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Como a Bíblia chegou até nós? 
Hoje vamos desvendar a estrutura desse livro maravilhoso que vocês têm em 
mãos. A Bíblia não é apenas um livro comum, mas uma verdadeira biblioteca divina. 
Vamos entender como ela foi organizada e como chegou até nós. 
 1. A Formação do Cânone: A Escolha dos Livros 
Vocês já se perguntaram quem decidiu quais livros fariam parte da Bíblia? 
A palavra Cânone vem de uma regra ou fita métrica. No contexto da Bíblia, o 
"cânone" é a fita métrica, ou critério pelos quais os livros eram submetidos para serem 
considerados inspirados por Deus ou não. 
Como foi escolhido os livros do Antigo Testamento? Não foi uma votação 
aleatória. A igreja antiga e os sábios judeus reconheceram os textos que 
comunicavam claramente a voz de Deus seguindo os seguintes critérios: 
1. Os Cinco primeiros livros da Bíblia, Chamados de Pentateuco ou de Torá, 
foram escritos por Moisés, no ano de 1445 AC a 14005 AC, durante a travessia do 
posso pelo deserto. Estes livros foram logo reconhecidos como sagradas pelo povo, 
visto que era evidente a liderança de Moises, como um chamado Divino. 
2. Todos os demais livros posteriores ao Pentateuco, para serem 
considerados como Palavra de Deus precisavam passar pela aprovação do 
Pentateuco, ou seja, a mensagem do livro precisava estar em harmonia com os cinco 
primeiros livros. Caso a mensagem tivesse contrariedade com a lei, não era aceito. 
Além disso, o escritor do livro precisava ter uma autoridade pública reconhecida pelo 
povo. 
3. O critério do reconhecimento comunitário e uso litúrgico universal. 
Os livros canônicos eram aqueles que o povo de Deus, de forma contínua e coletiva, 
já reconhecia, preservava e utilizava em suas leituras e cultos nas sinagogas. Esse 
reconhecimento histórico foi validado pelo próprio Jesus Cristo e pelos apóstolos no 
Novo Testamento, que frequentemente citavam a estrutura tripartida judaica — a Lei, 
os Profetas e os Escritos (Salmos) — como a autoridade máxima e inquestionável da 
Palavra de Deus [1]. 
 
LIVROS APOCRIFOS 
O Antigo Testamento possui, 39 livros na Bíblia Protestante, sendo que o último 
livro a ser reconhecido como canônico pelos judeus foi o livro do profeta Malaquias 
há 400 anos antes de Cristo. Nesse período de 400 anos antes de Cristo, 7 outros 
livros importantes foram escritos, mas não eram considerados sagrados pelos 
judeus, porque não se encaixavam nos critérios canônicos adotados acima. 
 
A Septuaginta 
 
A Septuaginta (LXX) surgiu no século III a.C. em Alexandria, Egito, como a 
primeira tradução da Bíblia Hebraica (Antigo Testamento) para o grego koiné, 
atendendo a judeus helenizados que já não compreendiam o hebraico. 
Tradicionalmente atribuída a 70 ou 72 sábios, a obra foi essencial para a difusão da 
cultura judaica e, posteriormente, do cristianismo no mundo de fala Grega. 
Porém, na tradução, esses 70 sábios resolveram incluir estes 7 livros que foram 
escritos no período que compreende os 400 anos antes de Cristo, mesmo que não 
fizessem parte do Canon Judaico. Não sabemos exatamente porque fizeram isso, 
mas dado a importância histórica dos livros, considera-se que eles quiseram deixar 
registrado informações relevantes sobre a vida devocional e espiritual do povo judeu 
no período que compreende os 400 anos antes de Cristo. 
 
