Prévia do material em texto
INTRODUÇÃO A FONOAUDIOLOGIA EAD DIRIGENTES EDIÇÃO: JANEIRO/2021 | PRESIDÊNCIA Prof. Dr. Clèmerson Merlin Clève | REITORIA Profa. Dra. Lilian Pereira Ferrari | DIRETORIA ACADÊMICA EAD Profa. Me. Daniela Ferreira Correa | DIRETORIA ACADÊMICA PRESENCIAL Profa. Me. Márcia Maria Coelho | DIRETORIA DE PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Dra. Liya Regina Mikami | DIRETORIA EXECUTIVA Profa. Esp. Silmara Marchioretto | COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA DE GRADUAÇÃO EAD Prof. Me. João Marcos Roncari Mari | COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA DE PÓS-GRADUAÇÃO EAD Prof. Me. Marcus Vinícius Roncari Mari | AUTORA Profª Ma. Débora Cristina Przybysz | COORDENAÇÃO DA PRODUÇÃO DE MATERIAIS EAD Esp. Janaína de Sá Lorusso | PROJETO GRÁFICO Esp. Janaína de Sá Lorusso Esp. Cinthia Durigan | DIAGRAMAÇÃO Marcelo Winck | REVISÃO Esp. Ísis C. D’Angelis Esp. Idamara Lobo Dias | PRODUÇÃO AUDIO VISUAL Eudes Wilter Pitta Paião Esp. Rafael de Farias Forte Canonico Estúdio NEAD (Núcleo de Educação a Distância) - UniBrasil | ORGANIZAÇÃO NEAD (Núcleo de Educação a Distância) - UniBrasil | IMAGENS shutterstock.com FICHA TÉCNICA EAD SUMÁRIO UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A UNIDADE 01 - HISTÓRIA DA FONOAUDIOLOGIA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM .........................................................06 INTRODUÇÃO ......................................................................................07 1. DEFINIÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA, HISTÓRIA, LEIS E REGULAMENTA- ÇÕES .............................................................................................07 1.1 História da Fonoaudiologia no Brasil .............................................09 1.2 História da Fonoaudiologia no mundo ..........................................11 1.3 Conselhos da classe de Fonoaudiologia: Conselho Federal e Conse- lhos Regionais ...............................................................................12 1.4 Leis e resoluções que regulamentam a Fonoaudiologia .................14 1.5 História dos símbolos da Fonoaudiologia ......................................16 1.6 Fonoaudiologia e o mercado de trabalho ......................................18 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................19 UNIDADE 02 - ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM .........................................................20 INTRODUÇÃO ......................................................................................21 1. ÁREAS DE COMPETÊNCIA DO FONOAUDIÓLOGO ..........................21 1.1 Realizar avaliação fonoaudiológica ...............................................22 1.2 Realizar diagnóstico de Fonoaudiologia ........................................23 1.3 Executar terapia (habilitação/reabilitação) ...................................24 1.4 Orientar pacientes, clientes externos e internos, familiares e cuida- dores ............................................................................................25 1.5 Monitorar o desempenho do paciente ou cliente (seguimento) ......26 SUMÁRIO UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A 1.6 Aperfeiçoar a comunicação humana .............................................27 1.7 Efetuar diagnóstico situacional .....................................................27 1.8 Desenvolver ações de saúde coletiva nos aspectos fonoaudiológicos ....27 1.9 Exercer atividades de ensino .........................................................28 1.10 Desenvolver pesquisas..................................................................28 1.11 Administrar recursos humanos, financeiros e materiais ................28 1.12 Comunicar-se ................................................................................29 1.13 As competências pessoais e habilidades .......................................29 2. FONOAUDIOLOGIA E SUA RELAÇÃO COM A MULTIDISCIPLINARIDADE ... 30 3. ÁREAS DE ESPECIALIDADE E LOCAIS DE ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA ..... 31 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................32 UNIDADE 03 - CONHECENDO AS ÁREAS DE ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓ- GICA (1) OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM .........................................................34 INTRODUÇÃO ......................................................................................35 1. FONOAUDIOLOGIA EM LINGUAGEM .............................................35 2. FONOAUDIOLOGIA EM VOZ ..........................................................39 3. FONOAUDIOLOGIA E MOTRICIDADE OROFACIAL ...........................41 4. DISFAGIA ......................................................................................43 5. FONOAUDIOLOGIA EDUCACIONAL ................................................44 6. NEUROFUNCIONAL .......................................................................47 7. NEUROPSICOLOGIA ......................................................................47 SUMÁRIO UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A UNIDADE 04 - CONHECENDO AS ÁREAS DE ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓ- GICA (2) OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM .........................................................49 INTRODUÇÃO ......................................................................................50 1. FONOAUDIOLOGIA EM AUDIOLOGIA ............................................50 2. FONOAUDIOLOGIA DO TRABALHO ................................................53 3. SAÚDE COLETIVA ..........................................................................54 4. GERONTOLOGIA ...........................................................................55 5. FLUÊNCIA ......................................................................................58 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................60 REFERÊNCIAS ......................................................................................61 UNIDADE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM VÍDEOS DA UNIDADE http://bit.ly/38qr9GS http://bit.ly/2MJq58t http://bit.ly/2MJq1FL 01 HISTÓRIA DA FONOAUDIOLOGIA » Definir a Fonoaudiologia; » Conhecer aspectos e principais marcos da história da Fonoaudiologia no Brasil e no mundo; » Descrever as leis e regulamentações da Fonoaudiologia no Brasil; » Conhecer a atuação dos Conselhos de Classe da Fonoaudiologia; » Identificar diferenças entre o Conselho Federal e os Regionais de Fonoaudiologia; » Conhecer a história a respeito dos símbolos da Fonoaudiologia; » Identificar a situação da Fonoaudiologia diante do mercado de trabalho atual. U N ID A D E 0 1 7 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A INTRODUÇÃO A disciplina de Introdução à Fonoaudiologia abordará a história da fonoaudiologia, as leis e regulamentações da profissão, a formação profissional do fonoaudiólogo, as áreas de atuação, o mercado de trabalho na área da Fonoaudiologia, bem como a inter-relação da Fonoaudiologia com as áreas afins. Nesta primeira Unidade, serão abordados os temas relacionados a definição, regulamentações, história da Fonoaudiologia no mundo, contexto da Fonoaudiologia no Brasil, conhecimentos a res- peito dos Conselhos da classe de Fonoaudiologia – Conselho Federal e Regionais. Também serão apresentadas discussões a respeito das leis e resoluções que regulamentam a Fonoaudiologia, os símbolos da Fonoaudiologia, bem como o contexto da Fonoaudiologia e o mercado de trabalho. 1. DEFINIÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA, HISTÓ- RIA, LEIS E REGULAMENTAÇÕES Fonoaudiologia é a ciência da saúde, estudada em diversas universidades em todo o mundo, que atua com os diferentes aspectos da comunicação humana, linguagem oral, escrita, audição, voz, fluência, e com funções estomatognáticas relacionadas a deglutição, respiração, mastigação e sucção, temática na qual nos aprofundaremos no decorrer deste material. O fonoaudiólogo atuarádesde os processos de prevenção, de habilitação até a reabilitação. De modo que a atuação desse profissional pode acontecer desde com bebês ao nascerem até o atendimento de pacientes idosos. O Conselho Federal de Fonoaudiologia (2005, p. 1) define o fonoaudiólogo como: A atuação complexa da carreira fonoaudiológica é destacada na Campanha do Dia do Fonoau- diólogo, lançada pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia em 2017. PROFISSIONAL DA SAÚDE DE ATUAÇÃO AUTÔNOMA E INDEPENDENTE, QUE EXERCE SUAS FUNÇÕES NOS SETORES PÚBLICO E PRIVADO. É RESPONSÁVEL PELA PROMOÇÃO DA SAÚDE, AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO, ORIENTAÇÃO, TERAPIA (HABILITAÇÃO E REABI- LITAÇÃO) E APERFEIÇOAMENTO DOS ASPECTOS FONOAUDIOLÓGICOS DA FUNÇÃO AUDI- TIVA PERIFÉRICA E CENTRAL, FUNÇÃO VESTIBULAR, LINGUAGEM ORAL E ESCRITA, VOZ, FLUÊNCIA, ARTICULAÇÃO DA FALA, SISTEMA MIOFUNCIONAL OROFACIAL, CERVICAL E DEGLUTIÇÃO. EXERCE TAMBÉM ATIVIDADES DE ENSINO, PESQUISA E ADMINISTRATIVAS. U N ID A D E 0 1 8 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A FIGURA 1 – CAMPANHA DO DIA DO FONOAUDIÓLOGO Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2017). A respeito do processo de formação do fonoaudiólogo, a formação em Fonoaudiologia é gene- ralista e, após a graduação, o profissional poderá realizar aprimoramentos, residências, especia- lizações, mestrado, doutorado e pós-doutorado, com objetivo de aprofundar os conhecimentos obtidos durante a graduação. Em geral, a graduação em Fonoaudiologia tem duração de 4 anos. No Brasil, existem cursos matutinos, noturnos ou integrais. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC apud QUE CUR- SO?, 2019), as principais temáticas abordadas no curso de Fonoaudiologia são: • Anatomia; • Fisiologia; • Relações Sociais; • Psiquiatria e Psicologia; • Linguagem; • Fala; • Voz; • Audição; • Introdução à Fonoaudiologia; • Aquisição e Desenvolvimento da Linguagem e Alterações da Comunicação; U N ID A D E 0 1 9 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A • Órgãos do Sistema Estomatognático e de Deglutição; • Métodos Clínicos de Prevenção; • Aperfeiçoamento, Avaliação, Diagnóstico e Tratamento dos Distúrbios de Linguagem, Fala, Voz e Audição; • Física Acústica; • Ética e Bioética; • Ética e Meio Ambiente; • Relações Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS); • Entre outras, conforme a especificidade de cada faculdade. 1.1 HISTÓRIA DA FONOAUDIOLOGIA NO BRASIL A História da Fonoaudiologia no Brasil relaciona os estudos de Fonoaudiologia com a Educação Especial. O marco da história da Fonoaudiologia no Brasil é o ano de 1854, época do Império, período de criação do Colégio Imperial e Colégio Nacional destinado ao ensino de surdos, pos- teriormente conhecido como Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Nesse período, começaram as reflexões a respeito da habilitação e/ou reabilitação de fala e linguagem de surdos (Conselho Federal de Fonoaudiologia, 2005). Em 1912, estudos do Dr. Augusto Linhares, importante nome na história da Fonoaudiologia o Brasil, indicavam a preocupação desse estudioso com a reabilitação dos distúrbios de voz e fala, assim como a relação entre comunicação humana e a educação (GOULART et al., 1985). Na década de 1930, estudiosos observaram a necessidade de uma profissão que trabalhasse com temáticas relacionadas a medicina e educação, inicialmente focada na reabilitação das dificul- dades de linguagem apresentadas por crianças em idade escolar. Posteriormente foi identificada a importância da reabilitação de aspectos gerais da comunicação humana e de patologias que in- fluenciam na comunicação, a fonação, articulação de fala e voz. Nessa época, os profissionais que atuavam nessa área eram chamados de ortofonistas. Conforme o relato do Conselho Federal de Fonoaudiologia (2005): “A idealização da profissão de Fonoaudiólogo no Brasil data da década de 1930, oriunda da preocupação da Medicina e da Educação com a profilaxia, bem como a correção de erros de linguagem apresentados pelos escolares”. Segundo Cavalheiro (1997), os profissionais ortofonistas tratavam a emissão correta dos fone- mas da língua, área de atuação relacionada à linguística, uma vez que se direcionava a observar os traços fonológicos na fala. Voltando da Europa, ainda na década de 1930, estudiosos, como Sylvio Bueno Teixeira, criaram a Escola de Canto e Ortofonia, em Campinas, e realizaram pesquisas a respeito da voz e fala do surdo, assim como debateram temáticas sobre problemas de voz e fala. Já na década de 1950, surgiram pesquisas a respeito da habilitação para “Terapia da Palavra”, período em que havia estudos no âmbito educacional sobre linguagem, e, por outra frente, na U N ID A D E 0 1 10 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A área do teatro, estudos a respeito dos aspectos de voz, fala e importação vocal. Nessa época, a atuação desse profissional era conhecida como “Logopedia”, ou “terapia de fala” (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2005). A formação acadêmica em Fonoaudiologia no Brasil teve início na mesma década, com a criação do Curso de Logopedia, na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Apenas na década de 1960 foi iniciado o primeiro curso de Fonoaudiologia, na Universidade de São Paulo (em 1961). Os primeiros cursos de Fonoaudiologia eram tecnólogos, sendo que o currí- culo mínimo envolvendo disciplina e carga horária foi regulamentado pela Resolução nº 54/76, do Conselho Federal de Educação. No ano de 1963, foi criado no Rio de Janeiro o primeiro centro de “Terapia da Palavra”, ideali- zado pela Secretaria de Educação do Estado. Na época, as terapias eram também realizadas nas escolas municipais e estaduais. As atividades para reconhecimento do curso de Fonoaudiologia aconteceram na década de 1970, período em que deixou de ser curso tecnólogo para se tornar bacharelado. A primeira auto- rização do Ministério da Educação (MEC) aconteceu em 1976, para o curso da Universidade de São Paulo (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2005). Conforme Cavalheiro (1997), quando reconhecido, o currículo da graduação em Fonoaudiolo- gia era direcionado especificamente para a reabilitação relacionada a aspectos educacionais, visto que contava com a disciplina de “Pedagogia Didática Especial”. A Lei nº 6.965, de 9 de dezembro de 1981, data a comemoração nacional do Dia do Fonoaudió- logo, regulamenta a profissão e inicia a criação dos Conselhos Federais e Regionais de Fonoaudio- logia, que, dentre suas atribuições, fazem a fiscalização do exercício profissional de Fonoaudiologia seguindo os preceitos éticos previamente estabelecidos no primeiro Código de Ética da Fonoau- diologia, em 1984 (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2005). Desde sua regulamentação, a Fonoaudiologia é uma profissão que vem crescendo, conforme indicam os dados do Conselho Federal de Fonoaudiologia com o quantitativo de fonoaudiólogos no país (Figura 2). A história da Fonoaudiologia é marcada por aspectos da Educação Especial, mas será que de fato existe relação entre essas duas áreas? Observando não só a história, mas também o perfil da atuação fonoaudiológica, é importante constatarmos que essas áreas em muitas frentes teóricas apresentam inter-relação. Um dos gran- des campos de atuação fonoaudiológica é em escolas especiais, atuando em APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), clínicas e hospitais de reabilitação neurológica, consultórios com foco em reabilitação na área de neurologia, entre outros. REFLITA U N ID A D E 0 1 11 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A FIGURA 2 – NÚMERO DE FONOAUDIÓLOGOS NO BRASIL Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2020). 