................................................................8 Não é sanção .........................................................................................................................................................................9 Multas e juros ....................................................................................................................................................................... 10 Instituição por lei ................................................................................................................................................................. 10 Legalidade x reserva legal ............................................................................................................................................... 11 Cobrança do tributo ...........................................................................................................................................................12 Doutrina ...................................................................................................................................................................................12 4. NATUREZA JURÍDICA DOS TRIBUTOS (ART. 4º, CTN) E AS ESPÉCIES TRIBUTÁ- RIAS .......................................................................................................................................13 Destinação do produto .................................................................................................................................................... 14 5. TAXAS...............................................................................................................................15 Localização na Constituição Federal (CF) ............................................................................................................... 15 Localização no Código Tributário Nacional (CTN) ................................................................................................. 15 Poder de polícia e a taxa correspondente ............................................................................................................... 16 Ônus da prova no exercício do poder de polícia ................................................................................................... 16 Diferença entre taxa e poder de polícia .....................................................................................................................17 Características das taxas de serviço público ......................................................................................................... 18 Base de cálculo das taxas .............................................................................................................................................. 18 Princípio da equivalência ................................................................................................................................................ 18 Diferenças entre taxa, preço público e tarifa ......................................................................................................... 19 6. CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA .................................................................................. 20 Características .................................................................................................................................................................... 20 Requisitos ...............................................................................................................................................................................21 Direito de impugnação ....................................................................................................................................................22 Diferença entre taxa e contribuição de melhoria .................................................................................................22 7. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO ..................................................................................... 23 Previsão infraconstitucional ..........................................................................................................................................24 Características .....................................................................................................................................................................24 Debate doutrinário .............................................................................................................................................................24 8. IMPOSTOS ...................................................................................................................... 26 Tributo = Imposto? .............................................................................................................................................................26 Competência da União ....................................................................................................................................................26 Competência dos Estados .............................................................................................................................................27 Já os impostos municipais incluem: ........................................................................................................................ 28 Competência residual da União .................................................................................................................................. 28 Características dos impostos....................................................................................................................................... 28 Reforma tributária ..............................................................................................................................................................29 Novo formato de tributação .........................................................................................................................................30 9. CONTRIBUIÇÕES ............................................................................................................31 Contribuições sociais x especiais ................................................................................................................................32destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Criação e regulamentação Uma característica importante das contribuições sociais é que sua criação e regulamentação obedecem a critérios rígidos. Por exemplo, novas fontes de custeio da seguridade social podem ser instituídas, conforme o § 4º do art. 195, desde que respeitem os limites impostos pelo art. 154, I, e sejam regulamentadas por lei complementar. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Art. 154. A União poderá instituir: I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; [...] Por fim, é importante destacar que as contribuições sociais possuem um grau de referibilidade, ou seja, seus recursos são vinculados a finalidades específicas, o que as distingue dos impostos, cuja arrecadação não tem destinação obrigatória. Esse conceito será explorado com maior profundidade em aulas futuras, especialmente no estudo das contribuições especiais, que também apresentam características peculiares relacio- www.trilhante.com.br 37 nadas à referibilidade. www.trilhante.com.br 38 11. Contribuições Especiais As contribuições especiais são um tema importante e, para compreendê-las, é fundamental diferenciá-las das contribuições sociais. De acordo com a definição apresentada por Luiz Eduardo Schoueri, as contribuições especiais são tributos que têm como característica principal o financiamento de ações da União em benefício de categorias profissionais ou econômicas específicas ou para permitir a intervenção no domínio econômico. Características Essas contribuições são cobradas de um grupo que se identifica diretamente com a atuação da União, o que é denominado referibilidade. A referibilidade é o elemento que inclui, entre as contribuições especiais, aquelas previdenciárias de funcionários públicos. Em todas as espécies de contribuições especiais, o princípio da referibilidade é essencial. A cobrança deve ser destinada a um grupo específico e utilizada exclusivamente em benefício deste grupo. Assim, o ônus da contribuição recai apenas sobre aqueles que se beneficiam ou que deram origem à necessidade da atuação estatal. Nesse caso, a competência não se limita à União, mas também alcança os Estados e Municípios aos quais esses servidores estão vinculados. Contribuições sociais x especiais A principal distinção entre contribuições sociais e especiais reside na abrangência da cobrança: enquanto as contribuições sociais incidem sobre toda a coletividade para custear gastos relacionados à seguridade social, que abrangem objetivos mais amplos e heterogêneos, as contribuições especiais são direcionadas a um grupo específico, em benefício deste. Em resumo, quando uma contribuição especial é instituída, apenas o grupo que se identifica com ela deve suportar o ônus financeiro. Além disso, o valor arrecadado deve ser limitado ao custo da atividade financiada, semelhante ao que ocorre com as taxas. Assim, se a União cria uma contribuição especial, ela não pode exceder os custos que teve ao desempenhar a atuação que deu origem a essa contribuição. A Constituição Federal, em seu art. 149, estabelece três espécies de contribuições especiais: 1. As de interesse de categorias profissionais ou econômicas; 2. As de intervenção no domínio econômico; e 3. As previdenciárias de funcionários públicos. www.trilhante.com.br 39 Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. §1º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, por