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Resumo — Direito Ambiental RESUMO COMPLETO Direito Ambiental Conceito • Evolução Histórica • Tutela Constitucional • Princípios MÓDULO 1 — Conceito e Evolução Histórica do Direito Ambiental 1.1 Conceituação A expressão 'meio ambiente' recebe críticas doutrinária por conter pleonasmo, já que 'meio' e 'ambiente' seriam sinônimos. Ainda assim, é a terminologia consagrada na legislação brasileira. Expressões equivalentes como 'Direito do Meio Ambiente' e 'Direito do Ambiente' também são usadas. A definição de referência é a de Fernandes Neto, adotada por Paulo Affonso Leme Machado: "Direito Ambiental é conjunto de normas e princípios editados objetivando a manutenção de um perfeito equilíbrio nas relações do homem com o meio ambiente." 1.2 Evolução Histórica Internacional • 1869 — Ernst Haeckel cunha o termo ecologia para os estudos das relações entre as espécies e seu ambiente. • 1965 — A expressão 'educação ambiental' (environmental education) é empregada pela primeira vez na Conferência de Educação da Universidade de Keele (Grã-Bretanha). • 1972 — Conferência de Estocolmo: marco mundial. Organizada pela ONU, entre 5 e 16 de junho de 1972. Reuniu chefes de estado de 113 países e ~400 instituições. Objetivo: analisar o binômio equilíbrio ambiental x desenvolvimento econômico. Página 1 de 10 Resumo — Direito Ambiental • 1974 — Seminário em Jammi (Finlândia): reconhece a educação ambiental como parte da educação integral e permanente. • 1975 — Congresso de Belgrado (atual Sérvia): a Carta de Belgrado estabelece metas e princípios da educação ambiental. • 1977 — Conferência de Tbilisi (Geórgia-EUA): define princípios orientadores da educação ambiental, com caráter interdisciplinar, crítico, ético e transformador. 1.3 Fases Históricas da Proteção Ambiental no Brasil 1ª Fase (1500–1950) — Individualista Caracterizada pela ausência de preocupação com o meio ambiente. 2ª Fase (1950–1980) — Fragmentária Verificou-se o controle de algumas atividades exploratórias em decorrência de seu valor econômico (Códigos de Pesca, Mineral, Caça etc.). 3ª Fase (1981–presente) — Holística Compreende o meio ambiente como um sistema integrado e interdependente. É reconhecido o caráter científico do Direito Ambiental — dotado de princípios, instrumentos, objeto e objetivo próprios. 1.4 Marcos Históricos Nacionais • 1973 — Criação da SEMA (Secretaria Especial do Meio Ambiente) no âmbito do Ministério do Interior. • 1981 — Lei n. 6.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente) — primeiro divisor de águas normativo da proteção ambiental no Brasil. • 1984 — CONAMA apresenta resolução estabelecendo diretrizes para a educação ambiental. • 1988 — Proteção constitucional do meio ambiente, art. 225 da CF/88. • 1991 — MEC determina que todos os currículos contemplem conteúdos de Educação Ambiental (Portaria 678/1991). • 1994 — Aprovação do Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA). • 1996 — Educação ambiental incluída como tema transversal nos Parâmetros Curriculares Nacionais. • 1999 — Criação da Política Nacional de Educação Ambiental (Lei 9.795/99). 1.5 Principal Legislação Ambiental Federal • Lei 6.938/81 — Política Nacional do Meio Ambiente • Lei 7.347/85 — Ação Civil Pública • Lei 7.802/89 — Agrotóxicos (revogada pela Lei 14.785/23) • Lei 9.433/97 — Política Nacional de Recursos Hídricos Página 2 de 10 Resumo — Direito Ambiental • Lei 9.605/98 — Crimes Ambientais • Lei 9.795/99 — Educação Ambiental • Lei 9.985/00 — Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) • Lei 10.257/01 — Estatuto da Cidade • Lei 11.105/05 — Lei de Biossegurança • Lei 12.187/09 — Política Nacional sobre Mudança do Clima • Lei 12.305/10 — Política Nacional de Resíduos Sólidos • Lei 12.651/12 — Código Florestal • Lei 14.785/23 — Nova Lei dos Agrotóxicos MÓDULO 2 — Conteúdo, Relações com Outros Ramos e Educação Ambiental 2.1 Conteúdo do Direito Ambiental — Visões Doutrinárias • Prof. William Rodgers (EUA): protege o planeta e sua população das atividades que transtornam a Terra e sua capacidade de manutenção da vida. • Prof. Michel Prieur (França): conjunto de regras jurídicas relativas à proteção da natureza e à luta contra poluições. • Prof. Eduardo Pigretti (Argentina): estuda as relações do homem com a natureza. • Prof. Paulo Affonso (Brasil): é um direito sistematizador que articula legislação, doutrina e jurisprudência concernentes ao ambiente, buscando elementos em todos os ramos do direito. A definição legal de meio ambiente provém do art. 3º, I da Lei 6.938/81: 'o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.' Trata-se de um conceito amplo que abrange tudo que permite a vida, que a abriga e rege. 2.2 Autonomia e Metodologia O Direito Ambiental é informado pela interdisciplinaridade, valendo-se de perícias e de ciências como ecologia, botânica, química, engenharia florestal, sociologia, antropologia, história e arqueologia. Possui regime jurídico, objetivos e princípios próprios, mas convive em simbiose com outros ramos do direito. 