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GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Definir o papel de um sistema de controle de tensão no gerador síncrono. > Descrever a ação de controle na tensão terminal do gerador. > Apresentar exemplos de sistemas de controle de tensão no gerador síncrono. Introdução A maior parte do sistema interligado nacional (SIN) é baseada em sistemas de geração hidrelétrica, uma fonte de energia limpa, que possui a queda d’água como fonte de energia, a turbina como máquina primária e o gerador síncrono como unidade de geração de energia elétrica. Dessa forma, as máquinas síncronas formam a base do sistema de geração de energia elétrica brasileiro (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, 2020). Em um sistema de geração, o controle da frequência e da tensão geradas é de grande relevância, uma vez que implica questões de qualidade de energia fornecida. Manter o controle e a estabilidade dessas variáveis faz parte do gerenciamento do sistema (OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO, 2020a). Entender como essas variáveis se comportam e se interacionam é muito importante para um engenheiro e o exercício de suas atividades. Neste capítulo, você vai estudar o controle de tensão em um gerador síncrono, entender a ação do controle nos níveis de tensão terminal do gerador e ver exem- plos de sistemas de controle de tensão no gerador síncrono. Controle de tensão no gerador síncrono Miguel Francisco da Silveira Tensão no gerador síncrono Máquinas elétricas de corrente alternada são classifi cadas entre máquinas síncronas e máquinas assíncronas, ou de indução. As máquinas assíncronas são muito utilizadas como motores industriais, enquanto as síncronas podem operar como motores ou geradores, dependendo da excitação de campo. A classifi cação entre assíncrona e síncrona é dada pelo comportamento das velocidades dos campos magnéticos e da velocidade angular do rotor, sendo uma máquina síncrona quando a velocidade dos campos magnéticos está em sincronia com a velocidade do rotor, a velocidade síncrona. Nas máquinas assíncronas, existe um escorregamento entre essas variáveis, a velocidade angular mecânica do rotor será menor que a velocidade dos campos mag- néticos (FITZGERALD; KINGSLEY JUNIOR; UMANS, 2006). O gerador síncrono ainda pode ser classificado em razão de suas caracte- rísticas construtivas, em relação às características mecânicas do rotor como sendo de polos lisos ou polos salientes. Tipicamente geradores que operam em baixa rotação, como os geradores para hidrelétricas, são do tipo polos salientes, e os geradores de alta rotação, como as termoelétricas, são do tipo de polos lisos (FITZGERALD; KINGSLEY JUNIOR; UMANS, 2006). Na Figura 1, podemos ver a representação com corte interno de um gerador síncrono de polos salientes. Figura 1. Representação com corte interno de um gerador síncrono de polos salientes. Fonte: Adaptada de Kundur (1994). Controle de tensão no gerador síncrono2 Na Figura 1, é possível observar o rotor, de polos salientes, e o respectivo enrolamento de campo no rotor, enrolamento este que será responsável por formar um eletroímã, e consequentemente um campo magnético, para a geração de energia elétrica nos enrolamentos de armadura. Os enrolamentos trifásicos de armadura também estão apresentados na Figura 1, no estator, como fases A, B e C. O entreferro, os eixos magnéticos de cada fase e os eixos direto e em quadratura do rotor também são trazidos na Figura 1 (KUNDUR, 1994). Um gerador síncrono é modelado em um circuito elétrico para análise e entendimento das características e dos comportamentos elétricos. A Figura 2 traz essa representação, sendo um modelo por fase. As demais fases são análogas, com defasagem de 120° entre cada uma. Figura 2. Modelagem simplificada de um gerador síncrono, por fase. Os elementos da Figura 2 são a tensão gerada (Êaf), a reatância síncrona (Xs), a resistência de armadura (Ra) e a tensão terminal (Va). Entretanto, para que