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HISTOLOGIA BÁSICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prezado(a) aluno(a), 
O Grupo Educacional FAVENI reafirma o compromisso de oferecer uma 
formação de excelência, reconhecendo que a modalidade de estudo confere ao 
aluno autonomia e flexibilidade para organizar seus estudos de acordo com suas 
necessidades e rotina. Nesse contexto, é fundamental que o estudante estabeleça 
uma rotina de estudos disciplinada e consistente, reservando horários para leitura, 
reflexão e realização das avaliações propostas. 
Reiteramos ainda que o ambiente virtual é equiparável ao presencial no que 
concerne à troca de conhecimentos e esclarecimento de dúvidas. Assim como em 
sala de aula, onde a interação acontece espontaneamente, no semipresencial o 
diálogo deve acontecer por meio dos canais disponíveis no Portal do Aluno e nos 
encontros ao polo. Incentivamos você a utilizar esses recursos para questionar, 
esclarecer dúvidas e aprofundar seu entendimento sobre os conteúdos abordados, 
pois suas perguntas serão respondidas de forma ágil e eficiente pelo nosso 
suporte. 
Lembre-se de que a autonomia no processo de aprendizagem implica 
também responsabilidade. A gestão do seu tempo, o cumprimento dos prazos e a 
organização das tarefas são essenciais para o seu crescimento acadêmico. 
Aproveite a flexibilidade que o curso oferece, estabelecendo uma rotina compatível 
com seus compromissos pessoais e profissionais. 
Desejamos sucesso em sua jornada de estudos e reforçamos nossa 
disposição em apoiá-lo(a) na construção de um aprendizado sólido e significativo. 
Bons estudos! 
 
 
 
1 FIXADORES UTILIZADOS EM TÉCNICAS HISTOLÓGICAS 
A fixação do material biológico é uma etapa crítica do processamento 
histológico. Uma das funções da fixação do material é interromper processos que 
ocorrem após a remoção dos tecidos do corpo. Esses processos ocorrem 
principalmente pela ação de enzimas presentes nas próprias células desses tecidos 
ou provenientes de microrganismos e levam à degradação deste material. 
A autólise, nome dado ao processo de degradação citado anteriormente, 
interfere na estrutura tecidual e na qualidade final da lâmina histológica. Por esse 
motivo, é de extrema importância que fixadores adequados sejam empregados para 
garantir uma avaliação correta da arquitetura tecidual do material biológico 
(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
Segundo o autor, outra importante função dos fixadores é deixar o material 
biológico mais rígido, mantendo assim sua estrutura durante as outras etapas do 
processamento histológico. Além disso, os fixadores ajudam a evitar a proliferação 
bacteriana no tecido, o que poderia acelerar o processo de degradação. 
O processo de fixação pode ser realizado empregando-se técnicas físicas ou 
químicas. A fixação química é utilizada com maior frequência na histologia, e consiste 
no uso de substâncias químicas orgânicas e não orgânicas, com a função de 
estabilizar as moléculas presentes nos tecidos, impedindo a sua degradação e 
buscando dessa forma manter a peça histológica o mais próximo do aspecto original. 
Essas substâncias químicas são conhecidas como fixadores e são divididas em duas 
classes principais, de acordo com seu mecanismo de ação: os fixadores coagulantes 
e os fixadores não coagulantes (AARESTRUP, 2018). 
Segundo o autor, os fixadores coagulantes atuam por meio da coagulação de 
proteínas, tornando-as insolúveis. Esse tipo de fixador é bastante empregado para 
técnicas histológicas que serão posteriormente visualizadas em microscópio óptico, já 
que mantém de maneira satisfatória a morfologia tecidual. Porém, uma das 
desvantagens desses compostos químicos é que promovem a floculação do 
componente citoplasmático e não preservam de maneira satisfatória organelas como 
as mitocôndrias e vesículas secretórias. Os fixadores coagulantes podem ser divididos 
em dois tipos: fixadores coagulantes desidratantes (como o álcool) e os fixadores 
coagulantes ácidos (como o ácido pícrico). 
 
 
 
Já os fixadores não coagulantes agem formando ligações cruzadas entre 
proteínas e entre proteínas e ácidos nucleicos. Formaldeído, glutaraldeído e tetróxido 
de ósmio são alguns exemplos de fixadores não coagulantes (AARESTRUP, 2018). 
Ainda de acordo com o autor, uma das formas mais comuns de expor uma 
amostra ao fixador é por imersão, mas outras técnicas estão disponíveis e podem ser 
escolhidas em conformidade com a amostra. Uso de spray, vaporização e perfusão 
são outras técnicas de exposição ao fixador que podem ser empregadas na rotina 
histológica. 
Os métodos físicos de fixação são utilizados com menor frequência no 
processamento histológico. Tais metodologias empregam calor ou congelamento para 
fixar materiais biológicos. Métodos físicos também podem ser empregados para 
acelerar a fixação química, como o uso de micro-ondas para acelerar a fixação por 
formaldeído. Nesses casos, é preciso avaliar o risco de produção de vapores tóxicos 
durante o aquecimento dos compostos químicos (AARESTRUP, 2018). 
O congelamento também é considerado uma técnica física de fixação. Essa 
técnica pode ser empregada para a fixação de materiais solúveis e também quando é 
necessária uma avaliação rápida do material, já que com o congelamento ele pode 
ser imediatamente seccionado, sem a necessidade de passar por etapas de 
desidratação e inclusão. A técnica de congelamento também é vantajosa na avaliação 
de enzimas, proteínas e lipídios presentes nos tecidos, uma vez que, ao contrário de 
algumas técnicas de fixação química, o congelamento não interfere na estrutura 
dessas moléculas (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
 
Exemplos de fixadores 
 
Diversos fixadores estão disponíveis para aplicação em técnicas histológicas. 
A escolha do fixador adequado é essencial para a qualidade final da peça histológica. 
O fixador utilizado deve ser compatível com a técnica histológica empregada e com a 
técnica de microscopia aplicada no final do processo para avaliação das estruturas 
teciduais. Nos tópicos a seguir, abordaremos em mais detalhes os principais fixadores 
disponíveis, sua aplicação e suas respectivas vantagens e desvantagens no 
processamento histológico (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
 
 
 
 
Formaldeído 
 
O formaldeído é um dos fixadores mais utilizados nas técnicas histológicas de 
rotina. Sua ação ocorre pela reação do grupo aldeído presente em sua composição 
com as proteínas celulares. Essa reação propicia a formação de pontes de metileno 
entre as proteínas celulares, tornando-as insolúveis e, por consequência, 
interrompendo o processo de degradação celular (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
Segundo o autor, a solução-padrão de formaldeído utilizada na rotina 
histológica é geralmente padronizada na concentração de 10%. Porém, mesmo sendo 
conhecida como formaldeído 10%, esta não é a real concentração da solução, já que 
é produzida a partir da solução encontrada no mercado, por sua vez comercializada a 
40%. Portanto, a real concentração dessa solução é de 4% de formaldeído. Esse 
preparo-padrão do formaldeído, chamado também de formalina 10%, é utilizado 
principalmente para o preparo de cortes histológicos a serem visualizados 
posteriormente em microscopia óptica, com técnicas de coloração simples, como a 
hematoxilina-eosina (HE). Trata-se de um fixador de baixo custo e de alta eficiência 
no processo de fixação de proteínas. 
Uma das desvantagens da fixação utilizando o formaldeído 10% é que, quando 
ele é exposto à luz, ocorre o processo de oxidação, que desencadeia a formação de 
ácido fórmico. Esse ácido pode se depositar nos tecidos como pigmentos, formando 
artefatos que podem interferir na análise dos cortes histológicos (JUNQUEIRA; 
CARNEIRO, 2018). 
Segundo o autor, por serem voláteis e fotossensíveis, soluções de formaldeído 
devem ser armazenadas em frascos ao abrigo de luz. O formaldeídoa periferia, como a contração de um músculo. 
Classicamente o neurônio é considerado a unidade morfofuncional do sistema 
nervoso, e a neuróglia unidade de apoio. Como toda célula, um neurônio é composto 
de uma membrana plasmática que o envolve, contém organelas, como o núcleo, 
mitocôndrias, o retículo endoplasmático liso e rugoso, que desempenham diversas 
funções. O neurônio divide-se basicamente em corpo neuronal, dendritos e axônios. 
O corpo neuronal apresenta uma aparência de arbusto, com diferentes ramificações 
e numerosos prolongamentos (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
Os dendritos, palavra de origem grega que significa “pequenos ramos da 
árvore”, são pequenas terminações que fazem conexão recebendo as informações. O 
axônio é um prolongamento que conduz os impulsos nervosos e faz ligações com 
outros neurônios ou tecidos, enviando as informações. Essas ligações, chamadas 
sinapses, são responsáveis por estimular ou inibir o tecido, ou célula inervada 
(AARESTRUP, 2018). 
Os neurônios operam em grandes conjuntos, sendo incapazes de operar 
separadamente, criando as chamadas redes ou circuitos neuronais. A Figura 11 
apresenta a representação de um neurônio. 
 
Figura 11 – Neurônio. 
 
Fonte: bit.ly/3j89PP5 
 
 
 
Os neurônios consistem em um corpo celular, também chamado de soma ou 
pericário, que contém um núcleo do qual brotam extensões, dendritos, sendo 
extensões especializadas para receber estímulos, e um axônio, uma extensão 
especializada para a condução de impulsos que transmitem informações de um 
neurônio para outras células. 
O corpo celular é a parte central de um neurônio com núcleo e citoplasma e 
caracteriza-se por receber e integrar sinais, recebendo estímulos excitatórios ou 
inibitórios de outros neurônios. Por sua vez, núcleo é esférico na maioria dos 
neurônios e aparece levemente corado devido ao alongamento dos cromossomos, 
indicando alta atividade sintética. Já o corpo celular de um neurônio tem as mesmas 
organelas encontradas nas demais células, e as organelas mais importantes são o 
retículo endoplasmático rugoso, o retículo endoplasmático liso, o complexo de Golgi 
e as mitocôndrias (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
A estrutura responsável por manter a forma e a mobilidade dos neurônios é o 
citoesqueleto. O citoesqueleto consiste em microtúbulos, microfilamentos e 
neurofilamentos. Os neurofilamentos são encontrados tanto no pericário quanto em 
processos e são formados por filamentos intermediários. Existem também 
microtúbulos no citoplasma do pericário e processos. 
A membrana celular dos neurônios funciona como uma barreira que separa o 
citoplasma dos fluidos externos que banham os neurônios. A membrana tem várias 
proteínas que bombeiam substâncias para dentro e para fora ou desenvolvem poros 
que regulam quais substâncias entram no neurônio. 
Os neurônios possuem muitos dendritos, aumentando muito a área de 
superfície da célula, o que lhes permite receber e combinar impulsos dos muitos 
terminais axônicos de outros neurônios. Alguns neurônios podem ter apenas um 
dendrito, mas estes são raros e são encontrados em áreas muito específicas. Os 
dendritos tornam-se mais finos à medida que se ramificam e, portanto, diferem dos 
axônios, que mantêm um diâmetro constante em todo o seu comprimento 
(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
A maioria dos impulsos que chegam aos neurônios são recebidos por pequenas 
projeções dendríticas chamadas picos ou espinhos. Essas gemas são estruturas 
dinâmicas com plasticidade morfológica devido à proteína actina, um componente do 
citoesqueleto envolvido na formação de sinapses e sua adaptação funcional. 
 
 
 
Os corpos celulares, também chamados de pericárdio, geralmente são 
espessos. Contém um núcleo geralmente claro e composto de eucromatina e grandes 
nucléolos (pontas de seta – Figura 12), além das principais organelas. A forma dos 
pericárdios é variada e depende do tipo do neurônio. A matéria cor-de-rosa que 
preenche o espaço entre os pericários é constituída de prolongamentos de neurônios 
de calibres muito diferentes (a seta aponta um prolongamento espesso) e citoplasma 
de outros tipos de células do tecido nervoso (Figura 12). 
 
Figura 12 – Corte histológico sistema nervoso. 
Fonte: Junqueira; Carneiro (2018 p. 1661). 
As gêmulas existem em grande quantidade e exercem importantes funções, 
por exemplo, são o primeiro local de processamento dos impulsos nervosos que 
chegam ao neurônio. Elas também participam da plasticidade dos neurônios 
relacionada com a adaptação, a memória e o aprendizado. 
Cada neurônio tem um único axônio na forma de um cilindro de comprimento e 
diâmetro variável, dependendo do tipo de neurônio. A maioria dos axônios é mais 
longa que os dendritos da mesma célula, embora alguns sejam mais curtos. Ao 
contrário dos dendritos, os axônios têm um diâmetro constante e são ramificados 
apenas na última parte chamada telodendro. Os axônios geralmente surgem de 
estruturas cônicas no corpo celular chamadas cones de implantação. 
 
