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E-book da Unidade - A Gestão Escolar Democrática

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1
A Gestão Escolar 
Democrática
2
3
Sumário
Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico 
A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos 
Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação da Gestão 
Escolar Democrática 
A Gestão Democrática na Escola Pública 
Referências 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
5
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28
39
49
4
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se forma necessárias;
Se for preciso acessar um 
ou mais sites para fazer 
download, assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
Quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o 
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento de 
uma competência for concluído 
e questões forem explicadas. 
5
@faculdadelibano_
1
Gestão Escolar 
Democrática e o Projeto 
Político-Pedagógico
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A Gestão Escolar Democrática Capitulo 1
Gestão Escolar Democrática e 
o Projeto Político-Pedagógico
Trabalhar com gestão democrática não é tarefa fácil, haja vista de no histórico de 
nosso país existir um modelo de gestão vertical. Todavia, não é tarefa impossível. Por 
isso, podemos dizer que ser gestor exige desse profissional da escola um perfil de gestão 
que pregue os valores da democracia. Ter o perfil de liderança, de agregar pessoas, 
trazer para perto, trazer a participação, a colaboração, é fazer as pessoas produzirem 
mais e de forma que fique leve para todos, não sobrecarregando “A” ou “B”. Tudo isso 
requer que seja desenvolvido um espírito de equipe, um clima saudável na escola, em 
que todos sejam convidados a participar do projeto educativo da escola.
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar os desafios da 
escola quanto à gestão democrática e a importância da construção do 
Projeto Político-Pedagógico na busca de melhorias para a escola. Isso 
será fundamental para o exercício de sua profissão. E, então? Motivado 
para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!
FIGURA 1
Gestão democrática
FONTE
Pixabay
7
A Gestão Escolar Democrática Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico Capitulo 1
Para que haja a conscientização de uma gestão democrática, é preciso que o gestor 
una toda sua equipe e explique a importância do trabalho coletivo em prol de um projeto 
educativo que forme pessoas para exercer a cidadania e saber cobrar seus direitos. 
O gestor deve fazer isso por meio do diálogo franco, aberto sobre as necessidades e 
o que a escola precisa para que a realidade mude, sempre em busca da qualidade 
do trabalho educativo. Ainda, é preciso ter cuidado, pois dialogar, ser democrático e 
líder não quer dizer que o gestor vai encontrar soluções para todas as coisas de forma 
consensual, também irão acontecer conflitos dos mais diferentes.
Será que o conflito na escola é algo bom ou ruim? Será que todos devem estar prontos 
para concordar com tudo que será posto nas reuniões?
Reflita
Você pode estar aí do outro lado se perguntando: como fazer isso? 
Como ter essa varinha mágica que dá os comandos e tudo acontece? 
Para quem vê tudo funcionando direitinho do lado de fora, parece ser 
muito simples. Porém, não é tarefa nada fácil. Vamos entender como 
a gestão democrática acontece e a ideia aqui não será a de receitar 
um caminho único sem possibilidades de erro nem apontar como deve 
acontecer. Você, aluno, será quem vai trilhar esse caminho quanto a 
cada realidade que pode encontrar no caminho. É preciso buscar realizar 
ou iniciar a conscientização de que é preciso que haja todo um esforço 
e comprometimento coletivo dos que fazem parte da escola, a fim de se 
alcançar os objetivos pedagógicos propostos.
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A Gestão Escolar Democrática Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico Capitulo 1
Os conflitos na escola devem ser vistos como algo saudável. Algo que deve acontecer 
à base de diálogo, escuta e propostas de soluções que estejam dentro da legislação 
escolar e que contemplem a realidade local da escola.
Não pode haver, jamais, favoritismos, questões pessoais de grupo “A” ou “B” na escola, 
mas, sim, deve-se remar juntos no caminho democrático de da busca de soluções para 
problemáticas. Ao encontrar essa solução, a equipe deve estar amadurecida para ouvir 
possíveis não ou sim.
Explicando Melhor
Seria muito prática uma escola que só recebesse comandos e 
executasse-os, não discutindo o que é bom ou não para a sua realidade 
local. A escola que não dá trabalho seria maravilhosa. No entanto, não é 
bem assim que a gestão democrática deve acontecer. Se assim o fosse, 
então para que mudar a concepção de diretor para gestor? Não faria 
sentido, não é mesmo?
Nota
É de inteira responsabilidade do gestor guiar o diálogo na busca de 
diagnosticar realidades, planejar e avaliar, com sua equipe, a busca de 
soluções para problemáticas que acontecem cotidianamente na escola. 
Por isso, o gestor é o líder desse diálogo democrático e deve conhecer 
a legislação para dialogar e escutar problemas e soluções com sua 
equipe de trabalho, mas não pode dizer sim para todas as soluções nem 
as negar completamente.
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A Gestão Escolar Democrática Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico Capitulo 1
É necessário destacar essas recomendações sobre diálogo, escuta, diagnósticos, 
planejamentos, avaliação e reavaliação, quando for preciso, porque não é tarefa fácil 
ser democrático. Todavia, é um princípio rumo à qualidade dos afazeres da escola, que 
devem primar pelo bom desempenho e pela preocupação de a escola deve ter um 
processo de Ensino e de aprendizagem de qualidade.
Para que tudo isso aconteça, é preciso comprometimento e responsabilidade de toda 
a equipe escolar com o papel que cada um desempenha, já que não existe funcionário 
maior ou menor, precisamos da participação de todos para que escola aconteça de 
fato. Por isso, Gadotti e Romão (1997) destacam a participação que influencia o processo 
de democratização e melhoria da qualidade de ensino.
Importante
O gestor deve ser uma pessoa conhecedora da legislação da educação, 
para que não autorize propostas que possam prejudicar a escola, dar 
margem a denúncias e/ou até mesmo processos judiciais. Por isso, ele 
será a pessoa que deve dialogar sempre (mas isso não implica concordar 
com tudo) e ter sabedoria para conduzir esse diálogo rumo a boas 
propostas para o crescimento da qualidade da escola. Para que tudo 
isso aconteça, é preciso ter uma equipe amadurecida para o diálogo 
e suas implicações, e caso haja um “sim” ou “não”, estes devem ser 
explicados na tentativa de evitar discursos de predileção e favoritismos.
FIGURA 2
Qualidade do ensino
FONTE
Pixabay
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A Gestão Escolar Democrática Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico Capitulo 1
O diálogo é um ponto-chave para auxiliar cada segmento da comunidade escolar a 
compreender como deve ser o funcionamento e acompanhamento da educação que 
ali acontece. Também é importante para a convivência em sociedade o diálogo sobre 
inclusão, justiça, participação, diversidade, entre outros. É preciso conscientizar sobre a 
participação de todos nos processos decisórios da escola. Esse debate pode contemplar 
a comunidade interna e externa, convidando todos a participar e entender as funções 
da escola e o que implicam direta e indiretamente para o projeto educativo.Sobre a participação, Libâneo (2004, p. 144) menciona que esta é uma construção coletiva 
que deve resultar na autonomia da escola. Destaca que a presença da comunidade 
interna e externa à escola tem implicações positivas, pois os seus respectivos 
representantes irão contribuir com os afazeres do “Conselho da Escola da Associação 
de Pais e Mestres para preparar o projeto pedagógico curricular e acompanhar e avaliar 
a qualidade dos serviços prestados”.
Tudo isso deve acontecer, pois:
Considera-se que a gestão democrática veio substituir a gestão autoritária, com 
espaço sem coletividade, onde apenas um gestor decretava os objetivos, decidia 
tudo, ninguém tinha o direito de falar, de participar das decisões tomadas ou de 
pelos menos pensar sobre elas, que controvérsia, afinal, a escola não é o lugar 
onde as pessoas desenvolvem suas habilidades intelectuais, emocionais e sociais? 
