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30/04/2026 1 AUDIOLOGIA Patrícia Cotta Mancini pmancini@medicina.ufmg.br Audiologia Estudo da FUNÇÃO AUDITIVA. Responsável pela avaliação e reabilitação dos deficientes auditivos. HISTÓRICO: Na década de 60, a Audiologia era uma parte mínima e silenciosa no campo dos distúrbios da comunicação. 30/04/2026 2 Histórico da Audiologia Nas 3 décadas seguintes houve um número crescente de profissionais atuando na Fonoaudiologia, o que fez com que a ASHA (1990) decretasse a audiologia como uma profissão distinta da patologia da fala e linguagem. Hoje em dia, a ORL confia cada vez mais na opinião e contribuição do audiologista. É a equipe formada pelo otologista e pelo audiologista que irá proporcionar ao paciente um atendimento de melhor qualidade. ORL – diagnóstico da doença, tratamento clínico e/ou cirúrgico. Audiologista – realiza exames, emite o laudo audiológico e reabilita deficientes auditivos. AVALIAÇÃO BÁSICA DA AUDIÇÃO Década de 20 Uso clínico das primeiras audiometrias. Década de 30 Testes para a pesquisa de recrutamento. Década de 40 Início da logoaudiometria. Década de 50 Testes para a pesquisa da adaptação, audiometria automática de Békèsy, logoaudiometria sensibilizada. ROSEN (1953): Mobilização do estribo WULLSTEIN (1953): Primeira timpanoplastia ARSLAN (1953): Labirintectomia SHEA (1958): Primeira estapedectomia Década de 70 Medidas da imitância acústica HOUSE (1961): Primeira cirurgia de neurinoma por via translabiríntica MICHELSON (1971): Primeiros relatos de implante coclear para deficiência auditiva neurossensorial Os refinamentos nos tratamentos otológicos sempre estiveram relacionados com os avanços do diagnóstico audiológico. 30/04/2026 3 ÁREAS DE TRABALHO DO AUDIOLOGISTA Hospitais (triagem neonatal) Clínicas particulares (clínica e ocupacional) Escolas (triagem) Indústrias (ocupacional) Centros de reabilitação Órgãos públicos (aeronáutica, prefeituras, secretarias de saúde, hospitais) Pesquisa Ensino superior Centros auditivos Implantes cocleares Diagnóstico Audiológico Objetivo: “Identificar a natureza e origem da perda auditiva e quantificá-la a fim de obter as informações necessárias para iniciar o tramanto adequado (conservativo ou cirúrgico), ou prover aparelhos de amplificação ou órtese, dependendo do caso.” (Hoth & Baljic, 2017) • Realizado por meio da avaliação subjetiva e objetiva da audição 30/04/2026 4 Diagnóstico Audiológico Testes subjetivos Testes objetivos Testes com diapasão Audiometria tonal e vocal Audiometria comportamental Limiar de desconforto, MCL SISI, Fowler Testes de processamento auditivo Acufenometria Timpanometria Pesquisa dos reflexos acústicos Emissões Otoacústicas Eletrococleografia Potenciais Evocados Auditivos (curta, média e longa latência) Baseados na exploração psicoacústica do som; depende da colaboração do indivíduo Baseados na avaliação eletrofisiológica; independe da colaboração do indivíduo Muito obrigada!!! 30/04/2026 5 Testes com Diapasão Patrícia Cotta Mancini pmancini@medicina.ufmg.br Testes com diapasão Eram muito usados antes do audiômetro. São barras metálicas em forma de “Y”, em aço, magnésio ou alumínio. Quando postos em vibração, executam movimentos de vibração em direções opostas (compressão e rarefação). Os testes com diapasão não fornecem dados quantitativos do problema auditivo, somente possibilitam o diagnóstico qualitativo (tipo da perda auditiva). 30/04/2026 6 TESTE DE WEBER Procedimento: Bater o diapasão para colocá-lo em vibração e colocar o seu cabo na linha central do crânio. Pede-se ao paciente, em seguida, que indique em qual orelha o som é mais forte. Obs: O diapasão também pode ser posicionado no centro da testa do paciente. Resultados: Baseiam-se no fato de que o som de um diapasão aplicado ao crânio lateraliza-se para o lado da perda de audição condutiva ou para o lado melhor da cóclea. Não fornece informações diagnósticas quando as orelhas são quantitativamente e qualitativamente iguais (mesma configuração audiométrica) ou em orelhas normais. Notação: D ou E ou I ou https://www.youtube.com/watch?v=AFBgXGPcoKY TESTE DE RINNE Objetivo: Comparar a audição de um som transmitido por via óssea, com a audição do mesmo som transmitido por via aérea. Procedimento: O indivíduo com audição normal ouvirá o estimulo por via óssea até que não consiga mais percebê-lo. O diapasão deverá então ser colocado próximo ao conduto auditivo externo até que o indivíduo não mais perceba o som. Estas medidas devem ser registradas em segundos. Resultados: Rinne positivo ou normal (+): O indivíduo ouve 2 ou 3 vezes mais por via aérea do que por via óssea. Rinne negativo (-): Quando a sensação por via óssea se mantém por tempo maior que por via aérea. Ocorre em patologias de orelha externa e/ou média (perda condutiva) Rinne positivo encurtado ou patológico: Quando o tempo de audição de ambas as vias está diminuído. Ocorre em patologias da orelha interna (Neurossensorial). https://www.youtube.com/watch?v=EJTU_7fIjN8 https://www.youtube.com/watch?v=AFBgXGPcoKY https://www.youtube.com/watch?v=EJTU_7fIjN8 30/04/2026 7 TESTE DE BING Objetivo: Observar a percepção secundária = prolongamento da condução óssea que acompanha a oclusão do meato acústico externo. Procedimento: Colocar o diapasão vibrando na mastóide do paciente e em seguida ocluir o canal auditivo externo. Pedir ao paciente para indicar se esta manobra aumenta a intensidade do som. Resultados: Orelha média normal – há percepção secundária. Bing positivo – a oclusão do meato acústico externo intensifica o som do diapasão – audição normal ou neurossensorial. Bing negativo – a oclusão do meato acústico externo não intensifica o som do diapasão –problema na orelha média ou orelha externa (condutivo). Muito obrigada!!! 