Logo Passei Direto
Buscar

AULA 3 - MODERNISMO PORTUGUÊS - 2 GERAÇÃO AOS CONTEMPORÂNEOS

User badge image
Star Man

em

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

Os primeiros anos do século XX europeu acusam profundas e amplas transformações culturais e estéticas, das quais não poucas tinham sido lentamente gestadas ao longo do século XIX: quase se diria que as mutações anteriores apenas serviram de ensaio para alguma coisa de novo que só veio a declarar-se, explosivamente, na alvorada desta centúria. Como sempre, Portugal procurou adaptar-se ao ritmo europeu e beneficiar-se do progresso cultural em curso, embora reduzindo-o à sua medida enquanto povo, história e mentalidade. (...) Em 1927, um grupo de estudantes (José Régio, João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca) funda, edita e dirige em Coimbra a revista literária Presença. Tendo por subtítulo sua qualificação de Folha de Arte e Crítica, o primeiro número sai a 10 de março de 1927. Em 1930, com o número 27 da revista. Branquinho da Fonseca abandona-lhe a direção, secundado por Miguel Torga (então assinando Adolfo Rocha, seu verdadeiro nome) e Edmundo de Bettencourt, que deixam de colaborar: na carta que enviam aos demais diretores da Presença, datada de 16 de junho de 1930, iniciam afirmando que a “Presença que se propunha, como folha de arte e crítica, defender o direito que assiste a cada um de seguir o seu caminho, começou a contradizer-se”, e mais adiante lembram que a “Presença concebe mestres e discípulos com aquela interpretação convencional, em que os mestres fazem lições para os que se reputam alunos”. MOISÉS, Massaud, A Literatura Portuguesa. 33ª ed. São Paulo, Editora Cultrix, 2005.
(ARL/C5H16) A 2ª geração modernista em Portugal inicia-se com a publicação da revista literária Presença, cujo primeiro exemplar foi publicado no ano de 1927. Autores como José Régio, Branquinho da Fonseca, Irene Lisboa e João Gaspar Simões, no geral, defenderam uma literatura focada na
A experimentação estética dando continuidade às inovações da geração Orpheu.
B crítica social com uma postura engajada diante da situação sociopolítica do país.
C abordagem existencialista e surrealista sem perder a linha experimentalista e social.
D liberdade de expressão a fim de inovar artisticamente partindo das vanguardas europeias.
E introspecção, na elaboração formal com momentos de experimentalismo e de “Arte pela arte”.

(ARL) Assinale a alternativa ERRADA sobre o Modernismo em Portugal.
A O marco inicial do Modernismo em Portugal foi a publicação da Revista Orpheu, em 1915, influenciada pelas grandes correntes estéticas europeias, como o Futurismo, o Expressionismo etc., reunindo Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros, entre outros.
B A Revista Presença (1927) circulou em Portugal até 1940 e seus mentores principais foram José Régio, Miguel Torga, Branquinho da Fonseca e Adolfo Casais Monteiro, todos aproveitaram as conquistas estéticas da geração Orfeu e estabeleceram que a obra de arte não pudesse estar limitada por condições de tempo ou de espaço preferindo a temática psicológica e metafísica.
C A 3ª geração modernista, o Neorrealismo, defende uma arte participativa, de temática social e por sua postura de ataque à burguesia, encontraram pontos de contato com o Realismo de Eça de Queirós recebendo também forte influência do chamado neo-realismo nordestino da literatura brasileira (que incluía nomes como Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz Jorge Amado, entre outros).
D Podemos estabelecer uma 4ª geração modernista ou tendência contemporânea que cronologicamente passa a existir desde a década de 60 até os dias atuais e apresenta como grandes características o surrealismo, o existencialismo e a crítica sócio-política tendo como grandes expoentes José Saramago, António Lobo Antunes e Agustina Bessa-Luís.
E A literatura modernista portuguesa revela tendências semelhantes que se configuraram desde a Revista A Águia até o romance “Memorial do Convento” de José Saramago uma vez que os escritores portugueses como um todo sempre se ativeram ao saudosismo e ao nacionalismo evitando obras de visão crítica universal.

