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1 1ª FASE MODERNISTA (MANUEL BANDEIRA) 1ª FASE MODERNISTA (MANUEL BANDEIRA) E 2ª FASE – POESIA – PARTE I QUESTÕES DE SALA 01 Poema tirado de uma notícia de Jornal João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número. Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. BANDEIRA, M. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro. Editora Nova Aguilar, 1983. (ICEV/2019.1-C5H16) Os escritores da 1ª fase modernista optaram por valorizar o cotidiano e usar de linguagem prosaica, especialmente na poesia. O lirismo marcante e a temática de Bandeira estão presentes no poema no instante em que A a objetividade do fato noticiado no jornal supera o valor poético. B descreve-se uma ação banal mesclada a uma linguagem coloquial. C a reorganização das palavras retiradas do jornal desqualifica o teor poético. D a linguagem polissêmica não evidencia o drama descrito pelo poema-jornal. E o caráter narrativo é predominante, o que caracteriza-o como uma prosa poética. 02 Canção No desequilíbrio dos mares, as proas giram sozinhas… Numa das naves que afundaram é que certamente tu vinhas. Eu te esperei todos os séculos sem desespero e sem desgosto, e morri de infinitas mortes guardando sempre o mesmo rosto. Quando as ondas te carregaram meus olhos, entre águas e areias, cegaram como os das estátuas, a tudo quanto existe alheias. (ENEM-PPL/2019-C5H16) Na composição do poema, o tom elegíaco e solene manifesta uma concepção de lirismo fundada na A contradição entre a vontade da espera pelo ser amado e o desejo de fuga. B expressão do desencanto diante da impossibilidade da realização amorosa. C associação de imagens díspares indicativas de esperança no amor futuro. D recusa à aceitação da impermanência do sentimento pela pessoa amada. E consciência da inutilidade do amor em relação à inevitabilidade da morte. 5 Minhas mãos pararam sobre o ar e endureceram junto ao vento, e perderam a cor que tinham e a lembrança do movimento. E o sorriso que eu te levava desprendeu-se e caiu de mim: e só talvez ele ainda viva dentro destas águas sem fim. . MEIRELES, C. In: SECCHIN, A. C. (Org.). Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001 2 1ª FASE MODERNISTA (MANUEL BANDEIRA) 03 Soneto de separação De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente MORAES, V. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1989. (C5H16) Uma série de transformações é apresentada pelo verbo fazer acompanhado da palavra se. Na cena construída no poema, essa estrutura linguística produz o seguinte efeito: A apagamento dos parceiros da relação. B esquecimento da sensação de perda. C neutralização dos espaços de conflito. D indefinição do momento da despedida. E constância do amor diante da dor. 04 Da humana condição Custa o rico entrar no céu (Afirma o povo e não erra). Porém muito mais difícil É um pobre ficar na terra. QUINTANA, M. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2003. (ENEM-PPL/2017-C5H16) Mário Quintana ficou conhecido por seus “quintanares”, nome que o poeta Manuel Bandeira deu a esses quartetos com pequenas observações sobre a vida. Nessa perspectiva, os versos do poema Da humana condição ressaltam A a desvalorização da cultura popular. B a falta de sentido da existência humana. C a irreverência diante das crenças do povo. D uma visão irônica das diferenças de classe. E um olhar objetivo sobre as diferenças sociais. 05 O Fotógrafo Difícil fotografar o silêncio. Entretanto tentei. Eu conto: Madrugada a minha aldeia estava morta. Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa. Eram quase quatro da manhã. Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina. O silêncio era um carregador? Estava carregando o bêbado. Fotografei esse carregador. Tive outras visões naquela madrugada. Preparei minha máquina de novo. Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado. Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra. Fotografei a existência dela. Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão. Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre. Foi difícil fotografar o sobre. Por fim eu enxerguei a Nuvem de calça. Representou para mim que ela andava na aldeia de braços com Maiakovski - seu criador. Fotografei a Nuvem de calça e o poeta. Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir sua noiva. A foto saiu legal. BARROS, Manoel de. Ensaios fotográficos. Rio de Janeiro: Record, 2005. (ARL/C5H16) Manoel de Barros, modernista, apresenta uma poesia bastante peculiar que reflete um universo composto por coisas, caramujos, lesmas, formigas, trastes, jacarés, cigarras e outros “seres insignificantes” aos olhos do atarefado homem da cidade. O poeta inova ao aproximar duas artes capazes de retratar o presente: a poesia e a fotografia. Tal inovação se realiza por meio da (s) A metáfora ao recriar o universo literário apresentando imagens e cenas reais presentes no contexto social-urbano. B sensibilidade do eu lírico ao registrar o cotidiano monótono das grandes cidades, especialmente no ambiente noturno. C imagens surreais descritas com a finalidade de valorizar as “coisas desimportantes” e enaltecer o poder de criação presen- te na linguagem denotativa. D cenas descritas corroborando com a imaginação criadora do poeta que registra o invisível e o inimaginável aos olhos huma- nos através das fotos. E palavras ao descrever o que entende ser belo neste mundo, como as coisas entre a natureza e a existência, de forma a despertar o senso crítico-social do leitor. 3 1ª FASE MODERNISTA (MANUEL BANDEIRA) QUESTÕES DE CASA 06 (FAVIP-PE/C5H16) A partir do poema “O anjo da guarda”, do escritor pernambucano Manuel Bandeira, assinale a alternativa correta. O anjo da guarda Quando minha irmã morreu, (Devia ter sido assim) Um anjo moreno, violento e bom, – brasileiro Veio ficar ao pé de mim. O meu anjo da guarda sorriu E voltou para junto do Senhor. A O poema é construído através de versos livres, em geral, raros na poesia moderna. B O autor trabalha um tema de morte, com sentimentalismo romântico. C O poema, apesar de contemporâneo, traz imagens ligadas à religiosidade barroca. D A ironia presente nos versos é típica do “mal do século”. E A poesia moderna se utiliza comumente de elementos aparen- temente prosaicos e antilíricos para a criação de poemas den- samente líricos. 07 O anjo das pernas tortas A Flávio Porto A um passe de Didi, Garrincha avança Colado o couro aos pés, o olhar atento Dribla um, dribla dois, depois descansa Como a medir o lance do momento. Vem-lhe o pressentimento; ele se lança Mais rápido que o próprio pensamento Dribla mais um, mais dois; a bola trança Feliz, entre seus pés - um pé-de-vento! Num só transporte a multidão contrita Em ato de morte se levanta e grita Seu uníssono canto de esperança. Garrincha, o anjo, escuta e atende: - Goooool! É pura imagem: um G que chuta um O Dentro da meta, um L. É pura dança! MORAES, V. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1989. (C5H16) O texto de Vinícius de Moraes descreve uma jogada da Copa do Mundo de 1962 realizada no Chile envolvendo o craque Garrincha. No poema, o eu lírico A narra uma jogada decisiva para o título do Brasil. B reverencia a genialidade de um craque daquela Copa. C exaltaas qualidades de dois dos grandes craques brasileiros. D relembra uma amarga derrota mesmo diante da beleza do futebol. E apresenta o caráter místico do futebol ao comparar o craque a um anjo. 08 (C5H16) O poema a seguir faz parte da obra Livro sobre nada (1996), de Manoel de Barros: A ciência pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá mas não pode medir seus encantos. A ciência não pode calcular quantos cavalos de força existem nos encantos de um sabiá. Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar: divinare. Os sabiás divinam. Manoel de Barros In: PINTO, Manuel da Costa. Antologia comentada da poesia brasileira do século 21. São Paulo: Publifolha, 2006. Compreende-se que estamos diante de um poema A que afirma ser impossível um saber acerca do sabiá. B que mostra que há mistérios na natureza que a ciência tenta desvendar, como o encanto de um sabiá. C que mostra que o estudo dos sabiás tem mais a ver com adivi- nhação do que com informação. D no qual o autor mostra que a ciência é muito limitada para en- tender a anatomia do sabiá. E segundo o qual a ciência consegue entender a anatomia do sabiá, mas não explicar por que ele nos encanta. 09 Pequenos tormentos da vida De cada lado da sala de aula, pelas janelas altas, o azul convida os meninos, as nuvens desenrolam-se, lentas como quem vai inventando preguiçosamente uma história sem fim...Sem fim é a aula: e nada acontece, nada...Bocejos e moscas. Se ao menos, pensa Margarida, se ao menos um avião entrasse por uma janela e saísse por outra! QUINTANA, M. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2009. (ENEM/C5H16) Na cena retratada no texto, o sentimento do tédio A provoca que os meninos fiquem contando histórias. B leva os alunos a simularem bocejos, em protesto contra a mo- notonia da aula. C acaba estimulando a fantasia, criando a expectativa de algum imprevisto mágico. D prevalece de modo absoluto, impedindo até mesmo a distração ou o exercício do pensamento. E decorre da morosidade da aula, em contraste com o movimento acelerado das nuvens e das moscas. 4 1ª FASE MODERNISTA (MANUEL BANDEIRA) 10 Motivo Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, - não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: - mais nada. (NOVAFAPI) No poema, percebe-se uma das características mais marcantes da segunda fase do Modernismo, que é: A Valorização do passado. B Crença no futuro. C Consagração do presente. D Desprezo à tradição. E Ruptura com o presente e o passado.