Como a organização desse lugar pode ser dessa forma?
Partindo desse ponto, surge a necessidade de que cada um coloque em pratica 
suas habilidades, opiniões acerca de um determinado assunto, com possibilidades 
de participar nas decisões, assim o gestor que era detentor de todo poder, se vê 
em posição de partilhar suas decisões em prol da melhoria da educação. Nascem 
assim novos desafios, que o impulsiona a necessidade de repensar suas práticas, 
adequando-se ao novo modelo de sociedade. (SILVA, 2017, p. 16.997)
Libâneo (2004) destaca que muitos podem não ter a consciência do seu papel em 
processos democrático da escola. Por isso, é preciso que a escola se organize de forma 
a instrumentalizar os seus participantes a entender a força transformadora que têm, a 
fim de que o diálogo aconteça de forma madura, em que todos convivam como sujeitos, 
com seus direitos e deveres respeitados a partir de discussões e decisões coletivas.
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A Gestão Escolar Democrática Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico Capitulo 1
Dessa forma, Medeiros (2003, p. 61) explica que o trabalho com a gestão democrática da 
educação não pode ser dissociado de mecanismos legais da educação:
Está associada ao estabelecimento de mecanismos legais e institucionais e à 
organização de ações que desencadeiem a participação social: na formulação de 
políticas educacionais; no planejamento; na tomada de decisões; na definição do 
uso de recursos e necessidades de investimento; na execução das deliberações 
coletivas; nos momentos de avaliação da escola e da política educacional. Também 
a democratização do acesso e estratégias que garantam a permanência na 
escola, tendo como horizonte a universalização do ensino para toda a população, 
bem como o debate sobre a qualidade social dessa educação universalizada, são 
questões que estão relacionadas a esse debate. (MEDEIROS, 2003, p. 61)
Nota
Tudo isso deve estar articulado com o trabalho do gestor, por isso não 
cansamos de explicar a gestão é democrática. Esse gestor deve ser 
conhecedor de como acontece a legislação da educação brasileira e 
suas políticas públicas, para atuar politicamente da forma correta, como 
manda a gestão democrática.
Nem sempre os participantes de reuniões nas escolas entendem a importância que tem 
o seu diálogo, o seu ponto de vista como pais, professores, alunos, funcionários, entre 
outros. 
É nesse momento que a escola deve entrar conscientizando os seus participantes, 
explicando como acontece seu funcionamento e as ações das instâncias colegiadas e 
seus respectivos processos decisórios, como: Associação de Pais, Mestres e Funcionários, 
Grêmio Estudantil e Projeto Político-Pedagógico. Adiante, vamos entender muito 
brevemente o que significa cada um deles.
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A Gestão Escolar Democrática Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico Capitulo 1
• Associação de Pais e Mestres
FIGURA 3
Representantes de cada categoria 
escolar
FONTE
Pixabay
É uma instância de participação que acontece com a intenção de unir pais e mestres 
no sentido de fortalecer o relacionamento de família e escola. A partir dessa união, serão 
eleitos representantes na busca de contribuir para a prática de gestão democrática.
• Grêmio estudantil
FIGURA 4
Grêmio estudantil: representação dos 
alunos
FONTE
Pixabay
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A Gestão Escolar Democrática Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico Capitulo 1
É um espaço no qual os alunos se reúnem para eleger seus representantes. É também 
o lugar onde os alunos estão aprendendo atuar de forma democrática. Trata-se de 
um acontecimento que terá reflexo mais tarde na vida dos estudantes, no exercício da 
cidadania na vida em sociedade, pois a participação deles na construção da gestão 
democrática da escola proporciona a experiência de como ter práticas sociais e 
democráticas.
Projeto Político-Pedagógico
O Projeto Político-Pedagógico, mais conhecido como PPP, é um documento construído 
na escola. Esse documento define a identidade da escola e indica caminhos para 
ensinar com qualidade. Por isso, trata-se de um planejamento que acontece mediante a 
participação conjunta de todos que fazem parte da escola, por meio dos representantes 
de cada categoria que representa a instituição.
Esses representantes, reunidos, dialogam sobre a finalidade de construir um documento 
que retrate a escola como ela é na sua realidade local, trazendo o histórico de sua 
existência, seus problemas e indicações para que aconteçam soluções.
FIGURA 5
Participação e colaboração
FONTE
Freepik
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A Gestão Escolar Democrática Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico Capitulo 1
A essa altura, a pergunta que pode estar surgindo é: por que esse documento deve 
ser uma construção com representantes de todas as categorias que fazem parte da 
escola?
Esse documento deve ser construído por representantes de cada categoria dos 
participantes da escola, como gestores, técnicos administrativos e de apoio, docentes, 
discentes, pais e comunidade local, porque, ao se unirem para construir o PPP, se 
encontrarão na perspectiva de dar a sua contribuição na elaboração deste documento. 
Dessa forma, trarão sua ótica sobre a realidade da escola e zelarão para que não se 
torne um trabalho fragmentado e com norteamentos definidos por alguém de fora da 
escola, que provavelmente por mais que esteja cheio de boas intenções, conhece pouco 
sobre a realidade local.
Por isso, deve haver um esforço coletivo para que sejam realizadas nesse espaço da 
escolar discussões sobre a atual realidade da escola. A partir desse diálogo, deve-se 
planejar, registrar no documento a realidade em que a escola se encontra, elencar 
necessidades e planejar tomadas de decisões em prol da qualidade da educação 
proporcionada na escola.
Para que tudo isso aconteça, é necessário conscientizar toda a equipe escolar de 
que dialogar não implica concordar com tudo que está sendo discutido, é preciso 
também se posicionar sobre algumas questões, defendendo seus respectivos pontos 
de vista. Também se deve zelar para que esses representantes não se tornem objetos 
de manipulação dos interesses de poucos que fazem parte da escola. Tudo isso deve 
acontecer com o intuito de garantir, no decorrer do processo, o direito à voz, defendendo 
a diversidade, a autonomia da escola e a participação de todos. 
Saiba Mais
O Projeto Político-Pedagógico é um documento que representa a 
identidade de cada escola brasileira. É um documento que é construído 
para a escola.
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A Gestão Escolar Democrática Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico Capitulo 1
Só assim, após ter colaborado para a construção desse documento, que vamos ter 
elementos para contribuir com a escola no sentido de tentar cumprir metas, ações e 
objetivos nele propostos.
Acesse
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura do artigo 
“A importância da Gestão democrática dentro do processo escolar”, 
de Josiele Leal dos Santos Flôres e Mara Lucia T. Brum, disponível no QR 
-Code
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A Gestão Escolar Democrática Gestão EscolarDemocrática e o Projeto Político-Pedagógico Capitulo 1
Resumindo
E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve 
ter aprendido que a gestão democrática é de suma importância para as 
escolas, pois permite que, por meio da participação ativa, os membros 
que fazem parte do contexto escolar busquem pelo diálogo emitir 
opiniões e aprender a respeitar a dos outros. Assim, juntos buscarão 
o melhor caminho para tentar solucionar a problemática oriunda do 
cotidiano escolar. Por isso, devemos ter em mente que a participação 
ativa é que faz com que nossos direitos e deveres sejam res- peitados. 
Dentro desse contexto, tem-se o Projeto Político-Pedagógico (PPP), que 
é um documento construído na escola, que define sua identidade e 
aponta caminhos para que juntos possamos melhorar o processo de 
ensino-aprendizagem. E, para que isso ocorra de forma concreta e não 
fique só no papel, todos que fazem parte e representam a escola devem 
se reunir e dialogar para construção de um documento que retrate a 
escola como ela é, na busca de soluções para os problemas elencados.
