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HISTOLOGIA BÁSICA Prezado(a) aluno(a), O Grupo Educacional FAVENI reafirma o compromisso de oferecer uma formação de excelência, reconhecendo que a modalidade de estudo confere ao aluno autonomia e flexibilidade para organizar seus estudos de acordo com suas necessidades e rotina. Nesse contexto, é fundamental que o estudante estabeleça uma rotina de estudos disciplinada e consistente, reservando horários para leitura, reflexão e realização das avaliações propostas. Reiteramos ainda que o ambiente virtual é equiparável ao presencial no que concerne à troca de conhecimentos e esclarecimento de dúvidas. Assim como em sala de aula, onde a interação acontece espontaneamente, no semipresencial o diálogo deve acontecer por meio dos canais disponíveis no Portal do Aluno e nos encontros ao polo. Incentivamos você a utilizar esses recursos para questionar, esclarecer dúvidas e aprofundar seu entendimento sobre os conteúdos abordados, pois suas perguntas serão respondidas de forma ágil e eficiente pelo nosso suporte. Lembre-se de que a autonomia no processo de aprendizagem implica também responsabilidade. A gestão do seu tempo, o cumprimento dos prazos e a organização das tarefas são essenciais para o seu crescimento acadêmico. Aproveite a flexibilidade que o curso oferece, estabelecendo uma rotina compatível com seus compromissos pessoais e profissionais. Desejamos sucesso em sua jornada de estudos e reforçamos nossa disposição em apoiá-lo(a) na construção de um aprendizado sólido e significativo. Bons estudos! 1 FIXADORES UTILIZADOS EM TÉCNICAS HISTOLÓGICAS A fixação do material biológico é uma etapa crítica do processamento histológico. Uma das funções da fixação do material é interromper processos que ocorrem após a remoção dos tecidos do corpo. Esses processos ocorrem principalmente pela ação de enzimas presentes nas próprias células desses tecidos ou provenientes de microrganismos e levam à degradação deste material. A autólise, nome dado ao processo de degradação citado anteriormente, interfere na estrutura tecidual e na qualidade final da lâmina histológica. Por esse motivo, é de extrema importância que fixadores adequados sejam empregados para garantir uma avaliação correta da arquitetura tecidual do material biológico (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Segundo o autor, outra importante função dos fixadores é deixar o material biológico mais rígido, mantendo assim sua estrutura durante as outras etapas do processamento histológico. Além disso, os fixadores ajudam a evitar a proliferação bacteriana no tecido, o que poderia acelerar o processo de degradação. O processo de fixação pode ser realizado empregando-se técnicas físicas ou químicas. A fixação química é utilizada com maior frequência na histologia, e consiste no uso de substâncias químicas orgânicas e não orgânicas, com a função de estabilizar as moléculas presentes nos tecidos, impedindo a sua degradação e buscando dessa forma manter a peça histológica o mais próximo do aspecto original. Essas substâncias químicas são conhecidas como fixadores e são divididas em duas classes principais, de acordo com seu mecanismo de ação: os fixadores coagulantes e os fixadores não coagulantes (AARESTRUP, 2018). Segundo o autor, os fixadores coagulantes atuam por meio da coagulação de proteínas, tornando-as insolúveis. Esse tipo de fixador é bastante empregado para técnicas histológicas que serão posteriormente visualizadas em microscópio óptico, já que mantém de maneira satisfatória a morfologia tecidual. Porém, uma das desvantagens desses compostos químicos é que promovem a floculação do componente citoplasmático e não preservam de maneira satisfatória organelas como as mitocôndrias e vesículas secretórias. Os fixadores coagulantes podem ser divididos em dois tipos: fixadores coagulantes desidratantes (como o álcool) e os fixadores coagulantes ácidos (como o ácido pícrico). Já os fixadores não coagulantes agem formando ligações cruzadas entre proteínas e entre proteínas e ácidos nucleicos. Formaldeído, glutaraldeído e tetróxido de ósmio são alguns exemplos de fixadores não coagulantes (AARESTRUP, 2018). Ainda de acordo com o autor, uma das formas mais comuns de expor uma amostra ao fixador é por imersão, mas outras técnicas estão disponíveis e podem ser escolhidas em conformidade com a amostra. Uso de spray, vaporização e perfusão são outras técnicas de exposição ao fixador que podem ser empregadas na rotina histológica. Os métodos físicos de fixação são utilizados com menor frequência no processamento histológico. Tais metodologias empregam calor ou congelamento para fixar materiais biológicos. Métodos físicos também podem ser empregados para acelerar a fixação química, como o uso de micro-ondas para acelerar a fixação por formaldeído. Nesses casos, é preciso avaliar o risco de produção de vapores tóxicos durante o aquecimento dos compostos químicos (AARESTRUP, 2018). O congelamento também é considerado uma técnica física de fixação. Essa técnica pode ser empregada para a fixação de materiais solúveis e também quando é necessária uma avaliação rápida do material, já que com o congelamento ele pode ser imediatamente seccionado, sem a necessidade de passar por etapas de desidratação e inclusão. A técnica de congelamento também é vantajosa na avaliação de enzimas, proteínas e lipídios presentes nos tecidos, uma vez que, ao contrário de algumas técnicas de fixação química, o congelamento não interfere na estrutura dessas moléculas (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Exemplos de fixadores Diversos fixadores estão disponíveis para aplicação em técnicas histológicas. A escolha do fixador adequado é essencial para a qualidade final da peça histológica. O fixador utilizado deve ser compatível com a técnica histológica empregada e com a técnica de microscopia aplicada no final do processo para avaliação das estruturas teciduais. Nos tópicos a seguir, abordaremos em mais detalhes os principais fixadores disponíveis, sua aplicação e suas respectivas vantagens e desvantagens no processamento histológico (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Formaldeído O formaldeído é um dos fixadores mais utilizados nas técnicas histológicas de rotina. Sua ação ocorre pela reação do grupo aldeído presente em sua composição com as proteínas celulares. Essa reação propicia a formação de pontes de metileno entre as proteínas celulares, tornando-as insolúveis e, por consequência, interrompendo o processo de degradação celular (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Segundo o autor, a solução-padrão de formaldeído utilizada na rotina histológica é geralmente padronizada na concentração de 10%. Porém, mesmo sendo conhecida como formaldeído 10%, esta não é a real concentração da solução, já que é produzida a partir da solução encontrada no mercado, por sua vez comercializada a 40%. Portanto, a real concentração dessa solução é de 4% de formaldeído. Esse preparo-padrão do formaldeído, chamado também de formalina 10%, é utilizado principalmente para o preparo de cortes histológicos a serem visualizados posteriormente em microscopia óptica, com técnicas de coloração simples, como a hematoxilina-eosina (HE). Trata-se de um fixador de baixo custo e de alta eficiência no processo de fixação de proteínas. Uma das desvantagens da fixação utilizando o formaldeído 10% é que, quando ele é exposto à luz, ocorre o processo de oxidação, que desencadeia a formação de ácido fórmico. Esse ácido pode se depositar nos tecidos como pigmentos, formando artefatos que podem interferir na análise dos cortes histológicos (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Segundo o autor, por serem voláteis e fotossensíveis, soluções de formaldeído devem ser armazenadas em frascos ao abrigo de luz. O formaldeídoa periferia, como a contração de um músculo. Classicamente o neurônio é considerado a unidade morfofuncional do sistema nervoso, e a neuróglia unidade de apoio. Como toda célula, um neurônio é composto de uma membrana plasmática que o envolve, contém organelas, como o núcleo, mitocôndrias, o retículo endoplasmático liso e rugoso, que desempenham diversas funções. O neurônio divide-se basicamente em corpo neuronal, dendritos e axônios. O corpo neuronal apresenta uma aparência de arbusto, com diferentes ramificações e numerosos prolongamentos (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Os dendritos, palavra de origem grega que significa “pequenos ramos da árvore”, são pequenas terminações que fazem conexão recebendo as informações. O axônio é um prolongamento que conduz os impulsos nervosos e faz ligações com outros neurônios ou tecidos, enviando as informações. Essas ligações, chamadas sinapses, são responsáveis por estimular ou inibir o tecido, ou célula inervada (AARESTRUP, 2018). Os neurônios operam em grandes conjuntos, sendo incapazes de operar separadamente, criando as chamadas redes ou circuitos neuronais. A Figura 11 apresenta a representação de um neurônio. Figura 11 – Neurônio. Fonte: bit.ly/3j89PP5 Os neurônios consistem em um corpo celular, também chamado de soma ou pericário, que contém um núcleo do qual brotam extensões, dendritos, sendo extensões especializadas para receber estímulos, e um axônio, uma extensão especializada para a condução de impulsos que transmitem informações de um neurônio para outras células. O corpo celular é a parte central de um neurônio com núcleo e citoplasma e caracteriza-se por receber e integrar sinais, recebendo estímulos excitatórios ou inibitórios de outros neurônios. Por sua vez, núcleo é esférico na maioria dos neurônios e aparece levemente corado devido ao alongamento dos cromossomos, indicando alta atividade sintética. Já o corpo celular de um neurônio tem as mesmas organelas encontradas nas demais células, e as organelas mais importantes são o retículo endoplasmático rugoso, o retículo endoplasmático liso, o complexo de Golgi e as mitocôndrias (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). A estrutura responsável por manter a forma e a mobilidade dos neurônios é o citoesqueleto. O citoesqueleto consiste em microtúbulos, microfilamentos e neurofilamentos. Os neurofilamentos são encontrados tanto no pericário quanto em processos e são formados por filamentos intermediários. Existem também microtúbulos no citoplasma do pericário e processos. A membrana celular dos neurônios funciona como uma barreira que separa o citoplasma dos fluidos externos que banham os neurônios. A membrana tem várias proteínas que bombeiam substâncias para dentro e para fora ou desenvolvem poros que regulam quais substâncias entram no neurônio. Os neurônios possuem muitos dendritos, aumentando muito a área de superfície da célula, o que lhes permite receber e combinar impulsos dos muitos terminais axônicos de outros neurônios. Alguns neurônios podem ter apenas um dendrito, mas estes são raros e são encontrados em áreas muito específicas. Os dendritos tornam-se mais finos à medida que se ramificam e, portanto, diferem dos axônios, que mantêm um diâmetro constante em todo o seu comprimento (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). A maioria dos impulsos que chegam aos neurônios são recebidos por pequenas projeções dendríticas chamadas picos ou espinhos. Essas gemas são estruturas dinâmicas com plasticidade morfológica devido à proteína actina, um componente do citoesqueleto envolvido na formação de sinapses e sua adaptação funcional. Os corpos celulares, também chamados de pericárdio, geralmente são espessos. Contém um núcleo geralmente claro e composto de eucromatina e grandes nucléolos (pontas de seta – Figura 12), além das principais organelas. A forma dos pericárdios é variada e depende do tipo do neurônio. A matéria cor-de-rosa que preenche o espaço entre os pericários é constituída de prolongamentos de neurônios de calibres muito diferentes (a seta aponta um prolongamento espesso) e citoplasma de outros tipos de células do tecido nervoso (Figura 12). Figura 12 – Corte histológico sistema nervoso. Fonte: Junqueira; Carneiro (2018 p. 1661). As gêmulas existem em grande quantidade e exercem importantes funções, por exemplo, são o primeiro local de processamento dos impulsos nervosos que chegam ao neurônio. Elas também participam da plasticidade dos neurônios relacionada com a adaptação, a memória e o aprendizado. Cada neurônio tem um único axônio na forma de um cilindro de comprimento e diâmetro variável, dependendo do tipo de neurônio. A maioria dos axônios é mais longa que os dendritos da mesma