O conto da ilha desconhecida

Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), de cada vez que ouvia alguém a chamar à porta das petições fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da aldraba de bronze se tornava, mais do que notório, escandaloso, tirando o sossego à vizinhança (as pessoas começavam a murmurar, Que rei temos nós, que não atende), é que dava ordem ao primeiro-secretário para ir saber o que queria o impetrante, que não havia maneira de se calar. Então, o primeiro-secretário chamava o segundo-secretário, este chamava o terceiro, que mandava o primeiro-ajudante, que por sua vez mandava o segundo, e assim por aí fora até chegar à mulher da limpeza, a qual, não tendo ninguém em quem mandar, entreabria a porta das petições e perguntava pela frincha, Que é que tu queres. O suplicante dizia ao que vinha, isto é, pedia o que tinha a pedir, depois instalava-se a um canto da porta, à espera de que o requerimento fizesse, de um em um, o caminho ao contrário, até chegar ao rei. Ocupado como sempre estava com os obséquios, o rei demorava a resposta, e já não era pequeno sinal de atenção ao bem-estar e felicidade do seu povo quando resolvia pedir um parecer fundamentado por escrito ao primeiro-secretário, o qual, escusado seria dizer, passava a encomenda ao segundo-secretário, este ao terceiro, sucessivamente, até chegar outra vez à mulher da limpeza, que despachava sim ou não conforme estivesse de maré.

Contudo, no caso do homem que queria um barco, as coisas não se passaram bem assim. Quando a mulher da limpeza lhe perguntou pela nesga da porta, Que é que tu queres, o homem, em lugar de pedir, como era o costume de todos, um título, uma condecoração, ou simplesmente dinheiro, respondeu, Quero falar ao rei, Já sabes que o rei não pode vir, está na porta dos obséquios, respondeu a mulher, Pois então vai lá dizer-lhe que não saio daqui até que ele venha, pessoalmente, saber o que quero, rematou o homem, e deitou-se ao comprido no limiar, tapando-se com a manta por causa do frio. Entrar e sair, só por cima dele.
(UNIFOR/2017.1) Quanto à forma do texto, pode-se afirmar que
A referem-se à terceira fase do Modernismo, quando se utiliza de supressões das formas tradicionais, mas sem romper com o sentido do texto.
B utiliza técnicas inovadoras de pontuação e recursos gráficos, tornando os diálogos inseridos na narrativa, o que produz sensação de fluxo de consciência e uma possível confusão entre fala e pensamento no texto.
C faz uso das características vanguardistas da literatura contemporânea, como a intertextualidade, a fragmentação e o rompimento da sintaxe.
D desperta um olhar apurado para os componentes estruturais da palavra, com grande rigor metalinguístico e preocupação ideológica.
E estilo característico do período de transição entre o pós-modernismo e a literatura contemporânea, apresentando o experimentalismo, a valorização da oralidade e a irreverência.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Questões resolvidas

