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Definição e diferenças entre psicomotricidade e neuropsicomotricidade 2 PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL, SEM AUTORIZAÇÃO. Lei nº 9610/98 – Lei de Direitos Autorais 3 Seja bem-vindo(a) ao seu novo material! 4 Fundamentação conceitual: corpo, motricidade e subjetividade A psicomotricidade surge como abordagem que articula corpo, motricidade, cognição e emoção, numa perspectiva humanística e integral. Conforme Benetti et al. (2018), a motricidade integrada constitui a base da experiência sensório-motora que estrutura a aquisição de significados e o desenvolvimento da subjetividade. Sacchi e Metzner (2019) situa o campo como ciência do homem em movimento, em seu mundo interno e externo, reforçando o entendimento da ação corporal como terreno de construção do sujeito. A psicomotricidade se caracteriza pela prática vivencial, com uso de diferentes práticas como jogos, atividades lúdicas e propostas corporais que favorecem aprendizagem, socialização e autoregulação. Como observa Sacchi e Metzner (2018), as práticas corporais permitem a simbolização emocional e o desenvolvimento da autonomia motora. Neuropsicomotricidade: uma perspectiva neurobiológica A neuropsicomotricidade, por sua vez, aprofunda essa perspectiva ao incluir o entendimento das bases neurofuncionais da motricidade e da emoção. Fonseca (2021) introduz esse conceito ao destacar a articulação entre estruturas cerebrais (como sistema reticular, córtex e sistemas límbicos) e funções psicomotoras. O núcleo da neuropsicomotricidade é compreender como alterações no sistema nervoso central impactam no movimento, comportamento, atenção e emoção. Assim, quando há disfunções cognitivas ou emocionais associadas a dificuldades motoras, a neuropsicomotricidade fornece instrumental técnico para avaliação e intervenção. Nesse sentido, cabe afirmar que intervenções psicomotoras aliadas à compreensão neuropsicomotora contribuem para redução das dificuldades ou desenvolvimento inadequado e ganhos inclusive na interação social. Além disso, Carvalho (2003) reforça que a psicomotricidade com base neurofuncional permite trabalhar o educativo compreensivo, que articula emoção, cognição e movimento de forma sensível e completa. Convergências e delimitação das abordagens: subsídios para atuação profissional Apesar das diferenças conceituais, psicomotricidade e neuropsicomotricidade compartilham princípios de valorização do sujeito como totalidade em movimento. Ambas entendem o corpo como ponto de enunciação de emoções e conhecimento e consideram o movimento como expressão e aprendizagem. Porém, para atuação pedagógica ampla, a psicomotricidade oferece atividades lúdicas que favorecem a inclusão e o desenvolvimento infantil; já a neuropsicomotricidade se direciona mais para diagnóstico clínico e reabilitação especializada. 5 Essa distinção pode ser exemplificada no contexto escolar: a psicomotricidade, com seu caráter preventivo-educativo, pode atuar com crianças com leve dificuldade emocional ou motora; já a neuropsicomotricidade se faz necessária em casos com comprometimento mais intenso, como atraso significativo no desenvolvimento motor ou funcionalidade nervosa (Benetti et al., 2025). Considerações Finais Tanto a psicomotricidade quanto a neuropsicomotricidade constituem abordagens fundamentais para o desenvolvimento humano em sua integralidade. Se por um lado a psicomotricidade privilegia o corpo vivido e relacional como via de construção da subjetividade, por outro, a neuropsicomotricidade amplia essa compreensão ao incorporar os fundamentos neurofuncionais que sustentam os processos motores, cognitivos e emocionais. Essas abordagens não se anulam, mas se complementam: enquanto a psicomotricidade atua de forma preventiva e educativa por meio de experiências significativas com o corpo em movimento, a neuropsicomotricidade oferece subsídios técnicos para diagnósticos mais precisos e intervenções especializadas. Tal convergência reforça a importância de práticas pedagógicas que não apenas respeitem os ritmos e singularidades dos sujeitos, mas que também sejam embasadas teoricamente e sustentadas por evidências científicas. Dessa forma, reconhecer e aplicar os conhecimentos da psicomotricidade e da neuropsicomotricidade, significa promover práticas mais humanas, inclusivas e transformadoras, que valorizam o sujeito em sua totalidade e contribuem para a construção de trajetórias mais autônomas e significativas. 6 Referências BENETTI, Idonézia Collodel et al. Psicomotricidade e desenvolvimento: concepções e vivências de professoras da educação infantil na Amazônia Setentrional. Estudos e Pesquisas em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 18, n. 2, p. 588-607, ago. 2018. CARVALHO, Elda Maria Rodrigues de. Tendências da educação psicomotora sob o enfoque Walloniano. Psicologia: Ciência e Profissão, [S.I.], v. 23, n. 3, p. 84-89, set. 2003. FONSECA, Vitor da. Psicomotricidade: uma visão pessoal. Construção Psicopedagógica, São Paulo, v. 18, n. 17, p. 42 52, dez. 2010. SACCHI, Ana; METZNER, Andreia. A percepção do pedagogo sobre o desenvolvimento psicomotor na educação infantil. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, [S.I.], v. 100, n. 254, p. 92-110, 18 jun. 2019.