célula, embora alguns sejam mais curtos. Ao contrário dos dendritos, os axônios têm um diâmetro constante e são ramificados apenas na última parte chamada telodendro. Os axônios geralmente surgem de estruturas cônicas no corpo celular chamadas cones de implantação. Neurônios com axônios mielinizados possuem um segmento inicial, a parte entre o cone do enxerto e o início da bainha de mielina. Este segmento recebe múltiplos estímulos, tanto excitatórios quanto inibitórios. Esses estímulos resultam em potenciais de ação cuja propagação se torna impulsos nervosos. O primeiro segmento também possui múltiplos canais iônicos importantes para a geração de impulsos nervosos. O citoplasma axonal possui poucas mitocôndrias, várias cisternas de retículo endoplasmático liso e múltiplos microfilamentos e microtúbulos, sendo o retículo endoplasmático granular e os polirribossomos estão ausentes, indicando que os axônios são conservados pela atividade sintética do pericário. Há um movimento muito ativo de moléculas e organelas ao longo dos axônios. A proteína é produzida ao redor do núcleo e viaja pelos axônios. O movimento para trás das moléculas dos axônios para o corpo celular ocorre quando as moléculas são recicladas pelo pericário (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Como diferenciar os neurônios de acordo com a sua função e as suas ligações com outros neurônios? Os neurônios podem ser classificados segundo a sua função: neurônios motores, neurônios sensoriais e interneurônios. Os neurônios motores controlam órgãos efetores, como glândulas exócrinas e endócrinas e fibras musculares. Esses neurônios são chamados de eferentes e são caracterizados pelo fato de os axônios transportarem informações de estruturas específicas. Por exemplo, nos neurônios motores ocorre o fluxo de informações do sistema nervoso central para as fibras musculares. Os neurônios sensoriais recebem estímulos sensoriais do ambiente e do próprio organismo. Eles são realizados por fibras aferentes cujos axônios transmitem informações para estruturas específicas. No caso de o fluxo de informação é da periferia para o sistema nervoso central. Interneurônios, ou neurônios associativos, determinam conexões entre outros neurônios, formando circuitos complexos. Estes neurônios podem ser classificados por sua morfologia, o número total de neuritos (axônios e dendritos) que se estendem do corpo celular. Os seguintes tipos são apresentados: neurônios multipolares, neurônios bipolares e pseudounipolar. Os multipolares têm dois ou mais prolongamentos celulares, enquanto os bipolares têm um dendrito e um axônio. Um neurônio pseudounipolar tem um único processo próximo ao corpo celular, que imediatamente o divide em duas partes, uma levando à periferia e outra ao sistema nervoso central (AARESTRUP, 2018). Tecido nervoso e atividade física A atividade física, assim como qualquer outro movimento planejado, obrigatoriamente tem de passar pelo processamento do sistema nervoso central. Os estímulos eferentes (aqueles que vêm dos neurônios até os músculos) serão responsáveis pela sua efetiva ativação. O sistemanervoso central também é responsável pelo ajuste fino dos movimentos, pelo aprendizado de novos gestos motores, e em grande parte está relacionado com o aumento da força, melhorando o sincronismo das fibras musculares ativadas. O tecido nervoso também está envolvido em outras funções relacionadas à prática de atividade física, como a estimulação para o coração bombear mais rápido e a estimulação para que hormônios sejam secretados na corrente sanguínea, como adrenalina e cortisol (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016). Adaptações do tecido nervoso ao exercício físico O tecido nervoso é altamente dinâmico, construindo e descontruindo novas conexões todos os dias. A prática regular de atividade física faz com que o tecido nervoso também sofra modelamentos, desde o nível celular, aumentando suas interconexões, melhorando o processamento de informações, até o nível macro, como é constatado pelo aumento da área do hipocampo, região relacionada à memória. Diversos benefícios a capacidades cognitivas e a redução de propensão de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson, estão relacionadas à prática regular de atividade física. Os neurônios, como unidade fundamental do tecido nervoso, também sofrem mudanças, melhorando seu sinergismo com outros neurônios por meio das alterações em suas proteínas de membrana (responsáveis por receber os neurotransmissores), melhorando a forma e a velocidade com que levam uma informação (AARESTRUP, 2018). O sistema nervoso também é responsável pelo aumento de força em pessoas que iniciam programas de treinamento de força, como a musculação. O aumento de força vivenciado durante os primeiros meses de treinamento é atribuído à melhora de sincronismo e ativação entre os músculos agonistas e antagonistas do movimento. Essa adaptação qualitativa de recrutamento faz com que ganhos expressivos de força aconteçam em um processo chamado de aprendizado motor (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016). A relação entre o tecido nervoso e o muscular é muito íntima, uma vez que estes mantêm comunicação, sendo as fibras musculares inervadas por axônios. O tecido muscular apresenta características próprias como a contração, fazendo com que esse tecido seja especialmente estudado por professores de educação física. 8 TECIDO MUSCULAR A característica básica e principal desse tecido é a capacidade de contração e relaxamento, altamente relacionada com a movimentação, a digestão e até mesmo os batimentos cardíacos. Entre os tipos de tecido muscular, podemos encontrar tecido muscular estriado esquelético, tecido muscular estriado cardíaco e tecido muscular liso, como se pode observar na Figura 13. Figura 13 – Tipos de tecido muscular. Fonte: https://bit.ly/3jn3G1o Tecido muscular esquelético O tecido muscular esquelético é um dos três tipos de músculos do corpo com a característica de ser voluntário. Cada músculo esquelético é composto por centenas a milhares de células alongadas, chamadas de fibras musculares, paralelamente dispostas. As células musculares ou fibras musculares podem ser muito longas, como o músculo sartório da coxa, em que algumas fibras têm o mesmo comprimento do próprio músculo, isto é, 25 a 30 cm (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Cada fibra muscular possui vários núcleos e é envolvida por uma membrana plasmática, chamada de sarcolema. Existem túbulos transversais, os túbulos T, que se invaginam a partir da superfície em direção ao centro de cada fibra muscular. Os túbulos T permitem que o líquido extracelular penetre profundamente no citoplasma da fibra muscular. O conjunto das duas cisternas transversais e o túbulo T formam uma tríade. Cada sarcômero tem duas tríades (Figuras 14). Figura 14 - Desenho esquemático mostrando as miofibrilas com as repetições de unidades idênticas, os sarcômeros, os quais constituem as unidades contráteis do músculo esquelético. Fonte: https://bit.ly/3X3I7RD. O citoplasma da fibra muscular é o sarcoplasma. Nele, há mitocôndrias que produzem grande quantidade de trifosfato de adenosina (ATP) durante a contração muscular. Estendendo-se por todo o sarcoplasma, está o retículo sarcoplasmático, uma rede de túbulos envolvidos por membrana, que armazena íons cálcio, necessários durante a contração do músculo. No sarcoplasma também existem moléculas de mioglobina, um pigmento avermelhado semelhante à hemoglobina do sangue, que armazena o oxigênio até que ele seja necessário pela mitocôndria para gerar ATP (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Estendendo-se ao longo de todo o comprimento da fibra muscular, estão estruturas cilíndricas chamadas de miofibrilas (Figuras 14). Cada miofibrila consiste em dois tipos de filamentos proteicos, os filamentos delgados e filamentos espessos, que não se estendem por todo o comprimento de uma fibra muscular. Os filamentos formam compartimentos chamados de sarcômeros, os quais são as unidades funcionais básicas das fibras musculares estriadas. O miócito ou fibra muscular possui também: • Retículo sarcoplasmático; • Complexo de Golgi; • Inclusões de gordura; • Grumos de glicogênio; • Citoesqueleto muito desenvolvido. Na placa motora ocorre a estimulação para a contração muscular, onde o axônio de um neurônio motor irá desencadear o potencial de ação. A acetilcolina é o neurotransmissor da junção neuromuscular. O motoneurônio e as fibras musculares inervados por ele constituem uma unidade motora. O tecido muscular estriado esquelético, o principal tecido capaz de realizar contrações de forma voluntária, está ligado a outros tipos de tecidos, como o tecido conjuntivo (tecido ósseo). A maior parte de nossos movimentos ocorre de forma voluntária, ou seja, de maneira consciente, sendo processada em regiões corticais do nosso cérebro. Porém, isso não acontece nos movimentos reflexos, como retirar a mão rapidamente quando a encostamos no fogo. Esse tipo de reflexo é caracterizado pela velocidade e pelo automatismo, uma vez que gera um arco em âmbito medular, não sendo processado no encéfalo (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Figura 15 – Membranas de organização do musculo estriado esquelético. Epimísios (setas), Perimísios (asteriscos). Fonte: Aarestrup (2018 p.138) As células musculares estriadas também apresentam mais de um núcleo, o que as classifica como multinucleadas. O tecido muscular estriado esquelético é composto de fibras musculares, que são as unidades celulares desse tecido. Podemos classificar as fibras musculares em dois tipos: fibra muscular de contração rápida e fibra muscular de contração lenta (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). As fibras de contração rápida apresentam diferentes características que as tornam únicas, sendo que esse tipo de fibra oferece alta transmissão eletroquímica dos potenciais de ação, alta atividade da enzima ATPase, libração e captação rápida de cálcio pelo retículo sarcoplasmático, apresenta inervação de neurônios com alto limiar de excitabilidade e possui uma taxa maior de renovação das pontes cruzadas. As fibras de contração rápida são responsáveis pelas manifestações como movimentos rápidos e velozes, força e acentuada hipertrofia (aumento da quantidade de proteínas no interior das células). Já as fibras de contração lenta apresentam características próprias como: baixa atividade da enzima ATPase, baixa capacidade para absorção de cálcio pelos retículos sarcoplasmáticos, baixa capacidade glicolítica, inervação de neurônios de baixo limiar de excitabilidade. No entanto, em contrapartida, possuem grandes quantidades de mitocôndrias e são fibras mais resistentes à fadiga, o que as torna fibras mais susceptíveis às adaptações causadas pelo treinamento aeróbio (AIRES, 2012; MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016). Figura 16 - Morfologia das fibras musculares estriadas esqueléticas.Núcleos (setas). Corte longitudinal. Fonte: Aarestrup (2018 p.138). Além dessas características próprias de cada uma das fibras musculares, é importante fazer menção ao tipo de sistema energético utilizado, sendo que as fibras de contração rápida têm maior facilidade para o uso do sistema glicolítico (que utiliza glicose como fonte de energia), assim como armazenam mais glicogênio e estão mais relacionadas ao metabolismo anaeróbio. Ao contrário, as fibras lentas possuem maior facilidade para o uso de ácidos graxos como fonte de energia, e estão relacionadas ao predomínio do metabolismo aeróbio. Modificações agudas causadas pelo exercício físico no tecido muscular esquelético. O início da prática de atividade física implica uma série de adaptações agudas. O tecido muscular é especialmente sensibilizado pela ação de alguns hormônios liberados durante a prática de atividade física, como cortisol, hormônio do crescimento (GH) e catecolaminas (por exemplo: noradrenalina e noraepinefrina). O cortisol é liberado pelas glândulas suprarrenais, e possui notória atividade catabólica, conhecido como o hormônio do estresse. Esse hormônio sofre influência da atividade física, sendo que sua liberação é proporcional ao tempo de duração da atividade, como demonstrado em corredores de maratona, os quais apresentam elevados níveis de cortisol ao final das provas (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016). O cortisol agirá sobre o tecido muscular aumentando a proteólise (quebra de proteínas) e diminuindo a síntese proteica muscular. O GH é um hormônio produzido pela hipófise