2.3 Fontes do Direito Ambiental As fontes materiais são provenientes de manifestações individuais ou coletivas: descobertas científicas, doutrina jurídica nacional ou internacional. As fontes formais decorrem do ordenamento jurídico nacional: CF, legislação infraconstitucional, convenções, tratados internacionais, atos e resoluções administrativas e jurisprudência. Página 3 de 10 Resumo — Direito Ambiental 2.4 Relação com Outros Ramos do Direito • Direito Constitucional: disciplina as normas fundamentais de proteção ao meio ambiente. • Direito Civil: trata do direito de propriedade e vizinhança. • Direito Administrativo: cuida dos atos administrativos e do poder de polícia. • Direito Processual: estabelece princípios processuais e disciplina as ações coletivas. • Direito Penal: dispõe sobre aplicação de penas aos que infringem a legislação ambiental. • Direito Tributário: disciplina a incidência ou isenção de tributos em APP ou reserva florestal legal. • Direito Internacional: sistematiza a adoção de regras internacionais uniformes por meio de pactos, convenções e tratados. 2.5 Gestão Ambiental Gestão ambiental é o conjunto de diretrizes, atividades administrativas e operacionais que têm por finalidade obter efeitos positivos sobre o meio ambiente. É a maneira pela qual o cidadão, o empresário e o governo agem para fazer o mundo melhor (Luís Sirvinskas). 2.6 Educação Ambiental — Lei 9.795/99 A educação ambiental é o processo por meio do qual o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e à sustentabilidade (art. 1º da Lei 9.795/99). Ela é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente de forma articulada em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. Princípios da Educação Ambiental • Enfoque humanista, democrático, participativo e holístico. • Concepção do meio ambiente em sua totalidade, com interdependência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob enfoque da sustentabilidade. • Pluralismo de ideias e concepções pedagógicas na perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade. • Vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais. • Abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais. • Respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural. Objetivos da Educação Ambiental Página 4 de 10 Resumo — Direito Ambiental • Desenvolvimento de compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas relações ecológicas, psicológicas, legais, políticas, sociais, econômicas,científicas, culturais e éticas. • Estímulo e fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social. • Incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente. • Compreensão da qualidade ambiental como valor inseparável do exercício da cidadania. • Fomento da integração com a ciência e a tecnologia. • Fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade. Modalidades de Educação Ambiental A Política Nacional de Educação Ambiental abrange duas modalidades. A educação ambiental formal é desenvolvida no âmbito dos currículos das instituições de ensino públicas e privadas, englobando educação básica (infantil, fundamental e médio), superior, especial, profissional e de jovens e adultos. A educação ambiental não formal compreende as ações educativas voltadas à sensibilização da coletividade por meio de comunicação de massa, ONGs, empresas públicas e privadas, unidades de conservação, agricultores e ecoturismo. O órgão gestor da Política Nacional de Educação Ambiental é formado pelo gabinete dos Ministros de Estado do Meio Ambiente e da Educação, conforme o Decreto n. 4.281/2002. MÓDULO 3 — Tutela Constitucional do Meio Ambiente 3.1 Artigo Central — Art. 225 da CF/88 "Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações." Este artigo reconhece o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, estabelece