 
 
Neurônios com axônios mielinizados possuem um segmento inicial, a parte 
entre o cone do enxerto e o início da bainha de mielina. Este segmento recebe 
múltiplos estímulos, tanto excitatórios quanto inibitórios. Esses estímulos resultam em 
potenciais de ação cuja propagação se torna impulsos nervosos. O primeiro segmento 
também possui múltiplos canais iônicos importantes para a geração de impulsos 
nervosos. 
O citoplasma axonal possui poucas mitocôndrias, várias cisternas de retículo 
endoplasmático liso e múltiplos microfilamentos e microtúbulos, sendo o retículo 
endoplasmático granular e os polirribossomos estão ausentes, indicando que os 
axônios são conservados pela atividade sintética do pericário. Há um movimento 
muito ativo de moléculas e organelas ao longo dos axônios. A proteína é produzida 
ao redor do núcleo e viaja pelos axônios. O movimento para trás das moléculas dos 
axônios para o corpo celular ocorre quando as moléculas são recicladas pelo pericário 
(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
Como diferenciar os neurônios de acordo com a sua função e as suas ligações 
com outros neurônios? Os neurônios podem ser classificados segundo a sua função: 
neurônios motores, neurônios sensoriais e interneurônios. 
Os neurônios motores controlam órgãos efetores, como glândulas exócrinas e 
endócrinas e fibras musculares. Esses neurônios são chamados de eferentes e são 
caracterizados pelo fato de os axônios transportarem informações de estruturas 
específicas. Por exemplo, nos neurônios motores ocorre o fluxo de informações do 
sistema nervoso central para as fibras musculares. 
Os neurônios sensoriais recebem estímulos sensoriais do ambiente e do 
próprio organismo. Eles são realizados por fibras aferentes cujos axônios transmitem 
informações para estruturas específicas. No caso de o fluxo de informação é da 
periferia para o sistema nervoso central. Interneurônios, ou neurônios associativos, 
determinam conexões entre outros neurônios, formando circuitos complexos. Estes 
neurônios podem ser classificados por sua morfologia, o número total de neuritos 
(axônios e dendritos) que se estendem do corpo celular. 
Os seguintes tipos são apresentados: neurônios multipolares, neurônios 
bipolares e pseudounipolar. Os multipolares têm dois ou mais prolongamentos 
celulares, enquanto os bipolares têm um dendrito e um axônio. Um neurônio 
pseudounipolar tem um único processo próximo ao corpo celular, que imediatamente 
 
 
 
o divide em duas partes, uma levando à periferia e outra ao sistema nervoso central 
(AARESTRUP, 2018). 
 
Tecido nervoso e atividade física 
 
A atividade física, assim como qualquer outro movimento planejado, 
obrigatoriamente tem de passar pelo processamento do sistema nervoso central. Os 
estímulos eferentes (aqueles que vêm dos neurônios até os músculos) serão 
responsáveis pela sua efetiva ativação. O sistemanervoso central também é 
responsável pelo ajuste fino dos movimentos, pelo aprendizado de novos gestos 
motores, e em grande parte está relacionado com o aumento da força, melhorando o 
sincronismo das fibras musculares ativadas. O tecido nervoso também está envolvido 
em outras funções relacionadas à prática de atividade física, como a estimulação para 
o coração bombear mais rápido e a estimulação para que hormônios sejam 
secretados na corrente sanguínea, como adrenalina e cortisol (MCARDLE; KATCH; 
KATCH, 2016). 
 
Adaptações do tecido nervoso ao exercício físico 
 
O tecido nervoso é altamente dinâmico, construindo e descontruindo novas 
conexões todos os dias. A prática regular de atividade física faz com que o tecido 
nervoso também sofra modelamentos, desde o nível celular, aumentando suas 
interconexões, melhorando o processamento de informações, até o nível macro, como 
é constatado pelo aumento da área do hipocampo, região relacionada à memória. 
Diversos benefícios a capacidades cognitivas e a redução de propensão de doenças 
neurodegenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson, estão relacionadas à prática 
regular de atividade física. 
Os neurônios, como unidade fundamental do tecido nervoso, também sofrem 
mudanças, melhorando seu sinergismo com outros neurônios por meio das alterações 
em suas proteínas de membrana (responsáveis por receber os neurotransmissores), 
melhorando a forma e a velocidade com que levam uma informação (AARESTRUP, 
2018). 
 
 
 
O sistema nervoso também é responsável pelo aumento de força em pessoas 
que iniciam programas de treinamento de força, como a musculação. O aumento de 
força vivenciado durante os primeiros meses de treinamento é atribuído à melhora de 
sincronismo e ativação entre os músculos agonistas e antagonistas do movimento. 
Essa adaptação qualitativa de recrutamento faz com que ganhos expressivos de força 
aconteçam em um processo chamado de aprendizado motor (MCARDLE; KATCH; 
KATCH, 2016). 
A relação entre o tecido nervoso e o muscular é muito íntima, uma vez que 
estes mantêm comunicação, sendo as fibras musculares inervadas por axônios. O 
tecido muscular apresenta características próprias como a contração, fazendo com 
que esse tecido seja especialmente estudado por professores de educação física. 
8 TECIDO MUSCULAR 
A característica básica e principal desse tecido é a capacidade de contração e 
relaxamento, altamente relacionada com a movimentação, a digestão e até mesmo os 
batimentos cardíacos. Entre os tipos de tecido muscular, podemos encontrar tecido 
muscular estriado esquelético, tecido muscular estriado cardíaco e tecido muscular 
liso, como se pode observar na Figura 13. 
 
Figura 13 – Tipos de tecido muscular. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: https://bit.ly/3jn3G1o 
 
 
 
 
Tecido muscular esquelético 
 
O tecido muscular esquelético é um dos três tipos de músculos do corpo com 
a característica de ser voluntário. Cada músculo esquelético é composto por centenas 
a milhares de células alongadas, chamadas de fibras musculares, paralelamente 
dispostas. As células musculares ou fibras musculares podem ser muito longas, como 
o músculo sartório da coxa, em que algumas fibras têm o mesmo comprimento do 
próprio músculo, isto é, 25 a 30 cm (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
Cada fibra muscular possui vários núcleos e é envolvida por uma membrana 
plasmática, chamada de sarcolema. Existem túbulos transversais, os túbulos T, que 
se invaginam a partir da superfície em direção ao centro de cada fibra muscular. Os 
túbulos T permitem que o líquido extracelular penetre profundamente no citoplasma 
da fibra muscular. O conjunto das duas cisternas transversais e o túbulo T formam 
uma tríade. Cada sarcômero tem duas tríades (Figuras 14). 
 
Figura 14 - Desenho esquemático mostrando as miofibrilas com as repetições de 
unidades idênticas, os sarcômeros, os quais constituem as unidades contráteis do 
músculo esquelético. 
 
 
Fonte: https://bit.ly/3X3I7RD. 
 
 
 
O citoplasma da fibra muscular é o sarcoplasma. Nele, há mitocôndrias que 
produzem grande quantidade de trifosfato de adenosina (ATP) durante a contração 
muscular. Estendendo-se por todo o sarcoplasma, está o retículo sarcoplasmático, 
uma rede de túbulos envolvidos por membrana, que armazena íons cálcio, 
necessários durante a contração do músculo. No sarcoplasma também existem 
moléculas de mioglobina, um pigmento avermelhado semelhante à hemoglobina do 
sangue, que armazena o oxigênio até que ele seja necessário pela mitocôndria para 
gerar ATP (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
Estendendo-se ao longo de todo o comprimento da fibra muscular, estão 
estruturas cilíndricas chamadas de miofibrilas (Figuras 14). 
Cada miofibrila consiste em dois tipos de filamentos proteicos, os filamentos 
delgados e filamentos espessos, que não se estendem por todo o comprimento de 
uma fibra muscular. 
Os filamentos formam compartimentos chamados de sarcômeros, os quais são 
as unidades funcionais básicas das fibras musculares estriadas. 
O miócito ou fibra muscular possui também: 
 
• Retículo sarcoplasmático; 
• Complexo de Golgi; 
• Inclusões de gordura; 
• Grumos de glicogênio; 
• Citoesqueleto muito desenvolvido. 
 
Na placa motora ocorre a estimulação para a contração muscular, onde o 
axônio de um neurônio motor irá desencadear o potencial de ação. A acetilcolina é o 
neurotransmissor da junção neuromuscular. O motoneurônio e as fibras musculares 
inervados por ele constituem uma unidade motora. 
O tecido muscular estriado esquelético, o principal tecido capaz de realizar 
contrações de forma voluntária, está ligado a outros tipos de tecidos, como o tecido 
conjuntivo (tecido ósseo). A maior parte de nossos movimentos ocorre de forma 
voluntária, ou seja, de maneira consciente, sendo processada em regiões corticais do 
nosso cérebro. Porém, isso não acontece nos movimentos reflexos, como retirar a 
mão rapidamente quando a encostamos no fogo. Esse tipo de reflexo é caracterizado 
 
 
 
pela velocidade e pelo automatismo, uma vez que gera um arco em âmbito medular, 
não sendo processado no encéfalo (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
Figura 15 – Membranas de organização do musculo estriado esquelético. Epimísios 
(setas), Perimísios (asteriscos). 
 
Fonte: Aarestrup (2018 p.138) 
As células musculares estriadas também apresentam mais de um núcleo, o que 
as classifica como multinucleadas. O tecido muscular estriado esquelético é composto 
de fibras musculares, que são as unidades celulares desse tecido. Podemos 
classificar as fibras musculares em dois tipos: fibra muscular de contração rápida e 
fibra muscular de contração lenta (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
As fibras de contração rápida apresentam diferentes características que as 
tornam únicas, sendo que esse tipo de fibra oferece alta transmissão eletroquímica 
dos potenciais de ação, alta atividade da enzima ATPase, libração e captação rápida 
de cálcio pelo retículo sarcoplasmático, apresenta inervação de neurônios com alto 
limiar de excitabilidade e possui uma taxa maior de renovação das pontes cruzadas. 
As fibras de contração rápida são responsáveis pelas manifestações como 
movimentos rápidos e velozes, força e acentuada hipertrofia (aumento da quantidade 
de proteínas no interior das células). 
Já as fibras de contração lenta apresentam características próprias como: baixa 
atividade da enzima ATPase, baixa capacidade para absorção de cálcio pelos 
 
 
 
retículos sarcoplasmáticos, baixa capacidade glicolítica, inervação de neurônios de 
baixo limiar de excitabilidade. No entanto, em contrapartida, possuem grandes 
quantidades de mitocôndrias e são fibras mais resistentes à fadiga, o que as torna 
fibras mais susceptíveis às adaptações causadas pelo treinamento aeróbio (AIRES, 
2012; MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016). 
 
Figura 16 - Morfologia das fibras musculares estriadas esqueléticas.Núcleos 
(setas). Corte longitudinal. 
 
Fonte: Aarestrup (2018 p.138). 
 
Além dessas características próprias de cada uma das fibras musculares, é 
importante fazer menção ao tipo de sistema energético utilizado, sendo que as fibras 
de contração rápida têm maior facilidade para o uso do sistema glicolítico (que utiliza 
glicose como fonte de energia), assim como armazenam mais glicogênio e estão mais 
relacionadas ao metabolismo anaeróbio. Ao contrário, as fibras lentas possuem maior 
facilidade para o uso de ácidos graxos como fonte de energia, e estão relacionadas 
ao predomínio do metabolismo aeróbio. 
 
Modificações agudas causadas pelo exercício físico no tecido muscular esquelético. 
 
O início da prática de atividade física implica uma série de adaptações agudas. 
O tecido muscular é especialmente sensibilizado pela ação de alguns hormônios 
 
 
 
liberados durante a prática de atividade física, como cortisol, hormônio do crescimento 
(GH) e catecolaminas (por exemplo: noradrenalina e noraepinefrina). 
O cortisol é liberado pelas glândulas suprarrenais, e possui notória atividade 
catabólica, conhecido como o hormônio do estresse. Esse hormônio sofre influência 
da atividade física, sendo que sua liberação é proporcional ao tempo de duração da 
atividade, como demonstrado em corredores de maratona, os quais apresentam 
elevados níveis de cortisol ao final das provas (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016). 
O cortisol agirá sobre o tecido muscular aumentando a proteólise (quebra de 
proteínas) e diminuindo a síntese proteica muscular. O GH é um hormônio produzido 
pela hipófise em resposta a diferentes estímulos, sendo o exercício de alta intensidade 
um poderoso estímulo para sua liberação. O GH promove, no tecido muscular, 
crescimento e remodelamento. Além disso, estimula a produção de somatomedinas, 
ou fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF-1 e IGF-2) por períodos longos 
após o exercício (8 a 30 horas). 
As somatomedinas são conhecidas pela ação anabólica no tecido muscular, 
promovendo a síntese de proteínas. As catecolaminas, hormônios liberados pela 
glândula suprarrenal em resposta a estímulos de estresse, como a prática de atividade 
física, são simpatomiméticos, ou seja, sua ação é semelhante à ação ocasionada pela 
estimulação simpática. No músculo, durante a atividade física, a noraepinefrina 
assume um importante papel, despejada na fenda sináptica, na forma de 
neurotransmissor, sensibilizando o músculo de maneira que aumente sua 
contratilidade, gerando contrações mais vigorosas (MCARDLE; KATCH; KATCH, 
2016). 
 