1.2 HISTÓRIA DA FONOAUDIOLOGIA NO MUNDO Demóstenes, político grego de Atenas, em meados de 330 a.C., tinha gagueira e realizava trei- nos de fluência, associados a exercícios respiratórios para melhorar sua oratória. Ele utilizava pe- drasentre os dentes enquanto recitava poemas. Um dos marcos iniciais da história da Fonoaudiologia e que também marca a otorrinolaringolo- gia é a invenção do laringoscópio, pelo cantor Manuel Garcia, em 1854. Em 1900, foi fundada na Hungria a primeira faculdade de Fonoaudiologia do mundo, sendo esse o país que primeiro reconheceu a Fonoaudiologia como profissão. Sequencialmente, no período de 1911 a 1916, foram criadas a primeira clínica de fala na Inglater- ra e serviços clínicos de terapia de fala na Suécia e na Dinamarca. De modo que, nos anos seguintes, aos poucos, cursos e clínicas na área de fala, voz e audição foram se espalhando pelo mundo. Em 1922, na Universidade de Michigan, Estados Unidos, foi fundada a primeira faculdade de Speech Pathology – Patologia de Fala –, com áreas de estudo a respeito de patologias vocais, de fala e audição. O mesmo ano marca a fabricação do primeiro audiômetro comercial, também nos Estados Unidos. Em 9 de dezembro de 1981, por meio do Deputado Otacílio de Almeida, houve a aprovação dos projetos e a Lei nº 6965/81 foi homologada pelo Presidente da República. Assim, o dia 9 de de- zembro ficou conhecido como o “Dia do Fonoaudiólogo”. SAIBA MAIS U N ID A D E 0 1 12 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A O ano de 1925 marca a criação da importante associação americana ASHA – American Speech and Hearing Association, ou Associação Americana de Fala, Linguagem e Audição, anteriormente conhecida como American Academy of Speech Correction – Academia Americana de Correção de Fala. Atualmente a ASHA tem como associados 197.856 fonoaudiólogos, audiologistas e estudio- sos da fala, linguagem e audição, sendo composta por profissionais norte-americanos e de diver- sas outras partes do mundo (ASHA, 2020). Com o avanço dos estudos na área, em 1929 Troubetzkoy e Jakobson publicaram estudos a respeito da fonética fisiológica articulatória e passaram a aprofundar pesquisas nessa temática. Já em 1936, foi lançado o primeiro volume do Journal of Speech and Hearing Disorders – a Revista de Distúrbios de Fala e Audição. A Índia teve seu marco na Fonoaudiologia no ano de 1966, estimando, na época, que 6 milhões de pessoas no país apresentavam algum tipo de dificuldade de fala. Foi então criado o AII Institute of Speech and Hearing – Instituto de Fala e Audição, na Universidade de Mysore. Na década de 1970, a Fonoaudiologia já estava regulamentada como profissão em diversos países do mundo. Iniciando pela citada Hungria, em 1900, seguiram-se os seguintes países: Nova Zelândia – 1939; Estados Unidos – 1940; Inglaterra – 1945; Noruega – 1946; Suíça – 1946; Iugos- lávia – 1946; Alemanha Oriental – 1947; África do Sul – 1950; Argentina – 1950; Austrália – 1953; Suécia – 1960; México – 1960; Áustria – 1961; Finlândia – 1964; França – 1964; Alemanha Ociden- tal – 1964; Índia – 1965; Dinamarca – 1965; Israel – 1970; Polônia – 1970; Espanha – 1971; Canadá – 1975; e Egito – 1975. Os diversos nomes dados ao profissional de Fonoaudiologia também marcam a história da pro- fissão, que já teve como nomenclatura Logopedista, Ortofonista, Speech Pathologist – Patologista da Fala – e Speech Therapist – Terapeuta da fala. O sobrenome Bell também marcou a Fonoaudiologia, pela história de Alek Bell, criador do te- lefone, Charles Bell, professor de elocução, e Neville Bell, professor de elocução e fonética, estu- dioso da análise visual da onda sonora. Assim como Alexandre Graham Bell, que dedicou anos de estudo sobre a comunicação dos surdos. O reconhecimento da Fonoaudiologia como profissão em alguns países foi realizado pelo Minis- tério da Saúde, pelo Ministério da Educação ou pelo trabalho conjunto entre ambos os ministérios, uma vez que a Fonoaudiologia engloba temáticas de saúde e educação. 1.3 CONSELHOS DA CLASSE DE FONOAUDIOLOGIA: CONSE- LHO FEDERAL E CONSELHOS REGIONAIS O Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Fonoaudiologia têm como atribuição principal re- gistrar, regulamentar, fiscalizar e orientar profissionais, além de atividades de ensino e pesquisa, sendo esses órgãos autarquias federais. A fiscalização envolve orientação e autuação, com objetivo principal de garantir a atividade profissional dentro dos preceitos da lei e respeitando o Código de Ética da classe. U N ID A D E 0 1 13 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A As principais diferenças entre os Conselhos são com relação às suas funções. O Conselho Federal tem função normativa, com a incumbência de definir normas que irão conduzir o exercício profis- sional. Conforme atribuições descritas pelo Código de Ética (2016, p. 4), “Compete ao Conselho Fe- deral de Fonoaudiologia (CFFa) zelar pela observância dos princípios deste código, funcionar como Conselho Superior de Ética Profissional, além de firmar jurisprudência e atuar nos casos omissos”. Já os Conselhos Regionais têm a responsabilidade de cumprir a Lei nº 6965/81, expedir docu- mentação profissional, bem como demais atribuições descritas no Código de Ética: Atualmente os profissionais de Fonoaudiologia contam com nove Conselhos Regionais, con- templando todas os estados do Brasil. • CRFa 1ª Região: composto pelo Estado do Rio de Janeiro; • CRFa 2ª Região: composto pelo Estado de São Paulo; • CRFa 3ª Região: composto pelos Estados do Paraná e Santa Catarina; • CRFa 4ª Região: composto pelos Estados de Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco e Sergipe; • CRFa 5ª Região: composto pelo Distrito Federal e Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Tocantins; • CRFa 6ª Região: composto pelos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais; • CRFa 7ª Região: composto pelo Estado do Rio Grande do Sul; • CRFa 8ª Região: composto pelos Estados do Ceará, Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte; • CRFa 9ª Região: composto pelos Estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima. A respeito dos aspectos de regulamentação e normatização, o Conselho de Fonoaudiologia criou, em 2004, o Código de Ética profissional. Em 2016, o novo Código foi publicado, substituindo a versão anterior. O atual Código de Ética (2016) é a quarta versão lançada. Elaborado por diversos membros dos Conselhos de Fonoaudiologia, aborda temáticas como cuidado com o planeta, defesa aos pluralis- mos, diversidade cultural, social e econômica. Foi aprovado na 145ª Sessão Plenária Ordinária de 18 de fevereiro de 2016, regulamentado pela Resolução CFFa nº 490/2016 e publicado no Diário Oficial da União, Seção 1, páginas 196 a 198, em 7 de março do mesmo ano. COMPETE AOS CONSELHOS REGIONAIS, NAS ÁREAS DE SUAS RESPECTIVAS JURISDI- ÇÕES, ZELAR PELA OBSERVÂNCIA DA LEI Nº 6.965, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1981, DO DECRETO Nº 87.218, DE 31 DE MAIO DE 1982, DAS NORMATIVAS EXPEDIDAS PELO CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA E DESTE CÓDIGO, FUNCIONANDO COMO ÓRGÃO ORIENTADOR E JULGADOR DE PRIMEIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS DOS PRO- CESSOS ÉTICOS. (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2016, P. 4) Conheça na íntegra o Código de Ética da Fonoaudiologia. Disponível para leitura em: https://bit. ly/3oubKvi. Acesso em: 8 jun. 2020. LEITURA U N ID A D E 0 1 14 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A 1.4 LEIS E RESOLUÇÕES QUE REGULAMENTAM A FONOAU- DIOLOGIA Neste item abordaremos as leis que regulamentam a Fonoaudiologia no Brasil. Iniciando com a lei de reconhecimento da Fonoaudiologia, que se tornou um marco como a data de comemoração do dia do Fonoaudiólogo no país: • Lei 6.965, de 9 de dezembro de 1981 – Regulamentação da profissão de Fonoaudiólogo. Cabe tratar também a respeito da lei que incluiu a Libras (Língua Brasileira de Sinais) como dis- ciplina no curso de graduação em Fonoaudiologia. Lei de suma importância, objetivando estimular o ensino e o aprendizado de Libras, língua fundamental para a atuação fonoaudiológica com foco nas necessidades específicas de cada paciente. • Lei 10.436, de 24 de abrilde 2002: Inclusão da disciplina de Libras na graduação de Fonoaudiologia. Sequencialmente, a lei que dispõe a respeito do Dia Nacional da Voz, focado na importância e conscientização da prevenção com os cuidados vocais, enfatizando a relevância da busca por atitudes de prevenção. • Lei 11.704, de 18 junho de 2008: “Art. 1º É instituído o Dia Nacional da Voz, a ser celebrado anualmente no dia 16 de abril, com o objetivo de conscientizar a população brasileira sobre a im- portância dos cuidados com a voz” (BRASIL, 2008). Em 2010, a lei do Teste da Orelhinha também é considerada um marco, visto que estabelece o acesso de todas as crianças nascidas em hospitais no território nacional à avaliação precoce de Emissões Otoacústicas Evocadas. • Lei Federal 12.303, de 2 de agosto de 2010 – Teste da Orelhinha: “Art. 1º É obrigatória a rea- lização gratuita do exame denominado Emissões Otoacústicas Evocadas, em todos os hospitais e maternidades, nas crianças nascidas em suas dependências” (BRASIL 2010). A realização do exame em todos os neonatos possibilita a identificação e intervenção precoce em bebês com deficiência auditiva, possibilitando a estes um melhor desenvolvimento. ART. 1º É RECONHECIDO EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL O EXERCÍCIO DA PROFIS- SÃO DE FONOAUDIÓLOGO, OBSERVADOS OS PRECEITOS DA PRESENTE LEI. PARÁGRAFO ÚNICO. FONOAUDIÓLOGO É O PROFISSIONAL, COM GRADUAÇÃO PLENA EM FONOAUDIOLOGIA, QUE ATUA EM PESQUISA, PREVENÇÃO, AVALIAÇÃO E TERAPIA FONOAUDIOLÓGICAS NA ÁREA DA COMUNICAÇÃO ORAL E ESCRITA, VOZ E AUDIÇÃO, BEM COMO EM APERFEIÇOAMENTO DOS PADRÕES DA FALA E DA VOZ. (BRASIL, 1981) ART. 4º O SISTEMA EDUCACIONAL FEDERAL E OS SISTEMAS EDUCACIONAIS ESTA- DUAIS, MUNICIPAIS E DO DISTRITO FEDERAL DEVEM GARANTIR A INCLUSÃO NOS CURSOS DE FORMAÇÃO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL, DE FONOAUDIOLOGIA E DE MA- GISTÉRIO, EM SEUS NÍVEIS MÉDIO E SUPERIOR, DO ENSINO DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS, COMO PARTE INTEGRANTE DOS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS - PCNS, CONFORME LEGISLAÇÃO VIGENTE (BRASIL, 2002). U N ID A D E 0 1 15 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A No ano de 2014, foi aprovada a lei da obrigatoriedade da realização do Protocolo de Avaliação do Frênulo Lingual em bebês. Mais uma vez, uma lei voltada ao cuidado preventivo, buscando identificar e encaminhar precocemente casos de alterações em frênulo lingual. • Lei 13.002, de 20 de junho de 2014: “Art. 1º É obrigatória a realização do Protocolo de Avalia- ção do Frênulo da Língua em Bebês, em todos os hospitais e maternidades, nas crianças nascidas em suas dependências” (BRASIL, 2014). Além das leis, as resoluções a seguir apresentadas tratam a respeito das áreas de atuação do fo- noaudiólogo e de situações específicas importantes para o dia a dia do profissional fonoaudiólogo. • Resolução 218/1998: “Dispõe sobre a atuação do Fonoaudiólogo, de acordo com a Portaria nº 19 da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho, e dá outras providências”; • Resolução 231/199: “Altera a redação da Resolução CFFa nº 218, de 20 de dezembro de 1998, que dispõe sobre a atuação do Fonoaudiólogo de acordo com a Portaria nº 19, da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho, e dá outras providências”; • Resolução 234/199: “Dispõe sobre condições para funcionamento de clínicas e consultórios de Fonoaudiologia, e dá outras providências”; • Resolução 260/2000: “Dispõe sobre a atuação do Fonoaudiólogo em Triagem Auditiva Neonatal”; • Resolução 274/2001: “Dispõe sobre a atuação do Fonoaudiólogo frente à triagem auditiva escolar”; • Resolução 309/2005: “Dispõe sobre a atuação do Fonoaudiólogo na educação infantil, ensino fundamental, médio, especial e superior, e dá outras providências”; • Resolução 337/2006: “Dispõe sobre regulamentação dos procedimentos fonoaudiológicos clínicos no âmbito domiciliar e dá outras providências”; • Resolução 352/2008: “Dispõe sobre a atuação profissional em Motricidade Orofacial com finalidade estética”; • Resolução 357/2008: “Dispõe sobre a competência técnica e legal do fonoaudiólogo para atu- ar na prevenção, avaliação e reabilitação dos transtornos do processamento auditivo”; • Resolução 382/2010: “Dispõe sobre o reconhecimento das especialidades em Fonoaudiologia Escolar/Educacional e Disfagia pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, e dá outras providências”; • Resolução 384/2010: “Dispõe sobre a competência técnica e legal do fonoaudiólogo para re- alizar avaliação vestibular e terapia fonoaudiológica em equilíbrio/reabilitação vestibular”; • Resolução 387/2010: “Dispõe sobre as atribuições e competências do profissional especialista em Fonoaudiologia Educacional reconhecido pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, altera a redação do artigo 1º da Resolução CFFa nº 382/2010, e dá outras providências”; • Resolução 414/2012: “Dispõe sobre a competência técnica e legal específica do fonoaudió- logo no uso de instrumentos, testes e outros recursos na avaliação, diagnóstico e terapêutica dos distúrbios da comunicação humana, e dá outras providências”; • Resolução 427/2013: “Dispõe sobre a regulamentação da Telessaúde em Fonoaudiologia e dá outras providências”; U N ID A D E 0 1 16 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A • Resolução 428/2013: “Dispõe sobre a atuação do fonoaudiólogo na saúde do trabalhador e dá outras providências”; • Resolução 453/2014: “Dispõe sobre o reconhecimento, pelo Conselho Federal de Fonoaudio- logia, da Fonoaudiologia Neurofuncional, Fonoaudiologia do Trabalho, Gerontologia e Neuropsico- logia como áreas de especialidade da Fonoaudiologia e dá outras providências”; • Resolução 466/2015: “Dispõe sobre as atribuições e competências relativas ao profissional Fonoaudiólogo Especialista em Neuropsicologia, e dá outras providências”; • Resolução 467/2015: “Dispõe sobre as atribuições e competências relativas ao profissional fonoaudiólogo Especialista em Fonoaudiologia do Trabalho, e dá outras providências”; • Resolução 493/2016: “Dispõe sobre perícia em Fonoaudiologia e dá outras providências”; • Resolução 505/2017: “Dispõe sobre a atuação do fonoaudiólogo na seleção, indicação e adap- tação de aparelho de amplificação sonora individual (AASI)”; • Resolução 507/2017: “Dispõe sobre as atribuições e competências relativas ao fonoaudiólogo especialista em Fluência, e dá outras providências”; • Resolução 541/2019: “Disposição sobre o uso do recurso de Laser de Baixa Intensidade – LBI por fonoaudiólogos”; • Resolução 526/2019: “Dispõe sobre a competência técnica e legal do fonoaudiólogo para re- alizar avaliação e reabilitação da função vestibular e do equilíbrio corporal humano”; • Resolução 543/2019: “Dispõe sobre o uso de Eletroterapia para fins fonoaudiológicos”; • Resolução 546/2019: “Dispõe sobre a atuação do fonoaudiólogo na seleção, indicação e adap- tação de aparelho de amplificação sonora individual (AASI)”; • Resolução 568/2020: “Dispõe sobre a atuação do fonoaudiólogo em Triagem Auditiva Neona- tal Universal”. 