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DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ E A PRIMEIRA CONSULTA PRÉ-NATAL EXAMES DIAGNÓSTICOS • Na prática clínica, é muito importante o diagnóstico precoce da gravidez, o que tantas vezes coloca em risco o prestígio do médico. • Esse diagnóstico pode ser clínico, hormonal ou ultrassônico. • O atraso da menstruação pode ser um sintoma difícil de avaliar, porque algumas mulheres têm ciclos menstruais irregulares. • Além disso, o sangramento de pequena monta é relativamente comum na gravidez precoce normal, e muitas vezes ocorrendo no mesmo período em que seria esperada a menstruação. O diagnóstico de gravidez baseia-se na presença de qualquer um dos seguintes achados: 1. Detecção de hCG no sangue ou na urina; 2. I d e n t i fi c a ç ã o d a g r a v i d e z p o r ultrassonografia; 3. Identificação da atividade cardíaca fetal por ultrassom Doppler. DIAGNÓSTICO CLÍNICO Didaticamente, os achados na gravidez podem ser divididos em sinais de presunção, probabilidade e certeza. Sinais de presunção: 1. Náuseas e vômitos; 2. Polaciúria; 3. Atraso menstrual até 14 dias; 4. Aumento da sensibilidade álgica mamária; 5. Cloasma gravídico ou máscara gravídica: manchas provocadas pelo aumento da produção de melanina circundando parte da testa, ao redor do nariz, bochecha e lábio superior; 6. Linha nigra: pigmentação da linha alba; 7. Sinal de Halban: aumento da lanugem nos limites do couro cabeludo; 8. Tubérculos de Montgomery: glândulas sebáceas hipertrofiadas nas aréolas; 9. R e d e d e H a l l e r : a u m e n t o d a vascularização venosa na mama; 10. Sinal de Hunter: hiperpigmentação da aréola primária e aparecimento da aréola secundária com limites imprecisos. Sinais de probabilidade: 1. Atraso menstrual maior que 14 dias; 2. Amolecimento do colo uterino percebido pelo toque (semelhante à consistência labial) a partir de seis semanas de gestação; 3. Sinal de Hegar: amolecimento do istmo uterino (durante o toque bimanual, a sensação é semelhante à separação do corpo da cérvice); 4. Sinal de Piskacek: assimetria uterina à palpação no local da implantação; 5. Sinal de Nobile-Budin: preenchimento do fundo de saco posterior pelo útero amamentado de volume; 6. Sinal de Osiander: percepção do pulso da artéria vaginal ao toque vaginal; 7. Sinal de Jacquemier: coloração violácea do meato urinário e da vulva, entre 8 e 12 semanas; 8. Sinal de Kluge: coloração violácea da vagina, entre 8 e 12 semanas; 9. Alterações do muco cervical: torna-se viscoso, mais espesso e não se cristaliza; 10. Aumento do volume uterino: o útero aumenta de tamanho em cerca de 1 cm por semana após quatro semanas de gestação. O útero permanece um órgão pélvico até aproximadamente 12 semanas d e g e s t a ç ã o , q u a n d o s e t o r n a suficientemente grande para se palpar abdominalmente logo acima da sínfise do púbis, a menos que a mulher seja obesa. Sinais de certeza: 1. Ausculta dos batimentos cardiofetais com o estetoscópio de Pinard (a partir de 20 semanas) ou o sonar (a partir de 10 a 12 semanas); 2. Percepção de partes e movimentos fetais pelo examinador: por meio da palpação abdominal, é possível perceber movimentos do feto a partir de 18 a 20 semanas; 3. Sinal de Puzos (rechaço fetal intrauterino): durante o exame bimanual, um discreto impulso no útero, por meio do fundo de saco anterior, deslocará o feto no líquido amniótico para longe do dedo do examinador. A tendência do retorno do feto faz com que ele seja novamente palpável. DIAGNÓSTICO HORMONAL • Constitui, atualmente, o melhor parâmetro para o diagnóstico de gravidez incipiente, de acordo com sua precocidade e exatidão. • Apoia-se na produção de gonadotrofina coriônica humana (hCG) pelo ovo. • Uma semana após a fertilização, o trofoblasto, implantado no endométrio, começa a produzir a hCG em quantidades crescentes, que podem ser encontradas no plasma ou na urina maternos. • Esse é o primeiro momento em que o hCG pode s e r de tec tado com um te s t e ultrassensível, e valores acima de 25 mUI/mL sugerem gravidez em curso. • A