Adaptações crônicas causadas pela prática regular de atividade física no tecido 
esquelético. 
 
O exercício físico apresenta importante papel para a conversão das fibras 
musculares, atuando em seu remodelamento. Embora se acredite que algumas fibras 
musculares não mudem seu fenótipo, outras fibras musculares, chamadas de híbridas 
(não são puramente fibras rápidas ou lentas), apresentam maior flexibilidade para 
mudanças. Se avaliarmos um atleta de corrida de longa distância, como um 
maratonista, esperamos encontrar nele maior quantidade de fibras com características 
 
 
 
de contração lenta. Já se avaliarmos um atleta de corrida de 100 metros rasos, 
esperamos encontrar nele, fibras com características de contração rápida (MCARDLE; 
KATCH; KATCH, 2016). 
Porém, o sucesso esportivo de elite prevê uma otimização natural das fibras 
musculares, ou seja, aqueles que naturalmente apresentam maior quantidade de 
fibras musculares de contração rápida acabarão sendo selecionados em modalidades 
esportivas em que essas características são determinantes. 
Obviamente o tipo de fibra muscular não é o único fator envolvido no sucesso 
esportivo, já que outros fatores, como os processos de treinamento, processos 
bioquímicos de produção de energia e fatores ambientais, possuem grande peso no 
ambiente esportivo (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016). 
Os processos metabólicos são especialmente afetados pela prática regular de 
atividade física. Processos especialmente ligados à produção de energia sofrem 
modificação no sentido de aumentarem a velocidade com a qual a energia será 
disponibilizada para a prática de atividade física. Podemos destacar a melhora 
considerável no tamanho e na quantidade de mitocôndrias, o que favorecerá a 
produção de energia de maneira aeróbia. Destacamos também o aumento das 
enzimas envolvidas no ciclo do ácido cítrico, assim como no número de 
transportadores de glicose (GLUT-4), garantindo maior suprimento de glicose durante 
a atividade física (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016). 
 
Tecido muscular liso 
 
O músculo liso forma a camada muscular do trato digestivo que vai do esôfago, 
estômago e intestino delgado (Figura 17). 
 
 
 
 
 
Figura 17 – Morfologia tecido muscular liso. 
Fonte: https://bit.ly/3kUdQHq 
Veja por onde a musculatura lisa perpassa: 
 
• Intestino grosso; 
• Vasos sanguíneos (artérias e veias); 
• Grandes vasos linfáticos; 
• Trato geniturinário (ureteres, bexiga, uretra, útero, tubas uterinas e canais 
deferentes); 
• Vias aéreas inferiores (traqueia e brônquios); 
• Outros órgãos e estruturas ocas e tubulares; 
• Mamilos; 
• Saco escrotal; 
• Músculos pie eretores da pele e da íris no olho. 
 
Sua estrutura consiste em feixes ou camadas de células fusiformes alongadas, 
composta por células anucleadas. Essas células estão dispostas de maneira especial 
porque a parte fina está em contato com a zona espessa das células vizinhas. Isso é 
observado em uma seção longitudinal sob um microscópio óptico. A organização de 
sua estrutura está intimamente relacionada com a função do tecido muscular liso 
(AARESTRUP, 2018). 
 
 
 
As células musculares lisas medem cerca de 50 a 100 μm de comprimento e 
seu diâmetro é de aproximadamente 5 μm; porém, o comprimento depende do grau 
de contração muscular. Sua ligação ocorre por meio de conexões de comunicação 
que permitem a passagem de pequenas moléculas e íons entre as células e, além 
disso, regulam a contração através de fascículos ou envelopes musculares lisos. 
Muitas vezes, mancha tão intensamente quanto o tecido conjuntivo denso. É 
importante notar que ambos parecem uniformes e alongados quando cortados 
longitudinalmente. 
Os feixes musculares são conectados mutualmente por tecido conjuntivo frouxo 
vascularizado. Cada fibra muscular lisa é circundada por uma membrana basal 
consistindo em fibras reticulares e um material amorfo contendo glicoproteínas e 
glicosaminoglicanos. As unidades musculares lisas anatômicas consistem em uma 
extensa rede de fibras reticulares e colágenas. Além disso, as fibras musculares lisas 
incluem os cordões nervosos não mielinizados dos sistemas nervosos simpático e 
parassimpático (AARESTRUP, 2018). 
Apresenta características similares ao tecido muscular estriado cardíaco, já que 
realiza contrações de maneira involuntária, ou seja, sem interferência de nossa 
vontade. Esse tecido auxilia as funções do estômago, do intestino e do útero. Para 
esses tipos de vísceras, é fundamental a participação do tecido muscular, já que os 
diferentes tipos de contração auxiliam nos movimentos peristálticos, como os 
movimentos realizados pelo esôfago para conduzir a comida até o estômago. Esse 
tecido se difere dos outros principalmente pela velocidade de contração, sendo a mais 
lenta dos tecidos musculares. 
 
Tecido muscular cardíaco 
 
O miocárdio é um músculo estriado com um arranjo de fibras contráteis. 
Localizados no coração, são compostos por células com aproximadamente 15 mm de 
diâmetro e 85–100 μm de comprimento, caracterizadas por ramificações alongadas e 
conectadas por junções intercelulares complexas. Ao contrário das células 
musculares esqueléticas, que são multinucleadas, as fibras musculares cardíacas 
contêm apenas um ou dois núcleos localizados centralmente. O músculo cardíacotem 
 
 
 
linhas transversais semelhantes ao músculo esquelético. Sua função é bombear 
sangue através dos vasos sanguíneos (AARESTRUP, 2018). 
É capaz de realizar contrações involuntárias manifestas em forma de 
batimentos cardíacos, portanto se encontra exclusivamente no coração. Esse tipo de 
tecido tem características tanto do tecido muscular esquelético, como do tecido 
muscular liso, apresentando fibras estriadas de formação mais complexa 
(compreendidas por sarcômeros), que são o complexo de proteínas que inclui a actina 
e a miosina. Porém, diferente do músculo estriado esquelético, a ação das fibras 
cardíacas é coordenada de maneira involuntária, por meio de um sistema de 
autoestimulação liderado por estruturas especiais, os nódulos cardíacos (nódulo 
sinoatrial e atrioventricular), conferindo a esse órgão característica semelhante ao 
tecido muscular liso. Pela ação de contração contínua do coração, as paredes desse 
órgão precisam ser fortes; para isso, o músculo cardíaco precisa de células menores, 
ramificadas e intimamente unidas e sincronizadas, as quais apresentam discos 
intercalares para que a estimulação elétrica trafegue entre elas sem bloqueios. 
 
Figura 18 – Tecido muscular cardíaco. 
 
Fonte: https://bit.ly/3Rft7yH 
As fibras cardíacas são circundadas por uma camada de tecido conjuntivo 
contendo uma rica rede de capilares. Uma característica do miocárdio é que as linhas 
 
 
 
transversais são altamente coradas e aparecem em intervalos irregulares ao longo da 
célula. As faixas verticais são muito proeminentes nas fibras miocárdicas e dependem 
do arranjo paralelo das miofibrilas. 
Você sabe por qual motivo isso ocorre? "Como as fibras cardíacas tem mais 
sarcoplasma que as fibras esqueléticas, elas ficam mais separadas umas das outras" 
Nos discos intercalares há três especializações juncionais principais: zônula de 
adesão, desmossomos e junções comunicantes (ROSS, 2012). 
 
• Zônulas de adesão: encontradas nas partes laterais. Servem para ancorar os 
filamentos de actina dos sarcômeros terminais. São a principal especialização 
da membrana da parte transversal do disco. 
• Desmossomos: unem as células musculares cardíacas, impedindo que elas se 
separem durante a atividade contrátil. 
• Junções comunicantes: encontradas nas partes laterais dos discos. 
Responsáveis pela continuidade iônica entre as células musculares 
adjacentes. 
 
A passagem de íons entre as cadeias de células musculares permite que os 
sinais de contração ondulam de uma célula para outra. O coração repousa sobre uma 
fina camada de tecido conjuntivo que forma o epicárdio. É revestido externamente por 
um epitélio escamoso simples chamado mesotélio. 
A camada subepicardial de tecido conjuntivo frouxo contém veias, nervos e 
gânglios nervosos e também contém tecido adiposo. O epicárdio que envolve o 
coração corresponde ao folheto visceral do pericárdio. Entre o epicárdio e o folheto 
parietal existe uma quantidade pequena de fluido que facilita os movimentos do 
coração. O esqueleto cardíaco é composto de tecido conjuntivo denso com fibras de 
colágeno grossas orientadas em várias direções, e seus principais componentes são 
segundo Ross (2012): 
 
• Septo membranoso; 
• Trígono fibroso; 
• Ânulo fibroso 
 
 
 
 
As válvulas cardíacas também consistem em uma estrutura central de tecido 
conjuntivo denso contendo colágeno e fibras elásticas e revestidas por uma camada 
endotelial. A base da válvula está ligada ao anel fibroso do esqueleto do coração. O 
miocárdio consiste em paredes formadas por três túnicas. O interior também é 
chamado de endocárdio (AARESTRUP, 2018). 
Central (ou miocárdio) e externa ou pericárdio. A parte central do coração é 
fibrosa e chamada de esqueleto fibroso. Essa área serve como base da válvula, pois 
é o local de origem e inserção das células miocárdicas. O endocárdio é composto por 
um endotélio com uma camada subendotelial de tecido conjuntivo frouxo contendo 
fibras colágenas elásticas e algumas células musculares lisas. 
O miocárdio realiza intenso metabolismo aeróbico e, portanto, contém 
numerosas mitocôndrias, que ocupam aproximadamente 0% do volume 
citoplasmático. No músculo esquelético, as mitocôndrias ocupam apenas cerca de 2% 
do volume citoplasmático. Os estoques de energia do miocárdio consistem em ácidos 
graxos armazenados na forma de triglicerídeos e uma pequena quantidade de 
glicogênio que fornece glicose quando necessário (AARESTRUP, 2018). 
Os cardiomiócitos podem ter grânulos de lipofuscina encontrados 
principalmente perto das extremidades dos núcleos celulares. A lipofuscina é um 
pigmento amarelo-acastanhado depositado em células não replicantes de vida longa. 
Este corante é usado para determinar a vida útil da célula. Em outras palavras, quanto 
mais lipofuscina presente, mais velha é a célula. Como o músculo cardíaco não se 
regenera, nas lesões ocorridas no coração, por exemplo, nos infartos, as partes 
destruídas são invadidas por fibroblastos que produzem fibras colágenas, formando 
uma cicatriz de tecido conjuntivo denso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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métodos para formação de profissionais em laboratórios de saúde. Rio de 
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Carneiro.12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 
MCARDLE, D.W; KATCH, L.F; KATCH, L. V. Fisiologia do exercício. Energia, 
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NUNES, C. S.; CINSA, L. A. Princípios do processamento histológico de rotina. 
Revista. 
ROSS, M. H.; PAWLINA, W.; BARNASH, T. A. Atlas de histologia descritiva. Porto 
Alegre: Artmed, 2012. 
SANTOS, K. R. P. et al. Manual de técnica histológica de rotina e de colorações. 
Vitória de Santo Antão: UFPE, 2021. (E-book). VÊNCIO, I. Técnicas histológicas 
empregadas no departamento de anatomia patológica. Faculdade de Ciências 
Médicas da Unicamp, nov. 2021.é considerado 
uma substância tóxica que pode causar desde irritações nos olhos e mucosas até 
problemas no trato respiratório, além de ser categorizada como substância 
carcinogênica e teratogênica. Portanto, sua manipulação, armazenamento e descarte 
devem ser realizados seguindo todas as normas de biossegurança. 
Variações no preparo de soluções de formaldeído podem ser empregadas para 
adequação a diferentes técnicas histológicas. O acréscimo de fosfato de sódio e 
hidróxido de sódio, por exemplo, é indicado para fixação de materiais biológicos a 
serem avaliados posteriormente em microscópio eletrônico. Essa preparação tem alto 
 
 
 
poder de fixação dos materiais e baixa interferência nos componentes celulares 
(CAPUTO; GITIRANA; MANSO, 2010). 
Outro exemplo é a formalina-alcoólica, preparada com formalina e álcool 95%. 
Essa variação de fixador é empregada na preparação de tecidos nervosos, parasitas 
e substâncias mucosas. A mistura de álcool 95%, formalina e ácido acético apresenta 
rápida penetração no material biológico, e por esse motivo propicia uma boa 
conservação da morfologia tecidual, dos carboidratos e dos ácidos nucleicos. Essa 
solução fixadora é empregada com frequência na fixação de helmintos (CAPUTO; 
GITIRANA; MANSO, 2010). 
 