1.5 HISTÓRIA DOS SÍMBOLOS DA FONOAUDIOLOGIA O primeiro símbolo conhecido da Fonoaudiologia foi criado entre 1940 e 1950, constituído por bastão, serpente, pena e ramos de café. O brasão foi composto por simbologias das mitologias grega e romana e marcos da história do Brasil. Para conhecer mais a respeito de legislações da área da Fonoaudiologia, assim como novas reso- luções, acesse o conteúdo disponível no site do Conselho Federal de Fonoaudiologia, em: https:// bit.ly/2HDmeqW. Acesso em: 8 jun. 2020. SAIBA MAIS U N ID A D E 0 1 17 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A FIGURA 2 – SÍMBOLO DA FONOAUDIOLOGIA (1940-1950) Fonte: CREFONO1 (2020). A inspiração para o ramo foi em Asclépio, que é conhecido como deus da medicina e da cura nas mitologias grega e romana. Segundo a mitologia, Asclépio aprendeu sobre a cura utilizando plantas, banhos e terapias. Em váriossímbolos gregos e romanos, ele aparece segurando um bas- tão com uma serpente. Nesse brasão, a serpente, com coloração amarela, representa a sabedoria, prudência e vitalida- de. O bastão colorido em marrom simboliza a assistência à saúde, as forças da natureza, os segre- dos da vida na Terra e o poder da ressurreição. A pena branca representa a comunicação humana por meio da escrita. O ramo de café é um símbolo da história do Brasil, evidenciando essa riqueza nacional que foi um marco para a economia brasileira. Os símbolos da serpente e do bastão são utilizados como simbologia em diversas profissões da área da saúde. No ano de 1996, foi organizado um concurso entre os fonoaudiólogos para escolha do novo símbolo da profissão. O símbolo que usamos atualmente foi criado pela fonoaudióloga e professo- ra Letícia Caldas Teixeira, de Minas Gerais. FIGURA 3 – SÍMBOLO ATUAL DA FONOAUDIOLOGIA Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2020). U N ID A D E 0 1 18 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A Esse símbolo emblemático foi oficialmente reconhecido pelo Conselho Federal de Fonoaudiolo- gia em 7 de julho de 2001, por meio da Resolução nº 278. É composto pela letra “F” em referência à Fonoaudiologia, em plano heráldico, como uma alusão ao despertar da serpente e à emissão e recepção do som pelo corpo humano. Esse movimento da serpente significa a sabedoria oriental, levando o ser humano a uma com- preensão ampla da vida e do universo, assim como a força da cura (CONSELHO FEDERAL DE FONO- AUDIOLOGIA, 2020). Conforme descrição do Conselho Federal de Fonoaudiologia (2020), o símbolo é constituído por: 1.6 FONOAUDIOLOGIA E O MERCADO DE TRABALHO O fonoaudiólogo atua desde a atenção a recém-nascidos e a mães no período de amamenta- ção, até a reabilitação de idosos. Por isso, a profissão é ampla e abrange diversas áreas. Vários são os possíveis locais de trabalho, entre eles, instituições públicas ou privadas, clínicas, escolas especiais e regulares, consultórios, hospitais, universidades, empresas, emissoras de tele- visão, centros de reabilitação auditiva, clínicas de repouso e maternidades. O Conselho Federal de Fonoaudiologia reconhece as especialidades de Audiologia, Disfagia, Ge- rontologia, Fonoaudiologia Educacional, Fluência, Fonoaudiologia Neurofuncional, Fonoaudiologia do Trabalho, Neuropsicologia, Linguagem, Motricidade Orofacial, Voz e Saúde Coletiva. As últimas áreas a serem incluídas foram as de Fonoaudiologia do Trabalho, Gerontologia, Neu- ropsicologia e Fonoaudiologia Neurofuncional. Essas especialidades foram aprovadas durante a 138ª Sessão Plenária Ordinária, em 2014, por meio da Resolução nº 453/2014, com o entendimen- to de que essas áreas de atuação são necessárias e fortalecem fortalece o trabalho da Fonoaudio- logia nos âmbitos de prevenção, recuperação e promoção da saúde. Muitos são os questionamentos a respeito do mercado de trabalho, mas, tomando como base as próprias informações do Conselho Federal de Fonoaudiologia (2014) a respeito do tipo e das áreas de atuação do fonoaudiólogo, fica evidente que se trata de uma profissão com amplo campo de ação, em diferentes locais, o que possibilita um bom cenário de mercado para o novo profissio- nal da área. UM CÍRCULO CONTENDO EM SUA PARTE SUPERIOR O NOME DA PROFISSÃO – “FO- NOAUDIOLOGIA” EM COR AZUL ROYAL; AO CENTRO A LETRA “F” ESTILIZADA, NA COR VERMELHA; AO FUNDO E AO REDOR DA LETRA “F” DUAS FIGURAS GEOMÉTRICAS, DE FORMA CÔNCAVA, RAIADAS E EM SUA PARTE INFERIOR, LOSANGOS NA COR VERMELHA, CONFORME MATRIZ À DISPOSIÇÃO NA SEDE DOS CONSELHOS DE FONOAUDIOLOGIA. A FORMA ESTILIZADA NO CENTRO DO HERÁLDICO TEM DUPLA SIGNIFICAÇÃO E REFEREN- CIA-SE À EMISSÃO E RECEPÇÃO DO SOM PELO CORPO HUMANO. O “F”, DE FONOAUDIO- LOGIA, EM PRIMEIRO PLANO NO HERÁLDICO, LEMBRA O DESPERTAR DA SERPENTE EM MOVIMENTO ASCENSIONAL. ESSE MOVIMENTO NAS PRÁTICAS DERIVADAS DA SABEDO- RIA ORIENTAL DESPERTA O HOMEM PARA A COMPREENSÃO MAIS AMPLA DA VIDA E DO UNIVERSO. NESSE SENTIDO É TAMBÉM FORÇA DE CURA, DE VIVIFICAÇÃO E OS RAIOS DO OUTRO REFERENCIANDO-SE À EMISSÃO E RECEPÇÃO DO SOM PELO CORPO HUMANO. U N ID A D E 0 1 19 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A Outro ponto que merece atenção é a atuação fonoaudiológica em Gerontologia, área de suma importância na saúde do idoso e que está em amplo crescimento, tendo em vista que pesquisas indicam que a expectativa de vida da população vem aumentando cada vez mais (CALDANA, 2014). CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta Unidade, as discussões foram direcionadas ao conhecimento da história da Fonoaudiolo- gia, assim como das leis que regulamentam a profissão e a condição atual de atuação do fonoau- diólogo no mercado de trabalho. O conhecimento a respeito da história, das leis e regulamentações da Fonoaudiologia, assim como sobre o mercado de trabalho, possibilita que você, futuro fonoaudiólogo, compreenda a origem e o contexto da profissão, entendendo como essa trajetória aconteceu e evoluiu ao longo dos anos. Esse histórico da Fonoaudiologia é relevante pois, com esse embasamento, você pode entender aspectos determinantes da sua futura profissão. Assista a um vídeo do Conselho Federal de Fonoaudiologia, importante para o conhecimento a respeito da atuação do fonoaudiólogo, que pode acontecer com pacientes em diferentes etapas da vida. Disponível em: https://bit.ly/3otsMcS. Acesso em 20 de jun. 2020. VÍDEO ANOTAÇÕES UNIDADE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM VÍDEOS DA UNIDADE http://bit.ly/35pQwH4 http://bit.ly/3nwoXBM http://bit.ly/38u4GJ6 02 ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA » Definir as competências do fonoaudiólogo; » Identificar a relação entre Fonoaudiologia e multidisciplinaridade; » Conhecer os locais de atuação fonoaudiológica; » Conhecer as áreas de atuação da Fonoaudiologia. U N ID A D E 0 2 21 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A INTRODUÇÃO Nesta segunda Unidade da disciplina de Introdução à Fonoaudiologia, serão abordadas temá- ticas a respeito das áreas de competência do fonoaudiólogo, locais de atuação fonoaudiológica, a relação da Fonoaudiologia com a multidisciplinaridade e áreas de trabalho do profissional de Fonoaudiologia. Serão apresentados o documento Áreas de competência do fonoaudiólogo no Brasil, publicado pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia e, na sequência, alguns aspectos sobre as especializa- ções nas quais o fonoaudiólogo pode atuar. Atualmente, são doze as grandes áreas reconhecidas pelo Conselho Federal e que serão destacados ao longo desta Unidade. 1. ÁREAS DE COMPETÊNCIA DO FONOAUDIÓLOGO Ao longo dos anos após o reconhecimento da Fonoaudiologia como profissão, diversos foram os avanços na história da carreira fonoaudiológica, entre eles, o reconhecimento das áreas de atu- ação do fonoaudiólogo. Em 2002, o Conselho Federal de Fonoaudiologia apresentou o documento Exercício profissional do fonoaudiólogo no Brasil – caracterização das ações inerentes ao exercício profissional do fonoaudiólogo. Posteriormente, em 2007 esse documento foi revisado e nomeado como Áreas de competência do Fonoaudiólogo no Brasil. Documento esse realizado com o objetivo de elencar as grandes áreas de competência profissional, além de competências pessoais, habilidades, recursos, instrumentos de trabalho e locais de atuação. Todos esses aspectos são necessários à plena ação fonoaudiológica. A respeito da competência de atuação, o Conselho Federal de Fonoaudiologia (2007, p. 8) aponta que o fonoaudiólogo, em suas atribuições, pode: Realizar avaliação fonoaudiológica; estabelecer diagnóstico de fonoaudiologia; executar terapia (habilitação/reabilitação); orientar pacientes, clientes internos e externos, familiares e cuidadores; monitorar desempenho do paciente ou cliente (seguimento); aperfeiçoar a comunicação huma- na; efetuar diagnóstico situacional; desenvolver ações de saúde coletiva dos aspectos fonoau-diológicos; exercer atividades de ensino; desenvolver pesquisas; administrar recursos humanos, financeiros e materiais e comunicar-se. Listaram-se, também, competências pessoais facultativas e habilidades, favorecendo o exercício profissional. U N ID A D E 0 2 22 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A FIGURA 1: ÁREAS DE COMPETÊNCIA DO FONOAUDIÓLOGO Fonte: A autora (2020). Essas temáticas e discussões serão apresentadas nos próximos subitens. 1.1 REALIZAR AVALIAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA A realização da avaliação fonoaudiológica do paciente será iniciada por meio da anamnese, que é uma entrevista direcionada realizada pelo profissional de saúde, com objetivo de conhecer a história do paciente e direcionar os aspectos diagnósticos. Durante a anamnese e coleta de dados direcionada e o processo de avaliação do paciente, po- dem ser utilizados questionários ou instrumentos de anamnese específicos. Em geral, na prática clínica a anamnese para cada queixa/área de atuação é direcionada e terá questionamentos rela- cionados à queixa principal. ÁREAS DE COMPETÊNCIA DO FONOAUDIÓLOGO ADMINISTRAR RE- CURSOS HUMANOS, FINANCEIROS E MATERIAIS COMUNICAR-SE COMPETÊNCIAS PESSOAIS E HABILIDADES AVALIAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA DIAGNÓSTICO DE FONOAUDIOLÓGICA TERAPIA: HABILITAÇÃO REABILITAÇÃO ORIENTAR PACIEN- TES, FAMILIARES E CUIDADORES MONITORAR DESEMPENHO DO PACIENTE APERFEIÇOAR A COMUNICAÇÃO HUMANA EFETUAR DIAGNÓS- TICO SITUACIONAL AÇÕES DE SAÚDE COLETIVAATIVIDADES DE ENSINO DESENVOLVER PESQUISAS A AVALIAÇÃO DO PACIENTE É REALIZADA POR MEIO DE EXAME CLÍNICO E/OU PELA OBSERVAÇÃO DE COMPORTAMENTOS RELACIONADOS À LINGUAGEM ORAL E ESCRI- TA, VOZ, FLUÊNCIA DA FALA, ARTICULAÇÃO DA FALA, FUNÇÃO AUDITIVA PERIFÉRICA E CENTRAL, FUNÇÃO VESTIBULAR, SISTEMA MIOFUNCIONAL OROFACIAL E CERVICAL, DEGLUTIÇÃO E SEUS TRANSTORNOS. O EXAME CLÍNICO COMPREENDE, ENTRE OU- TRAS AÇÕES, A REALIZAÇÃO DE PROVAS, TESTES, EXAMES ESPECÍFICOS, ANÁLISES E PESQUISAS MINUCIOSAS, ASSIM COMO A DESCRIÇÃO DE PARÂMETROS E COM- PORTAMENTOS, OBJETO DA AVALIAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA. CABE, AO FONOAUDIÓ- LOGO, ANALISAR E INTERPRETAR OS DADOS PROVENIENTES DOS PROCEDIMENTOS DE AVALIAÇÃO POR ELE REALIZADOS. QUANDO NECESSÁRIO, SOLICITA E ANALISA PROVAS, TESTES, PARECERES E EXAMES COMPLEMENTARES A FIM DE ESTABELECER CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE DE AÇÕES FONOAUDIOLÓGICAS. (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2007, P. 9) U N ID A D E 0 2 23 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A Uma das atribuições do profissional de Fonoaudiologia é a responsabilidade de analisar e in- terpretar os dados tanto da anamnese quanto das avaliações realizadas com o paciente. Essa é uma parte fundamental da atuação fonoaudiológica, que possibilitará o diagnóstico adequado e, consequentemente, a melhor conduta terapêutica. 1.2 REALIZAR DIAGNÓSTICO DE FONOAUDIOLOGIA No sentido da realização de diagnóstico fonoaudiológico, o Conselho Federal sugere: O olhar clínico do fonoaudiólogo é imprescindível para o diagnóstico preciso. É fundamental que todas as avaliações sejam realizadas com o maior detalhamento possível, buscando uma aná- lise integrada do paciente. Para essa avaliação integrada é primordial que o fonoaudiólogo, em sua prática clínica, não se limite exclusivamente à queixa apresentada pelo paciente ou por sua família, mas, sim, realize uma avaliação completa no âmbito fonoaudiológico, utilizando-se de instrumentos direcionados de ava- liação. Com uma avaliação completa e detalhada, o profissional poderá dar o diagnóstico adequado. Durante esse processo, a aplicação de diferentes instrumentos e testes direcionados é essen- cial, visto que isso possibilitará uma avaliação detalhada. Importante enfatizar que a determinação do teste ou dos instrumentos a serem aplicados cabe ao fonoaudiólogo. Essa definição deve ser embasada em preceitos técnicos e científicos, com base na necessidade específica de cada paciente. Nas figuras a seguir, apresentam-se exemplos de testes utilizados frequentemente pelo fonoau- diólogo como instrumentos de avaliação de fala e linguagem. FIGURA 2: ABFW – TESTE DE LINGUAGEM INFANTIL Fonte: Andrade et al. (2009). PARA CONCLUIR O DIAGNÓSTICO FONOAUDIOLÓGICO, DEVE-SE LEVANTAR HIPÓTESES DE FATORES CORRELATOS ÀS MANIFESTAÇÕES OBSERVADAS E DEFINIR A CONDUTA E O PROGNÓSTICO FONOAUDIOLÓGICO. AO ESTABELECER A CONDUTA FONOAUDIO- LÓGICA, CABE INDICAR TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA E REALIZAR OUTROS ENCAMI- NHAMENTOS E AÇÕES NECESSÁRIAS DECORRENTES DA CONCLUSÃO DO PROCESSO DIAGNÓSTICO. (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2007, P. 9-10) U N ID A D E 0 2 24 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A FIGURA 3: ADL – AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM Fonte: Menezes (2019). Com base nos dados da avaliação fonoaudiológica é estabelecida a conduta, que indicará a necessidade ou não de terapia. A avaliação também apontará a necessidade de encaminhamentos para equipe multidisciplinar. O diagnóstico ocorre após a avaliação, antecedendo a conduta fono- audiológica e o direcionamento da terapia. 1.3 EXECUTAR TERAPIA (HABILITAÇÃO/REABILITAÇÃO) Conforme o Código de Ética profissional, o fonoaudiólogo tem como uma de suas competências a autonomia para selecionar, indicar, aplicar métodos, técnicas e procedimentos terapêuticos com base na necessidade clínica de cada paciente. Durante a terapia fonoaudiológica, habilitar ou reabilitar dependerá da demanda e do caso clí- nico de cada paciente. Reabilitar seria recuperar ou reestabelecer uma habilidade ou função que era anteriormente executada, mas que, por diversos motivos clínicos, deixou de ser realizada. Já a habilitação significa tornar possível a realização de determinada função ou atividade. Considere a seguinte situação: Um fonoaudiólogo recebe um paciente com queixa de trocas de grafemas na escrita. Durante a avaliação de fato, fica evidente que essas trocas de escrita aconte- cem. Entretanto, na avaliação fonoaudiológica também é observado que esse paciente apresenta troca fonológica. Desse modo, a avaliação detalhada foi fundamental para identificar que, além da queixa principal apresentada pela família, o paciente apresenta trocas fonológicas associadas. Tal situação é fre- quente na prática clínica e, por isso, a anamnese cuidadosa e a interpretação adequada dos dados obtidos são fundamentais para a conduta terapêutica. SAIBA MAIS U N ID A D E 0 2 25 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A Com relação à área de competência de executar a terapia fonoaudiológica, o Conselho Federal de Fonoaudiologia destaca: 1.4 ORIENTAR PACIENTES, CLIENTES EXTERNOS E INTERNOS, FAMILIARES E CUIDADORES Durante a orientação para pacientes, familiares e cuidadores, é primordial uma explicação cla- ra, orientando sobre os objetivos terapêuticos e técnicas utilizadas para alcançar tais objetivos. Além disso, é importante a orientação sobre cuidados a serem tomados em casa para auxiliar no processo terapêutico. As orientações podem acontecer no próprio local de atendimento do paciente, como consultório e hospitais, ou pode ser necessário o agendamento de reuniões com cuidadores ou no ambiente escolar, por exemplo. ESTA ÁREA REFERE-SE À COMPETÊNCIA PARA REALIZAR TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA DA LINGUAGEM ORAL E ESCRITA, VOZ, FLUÊNCIA DA FALA, ARTICULAÇÃO DA FALA, FUN- ÇÃO AUDITIVA PERIFÉRICA E CENTRAL, FUNÇÃO VESTIBULAR, SISTEMA MIOFUNCIONAL OROFACIAL E CERVICAL E DEGLUTIÇÃO, TANTO NO QUE DIZ RESPEITO À HABILITAÇÃO, COMO À REABILITAÇÃO DE PACIENTES/CLIENTES. A GRANDE ÁREA EM QUESTÃO É CONSTITUÍDA POR UMA SÉRIE DE AÇÕES QUE ENVOLVEM TANTO A SELEÇÃO, COMO A INDICAÇÃO E APLICAÇÃO DE MÉTODOS, TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS TERAPÊUTICOS, ADEQUADOS E PERTINENTES ÀS NECESSIDADES E CARACTERÍSTICAS DO PACIENTE/ CLIENTE. AO FONOAUDIÓLOGO, CABE, PORTANTO, A SELEÇÃO À ADAPTAÇÃO DE ÓRTE- SES, PRÓTESES E TECNOLOGIAASSISTIVA EM AUDIÇÃO, EM COMUNICAÇÃO HUMANA E DEGLUTIÇÃO, ALÉM DE INTRODUZIR FORMAS ALTERNATIVAS DE COMUNICAÇÃO. TAM- BÉM FAZEM PARTE DESTAS AÇÕES DEFINIR OS PARÂMETROS DE ALTA E DAR A ALTA PROPRIAMENTE DITA. (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2007, P. 10) Um exemplo prático de reabilitação x habilita- ção seria o caso de pacientes com perda auditi- va profunda, com indicação de implante coclear. O primeiro paciente tem perda auditiva profun- da aos 25 anos, é oralizado, mas apresentou dificuldades de fala após a alteração auditiva e teve indicação de realizar a cirurgia de implante coclear. Nesse caso, após a cirurgia de implante, a terapia de fala será direcionada à reabilitação, uma vez que esse paciente já falava antes da perda auditiva. O segundo paciente é um menino de 1 ano que nasceu com uma perda auditiva profunda e, por isso, não desenvolveu a fala; foi indicada a cirurgia de implante coclear e também terapia fono- audiológica. Após a cirurgia, a fonoterapia estará direcionada à habilitação de fala e auditiva, uma vez que essa criança não era oralizada antes da cirurgia. SAIBA MAIS U N ID A D E 0 2 26 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A Tomando por base a importância do olhar integral em relação ao paciente, a orientação à família, à escola ou a cuidadores é de grande relevância no tratamento e na evolução da terapia fonoaudiológica. A participação da família no tratamento fonoaudiológico é crucial para a evolução terapêutica, uma vez que a adesão dos familiares, assim como a estimulação das habilidades trabalhadas em terapia, possibilitarão um melhor prognóstico para o paciente. Do mesmo modo, a escola tem papel fundamental no desenvolvimento infantil global e na evolução terapêutica, visto que ao esti- mular no ambiente escolar as habilidades trabalhadas em terapia, tanto o desempenho de apren- dizagem da criança quanto o desempenho na fonoterapia serão melhorados. No mesmo sentido, a orientação para cuidadores é importante e necessária. Refletindo de tal forma, o trabalho conjunto entre fonoaudiólogo, escola, família e cuidador é primordial para a evolução terapêutica. FIGURA 5: IMPORTÂNCIA DO ENVOLVIMENTO DA FAMÍLIA Fonte: A autora (2020). 