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Relatos e entrevistas 
Antes de cada uma das abordagens, você explicou ao entrevistado que as informações 
dadas no processo de investigação não seriam usadas como forma de punição, já que o 
objetivo era encontrar as causas do acidente para propor soluções que evitassem sua 
recorrência, sendo, então, importante relatar o ocorrido de forma verdadeira e detalhada. 
Etapa III 
Relato inicial do técnico em manutenção (trabalhador acidentado) 
 
Você (TST) – Poderia relatar como ocorreu o acidente? 
 
Trabalhador acidentado – Claro! Era um dia normal de atividade para mim. Foi aberta 
uma ordem de serviço para eu executar um procedimento em altura na fachada de um 
dos prédios da empresa. Então, após chamar o supervisor responsável para elaborar a 
análise preliminar de risco (APR), a medida de segurança indicada na análise foi o uso 
de plataforma elevatória. Quando pedi essa plataforma no almoxarifado, disseram que 
ela não estava disponível, pois para usála era necessário fazer o agendamento com 
antecedência. Isso me pareceu um pouco desorganizado, porque fazemos a APR e 
retiramos no almoxarifado os equipamentos e materiais propostos na análise, tudo no 
mesmo dia da tarefa. E aí? Como fica a tarefa quando o equipamento não está 
disponível? Foi assim que, infelizmente, deixei de cumprir o procedimento-padrão da 
empresa, que orientava realizar a atividade, conforme as recomendações da APR, e usei 
a escada. Ao chegar no local, não encontrei onde amarrar a escada nem fixar os 
equipamentos de proteção individual (EPI) para realizar o trabalho em altura, 
provavelmente por isso a APR tinha indicado o uso de plataforma elevatória. Mesmo 
assim, resolvi fazer a manutenção na fachada do prédio mesmo sem seguir o que havia 
aprendido no meu treinamento de trabalho em altura da NR-35, fui imprudente. Ao usar 
a furadeira, ela me impulsionou excessivamente para trás, o que eu não esperava, pois 
havia algo estranho na furadeira, acho que não era do tipo que costumava usar para isso. 
Então, não consegui ficar firme na escada, a sola do meu calçado de segurança deslizou 
e acabei caindo e me machucando. Além disso, quase levei um choque elétrico, porque 
a escada, ao cair, arrebentou a fiação próxima, que deveria estar desligada, mas não 
estava. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Etapa IV 
Entrevista com o supervisor do setor de manutenção 
 
Você (TST) – Vi que os trabalhadores fazem a APR e retiram no almoxarifado os 
equipamentos e materiais propostos na análise, tudo no mesmo dia da tarefa. Por que 
fazem assim? 
 
Supervisor de manutenção – Fazemos assim porque não sabíamos que outras equipes 
também estavam usando os mesmos equipamentos que o pessoal do setor de 
manutenção, por isso agora era preciso fazer o agendamento para usar alguns 
equipamentos. 
 
Você (TST) – Por que não sabiam dessa informação? 
 
Supervisor de manutenção – Como íamos saber se o gestor do almoxarifado nunca 
nos disse? 
 
Você (TST) – Por que será que ele nunca compartilhou essa informação com o setor de 
manutenção? 
 
Supervisor de manutenção – Não temos reuniões gerenciais que abordem aspectos de 
segurança do trabalho. Por isso, as informações de um setor que são importantes para 
manter a segurança em outro não chegam... 
 
Você (TST) – Entendi, faz sentido, e por que será que não fazem essas reuniões? 
 
Supervisor de manutenção – Falta um treinamento para os gestores que explique a 
importância da comunicação entre os setores, inclusive na segurança do trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Entrevista com o técnico em manutenção (trabalhador acidentado) 
 
Você (TST) – Por que deixou de cumprir o procedimento-padrão que orientava realizar a 
atividade conforme as recomendações da APR e usou a escada? 
 
Trabalhador acidentado – Porque sentia que tinha de executar a tarefa acima de tudo. 
 
Você (TST) – Por que sentia isso? 
 
Trabalhador acidentado – Queria aumentar o meu número de chamados de 
manutenção atendidos no mês. 
 
Você (TST) – Por quê? 
 
Trabalhador acidentado – Estava muito distante de atingir a meta mensal do setor, bem 
atrás dos meus colegas. 
 