Glutaraldeído 
 
O glutaraldeído é um fixador que, assim como o formaldeído, apresenta em sua 
na sua estrutura química aldeídos. Os aldeídos desse composto estão localizados na 
extremidade da molécula e atuam na ligação com proteínas presentes nos tecidos. O 
processo de penetração e fixação do glutaraldeído é mais lento quando comparado 
ao formaldeído. Essa condição favorece a formação de ligações cruzadas com 
proteínas de maneira mais efetiva e uma inibição da atividade enzimática no tecido 
(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
Segundo o autor, como a ação do glutaraldeído promove a preservação da 
ultraestrutura tecidual, esse composto é empregado com frequência no preparo de 
tecidos a serem avaliados na microscopia eletrônica. Além disso, tendo em vista que 
o poder de penetração do glutaraldeído nos tecidos é baixo, os tecidos a serem fixados 
utilizando-se esse composto devem ser seccionados em pequenas porções, de modo 
a garantir um resultado mais satisfatório. 
A exposição inadequada a esse fixador pode causar irritação na pele, no trato 
digestório e no sistema respiratório. 
 
Bouin 
 
O Bouin é uma solução fixadora composta pela combinação de ácido pícrico, 
formaldeído e ácido acético, cujas quantidades estão demonstradas no Quadro 1. A 
interação desses três compostos leva a um balanço da sua respectiva ação individual 
 
 
 
e potencializa os efeitos de fixação. O formaldeído, por exemplo, tende a deixar o 
citoplasma celular basofílico, mas em compensação esse efeito é minimizado pelo 
ácido pícrico. Por sua vez, este último tende a provocar encolhimento tecidual, mas o 
ácido acético presente na solução tende a penetrar rapidamente no tecido, anulando 
essa alteração tecidual (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
 
Quadro 1- Preparo do fixador Bouin 
Bouin 
Solução saturada aquosa de ácido 
pícrico 
1.500 ml 
Formaldeído 500 m 500 m 
Ácido acético glacial 100 ml 100 ml 
Fonte: Adaptado de Dey (2018). 
O Bouin apresenta efeito de coagulação e ligação cruzada com as proteínas 
presentes nos tecidos. A ligação com proteínas celulares, ajuda a preservar a 
morfologia tecidual. O Bouin pode ser empregado, por exemplo, na avaliação de 
detalhes nucleares da célula, pois se liga a essas proteínas, precipitando-as. Por ser 
um fixador que favorece a preservação de detalhes nucleares das células, o Bouin é 
indicado no processamento de amostras de lesões linfoides e biópsias testiculares e 
de próstata (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
 
Tetróxido de ósmio 
 
O tetróxido de ósmio é um fixador utilizado principalmente no preparo de 
materiais para microscopia eletrônica. Esse composto se liga aos ácidos graxos, dos 
fosfolipídios presentes nas membranas celulares, estabilizando essa estrutura e 
prevenindo a sua ruptura (AARESTRUP, 2018). 
No preparo de materiais para microscopia eletrônica, o tetróxido de ósmio 
costuma ser empregado como um fixador secundário, geralmente utilizado após uma 
primeira fixação com o glutaraldeído. O emprego do tetróxido de ósmio nesse 
processo leva a uma melhor preservação da ultraestrutura. 
 
 
 
 
 
 
Zenker 
 
O fixador Zenker contém em sua formulação cloreto de mercúrio, dicromato de 
potássio, sulfato de sódio, água e ácido acético. Trata-se de um fixador com 
penetração rápida e uniforme nos tecidos animais. Apresenta boa fixação de fibras do 
tecido conjuntivo e da cromatina celular, mas não preserva com qualidade organelas 
e outras inclusões citoplasmáticas. Um dos problemas do emprego do fixador de 
Zenker é que ele é instável e promove endurecimento, quebra e descoloração dos 
tecidos. Além disso, um dos componentes desse fixador, o cloreto de mercúrio, tem 
uma toxicidade elevada e pode ser fatal em caso de ingestão (AARESTRUP, 2018). 
 
Karnovsky 
 
O fixador Karnovsky foi desenvolvido na década de 1960 e é resultante da 
combinação de dois fixadores: o formaldeído e o glutaraldeído. A combinação desses 
dois compostos potencializa o poder de fixação, já que o formaldeído apresenta uma 
penetração tecidual rápida e temporariamente estabiliza as estruturas celulares; 
posteriormente, o glutaraldeído penetra o tecido e promove uma fixação mais 
eficiente, uma vez que é mais atuante na promoção de ligações cruzadas com as 
proteínas presentes na amostra. O Karnovsky é um fixador comumente empregado 
na microscopia eletrônica (KARNOVSKY, 1964). 
1.1 Colorações especiais 
A preparação de lâminas para análise ao microscópio requer a remoção de 
todo o sangue, lipídeos e água impregnados no tecido, assim como o excesso de 
minerais, deixando espaços vazios entre ou até mesmo dentro das células. Após a 
inclusão em parafina, a amostra de tecido é cortada em finas camadas, utilizando o 
micrótomo, e o corte é então fixado em uma lâmina de vidro para permitir sua 
visualização. Você sabia que, ao observar esse corte ao microscópio antes de corá-
lo, o tecido estará transparente? 
Provavelmente, você não poderá evidenciar a disposição das células, nem o 
agrupamento dos tecidos presentes naquele corte. Para melhor evidenciação da 
anatomia celular e tecidual, você deverá escolher uma dentre as várias técnicas de 
 
 
 
coloração disponíveis. Os corantes utilizados em histologia e anatomia patológica são, 
na verdade, a combinação de diferentes produtos químicos, naturais ou artificiais, que 
se impregnam nas estruturas celulares específicos e permitem sua visualização em 
diferentes cores, conforme sua afinidade química. 
Segundo Nunes e Cinsa (2016), a coloração de lâminas histológicas pode ser 
feita por meio de corantes, de reações químicas especiais (histoquímica) ou de 
deposições metálicas. 
As células e a matriz extracelular são coradas de forma seletiva, pelos 
diferentes corantes, conforme sua afinidade química e o cromóforo utilizado na 
solução de coloração. O cromóforo, ou seja, o agente químico que dará cor ao tecido, 
liga-se seletivamente às estruturas celulares, formando o cromógeno, conforme seu 
caráter ácido ou básico. Os corantes ácidos ligam-se a componentes básicos dos 
tecidos, que têm natureza acidófila, como, por exemplo, o citoplasma e a matriz 
extracelular. O núcleo, por sua vez, é um componente basófilo e se ligará aos corantes 
básicos do tecido (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
As diferentes técnicas de coloração podem ser classificadas conforme sua 
ação, tempo de permanência no tecido e cromatização. Esses mesmos critérios 
devem ser observados na escolha do corante mais adequado para cada corte e 
suspeita diagnóstica. Há corantes de ação direta, os quais penetram ativamente no 
tecido, corando-o imediatamente; e há aqueles que precisam deum mordente, ou 
seja, um elemento metálico facilitador da ligação ao tecido, sendo estes os de ação 
indireta. 
A coloração pode ser progressiva e realizada gradualmente, sem necessidade 
de remoção do excesso de corante, ou regressiva, processo em que o tecido é 
hipercorado e depois procede-se a diferenciação para melhor visualização das 
estruturas teciduais. Por fim, pode-se ainda optar por uma coloração monocrômica, 
bicrômica, tricrômica ou policrômica, ou seja, com uma, duas, três ou mais cores, 
respectivamente (NUNES; CINSA, 2016). 
Todos esses fatores devem ser considerados ao avaliar a aplicação de uma 
coloração em amostras de tecidos, conforme a suspeita diagnóstica e o processo de 
preservação e preparação da amostra que já foram realizados. 
Hematoxilina é um corante natural de fonte vegetal e natureza alcalina, que se 
liga aos ácidos nucleicos e a outras substâncias ácidas, corando preferencialmente o 
 
 
 
núcleo celular em tons roxo-azulados. A hematoxilina não é um corante se aplicada 
isoladamente. De início, ela precisa ser oxidada em hemateína, e essa substância 
deve ser associada a um mordente (geralmente ferro ou alumínio), para que tenha 
afinidade com os tecidos. 
A eosina, por outro lado, é uma substância de natureza ácida, atraída pelos 
componentes básicos do tecido, impregnando-se em proteínas citoplasmáticas, que 
se coram em róseo-avermelhado, e em espaços intercelulares. As eosinas utilizadas 
como corante são sais de sódio ou de potássio derivados de bromofluoresceína, e sua 
cor depende de átomos de bromo fixados à fluoresceína (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 
2018). 
Após a fixação do corte histológico na lâmina de vidro, processo que se segue 
ao corte no micrótomo, o tecido ainda está impregnado em parafina, necessitando ser 
removida antes da adição dos corantes, solúveis em água. Esse processo é feito pelas 
seguintes etapas: desparafinização, correspondendo à retirada da parafina 
impregnada nos tecidos, utilizando xilol (ou a mesma substância aplicada para 
clarificação); hidratação, processo pela passagem dos cortes em concentrações 
crescentes de álcool etílico (100%, 90%, 80%, 70%, 50%) e em seguida água 
destilada; imersão dos cortes no corante, para favorecer a combinação de suas 
estruturas com o corante para visualização ao microscópio; desidratação para 
remoção do excesso de água dos tecidos, utilizando-se concentrações crescentes de 
álcool etílico (50%, 70%, 80%, 95% e 100%); clarificação, utilizando o xilol para 
remoção do álcool e de resquícios de água; e selagem da lamínula com resina ou 
Enthelan. 
Veja, a seguir abaixo, um protocolo sugerido por Camillo et al. (2017) para a 
coloração por HE: 
1) desparafinização: estufa 45°C por 40 min; 
2) desparafinização: xilol I por 10 min; 
3) desparafinização: xilol II por 10 min; 
4) hidratação: álcool etílico 100% por 5 min; 
5) hidratação: álcool etílico 80% por 5 min; 
6) hidratação: álcool etílico 70% por 5 min; 
7) hidratação: álcool etílico 50% por 5 min; 
8) lavagem: água por 7 min; 
 
 
 
9) coloração: hematoxilina por 3 min; 
10) lavagem: água corrente por 3 min; 
11) coloração: eosina por 7 min; 
12) lavagem: água corrente por 2 min; 
13) desidratação: álcool etílico 50% por 5 min; 
14) desidratação: álcool etílico 70% por 5 min; 
15) desidratação: álcool etílico 80% por 5 min; 
16) desidratação: álcool etílico 100% I por 3 min; 
17) desidratação: álcool etílico 100% II por 5 min; 
18) fixação do corante e conservação do material: xilol I por 5 min; 
19) fixação do corante e conservação do material: xilol II 10 min; 
20) finalização: cobrir o corte com lamínula e vedar com Enthelan. 
 
A coloração de rotina pelo HE, é ideal para uma análise inicial da amostra de 
tecido, para determinar se há alguma alteração sugestiva de determinada patologia. 
Por meio dessa coloração, você também terá uma breve noção (ou suspeita) de qual 
técnica poderá ser empregada, a seguir, para melhor definição das alterações 
histológicas observadas. 
Caso não seja solicitado na requisição médica um protocolo de coloração 
específico ou a pesquisa de alterações teciduais sugestivas da suspeita diagnóstica, 
o laboratorista deverá determinar, ele mesmo, qual ou quais colorações especiais 
poderão ser empregadas para confirmação da enfermidade ou até mesmo da 
infecção. 
Essas colorações terão por objetivo a pesquisa de elementos específicos do 
tecido ou a realização de técnicas imuno-histoquímicas ou imunocitoquímicas. Além 
disso, é necessário considerar o material que se deseja corar e, nesse caso, não 
apenas o tipo de tecido, mas a presença de pigmentos, polímeros e grânulos 
específicos de determinadas patologias. 
 