concentração de hCG duplica a cada 48 a 72 horas durante os primeiros 30 dias após a implantação de gravidez intrauterina viável; aumento mais lento é sugestivo de gravidez anormal (por exemplo, morte ectópica, morte embrionária precoce). DIAGNÓSTICO ULTRASSONOGRÁFICO • Com 4 a 5 semanas, na parte superior do útero, começa a aparecer formação arredondada, anelar, de contornos nítidos, que corresponde à estrutura ovular, denominada, em ultrassonografia, saco gestacional (SG). • A partir de 5 semanas, é possível visualizar a vesícula vitelina (VV) e, com 6 semanas, o eco embrionário e a sua pulsação cardíaca (BCF). • Em torno de 10 a 12 semanas, nota-se espessamento no SG, que representa a placenta em desenvolvimento e seu local de implantação no útero. • Com 12 semanas, a placenta pode ser facilmente identificada e apresenta estrutura definida com 16 semanas. • Medições biométricas (por exemplo, tamanho do saco gestacional, comprimento cabeça-nádega, diâmetro biparietal , comprimento do fêmur) são utilizadas para estimar a idade gestacional (i.e., duração da gravidez) e a data de parto. O comprimento cabeça-nádega é o principal referencial para avaliar a idade da gravidez no primeiro trimestre. • A atividade cardíaca fetal geralmente é identificada na quinta semana nos embriões com 2 mm. • No entanto, é sabido que, em 5% a 10% das gestações normais, não se consegue identificar atividade cardíaca em embriões até 4 mm. PRÉ NATAL • A assistência pré-natal engloba aplicação individualizada de condutas clínico- obstétricas protocolares ao longo de todo o p e r í o d o g e s t a c i o n a l . E s t r a t é g i a interdisciplinar de atendimento profissional otimiza o alcance e a manutenção da integridade das condições de saúde materna e fetal. Os objetivos básicos da assistência pré-natal são: 1. Orientar os hábitos de vida (higiene pré- natal); 2. Assistir a gestante psicologicamente; 3. Preparar a gestante para a maternidade, instruindo-a sobre o parto (parto humanizado), dando-lhe noções de puericultura; 4. Evitar o uso de medicação e de medidas que se tornem prejudiciais para o feto (p. ex., teratogênese); 5. Tratar os pequenos distúrbios da gravidez; 6. Realizar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças próprias da gravidez ou nela intercorrentes. EXAMES SOLICITADOS NO PRÉ NATAL • Os exames laboratoriais têm importante papel na assistência pré-natal, como forma de rastreamento e prevenção de possíveis doenças. Rastreamento de doenças infecciosas: A. Rubéola: a pesquisa sorológica está indicada no primeiro trimestre. B. Hepatite B: vacinar todas as mulheres não imunizadas e, em especial, aquelas com riscos sociais ou ocupacionais de exposição; C. Citomegalovírus: muito comum na população; em especial, deve-se realizar o rastreamento nas mulheres que trabalham em unidades de tratamento intensivo (UTI), UTI neonatal, creches e unidades de diálise. D. Teste IgG para parvovírus B19 para professoras de escolas ou funcionárias de creches, devido a associação dele com hidropisia fetal não imune; E. Toxoplasmose: preocupação para as mulheres que possuem animais domésticos, como gato, e as que comem ou manipulam car ne c rua . E s tudar o momento imunológico (IgG e IgM). Quando a IgM é positiva, deve-se realizar o teste da avidez de IgG, que indicará se a infecção é antiga ou recente; F. Teste para HIV: para todas as mulheres; G. Teste para Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis, Treponema pallidum em pacientes sexualmenteativas. A cultura para clamídia e gonorreia será solicitada em grávidas de alto risco, com diminuição dos custos decorrentes da menor incidência de trabalho de parto prematuro, parto prematuro, endometrite pós-parto e conjuntivite neonatal; H. Zika vírus: até sete dias do contato, solicita- se proteína C reativa (PCR); após o período de viremia, solicita-se a sorologia. PRIMEIRA CONSULTA PRÉ-NATAL Na primeira consulta, deve-se pesquisar os aspectos socioepidemiológicos, os antecedentes familiares, os antecedentes pessoais gerais, ginecológicos e obstétricos, além da situação