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@faculdadelibano_
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A Gestão Democrática 
e a Mudança de 
Comportamentos
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A Gestão Escolar Democrática Capitulo 2
A Gestão Democrática e a
Mudança de 
Comportamentos
Na atualidade, para uma boa gestão, o desafio maior da escola se dá na busca da 
união de seus profissionais, inclusive em maior esforço por parte dos professores, para 
que sejam desenvolvidas competências e habilidades específicas nos alunos. Essa 
visão deve contemplar os alunos, analisando o contexto social deles, na busca de 
propor ações e metodologias competentes, para o melhor desempenho do processo de 
ensino-aprendizagem. Ainda é necessário que o professor compreenda que, em pleno 
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz compreender a importância 
das mudanças de comportamentos na gestão democrática escolar. Isso 
será fundamental para o exercício de sua profissão. E, então? Motivado 
para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!
FIGURA 6
Gestão democrática: decisão de qual 
caminho seguir
FONTE
Pixabay
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos Capitulo 2
século XXI, seus alunos têm maneiras e desempenhos distintos no decorrer do processo 
ensino-aprendizagem.
Por isso, temos de ver gestor escolar como um aliado nos trabalhos dos professores, 
como um líder, cujas ações devem envolver todos que fazem parte da escola.
Para ser gestor, é necessário ter o perfil que essa profissão exige, e isso envolve 
conhecimento, condições pessoais, vocação e formação contínua, haja vista que ser 
gestor é uma tarefa complexa que exige ser um agente de mudança na escola, propondo 
resolução de conflitos, realização de tarefas e resolução de questões que acontecerão 
no dia a dia da escola, que envolvem desde a estrutura física, administrativa, financeira, 
pedagógica e até as relações interpessoais (LÜCK, 2001).
Explicando Melhor
Em se tratando do perfil do gestor escolar, esta não é mais a do 
administrador escolar, pois, passou a ser a figura daquele que vai ser 
o líder provocador de mudanças. Desse modo, é preciso ser a pessoa 
que, junto da sua equipe, apresentará propostas inovadoras, realizará 
parcerias e apresentará estratégias de ação para serem desenvolvidas 
em equipe, na busca pela eficiência. Para ser gestor, é preciso estar 
atento às mudanças, pois estas estão acontecendo em diversos campos 
em nossa sociedade, tanto na legislação, a exemplo da Base Nacional 
Curricular Comum, como nas ciências, na tecnologia da comunicação e 
da informação. No mundo da competitividade, o gestor deve zelar para 
que as atualidades da sociedade não fiquem de fora.
Um entendimento que não pode faltar dentro dos muros da escola é do que se trata a 
democracia, pois é preciso conscientizar a todos de que todo cidadão tem direitos, mas 
também deveres a cumprir. De acordo com o Ghanem, a democracia é: o meio político 
de salvaguardar a diversidade social e cultural dos membros da sociedade nacional ou 
local, simultaneamente à manutenção de uma língua nacional e um sistema jurídico 
que se aplique a todos; é a única possibilidade de limitar a crescente dissociação 
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos Capitulo 2
entre racionalidade instrumental e identidades culturais; é uma luta pela libertação em 
relação a um poder, seja o despotismo racionalista, seja a ditadura comunitária; é um 
espaço de tensões e conflitos, ameaçado constantemente por algum poder; é o espaço 
institucional livre, no qual se desenvolve esse trabalho do sujeito sobre si mesmo, trabalho 
pelo qual as pessoas encontram o papel de criadoras e produtoras, não somente de 
consumidoras. (GHANEM, 2004, p. 21-23)
É preciso democratizar o ensino, pois ele não é para acontecer para poucos, mas, sim, 
atingir todas as camadas sociais da população em geral, oferecendo mais oportunidades 
de os alunos ingressarem e se manterem nas escolas, frequentando-as com a finalidade 
de dar continuidade aos seus estudos. Por isso, a escola deve ser democrática e garantir 
que o pleno exercício da cidadania aconteça em seu interior.
Lück (2001) esclarece que, para que tudo isso aconteça, é preciso que o gestor conte 
com participação e colaboração de todos que fazem parte da escola na construção 
e no cumprimento do plano de desenvolvimento. Isso demanda uma ação gestora 
que envolve trabalho em equipe, levando em conta características locais da realidade 
escolar e temas relevantes para serem discutidos com os que fazem parte da escola.
Outro ponto importante é que a gestão deve trabalhar, incessantemente, pela 
descentralização do ensino e instituição da autonomia e da gestão democrática. 
Mudanças de mentalidades dos que fazem parte da escola devem ocorrer, pois é 
histórica a centralização das práticas de algumas dessas instâncias, deixando para 
segundo plano o que deveria ser o principal, que é o fazer pedagógico.
Por isso, a gestão de uma escola precisa de um foco e ele deve existir para que, 
diariamente, todos os segmentos trabalhem unidos traçando caminhos, possibilidades, 
com compromisso e, principalmente, zelo pelas responsabilidades que cada um 
Saiba Mais
O gestor deve trilhar na busca de tornar a escola em que atua um espaço 
democrático, pois esse é o princípio norteador da gestão democrática.
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos Capitulo 2
assume. Trabalhar na perspectiva da gestão democrática exige de um gestor o perfil de 
agregar pessoas, de saber trazê-las para perto, com participação por meio do diálogo. 
Nesse sentido, deve haver comprometimento dos que fazem parte da escola na busca 
de alcançar os objetivos pedagógicos propostos, e o seu fruto será a qualidade da 
educação, que deve ser constantemente cultivada para que se adote uma nova cultura 
de organização, unindo teoria e prática (PARO, 2005).
Nessa linha de entendimento, a institucionalização de instâncias colegiadas na escola 
pública, a exemplo do Conselho Escolar, tem se tornado o momento em que se une 
teoria e prática na busca pela democratização das escolas públicas.
Gadotti e Romão (1998, p. 16) atestam que a participação de todos é algo que acaba 
por influenciar na democratização da gestão e também na melhoria da qualidade 
de ensino. Para tanto, é preciso diálogo, para que todos passem a compreender de 
forma mais efetiva o funcionamento da escola. Nesse ínterim, vale discutir os valores 
que devem ser praticados na escola, tais como a inclusão, a justiça, a participação, 
entre outros, sem se esquecer de contemplar a diversidade, reconhecendo como é 
importante ouvir diferentes pontos de vista na hora de tomar decisões, deixando bem 
claro a participação, a decisão e a ideia do outro.Libâneo (2004) esclarece que, para que essas necessidades e possibilidades aconteçam 
de fato no interior das escolas, deve haver participação. É justamente com a promoção da 
participação nos espaços da escola que esta alcança, cada vez mais, a sua autonomia 
nos processos decisórios, já que o princípio da autonomia requer proximidade com a 
comunidade educativa e os pais. O autor defende que:
a presença da comunidade na escola, especialmente dos pais, tem várias 
implicações. Prioritariamente os pais e outros representantes participam do 
Conselho da Escola da Associação de Pais e Mestres para preparar o projeto 
pedagógico curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. 
(LIBÂNEO, 2004, p. 144)
A escola precisa se organizar de forma a instrumentalizar os seus participantes na 
percepção da força transformadora que terão, juntos, unidos, colaborando com a escola. 
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos Capitulo 2
Por isso, o diálogo é o caminho para a democracia acontecer em um clima saudável 
em que todos convivam como sujeitos de direitos e deveres, que devem ser respeitados, 
na sua diversidade, a partir de discussões e decisões coletivas.