Colorações histopatológicas especiais 
 
Não raro, na rotina diagnóstica do laboratório de anatomia patológica, são 
necessários procedimentos adicionais à coloração de rotina pela hematoxilina-eosina 
 
 
 
para identificação de estruturas celulares específicos, ou para melhor evidenciar 
alterações teciduais indicativas de alguma patologia ou para confirmar a presença de 
uma infecção. Esses procedimentos são realizados pela confecção de novos cortes 
histológicos e pela coloração com outros corantes que permitam, além da melhor 
evidenciação da morfologia tecidual, a visualização de agentes patológicos ou a 
conclusão de um diagnóstico diferencial. 
A depender da estrutura celular que necessite identificar, do tipo de alteração 
celular, ou até mesmo do microrganismo suspeito, devem ser utilizadas combinações 
de corantes pré-estabelecidas diferentes. Veja, no Quadro 2, as principais colorações 
histopatológicas especiais utilizadas na rotina diagnóstica em um laboratório de 
anatomia patológica, bem como exemplos de estruturas celulares e teciduais 
preferencialmente coradas por elas (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
A escolha da melhor coloração conforme o objeto de investigação é essencial para 
maior precisão no diagnóstico da patologia investigada. No entanto, é importante 
ressaltar a inexistência de uma coloração completa e de uso rotineiro perfeita para 
qualquer diagnóstico. A coloração e a combinação de determinados corantes é o 
método que garante maior probabilidade de visualização e identificação da alteração 
morfológica ou tecidual, ou ainda da identificação do agente etiológico associado a 
determinada condição patológica. É importante você conhecer e saber identificar os 
componentes das colorações utilizadas em histopatologia, pois, alguns protocolos de 
coloração são mais indicados para visualização de determinados elementos celulares 
ou teciduais que outros, conforme exemplificado no Quadro 2. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quadro 2 - Colorações histopatológicas especiais utilizadas em anatomia patológica 
Coloração Substância marcada Cor visualizada Recomendação 
Alcian blue Mucopolissacarídeos 
ácidos (mucina, 
substância 
fundamental); 
Sulfato de condroitina 
da cartilagem; 
Azul alciano Lesões neoplásicas 
Lesões mucosas 
não neopláscias. 
Fontana-
Masson 
Melanina Preto Lesões 
neoplásicas; 
Hiperpigmentação 
por melanina; 
Giemsa – May 
Grunwald 
Grânulos de 
mastócitos 
Púrpura Alterações 
hematológicas; 
Malária; 
Crocott Fungos Preto Infecção fúngica 
Ácido periódico 
de Schiff (PAS) 
Infecção fúngica 
Polissacarídeos 
(glicogênio); 
Mucoproteínas 
contendo 
polissacarídeos 
neutros (membrana 
basal e parede celular 
de fungos); 
Púrpura Infecção fúngica 
Azul da Prússia 
(Perls) 
Hemossiderina Azul Talassemia; 
Anemia; 
Sideroblástica; 
Papanicolau Citologia 
cervicovaginal 
Citoplasma azul 
e núcleo rosa; 
Citoplasma rosa 
e núcleo azul; 
Infecções e 
neoplasias do colo 
uterino; 
Sudan Black Ésteres de colesterol; 
Triglicerídeos; 
Fosfolipídeos; 
Azul-escuro 
Azul-escuro 
Cinza 
Mielodisplasia 
Fonte: Adaptado de Caputo, Gitirana, Manso (2010). 
A falha no diagnóstico e/ou acoloração imprecisa são, quase sempre, associadas 
à escolha inadequada do corante utilizado. Nessas horas, é preciso ter espírito crítico 
e considerar a possibilidade de que falhas tenham ocorrido em etapas anteriores do 
processamento da amostra. 
Santos et al. (2021) ressaltam que a má fixação do tecido, a inclusão em parafina 
aquecida em temperatura extremamente elevada (acima de 60°C) e a desidratação 
incompleta do tecido antes da inclusão em parafina são erros que podem e vão 
 
 
 
influenciar no sucesso da coloração. Desse modo, haverá impossibilidade de um 
diagnóstico preciso, muitas vezes por não ser possível realizar a adequada análise da 
lâmina após a coloração, mesmo seguindo o protocolo corretamente. 
2 TECIDO EPITELIAL 
Um tecido é formado pelo agrupamento de diferentes células especializadas. 
Essas células cumprem funções específicas no nosso corpo, atuando conjuntamente 
para determinar características, por exemplo, dos órgãos. Os diferentes tecidos 
corporais vão atuar em conjunto para formar os sistemas e é somente por causa dessa 
integração entre os diferentes tecidos que a vida é possível (JUNQUEIRA; 
CARNEIRO, 2018). 
No corpo humano, encontramos quatro principais tecidos, os quais se dividem 
em tecido epitelial, tecido conjuntivo, tecido nervoso e tecido muscular. Todos eles 
devem trabalhar em harmonia e sincronia para um bom funcionamento sistêmico. 
Cada tecido apresenta diferentes classificações dependendo das suas funções e 
tipos; temos, por exemplo, a divisão do tecido epitelial em tecido de revestimento e 
tecido glandular ou secretor. O tecido conjuntivo classifica-se em tecido conjuntivo 
frouxo, tecido conjuntivo denso e tecidos de propriedades especiais (AARESTRUP, 
2018). 
Diversos fatores exercem influência sobre os tecidos do corpo humano, como 
a prática regular de atividade física, a qual confere ao organismo estímulos diversos, 
implicando em diferentes adaptações. Podemos dividir a prática de atividade física 
com relação ao tempo, classificando-a como aguda, quando o exercício é 
imediatamente executado, ou como crônica, quando se referir às adaptações que 
longos períodos de sua prática causam nos tecidos. A seguir, há informações sobre a 
histologia básica dos tecidos, além das alterações ou modificações causadas pela 
atividade física de forma aguda, ou crônica. 
O tecido epitelial compreende os subgrupos compostos de tecido de 
revestimento e tecido glandular ou secretor. Podemos classificá-lo ainda com relação 
à forma das células que o constituem. 
 
 
 
 
 
 
Tecido de revestimento 
 
A principal função do tecido epitelial é de revestimento e proteção, porém não 
se restringe somente a estas, já que outros tecidos epiteliais se especializam em 
diferentes funções, dependendo da forma e do local onde se encontra. O tecido 
epitelial reveste os órgãos internos como boca, esôfago, intestino, estômago e bexiga. 
Uma característica importante desse tipo de tecido é o agrupamento de células 
justapostas e aderidas firmemente, formando um tecido fino e compacto. O fato de as 
células estarem tão intimamente ligadas faz com que o espaço extracelular nesse 
tecido seja limitado, sendo essa outra característica própria do tecido epitelial. 
Dificilmente os vasos sanguíneos conseguem penetrar no tecido epitelial, sendo a 
nutrição desses tecidos feita por tecidos subjacentes. Um exemplo bastante claro é a 
pele, apresentando uma fina camada de tecido epitelial chamada epiderme (a mais 
superficial camada de pele), a qual é avascular (não irrigada). No entanto, junto a 
epiderme encontra-se a derme, composta de tecido conjuntivo altamente 
vascularizado, ocorrendo a nutrição da epiderme por difusão das substâncias 
(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
O tecido epitelial também é classificado com relação à forma, ao número e às 
camadas celulares. Acompanhe a descrição dessa classificação. Classificação com 
relação à forma das células segundo Guyton; Hall (2006): 
 
Quadro 3 – Tipos de tecido epitelial com relação a forma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Adaptado de Guyton; Hall (2006). 
 
 
 
Classificação com relação ao número de camadas: O tecido epitelial pode ser 
classificado em relação ao número de camadas de suas células, podendo ser segundo 
Montanari (2016): 
 
Quadro 4 – Tipos de tecido epitelial em relação ao número de camadas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Adaptado de Montanari (2016). 
A classificação dos diferentes tipos de tecido epitelial pode ser vista na Figura 
1: 
Figura 1 – Tipos de tecido epitelial. 
 
Fonte: bit.ly/2HW1ABP. 
 
 
 
Tecido glandular ou secretor 
 
Um subtipo especial de tecido epitelial é o tecido epitelial secretor, sendo o 
principal responsável pela formação das glândulas, comumente conhecido como 
tecido epitelial glandular. O tecido epitelial glandular endócrino gerará secreções que 
são expulsas dentro do corpo, caso das glândulas tireoide, hipófise e suprarrenal, que 
despejam seu conteúdo principalmente na corrente sanguínea. Já o tecido epitelial 
glandular exócrino envia as secreções para fora do corpo. Por fim, o tecido epitelial 
glandular misto cumpre dupla função, expulsando a secreção tanto interna como 
externamente, como acontece com o pâncreas, secretando suco pancreático para 
dentro do duodeno e insulina na corrente sanguínea (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 
2018). 
Ainda segundo o autor, as diversas funções do tecido epitelial podem ser mais 
ou menos requeridas dependendo da tarefa realizada, um ótimo exemplo da exigência 
desse tecido é a atividade física, pois exercerá sobre esse tecido grande demanda, 
que serão mais bem descritas a seguir. 
 
Tecido epitelial e atividade física 
 
A principal função do tecido epitelial é dar suporte e proteção aos órgãos que 
compõe, fato importante durante a prática de atividade física, uma vez que o impacto 
da atividade comprometeria a estrutura e a forma do órgão se este não estivesse 
envolto com uma camada protetora. 
A prática de atividade física é capaz de elevar a temperatura corporal a estados 
considerados febris. Ao iniciar a prática de alguma atividade, a pessoa provavelmente 
começará a suar. A produção de suor ocorre pela atividade de células epiteliais 
glandulares, em específico formando as glândulas sudoríparas. O suor será 
responsável pela manutenção da temperatura, pois, com sua evaporação, perdemos 
calor. Esse fato é extremamente importante para retardar os processos de fadiga 
ocasionados pela prática de atividade física, uma vez que elevadas temperaturas 
causam hipertermia, condição, além de levar às fadigas física e mental, pode 
apresentar complicações para a saúde. A camada interna dos vasos sanguíneos 
(endoderme) é composta de células epiteliais simples pavimentosas. Os vasos são 
 
 
 
responsáveis pela irrigação dos músculos, intensificando o fluxo sanguíneo durante a 
prática de atividade física. O endotélio vascular também é responsável pela produção 
de óxido nítrico (NO) (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
Esse gás sinaliza para a musculatura lisa dos vasos relaxar, o que permite a 
vasodilatação, aumentando assim o fluxo sanguíneo para os músculos em atividade. 
O controle da temperatura e as modificações do endotélio vascular são algumas das 
modificações causadas pelo início da atividade física, ou seja, pela prática aguda de 
atividade física. (GUYTON; HALL, 2006). 
Porém, a prática regular de atividade física vai gerar adaptações nesses 
tecidos, nominalmente chamadas de adaptações crônicas. Acompanhe a seguir 
algumas adaptações crônicas do tecido epitelial frente ao exercício físico. Adaptações 
crônicas do tecido epitelial ao exercício físico O exercício físico é considerado um 
estímulo de estresse para o organismo, sendo que a magnitude desse estresse 
implicará a magnitude da adaptação. 
O tecido epitelial é um grande beneficiado da prática de atividade física 
constante.As adaptações a esse tecido se estendem, por exemplo, desde a melhora 
na velocidade e quantidade de substâncias secretadas pelas glândulas. Podemos 
destacar a liberação do hormônio adrenalina pela glândula suprarrenal, sendo que, 
em indivíduos adeptos à prática de atividade física, essa liberação acontece de 
maneira mais rápida. Também podemos citar o efeito da prática regular de atividade 
física para diminuir os níveis de insulina, hormônio endócrino produzido pelo pâncreas 
(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
Podemos ressaltar também que a pele (tanto sua camada epitelial quanto sua 
camada conjuntiva) sofre adaptações positivas, como aumento do conteúdo de 
colágeno e resistência (AARESTRUP, 2018). 
Os vasos sanguíneos são especialmente afetados pela prática constante de 
atividade física, em especial exercícios aeróbios. O organismo é capaz de remodelar 
a malha de vasos sanguíneos que irrigam os músculos, num processo chamado 
angiogênese, no qual novos vasos sanguíneos se desenvolvem, além de ter efeito 
sobre o diâmetro dos vasos, aumentando-os. Esse fenômeno ocorre devido à 
liberação de fatores de crescimento endotelial vascular (VEGF), que são estimulados 
mecânica e metabolicamente. Esses fatores farão os vasos sofrerem suscetíveis 
mitoses, aumentando a árvore vascular. 
 
 
 
O tecido epitelial é sempre encontrado intimamente relacionado ao tecido 
conjuntivo, que está atrelado a funções como suporte (tecido ósseo), tecido de 
transporte de nutriente (tecido sanguíneo), tecido de proteção (tecido adiposo), entre 
outros. Nos tópicos a seguir, você encontrará os diferentes tecidos conjuntivos e sua 
relação com a prática de atividade física (AARESTRUP, 2018). 
3 TECIDO CONJUNTIVO 
O corpo humano é constituído por vários tipos de tecido conjuntivo, cada tipo 
com propriedades e funções específicas. Sua diferenciação é baseada principalmente 
na composição da matriz extracelular e nos tipos de células presentes. Os principais 
tipos de tecido conjuntivo são: 
• Tecido conjuntivo propriamente dito (denso e frouxo); 
• Tecido conjuntivo de propriedades especiais (adiposo, elástico, reticular e 
mucoso); 
• Tecido conjuntivo de suporte (cartilaginoso e ósseo). 
 
Figura 2 – Esquema da classificação dos principais tipos de tecido conjuntivo. 
 