30/04/2026 8 Para refletir... https://www.youtube.com/watch?v=wVKyL 9KYUfU Definição “ Procedimento comportamental padronizado para descrever a sensibilidade auditiva” (Katz, 1999) Audiometria Tonal Liminar Patricia C. Mancini Departamento de Fonoaudiologia - UFMG https://www.youtube.com/watch?v=wVKyL9KYUfU 30/04/2026 9 Audiometria Tonal Liminar Teste que permite a medição da audição periférica por meio da obtenção dos limiares auditivos aéreos e ósseos. A audiometria permite aferir se a audição periférica é normal, quantificando as perdas auditivas e estabelecendo o topodiagnóstico. Limiar de Audibilidade “Nível mínimo de pressão sonora de um sinal acústico que produz sensação auditiva numa porcentagem específica da testagem.” (ANSI, 1973) “Menor intensidade sonora na qual estímulos são corretamente detectados em 50% das apresentações.” (Yantes, 1989; Borges, Sansone, 1998) 30/04/2026 10 Mecanismos de condução do som Aéreo: o som percorre as orelhas externa e média através do sistema tímpano ossicular, para depois atingir a cóclea Limiares Aéreos (VA) Ósseo: o estímulo auditivo chega à cóclea pela vibração do crânio Limiares Ósseos (VO) “Gap”: diferença entre os limiares aéreos e ósseos de uma mesma orelha, na mesma freqüência. Objetivo da Audiometria Tonal Determinação dos limiares auditivos aéreos e ósseos e a comparação destes valores ao padrão de normalidade, usando-se como estímulo acústico o tom puro. Tom Puro Diapasões (fonte mecânica) Audiômetro (fonte eletrônica) 30/04/2026 11 Finalidades 1. Detectar a existência da deficiência auditiva. 2. Auxiliar no topodiagnóstico das lesões auditivas que possam atingir estruturas do OE, OM e OI. 3. Fornecer dados para a indicação de AASI. 4. Como exame pré-admissional em indústrias. 5. Como meio de detectar problemas auditivos em crianças na faixa pré-escolar e escolar através de triagens feitas na instituição educacional. Audiômetro Aparelho eletroacústicoutilizado na pesquisa dos limiares tonais e vocais que contém os seguintes componentes básicos: Gerador de freqüência: produz tons puros normalmente nas freqüências de 125, 250, 500, 750, 1.000, 1.500, 2.000, 3.000, 4.000, 6.000 e 8.000 Hz. Atenuadores: um permite calibrar o tom puro, em dBNA, em cada freqüência. O outro gradua a intensidade do ruído (mascarador). 30/04/2026 12 Gerador de Ruído: para mascarar tons puros e testes logoaudiométricos. Par de fones: transformam corrente elétrica em tom puro. Vibrador ósseo: transforma corrente elétrica em energia vibratória. Circuito para logoaudiometria: possibilita a realização dos testes de fala Interruptor liga/desliga Audiômetro 30/04/2026 13 A audiometria necessita de um ambiente tratado acusticamente: Cabina Acústica Revestimento interno: material absorvente Revestimento externo: material isolante Nível de ruído interno = máximo 30dBNPS Cabina Acústica 30/04/2026 14 Procedimentos para a realização da Audiometria 1.Anamnese Traz informações fundamentais que possibilitam uma idéia quantitativa da audição e hipóteses diagnósticas (identificação, queixa principal, início e evolução do problema, sintomas, antecedentes familiares, exposição a ruídos intensos, passado otológico e uso de medicamentos ototóxicos) - presença ou não de zumbido - qual ouvido está com problemas - há quanto tempo tem o problema - se trabalha em ambientes ruidoso - observar articulação e voz do paciente 2. Meatoscopia Tem como objetivo uma inspeção cuidadosa do MAE e visualização da MT, excluindo a presença de corpo estranho e rolha de cera, que impediria uma obtenção correta dos limiares auditivos. Em crianças e idosos, verificar se o conduto não é flácido, para evitar que com a colocação do fone não ocorra o colabamento da abertura externa do conduto. Procedimentos para a realização da Audiometria 30/04/2026 15 3. Pesquisa dos limiares tonais por via aérea Explicação detalhada do exame: levar em consideração a idade, bem como aspectos culturais, intelectuais, físicos e psicológicos. Observar a ênfase nas respostas e a expressão facial do paciente. Posição do paciente: sentado, de maneira que os movimentos do examinador não possam ser vistos por ele. O paciente deve remover os óculos, brincos, próteses auditivas. Colocação dos fones: na orelha direita deve ser colocado o fone de cor vermelha e na esquerda, o fone de cor azul. Orelha adequada para o início do testes: a melhor orelha referida pelo paciente ou, quando não for relatada a diferença, inicia-se pela direita. Freqüências testadas: Inicia-se pela freqüência de 1.000 Hz, e em seguida as freqüências de 2.000, 3.000, 4.000, 6.000, 8.000, 500 e 250 Hz, nesta ordem. Casos Específicos Quando houver uma diferença maior ou igual a 20dB entre duas freqüências vizinhas = pesquisar as freqüências intermediárias (750 e 1500 Hz). Deficientes auditivos com respostas em algumas freqüências e ausência nas demais = testar a freqüência intermediária que segue a última resposta. Quando, durante a testagem das VA, observa-se uma diferença igual ou maior que 40dB entre os dois ouvidos em uma mesma freqüência, é necessário utilizar o mascaramento. 30/04/2026 16 Apresentação do Tom Puro Contínuo Pulsátil Warble Técnica Descendente Inicia-se a pesquisa do limiar em uma intensidade audível para o paciente (é recomendado 50dBNA para pessoas com audição aparentemente normal e 80dBNA para aquelas com dificuldades de entender uma conversação) o estímulo é apresentado durante 1 a 2 segundos, em intervalos irregulares de tempo a cada resposta positiva diminui-se a intensidade de 10 em 10 dB até que o indivíduo não mais escute o som em seguida, aumenta-se a intensidade de 5 em 5 dB até o retorno da audição o procedimento deverá então ser repetido pelo menos 3 vezes, até que se alcance o limiar de audibilidade. 30/04/2026 17 Definição ANSI para limiar “ É o menor nível de audição no qual as respostas ocorrem em pelo menos metade das tentativas ascendentes, com no mínimo 2 respostas em 3 apresentações na mesma intensidade”. Técnica Ascendente A pesquisa começa de um som inaudível até atingir um som audível. O estímulo é aumentado de 5 em 5 dB até o indivíduo iniciar a escuta o procedimento é então repetido 3 vezes, até que se estabeleça o limiar (valor em que o indivíduo percebe 50% das vezes). 