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Resumo Direito Ambiental

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Resumo — Direito Ambiental 
RESUMO COMPLETO 
Direito Ambiental 
Conceito • Evolução Histórica • Tutela Constitucional • Princípios 
 
 
MÓDULO 1 — Conceito e Evolução Histórica do 
Direito Ambiental 
1.1 Conceituação 
A expressão 'meio ambiente' recebe críticas doutrinária por conter pleonasmo, já 
que 'meio' e 'ambiente' seriam sinônimos. Ainda assim, é a terminologia consagrada 
na legislação brasileira. Expressões equivalentes como 'Direito do Meio Ambiente' e 
'Direito do Ambiente' também são usadas. 
A definição de referência é a de Fernandes Neto, adotada por Paulo Affonso Leme 
Machado: 
"Direito Ambiental é conjunto de normas e princípios editados objetivando a 
manutenção de um perfeito equilíbrio nas relações do homem com o meio 
ambiente." 
1.2 Evolução Histórica Internacional 
• 1869 — Ernst Haeckel cunha o termo ecologia para os estudos das relações 
entre as espécies e seu ambiente. 
• 1965 — A expressão 'educação ambiental' (environmental education) é 
empregada pela primeira vez na Conferência de Educação da Universidade 
de Keele (Grã-Bretanha). 
• 1972 — Conferência de Estocolmo: marco mundial. Organizada pela ONU, 
entre 5 e 16 de junho de 1972. Reuniu chefes de estado de 113 países e 
~400 instituições. Objetivo: analisar o binômio equilíbrio ambiental x 
desenvolvimento econômico. 
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Resumo — Direito Ambiental 
• 1974 — Seminário em Jammi (Finlândia): reconhece a educação ambiental 
como parte da educação integral e permanente. 
• 1975 — Congresso de Belgrado (atual Sérvia): a Carta de Belgrado 
estabelece metas e princípios da educação ambiental. 
• 1977 — Conferência de Tbilisi (Geórgia-EUA): define princípios orientadores 
da educação ambiental, com caráter interdisciplinar, crítico, ético e 
transformador. 
 
1.3 Fases Históricas da Proteção Ambiental no Brasil 
1ª Fase (1500–1950) — Individualista 
Caracterizada pela ausência de preocupação com o meio ambiente. 
2ª Fase (1950–1980) — Fragmentária 
Verificou-se o controle de algumas atividades exploratórias em decorrência de seu 
valor econômico (Códigos de Pesca, Mineral, Caça etc.). 
3ª Fase (1981–presente) — Holística 
Compreende o meio ambiente como um sistema integrado e interdependente. É 
reconhecido o caráter científico do Direito Ambiental — dotado de princípios, 
instrumentos, objeto e objetivo próprios. 
1.4 Marcos Históricos Nacionais 
• 1973 — Criação da SEMA (Secretaria Especial do Meio Ambiente) no âmbito 
do Ministério do Interior. 
• 1981 — Lei n. 6.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente) — primeiro 
divisor de águas normativo da proteção ambiental no Brasil. 
• 1984 — CONAMA apresenta resolução estabelecendo diretrizes para a 
educação ambiental. 
• 1988 — Proteção constitucional do meio ambiente, art. 225 da CF/88. 
• 1991 — MEC determina que todos os currículos contemplem conteúdos de 
Educação Ambiental (Portaria 678/1991). 
• 1994 — Aprovação do Programa Nacional de Educação Ambiental 
(PRONEA). 
• 1996 — Educação ambiental incluída como tema transversal nos Parâmetros 
Curriculares Nacionais. 
• 1999 — Criação da Política Nacional de Educação Ambiental (Lei 9.795/99). 
 
