Prévia do material em texto
XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil ©ABMS, 2018 Confiabilidade Estrutural de uma barragem de terra antiga Adrian T. Siacara Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil, adriantorricosiacara@gmail.com André T. Beck Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil, atbeck@sc.usp.br Marcos M. Futai Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil, futai@usp.br RESUMO: Na engenharia geotécnica é considerado estável ou não os taludes de uma barragem a partir do fator de segurança (FS). O FS pode ser determinado por diversos métodos a partir de parâmetros determinísticos, em que as forças resistentes e desestabilizadoras são calculadas para determinar um fator de segurança. Um tipo de abordagem mais recente na geotécnica é a utilização de métodos probabilísticos onde é determinada uma probabilidade de falha da barragem (Pf) e a confiabilidade estrutural (β). No presente estudo, são apresentados os resultados das análises determinísticas e de confiabilidade de uma barragem de terra antiga de 50.0 metros de altitude em três diferentes condições em que o reservatório pode estar tomando em conta a variabilidade das propriedades do solo. Usando o programa computacional Seep/W é determinado o nível piezométrico nas três condições estabelecidas numa análise determinística e utilizando o programa Slope/W é realizada uma análise determinística e a análise de confiabilidade pela Simulação de Monte Carlo para 100000 simulações. PALAVRAS-CHAVE: Barragem, Simulação de Monte Carlo, confiabilidade, fluxo. 1 INTRODUÇÃO Na geotécnica e no caso especifico de barragens de terra a variabilidade dos materiais e incertezas em quanto à confiabilidade da barragem são grandes (Cho, 2007). A variabilidade inicia com a caraterização dos materiais na hora de analisar os resultados dos ensaios (eg. ensaios de campo, laboratório ou geofísica), na determinação do caminho da água tem na barragem (analise de fluxo) e na determinação da estabilidade da barragem (analise de estabilidade). É importante notar que uma análise probabilística é mais adequada que uma análise determinística produto de esta variabilidade nos parâmetros resistentes dos materiais e a variação que esta tem na determinação da estabilidade da barragem. É amplamente reconhecido que as propriedades do solo variam espacialmente, mesmo dentro de camadas homogêneas, devido a processos deposicionais e pós-deposicionais (DeGroot e Baecher, 1993; Phoon e Kulhawy, 1999a, 1999b; Jiang et al., 2017). A inerente variabilidade espacial das propriedades do solo é uma das principais fontes de incertezas na engenharia geotécnica que afeta significativamente a estabilidade dos taludes (El-Ramly et al., 2002; Griffiths e Fenton, 2004; Ji, 2017). Os procedimentos de projeto baseados em risco para analisar o papel das incertezas na análise de segurança de barragens estão recebendo importância crescente (Comitê Internacional de Grandes Barragens - ICOLD 1999 e Bureau 2003). A variabilidade na resistência do solo e características de rigidez conduz a variabilidade no FS pseudostática estimada que possa ser abordada usando a abordagem probabilística. XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil ©ABMS, 2018 Na abordagem probabilística, a segurança de uma determinada estrutura é avaliada em termos de probabilidade de falha (pf) ou índice de confiabilidade (β). Um valor de índice de confiabilidade de 3.0 é aceitável para o nível de desempenho acima da média e no caso das principais estruturas, como as barragens, o valor deveria estar perto de 5.0 (Corpo de engenheiros do exército dos Estados Unidos - USACE, 1997). Os métodos para avaliação do índice de confiabilidade (β) estão disponíveis na literatura (Baecher e Christian, 2003). No presente estudo o mais importante é chamar a atenção da metodologia probabilística na avaliação de uma barragem de terra antiga. 