30/04/2026 18 Cuidados Condicionamento por ritmo Movimento de olhos alternados entre o paciente e o equipamento Movimento de mãos de ombros 4. Pesquisa dos limiares tonais por via óssea Mecanismos de condução óssea: por inércia e por compressão Objetivos: diagnóstico clínico das patologias que atingem o OE, OM ou OI. Procedimento: - vibrador ósseo é colocado na mastóide, livre do contato com brincos, haste de óculos e cabelo. - Uso do mascaramento 30/04/2026 19 Vibrador ósseo Instruções ao paciente, apresentação do estímulo, forma das respostas e cuidados com as pistas não auditivas devem seguir os mesmos critérios utilizados na testagem daVA. A técnica adotada também deve ser mantida (descendente, ascendente ou descendente- ascendente). Testar as freqüências de 500, 1.000, 2.000, 3.000 e 4.000 Hz. Quando na VA forem testadas as freqüências intermediárias (750 e 1.500 Hz) devem-se pesquisa-las, também, porVO. Não é recomendado pesquisar os limiares ósseos em 250 Hz (sensação de vibração). 30/04/2026 20 Na pesquisa da VO, o limite máximo de saída varia em cada freqüência (por ex. 60 dB em 500 Hz e 80 dB em 4.000 Hz). E importante verificar a saída máxima do equipamento onde o teste está sendo realizado. A pesquisa dos limiares de VO só deverá ser realizada nos casos em que se constate perda auditiva pelos limiares deVA . Em PA severas a profundas é comum encontrarmos ausência de limiares ósseos em 1.000, 2.000, 3.000 e 4.000 Hz e presença de respostas em 500 Hz o que, possivelmente, resultam de sensações táteis (vibração). 5. Marcação dos Resultados Audiograma: gráfico designado para anotar os resultados obtidos nas pesquisas dos limiares tonais: - Eixo vertical: representa as intensidades, em dBNA, expressas linearmente variando de - 10 a 120 dBNA, graduada de 10 em 10 dB. - Eixo horizontal: representa as freqüências, que variam de 125 a 8.000 Hz. 30/04/2026 21 Audiograma Símbolos para marcação: VA VO Orelha direita O PARA LIMIARES AÉREOS: Linha tracejada azul para a orelha esquerda (-----) e Linha contínua vermelha para a orelha direita ( ) 30/04/2026 22 Ausência de resposta: Limiares obtidos com uso do mascaramento Alguns audiologistas preferem especificar na folha do exame os valores e tipo de ruído mascarador utilizado. O X VA VO Orelha direita [ Orelha esquerda ] Manual de Audiologia CFFa (2020) – pág. 12 30/04/2026 23 Saída Máxima no Audiômetro 250 500 1000 2000 3000 4000 6000 8000 100 120 120 120 120 120 110 100 Via aérea: Via óssea: 500 1000 2000 3000 4000 65 75 80 80 75 Instruções ao Paciente É necessário que o paciente saiba exatamente o que se espera dele, o que deve fazer e como deve responder. As ordens devem ser apresentadas de forma simples, direta, objetiva, no nível de compreensão do sujeito sob teste. “Você vai ouvir um apito, cada vez que ouvir deve levantar a mão do lado que ouvir”. Pode-se pedir que levante o dedo, ou aponte a orelha onde o som está sendo escutado, ou no caso de dificuldades motoras, pede-se que fale ao microfone cada vez que ouvir. 30/04/2026 24 Explicar ao paciente o que se quer que ele faça e o que vai acontecer com ele faz baixar o nível de expectativa e a ansiedade do paciente que vai ser examinado. Alguns audiômetros apresentam um botão que, quando pressionado pelo paciente, faz acender uma luz no painel do equipamento, e os pacientes são instruídosa apertá-lo quando ouvem o apito. Desvantagem: esse tipo de resposta habitua o examinador a não olhar para o paciente e, dessa forma, não é possível perceber suas reações frente ao estímulo sonoro. Procedimentos e Cuidados na Aplicação da Audiometria Tonal - Verificar se as conexões dos fones, vibrador ósseo e microfone estão bem feitas. - A calibração biológica do equipamento deve ser realizada periodicamente (uma vez ao ano) para verificar se a frequencia, a intensidade e o tempo estão de acordo com as especificações. - Levantar alguns dados sobre o problema auditivo do paciente, para poder selecionar a freqüência e intensidade iniciais do exame e em qual orelha aplicar o teste primeiro. 30/04/2026 25 Iniciar o exame pela pesquisa dos limiares VA e, quando necessário, realizar em seguida os limiaresVO. Iniciar o exame em 1.000 Hz a 50 dBNA para indivíduos sem queixa de dificuldade para ouvir ou com PA discretas. Levar em conta o estado psicofisiológico do paciente no momento do teste, podendo ele não estar em boas condições para responder. Adaptar a duração de apresentação do estímulo ao paciente sob teste. Para pacientes muito lentos, estímulos mais longos. Tomar muito cuidado com a apresentação ritmada, porque o sujeito pode levantar a mão condicionado pelo intervalo constante e rítmico de apresentação do apito. Sempre observar as reações e expressões faciais do paciente durante o teste. Toda vez que tiver dúvidas sobre a consistência das respostas, peça retorno e refaça o exame. Exercícios da Apostila Preencher os audiogramas dos casos 2 a 10 da apostila. NÃO SE ESQUEÇA de ligar os limiares aéreos da ORELHA DIREITA com linha contínua vermelha ( ) Os limiares aéreos da ORELHA ESQUERDA devem ser unidos com linha tracejada AZUL (-- ------- ) Limiares aéreos ausentes não são ligados a nenhum outro limiar Limiares ósseos não são ligados, somente os AÉREOS 30/04/2026 26 Audiogramas Frequência (Hz) OD OE Via aérea Via óssea Via aérea Via óssea 250 10 --- 40 --- 500 15 10 45 40 1.000 0 -5 50 40 2.000 5 0 45 40 3.000 15 5 60 55 4.000 10 5 70 65 6.000 5 --- 85 --- 8.000 10 --- 90 --- Frequência (Hz) OD OE Via aérea Via óssea Via aérea Via óssea 250 60 --- 45 --- 500 55 10 55 50 1.000 50 10 60 60 2.000 55 10 75 75 3.000 50 5 90 70↓ 4.000 40 5 100 70↓ 6.000 45 --- 110↓ --- 8.000 40 --- 100↓ --- 30/04/2026 27 Exemplo - Caso 1 Exemplo – Caso 3 30/04/2026 28 Audiometria Atividade de fixação: Videos da Monitoria Muito obrigada!!! Muito obrigada!!! 