1.5 MONITORAR O DESEMPENHO DO PACIENTE OU CLIENTE (SEGUIMENTO) O objetivo principal do monitoramento do paciente é a verificação da efetividade da terapia. Após a ação de monitorar, pode haver necessidade de reformular condutas, rever métodos e técnicas, visando ao melhor prognóstico ao paciente. O monitoramento do paciente é uma competência e responsabilidade do fonoaudiólogo, assim como realizar a continuidade do tratamento e monitorar a evolução terapêutica do seu paciente. A respeito disso, o Conselho Federal de Fonoaudiologia (2007, p. 11) destaca: O FONOAUDIÓLOGO REALIZA O SEGUIMENTO DO PACIENTE/CLIENTE E MONITORA SEU DESEMPENHO. AO MONITORAR, ESTIMULA E VERIFICA A ADESÃO, A CONTINUIDADE, A EFETIVIDADE E O GRAU DE SATISFAÇÃO DO PACIENTE/CLIENTE QUANTO AO TRATAMENTO E/OU ORIENTAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA E QUANTO À ADAPTAÇÃO DAS ÓRTESES, PRÓTE- SES E TECNOLOGIAS ASSISTIVAS. É DA COMPETÊNCIA DO FONOAUDIÓLOGO A VERIFICA- ÇÃO DE RISCOS E DANOS DAS FUNÇÕES AUDITIVA E VOCAL, ASSIM COMO DAS CON- DIÇÕES AMBIENTAIS PARA MELHOR DESEMPENHO DO PACIENTE/CLIENTE. TAIS AÇÕES IMPLICAM REAVALIAR E REFORMULAR CONDUTAS, MÉTODOS, TÉCNICAS, TERAPIAS E PROCEDIMENTOS, COMPARAR RESULTADOS DE AVALIAÇÕES E DISCUTIR PROGNÓSTICO. U N ID A D E 0 2 27 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A 1.6 APERFEIÇOAR A COMUNICAÇÃO HUMANA Uma das áreas de ação da Fonoaudiologia é a comunicação humana, área essa de grande im- portância e que engloba outros domínios de atuação fonoaudiológica. No aperfeiçoar da comuni- cação humana, o fonoaudiólogo atua com prevenção e reabilitação. Quanto a isso, o Conselho Federal de Fonoaudiologia (2007, p. 11) orienta: 1.7 EFETUAR DIAGNÓSTICO SITUACIONAL O diagnóstico situacional leva em conta aspectos diversos, entre eles, perfil epidemiológico, as- sistencial, de infraestrutura e socioeconômico da população avaliada. Além disso, para realização desse diagnóstico é importante identificar comportamentos, hábitos e atitudes do paciente. Com relação à competência do fonoaudiólogo no diagnóstico situacional, a análise de indica- dores de saúde com fins de definição das estratégias para implantação de políticas públicas é de suma importância, levando em conta os preceitos de prevenção e promoção à saúde humana. 1.8 DESENVOLVER AÇÕES DE SAÚDE COLETIVA NOS ASPEC- TOS FONOAUDIOLÓGICOS A Fonoaudiologia tem papel importante quanto aos estudos e ações de prevenção e promoção na saúde coletiva no Brasil. A atuação em saúde coletiva envolve ações de interdisciplinaridade, prevenção primária, secundária e terciária. As ações de prevenção primária são voltadas a impedir a ocorrência das patologias antes que elas se desenvolvam no organismo dos pacientes. A prevenção secundária objetiva propiciar me- lhor evolução clínica após o paciente já ter a patologia, e a prevenção terciária acontece quando a patologia trará consequências ao paciente em longo prazo. Além das ações e prevenção primária, secundária e terciária, uma das atuações fonoaudiológi- cas no âmbito da saúde coletiva é em ações de baixa, média ou alta complexidade. Sobre tal atuação, o Conselho Federal de Fonoaudiologia (2007, p. 11) descreve: TENDO EM VISTA A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO HUMANA, É DA COMPETÊNCIA DO FONOAUDIÓLOGO DESENVOLVER PROGRAMAS DE APERFEIÇOAMENTO E APRI- MORAMENTO DA LINGUAGEM ORAL E ESCRITA, DAS FUNÇÕES COGNITIVAS E DOS ASPECTOS MIOFUNCIONAIS OROFACIAIS E CERVICAIS. É AINDA DE ATRIBUIÇÃO DO FONOAUDIÓLOGO, APRIMORAR E APERFEIÇOAR A COMUNICAÇÃO EM PÚBLICO, A CO- MUNICAÇÃO OCUPACIONAL, OU PROFISSIONAL E ORIENTAR AS POSSIBILIDADES DE MELHORA DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS, FAVORECENDO A COMUNICAÇÃO HUMANA. U N ID A D E 0 2 28 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A 1.9 EXERCER ATIVIDADES DE ENSINO Uma das áreas de competência do fonoaudiólogo é a área de ensino. Nesse âmbito, as ações são voltadas ao planejamento de cursos, proposição de atividades didáticas, ministração de cursos de graduação ou pós-graduação (stricto e lato sensu), além de treinamentos e supervisões. 1.10 DESENVOLVER PESQUISAS Uma das áreas de grande contribuição fonoaudiológica é o desenvolvimento de pesquisas, algo fun- damental para a Fonoaudiologia, possibilitando a produção científica de qualidade na área. Nessa com- petência, além da produção técnica, o fonoaudiólogo também orienta e aprecia trabalhos científicos. No âmbito das pesquisas, as competências do Fonoaudiólogo são as de eleger, desenvolver e implementar linhas de pesquisa e metodologias científicas. Atua também na elaboração projetos, desenvolvimento e validação de métodos, técnicas e instrumentos para avaliação e diagnósticos que delineiam a terapia fonoaudiológica. 1.11 ADMINISTRAR RECURSOS HUMANOS, FINANCEIROS E MATERIAIS Com relação aos aspectos da competência do fonoaudiólogo na administração de recursos hu- manos, financeiros e materiais, o Conselho Federal de Fonoaudiologia (2007, p. 13) aponta: A INTERVENÇÃO NESTA ÁREA DIZ RESPEITO À COMPETÊNCIA PARA DESENVOLVER AÇÕES DE SAÚDE COLETIVA, TAIS COMO PROGRAMAS E CAMPANHAS DE PROMOÇÃO DOS ASPECTOS FONOAUDIOLÓGICOS, O QUE ENVOLVE A IDENTIFICAÇÃO E NECESSI- DADES DA POPULAÇÃO ALVO, POR LEVANTAMENTO DA PREVALÊNCIA E INCIDÊNCIA DE QUALQUER TIPO DE OCORRÊNCIA QUE NECESSITE DE INTERVENÇÃO FONOAU- DIOLÓGICA; IDENTIFICA TAMBÉM OS RECURSOS QUE VIABILIZEM ESTA AÇÃO, TENDO, COMO REFERENCIAIS ANALÍTICOS, A EPIDEMIOLOGIA, POLÍTICAS PÚBLICAS, PLANE- JAMENTO E GESTÃO. O FONOAUDIÓLOGO PARTICIPA DA ORGANIZAÇÃO E DESENVOL- VIMENTO DE SERVIÇOS DE FONOAUDIOLOGIA, PROGRAMAS, CAMPANHAS E AÇÕES DIRIGIDAS À SAÚDE, À CONSERVAÇÃO AUDITIVA E VOCAL, BEM COMO PARTICIPA DE PROJETOS POLÍTICO-PEDAGÓGICOSE CAMPANHAS EDUCATIVAS SOBRE ASPECTOS DA COMUNICAÇÃO HUMANA, ASPECTOS MIOFUNCIONAIS OROFACIAIS E CERVICAIS E DA DEGLUTIÇÃO, QUANTO DE SEUS TRANSTORNOS. O FONOAUDIÓLOGO, A PARTIR DO DESENVOLVIMENTO DAS AÇÕES VOLTADAS PARA A SAÚDE COLETIVA, IMPLEMENTA, COORDENA, ADAPTA E GERENCIA AÇÕES, PROGRAMAS E CAMPANHAS DE PREVEN- ÇÃO EM SAÚDE, SENDO DE FUNDAMENTAL IMPORTÂNCIA À ADAPTAÇÃO E VERIFICA- ÇÃO CONSTANTE DE TAIS PROGRAMAS E CAMPANHAS. U N ID A D E 0 2 29 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A 1.12 COMUNICAR-SE A competência que tange os aspectos de comunicação refere-se a todas as competências des- critas anteriormente. Quanto à comunicação, cabe ao fonoaudiólogo divulgar a profissão, dar entrevistas à mídia quando convidado, organizar e ministrar eventos científicos, elaborar materiais de divulgação, ma- nuais, relatórios, registros de procedimentos em prontuários fonoaudiológicos, emitir laudos, dis- cutir casos clínicos, além de criar de materiais e conteúdos para produção e publicação científica. Com relação ao preenchimento de prontuário, o Código de Ética de Fonoaudiologia afirma que o fonoaudiólogo deve fazer o registro dos atendimentos em prontuário. De modo que, além de uma competência, esse também é um dever. Conforme descrito no Código de Ética: 1.13 AS COMPETÊNCIAS PESSOAIS E HABILIDADES Quanto às competências pessoais, foram elencadas habilidades que favorecem a atuação do profissional de Fonoaudiologia, conforme descritas a seguir: É ATRIBUÍDO AO FONOAUDIÓLOGO ADMINISTRAR, ORÇAR, SELECIONAR, INVENTA- RIAR E VERIFICAR O FUNCIONAMENTO DE EQUIPAMENTOS, MATERIAIS E RECURSOS TECNOLÓGICOS, ALÉM DE ALOCAR RECURSOS FINANCEIROS E CONTROLAR CUSTOS. ADMINISTRAR RECURSOS HUMANOS PERTINENTES AO FONOAUDIÓLOGO: DEFINIR PERFIL E QUADRO DE PESSOAL, REGRAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO, HONORÁRIOS PROFISSIONAIS, CRONOGRAMA, ESCALA DE TRABALHO E ORGANOGRAMA, ASSIM COMO SELECIONAR, CONTRATAR, REQUALIFICAR, TRANSMITIR INSTRUÇÕES, SUPER- VISIONAR PESSOAL E EQUIPES DE APOIO, ASSIM COMO OUTRAS ATIVIDADES PERTI- NENTES AO FONOAUDIÓLOGO. ART. 10. CONSTITUEM DEVERES DO FONOAUDIÓLOGO NA RELAÇÃO COM O CLIENTE: I – REGISTRAR EM PRONTUÁRIO TODOS OS ATENDIMENTOS E PROCEDIMENTOS FO- NOAUDIOLÓGICOS, ASSIM COMO FALTAS JUSTIFICADAS OU NÃO, E DESISTÊNCIA; [...] XI – PERMITIR O ACESSO DO CLIENTE OU DE SEU(S) REPRESENTANTE(S) LEGAL(IS) AO PRONTUÁRIO, RELATÓRIO, EXAME, LAUDO OU PARECER ELABORADOS PELO FONOAU- DIÓLOGO, DE MODO A FORNECER A EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA À SUA COMPREENSÃO, MESMO QUANDO O SERVIÇO FOR CONTRATADO POR TERCEIROS. (CONSELHO FEDE- RAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2016, P. 11,12) U N ID A D E 0 2 30 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A 2. FONOAUDIOLOGIA E SUA RELAÇÃO COM A MULTIDISCIPLINARIDADE Multidisciplinaridade é a perspectiva de diferentes áreas ou disciplinas a respeito de uma mes- ma situação ou de uma mesma temática. De modo que cada especialista, com base na sua área de atuação, dá seu parecer a respeito do paciente, buscando avaliá-lo de modo completo e integral. A interdisciplinaridade é uma abordagem integral; conforme destaca Fazenda (1994, p. 70), A Fonoaudiologia como ciência tem estreita vinculação com a multidisciplinaridade, uma vez que historicamente está relacionada a preceitos da educação e saúde. Para uma atuação clíni- O DESENVOLVIMENTO DE TAIS HABILIDADES DEVE SER ALMEJADO. DENTRE ESTAS, RESSALTAMOS QUE O FONOAUDIÓLOGO PODE PRESTAR ASSESSORIA TÉCNICA E CONSULTORIA; PARTICIPAR DE PROJETOS POLÍTICO-PEDAGÓGICOS, DE SOCIEDADES CIENTÍFICAS, ENTIDADES DE CLASSE, CONSELHOS, COMITÊS, COMISSÕES, ÓRGÃOS GESTORES E PROCESSOS DE SELEÇÃO; PARTICIPAR DE GRUPOS DE PESQUISA E BAN- CAS EXAMINADORAS; ATUAR EM EQUIPES INTRA E INTERDISCIPLINARES; REALIZAR PERÍCIAS E AUDITORIAS TÉCNICAS E NORMATIZAR AÇÕES EM FONOAUDIOLOGIA. O FONOAUDIÓLOGO DEVE TRABALHAR COM SEGURANÇA, ADOTAR MEDIDAS DE PRE- CAUÇÃO PADRÃO E SABER OPERAR INSTRUMENTOS E EQUIPAMENTOS DA ÁREA. DA MESMA FORMA, VALORIZA-SE DEMONSTRAR COMPETÊNCIA VERBAL E ESCRITA, CAPACIDADE DE ANÁLISE E SÍNTESE, OBJETIVIDADE, PERSEVERANÇA, CRIATIVIDADE E CAPACIDADE DE OBSERVAÇÃO. O FONOAUDIÓLOGO DEVE AINDA TER FACILIDADE EM ESTABELECER RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS, TRANSMITIR SEGURANÇA, TOMAR DECISÕES E AUTOAVALIAR-SE FREQUENTEMENTE. (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2016, P. 14) Para ampliar o conhecimento a respeito das competências do fonoaudiólogo conforme o Conse- lho Federal de Fonoaudiologia, sugere-se a leitura na íntegra do documento Áreas de competên- cia do fonoaudiólogo no Brasil, disponível em: https://bit.ly/35GlrOj. Acesso em: 4 jun. 2020. LEITURA [...] A METODOLOGIA INTERDISCIPLINAR PARTE DE UMA LIBERDADE CIENTÍFICA, ALI- CERÇA-SE NO DIÁLOGO E NA COLABORAÇÃO, FUNDA-SE NO DESEJO DE INOVAR, DE CRIAR, DE IR ALÉM E SUSCITA-SE NA ARTE DE PESQUISAR, NÃO OBJETIVANDO APE- NAS A VALORIZAÇÃO TÉCNICO-PRODUTIVA OU MATERIAL, MAS, SOBRETUDO, POSSI- BILITANDO UM ACESSO HUMANO, NO QUAL DESENVOLVE A CAPACIDADE CRIATIVA DE TRANSFORMAR A CONCRETA REALIDADE MUNDANA E HISTÓRICA NUMA AQUISIÇÃO MAIOR DE EDUCAÇÃO EM SEU SENTIDO LATO, HUMANIZANTE E LIBERTADOR DO PRÓ- PRIO SENTIDO DE SER NO MUNDO. U N ID A D E 0 2 31 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A ca com esse olhar integral, a parceria com médicos de diversas áreas – pediatras, neurologistas, otorrinolaringologistas, gastroenterologistas –, dentistas, psicólogos, pedagogos, psicopedagogos, neuropsicólogos, professores, terapeutas ocupacionais, entre outros, faz-se necessária, de acordo com as especificidades de cada caso. Ainda a respeito da interdisciplinaridade e da importância desse olhar global do fonoaudiólogo quanto às necessidades do paciente, Przybysz (2018, p. 19) destaca que: Ao atender o paciente integralmente, realizando encaminhamentos para outras áreas, a reso- lutividade do atendimento fonoaudiológico aumenta, uma vez que várias patologias do âmbito da Fonoaudiologia estão inter-relacionadas com outras questões de saúde. 3. ÁREAS DE ESPECIALIDADE E LOCAIS DE ATUAÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA A Fonoaudiologia, conforme já discutido na Unidade I, tem atuação vasta e vários são os seus possíveis locais de trabalho. De modo que o Conselho Federal de Fonoaudiologia elenca, como ambientes de exercício profissional do fonoaudiólogo, unidades básicas de saúde, ambulatórios de especialidades, hospitais e maternidades, consultórios, clínicas home care, casas de repouso, asilos, casas de saúde, creches e berçários, escolas regulares e especiais, instituições de ensino superior, empresas diversas, meios de comunicação, associações, ONGs, entre outros nos quais se faça necessária a atuação fonoaudiológica. [...] POR MEIO DA PERSPECTIVA INTERDISCIPLINAR E DA INTEGRALIZAÇÃO DE SABE- RES DE ÁREAS DISCIPLINARES DISTINTAS, É POSSÍVEL CONSTRUIR NOVOS SABERES E CRIAR CONTRIBUIÇÕES CIENTÍFICAS, BEM COMO A COMPREENSÃO DA TOTALIDADE DAS DISCIPLINAS DE MODO A TRANSPOR OS CONCEITOS DISCIPLINARES. Durante a avaliação fonoaudiológica de um paciente com Transtorno do Espectro Autista (TEA), podem ser constatados comprometimentos nas dimensões sensoriais, habilidades sociais, inte- ração social, aspectos linguísticos, comunicação verbal e não verbal, comportamentais, padrões restritivos e repetitivos de comportamento, seletividade alimentar, entre outros. O encaminhamento para um neurologista, psicólogo, musicoterapeuta, terapeuta ocupacional ou outros profissionais que se façam necessários é fundamental para a evolução desse paciente. Um olhar multidisciplinar possibilitará um melhor prognóstico ao paciente, visto que a atuação conjunta entre diversas áreas auxiliará o processo de reabilitação. SAIBA MAIS U N ID A D E 0 2 32 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A Ainda retomando o conteúdo apresentado anteriormente, o Conselho Federal (2014) reconhe- ce como áreas de especialidadeda Fonoaudiologia: Audiologia, Disfagia, Gerontologia, Fonoaudio- logia Educacional, Fluência, Fonoaudiologia Neurofuncional, Fonoaudiologia do Trabalho, Neurop- sicologia, Linguagem, Motricidade Orofacial, Voz e Saúde Coletiva. Até o início do ano de 2002, eram cinco as especialidades reconhecidas, sendo elas as áreas de Linguagem, Audiologia, Motricidade Orofacial, Voz e Saúde Coletiva. Em março daquele ano, a Re- solução nº 383 possibilitou o reconhecimento e a descrição das atribuições da atuação fonoaudio- lógica na especialidade de Disfagia, e a Resolução nº 387 trouxe a especialidade de Fonoaudiologia Escolar/Educacional (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2002). Posteriormente, foram reconhecidas as áreas de Fonoaudiologia do Trabalho, Gerontologia, Neuropsicologia e Fonoaudiologia Neurofuncional. Essas especialidades foram aprovadas durante a 138ª Sessão Plenária Ordinária, em 2014, por meio da Resolução nº 453/2014, com o entendi- mento de que elas são também necessárias e fortalecem o trabalho fonoaudiológico nos âmbitos de prevenção, recuperação e promoção da saúde. Essas áreas foram devidamente descritas nas Resoluções nº 463, 464, 466 e 467, no ano de 2015. Por fim, no ano de 2017, na Resolução nº 507, foram dispostas as atribuições do fonoaudiólogo especialista em Fluência. As doze áreas de especialização da Fonoaudiologia revelam