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O Guia do Afroturismo no Brasil parte da ideia de que viajar também pode ser um 
caminho de contato com a história e a cultura da afro diáspora, conduzido por pessoas negras e 
ancorado em territórios, memórias e práticas da cultura afro-brasileira. Ao reunir iniciativas em 
várias regiões do país, o documento mostra como o turismo, quando pensando a partir da 
perspectiva negra, deixa de ser apenas consumo de paisagem e passa a envolver educação 
antirracista, geração de renda e reconhecimento da contribuição da população negra para a 
formação do país. Nesse cenário, o Rio de Janeiro se destaca como um campo fértil para pensar 
na relevância do afroturismo no turismo cultural. 
No Rio de Janeiro, o documento traz experiências que revelam dimensões da presença 
negra que muitas vezes não aparecem nos roteiros tradicionais. Na capital, o tour pela Pequena 
África, região portuária, percorre lugares como Cais do Valongo, a Pedra do Sal e o Morro da 
Conceição, conectados ao Circuito de Celebração da Herança Africana. Ao caminhar por esses 
espaços, o visitante entra em contato com a memória do passado de escravidão, da diáspora 
africana e as formas de resistência construídas nesse território, em diálogo com o 
reconhecimento do Cais do Valongo como patrimônio mundial. 
O olhar para além da capital também é ampliado e evidencia como o afroturismo pode 
reorganizar o mapa de destinos dentro do próprio estado. Em Búzios, a Feira Cultural das 
Mulheres Caiçaras Buzianas reúne artesanato, rodas de conversa, jongo, samba de roda e uma 
gastronomia marcada por saberes afrodescendentes e caiçaras, fortalecendo a economia e o 
protagonismo de mulheres negras e caiçaras em um município associado a um turismo mais 
elitizado. Já a Rota da Ancestralidade, Caminho de Quilombos que envolve Macaé, Conceição 
de Macabu e Quissamã, aproxima o visitante de ruínas de senzalas, quilombos e da memória 
de liderança como Carukango, atualizando a discussão sobre escravidão, resistência e 
permanência das comunidades quilombolas no interior fluminense. 
Do ponto de vista do desenvolvimento turístico e socioeconômico, o Guia indica que o 
afroturismo favorece uma circulação de renda mais conectada aos territórios negros, ao 
priorizar roteiros conduzidos por afro empreendedores, abrindo espaço para guias, cozinheiras, 
artesãos e lideranças religiosas que ficam à margem da formalidade do turismo. Ao apresentar 
esse conceito construído de forma participativa, o documento oferece base para que políticas 
públicas e o trade turístico incorporem a perspectiva da equidade racial. Em um estado 
amplamente reconhecido por suas paisagens e eventos, incorporar essas rotas e vivências 
significa reconhecer a centralidade da população negra na construção do território fluminense, 
e, buscar um modelo de turismo que concilie atração, valorização cultural e justiça social.

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