30/04/2026 29 Análise dos resultados audiométricos e classificação das perdas auditivas Patrícia Cotta Mancini pmancini@medicina.ufmg.br Análise dos resultados audiométricos Quanto ao tipo de perda auditiva: a) NEUROSSENSORIAL – Quando o local da lesão encontra-se na cóclea e/ou VIII par. Os limiares da VA e VO estão rebaixados (piores que 25dBNA) e acoplados (não existe gap) 30/04/2026 30 Perda auditiva neurossensorial b) CONDUTIVA – Quando o local da lesão encontra- se na orelha externa e/ou média. Caracteriza-se por uma diminuição dos limiares tonais de VA e pela conservação dos limiares daVO mantendo entre eles a presença de um gap que deve ser de no mínimo 15 dB e no máximo 60 dB. Análise dos resultados audiométricos 30/04/2026 31 Perda auditiva condutiva c) MISTA – Quando a lesão apresenta-se simultaneamente na cóclea e/ouVIII par e também na orelha média e/ou externa. Os limiares daVA e VO estão diminuídos, porém existindo entre eles um gap. Análise dos resultados audiométricos 30/04/2026 32 Perda auditiva mista Tipo de perda auditiva – CFFa (2020) 30/04/2026 33 Exemplo - Caso 1 Exemplo - Caso 2 30/04/2026 34 Exemplo – Caso 3 Análise dos resultados audiométricos 30/04/2026 35 Quanto ao grau da perda auditiva: Determina-se a média dos limiares tonais de via aérea nas frequências de 500, 1000 e 2000Hz, em cada orelha. (Classificação proposta por Davis & Silverman, 1970) Análise dos resultados audiométricos Média dos Limiares (dB) Classificação -10 a 25 Normal 26 a 40 Leve 41 a 70 Moderada 71 a 90 Severa Acima de 90 Profunda Lloyd e Kaplan (1978) 30/04/2026 36 O.M.S. (2021) O.M.S. (2021) - continuação 30/04/2026 37 BIAP (1996) Média de 500, 1000, 2000 e 4000 Hz Classificação para crianças (Northern & Downs, 2002): 30/04/2026 38 Exemplo - Caso 1 Exemplo - Caso 2 30/04/2026 39 Exemplo – Caso 3 Configuração da curva audiométrica 30/04/2026 40 Laudo Audiológico (CFFa, 2020): Laudo Audiológico (CFFa, 2020; pág. 28-29): 30/04/2026 41 Exercícios da Apostila Classificar todas as audiometrias quanto ao TIPO e GRAU da perda auditiva (todos os critérios) – o caso 9 é criança Para finalizar: assistam ao vídeo cujo link foi postado no Moodle... Vale a pena! Muito obrigada!!! 30/04/2026 42 OLHAR NAS AULAS SÍNCRONAS ATÉ LOGOAUDIOMETRIA DE 2020/1 Weber Audiométrico Patrícia Cotta Mancini pmancini@medicina.ufmg.br 30/04/2026 43 Weber Audiométrico Realiza-se o teste quando há uma assimetria de respostas na avaliação audiométrica, entre as duas orelhas. Colocação do vibrador ósseo no osso frontal do paciente. Objetivo: testar qual orelha apresentará maior percepção sonora. Testa-se as freqüências de 500, 1.000, 2.000 e 4.000 Hz. O estímulo é dado 15 dB acima da média dos valores de VO das duas orelhas, na freqüência pesquisada (Frota, 1998) OU numa intensidade audível para ambas as orelhas (Munhoz et al., 2003) O paciente deverá responder em qual orelha escuta o som mais alto. Interpretação: o som lateraliza-se para o lado da perda de audição condutiva ou para o lado da melhor cóclea, caso a perda auditiva seja neurossensorial. Quando ambas orelhas apresentam a mesma configuração audiométrica, o Weber é indiferente. Weber Audiométrico 30/04/2026 44 Marcação das Respostas Weber lateralizado para a DIREITA: D ou Weber lateralizado para a ESQUERDA: E ou Weber Indiferente: I ou Exemplo - Caso 1 30/04/2026 45 Exemplo - Caso 2 E E E I Exemplo – Caso 3 D D D D 30/04/2026 46 Exercícios da Apostila Preencher o quadro com as respostas MAIS PROVÁVEIS para o Weber audiométrico dos casos 4 a 10 Muito obrigada!!! 30/04/2026 47 Weber Audiométrico Realiza-se o teste quando há uma assimetria de respostas na avaliação audiométrica, entre as duas orelhas. Colocação do vibrador ósseo no osso frontal do paciente. Objetivo: testar qual orelha apresentará maior percepção sonora. Testa-se as freqüências de 500, 1.000, 2.000 e 4.000 Hz. O estímulo é dado 15 dB acima da media dos valores de VO das duas orelhas, na freqüência pesquisada. O paciente deverá responder em qual orelha escuta o som mais alto. Interpretação: o som lateraliza-se para o lado da perda de audição condutiva ou para o lado da melhor cóclea. Quando ambas orelhas apresentam a mesma configuração audiométrica, o Weber é indiferente. Weber Audiométrico 30/04/2026 48 Marcação das Respostas Weber lateralizado para a DIREITA: D ou Weber lateralizado para a ESQUERDA: E ou Weber Indiferente: I ou Criança 30/04/2026 49 Audiometria de Reforço Visual (VRA) 30/04/2026 50 Audiometria em Campo Livre É realizada com alto-falantes em cabina acústica, geralmente na avaliação da audição de bebês e crianças pequenas, e ainda na avaliação do ganho funcional de próteses auditivas. Os limiares obtidos em campo livre referem-se essencialmente à sensibilidade da melhor orelha. Audiometria em campo livre 30/04/2026 51 Informações sobre o paciente Idade e data de realização do exame permitem a comparação dos resultados de testes realizados em períodos anteriores, conferindo-lhe o adequado significado clínico. Profissão relação entre a PA e o ambiente de trabalho do paciente. Informações obtidas na AvaliaçãoAudiológica Tipo de PA Grau da PA Configuração da PA Habilidade para discriminar os sons auditivamente 30/04/2026 52 Tipos de PA e Audiograma Tipo de PA NS Condutiva Mista Presença de gap? Não Sim Sim Limiares ósseos Aumentados Normais Aumentados Limiares aéreos Aumentados Aumentados Aumentados Perdas Condutivas História de infecção de ouvido, secreção, sensação de ouvido tampado, perda auditiva com piora na gravidez, entre outras histórias de problemas otológicos Pode haver zumbido Paciente tende a falar com a voz fraca, devido ao efeito de oclusão PA em VA com limiares normais de VO (gap mínimo de 15 dB e máximo de 60dB) 30/04/2026 53 Perdas Condutivas Não há dificuldade para discriminar a fala, se o som for suficientemente alto Teste de Weber lateraliza para o lado da pior VA e melhorVO Geralmente a resposta do paciente é inconstante quando próximas ao limiar Perdas Neurossensoriais História de PA súbita ou progressiva, com causa desconhecida ou determinada. Pode haver antecedentes familiares ou associação da PA com outras alterações orgânicas Pode haver zumbido Pode haver queixa de tontura ou vertigem Na PA bilateral pode haver alteração na qualidade vocal ou no seu padrão articulatório. Geralmente, tende a falar mais alto para monitorar a própria fala 