uma profissão ampla, com diversos campos e áreas de trabalho, atuando na promoção da saúde, prevenção, avaliação, diagnóstico, orientação e terapia, além de atividades relacionadas a ensino e pesquisa. Nas próximas Unidades, serão abordados aspectos específicos da atuação fonoaudiológica em cada uma dessas áreas reconhecidas pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia. CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante as discussões dessa unidade, foram aprendidos aspectos relacionados as competên- cias do Fonoaudiólogo, os locais de atuação fonoaudiológica, a relação da Fonoaudiologia com a multidisciplinaridade e áreas de atuação do profissional de Fonoaudiologia. Com base nas reflexões aqui propostas, foi possível identificar a importância do desenvolvimen- to das competências indicadas pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia para a atuação do fono- Assista ao vídeo “Dia do Fonoaudiólogo 2015”, do Conselho Federal de Fonoaudiologia, a respeito da atuação fonoaudiológica. Disponível em: https://bit.ly/34xI8oH. Acesso em: 4 jun. 2020. VÍDEO U N ID A D E 0 2 33 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A audiólogo, assim como a relevância do olhar integral, da multidisciplinaridade, da participação da família, de cuidadores e da escola no processo de evolução terapêutica. Tais reflexões são fundamentais para que o futuro profissional de Fonoaudiologia durante o processo de formação acadêmica já busque o desenvolvimento de tais competências para uma atuação fonoaudiológica focada no bem estar do paciente, possibilitando ações de prevenção, promoção e recuperação de saúde. ANOTAÇÕES UNIDADE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM VÍDEOS DA UNIDADE http://bit.ly/2JZ24JE http://bit.ly/3bpajKs http://bit.ly/2XqlOZQ 03 CONHECENDO AS ÁREAS DE ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA (1) » Conhecer a atuação fonoaudiológica na área de Linguagem; » Aprender a respeito da atuação do fonoaudiólogo em Voz; » Identificar e conhecer a atuação fonoaudiológica em Motricidade Orofacial; » Conhecer a atuação do fonoaudiólogo em Disfagia; » Conhecer a Fonoaudiologia Educacional; » Aprender a respeito da Fonoaudiologia Neurofuncional; » Conhecer a atuação fonoaudiológica em Neuropsicologia. U N ID A D E 0 3 35 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A INTRODUÇÃO Nesta terceira Unidade de Introdução à Fonoaudiologia serão realizadas discussões a respeito de algumas das especialidades de atuação do Fonoaudiólogo. Especificamente nessa unidade, serão abordadas as atuações em Linguagem, Voz, Motricidade Orofacial, Disfagia, Fonoaudiologia Educacional, Neurofuncional e Neuropsicologia. Diversas são as patologias que podem ocasionar alterações nesses âmbitos, sendo fundamental que o fonoaudiólogo tenha conhecimento de tais áreas, buscando realizar uma avaliação detalha- da, objetivando a melhor conduta terapêutica para o paciente. É de suma importância que você, acadêmico de Fonoaudiologia, conheça a amplitude da atua- ção fonoaudiológica, assim como a relevância da busca por conhecimentos aprofundados focados em uma prática completa. 1. FONOAUDIOLOGIA EM LINGUAGEM Linguagem é qualquer representação ou meio sistemático de comunicar ideias ou sentimentos, possibilitando a comunicação. A linguagem pode ser oral (fala), corporal (expressões faciais e cor- porais), musical, visual, gestual, simbólica, gráfica, entre outras. Nesse sentido, Zorzi (2000, p. 12) define linguagem da seguinte forma: Conforme Mota et al. (2002), a linguagem humana é composta por pragmática (a linguagem no contexto de seu uso), semântica (o sentido e significado de uma palavra), sintaxe (função e relação das palavras em uma frase), morfologia (palavras, sua formação e classificação), gramática (composta por regras sintáticas e morfológicas) e fonologia (sistema de fonemas de uma língua). As teorias de aquisição de linguagem e os aspectos do desenvolvimento típico de linguagem são temáticas estudadas há muitos anos por profissionais das diversas áreas do conhecimento, como medicina, psicologia, fonoaudiologia, pedagogia, entre outros. A LINGUAGEM SE CONSTITUI COMO UMA FORMA DE EXPRESSÃO QUE PERMITE RE- LAÇÕES ENTRE AS PESSOAS. SIGNIFICADOS QUE CORRESPONDEM A CONCEITOS, IDEIAS, SENTIMENTOS OU EXPERIÊNCIAS SÃO EXPRESSOS ATRAVÉS DE SÍMBOLOS CONVENCIONAIS (AS PALAVRAS), QUE SÃO OS SIGNIFICANTES. A AQUISIÇÃO DA LIN- GUAGEM INSERE-SE NO QUADRO DE EVOLUÇÃO DO PROCESSO MAIS GLOBAL DE CO- MUNICAÇÃO, QUE ENGLOBA SÍMBOLOS VERBAIS E NÃO VERBAIS. U N ID A D E 0 3 36 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A O desenvolvimento de fala e linguagem perpassa diversas habilidades, que são pré-comunicati- vas. É importante lembrar que esse desenvolvimento envolve diferentes fatores, linguísticos e não linguísticos. Nesse sentido, espera-se que o desenvolvimento da linguagem aconteça de forma constante e contínua. FIGURA 1: ESTIMULAÇÃO DE FALA O ideal é que o desenvolvimento de fala e linguagem da criança seja estimulado desde o seu nas- cimento. Desde muito cedo, o bebê se comunica através de suas expressões faciais, do olhar, da risa- da e do choro. Aos poucos, as expressões faciais e o choro dão lugar aos balbucios e sons emitidos, que posteriormente passam a representar e significar através dos sons silabados e de palavras curtas. Entretanto, para algumas crianças, em decorrência de fatores como alterações nas condições orgânicas, sensoriais, sociais, afetivas e cognitivas, o desenvolvimento de fala e linguagem pode ser prejudicado, sofrendo alterações e trazendo diferentes problemas e condições (ARDUINO-MEI- RELLES et al., 2006). Halpern et al. (2002) afirmam que as principais causas de distúrbios nesse desenvolvimento são consequências de Síndrome de Down, alterações neurológicas e cognitivas, autismo, desnutrição e prematuridade. Essa temática também é abordada por Prates e Martins (2011, p. 54): OS DISTÚRBIOS DA COMUNICAÇÃO CONSTITUEM ALGUMAS DAS DOENÇAS INFANTIS MAIS PREVALENTES, MANIFESTANDO-SE COMO ATRASO OU DESENVOLVIMENTO ATÍ- PICO ENVOLVENDO COMPONENTES FUNCIONAIS DA AUDIÇÃO, FALA E/OU LINGUAGEM EM NÍVEIS VARIADOS DE GRAVIDADE. NA MAIORIA DAS VEZES ESSES DISTÚRBIOS SÃO PERCEBIDOS PELOS PAIS, QUE REFEREM QUE A CRIANÇA TEM DIFICULDADE PARA FALAR OU QUE NÃO FALA, É DIFICILMENTE COMPREENDIDA, INCAPAZ DE DIZER ALGUNS SONS CORRETAMENTE OU QUE GAGUEJA. U N ID A D E 0 3 37 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A A Fonoaudiologia é fundamental para evitar problemas futuros que as alteraçõesde linguagem podem causar, assim como para a avaliação e reabilitação das alterações de fala e linguagem. De modo que o diagnóstico e a intervenção fonoaudiológica precoce possibilitam um prognóstico favorável ao paciente. Especificamente a respeito da importância da comunicação e linguagem para a vida das pesso- as e o quanto a Fonoaudiologia contribui nessa área, Souza, Cunha e Silva (2005, p. 426) apontam: Na área de Linguagem, o profissional de Fonoaudiologia tem como objeto de estudo o processo de comunicação oral e escrita, sendo fundamental conhecer o desenvolvimento normal de lingua- gem e fala, aquisição de leitura e escrita, bem como os aspectos que podem estar alterados nesse processo, identificando as patologias que dificultam ou alteram esse desenvolvimento. Nessa especialidade, os estudos também são direcionados para a temática de neurologia, uma vez que os aspectos neurológicos impactam diretamente na área de linguagem. Vários são os distúrbios e transtornos da comunicação humana que estão diretamente ligados às funções do sistema nervoso, como sequelas neurológicas originadas por traumatismo cranioen- cefálico, tumor cerebral, hidrocefalia, paralisia cerebral, acidente vascular encefálico, aneurismas, doenças neuromusculares, entre outros (VASCONCELOS; PESSOA; FARIAS, 2008). No autismo, uma das áreas de comprometimento é justamente a de lingua- gem e fala. Como complemento ao conteúdo, sugere-se o filme Rain Man, que retrata o quanto a compreensão e a aceitação do autismo podem ser transformadoras no relacionamento e no desenvolvimento do autista. Sinopse: Rain Man conta a história de Charlie Babbitt (Tom Cruise), um jo- vem que viaja a um hospital psiquiátrico para tentar descobrir quem é o be- neficiário da fortuna que seu pai deixara ao falecer, já que para Charlie ele deixara apenas rosas premiadas e um carro. Ao chegar ao hospital, Charlie descobre que o beneficiário é Raymond (Dustin Hoffman), um irmão mais velho autista de quem nunca ouvira falar. Para garantir o dinheiro da herança, Charlie se aproxima de Raymond, disposto a brigar judicialmente pela guarda legal do irmão. VÍDEO A COMUNICAÇÃO, OBJETO DE ESTUDO DA FONOAUDIOLOGIA, VISTA COMO FORMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL DO INDIVÍDUO POR MEIO DAS DIVERSAS MODALIDADES DA LINGUAGEM, MERECE IMPORTANTE ATENÇÃO DAS AÇÕES DE SAÚDE PÚBLICA, UMA VEZ QUE POSSIBILITA AO INDIVÍDUO SE COLOCAR COMO AGENTE TRANSFORMADOR DA SOCIEDADE E DE SUA REALIDADE. Indica-se a leitura da matéria da revista Comunicar, a respeito da atuação fonoaudiológica nos casos de microcefalia: JUNIOR, Maurício. Fonoaudiologia e microcefalia. Comunicar, n. 68, p. 37-41, maio 2016. Disponí- vel em: https://bit.ly/31NHuSq. Acesso em: 13 jul. 2020. LEITURA U N ID A D E 0 3 38 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A Independentemente da etiologia da alteração de linguagem, a intervenção precoce é funda- mental para o melhor prognóstico ao paciente. Assim como nos aspectos gerais de saúde, a inter- venção precoce é a melhor estratégia, de modo que, ao menor sinal de dificuldade em qualquer âmbito da linguagem, é importante que o paciente passe por uma avaliação fonoaudiológica o mais cedo possível, objetivando identificar se existe a necessidade de terapia fonoaudiológica, direcionando a melhor conduta terapêutica. Quanto a isso, Souza, Cunha e Silva (2005, p. 427) indicam que: A terapia fonoaudiológica é essencial para evitar problemas futuros que as alterações de lin- guagem podem causar. Por meio da terapia e diagnóstico precoce, é possível reabilitar os aspectos alterados, além de evitar que as demais etapas do desenvolvimento de linguagem sejam prejudi- cadas, como a leitura e escrita, por exemplo, nos casos de desvios fonéticos ou fonológicos. FIGURA 2: CAMPANHA DO CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA SOBRE DIFICULDADES DE COMUNICAÇÃO NA INFÂNCIA Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2010). AS AÇÕES DE PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E RECUPERAÇÃO DA SAÚDE DEVEM SER GA- RANTIDAS NOS VARIADOS ASPECTOS ASSOCIADOS À COMUNICAÇÃO HUMANA EM TODO CICLO VITAL, UMA VEZ QUE A COMUNICAÇÃO HUMANA ABRANGE O FALAR, O OUVIR, O LER, O ESCREVER E OS INFORMES NÃO VERBAIS (EXPRESSÕES FACIAIS, GESTOS, HESITAÇÕES E O PRÓPRIO SILÊNCIO. SUA QUALIDADE É DETERMINANTE PARA AUTOCONFIANÇA, FELICIDADE E SEGURANÇA, PROPICIANDO UMA COMUNICA- ÇÃO MAIS EFETIVA E FUNDAMENTAL PARA SAÚDE DO SUJEITO. U N ID A D E 0 3 39 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A A respeito da importância do diagnóstico precoce, Prates e Martins (2011, p. 58) enfatizam: Nessa área, o fonoaudiólogo poderá atuar no âmbito de atrasos na fala, desvios fonéticos ou fonológicos, distúrbios específicos de linguagem, gagueira, síndromes, paralisia cerebral, transtor- nos globais do desenvolvimento, transtornos do espectro autista, distúrbios de leitura e escrita, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, lesões orgânicas nos órgãos fonoarticulatórios (língua, lábios, dentes, cavidade nasal, palato mole, palato duro, entre outros) e dislexia (LOPES- -HERRERA; MAXIMINO, 2012). 2. FONOAUDIOLOGIA EM VOZ A importância do cuidado com a voz é uma temática pesquisada muito antes da regulamenta- ção dos cursos de Fonoaudiologia pelo mundo. Essa área sempre foi estudada levando-se em conta que a voz é essencial para a comunicação humana e é instrumento de trabalho para as mais variadas profissões. O fonoaudiólogo é o profissional responsável pela realização de atividades preventivas de saúde vocal por meio de campanhas, assessorias, cursos, palestras e orientações a respeito de higiene vocal. Um dos exemplos de atenção preventiva da Fonoaudiologia vocal é a campanha do “Dia Mun- dial da Voz”, comemorado em 16 de abril. Nessa data, diversas ações são realizadas pelo país, com orientação sobre os cuidados vocais. Vários cantores se engajam nessa campanha, estimulando a população a manter cuidados preventivos com a voz. AS ALTERAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO DA FALA E DA LINGUAGEM PODEM CAUSAR SÉRIOS PROBLEMAS NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E SOCIOEMOCIONAL NA IDA- DE ESCOLAR OU ADOLESCÊNCIA. ESTUDOS DEMONSTRAM QUE A DETECÇÃO DE TAIS ALTERAÇÕES AOS DOIS A TRÊS ANOS REDUZ 30% A NECESSIDADE DE ACOMPANHA- MENTO TERAPÊUTICO (FONOAUDIOLOGIA, PSICOLOGIA, EDUCAÇÃO ESPECIAL, ENTRE OUTROS) AOS OITO ANOS DE IDADE. Desvio fonético refere-se a alterações de fala em decorrência de alterações orgânicas nos órgãos fonoarticulatórios ou no âmbito de motricidade orofacial (língua, lábios, dentes, cavidade nasal, palato mole, palato duro, entre outros), enquanto os desvios fonológicos acontecem na ausência de alterações de motricidade orofacial. O transtorno fonológico é a alteração nos padrões fonológicos que ocorre na ausência de alterações anatômicas dos órgãos fonoarticulatórios ou de outra ordem. O transtorno fonológico é a dificuldade de usar o sistema fonológico de forma correta, fonemas e estruturas silábicas; a criança apresenta fala com substituições, omissões ou distorção de fonemas. SAIBA MAIS U N ID A D E 0 3 40 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A FIGURA 3: CAMPANHA DIA MUNDIAL DA VOZ - 2018 Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2018). Os cuidados preventivos também são discutidos por Ueda, Santos e Oliveira (2008, p. 558): Visto que a emissão vocal depende da funcionalidade preservada de diversos órgãos, na atua- ção em Voz, o fonoaudiólogo deverá inter-relacionar conhecimentos técnicos e científicos a res- peito de acústica, anatomia e fisiologia do aparelho fonador, sistema respiratório, sistema nervoso central e periférico, aspectos vocais psicológicos, bem como conhecimentos a respeito dos órgãos fonoarticulatórios. Assim como em todas as esferas saúde humana, o cuidado preventivo é a melhor estratégia. Nos cuidados vocais, o fonoaudiólogo realizatambém orientações sobre higiene vocal, que são os cuidados básicos com a voz, entre eles, tomar água preferencialmente em temperatura ambiente, consumir maçã, evitar uso de ar-condicionado ou aquecedor, evitar tabagismo e etilismo, manter alimentação saudável, entre outros. Assim como nas demais especialidades da Fonoaudiologia, na Fonoaudiologia Vocal o profissio- nal atua com prevenção e reabilitação de patologias vocais, na reabilitação de disfonias, nódulos, pólipos, câncer de cabeça e pescoço, edemas, granulomas, entre outros. A PREVENÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA VEM SE TORNANDO MAIS FREQUENTE, COM O SUR- GIMENTO DE NOVAS PROPOSTAS DE TRABALHO E EXPERIÊNCIAS ENGLOBANDO AÇÕES COM O OBJETIVO DE INTERCEPTAR O PROCESSO DA DOENÇA FONOAUDIOLÓGICA, ENFA- TIZANDO A PREVENÇÃO DA SAÚDE E PROTEÇÃO ESPECÍFICA A DETERMINADA PATOLOGIA OU DE UM GRUPO ESPECÍFICO DELA, ANTES QUE OS INDIVÍDUOS SEJAM ATINGIDOS. U N ID A D E 0 3 41 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A Nessa área, além de pacientes com alterações vocais que atuam em profissões diversas, o fono- audiólogo atua diretamente com profissionais da voz, cantores, professores, atores, atendentes de telemarketing, padres, pastores, entre outros. Miquilussi, Koslovski e Carneiro (2014) enfatizam que o fonoaudiólogo que atua com voz tam- bém tem ampla atuação na perícia vocal, realizando avaliações forenses, análise de qualidade vocal, análise articulatória e acústica. FIGURA 4: DICAS DE CUIDADOS COM A VOZ Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2015). 