O Conselho Escolar é uma instância colegiada que busca a participação de todos da 
escola, mas lida diretamente com os representantes de cada segmento escolar. Por 
isso, faz a eleição destes de forma democrática, zelando por seus direitos e deveres.
De acordo com o Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares, 
por meio da publicação do caderno Conselhos Escolares: Democratização da escola 
• Conselho Escolar
Reflita
Você pode estar se perguntando: como tudo isso deve acontecer?
Instrumentalizando os seus participantes para compreender como a 
escola funciona. Deixando clara a necessidade de instâncias colegiadas 
para atuar nos decisórios, como: Conselho Escolar, Associação de Pais, 
Mestres e Funcionários, Grêmio Estudantil, Projeto Político-Pedagógico.
FIGURA 7
Conselho escolar: representantes de cada 
segmento
FONTE
Pixabay
23
A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos Capitulo 2
e construção da cidadania (BRASIL, 2004, p. 34), os Conselhos Escolares “são órgãos 
colegiados compostos por representantes das comunidades escolar e local, que 
têm como atribuição deliberar sobre questões político-pedagógicas, administrativas, 
financeiras, no âmbito da escola”.
Esse caderno, produzido pelo Ministério da Educação, explica que cabe aos conselhos 
a tarefa de analisar as ações a empreender nas escolas, os meios a serem usados e 
acompanhar o cumprimento destas. As pessoas que compõem esse conselho devem 
estar cientes de que estão ali não para representar seus interesses pessoais, mas, sim, 
os de sua comunidade escolar e local, atuando com união para traçar percursos e 
realizarem deliberações de sua responsabilidade.
Dessa forma, segundo esse caderno, as pessoas que fazem parte do conselho da 
escola “representam, assim, um lugar de participação e decisão, um espaço de 
discussão, negociação e encaminhamento das demandas educacionais, possibilitando 
a participação social e promovendo a gestão democrática” (BRASIL, 2004, p. 35).
Esse órgão se consolida na escola com a finalidade de ser uma instância de “discussão, 
acompanhamento e deliberação”, de forma democrática. Desse modo, as funções do 
Conselho Escolar são:
a. Deliberativas: quando decidem sobre o projeto político-pedagógico e outros assuntos 
da escola, aprovam encaminhamentos de problemas, garantem a elaboração de 
normas internas e o cumprimento das normas dos sistemas de ensino e decidem 
sobre a organização e o funcionamento geral das escolas, propondo à direção as 
ações a serem desenvolvidas. Elaboram normas internas da escola sobre questões 
referentes ao seu funcionamento nos aspectos pedagógico, administrativo ou 
financeiro.
b. Consultivas: quando têm um caráter de assessoramento, analisando as questões 
encaminhadas pelos diversos segmentos da escola e apresentando sugestões ou 
soluções, que poderão ou não ser acatadas pelas direções das unidades escolares.
c. Fiscais (acompanhamento e avaliação): quando acompanham a execução das ações 
pedagógicas, administrativas e financeiras, avaliando e garantindo o cumprimento 
das normas das escolas e a qualidade social do cotidiano escolar.
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos Capitulo 2
d. Mobilizadoras: quando promovem a participação, de forma integrada, dos segmentos 
representativos da escola e da comunidade local em diversas atividades, contribuindo 
assim para a efetivação da democracia participativa e para a melhoria da qualidade 
social da educação. (BRASIL, 2004, p. 41)
Na escolha de representantes, é preciso ter cuidado para que não sejam pessoas 
indicadas pela gestão, mas, sim, por cada segmento escolar. Esse zelo deve acontecer 
para que cada categoria possa defender, nas reuniões, seus respectivos pontos de 
vista, e não servir de instrumento para legitimar a voz da direção, pois deve representar 
a diversidade e a pluralidade do segmento a que pertence.
O Conselho Escolar deve ser composto pela “direção da escola e a representação 
dos estudantes, dos pais ou responsáveis pelos estudantes, dos professores, dos 
trabalhadores em educação não-docentes e da comunidade local” (BRASIL, 2004, p. 
44). As decisões só podem ser tomadas após discussões realizadas coletivamente e 
só podem acontecer quando todos estão reunidos. Nenhum de seus membros têm 
autorização para tomar decisões de forma individual fora das reuniões destinadas a 
esse fim. No entanto, é o gestor quem:
Atua como coordenador na execução das deliberações do Conselho Escolar 
e também como o articulador das ações de todos os segmentos, visando a 
efetivação do projeto pedagógico na construção do trabalho educativo. Ele poderá 
ou não ser o próprio presidente do Conselho Escolar, a critério de cada Conselho, 
conforme estabelecido pelo Regimento Interno. (BRASIL, 2004, p. 44)
Na eleição para os membros do Conselho Escolar, deve haver candidatos de 
representantes de cada segmento da escola. Há, ainda, o cargo dos suplentes, que não 
estão impedidos de estar nas reuniões, mas sua atuação será somente de direito à voz 
na presença do membro efetivo. Apenas na falta do membro efetivo que o suplente 
participará do voto. O gestor tem a sua participação garantida no Conselho Escolar.
A seguir estão elencadas algumas atribuições dos Conselhos Escolares:
• elaborar o Regimento Interno do Conselho Escolar;
• coordenar o processo de discussão, elaboração ou alte- ração do Regimento Escolar;
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos Capitulo 2
• convocar assembleias gerais da comunidade escolar ou de seus segmentos;
• garantir a participação das comunidades escolar e local na definição do projeto 
político-pedagógico da unidade escolar;
• promover relações pedagógicas que favoreçam o respeito ao saber do estudante e 
valorize a cultura da comunidade local;
• propor e coordenar alterações curriculares na unidade escolar, respeitada a legislação 
vigente, a partir da analise, entre outros aspectos, do aproveitamento significativo do 
tempo e dos espaços pedagógicos na escola;
• propor e coordenar discussões junto aos segmentos e votar as alterações 
metodológicas, didáticas e administrativas na escola, respeitada a legislação vigente;
• participar da elaboração do calendário escolar, no que competir à unidade escolar, 
observada a legislação vigente;
• acompanhar a evolução dos indicadores educacionais (abandono escolar, 
aprovação, aprendizagem, entre outros) propondo, quando se fizerem necessárias, 
intervenções pedagógicas e/ou medidas socioeducativas visando à melhoria da 
qualidade social da educação escolar;
• elaborar o plano de formação continuada dos conselheiros escolares, visando 
ampliar a qualificação de suaatuação;
• aprovar o plano administrativo anual, elaborado pela direção da escola, sobre a 
programação e a aplicação de recursos financeiros, promovendo alterações, se for 
o caso;
• fiscalizar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da unidade escolar;
• promover relações de cooperação e intercâmbio com outros Conselhos Escolares. 
(BRASIL, 2004, p. 49)
Ainda com base na publicação (BRASIL, 2004), para os seus participantes exercitar 
essas atribuições tem se tornado um aprendizado democrático, pois só conseguem 
ser colocadas em prática se os cidadãos forem respeitados e ouvidos na tomada de 
decisões a partir de práticas democráticas.
Antunes (2002, p. 23) explica que é por meio do Conselho de Escola que os problemas 
que envolvem a gestão escolar são debatidos, analisados e votados “em plenária, ser 
aprovadas e remetidas para o corpo diretivo da escola, instância executiva, que se 
encarrega de pôr em prática, as decisões ou sugestões do Conselho de Escola”.