30/04/2026 54 Perdas Neurossensoriais A PA atinge tanto VA quanto VO, com ausência de gap (máximo 10dB). Quando a perda for muito grande pode não haver registro da VO, devido a limitação do vibrador ósseo Geralmente há dificuldade na discriminação dos sons, mesmo em uma intensidade adequada Teste de Weber lateraliza para o melhor lado (nas perdas assimétricas ou unilateral) As respostas do paciente geralmente são precisas Dificuldade de ouvir e entender em ambientes ruidosos Podem referir desconforto com barulhos intensos (recrutamento) Perdas Mistas Geralmente o problema NS aparece depois do condutivo crônico, ou ao mesmo tempo, nos casos de traumatismos cranianos; Também pode acontecer do paciente ter um problema NS e depois apresentar um problema condutivo A audiometria tonal pode apresentar gaps VA-VO em algumas freqüências estando acopladas em outras O gap é variável, dependendo do comprometimento condutivo O teste de Weber lateralizará em função da influência dos componentes condutivo e NS 30/04/2026 55 Perda Auditiva “Funcional” Resultados da audio tonal, teste de fala e imitanciometria não estão de acordo entre si Pode ser de origem emocional ou com finalidades econômicas O paciente parece agitado, nervoso e com pressa muito atento ao exame, como se estivesse fazendo um grande esforço para escutar Audiometria tonal revela uma perda auditiva, enquanto os limiares de fala podem estar normais O padrão de fala e qualidade vocal não condizem com o nível de PA que ele apresenta Muito obrigada!!! 30/04/2026 56 Testes Supraliminares Patrícia Cotta Mancini pmancini@medicina.ufmg.br LESÕES COCLEARES X LESÕES RETROCOCLEARES Lesões cocleares (sensoriais) – atingem as células do órgão de Corti Lesões retrococleares (neurais) – quando a lesão ocorre no ramo coclear do nervo vestíbulo-coclear, mas antes da sua sinapse com o núcleo coclear, dentro do tronco cerebral. 30/04/2026 57 Os pacientes portadores de lesões neuro-sensoriais podem apresentar distorções patológicas do estímulo sonoro, que podem ser classificadas da seguinte forma: ◦ Alterações da sensação de intensidade – recrutamento = crescimento anormal da sensação da intensidade, na medida em que a intensidade física é aumentada (Carver, 1978). A presença de recrutamento é indicativa de lesão coclear. ◦ Alterações da sensação da altura – diplacusia = distorção da sensação do tom. Indica lesão no ouvido interno. ◦ Adaptação auditiva = diminuição na sensitividade auditiva a um estímulo contínuo. Ocorre nas lesões retrococleares. Testes para a localização anatômica da lesão auditiva: - Nível de desconforto para a Intensidade (UCL) - Nível mais confortável para ouvir a fala (MCL) - Teste de Fowler - Teste S.I.S.I. (Short Increment Sensitivity Index ou teste de sensitividade a pequenos incrementos) Testes supralimiares para pesquisa do recrutamento 30/04/2026 58 Nível de desconforto para a Intensidade (UCL) Realizado no audiômetro com tons puros e sons de fala, a níveis crescente de intensidade. O teste termina quando a determinada intensidade o paciente refere sentir o som desconfortável, quase doloroso. Segundo Hood e Poole (1960), o limiar de desconforto para ouvidos normais está entre 90 e 105 dB NA. Nos ouvidos com problema de ouvido médio ou no nervo vestíbulo-coclear, o limiar de desconforto ultrapassa a saída máxima do audiômetro. Pacientes com problemas cocleares podem apresentar o limiar de desconforto a níveis de intensidade semelhantes aos do ouvido normal, apesar de sua perda auditiva. Nível mais confortável para ouvir a fala (MCL) O nível mais confortável para ouvir a fala ocorre a 55 dB acima do SRT (Keith, 1979) - quando ocorrer a níveis inferiores, pode-se supor que o recrutamento esteja presente O examinador apresenta a fala a intensidades variadas e pede ao paciente qual o nível de intensidade mais confortável – este será o MCL 30/04/2026 59 Teste de Fowler Ou Nível do balanceamento alternado binaural da sensação de intensidade Baseia-se nas impressões subjetivas que o paciente tem quando compara a sensação da intensidade de um tom entre os dois ouvidos É realizado com tom puro em indivíduos que apresentem uma diferença mínima de 20 e máxima de 60 dB entre os dois ouvidos, na freqüência a ser testada, e que tenham o ouvido melhor praticamente normal A escolha da freqüência a ser testada deve basear em 3 critérios: As freqüências menos comprometidas pela perda auditiva; As freqüências mais próximas de 1000 Hz; As freqüências com melhor discriminação e tolerância por parte dos pacientes. 30/04/2026 60 Procedimento Após obtenção dos limiares tonais para ambos os ouvidos, seleciona-se a freqüência para iniciar o teste (critérios) Aumenta-se a intensidade desta freqüência em 20 dB NS para o ouvido melhor e para o ouvido pior O som é apresentado alternadamente, pedindo ao paciente que informe se o som no ouvido pior é mais forte, igual ou mais fraco do que aquele apresentado ao ouvido melhor Aumenta-se mais 20 dB, apresentando o estímulo em cada orelha até que o paciente responda que ambos estão no mesmo nível de intensidade. Resultado Se as linhas que conectam os pontos da mesma sensação permanecerem essencialmente paralelas é sinal de que não ocorreu recrutamento Caso contrário, o indivíduo é recrutante. 30/04/2026 61 Teste S.I.S.I. (Short Increment Sensitivity Index ou teste de sensitividade a pequenos incrementos) Técnica para medir a habilidade do paciente em detectar pequenas mudanças de intensidade, ou seja, em pesquisar o seu limiar diferencial para a intensidade Pesquisa do limiar diferencial para a intensidade = menor mudança na intensidade de um tom puro que o ouvido pode detectar. Recrutamento Sabe-se que o indivíduo com audição normal tem grande dificuldade na detecção de pequenas mudanças na intensidade, principalmente quando próximas de seu limiar auditivo O indivíduo recrutante tem grande habilidade para detectar os pequenos incrementos, além de apresentar um nível de desconforto relativamente baixo. 