3. FONOAUDIOLOGIA E MOTRICIDADE OROFACIAL Conforme a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (2013), a motricidade orofacial é o campo da Fonoaudiologia responsável pelo estudo, pesquisa, prevenção, avaliação, desenvolvimento, ha- bilitação, aprimoramento e reabilitação das alterações congênitas ou adquiridas do sistema mio- funcional orofacial e cervical, assim como das funções de sucção, mastigação, deglutição, respira- ção e fala, desde o período gestacional até o processo natural de envelhecimento. Você conhece o aparelho fonador? Aparelho fonador é o conjunto de órgãos responsáveis pela fonação humana, atuando em respi- ração, fonação e articulação. É composto por pulmões, traqueia, brônquios, diafragma, laringe, pregas vocais, glote, lábios, dentes, alvéolos, palato duro, palato mole, faringe, língua. SAIBA MAIS U N ID A D E 0 3 42 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A Uma das estruturas avaliadas no âmbito de motricidade orofacial é a língua e o frênulo lingual. A presença de alteração no frênulo lingual leva a prejuízos na movimentação de língua, na ama- mentação do bebê, influenciando negativamente na mastigação, deglutição e fala (MARCHESAN, 2005; BRITO et al., 2008). A respeito das dificuldades ocasionadas devido a alterações no frênulo lingual, Brito et al. (2008, p. 344) destacam: Sendo assim, no campo da motricidade orofacial, são realizadas ações de prevenção, avaliação, diagnóstico e reabilitação das estruturas da região de boca (oro), da face (facial) e pescoço (cervical). Estão relacionadas as funções estomatognáticas de respiração, sucção, mastigação, deglutição e fala. Levando em conta a importância e a necessidade da integridade dos aspectos de motricidade orofacial para a saúde, é fundamental que o fonoaudiólogo realize avaliação detalhada e cuidadosa. Segundo o Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (2013), o fonoaudiólogo especialista em Motricidade Orofacial está apto para prevenir, avaliar, diagnosticar e tratar todos os aspectos re- lacionados a essa área. Além disso, frequentemente atua em maternidades com orientação de aleitamento materno, hospitais, clínicas, entre outros. QUANDO EXISTE ALTERAÇÃO DO FRÊNULO DA LÍNGUA PODE-SE ENCONTRAR COMO CONSEQUÊNCIA, BOCA ENTREABERTA, ALTERAÇÕES OCLUSAIS E PERIODONTAIS, DIFI- CULDADE NOS MOVIMENTOS REALIZADOS PELA LÍNGUA, ASSIM COMO POSTURA BAIXA DA MESMA NA CAVIDADE ORAL. AS FUNÇÕES DE MASTIGAR, DEGLUTIR E A PRODUÇÃO DOS SONS DA FALA PODEM SE ALTERAR. AS ALTERAÇÕES DE FALA MAIS COMUMENTE ENCONTRADAS SÃO AS DISTORÇÕES DOS FONEMAS [S] E [Z] E DO VIBRANTE ALVEOLAR SIMPLES EM TODAS AS SUAS POSIÇÕES. COMO ADAPTAÇÕES OU COMPENSAÇÕES DU- RANTE A FALA OBSERVA-SE AINDA A OCORRÊNCIA DA DIMINUIÇÃO DO ESPAÇO ENTRE MAXILARES, AUMENTO DA SALIVAÇÃO, MOVIMENTOS MANDIBULARES EXCESSIVOS DE LATERALIZAÇÃO E ANTERIORIZAÇÃO, O QUE PODE GERAR IMPRECISÃO DA FALA. Indica-se a leitura da matéria “CFFa define atuação em Motricidade Orofacial com finalidade es- tética”, publicada no Jornal do Conselho Federal de Fonoaudiologia. JORNAL DO CFFCa. CFFa define atuação em Motricidade Orofacial com finalidade estética. ano IX, n. 37, abr./jun. 2008. Disponível em: https://bit.ly/2HIwmPc. Acesso em: 14 jul. 2020. O trabalho fonoaudiológico em Motricidade Orofacial é ampla. Entre as áreas de atuação estão amamentação, pacientes com alterações no frênulo lingual, fissuras, síndromes, respiração oral, pacientes com hábitos orais, desvios fonéticos, paralisia facial, ronco, estética facial, entre outros. SAIBA MAIS LEITURA U N ID A D E 0 3 43 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A 4. DISFAGIA A deglutição e as dificuldades nesse processo são temas de estudo de diversos profissionais da área da saúde, uma vez que requerem atuação multidisciplinar. A deglutição é dividida em fases, sendo elas: fase preparatória oral, fase oral, fase faríngea e fase esofágica. Alterações em qualquer uma dessas etapas são chamadas de disfagia, ou seja, uma dificuldade no processo de deglutição. O especialista em disfagia atua com a prevenção, avaliação, diagnóstico, habilitação/reabilita- ção funcional da deglutição e distúrbios de deglutição. A disfagia pode acontecer em qualquer idade, podendo estar diretamente ligada a quadros neurológicos, dificuldades oclusais, processo de envelhecimento, entre outros. Com relação à atuação fonoaudiológica nos quadros de disfagia em decorrência do processo de envelhecimento, Barros, Angelis e Jotz (2009, p. 58) afirmam: FIGURA 5: CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE A DISFAGIA Fonte: Crefono1 (2018). A LONGEVIDADE E A CONDIÇÃO DE PROMOVER QUALIDADE AOS ANOS VIVIDOS RE- FORÇAM A NECESSIDADE DE MAIOR CONHECIMENTO DOS ASPECTOS RELACIONADOS COM A ALIMENTAÇÃO DO IDOSO. SABE-SE QUE MUITAS DOENÇAS PODEM EVOLUIR PARA DISTÚRBIOS DE DEGLUTIÇÃO (DISFAGIA), MAS É IMPORTANTE COMPREENDER QUE ALGUMAS DIFICULDADES DE ALIMENTAÇÃO SÃO CONSEQUÊNCIAS DO PROCES- SO FISIOLÓGICO DO ENVELHECIMENTO DO INDIVÍDUO (PRESBIFAGIA). O TRABALHO QUE O FONOAUDIÓLOGO DESENVOLVE NA REABILITAÇÃO DOS DISTÚRBIOS DA DE- GLUTIÇÃO TEM SIDO UMA CONSTANTE CONSCIENTIZAÇÃO E VALORIZAÇÃO, CADA VEZ MAIS SIGNIFICATIVA, NA ÁREA DA GERONTOLOGIA E PELA EQUIPE INTERDISCIPLINAR QUE ATUA JUNTO AO IDOSO. EM CONTRAPARTIDA, A EXPERIÊNCIA DE ATUAR JUNTO A UMA EQUIPE DE PROFISSIONAIS DA GERONTOLOGIA E GERIATRIA PROPORCIONA AO PROFISSIONAL FONOAUDIÓLOGO, ESPECIALISTA NESTA ÁREA, UM CRESCIMENTO CONTÍNUO, HAJA VISTA QUE A DISCUSSÃO DE CADA CASO APRESENTADO NÃO SE RESTRINGE À CONDUTA CLÍNICA, MAS, PRINCIPALMENTE, À AVALIAÇÃO DE BEM-ES- TAR, PRAZER E SATISFAÇÃO DO INDIVÍDUO IDOSO. U N ID A D E 0 3 44 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A 5. FONOAUDIOLOGIA EDUCACIONAL O profissional atuante em Fonoaudiologia Educacional pode trabalhar em escolas das redes pública e privada, em Secretarias Municipais e Estaduais de Educação e nos sistemas de ensino em geral, em todos os níveis e modalidades de ensino. FIGURA 6: CAMPANHA SOBRE O FONOAUDIÓLOGO NA EDUCAÇÃO Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2019). As diretrizes de ação do fonoaudiólogo educacional, as atribuições e competências desse espe- cialista encontram-se em Resoluções do Conselho Federal de Fonoaudiologia. A Resolução nº 387/2010 trata das atribuições e competências do profissional especialistaem Fonoaudiologia Educacional: ART. 2º O PROFISSIONAL ESPECIALISTA EM FONOAUDIOLOGIA EDUCACIONAL ESTÁ APTO A: I - ATUAR NO ÂMBITO EDUCACIONAL, COMPONDO A EQUIPE ESCOLAR A FIM DE REALIZAR AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO INSTITUCIONAL DE SITUAÇÕES DE ENSINO APRENDIZAGEM RELACIONADAS À SUA ÁREA DE CONHECIMENTO; II - PARTICIPAR DO PLANEJAMENTO EDUCACIONAL; III - ELABORAR, ACOMPANHAR E EXECUTAR PROJE- TOS, PROGRAMAS E AÇÕES EDUCACIONAIS QUE CONTRIBUAM PARA O DESENVOLVI- MENTO DE HABILIDADES E COMPETÊNCIAS DE EDUCADORES E EDUCANDOS VISANDO À OTIMIZAÇÃO DO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM; IV - PROMOVER AÇÕES DE EDUCAÇÃO DIRIGIDAS À POPULAÇÃO ESCOLAR NOS DIFERENTES CICLOS DE VIDA [...]. (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2010) U N ID A D E 0 3 45 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A A Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (2017, p. 5) define a Fonoaudiologia Educacional como “área de especialização da Fonoaudiologia voltada ao estudo e atuação para a promoção da Educação, em todos os níveis ou modalidade de ensino”. A respeito das competências e ações a serem realizadas pelo fonoaudiólogo educacional, a mesma Sociedade (2017) elenca como atribuições: • Disponibilizar e discutir informações/conhecimentos a respeito dos aspectos concernentes à Fonoaudiologia que beneficiem o educador e o aluno; • Prestar assessoria fonoaudiológica e dar suporte à equipe escolar discutindo e elegendo es- tratégias que favoreçam o trabalho com alunos que apresentam dificuldades de fala, linguagem oral e escrita, voz e audição; • Contribuir para a inclusão efetiva dos alunos com necessidades educacionais especiais, de modo especial promovendo a acessibilidade na comunicação; • Realizar ações promotoras de saúde que resultem no desenvolvimento dos alunos e na saúde da equipe escolar, no que se refere à linguagem oral, escrita, audição, motricidade orofacial e voz; • Orientar as famílias ou os cuidadores em relação ao desenvolvimento das crianças, principal- mente as de maior vulnerabilidade social; • Conhecer a realidade local e elencar ações de promoção à saúde a serem desenvolvidas no âmbito escolar, por todos os atores sociais; • Participar de reuniões com a equipe multiprofissional para acompanhamento sistemático e contínuo das ações desenvolvidas com os educandos, equipes escolares, pais ou responsáveis; • Contribuir para o diagnóstico da situação de saúde auditiva dos ambientes escolares, apon- tando necessidades, pedindo avaliações de aferição de ruído e buscando soluções para contribuir com a saúde auditiva; • Participar de formação continuada e capacitação específica aos professores e equipes escola- res, buscando disseminar o conhecimento em assuntos fonoaudiológicos; • Favorecer, junto à equipe pedagógica, encaminhamentos dos alunos para exames específicos e/ou acompanhamentos terapêuticos que se fizerem necessários aos equipamentos de referência ou unidades de referência, articulando, dentro do possível, a troca de informações entre os profis- sionais da saúde e da educação; • Orientar pais ou responsáveis quanto às necessidades educacionais de seu(s) filho(s), de for- ma a buscar parceria no trabalho pedagógico e às intervenções necessárias em outros âmbitos (saúde, assistência social etc.); • Participar de reuniões pedagógicas, conforme necessidades levantadas pela equipe técnica e/ou escolar; • Participar do processo de elaboração da avaliação dos alunos, discutindo suas necessidades educacionais especiais, as adaptações realizadas e a serem feitas, objetivando o encaminhamento educacional mais adequado; U N ID A D E 0 3 46 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A • Desenvolver projetos ou programas de articulação intersecretarias de saúde e educação, e intersetoriais, contribuindo para a integralidade de atendimento ao munícipe; • Orientar hábitos de saúde e realizar campanhas educativas, de acordo com a necessidade da comunidade escolar; • Apoiar o professor ao participar do horário de trabalho pedagógico coletivo (HTPC) e do ho- rário de trabalho pedagógico individual (HTPI); • Realizar o levantamento das necessidades das instituições educacionais, com todos os atores sociais envolvidos (equipe pedagógica, equipe de apoio, professores), e elaborar, discutir e propor um planejamento com as ações elencadas. A atuação fonoaudiológica nesse contexto é de suma importância e possibilitará grandes avan- ços e contribuições para o processo de ensino e aprendizagem, uma vez que vários aspectos de aprendizagem estão relacionados com a Fonoaudiologia. Assim como discutido anteriormente, a relação entre Fonoaudiologia e multidisciplinaridade traz diversos benefícios para o paciente. FIGURA 7: CAMPANHA FONOAUDIOLOGIA NA EDUCAÇÃO Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2018). Saiba mais a respeito da contribuição da Fonoaudiologia Educacional para os municípios e escolas lendo o seguinte material: SOCIEDADE BRASILEIRA DE FONOAUDIOLOGIA. Contribuições do fonoaudiólogo educacional para seu município e sua escola. 2017. Disponível em: https://bit.ly/35BI4ne. Acesso em: jun. 2020. LEITURA U N ID A D E 0 3 47 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A 6. NEUROFUNCIONAL Na área neurofuncional, o fonoaudiólogo é responsável pela avaliação, diagnóstico, habilitação e reabilitação de pacientes de diversas faixas etárias e que apresentam alterações neurofuncionais decorrentes de lesões no sistema nervoso central ou periférico. Conforme Resolução nº 464/2015, o Conselho Federal de Fonoaudiologia afirma que o fonoau- diólogo que atua na especialidade de Fonoaudiologia Neurofuncional deve ter: Para a plena atuação no âmbito neurofuncional, o fonoaudiólogo deverá compreender a res- peito de anatomia, fisiologia, fisiopatologia, neuroanatomia funcional, desenvolvimento sensório motor oral, métodos e protocolos de avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor, tecnologia assistiva, comunicação alternativa e aumentativa, conhecimentos de voz, fala, linguagem, motrici- dade orofacial e disfagia, entre outros. Esse profissional pode atuar em home care, clínicas, Unidades Básicas de Saúde (UBS), Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), hospitais, entre outros locais. A implementação da Fonoaudiologia Neurofuncional ocorreu sobretudo em virtude das diretrizes estabelecidas pela Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência, por meio da Portaria nº 1060/2002, que inclui a criação de toda uma Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, demons- trando um reconhecimento da necessidade de responder às complexas questões que envolvem a atenção à saúde dos indivíduos com deficiência no Brasil. Além disso, foi identificado que a atuação fonoaudiológica na área neurofuncional pode contribuir para o prognóstico dos pacientes assistidos. 7. NEUROPSICOLOGIA A Neuropsicologia foi recentemente reconhecida como uma especialidade da Fonoaudiologia pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, por meio da Resolução nº 453/2014. O fonoaudiólogo especializado em Neuropsicologia atua com a promoção, prevenção, avaliação, diagnóstico e reabilitação de aspectos cognitivos e que podem influenciar a comunicação humana. I - CONHECIMENTO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE, EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SO- CIAL VIGENTES PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA E COM ALTERAÇÕES NEUROFUNCIONAIS; II - CONHECIMENTO SOBRE NECESSIDADES ADAPTATIVAS ESPECIAIS, ADAPTAÇÕES CURRICULARES, BAIXA E ALTA TECNOLOGIA ASSISTIVA E ACESSIBILIDADE; III – CONHECIMENTO DO DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR E DOS SEUS DES- VIOS, BEM COMO DA NEUROANATOMIA E NEUROFISIOLOGIA NORMAL E PATOLÓGICA [...]. (CFFA, 2015) U N ID A D E 0 3 48 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A O trabalho é interdisciplinar, com foco em comportamento e cognição, observando condições de memória, linguagem, atenção, percepção, funções executivas e praxias (BRASILet al., 2020). Atua tanto com crianças como com adultos que apresentam alterações cognitivas decorrentes de disfunções do SNC por desenvolvimento atípico ou disfunções adquiridas. Para Brandão (2016, p. 380): Cabe destacar que a neuropsicologia tem, ainda, inter-relação com as áreas de neurociências, psicologia cognitiva, neurolinguística, psicolinguística, entre outras, sendo fundamental que o fo- noaudiólogo tenha conhecimento de delas. NEUROPSICOLOGIA É A ÁREA INTERDISCIPLINAR QUE SE OCUPA DAS RELAÇÕES ENTRE CÉREBRO E COGNIÇÃO, E COM O ESTUDO DAS FUNÇÕES NEUROPSICOLÓGICAS AO LON- GO DA VIDA. O INTERESSE PELAS FUNÇÕES NEUROPSICOLÓGICAS SE DIMENSIONA EM TERMOS BIOLÓGICOS, MAS TAMBÉM PSICOSSOCIAIS, NA MEDIDA EM QUE ESSAS FUN- ÇÕES SÃO MEDIADAS PELO CONTEXTO E PASSÍVEIS DE ESTIMULAÇÃO E APRENDIZADO. A Resolução nº 466/2015 completa, a respeito do fonoaudiólogo como especialista em Neuropsi- cologia, pode ser conferida em: https://bit.ly/2Tybj4M. Acesso em: 16 jul. 2020. SAIBA MAIS ANOTAÇÕES UNIDADE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM VÍDEOS DA UNIDADE http://bit.ly/2LiDXGn http://bit.ly/3s9fuUx http://bit.ly/3s7kARj 04 » Conhecer a atuação da Fonoaudiologia em Audiologia; » Aprender a respeito da Fonoaudiologia do Trabalho; » Conhecer a atuação fonoaudiológica em Saúde Coletiva; » Identificar e conhecer a atuação do fonoaudiólogo em Gerontologia; » Conhecer a atuação da Fonoaudiologia na área de Fluência. CONHECENDO AS ÁREAS DE ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA (2) U N ID A D E 0 4 50 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A INTRODUÇÃO Conforme discutido ao longo deste material, a atuação fonoaudiológica é ampla e abrange di- versas áreas, envolvendo as mais diversas idades e etapas da vida do ser humano. Nesta quarta Unidade, as discussões serão a respeito do exercício da Fonoaudiologia nas es- pecialidades de Audiologia, Fonoaudiologia do Trabalho, Saúde Coletiva, Gerontologia e Fluência, compreendendo aspectos básicos e competências profissionais para cada uma dessas áreas. O conhecimento da atuação do fonoaudiólogo em cada uma das áreas regulamentadas pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia é fundamental para ampliar seu olhar como acadêmico(a) e prepará-lo(a) para a futura profissão. 