Fonte: https://bit.ly/3jgbOB1 
 
 
 
Tecido conjuntivo propriamente dito 
 
O próprio tecido conjuntivo é um tecido conjuntivo que desempenha um papel 
no suporte, preenchimento e estruturação dos órgãos. É composto por 
polissacarídeos de ácido hialurônico e uma rica matriz extracelular composta por três 
tipos de fibras proteicas: fibras colágenas, fibras elásticas e fibras reticulares. O 
próprio tecido conjuntivo é dividido em tecido frouxo e tecido denso, dependendo da 
quantidade de matriz extracelular presente (AARESTRUP, 2018). 
 
Tecido conjuntivo propriamente dito frouxo 
 
Possui uma rica matriz extracelular e abundantes fibras contendo células. As 
fibras de colágeno elásticas são dispostas frouxamente, dando ao tecido flexibilidade 
e baixa resistência à tração. Existem todos os tipos de células do tecido conjuntivo, 
mas principalmente fibroblastos e macrófagos. Sem dominância de componente de 
célula ou matriz. É distribuído por todo o corpo e suporta o epitélio. Preenche os 
espaços entre órgãos e células musculares, tecidos e glândulas e forma camadas ao 
redor dos vasos sanguíneos. A Figura 3 mostra um exemplo do próprio tecido 
conjuntivo frouxo (EYNARD; VALENTICH; ROVASIO, 2010). 
O epitélio de transição da bexiga está apoiado sobre uma camada de tecido 
conjuntivo frouxo, o qual permite a mobilidade do epitélio nos vários estados de 
preenchimento da bexiga. Neste tecido conjuntivo frouxo observam-se muitas células, 
principalmente fibroblastos, e delgadas fibras colágenas (figura 3). 
 
 
 
 
Figura 3 - Tecido conjuntivo frouxo (corte histologico bexiga 
Fonte: https://bit.ly/3HTvMuZ 
Tecido conjuntivo propriamente dito denso 
 
Tem grande quantidade de fibras colágenas e menor quantidade de matriz 
extracelular; é adaptado para conferir resistência e proteção aos tecidos. Sua 
constituição é similar ao tecido conjuntivo frouxo, mas há menos células e 
predominância de fibras colágenas. Confere mais resistência às trações devido à 
grande quantidade de fibras e menor flexibilidade. Pode ser denominado não 
modelado, quando as fibras são organizadas em feixes sem orientação definida, e 
modelado, quando as fibras de colágeno são paralelas umas às outras e alinhadas 
com os fibroblastos. É encontrado na derme profunda e em tendões, conectando os 
músculos aos ossos (Figura 4) (AARESTRUP, 2018). 
 
 
 
 
Figura 4 – Tecido conjuntivo denso modelado. 
Fonte: https://bit.ly/3Ds2twG 
1.2 Composição do tecido conjuntivo 
Como outros tecidos, o tecido conjuntivo é composto de células e matriz 
extracelular. As próprias células do tecido conjuntivo são células mesenquimais, 
fibroblastos, células plasmáticas, macrófagos, mastócitos, adipócitos e leucócitos. 
Existem outras células em certos tecidos conjuntivos, como condroblastos e 
condrócitos, células osteoprogenitoras, osteoblastos, osteócitos e osteoclastos; 
células hematopoiéticas e sanguíneas. As próprias células do tecido conjuntivo são 
descritas abaixo, mas certas células do tecido conjuntivo são observadas ao tratar 
esses tipos de tecido conjuntivo (AARESTRUP, 2018). 
Segundo o autor, a composição da matriz extracelular depende das células 
presentes no tecido conjuntivo. Geralmente é composto por uma porção fibrosa 
contendo colágeno, fibras reticulares e/ou elásticas e uma porção não fibrosa que é 
uma matriz contendo glicosaminoglicanos, proteoglicanos e glicoproteínas. As 
propriedades da matriz extracelular dão a cada tipo de tecido conjuntivo suas 
propriedades funcionais. A matriz extracelular não fornece apenas suporte estrutural 
 
 
 
aos tecidos, mas também regula o comportamento celular, influenciando a 
sobrevivência, diferenciação, migração, morfologia, atividade funcional e 
sobrevivência celular. 
 
Células mesenquimais 
 
As células do tecido conjuntivo são derivadas de células mesenquimais, que 
são células-tronco pluripotentes. O mesênquima é um tecido embrionário de origem 
ectodérmica, derivado do mesoderma e, na região da cabeça, também da crista 
neural. As células mesenquimais têm uma aparência em forma de estrela ou fusiforme 
devido aos seus prolongamentos. Há junções comunicantes entre os prolongamentos 
de células vizinhas. O espaço extracelular é ocupado pela abundante substância 
fundamental e por esparsas fibras reticulares (ROSS, 2012). 
O tecido conjuntivo do adulto contém uma população pequena de células 
mesenquimais. Elas estão localizadas, por exemplo, na polpa dentária e ao redor de 
pequenos vasos sanguíneos, onde são chamadas pericitos. 
 
Fibroblastos 
 
São as células mais comuns no tecido conjuntivo propriamente dito. Os 
fibroblastos são alongados ou estrelados, com longos prolongamentos, núcleo 
eucromático e um ou dois nucléolos proeminentes. O retículo endoplasmático rugoso 
e o complexo de Golgi são bem desenvolvidos, pois sintetizam os componentes da 
matriz extracelular: as fibras colágenas, as fibras reticulares, as fibras elásticas e a 
substância fundamental. Produzem também fatores de crescimento que controlam a 
proliferação e a diferenciação celular (ROSS, 2012). 
O citoplasma, inclusive nos prolongamentos, é rico em filamentos de vimentina 
(marcador de origem mesodérmica) e de actina (fibras de estresse). A interação do 
citoesqueleto com os componentes da matriz extracelular é proporcionada pelas 
proteínas transmembranas integrinas nas junções de adesão focal. Essas junções 
permitem a adesão à matriz, o movimento da célula e a transdução de sinais. Nos 
tecidos embrionários, nos tendões e in vitro, os fibroblastos estão conectados por 
junções comunicantes e de adesão.Os fibroblastos inativos (fibrócitos) são menores, 
 
 
 
mais ovoides, com núcleo mais heterocromático e uma menor quantidade de retículo 
endoplasmático (EYNARD; VALENTICH; ROVASIO, 2010). 
1.3 Tecido conjuntivo de propriedades especiais 
Tecido adiposo 
 
O tecido adiposo é um tecido conjuntivo especial caracterizado pela 
predominância de células especializadas, os adipócitos, associados a uma grande 
irrigação sanguínea. O tecido adiposo corresponde, em pessoas de peso normal, a 
20- 25% do peso corporal na mulher e 15-20% no homem. Esse tecido é considerado 
a maior reserva de energia do corpo, apesar de não ser a única. Além da dimensão 
do depósito energético que o tecido adiposo representa, por meio dos triglicerídeos, 
esse lipídeo é ainda mais eficiente na produção de energia do que o glicogênio 
(EYNARD; VALENTICH; ROVASIO, 2010). 
 Um grama de triglicerídeos fornece 9,3 Kcal, enquanto um grama de glicogênio 
fornece apenas 4,1 Kcal de energia. O tecido adiposo não tem sua função de 
armazenar energia, mas ele atua também: 
• Na modelagem da pele, tendo uma distribuição diferenciada em homens e 
mulheres, conferindo-lhes as formas que lhes são peculiares; 
• Na absorção de choques, amortecendo impactos externos sobre o corpo; 
• No isolamento térmico, impedindo a perda de calor do corpo; 
• Preenchendo espaços e sustentando órgãos. 
 
Tecido elástico 
 
Consiste em fibras elásticas dispostas em feixes espessos e paralelos 
preenchidos por fibras colágenas finas e fibrócitos. Tem uma cor amarela típica e boa 
elasticidade devido ao seu alto teor de fibras elásticas. O tecido elástico é incomum 
no corpo e está presente em pequenas placas no ligamento amarelo e nas cordas 
vocais da coluna vertebral. 
 
 
 
 
 
 
Tecido mucoso 
 
Devido à proporção predominante de substâncias básicas, principalmente 
ácido hialurônico, apresenta consistência gelatinosa. Há poucas fibras e as células 
predominantes encontradas são os fibroblastos. É o principal componente do cordão 
umbilical e também é encontrado na polpa jovem dos dentes. 
 
Tecido reticular ou linfoide 
 
Possui grande quantidade de fibras reticulares sintetizadas por fibroblastos 
especializados, denominadas células reticulares. O tecido reticular é um arranjo frouxo 
de fibras reticulares que formam uma rede tridimensional que sustenta as células de 
alguns órgãos, como fígado, linfonodos e baço. 
Permite a circulação de células e fluidos pelo espaço, forma uma estrutura 
arquitetônica especial dos órgãos linfáticos e hematopoiéticos (medula óssea, 
gânglios linfáticos, baço). Existem células de defesa como macrófagos, linfócitos e 
células plasmáticas que monitoram o fluxo de material através do espaço e eliminam 
organismos invasores por fagocitose (AARESTRUP, 2018). 
1.4 Funções do tecido conjuntivo 
Os diferentes tipos de tecido conjuntivo são encontrados por todo corpo 
humano. Eles se relacionam de forma contínua, ou seja, as fibras e a substância 
fundamental de tecidos contíguos se prolongam sem interrupção, indicando que todos 
são uma variedade do mesmo tecido, adaptados para as funções que desempenham. 
Além de servir de conexão, unindo tecidos, gerando sustentação e preenchimento, o 
tecido conjuntivo também possui diversas atividades indutoras da morfologia, da 
diferenciação e da arquitetura dos diversos órgãos. Assim, a função que o tecido 
conjuntivo desempenha está intimamente relacionada com sua estrutura e 
componentes presentes (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). 
De acordo com o autor, os tecidos conjuntivos de preenchimento formam o 
estroma de todos os sistemas orgânicos, conferindo armação estrutural ao corpo. 
Com a quantidade de fibras presentes, confere mais resistência às trações. Os tipos 
especializados de tecido conjuntivo apresentam grande variedade de funções, não 
 
 
 
sendo somente importantes para o desenvolvimento e funcionamento normal dos 
sistemas, mas também intervêm nos processos de defesa e reparação tecidual. A 
ampla variedade de funções também determina variedade de formas, e, por isso, o 
tecido conjuntivo também é denominado “conetivo-vascular”, principalmente pela 
importância dos vasos sanguíneos, que transportam células em defesa tecidual frente 
a uma lesão física, química ou biológica. 
O tecido conjuntivo também pode ser especializado em armazenar gordura, 
sendo responsável pelo modelamento da superfície corporal, absorvendo impactos e 
contribuindo para o isolamento térmico do organismo. Você sabia que as variedades 
mais resistentes de tecido conjuntivo constituem os chamados órgãos de sustentação, 
como ossos, cartilagens e articulações? Elas desempenham importante função de 
suporte para os tecidos moles, absorvendo choques e protegendo órgãos vitais. Os 
ossos ainda apresentam a medula óssea, responsável pela produção de células 
sanguíneas (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). 
4 TECIDO CARTILAGINOSO 
A cartilagem é composta por uma densa rede de colágeno e/ou fibras elásticas 
que fornecem força e resistência ao tecido e estão embebidas no sulfato de 
condroitina da matriz extracelular. O sulfato de condroitina promove a resiliência do 
tecido, a qual é sua habilidade em voltar à forma original após deformação. 
Comparada aos tecidos conjuntivos frouxo e denso, a cartilagem pode suportar 
consideravelmente mais estresse. As células da cartilagem madura, chamadas de 
condrócitos, se dispõem de maneira isolada ou em grupos, dentro de espaços 
chamados de lacunas na matriz extracelular (AARESTRUP, 2018) 
A superfície da maior parte da cartilagem é circundada por uma membrana de 
tecido conjuntivo denso não modelado chamado de pericôndrio. A cartilagem não tem 
vasos sanguíneos ou nervos, exceto no pericôndrio (Figura 5), não recebe sangue 
porque secreta fatores antiangiogênicos, substâncias que impedem o crescimento dos 
vasos sanguíneos. Devido a essa propriedade, os fatores antiangiogênicos impedem 
que as células cancerígenas (criadas pelo crescimento de novos vasos sanguíneos) 
sustentem a rápida taxa de divisão e expansão das células cancerígenas, tornando-
as uma potencial terapia contra o câncer. 
 
 
 
Agora, conheça os três tipos de cartilagem para entender os aspectos 
anatomoclínicos de partes do corpo compostas por eles: cartilagem hialina, fibrosa e 
elástica. 
 
Cartilagem hialina 
 
A cartilagem hialina é a cartilagem mais comum no corpo. Oferece flexibilidade 
e suporte, reduz o atrito nas articulações e absorve o impacto. Parece esbranquiçado 
e não tem vasos sanguíneos. Gera resistência ao impacto, flexível e não deforma 
facilmente. Consiste em células chamadas condrócitos circundadas por uma matriz 
disforme contendo fibras de colágeno tipo II. Rico em agregados de proteoglicanos e 
glicoproteínas poliadesivas, é altamente hidratado e composto por água, a maior parte 
ligada a agregados de proteoglicanos, conferindo elasticidade à cartilagem. Os 
segmentos não estão ligados e fornecem um meio de difusão de metabólitos para os 
condrócitos embebidos na matriz (ROSS; PAWLINA; BARNASH, 2012). 
 