2 OBJETIVOS O presente trabalho tem como objetivo apresentar a confiabilidade de uma barragem de terra antiga com altura máxima de 50.0 m, a barragem de terra com seção homogênea e com filtro no pé. Serão feitas análises de estabilidade de talude da barragem, fluxo, confiabilidade e sensibilidade na barragem para três diferentes casos de estudo (mudanças no nível do reservatório). Os softwares utilizados para esses estudos foram o SLOPE/W e SEEP/W da GeoStudio vs2018 (Geo-Slope International, 2018) para os estúdios determinísticos e de confiabilidade estrutural da barragem de terra antiga. 3 ANALISE PROBABILISTICA 3.1 A função de densidade de probabilidade Como é sabido, muitos conjuntos de dados naturais seguem uma distribuição em forma de sino e as medidas de muitas variáveis aleatórias parecem vir de distribuições de frequência populacional que são intimamente aproximadas por uma função de densidade de probabilidade normal. Isso também é verdade para muitas propriedades do material de engenharia geotécnica (Xia et al., 2015). Na forma de equação, a função de densidade de probabilidade normal é: ( ) ( ) 2 22 2/−− = xe xf (1) Onde x é a variável de interesse, µ é a média e σ é a desvio padrão. A partir da função de densidade de probabilidade, SLOPE/W 2018 integra a área sob a função para estabelecer uma função de distribuição cumulativa e a função de distribuição cumulativa é invertida para formar uma função de distribuição inversa ou uma função de ponto percentual. A função de distribuição inversa é chamada de função de amostragem, uma vez que é esta função que está no centro da amostragem dos vários parâmetros estatísticos. O eixo x abrange o intervalo de possíveis números aleatórios. Assim, cada vez que um número aleatório é obtido, o parâmetro é "amostrado" usando esta função (Cho, 2007 and Dou et al., 2014 3.2 A função de desempenho Para executar a análise de confiabilidade de um talude da barragem, o estado de falha e segurança de um talude deve ser identificado através da função de desempenho, g(X), onde X é o vetor dos parâmetros de entrada. A função de desempenho define as regiões seguras (g(X)>0) e não seguras (g(X)a amostragem aleatória de novos parâmetros de entrada e a determinação de novos fatores de segurança. •O cálculo da probabilidade de falha com base no número de fatores de segurança inferiores a 1.0 em relação ao número total de superfícies de deslizamento convergentes. Uma ou mais superfícies deslizantes mais críticas são primeiro determinadas com base no valor médio dos parâmetros de entrada usando qualquer um dos métodos de equilíbrio de limite e de esforço de elementos finitos. A análise probabilística é então realizada nestas superfícies de deslizamento críticas, levando em consideração a variabilidade dos parâmetros de entrada (Rackwitz, 2000). O número de SMC (nsi) em uma análise aumenta à medida que o número de entradas variáveis aumenta ou a probabilidade de falha esperada se torna menor. Não é incomum fazer milhares de ensaios para alcançar um nível aceitável de confiança em uma análise de estabilidade probabilística de Monte Carlo (Fenton e Groffiths, 2008). Um fator de segurança é realmente um índice que indica a estabilidade relativa de talude. Não implica o nível real de risco do talude, devido à variabilidade dos parâmetros de entrada. Com uma análise probabilística, dois índices úteis estão disponíveis para quantificar a estabilidade ou o nível de risco do talude da barragem. Esses dois índices são conhecidos como a probabilidade de falha e o índice de confiabilidade (Battacharya et al., 2003; Ducan et al., 2014; Tang et al., 2017). A probabilidade de falha é a probabilidade de obter um fator de segurança inferior a 1.0. A probabilidade de falha pode ser interpretada pelo nível de confiança que pode ser colocado em um design (Sivakumar