26
A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos Capitulo 2
Por isso, Navarro et al. (2004) acrescentam que o Conselho Escolar é um órgão colegiado, 
democrático, que delibera sobre diversas questões que estão presentes no interior de 
cada escola e que tem decisões que precisam ser tomadas para casos específicos que 
envolvam tanto o lado pedagógico como o administrativo e financeiro. 
Por isso, são necessárias reuniões com a participação dos que fazem parte da escola 
e suas respectivas representações nos debates e nas propostas que visem à tomada 
de decisões. Portanto, é preciso que o Conselho Escolar se forme com pessoas que 
sejam ativas, comprometidas como o mesmo objetivo da escola e que defendam 
ferrenhamente a melhoria na qualidade do ensino.
Acesse
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura do artigo 
“Gestão da educação: inovação e mudança”, de Rita Schultz, disponível 
no QR-Code:
27
A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos Capitulo 2
Resumindo
E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve 
ter aprendido que um dos maiores desafios atualmente na gestão 
democrática é conscientizar as pessoas que fazem parte do contexto 
educacional de que sua participação é importante na busca de soluções 
das dificuldades encontradas na escola e que sua presença faz com que 
seu direito de cidadão seja respeitado. Um entendimento que não pode 
faltar dentro dos muros da escola se refere ao que é democracia, pois é 
preciso conscientizar que todo cidadão tem direitos, mas também deve 
cumprir com seus deveres. Nesse contexto, o Conselho Escolar é uma 
instância colegiada que busca a participação de todos da escola, mas 
lida diretamente com os representantes de cada segmento escolar e, 
por isso, faz a eleição destes de forma democrática, zelando por seus 
direitos e deveres.
28
@faculdadelibano_
3
Princípios e Mecanismos
Básicos de 
Implementação 
da Gestão Escolar 
Democrática
29
A Gestão Escolar Democrática Capitulo 3
Princípios e Mecanismos
Básicos de Implementação 
da Gestão Escolar 
Democrática
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como 
ocorreram os princípios e mecanismos da gestão escolar democrática. 
Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E, então? 
Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!
FIGURA 8
Participação de todos
FONTE
Freepik
30
A Gestão Escolar Democrática Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação 
da Gestão Escolar Democrática
Capitulo 3
Para abordar sobre gestão democrática, primeiro é preciso entender que a pessoa que 
faz o papel de quem está direção escolar, mais conhecido como gestor escolar, por 
muito tempo, centralizou suas práticas, com base nas relações de poder, em processos 
administrativos e financeiros, colocando em prática as imposições do sistema, sem 
questioná-lo.
O maior ganho das escolas brasileiras ocorreu a partir da segunda metade da década 
de 1990, com a promulgação da LDBEN (Lei nº 9.394/1996). A LDBEN garantia a gestão 
democrática, uma prática de descentralização de poderes nas escolas, por meio da 
qual passamos a ter como prioridade o diálogo, o estímulo ao trabalho coletivo e a 
ênfase no incetivo à participação de todos no auxílio do trabalho da gestão da escola.
Outro destaque desse novo modelo de gestão foi o interesse no fazer pedagógico, nas 
relações interpessoais, no desempenho de quem trabalha na escola e dos alunos, na 
avaliação e reavaliação constante de tudo que é planejado na escola e a autoavaliação, 
sem deixar de lado a avaliação dos alunos aprendentes. Por isso, o princípio de gestão 
democrática foi confirmado e aprimorado pelo estabelecimento das demais legislações 
após a LDBEN, tanto no Plano Nacional de Educação (PNE) instituído pela Lei nº 10.172/2001, 
como no PNE instituído pela Lei nº 13.005/2014.
Reflita
Todas essas alterações ocorreram quando estávamos saindo do 
regime militar e precisávamos realizar mudanças de postura e de 
comportamento. No entanto, até os dias atuais podemos dizer que alguns 
profissionais que trabalham com educação ainda não compreenderam 
essas mudanças. Mas isso está mudando e o ideal é lutar para que 
esses profissionais que possuem uma prática autoritária compreendam 
que precisamos acompanhar o que dita a legislação educacional 
brasileira. Podemos dizer que, a partir dessa determinação da legislação 
brasileira que autoriza as escolas públicas a atuar no modelo de gestão 
democrática, os esforços foram concentrados na busca por mudanças 
de mentalidade, atitudes e de postura ética, para que o que preconizava 
a lei acontecesse de fato (LÜCK, 2000
31
A Gestão Escolar Democrática Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação 
da Gestão Escolar Democrática
Capitulo 3
É preciso esclarecer aqui que descentralizar atividades é dividir responsabilidades e 
isso não vai dar autoridade ao gestor nem tirá-la, e de ninguém na escola, mas abre 
possibilidades de todos crescerem juntos em busca de melhorias. Por isso, Lück destaca 
que, para ser um gestor, é preciso que este tenha um perfil de quem lidera o seu grupo, 
com:
Abertura na aceitação das expressões das pessoas no trabalho, observando os 
desafios, dificuldades e limitação na tentativa de possibilitar a superação. Observar 
e desenvolver o que de melhor existe nas pessoas ao seu redor, partindo com uma 
visão proativa da sua atuação. Ter uma visão clara diante da missão dos valores 
educacionais permitindo a compreensão dos indivíduos na expressão de suas 
atitudes. (LÜCK, 2009, p. 75)
A autora ainda explica que, para ser gestor, é preciso o perfil de líder, devendo realizar 
a conscientização de seus membros, orientando que a participação de todos é muito 
importante para que:
Sejam promovidas melhorias a todos, em principal aos processos educativos. 
Permitir um diálogo aberto com capacidade de ouvir e compreender as questões 
de modo contínuo. Possibilitar oportunidades a todos a fim de compartilhar 
responsabilidades. Ter atitudes e expressões de liderança e não de chefia. Exercício 
contínuo do diálogo aberto e da capacidade de ouvir. (LÜCK, 2009, p. 75)
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A Gestão Escolar Democrática Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação 
da Gestão Escolar Democrática
Capitulo 3
Explicando Melhor
Provocar mudanças de mentalidade significa algo pensado para 
acontecer. Na singularidade de uma pessoa, por mais cuidado e carinho 
que possam ter sido empregados, foi pensado apenas pela visão dessa 
pessoa. Quando jogamos nossas propostas para serem discutidas em 
grupo, o que foi pensado de início por uma pessoa, após as discussões, 
pode ganhar uma dimensão muito maior, ou não. Pode acontecer 
também dessa proposta ser diminuída, caso, após a reunião, os 
participantes cheguem à conclusãode que não há condições de fazer 
nem a metade do que foi planejado por esta única pessoa. As reuniões 
servem para mensurar os prós e contras da proposta apresentada, 
fazendo-a crescer ou diminuir. Por isso, é primordial que as pessoas, 
quando em reuniões, estejam abertas ao diálogo e às críticas, para 
ouvir também os contras e saber propor sugestões que atendam à 
diversidade presente nas escolas.