Figura 5 – Cartilagem hialina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: bit.ly/3D7gBeL 
Geralmente, a cartilagem hialina é circundada por um pericôndrio (tecido 
conjuntivo denso e não formado). As exceções são: Cartilagem epifisária, articulações 
e placas epifisárias, áreas onde o osso é alongado pelo crescimento natural. A 
camada fibrosa externa do pericôndrio se assemelha ao tecido conjuntivo denso e 
 
 
 
irregular que forma a cápsula de outros órgãos. De seu perímetro, a cartilagem cresce 
de dentro para fora e consegue dividir os condrócitos já existentes. As células recém-
formadas continuam a produzir matriz de cartilagem adicional, aumentando o volume 
da cartilagem (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
O tecido cartilaginoso não possui vasos sanguíneos, linfáticos ou nervos. Os 
nutrientes são obtidos por difusão dos vasossanguíneos localizados na camada mais 
externa do pericôndrio. A cartilagem hialina forma as paredes do septo nasal, os anéis 
da traqueia, as superfícies articulares dos ossos e as regiões epifisárias dos ossos 
longos, todos associados à ossificação endocondral. 
 
Cartilagem fibrosa ou fibrocartilagem 
 
Você sabia que a fibrocartilagem fornece força e rigidez à sua estrutura? É a 
mais forte das três cartilagens, mas também a menos compressível. É composto de 
tecido conjuntivo denso e não estruturado e cartilagem. Essas células aparecem em 
pequenos aglomerados intercalados com fibras de colágeno. A presença de uma 
matriz de cartilagem entre as fibras de colágeno ajuda a amortecer choques físicos 
repentinos. Isso permite que a cartilagem comprima e absorva a tensão, aliviando o 
estresse indevido nas fibras de colágeno (Figura 6). Ao contrário da cartilagem hialina, 
a fibrocartilagem não possui pericôndrio. Está presente: 
 
• No disco intervertebral; 
• Na sínfise púbica; 
• Nos meniscos da articulação do joelho; 
• Na articulação temporomandibular; 
• Nas articulações esternoclavicular e do ombro; 
• Nas junções entre alguns tendões; 
• Ligamentos com ossos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6 – Cartilagem fibrosa. 
 
Fonte: bit.ly/3XRTOLH 
Os condrócitos estão espalhados em feixes de fibras colágenas claramente 
visíveis no interior da matriz extracelular desse tipo de cartilagem. 
 
Cartilagem elástica 
 
A cartilagem elástica é mais elástica que a hialina e a fibrocartilagem. Fornece 
suporte e mantém a forma da estrutura. A cartilagem elástica contém pericôndrio, 
fibras elásticas e lamelas, além de elementos típicos encontrados na cartilagem 
hialina. Eles também conferem à matriz da cartilagem maior resistência às forças de 
tração, enquanto na cartilagem hialina a matriz resiste apenas às forças físicas. A 
cartilagem elástica resiste ao processo natural de mineralização do envelhecimento, 
ao contrário da cartilagem hialina, que se calcifica. Os condrócitos estão localizados 
em uma rede de fibras elásticas dentro da matriz extracelular. O pavilhão auricular, a 
tuba auditiva (Figura 7), a epiglote e parte da laringe são compostas por cartilagem 
elástica (ROSS; PAWLINA; BARNASH, 2012). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7 – Cartilagem elástica. 
 
Fonte: bit.ly/3ZTkwFP 
Funções do tecido cartilaginoso 
 
De maneira geral, as três variedades de cartilagem executam funções 
similares: 
• Revestimento das articulações ósseas; 
• Amortecimento de impactos e atrito entre os ossos; 
• Auxílio nos movimentos corporais; 
• Sustentação e proteção para algumas partes do corpo. 
 
Como a cartilagem é uma estrutura elástica e flexível, ela resiste às forças de 
compressão e torção. Essa propriedade pode ser melhor compreendida lembrando 
como a cartilagem possibilita os movimentos arqueados, inspiratórios e expiratórios 
das costelas. Ou pense novamente sobre seu sistema respiratório. Como a área 
cartilaginosa pode alterar o diâmetro dos ductos (laringe, traqueia, brônquios) sem 
colapsar. Nas articulações, o tecido cartilaginoso faz parte da ossificação endocondral 
sendo consideradas cartilagens de crescimento, que agem sob controle hormonal e 
de vitaminas, assegurando o crescimento em comprimento dos ossos e, finalmente, o 
crescimento do indivíduo (ROSS; PAWLINA; BARNASH, 2012). 
 
 
 
Tipos celulares 
 
O tecido cartilaginoso possui dois tipos de células: condroblastos e condrócitos. 
Esses dois tipos estão mais ou menos distantes um do outro e separados por 
substância intercelular suficiente. Os condroblastos produzem fibras de colágeno tipo 
II (e a elasticidade da cartilagem elástica) e os principais componentes da substância 
intercelular (matriz da cartilagem) (ROSS; PAWLINA; BARNASH, 2012). 
À medida que a cartilagem se forma, sua atividade diminui e quando começam 
a ser chamados de condrócitos, ocorre uma pequena quantidade de contração. São 
células ricas em retículo endoplasmático rugoso (RER), complexo de Golgi sofisticado 
e núcleos de eucromatina. Contém glicogênio, proteoglicanos e compostos proteicos 
e glicosaminoglicanos (condroitim sulfato e queratam sulfato) (AARESTRUP, 2018). 
Os condrócitos, que surgem da proliferação celular, formam aglomerados 
isogênicos ou condrons. A forma, o tamanho e o arranjo dos aglomerados isogênicos 
podem variar entre os tipos de cartilagem e até mesmo dentro do mesmo tipo, 
dependendo da localização. 
 
Matriz extracelular 
 
A matriz extracelular da cartilagem hialina e elástica é composta por colágeno 
tipo II. As moléculas de colágeno formam fibrilas muito finas, mas não se transformam 
em fibras e são quase invisíveis à microscopia de luz. 
A cartilagem elástica tem muitas substâncias e fibras elásticas. A maior parte 
da matriz extracelular é composta principalmente por moléculas de 
glicosaminoglicanos sulfatados, sulfato de condroitina e ácido hialurônico não 
sulfatado. Essas moléculas estão envolvidas na rigidez e consistência do tecido 
cartilaginoso. O exame microscópico das seções de cartilagem revela coloração 
azulada da matriz extracelular em seções coradas com hematoxilina e eosina 
(HandE), em contraste com a própria matriz de tecido conjuntivo. Isso ocorre porque, 
como as moléculas da matriz fundamental possuem muitos radicais ácidos, a matriz 
é corada preferentemente por corantes básicos – ao contrário da matriz do tecido 
conjuntivo propriamente dito, sendo acidófila devido à presença de grande quantidade 
de fibras colágenas (CAMILLO et al; 2017). 
 
 
 
5 TECIDO ÓSSEO 
O tecido ósseo é um tipo especial de tecido conjuntivo, composto de células e 
uma substância extracelular mineralizada chamada matriz óssea, que confere rigidez 
ao tecido, sendo constituída de uma parte contendo colágeno que confere alguma 
flexibilidade. Graças a essas características, sua estrutura é altamente dinâmica, 
crescendo, mudando e permanecendo ativa ao longo da vida do organismo 
(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). 
A matriz é composta por 50% de orgânicos e 50% de inorgânicos 
(AARESTRUP, 2018). 
 
Quadro 5 - Funções do tecido ósseo. 
Fonte: Aarestrup, 2018. 
Quadro 6 - Constituição da matriz óssea. 
 
Fonte: Junqueira; Carneiro (2013). 
 
 
 
Células osteoprogênitoras 
 
São células mesenquimais (de origem mesenquimal) que possuem a 
capacidade de se diferenciar e proliferar em células que formam o tecido ósseo 
chamadas osteoblastos. Essas células persistem após o nascimento e sendo 
encontradas em quase todas as superfícies ósseas livres (endósteo, periósteo, 
trabéculas de cartilagem calcificada). Durante o estágio de crescimento e reparo de 
danos ósseos, as células osteoprogenitoras tornam-se mais ativas e sua atividade 
também aumenta para criar novos osteoblastos de tecido ósseo (AARESTRUP, 
2018). 
 
Osteoblastos 
 
Os osteoblastos são células jovens que produzem a parte orgânica da matriz. 
Eles estão localizados na superfície óssea em camadas de células cúbicas a 
colunares. A forma dessas células está diretamente relacionada ao estado de ativação 
dos osteoblastos. Tem um citoplasma cuboide e basofílico quando ativado e achatado 
quando inativo, indicando depleção de basófilos (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). 
À medida que os osteoblastos produzem e secretam componentes da matriz 
óssea, cada célula torna-se encapsulada na matriz recém-produzida. Quando isso 
acontece, as células ficam presas e são chamadas de osteócitos. 
A matriz óssea recém-formada adjacente aos osteoblastos e ainda não 
mineralizada é denominada osteóide. 
 
Osteócitos 
 
Osteócitos são as células mais abundantes no tecido ósseo, células dormentes 
derivadas de osteoblastos, que, após completarem seu trabalho sintético, são 
cobertas com material inorgânico e residem nos interstícios (vazios) dentro da matriz 
óssea. Um canalículo surge de cada lacuna e se anastomosa com os canalículos daslacunas adjacentes, por meio desses túbulos, extensões citoplasmáticas de osteócitos 
entram em contato com osteócitos de outras lacunas, formando uma verdadeira rede 
de comunicação entre essas células (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). 
 
 
 
Os osteócitos estão envolvidos na manutenção do tecido ósseo vivo. Isso 
ocorre porque os osteócitos detectam alterações físicas e químicas nesse tecido e 
posteriormente recrutam osteoclastos e osteoblastos para as funções de síntese e 
reabsorção, respectivamente. 
 
 Osteoclastos 
 
Os osteoclastos são células multinucleadas, grandes, móveis e altamente 
ramificadas. Eles são encontrados na superfície dos ossos e estão envolvidos no 
processo de reabsorção do tecido ósseo. As lacunas de Howship se formam quando 
criam depressões na matriz pela reabsorção. Os osteoclastos são derivados de 
células progenitoras mononucleares na medula óssea que se fundem para formar 
células gigantes multinucleadas (AARESTRUP, 2018). 
A superfície ativa dos osteoclastos é chamada de zona clara, formada por 
citoplasma pobre em organelas e rico em actina, com muitos prolongamentos vilosos 
que formam um microambiente fechado oposto à matriz óssea onde ocorre a 
reabsorção óssea. Os osteoclastos liberam ácidos, colagenases e outras enzimas 
hidrolíticas que digerem a matriz orgânica e dissolvem cristais de sais de cálcio. 
 
Figura 8 – Principais células do tecido ósseo. 
 
Fonte: bit.ly/2OYg0jt 
 
 
 
 
Periósteo e endósteo 
 
O periósteo é o revestimento externo do osso, é uma membrana de tecido 
conjuntivo composta por duas camadas. Ele contém fibras Sharpie, constituídas de 
feixes de fibras de colágeno que penetram no tecido ósseo e prendem o periósteo ao 
osso. A camada mais interna é celular e vascularizada e contém células 
osteoprogenitoras capazes de se diferenciam em osteoblastos e desempenham um 
papel importante no crescimento ósseo durante a consolidação da fratura 
(AARESTRUP, 2018). 
O tecido conjuntivo do periósteo é alimentado por vasos sanguíneos que se 
ramificam e penetram no osso através de canais na matriz óssea. Eles são 
responsáveis por nutrir as células ósseas. Não há periósteo nas extremidades dos 
ossos longos. Eles são cobertos com cartilagem hialina, cujo objetivo é permitir 
conexões osso a osso e reduzir o atrito durante o exercício. 
A principal função do endósteo e do periósteo é nutrir o tecido ósseo e fornecer 
novos osteoblastos para o crescimento e reparo ósseo. 
 