que ele é bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, e impõe ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo. 3.2 Incumbências do Poder Público — §1º do Art. 225 • I — Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas. • II — Preservar o patrimônio genético do país e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético. Página 5 de 10 Resumo — Direito Ambiental • III — Definir espaços territoriais a serem protegidos. Alteração e supressão permitidas somente por lei; vedada qualquer utilização que comprometa sua integridade. • IV — Exigir, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação, estudo prévio de impacto ambiental (EIA), a que se dará publicidade. • V — Controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente. • VI — Promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente. • VII — Proteger a fauna e a flora, vedadas as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem extinção de espécies ou submetam animais a crueldade. (EC 96/2017: excetuam-se práticas desportivas que utilizem animais reconhecidas como manifestações culturais e patrimônio imaterial, regulamentadas por lei específica.) • VIII — Adotar regime fiscal favorecido para biocombustíveis e hidrogênio de baixa emissão de carbono, garantindo diferencial competitivo. (EC 132/2023.) 3.3 Demais Parágrafos do Art. 225 • §2º — Quem explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, conforme solução técnica exigida pelo órgão público. • §3º — Condutas e atividades lesivas ao meio ambiente sujeitam os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. • §4º — São patrimônio nacional: a Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira. Sua utilização ocorrerá dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente. • §5º — São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados para proteção dos ecossistemas naturais. • §6º — As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal. 3.4 Outros Dispositivos Constitucionais Ambientais Art. 20 — Bens da União • Terras devolutas indispensáveis à preservação ambiental. • Lagos, rios e correntes de água em terrenos da União, ou que banhem mais de um Estado ou sirvam de limite com outros países. • Ilhas fluviais, lacustres e oceânicas; praias marítimas. • Recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva (até 200 milhas). Página 6 de 10 Resumo — Direito Ambiental • Mar territorial (12 milhas marítimas). • Terrenos de marinha; potenciais de energia hidráulica; recursos minerais (inclusive subsolo). • Cavidades naturais subterrâneas e sítios arqueológicos e pré-históricos. • Terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. Competências Constitucionais • Art. 21, XIX — Compete à União instituir o sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos de uso. • Art. 22, IV — Competência privativa da União para legislar sobre águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão. • Art. 23 (competência comum) — III: proteger documentos e paisagens naturais notáveis; IV: impedir destruição de bens históricos e artísticos; VI: proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII: preservar as florestas, a fauna e a flora; XI: registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de recursos hídricos e minerais. • Art. 24 (competência concorrente) — I: direito urbanístico; VI: florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e recursos naturais, proteção ao meio ambiente e controle da poluição; VII: proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII: responsabilidade por dano ao meio ambiente. • Art. 30 — Municípios legislam sobre assuntos de interesse local, promovem ordenamento territorial e protegem o patrimônio histórico-cultural local. • Art. 91, §1º, III — Compete ao Conselho de Defesa Nacional propor critérios e condições de utilização, preservação e exploração dos recursos naturais. • Art. 170, VI — A ordem econômica deve observar, como princípio, a defesa do meio ambiente. • Art. 200, VIII — Entre as competências do SUS está a proteção do meio ambiente, incluído o do trabalho. • Art. 216, V — Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial que incluam sítios de valor ecológico, arqueológico, paleontológico e científico. • Art. 231, §1º — A CF garante a ocupação de terras pelos indígenas indispensáveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar. • Art. 5º, LXXIII — Qualquer