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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA INSTITUTO DE GEOGRAFIA Disciplina: Hidrografia – 2º período Prof. Dr. Vanderlei de Oliveira Ferreira CARACTERIZAÇÃO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS Uma bacia hidrográfica é uma unidade fisiográfica, limitada por divisores topográficos, que recolhe a precipitação, age como um reservatório de água e sedimentos, defluindo-os em uma seção fluvial única, denominada exutório. Os divisores topográficos ou divisores de água são as cristas das elevações do terreno que separam a drenagem da precipitação entre duas bacias adjacentes. A bacia hidrográfica, associada a uma dada seção fluvial ou exutório, é individualizada pelos seus divisores de água e pela rede fluvial de drenagem. Essa individualização pode se fazer por meio de mapas topográficos. Os divisores de água de uma bacia formam uma linha fechada. É desenhada a partir da seção fluvial do exutório, em direção às maiores cotas ou elevações. A rede de drenagem de uma bacia hidrográfica é formada pelo rio principal e pelos seus tributários, constituindo-se em um sistema de transporte de água e sedimentos, enquanto a sua área de drenagem é dada pela superfície da projeção vertical da linha fechada dos divisores de água sobre um plano horizontal, sendo geralmente expressa em hectares (ha) ou quilômetros quadrados (km2). Uma bacia hidrográfica é um sistema que integra as conformações de relevo e drenagem. A parcela da chuva que se abate sobre a área da bacia e que irá transformar-se em escoamento superficial escoa a partir das maiores elevações do terreno, formando enxurradas em direção aos vales. Esses, por sua vez, concentram esse escoamento em córregos, riachos e ribeirões, os quais confluem e formam o rio principal da bacia. O volume de água que passa pelo exutório na unidade de tempo é a vazão ou descarga da bacia. A caracterização da bacia hidrográfica define objetivamente as medidas gráficas e índices fisiográficos mais difundidos na literatura científica que podem ser estabelecidos através de cartas que contém curvas de nível (topografia) e a rede de rios (hidrografia). Portanto, o ponto de partida para extrair as informações fisiográficas é a individualização da bacia hidrográfica. 2 Características Geométricas de uma Bacia Hidrográfica 1 DIVISOR DA BACIA A Figura abaixo ilustra a seqüência de passos que deve ser empregada para se fazer a delimitação da bacia hidrográfica de interesse, baseada em um mapa topográfico com curvas de nível e indicação dos cursos d’água. A bacia hidrográfica deve ser delimitada no ponto inicial da modelagem do rio (por exemplo, onde há o primeiro lançamento de esgotos), de forma a permitir a determinação da vazão neste ponto. Adicionalmente, deve ser feita a delimitação da bacia para se ter a configuração completa do sistema em estudo. Etapa 1: Definir o ponto em que será feita a delimitação da bacia, o qual define o exutório, situado na parte mais baixa do trecho em estudo do curso d’água principal. Reforçar a marcação do curso d’água principal e dos tributários (os quais cruzam as curvas de nível, das mais altas para as mais baixas, e definem os fundos de vale). Exutório 700 700 700 700 695 695 695 690 690 690 685 685 680 680 675 675 680 680 670 670 665 665 660 655 685 680 685 700 3 Etapa 2: Para definir o limite da bacia hidrográfica, partir do exutório e conectar os pontos mais elevados, tendo por base as curvas de nível. O limite da bacia circunda o curso d’água e tributários, não podendo nunca cruzá-los. Próximo a cada limite marcado, verificar se uma gota de chuva que cair do lado de dentro do limite realmente escoará sobre o terreno rumo às partes baixas (cruzando perpendicularmente as curvas de nível) na direção dos tributários e do curso d’água principal (se ela correr em outra direção é porque pertence a outra bacia). Notar que dentro da bacia poderá haver locais com cotas mais altas do que as cotas dos pontos que definem o divisor de águas da bacia. 2 ÁREA DA BACIA É a área medida em planta da superfície contribuinte à seção exutório da bacia. É dado em unidade de área: m², km², ha. Exutório 700 700 700 700 695 695 695 690 690 690 685 685 680 680 675 675 680 680 670 670 665 665 660 655 685 680 685 Divisor de Águas 700 4 3 PERÍMETRO DA BACIA É o comprimento da linha de contorno da bacia em planta (divisor de águas, linha divisora de água que delimita a bacia). 4 FORMA DA BACIA A forma da bacia é uma característica importante devido ao tempo de concentração, ou seja, o tempo a partir do início da precipitação, necessário para que toda a bacia contribua na seção em estudo. 