meio de lei, contribuições para custeio de regime próprio de previdência social, cobradas dos servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas, que poderão ter alíquotas progressivas de acordo com o valor da base de contribuição ou dos proventos de aposentadoria e de pensões. §1º-A. Quando houver deficit atuarial, a contribuição ordinária dos aposentados e pensionistas poderá incidir sobre o valor dos proventos de aposentadoria e de pensões que supere o salário-mínimo. §1º-B. Demonstrada a insuficiência da medida prevista no § 1º-A para equacionar o deficit atuarial, é facultada a instituição de contribuição extraordinária, no âmbito da União, dos servidores públicos ativos, dos aposentados e dos pensionistas. §1º-C. A contribuição extraordinária de que trata o § 1º-B deverá ser instituída simultaneamente com outras medidas para equacionamento do deficit e vigorará por período determinado, contado da data de sua instituição. §2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; II - poderão incidir sobre a importação de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível; II - incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; III - poderão ter alíquotas: a) ad valorem , tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. §3º A pessoa natural destinatária das operações de importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma da lei. §4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Contribuições no interesse de categorias profissionais ou econômicas Essas contribuições são cobradas de grupos profissionais que possuem conselhos de classe, como o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), o Conselho Regional de Administração (CRA) e outros, como os Conselhos de Contabilidade e Fisioterapia. Essas entidades, geralmente organizadas como autarquias, têm como objetivo promover e defender os interesses de seus profissionais, além de realizar atividades como a profissionalização da categoria. www.trilhante.com.br 40 A contribuição para esses conselhos é exclusivamente destinada ao grupo beneficiado, garantindo a referibilidade. Assim, não seria justo, por exemplo, que um administrador fosse obrigado a contribuir para o CREA, ou um engenheiro para o CRA. A OAB não possui natureza tributária, segundo entendimento do STJ no RESp 463.258. Contribuições de intervenção no domínio econômico (CIDE) Essas contribuições permitem que a União intervenha em setores econômicos para corrigir distorções, como monopólios, ou para estimular a concorrência. Um exemplo seria a concessão de incentivos fiscais a empresas em setores monopolizados, visando criar um ambiente mais competitivo. O custo dessas intervenções constitui o limite da contribuição especial, que será arcada pelos agentes econômicos que deram origem à necessidade de intervenção, mesmo que esses agentes não se beneficiem diretamente dela. Exemplos históricos incluem as contribuições destinadas ao Instituto do Açúcar e do Álcool e ao Instituto do Café. Contribuições previdenciárias de funcionários públicos Previstas no art. 149, §1º, da Constituição Federal, essas contribuições são destinadas ao custeio dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Cada ente federativo possuicompetência para instituir essa contribuição sobre os seus próprios servidores, de forma que a União não pode cobrar contribuições de servidores municipais, por exemplo. Apesar de a previdência estar inserida no contexto da seguridade social, a referibilidade dessa contribuição justifica sua classificação como especial, uma vez que é destinada exclusivamente a um grupo específico de servidores públicos. Tabela comparativa Critério Contribuições sociais Contribuições especiais Finalidade Destinadas à ordem social, como saúde, assistência e previdência social Finalidade específica, como previdência de servidores públicos, intervenção no domínio econômico ou categorias profissionais Base constitucional Reguladas principalmente pelos arts. 149 e 195 da CF Reguladas peli art, 149 da CF, com aplicações específicas www.trilhante.com.br 41 Exemplos Contribuições para o INSS, Cofins e PIS Contribuições previdenciárias dos servidores públicos, CIDE (combustíveis) e contribuições sindicais Anterioridade aplicável Observam noventena, mas não a anterioridade anual Devem seguir as duas anterioridades Competência para instituir União (exclusiva) Em regra, da União, mas podem ser instituídas por Estados e Municípios para fins previdenciários www.trilhante.com.br 42 12. Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) A Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) é uma espécie tributária que gera discussões e merece análise detalhada. Diferenciação É importante diferenciá-la das contribuições sociais. Embora alguns considerem a COSIP como uma contribuição social, ela possui características específicas que a destacam. Sua arrecadação, feita por toda a coletividade, é destinada exclusivamente ao custeio de um serviço específico: a manutenção da iluminação pública e serviços correlatos. Diferentemente das taxas, a COSIP não apresenta referibilidade a um grupo específico de contribuintes, ou seja, não é possível determinar exatamente quem irá usufruir dos benefícios gerados pela contribuição, como a iluminação pública. Ainda assim, seu caráter direcionado a um único serviço a torna um tributo sui generis, o que justifica sua análise separada das contribuições sociais. Vale ressaltar que a COSIP não está relacionada à seguridade social nem à ordem social, mas sim ao serviço público específico mencionado. Previsão constitucional Na Constituição Federal, a COSIP é tratada no art. 195. Originalmente, alguns municípios instituíram-na como uma taxa de iluminação pública, o que gerou questionamentos jurídicos e levou o STF a editar a súmula vinculante 41. Súmula 41. O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa. Segundo essa súmula, o serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa. Posteriormente, a reforma constitucional introduziu o art. 149-A, que permitiu aos municípios e ao Distrito Federal instituírem uma contribuição específica para o custeio da iluminação pública, desde que observadas as anterioridades previstas nos incisos I e III do art. 150 da Constituição. www.trilhante.com.br 43 Art. 149-A. Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio, a expansão e a melhoria do serviço de iluminação pública e de sistemas de monitoramento para segurança e preservação de logradouros públicos, observado o disposto no art. 150, I e III. Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; [...] III - cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; A redação original do art. 149-A não mencionava expressamente a manutenção ou a melhoria do serviço de iluminação pública, tampouco a aplicação dos recursos em sistemas de monitoramento de segurança. Apesar disso, o STF entendeu que seria possível utilizar os valores arrecadados para essas finalidades. Esse entendimento foi incorporado formalmente na Constituição por meio da Emenda Constitucional 132, de 2023. Após a reforma, o art. 149-A passou a prever que os municípios e o Distrito Federal podem instituir contribuições para o custeio, expansão, melhoria de serviços de iluminação pública e para sistemas de monitoramento destinados à segurança e preservação de logradouros públicos, sempre respeitando as anterioridades. Por fim, é essencial destacar que a competência para instituir a COSIP é exclusiva dos municípios e do Distrito Federal, sem qualquer participação dos estados ou da União. www.trilhante.com.br 44 13. Recapitulação do Curso Nesta aula será feita uma recapitulação geral dos principais tópicos abordados ao longo do curso. Na primeira aula foi apresentado o conceito de tributo, que é uma receita derivada decorrente do ius imperium do Estado. Trata-se de uma prestação pecuniária, em moeda ou valor que nela possa ser expresso, de pagamento compulsório, e que não pode ser exigido por fato gerador ilícito. Um tributo, por exemplo, não pode ter como fato gerador um ato como o plantio de substâncias ilícitas ou outros atos ilegais. Contudo, os produtos derivados de tais atividades podem, eventualmente, ser tributados. É essencial compreender essa distinção entre a origem ilícita do ato e a tributação sobre os bens dele decorrentes. Foi ressaltado, também, o caso do IPTU progressivo, que possui caráter sancionatório e extrafiscal, incentivando o cumprimento da função social da propriedade. Antes da desapropriação de um imóvel, a aplicação do IPTU progressivo é obrigatória, conforme previsto em lei. Esse tributo pode ser instituído por lei complementar em determinados casos, considerando que as normas gerais dos tributos são geralmente regulamentadas dessa forma. Entre as exceções criadas por lei complementar estão o empréstimo compulsório, o imposto de guerra e alguns impostos extraordinários. No geral, entretanto, a instituição de tributos ocorre por meio de lei ordinária. Passando para o procedimento administrativo vinculado, há o exemplo do lançamento tributário, como o carnê de IPTU. Esse procedimento administrativo de ofício exemplifica a obrigatoriedade do cumprimento das obrigações tributárias. Foi estudada, também, a taxa, que é um tributo de competência concorrente dos entes federativos, vinculado a uma atividade estatal específica, como o exercício do poder de polícia ou a prestação de serviços públicos. Ela é calculada com base na equivalência ao custo do serviço prestado ou da fiscalização exercida, como ocorre, por exemplo, com a emissão de passaportes. Não se pode exigir que o benefício de uma taxa seja diretamente proporcional ao que foi pago, mas sim que haja uma equivalência de gastos. Por isso, taxas relacionadas