Badu, 2010). A interpretação pode ser relevante em projetos onde o mesmo talude é construída muitas vezes, enquanto a segunda interpretação é mais relevante em projetos onde um determinado projeto só é construído uma vez e o projetista determina se a talude falha ou não. No entanto, a probabilidade de falha é um bom índice que mostra o nível de risco de instabilidade (Baecher, 2003). Os potenciais modos de falha de taludes são em geral altamente correlacionados, uma vez que passam através das massas de solo com propriedades de solo espacialmente correlacionadas (eg. Li et al., 2013 e Zheng et al., 2016). Além disso, as consequências da falha dos taludes associadas a diferentes modos de falha são geralmente diferentes (eg. Huang et al., 2013 e Zhu et al., 2015) Ang e Tang (1975) descrevem que as variáveis aleatórias podem ser compreendidas como uma regra de correspondência que mapeia eventos de um espaço amostral para a linha dos reais. Sendo assim, uma variável aleatória pode ser representada através de um valor real associado a uma probabilidade de ocorrência. Não existe uma relação direta entre o fator determinista da segurança e a probabilidade de falha. Em outras palavras, um talude com maior fator de segurança pode não ser mais estável do que um talude com menor fator de segurança. XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil ©ABMS, 2018 Outra maneira de ver o risco de instabilidade é com o que é conhecido como índice de confiabilidade (β). O β é definido em termos de μ e σ dos fatores de teste de segurança como mostrado na seguinte equação: ( ) 0,1− = (2) O índice β descreve a estabilidade pelo número de desvios padrão que separam o fator médio de segurança do seu valor de falha definido de 1,0. Também pode ser considerado como uma forma de normalizar o fator de segurança em relação à sua incerteza. A geração de números aleatórios são os parâmetros de entrada gerados aleatoriamente que são alimentados em um modelo determinista. Em SLOPE/W, isso é feito usando uma função de geração de números aleatórios. Os números aleatórios gerados a partir da função são distribuídos uniformemente com valores entre 0 e 1.0. O número aleatório gerado é usado para obter um novo valor de parâmetro para a função de amostragem. A probabilidade de falha (Zhang et al., 2016) pode ser avaliada por: ( )−=fP (4) Onde Φ(.) é a probabilidade cumulativa normal padrão. 5 ANÁLISE DE SENSIBILIDADE Uma análise de sensibilidade é algo análoga a uma análise probabilística. Em vez de selecionar aleatoriamente os parâmetros estas são selecionados de forma ordenada usando uma função de Distribuição de Probabilidade Uniforme. Todos os pontos fortes são normalizados para um valor que varia entre 0,0 e 1.0. O ponto onde as duas curvas de sensibilidade se cruzam é o fator determinista de segurança ou o fator de segurança no ponto médio das faixas para cada um dos parâmetros de resistência (Antinoro et al., 2017 and Soltani et al., 2017). 6 COEFICIENTE DE CORRELAÇÃO Um coeficiente de correlação (ρXY) expressa a força relativa da associação entre dois parâmetros. Os testes de laboratório em uma ampla variedade de solos mostram que os parâmetros de resistência ao cisalhamento coesão (c) e o ângulo de atrito (ϕ) são muitas vezes correlacionados negativamente com os ρXY variando de -0,72 a 0,35 (Javankhoshdel and Bathurst, 2015; Zheng et al., 2016). A correlação entre parâmetros de força pode afetar a distribuição de probabilidade de um talude. Os coeficientes de correlação sempre cairão entre -1 e 1 (Rocquigny, 2012). Quando o coeficiente de correlação for positivo, c e ϕ estão correlacionados positivamente, o que implica que maiores valores de c são mais prováveis de ocorrer com valores maiores de ϕ. Da mesma forma, quando o coeficiente de correlação é negativo, c e ϕ estão negativamente correlacionados e reflete a tendência de um maior valor de c ocorrer com um menor valor de ϕ. Um coeficiente de correlação zero implica que c e ϕ são parâmetros independentes (GeoStudio, 2018). 