1. O Cânon que Jesus Usou: O Tanakh 
Embora a Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento) estivesse em 
circulação e contivesse esses livros adicionais inseridos ao longo do tempo, o 
judaísmo da Palestina na época de Jesus tinha uma distinção muito clara sobre quais 
livros eram considerados divinamente inspirados. 
O cânon hebraico era dividido em três partes (o Tanakh): 
1. Torá (A Lei) 
2. Nevi'im (Os Profetas) 
3. Ketuvim (Os Escritos) 
Os livros apócrifos (como Tobias, Judite, Macabeus, Sabedoria) nunca fizeram 
parte dessa Bíblia Hebraica. Eles eram vistos pelos judeus como literatura histórica 
ou devocional útil, mas não como a Palavra inspirada de Deus. Jesus, como judeu 
inserido nesse contexto, validou estritamente essa estrutura trinitária do cânon. 
2. O Testemunho de Jesus nos Evangelhos 
Se analisarmos os Evangelhos, vemos que Jesus cita o Antigo Testamento 
constantemente para validar Seu ministério, mas Ele faz um silêncio absoluto em 
relação aos apócrifos. 
• A Estrutura Reconhecida por Cristo: Em Lucas 24:44, após a 
ressurreição, Jesus diz aos discípulos: "Importava que se cumprisse tudo o que de 
mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos" (os Salmos 
lideravam a seção dos "Escritos"). Jesus define formalmente a extensão das 
Escrituras inspiradas, segundo o Canon judaico, mas os apócrifos ficam de fora. Por 
não serem considerados livros sagrados por Jesus. 
Tradução Vulgata 
No III Século da era cristã, o Papa Damaso I encarregou Jerônimo, um teólogo 
e padre, com a missão de traduzir a Bíblia para o latim (o que viria a ser a Vulgata), 
Jerônimo tomou uma decisão radical para a sua época: em vez de traduzir o Antigo 
Testamento a partir da Septuaginta grega, ele mudou-se para Belém, estudou com 
rabinos judeus e decidiu traduzir diretamente do hebraico original — a chamada 
veritas hebraica (verdade hebraica). 
Jerônimo foi, historicamente, um dos primeiros a usar o termo "Apócrifo" (que 
significa "oculto" ou "escondido") no sentido que usamos hoje: para designar os livros 
que estavam na Septuaginta, mas fora do cânone judaico. 
No seu famoso Prologus Galeatus (o "Prólogo de Elmo" ou prefácio blindado 
que ele escreveu para os livros de Samuel e Reis), Jerônimo listou rigorosamente os 
22 livros do cânone hebraico (que equivalem aos nossos 39 livros do Antigo 
Testamento Protestante) e declarou categoricamente: 
Este prólogo das Escrituras pode servir como um prefácio fortificado para todos 
os livros que traduzimos do hebraico para o latim, para que possamos saber que 
tudo o que está além destes deve ser colocado entre os apócrifos." Ele cita 
explicitamente que livros como Sabedoria de Salomão, Eclesiástico (Sirácida), 
Judite, Tobias e o Pastor de Hermas (do Novo Testamento) não estavam no cânone 
original dos Judeus e por isso não podem ser considerados livros sagrados, sob o 
qual pode se constituir doutrina, porém são uteis para o ensino histórico sobre a vida 
dos judeus no período que compreende os 400 anos antes de Cristo. 
A Validação do Cânone da Septuaginta pela Igreja Católica 
3. O Concílio de Trento (1546): A Dogmatização Final 
O momento definitivo de validação do cânone da Septuaginta pela Igreja 
Católica aconteceu no Concílio de Trento, na Quarta Sessão, em 8 de abril de 
1546. 
Por que Trento foi o marco definitivo? O Concílio de Trento foi a resposta 
oficial da Igreja Católica à Reforma Protestante. Quando Martinho Lutero e os outros 
reformadores publicaram Bíblias que separavam os apócrifos — baseando-se no 
cânone hebraico e em São Jerônimo —, a Igreja Católica se viu na necessidade de 
definir seu cânone de forma dogmática, infalível e inquestionável para os católicos. 
Em Trento, a Igreja Católica tomou duas decisões históricas cruciais: 
• Igualdade de Autoridade (Pari pietatis affectu): O concílio declarou 
que recebia e venerava todos os livros, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento 
(incluindo os 7 livros apócrifos: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Barque, 1 e 
2 Macabeus, além de adições em Ester e Daniel), com o mesmo sentimento de 
piedade e reverência. 
• O Decreto de Anátema: Para fechar qualquer brecha de discussão, o 
concílio declarou: "Se alguém não receber como sagrados e canônicos os livros 
inteiros com todas as suas partes, como costumam ser lidos na Igreja Católica [...] 
seja anátema [excomungado]". 
A partir desse decreto de 1546, o termo "Apócrifos" deixou de ser usado pelos 
católicos para esses livros, e o teólogo Sixto de Siena cunhou o termo 
"Deuterocanônicos" (do "segundo cânone"), para indicar que eles foram validados 
em um segundo momento da história, mas possuíam o mesmo valorque os livros do 
"Primeiro Cânone" (Protocanônicos). 
Lutero 
Como luteranos, nós chamamos esses 7 livros de Apócrifos. Martinho Lutero, 
quando fez a tradução da Bíblia para o alemão, escreveu uma frase muito importante 