à limpeza de ruas ou iluminação pública são ilegais, conforme a súmula vinculante 41. www.trilhante.com.br 45 Sobre a contribuição de melhoria, trata-se de um tributo vinculado à valorização imobiliária decorrente de obras públicas, com limites gerais (o valor total da obra) e individuais (a valorização que cada contribuinte experimentou). Já o empréstimo compulsório, de competência exclusiva da União, deve ser instituído por lei complementar e destina-se a cobrir gastos extraordinários decorrentes de calamidades públicas, guerras ou eventos urgentes. Em relação aos impostos, que são os tributos de maior arrecadação, destacou-se sua competência concorrente, mas para fatos geradores distintos, não vinculadosa uma prestação estatal específica. São cobrados de toda a coletividade para financiar despesas públicas gerais, com base no princípio da capacidade contributiva: quem possui mais, contribui mais. Cada ente federativo possui competências definidas pela Constituição para instituir determinados impostos, como União (IR, IPI, IOF), Estados (ICMS, IPVA) e Municípios (IPTU, ISS). As contribuições sociais, por sua vez, são tributos afetados, ou seja, sua arrecadação é destinada a financiar áreas específicas, como a seguridade social. Elas seguem o princípio da capacidade contributiva, mas, diferentemente dos impostos, possuem destinação vinculada. Por fim, foram estudadas as contribuições especiais, tributos de competência exclusiva da União, salvo as destinadas a regimes previdenciários de servidores públicos estaduais e municipais. Essas contribuições possuem referibilidade, ou seja, vinculam-se diretamente ao grupo beneficiado, como categorias profissionais (CREA, CRA) ou intervenções no domínio econômico. Tabela-comparativa Tributo Fato gerador Finalidade Base de cálculo Exemplo Imposto Situação independente de contraprestação estatal Financiamento geral das atividades do Estado Definida por lei; varia conforme o tributo IR (Imposto de Renda), ICMS, IPTU, IPI www.trilhante.com.br 46 Taxa Prestação de serviço público específico ou exercício do poder de polícia Cobrir os custos do serviço ou atividade Relacionada ao custo do serviço ou atividade Taxa de Licenciamento, Taxa de Coleta de Lixo Contribuição de Melhoria Valorização imobiliária decorrente de obra pública Custear, no todo ou em parte, a obra pública Valorização do imóvel Obras de pavimentação ou saneamento Empréstimo Compulsório Situação de calamidade pública ou investimento público relevante Finalidade específica prevista em lei complementar Definida por lei Empréstimos em situações de calamidade Contribuições Sociais Financiamento da seguridade social (saúde, previdência e assistência social) Suporte financeiro ao sistema de seguridade social Definida por lei INSS, Cofins, Contribuição para o PIS/Pasep Contribuições Especiais Vinculadas a finalidades específicas, como categorias ou desenvolvimento Atender a um objetivo específico determinado por lei Definida por lei Contribuições para categorias profissionais (OAB, CREA) COSIP Custeio do serviço de iluminação pública Manutenção e ampliação do sistema de iluminação pública Relacionada ao custo do serviço Cobrança de iluminação pública na conta de energia elétrica www.trilhante.com.br /trilhante /trilhante /trilhante Espécies tributárias http://www.facebook.com/trilhante http://www.instagram.com/trilhante http://www.facebook.com/trilhante http://instagram.com/trilhante http://www.youtube.com/trilhanteHipóteses de incidência ..................................................................................................................................................32 10. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ........................................................................................ 34 Seguridade social e assistência social ..................................................................................................................... 34 Contribuições .......................................................................................................................................................................35 Criação e regulamentação .............................................................................................................................................36 11. CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS .................................................................................... 38 Características ....................................................................................................................................................................38 Contribuições sociais x especiais ...............................................................................................................................38 Contribuições no interesse de categorias profissionais ou econômicas ...................................................39 Contribuições de intervenção no domínio econômico (CIDE) .......................................................................40 Contribuições previdenciárias de funcionários públicos .................................................................................40 Tabela comparativa ..........................................................................................................................................................40 12. CONTRIBUIÇÃO PARA O CUSTEIO DA ILUMINAÇÃO PÚBLICA (COSIP) ............ 42 Diferenciação .......................................................................................................................................................................42 Previsão constitucional ...................................................................................................................................................42 13. RECAPITULAÇÃO DO CURSO.................................................................................... 44 Tabela-comparativa ......................................................................................................................................................... 45 www.trilhante.com.br 5 1. Introdução e Conteúdo Programático Neste curso de Direito Tributário, serão abordadas, nas primeiras aulas, conceitos mais fundamentais: o tributo e suas espécies tributárias. Posteriormente, eles serão aprofundados. Ao final do curso, espera-se que o aluno tenha pleno domínio sobre o conceito de tributo e as espécies tributárias, incluindo: • Taxas; • Tarifa e preço público; • Empréstimos compulsórios; • Contribuições de melhoria; • Impostos e contribuições; • Diferenciação entre contribuições sociais e contribuições especiais, detalhando o motivo dessa divisão. Também será analisada uma espécie tributária considerada anômala ou sui generis, a COSIP (Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública). Materiais básicos do curso Os principais materiais que serão utilizados no curso são: • Constituição Federal: será o texto de maior relevância e será constantemente citado durante as aulas. Em Direito Tributário, e mais amplamente em Direito Público, é fundamental partir da Constitui- ção para depois analisar leis ordinárias, decretos, jurisprudências e doutrinas. • Código Tributário Nacional (CTN); • Doutrina: O livro recomendado é Direito Tributário do doutrinador Luiz Eduardo Schoueri; • Jurisprudência do STF: algumas decisões do Supremo Tribunal Federal serão fundamentais para embasar os temas estudados. www.trilhante.com.br 6 2. Previsão Constitucional e do Código Tributário Nacional Base do Direito Tributário O estudo do Direito Tributário deve sempre partir da Constituição Federal, seguindo para as leis complementares, ordinárias e demais normas, como decretos e jurisprudências. O tributo é o núcleo do Direito Tributário, sendo fundamental compreendê-lo em sua totalidade. Previsão constitucional Na Constituição Federal de 1988, o tributo é regulamentado pelo art. 146, III, a, que estabelece: • As normas gerais relacionadas a tributos e suas espécies. • Os critérios para definição de impostos discriminados na Constituição. • Aspectos como fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes. Esse artigo serve como base para estruturar toda a sistemática do direito tributário. Art. 146. Cabe à lei complementar: [...] III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; Breve contexto histórico Historicamente, o tributo foi concebido como uma sanção. Durante o Império Romano, ele era frequentemente imposto como penalidade, especialmente em tempos de guerra. No entanto, com a evolução jurídica e social, essa concepção foi substituída. Hoje, o tributo é entendido como um instrumento de arrecadação estatal sem caráter punitivo. Código Tributário Nacional (CTN) O Código Tributário Nacional (CTN), instituído pela lei 5.172/66, é uma das principais referências normativas do Direito Tributário. Apesar de ter sido promulgado como lei ordinária durante o regime militar, ele foi recepcionado materialmente como lei complementar pela Constituição de 1988. www.trilhante.com.br 7 Recepção material ocorre quando o conteúdo da norma é compatível com os princípios, valores e disposições da nova Constituição. Isso significa que, materialmente, ele atende às exigências de uma lei complementar. Porém, formalmente o CTN mantém sua classificação como lei ordinária. Essa recepção é um ponto relevante para concursos públicos e destaca a importância do CTN como parte integrante do sistema tributário brasileiro. Definição de tributo no CTN O conceito de tributo está no art. 3º do CTN, que define: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Essa definição será detalhada em aulas posteriores, onde serão discutidos os quatro núcleos semânticos desse dispositivo: 1. Prestação pecuniária compulsória. 