Os primeiros anos do século XX europeu acusam profundas e amplas transformações culturais e estéticas, das quais não poucas tinham sido lentamente gestadas ao longo do século XIX: quase se diria que as mutações anteriores apenas serviram de ensaio para alguma coisa de novo que só veio a declarar-se, explosivamente, na alvorada desta centúria. Como sempre, Portugal procurou adaptar-se ao ritmo europeu e beneficiar-se do progresso cultural em curso, embora reduzindo-o à sua medida enquanto povo, história e mentalidade. (...) Em 1927, um grupo de estudantes (José Régio, João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca) funda, edita e dirige em Coimbra a revista literária Presença. Tendo por subtítulo sua qualificação de Folha de Arte e Crítica, o primeiro número sai a 10 de março de 1927. Em 1930, com o número 27 da revista. Branquinho da Fonseca abandona-lhe a direção, secundado por Miguel Torga (então assinando Adolfo Rocha, seu verdadeiro nome) e Edmundo de Bettencourt, que deixam de colaborar: na carta que enviam aos demais diretores da Presença, datada de 16 de junho de 1930, iniciam afirmando que a “Presença que se propunha, como folha de arte e crítica, defender o direito que assiste a cada um de seguir o seu caminho, começou a contradizer-se”, e mais adiante lembram que a “Presença concebe mestres e discípulos com aquela interpretação convencional, em que os mestres fazem lições para os que se reputam alunos”. MOISÉS, Massaud, A Literatura Portuguesa. 33ª ed. São Paulo, Editora Cultrix, 2005.
(ARL/C5H16) A 2ª geração modernista em Portugal inicia-se com a publicação da revista literária Presença, cujo primeiro exemplar foi publicado no ano de 1927. Autores como José Régio, Branquinho da Fonseca, Irene Lisboa e João Gaspar Simões, no geral, defenderam uma literatura focada na
A experimentação estética dando continuidade às inovações da geração Orpheu.
B crítica social com uma postura engajada diante da situação sociopolítica do país.
C abordagem existencialista e surrealista sem perder a linha experimentalista e social.
D liberdade de expressão a fim de inovar artisticamente partindo das vanguardas europeias.
E introspecção, na elaboração formal com momentos de experimentalismo e de “Arte pela arte”.

(ARL) Assinale a alternativa ERRADA sobre o Modernismo em Portugal.
A O marco inicial do Modernismo em Portugal foi a publicação da Revista Orpheu, em 1915, influenciada pelas grandes correntes estéticas europeias, como o Futurismo, o Expressionismo etc., reunindo Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros, entre outros.
B A Revista Presença (1927) circulou em Portugal até 1940 e seus mentores principais foram José Régio, Miguel Torga, Branquinho da Fonseca e Adolfo Casais Monteiro, todos aproveitaram as conquistas estéticas da geração Orfeu e estabeleceram que a obra de arte não pudesse estar limitada por condições de tempo ou de espaço preferindo a temática psicológica e metafísica.
C A 3ª geração modernista, o Neorrealismo, defende uma arte participativa, de temática social e por sua postura de ataque à burguesia, encontraram pontos de contato com o Realismo de Eça de Queirós recebendo também forte influência do chamado neo-realismo nordestino da literatura brasileira (que incluía nomes como Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz Jorge Amado, entre outros).
D Podemos estabelecer uma 4ª geração modernista ou tendência contemporânea que cronologicamente passa a existir desde a década de 60 até os dias atuais e apresenta como grandes características o surrealismo, o existencialismo e a crítica sócio-política tendo como grandes expoentes José Saramago, António Lobo Antunes e Agustina Bessa-Luís.
E A literatura modernista portuguesa revela tendências semelhantes que se configuraram desde a Revista A Águia até o romance “Memorial do Convento” de José Saramago uma vez que os escritores portugueses como um todo sempre se ativeram ao saudosismo e ao nacionalismo evitando obras de visão crítica universal.

O conto da ilha desconhecida

Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), de cada vez que ouvia alguém a chamar à porta das petições fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da aldraba de bronze se tornava, mais do que notório, escandaloso, tirando o sossego à vizinhança (as pessoas começavam a murmurar, Que rei temos nós, que não atende), é que dava ordem ao primeiro-secretário para ir saber o que queria o impetrante, que não havia maneira de se calar. Então, o primeiro-secretário chamava o segundo-secretário, este chamava o terceiro, que mandava o primeiro-ajudante, que por sua vez mandava o segundo, e assim por aí fora até chegar à mulher da limpeza, a qual, não tendo ninguém em quem mandar, entreabria a porta das petições e perguntava pela frincha, Que é que tu queres. O suplicante dizia ao que vinha, isto é, pedia o que tinha a pedir, depois instalava-se a um canto da porta, à espera de que o requerimento fizesse, de um em um, o caminho ao contrário, até chegar ao rei. Ocupado como sempre estava com os obséquios, o rei demorava a resposta, e já não era pequeno sinal de atenção ao bem-estar e felicidade do seu povo quando resolvia pedir um parecer fundamentado por escrito ao primeiro-secretário, o qual, escusado seria dizer, passava a encomenda ao segundo-secretário, este ao terceiro, sucessivamente, até chegar outra vez à mulher da limpeza, que despachava sim ou não conforme estivesse de maré.