em resposta a diferentes estímulos, sendo o exercício de alta intensidade um poderoso estímulo para sua liberação. O GH promove, no tecido muscular, crescimento e remodelamento. Além disso, estimula a produção de somatomedinas, ou fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF-1 e IGF-2) por períodos longos após o exercício (8 a 30 horas). As somatomedinas são conhecidas pela ação anabólica no tecido muscular, promovendo a síntese de proteínas. As catecolaminas, hormônios liberados pela glândula suprarrenal em resposta a estímulos de estresse, como a prática de atividade física, são simpatomiméticos, ou seja, sua ação é semelhante à ação ocasionada pela estimulação simpática. No músculo, durante a atividade física, a noraepinefrina assume um importante papel, despejada na fenda sináptica, na forma de neurotransmissor, sensibilizando o músculo de maneira que aumente sua contratilidade, gerando contrações mais vigorosas (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016). Adaptações crônicas causadas pela prática regular de atividade física no tecido esquelético. O exercício físico apresenta importante papel para a conversão das fibras musculares, atuando em seu remodelamento. Embora se acredite que algumas fibras musculares não mudem seu fenótipo, outras fibras musculares, chamadas de híbridas (não são puramente fibras rápidas ou lentas), apresentam maior flexibilidade para mudanças. Se avaliarmos um atleta de corrida de longa distância, como um maratonista, esperamos encontrar nele maior quantidade de fibras com características de contração lenta. Já se avaliarmos um atleta de corrida de 100 metros rasos, esperamos encontrar nele, fibras com características de contração rápida (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016). Porém, o sucesso esportivo de elite prevê uma otimização natural das fibras musculares, ou seja, aqueles que naturalmente apresentam maior quantidade de fibras musculares de contração rápida acabarão sendo selecionados em modalidades esportivas em que essas características são determinantes. Obviamente o tipo de fibra muscular não é o único fator envolvido no sucesso esportivo, já que outros fatores, como os processos de treinamento, processos bioquímicos de produção de energia e fatores ambientais, possuem grande peso no ambiente esportivo (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016). Os processos metabólicos são especialmente afetados pela prática regular de atividade física. Processos especialmente ligados à produção de energia sofrem modificação no sentido de aumentarem a velocidade com a qual a energia será disponibilizada para a prática de atividade física. Podemos destacar a melhora considerável no tamanho e na quantidade de mitocôndrias, o que favorecerá a produção de energia de maneira aeróbia. Destacamos também o aumento das enzimas envolvidas no ciclo do ácido cítrico, assim como no número de transportadores de glicose (GLUT-4), garantindo maior suprimento de glicose durante a atividade física (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016). Tecido muscular liso O músculo liso forma a camada muscular do trato digestivo que vai do esôfago, estômago e intestino delgado (Figura 17). Figura 17 – Morfologia tecido muscular liso. Fonte: https://bit.ly/3kUdQHq Veja por onde a musculatura lisa perpassa: • Intestino grosso; • Vasos sanguíneos (artérias e veias); • Grandes vasos linfáticos; • Trato geniturinário (ureteres, bexiga, uretra, útero, tubas uterinas e canais deferentes); • Vias aéreas inferiores (traqueia e brônquios); • Outros órgãos e estruturas ocas e tubulares; • Mamilos; • Saco escrotal; • Músculos pie eretores da pele e da íris no olho. Sua estrutura consiste em feixes ou camadas de células fusiformes alongadas, composta por células anucleadas. Essas células estão dispostas de maneira especial porque a parte fina está em contato com a zona espessa das células vizinhas. Isso é observado em uma seção longitudinal sob um microscópio óptico. A organização de sua estrutura está intimamente relacionada com a função do tecido muscular liso (AARESTRUP, 2018). As células musculares lisas medem cerca de 50 a 100 μm de comprimento e seu diâmetro é de aproximadamente 5 μm; porém, o comprimento depende do grau de contração muscular. Sua ligação ocorre por meio de conexões de comunicação que permitem a passagem de pequenas moléculas e íons entre as células e, além disso, regulam a contração através de fascículos ou envelopes musculares lisos. Muitas vezes, mancha tão intensamente quanto o tecido conjuntivo denso. É importante notar que ambos parecem uniformes e alongados quando cortados longitudinalmente. Os feixes musculares são conectados mutualmente por tecido conjuntivo frouxo vascularizado. Cada fibra muscular lisa é circundada por uma membrana basal consistindo em fibras reticulares e um material amorfo contendo glicoproteínas e glicosaminoglicanos. As unidades musculares lisas anatômicas consistem em uma extensa rede de fibras reticulares e colágenas. Além disso, as fibras musculares lisas incluem os cordões nervosos não mielinizados dos sistemas nervosos simpático e parassimpático (AARESTRUP, 2018). Apresenta características similares ao tecido muscular estriado cardíaco, já que realiza contrações de maneira involuntária, ou seja, sem interferência de nossa vontade. Esse tecido auxilia as funções do estômago, do intestino e do útero. Para esses tipos de vísceras, é fundamental a participação do tecido muscular, já que os diferentes tipos de contração auxiliam nos movimentos peristálticos, como os movimentos realizados pelo esôfago para conduzir a comida até o estômago. Esse tecido se difere dos outros principalmente pela velocidade de contração, sendo a mais lenta dos tecidos musculares. Tecido muscular cardíaco O miocárdio é um músculo estriado com um arranjo de fibras contráteis. Localizados no coração, são compostos por células com aproximadamente 15 mm de diâmetro e 85–100 μm de comprimento, caracterizadas por ramificações alongadas e conectadas por junções intercelulares complexas. Ao contrário das células musculares esqueléticas, que são multinucleadas, as fibras musculares cardíacas contêm apenas um ou dois núcleos localizados centralmente. O músculo cardíacotem linhas transversais semelhantes ao músculo esquelético. Sua função é bombear sangue através dos vasos sanguíneos (AARESTRUP, 2018). É capaz de realizar contrações involuntárias manifestas em forma de batimentos cardíacos, portanto se encontra exclusivamente no coração. Esse tipo de tecido tem características tanto do tecido muscular esquelético, como do tecido muscular liso, apresentando fibras estriadas de formação mais complexa (compreendidas por sarcômeros), que são o complexo de proteínas que inclui a actina e a miosina. Porém, diferente do músculo estriado esquelético, a ação das fibras cardíacas é coordenada de maneira involuntária, por meio de um sistema de autoestimulação liderado por estruturas especiais, os nódulos cardíacos (nódulo sinoatrial e atrioventricular), conferindo a esse órgão característica semelhante ao tecido muscular liso. Pela ação de contração contínua do coração, as paredes desse órgão precisam ser fortes; para isso, o músculo cardíaco precisa de células menores, ramificadas e intimamente unidas e sincronizadas, as quais apresentam discos intercalares para que a estimulação elétrica trafegue entre elas sem bloqueios. Figura 18 – Tecido muscular cardíaco. Fonte: https://bit.ly/3Rft7yH As fibras cardíacas são circundadas por uma camada de tecido conjuntivo contendo uma rica rede de capilares. Uma característica do miocárdio é que as linhas transversais são altamente coradas e aparecem em intervalos irregulares ao longo da célula. As faixas verticais são muito proeminentes nas fibras miocárdicas e dependem do arranjo paralelo das miofibrilas. Você sabe por qual motivo isso ocorre? "Como as fibras cardíacas tem mais sarcoplasma que as fibras esqueléticas, elas ficam mais separadas umas das outras" Nos discos intercalares há três especializações juncionais principais: zônula de adesão, desmossomos e junções comunicantes (ROSS, 2012). • Zônulas de adesão: encontradas nas partes laterais. Servem para ancorar os filamentos de actina dos sarcômeros terminais. São a principal especialização da membrana da parte transversal do disco. • Desmossomos: unem as células musculares cardíacas, impedindo que elas se separem durante a atividade contrátil. • Junções comunicantes: encontradas nas partes laterais dos discos. Responsáveis pela continuidade iônica entre as células musculares adjacentes. A passagem de íons entre as cadeias de células musculares permite que os sinais de contração ondulam de uma célula para outra. O coração repousa sobre uma fina camada de tecido conjuntivo que forma o epicárdio. É revestido externamente por um epitélio escamoso simples chamado mesotélio. A camada subepicardial de tecido conjuntivo frouxo contém veias, nervos e gânglios nervosos e também contém tecido adiposo. O epicárdio que envolve o coração corresponde ao folheto visceral do pericárdio. Entre o epicárdio e o folheto parietal existe uma quantidade pequena de fluido que facilita os movimentos do coração. O esqueleto cardíaco é composto de tecido conjuntivo denso com fibras de colágeno grossas orientadas em várias direções, e seus principais componentes são segundo Ross (2012): • Septo membranoso; • Trígono fibroso; • Ânulo fibroso As válvulas cardíacas também consistem em uma estrutura central de tecido conjuntivo denso contendo colágeno e fibras elásticas e revestidas por uma camada endotelial. A base da válvula está ligada ao anel fibroso do esqueleto do coração. O miocárdio consiste em paredes formadas por três túnicas. O interior também é chamado de endocárdio (AARESTRUP, 2018). Central (ou miocárdio) e externa ou pericárdio. A parte central do coração é fibrosa e chamada de esqueleto fibroso. Essa área serve como base da válvula, pois é o local de origem e inserção das células miocárdicas. O endocárdio é composto por um endotélio com uma camada subendotelial de tecido conjuntivo frouxo contendo fibras colágenas elásticas e algumas células musculares lisas. O miocárdio realiza intenso metabolismo aeróbico e, portanto, contém numerosas mitocôndrias, que ocupam aproximadamente 0% do volume citoplasmático. No músculo esquelético, as mitocôndrias ocupam apenas cerca de 2% do volume citoplasmático. Os estoques de energia do miocárdio consistem em ácidos graxos armazenados na forma de triglicerídeos e uma pequena quantidade de glicogênio que fornece glicose quando necessário (AARESTRUP, 2018). Os cardiomiócitos podem ter grânulos de lipofuscina encontrados principalmente perto das extremidades dos núcleos celulares. A lipofuscina é um pigmento amarelo-acastanhado depositado em células não replicantes de vida longa. Este corante é usado para determinar a vida útil da célula. Em outras palavras, quanto mais lipofuscina presente, mais velha é a célula. Como o músculo cardíaco não se regenera, nas lesões ocorridas no coração, por exemplo, nos infartos, as partes destruídas são invadidas por fibroblastos que produzem fibras colágenas, formando uma cicatriz de tecido conjuntivo denso. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AARESTRUP, B. J. Histologia essencial. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. CAMILLO, C. S. et al. Caderno de histologia: texto e atlas. Natal: EDUFRN, 2017. (E-book). CAMPOS L. S.; TAFURI, W. L.; PINTO, A. J. Avaliação de diferentes fixadores na preservação das características histológicas de pele de orelha de cães. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 68, n. 5, 2016. CAPUTO, L. F. G.; GITIRANA, L. B.; MANSO, P. P. A. Técnicas histológicas. In: MOLINARO, E. M.; CAPUTO, L. F. G.; AMENDOEIRA, M. R. R. (org.). Conceitos e métodos para formação de profissionais em laboratórios de saúde. Rio de Janeiro: EPSJV, IOC, 2010. p. 89-188. EYNARD, A. R.; VALENTICH, M. A.; ROVASIO, R. A. Histologia e embriologia humanas: bases celulares e moleculares. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. GUYTON, Arthur Clifton. Tratado de Fisiologia Médica. . Rio de Janeiro: Elsevier. . Acesso em: 24 jan. 2023. , 2006. JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J.; ABRAHAMSOHN, P. Histologia básica: texto e atlas. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica I. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 9. ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2012. JUNQUEIRA, Luiz Carlos Uchoa. Histologia básica I L.C. Junqueira e José Carneiro.12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. MCARDLE, D.W; KATCH, L.F; KATCH, L. V. Fisiologia do exercício. Energia, nutrição e desempenho humano. 8ª. Ed. Rio Janeiro, Guanabara Koogan, 2016. MOLINARO, E. M.; CAPUTO, L. F. G.; AMENDOEIRA, M. R. R. (org.). Conceitos e métodos para formação de profissionais em laboratório de saúde. Rio de Janeiro: EPSJV/IOC, 2010. p. 89-188, v. 2. NEIVA, G. S. M. (org.). Histologia. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. NUNES, C. S.; CINSA, L. A. Princípios do processamento histológico de rotina. Revista. ROSS, M. H.; PAWLINA, W.; BARNASH, T. A. Atlas de histologia descritiva. Porto Alegre: Artmed, 2012. SANTOS, K. R. P. et al. Manual de técnica histológica de rotina e de colorações. Vitória de Santo Antão: UFPE, 2021. (E-book). VÊNCIO, I. Técnicas histológicas empregadas no departamento de anatomia patológica. Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, nov. 2021.é considerado uma substância tóxica que pode causar desde irritações nos olhos e mucosas até problemas no trato respiratório, além de ser categorizada como substância carcinogênica e teratogênica. Portanto, sua manipulação, armazenamento e descarte devem ser realizados seguindo todas as normas de biossegurança. Variações no preparo de soluções de formaldeído podem ser empregadas para adequação a diferentes técnicas histológicas. O acréscimo de fosfato de sódio e hidróxido de sódio, por exemplo, é indicado para fixação de materiais biológicos a serem avaliados posteriormente em microscópio eletrônico. Essa preparação tem alto poder de fixação dos materiais e baixa interferência nos componentes celulares (CAPUTO; GITIRANA; MANSO, 2010). Outro exemplo é a formalina-alcoólica, preparada com formalina e álcool 95%. Essa variação de fixador é empregada na preparação de tecidos nervosos, parasitas e substâncias mucosas. A mistura de álcool 95%, formalina e ácido acético apresenta rápida penetração no material biológico, e por esse motivo propicia uma boa conservação da morfologia tecidual, dos carboidratos e dos ácidos nucleicos. Essa solução fixadora é empregada com frequência na fixação de helmintos (CAPUTO; GITIRANA; MANSO, 2010). Glutaraldeído O glutaraldeído é um fixador que, assim como o formaldeído, apresenta em sua na sua estrutura química aldeídos. Os aldeídos desse composto estão localizados na extremidade da molécula e atuam na ligação com proteínas presentes nos tecidos. O processo de penetração e fixação do glutaraldeído é mais lento quando comparado ao formaldeído. Essa condição favorece a formação de ligações cruzadas com proteínas de maneira mais efetiva e uma inibição da atividade enzimática no tecido (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Segundo o autor, como a ação do glutaraldeído promove a preservação da ultraestrutura tecidual, esse composto é empregado com frequência no preparo de tecidos a serem avaliados na microscopia eletrônica. Além disso, tendo em vista que o poder de penetração do glutaraldeído nos tecidos é baixo, os tecidos a serem fixados utilizando-se esse composto devem ser seccionados em pequenas porções, de modo a garantir um resultado mais satisfatório. A exposição inadequada a esse fixador pode causar irritação na pele, no trato digestório e no sistema respiratório. Bouin O Bouin é uma solução fixadora composta pela combinação de ácido pícrico, formaldeído e ácido acético, cujas quantidades estão demonstradas no Quadro 1. A interação desses três compostos leva a um balanço da sua respectiva ação individual e potencializa os efeitos de fixação. O formaldeído, por exemplo, tende a deixar o citoplasma celular basofílico, mas em compensação esse efeito é minimizado pelo ácido pícrico. Por sua vez, este último tende a provocar encolhimento tecidual, mas o ácido acético presente na solução tende a penetrar rapidamente no tecido, anulando essa alteração tecidual (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Quadro 1- Preparo do fixador Bouin Bouin Solução saturada aquosa de ácido pícrico 1.500 ml Formaldeído 500 m 500 m Ácido acético glacial 100 ml 100 ml Fonte: Adaptado de Dey (2018). O Bouin apresenta efeito de coagulação e ligação cruzada com as proteínas presentes nos tecidos. A ligação com proteínas celulares, ajuda a preservar a morfologia tecidual. O Bouin pode ser empregado, por exemplo, na avaliação de detalhes nucleares da célula, pois se liga a essas proteínas, precipitando-as. Por ser um fixador que favorece a preservação de detalhes nucleares das células, o Bouin é indicado no processamento de amostras de lesões linfoides e biópsias testiculares e de próstata (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Tetróxido de ósmio O tetróxido de ósmio é um fixador utilizado principalmente no preparo de materiais para microscopia eletrônica. Esse composto se liga aos ácidos graxos, dos fosfolipídios presentes nas membranas celulares, estabilizando essa estrutura e prevenindo a sua ruptura (AARESTRUP, 2018). No preparo de materiais para microscopia eletrônica, o tetróxido de ósmio costuma ser empregado como um fixador secundário, geralmente utilizado após uma primeira fixação com o glutaraldeído. O emprego do tetróxido de ósmio nesse processo leva a uma melhor preservação da ultraestrutura. Zenker O fixador Zenker contém em sua formulação cloreto de mercúrio, dicromato de potássio, sulfato de sódio, água e ácido acético. Trata-se de um fixador com penetração rápida e uniforme nos tecidos animais. Apresenta boa fixação de fibras do tecido conjuntivo e da cromatina celular, mas não preserva com qualidade organelas e outras inclusões citoplasmáticas. Um dos problemas do emprego do fixador de Zenker é que ele é instável e promove endurecimento, quebra e descoloração dos tecidos. Além disso, um dos componentes desse fixador, o cloreto de mercúrio, tem uma toxicidade elevada e pode ser fatal em caso de ingestão (AARESTRUP, 2018). Karnovsky O fixador Karnovsky foi desenvolvido na década de 1960 e é resultante da combinação de dois fixadores: o formaldeído e o glutaraldeído. A combinação desses dois compostos potencializa o poder de fixação, já que o formaldeído apresenta uma penetração tecidual rápida e temporariamente estabiliza as estruturas celulares; posteriormente, o glutaraldeído penetra o tecido e promove uma fixação mais eficiente, uma vez que é mais atuante na promoção de ligações cruzadas com as proteínas presentes na amostra. O Karnovsky é um fixador comumente empregado na microscopia eletrônica (KARNOVSKY, 1964). 1.1 Colorações especiais A preparação de lâminas para análise ao microscópio requer a remoção de todo o sangue, lipídeos e água impregnados no tecido, assim como o excesso de minerais, deixando espaços vazios entre ou até mesmo dentro das células. Após a inclusão em parafina, a amostra de tecido é cortada em finas camadas, utilizando o micrótomo, e o corte é então fixado em uma lâmina de vidro para permitir sua visualização. Você sabia que, ao observar esse corte ao microscópio antes de corá- lo, o tecido estará transparente? Provavelmente, você não poderá evidenciar a disposição das células, nem o agrupamento dos tecidos presentes naquele corte. Para melhor evidenciação da anatomia celular e tecidual, você deverá escolher uma dentre as várias técnicas de coloração disponíveis. Os corantes utilizados em histologia e anatomia patológica são, na verdade, a combinação de diferentes produtos químicos, naturais ou artificiais, que se impregnam nas estruturas celulares específicos e permitem sua visualização em diferentes cores, conforme sua afinidade química. Segundo Nunes e Cinsa (2016), a coloração de lâminas histológicas pode ser feita por meio de corantes, de reações químicas especiais (histoquímica) ou de deposições metálicas. As células e a matriz extracelular são coradas de forma seletiva, pelos diferentes corantes, conforme sua afinidade química e o cromóforo utilizado na solução de coloração. O cromóforo, ou seja, o agente químico que dará cor ao tecido, liga-se seletivamente às estruturas celulares, formando o cromógeno, conforme seu caráter ácido ou básico. Os corantes ácidos ligam-se a componentes básicos dos tecidos, que têm natureza acidófila, como, por exemplo, o citoplasma e a matriz extracelular. O núcleo, por sua vez, é um componente basófilo e se ligará aos corantes básicos do tecido (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). As diferentes técnicas de coloração podem ser classificadas conforme sua ação, tempo de permanência no tecido e cromatização. Esses mesmos critérios devem ser observados na escolha do corante mais adequado para cada corte e suspeita diagnóstica. Há corantes de ação direta, os quais penetram ativamente no tecido, corando-o imediatamente; e há aqueles que precisam deum mordente, ou seja, um elemento metálico facilitador da ligação ao tecido, sendo estes os de ação indireta. A coloração pode ser progressiva e realizada gradualmente, sem necessidade de remoção do excesso de corante, ou regressiva, processo em que o tecido é hipercorado e depois procede-se a diferenciação para melhor visualização das estruturas teciduais. Por fim, pode-se ainda optar por uma coloração monocrômica, bicrômica, tricrômica ou policrômica, ou seja, com uma, duas, três ou mais cores, respectivamente (NUNES; CINSA, 2016). Todos esses fatores devem ser considerados ao avaliar a aplicação de uma coloração em amostras de tecidos, conforme a suspeita diagnóstica e o processo de preservação e preparação da amostra que já foram realizados. Hematoxilina é um corante natural de fonte vegetal e natureza alcalina, que se liga aos ácidos nucleicos e a outras substâncias ácidas, corando preferencialmente o núcleo celular em tons roxo-azulados. A hematoxilina não é um corante se aplicada isoladamente. De início, ela precisa ser oxidada em hemateína, e essa substância deve ser associada a um mordente (geralmente ferro ou alumínio), para que tenha afinidade com os tecidos. A eosina, por outro lado, é uma substância de natureza ácida, atraída pelos componentes básicos do tecido, impregnando-se em proteínas citoplasmáticas, que se coram em róseo-avermelhado, e em espaços intercelulares. As eosinas utilizadas como corante são sais de sódio ou de potássio derivados de bromofluoresceína, e sua cor depende de átomos de bromo fixados à fluoresceína (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Após a fixação do corte histológico na lâmina de vidro, processo que se segue ao corte no micrótomo, o tecido ainda está impregnado em parafina, necessitando ser removida antes da adição dos corantes, solúveis em água. Esse processo é feito pelas seguintes etapas: desparafinização, correspondendo à retirada da parafina impregnada nos tecidos, utilizando xilol (ou a mesma substância aplicada para clarificação); hidratação, processo pela passagem dos cortes em concentrações crescentes de álcool etílico (100%, 90%, 80%, 70%, 50%) e em seguida água destilada; imersão dos cortes no corante, para favorecer a combinação de suas estruturas com o corante para visualização ao microscópio; desidratação para remoção do excesso de água dos tecidos, utilizando-se concentrações crescentes de álcool etílico (50%, 70%, 80%, 95% e 100%); clarificação, utilizando o xilol para remoção do álcool e de resquícios de água; e selagem da lamínula com resina ou Enthelan. Veja, a seguir abaixo, um protocolo sugerido por Camillo et al. (2017) para a coloração por HE: 1) desparafinização: estufa 45°C por 40 min; 2) desparafinização: xilol I por 10 min; 3) desparafinização: xilol II por 10 min; 4) hidratação: álcool etílico 100% por 5 min; 5) hidratação: álcool etílico 80% por 5 min; 6) hidratação: álcool etílico 70% por 5 min; 7) hidratação: álcool etílico 50% por 5 min; 8) lavagem: água por 7 min; 9) coloração: hematoxilina por 3 min; 10) lavagem: água corrente por 3 min; 11) coloração: eosina por 7 min; 12) lavagem: água corrente por 2 min; 13) desidratação: álcool etílico 50% por 5 min; 14) desidratação: álcool etílico 70% por 5 min; 15) desidratação: álcool etílico 80% por 5 min; 16) desidratação: álcool etílico 100% I por 3 min; 17) desidratação: álcool etílico 100% II por 5 min; 18) fixação do corante e conservação do material: xilol I por 5 min; 19) fixação do corante e conservação do material: xilol II 10 min; 20) finalização: cobrir o corte com lamínula e vedar com Enthelan. A coloração de rotina pelo HE, é ideal para uma análise inicial da amostra de tecido, para determinar se há alguma alteração sugestiva de determinada patologia. Por meio dessa coloração, você também terá uma breve