haja geração de energia elétrica, é necessário que exista giro do rotor e corrente no enrolamento de campo (FITZGERALD; KINGSLEY JUNIOR; UMANS, 2006). O controle da tensão gerada, para que o gerador opere dentro das espe- cificações estabelecidas, ficará a cargo do controlador de tensão, conhecido como regulador de tensão (RT) ou regulador automático de tensão (AVR, do inglês automatic voltage regulator) (FINCH et al., 1991). A tensão é controlada pelo regulador de tensão que atua no en- rolamento de campo do gerador. A velocidade é controlada pelo regulador de velocidade, ou governador, que tipicamente atua na turbina, na máquina primária, e não diretamente no gerador síncrono. Controle de tensão no gerador síncrono 3 Os controladores de velocidade e tensão têm papel de destaque em um sistema de geração, pois refletem em parâmetros de qualidade de energia. O submódulo 2.9 — Requisitos mínimos de qualidade de energia elétrica para acesso ou integração à rede básica — do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que trata de questões de qualidade de energia elétrica (QEE), estabelece como 0,1 Hz (para mais ou para menos) a máxima variação ins- tantânea de frequência aceitável devido a variações de carga. O submódulo 9.7, que trata dos indicadores de QEE da rede básica, estabelece os níveis de tensão adequadas em regime permanente para os diferentes níveis de tensão nominal (OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO, 2020a). As faixas adequadas, precárias e críticas são representadas na Figura 3. Figura 3. Classificação da tensão de atendimento, ou tensão de leitura (TL), em regime permanente, em função da tensão nominal (TN) para barramentos sob responsabilidade de concessionárias de transmissão, em referência à tensão contratada (TC). Fonte: Operador Nacional do Sistema Elétrico (2020a, p. 8). Cabe ao regulador de tensão, junto com os demais sistemas de controle, atuar nos geradores síncronos para que os níveis de qualidade de energia sejam atendidos. O regulador automático de tensão possui um papel relevante sobre o desempenho do gerador síncrono, tanto em operações isoladas quanto em operações integradas, sendo apenas o regulador de velocidade insuficiente para controlar e regular as variações de carga no caso de o gerador não trabalhar em paralelo com um barramento infinito (AZZOUZ; ELASSAL; ELSEDAWI, 1997). Controle de tensão no gerador síncrono4 Controle de tensão terminal A tensão terminal do gerador síncrono é a tensão entregue ao sistema, li- teralmente a tensão nos terminais externos do gerador, já descontadas todas as perdas por impedâncias internas. É, portanto, a tensão de interesse (FITZGERALD; KINGSLEY JUNIOR; UMANS, 2006). Considerando o modelo simplificado do gerador síncrono apresentado na Figura 2, e por meio de simples análise de circuito, se deduz a tensão nos terminais (Va) do gerador síncrono de acordo com a Equação (1). (1) A reatância de síncrona (Xs) e a resistência de armadura (Ra) fazem parte dos parâmetros construtivos da máquina, portanto não podem ser controla- dos durante a operação do gerador. A corrente de armadura (Ia) será função da potência disponibilizada ou da corrente demandada pela carga. Sendo assim, o controle da tensão terminal deverá atuar sobre a tensão gerada (Êaf) (FITZGERALD; KINGSLEY JUNIOR; UMANS, 2006). A Figura 4 apresenta um diagrama fasorial das tensões em um gerador síncrono de polos lisos, onde Va é apresentado como Vϕ. Figura 4. Diagrama fasorial de um gerador síncrono. Fonte: Chapman (2013, p. 205). Na Figura 4, é possível verificar a tensão terminal (Vϕ), a tensão gerada (Ea), o ângulo de carga entre elas (δ) e os fasores de queda de tensão na reatância de síncrona (jXsIa) e na resistência de armadura (IaRa). A tensão gerada, por sua vez, é função da corrente de campo e da frequ- ência, conforme a Equação (2). (2) Na Equação (2) constam as seguintes variáveis: Controle de tensão no gerador síncrono 5 Eaf = tensão gerada [V]; If = corrente de campo [A]; Laf = impedância