1.5 Principal Legislação Ambiental Federal 
• Lei 6.938/81 — Política Nacional do Meio Ambiente 
• Lei 7.347/85 — Ação Civil Pública 
• Lei 7.802/89 — Agrotóxicos (revogada pela Lei 14.785/23) 
• Lei 9.433/97 — Política Nacional de Recursos Hídricos 
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Resumo — Direito Ambiental 
• Lei 9.605/98 — Crimes Ambientais 
• Lei 9.795/99 — Educação Ambiental 
• Lei 9.985/00 — Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) 
• Lei 10.257/01 — Estatuto da Cidade 
• Lei 11.105/05 — Lei de Biossegurança 
• Lei 12.187/09 — Política Nacional sobre Mudança do Clima 
• Lei 12.305/10 — Política Nacional de Resíduos Sólidos 
• Lei 12.651/12 — Código Florestal 
• Lei 14.785/23 — Nova Lei dos Agrotóxicos 
 
MÓDULO 2 — Conteúdo, Relações com Outros 
Ramos e Educação Ambiental 
2.1 Conteúdo do Direito Ambiental — Visões Doutrinárias 
• Prof. William Rodgers (EUA): protege o planeta e sua população das 
atividades que transtornam a Terra e sua capacidade de manutenção da vida. 
• Prof. Michel Prieur (França): conjunto de regras jurídicas relativas à proteção 
da natureza e à luta contra poluições. 
• Prof. Eduardo Pigretti (Argentina): estuda as relações do homem com a 
natureza. 
• Prof. Paulo Affonso (Brasil): é um direito sistematizador que articula 
legislação, doutrina e jurisprudência concernentes ao ambiente, buscando 
elementos em todos os ramos do direito. 
 
A definição legal de meio ambiente provém do art. 3º, I da Lei 6.938/81: 'o conjunto 
de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que 
permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.' Trata-se de um conceito 
amplo que abrange tudo que permite a vida, que a abriga e rege. 
2.2 Autonomia e Metodologia 
O Direito Ambiental é informado pela interdisciplinaridade, valendo-se de perícias e 
de ciências como ecologia, botânica, química, engenharia florestal, sociologia, 
antropologia, história e arqueologia. Possui regime jurídico, objetivos e princípios 
próprios, mas convive em simbiose com outros ramos do direito. 
2.3 Fontes do Direito Ambiental 
As fontes materiais são provenientes de manifestações individuais ou coletivas: 
descobertas científicas, doutrina jurídica nacional ou internacional. As fontes formais 
decorrem do ordenamento jurídico nacional: CF, legislação infraconstitucional, 
convenções, tratados internacionais, atos e resoluções administrativas e 
jurisprudência. 
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Resumo — Direito Ambiental 
2.4 Relação com Outros Ramos do Direito 
• Direito Constitucional: disciplina as normas fundamentais de proteção ao 
meio ambiente. 
• Direito Civil: trata do direito de propriedade e vizinhança. 
• Direito Administrativo: cuida dos atos administrativos e do poder de polícia. 
• Direito Processual: estabelece princípios processuais e disciplina as ações 
coletivas. 
• Direito Penal: dispõe sobre aplicação de penas aos que infringem a 
legislação ambiental. 
• Direito Tributário: disciplina a incidência ou isenção de tributos em APP ou 
reserva florestal legal. 
• Direito Internacional: sistematiza a adoção de regras internacionais uniformes 
por meio de pactos, convenções e tratados. 
 
2.5 Gestão Ambiental 
Gestão ambiental é o conjunto de diretrizes, atividades administrativas e 
operacionais que têm por finalidade obter efeitos positivos sobre o meio ambiente. É 
a maneira pela qual o cidadão, o empresário e o governo agem para fazer o mundo 
melhor (Luís Sirvinskas). 
2.6 Educação Ambiental — Lei 9.795/99 
A educação ambiental é o processo por meio do qual o indivíduo e a coletividade 
constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências 
voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, 
essencial à sadia qualidade de vida e à sustentabilidade (art. 1º da Lei 9.795/99). 
Ela é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar 
presente de forma articulada em todos os níveis e modalidades do processo 
educativo, em caráter formal e não formal. 
Princípios da Educação Ambiental 
• Enfoque humanista, democrático, participativo e holístico. 
• Concepção do meio ambiente em sua totalidade, com interdependência entre 
o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob enfoque da 
sustentabilidade. 
• Pluralismo de ideias e concepções pedagógicas na perspectiva da inter, multi 
e transdisciplinaridade. 
• Vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais. 
• Abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e 
globais. 
• Respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural. 
 