noção (ou suspeita) de qual técnica poderá ser empregada, a seguir, para melhor definição das alterações histológicas observadas. Caso não seja solicitado na requisição médica um protocolo de coloração específico ou a pesquisa de alterações teciduais sugestivas da suspeita diagnóstica, o laboratorista deverá determinar, ele mesmo, qual ou quais colorações especiais poderão ser empregadas para confirmação da enfermidade ou até mesmo da infecção. Essas colorações terão por objetivo a pesquisa de elementos específicos do tecido ou a realização de técnicas imuno-histoquímicas ou imunocitoquímicas. Além disso, é necessário considerar o material que se deseja corar e, nesse caso, não apenas o tipo de tecido, mas a presença de pigmentos, polímeros e grânulos específicos de determinadas patologias. Colorações histopatológicas especiais Não raro, na rotina diagnóstica do laboratório de anatomia patológica, são necessários procedimentos adicionais à coloração de rotina pela hematoxilina-eosina para identificação de estruturas celulares específicos, ou para melhor evidenciar alterações teciduais indicativas de alguma patologia ou para confirmar a presença de uma infecção. Esses procedimentos são realizados pela confecção de novos cortes histológicos e pela coloração com outros corantes que permitam, além da melhor evidenciação da morfologia tecidual, a visualização de agentes patológicos ou a conclusão de um diagnóstico diferencial. A depender da estrutura celular que necessite identificar, do tipo de alteração celular, ou até mesmo do microrganismo suspeito, devem ser utilizadas combinações de corantes pré-estabelecidas diferentes. Veja, no Quadro 2, as principais colorações histopatológicas especiais utilizadas na rotina diagnóstica em um laboratório de anatomia patológica, bem como exemplos de estruturas celulares e teciduais preferencialmente coradas por elas (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). A escolha da melhor coloração conforme o objeto de investigação é essencial para maior precisão no diagnóstico da patologia investigada. No entanto, é importante ressaltar a inexistência de uma coloração completa e de uso rotineiro perfeita para qualquer diagnóstico. A coloração e a combinação de determinados corantes é o método que garante maior probabilidade de visualização e identificação da alteração morfológica ou tecidual, ou ainda da identificação do agente etiológico associado a determinada condição patológica. É importante você conhecer e saber identificar os componentes das colorações utilizadas em histopatologia, pois, alguns protocolos de coloração são mais indicados para visualização de determinados elementos celulares ou teciduais que outros, conforme exemplificado no Quadro 2. Quadro 2 - Colorações histopatológicas especiais utilizadas em anatomia patológica Coloração Substância marcada Cor visualizada Recomendação Alcian blue Mucopolissacarídeos ácidos (mucina, substância fundamental); Sulfato de condroitina da cartilagem; Azul alciano Lesões neoplásicas Lesões mucosas não neopláscias. Fontana- Masson Melanina Preto Lesões neoplásicas; Hiperpigmentação por melanina; Giemsa – May Grunwald Grânulos de mastócitos Púrpura Alterações hematológicas; Malária; Crocott Fungos Preto Infecção fúngica Ácido periódico de Schiff (PAS) Infecção fúngica Polissacarídeos (glicogênio); Mucoproteínas contendo polissacarídeos neutros (membrana basal e parede celular de fungos); Púrpura Infecção fúngica Azul da Prússia (Perls) Hemossiderina Azul Talassemia; Anemia; Sideroblástica; Papanicolau Citologia cervicovaginal Citoplasma azul e núcleo rosa; Citoplasma rosa e núcleo azul; Infecções e neoplasias do colo uterino; Sudan Black Ésteres de colesterol; Triglicerídeos; Fosfolipídeos; Azul-escuro Azul-escuro Cinza Mielodisplasia Fonte: Adaptado de Caputo, Gitirana, Manso (2010). A falha no diagnóstico e/ou acoloração imprecisa são, quase sempre, associadas à escolha inadequada do corante utilizado. Nessas horas, é preciso ter espírito crítico e considerar a possibilidade de que falhas tenham ocorrido em etapas anteriores do processamento da amostra. Santos et al. (2021) ressaltam que a má fixação do tecido, a inclusão em parafina aquecida em temperatura extremamente elevada (acima de 60°C) e a desidratação incompleta do tecido antes da inclusão em parafina são erros que podem e vão influenciar no sucesso da coloração. Desse modo, haverá impossibilidade de um diagnóstico preciso, muitas vezes por não ser possível realizar a adequada análise da lâmina após a coloração, mesmo seguindo o protocolo corretamente. 2 TECIDO EPITELIAL Um tecido é formado pelo agrupamento de diferentes células especializadas. Essas células cumprem funções específicas no nosso corpo, atuando conjuntamente para determinar características, por exemplo, dos órgãos. Os diferentes tecidos corporais vão atuar em conjunto para formar os sistemas e é somente por causa dessa integração entre os diferentes tecidos que a vida é possível (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). No corpo humano, encontramos quatro principais tecidos, os quais se dividem em tecido epitelial, tecido conjuntivo, tecido nervoso e tecido muscular. Todos eles devem trabalhar em harmonia e sincronia para um bom funcionamento sistêmico. Cada tecido apresenta diferentes classificações dependendo das suas funções e tipos; temos, por exemplo, a divisão do tecido epitelial em tecido de revestimento e tecido glandular ou secretor. O tecido conjuntivo classifica-se em tecido conjuntivo frouxo, tecido conjuntivo denso e tecidos de propriedades especiais (AARESTRUP, 2018). Diversos fatores exercem influência sobre os tecidos do corpo humano, como a prática regular de atividade física, a qual confere ao organismo estímulos diversos, implicando em diferentes adaptações. Podemos dividir a prática de atividade física com relação ao tempo, classificando-a como aguda, quando o exercício é imediatamente executado, ou como crônica, quando se referir às adaptações que longos períodos de sua prática causam nos tecidos. A seguir, há informações sobre a histologia básica dos tecidos, além das alterações ou modificações causadas pela atividade física de forma aguda, ou crônica. O tecido epitelial compreende os subgrupos compostos de tecido de revestimento e tecido glandular ou secretor. Podemos classificá-lo ainda com relação à forma das células que o constituem. Tecido de revestimento A principal função do tecido epitelial é de revestimento e proteção, porém não se restringe somente a estas, já que outros tecidos epiteliais se especializam em diferentes funções, dependendo da forma e do local onde se encontra. O tecido epitelial reveste os órgãos internos como boca, esôfago, intestino, estômago e bexiga. Uma característica importante desse tipo de tecido é o agrupamento de células justapostas e aderidas firmemente, formando um tecido fino e compacto. O fato de as células estarem tão intimamente ligadas faz com que o espaço extracelular nesse tecido seja limitado, sendo essa outra característica própria do tecido epitelial. Dificilmente os vasos sanguíneos conseguem penetrar no tecido epitelial, sendo a nutrição desses tecidos feita por tecidos subjacentes. Um exemplo bastante claro é a pele, apresentando uma fina camada de tecido epitelial chamada epiderme (a mais superficial camada de pele), a qual é avascular (não irrigada). No entanto, junto a epiderme encontra-se a derme, composta de tecido conjuntivo altamente vascularizado, ocorrendo a nutrição da epiderme por difusão das substâncias (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). O tecido epitelial também é classificado com relação à forma, ao número e às camadas celulares. Acompanhe a descrição dessa classificação. Classificação com relação à forma das células segundo Guyton; Hall (2006): Quadro 3 – Tipos de tecido epitelial com relação a forma. Fonte: Adaptado de Guyton; Hall (2006). Classificação com relação ao número de camadas: O tecido epitelial pode ser classificado em relação ao número de camadas de suas células, podendo ser segundo Montanari (2016): Quadro 4 – Tipos de tecido epitelial em relação ao número de camadas Fonte: Adaptado de Montanari (2016). A classificação dos diferentes tipos de tecido epitelial pode ser vista na Figura 1: Figura 1 – Tipos de tecido epitelial. Fonte: bit.ly/2HW1ABP. Tecido glandular ou secretor Um subtipo especial de tecido epitelial é o tecido epitelial secretor, sendo o principal responsável pela formação das glândulas, comumente conhecido como tecido epitelial glandular. O tecido epitelial glandular endócrino gerará secreções que são expulsas dentro do corpo, caso das glândulas tireoide, hipófise e suprarrenal, que despejam seu conteúdo principalmente na corrente sanguínea. Já o tecido epitelial glandular exócrino envia as secreções para fora do corpo. Por fim, o tecido epitelial glandular misto cumpre dupla função, expulsando a secreção tanto interna como externamente, como acontece com o pâncreas, secretando suco pancreático para dentro do duodeno e insulina na corrente sanguínea (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Ainda segundo o autor, as diversas funções do tecido epitelial podem ser mais ou menos requeridas dependendo da tarefa realizada, um ótimo exemplo da exigência desse tecido é a atividade física, pois exercerá sobre esse tecido grande demanda, que serão mais bem descritas a seguir. Tecido epitelial e atividade física A principal função do tecido epitelial é dar suporte e proteção aos órgãos que compõe, fato importante durante a prática de atividade física, uma vez que o impacto da atividade comprometeria a estrutura e a forma do órgão se este não estivesse envolto com uma camada protetora. A prática de atividade física é capaz de elevar a temperatura corporal a estados considerados febris. Ao iniciar a prática de alguma atividade, a pessoa provavelmente começará a suar. A produção de suor ocorre pela atividade de células epiteliais glandulares, em específico formando as glândulas sudoríparas. O suor será responsável pela manutenção da temperatura, pois, com sua evaporação, perdemos calor. Esse fato é extremamente importante para retardar os processos de fadiga ocasionados pela prática de atividade física, uma vez que elevadas temperaturas causam hipertermia, condição, além de levar às fadigas física e mental, pode apresentar complicações para a saúde. A camada interna dos vasos sanguíneos (endoderme) é composta de células epiteliais simples pavimentosas. Os vasos são responsáveis pela irrigação dos músculos, intensificando o fluxo sanguíneo durante a prática de atividade física. O endotélio vascular também é responsável pela produção de óxido nítrico (NO) (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Esse gás sinaliza para a musculatura lisa dos vasos relaxar, o que permite a vasodilatação, aumentando assim o fluxo sanguíneo para os músculos em atividade. O controle da temperatura e as modificações do endotélio vascular são algumas das modificações causadas pelo início da atividade física, ou seja, pela prática aguda de atividade física. (GUYTON; HALL, 2006). Porém, a prática regular de atividade física vai gerar adaptações nesses tecidos, nominalmente chamadas de adaptações crônicas. Acompanhe a seguir algumas adaptações crônicas do tecido epitelial frente ao exercício físico. Adaptações crônicas do tecido epitelial ao exercício físico O exercício físico é considerado um estímulo de estresse para o organismo, sendo que a magnitude desse estresse implicará a magnitude da adaptação. O tecido epitelial é um grande beneficiado da prática de atividade física constante.As adaptações a esse tecido se estendem, por exemplo, desde a melhora na velocidade e quantidade de substâncias secretadas pelas glândulas. Podemos destacar a liberação do hormônio adrenalina pela glândula suprarrenal, sendo que, em indivíduos adeptos à prática de atividade física, essa liberação acontece de maneira mais rápida. Também podemos citar o efeito da prática regular de atividade física para diminuir os níveis de insulina, hormônio endócrino produzido pelo pâncreas (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). Podemos ressaltar também que a pele (tanto sua camada epitelial quanto sua camada conjuntiva) sofre adaptações positivas, como aumento do conteúdo de colágeno e resistência (AARESTRUP, 2018). Os vasos sanguíneos são especialmente afetados pela prática constante de atividade física, em especial exercícios aeróbios. O organismo é capaz de remodelar a malha de vasos sanguíneos que irrigam os músculos, num processo chamado angiogênese, no qual novos vasos sanguíneos se desenvolvem, além de ter efeito sobre o diâmetro dos vasos, aumentando-os. Esse fenômeno ocorre devido à liberação de fatores de crescimento endotelial vascular (VEGF), que são estimulados mecânica e metabolicamente. Esses fatores farão os vasos sofrerem suscetíveis mitoses, aumentando a árvore vascular. O tecido epitelial é sempre encontrado intimamente relacionado ao tecido conjuntivo, que está atrelado a funções como suporte (tecido ósseo), tecido de transporte de nutriente (tecido sanguíneo), tecido de proteção (tecido adiposo), entre outros. Nos tópicos a seguir, você encontrará os diferentes tecidos conjuntivos e sua relação com a prática de atividade física (AARESTRUP, 2018). 