Você (TST) – Por que você está tão atrás deles se é o funcionário mais experiente do 
time? 
 
Trabalhador acidentado – O motivo é que o indicador de produtividade não leva em 
conta que, por ter mais experiência, costumo ser designado para os serviços de maior 
risco, que exigem mais procedimentos de segurança e, consequentemente, mais tempo 
para serem executados. Agora, por que esse indicador não leva isso em conta, realmente 
não sei. Sabe me dizer o motivo? 
 
Você (TST) – Não me consultaram quando definiram essa métrica de avaliação dos 
funcionários. Um técnico em segurança do trabalho poderia dar orientações sobre os 
cuidados relacionados à definição de metas de produtividade e sobre a necessidade de 
avaliar também os aspectos de segurança do trabalho. 
 
Trabalhador acidentado – Por que será que não chamaram você ou outro técnico em 
segurança do trabalho para dar uma orientação sobre isso? 
 
Você (TST) – Acho que está faltando um treinamento sobre o impacto das decisões e 
das atitudes da liderança na segurança do trabalho. 
 
 
 
 
 
 
Relato do almoxarife (disponibilizou as ferramentas e os equipamentos) 
 
Você (TST) – O acidentado explicou que a furadeira o impulsionou muito para trás, sabe 
de algo relacionado a esse equipamento que ele estava usando? 
 
Almoxarife – Quando me contaram que o acidente aconteceu enquanto ele usava a 
furadeira, eu me dei conta de que provavelmente não era a furadeira adequada para furar 
concreto e de que isso podia ter influenciado na queda. 
 
Você (TST) – Sabe por que ele a estava usando para fazer isso? 
 
Almoxarife – Acho que não conferiu a checklist de início de atividade, nela há um item 
para conferir se o equipamento é adequado. 
 
Você (TST) – Verdade! Essa checklist serve exatamente para que as tarefas sejam 
executadas com segurança. Por que será que ele não usou a checklist de início de 
atividade? 
 
Almoxarife – O uso dessa checklist não é muito incentivado pelos gestores, pois acham 
que essa verificação atrasará as tarefas e que nunca faz diferença. Por isso, eles 
precisavam entender melhor como as decisões e as atitudes deles impactam na 
segurança. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Entrevista com a testemunha (colega de setor da vítima) 
 
Você (TST) – Você notou algo que possa ter influenciado na ocorrência do acidente? 
 
Testemunha do mesmo setor do trabalhador acidentado – Primeiro, acho que meu 
colega não devia ter realizado o trabalho com a escada. Ele sabia que fazendo o trabalho 
com a plataforma elevatória poderia ancorar o EPI nela e seria mais seguro, pois ele tem 
o treinamento de trabalho em altura previsto na NR-35. Ele achou que podia dispensar 
as medidas de segurança, mesmo conhecendo todas elas... 
 
Você (TST) – Por que você acha que ele fez isso? 
 
Testemunha do mesmo setor do trabalhador acidentado – Apesar de a empresa 
disponibilizar o treinamento para executar o serviço, os gestores não nos estimulam a 
seguir o que aprendemos no treinamento... bem pelo contrário. 
 
Você (TST) – Por que não os estimulam a seguir o que aprenderam no treinamento? 
 
Testemunha do mesmo setor do trabalhador acidentado – Vejo que não conhecem 
os requisitos da norma, então tomam decisões que impactam na segurança. Talvez seja 
importante dedicar um momento para conscientizar os gestores sobre segurança, já que 
eles não têm treinamento sobre esses aspectos... Ah! Quando vi ele caído, notei que a 
sola do calçado dele estava muito lisa. Não me surpreendeu, porque também nunca 
troquei o meu calçado de segurança. 
 
Você (TST) – A realização de trabalho com calçado de segurança em más condições é 
frequente? 
 
Testemunha do mesmo setor do trabalhador acidentado – É sim! O gestororienta a 
seguir usando o mesmo calçado, mesmo após o período de troca sugerido pelo setor de 
segurança do trabalho. 
 
Você (TST) – Por que isso? 
 
Testemunha do mesmo setor do trabalhador acidentado – Não sei bem, mas acho 
que não percebe o desgaste do calçado e as más condições da sola, olha só a parte de 
cima dele. 
 
Você (TST) – Talvez os gestores precisem de um momento com orientações sobre isso 
e outros aspectos de segurança.

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