cidadão pode propor Ação Popular para anular ato lesivo ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. • Art. 129, III — Incumbe ao Ministério Público promover o inquérito civil e a ação civil pública para proteção do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. Página 7 de 10 Resumo — Direito Ambiental 3.5 Classificação do Meio Ambiente • Meio Ambiente Natural: solo, ar, água, fauna e flora. • Meio Ambiente Artificial: edificações, vias, infraestrutura. • Meio Ambiente Cultural: patrimônio histórico, turístico e paisagístico. • Meio Ambiente do Trabalho: integridade física, saúde e condições do local de trabalho. MÓDULO 4 — Princípios do Direito Ambiental A palavra princípio vem do latim primum capere — 'aquilo que se toma primeiro' —, designando início, começo, ponto de partida. São as proposições básicas, fundamentais e típicas que condicionam todas as estruturas subsequentes (Cretella Júnior). Conforme Bandeira de Mello, violar um princípio é a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, pois representa insurgência contra todo o sistema, subversãode seus valores fundamentais. 4.1 Princípio do Direito ao Meio Ambiente Saudável O meio ambiente ecologicamente equilibrado é direito fundamental da pessoa humana. Configura-se como extensão do direito à vida em dois aspectos: a existência física e saúde dos seres humanos, e a dignidade dessa existência (qualidade de vida). Previsto no art. 225 da CF, é considerado cláusula pétrea (Ivette Senise Ferreira). 4.2 Princípio do Desenvolvimento Sustentável / Solidariedade Intergeracional Busca assegurar a solidariedade da presente geração em relação às futuras, para que também estas possam usufruir, de forma sustentável, dos recursos naturais. Previsto no art. 225 da CF. 4.3 Princípio Democrático / Do Bem Comum Decorre da previsão legal que considera o meio ambiente um valor a ser necessariamente assegurado e protegido para uso de todos. O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado não resulta em prerrogativa privada, decorrendo de uso comum e solidário. Este princípio explica e justifica a não indenização, por parte do Estado, de certos limites impostos na exploração da propriedade privada (Édis Milaré). 4.4 Princípio da Prevenção e da Precaução O material faz distinção fundamental entre os dois conceitos. Prevenção é substantivo do verbo prevenir — significa antecipar-se a algo conhecido. Precaução é substantivo do verbo precaver-se — sugere cuidados antecipados com o desconhecido. Página 8 de 10 Resumo — Direito Ambiental A prevenção trata de riscos ou impactos já conhecidos pela ciência (risco certo). A precaução se destina a gerir riscos ou impactos desconhecidos (risco incerto), indo além da prevenção ao se preocupar com o que ainda não se conhece. 4.5 Princípio da Avaliação Prévia / EIA Exige a avaliação do impacto ambiental para obras ou atividades capazes de degradar o meio ambiente. Previsto no art. 225, §1º, IV da CF. Surgiu nos Estados Unidos no final dos anos 1960 com o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) — mecanismo pelo qual se procura prevenir ou mitigar a poluição avaliando, antecipadamente, os efeitos da ação do homem sobre seu meio. 4.6 Princípio do Poder de Polícia Ambiental Corresponde à faculdade inerente à Administração Pública de limitar o exercício dos direitos individuais, visando a assegurar o bem-estar da coletividade. Presente no art. 23 da CF, estabelece a solidariedade de todos os entes do Poder Público para a proteção do meio ambiente e o combate a todas as formas de poluição. 4.7 Princípio do Poluidor-Pagador Inspirado na teoria econômica, determina que os custos resultantes dos danos ambientais que acompanham o processo produtivo precisam ser internalizados pelo agente econômico causador. Além de admitir os danos ambientais nos custos de produção, o agente deve assumi-los. Contemplado no Princípio 16 da Declaração do Rio de Janeiro de 1992. 4.8 Princípio do Usuário-Pagador Os usuários de recursos naturais pagam pelo uso direto desses recursos ou pelos serviços destinados a garantir a qualidade ambiental e o equilíbrio ecológico. Exemplos práticos: IPTU, tarifa pela utilização da água, encargos pagos por mineradoras. Em caso de uso de bens ambientais para fins econômicos geradores de lucro, o pagamento é necessário e impositivo. 