da gravidez atual. Os principais componentes podem ser assim listados: 1. Data precisa da última menstruação; 2. Regularidade dos ciclos; 3. Uso de anticoncepcionais; 4. Paridade; 5. Intercorrências clínicas, obstétricas e cirúrgicas; 6. Detalhes de gestações prévias; 7. Hospitalizações anteriores; 8. Uso de medicações; 9. História prévia de doença sexualmente transmissível; 10. Exposição ambiental ou ocupacional de risco; 11. Reações alérgicas; 12. História pessoal ou familiar de doenças hereditárias/malformações; 13. Gemelaridade anterior; 14. Fatores socioeconômicos; 15. Atividade sexual; 16. Uso de tabaco, álcool ou outras drogas lícitas ou ilícitas; 17. História infecciosa prévia; 18. Vacinações prévias; 19. História de violências. Observação: Na pesquisa de sintomas relacionados à gravidez também deverá ser questionada a existência de náuseas, vômitos, dor abdominal, constipação, cefaleia, síncope, sangramento ou corrimento vaginal, disúria, polaciúria e edemas. Observação: É importante sanar dúvidas e minimizar a ansiedade do casal. Informações sobre alimentação, hábito intestinal e urinário, movimentação fetal, assim como presença de corrimentos ou outras perdas vaginais ajudam a identificar situações de risco gestacional e orientam medidas educativas que devem ser enfatizadas durante o pré-natal. HISTÓRIA OBSTÉTRICA 1. DON : Diagnóst ico Obstétr ico de Normalidade; 2. DOPA: Diagnóstico Obstétrico Patológico Atual; 3. DOPP: Diagnóstico Obstétrico Patológico Pregresso; 4. DCC: Diagnóstico Clínico-Cirúrgico. 5. DG: Diagnóstico Ginecológico EXAME FÍSICO - S ã o i n d i s p e n s á v e i s o s s e g u i n t e s procedimentos: avaliação nutricional (peso e cálculo do IMC), medida da pressão arterial, palpação abdominal e percepção dinâmica, medida da altura uterina, ausculta dos batimentos cardiofetais, registro dos movimentos fetais, realização do teste de estímulo sonoro simplificado, verificação da presença de edema, exame ginecológico e coleta de material para colpocitologia oncótica, exame clínico das mamas e toque vaginal de acordo com as necessidades de cada mulher e com a idade gestacional. - No exame físico, os mais importantes componentes que precisam ser incluídos na primeira visita pré-natal são os seguintes: peso, altura, pressão arterial, avaliação de mucosas, da tireoide, das mamas, dos pulmões, do coração, do abdome e das extremidades. - No exame ginecológico/obstétrico, deve-se avaliar a genitália externa, a vagina, o colo uterino e, no toque bidigital, o útero e os anexos. Após a 12a semana, deve-se medir a altura do fundo uterino no abdome. A ausculta fetal será possível após a 10a-12a semana, com o sonar-doppler [grau de recomendação D]. - Nas v i s i ta s subsequentes, tor na-se obrigatório medir a altura uterina, pesar a paciente, mensurar a pressão arterial, verificar a presença de anemia de mucosas, a existência de edemas e auscultar os batimentos cardíacos fetais. Deve-se avaliar o mamilo para lactação. A definição da apresentação fetal deverá ser determinada por volta da 36a semana [grau de recomendação D]. EXAME FÍSICO GERAL - Inspeção da pele e das mucosas; - Sinais vitais: aferição do pulso, frequência c a rd í a c a , f r e q u ê n c i a re s p i r a t ó r i a , temperatura axilar; - Palpação da tireoide , região cervical, supraclavicular e axilar (pesquisa de nódulos ou outras anormalidades); - Ausculta cardiopulmonar; - Exame do abdome; - Exame dos membros inferiores; - Determinação do peso; - Determinação da altura; - Cálculo do IMC; - Avaliação do estado nutricional e do ganho de peso gestacional; - Medida da pressão arterial; - Pesquisa de edema (membros, face, região sacra, tronco). EXAME FÍSICO ESPECÍFICO (GINECO- OBSTÉTRICO): Palpação obstétrica: - Medida e avaliação da altura uterina; - Ausculta dos batimentos cardiofetais; - Registro dos movimentos fetais; - Teste de estímulo sonoro simplificado (Tess); - Exame clínico das mamas; - Exame ginecológico (inspeção dos genitais externos, exame especular, coleta de material para exame colpocitopatológico, toque vaginal).