7 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA Realizaram-se algumas simplificações que seguem a continuação para não tornar o problema muito complexo: Os materiais são homogêneos; a fundação em que esta a barragem é de rocha impermeável tipo I de acordo a classificação de Bieniawski 1989 (Vallejo et al., 2002); na análise de percolação não foram utilizadas a variabilidade dos materiais e foi realizada uma análise determinística. As condições geotécnicas dos materiais de estudo foram obtidas a partir de Costas (2012), Pinto (2006) e Rocscience (2017) e estão apresentadas na Tabela 1 e 2. A geometria da barragem foi determinada a partir da Figura 1, que é uma barragem desenhada com critérios geotécnicos de desenho, onde um dos passos a seguir é fazer a análise de confiabilidade. XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil ©ABMS, 2018 Foi tomado em conta 3 casos de analise: 1er caso é uma análise no mínimo minimorum, 2do caso é uma análise na metade da capacidade da barragem e a 3er caso é uma análise no máximo maximorum como é apresentada na Figura 1a. A barragem modelada no programa Seep/W 2018 para o 2do caso de análise é apresentada na Figura 1b. O método utilizado para a análise de estabilidade dos taludes da barragem é o método de Morgenstern-Price que utiliza o método de equilíbrio limite com as forças horizontais, verticais e os momentos de equilíbrio (Bond et al., 2009 e Wu et al., 2013), com os materiais já apresentados na Tabela 1. Tabela 1. Parâmetros de entrada para análise de estabilidade de taludes. Material ϕ (°) c´ (kPa) γ (kN/m3) µ σ µ σ µ σ Corpo da barragem * 29.0 5.0 3.0 1.0 18.0 2.0 Filtro * 30.05.0 10.0 3.0 21.0 2.0 * Dado estimado da literatura Costas (2012) e Pinto (2006). Uma etapa previa antes da análise de estabilidade dos taludes da barragem foi necessária realizar a análise de percolação para a determinação do nível freático na barragem de terra. Para a análise de percolação foram adotados os parâmetros dos materiais numa abordagem determinística com base em literatura (Rocscience, 2017) apresentada na Tabela 2. O uso da abordagem determinística na determinação das propriedades dos materiais na analise de percolação foi para não tornar o problema muito complexo. Tabela 2. Parâmetros de entrada para análise de percolação. Material VWC (m3/m3) Cc (10- 3/kPa) Ksat (m/s) Tipo de material Rocha* 0.2 0.001 1.0 gravel Corpo da barragem* 0.5 0.8 1xE-7 clay Filtro* 0.4 0.01 1xE-1 gravel * Dado estimado da literatura Rocscience (2017). As curvas de umidade volumétrica (VWC pelo ingles Volumetric Water Content) e permeabilidade (K) variando com a sucção foram estimadas segundo o critério de Van Genuchten (1980) dos materiais com comportamento saturado/não saturado. As curvas estão apresentadas nas Figuras 2a e 2b, respectivamente. Figura 1. Geometria da barragem (a) A estudar (b) Modelada para o caso 2. Figura 2. Curva de (a) Umidade volumetrica (b) Permeabilidade variando com a sucção. A modelagem da percolação foi realizada no programa computacional Seep/W 2018 na fase de operação da barragem numa análise determinística e os resultados estão apresentadas nas Figuras 3 a 5. Nas Figuras 3a, 4a e 5a indicam as equipotenciais e nas Figuras 3b, 4b e 5b as linhas de fluxo da barragem. As curvas de retenção de água, bem como as curvas de permeabilidade, dos materiais, permitem identificar o comportamento de cada material e estimar o fluxo de água na percolação. Os resultados da análise de fluxo vão ser utilizados na análise de estabilidade. a b a b XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil ©ABMS, 2018 O comportamento da barragem na análise de fluxo tem os seguintes materiais: o corpo da barragem com características de material