mútua entre campo e armadura [H]; ωe = velocidade angular elétrica [rad/s]. Laf é dependente das características construtivas do gerador e não pode ser controlado na operação da máquina. As variáveis de controle da tensão gerada são, portanto, a corrente de campo (If) e a frequência elétrica (fe) (FITZGERALD; KINGSLEY JUNIOR; UMANS, 2006). A velocidade angular e a frequência elétrica são relacionadas de acordo com a Equação (3). (3) A quantidade de polos do gerador e a velocidade de giro do rotor (n) e a quantidade de polos do gerador vão definir a frequência elétrica, conforme a Equação (4). (4) O número de polos trata-se de uma característica construtiva de cada máquina e não pode ser controlado, dessa forma a frequência da tensão gerada dependerá única e exclusivamente da velocidade de rotação do rotor (n), ou seja, do conjugado da fonte primária. Na Equação (4), n é dado em rotações por minuto (rpm) (FITZGERALD; KINGSLEY JUNIOR; UMANS, 2006). A frequência elétrica do sistema elétrico brasileiro é estabelecida em 60 Hz conforme os procedimentos de rede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (2020b). A tensão terminal e a corrente fornecida, o torque, ou conjugado, irão resultar na potência reativa e na potência ativa gerada, dados de extrema relevância em um sistema de geração (CHAPMAN, 2013). Em resumo, há duas variáveis de controle em um gerador síncrono, que são a corrente de campo e a velocidade angular do eixo, as quais vão atuar sobre as quatro variáveis de saída (ELGERD, 1976): Controle de tensão no gerador síncrono6 Pg = potência ativa gerada [W]; Qg = potência reativa gerada [VAr]; Va = tensão de armadura [V]; f = frequência da tensão gerada [Hz]. Essas afirmações são aplicáveis aos geradores que operam de forma isolada, conforme o apresentado na Figura 5. Figura 5. Gerador alimentando carga de forma isolada. Fonte: Chapman (2013, p. 214). O gerador da Figura 5 alimenta diretamente uma carga, sem operação em paralelo com outro gerador nem de forma interligada ao SIN. O SIN, assim como qualquer outro grande sistema de geração interligado, formará um sistema robusto que estabelecerá os padrões de frequência e de tensão, o que é comumente chamado de barramento infinito. Conforme Chapman (2013, p. 233): Um barramento infinito é um sistema de potência tão grande que sua tensão e sua frequência não variam, independente de quanta potência ativa ou reativa é retirada ou fornecida ao sistema. A Figura 6 mostra a representação da ligação de um gerador síncrono ao barramento infinito. Figura 6. Gerador síncrono operando em paralelo ao barramento infinito. Fonte: Chapman (2013, p. 234). Controle de tensão no gerador síncrono 7 O gerador conectado ao barramento infinito, conforme a Figura 6, adotará a frequência e a tensão terminal do barramento infinito. Portanto, ao gerador ser conectado a um barramento infinito, após sua sincronização, as variações no torque da máquina primária ou na corrente de campo não mais ocasionarão alterações na frequência e na tensão terminal, respectivamente, pois estas serão mantidas com os mesmos valores do barramento, devido à sua grande inércia. Essas alterações então afetarão as potências reativas e ativas, dei- xando, assim, o sistema com apenas duas variáveis de saída (ELGERD, 1976). Para que um gerador possa ser conectado a um barramento infinito, ou simplesmente em paralelo a outro gerador, certas condições devem ser atendidas. Elas são chamadas de condições de sincronismo, pois representam o sincronismo do gerador com o barramento infinito. De acordo com Elgerd (1976), os critérios a seguir, entre o gerador e o barramento infinito, devem ser satisfeitos para que ocorra a conexão ao sistema: a) possuir a mesma frequência e a mesma sequência de fase; b) possuir o mesmo módulo de tensão; c) tensões deverão estar em fase, sem diferença angular entre a tensão da rede e do gerador. A condição a) é atingida por controle da velocidade angular da máquina pri- mária; b) é obtido por meio de alterações da corrente de campo do gerador; e c) por meio da correta ligação das fases do gerador com o barramento infinito. Essas condições estão ilustradas na Figura 7. Figura 7. Condições de sincronismo. Controle de tensão no gerador síncrono8 Na Figura 7, UR, US e UT são as tensões de fase do barramento, e UU, UV e UW são as tensões terminais do gerador. A tensão em fase, sem diferença de tensão entre gerador e barramento, ocorrerá quando ΔU (diferença de tensão) for zero, ou muito próximo a zero (ELGERD, 1976). Um experimento didático interessante e que remete aos controles manuais existentes no início das operações dos sistemas interligados é a técnica do fogo girante. Nessa técnica, são utilizadas lâmpadas entre as fases do gerador e do barramento infinito. Deve-se observar as lâmpadas acenderem e apagarem para poder atuar sobre a velocidade de giro do rotor e sobre a tensão terminal, através da corrente de campo, ajustando assim a frequência e a amplitude da tensão gerada, e realizar o acoplamento do gerador ao barramento no momento correto, quando as lâmpadas apagarem, demonstrando então que não há diferença de potencial entre o gerador e o sistema (ELGERD, 1976). A Figura 8 apresenta o esquema de ligação considerando a técnica do fogo girante. Figura 8. Ligação do gerador ao sistema. Fonte: Adaptada de Elgerd (1976). No entanto, a operação prática não utiliza métodos manuais, a verificação eletrônica de sincronismo é precisa e coíbe manobras arriscadas que pode- riam trazer enorme risco ao gerador e aos operadores. Para os equipamentos comerciais, existe uma função de verificação de sincronismo já estabelecida, Controle de tensão no gerador síncrono 9 que atuará sobre o disjuntor que faz o acoplamento entre o gerador e o barra- mento infinito. De acordo com o American National Standards Institute (ANSI), a função “25” é relativa aos relés de verificação de sincronismo (SCHWEITZER ENGINEERING LABORATORIES, 2020). O RT, ou AVR, como já dito, é o equipamento responsável pela excitação dos geradores síncronos, atuando diretamente na corrente de campo. Quando o gerador está operando a vazio, ele é responsável por ajustar a tensão de saída para o nível desejado, e quando o gerador está trabalhando interligado a um barramento infinito, o regulador é responsável pelo controle de potência reativa e pela estabilidade da máquina (FINCH et al., 1991). As excitatrizes com escovas eram os primeiros sistemas de excitação de campo. Atualmente, o sistema de excitação, controlado pelo regulador de tensão, é totalmente baseado em eletrônica de potência e sistemas de controle com malhas realimentadas, com consequente controle preciso da corrente de campo. Um sistema de controle de tensão (RT) irá monitorar as variáveis de tensão terminal, de tensão de barramento, frequência e corrente de armadura e irá atuar sobre a corrente de campo (If) por meio de um sistema de controle, operando em malha fechada, que, por sua vez, irá atuar no sistema de excita- ção eletrônico. Já um controlador de velocidade irá monitorar essas mesmas variáveis e atuará sobre a máquina primária, controlando a sua velocidade de rotação de forma mecânica (CHAPMAN, 2013). A Figura 9 representa esse esquema de atuação. Figura 9. Ligação do gerador ao sistema. Controle de tensão no gerador síncrono10 Na Figura 9, é possível observar as variáveis de entrada do bloco de con- trole e suas variáveis de saída, para atuação na corrente de campo e na velocidade de rotação. Sistema de controle de tensão do gerador na prática O controle da tensão, ou da potência reativa, é então baseado na ação dos blocos de controle do regulador de tensão (RT), ou AVR, que irá atuar sobre a corrente de campo. A Figura 10 apresenta essa representação, com o princípio de atuação de um RT. Figura 10. Representação básica de um RT. Fonte: Adaptada de Benmouyal (2007). Na Figura 10, observa-se,ainda, a opção de utilização de regulador ma- nual, em vez do regulador automático com blocos de controle. Essa opção não é recomendada devido às