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13ª FASE - pOESIA 3ª FASE – POESIA QUESTÕES DE SALA 01 Morte e vida Severina Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra, no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas, e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta. E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte Severina: que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia. MELO NETO, João Cabral de. Obra completa. Rio Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (fragmento). (ENEM/C5H16) Nesse fragmento, parte de um auto de Natal, o poeta retrata uma situação marcada pela A presença da morte, que universaliza os sofrimentos dos nordestinos. B opressão socioeconômica a que todo ser humano se encontra submetido. C figura do homem agreste, que encara ternamente sua condição de pobreza. D descrição sentimentalista de Severino, que divaga sobre ques- tões existenciais. E miséria, à qual muitos nordestinos estão expostos, simbolizada na figura de Severino. 02 Para a feira do livro Folheada, a folha de um livro retoma o lânguido1 e vegetal da folha folha, e um livro se folheia ou se desfolha como sob o vento a árvore que o doa; folheada, a folha de um livro repete fricativas2 e labiais3 de ventos antigos, e nada finge vento em folha de árvore melhor do que vento em folha de livro. [...] (NETO, João Cabral de Melo. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.p.341) Vocabulário: 1. frouxo, frágil. 2. consoantes de sons semelhantes ao fonema f e v. 3. sons consonantais produzidos pela obstrução e posterior abertura dos lábios. 9 (FACID) Os autores da terceira geração modernista, a chamada Geração de 45, expressaram por meio de estilos bastante diferentes o tema do cotidiano, da própria arte e as reflexões a respeito do homem e do mundo. O poeta João Cabral de Melo Neto recebeu literariamente o epíteto de o “engenheiro da palavra” notabilizando-se pela concisão da linguagem e rigor formal. Considerando o texto e o contexto do autor, pode-se observar que A ao tratar da folha de um livro, o poema expressa o prazer es- tético-literário com um tom de deboche e paródia que marcou sua geração. B a adesão do poeta ao Tropicalismo, vanguarda poética marca- da pela preocupação com a disposição das palavras no espaço gráfico. C há presença da metapoesia no instante que o eu-lírico define denotativamente a sonoridade do poema e sua relação com o leitor. D o compromisso do eu lírico com os ideais rebuscados da es- tética parnasiana, cujo ideal de perfeição se concentrava em rígidos esquemas rítmicos e métricos. E a partir de um objeto comum – as folhas de um livro – o eu lírico compara os sons por estas produzidas ao manuseio das mesmas num jogo sugestivo de sonoridade. 03 No âmago da pirâmide a vertigem do fim frio claustro de trevas a lâmina do nada cravada em mim CABRAL, A. Torna-viagem. Rio de Janeiro: Pirata,1981. (C5H16) Pela disposição gráfica, que representa a própria pirâmide de que trata, o poema de Astrid Cabral situa-se no Movimento concretista que dentre outras características, destaca-se por A ironizar o fazer poético e ridicularizar a rima e a métrica. B comprovar a liberdade poética por meio da estrofe regular. C intertextualizar com a vanguarda europeia expressionista. D superar o tradicional sistema do verso como unidade de composição. E associar a poesia ao estilo do poema-piada da fase anárquica modernista. 2 3ª FASE - pOESIA 04 Apartheid Soneto Disponível em: http://www.avelinodearaujo.com.br. Acesso em: 11 mai. 2016. (ARL/C5H16) O texto é um exemplo da inovação modernista e também da rebeldia de alguns poetas em relação ao estilo tradicional de movimentos artísticos como o Parnasianismo. Esse poema apresenta marcas do Concretismo, o que se confirma quando o eu lírico A reassume a concepção de arte preconizada pelo Parnasianis- mo: rigor formal e identificação da poesia com temas clássicos. B reproduz a estrutura do soneto, que é uma forma poética fixa, composta por catorze versos dispostos em dois quartetos e dois tercetos. C questiona os princípios da arte parnasiana ao radicalizar a ideia de poesia, abdicando da linguagem verbal, como era comum na poesia desse estilo no Brasil. D apresenta um caráter eminentemente social, revelado pelo uso do termo “Apartheid” no título – que designa um regime vigente na África, o que realça o caráter engajado. E relaciona a imagem e o título a uma cerca de arame farpado cujos fios se organizam em dois quartetos e dois tercetos, o que comunica repúdio às regras convencionais. 05 Sou um homem comum brasileiro, maior, casado, reservista, e não vejo na vida, amigo nenhum sentido, senão lutarmos juntos por um mundo melhor. Poeta fui de rápido destino Mas a poesia é rara e não comove nem move o pau de arara. Quero, por isso, falar com você de homem para homem, apoiar-me em você oferecer-lhe meu braço que o tempo é pouco e o latifúndio está aí matando [...] Homem comum, igual a você, [...] Mas somos muitos milhões de homens comuns e podemos formar uma muralha com nossos corpos de sonhos e margaridas. FERREIRA GULLAR. Dentro da noite veloz. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013 (fragmento). (ENEM-PPL/2017-C5H16) No poema, ocorre uma aproximação entre a realidade social e o fazer poético, frequente no Modernismo. Nessa aproximação, o eu lírico atribui à poesia um caráter de A agregação construtiva e poder de intervenção na ordem instituída. B força emotiva e capacidade de preservação da memória social. C denúncia retórica e habilidade para sedimentar sonhos e utopias. D ampliação do universo cultural e intervenção nos valores humanos. E identificação com o discurso masculino e questionamento dos temas líricos. QUESTÕES DE CASA 06 O Concretismo nasceu na década de 50 e tinha como principal meta encerrar o ciclo histórico do verso (unidade rítmico- formal). Defendendo que “sem forma revolucionária não há arte revolucionária” (Maiakovski), os concretistas valorizaram o espaço gráfico, a sintaxe espacial ou visual, e a justaposição direta das palavras. Dentre os principais nomes da Poesia Concreta, quais nomes podemos assinalar como criadores do movimento Concreto? A Augusto de Campos, João Cabral de Melo Neto e Cacaso. B Cacaso, Paulo Leminski e Torquato Neto. C Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Mário Chamie. D Décio Pignatari, Augusto de Campos e Haroldo de Campos. E Mário Chamie, Décio Pignatari e Haroldo de Campos. 33ª FASE - pOESIA 07 Meu povo, meu poema Meu povo e meu poema crescem juntos Como cresce no fruto A árvore nova No povo meu poema vai nascendo Como no canavial Nasce verde o açúcar No povo meu poema está maduro Como o sol Na garganta do futuro Meu povo em meu poema Se reflete Como espiga se funde em terra fértil Ao povo seu poema aqui devolvo Menos como quem canta Do que planta GULLAR, F. Toda poesia. José Olympio: Rio de Janeiro, 2000. (ENEM/C5H16) O texto Meu povo, meu poema, de Ferreira Gullar, foi escrito na década de 1970. Nele, o diálogo com o contexto sociopolítico em que se insere expressa uma voz poética que A precisa do povo para produzir seu texto, mas se esquiva de enfrentar as desigualdades sociais. B dilui a importância das contingências políticas e sociais na construção de seu universo poético. C associa o engajamento político à grandeza do fazer poético, fator de superação da alienação do povo. D afirma que a poesia depende do povo, mas esse nem sempre vê a importância daquela nas lutas de classe. E reconhece, na identidade entre o povo e a poesia, uma etapa de seu fortalecimento humano e social. 08 Alegria, alegria (Caetano Veloso, 1967) Caminhando contra o vento Sem lenço e sem documento No sol de quase dezembro Eu vou... O sol se reparte em crimes Espaçonaves, guerrilhas Em cardinales bonitas Eu vou... (...). Disponível em: https://www.vagalume.com.br/caetano-veloso/alegria-alegria.html. Acesso em:21 set. 2013. (C5H15) Em 1967, no terceiro festival de MPB da TV Record, foram apresentadas as músicas “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso, e “Domingo no parque”, de Gilberto Gil, inaugurando o Tropicalismo. Considerando o contexto artístico, histórico e social, compreende-se que o referido movimento cultural A foi influenciado pela contracultura hippie e pela Pop Art carac- terizando o modo de vida norte-americano. B não fez referências a fatos que aconteciam na época, o que caracterizou um distanciamento da realidade. C foi considerado como de ruptura, especialmente no que diz res- peito à música brasileira do final dos anos 60. D musicalmente descompromissado com a realidade do país e alheio aos rumos que o regime militar impunha à nação. E apresentava um tom anarquista, o que revelou a influência do Dadaísmo no processo de elaboração das letras surreais. 09 Dois parlamentos Nestes cemitérios gerais não há morte pessoal. Nenhum morto se viu com modelo seu, especial. Vão todos com a morte padrão, em série fabricada. Morte que não se escolhe e aqui é fornecida de graça. Que acaba sempre por se impor sobre a que já medrasse. Vence a que, mais pessoal, alguém já trouxesse na carne. Mas afinal tem suas vantagens esta morte em série. Faz defuntos funcionais, próprios a uma terra sem vermes. MELO NETO, João Cabral de. Serial e antes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997 (fragmento). (ENEM-PPL/2017-C5H16) A lida do sertanejo com suas adversidades constitui um viés temático muito presente em João Cabral de Melo Neto. No fragmento em destaque, essa abordagem ressalta o(a) A inutilidade de divisão social e hierárquica após a morte. B aspecto desumano dos cemitérios da população carente. C nivelamento do anonimato imposto pela miséria na morte. D tom de ironia para com a fragilidade dos corpos e da terra. E indiferença do sertanejo com a ausência de seus próximos. 4 3ª FASE - pOESIA 10 Simplesmente Amor Amor é a coisa mais alegre Amor é a coisa mais triste Amor é a coisa que mais quero Por causa dele falo palavras como lanças Amor é a coisa mais alegre Amor é a coisa mais triste Amor é a coisa que mais quero Por causa dele podem entalhar-me: Sou de pedra sabão. Alegre ou triste Amor é a coisa que mais quero. Adélia Prado. Disponível em: . Acesso em: 05 mai. 2013. (C5H16) A obra poética de Adélia Prado é prova de que a poesia não precisa nascer somente do solo duro do eixo Rio-São Paulo. Como poucas, ela sabe resgatar para o seu leitor toda trama cultural e social do piccolo mondo das cidades do interior brasileiro. Pequenas histórias familiares, dramas do dia a dia, tudo isso filtrado pelo seu olhar arguto, resulta numa poesia extremamente refinada e bela. É aquela famosa história de que, ao tratar de sua aldeia, o poeta está sendo universal. Com base no texto e na temática do poema “Simplesmente amor”, depreende-se que a autora A define o amor sob uma perspectiva lógica, direta e objetiva. B apresenta uma concepção naturalista e positivista do amor. C associa o modo de composição do poema ao trabalho do ourives. D considera o sentimento como algo fundamental para sua poe- sia panfletária. E revela sentimentos e aspectos paradoxais da condição senti- mental dos que amam.