2. Em moeda ou valor equivalente. 3. Não é sanção de ato ilícito. 4. Instituição em lei e cobrança vinculada. www.trilhante.com.br 8 3. Conceito de Tributo Caráter compulsório Quando ocorre o fato gerador, há a subsunção do fato à norma, originando o crédito tributário e, posteriormente, a obrigação tributária por meio do lançamento. Calma, vamos explicar melhor. O fato gerador é o evento previsto em lei que, ao se concretizar, dá origem à obrigação tributária. Em outras palavras, é a situação descrita na norma tributária que, quando ocorre na realidade, faz surgir o dever de pagar um tributo. Assim, o fato passa a se enquadrar perfeitamente na norma jurídica e disso surge o crédito tributário. No entanto, a obrigação tributária - de pagar o tributo - só surgirá com o lançamento. Fato gerador → crédito tributário → lançamento → obrigação tributária Esse processo gera a obrigação de pagamento do tributo pelo contribuinte, independentemente de sua vontade. Assim, ao receber um boleto de IPTU, por exemplo, o contribuinte não tem a escolha de pagá- lo ou não; o pagamento é obrigatório. Caso contrário, o fisco emitirá uma Certidão de Dívida Ativa (CDA) e iniciará uma execução fiscal, utilizando meios coercitivos para cobrar o tributo. Portanto, o pagamento é um comportamentoobrigatório, decorrente do poder do Estado de impor tributos para financiar suas atividades. O tributo é uma receita derivada que decorre do contrato social, permitindo ao Estado gerir serviços como segurança, saúde e educação. O direito de receber tributos pelo Estado é considerado potestativo, ou seja, independente da vontade do contribuinte. Assim, as obrigações tributárias têm caráter compulsório tanto para o contribuinte quanto para o Estado. Formas de tributo Outro aspecto relevante do conceito de tributo é a pecúnia, ou seja, o pagamento em moeda corrente, atualmente o real. Contudo, existem exceções em que o pagamento de tributos pode não ser feito diretamente em moeda. www.trilhante.com.br 9 O art. 162 do Código Tributário Nacional prevê formas alternativas, como cheques, vales postais, estampilhas ou papel selado, embora essas práticas sejam pouco comuns hoje em dia. Antigamente, o uso de selos para comprovar o pagamento de tributos era mais frequente. Art. 162. O pagamento é efetuado: I - em moeda corrente, cheque ou vale postal; II - nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por processo mecânico. Outra forma excepcional de quitação de tributos é a dação em pagamento, prevista no art. 156, XI, do Código Tributário Nacional. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. Essa modalidade permite a extinção de obrigações tributárias por meio da transferência de bens imóveis, desde que atendidas condições específicas, como a avaliação prévia do bem, que deve estar livre de ônus ou impedimentos, e que o valor do bem cubra integralmente o crédito tributário, incluindo juros, multas e encargos legais. Caso o valor do imóvel seja insuficiente, o contribuinte pode complementar a diferença em dinheiro. Essa possibilidade é regulamentada pela lei 13.259/16, aplicável exclusivamente à União, que decide de forma discricionária aceitar ou não bens imóveis como pagamento. Não é sanção Outro núcleo semântico do conceito de tributo é que ele não pode constituir sanção de ato ilícito, diferenciando-o da multa. Embora ambos sejam receitas derivadas, o tributo possui caráter arrecadatório ou extrafiscal, enquanto a multa tem natureza sancionatória. Dessa forma, o fato gerador do tributo não pode ser um ato ilícito ou estar servindo como punição de ato ilícito, como plantar maconha ou cometer homicídio. Entretanto, o tributo pode incidir sobre os efeitos econômicos de atividades ilícitas. Por exemplo, o lucro obtido em uma operação de tráfico de drogas pode ser tributado por impostos como o PIS, Cofins ou Imposto de Renda, desde que o fato gerador, como faturamento, seja identificado. Esse princípio, conhecido como “pecúnia non olet” (dinheiro não cheira), remonta à Roma Antiga, quando o imperador Vespasiano instituiu uma taxa sobre banheiros públicos www.trilhante.com.br 10 e justificou sua decisão afirmando que o dinheiro arrecadado, independentemente de sua origem, não tinha odor. Assim, embora o tributo não possa ter origem em um ato ilícito como fato gerador, pode incidir sobre os resultados econômicos gerados por atividades ilícitas, como o lucro. Multas e juros Por fim, o tributo pode incluir multas e juros de mora em caso de inadimplência, mas essas penalidades não configuram sanção de ato ilícito, sendo apenas consequências do descumprimento da obrigação tributária. O legislador não pode instituir tributos diretamente sobre atividades ilícitas, mas é permitido tributar os efeitos econômicos decorrentes delas. Assim, foi definido que tributo é uma obrigação pecuniária compulsória e que não pode constituir sanção de ato ilícito. Instituição por lei O terceiro núcleo semântico, e um dos mais relevantes, refere-se ao fato de que o tributo deve ser instituído por lei. Isso está relacionado ao princípio da legalidade tributária, expressamente previsto no art. 5º, II, e no art. 150, I, da Constituição Federal. Art. 5º [...] II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; A regra geral é que os tributos só podem ser criados ou majorados por lei ordinária, embora existam algumas exceções. Por exemplo, tributos extrafiscais como o Imposto de Importação (II) e o Imposto de Exportação (IE) podem ser majorados por ato do Poder Executivo devido à sua natureza específica. Ainda assim, a criação ou majoração de outros tributos, como regra, não pode ser feita por decretos, portarias ou outros atos do Executivo, que podem apenas regulamentar tributos já existentes. www.trilhante.com.br 11 A lei que cria um tributo deve definir sua estrutura completa, contemplando a regra matriz de incidência tributária, composta por elementos essenciais para que o tributo seja válido. A regra matriz de incidência é um modelo que permite compreender as várias valências do tributo, e sua ausência invalida o tributo. Essa regra é dividida em dois grandes componentes: o antecedente tributário e o consequente tributário. O antecedente tributário engloba: • Critério material: trata-se da definição do fato gerador, como a propriedade de um bem automotor no caso do IPVA. • Critério espacial: indica o local de incidência do tributo. Por exemplo, no IPVA, a propriedade de um carro no Estado de São Paulo vincula o pagamento ao Estado. • Critério temporal: refere-se ao período de incidência. Um carro mantido durante todo o ano de 2023 gera a obrigação de pagar o IPVA correspondente ao ano integralmente. Uma vez que esses critérios sejam atendidos, amarra-se o antecedente tributário. Já o consequente tributário é composto por: • Critério subjetivo: determina os sujeitos da relação tributária. No caso do IPVA, há o contribuinte (proprietário do carro) e o ente arrecadador (o Estado de São Paulo). • Critério quantitativo: define a base de cálculo e a alíquota. Para o IPVA, a base de cálculo é o valor venal do carro, e a alíquota em São Paulo é de 4%. Assim, para um carro avaliado em R$ 70.000, o imposto devido será de R$ 2.800. Outro ponto importante é que a lei deve prever a forma de cobrança, o que é feito por meio do lançamento tributário. Este é um ato administrativo oficial e plenamente vinculado, como no carnê de IPTU que chega à casa do contribuinte. A ausência de qualquer um desses elementos da regra matriz de incidência torna o tributo inválido. Por exemplo, se um boleto de IPTU não especificar a base de cálculo, ele será considerado nulo, pois a falta de transparência inviabiliza a fiscalização por parte do contribuinte. Legalidade x reserva legal É fundamental também distinguir entre os conceitos de legalidade e reserva legal. A legalidade, de forma ampla, implica que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei, conforme o art. 5º da Constituição. www.trilhante.com.br 12 Já a reserva legal exige que determinados assuntos sejam tratados exclusivamente por um tipo específico de lei. Um exemplo é a criação de empréstimos compulsórios, que só pode ser feita por lei complementar, o que exige um quórum mais rigoroso no Congresso. Cobrança do tributo Por fim, o quarto núcleo semântico refere-se à cobrança do tributo mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Isso significa que, uma vez ocorrido o fato gerador, o fisco tem o direito de realizar a cobrança por meio de atos administrativos formais, como o lançamento tributário. Essa atividade, porém, pode ser regulada por legislação infralegal. Doutrina Além dos núcleos mencionados no art. 3º do CTN, a doutrina acrescenta aspectos relevantes ao conceito de tributo. Segundo Luís Eduardo Schoueri, o tributo é uma receita pública de caráter derivado, que integra os cofres públicos,ainda que temporariamente. Essa receita deriva do poder de império do Estado, que pode exigir tributos de seus cidadãos. Adicionalmente, o tributo deve ser instituído conforme a Constituição e as leis, e apenas por entidades de Direito Público competentes, como a União, os Estados e os municípios. A destinação dos recursos arrecadados também é um elemento essencial no regime constitu- cional atual, pois ajuda a diferenciar a natureza jurídica dos tributos, especialmente entre impos- tos e contribuições. Essa diferenciação é importante para compreender o funcionamento da parafiscalidade, como ocorre com conselhos de classe, que têm a prerrogativa de fiscalizar e cobrar contribuições es- pecíficas. Portanto, ao estudar o conceito de tributo, é essencial compreender que sua validade está dire- tamente vinculada ao cumprimento rigoroso dos princípios constitucionais e legais que regem a matéria, garantindo transparência e legitimidade na relação