Contudo, no caso do homem que queria um barco, as coisas não se passaram bem assim. Quando a mulher da limpeza lhe perguntou pela nesga da porta, Que é que tu queres, o homem, em lugar de pedir, como era o costume de todos, um título, uma condecoração, ou simplesmente dinheiro, respondeu, Quero falar ao rei, Já sabes que o rei não pode vir, está na porta dos obséquios, respondeu a mulher, Pois então vai lá dizer-lhe que não saio daqui até que ele venha, pessoalmente, saber o que quero, rematou o homem, e deitou-se ao comprido no limiar, tapando-se com a manta por causa do frio. Entrar e sair, só por cima dele.
(UNIFOR/2017.1) Quanto à forma do texto, pode-se afirmar que
A referem-se à terceira fase do Modernismo, quando se utiliza de supressões das formas tradicionais, mas sem romper com o sentido do texto.
B utiliza técnicas inovadoras de pontuação e recursos gráficos, tornando os diálogos inseridos na narrativa, o que produz sensação de fluxo de consciência e uma possível confusão entre fala e pensamento no texto.
C faz uso das características vanguardistas da literatura contemporânea, como a intertextualidade, a fragmentação e o rompimento da sintaxe.
D desperta um olhar apurado para os componentes estruturais da palavra, com grande rigor metalinguístico e preocupação ideológica.
E estilo característico do período de transição entre o pós-modernismo e a literatura contemporânea, apresentando o experimentalismo, a valorização da oralidade e a irreverência.

Prévia do material em texto

MODERNISMO PORTUGUÊS 
2ª GERAÇÃO AOS CONTEMPORÂNEOS 1
MODERNISMO PORTUGUÊS – 2ª GERAÇÃO 
AOS CONTEMPORÂNEOS
QUESTÕES DE SALA
01
(ARL) Analise as afirmações abaixo:
I. O romance neorrealista representa o engajamento social e 
crítico, a apresentação das relações socioeconômicos e a 
preocupação com as desigualdades sociais, tendo como 
exemplo o romance Gaibéus de Alves Redol;
II. A 2º geração do modernismo português tem início com a 
publicação da Revista Orpheu editada por Mário de Sá-
Carneiro e Fernando Pessoa;
III. José Régio, autor do livro Poemas de Deus e do Diabo, foi o 
primeiro escritor a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 
1998.
 
Está (ão) correta (s)?
A Apenas I.
B Apenas II.
C Apenas I e II.
D Apenas II e III.
E I, II e III.
02
Os enunciados seguintes versam sobre o Modernismo em 
Portugal, suas fases e seus autores. Assinale a alternativa correta.
A Divide-se o Modernismo português em quatro momentos, todos 
eles marcados pelo viés surrealista e cubofuturista.
B Fernando Pessoa, inserido no primeiro momento do Modernis-
mo em Portugal, experimentou radicalmente a poesia, atribuin-
do, inclusive, muitos poemas a heterônimos determinados.
C O segundo momento do Modernismo português ficou conhe-
cido como Orfismo, caracterizado pelo diálogo intenso com as 
vanguardas europeias.
D O neorrealismo português coincidiu com o neorrealismo brasi-
leiro, e se caracterizou pelo retorno ao positivismo dominante 
nas obras de Eça de Queirós, escritor eleito como modelo da 
escrita realista.
E Florbela Espanca e José Saramago marcaram o início do quar-
to momento do Modernismo português, caracterizado por uma 
estética romântico-sentimental.
03
Estão, entre os principais escritores do modernismo português 
(do Orfismo ao Contemporâneo):
A Eça de Queiros, Antero de Quental, Florbela Espanca e Fer-
nando Pessoa.
B José Saramago, Graciliano Ramos, Eugênio de Castro e Eucli-
des da Cunha.
C Fernando Pessoa, José Régio, Fernando Namora e José 
Saramago.
D Almeida Garrett, Júlio Dinis, José Agostinho de Macedo e Mi-
guel Torga.
E Sophia de Mello Breyner Andersen, Camilo Castelo Branco, 
Mário de Sá-Carneiro e Cesário Verde.
04
Os primeiros anos do século XX europeu acusam profundas 
e amplas transformações culturais e estéticas, das quais não 
poucas tinham sido lentamente gestadas ao longo do século 
XIX: quase se diria que as mutações anteriores apenas serviram 
de ensaio para alguma coisa de novo que só veio a declarar-
se, explosivamente, na alvorada desta centúria. Como sempre, 
Portugal procurou adaptar-se ao ritmo europeu e beneficiar-se do 
progresso cultural em curso, embora reduzindo-o à sua medida 
enquanto povo, história e mentalidade. (...)
Em 1927, um grupo de estudantes (José Régio, João Gaspar 
Simões e Branquinho da Fonseca) funda, edita e dirige em Coimbra 
a revista literária Presença. Tendo por subtítulo sua qualificação 
de Folha de Arte e Crítica, o primeiro número sai a 10 de março 
de 1927. Em 1930, com o número 27 da revista. Branquinho 
da Fonseca abandona-lhe a direção, secundado por Miguel 
Torga (então assinando Adolfo Rocha, seu verdadeiro nome) e 
Edmundo de Bettencourt, que deixam de colaborar: na carta que 
enviam aos demais diretores da Presença, datada de 16 de junho 
de 1930, iniciam afirmando que a “Presença que se propunha, 
como folha de arte e crítica, defender o direito que assiste a cada 
um de seguir o seu caminho, começou a contradizer-se”, e mais 
adiante lembram que a “Presença concebe mestres e discípulos 
com aquela interpretação convencional, em que os mestres fazem 
lições para os que se reputam alunos”.
MOISÉS, Massaud, A Literatura Portuguesa. 33ª ed. São Paulo, Editora Cultrix, 2005.
(ARL/C5H16) A 2ª geração modernista em Portugal inicia-se 
com a publicação da revista literária Presença, cujo primeiro 
exemplar foi publicado no ano de 1927. Autores como José Régio, 
Branquinho da Fonseca, Irene Lisboa e João Gaspar Simões, no 
geral, defenderam uma literatura focada na
A experimentação estética dando continuidade às inovações da 
geração Orpheu. 
B crítica social com uma postura engajada diante da situação so-
ciopolítica do país.
C abordagem existencialista e surrealista sem perder a linha ex-
perimentalista e social.
D liberdade de expressão a fim de inovar artisticamente partindo 
das vanguardas europeias.
E introspecção, na elaboração formal com momentos de experi-
mentalismo e de “Arte pela arte”.
3
MODERNISMO PORTUGUÊS 
2ª GERAÇÃO AOS CONTEMPORÂNEOS2
05
O homem disse, Está a chover, e depois, Quem é você, Não 
sou daqui, Anda à procura de comida, Sim, há quatro dias que não 
comemos, E como sabe que são quatro dias, É um cálculo, Está 
sozinha, Estou com o meu marido e uns companheiros, Quantos 
