Prévia do material em texto
Ansioliticos e Hipnoticos Farmacologia básica Biomedicina - 5° Semestre Andressa Marques (@ji9study) 2025 1.0 Benzodiazepínicos · São os ansiolítico mais usados; · Não são necessariamente a melhor escolha contra ansiedade ou insônia; · Certos antidepressivos com ação ansiolítica, como os inibidores seletivos da captação da serotonina (ISCSs), são preferidos. 1.1 Mecanismo de ação · Os alvos para as ações dos BZD são os receptores do ácido γ-aminobutírico tipo A GABA. (o GABA é o principal neurotransmissor inibitório no sistema nervoso central. Os receptores do GABA, são compostos de uma combinação, no somatório de cinco subunidades α, β e γ inseridas na membrana pós-sináptica. . Classificação de neurotransmissores monoaminas . · Catecolaminas (dopamina, noradrenalina e adrenalina), que possuem um radical catecol, e; · Indolaminas (serotonina e histamina), cuja porção aromática tem um radical indol; · Acetilcolina. . Aminoácidos: . · Excitatório: Glutamato; · Inibitórios: GABA; · A fixação do GABA ao seu receptor inicia a abertura do canal iônico central, permitindo a entrada de Cl- através do poro; · Cl- causa hiperpolarização do neurônio e ⭣ a neurotransmissão, inibindo a formação de potenciais de ação; · Os BDZ modulam os efeito do Gaba ligando-se a um local local específico de alta afinidade (distinto do local de ligação do GABA), situado na interface da subunidade α e da subunidade γ no receptor GABAa; NOTA!!! Esses locais de ligação, algumas vezes, são denominados receptores BDZ. Subtipos de receptores BZ comuns no SNC são designados de BZ1 ou BZ2 dependendo do local de ligação incluir uma subunidade α1 ou α2, respectivamente. Os BDZ aumentam a frequência da abertura dos canais produzida pelo GABA. . Os benzodiazepínicos são potencializadores do efeito GABA . 1.2 Mecanismo de ação · Redução da ansiedade: Em doses baixas, os BDZ são ansiolítico; · Efeito hipnótico/sedativo: Todos os BDZ têm propriedades sedativas e calmantes, e alguns podem produzir hipnose (sono produzido “artificialmente”) em doses mais elevadas. · Amnésia: A perda temporária da memória com o uso de BDZ também é mediada pelos receptores GABAa. A capacidade de aprender e formar novas memórias também é reduzida. · Efeito anticonvulsivante: Vários BDZ têm atividade anticonvulsivante; · Relaxamento muscular: Em doses elevadas, os BDZ diminuem a espasticidade do músculo esquelético. 1.3 Usos terapêuticos · Existem pequena diferenças nas propriedades ansiolíticas, anticonvulsivantes e sedativas entre os diferentes BDZ; · Contudo, a duração de ação varia amplamente no grupo, e considerações farmacocinéticas são importantes na escolha de um ou outro BDZ. · Distúrbios de Ansiedade: ansiedade secundária ao transtorno de pânico, do transtorno de ansiedade generalizada (TAG), do transtorno de ansiedade social, estresse pós-traumático, como medo de voar, ansiedade relacionada com depressão e esquizofrenia; · Esses fármacos devem ser reservados para a ansiedade grave, e não devem ser usados para lidar com o estresse da vida diária. Devido ao potencial de viciar, eles devem ser usados somente por pouco tempo; · Os BDZ de ação mais longa, como clonazepam, lorazepam e diazepam, são preferidos nos pacientes com ansiedade que podem exigir tratamento por tempo prolongado. · Distúrbios do sono: Poucos BDZ são úteis como hipnóticos. Eles diminuem a latência para dormir e aumentam o estágio II do sono não REM (sem movimentos rápidos dos olhos) · Exemplos: · Temazepam: Esse fármaco é útil em pacientes que acordam frequentemente. · Triazolam: É eficaz para tratar indivíduos que têm dificuldades em começar a dormir. · Amnésia: Midazolam é BDZ usado para facilitar a amnésia e causar sedação antes da anestesia ou outros procedimentos como endoscopia. · Convulsões: Clonazepam é usado ocasionalmente como tratamento adjunto contra certos tipos de convulsões, e lorazepam e diazepam são fármacos de escolha no controle do estado epilético. · Distúrbios musculares: O diazepam é útil no tratamento de espasmos dos músculos esqueléticos, como os que ocorrem no estiramento, e no tratamento da espasticidade devida a doenças degenerativas, como esclerose múltipla e paralisia cerebral. 1.4 Dependência · Pode-se desenvolver dependência física e psicológica aos BDZ se doses elevadas forem administradas por longos períodos; · Todos os benzodiazepínicos são fármacos controlados. · A interrupção abrupta resulta em sintomas de abstinência, incluindo confusão, ansiedade, agitação, intranquilidade, insônia, tensão e (raramente) convulsões. 