30/04/2026 62 Procedimento Apresenta-se um tom puro a 20 dB NS que, a cada 5 segundos, sofre um aumento de 1 dB Pede-se ao paciente que aperte um botão ou levante a mão toda vez que perceber este aumento. Inicialmente os aumentos são bem detectáveis, em torno de 5 dB, e após sua detecção, este incremento é gradativamente diminuído até atingir 1 dB A partir deste momento começa realmente o teste, o qual consta da aplicação de 20 incrementos de 1 dB, apresentados a cada 5 segundos e com duração de 200 mseg. cada. Resultados Determina-se o número de incrementos de 1 dB detectados pelo paciente (100% = 20 incrementos) Índices de 0 a 20% = considerados comuns em indivíduos normais Índices entre 20 e 60% = considerados duvidosos e podem ser encontrados em indivíduos com patologia retrococlear ou mesmo coclear. Índices entre 60 e 100% = indicadores positivos de recrutamento, portanto, mais freqüentes em indivíduos com lesão coclear. 30/04/2026 63 Muito obrigada!!! Logoaudiometria Quando testamos a função auditiva humana, avaliamos também a capacidade de comunicação, isto é, a possibilidade de compreensão e expressão da fala. Essa função necessita da integridade das estruturas periféricas e centrais do aparelho auditivo (atividades sensorial e cortical) 30/04/2026 64 Histórico Século XIX – LICHWITZ & BEZOLD apresentaram listas de palavras para investigação da função auditiva. Companhias telefônicas (Bell Telephone) efetuaram diversos estudos com testes de fala com a intenção de melhorar as transmissões. Em 1952, Geraldo de Sá destacou-se por elaborar listas balanceadas foneticamente, que são usadas até hoje em diversos serviços de audiologia. Estas listas são compostas de 50 palavras, cada uma com 2 fonemas. ALBERNAZ (1997): As palavras propostas por Sá (1952) têm apenas 1% de freqüência na língua. Cria lista de 25 palavras, contendo todos os fonemas da língua, com repetição dos fonemas mais freqüentes. Esta lista foi gravada 4 vezes, em ordem alternada para impossibilitar a memorização. ALMEIDA (1994): As listas foneticamente balanceadas são utopia, pois deveria ser feita uma para cada indivíduo, dependendo da sua idade, região, cultura e profissão. Objetivos Mensuração da capacidade de detecção e discriminação da palavra através da porcentagem de acertos de repetição dos fonemas ouvidos Confirmação das respostas obtidas para tom puro nas freqüências que se relacionam com a energia dos sons da fala Correlação entre achados logoaudiométricos e as hipóteses diagnósticas Colaboração na detecção de perdas auditivas funcionais ou de origem psicogênica Indicação de próteses auditivas Avaliação do rendimento social-auditivo do indivíduo 30/04/2026 65 Procedimentos As provas são realizadas utilizando o audiômetro comum, com acessórios, tais com: microfone, medidor de volume (Vumeter), fones ou caixas acústicas e circuito para recepção das respostas do pacientes pelo audiologista O paciente deve permanecer na cabine e receber as instruções adequadamente: “Você vai escutar uma série de palavras e repeti-las da forma que entender” O examinador deve certificar-se de que o paciente não está fazendo leitura labial durante a apresentação das palavras (colocar um anteparo à frente da boca do examinador ou posicionar o paciente de modo que ele não tenha acesso às pistas visuais) Procedimentos Para a logoaudiometria com viva voz, o audiologista deverá ter cuidado com o controle de intensidade da voz (Vumeter) para manter um mesmo padrão para a emissão das palavras. Se for possível, a prova poderá ser realizada através de fita magnética com as palavras já gravadas de maneira adequada Em crianças muito pequenas, que não permitem a colocação dos fones, na testagem das próteses auditivas, a logoaudiometria deverá ser realizada em campo livre, com o inconveniente de não ser possível testar as orelhas separadamente São 4 testes básicos: SRT, SDT, IPRF e Curva Logoaudiométrica 30/04/2026 66 Limiar de Recepção da Fala (LRF) ou SRT (Speech Reception Threshold) Objetivo: Confirmar os limiares tonais da via aérea, exprimindo a menor intensidade para a qual o indivíduo consegue identificar 50% das palavras apresentadas. Em língua inglesa são usadas as palavras espondaicas. Em português são utilizadas palavras trissílabas ou polissílabas. Podem, ainda, ser usadas perguntas ou figuras, dependendo do nível de compreensão do indivíduo. 30/04/2026 67 LRF – Procedimentos: Após determinação dos limiares tonais, a obtenção do SRT é iniciada em uma intensidade confortável para o paciente (em torno de 40dB acima da média tonal de 500, 1000 e 2000Hz).Nesta intensidade, as palavras são emitidas e pede-se ao paciente que as repita. Fala-se uma palavra em cada intensidade. A intensidade é diminuída de 10 em 10dB, até o instante em que o paciente não consegue mais repetir as palavras. Neste momento aumenta-se a intensidade de 5 em 5 dB, selecionando 4 palavras para cada intensidade. É necessário 50% de acerto na repetição das palavras apresentadas para ser considerado o limiar de recepção da fala ou SRT. (Método descendente – mais utilizado) Inicia-se a leitura das palavras com intensidades inaudíveis e prossegue-se com incrementos de 5 dB até a obtenção dos valores de SRT (Método ascendente – não é utilizado) LRF – Observações: A média das freqüências de 500, 1000 e 2000Hz prediz o SRT (diversos autores) e vice-versa. SRT = média (500, 1000 e 2000Hz) ou até 5 ou 10dB acima dessa média. Deste modo, se o SRT estiver abaixo ou mais de 10 dB acima da média tonal, é provável que tenha ocorrido erro na determinação desses limiares, sendo necessário refazê-los 30/04/2026 68 SRT – Observações: Em crianças que ainda não apresentam um desenvolvimento completo da linguagem oral: figuras ou uso de ordens simples 30/04/2026 69 SDT (Speech Detection Threshold) ou LDV (Limiar de Detecção daVoz) Corresponde à menor intensidade em que o indivíduo consegue perceber a voz humana É utilizado em perdas auditivas severas/profundas, nas quais o indivíduo não apresenta linguagem oral e tem dificuldade de compreender a fala SDT – Procedimentos: O avaliador emite as sílabas pá-pá-pá, partindo de uma