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12ª FASE - poesia - parte ii 2ª FASE – POESIA – PARTE II questões de sala 01 Mãos dadas Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente. ANDRADE. C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. (ENEM/C5H15) Escrito em 1940, o poema Mãos dadas revela um eu lírico marcado pelo contexto de opressão política no Brasil e da Segunda Guerra Mundial. Em face dessa realidade, o eu lírico A considera que em sua época o mais importante é a independên- cia dos indivíduos. B escolhe a realidade social e seu alcance individual como maté- ria poética. C desvaloriza a importância dos planos pessoais na vida em sociedade. D reconhece a tendência à autodestruição em uma sociedade oprimida. E critica o individualismo comum aos românticos e aos excêntricos. 02 Confissão Não amei bastante meu semelhante, não catei o verme nem curei a sarna. Só proferi algumas palavras, melodiosas, tarde, ao voltar da festa. Dei sem dar e beijei sem beijo. (Cego é talvez quem esconde os olhos embaixo do catre.) E na meia-luz tesouros fanam-se, os mais excelentes. 6 Do meu restou, como compor um homem e tudo que ele implica de suave, de concordâncias vegetais, murmúrios de riso, entrega, amor e piedade? Não amei bastante sequer a mim mesmo, contudo próximo. Não amei ninguém. Salvo aquele pássaro – vinha azul e doido – que se esfacelou na asa do avião. ANDRADE. C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. (ARL/C5H16) O poema de Carlos Drummond de Andrade é entendido como um texto do gênero lírico porque A contêm elementos do mundo exterior que predominam sobre os sentimentos do “eu poético”. B prioriza aspectos teatrais ao estabelecer um diálogo com o pú- blico através da catarse literária. C é um exemplo de idílio em que os aspectos da natureza são extravasados por meio da descrição do ser amado. D reflete o mundo interior no qual o eu lírico descreve emoções e estados de espírito através de uma linguagem densa. E narra um feito histórico e heroico, apresentando valores e vir- tudes de um povo, o que caracteriza sentimentos e valores coletivos. 03 Arte Poética Uma breve uma longa, uma longa uma breve uma longa duas breves duas longas duas breves entre duas longas e tudo mais é sentimento ou fingimento levado pelo pé, abridor de aventura, conforme a cor da vida no papel. ANDRADE, Carlos Drummond de. A paixão medida. São Paulo: Compa- nhia das Letras, 2014, p.15. (UNIFOR/2019.2) No poema de Carlos Drummond de Andrade, a expressividade do eu lírico é ressaltada na A forma concreta do poema, que utiliza o espaço em branco como mensagem. B emulação do próprio fazer poético, destacando a própria cons- trução textual. C presença de sentimentos, análogos aos vistos em poemas lírico-amorosos. D poesia autobiográfica, retomando elementos não ficcionais de forma artística. E enumeração de elementos, com intuito de mostrar uma lingua- gem rebuscada. 2 2ª FASE - poesia - parte ii 04 Quinze de novembro Deodoro nos trinques Bate na porta de Dão Pedro Segundo. — Seu Imperadô, dê o fora que nós queremos tomar conta desta bugiganga. Mande vir os músicos. O imperador bocejando responde: — Pois não meus filhos não se vexem me deixem calçar as chinelas podem entrar à vontade: só peço que não me bulam nas obras completas de Victor Hugo. MENDES, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. (ENEM-PPL/2016-C5H16) A poesia de Murilo Mendes dialoga com o ideário poético dos primeiros modernistas. No poema, essa atitude manifesta-se na A releitura irônica de um fato histórico. B visão ufanista de um episódio nacional. C denúncia implícita de atitudes autoritárias. D isenção ideológica do discurso do eu lírico. E representação saudosista do regime monárquico. 05 Olá! Negro Os netos de teus mulatos e de teus cafuzos e a quarta e a quinta gerações de teu sangue sofredor tentarão apagar a tua cor! E as gerações dessas gerações quando apagarem a tua tatuagem execranda, não apagarão de suas almas, a tua alma, negro! Pai-João, Mãe-negra, Fulô, Zumbi, negro-fujão, negro cativo, negro rebelde negro cabinda, negro congo, negro ioruba, negro que foste para o algodão de USA para os canaviais do Brasil, para o tronco, para o colar de ferro, para a canga de todos os senhores do mundo; eu melhor compreendo agora os teus blues nesta hora triste da raça branca, negro! Olá, Negro! Olá, Negro! A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro! LIMA, J. Poesia completa. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1991. (ENEM/C4H14) O conflito de gerações e de grupos étnicos reproduz, na visão do eu lírico, um contexto social assinalado por A antagonismo entre grupos de trabalhadores e lacunas de hereditariedade. B modernização dos modos de produção e consequente enrique- cimento dos brancos. C preservação da memória ancestral e resistência negra à apatia cultural dos brancos. D nivelamento social de descendentes de escravos e de senho- res pela condição de pobreza. E superação dos costumes antigos por meio da incorporação de valores dos colonizados. QUESTÕES DE CASA 06 Poema da purificação Depois de tantos combates, o anjo bom matou o anjo mau e jogou seu corpo no rio. As águas ficaram tintas de um sangue que não descorava e os peixes todos morreram. Mas uma luz que ninguém soube dizer de onde tinha vindo apareceu para clarear o mundo, e outro anjo pensou a ferida do anjo batalhador. ANDRADE, C.D. Poema da purificação. Disponível em:D definições diferentes do fazer poético, pois o primeiro poema expressa a poesia que existe no momento; enquanto o segundo, o fazer poético racional. E correntes estéticas diferentes, cuja influência é perceptível na visão idealizada da poesia, presente nos primeiros versos; e a nostál- gica, no segundo poema. 09 Botafogo Desfilam algas sereias peixes e galeras E legiões de homens desde a pré-história Diante do Pão de açúcar impassível. Um aeroplano bica a pedra amorosamente A filha do português debruçou-se à janela Os anúncios luminosos leem seu busto A enseada encerrou-se num arranha-céu. MENDES, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. (C4H12) As vanguardas europeias foram movimentos inovadores e polêmicos que influenciaram o Modernismo. O poema de Murilo Mendes apresenta características ligadas à vanguarda A futurista, pois celebra as delícias da velocidade e da energia mecânica. B cubista, porque explora as formas geométricas e diversos ângulos dos objetos descritos. C dadaísta, pois predomina a irreverência e a provocação aos modelos literários do passado. D surrealista, pois “libera” imagens do inconsciente e livres da razão com um encadeamento ilógico. E representativa da proposta do Pau-Brasil, já que o estilo metafórico de nomeação fugidia e imediata da realidade estão presentes. 4 2ª FASE - poesia - parte ii 10 TEXTO 1 – Autorretrato Provinciano que nunca soube Escolher bem uma gravata; Pernambucano a quem repugna A faca do pernambucano; Poeta ruim que na arte da prosa Envelheceu na infância da arte, E até mesmo escrevendo crônicas Ficou cronista de província; Arquiteto falhado, músico Falhado (engoliu um dia Um piano, mas o teclado Ficou de fora); sem família, Religião ou filosofia; Mal tendo a inquietação de espírito Que vem do sobrenatural, E em matéria de profissão Um tísico profissional. BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1983. p. 395. TEXTO 2 - Poema de sete faces Quando eu nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos.(....) Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco. Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo mais vasto é o meu coração. ANDRADE, C.D. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. p. 53.) (*) tísico=tuberculoso (ARL/C7H22) Considerando as concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário modernista, estética dos autores acima, compreende-se que A por pertencerem ao mesmo momento artístico, se aproximaram na temática e na abordagem das condições sociais do nordeste brasileiro. B ambos privilegiaram a crítica aos poetas clássicos do passado enfatizando a crítica social e a liberdade de criação na poesia. C dentre os temas comuns abordados por ambos, independente do período modernista em que se enquadram, temos a metapoesia e a condição social humana. D são considerados, na prosa brasileira, herdeiros do realismo machadiano por conta da ironia e da análise psicológica empregado em seus personagens. E a geração a qual pertencem, a 2ª, priorizou o individualismo com o intuito de negar a influência estrangeira como meio de solidificar o projeto nacionalista artístico.