argiloso (umidade volumétrica saturada alta, alto valor de sucção de entrada de ar e taxa de dessaturação mais baixa) e material drenante com comportamento de areia grossa (baixo valor de sucção de entrada de ar, taxa de dessaturação alta e baixa sucção residual). Figura 3. Análise de percolação da fase de operação para o caso 1: (a) linhas equipotenciais e (b) linhas de fluxo. Figura 4. Análise de percolação da fase de operação para o caso 2: (a) linhas equipotenciais e (b) linhas de fluxo. Figura 5. Análise de percolação da fase de operação para o caso 3: (a) linhas equipotenciais e (b) linhas de fluxo. 8 RESULTADOS DA ANÁLISE E DISCUSSÃO A partir de uma análise determinística e uma análise probabilística para todos os casos de estudo temos os seguintes resultados da SMC para os diferentes números de simulações (nsi) para os 3 casos de estudo (mudança do nível do reservatório) como é apresentada na Tabela 3. Pode-se ver que o Fator de Segurança da análise de equilíbrio limite (FSeq) para o caso 1 foi de 1.364 e para o caso 2 ou 3 foi de 1.416. O resultado apresentado diz que o FS para o caso 1 (Figura 6a) é mais crítico que no caso 2 (Figura 7a) ou 3 (Figura 8a) nos termos de análise de equilíbrio limite pelo nível do reservatório, mas esta não tem efeito no caso 2 ou 3 porque esta não está presente na superfície crítica de análise como é apresentada na Figura 7a e 8a. Tem-se uma variação do Fator de segurança determinista (FSeq) de 1.364 (Figura 6a) e o Fator de segurança simulado pelas Simulações de Monte Carlo (FSsi) de 1.257 (Figura 6b) para o caso 1, do FSeq de 1.416 (Figura 7a e 8a) e o FSsi pelas Simulações de Monte Carlo de 1.408 (Figura 7b e 8b) para o caso 2 ou 3. Pode-se notar que o Fator de segurança (FS) para os diferentes casos sempre é maior no caso determinista e menor para as Simulações de Monte Carlo. Das SMC apresentadas na Tabela 3 temos que para o Caso 1 nos diferentes números de simulações (nsi= 10, 100, 1000, 10000, 50000 e 100000) temos uma confiabilidade da barragem (β) que oscila entre 1.419 a 1.257 e uma probabilidade de falha (pf) de 10.0 a 14.0 %, no caso 2 e 3 temos um β que oscila entre 1.938 a 1.495 e um pf quase 0.0 a 5.8%. Pode-se notar que se tem uma confiabilidade da barragem (β) maior no caso 2 ou 3 que no caso 1, esta comparação esta acorde ao Fator de segurança (FS) obtida nas anteriores análises já que no caso 1 se tem um FS menor em comparação do caso 2 ou 3. Esta comparação é mais numérica, já que linha de falha da barragem é diferente na abordagem determinística e a probabilística. a b a b a b XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil ©ABMS, 2018 Tabela 3. Resultados das Simulações de Monte Carlo para os diferentes casos de estudo. Caso FSeq β Pf FSsi 1 1.364 1.027 0.146 1.257 2 1.416 1.503 0.055 1.408 3 1.416 1.503 0.055 1.408 Figura 6. Resultado do (a) Fator de segurança determinística (b) Fator de segurança a partir da SMC para o caso 1. Figura 7. Resultado do (a) Fator de segurança determinística (b) Fator de segurança a partir da SMC para o caso 2. Figura 8. Resultado do (a) Fator de segurança determinística (b) Fator de segurança a partir da SMC para o caso 3. Da Tabela 3 podemos ver que o Fator de segurança das simulações (FSsi) não varia para nenhum dos casos e é 1.257 para o caso 2 e 1.408 para o caso 2 e 3. Dos resultados podemos ver que para o caso 1 a média (µ) oscila de 1.264 a 1.265 e o desvio padrão (σ) oscila de 0.186 a 0.260 para diferentes número de iterações e do caso 2 e 3 podemos ver que para o caso 1 a média (µ) oscila de 1.421 a 1.441 e o desvio padrão (σ) oscila de 0.186 a 0.260 para diferentes número de iterações. A partir das SMC temos as Figura 9 que mostram a Função de Densidade de Probabilidade em função do Fator de Segurança e a Frequência. Os parâmetros da distribuição assumida são obtidos a partir das estimativas imparciais