4.1 Coeficiente de Compacidade ou Índice de Gravelius É um índice de forma que relaciona o perímetro da bacia com o perímetro do círculo de mesma área. Quanto mais o valor encontrado se afastar da unidade mais diferente do círculo será a bacia. Se os outros fatores que influenciam a formação do hidrograma fossem iguais, a tendência para maiores enchentes é tanto mais acentuada quanto mais próximo da forma circular for a bacia. A P0,28Κ c P = perímetro da bacia A = área da bacia 4.2 Índice de conformação ou fator de forma (Kf) É um índice de forma que avalia o grau de alongamento da bacia 2f L AΚ L = comprimento da bacia quando segue o curso d’água mais longo A = área da bacia O fator de forma demonstra uma relação da bacia com um retângulo e também indica a maior ou menor probabilidade de enchentes. Se 1Κ f , a bacia é menos sujeita a enchentes que outra de mesmo tamanho, porém com maior fator de forma. Isso se dá porque a bacia é estreita e longa. Portanto, analogamente ao índice anteriormente descrito, a contribuição dos tributários atinge o curso d’água principal em vários pontos ao longo do mesmo, causando a chegada da água ao mesmo em tempos diferentes. Além disso, há menos possibilidade de ocorrência de chuvas intensas cobrindo simultâneamente toda sua extensão. Se 1Κ f , a bacia é mais vulnerável a enchentes. 5 Características da Rede de Drenagem da Bacia Hidrográfica 5 ORDEM DO CURSO D´AGUA SEGUNDO HORTON Cursos d'água de primeira ordem são aqueles que não possuem tributários. Os de segunda ordem têm apenas afluentes de primeira ordem. Os de terceira ordem recebem afluência dos de segunda ordem, podendo receber afluência direta de cursos d´agua de primeira ordem, desde a sua nascente até sua seção final. Exemplo de classificação das ordens dos cursos d’água em um sistema hidrográfico 6 COMPRIMENTO DA REDE DE DRENAGEM É o comprimento de todos os cursos d'água da bacia somados. Após classificar o rio que está compreendido dentro da bacia, identificar (nomear) cada trecho do rio, para organizar uma tabela: - chamar de P(n), todas as ramificações de Primeira Ordem; - S(n), todas as de Segunda Ordem e; - T(n), todas as de Terceira Ordem, e assim por diante. Exutório 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 3 2 3 3 3 3 3 6 Organizar a tabela da seguinte forma: Primeira Ordem Segunda Ordem Terceira Ordem P(n) (m) S(n) (m) T(n) (m) P1 2.687,488 S1 450,270 T1 46,360 P2 807,701 S2 56,669 T2 1.337,881 P3 1.967,237 S3 350,046 T3 892,868 P4 1.514,490 S4 1.190,205 T4 338,527 P5 1.506,618 S5 1.483,142 T5 555,877 P6 1.373,729 S6 697,837 T6 661,692 P7 1.413,034 S7 302,356 T7 221,715 P8 1.454,498 S8 1.283,235 P9 1.033,144 S9 452,107 P10 1.107,452 S10 467,233 P11 875,704 S11 340,268 P12 1.535,201 S12 466,724 P13 1.593,857 S13 271,245 P14 843,580S14 731,298 P15 918,043 P16 1.121,210 P!7 1.340,157 P18 1.078,248 P19 902,012 P20 831,058 P21 890,508 P22 918,518 Total P(n) = 27.713,485 Total S(n) = 8.542,634 Total T(n)= 4.054,917 Total = 40.311,036 7 7 COMPRIMENTO DO RIO PRINCIPAL É o comprimento do curso mais longo, ou seja, do curso que possui a maior distancia partindo-se do exutório e que se encontra dentro da bacia. Na figura, o rio que se encontra em vermelho representa o Rio Principal da Bacia, e os afluentes que se encontram na cor azul, representam os rios secundários que também compõem a mesma. 8 DESNÍVEL MÁXIMO DO RIO PRINCIPAL Dado pela diferença entre a altitude da nascente e a altitude da seção exutório do rio principal da bacia. 9 PERFIL LONGITUDINAL DO RIO PRINCIPAL É o gráfico de altitudes versus distâncias contadas sobre o eixo do rio a partir da seção do exutório. Veja como organizar os dados para o traçado do perfil longitudinal do curso de água principal: Intervalos de Altitude Trecho do Rio Principal (Km) Comprimento Acumulado (Km) exutório - 380 4,8067 4,8067 380 - 400 2,0290 6,8356 400 - 420 1,3494 8,1850 420 - 440 0,6479 8,8329 440 - 460 0,6988 9,5317 460 – cota máxima 0,0733 9,6050 Total 9,6050 8 Perfil Longitudinal 360 380 400 420 440 460 480 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Comprimento do Rio Principal (Km) Al tit ud es (m ) 10 DECLIVIDADES DO RIO PRINCIPAL A água da precipitação concentra-se nos leitos fluviais depois de se escoar superficial e subterraneamente pelos terrenos da bacia e escoa em direção ao exutório. A velocidade de escoamento de um rio depende da declividade dos canais fluviais. Quanto maior a declividade, maior será a velocidade de escoamento, influenciando diretamente na formação dos hidrogramas de cheias da bacia. 10.1 Declividade Simples É obtida pela divisão do desnível máximo ( H ) pelo comprimento (L) L HS 1 S1 é determinado diretamente no gráfico do perfil longitudinal: 9605,0225 372,658461,783 S1 0,00928m/m S1 10.2 Declividade Racional É uma declividade sem as tendenciosidades das partes extremas do perfil longitudinal. É dada pela expressão: L HHSi 75,0 1085 085 . Onde H10 e H85 são as cotas em seções do rio principal distantes do exutório, respectivamente, 10% a 85% do comprimento total (L). 9 11 DENSIDADE DE DRENAGEM É o comprimento total (L) de todos os cursos d’água da bacia dividido pela sua área contribuinte. Pode ser dado em km/km². A densidade de drenagem varia diretamente com a extensão do escoamento superficial e, portanto, fornece uma indicação da eficiência da drenagem da bacia. A LDd /////////////////////////////////////////////////////////////////