3 TECIDO CONJUNTIVO O corpo humano é constituído por vários tipos de tecido conjuntivo, cada tipo com propriedades e funções específicas. Sua diferenciação é baseada principalmente na composição da matriz extracelular e nos tipos de células presentes. Os principais tipos de tecido conjuntivo são: • Tecido conjuntivo propriamente dito (denso e frouxo); • Tecido conjuntivo de propriedades especiais (adiposo, elástico, reticular e mucoso); • Tecido conjuntivo de suporte (cartilaginoso e ósseo). Figura 2 – Esquema da classificação dos principais tipos de tecido conjuntivo. Fonte: https://bit.ly/3jgbOB1 Tecido conjuntivo propriamente dito O próprio tecido conjuntivo é um tecido conjuntivo que desempenha um papel no suporte, preenchimento e estruturação dos órgãos. É composto por polissacarídeos de ácido hialurônico e uma rica matriz extracelular composta por três tipos de fibras proteicas: fibras colágenas, fibras elásticas e fibras reticulares. O próprio tecido conjuntivo é dividido em tecido frouxo e tecido denso, dependendo da quantidade de matriz extracelular presente (AARESTRUP, 2018). Tecido conjuntivo propriamente dito frouxo Possui uma rica matriz extracelular e abundantes fibras contendo células. As fibras de colágeno elásticas são dispostas frouxamente, dando ao tecido flexibilidade e baixa resistência à tração. Existem todos os tipos de células do tecido conjuntivo, mas principalmente fibroblastos e macrófagos. Sem dominância de componente de célula ou matriz. É distribuído por todo o corpo e suporta o epitélio. Preenche os espaços entre órgãos e células musculares, tecidos e glândulas e forma camadas ao redor dos vasos sanguíneos. A Figura 3 mostra um exemplo do próprio tecido conjuntivo frouxo (EYNARD; VALENTICH; ROVASIO, 2010). O epitélio de transição da bexiga está apoiado sobre uma camada de tecido conjuntivo frouxo, o qual permite a mobilidade do epitélio nos vários estados de preenchimento da bexiga. Neste tecido conjuntivo frouxo observam-se muitas células, principalmente fibroblastos, e delgadas fibras colágenas (figura 3). Figura 3 - Tecido conjuntivo frouxo (corte histologico bexiga Fonte: https://bit.ly/3HTvMuZ Tecido conjuntivo propriamente dito denso Tem grande quantidade de fibras colágenas e menor quantidade de matriz extracelular; é adaptado para conferir resistência e proteção aos tecidos. Sua constituição é similar ao tecido conjuntivo frouxo, mas há menos células e predominância de fibras colágenas. Confere mais resistência às trações devido à grande quantidade de fibras e menor flexibilidade. Pode ser denominado não modelado, quando as fibras são organizadas em feixes sem orientação definida, e modelado, quando as fibras de colágeno são paralelas umas às outras e alinhadas com os fibroblastos. É encontrado na derme profunda e em tendões, conectando os músculos aos ossos (Figura 4) (AARESTRUP, 2018). Figura 4 – Tecido conjuntivo denso modelado. Fonte: https://bit.ly/3Ds2twG 1.2 Composição do tecido conjuntivo Como outros tecidos, o tecido conjuntivo é composto de células e matriz extracelular. As próprias células do tecido conjuntivo são células mesenquimais, fibroblastos, células plasmáticas, macrófagos, mastócitos, adipócitos e leucócitos. Existem outras células em certos tecidos conjuntivos, como condroblastos e condrócitos, células osteoprogenitoras, osteoblastos, osteócitos e osteoclastos; células hematopoiéticas e sanguíneas. As próprias células do tecido conjuntivo são descritas abaixo, mas certas células do tecido conjuntivo são observadas ao tratar esses tipos de tecido conjuntivo (AARESTRUP, 2018). Segundo o autor, a composição da matriz extracelular depende das células presentes no tecido conjuntivo. Geralmente é composto por uma porção fibrosa contendo colágeno, fibras reticulares e/ou elásticas e uma porção não fibrosa que é uma matriz contendo glicosaminoglicanos, proteoglicanos e glicoproteínas. As propriedades da matriz extracelular dão a cada tipo de tecido conjuntivo suas propriedades funcionais. A matriz extracelular não fornece apenas suporte estrutural aos tecidos, mas também regula o comportamento celular, influenciando a sobrevivência, diferenciação, migração, morfologia, atividade funcional e sobrevivência celular. Células mesenquimais As células do tecido conjuntivo são derivadas de células mesenquimais, que são células-tronco pluripotentes. O mesênquima é um tecido embrionário de origem ectodérmica, derivado do mesoderma e, na região da cabeça, também da crista neural. As células mesenquimais têm uma aparência em forma de estrela ou fusiforme devido aos seus prolongamentos. Há junções comunicantes entre os prolongamentos de células vizinhas. O espaço extracelular é ocupado pela abundante substância fundamental e por esparsas fibras reticulares (ROSS, 2012). O tecido conjuntivo do adulto contém uma população pequena de células mesenquimais. Elas estão localizadas, por exemplo, na polpa dentária e ao redor de pequenos vasos sanguíneos, onde são chamadas pericitos. Fibroblastos São as células mais comuns no tecido conjuntivo propriamente dito. Os fibroblastos são alongados ou estrelados, com longos prolongamentos, núcleo eucromático e um ou dois nucléolos proeminentes. O retículo endoplasmático rugoso e o complexo de Golgi são bem desenvolvidos, pois sintetizam os componentes da matriz extracelular: as fibras colágenas, as fibras reticulares, as fibras elásticas e a substância fundamental. Produzem também fatores de crescimento que controlam a proliferação e a diferenciação celular (ROSS, 2012). O citoplasma, inclusive nos prolongamentos, é rico em filamentos de vimentina (marcador de origem mesodérmica) e de actina (fibras de estresse). A interação do citoesqueleto com os componentes da matriz extracelular é proporcionada pelas proteínas transmembranas integrinas nas junções de adesão focal. Essas junções permitem a adesão à matriz, o movimento da célula e a transdução de sinais. Nos tecidos embrionários, nos tendões e in vitro, os fibroblastos estão conectados por junções comunicantes e de adesão.Os fibroblastos inativos (fibrócitos) são menores, mais ovoides, com núcleo mais heterocromático e uma menor quantidade de retículo endoplasmático (EYNARD; VALENTICH; ROVASIO, 2010). 1.3 Tecido conjuntivo de propriedades especiais Tecido adiposo O tecido adiposo é um tecido conjuntivo especial caracterizado pela predominância de células especializadas, os adipócitos, associados a uma grande irrigação sanguínea. O tecido adiposo corresponde, em pessoas de peso normal, a 20- 25% do peso corporal na mulher e 15-20% no homem. Esse tecido é considerado a maior reserva de energia do corpo, apesar de não ser a única. Além da dimensão do depósito energético que o tecido adiposo representa, por meio dos triglicerídeos, esse lipídeo é ainda mais eficiente na produção de energia do que o glicogênio (EYNARD; VALENTICH; ROVASIO, 2010). Um grama de triglicerídeos fornece 9,3 Kcal, enquanto um grama de glicogênio fornece apenas 4,1 Kcal de energia. O tecido adiposo não tem sua função de armazenar energia, mas ele atua também: • Na modelagem da pele, tendo uma distribuição diferenciada em homens e mulheres, conferindo-lhes as formas que lhes são peculiares; • Na absorção de choques, amortecendo impactos externos sobre o corpo; • No isolamento térmico, impedindo a perda de calor do corpo; • Preenchendo espaços e sustentando órgãos. Tecido elástico Consiste em fibras elásticas dispostas em feixes espessos e paralelos preenchidos por fibras colágenas finas e fibrócitos. Tem uma cor amarela típica e boa elasticidade devido ao seu alto teor de fibras elásticas. O tecido elástico é incomum no corpo e está presente em pequenas placas no ligamento amarelo e nas cordas vocais da coluna vertebral. Tecido mucoso Devido à proporção predominante de substâncias básicas, principalmente ácido hialurônico, apresenta consistência gelatinosa. Há poucas fibras e as células predominantes encontradas são os fibroblastos. É o principal componente do cordão umbilical e também é encontrado na polpa jovem dos dentes. Tecido reticular ou linfoide Possui grande quantidade de fibras reticulares sintetizadas por fibroblastos especializados, denominadas células reticulares. O tecido reticular é um arranjo frouxo de fibras reticulares que formam uma rede tridimensional que sustenta as células de alguns órgãos, como fígado, linfonodos e baço. Permite a circulação de células e fluidos pelo espaço, forma uma estrutura arquitetônica especial dos órgãos linfáticos e hematopoiéticos (medula óssea, gânglios linfáticos, baço). Existem células de defesa como macrófagos, linfócitos e células plasmáticas que monitoram o fluxo de material através do espaço e eliminam organismos invasores por fagocitose (AARESTRUP, 2018). 1.4 Funções do tecido conjuntivo Os diferentes tipos de tecido conjuntivo são encontrados por todo corpo humano. Eles se relacionam de forma contínua, ou seja, as fibras e a substância fundamental de tecidos contíguos se prolongam sem interrupção, indicando que todos são uma variedade do mesmo tecido, adaptados para as funções que desempenham. Além de servir de conexão, unindo tecidos, gerando sustentação e preenchimento, o tecido conjuntivo também possui diversas atividades indutoras da morfologia, da diferenciação e da arquitetura dos diversos órgãos. Assim, a função que o tecido conjuntivo desempenha está intimamente relacionada com sua estrutura e componentes presentes (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). De acordo com o autor, os tecidos conjuntivos de preenchimento formam o estroma de todos os sistemas orgânicos, conferindo armação estrutural ao corpo. Com a quantidade de fibras presentes, confere mais resistência às trações. Os tipos especializados de tecido conjuntivo apresentam grande variedade de funções, não sendo somente importantes para o desenvolvimento e funcionamento normal dos sistemas, mas também intervêm nos processos de defesa e reparação tecidual. A ampla variedade de funções também determina variedade de formas, e, por isso, o tecido conjuntivo também é denominado “conetivo-vascular”, principalmente pela importância dos vasos sanguíneos, que transportam células em defesa tecidual frente a uma lesão física, química ou biológica. O tecido conjuntivo também pode ser especializado em armazenar gordura, sendo responsável pelo modelamento da superfície corporal, absorvendo impactos e contribuindo para o isolamento térmico do organismo. Você sabia que as variedades mais resistentes de tecido conjuntivo constituem os chamados órgãos de sustentação, como ossos, cartilagens e articulações? Elas desempenham importante função de suporte para os tecidos moles, absorvendo choques e protegendo órgãos vitais. Os ossos ainda apresentam a medula óssea, responsável pela produção de células sanguíneas (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). 