da média amostral e da variância, obtidas a partir do número de conjuntos de dados medidos. Na Figura 10 mostra a Função de Distribuição de Probabilidade para 100000 simulações onde mostra que a falha acontece quando o FS é menor a 1 em função do Fator de Segurança e a Probabilidade de Falha. Figura 9. Função de densidade de probabilidade de uma SMC para nsi=100000 para o caso 1. Figura 10. Função de distribuição de probabilidade de uma SMC para nsi=100000 para o caso 1. a b a b a b XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil ©ABMS, 2018 Os valores do coeficiente de correlação (ρXY) entre coesão (c) e ângulo de atrito interno do solo (ϕ) são tomados como -0.25, -0.50 e - 0.75 (Baecher e Christian 2003), e os resultados estão resumidos na Tabela 4. Pode-se notar que a consideração de correlação entre os parâmetros melhora marginalmente os valores do índice de confiabilidade (β) e diminui a probabilidade de falha (Pf) para os diferentes casos de estudo. Tabela 4. Resultados das Simulações de Monte Carlo com diferentes correlações entre a coesão e o ângulo de atrito. Caso FSeq Confiabilidade n=1*106 ρ=-0.25 ρ=-0.50 ρ=-0.75 1 1.364 1.027 1.0327 1.044 1.056 2 1.4161.503 1.536 1.569 1.609 3 1.416 1.503 1.536 1.569 1.609 A quantificação da correlação entre duas variáveis é importante na prática de engenharia, particularmente na avaliação probabilística. No entanto, dados de observação limitados obtidos com frequência de testes de campo e/ou laboratoriais não são suficientes para estimar um coeficiente de correlação confiável entre pares de propriedades geotécnicas (por exemplo, Wang e Aladejare 2016). Portanto, é difícil quantificar a correlação específica entre as propriedades geotécnicas e isso continua sendo um grande desafio na análise de confiabilidade da engenharia geotécnica. Na Figura 11, 12 e 13 temos a análise de sensibilidade da barragem de terra estudada para os 3 diferentes casos do nível do reservatório. Das Figuras apresentadas podemos ver que o ângulo de atrito do corpo da barragem é o parâmetro que mais influência na determinação do fator de segurança. Nas mesmas Figuras podemos ver como os diferentes materiais tem menos importância em comparação com o ângulo de atrito do corpo da barragem. Quando o rango de sensibilidade das propriedades fica em zero é quando a análise é determinista. Figura 11. Análise de sensibilidade para o caso 1. Figura 12. Análise de sensibilidade para o caso 2. Figura 13. Análise de sensibilidade para o caso 3. 9 CONCLUSÃO Este trabalho considerou problemas de estabilidade de taludes com quantidades incertas através de um procedimento numérico baseado em SMC que consideram a variabilidade espacial das propriedades do solo. A continuação se tem as seguintes conclusões do presente artigo: 1) O propósito das análises de estabilidade determinística dos taludes da barragem é conhecer a superfície de falha com o menor fator de segurança e já na abordagem probabilística é determinar a superfície mais provável de falha que tem a estrutura com um certo grau de confiabilidade; XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil ©ABMS, 2018 2) As superfícies críticas das análises determinísticas podem não coincidir com aquelas obtidas nas análises probabilísticas. Nos projetos de engenharia o projetista geralmente utiliza a abordagem determinística, porem a maioria dos projetos de barragem o projetista não está considerando a superfície com maior probabilidade de escorregamento do talude.; 3) Os resultados dos fatores de segurança (FS) obtidos de maneira determinística quase sempre são menores que os FS obtidos probabilisticamente o que leva a considerar que muitas vezes temos taludes aceitáveis deterministicamente e algumas vezes não se mostram aceitáveis segundo os critérios de probabilidade de falha; 4) Nas análises probabilísticas da barragem a determinação da