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Definição e diferenças entre
psicomotricidade e
neuropsicomotricidade
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Fundamentação conceitual: corpo, motricidade e
subjetividade
A psicomotricidade surge como abordagem que articula corpo, motricidade, cognição e
emoção, numa perspectiva humanística e integral. Conforme Benetti et al. (2018), a
motricidade integrada constitui a base da experiência sensório-motora que estrutura a
aquisição de significados e o desenvolvimento da subjetividade. Sacchi e Metzner (2019)
situa o campo como ciência do homem em movimento, em seu mundo interno e externo,
reforçando o entendimento da ação corporal como terreno de construção do sujeito.
A psicomotricidade se caracteriza pela prática vivencial, com uso de diferentes práticas
como jogos, atividades lúdicas e propostas corporais que favorecem aprendizagem,
socialização e autoregulação. Como observa Sacchi e Metzner (2018), as práticas
corporais permitem a simbolização emocional e o desenvolvimento da autonomia motora.
Neuropsicomotricidade: uma perspectiva
neurobiológica
A neuropsicomotricidade, por sua vez, aprofunda essa perspectiva ao incluir o
entendimento das bases neurofuncionais da motricidade e da emoção. Fonseca (2021)
introduz esse conceito ao destacar a articulação entre estruturas cerebrais (como sistema
reticular, córtex e sistemas límbicos) e funções psicomotoras. O núcleo da
neuropsicomotricidade é compreender como alterações no sistema nervoso central
impactam no movimento, comportamento, atenção e emoção. Assim, quando há
disfunções cognitivas ou emocionais associadas a dificuldades motoras, a
neuropsicomotricidade fornece instrumental técnico para avaliação e intervenção.
Nesse sentido, cabe afirmar que intervenções psicomotoras aliadas à compreensão
neuropsicomotora contribuem para redução das dificuldades ou desenvolvimento
inadequado e ganhos inclusive na interação social. Além disso, Carvalho (2003) reforça
que a psicomotricidade com base neurofuncional permite trabalhar o educativo
compreensivo, que articula emoção, cognição e movimento de forma sensível e completa.
Convergências e delimitação das abordagens:
subsídios para atuação profissional
Apesar das diferenças conceituais, psicomotricidade e neuropsicomotricidade
compartilham princípios de valorização do sujeito como totalidade em movimento. Ambas
entendem o corpo como ponto de enunciação de emoções e conhecimento e consideram o
movimento como expressão e aprendizagem. Porém, para atuação pedagógica ampla, a
psicomotricidade oferece atividades lúdicas que favorecem a inclusão e o
desenvolvimento infantil; já a neuropsicomotricidade se direciona mais para diagnóstico
clínico e reabilitação especializada.
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Essa distinção pode ser exemplificada no contexto escolar: a psicomotricidade, com seu
caráter preventivo-educativo, pode atuar com crianças com leve dificuldade emocional ou
motora; já a neuropsicomotricidade se faz necessária em casos com comprometimento
mais intenso, como atraso significativo no desenvolvimento motor ou funcionalidade
nervosa (Benetti et al., 2025).
Considerações Finais
Tanto a psicomotricidade quanto a neuropsicomotricidade constituem abordagens
fundamentais para o desenvolvimento humano em sua integralidade. Se por um lado a
psicomotricidade privilegia o corpo vivido e relacional como via de construção da
subjetividade, por outro, a neuropsicomotricidade amplia essa compreensão ao incorporar
os fundamentos neurofuncionais que sustentam os processos motores, cognitivos e
emocionais.
Essas abordagens não se anulam, mas se complementam: enquanto a psicomotricidade
atua de forma preventiva e educativa por meio de experiências significativas com o corpo
em movimento, a neuropsicomotricidade oferece subsídios técnicos para diagnósticos
mais precisos e intervenções especializadas. Tal convergência reforça a importância de
práticas pedagógicas que não apenas respeitem os ritmos e singularidades dos sujeitos,
mas que também sejam embasadas teoricamente e sustentadas por evidências
científicas.
Dessa forma, reconhecer e aplicar os conhecimentos da psicomotricidade e da
neuropsicomotricidade, significa promover práticas mais humanas, inclusivas e
transformadoras, que valorizam o sujeito em sua totalidade e contribuem para a
construção de trajetórias mais autônomas e significativas.
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Referências
BENETTI, Idonézia Collodel et al. Psicomotricidade e desenvolvimento: concepções e
vivências de professoras da educação infantil na Amazônia Setentrional. Estudos e
Pesquisas em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 18, n. 2, p. 588-607, ago. 2018.
CARVALHO, Elda Maria Rodrigues de. Tendências da educação psicomotora sob o enfoque
Walloniano. Psicologia: Ciência e Profissão, [S.I.], v. 23, n. 3, p. 84-89, set. 2003.
FONSECA, Vitor da. Psicomotricidade: uma visão pessoal. Construção Psicopedagógica,
São Paulo, v. 18, n. 17, p. 42 52, dez. 2010.
SACCHI, Ana; METZNER, Andreia. A percepção do pedagogo sobre o desenvolvimento
psicomotor na educação infantil. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, [S.I.], v.
100, n. 254, p. 92-110, 18 jun. 2019.

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