4 TECIDO CARTILAGINOSO A cartilagem é composta por uma densa rede de colágeno e/ou fibras elásticas que fornecem força e resistência ao tecido e estão embebidas no sulfato de condroitina da matriz extracelular. O sulfato de condroitina promove a resiliência do tecido, a qual é sua habilidade em voltar à forma original após deformação. Comparada aos tecidos conjuntivos frouxo e denso, a cartilagem pode suportar consideravelmente mais estresse. As células da cartilagem madura, chamadas de condrócitos, se dispõem de maneira isolada ou em grupos, dentro de espaços chamados de lacunas na matriz extracelular (AARESTRUP, 2018) A superfície da maior parte da cartilagem é circundada por uma membrana de tecido conjuntivo denso não modelado chamado de pericôndrio. A cartilagem não tem vasos sanguíneos ou nervos, exceto no pericôndrio (Figura 5), não recebe sangue porque secreta fatores antiangiogênicos, substâncias que impedem o crescimento dos vasos sanguíneos. Devido a essa propriedade, os fatores antiangiogênicos impedem que as células cancerígenas (criadas pelo crescimento de novos vasos sanguíneos) sustentem a rápida taxa de divisão e expansão das células cancerígenas, tornando- as uma potencial terapia contra o câncer. Agora, conheça os três tipos de cartilagem para entender os aspectos anatomoclínicos de partes do corpo compostas por eles: cartilagem hialina, fibrosa e elástica. Cartilagem hialina A cartilagem hialina é a cartilagem mais comum no corpo. Oferece flexibilidade e suporte, reduz o atrito nas articulações e absorve o impacto. Parece esbranquiçado e não tem vasos sanguíneos. Gera resistência ao impacto, flexível e não deforma facilmente. Consiste em células chamadas condrócitos circundadas por uma matriz disforme contendo fibras de colágeno tipo II. Rico em agregados de proteoglicanos e glicoproteínas poliadesivas, é altamente hidratado e composto por água, a maior parte ligada a agregados de proteoglicanos, conferindo elasticidade à cartilagem. Os segmentos não estão ligados e fornecem um meio de difusão de metabólitos para os condrócitos embebidos na matriz (ROSS; PAWLINA; BARNASH, 2012). Figura 5 – Cartilagem hialina. Fonte: bit.ly/3D7gBeL Geralmente, a cartilagem hialina é circundada por um pericôndrio (tecido conjuntivo denso e não formado). As exceções são: Cartilagem epifisária, articulações e placas epifisárias, áreas onde o osso é alongado pelo crescimento natural. A camada fibrosa externa do pericôndrio se assemelha ao tecido conjuntivo denso e irregular que forma a cápsula de outros órgãos. De seu perímetro, a cartilagem cresce de dentro para fora e consegue dividir os condrócitos já existentes. As células recém- formadas continuam a produzir matriz de cartilagem adicional, aumentando o volume da cartilagem (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). O tecido cartilaginoso não possui vasos sanguíneos, linfáticos ou nervos. Os nutrientes são obtidos por difusão dos vasossanguíneos localizados na camada mais externa do pericôndrio. A cartilagem hialina forma as paredes do septo nasal, os anéis da traqueia, as superfícies articulares dos ossos e as regiões epifisárias dos ossos longos, todos associados à ossificação endocondral. Cartilagem fibrosa ou fibrocartilagem Você sabia que a fibrocartilagem fornece força e rigidez à sua estrutura? É a mais forte das três cartilagens, mas também a menos compressível. É composto de tecido conjuntivo denso e não estruturado e cartilagem. Essas células aparecem em pequenos aglomerados intercalados com fibras de colágeno. A presença de uma matriz de cartilagem entre as fibras de colágeno ajuda a amortecer choques físicos repentinos. Isso permite que a cartilagem comprima e absorva a tensão, aliviando o estresse indevido nas fibras de colágeno (Figura 6). Ao contrário da cartilagem hialina, a fibrocartilagem não possui pericôndrio. Está presente: • No disco intervertebral; • Na sínfise púbica; • Nos meniscos da articulação do joelho; • Na articulação temporomandibular; • Nas articulações esternoclavicular e do ombro; • Nas junções entre alguns tendões; • Ligamentos com ossos. Figura 6 – Cartilagem fibrosa. Fonte: bit.ly/3XRTOLH Os condrócitos estão espalhados em feixes de fibras colágenas claramente visíveis no interior da matriz extracelular desse tipo de cartilagem. Cartilagem elástica A cartilagem elástica é mais elástica que a hialina e a fibrocartilagem. Fornece suporte e mantém a forma da estrutura. A cartilagem elástica contém pericôndrio, fibras elásticas e lamelas, além de elementos típicos encontrados na cartilagem hialina. Eles também conferem à matriz da cartilagem maior resistência às forças de tração, enquanto na cartilagem hialina a matriz resiste apenas às forças físicas. A cartilagem elástica resiste ao processo natural de mineralização do envelhecimento, ao contrário da cartilagem hialina, que se calcifica. Os condrócitos estão localizados em uma rede de fibras elásticas dentro da matriz extracelular. O pavilhão auricular, a tuba auditiva (Figura 7), a epiglote e parte da laringe são compostas por cartilagem elástica (ROSS; PAWLINA; BARNASH, 2012). Figura 7 – Cartilagem elástica. Fonte: bit.ly/3ZTkwFP Funções do tecido cartilaginoso De maneira geral, as três variedades de cartilagem executam funções similares: • Revestimento das articulações ósseas; • Amortecimento de impactos e atrito entre os ossos; • Auxílio nos movimentos corporais; • Sustentação e proteção para algumas partes do corpo. Como a cartilagem é uma estrutura elástica e flexível, ela resiste às forças de compressão e torção. Essa propriedade pode ser melhor compreendida lembrando como a cartilagem possibilita os movimentos arqueados, inspiratórios e expiratórios das costelas. Ou pense novamente sobre seu sistema respiratório. Como a área cartilaginosa pode alterar o diâmetro dos ductos (laringe, traqueia, brônquios) sem colapsar. Nas articulações, o tecido cartilaginoso faz parte da ossificação endocondral sendo consideradas cartilagens de crescimento, que agem sob controle hormonal e de vitaminas, assegurando o crescimento em comprimento dos ossos e, finalmente, o crescimento do indivíduo (ROSS; PAWLINA; BARNASH, 2012). Tipos celulares O tecido cartilaginoso possui dois tipos de células: condroblastos e condrócitos. Esses dois tipos estão mais ou menos distantes um do outro e separados por substância intercelular suficiente. Os condroblastos produzem fibras de colágeno tipo II (e a elasticidade da cartilagem elástica) e os principais componentes da substância intercelular (matriz da cartilagem) (ROSS; PAWLINA; BARNASH, 2012). À medida que a cartilagem se forma, sua atividade diminui e quando começam a ser chamados de condrócitos, ocorre uma pequena quantidade de contração. São células ricas em retículo endoplasmático rugoso (RER), complexo de Golgi sofisticado e núcleos de eucromatina. Contém glicogênio, proteoglicanos e compostos proteicos e glicosaminoglicanos (condroitim sulfato e queratam sulfato) (AARESTRUP, 2018). Os condrócitos, que surgem da proliferação celular, formam aglomerados isogênicos ou condrons. A forma, o tamanho e o arranjo dos aglomerados isogênicos podem variar entre os tipos de cartilagem e até mesmo dentro do mesmo tipo, dependendo da localização. Matriz extracelular A matriz extracelular da cartilagem hialina e elástica é composta por colágeno tipo II. As moléculas de colágeno formam fibrilas muito finas, mas não se transformam em fibras e são quase invisíveis à microscopia de luz. A cartilagem elástica tem muitas substâncias e fibras elásticas. A maior parte da matriz extracelular é composta principalmente por moléculas de glicosaminoglicanos sulfatados, sulfato de condroitina e ácido hialurônico não sulfatado. Essas moléculas estão envolvidas na rigidez e consistência do tecido cartilaginoso. O exame microscópico das seções de cartilagem revela coloração azulada da matriz extracelular em seções coradas com hematoxilina e eosina (HandE), em contraste com a própria matriz de tecido conjuntivo. Isso ocorre porque, como as moléculas da matriz fundamental possuem muitos radicais ácidos, a matriz é corada preferentemente por corantes básicos – ao contrário da matriz do tecido conjuntivo propriamente dito, sendo acidófila devido à presença de grande quantidade de fibras colágenas (CAMILLO et al; 2017). 5 TECIDO ÓSSEO O tecido ósseo é um tipo especial de tecido conjuntivo, composto de células e uma substância extracelular mineralizada chamada matriz óssea, que confere rigidez ao tecido, sendo constituída de uma parte contendo colágeno que confere alguma flexibilidade. Graças a essas características, sua estrutura é altamente dinâmica, crescendo, mudando e permanecendo ativa ao longo da vida do organismo (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). A matriz é composta por 50% de orgânicos e 50% de inorgânicos (AARESTRUP, 2018). Quadro 5 - Funções do tecido ósseo. Fonte: Aarestrup, 2018. Quadro 6 - Constituição da matriz óssea. Fonte: Junqueira; Carneiro (2013). Células osteoprogênitoras São células mesenquimais (de origem mesenquimal) que possuem a capacidade de se diferenciar e proliferar em células que formam o tecido ósseo chamadas osteoblastos. Essas células persistem após o nascimento e sendo encontradas em quase todas as superfícies ósseas livres (endósteo, periósteo, trabéculas de cartilagem calcificada). Durante o estágio de crescimento e reparo de danos ósseos, as células osteoprogenitoras tornam-se mais ativas e sua atividade também aumenta para criar novos osteoblastos de tecido ósseo (AARESTRUP, 2018). Osteoblastos Os osteoblastos são células jovens que produzem a parte orgânica da matriz. Eles estão localizados na superfície óssea em camadas de células cúbicas a colunares. A forma dessas células está diretamente relacionada ao estado de ativação dos osteoblastos. Tem um citoplasma cuboide e basofílico quando ativado e achatado quando inativo, indicando depleção de basófilos (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). À medida que os osteoblastos produzem e secretam componentes da matriz óssea, cada célula torna-se encapsulada na matriz recém-produzida. Quando isso acontece, as células ficam presas e são chamadas de osteócitos. A matriz óssea recém-formada adjacente aos osteoblastos e ainda não mineralizada é denominada osteóide. Osteócitos Osteócitos são as células mais abundantes no tecido ósseo, células dormentes derivadas de osteoblastos, que, após completarem seu trabalho sintético, são cobertas com material inorgânico e residem nos interstícios (vazios) dentro da matriz óssea. Um canalículo surge de cada lacuna e se anastomosa com os canalículos daslacunas adjacentes, por meio desses túbulos, extensões citoplasmáticas de osteócitos entram em contato com osteócitos de outras lacunas, formando uma verdadeira rede de comunicação entre essas células (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). Os osteócitos estão envolvidos na manutenção do tecido ósseo vivo. Isso ocorre porque os osteócitos detectam alterações físicas e químicas nesse tecido e posteriormente recrutam osteoclastos e osteoblastos para as funções de síntese e reabsorção, respectivamente. Osteoclastos Os osteoclastos são células multinucleadas, grandes, móveis e altamente ramificadas. Eles são encontrados na superfície dos ossos e estão envolvidos no processo de reabsorção do tecido ósseo. As lacunas de Howship se formam quando criam depressões na matriz pela reabsorção. Os osteoclastos são derivados de células progenitoras mononucleares na medula óssea que se fundem para formar células gigantes multinucleadas (AARESTRUP, 2018). A superfície ativa dos osteoclastos é chamada de zona clara, formada por citoplasma pobre em organelas e rico em actina, com muitos prolongamentos vilosos que formam um microambiente fechado oposto à matriz óssea onde ocorre a reabsorção óssea. Os osteoclastos liberam ácidos, colagenases e outras enzimas hidrolíticas que digerem a matriz orgânica e dissolvem cristais de sais de cálcio. Figura 8 – Principais células do tecido ósseo. Fonte: bit.ly/2OYg0jt Periósteo e endósteo O periósteo é o revestimento externo do osso, é uma membrana de tecido conjuntivo composta por duas camadas. Ele contém fibras Sharpie, constituídas de feixes de fibras de colágeno que penetram no tecido ósseo e prendem o periósteo ao osso. A camada mais interna é celular e vascularizada e contém células osteoprogenitoras capazes de se diferenciam em osteoblastos e desempenham um papel importante no crescimento ósseo durante a consolidação da fratura (AARESTRUP, 2018). O tecido conjuntivo do periósteo é alimentado por vasos sanguíneos que se ramificam e penetram no osso através de canais na matriz óssea. Eles são responsáveis por nutrir as células ósseas. Não há periósteo nas extremidades dos ossos longos. Eles são cobertos com cartilagem hialina, cujo objetivo é permitir conexões osso a osso e reduzir o atrito durante o exercício. A principal função do endósteo e do periósteo é nutrir o tecido ósseo e fornecer novos osteoblastos para o crescimento e reparo ósseo. Classificação histológica do tecido ósseo: Tecido ósseo primário Ambos os tipos de tecido ósseo têm os mesmos componentes de célula e matriz. Os tecidos primários são os primeiros a aparecer tanto no desenvolvimento embrionário quanto na cicatrização de fraturas porque são transitórios e substituídos por tecidos secundários (ROSS, 2012). No tecido ósseo primário, as fibras colágenas estão dispostas aleatoriamente, sem orientação definida, enquanto no tecido ósseo secundário