FIGURA 9
O líder e o diálogo com todos que fazem parte da 
escola
FONTE
Pixabay
Os participantes devem estar maduros para trabalhar em grupo, com diálogo, e não 
podemos negar que sempre haverá conflitos para crescimento. É pelo diálogo que se 
abrem portas para acontecer as mesmas coisas, mas de outras formas. Essa soma de 
experiências entre os colegas de trabalho, deve acontecer de forma dialogada, pois 
são eles quem põem em prática a gestão democrática de forma produtiva, resolvendo 
33
A Gestão Escolar Democrática Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação 
da Gestão Escolar Democrática
Capitulo 3
conflitos, realizando planejamentos e avaliações do que deve acontecer nas escolas 
públicas. Sobre fazer as coisas acontecerem Paro explica que:
no campo da liberdade, o papel da gestão escolar está inextricavelmente ligado 
à questão da democracia, não apenas porque, pela educação, faculta-se ao 
educando o acesso à ciência, à arte, à tecnologia, enfim, ao saber histórico que 
possibilita o domínio das leis da natureza e seu uso em benefício humano, fazendo 
afastar assim o âmbito da necessidade, mas também porque pode propiciar 
a aquisição de valores e recursos democráticos propiciadores da convivência 
pacífica entre os homens em sociedade. (PARO, 2005, p. 51)
As gestão democrática escolar deve ter como um de seus objetivos de trabalho o 
processo educativo, considerando os seus sujeitos sociais. Assim, suas ações devem 
envolver todos os segmentos escolares, dialogando sempre nesse sentido. Além disso, 
devem contemplar uma concepção de escola inclusiva, que traga todos os seus 
participantes para dentro do projeto educativo defendido, zelanado para que este seja 
colocado em prática e esteja em constante avaliação. Nesse sentido, a gestão escolar 
dever estar focada em sua área de atuação, garantindo que se estabeleça a “efetivação 
das finalidades, princípios, diretrizes e objetivos educacionais orientadoras da promoção 
de ações educacionais com qualidade social” (LÜCK, 2000, p. 23).
É essencial trabalhar sempre com a finalidade de obter uma escola com qualidade, 
em que todos os alunos reconheçam que somos diferentes e devemos respeitar as 
diferenças. Quando tratamos de práticas inclusivas é no sentido de que essas devem 
ser participativas, promovendo o acesso e a construção do conhecimento, criando 
“condições para que o educando possa enfrentar criticamente os desafios de se tornar 
um cidadão atuante e transformador da realidade sociocultural e econômica vigente, e 
de dar continuidade permanente aos seus estudos” (LÜCK, 2000, p. 23).
Sobre a gestão democrática, Ferreira explica que:
gestão é administração, é tomada de decisão, é organização, é direção. Relaciona-
se com a atividade de impulsionar uma organização a atingir seus objetivos, 
cumprir sua função, desempenhar seu papel. Constitui-se de princípios e práticas 
decorrentes que afirmam ou desafirmam os princípios que a geram. Estes princípios, 
entretanto não são intrínsecos à gestão como a concebia a administração clássica, 
34
A Gestão Escolar Democrática Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação 
da Gestão Escolar Democrática
Capitulo 3
mas são princípios sociais, visto que a gestão da educação se destina à promoção 
humana. (FERREIRA, 2008, p. 306)
Nessa linha de entendimento, todos que fazem a escola acontecer devem perceber o 
quanto é importante, nas práticas educativas da escola, o trabalho coletivo, seguido de 
respeito, participação, diálogo, entre outros, em prol de que seja colocado em prática o 
que foi planejado no projeto educativo da escola.
Importante
A gestão deve trabalhar junto com o corpo de especialista que há na 
escola, como orientador educacional, supervisor escolar, psicólogo 
escolar e assistente social. A participação de todos da comunidade 
escolar, sejam eles pais, alunos, professores, secretários, merendeiras 
etc. é essencial em uma gestão democrática participativa, envolvendo-
os em processos de decisões coletivas na escola, a exemplo da seleção 
de gestores, a criação do Conselho Escolar, entre outros.
O gestor, que não age mais de forma hierárquica na distribuição de atividades da 
escola, impondo o seu poder, tem sua parcela de responsabilidade quanto ao sucesso 
ou insucesso da gestão democrática. É primordial que ele não continue perpetuando as 
práticas do diretor escolar, que por muito tempo tiveram base nas relações de poder. 
Agora o foco deve ser, além do administrativo e financeiro, a organização do trabalho 
escolar. Por isso a importância do diálogo com toda a comunidade escolar, buscando 
processos que tornem a escola mais autônoma. Para que isso aconteça, é preciso 
assegurar que as decisões na escola possam acontecer de forma participativa e coletiva.
Para que haja uma gestão escolar democrática de fato, o gestor deve garantir que 
na sua equipe escolar estejam claras as concepções de organização democrático-
participativa. Por isso, em sua postura de atuação na escola, explicitam-se o(a):
 
35
A Gestão Escolar Democrática Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação 
da Gestão Escolar Democrática
Capitulo 3
a. Definição explicita, por parte da equipe escolar, de objetivos sociopolíticos e 
pedagógicos da escola;
b. Articulação da atividade de direção com iniciativa e a participação das pessoas da 
escola e das que se relacionam com ela;
c. Qualificação e competência profissional;
d. Busca de objetividade no trato das questões da organização e da gestão, mediante 
coleta de informações reais;
e. Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnostico, 
acompanhamento dos trabalhos, reorientação de rumos e ações, tomada de 
decisões;
f. Todos dirigem e são dirigidos, todos avaliam e são avaliados;
g. Ênfase tanto nas tarefas quanto nas relações. (LIBÂNEO et al., 2012, p. 449)
Estando explícitas nas práticas democrático-participativas, essas posturas vêm para 
dentro da escola com a intenção de promover a democracia, para que todos que 
dela fazem parte tenham a oportunidade de participar de uma organização de forma 
coletiva, com a finalidade de garantir a autonomia da escola e de sua equipe.
FIGURA 10
A gestão precisa de todos que fazem 
parte da escola
FONTE
Pixabay
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A Gestão Escolar Democrática Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação 
da Gestão Escolar Democrática
Capitulo 3
Desse modo, Lück defende que:
A gestão democrática pressupõe a mobilização e organização das pessoas para 
atuar coletivamente na promoção de objetivos educacionais, o trabalho dos 
diretores escolares se assenta sobre sua competência de liderança, que se expressa 
em sua capacidade de influenciar a atuação de pessoas (professores, funcionários, 
alunos, pais, outros) para a efetivação desses objetivos e o seu envolvimento na 
realização das ações educacionais necessárias para sua realização. (LÜCK, 2009, 
p. 75)
Para que haja eficácia da gestão escolar, o gestor precisa de sua equipe para dar conta 
da qualidade pedagógica, do currículo, da capacitação de professores, entre outros. Em 
um modelo de gestão democrática, o gestor precisa, e muito, do trabalho coletivo de 
todos que fazem parte da escola pública (LÜCK, 2009).
Dentro desse trabalho democrático, o gestor deve conscien- tizar os participantes sobre 
a responsabilidade de cada um, pois esse modelo de gestão é proposto para a escola 
pública. 
Para que a gestão escolar aconteça de forma democrática, mecanismos de autonomia 
da escola devem ser desenvolvidos, como o financiamento das escolas; a participação 
da escolha de seusdirigentes escolares; a garantia e meios para a criação de órgãos 
colegiados; a construção democrática do Projeto Político-Pedagógico; e a participação 
da comunidade interna e externa à escola.
A gestão democrática, sendo colocada em prática escola pública, serve também 
para conscientizar o cidadão para a sua emancipação. De acordo com o Ministério da 
Educação, na publicação Gestão democrática nos sistemas e na escola, quatro pontos 
são necessários para a efetivação desse modelo de gestão, são eles:
a. participação - é quando os projetos são construídos pela mediação da coletividade, 
oferecendo a todos os participantes a oportunidade de desenvolver de forma 
conjunta ações que visam à melhoria da educação;
b. pluralismo - quando há o reconhecimento da presença das diversidades e dos 
diferentes interesses daqueles que fazem parte da escola;
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A Gestão Escolar Democrática Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação 
da Gestão Escolar Democrática
Capitulo 3
c. autonomia - é a descentralização do poder, onde a escola pode se adequar às reais 
necessidades da comuni- dade na qual se encontra inserida, onde o seu Projeto 
Político Pedagógico PPP é construído de forma coletiva, visando à emancipação e à 
transformação social;
d. transparência - é o retrato da dimensão política da es- cola, mostrando que esta é 
um espaço público que se encontra aberto à diversidade e às opiniões daqueles que 
participam da estrutura da escola. (BRASIL, 2007, on-line)
Trabalhar com o modelo de gestão escolar democrática se torna, dentro da escola, 
uma decisão política, porque suas ações implicam entender a visão dos que fazem 
parte direta e indiretamente dessa escola, como: pais, alunos, professores, funcionários 
e a própria comunidade interna e externa à escola. É uma ação política, porque envolve 
diretamente a tomada de decisões e, para isso acontecer, deve haver participação, 
trabalho coletivo e união na hora de gerir e organizar a escola, sem hierarquização de 
poderes.