Objetivos da Educação Ambiental 
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Resumo — Direito Ambiental 
• Desenvolvimento de compreensão integrada do meio ambiente em suas 
múltiplas relações ecológicas, psicológicas, legais, políticas, sociais, 
econômicas,científicas, culturais e éticas. 
• Estímulo e fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática 
ambiental e social. 
• Incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na 
preservação do equilíbrio do meio ambiente. 
• Compreensão da qualidade ambiental como valor inseparável do exercício da 
cidadania. 
• Fomento da integração com a ciência e a tecnologia. 
• Fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade. 
 
Modalidades de Educação Ambiental 
A Política Nacional de Educação Ambiental abrange duas modalidades. A educação 
ambiental formal é desenvolvida no âmbito dos currículos das instituições de ensino 
públicas e privadas, englobando educação básica (infantil, fundamental e médio), 
superior, especial, profissional e de jovens e adultos. A educação ambiental não 
formal compreende as ações educativas voltadas à sensibilização da coletividade 
por meio de comunicação de massa, ONGs, empresas públicas e privadas, 
unidades de conservação, agricultores e ecoturismo. 
O órgão gestor da Política Nacional de Educação Ambiental é formado pelo 
gabinete dos Ministros de Estado do Meio Ambiente e da Educação, conforme o 
Decreto n. 4.281/2002. 
 
MÓDULO 3 — Tutela Constitucional do Meio 
Ambiente 
3.1 Artigo Central — Art. 225 da CF/88 
"Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de 
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder 
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e 
futuras gerações." 
Este artigo reconhece o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, 
estabelece que ele é bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de 
vida, e impõe ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo. 
3.2 Incumbências do Poder Público — §1º do Art. 225 
• I — Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o 
manejo ecológico das espécies e ecossistemas. 
• II — Preservar o patrimônio genético do país e fiscalizar as entidades 
dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético. 
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Resumo — Direito Ambiental 
• III — Definir espaços territoriais a serem protegidos. Alteração e supressão 
permitidas somente por lei; vedada qualquer utilização que comprometa sua 
integridade. 
• IV — Exigir, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora 
de significativa degradação, estudo prévio de impacto ambiental (EIA), a que 
se dará publicidade. 
• V — Controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, 
métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida 
e o meio ambiente. 
• VI — Promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a 
conscientização pública para a preservação do meio ambiente. 
• VII — Proteger a fauna e a flora, vedadas as práticas que coloquem em risco 
sua função ecológica, provoquem extinção de espécies ou submetam 
animais a crueldade. (EC 96/2017: excetuam-se práticas desportivas que 
utilizem animais reconhecidas como manifestações culturais e patrimônio 
imaterial, regulamentadas por lei específica.) 
• VIII — Adotar regime fiscal favorecido para biocombustíveis e hidrogênio de 
baixa emissão de carbono, garantindo diferencial competitivo. (EC 132/2023.) 
 
3.3 Demais Parágrafos do Art. 225 
• §2º — Quem explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio 
ambiente degradado, conforme solução técnica exigida pelo órgão público. 
• §3º — Condutas e atividades lesivas ao meio ambiente sujeitam os infratores, 
pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, 
independentemente da obrigação de reparar os danos causados. 
• §4º — São patrimônio nacional: a Floresta Amazônica brasileira, a Mata 
Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira. Sua 
utilização ocorrerá dentro de condições que assegurem a preservação do 
meio ambiente. 
• §5º — São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados 
para proteção dos ecossistemas naturais. 
• §6º — As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização 
definida em lei federal. 
 