1. FONOAUDIOLOGIA EM AUDIOLOGIA A audição humana acontece por meio de um processo de alta complexidade, em que várias estruturas estão envolvidas. De modo que a orelha externa, média, interna e, inclusive, o cérebro fazem parte do processo de audição. A respeito das estruturas da orelha, Ferreira (2006, p. 13) destaca: “A orelha é o receptor de sons em nosso organismo. O som é captado e conduzido pela orelha externa, amplificado e modulado na orelha média e transformado em sinal elétrico (conhe- cido como transdução) na orelha interna”. Abordando aspectos de anatomia e fisiologia, a orelha externa tem como composição o pa- vilhão auricular e o meato acústico externo, com função principal a proteção e de levar a onda sonora até o restante da orelha (BONALDI; DE ANGELIS; SMITH, 1998). Por sua vez, a orelha média é um espaço no osso temporal, preenchido de ar, entre a membra- na timpânica e a orelha interna, em que estão localizados os ossículos da orelha média (martelo, bigorna e estribo). A orelha média comunica-se anteriormente com a nasofafringe, por meio da tuba auditiva, e posteriormente com as células mastoideas, pelo ádito ao antro. Nela está localiza- da a tuba auditiva, relacionada ao controle de pressão e à conexão da orelha média com a nasofa- ringe. Além disso, a orelha média amplifica o som por meio da vibração da membrana timpânica e da movimentação dos ossículos (BONALDI; DE ANGELIS; SMITH, 1998). Exemplos do controle e das mudanças de pressão na orelha média são os momentos de masti- gação, deglutição e bocejo, quando a tuba auditiva se abre, permitindo uma equalização entre a pressão da orelha externa e da orelha média. SAIBA MAIS U N ID A D E 0 4 51 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A Na orelha interna, estão presentes o labirinto anterior, composto pela cóclea, e o labirinto pos- terior, constituído pelos canais semicirculares, utrículo e sáculo, que são os órgãos do equilíbrio. Entre os labirintos está localizado o vestíbulo. Conforme Ferreira (2006, p. 31), O último ossículo da cadeia ossicular é o estribo, que está localizado na janela oval, próximo à cóclea. A cóclea é um canal preenchido por líquido, em formato de caracol. Quando as vibrações sonoras chegam até a cóclea, elas se modificam e são enviadas ao órgão de Corti, que transforma a onda sonora em impulso nervoso para enviar essa onda ao cérebro e, então, esse som ser inter- pretado. Esse tema é explanado por Oliveira (1973, p. 14): Ainda na cóclea, estruturas de extrema importância são as células ciliadas. A respeito da anato- mia das células ciliadas, Oliveira (1973, p. 18) aponta: Audiologia é a área de especialidade da Fonoaudiologia que estuda a audição, o equilíbrio e os distúrbios relacionados à audição, das mais variadas etiologias. Essa foi uma das primeiras áreas a serem reconhecidas pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia. Na Audiologia, o fonoaudiólogo deverá ter conhecimento a respeito da anatomia e fisiologia da audição humana, da orelha e sua composição. Nessa área, podem ser realizados exames e testes, além da orientação ao paciente sobre o tratamento, indicação de aparelhos auditivos, indicação de avaliação médica para procedimentos cirúrgicos e medicamentosos, entre outros (CREFONO 4, 2020). NA ATUALIDADE A FISIOLOGIA DA CÓCLEA É CARACTERIZADA PELO AMPLIFICADOR COCLEAR OU CÓCLEA ATIVA, ONDE A ONDA VIAJANTE DE VON BÉKÉSY É LOCALMENTE AMPLIFICADA POR UM PROCESSO ELETROMECÂNICO, NO QUAL AS CÉLULAS CILIA- DAS EXTERNAS TÊM UM PAPEL FUNDAMENTAL, TANTO DE SENSORES COMO DE ELE- MENTOS MECÂNICOS DE RETROALIMENTAÇÃO. A ESTRUTURA DO ÓRGÃO DE CORTI EMBORA COMPLICADA É ESSENCIALMENTE A MESMA QUE A MÁCULA E CRISTA DO VESTÍBULO, E PARECE DE MODO GERAL COM OUTROS ÓRGÃOS SENSORIAIS DE ORIGEM EPITELIAL. AQUI, TAMBÉM HÁ 2 TIPOS DE ELEMENTOS HISTOLÓGICOS. UM ELEMENTO, DE UMA NATUREZA INDIFERENTE E QUE TEM UM PAPEL SUPLEMENTAR COMPREENDE AS CÉLULAS SUPORTES, QUE FORMAM O SISTEMA DE SUSTENTAÇÃO. HÁ, AO LADO EM CONTATO COM AS CÉLULAS CILIADAS, FIBRAS NERVOSAS CUJOS IMPULSOS SÃO TRANSMITIDOS AO CÉREBRO. AS CÉLULAS CILIADAS TÊM ALGUMAS CARACTERÍSTICAS PARTICULARES; EM PRI- MEIRO LUGAR DEVEMOS CITAR OS CÍLIOS DE ONDE PROVÉM O NOME. EXISTEM VÁ- RIAS DÚZIAS POR CÉLULAS, SENDO MAIS NUMEROSAS NO HOMEM QUE EM OUTROS MAMÍFEROS. O COMPRIMENTO DOS CÍLIOS VARIA, MESMO NA PRÓPRIA CÉLULA E ENTRE DIFERENTES CÉLULAS. AUMENTA DE 40 NA ESPIRA BASAL A 100 NA ESPIRA APICAL. OUTRA CARACTERÍSTICA DAS CÉLULAS CILIADAS É A PRESENÇA DE UMA REDE DELICADA DE FIBRILAS ARGENTÓFÍLAS NO SEU INTERIOR SEMELHANTE ÀS NERVO-FIBRILAS DAS CÉLULAS NERVOSAS. ESTAS FIBRILAS, ENTRETANTO, NÃO TEM RELAÇÃO DIRETA COM AS FIBRAS DO NERVO ACÚSTICO, CUJOS BOTÕES TERMINAIS ESTÃO LIGADOS DO LADO DE FORA DAS CÉLULAS CILIADAS. U N ID A D E 0 4 52 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A O audiologista atua na identificação de alterações auditivas, triagem auditiva neonatal, aspec- tos relacionados ao equilíbrio e zumbido, processamento auditivo central, entre outros. Analisa desde o recém-nascido até a saúde do idoso, com ações de prevenção e condutas de reabilitação. Na especialidade de Audiologia, duas grandes áreas conhecidas são a audiologia clínica e a ocu- pacional. A atuação em audiologia clínica, como o próprio nome indica, está relacionada à prática em clínicas, com todas as idades e patologias. A audiologia ocupacional atua no âmbito laboral, na realização de testes admissionais, periódicos e demissionais, estando direcionada à prevenção e ao cuidado com possíveis alterações auditivas decorrentes de questões relacionadas ao trabalho. A temática específica sobre audiologiaocupacional será discutida no próximo item desta Unidade. Ouvir demanda processos mecânicos, fisiológicos e neurofisiológicos. Sendo assim, na atuação fonoaudiológica em Audiologia, o audiologista deverá ter conhecimentos desde sobre a estrutura anatômica do ouvido externo, médio e interno, até o momento em que um estímulo auditivo che- ga ao córtex cerebral. FIGURA 1: CAMPANHA DO DIA NACIONAL DE COMBATE À SURDEZ Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2013). Com relação aos exames e testes, Otacilio (2013) destaca os seguintes: diapasões, audiometria tonal, índice de reconhecimento da fala (IRF), imitanciometria, audiometria automática de Békésy, teste de Fowler, teste short increment sensitivity index (SISI), teste tone decay, potenciais auditivos evocados do tronco encefálico, eletrococleografia e emissão otoacústica. Em 2010, foi aprovada a lei do Teste da Orelhinha, que garante o acesso de todas as crianças nascidas em hospitais no território nacional à avaliação precoce de Emissões Otoacústicas Evo- U N ID A D E 0 4 53 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A cadas. Conforme a Lei Federal nº 12.303, de 2 de agosto de 2010 – Teste da Orelhinha: “Art. 1º É obrigatória a realização gratuita do exame denominado Emissões Otoacústicas Evocadas, em todos os hospitais e maternidades, nas crianças nascidas em suas dependências” (BRASIL 2010). A realização do exame em todos os neonatos possibilita a identificação e intervenção precoce em bebês com deficiência auditiva, proporcionando a eles um melhor desenvolvimento. Alterações auditivas podem ter variadas etiologias, estando relacionadas a doenças ou alte- rações gestacionais, infecções, lesões, uso de medicações, exposição a ruídos, entre outros. A identificação e o tratamento adequado o mais precocemente possível possibilita ao paciente o melhor prognóstico. Nesse sentido, é fundamental que o fonoaudiólogo da área de Audiologia esteja focado na prevenção e promoção à saúde do paciente, independentemente da faixa etária. 2. FONOAUDIOLOGIA DO TRABALHO Na especialidade de Fonoaudiologia do Trabalho, a atuação está direcionada a aspectos labo- rais, nos cuidados com alterações auditivas decorrentes do trabalho, o desenvolvimento de pro- gramas de prevenção ocupacional, a implementação de programas de qualidade de vida no traba- lho, bem como a detecção e diagnóstico dos riscos fisiológicos no ambiente laboral. No âmbito da audiologia ocupacional, o fonoaudiólogo atua na prevenção de perdas auditivas em trabalhadores expostos a ruídos e outros riscos, na área pericial trabalhista, bem como no de- senvolvimento de programas de conservação auditiva (CREFONO 6, 2020). FIGURA 2: CAMPANHA DE PREVENÇÃO DE PERDAS AUDITIVAS Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2018). U N ID A D E 0 4 54 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A Nessa especialidade, o fonoaudiólogo está atento a questões de segurança e periculosidade da empresa, estando inter-relacionado com a área de Segurança do Trabalho. Atua com cuidados de prevenção, palestras voltadas a conscientização dos trabalhadores a respeito da importância dos cuidados auditivos, assim como do uso de equipamentos de proteção individual. Nesse sentido, o fonoaudiólogo elabora, implementa, executa, coordena e gerencia os programas de prevenção, como PCA (Programa de Conservação da Audição), PCV (Programa de Conservação Vocal), PPR (Programa de Prevenção Respiratória) e PQV (Programa de Qualidade de Vida). 3. SAÚDE COLETIVA O profissional de Fonoaudiologia em Saúde Coletiva atua com estudos a respeito do sistema de saúde brasileiro, sendo inserido na atenção básica, com foco em atividades voltadas às necessida- des do Sistema Único de Saúde (SUS), no cuidado, prevenção e promoção da saúde (TERÇARIOL, 2009; MEHRY, 1999). A atuação focada em promoção da saúde prevê um olhar abrangente a res- peito do paciente, visando cuidar da saúde de forma integral. A respeito disso, Penteado e Servilha (2004, p. 108) destacam: Nesse âmbito, as discussões são a respeito da importância do cuidado em saúde centrado em atenção interdisciplinar e integral. A atuação envolve os níveis de prevenção primária, secundária e terciária, por meio de ações que podem ser de baixa, média ou alta complexidade. Com o passar dos anos, a Fonoaudiologia foi inserida no Programa de Saúde da Família. Confor- me explanado por Penteado e Servilha (2004, p. 115), A respeito da Audiologia Ocupacional, é sugerida a leitura do material elaborado pelo Conselho Regional de Fonoaudiologia da 6ª Região. CREFONO 6. Audiologia ocupacional - FAQ. set. 2019. Disponível em: https://bit.ly/2TDZKc5. Acesso em: 6 ago. 2020. LEITURA AS DIRETRIZES E POLÍTICAS DE SAÚDE PÚBLICA NACIONAIS E INTERNACIONAIS SO- FRERAM TRANSFORMAÇÕES SIGNIFICATIVAS NOS ÚLTIMOS 20 ANOS, REPRESENTA- DAS PELA PROPOSTA DE PROMOÇÃO DA SAÚDE, E VÊM INFLUENCIANDO MUDANÇAS NA SOCIEDADE, NA CONCEPÇÃO DE SAÚDE E EM SEU MODELO DE ATENÇÃO, NA OR- GANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS, NOS PAPÉIS DESEMPENHADOS PELOS ATORES SOCIAIS E NA FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE. ENTRETANTO, AINDA PREDOMINA UMA DIVERSIDADE DE INTERPRETAÇÕES EM RELAÇÃO A ESSE CONCEITO NAS DIVER- SAS PROFISSÕES DA SAÚDE. U N ID A D E 0 4 55 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A A inserção da Fonoaudiologia nos serviços de saúde coletiva teve, assim, avanços ao longo dos anos, levando a estudos e discussões focados na atuação fonoaudiológica preventiva e inte- gralizada, diferentemente da visão da Fonoaudiologia assistencialista, inicialmente utilizada na esfera da Saúde Coletiva. 4. GERONTOLOGIA A expectativa de vida, ao longo dos anos, vem aumentando. Com isso, o olhar preventivo, com a perspectiva de melhorar a qualidade de vida da população idosa, é de suma relevância. Em decorrência dessa demanda, a Resolução nº 463, de 2015, trata a respeito das atribuições e competências do fonoaudiólogo especialista em Gerontologia. Em relação ao processo natural de envelhecimento, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Geron- tologia elucida que: Na área de Gerontologia o profissional de fonoaudiologia realiza ações de promoção da saúde, prevenção, avaliação, diagnóstico, habilitação/reabilitação dos distúrbios relacionados à lingua- gem, voz, audição, motricidade orofacial e disfagia, mas, além disso, foca no cuidado preventivo e de bem-estar para uma melhor qualidade de vida aos pacientes idosos, conforme apontado pelo Crefono 6 (2020, p. 1): A FONOAUDIOLOGIA EM SAÚDE PÚBLICA/COLETIVA, HISTORICAMENTE, VEM CONS- TRUINDO SEU CAMINHAR E, MAIS RECENTEMENTE, APROXIMA-SE DE UM COMPRO- METIMENTO COM AS QUESTÕES SOCIAIS, COLETIVAS E AS NECESSIDADES DE SAÚDE DA POPULAÇÃO. ENTRETANTO, ESSA APROXIMAÇÃO NECESSITA ESTAR ANCORADA EM PRESSUPOSTOS E CONCEPÇÕES COERENTES COM A PROPOSTA DE PROMOÇÃO DA SAÚDE. CONHECER ESSA PROPOSTA E SABER DISTINGUI-LA DO MODELO PREVEN- TIVO, FOCADO NA DOENÇA, REPRESENTA UM GRANDE AVANÇO. O PREFIXO “PRESBI”, DO GREGO PRÉSBY, SIGNIFICA IDOSO, VELHO, E É USADO PARA DIVERSAS DISFUNÇÕES RELACIONADAS ÀS MUDANÇAS QUE PODEM ACONTECER COM A IDADE, COMO A DETERIORAÇÃO DE VOZ (PRESBIFONIA), AUDIÇÃO (PRESBIACU- SIA) E DEGLUTIÇÃO (PRESBIFAGIA). AS ALTERAÇÕES RELACIONADAS À COMUNICAÇÃO PODEM INTERFERIR NA QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO E NAS ATIVIDADES DO DIA A DIA. PROBLEMAS NA DEGLUTIÇÃO TRAZEM PREJUÍZOS NUTRICIONAIS E PULMONA- RES. (SBGG, 2020) A GERONTOLOGIA TRATA DA SAÚDE DO IDOSO E, PARA BENEFICIAR E MELHORAR A SUA QUALIDADE DE VIDA, O FONOAUDIÓLOGO ATUA DE FORMA INTERDISCIPLINAR E TRANSDISCIPLINAR. O PROFISSIONAL REALIZA AVALIAÇÃO, DIAGNÓSTICO, TRATAMEN- continua p.56 U N ID A D E 0 4 56 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A FIGURA 3: CAMPANHA NACIONAL DO DIA DO IDOSO Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2015). É fundamental que o fonoaudiólogo com especialidadeem Gerontologia avalie e reabilite o paciente idoso de forma ampla e completa, buscando identificar os sintomas que são parte do pro- cesso de envelhecimento, além dos processos patológicos ou que ocorrem concomitantemente a outra patologia. TO E PREVENÇÃO DAS PATOLOGIAS LIGADAS À FONOAUDIOLOGIA E ORIENTA QUANTO AOS FATORES DE RISCO PARA A SAÚDE DO IDOSO. AÇÕES VOLTADAS À ASSESSORIA E CONSULTORIA FONOAUDIOLÓGICA TAMBÉM SÃO REALIZADAS PELO PROFISSIONAL DA ÁREA BEM COMO A PREVENÇÃO, AVALIAÇÃO, DIAGNÓSTICO E REABILITAÇÃO LIGA- DOS À DEGLUTIÇÃO, COMUNICAÇÃO, AUDIÇÃO, EQUILÍBRIO, VOZ, FUNÇÕES E PRAXIAS OROFACIAIS. O FONOAUDIÓLOGO TAMBÉM REALIZA ENCAMINHAMENTO PARA SELE- ÇÃO E ADAPTAÇÃO DE AASI (APARELHO DE AMPLIFICAÇÃO SONORA INDIVIDUAL). Para conhecer mais a respeito das competências do fonoaudiólogo especialista em Gerontologia, é sugerida a leitura da Resolução CFFa nº 489, de 18 de fevereiro de 2016, que “Dispõe sobre os critérios para concessão, registro e renovação de título de Fonoaudiólogo Especialista em Neu- ropsicologia e de Fonoaudiólogo Especialista em Gerontologia no âmbito da Fonoaudiologia e dá outras providências”. Disponível em: https://bit.ly/3jvu7fy. Acesso em: 4 ago. 2020. LEITURA U N ID A D E 0 4 57 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A Uma das vertentes de atuação fonoaudiológica na Gerontologia é a área de linguagem, especificamente relacionada à afasia, conforme discutido por Bilton et al. (2011): Na esfera de voz e gerontologia, a atuação do fonoaudiólogo está relacionada ao envelheci- mento natural da voz, denominado presbifonia, que acontece em decorrência de alterações ana- tomofisiológicas. No âmbito da disfagia, a atuação fonoaudiológica também é frequente, visto que é alta a por- centagem de idosos que apresentam disfagias associadas a patologias neurodegerativas. Esse tema também está totalmente relacionado à qualidade de vida, conforme destacado por Busch, Sanchez e Fernandes (2013, p. 1080): “A perda da capacidade de se alimentar reduz ainda mais a qualidade de vida do indivíduo, porém é possível recuperá-la ou mantê-la por um maior espaço de tempo por meio de aplicação de técnicas que devem ser realizadas por um fonoaudiólogo especializado”. Outro campo de ação do fonoaudiólogo em Gerontologia é na presbiacusia, que é o envelheci- mento do aparelho auditivo, o qual pode gerar dificuldades de comunicação, além de alterações auditivas. Esse tema é discutido por Wieselberg e Sousa (2013, p. 744): O fonoaudiólogo especialista nessa área geralmente trabalha em hospitais, clínicas e também em home care. O FONOAUDIÓLOGO ATUA TERAPEUTICAMENTE NA RECUPERAÇÃO DA LINGUAGEM ORAL E/OU ESCRITA E/OU GESTUAL DO AFÁSICO, O QUE PERMITE UMA MELHORA DA SUA COMUNICAÇÃO E DA SUA QUALIDADE DE VIDA, BEM COMO FACILITA A SOCIA- LIZAÇÃO, A REINSERÇÃO OCUPACIONAL, O FORTALECIMENTO DA AUTOCONFIANÇA. O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO TRAZ CONSIGO UMA SÉRIE DE MUDANÇAS FÍ- SICAS, PSICOLÓGICAS E SOCIAIS. APESAR DE HAVER CARACTERÍSTICAS COMUNS A ESSES INDIVÍDUOS, É PRECISO SABER RECONHECER E RESPEITAR AS PARTICULARI- DADES ÚNICAS DE CADA SUJEITO. O PROFISSIONAL QUE LIDA COM ESSA POPULAÇÃO TEM DE ESTAR FAMILIARIZADO COM ESSAS MUDANÇAS E CONSCIENTE DE SUAS IN- FLUÊNCIAS E CONSEQUÊNCIAS. A REAÇÃO DO IDOSO EM RELAÇÃO À PERDA AUDITI- VA É VARIÁVEL. ALGUNS A ACEITAM PASSIVAMENTE, ENCARANDO-A SIMPLESMENTE COMO UM DENTRE OS MUITOS OUTROS PROBLEMAS QUE OS ACOMETEM. MUITO FREQUENTEMENTE ELA É DEIXADA EM UM SEGUNDO PLANO DE PREOCUPAÇÕES, JÁ QUE TERIA POUCA IMPORTÂNCIA SE COMPARADA A OUTROS PROBLEMAS, HAVENDO, ASSIM, UMA ACOMODAÇÃO NATURAL. PARA OUTROS, NO ENTANTO, A DIMINUIÇÃO DA AUDIÇÃO PODE PRODUZIR UM IMPACTO PROFUNDO E DEVASTADOR NA SUA COMUNI- CAÇÃO E RELAÇÃO SOCIAL E FAMILIAR. U N ID A D E 0 4 58 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A FIGURA 4: OUÇA A VOZ DA EXPERIÊNCIA Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2013). 