1.5 Efeitos adversos · Sedação e confusão são os efeitos adversos mais comuns dos benzodiazepínicos; · Ocorre ataxia em doses elevadas, impedindo as atividades que exigem coordenação motora fina, como dirigir um automóvel. 1.6 Antagonistas de receptor benzodiazepínico · O flumazenil é um antagonista do receptor GABA que pode rapidamente reverter os efeitos dos BDZ. 2.0 Pregabalina 2.1 Mecanismo de ação · A substância atua na arquitetura do SNC, mais especificamente no cérebro. Seu mecanismo de ação ocorre por meio da regulação dos níveis de certos neurotransmissores, sobretudo nos que podem regular a intensidade dos sintomas dos transtornos mentais. 2.2 Análogo ao GABA · Como o GABA age desacelerando a atividade do SNC, isso faz com que a pregabalina - que tem função análoga a esse neurotransmissor - também atue de forma semelhante nos eventos ansiosos. No entanto, vale frisar que esse medicamento não atua diretamente nos receptores GABA presentes no cérebro. 2.3 Outras ações · Um dos locais de ligação da pregabalina é a subunidade α2-δ de canais de cálcio voltagem-dependentes. Presentes nas terminações nervosas, esses canais estão envolvidos nos mecanismos relacionados à transmissão de sinais de dor. Eles atuam, ainda, na hiperexcitabilidade neuronal comumente associada a neuropatias. · Ocorre a redução da liberação de neurotransmissores excitatórios, principalmente do glutamato. · O resultado disso é a supressão da atividade neuronal excessiva que, por sua vez, reduz a percepção da dor. 3.0 Barbitúricos · No passado foram a base do tratamento usado para sedar o paciente ou para induzir e manter o sono; · Foram amplamente substituídos pelos BDZ, principalmente porque barbitúricos induzem a tolerância e a dependência física e estão associados a sintomas de abstinência graves. · Todos os barbitúricos são substâncias controladas. 3.1 Mecanismo de ação · A ação hipnótico sedativa dos barbitúricos se deve à sua interação com os receptores GABAa, potencializando a transmissão gabaérgica; · O local de ligação dos barbitúricos no receptor GABA é diferente daquele dos benzodiazepínicos; · Além disso, os barbitúricos podem bloquear os receptores excitatórios do glutamato. 3.2 Usos terapêuticos · Anestésico: Os barbitúricos de ação ultracurta, como o tiopental, são usados por via IV para induzir anestesia, mas foram amplamente substituídos por outros fármacos. · Anticonvulsivante: O fenobarbital tem atividade anti convulsiva. Ele é usado por longos períodos no controle das convulsões tônicas - clônicas. · Pode deprimir o desenvolvimento cognitivo em crianças e diminuir o desempenho cognitivo em adultos. · Hipnóticos sedativos: Usados como sedativos leves para aliviar ansiedade, tensão nervosa e insônia. Usado também para insônia, porém hoje em dia não é o tratamento mais aceito. 3.3 Efeitos adversos · Sonolência, dificuldade de concentração e preguiça mental e física, que são potencializadas com etanol. · Provocam essa “ressaca” que compromete a capacidade do paciente de atuar normalmente durante várias horas depois do despertar; · Os barbitúricos induzem as enzimas microssomais citocromo P450 (CYP450) hepáticas. Por isso a administração crônica diminui a ação de vários fármacos que são biotransformados pelo sistema CYP450. 4.0 Outros hipnóticos 4.1 Zolpidem · Não faz parte dosbenzodiazepínicos mas se liga ao receptor do tipo BDZ¹ de forma seletiva; · Ele apresenta poucos efeitos de abstinência e provoca insônia de rebote mínima. Com o uso prolongado, ocorre pouca tolerância; · Efeitos adversos: pesadelos, agitação, amnésia anterógrada, cefaleia, distúrbios gastrointestinais, tonturas e sonolência diurna. 4.2 Zaleplona · É um hipnótico não benzodiazepínico oral similar ao zolpidem; · Causa menos efeitos residuais nas funções psicomotoras e cognitivas em comparação ao zolpidem ou aos benzodiazepínicos; · Isso pode ser devido a sua rápida eliminação, com uma meia-vida de cerca de 1 hora. 4.3 Eszopiclona · É um hipnótico não benzodiazepínico oral que também atua no receptor BZ1. Revelou-se eficaz contra insônia por até 6 meses. 4.4 Ramelteona · É um agonista seletivo dos subtipos de receptores de melatonina MT1 e MT2. A melatonina é um hormônio secretado pela glândula pineal que auxilia na manutenção do ritmo circadiano subjacente ao ciclo do sono - vigília normal. Ansiolíticos e hipnóticos image1.png image8.png image16.png image14.png image7.png image18.png image3.png image9.png image10.png image17.png image12.png image4.png image2.png image6.png image13.png image15.png image5.png image11.png image19.png