ou lamelar, essas fibras estão organizadas em camadas que adotam um arranjo bastante peculiar. Em qualquer osso, o primeiro tecido ósseo a aparecer é o tecido ósseo primário, que é gradualmente substituído por lamelas ou tecido ósseo secundário. O último tipo inclui osso compacto e osso esponjoso. https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2019/09/c%C3%A9lulas-%C3%B3sseas.jpg https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2019/09/c%C3%A9lulas-%C3%B3sseas.jpg Tecido secundário (lamelar) Tecido ósseo secundário (lamelar) ou maduro é a variante mais comum em adultos, inclui fibras de colágeno dispostas em camadas paralelas umas às outras ou fibras de colágeno dispostas em camadas concêntricas ao redor de canais contendo vasos sanguíneos e nervos, formando o sistema de Havers ou ósteons. Os osteócitos estão dispostos em intervalos regulares entre as lamelas ou às vezes dentro delas. Embora a matriz do tecido ósseo secundário seja mais mineralizada, os osteócitos se comunicam entre si por extensões citoplasmáticas dentro de túbulos que emergem dos interstícios, permitindo assim nutrientes, íons, hormônios e facilitando o fluxo de metabólitos (AARESTRUP, 2018). Existem quatro tipos de sistemas lamelares no tecido ósseo compacto: ósteons, lamelas periféricas, lamelas periféricas internas e lamelas intersticiais. Ósteons são cilindros lamelares, dispostos concentricamente em torno de um espaço contendo vasos sanguíneos e nervos chamados canais de Havers. Dentro de cada lamela, os feixes de colágeno são paralelos e quase perpendiculares aos feixes lamelares adjacentes, muitas vezes com acúmulos de material cimentício consistindo de uma matriz mineralizada com pouco colágeno, e grupos de lamelas são separados (ROSS, 2012). O canal de Havers no centro da lamela se interconecta com a cavidade medular e se comunica com a superfície externa do osso através do canal de Volkmann, que atravessa as lamelas do osso. O sistema de Havers de tecido ósseo secundário é mais característico da diáfise dos ossos longos. As lamelas circunferenciais externas e internas são compostas por lamelas ósseas paralelas entre si, formando duas bandas. Uma faixa interna ao redor do canal medular e próximo ao endósteo, e uma faixa externa próximo ao periósteo. Entre os dois sistemas de lamelas circunferenciais estão remanescentes de vários sistemas de Havers destruídos durante o crescimento ósseo, formando grupos irregulares de lamelas de forma triangular, chamadas intersticiais (ROSS, 2012). As lacunas são onde as células ósseas estão localizadas e possuem processos que se comunicam entre si por meio de complexos juncionais, permitindo que íons e https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/08/Captura-de-Tela-2020-08-18-%C3%A0s-10.45.09.png https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/08/Captura-de-Tela-2020-08-18-%C3%A0s-10.45.09.png pequenas moléculas passem de uma célula óssea para outra. Essas extensões formam os canais ósseos (AARESTRUP, 2018). Figura 9 – Corte histológico tecido ósseo (a) Trabéculas ósseas, 1 – osteoblastos, 2 – osteócitos, 3- osteoclastos. Fonte: bit.ly/3jwZhJn 6 TECIDO SANGUÍNEO O sangue é um tipo especial de tecido conjuntivo que contém quantidade significativa de matriz extracelular. Em estado líquido, esse tecido flui pelo sistema circulatório e transporta várias moléculas, como oxigênio, dióxido de carbono, hormônios, eletrólitos, água e produtos residuais do metabolismo célula (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). Segundo o autor, a diapedese é a migração de células de defesa do sangue para os tecidos e a troca de nutrientes contidos no sangue, ocorre nos capilares, vasos de paredes simples, feitos de tecido epitelial escamoso, consistindo apenas no endotélio e sua membrana basal. Em alguns capilares, o endotélio tem poros minúsculos que permitem a passagem de água, muitas moléculas solúveis em água e a maioria dos íons. Dissolvem na membrana plasmática capilar e passam por sua extensão sem passar pelos poros, substâncias lipossolúveis, como algumas vitaminas e hormônios. As substâncias são transportadas através das membranas celulares por dois mecanismos: difusão e transporte ativo. A presença de células protetoras e elementos humorais no sangue é um importante sistema de defesa contra vários tipos de invasores, incluindo micróbios e outras substâncias estranhas (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). Ainda segundo o autor, ao remover o dióxido de carbono e outros resíduos do metabolismo celular do corpo, esse tecido fornece às várias células do corpo, oxigênio e outros nutrientes, como glicose, aminoácidos, proteínas, gorduras, água, eletrólitos e minerais, desempenha outras funções como transporte, desintoxicação ou secreção. Participando do processo de desintoxicação,transporte e eliminação de substâncias absorvidas pelo organismo, inclusive agentes farmacológicos, facilitando sua eliminação pelos pulmões, rins, pele e até fezes. Outras funções desempenhadas por esta organização incluem: • Regular a concentração de íons H+ por meio da ação de sistemas de troca iônica e tampão; • Regula o teor de água de vários compartimentos líquidos do corpo. Esta é a base do equilíbrio ácido-base osmótico dos fluidos teciduais. • Mantenha o pH dentro de uma faixa razoável para que as enzimas e organelas funcionem. • Distribuição dos hormônios produzidos pelas glândulas endócrinas por todo o corpo e regulam a temperatura corporal. O sangue é formado em duas etapas. Primeiro, os elementos formados (eritrócitos, leucócitos, plaquetas) são suspensos em uma fase líquida de segundo estágio. Este último é o plasma (91% de água, 9% de proteínas, eletrólitos, gorduras, glicose, hormônios e muitas outras substâncias). Portanto, um homem adulto tem um volume sanguíneo total de cerca de 5 litros, correspondendo a 7% do seu peso corporal. Seu sangue consiste em 55% de plasma, dos quais 2% de glóbulos brancos e plaquetas e 43% de glóbulos vermelhos (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). Plasma sanguíneo O plasma é a fase líquida, a porção não celular do sangue. É composto por eletrólitos e íons: potássio, sódio, bicarbonato, cálcio, compostos orgânicos (aminoácidos, lipídios, vitaminas, cofatores, hormônios), globulinas, albumina, fibrinogênio. Quando um tubo de ensaio de sangue é centrifugado, as células depositam-se no fundo e, acima dele, observa-se plasma, uma camada de líquido claro, opaco e viscoso de cor amarelo pálido ou âmbar (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). De acordo com o autor, uma pessoa normal, esse compõe 60% do volume sanguíneo e o hematócrito 40%. No entanto, se uma grande quantidade de sangue for coletada em um tubo de vidro, os coágulos sanguíneos se formarão em minutos. O coágulo então coagula e fica cada vez mais apertado por um mecanismo chamado retração. Quando o coágulo se retrai, expulsando a maior parte do líquido retido no seu interior, e esse líquido é denominado soro sanguíneo. O principal componente do plasma sanguíneo é a água, representando 91% do seu volume. Os 9% restantes correspondem a proteínas (7%) e outros elementos dissolvidos (2%). O soro é igual ao plasma menos as proteínas do sistema de coagulação e outras proteínas retidas no coágulo. Não contém coagulantes como o fibrinogênio (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). Elementos figurados O volume celular sanguíneo é composto pelos elementos presentes no sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). Os elementos formados compõem 5% do sangue, com a parte “não líquida” (células) envolvendo a parte “líquida”' (plasma). Eles variam em tamanho e ocorrem em proporções variadas no sangue. Hemácias Conhecidas como glóbulos vermelhos ou eritrócitos. São células que não possuem organelas cuja principal função é o transporte de oxigênio. A sua estrutura é um disco bicôncavo com um diâmetro de 8 μm e uma espessura de 2 μm. Esta membrana celular do sangue representa 1% do seu peso total e está envolvida na manutenção e integridade celular. Juntamente com o esqueleto, fornece flexibilidade, durabilidade e capacidade de suportar grandes deformações (AARESTRUP, 2018). Segundo o autor, a proteína presente nos glóbulos vermelhos é a hemoglobina. Ele pode ligar quatro moléculas de oxigênio (devido à presença de quatro cadeias tridimensionais, duas cadeias alfa e duas cadeias beta na estrutura quaternária) e, assim, transportá-las por todo o corpo. A hemoglobina é o pigmento respiratório mais comum nos organismos vivos e dá ao sangue sua cor vermelha. A eritropoese é o processo no qual as hemácias são produzidas pela medula óssea. Na vida fetal, são produzidas no fígado e no baço e amadurecem na medula óssea. As hemácias têm vida média de 120 dias, depois disso, ocorre a diminuição de sua deformabilidade e sua lise celular acontece no baço. A contagem de hemácias existente no sangue é um indicador de grande importância na avaliação clínica dos indivíduos. Sua expressão mais simples é o hematócrito, que representa o percentual de hemácias contido no sangue (AARESTRUP, 2018). A quantidade de glóbulos vermelhos está diretamente relacionada à quantidade de hemoglobina. Portanto, o hematócrito é uma medida indireta da capacidade do sangue de transportar oxigênio para os tecidos. Os valores normais de hematócrito são de 0% a 2% nos homens e de 38% a 42% nas mulheres (AARESTRUP, 2018). Doenças relacionadas às hemácias • Anemia: é a produção insuficiente ou encurtamento da vida média das hemácias; • Policitemia: Aumento excessivo da produção de glóbulos vermelhos sem afetar a sobrevida. A doença afeta principalmente pessoas que vivem em grandes altitudes, têm doenças pulmonares e fumantes. Leucócitos Também chamados de globulos brancos, são células sanguíneas esféricas e incolores que desempenham funções de defesa do hospedeiro. São células, produzidas na medula óssea e permanecem temporariamente no sangue, pois são utilizadas como meio de transporte para chegar ao seu destino final, o tecido (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). Leucócitos podem ser classificados em granulócitos e agranulócitos (quadro 07). Quadro 7 – Classificação dos leucócitos. Fonte: Junqueira; Carneiro, 2013. A contagem de glóbulos brancos por microlitro de sangue no adulto está entre 4.500 a 11.500. Os quadros de leucocitose e leucopenia se referem ao aumento e à diminuição do número de leucócitos no sangue, respectivamente (AARESTRUP, 2018). Quadro 8 – Descrição dos principais glóbulos brancos. Fonte: Adapatado de Ross, 2012. Plaquetas As plaquetas são derivadas da medula óssea vermelha porque surgem da fragmentação citoplasmática dos megacariócitos (devido à diferenciação dos megablastos). Os megacariócitos ficam próximos aos capilares sinusais e facilitam a liberação de plaquetas no sangue (ROSS, 2012). Figura 10 – Plaquetas sanguíneas Fonte: bit.ly/2CFmO3S Existem cerca de 150.000 a 450.000 plaquetas por microlitro de sangue e permanecem lá por cerca de 10 dias. Nos esfregaços, eles aparecem como grupos agrupados com áreas claras e azuis claras (AARESTRUP, 2018). 7 TECIDO NERVOSO O tecido nervoso é o principal responsável por receber, armazenar e transmitir os impulsos nervosos. Embora apresente uma variedade grande de células, é pobre em matriz extracelular. Esse tipo de tecido exerce papel fundamental nas funções do organismo, já que podemos interpretá-lo como o principal tecido que forma o sistema nervoso, sendo este o grande coordenador de todas as atividades corpóreas (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2018). O sistema nervoso divide-se em dois grandes sistemas, o sistema nervoso central, que, como o nome diz, atua na parte central do corpo, protegido por dois grandes estojos ósseos que são a coluna vertebral e o crânio, e o sistema nervoso periférico, sendo o principal encarregado de transmitir impulsos provenientes do mundo exterior para o sistema nervoso central. Esses dois sistemas estão constituídos por aglomerados de neurônios, os gânglios nervosos e os nervos (AARESTRUP, 2018). Os neurônios, embora não sejam as únicas células que compõem o nosso sistema nervoso, certamente são as mais conhecidas e desempenham um papel extremamente importante. Os neurônios são células nervosas responsáveis pela condução dos impulsos nervosos em ambos os sentidos, aferente, ou seja, levando informações dos sentidos, como audição, olfato, visão, paladar e tato, para o sistema nervoso central; ou eferente, levando as respostas elaboradas pelo sistema nervoso central para