Classificação histológica do tecido ósseo: 
 
Tecido ósseo primário 
 
Ambos os tipos de tecido ósseo têm os mesmos componentes de célula e 
matriz. Os tecidos primários são os primeiros a aparecer tanto no desenvolvimento 
embrionário quanto na cicatrização de fraturas porque são transitórios e substituídos 
por tecidos secundários (ROSS, 2012). 
No tecido ósseo primário, as fibras colágenas estão dispostas aleatoriamente, 
sem orientação definida, enquanto no tecido ósseo secundário ou lamelar, essas 
fibras estão organizadas em camadas que adotam um arranjo bastante peculiar. Em 
qualquer osso, o primeiro tecido ósseo a aparecer é o tecido ósseo primário, que é 
gradualmente substituído por lamelas ou tecido ósseo secundário. O último tipo inclui 
osso compacto e osso esponjoso. 
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Tecido secundário (lamelar) 
 
Tecido ósseo secundário (lamelar) ou maduro é a variante mais comum em 
adultos, inclui fibras de colágeno dispostas em camadas paralelas umas às outras ou 
fibras de colágeno dispostas em camadas concêntricas ao redor de canais contendo 
vasos sanguíneos e nervos, formando o sistema de Havers ou ósteons. 
Os osteócitos estão dispostos em intervalos regulares entre as lamelas ou às 
vezes dentro delas. Embora a matriz do tecido ósseo secundário seja mais 
mineralizada, os osteócitos se comunicam entre si por extensões citoplasmáticas 
dentro de túbulos que emergem dos interstícios, permitindo assim nutrientes, íons, 
hormônios e facilitando o fluxo de metabólitos (AARESTRUP, 2018). 
Existem quatro tipos de sistemas lamelares no tecido ósseo compacto: ósteons, 
lamelas periféricas, lamelas periféricas internas e lamelas intersticiais. 
Ósteons são cilindros lamelares, dispostos concentricamente em torno de um 
espaço contendo vasos sanguíneos e nervos chamados canais de Havers. Dentro de 
cada lamela, os feixes de colágeno são paralelos e quase perpendiculares aos feixes 
lamelares adjacentes, muitas vezes com acúmulos de material cimentício consistindo 
de uma matriz mineralizada com pouco colágeno, e grupos de lamelas são separados 
(ROSS, 2012). 
O canal de Havers no centro da lamela se interconecta com a cavidade medular 
e se comunica com a superfície externa do osso através do canal de Volkmann, que 
atravessa as lamelas do osso. O sistema de Havers de tecido ósseo secundário é 
mais característico da diáfise dos ossos longos. 
As lamelas circunferenciais externas e internas são compostas por lamelas 
ósseas paralelas entre si, formando duas bandas. Uma faixa interna ao redor do canal 
medular e próximo ao endósteo, e uma faixa externa próximo ao periósteo. Entre os 
dois sistemas de lamelas circunferenciais estão remanescentes de vários sistemas de 
Havers destruídos durante o crescimento ósseo, formando grupos irregulares de 
lamelas de forma triangular, chamadas intersticiais (ROSS, 2012). 
As lacunas são onde as células ósseas estão localizadas e possuem processos 
que se comunicam entre si por meio de complexos juncionais, permitindo que íons e 
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pequenas moléculas passem de uma célula óssea para outra. Essas extensões 
formam os canais ósseos (AARESTRUP, 2018). 
 
Figura 9 – Corte histológico tecido ósseo (a) Trabéculas ósseas, 1 – osteoblastos, 2 
– osteócitos, 3- osteoclastos. 
Fonte: bit.ly/3jwZhJn 
6 TECIDO SANGUÍNEO 
O sangue é um tipo especial de tecido conjuntivo que contém quantidade 
significativa de matriz extracelular. Em estado líquido, esse tecido flui pelo sistema 
circulatório e transporta várias moléculas, como oxigênio, dióxido de carbono, 
hormônios, eletrólitos, água e produtos residuais do metabolismo célula 
(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). 
Segundo o autor, a diapedese é a migração de células de defesa do sangue 
para os tecidos e a troca de nutrientes contidos no sangue, ocorre nos capilares, vasos 
de paredes simples, feitos de tecido epitelial escamoso, consistindo apenas no 
endotélio e sua membrana basal. Em alguns capilares, o endotélio tem poros 
minúsculos que permitem a passagem de água, muitas moléculas solúveis em água 
e a maioria dos íons. Dissolvem na membrana plasmática capilar e passam por sua 
 
 
 
extensão sem passar pelos poros, substâncias lipossolúveis, como algumas vitaminas 
e hormônios. 
As substâncias são transportadas através das membranas celulares por dois 
mecanismos: difusão e transporte ativo. A presença de células protetoras e elementos 
humorais no sangue é um importante sistema de defesa contra vários tipos de 
invasores, incluindo micróbios e outras substâncias estranhas (JUNQUEIRA; 
CARNEIRO, 2013). 
Ainda segundo o autor, ao remover o dióxido de carbono e outros resíduos do 
metabolismo celular do corpo, esse tecido fornece às várias células do corpo, oxigênio 
e outros nutrientes, como glicose, aminoácidos, proteínas, gorduras, água, eletrólitos 
e minerais, desempenha outras funções como transporte, desintoxicação ou 
secreção. 
Participando do processo de desintoxicação,transporte e eliminação de 
substâncias absorvidas pelo organismo, inclusive agentes farmacológicos, facilitando 
sua eliminação pelos pulmões, rins, pele e até fezes. Outras funções desempenhadas 
por esta organização incluem: 
 
• Regular a concentração de íons H+ por meio da ação de sistemas de troca 
iônica e tampão; 
• Regula o teor de água de vários compartimentos líquidos do corpo. Esta é a 
base do equilíbrio ácido-base osmótico dos fluidos teciduais. 
• Mantenha o pH dentro de uma faixa razoável para que as enzimas e organelas 
funcionem. 
• Distribuição dos hormônios produzidos pelas glândulas endócrinas por todo o 
corpo e regulam a temperatura corporal. 
 
O sangue é formado em duas etapas. Primeiro, os elementos formados 
(eritrócitos, leucócitos, plaquetas) são suspensos em uma fase líquida de segundo 
estágio. Este último é o plasma (91% de água, 9% de proteínas, eletrólitos, gorduras, 
glicose, hormônios e muitas outras substâncias). Portanto, um homem adulto tem um 
volume sanguíneo total de cerca de 5 litros, correspondendo a 7% do seu peso 
corporal. Seu sangue consiste em 55% de plasma, dos quais 2% de glóbulos brancos 
e plaquetas e 43% de glóbulos vermelhos (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). 
 
 
 
 Plasma sanguíneo 
 
O plasma é a fase líquida, a porção não celular do sangue. É composto por 
eletrólitos e íons: potássio, sódio, bicarbonato, cálcio, compostos orgânicos 
(aminoácidos, lipídios, vitaminas, cofatores, hormônios), globulinas, albumina, 
fibrinogênio. Quando um tubo de ensaio de sangue é centrifugado, as células 
depositam-se no fundo e, acima dele, observa-se plasma, uma camada de líquido 
claro, opaco e viscoso de cor amarelo pálido ou âmbar (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 
2013). 
De acordo com o autor, uma pessoa normal, esse compõe 60% do volume 
sanguíneo e o hematócrito 40%. No entanto, se uma grande quantidade de sangue 
for coletada em um tubo de vidro, os coágulos sanguíneos se formarão em minutos. 
O coágulo então coagula e fica cada vez mais apertado por um mecanismo chamado 
retração. Quando o coágulo se retrai, expulsando a maior parte do líquido retido no 
seu interior, e esse líquido é denominado soro sanguíneo. 
O principal componente do plasma sanguíneo é a água, representando 91% do 
seu volume. Os 9% restantes correspondem a proteínas (7%) e outros elementos 
dissolvidos (2%). O soro é igual ao plasma menos as proteínas do sistema de 
coagulação e outras proteínas retidas no coágulo. Não contém coagulantes como o 
fibrinogênio (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). 
 
Elementos figurados 
 
O volume celular sanguíneo é composto pelos elementos presentes no sangue 
(glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). Os elementos formados 
compõem 5% do sangue, com a parte “não líquida” (células) envolvendo a parte 
“líquida”' (plasma). Eles variam em tamanho e ocorrem em proporções variadas no 
sangue. 
 
Hemácias 
 
Conhecidas como glóbulos vermelhos ou eritrócitos. São células que não 
possuem organelas cuja principal função é o transporte de oxigênio. 
 
 
 
A sua estrutura é um disco bicôncavo com um diâmetro de 8 μm e uma 
espessura de 2 μm. Esta membrana celular do sangue representa 1% do seu peso 
total e está envolvida na manutenção e integridade celular. Juntamente com o 
esqueleto, fornece flexibilidade, durabilidade e capacidade de suportar grandes 
deformações (AARESTRUP, 2018). 
 Segundo o autor, a proteína presente nos glóbulos vermelhos é a 
hemoglobina. Ele pode ligar quatro moléculas de oxigênio (devido à presença de 
quatro cadeias tridimensionais, duas cadeias alfa e duas cadeias beta na estrutura 
quaternária) e, assim, transportá-las por todo o corpo. A hemoglobina é o pigmento 
respiratório mais comum nos organismos vivos e dá ao sangue sua cor vermelha. 
A eritropoese é o processo no qual as hemácias são produzidas pela medula 
óssea. Na vida fetal, são produzidas no fígado e no baço e amadurecem na medula 
óssea. As hemácias têm vida média de 120 dias, depois disso, ocorre a diminuição de 
sua deformabilidade e sua lise celular acontece no baço. A contagem de hemácias 
existente no sangue é um indicador de grande importância na avaliação clínica dos 
indivíduos. Sua expressão mais simples é o hematócrito, que representa o percentual 
de hemácias contido no sangue (AARESTRUP, 2018). 
A quantidade de glóbulos vermelhos está diretamente relacionada à quantidade 
de hemoglobina. Portanto, o hematócrito é uma medida indireta da capacidade do 
sangue de transportar oxigênio para os tecidos. Os valores normais de hematócrito 
são de 0% a 2% nos homens e de 38% a 42% nas mulheres (AARESTRUP, 2018). 
 
Doenças relacionadas às hemácias 
• Anemia: é a produção insuficiente ou encurtamento da vida média das 
hemácias; 
• Policitemia: Aumento excessivo da produção de glóbulos vermelhos sem 
afetar a sobrevida. A doença afeta principalmente pessoas que vivem em grandes 
altitudes, têm doenças pulmonares e fumantes. 
 
 Leucócitos 
 
Também chamados de globulos brancos, são células sanguíneas esféricas e 
incolores que desempenham funções de defesa do hospedeiro. São células, 
 
 
 
produzidas na medula óssea e permanecem temporariamente no sangue, pois são 
utilizadas como meio de transporte para chegar ao seu destino final, o tecido 
(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). 
Leucócitos podem ser classificados em granulócitos e agranulócitos (quadro 
07). 
Quadro 7 – Classificação dos leucócitos. 
Fonte: Junqueira; Carneiro, 2013. 
A contagem de glóbulos brancos por microlitro de sangue no adulto está entre 
4.500 a 11.500. Os quadros de leucocitose e leucopenia se referem ao aumento e à 
diminuição do número de leucócitos no sangue, respectivamente (AARESTRUP, 
2018). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quadro 8 – Descrição dos principais glóbulos brancos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Adapatado de Ross, 2012. 
Plaquetas 
 
As plaquetas são derivadas da medula óssea vermelha porque surgem da 
fragmentação citoplasmática dos megacariócitos (devido à diferenciação dos 
megablastos). Os megacariócitos ficam próximos aos capilares sinusais e facilitam a 
liberação de plaquetas no sangue (ROSS, 2012). 
 
 
 
 
Figura 10 – Plaquetas sanguíneas 
Fonte: bit.ly/2CFmO3S 
Existem cerca de 150.000 a 450.000 plaquetas por microlitro de sangue e 
permanecem lá por cerca de 10 dias. Nos esfregaços, eles aparecem como grupos 
agrupados com áreas claras e azuis claras (AARESTRUP, 2018). 
7 TECIDO NERVOSO 
O tecido nervoso é o principal responsável por receber, armazenar e transmitir 
os impulsos nervosos. Embora apresente uma variedade grande de células, é pobre 
em matriz extracelular. Esse tipo de tecido exerce papel fundamental nas funções do 
organismo, já que podemos interpretá-lo como o principal tecido que forma o sistema 
nervoso, sendo este o grande coordenador de todas as atividades corpóreas 
(JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). 
O sistema nervoso divide-se em dois grandes sistemas, o sistema nervoso 
central, que, como o nome diz, atua na parte central do corpo, protegido por dois 
grandes estojos ósseos que são a coluna vertebral e o crânio, e o sistema nervoso 
periférico, sendo o principal encarregado de transmitir impulsos provenientes do 
mundo exterior para o sistema nervoso central. Esses dois sistemas estão 
constituídos por aglomerados de neurônios, os gânglios nervosos e os nervos 
(AARESTRUP, 2018). 
Os neurônios, embora não sejam as únicas células que compõem o nosso 
sistema nervoso, certamente são as mais conhecidas e desempenham um papel 
 
 
 
extremamente importante. Os neurônios são células nervosas responsáveis pela 
condução dos impulsos nervosos em ambos os sentidos, aferente, ou seja, levando 
informações dos sentidos, como audição, olfato, visão, paladar e tato, para o sistema 
nervoso central; ou eferente, levando as respostas elaboradas pelo sistema nervoso 
central para

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