intensidade inaudível para o paciente Pedir ao paciente que ao ouvir o pá-pá-pá, avise levantando a mão ou efetuando qualquer outro comando Considera-se o limiar de detecção da voz quando se encontra o nível de intensidade em que o indivíduo escuta o estímulo em 50% das apresentações Na prática clínica observa-se que o SDT deve coincidir com o melhor limiar tonal do indivíduo ou com o valor encontrado na média das freqüências de 500, 1000 e 2000Hz 30/04/2026 70 IPRF (Índice Percentual de Reconhecimento da Fala) ou IRF É a medida da inteligibilidade da fala em uma intensidade fixa na qual o indivíduo consegue repetir corretamente o maior número de palavras São utilizadas listas de palavras monossílabas e dissílabas (balanceadas foneticamente ou de significado familiar ao paciente) Determina-se a média tonal das freqüências de 500, 1000 e 2000Hz e acrescenta-se 40dB, que será a intensidade utilizada na determinação do IRF Pedir ao paciente que repita as palavras ouvidas, sendo um total de 25 palavras em cada orelha 25 palavras 1 acerto = 4% do total As listas de palavras devem ser diferentes para as orelhas direita e esquerda, impedindo a memorização IPRF (Índice Percentual de Reconhecimento da Fala) ou IRF Caso o IRF, na leitura de monossílabos, seja igual ou pior que 84%, deverá ser realizada nova testagem com palavras dissílabas = A tendência é melhorar o IRF, pois a palavra apresenta maior redundância Nos casos em que o paciente apresente lesão retrococlear, mesmo com uma melhora da pista auditiva, a sua discriminação continuará ruim O paciente com comprometimento coclear obtém uma melhora na discriminação quando é oferecida maior pista auditiva Na prática clínica observa-se que geralmente em lesões cocleares o IRF pode variar de 60 a 88% e em lesões retrococleares raramente ultrapassa os 60% Em crianças abaixo de 5 anos, o IRF pode ser conseguido utilizando-se figurasou listas de palavras dissílabas de melhor compreensão para esta faixa etária 30/04/2026 71 30/04/2026 72 Atenção: somente para fins didáticos!! LEMBRETE - Para fins didáticos! Valores de IPRF para perdas neurossensoriais (mono): Leve 80 ou 84% Moderado 76 ou 80% Moderadamente severo 68 ou 72% Severo 60 ou 64% Profundo30/04/2026 85 Pesquisa dos Reflexos Estapedianos O músculo estapédio é inervado pelo VII par (nervo facial) e tem seu tendão inserido na cabeça do estribo. Ele possui 2 funções: ◦ Permitir que sons de intensidade fraca sejam percebidos; ◦ Proteger a orelha interna contra sons muito intensos. O reflexo estapediano apresenta uma via aferente única (VIII par = nervo vestíbulo-coclear) e uma via eferente bilateral (VII par = nervo facial) Arco reflexo 30/04/2026 86 Arco reflexo Não se sabe ao certo a localização do arco-reflexo, ou seja, o ponto onde o estímulo chega e manda sua resposta motora bilateral através do nervo facial. Fibras que saem do gânglio espiral do órgão de Corti penetram nos núcleos cocleares (parte superior da medula oblonga), onde todas as fibras fazem sinapse. Posteriormente os neurônios passam ao lado oposto do corpo trapezóide e vão para o núcleo olivar superior, mas alguns passam ipsilateralmente a este. Deste modo, ao estimularmos uma determinada orelha, o nervo vestíbulo-coclear desta mesma orelha leva o estímulo até os núcleos do arco reflexo; e como parte das fibras segue no mesmo lado, a resposta reflexa do nervo facial é bilateral e idêntica. Tipos de Reflexos acústicos Na imitanciometria existem 2 tipos de reflexos: ◦ Contralateral – é dado em nível de audição (dB NA), pois o som é enviado pelo fone ◦ Ipsilateral – é dado em nível de pressão sonora (dB NPS), pois o som sai da própria sonda “Os reflexos devem aparecer 70 a 90dB acima do limiar auditivo, em indivíduos normais” (LOPES Fº, 1972) 30/04/2026 87 Reflexo CONTRALATERAL Reflexo IPSILATERAL 30/04/2026 88 Procedimentos (AZ-7) Ajustar o manômetro à pressão do ouvido médio, isto é, aquela observada no pico do timpanograma Ajustar o oscilador de freqüências para 500Hz e o atenuador para 70 ou 80 dB NA. Através do interruptor apresentar o sinal por aproximadamente 2 segundos Observar se a agulha do balanceômetro deslocou da marca em torno do zero Aumentar a intensidade de 10 em 10dB ou diminuí-la de 5 em 5 dB, a fim de pesquisar o nível mínimo no qual ocorre o reflexo do músculo estapédio Repetir o procedimento para as freqüências de 1000, 2000 e 4000 Hz É considerado nível mínimo de R.E. um deslocamento de 1/10 da agulha do balanceômetro em torno da marca zero Caso a deflexão da agulha não ocorra a 120 dB NA, deverá ser considerada ausência de R.E. Em geral, utiliza-se a pesquisa do R.E. contralateral. Deve-se realizar a pesquisa do ipsilateral quando: há ausência do reflexo contralateral há perda auditiva profunda unilateral um ouvido apresenta problema condutivo e o outro problema neurossensorial Aplicações clínicas do Reflexo Estapediano Diagnóstico diferencial entre as perdas auditivas de condução. Normalmente, nestas patologias o R.E. encontra- se ausente. Teste da função tubária: é realizado com + 200 da Pa de pressão na OE e OM. Oferecemos um copo d’água ao paciente e solicitamos que degluta um gole de cada vez. A cada deglutição observamos o marcador de pressão. Se a pressão permanecer fixa em +200, indica que a tuba auditiva não consegue igualar a pressão da OM com a pressão atmosférica Se a pressão, após algumas deglutições, diminuir mas não chegar até 0 da Pa, pode-se dizer que existe pressão negativa residual na tuba auditiva. Se a pressão após 2 ou 3 deglutições voltar para 0 da Pa, a tuba auditiva está em condições normais de funcionamento. 