3.4 Outros Dispositivos Constitucionais Ambientais 
Art. 20 — Bens da União 
• Terras devolutas indispensáveis à preservação ambiental. 
• Lagos, rios e correntes de água em terrenos da União, ou que banhem mais 
de um Estado ou sirvam de limite com outros países. 
• Ilhas fluviais, lacustres e oceânicas; praias marítimas. 
• Recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva 
(até 200 milhas). 
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Resumo — Direito Ambiental 
• Mar territorial (12 milhas marítimas). 
• Terrenos de marinha; potenciais de energia hidráulica; recursos minerais 
(inclusive subsolo). 
• Cavidades naturais subterrâneas e sítios arqueológicos e pré-históricos. 
• Terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. 
 
Competências Constitucionais 
• Art. 21, XIX — Compete à União instituir o sistema nacional de 
gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos 
de uso. 
• Art. 22, IV — Competência privativa da União para legislar sobre águas, 
energia, informática, telecomunicações e radiodifusão. 
• Art. 23 (competência comum) — III: proteger documentos e paisagens 
naturais notáveis; IV: impedir destruição de bens históricos e artísticos; VI: 
proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas 
formas; VII: preservar as florestas, a fauna e a flora; XI: registrar, acompanhar 
e fiscalizar as concessões de recursos hídricos e minerais. 
• Art. 24 (competência concorrente) — I: direito urbanístico; VI: florestas, caça, 
pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e recursos naturais, 
proteção ao meio ambiente e controle da poluição; VII: proteção ao 
patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII: 
responsabilidade por dano ao meio ambiente. 
• Art. 30 — Municípios legislam sobre assuntos de interesse local, promovem 
ordenamento territorial e protegem o patrimônio histórico-cultural local. 
• Art. 91, §1º, III — Compete ao Conselho de Defesa Nacional propor critérios 
e condições de utilização, preservação e exploração dos recursos naturais. 
• Art. 170, VI — A ordem econômica deve observar, como princípio, a defesa 
do meio ambiente. 
• Art. 200, VIII — Entre as competências do SUS está a proteção do meio 
ambiente, incluído o do trabalho. 
• Art. 216, V — Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza 
material e imaterial que incluam sítios de valor ecológico, arqueológico, 
paleontológico e científico. 
• Art. 231, §1º — A CF garante a ocupação de terras pelos indígenas 
indispensáveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu 
bem-estar. 
• Art. 5º, LXXIII — Qualquer cidadão pode propor Ação Popular para anular ato 
lesivo ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e 
ao patrimônio histórico e cultural. 
• Art. 129, III — Incumbe ao Ministério Público promover o inquérito civil e a 
ação civil pública para proteção do meio ambiente e de outros interesses 
difusos e coletivos. 
 
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Resumo — Direito Ambiental 
3.5 Classificação do Meio Ambiente 
• Meio Ambiente Natural: solo, ar, água, fauna e flora. 
• Meio Ambiente Artificial: edificações, vias, infraestrutura. 
• Meio Ambiente Cultural: patrimônio histórico, turístico e paisagístico. 
• Meio Ambiente do Trabalho: integridade física, saúde e condições do local de 
trabalho. 
 
MÓDULO 4 — Princípios do Direito Ambiental 
A palavra princípio vem do latim primum capere — 'aquilo que se toma primeiro' —, 
designando início, começo, ponto de partida. São as proposições básicas, 
fundamentais e típicas que condicionam todas as estruturas subsequentes (Cretella 
Júnior). Conforme Bandeira de Mello, violar um princípio é a mais grave forma de 
ilegalidade ou inconstitucionalidade, pois representa insurgência contra todo o 
sistema, subversãode seus valores fundamentais. 
4.1 Princípio do Direito ao Meio Ambiente Saudável 
O meio ambiente ecologicamente equilibrado é direito fundamental da pessoa 
humana. Configura-se como extensão do direito à vida em dois aspectos: a 
existência física e saúde dos seres humanos, e a dignidade dessa existência 
(qualidade de vida). Previsto no art. 225 da CF, é considerado cláusula pétrea (Ivette 
Senise Ferreira). 
4.2 Princípio do Desenvolvimento Sustentável / Solidariedade 
Intergeracional 
Busca assegurar a solidariedade da presente geração em relação às futuras, para 
que também estas possam usufruir, de forma sustentável, dos recursos naturais. 
Previsto no art. 225 da CF. 
4.3 Princípio Democrático / Do Bem Comum 
Decorre da previsão legal que considera o meio ambiente um valor a ser 
necessariamente assegurado e protegido para uso de todos. O direito ao meio 
ambiente ecologicamente equilibrado não resulta em prerrogativa privada, 
decorrendo de uso comum e solidário. Este princípio explica e justifica a não 
indenização, por parte do Estado, de certos limites impostos na exploração da 
propriedade privada (Édis Milaré). 
4.4 Princípio da Prevenção e da Precaução 
O material faz distinção fundamental entre os dois conceitos. Prevenção é 
substantivo do verbo prevenir — significa antecipar-se a algo conhecido. Precaução 
é substantivo do verbo precaver-se — sugere cuidados antecipados com o 
desconhecido. 
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Resumo — Direito Ambiental 
A prevenção trata de riscos ou impactos já conhecidos pela ciência (risco certo). A 
precaução se destina a gerir riscos ou impactos desconhecidos (risco incerto), indo 
além da prevenção ao se preocupar com o que ainda não se conhece. 
4.5 Princípio da Avaliação Prévia / EIA 
Exige a avaliação do impacto ambiental para obras ou atividades capazes de 
degradar o meio ambiente. Previsto no art. 225, §1º, IV da CF. Surgiu nos Estados 
Unidos no final dos anos 1960 com o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) — 
mecanismo pelo qual se procura prevenir ou mitigar a poluição avaliando, 
antecipadamente, os efeitos da ação do homem sobre seu meio. 
4.6 Princípio do Poder de Polícia Ambiental 
Corresponde à faculdade inerente à Administração Pública de limitar o exercício dos 
direitos individuais, visando a assegurar o bem-estar da coletividade. Presente no 
art. 23 da CF, estabelece a solidariedade de todos os entes do Poder Público para a 
proteção do meio ambiente e o combate a todas as formas de poluição. 
4.7 Princípio do Poluidor-Pagador 
Inspirado na teoria econômica, determina que os custos resultantes dos danos 
ambientais que acompanham o processo produtivo precisam ser internalizados pelo 
agente econômico causador. Além de admitir os danos ambientais nos custos de 
produção, o agente deve assumi-los. Contemplado no Princípio 16 da Declaração 
do Rio de Janeiro de 1992. 
4.8 Princípio do Usuário-Pagador 
Os usuários de recursos naturais pagam pelo uso direto desses recursos ou pelos 
serviços destinados a garantir a qualidade ambiental e o equilíbrio ecológico. 
Exemplos práticos: IPTU, tarifa pela utilização da água, encargos pagos por 
mineradoras. Em caso de uso de bens ambientais para fins econômicos geradores 
de lucro, o pagamento é necessário e impositivo. 
4.9 Princípio do Protetor-Recebedor 
Inovador em relação ao poluidor-pagador: propõe que aquele que preserva ou 
recupera serviços ambientais, geralmente de modo oneroso aos próprios interesses, 
torna-se credor de uma retribuição por parte dos beneficiários desses serviços. 
Exemplo prático: a instituição de uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio 
Natural) gera isenção de ITR e preferência em financiamentos. 
4.10 Princípio da Função Socioambiental da Propriedade 
A propriedade é direito fundamental, mas não é ilimitado e inatingível. O uso da 
propriedade será condicionado ao bem-estar social e à defesa do meio ambiente. O 
dono só é senhor da terra na medida do respeito às aspirações estabelecidas em 
favor de toda a coletividade e das gerações futuras — vislumbra-se um 'contrato 
socioecológico coletivo e intergeracional' (STJ, Min. Herman Benjamin). 
4.11 Princípio da Participação Comunitária 
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Resumo — Direito Ambiental 
Para a resolução dos problemas do ambiente, deve ser dada especial ênfase à 
cooperação entre o Estado e a sociedade. Contemplado no art. 225 da CF, é 
exteriorizado pela participação dos diferentes grupos sociais na formulação e na 
execução da política ambiental, nos três níveis da Administração Pública. 
4.12 Princípio da Proibição do Retrocesso Ambiental 
Veda a retroatividade que deixa de proteger um direito fundamental já consolidado e 
que vem sendo conquistado ao longo do tempo. Os controles legislativos e 
mecanismos de salvaguarda dos direitos humanos e do patrimônio natural das 
gerações futuras devem 'caminhar somente para a frente' (Herman Benjamin). 
Coíbe o retrocesso ambiental. 
4.13 Princípio da Cooperação Internacional 
A proteção ao meio ambiente é uma das áreas em que existe a interdependência 
entre as nações, uma vez que as agressões havidas não se restringem aos limites 
territoriais de um único país, atingindo também os vizinhos. Exemplos: emissão de 
poluentes causadores do efeito estufa, poluição do mar carregada pelas correntes. 
Orienta o art. 4º, IX, da CF/88 (cooperação entre os povos para o progresso da 
humanidade). 
Principais documentos internacionais que contemplam o princípio da 
cooperação: 
• Agenda 21 — Aprovada durante a Rio/92. Contém compromissos para 
mudança do padrão de desenvolvimento do século XXI, à luz da 
sustentabilidade. 
• Convenção sobre Diversidade Biológica — Aprovada durante a Rio/92. 
Contempla disposições sobre conservação da diversidade biológica, recursos 
genéticos e tecnologias. 
• Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas — 
Elaborada em Nova York em 09/05/1992. Contém disposições sobre o 
sistema climático para gerações presentes e futuras. 
 