superfície crítica (maior probabilidade de falha) depende fortemente das incertezas associadas aos parâmetros de resistência do solo. Assim, a realização de uma análise de sensibilidade foi realizada verificando que o ângulo de atrito da barragem tem mais importância na análise de estabilidade da barragem; 5) O método de SMC é usado para simular operações complexas que possuem muitos fatores aleatórios que interagem uns com os outros. No presente estudo a SMC da barragem modelada foi realizada com poucas simulações tendo em conta o número de variáveis do problema, mas foi possível evidenciar o custo computacional que representa realizar um tipo de análise probabilística em comparação de uma análise determinística; 6) No presente estudo foram realizadas as SMC com diferentes correlações (ρ=0.25, 0.5 e 0.75) onde foi percebido que uma correlação entre a coesão e o ângulo de atrito aumenta o índice de confiabilidade da barragem. Por outra parte foi percebido que quanto maior é a correlação entre a coesão e o ângulo de atrito, menor é a probabilidade de falha da barragem. AGRADECIMENTOS O autor agradece a Universidade Politécnica de São Paulo (USP) pelos recursos para a pesquisa. REFERÊNCIAS Ang, H.S. A. e Tang, H.W. (1975). Probability concepts in engineering planning and design. Illinois: John Wiley and Sons, v. 1 e 2; Antinoro, C.; Arnone, E. e Noto, L.V. (2017). The use of soil water retention curve models in analyzing slope stability in differently structured soils. Catena, v. 150, p. 133–145. Baecher, G.B., e Christian, J.T. (2003). Reliability and statistics in geotechnical engineering, Wiley, New York. Bhattacharya, G.; Jana, D.; Ojha, S. e Chakraborty, S. (2003). Direct search for minimum reliability index of earth slopes. Computers and Geotechnics, v. 30, n. 6, p. 455–462. Bond, A.J.; Schuppener, B.; Scarpelli, G. e Orr, T.L.L. (2009). Eurocode 7 geotechnical design. Bureau, G.J. (2003). Dams and appurtenant facilities in earthquake engineering, W.F. Chen and C. Scawthorn, eds., CRS, Boca Raton, Fla. Cho, S.E. (2007). Effects of spatial variability of soil properties on slope stability. Engineering Geology, v. 92, n. 3–4, p. 97–109. Costa, W.D. (2012). Geologia de Barragens. São Paulo: Oficina de Textos. Corpo de Engenheiros do Exercito dos Estados Unidos - USACE. (1997). Risk-based analysis in geotechnical engineering for support of planning studies, engineering and design, Dept. of Army, USACE, Washington, D.C., 20314–100. Degroot, D.J. e Baecher, G.B. (1993). Estimating autocovariance of in situ soil properties. J. Geotech. Eng. 119 (1), 147–166. Dou, H.; Han, T.; Gong, X.N.; Zhang, J. (2014). Probabilistic slope stability analysis considering the variability of hydraulic conductivity under rainfall infiltration-redistribution conditions. Engineering Geology, v. 183, p. 1–13. Duncan, J.M.; Wright, S.G.; Brandon, T.L. (2014). Soil Strength and Slope Stability. El-Ramly, H.; Morgenstern, N.R. e Cruden, D.M. (2002). Probabilistic slope stability analysis for practice. Can. Geotech. J. 39 (3), 665–683. Fenton, G.A.; Griffiths, D.V. (2008). Risk Assessment in Geotechnical Engineering. John Wiley & Sons, Inc. Geo-Slope International – Geostudio 2018 (2018). (Version 8.16.4.14710) Copyright © 2018 – Calgary, Alberta, Canadá – http://www.geo-slope.com, 2018. Griffiths, D.V. e Fenton, G.A. (2004). Probabilistic slope stability analysis by finite elements. J. Geotech. Geoenviron. Eng. 130 (5), 507–518. Huang. J.; Lyamin, A.V.; Griffiths, D.V.; Krabbenhoft, K.; Sloan, S.W. Quantitative risk assessment of landslide by limit analysis and random fields, Comput. Geotech. 