4.9 Princípio do Protetor-Recebedor Inovador em relação ao poluidor-pagador: propõe que aquele que preserva ou recupera serviços ambientais, geralmente de modo oneroso aos próprios interesses, torna-se credor de uma retribuição por parte dos beneficiários desses serviços. Exemplo prático: a instituição de uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) gera isenção de ITR e preferência em financiamentos. 4.10 Princípio da Função Socioambiental da Propriedade A propriedade é direito fundamental, mas não é ilimitado e inatingível. O uso da propriedade será condicionado ao bem-estar social e à defesa do meio ambiente. O dono só é senhor da terra na medida do respeito às aspirações estabelecidas em favor de toda a coletividade e das gerações futuras — vislumbra-se um 'contrato socioecológico coletivo e intergeracional' (STJ, Min. Herman Benjamin). 4.11 Princípio da Participação Comunitária Página 9 de 10 Resumo — Direito Ambiental Para a resolução dos problemas do ambiente, deve ser dada especial ênfase à cooperação entre o Estado e a sociedade. Contemplado no art. 225 da CF, é exteriorizado pela participação dos diferentes grupos sociais na formulação e na execução da política ambiental, nos três níveis da Administração Pública. 4.12 Princípio da Proibição do Retrocesso Ambiental Veda a retroatividade que deixa de proteger um direito fundamental já consolidado e que vem sendo conquistado ao longo do tempo. Os controles legislativos e mecanismos de salvaguarda dos direitos humanos e do patrimônio natural das gerações futuras devem 'caminhar somente para a frente' (Herman Benjamin). Coíbe o retrocesso ambiental. 4.13 Princípio da Cooperação Internacional A proteção ao meio ambiente é uma das áreas em que existe a interdependência entre as nações, uma vez que as agressões havidas não se restringem aos limites territoriais de um único país, atingindo também os vizinhos. Exemplos: emissão de poluentes causadores do efeito estufa, poluição do mar carregada pelas correntes. Orienta o art. 4º, IX, da CF/88 (cooperação entre os povos para o progresso da humanidade). Principais documentos internacionais que contemplam o princípio da cooperação: • Agenda 21 — Aprovada durante a Rio/92. Contém compromissos para mudança do padrão de desenvolvimento do século XXI, à luz da sustentabilidade. • Convenção sobre Diversidade Biológica — Aprovada durante a Rio/92. Contempla disposições sobre conservação da diversidade biológica, recursos genéticos e tecnologias. • Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas — Elaborada em Nova York em 09/05/1992. Contém disposições sobre o sistema climático para gerações presentes e futuras. Resumo elaborado com base no material didático de Direito Ambiental (158 páginas). Página 10 de 10 MÓDULO 1 — Conceito e Evolução Histórica do Direito Ambiental 1.1 Conceituação 1.2 Evolução Histórica Internacional 1.3 Fases Históricas da Proteção Ambiental no Brasil 1ª Fase (1500–1950) — Individualista 2ª Fase (1950–1980) — Fragmentária 3ª Fase (1981–presente) — Holística 1.4 Marcos Históricos Nacionais 1.5 Principal Legislação Ambiental Federal MÓDULO 2 — Conteúdo, Relações com Outros Ramos e Educação Ambiental 2.1 Conteúdo do Direito Ambiental — Visões Doutrinárias 2.2 Autonomia e Metodologia 2.3 Fontes do Direito Ambiental 2.4 Relação com Outros Ramos do Direito 2.5 Gestão Ambiental 2.6 Educação Ambiental — Lei 9.795/99 Princípios da Educação Ambiental Objetivos da Educação Ambiental Modalidades de Educação Ambiental MÓDULO 3 — Tutela Constitucional do Meio Ambiente 3.1 Artigo Central — Art. 225 da CF/88 3.2 Incumbências do Poder Público — §1º do Art. 225 3.3 Demais Parágrafos do Art. 225 3.4 Outros Dispositivos Constitucionais Ambientais Art. 20 — Bens da União Competências Constitucionais 3.5 Classificação do Meio Ambiente MÓDULO 4 — Princípios do Direito Ambiental 4.1 Princípio do Direito ao Meio Ambiente Saudável 4.2 Princípio do Desenvolvimento Sustentável / Solidariedade Intergeracional 4.3 Princípio Democrático / Do Bem Comum 4.4 Princípio da Prevenção e da Precaução 4.5 Princípio da Avaliação Prévia / EIA 4.6 Princípio do Poder de Polícia Ambiental 4.7 Princípio do Poluidor-Pagador 4.8 Princípio do Usuário-Pagador 4.9 Princípio do Protetor-Recebedor 4.10 Princípio da Função Socioambiental da Propriedade 4.11 Princípio da Participação Comunitária 4.12 Princípio da Proibição do Retrocesso Ambiental 4.13 Princípio da Cooperação Internacional Principais documentos internacionais que contemplam o princípio da cooperação: