Prévia do material em texto
MODERNISMO PORTUGUÊS 2ª GERAÇÃO AOS CONTEMPORÂNEOS 1 MODERNISMO PORTUGUÊS – 2ª GERAÇÃO AOS CONTEMPORÂNEOS QUESTÕES DE SALA 01 (ARL) Analise as afirmações abaixo: I. O romance neorrealista representa o engajamento social e crítico, a apresentação das relações socioeconômicos e a preocupação com as desigualdades sociais, tendo como exemplo o romance Gaibéus de Alves Redol; II. A 2º geração do modernismo português tem início com a publicação da Revista Orpheu editada por Mário de Sá- Carneiro e Fernando Pessoa; III. José Régio, autor do livro Poemas de Deus e do Diabo, foi o primeiro escritor a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1998. Está (ão) correta (s)? A Apenas I. B Apenas II. C Apenas I e II. D Apenas II e III. E I, II e III. 02 Os enunciados seguintes versam sobre o Modernismo em Portugal, suas fases e seus autores. Assinale a alternativa correta. A Divide-se o Modernismo português em quatro momentos, todos eles marcados pelo viés surrealista e cubofuturista. B Fernando Pessoa, inserido no primeiro momento do Modernis- mo em Portugal, experimentou radicalmente a poesia, atribuin- do, inclusive, muitos poemas a heterônimos determinados. C O segundo momento do Modernismo português ficou conhe- cido como Orfismo, caracterizado pelo diálogo intenso com as vanguardas europeias. D O neorrealismo português coincidiu com o neorrealismo brasi- leiro, e se caracterizou pelo retorno ao positivismo dominante nas obras de Eça de Queirós, escritor eleito como modelo da escrita realista. E Florbela Espanca e José Saramago marcaram o início do quar- to momento do Modernismo português, caracterizado por uma estética romântico-sentimental. 03 Estão, entre os principais escritores do modernismo português (do Orfismo ao Contemporâneo): A Eça de Queiros, Antero de Quental, Florbela Espanca e Fer- nando Pessoa. B José Saramago, Graciliano Ramos, Eugênio de Castro e Eucli- des da Cunha. C Fernando Pessoa, José Régio, Fernando Namora e José Saramago. D Almeida Garrett, Júlio Dinis, José Agostinho de Macedo e Mi- guel Torga. E Sophia de Mello Breyner Andersen, Camilo Castelo Branco, Mário de Sá-Carneiro e Cesário Verde. 04 Os primeiros anos do século XX europeu acusam profundas e amplas transformações culturais e estéticas, das quais não poucas tinham sido lentamente gestadas ao longo do século XIX: quase se diria que as mutações anteriores apenas serviram de ensaio para alguma coisa de novo que só veio a declarar- se, explosivamente, na alvorada desta centúria. Como sempre, Portugal procurou adaptar-se ao ritmo europeu e beneficiar-se do progresso cultural em curso, embora reduzindo-o à sua medida enquanto povo, história e mentalidade. (...) Em 1927, um grupo de estudantes (José Régio, João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca) funda, edita e dirige em Coimbra a revista literária Presença. Tendo por subtítulo sua qualificação de Folha de Arte e Crítica, o primeiro número sai a 10 de março de 1927. Em 1930, com o número 27 da revista. Branquinho da Fonseca abandona-lhe a direção, secundado por Miguel Torga (então assinando Adolfo Rocha, seu verdadeiro nome) e Edmundo de Bettencourt, que deixam de colaborar: na carta que enviam aos demais diretores da Presença, datada de 16 de junho de 1930, iniciam afirmando que a “Presença que se propunha, como folha de arte e crítica, defender o direito que assiste a cada um de seguir o seu caminho, começou a contradizer-se”, e mais adiante lembram que a “Presença concebe mestres e discípulos com aquela interpretação convencional, em que os mestres fazem lições para os que se reputam alunos”. MOISÉS, Massaud, A Literatura Portuguesa. 33ª ed. São Paulo, Editora Cultrix, 2005. (ARL/C5H16) A 2ª geração modernista em Portugal inicia-se com a publicação da revista literária Presença, cujo primeiro exemplar foi publicado no ano de 1927. Autores como José Régio, Branquinho da Fonseca, Irene Lisboa e João Gaspar Simões, no geral, defenderam uma literatura focada na A experimentação estética dando continuidade às inovações da geração Orpheu. B crítica social com uma postura engajada diante da situação so- ciopolítica do país. C abordagem existencialista e surrealista sem perder a linha ex- perimentalista e social. D liberdade de expressão a fim de inovar artisticamente partindo das vanguardas europeias. E introspecção, na elaboração formal com momentos de experi- mentalismo e de “Arte pela arte”. 3 MODERNISMO PORTUGUÊS 2ª GERAÇÃO AOS CONTEMPORÂNEOS2 05 O homem disse, Está a chover, e depois, Quem é você, Não sou daqui, Anda à procura de comida, Sim, há quatro dias que não comemos, E como sabe que são quatro dias, É um cálculo, Está sozinha, Estou com o meu marido e uns companheiros, Quantos são, Ao todo, sete, Se estão a pensar em ficar conosco, tirem daí o sentido, já somos muitos, Só estamos de passagem, Donde vêm, Estivemos internados desde que a cegueira começou, Ah, sim, a quarentena, não serviu de nada, Por que diz isso, Deixaram-nos sair, Houve um incêndio e nesse momento percebemos que os soldados que nos vigiavam tinham desaparecido, E saíram, Sim, Os vossos soldados devem ter sido dos últimos a cegar, toda a gente está cega, Toda a gente, a cidade toda, o país, SARAMAGO, J. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Cia. das Letras, 1995. (ENEM/2017-C5H16) A cena retrata as experiências das personagens em um país atingido por uma epidemia. No diálogo, a violação de determinadas regras de pontuação A revela uma incompatibilidade entre o sistema de pontuação convencional e a produção do gênero romance. B provoca uma leitura equivocada das frases interrogativas e pre- judica a verossimilhança. C singulariza o estilo do autor e auxilia na representação do am- biente caótico. D representa uma exceção às regras do sistema de pontuação canônica. E colabora para a construção da identidade do narrador pouco escolarizado. QUESTÕES DE CASA 06 (FACID) A introdução do Modernismo em Portugal se relaciona com a publicação de uma revista literária em 1915, liderada por dois escritores ilustres. O título da revista e os nomes dos dois escritores são, respectivamente: A Renascença portuguesa – José Régio e Ronald de Carvalho. B Presença – José Régio e João Gaspar Simões. C Orpheu – Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa. D Port- Wine – Casais Monteiro e Alves Redol. E Novos Tempos – Fernando Pessoa e Casais Monteiro. 07 (ARL) Assinale a alternativa ERRADA sobre o Modernismo em Portugal. A O marco inicial do Modernismo em Portugal foi a publicação da Revista Orpheu, em 1915, influenciada pelas grandes corren- tes estéticas europeias, como o Futurismo, o Expressionismo etc., reunindo Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Alma- da Negreiros, entre outros. B A Revista Presença (1927) circulou em Portugal até 1940 e seus mentores principais foram José Régio, Miguel Torga, Branquinho da Fonseca e Adolfo Casais Monteiro, todos apro- veitaram as conquistas estéticas da geração Orfeu e estabele- ceram que a obra de arte não pudesse estar limitada por condi- ções de tempo ou de espaço preferindo a temática psicológica e metafísica. C A 3ª geração modernista, o Neorrealismo, defende uma arte participativa, de temática social e por sua postura de ataque à burguesia, encontraram pontos de contato com o Realismo de Eça de Queirós recebendo também forte influência do chama- do neo-realismo nordestino da literatura brasileira (que incluía nomes como Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz Jorge Amado, entre outros). D Podemos estabelecer uma 4ª geração modernista ou ten- dência contemporânea que cronologicamente passa a existir desde a década de 60 até os dias atuais e apresenta como grandes características o surrealismo, o existencialismo e a crítica sócio-política tendo como grandes expoentes José Sa- ramago, António Lobo Antunes e Agustina Bessa-Luís. E A literatura modernista portuguesa revela tendências seme- lhantes que se configuraram desde a Revista A Águiaaté o romance “Memorial do Convento” de José Saramago uma vez que os escritores portugueses como um todo sempre se ati- veram ao saudosismo e ao nacionalismo evitando obras de visão crítica universal. 08 (ARL) Marque uma alternativa ERRADA sobre o escritor português José Saramago: A É um escritor identificado com as camadas populares e na defesa dos trabalhadores na luta contra seus opressores. Ide- ologicamente, é um homem de esquerda. B Ganhou o prêmio Camões em 1995, o maior prêmio literário de Portugal. Em 1998, ganhou o prêmio Nobel de Literatura. C O escritor é considerado um clássico da Literatura Portuguesa contemporânea, dos anos 60 à atualidade. D Depois da publicação do romance O Evangelho Segundo Je- sus Cristo (1991), o escritor passou a viver nas Ilhas Caná- rias, em auto-exílio. E O seu romance Os Cus de Judas arrebatou o Prêmio Cidade de Lisboa, em 1980. 09 A Terceira Fase do Modernismo português foi fortemente influenciada por um grande marco histórico da época (Segunda Guerra Mundial). Devido a este marco, esta literatura acabou sendo fortemente marcada pela seguinte característica: A Desejo de construção de uma literatura engajada, com a de- núncia social. B Desejo de volta para o “eu”, com uma reflexão sobre os acon- tecimentos da época. C Arte que lamenta os horrores vividos pelas vítimas da Segun- da Grande Guerra. D Desejo de criação de uma arte moderna, com rejeição dos valores antigos e gosto por “irritar” o burguês. E Utilização das correntes europeias Futurismo e o Cubismo como fonte de uma literatura fragmentada e crítica. MODERNISMO PORTUGUÊS 2ª GERAÇÃO AOS CONTEMPORÂNEOS 3 10 O conto da ilha desconhecida Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), de cada vez que ouvia alguém a chamar à porta das petições fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da aldraba de bronze se tornava, mais do que notório, escandaloso, tirando o sossego à vizinhança (as pessoas começavam a murmurar, Que rei temos nós, que não atende), é que dava ordem ao primeiro-secretário para ir saber o que queria o impetrante, que não havia maneira de se calar. Então, o primeiro-secretário chamava o segundo-secretário, este chamava o terceiro, que mandava o primeiro-ajudante, que por sua vez mandava o segundo, e assim por aí fora até chegar à mulher da limpeza, a qual, não tendo ninguém em quem mandar, entreabria a porta das petições e perguntava pela frincha, Que é que tu queres. O suplicante dizia ao que vinha, isto é, pedia o que tinha a pedir, depois instalava-se a um canto da porta, à espera de que o requerimento fizesse, de um em um, o caminho ao contrário, até chegar ao rei. Ocupado como sempre estava com os obséquios, o rei demorava a resposta, e já não era pequeno sinal de atenção ao bem-estar e felicidade do seu povo quando resolvia pedir um parecer fundamentado por escrito ao primeiro-secretário, o qual, escusado seria dizer, passava a encomenda ao segundo- secretário, este ao terceiro, sucessivamente, até chegar outra vez à mulher da limpeza, que despachava sim ou não conforme estivesse de maré. Contudo, no caso do homem que queria um barco, as coisas não se passaram bem assim. Quando a mulher da limpeza lhe perguntou pela nesga da porta, Que é que tu queres, o homem, em lugar de pedir, como era o costume de todos, um título, uma condecoração, ou simplesmente dinheiro, respondeu, Quero falar ao rei, Já sabes que o rei não pode vir, está na porta dos obséquios, respondeu a mulher, Pois então vai lá dizer-lhe que não saio daqui até que ele venha, pessoalmente, saber o que quero, rematou o homem, e deitou-se ao comprido no limiar, tapando-se com a manta por causa do frio. Entrar e sair, só por cima dele. SARAMAGO, José. O conto da ilha desconhecida. Disponível em: http://www. releituras.com/jsaramago_ conto.asp Acessado em: 20/09/2016. (UNIFOR/2017.1) Quanto à forma do texto, pode-se afirmar que A referem-se à terceira fase do Modernismo, quando se utiliza de supressões das formas tradicionais, mas sem romper com o sentido do texto. B utiliza técnicas inovadoras de pontuação e recursos gráficos, tornando os diálogos inseridos na narrativa, o que produz sen- sação de fluxo de consciência e uma possível confusão entre fala e pensamento no texto. C faz uso das características vanguardistas da literatura con- temporânea, como a intertextualidade, a fragmentação e o rompimento da sintaxe. D desperta um olhar apurado para os componentes estruturais da palavra, com grande rigor metalinguístico e preocupação ideológica. E estilo característico do período de transição entre o pós-mo- dernismo e a literatura contemporânea, apresentando o ex- perimentalismo, a valorização da oralidade e a irreverência.