são, Ao todo, sete, Se estão a pensar em ficar conosco, tirem daí o 
sentido, já somos muitos, Só estamos de passagem, Donde vêm, 
Estivemos internados desde que a cegueira começou, Ah, sim, a 
quarentena, não serviu de nada, Por que diz isso, Deixaram-nos 
sair, Houve um incêndio e nesse momento percebemos que os 
soldados que nos vigiavam tinham desaparecido, E saíram, Sim, 
Os vossos soldados devem ter sido dos últimos a cegar, toda a 
gente está cega, Toda a gente, a cidade toda, o país,
SARAMAGO, J. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.
(ENEM/2017-C5H16) A cena retrata as experiências das 
personagens em um país atingido por uma epidemia. No diálogo, 
a violação de determinadas regras de pontuação
A revela uma incompatibilidade entre o sistema de pontuação 
convencional e a produção do gênero romance.
B provoca uma leitura equivocada das frases interrogativas e pre-
judica a verossimilhança.
C singulariza o estilo do autor e auxilia na representação do am-
biente caótico.
D representa uma exceção às regras do sistema de pontuação 
canônica.
E colabora para a construção da identidade do narrador pouco 
escolarizado.
QUESTÕES DE CASA
06
(FACID) A introdução do Modernismo em Portugal se relaciona 
com a publicação de uma revista literária em 1915, liderada por 
dois escritores ilustres. O título da revista e os nomes dos dois 
escritores são, respectivamente:
A Renascença portuguesa – José Régio e Ronald de Carvalho.
B Presença – José Régio e João Gaspar Simões.
C Orpheu – Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa.
D Port- Wine – Casais Monteiro e Alves Redol.
E Novos Tempos – Fernando Pessoa e Casais Monteiro.
07
(ARL) Assinale a alternativa ERRADA sobre o Modernismo em 
Portugal.
A O marco inicial do Modernismo em Portugal foi a publicação da 
Revista Orpheu, em 1915, influenciada pelas grandes corren-
tes estéticas europeias, como o Futurismo, o Expressionismo 
etc., reunindo Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Alma-
da Negreiros, entre outros. 
B A Revista Presença (1927) circulou em Portugal até 1940 
e seus mentores principais foram José Régio, Miguel Torga, 
Branquinho da Fonseca e Adolfo Casais Monteiro, todos apro-
veitaram as conquistas estéticas da geração Orfeu e estabele-
ceram que a obra de arte não pudesse estar limitada por condi-
ções de tempo ou de espaço preferindo a temática psicológica 
e metafísica.
C A 3ª geração modernista, o Neorrealismo, defende uma arte 
participativa, de temática social e por sua postura de ataque à 
burguesia, encontraram pontos de contato com o Realismo de 
Eça de Queirós recebendo também forte influência do chama-
do neo-realismo nordestino da literatura brasileira (que incluía 
nomes como Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel 
de Queiroz Jorge Amado, entre outros).
D Podemos estabelecer uma 4ª geração modernista ou ten-
dência contemporânea que cronologicamente passa a existir 
desde a década de 60 até os dias atuais e apresenta como 
grandes características o surrealismo, o existencialismo e a 
crítica sócio-política tendo como grandes expoentes José Sa-
ramago, António Lobo Antunes e Agustina Bessa-Luís.
E A literatura modernista portuguesa revela tendências seme-
lhantes que se configuraram desde a Revista A Águiaaté o 
romance “Memorial do Convento” de José Saramago uma vez 
que os escritores portugueses como um todo sempre se ati-
veram ao saudosismo e ao nacionalismo evitando obras de 
visão crítica universal.
08
(ARL) Marque uma alternativa ERRADA sobre o escritor 
português José Saramago:
A É um escritor identificado com as camadas populares e na 
defesa dos trabalhadores na luta contra seus opressores. Ide-
ologicamente, é um homem de esquerda.
B Ganhou o prêmio Camões em 1995, o maior prêmio literário 
de Portugal. Em 1998, ganhou o prêmio Nobel de Literatura.
C O escritor é considerado um clássico da Literatura Portuguesa 
contemporânea, dos anos 60 à atualidade.
D Depois da publicação do romance O Evangelho Segundo Je-
sus Cristo (1991), o escritor passou a viver nas Ilhas Caná-
rias, em auto-exílio.
E O seu romance Os Cus de Judas arrebatou o Prêmio Cidade 
de Lisboa, em 1980.
09
A Terceira Fase do Modernismo português foi fortemente 
influenciada por um grande marco histórico da época (Segunda 
Guerra Mundial). Devido a este marco, esta literatura acabou 
sendo fortemente marcada pela seguinte característica: 
A Desejo de construção de uma literatura engajada, com a de-
núncia social.
B Desejo de volta para o “eu”, com uma reflexão sobre os acon-
tecimentos da época. 
C Arte que lamenta os horrores vividos pelas vítimas da Segun-
da Grande Guerra. 
D Desejo de criação de uma arte moderna, com rejeição dos 
valores antigos e gosto por “irritar” o burguês. 
E Utilização das correntes europeias Futurismo e o Cubismo 
como fonte de uma literatura fragmentada e crítica.
MODERNISMO PORTUGUÊS 
2ª GERAÇÃO AOS CONTEMPORÂNEOS 3
10
O conto da ilha desconhecida 
Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um 
barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a 
das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta 
dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), 
de cada vez que ouvia alguém a chamar à porta das petições 
fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da 
aldraba de bronze se tornava, mais do que notório, escandaloso, 
tirando o sossego à vizinhança (as pessoas começavam a 
murmurar, Que rei temos nós, que não atende), é que dava ordem 
ao primeiro-secretário para ir saber o que queria o impetrante, 
que não havia maneira de se calar. Então, o primeiro-secretário 
chamava o segundo-secretário, este chamava o terceiro, que 
mandava o primeiro-ajudante, que por sua vez mandava o 
segundo, e assim por aí fora até chegar à mulher da limpeza, a 
qual, não tendo ninguém em quem mandar, entreabria a porta 
das petições e perguntava pela frincha, Que é que tu queres. O 
suplicante dizia ao que vinha, isto é, pedia o que tinha a pedir, 
depois instalava-se a um canto da porta, à espera de que o 
requerimento fizesse, de um em um, o caminho ao contrário, até 
chegar ao rei. Ocupado como sempre estava com os obséquios, 
o rei demorava a resposta, e já não era pequeno sinal de atenção 
ao bem-estar e felicidade do seu povo quando resolvia pedir 
um parecer fundamentado por escrito ao primeiro-secretário, o 
qual, escusado seria dizer, passava a encomenda ao segundo-
secretário, este ao terceiro, sucessivamente, até chegar outra 
vez à mulher da limpeza, que despachava sim ou não conforme 
estivesse de maré. 
Contudo, no caso do homem que queria um barco, as coisas 
não se passaram bem assim. Quando a mulher da limpeza lhe 
perguntou pela nesga da porta, Que é que tu queres, o homem, 
em lugar de pedir, como era o costume de todos, um título, uma 
condecoração, ou simplesmente dinheiro, respondeu, Quero 
falar ao rei, Já sabes que o rei não pode vir, está na porta dos 
obséquios, respondeu a mulher, Pois então vai lá dizer-lhe que 
não saio daqui até que ele venha, pessoalmente, saber o que 
quero, rematou o homem, e deitou-se ao comprido no limiar, 
tapando-se com a manta por causa do frio. Entrar e sair, só por 
cima dele. 
SARAMAGO, José. O conto da ilha desconhecida. Disponível em: http://www.
releituras.com/jsaramago_ conto.asp Acessado em: 20/09/2016. 
(UNIFOR/2017.1) Quanto à forma do texto, pode-se afirmar que 
A referem-se à terceira fase do Modernismo, quando se utiliza 
de supressões das formas tradicionais, mas sem romper com 
o sentido do texto. 
B utiliza técnicas inovadoras de pontuação e recursos gráficos, 
tornando os diálogos inseridos na narrativa, o que produz sen-
sação de fluxo de consciência e uma possível confusão entre 
fala e pensamento no texto. 
C faz uso das características vanguardistas da literatura con-
temporânea, como a intertextualidade, a fragmentação e o 
rompimento da sintaxe. 
D desperta um olhar apurado para os componentes estruturais 
da palavra, com grande rigor metalinguístico e preocupação 
ideológica. 
E estilo característico do período de transição entre o pós-mo-
dernismo e a literatura contemporânea, apresentando o ex-
perimentalismo, a valorização da oralidade e a irreverência.

Mais conteúdos dessa disciplina