53 (2013) 60–67. XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil ©ABMS, 2018 International Committee on Large Dams - ICOLD. (1999). Bulletin on risk assessment: Risk assessment as an aid to dam safety manage- ment. Draft 24.08.99, 102. Javankhoshdel, S.; Bathurst, R. (2015). Influence of cross-correlation between soil parameters on probability of failure of simple cohesive and c- φ slopes. Canadian Geotechnical Journal, v. 6000, n. November, p. 1–44. Ji, J.; Zhang, C.; Gao, Y.; Kodikara, J. (2017). Effect of 2D spatial variability on slope reliability: A simplified FORM analysis. Geoscience Frontiers, p. 1–9. Jiang, S. H.; Huang, J.; Yao, C.; Yang, J. (2017). Quantitative risk assessment of slope failure in 2-D spatially variable soils by limit equilibrium method. Applied Mathematical Modelling, v. 47, n. March, p. 710–725. Li, L.; Wang, Y.; Cao, Z.J.; Chu, X.S. (2013). Risk de- aggregation and system reliability analysis of slope stability using representative slip surfaces. Comput. Geotech. 53, 95–105. Liang, R.Y.; Nusier, O.K. e Malkawi, A.H. (1999). A reliabilitybased approach for evaluating the slope stability of embankment dams. Engineering Geology, v. 54, p. 271–285. Melchers, R.E.; Beck, T.A. (2018). Structural Reliability Analysis and Prediction. 3er Edition ed. Chichester, UK: John Wiley & Sons Ltd. Morgenstern, N.R.; Price, V.E. (1965). The Analysis of The Stability of General Slip Surfaces. Géotechnique, v. 18, n. 3, p. 393–394. Pinto, C. DE S. (2006). Curso Básico de Mecânica dos Solos. 3rd ed. São Paulo: Oficina de Textos. Phoon, K.K. e Kulhawy, F.H. (1999a). Characterization of geotechnical variability. Can. Geotech. J. 36 (4), 612–624. Phoon, K.K. e KULHAWY, F.H. (1999b). Evaluation of geotechnical property variability. Can. Geotech. J. 36 (4), 625–639. Rackwitz, R. (2000). Reviewing probabilistic soils modeling. Computers and Geotechnics 26, 199–223. Rocquigny, E. DE. (2012). Modelling Under Risk and Uncertainty. Chichester, UK: John Wiley & Sons, Ltd. Rocscience. Settle3D Material Parameter Values. Disponível em: https://www.rocscience.com/help/settle3d/...files/Coef ficients.xls. Acesso em: 02 novembro 2017. Sivakumar badu, G. e Srivastava, A. (2010). Reliability Analysis of Earth Dams. J. Geotech. Soltani, A.; Azimi, M.; Deng, A.; Taheri, A. A (2017). simplified method for determination of the soil–water characteristic curve variables. International Journal of Geotechnical Engineering, p. 1–10. Tang, D.; Li, D.Q.; Cao, Z.J. (2017). Slope stability analysis in the Three Gorges Reservoir Area considering effect of antecedent rainfall. Georisk: Assessment and Management of Risk for Engineered Systems and Geohazards, v. 11, n. 2, p. 161–172. Van Genuchten, M. T. (1980). A Closed-form Equation for Predicting the Hydraulic Conductivity of Unsaturated Soils1. Soil Science Society of America Journal, v. 44, p. 892. Vallejo, L.I.G. de, Ferrer, M., Ortuño, L., and Oteo, C. (2002). Ingeniería Geológica. Madrid: Pearson Educación. Wang, Y., and Aladejare, A.E. (2016). “Bayesian characterization of correlation between uniaxial compressive strength and Young's modulus of rock.” Int. J. Rock Mech. Min. Sci., 85, 10-19. Wu, Z.Y.; Li, Y.L.; Chen, J.K.; Zhang, H.; Pei, L. (2013). A reliability-based approach to evaluating the stability of high rockfill dams using a nonlinear shear strength criterion. Computers and Geotechnics, v. 51, p. 42–49. Xia, Y.; Mahmoodian, M.; Li, C.; Zhou, A. Stochastic Method for Predicting Risk of Slope Failure Subjected to Unsaturated Infiltration Flow. , v. 17, n. 8, p. 1–8, 2015. Zhang, L.; Peng, M.; Chang, D.; Xu, Y. (2016). Dam Failure Mechanisms and Risk Assessment. This editi ed. 2016 John Wiley & Sons Singapore Pte. Ltd. Registered.. Zheng, D.; Li, D.Q.; Cao, Z.J.; Tang, X.S.; Phoon, K.K. (2016). An analytical method for quantifying the correlation among slope failure modes in spatially variable soils. Bulletin of Engineering Geology and the Environment, v. 76, n. 4, p. 1343–1352. Zhu, H.; Griffiths, D.V.; Fenton, G.A.; Zhang, L.M. Undrained failure mechanisms of slopes in random soil, Eng. Geol. 191 (2015) 31–35.