30/04/2026 89 Aplicações clínicas do Reflexo Estapediano Topodiagnóstico da Paralisia Facial: Se a lesão estiver acima do ramo que inerva o músculo estapédio, os reflexos deste lado estarão ausentes. Se estiver abaixo, os reflexos estarão presentes. Recrutamento objetivo de Metz: Se a diferença entre os limiares audiométricos e os limiares do R.E for menor que 60dB, é indicativo de lesão coclear, indicando presença de recrutamento. Aplicações clínicas do Reflexo Estapediano Pesquisa do declínio do R.E. (Tone Decay Test): É apresentado durante 10 segundos um tom puro nas freqüências de 500 e 1000Hz, 10dB acima do limiar do R.E. Se a agulha mantiver a mesma posição durante os 10 segundos, é negativo (normal). Se a agulha decair 50% da sua posição inicial nos 5 primeiros segundos, é sugestivo de lesão retrococlear (predominantemente neural). Lesão de Tronco Cerebral: O paciente apresenta R.E. ipsilaterais presentes e contralaterais ausentes. Pesquisa do Fenômeno de Túlio: Ocorre quando o paciente apresenta vertigem com a estimulação do R.E., sendo indicativo de fístula perilinfática 30/04/2026 90 Achados em Imitanciometria Audição normal: Timpanometria – Tipo A Complacência –Valores normais R.E. presentes Perda auditiva condutiva: Timpanometria – alterada, conforme a patologia Complacência – alterada, conforme a patologia R.E. ausentes Perda auditiva neurossensorial sem recrutamento: Timpanometria – Tipo A Complacência –Valores normais R.E. presentes (diferença maior que 70dB) Achados em Imitanciometria Perda auditiva neurossensorial com recrutamento: Timpanometria – Tipo A Complacência – valores normais R.E. presentes (diferença menor que 60dB) Otosclerose (geralmente bilateral): Timpanometria – Tipo As (ou Ar) Complacência – valores abaixo de 0,30cc R.E. ausentes (efeito ON-OFF) Neurinoma do Acústico: Timpanometria – Tipo A Complacência – valores normais R.E. – Orelha patológica: ausentes Orelha normal: Contralaterais ausentes (ou presentes, dependendo do local da lesão) e Ipsilaterais presentes 30/04/2026 91 Registro do exame MASCARAMENTO CLÍNICO Patrícia Cotta Mancini Profa. Associado – Departamento de Fonoaudiologia/UFMG 30/04/2026 92 Mascaramento É um processo no qual utilizamos um ruído para elevar o limiar da orelha não testada (ONT), para que essa não interfira nos resultados da orelha que estamos testando (OT) OU Diminuição da percepção de um som pela introdução de um ruído, para evitar a ocorrência de audição contralateral ou lateralização durante a avaliação audiológica Objetivo do uso - Mascaramento Eliminar a participação da ONT na avaliação da OT 30/04/2026 93 POR QUE MASCARAR? Atenuação Interaural: é a redução em dB na intensidade do sinal acústico apresentado à OT que passa à cóclea da ONT Valores: ◦ VA –VA = 40dB ◦ VA –VO = 40dB ◦ VO –VO = 0dB Valores de Atenuação Interaural para a Via Aérea Autor (ano) 250 500 1000 2000 4000 8000 Hz Coles & Pride (1968) 50-80 45-80 40-80 45-75 50-85 Linden & col. (1959) 45-75 50-70 45-70 45-75 45-75 45-80 Chaiklin (1967) 44-58 54-66 57-66 55-72 61-85 51-69 30/04/2026 94 Assim: Quando a diferença entre as orelhas exceder os valores de atenuação interaural, é obrigatório o uso do mascaramento para evitar o risco de audição contralateral. Definições: MASCARAMENTO MÍNIMO = é a quantidade mínima de mascaramento necessária para impedir a ONT de responder ao sinal apresentado na OT. MASCARAMENTO MÁXIMO = é a intensidade do sinal mascarante que é suficiente para cruzar para a OT e mascarar o sinal de teste. SUPERMASCARAMENTO = Ocorre quando o nível de ruído de mascaramento apresentado a ONT é aumentado em tais níveis que se igualam ou superam a atenuação interaural, indo mascarar a OT. SUBMASCARAMENTO = Ocorre quando o nível de ruído é insuficiente, não sendo capaz de cobrir a atenuação interaural. MASCARAMENTO EFETIVO = é o nível de ruído de menor intensidade capaz de provocar a maior mudança de limiar do indivíduo (entre o mínimo e o máximo). 30/04/2026 95 QUANDO MASCARAR? Na via aérea – quando houver uma diferença entre os limiares das OD e OE, na mesma freqüência, igual ou maior que 40dB. Na logoaudiometria (IRF, SDT, SRT e curva logoaudiométrica) – sempre que existir uma diferença entre as médias (500, 1000 e 2000Hz) das OD e OE maior que 20dB, ouquando for necessário mascarar a via aérea em duas ou mais freqüências. Na via óssea – SEMPRE, já que a atenuação interaural é igual a zero. Uso do mascaramento 30/04/2026 96 Ruídos Mascaradores Existem 2 tipos: ◦ Banda larga: White Noise (WN), espectro linear até 6000Hz Speech Noise (SN), 250 a 4000Hz ◦ Banda estreita (NB) – a energia sonora está concentrada numa faixa de freqüência restrita para cada freqüência testada. Levar em conta que: Faixa crítica = em qualquer ruído mascarante somente as freqüências contidas dentro de uma certa faixa, centrada ao redor do tom puro testado, contribuem efetivamente para seu mascaramento. A presença de outras freqüências na composição do ruído será inútil e desnecessária. Quanto maior o número de freqüências presentes num ruído mascarante, maior será a sensação de intensidade que ele provocará. O melhor ruído mascarante é aquele que possui maior efetividade com menor sensação de intensidade. Para tons puros usar NB (Banda estreita), pois possui uma faixa de freqüência restrita (ao redor do tom puro a ser mascarado), necessitando menos energia sonora. 30/04/2026 97 COMO MASCARAR? Técnica de Hood – acrescentar 15dB na orelha contralateral ao estímulo e depois confirmar o limiar com 3 platôs de 5dB cada Atenuação – Observar os valores de atenuação para VA e VO, e acrescentar 15dB Mascaramento na Logoaudiometria Quando a diferença entre as médias (500, 1000 e 2000Hz) da OD e OE for igual ou maior que 20dB, deve-se mascarar a melhor orelha ao testar a pior orelha. Regra de Ieda Russo (1993): “Toda vez que a diferença entre as duas orelhas (INTENSIDADE DA FALA / LIMIAR DA OUTRA ORELHA) for maior que 45 dB, colocar 30dB a menos da intensidade a ser utilizada para testagem do IRF” – que, em outras palavras seria 45 dB de atenuação mais 15 dB (por isso, os 30 dB sugerido pela autora) 30/04/2026 98 Resumindo… Em perdas NS: ◦ Bilateral simétrica: Fazer a melhor óssea (sem mascarar) e, se necessário, mascarar alguma frequência (caso encontre gap) ◦ Bilateral assimétrica: Melhor óssea (sem mascarar) vai para a melhor orelha. Mascarar a melhor orelha para obter os limiares da pior orelha Em perdas condutivas: ◦ Mascarar cada orelha para obter os limiares da orelha contralateral