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## Resumo sobre Meningite e Encefalite em PediatriaO texto aborda de forma detalhada os aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos da meningite e encefalite em crianças, com ênfase na importância do líquido cefalorraquidiano (LCR) para o entendimento dessas doenças. O LCR é produzido no plexo coróide dos ventrículos cerebrais, por células ependimais que filtram o plasma, circulando pelos ventrículos e espaço subaracnóide, com funções essenciais como criar um ambiente para a sinalização neuronal, proteção física do sistema nervoso central (SNC) e troca de nutrientes entre sangue e SNC. A análise do LCR é fundamental para o diagnóstico das infecções do SNC, pois alterações em sua composição indicam processos inflamatórios ou infecciosos.A punção lombar é o procedimento padrão para coleta do LCR, mas possui contraindicações importantes, como aumento da pressão intracraniana com risco de herniação, diátese hemorrágica, instabilidade cardiopulmonar e infecção local. O posicionamento correto do paciente, antissepsia rigorosa e escolha adequada do tamanho da agulha conforme a idade são essenciais para a segurança do procedimento. O LCR normal apresenta aspecto claro e incolor, com baixa concentração de proteínas, glicose em níveis proporcionais à glicemia sérica e poucos leucócitos (até 5/mm³). A presença de pleocitose (aumento de leucócitos) indica inflamação ou infecção, sendo um marcador importante para meningite e encefalite.No diagnóstico diferencial, a meningite bacteriana geralmente apresenta pleocitose intensa (>1000 células/mm³) com predomínio de polimorfonucleares, glicose reduzida e proteínas elevadas, enquanto a meningite viral apresenta pleocitose moderada (10 a 500 células/mm³) com predomínio de linfócitos, glicose normal ou levemente reduzida e proteínas levemente elevadas. A meningite fúngica e tuberculosa também têm características específicas no LCR, com predomínio linfocitário e alterações variáveis em glicose e proteínas. A etiologia varia conforme a faixa etária, sendo os principais agentes bacterianos em lactentes Streptococcus agalactiae, bacilos gram-negativos e Listeria monocytogenes, e em crianças maiores Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae. Entre os vírus, destacam-se enterovírus, herpesvírus simples (HSV), vírus 6 e Epstein-Barr.Os sinais clínicos de meningite e encefalite em pediatria incluem febre, cefaleia, vômitos, rigidez de nuca, abaulamento da fontanela em lactentes, irritabilidade, sinais de hipertensão intracraniana e manifestações neurológicas como opistótono e rigidez muscular. Os sinais meníngeos clássicos, como os de Kernig e Brudzinski, são importantes para o exame físico. O diagnóstico é confirmado pela análise do LCR, cultura, PCR e testes sorológicos, embora a sensibilidade varie conforme o agente e o tempo de início do tratamento. A PCR no LCR é um método sensível para identificação do material genético dos patógenos, enquanto a cultura pode ser prejudicada pelo uso prévio de antibióticos.O tratamento depende do agente causal. A meningite viral geralmente requer apenas suporte sintomático, com recuperação esperada em 7 a 10 dias, exceto nos casos causados por herpesvírus ou influenza, que podem necessitar de antivirais específicos. A meningite bacteriana exige antibioticoterapia imediata, com esquemas que incluem ampicilina, gentamicina, cefotaxima, cefepime ou ceftriaxona, associada ao uso de dexametasona para reduzir mortalidade e sequelas, especialmente auditivas, em infecções por Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae. A rapidez no início do tratamento é crucial para o prognóstico. A punção lombar de controle é indicada apenas em casos de resposta clínica inadequada. O manejo hospitalar varia conforme a gravidade, com isolamento respiratório para casos bacterianos até 24 horas após início da antibioticoterapia, e internação em UTI para pacientes com instabilidade hemodinâmica ou neurológica.### Destaques- O líquido cefalorraquidiano (LCR) é essencial para o diagnóstico e monitoramento de meningite e encefalite, apresentando alterações específicas conforme o agente infeccioso.- A punção lombar é o procedimento padrão para coleta do LCR, mas possui contraindicações importantes que devem ser avaliadas para evitar complicações.- Meningite bacteriana apresenta pleocitose intensa, glicose baixa e proteínas elevadas no LCR, enquanto a viral tem pleocitose moderada e glicose normal.- O tratamento da meningite bacteriana é urgente e inclui antibióticos e corticosteroides para reduzir mortalidade e sequelas; a viral é geralmente autolimitada.- A identificação rápida do agente etiológico por PCR e cultura é fundamental para o manejo adequado e melhora do prognóstico.