sobre eles: 
"Estes são livros que não se igualam às Sagradas Escrituras, mas que são úteis 
e bons de serem lidos." 
• Eles têm autoridade divina? Não. Nós não baseamos nenhuma de 
nossas doutrinas ou ensinamentos neles. A nossa fé vem apenas dos 66 livros 
canônicos, sendo que consideramos 39 no Antigo Testamento. 
• Podemos ler? Sim! Eles trazem relatos históricos muito interessantes 
sobre o período entre o Antigo e o Novo Testamento, mas servem como livros de 
história e sabedoria humana, não como a Palavra inspirada de Deus. 
São 22 Livros no Antigo Testamento ou 39? 
Na verdade, os 39 livros do Antigo Testamento Protestante e os 22 livros 
da Bíblia Hebraica (o Tanakh) contêm exatamente o mesmo conteúdo 
textualmente! 
A diferença não está no que está escrito, mas sim na organização, 
agrupamento e contagem desses livros. Como historiador, nenhum texto foi tirado 
ou colocado; a estrutura judaica aponta de forma belíssima para a história da 
salvação. 
Para os judeus, os livros sagrados são divididos em três grandes seções, cujas 
iniciais formam o acrônimo TaNaKh: 
1. Torá (A Lei) 
2. Nevi'im (Os Profetas) 
3. Ketuvim (Os Escritos) 
Vamos entender como esses 22 livros judeus viraram 39 livros no Antigo 
Testamento Cristão. 
Os judeus antigos agrupavam vários livros que nós, no ocidente, costumamos 
separar. A contagem de 22 livros (mencionada por historiadores antigos como Flávio 
Josefo e pelo próprio São Jerônimo) foi pensada inclusive para coincidir 
propositalmente com o número de letras do alfabeto hebraico (22 letras). 
Aqui está a matemática dessa unificação: 
1. Os Livros Duplos contam como UM único livro 
Na Bíblia Hebraica, não existe "Primeiro" e "Segundo" livro. Eles eram escritos 
em um único grande rolo de pergaminho. Portanto: 
• 1 e 2 Samuel = 1 livro (Samuel) 
• 1 e 2 Reis = 1 livro (Reis) 
• 1 e 2 Crônicas = 1 livro (Crônicas) 
• Esdras e Neemias = 1 livro (Esdras-Neemias) 
• Juízes e Rute = 1 livro 
• Jeremias e Lamentações = 1 livro 
Se fizermos as contas, ao juntar todos esses blocos, os nossos 39 livros se 
reduzem perfeitamente aos 22 dos judeus. (Vale notar que, séculos mais tarde, o 
judaísmo rabínico reorganizou a contagem para 24 livros, separando Rute de Juízes 
e Lamentações de Jeremias, mas o conteúdo continuou rigorosamente o mesmo). 
 2. Antigo e Novo Testamento: A Grande Promessa 
A Bíblia é dividida em duas grandes partes, chamadas de "Testamentos". A 
palavra testamento aqui significa Aliança (um pacto ou promessa de Deus conosco). 
• Antigo Testamento (39 livros): Aponta para o futuro. Mostra a criação 
do mundo, a história do povo de Israel e a promessa de que Deus enviaria um 
Salvador. 
• Novo Testamento (27 livros): Mostra o cumprimento da promessa. Foca 
totalmente na vida de Jesus, na nossa salvação por meio Dele e no início da igreja. 
 3. Estilos Literários: A Biblioteca de Deus 
Deus usou pessoas reais, com profissões e estilos diferentes, para escrever a 
Bíblia. Por isso, encontramos vários gêneros literários nela: 
No Antigo Testamento: 
• A Lei (Pentateuco): Os 5 primeiros livros. Contam a origem de tudo e as 
regras de Deus para o seu povo. 
• História: Livros que parecem filmes de aventura, narrando batalhas, reis 
bons e reis ruins (ex: Josué, Samuel, Reis). 
• Poesia e Sabedoria: Textos lindos para momentos de dor ou alegria, 
cheios de conselhos práticos (ex: Jó, Salmos e Provérbios). 
• Profecia: Mensagens diretas de Deus, onde os profetas chamavam o 
povo ao arrependimento e anunciavam a vinda de Jesus (ex: Isaías). 
A divisão entre profetas maiores e menores no Antigo Testamento baseia-se 
unicamente na extensão literária (tamanho) de seus livros, não em relevância. Os 17 
livros proféticos são divididos em 5 maiores (mais longos) e 12 menores (mais 
curtos), organizados com base no volume de texto escrito. [1, 2, 3, 4] 
Profetas Maiores (5 Livros - Conteúdo Extenso): 
• Isaías: Conhecido pela extensão e profundidade teológica. 
• Jeremias: Profeta que vivenciou a queda de Jerusalém. 
• Lamentações: Geralmente atribuído a Jeremias, foca no luto. 
• Ezequiel: Profeta do exílio babilônico. 
• Daniel: Profeta com visões apocalípticas e narrativas. [1, 2, 3, 4, 5] 
Profetas Menores (12 Livros - Conteúdo Curto): 
• Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, 
Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias. 
https://www.youtube.com/watch?v=WSJdopv_Uow
https://www.gotquestions.org/Portugues/profetas-maiores-menores.html
https://www.youtube.com/shorts/6s9d2qS9aFE
https://www.bibliaon.com/biblia_formada_organizada/
https://www.youtube.com/shorts/xDwtedbxng0
https://universo.paulinas.com.br/conteudo/quem-sao-os-profetas-/665
https://www.cursosrapidosgratis.com.br/cursos/religiao/profetas-maiores
https://pt.slideshare.net/slideshow/os-livros-profeticos-da-bbliapptx/254224610
https://www.youtube.com/watch?v=WSJdopv_Uow

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