entre o contribuinte e o Estado. www.trilhante.com.br 13 4. Natureza Jurídica dos Tributos (Art. 4º, CTN) e as Espécies Tributárias A natureza jurídica dos tributos é um tema central no estudo do Direito Tributário e está diretamente relacionada ao art. 4º do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la: I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II - a destinação legal do produto da sua arrecadação. Segundo o dispositivo, a natureza jurídica específica de um tributo é determinada pelo fato gerador da obrigação tributária, sendo irrelevantes para essa qualificação a denominação e as características formais adotadas pela lei. O que isso significa, na prática, é que o elemento essencial para definir a natureza de um tributo é o fato gerador em abstrato. Exemplos disso são o IPVA, cujo fato gerador é a propriedade de um veículo automotor, e o IPTU, que tem como fato gerador a propriedade de um imóvel. Esses fatos geradores, mesmo que abstratos, são determinantes para a definição da natureza jurídica. É irrelevante, portanto, o nome ou outras características formais atribuídas ao tributo pelo legislador, como especifica o inciso I do art. 4º do CTN. Em muitos casos, o legislador, por falta de técnica ou mesmo por oportunismo, pode denominar um tributo de forma inadequada, tentando contornar os limites constitucionais e legais do sistema tributário. Por isso, o nome dado ao tributo não deve ser o foco; o mais importante é a análise do fato gerador. Dois exemplos ilustram bem essa questão. O primeiro é a Contribuição do Fim Social, considerada pelo STF como um imposto, e não uma contribuição, por não possuir vinculação específica para sua arrecadação. Impostos são destinados à coletividade e custeiam gastos gerais, sem vinculação a uma finalidade específica, ao contrário das contribuições, cuja arrecadação é direcionada para finalidades específicas. O segundo exemplo é a Súmula Vinculante 41 do STF, que declarou inconstitucional a cobrança de taxas de iluminação pública (RE 573.675) https://portal.stf.jus.br/jurisprudencia/sumariosumulas.asp?base=26&sumula=2218 www.trilhante.com.br 14 Nesse caso, determinou-se que o correto seria a cobrança por meio de uma contribuição específica, como a COSIP (Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública), que será detalhada em aulas futuras. Destinação do produto Outro ponto importante abordado foi a destinação do produto da arrecadação. Embora o art. 4º do CTN afirme que a destinação legal do tributo é irrelevante para determinar sua natureza jurídica, isso não é mais inteiramente válido à luz da Constituição Federal de 1988. Esse dispositivo é considerado anacrônico, pois foi criado em um contexto jurídico que adotava a teoria tricotômica dos tributos, reconhecendo apenas impostos, taxas e contribuições de melhoria. Hoje, com base na teoria pentapartida, são reconhecidas cinco espécies tributárias: impostos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições especiais. Um exemplo que destaca a relevância da destinação é a diferenciação entre o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro líquido. Ambos possuem fatos geradores semelhantes, mas sua distinção depende da análise da destinação do produto arrecadado: enquanto os impostos financiam atividades gerais do Estado, as contribuições têm sua arrecadação vinculada a finalidades específicas. Portanto, é essencial interpretar o art. 4º do CTN dentro de seu contexto histórico e compreender que, no cenário atual, a destinação do produto da arrecadação pode, sim, ser relevante para determinar a natureza jurídica de certos tributos. Além disso, o art. 5º do CTN, que também se baseia na teoria tricotômica, é igualmente considerado desatualizado. Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. Por fim, adota-se atualmente a teoria pentapartida, conforme consolidado pelo STF. Assim, as espécies tributárias reconhecidas são: impostos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições especiais. Esses conceitos serão explorados em detalhes nas aulas seguintes, onde serão apresentados exemplos práticos e aprofundamentos teóricos. www.trilhante.com.br 15 5. Taxas Localização na Constituição Federal (CF) A taxa está prevista no art. 145, II da CF. Ele dispõe que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem instituir tributos. Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: [...] II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição; A taxa é um tipo de tributo que pode ser cobrado por todos os entes federativos. Há tributos que possuem competência exclusiva da União, do Estado ou do Município, mas a taxa não se enquadra nesse caso. Cada ente federativo pode instituir taxas dentro de suas respectivas competências materiais, conforme detalhado na Constituição. Por exemplo, não é atribuição da União cobrar taxa de lixo de um munícipe, pois esta competência, que lida com questões de interesse local, pertence ao município. Da mesma forma, o Estado pode cobrar taxas relacionadas à fiscalização que esteja dentro de sua competência, enquanto a União, por meio de órgãos federais como o Ibama, pode instituir taxas relacionadas às suas atividades de fiscalização. Portanto, a taxa é um tributo de competência concorrente, o que significa que todos os entes federativos podem instituí-la, desde que respeitem suas competências materiais. Localização no Código Tributário Nacional (CTN) O CTN disciplina a taxa no art. 77, cuja redação é semelhante à da Constituição. Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que correspondam a imposto nem ser calculada em função do capital das empresas. O artigo estabelece que as taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios têm como fatos geradores: 1. O exercício regular do poder de polícia. www.trilhante.com.br 16 2. A utilização efetiva ou potencial de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. A principal diferença entre as redações do CTN e da CF está na precisão trazida pelo CTN ao delimitar as respectivas atribuições de cada ente federativo, garantindo maior clareza sobre quem pode instituir qual tipo de taxa. Poder de polícia e ataxa correspondente No âmbito do poder de polícia, a taxa está disciplinada no art. 78 do CTN, que define o poder de polícia como a atividade da administração pública que, ao limitar ou disciplinar direitos, interesses ou liberdades, regula a prática de atos ou a abstenção de fatos em prol do interesse público. Isso abrange áreas como segurança, higiene, ordem, costumes, disciplina da produção e do mercado, tranquilidade pública, entre outras. Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder. Essa definição inclui, por exemplo, atividades como a concessão de alvarás de funcionamento e fiscalizações em estabelecimentos comerciais. É o caso de órgãos como o Corpo de Bombeiros, que verifica se um imóvel atende aos requisitos de segurança, ou de fiscais que inspecionam condições de higiene em restaurantes. A fiscalização, para justificar a cobrança da taxa, não precisa ocorrer efetivamente. A simples capacidade do ente público de fiscalizar já torna legítima a cobrança. Por exemplo, com milhões de estabelecimentos no país, não é possível fiscalizar todos individualmente. Assim, a fiscalização ocorre por amostragem ou mediante denúncias, mas a competência para fiscalizar basta para justificar a cobrança da taxa. Ônus da prova no exercício do poder de polícia O CTN, no art. 78, parágrafo único, determina que o exercício do poder de polícia é regular quando desempenhado pelo órgão competente, nos limites da lei, com respeito ao devido processo legal e sem abuso ou desvio de poder. www.trilhante.com.br 17 Art. 78. [...] Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder. Caso o contribuinte considere que uma fiscalização ou cobrança foi indevida, cabe a ele o ônus da prova para demonstrar que o órgão não era competente ou que houve duplicidade de cobrança por diferentes órgãos. Art. 79. Os serviços públicos a que se refere o art. 77 consideram-se: I - utilizados pelo contribuinte: a) efetivamente, quando por ele usufruídos a qualquer título; b) potencialmente, quando, sendo de utilização compulsória, sejam postos à sua disposição mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento; II - específicos, quando possam ser destacados em unidades autônomas de intervenção, de utilidade, ou de necessidades públicas; III - divisíveis, quando suscetíveis de utilização, separadamente, por parte de cada um dos seus usuários. O dispositivo estabelece que os serviços públicos podem ser considerados utilizados pelo contribuinte em duas situações: 1. Efetivamente utilizados: quando o serviço é usufruído diretamente pelo contribuinte. 2. Potencialmente utilizados: quando, sendo de utilização compulsória, o serviço é colocado à disposição do contribuinte por meio de atividade administrativa em funcio- namento. Assim, uma característica marcante dessa taxa é que ela é devida mesmo que o contribuinte não utilize o serviço, desde que ele tenha sido colocado à disposição. Por exemplo, mesmo que o contribuinte opte por não utilizar determinado serviço público, ele não pode se eximir de pagar a taxa correspondente, pois a disponibilização já gera a obrigação tributária. Diferença entre taxa e poder de polícia Diferentemente da taxa associada ao poder de polícia, que envolve a fiscalização e segurança exercidas pelo Estado, as taxas pela prestação de serviços públicos se relacionam com serviços que proporcionam comodidade ou utilidade ao contribuinte. Nesse caso, o foco é o serviço prestado ou colocado à disposição, e não uma atividade de fiscalização. www.trilhante.com.br 18 Características das taxas de serviço público ESPECIFICIDADE Para que um serviço público gere uma taxa, ele deve ser específico, ou seja, destacado em unidades autônomas de intervenção, utilidade ou necessidade pública. O princípio da especificidade implica que a prestação estatal pode ser medida, com começo, meio e fim. Um exemplo clássico é a expedição de um passaporte. O serviço é claramente identificado e destinado a um contribuinte específico. DIVISIBILIDADE As taxas são divisíveis, pois devem ser cobradas apenas dos contribuintes que utilizam ou têm à disposição o serviço correspondente. A indivisibilidade inviabiliza a cobrança de taxas, transformando-as em impostos. Exemplo: a taxa de iluminação pública é considerada inconstitucional, pois não é possível mensurar o benefício individual de cada contribuinte. Base de cálculo das taxas O parágrafo único do art. 77 do CTN proíbe que a base de cálculo ou fato gerador das taxas sejam idênticos aos dos impostos. Art. 77. [...] Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que correspondam a imposto nem ser calculada em função do capital das empresas. No entanto, o STF admite (súmula vinculante 29) que elementos da base de cálculo de um imposto possam ser utilizados como referência para uma taxa. Por exemplo, uma taxa de fiscalização de imóvel pode utilizar a metragem como critério, desde que não seja confundida com o valor venal, que é base de cálculo do IPTU. Princípio da equivalência Atualmente, entende-se que as taxas devem ser calculadas com base no custo da atividade estatal correspondente. Isso reflete o gasto estatal necessário para a prestação do serviço, diferentemente de um cálculo baseado no benefício obtido pelo contribuinte, que é subjetivo e de difícil mensuração. https://portal.stf.jus.br/jurisprudencia/sumariosumulas.asp?base=26&sumula=1282 www.trilhante.com.br 19 Diferenças entre taxa, preço público e tarifa • Taxa: tributo derivado do poder de polícia ou de serviços públicos obrigatórios prestados pelo Esta- do. • Preço público: receita originária decorrente da prestação de serviços não obrigatórios, como alu- guéis ou passeios públicos. • Tarifa: considerada por alguns autores como uma espécie de preço público, é comumente asso- ciada a serviços prestados por concessionárias, como pedágios. • Essa distinção, embora relevante, é tema de debate entre juristas e deve ser interpretada com cautela, considerando o contexto em que se aplica. www.trilhante.com.br 20 6. Contribuição de Melhoria A contribuição de melhoria encontra-se disciplinada no art. 145, III, da Constituição Federal, sendo um tributo de competência concorrente. Isso significa que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem instituí-lo, desde que decorra de obra pública que gere valorização imobiliária. Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: [...] III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. No Código Tributário Nacional (CTN), o art. 81 define detalhadamente a contribuição de melhoria. Art. 81. A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cadaimóvel beneficiado. Esse tributo pode ser instituído por qualquer ente federativo para custear obras públicas que resultem em valorização imobiliária. Contudo, ele possui limites: o custo total da obra como limite global e o acréscimo de valor para cada imóvel como limite individual. Em outras palavras, o poder público só pode cobrar dos proprietários de imóveis beneficiados o valor que efetivamente foi gasto na realização da obra, evitando que o governo arrecade mais do que o necessário. Já o limite individual garante que cada imóvel só seja cobrado até o montante correspondente ao aumento de seu valor em decorrência da obra. Por exemplo, se a obra valorizou um imóvel em R$ 50 mil, a contribuição de melhoria cobrada desse proprietário não pode ultrapassar esse valor, mesmo que o custo total da obra permita uma cobrança maior. Características Entre as características fundamentais da contribuição de melhoria estão: 1. Competência concorrente: União, Estados e Municípios podem instituí-la. 2. Vinculação à valorização imobiliária: apenas imóveis que se valorizarem em decor- www.trilhante.com.br 21 rência da obra pública podem ser tributados. 3. Limites claros: o custo total da obra e a valorização individual de cada imóvel delimi- tam o valor a ser cobrado. Por exemplo, caso uma ponte construída cause desvalorização de um imóvel — por bloquear a vista ou criar outros impactos negativos —, não será devida a contribuição de melhoria para esse proprietário. Requisitos O art. 82 do CTN apresenta requisitos mínimos para a instituição do tributo, que incluem: 1. Publicação prévia de elementos específicos: memorial descritivo do projeto, orça- mento da obra, delimitação da zona beneficiada e definição de fatores de valorização. 2. Instituição por lei: a lei que cria a contribuição deve preceder a realização da obra. 3. Publicação do edital: após a conclusão da obra, um edital será publicado contendo o cálculo da valorização imobiliária, o custo da obra e os critérios de rateio. Art. 82. A lei relativa à contribuição de melhoria observará os seguintes requisitos mínimos: I - publicação prévia dos seguintes elementos: a) memorial descritivo do projeto; b) orçamento do custo da obra; c) determinação da parcela do custo da obra a ser financiada pela contribuição; d) delimitação da zona beneficiada; e) determinação do fator de absorção do benefício da valorização para toda a zona ou para cada uma das áreas diferenciadas, nela contidas; II - fixação de prazo não inferior a 30 (trinta) dias, para impugnação pelos interessados, de qualquer dos elementos referidos no inciso anterior; III - regulamentação do processo administrativo de instrução e julgamento da impugnação a que se refere o inciso anterior, sem prejuízo da sua apreciação judicial. §1º A contribuição relativa a cada imóvel será determinada pelo rateio da parcela do custo da obra a que se refere a alínea c, do inciso I, pelos imóveis situados na zona beneficiada em função dos respectivos fatores individuais de valorização. §2º Por ocasião do respectivo lançamento, cada contribuinte deverá ser notificado do montante da contribuição, da forma e dos prazos de seu pagamento e dos elementos que integraram o respectivo cálculo. O STF já decidiu que a publicação da lei específica deve ser anterior à obra. Porém, o edital com os detalhes dos cálculos e valores individuais pode ser publicado após a conclusão da obra, mas antes da cobrança. www.trilhante.com.br 22 Direito de impugnação Ainda no art. 82, destaca-se o direito de impugnação. Os contribuintes podem questionar os elementos do tributo por meio de processo administrativo ou judicial. A lei deve prever um prazo mínimo de 30 dias para a apresentação de impugnações, além de regulamentar o processo administrativo necessário. No que se refere ao rateio, este será proporcional à valorização de cada imóvel. Por exemplo, se uma praça é construída, imóveis mais próximos, que provavelmente se valorizam mais, pagarão proporcionalmente mais do que imóveis mais distantes. Por fim, a contribuição de melhoria é lançada de ofício, ou seja, cabe ao fisco calcular a base de cálculo e informar os contribuintes. Este devem ser notificados sobre o montante, os critérios de cálculo e os prazos para pagamento. Diferença entre taxa e contribuição de melhoria Embora ambas se baseiem no princípio da equivalência, a contribuição de melhoria é vinculada à valorização imobiliária decorrente de obra pública, enquanto a taxa está associada ao poder de polícia ou à prestação de serviços públicos específicos e divisíveis. No entanto, a equivalência na contribuição de melhoria é expressa constitucionalmente, enquanto na taxa é resultado de um juízo de razoabilidade. Por exemplo, antigas “taxas de pavimentação” segundo o STF, na verdade, são contribuições de melhoria, pois decorrem da valorização imobiliária originada pelo asfaltamento das vias (RE 140.779-4/SP) Aspecto Contribuição de melhoria Taxa Fato gerador Valorização imobiliária decorrente de obra pública Exercício de poder de polícia ou prestação de serviço público específico e divisível Base jurídica Princípio da equivalência (CF) Princípio da equivalência implícito, analisado pela razoabilidade Finalidade Financiar obras públicas que gerem valorização imobiliária Custear serviços públicos ou ações de fiscalização Limite de cobrança Despesa total da obra e valorização individual do imóvel Não há limite prévio, mas o valor deve ser razoável e proporcional ao custo do serviço de fiscalização Exemplo Pavimentação de rua que aumenta o valor dos imóveis locais Taxa de coleta de lixo ou de emissão de alvará de funcionamento www.trilhante.com.br 23 7. Empréstimo Compulsório Embora alguns doutrinadores argumentem que, do ponto de vista econômico, ele não seja exatamente um tributo, esse ponto será debatido ao final da aula. Previsão constitucional O empréstimo compulsório está disciplinado no art. 148 da Constituição Federal. Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios: I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência; II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, “b”. Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição. • Competência exclusiva da União: apenas a União pode instituir o empréstimo compulsório. Isso significa que Estados e Municípios não possuem essa prerrogativa. • Lei complementar: diferentemente de outros tributos que podem ser instituídos por meio de lei ordinária, o empréstimo compulsório exige uma lei complementar. • Natureza do tributo: como o próprio nome sugere, trata-se de um empréstimo, ou seja, deve ser devolvido posteriormente ao contribuinte. Essa característica o diferencia de outros tributos, cuja arrecadação normalmente integra permanentemente o patrimônio estatal. Os gatilhos constitucionais que permitem a instituição do empréstimo compulsório estão especificados no art. 148 e incluem: • Atender despesas extraordinárias decorrentes de calamidade pública, guerra externa ou sua iminência. Nesse caso, por conta da urgência, não há necessidade de respeitar o princípio da anterio- ridade. • Financiamento de investimentos públicos de caráter urgente e de relevante interesse nacional. Aqui, no entanto, o princípio da anterioridade anual deve ser observado. Calamidade pública, guerra ou iminência → não há princípio da anterioridade; Investimentos públicos urgentes e de relevante interesse → observar princípio da ante- rioridade anual. A anterioridade anual é um princípio tributário previsto no art. 150, III, b da CF. Ele estabelece que a lei que institui ou aumenta tributos só pode entrar em vigor no exercício financeiro seguinte ao de sua publicação. www.trilhante.com.br24 Previsão infraconstitucional No âmbito infraconstitucional, o CTN, em seu art. 15, reforça a exclusividade da União na criação do empréstimo compulsório e detalha os casos excepcionais em que pode ser instituído. Art. 15. Somente a União, nos seguintes casos excepcionais, pode instituir empréstimos compulsórios: I - guerra externa, ou sua iminência; II - calamidade pública que exija auxílio federal impossível de atender com os recursos orçamentários disponíveis; III - conjuntura que exija a absorção temporária de poder aquisitivo. Parágrafo único. A lei fixará obrigatoriamente o prazo do empréstimo e as condições de seu resgate, observando, no que for aplicável, o disposto nesta lei. Assim, o CTN especifica que a instituição dos empréstimos compulsórios pode ocorrer havendo: • Guerra externa ou sua iminência. • Calamidade pública que exija auxílio federal, sem possibilidade de atendimento pelos recursos orçamentários disponíveis. • Conjuntura que demande absorção temporária de poder aquisitivo (disposição desatualizada que reflete o contexto econômico da época da criação do CTN, durante o regime militar). Características São características do empréstimo compulsório: • Competência exclusiva da União: reafirmada tanto na Constituição quanto no CTN. • Necessidade de lei complementar: exigência constitucional que reforça a reserva legal qualificada. • Finalidade: apenas em situações excepcionais e de gravidade, como calamidades públicas, guer- ras ou investimentos urgentes de relevante interesse nacional. • Restituição obrigatória: diferentemente de outros tributos, o empréstimo compulsório deve ser restituído posteriormente ao contribuinte, o que justifica sua nomenclatura. A lei complementar que institui o empréstimo compulsório deve fixar o prazo para a devolução e as condições de resgate. Por exemplo, em casos recentes de calamidades, como os desastres naturais no Rio Grande do Sul ou durante a pandemia de Covid-19, cogitou-se a possibilidade de instituir um empréstimo compulsório para custear as despesas extraordinárias necessárias. Debate doutrinário No aspecto doutrinário, o empréstimo compulsório é amplamente debatido. www.trilhante.com.br 25 Hugo de Brito Machado aponta que, juridicamente, ele é considerado um tributo. Contudo, economicamente, não se enquadra como tal, já que os recursos arrecadados são devolvidos ao contribuinte após a superação da situação excepcional. Luiz Eduardo Schoueri destaca que o empréstimo compulsório não possui uma hipótese de incidência tradicional, mas sim “gatilhos materiais” que autorizam sua instituição. www.trilhante.com.br 26 8. Impostos Tributo = Imposto? Primeiramente, é essencial fazer uma digressão para esclarecer que, embora seja comum em matérias jornalísticas e no cotidiano tratar impostos como sinônimos de tributos, essa equivalência é incorreta do ponto de vista técnico-jurídico. Como jurista ou estudante que se prepara para concursos, é fundamental compreender que imposto não é sinônimo de tributo. Tributo é o gênero do qual o imposto é uma espécie, assim como taxas e contribuições de melhoria, que já foram abordadas. A Constituição Federal, em seu art. 145, I, prevê que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem instituir tributos, entre eles os impostos. Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I - impostos; [...] A competência é concorrente, mas é importante observar que cada ente federativo possui autonomia para instituir impostos específicos, dependendo dos fatos geradores, o que evita a sobreposição de competências. Por exemplo, a União não pode instituir impostos de competência dos municípios, como o IPTU. Atualmente, há entre 14 e 15 impostos previstos na CF, sendo que três ainda não foram instituídos. Competência da União A competência da União para tributos está estabelecida no art. 153, onde são listados os seguintes impostos: • II - Imposto de importação; • IE - Imposto de exportação • IR - Imposto de renda; • IPI - Imposto sobre produtos industrializados; • IOF - Imposto sobre operações financeiras; • ITR - Imposto sobre propriedade territorial rural; • IGF - Imposto sobre grandes fortunas; e • IS - Imposto seletivo. Destes, o IGF e o IS ainda não foram criados. O IGF depende de lei complementar, cuja aprova- www.trilhante.com.br 27 ção exige maioria absoluta, o que torna sua instituição mais complexa. Já o IS está vinculado à implementação da reforma tributária. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I - importação de produtos estrangeiros; II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III - renda e proventos de qualquer natureza; IV - produtos industrializados; V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI - propriedade territorial rural; VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar. VIII - produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, nos termos de lei complementar. Competência dos Estados A competência para instituir impostos dos Estados e do DF está disposta nos arts. 155 e 156- A da Constituição. Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; III - propriedade de veículos automotores. [...] Art. 156-A. Lei complementar instituirá imposto sobre bens e serviços de competência compartilhada entre Estados, Distrito Federal e Municípios. [...] Os impostos estaduais incluem: • ITCMD - Imposto sobre transmissão causa mortis e doação; • ICMS - Imposto sobre circulação de mercadorias e serviços; • IPVA - Imposto sobre propriedade de veículos automotores; • IBS - Imposto sobre bens e serviços - de competência compartilhada com os Municípios. • Competência dos Municípios www.trilhante.com.br 28 Já os impostos municipais incluem: • IPTU - Imposto sobre propriedade predial e territorial urbana; • ITBI - Imposto sobre transmissão de bens imóveis; e • ISS - Imposto sobre serviços de qualquer natureza. Competência residual da União A competência residual da União está prevista no art. 154 da Constituição. Art. 154. A União poderá instituir: I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; II - na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação. A União pode instituir novos impostos, desde que não sejam cumulativos, tenham base de cálculo distinta dos tributos já previstos e sejam instituídos por lei complementar. Esses impostos são criados para atender a situações extraordinárias, como guerra externa, e devem ser extintos gradualmente com o término das causas que justificaram sua criação. Características dos impostos Uma característica dos impostos é que eles são devidos independentemente de qualquer contraprestação de serviço estatal específico ou poder de polícia. Isso os diferencia de taxas e contribuições de melhoria. O CTN, no art. 16, define o imposto como o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica relativa ao contribuinte. Art. 16. Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte. O IPVA é um exemplo clássico. Mesmo que as ruas de uma cidade sejam de péssima qualidade ou sequer asfaltadas, o proprietário deum veículo automotor é obrigado a pagar o imposto. Isso ocorre porque o pagamento é desvinculado de qualquer prestação estatal específica. Além disso, o produto da arrecadação dos impostos não é vinculado, como regra, a despesas ou fundos específicos, conforme estabelecido no art. 167, IV, da Constituição. www.trilhante.com.br 29 Art. 167. São vedados: [...] IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, §2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, §8º, bem como o disposto no §4º deste artigo; Os impostos também têm como fundamento o princípio da capacidade contributiva, previsto no art. 145, §1º, da Constituição. Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: [...] §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Esse princípio estabelece que os impostos devem ser proporcionais à capacidade econômica do contribuinte, sendo graduados para respeitar as desigualdades. Um exemplo é o imposto de renda, cujas alíquotas aumentam conforme a renda do contribuinte. Reforma tributária A reforma tributária no Brasil busca simplificar o sistema atual, que é amplamente reconhecido como complexo, ineficiente e oneroso. Em 2025 foi sancionada e publicada a LC 214 que regulamenta a reforma tributária sobre o consumo. A lei estabeleceu as seguintes alterações principais: • Cesta básica: itens essenciais, como arroz, feijão, leite e carnes (exceto foie gras), terão alíquota zero. Produtos como frutas, mel e sucos naturais terão redução de 60%. • Imposto seletivo: será aplicado a produtos nocivos à saúde ou ao meio ambiente, como bebidas alcoólicas, cigarros e veículos. Exportações de minérios estarão isentas. • Cashback: famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico receberão devolução de tributos sobre itens básicos como água, gás e energia. • Setores com alíquota reduzida (60%): incluem educação básica, insumos agrícolas, saúde, disposi- tivos médicos, higiene pessoal e produções culturais. • Profissionais liberais: profissões regulamentadas terão redução de 30% no IVA. www.trilhante.com.br 30 • Trava para alíquota: o teto da alíquota padrão do IVA será de 26,5%. Caso exceda em 2033, medi- das para reequilibrar a carga tributária serão propostas. • Nanoempreendedores: profissionais com renda anual de até R$ 40,5 mil poderão optar pelo Sim- ples Nacional ou IVA reduzido. • Aplicativos de transporte: motoristas e entregadores pagarão imposto sobre apenas 25% da recei- ta. Aqueles com renda até R$ 40,5 mil anuais podem se enquadrar como nanoempreendedores. • Medicamentos e saúde: medicamentos registrados na Anvisa terão redução de 60%, e cerca de 400 princípios ativos para tratamentos graves terão alíquota zero. Planos de saúde corporativos serão créditos tributários e planos para pets terão redução de 30%. • Mercado imobiliário: transações terão redução de 50% na alíquota. Locadores de até três imóveis e renda anual inferior a R$ 240 mil terão isenção de IVA. • Setores de bares, hotéis e restaurantes: alíquota será reduzida em 40%, mas os consumidores não poderão deduzir créditos tributários. • Zona Franca de Manaus: benefícios fiscais para o setor de refino foram mantidos, beneficiando a Refinaria da Amazônia. Novo formato de tributação A reforma visa um novo formato de tributação, propondo a criação de dois tributos principais: • IBS - Imposto sobre Bens e Serviços que unificará o ICMS (estadual) e o ISS (municipal). • CBS - Contribuição sobre Bens e Serviços, que substituirá o PIS e a Cofins. Categoria Competência Base legal (CF) Exemplos Impostos federais União Art. 153 II, IE, IR, IPI, IOF, ITR, IGF, IS Impostos estaduais Estados e DF Art. 155 ITCMD, ICMS, IPVA, IBS Impostos municipais Municípios Art. 156 IPTU, ITBI, ISS, IBS Impostos residuais União Art. 154, I Exemplo hipotético: ITF - Imposto sobre transações financeiras Impostos extraordinários União Art. 154, II Exemplo hipotético: Imposto para guerra externa www.trilhante.com.br 31 9. Contribuições A contribuição é um tributo que apresenta características distintas em relação aos impostos, motivo pelo qual deve ser tratado de forma diferenciada. Dentro do estudo constitucional, as contribuições possuem uma disciplina bastante heterogênea, sendo regulamentadas por diversos dispositivos da Constituição Federal. O foco inicial deste estudo é o art. 149, que determina ser competência exclusiva da União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais e econômicas, também conhecidas como contribuições especiais. Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Essas contribuições devem observar os dispositivos do art. 146, III, e os arts. 151, I e III, além de respeitar o art. 195, §6º, quando aplicável. Art. 146. Cabe à lei complementar: [...] III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas, inclusive em relação aos tributos previstos nos arts. 156-A e 195, V; d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso dos impostos previstos nos arts. 155, II, e 156-A, das contribuições sociais previstas no art. 195, I e V, e § 12 e da contribuição a que se refere o art. 239. Art. 151. É vedado à União: I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País; [...] III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] www.trilhante.com.br 32 §6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, “b”. Contribuições sociais x especiais As contribuições se dividem em dois tipos principais: as contribuições sociais e as contribuições especiais. Apesar de não constarem originalmente no Código Tributário Nacional (CTN), o STFentende que o CTN, como norma complementar, aplica-se às contribuições, reforçando sua natureza tributária. A União é a principal responsável pela instituição das contribuições, mas o art. 149, § 1º, concede uma exceção, permitindo que Estados, Distrito Federal e Municípios instituam contribuições para o custeio de regimes próprios de previdência dos seus servidores públicos. Art. 149 [...] §1º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, por meio de lei, contribuições para custeio de regime próprio de previdência social, cobradas dos servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas, que poderão ter alíquotas progressivas de acordo com o valor da base de contribuição ou dos proventos de aposentadoria e de pensões. As contribuições previdenciárias exemplificam as contribuições especiais e ilustram as diferenças entre os dois tipos principais. A natureza dessas contribuições justifica sua separação conceitual, pois possuem características tão distintas que poderiam ser consideradas espécies tributárias apartadas, em vez de serem englobadas sob um único guarda-chuva conceitual. Além disso, é importante observar as regras gerais de Direito Tributário. No entanto, há uma exceção relevante: o art. 195, §6º, da Constituição determina que as contribuições sociais precisam observar apenas a anterioridade de noventa dias (noventena), mas não a anual. Essa especificidade reforça a natureza singular dessas contribuições em relação a outros tributos. Hipóteses de incidência As contribuições foram criadas sob a égide da Constituição de 1988 e possuem hipóteses de incidência próprias, semelhantes às dos impostos. Contudo, diferenciam-se pela destinação vinculada de sua arrecadação, razão pela qual são frequentemente chamadas de “impostos com afetação”. www.trilhante.com.br 33 A arrecadação das contribuições sociais é destinada à ordem social, enquanto a arrecadação das contribuições especiais é direcionada ao manejo de sua própria finalidade específica, seja previdenciária, de intervenção no domínio econômico ou de categoria profissional. Para identificar se uma contribuição é social ou especial, deve-se analisar o destino de sua arrecadação. Essa distinção, que envolve conceitos como referibilidade, será abordada de forma mais detalhada em aulas futuras. www.trilhante.com.br 34 10. Contribuições Sociais As contribuições sociais são uma espécie de tributo pertencente ao gênero das contribuições, diferenciando-se principalmente pela sua afetação. Essa especificidade significa que o produto de sua arrecadação é destinado a um fim específico, geralmente relacionado à seguridade social. Segundo Luiz Eduardo Schoueri, essas contribuições podem ser entendidas como impostos com afetação, pois compartilham com os impostos as hipóteses tributárias baseadas em demonstrações de riqueza, mas se distinguem pela destinação de seus recursos. Do ponto de vista jurídico, não haveria, em princípio, razão para o estudo separado das contribuições sociais, já que elas possuem aspectos materiais semelhantes aos dos impostos. Contudo, a característica que as diferencia e justifica seu estudo individual é exatamente a afetação do produto arrecadado para finalidades específicas, como o financiamento da seguridade social, seguro-desemprego e educação. Seguridade social e assistência social A seguridade social, por sua vez, é definida no art. 194 da Constituição Federal como um conjunto integrado de ações dos poderes públicos e da sociedade, destinado a assegurar os direitos relativos à saúde, previdência e assistência social. Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Esse tripé é fundamental para compreender o conceito de seguridade social, especialmente considerando que nem todos estão familiarizados com o termo “assistência social”. Esta última, disciplinada no art. 203 da Constituição, abrange a proteção à família, maternidade, infância, adolescência, velhice, amparo aos necessitados, promoção da integração ao mercado de trabalho, entre outros objetivos. A competência para instituir contribuições sociais é exclusiva da União, conforme estabelecido pela Constituição Federal. Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II - o amparo às crianças e adolescentes carentes; www.trilhante.com.br 35 III - a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. Contribuições As principais contribuições sociais estão descritas no art. 195, que determina que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos de orçamentos públicos e de contribuições específicas. Entre estas, destacam-se: • Contribuição sobre a folha de salários: também chamada de contribuição patronal, incide sobre os rendimentos pagos aos trabalhadores. • Contribuição sobre a receita ou faturamento: representada principalmente pelo PIS e COFINS, que serão substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) com a reforma tributária. • Contribuição sobre o lucro: Refere-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que se destina ao custeio da seguridade social, diferentemente do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, cuja arrecadação não possui vinculação. • Contribuição sobre concursos de prognósticos: incide sobre operações como loterias e jogos de aposta, como a Mega-Sena e a Lotofácil. • Contribuição do importador de bens ou serviços: aplica-se a operações realizadas por importado- res. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, podendo ser adotadas alíquotas progressivas de acordo com o valor do salário de contribuição, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social; III - sobre a receita de concursos de prognósticos. www.trilhante.com.br 36 IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. V - sobre bens e serviços, nos termos de lei complementar. [...] Além dessas, o texto constitucional prevê outras contribuições sociais dispersas, como a contribuição ao salário-educação, disciplinada no art. 212, que depende da existência de empregados na empresa para sua instituição, e as contribuições ao sistema S (SESC, SENAC, SENAR, entre outros), reguladas pelo art. 240, destinadas ao financiamento dessas entidades. Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários,