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Quando paramos para pensar em um objeto que carrega a identidade do Rio 
de Janeiro, sem dúvidas, o Cristo Redentor é uma das primeiras imagens que vem à 
cabeça, e, a miniatura dele em pedra-sabão, é vendida em qualquer lugar turístico na 
cidade. A peça analisada nesse trabalha é a Escultura do Cristo Redentor em Pedra-
Sabão, produzida artesanalmente em Minas Gerais. Um objeto que varia de 10 cm a 
25 cm de altura que pode ser adquirido pelo calçadão de Copacabana, em Ipanema, 
nos terminais de aeroportos ou até mesmo pela Internet; com valores médios entre R$ 
50 a R$ 70 reais. É um objeto decorativo, mas carrega um peso afetivo maior que 
qualquer utilidade prática… Antes de tudo, é uma lembrança da viagem e um 
presente para quem não pôde participar. Ao mesmo tempo, carregado de contradições 
culturais. 
A estátua do Cristo Redentor reúne natureza e cultura. Como apontam Freire-
Medeiros e Castro (2007), o monumento inaugurado em 1931 com propósito 
político-religioso e afirmação da identidade católica do Brasil, foi ressignificado ao 
longo do tempo tornando-se sinônimo da própria cidade do Rio. No alto do 
Corcovado, cercado pela Floresta da Tijuca e emoldurado pela Baía de Guanabara, 
ele une o homem e a natureza em uma só imagem. A miniatura reproduz, com 
sucesso, esse mesmo símbolo do Rio de Janeiro em miniatura, com braços abertos 
não só para os cariocas, como todos aqueles que vão à cidade. O curioso é que a 
pedra-sabão vem do distrito de Santa Rita de Ouro Preto, Minas Gerais, e não do Rio. 
Então, com outros olhos, o material do souvenir mostra que a identidade da cidade 
turística também é construída com elementos fora dela. 
Figura 1: Escultura Cristo Redentor em 
Pedra-Sabão 16cm. Produção artesanal, 
Minas Gerais. Fonte: Fuchic Brasil 
(fuchic.com.br).
O Rio de Janeiro projeta para o mundo uma imagem que vai além da 
geografia. As lojas de souvenires são como uma vitrine condensada do Brasil inteiro, 
sendo um exemplo perfeito a miniatura do Cristo, produzida em Minas, vendida no 
Rio como uma lembrança carioca. Nos pontos de venda, raramente há indicação de 
que possa ter sido feita por artesãos mineiros, então, a procedência é apagada, 
permanecendo somente o símbolo para o turista levar para casa. 
Na minha opinião, a miniatura sozinha não representa a melhor lembrança 
que um turista pode ter do Rio. É mais segura por ser mais conhecida, mas o Rio é 
uma cidade culturalmente muito rica e de uma complexidade impressionante, com 
bailes funk, o Centro da cidade histórico, azulejos na Lapa, blocos de rua, sambas e 
nada disso é refletido na escultura do Cristo. Captura um monumento, mas o que dá 
vida à cidade, fica de fora. O objeto cumpre a função de “estive presente” e ainda que 
seja para um presente para terceiros, é sim associado ao Rio, mas será que por si só, 
instiga alguém a visitar? 
O Cristo é icônico, uma das 7 maravilhas do mundo moderno, desperta 
curiosidade e dá vontade de ver ao vivo para quem nunca visitou a cidade, mas não 
transmite a experiência. Desse modo, o souvenir funciona mais como um registro de 
viagem feita, do que um convite futuro. 
Pensando em como o turismo valorizaria melhor a cultura local por meio 
desses souvenires, um objeto que entendo como ideal seria um azulejo pintado à 
mão, com imagens que remetam ao carnaval carioca, por exemplo, no formato de 
placa decorativa. É uma tradição cultural herdada da colonização portuguesa presente 
ao redor do Rio e, seria ao mesmo tempo arte, história e a identidade do carioca, em 
um simples azulejo. Teria apelo estético, cultural e afetivo, diferente de uma 
miniatura produzida em série em outro estado e vendida sem identificação de origem, 
ainda que tenha seu valor e a compra deste seja a valorização do trabalho artesão. 
Esse azulejo decorativo, com imagens do Rio ainda que outras para além do 
carnaval, seria um souvenir que conta a história de quem faz o Rio de Janeiro ser Rio 
de Janeiro. 
JÚLIA MACHADO SILVA
GESTÃO DE TURISMO – HISTÓRIA DA ARTE E TURISMO

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