Acesse
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura do artigo “A 
gestão democrática e a participação dos educadores na elaboração do 
projeto político-pedagógico de escolas públicas no Brasil”, de Pauleany 
Simões de Morais et al., disponível no QR-Code:
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A Gestão Escolar Democrática Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação 
da Gestão Escolar Democrática
Capitulo 3
Resumindo
E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve 
ter aprendido que, com a implementação da gestão democrática nas 
escolas a partir da década de 1990, por meio da LDBEN, a gestão nas 
escolas passou a ser descentralizada. Assim, começou-se a implementar 
a divisão das tomadas de decisões na escola, que deixaram de ser 
somente do gestor e passaram a ser responsabilidade de todos que 
representam a escola. Por meio de reuniões, agora é possível emitir 
opiniões e debater, com diálogo, possíveis soluções em prol de melhorias 
para a escola. A gestão democrática por meio da participação ativa, do 
pluralismo, da autonomia e da transparência, começa a fazer com que 
as pessoas se sintam parte da escola.
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4
A Gestão Democrática 
na Escola Pública
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A Gestão Escolar Democrática Capitulo 4
A Gestão Democrática na 
Escola Pública
A gestão na escola pública deve atuar de forma democrática, sempre trilhando na 
busca da qualidade de ensino, que “é, portanto, qualidade cognitiva e operativa das 
aprendizagens es- colares em contextos concretos” (LIBÂNEO, 2007, p. 26).
Nesse sentido, nas práticas educativas são respondidas as cobranças da sociedade, 
como o objetivo colaborar com o desenvolvimento dos alunos. Essa mesma gestão 
tem o intuito de melhorar a qualidade do ensino e aprendizagem. O segmento de cada 
comunidade escolar deve trabalhar junto ao gestor, sabendo aonde querem chegar em 
relação aos alunos, pois a educação se torna um ato político. Este deve ter como fruto 
as tomadas de decisões. Por isso, afirma-se que a gestão da escola deve funcionar de 
forma política, pois o ato político:
Exige um posicionar-se diante das alternativas. A gestão escolar não é neutra, 
pois todas as ações desenvolvidas na escola envolvem atores e tomadas de 
decisões. Nesse sentido, ações simples, como a limpeza e a conservação do prédio 
escolar, até ações mais complexas, como as definições pedagógicas, o trato com 
situações de violência, entre outras, indica uma determinada lógica e horizonte de 
gestão, pois são ações que expressam interesses, princípios e compromissos que 
permeiam as escolhas e os rumos tomados pela escola. (OLIVEIRA et al., 2009, p. 7)
Dourado e Oliveira (2009) explicam que, para que haja efetivação desse processo, é de 
suma importância que a escola organize o trabalho escolar com:
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como 
ocorre, de fato, a gestão democrática na escola pública. E, então? 
Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!.
41
A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática na Escola Pública Capitulo 4
Planejamento, monitoramento e avaliação dos programas e projetos; organização 
do trabalho escolar compatível com os objetivos educativos estabelecidos pela 
instituição, tendo em vista a garantia da aprendizagem dos alunos; mecanismos 
adequados de informação e de comunicação entre todos os segmentos da escola; 
gestão democrático participativa, incluindo condições administrativas, financeiras 
e pedagógicas; mecanismos de integração e de participação dos diferentes 
grupos e pessoas nas atividades e espaços escolares. (DOURADO; OLIVEIRA, 2009, 
p. 209)
O trabalho da gestão democrática tem a função de acompanhar o processo de ensino-
aprendizagem que ocorre na escola. Também deve abrir espaços para que as pessoas 
possam participar ativamente das decisões da escola, e o gestor deve estar capacitado 
para lidar com diversas formas de pensar, colaborando para que sua equipe alcance a 
qualidade do ensino.
Para Dourado e Oliveira (2009), o gestor escolar, por intermédio de sua competência, 
deve garantir um:
Projeto pedagógico coletivo da escola que contemple os fins sociais e pedagógicos 
da escola, a atuação e autonomia escolar, as atividades pedagógicas e 
curriculares, os tempos e espaços de formação; disponibilidade de docentes na 
escola para todas as atividades curriculares; definição de programas curriculares 
relevantes aos diferentes níveis, ciclos e etapas do processo de aprendizagem; 
métodos pedagógicos apropriados ao desenvolvimento dos conteúdos; pro- 
cessos avaliativos voltados para a identificação, monitoramento e solução dos 
problemas de aprendizagem e para o desenvolvimento da instituição escolar; 
tecnologias educacionais e recursos pedagógicos apropriados ao processo de 
aprendizagem; planejamento e gestão coletiva do trabalho pedagógico; jornada 
es- colar ampliada ou integrada, visando a garantia de espaços e tempos 
apropriados às atividades educativas; mecanismos de participação do aluno na 
escola; valoração adequada dos usuários no tocante aos serviços prestados pela 
escola. (DOURADO; OLIVEIRA, 2009, p. 209)
A partir dessa realidade, o gestor deve garantir que os diversos segmentos da escola 
participem de forma ativa, como os docentes, alunos, funcionários, gestores, pais e 
comunidade extra e interescolar, na construção do Projeto Político-Pedagógico.
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática na Escola Pública Capitulo 4
Esse planejamento maior, que visa à construção do PPP, deve fornecer condições, espaços 
e escolha de tempo, com o intuito de que seus participantes tenham a formação e os 
conhecimentos necessários para colocar em prática o que lhes for proposto para ação 
e execução de forma efetiva.
A direção deve dividir responsabilidades, auxiliar o Conselho de Classe a dividir astomadas de decisões com todos no contexto escolar. Por isso, compreende-se que a 
gestão que trabalha ainda de forma tradicional, na qual o gestor é autoritário e não 
compartilha as tomadas de decisões com a comunidade escolar, começa a enfrentar 
dificuldades e assim não atinge os objetivos que a comunidade escolar almeja.
O Conselho Escolar caracteriza-se, então, como órgão de representação da comunidade 
escolar e, desse modo, zela para que se mantenha a cultura de participação. É considerado 
um espaço que constitui um aprendizado político, democrático e de formação político 
pedagógica. Ele está apto a participar ativamente da construção do Projeto Político-
Pedagógico.
O Conselho Escolar deve buscar formas de incentivar a participação de todos os 
segmentos envolvidos no processo educativo da escola e isso implica se organizar para 
a construção de outros documentos da escola (MARQUES, 2007, p. 22).
O Regimento Escolar é um documento da escola que deve ser elaborado e acompanhado 
pelas pessoas que compõe o Conselho Escolar. Os respectivos membros do Conselho 
Escolar devem agir da mesma forma na elaboração e acompanhamento da execução 
do Projeto Político-Pedagógico, ou seja, deve acompanhar e fiscalizar tanto a gestão 
pedagógica quanto a financeira.
