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William Hendriksen-Comentário do Novo Testamento - Mateus - Vol 2
716 pág.

Teologia Universidade Estácio de SáUniversidade Estácio de Sá

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## Resumo do Comentário do Novo Testamento de William Hendriksen – Exposição do Evangelho Segundo Mateus (Capítulo 12:1-14)O trecho analisado do Comentário do Novo Testamento de William Hendriksen, publicado pela Editora Cultura Cristã, aborda detalhadamente o capítulo 12, versículos 1 a 14 do Evangelho segundo Mateus, focalizando a controvérsia de Jesus com os fariseus acerca da observância do sábado. O autor apresenta uma exegese minuciosa, contextualizando historicamente os eventos e explicando as implicações teológicas e práticas das palavras e ações de Jesus.### Contexto e Introdução ao EpisódioO episódio ocorre "naquele tempo", expressão que indica proximidade temporal com os eventos anteriores, situando-se provavelmente na primavera ou início do verão do ano 28 d.C., durante o amadurecimento dos grãos na Palestina. Jesus e seus discípulos, famintos, passam por campos de cereal e começam a colher espigas para comer, o que provoca a crítica dos fariseus, que os acusam de violar a lei do sábado. Hendriksen destaca que essa acusação não é apenas uma questão legal, mas reflete a hostilidade e inveja dos fariseus contra Jesus, que constantemente buscavam motivos para condená-lo.O autor explica que a colheita das espigas, provavelmente de trigo ou cevada, era uma atividade proibida no sábado segundo a interpretação rigorosa dos fariseus, que seguiam um catálogo detalhado de obras proibidas nesse dia. Contudo, a ação dos discípulos estava em conformidade com a lei mosaica, que permitia colher grãos com a mão para saciar a fome (Dt 23.25). A crítica dos fariseus, portanto, revela um legalismo excessivo e uma falta de compaixão.### A Autoridade de Jesus e a Interpretação do SábadoJesus responde à acusação com uma argumentação que desmonta a rigidez farisaica. Ele cita o episódio de Davi, que, em momento de necessidade, comeu os pães consagrados no templo, reservados apenas aos sacerdotes, mostrando que a necessidade humana pode sobrepor-se a regras cerimoniais. Essa referência histórica serve para ilustrar que a lei divina não é absoluta em sua forma literal, mas deve ser interpretada à luz da misericórdia e da necessidade.Além disso, Jesus destaca que os sacerdotes no templo violam o sábado ao realizarem seus deveres, mas não são culpados, pois uma lei superior — a manutenção do culto divino — justifica essa exceção. Hendriksen enfatiza que Jesus está ensinando que "toda regra tem sua exceção", e que o sábado foi instituído para o benefício do homem, não para ser um fardo escravizador. A autoridade de Jesus é reafirmada quando Ele declara: "O Filho do homem é Senhor do sábado", indicando que Ele tem o direito supremo de interpretar e aplicar a lei.Outro ponto crucial é a ênfase na misericórdia: Jesus cita Oséias 6.6 ("misericórdia quero, e não sacrifício") para mostrar que o amor e a compaixão são mais importantes do que a observância ritual. Os fariseus, ao condenarem os discípulos, demonstram falta de misericórdia e intenção maliciosa, o que os torna culpados de hipocrisia e até de homicídio moral contra Jesus.### A Cura no Sábado e a Prioridade da MisericórdiaNa sequência, Jesus entra na sinagoga e encontra um homem com a mão atrofiada. Os fariseus, buscando um pretexto para acusá-lo, perguntam se é lícito curar no sábado. Jesus responde com uma pergunta retórica, comparando o valor do homem com o de uma ovelha, que seria resgatada mesmo no sábado se caísse numa cova. Assim, Ele demonstra que fazer o bem e mostrar misericórdia é sempre correto, inclusive no sábado.Hendriksen destaca que, embora houvesse divergências entre os fariseus sobre o que era permitido no sábado, a regra geral era que só se poderia curar em caso de risco de vida. Jesus, porém, amplia essa compreensão, mostrando que a ética do amor e da compaixão deve prevalecer sobre regras cerimoniais rígidas. A cura da mão do homem é um ato que simboliza a verdadeira função do sábado: promover a liberdade, o descanso e o serviço amoroso a Deus e ao próximo.### Conclusão e Implicações TeológicasO comentário conclui que Jesus, ao afirmar sua autoridade sobre o sábado, redefine o significado desse dia sagrado. Ele o transforma de um dia de restrição legalista em um dia de liberdade, misericórdia e serviço. O sábado, instituído para o benefício do homem, deve ser interpretado à luz do amor e da compaixão, valores que Jesus encarna e ensina.Além disso, a passagem revela a oposição dos fariseus, que, presos a tradições humanas e legalismos, não reconhecem a verdadeira missão de Jesus e sua autoridade divina. A controvérsia sobre o sábado é, portanto, um confronto entre a lei escrita e a lei do amor, entre o legalismo e a graça, entre a tradição humana e a revelação divina.Este trecho do Evangelho de Mateus, conforme analisado por Hendriksen, é fundamental para compreender a identidade de Jesus como Senhor do sábado e para refletir sobre a aplicação da lei de Deus na vida cristã, destacando a prioridade da misericórdia e do amor sobre a mera observância ritual.---### Destaques- Jesus e seus discípulos colhem espigas no sábado para saciar a fome, provocando a crítica dos fariseus, que seguiam um legalismo rigoroso.- Jesus usa exemplos do Antigo Testamento (Davi e os sacerdotes) para mostrar que a necessidade e a misericórdia têm precedência sobre regras cerimoniais.- A autoridade de Jesus é afirmada ao declarar-se Senhor do sábado, indicando seu direito supremo de interpretar a lei.- A cura da mão atrofiada no sábado demonstra que fazer o bem e mostrar compaixão é sempre correto, mesmo em dias sagrados.- A controvérsia revela o conflito entre o legalismo farisaico e a mensagem de amor e liberdade trazida por Jesus, redefinindo o significado do sábado.

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