5. FLUÊNCIA Gagueira, ou disfluência, é a quebra de fluência na fala. Ela causa alterações de fluência, ritmo e rupturas na fala, como prolongamentos, bloqueios e repetições de sons (Ré et al., 2009). Disfluências são quebras de comunicação, de modo que as que acontecem na gagueira são conhecidas como disfluências gagas; porém, pessoas que não têm gagueira podem apresentar dis- fluências. As disfluências gagas podem estar associadas à tensão de fala e apresentar repetições, bloqueios ou prolongamentos. Alguns exemplos da atuação do fonoaudiólogo em Gerontologia envolve a avaliação e indicação de prótese auditiva, diagnóstico e reabilitação dos distúrbios de recepção e emissão da linguagem (casos de afasia), distúrbios de articulação devido à utilização de próteses dentárias, alterações na voz devido a doenças neurológicas (Parkinson), alterações nas funções de mastigação, deglutição, entre outros. SAIBA MAIS O Discurso do Rei é um filme que mostra como o tratamento fonoau- diológico de gagueira pode ser eficiente na vida da pessoa gaga. Após assistir ao filme, reflita sobre os efeitos da terapia fonoaudiológica na qualidade de vida da população. VÍDEO U N ID A D E 0 4 59 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A A gagueira pode ser do desenvolvimento, psicogênica, em que a fluência é alterada em decor- rência de aspectos psicológicos, ou neurogênica, que está relacionada a danos cerebrais. A respei- to da gagueira do desenvolvimento, Oliveira et al. (2010, p. 2) afirmam: FIGURA 5: CAMPANHA GAGUEIRA NÃO TEM GRAÇA Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2013). Conforme dados do Crefono 4 (2017), estima-se que no Brasil existem 2 milhões de adultos com gagueira e 10 milhões de crianças com gagueira. O fonoaudiólogo especialista em Fluência deve ter como competências principais: “área de conhecimento, função, amplitude e processo produti- vo” (CREFONO 4, 2017). Esse profissional atua com a comunicação oral e as alterações de fluência de fala, diagnosticando e tratando dificuldades nesse âmbito. Durante o processo de avaliação e anamnese, são investigados aspectos a respeito do histórico de gagueira na família, tipos de disfluências que o paciente apresenta, presença ou não de conco- mitantes físicos (movimentos de cabeça, movimentos faciais, movimentos de extremidades), início da gagueira, se houve ou não piora do quadro, além da aplicação de testes e avaliações específicas e direcionadas a cada caso. A GAGUEIRA DESENVOLVIMENTAL É UM DISTÚRBIO DA COMUNICAÇÃO QUE SE INICIA NA INFÂNCIA E É CARACTERIZADA POR RUPTURAS INVOLUNTÁRIAS NA FLUÊNCIA DA FALA. A PRODUÇÃO DA FALA DISFLUENTE, TENSA E COM ESFORÇO, PODE ACARRE- TAR CONSEQUÊNCIAS SOCIAIS E EMOCIONAIS NO INDIVÍDUO QUE GAGUEJA, PREJU- DICANDO SUA QUALIDADE DE VIDA. NESTE SENTIDO, INVESTIGAÇÕES QUE PROPICIEM MAIORES ESCLARECIMENTOS SOBRE OS FATORES QUE INTERFEREM NO SURGIMEN- TO DA GAGUEIRA, SE FAZEM NECESSÁRIAS PARA COMPREENDER SUA ETIOLOGIA E PREVENIR O SEU DESENVOLVIMENTO, SUAS CONSEQUÊNCIAS PESSOAIS, E, AINDA, FAVORECER O RESULTADO TERAPÊUTICO. U N ID A D E 0 4 60 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A FIGURA 6: CAMPANHA DO DIA INTERNACIONAL DA GAGUEIRA Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia (2017). CONSIDERAÇÕES FINAIS Audiologia, Fonoaudiologia do Trabalho, Saúde Coletiva, Gerontologia e Fluência foram as es- pecialidades de atuação do fonoaudiólogo abordadas nesta última Unidade. As discussões aqui apresentadas trouxeram reflexões indicando que a Fonoaudiologia é fundamental nas mais varia- das áreas, com atuação desde o nascimento dos indivíduos até a saúde dos idosos, como é o caso da recente área de Gerontologia. O olhar integral, com foco em prevenção e promoção da saúde, mostra-se em evidência como necessidade em todas as áreas de trabalho do fonoaudiólogo. As diversas especialidades demonstradas indicaram a importância de o profissional de Fonoau- diologiaestar em constante aprendizado, buscando novos aperfeiçoamentos, com o objetivo de possibilitar a seus pacientes os melhores métodos e técnicas em diagnóstico e reabilitação. A Resolução CFFa nº 507, de 19 de agosto de 2017, dispõe sobre as atribuições e competências relativas ao fonoaudiólogo especialista em Fluência e dá outras providências. Conheça o texto completo em: https://bit.ly/34yQyw8. Acesso em: 6 ago. 2020. SAIBA MAIS 61 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A REFERÊNCIAS ANDRADE, C. R. F. et al. ABFW: Teste de linguagem infantil nas áreas de Fonologia, Vocabulário, Fluência e Pragmática. São Paulo: Pró-Fono, 2000. cap. 1, p. 5-40. ARDUINO-MEIRELLES. A. P. et al. Aspectos sobre desenvolvimento de linguagem oral em craniossinos- toses sindrômicas. Pró-Fono Revista de Atualização Científica, Barueri, v. 18, n. 2, p. 213-220, 2006. ASHA – American Speech and Hearing Association. Disponível em: https://www.asha.org/. Acesso em: 15 jun. 2020. BARROS, A. P. B.; ANGELIS, E. C., JOTZ, G. P. Tratado de deglutição e disfagia. Revinter, 2009. BILTON, T. L. et al. Fonoaudiologia em Gerontologia. In: Freitas, E.V; Py, L. (Org.). Tratado de Geria- tria e Gerontologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. v. 1, p. 1372-1381. BONALDI. L. V.; DE ANGELIS. M. A.; SMITH. R. L. Anatomia funcional do sistema vestibulococlear. In: FROTA. S. Fundamentos em Fonouadiologia: Audiologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koo- gan, 1998. BRANDÃO, L. Neuropsicologia como especialidade na Fonoaudiologia: Consenso de Fonoaudiólo- gos Brasileiros. Distúrb. Comum., São Paulo, 28(2): 378-386, jun. 2016. BRASIL, A. C. et al. Estudo exploratório do ensino da neuropsicologia nos currículos dos cursos de graduação em fonoaudiologia. Codas, São Paulo, v. 32, n. 2, 2020. BRASIL. Lei 10.436, de 24 de abril de 2002. Brasília, DF, 2002. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm. Acesso em: 15 jun. 2020. BRASIL. Lei 11.704, de 18 junho de 2008. Brasília, DF, 2008. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11704.htm. Acesso em: 15 jun. 2020. BRASIL. Lei 12.303, de 2 de agosto de 2010. Brasília, DF, 2010. Disponível em: http://www.planal- to.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12303.htm. Acesso em: 15 jun. 2020. BRASIL. Lei 13.002, de 20 de junho de 2014. Brasília, DF, 2014. Disponível em: http://www.planal- to.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13002.htm. Acesso em: 15 jun. 2020. BRASIL. Lei 6.965 de 9 de dezembro de 1981. Brasília, DF, 1981. Disponível em: http://www.planal- to.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6965.htm. Acesso em: 15 jun. 2020. BRITO, S. F. et al. Frênulo lingual: classificação e conduta segundo ótica fonoaudiológica, odontoló- gica e otorrinolaringológica. Ver. CEFAC, 10(3):343-51, jul./set. 2008. BUSCH, R., SANCHEZ, C. C., FERNANDES, N. Reabilitação das disfagias neurogênicas em adultos. In: OTACILIO, L. F. Novo tratado de Fonoaudiologia. 3. ed. Manole, 2013. CALDANA, Magali de Lourdes. A atuação fonoaudiológica no processo de envelhecimento: abor- dando a saúde do idoso em diferentes contextos sociais. São Paulo: Sociedade Brasileira de Fono- audiologia, 2014. 62 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A CAVALHEIRO. M. T. P. A saúde e a educação na prática e na formação do fonoaudiólogo. In: LACER- DA. C. B. F; PANHOCA. I. Tempo de fonoaudiologia. São Paulo: Cabral Ed. Universitária, 1997. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Áreas de competência do fonoaudiólogo no Brasil. 2. ed. mar. 2007. Disponível em: https://www.fonoaudiologia.org.br/comunicacao/areas-de-com- petencia-do-fonoaudiologo-no-brasil/. Acesso em: 04 jun. 2020. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Campanha Dia das Crianças, 2010. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Campanha Dia do Fonoaudiólogo. 2017. Disponível em: https://www.fonoaudiologia.org.br/comunicacao/campanha-dia-do-fonoaudiologo-2017/. Acesso em: 10 jun. 2020. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Campanha Fonoaudiologia na Educação. 2018. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Campanha Fonoaudiólogo na Educação. 2019. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Campanha Voz. 2013. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Código de Ética da Fonoaudiologia. 2016. Disponível em: https://www.cffa.ml/wp-content/uploads/2019/09/codigo-de-etica-fonoaudiologia-2017.pdf. Acesso em 15 jun. 2020. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Como obter o título de especialista. 2014. Disponí- vel em: https://www.fonoaudiologia.org.br/fonoaudiologos/como-obter-o-titulo-de-especialista/. Acesso em: 10 jun. 2020. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Dia Mundial da Voz. 2018. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. História da Fonoaudiologia. Brasília: CFF, 2005. Dis- ponível em: http://www.fonoaudiologia.org.br. Acesso em: 06 jun. 2020. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Quantitativo de fonoaudiólogos no Brasil. Brasília: CFF, 2020. Disponível em: https://www.fonoaudiologia.org.br/fonoaudiologos/quantitativo-de-fo- noaudiologos-no-brasil-por-conselho-regional/. Acesso em: 04 jun. 2020. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Resoluções. Disponível em: https://www.fonoaudio- logia.org.br/resolucoes/. Acesso em: 04 de jun. 2020. CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Símbolos de Fonoaudiologia. Disponível em: https:// www.fonoaudiologia.org.br/cffa/index.php/simbolo-da-fonoaudiologia/. Acesso em: 02 jun. 2020. CREFONO 1. Dia Nacional de Atenção à Disfagia. 2018. Disponível em: http://crefono1.gov.br/ 20-de-marco-dia-nacional-de-atencao-a-disfagia/. Acesso em: 3 jun. 2020. CREFONO 1. Insígnia. Disponível em: http://crefono1.gov.br/a-fonoaudiologia/insignia/. Acesso em: 02 jun. 2020. CREFONO 4. Audiologia. Disponível em: http://www.crefono6.org.br/visualizacao-de-areas/ ler/157/audiologia. Acesso em: 06 ago. 2020. CREFONO 4. Fluência. Disponível em: http://www.crefono4.org.br/noticias/noticia/1186/fluencia- --cffa-anuncia-12---especialidade-da-fonoaudiologia. Acesso em: 02 ago. 2020. 63 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A CREFONO 4. Nova Especialidade em Fluência. 2017. Disponível em: http://www.crefono4.org.br/ noticias/noticia/1186/fluencia--cffa-anuncia-12---especialidade-da-fonoaudiologia. Acesso em: 06 ago. 2020. CREFONO 6. Fonoaudiologia do Trabalho. Disponível em: http://www.crefono6.org.br/visualiza- cao-de-areas/ler/53/fonoaudiologia-do-trabalho. Acesso em: 20 jul. 2020. CREFONO 6. Fonoaudiologia em Gerontologia. Disponível em: http://www.crefono6.org.br/visu- alizacao-de-areas/ler/51/gerontologia. Acesso em: 02 ago. 2020. FAZENDA, I. C. A. (Org.). Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas: Papirus, 1994. FERREIRA, D. R. Aspectos fisiológicos e físicos da orelha como emissora de sons. 2006. 61 f. Dis- sertação (Mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006. GOULART, P. et al. Um breve relato da história da Fonoaudiologia. J. Bras. Reabilit., 1985 HALPERN, R. et al. Fatores de risco para suspeita de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor aos 12 meses de vida. Rev. Chil. Pediatr., Santiago, v. 73, n. 5, p. 529-539, set. 2002. LOPES-HERRERA. S. A.; MAXIMINO. L. P. Fonoaudiologia: Intervenções e alterações da linguagem oral infantil. 2. ed. São Paulo: Book Toy, 2012. MARCHESAN, I.Q. Lingual frenulum: quantitative evaluation proposal. Int. J. Orofacial Myology, 31:39-48, 2005. MEHRY, E. E. O ato de cuidar como um dos nós críticos “chaves” dos serviços de saúde. 1999. Disponível em: http://www.uff.br/saudecoletiva/professores/merhy/artigos-04.pdf. Acesso em: 15 jul. 2020. MENEZES M. L. N. ADL Avaliação do Desenvolvimento da Linguagem. Rio de Janeiro: [s./d.], 2019. MIQUILUSSI. P. A.; KOSLOVSKI. M. E.; CARNEIRO. D. O. Fonoaudiologia Language and Law / Lingua- gem e Direito, v. 1(2), p. 88-99, 2014. MOTA, H. B. et al. Estudo comparativo da generalização em três modelos de terapia para desvios fonológicos. Saúde,Santa Maria, v. 28, n. 1 e 2, p. 36-47, 2002. OLIVEIRA, C. M. et al. Fatores de risco na gagueira desenvolvimental familiar e isolada. Rev. CE- FAC, São Paulo, v. 13, n. 2, mar./abr. 2011, Epub 29 out. 2010. OLIVEIRA, J. A. A. Citoarquitetura Coclear. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, v. 39, ed. 1, jan./abr. 1973. OTACILIO, L. F. Novo tratado de Fonoaudiologia. 3. Ed. Manole, 2013. PENTEADO, R. Z.; SERVILHA, E. A. M. Fonoaudiologia em saúde pública/coletiva: compreendendo prevenção e o paradigma da promoção da saúde. Distúrbios da Comunicação, São Paulo, 16(1): 107-116, abr. 2004. PRATES. L. P. C. S.; MARTINS. V. O. Distúrbios da fala e da linguagem na infância. Revista Médica de Minas Gerais, p. 54-60, 2011. U N ID A D E 0 4 64 UN IB RA SI L EA D | IN TR OD UÇ ÃO A F ON OA UD IO LO GI A PRZYBYSZ, D. C. Dislexia e formação docente: identificação e acompanhamento de estudantes com dificuldades de aprendizagem. 2018. 102 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual do Paraná, Curitiba, 2018. QUE CURSO? Fonoaudiologia: tudo sobre o curso e a profissão. 2 jan. 2019. Disponível em: ht- tps://quecurso.com.br/blog/fonoaudiologia/. Acesso em: 02 jun. 2020. RÉ, A. D. et al. Aquisição de linguagem: uma abordagem psicolinguística. 2. ed. São Paulo: Con- texto, 2009. SBGG – Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. O papel do fonoaudiólogo no envelhe- cimento. Disponível em: http://www.sbgg-sp.com.br/pro/o-papel-do-fonoaudiologo-no-envelhe- cimento/. Acesso em: 3 ago. 2020. SOCIEDADE BRASILEIRA DE FONOAUDIOLOGIA. Departamento de Motricidade Orofacial. Áreas de Domínio em Motricidade Orofacial. 2013. Disponível em: http://www.sbfa.org.br/portal/pdf/are- as_dominio_mo_pt-br.pdf. Acesso em: 16 jul. 2020. SOCIEDADE BRASILEIRA DE FONOAUDIOLOGIA. Contribuições do fonoaudiólogo educacional para seu município e sua escola. 2017. Disponível em: https://www.sbfa.org.br/portal2017/the- mes/2017/departamentos/artigos/materiais_21.pdf. Acesso em: jun. 2020. SOUZA. R. P. F.; CUNHA. D. A.; SILVA. H. J. Fonoaudiologia: a inserção da área de linguagem no Sis- tema Único de Saúde (SUS). Revista CEFAC, São Paulo, v. 7, n. 4, p. 426-32, 2005. TERÇARIOL, D. A comunicação humana é um atributo de saúde? In: TOMÉ, Marileda Cattelan. Dia- logando com o coletivo: dimensões da saúde em Fonoaudiologia. São Paulo: Santos Ed., 2009. p. 59-70. UEDA, K, H.; SANTOS, L, Z.; OLIVEIRA, I, B. 25 anos de cuidados com a voz profissional: avaliando ações. Revista CEFAC, São Paulo, v. 10, n. 4, p. 557-565, out./dez. 2008. VASCONCELOS. S. V.; PESSOA, A. C. R.; FARIAS, A. P. S. Caracterização das publicações periódicas em fonoaudiologia e neurociências: estudo sobre os tipos e temas de artigos e visibilidade na área de linguagem. Revista CEFAC, São Paulo, 2008. WIESELBERG, M. B.; SOUSA, M. C. F. Aconselhamento na reabilitação audiológica. In: OTACILIO, L. F. Novo tratado de Fonoaudiologia. 3. ed. Manole, 2013. ZORZI, J. L. Aspectos básicos para compreensão, diagnóstico e prevenção dos distúrbios de lingua- gem na infância. Revista CEFAC, 2000. EAD