Resumo elaborado com base no material didático de Direito Ambiental (158 páginas). 
Página 10 de 10 
	MÓDULO 1 — Conceito e Evolução Histórica do Direito Ambiental 
	1.1 Conceituação 
	1.2 Evolução Histórica Internacional 
	1.3 Fases Históricas da Proteção Ambiental no Brasil 
	1ª Fase (1500–1950) — Individualista 
	2ª Fase (1950–1980) — Fragmentária 
	3ª Fase (1981–presente) — Holística 
	1.4 Marcos Históricos Nacionais 
	1.5 Principal Legislação Ambiental Federal 
	MÓDULO 2 — Conteúdo, Relações com Outros Ramos e Educação Ambiental 
	2.1 Conteúdo do Direito Ambiental — Visões Doutrinárias 
	2.2 Autonomia e Metodologia 
	2.3 Fontes do Direito Ambiental 
	2.4 Relação com Outros Ramos do Direito 
	2.5 Gestão Ambiental 
	2.6 Educação Ambiental — Lei 9.795/99 
	Princípios da Educação Ambiental 
	Objetivos da Educação Ambiental 
	Modalidades de Educação Ambiental 
	MÓDULO 3 — Tutela Constitucional do Meio Ambiente 
	3.1 Artigo Central — Art. 225 da CF/88 
	3.2 Incumbências do Poder Público — §1º do Art. 225 
	3.3 Demais Parágrafos do Art. 225 
	3.4 Outros Dispositivos Constitucionais Ambientais 
	Art. 20 — Bens da União 
	Competências Constitucionais 
	3.5 Classificação do Meio Ambiente 
	MÓDULO 4 — Princípios do Direito Ambiental 
	4.1 Princípio do Direito ao Meio Ambiente Saudável 
	4.2 Princípio do Desenvolvimento Sustentável / Solidariedade Intergeracional 
	4.3 Princípio Democrático / Do Bem Comum 
	4.4 Princípio da Prevenção e da Precaução 
	4.5 Princípio da Avaliação Prévia / EIA 
	4.6 Princípio do Poder de Polícia Ambiental 
	4.7 Princípio do Poluidor-Pagador 
	4.8 Princípio do Usuário-Pagador 
	4.9 Princípio do Protetor-Recebedor 
	4.10 Princípio da Função Socioambiental da Propriedade 
	4.11 Princípio da Participação Comunitária 
	4.12 Princípio da Proibição do Retrocesso Ambiental 
	4.13 Princípio da Cooperação Internacional 
	Principais documentos internacionais que contemplam o princípio da cooperação:

Mais conteúdos dessa disciplina