Explicando Melhor
O gestor é o líder de uma instituição escolar e deve trabalhar com a 
equipe de funcionários da escola. Essa equipe é constituída pelo pessoal 
da cozinha, da limpeza, da merenda escolar, dos serviços da secretaria, 
pelo diretor e vice-diretores, coordenação pedagógica e orientação.
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática na Escola Pública Capitulo 4
O Conselho Escolar também tem a função de planejar e aprovar o Plano Anual da escola. 
Seus membros devem acompanhar o desenvolvimento dos indicadores educacionais, 
como o da aprendizagem dos alunos, evasão, aprovação, reprovação, entre outros 
detalhes que envolvem o lado pedagógico.
O Conselho Escolar pode levantar informações, junto aos seus componentes, com a 
finalidade de disseminar informações e conhecimentos que contribuam para melhorias 
na escola.
FIGURA 11
Discussão saudável
FONTE
Pixabay
Importante
Nesse percurso, é primordial que um gestor democrático crie um 
ambiente agradável para seus componentes falarem abertamente, e 
que não fique mais criando barreiras para atuação do Conselho Escolar, 
mas facilitando o diálogo, toda vez que for preciso, para a realização de 
uma plenária.
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática na Escola Pública Capitulo 4
Portanto, a democratização adequada ao Conselho Escolar permite aos seus membros 
se reunir para discutir questões em relação a assuntos como: conteúdo curricular, 
informações novas ou não, as experiências dos colegas.
A gestão democrática deve entender que a participação e a democracia ajudam a 
melhorar as ações que envolvem o processo de ensino-aprendizagem nas escolas. Mas, 
os diversos segmentos escolares também devem cuidar para percorrer um caminho 
em que essa preparação ao exercício da democracia e cidadania não fique no papel.
Por isso, ainda há muito a se fazer para conscientizar todos os membros da comunidade 
escolar: pais, professores, alunos, gestores, funcionários, comunidade, entre outros, no 
sentido da importância de sua participação no debate.
Outra medida é a busca pela qualidade do ensino, que deve advir da democratização 
do espaço da sala de aula, por meio de conteúdos e métodos. O aluno deve fazer parte 
do processo de aprendizagem de forma ativa, crítica e reflexiva.
A escola deve proporcionar um ambiente para a comunidade trocar dados e 
conhecimentos na busca de solucionar as problemáticas escolares, promovendo, assim, 
a integração. Ela também deve atender aos interesses da maioria, agindo por votação. 
Na busca de garantir um espaço democrático, com formação ampla discente e zelo 
para formar o aluno de modo integral, os professores devem agir de forma consciente, 
crítica e reflexiva, apoiando os alunos como sujeito sociocultural.
FIGURA 12
Participação
FONTE
Pixabay
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática na Escola Pública Capitulo 4
A escola democrática pública tem a função social de formar o aluno para a vida, 
para saber exercer a sua cidadania. Para isso, é preciso proporcionar a construção de 
conhecimentos, valores que formem um ser humano pronto para atuar em sociedade, 
permitindo-lhe ser solidário, crítico, ético e participativo na sua vida em geral.
A escola, ao organizar os Conselhos Escolares, democraticamente irá agir de forma 
organizada em busca da participação de todos da comunidade escolar, respeitando 
os seus direitos e deveres. Para tanto, nesse percurso, é preciso ter cuidado para que 
os representantes da comunidade escolar possam expressar seus diferentes pontos 
de vista, além de impedir que, implicitamente, esses representantes ajam de forma a 
apenas servir de instrumento para legitimar a voz da direção.
Por isso, esse cuidado deve se iniciar na origem, no momento da escolha de quem vai 
fazer parte dos conselhos, pois estes precisam representar, de fato, a diversidade, a 
pluralidade de que faz parte da comunidade escolar. Antunes esclarece que os conselhos 
sabem dos problemas da gestão escolar e estes serão discutidos e as reclamações 
educativas serão
Analisadas para, se for o caso, dependendo dos encaminhamentos e da votação 
em plenária, ser aprovadas e remetidas para o corpo diretivo da escola, instância 
executiva, que se encarrega de pôr em prática, as decisões ou sugestões do 
Conselho de Escola. (ANTUNES, 2002, p. 23)
FIGURA 13
Formar alunos solidários, críticos, éticos 
e participativo
FONTE
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática na Escola Pública Capitulo 4
Sobre a participação dos pais na escola, Libâneo (2004, p. 114) destaca que “a escola não 
pode ser mais uma instituição isolada em si mesma, separada da realidade circundante, 
mas integrada numa comunidade que interage com a vida social ampla”. Por isso, deve 
conquistar a representação dos pais no Conselho de Escola.
A atuação dos diversos segmentos da comunidade escolar deve acontecer de forma 
que esse cidadão brasileiro se expresse por meio de relação saudável, aberta para 
críticas, diálogos e defesa de ponto de vista, dos argumentos de cada um.
Navarro et al. (2004) nos explicam que é por meio dos conselhos que a escola se une 
para atuar de forma democrática, deliberando, assim, sobre questões particularizadas 
que devem envolver também o pedagógico, o administrativo e o financeiro. Por isso, 
devem acontecer aqui participação, debates, propostas e tomada de decisões, que só 
deve ocorrer após muitas reivindicações das necessidades educacionais.
O debate, portanto, deve ser fomentado por uma cultura que resgate nas escolas a 
democracia, a participação, a cidadania, em substituição à cultura patrimonialista. 
Desse modo, devemos entender que o Conselho Escolar nas escolas públicas deve atuar 
como o sustentáculo de Projetos Políticos-Pedagógicos.
Paro (2004, p. 12) destaca que esse percurso é o que vai tratar a escola como democrática, 
superando, assim, as práticas burocráticas, que passam a ser vistas como desafios a 
superar.
FIGURA 14
Votação
FONTE
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática na Escola Pública Capitulo 4
Fundamentado o Projeto Político-Pedagógico nessas considerações, a escola só poderá 
desempenhar um papel transformador ao organizar-se para atender aos seus interesses. 
Daí temos a aprendizagem coletiva, condição mister para agir democraticamente, 
visando a construir, efetivamente, uma educação de qualidade social.
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Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura do artigo 
“Gestão democrática da escola pública: desafios e perspectiva”, de 
Débora Quetti Marques de Souza, disponível no QR-Code:
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A Gestão Escolar Democrática A Gestão Democrática na Escola Pública Capitulo 4
Resumindo
E, então? Gostou do quelhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter 
aprendido que, na gestão democrática, o gestor deve ser um líder que 
compartilha as tomadas de decisões com as pessoas que fazem parte 
do contexto escolar. Essa gestão visa a atuar de maneira democrática, 
com a participação ativa dos membros, do diálogo, da escuta e da 
opinião de todos, na busca de melhorias na qualidade de ensino. A 
sociedade deve cobrar essas melhorias com o intuito de colaborar com 
o desenvolvimento dos alunos. A gestão da escola deve funcionar de 
forma política e o trabalho da gestão democrática tem a função de 
acompanhar o processo de ensino-aprendizagem. O gestor deve ter em 
mente que trabalhar com a gestão democrática só tende a fortalecer 
a escola, e não que irá tirar sua autoridade nas tomadas de decisões. 
Pelo contrário, a gestão democrática é um espaço para que todos 
os envolvidos no processo escolar possam participar ativamente na 
divisão das tomadas de decisões, e o gestor devidamente capacitado, 
conhecedor das leis, deve dialogar, escutar, abrir espaços para opiniões 
e junto com a comunidade escolar lutar por melhorias na qualidade de 
ensino.
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A Gestão Escolar Democrática
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