chances de falhas causadas pelo operador (BENMOUYAL, 2007). Controle de tensão no gerador síncrono 11 Entretanto, as técnicas de controle empregadas nas malhas de controle podem variar de acordo com cada fabricante desses equipamentos. Existem, inclusive, padrões matemáticos de teste de estabilidade para os controles dos AVR. O padrão IEEE Std 421.5-2016 – Prática Recomendada IEEE para Modelos de Sistema de Excitação para Estudos de Estabilidade de Sistema de Potência (tradução livre de “IEEE Recommended Practice for Excitation System Models for Power System Stability Studies”) traz esses modelos matemáticos para os estudos e simulações dos sistemas de excitação e controle associados, incluindo os AVRs e controles suplementares como estabilizadores do sis- tema de potência (PSS, do inglês power system stabilizers) (IEEE STANDARDS ASSOCIATION, 2016). A Figura 11 mostra um dos modelos presentes no IEEE 421.5-2-16, apenas para ilustração. Figura 11. Sistema de excitação modelado, padrão DC2C. Fonte: Adaptada de IEEE Standards Association (2016). O bloco da Figura 11 traz como saída EFD, que será a tensão aplicada no enrolamento de campo, alterando consequentemente a corrente de campo. Controle de tensão no gerador síncrono12 O controle da tensão terminal, ou da potência reativa disponibilizada, por meio do controle da corrente de campo pode se dar de diversas for- mas. Comercialmente pode ser utilizados blocos de controle tradicionais, como o PID (proporcional, integral, derivativo). A Figura 12 apresenta um exemplo de uso prático de um bloco de controle da corrente de campo utilizado em um AVR. Figura 12. Modelo de controle de corrente de campo de um AVR. Fonte: Adaptada de Automatronic (2010). O mesmo regulador de tensão (RT ou AVR) da Figura 12 também controlará a potência reativa (Q) do gerador síncrono por meio da ação sobre a corrente de campo. De mesmo modo, um bloco PID pode ser utilizado nesta malha de controle, conforme demonstrado na Figura 13. Figura 13. Modelo de controle de reativos de um AVR. Fonte: Adaptada de Automatronic (2010). Controle de tensão no gerador síncrono 13 Os blocos de controle que operam o RT sempre deverão considerar as curvas de capabilidade do gerador síncrono sob controle, visto que essa curva define os limites operacionais do gerador e os limites de estabilidade em regime desse gerador. Outras técnicas de controle podem ser utilizadas, como a phase locked loop (PLL) para o controle de um gerador conectado à rede, que se mostrou muito efetivo para sistemas desbalanceados (RODRIGUEZ et al., 2007). Diver- sas outras técnicas são utilizadas, ou estudadas, e irão depender de cada aplicação específica. Além disto, existem diversos equipamentos comerciais que realizam a função de RT de forma isolada ou de forma integrada com outras. O bloco de controle representado previamente na Figura 9 já apresenta o controle de tensão e velocidade em um único bloco, o que pode ocorrer na prática, com sistemas que integram RT e ARV em um único sistema. O regulador ARVTI 2000, da empresa Automatronic, integra os regu- ladores de velocidade e tensão, distintos, com comunicação interna entre eles, de modo que os dois possam controlar e monitorar a todo o instante. Após o ciclo de partida da máquina, ambos os reguladores operam em conjunto para que os níveis desejados possam ser alcançados, permitindo operação do gerador de modo paralelo, interligado ao SIN ou de forma independente (AUTOMATRONIC, 2010). Além deste, existem inúmeros outros fabricantes que oferecem soluções similares. Ainda de forma comercial, e com foco em sistemas de geração de pequeno porte, a integração de funções pode ocorrer ainda com outro tipo de sistemas, como equipamentos que integram sistemas de proteção com os reguladores. O relé 700GT da SEL é dedicado às aplicações de geração distribuída, possuindo, assim, funções de proteção e de controle para o lado do gerador e para o lado da concessionária. Esses relés permitem, ainda, que sejam executadas lógicas adicionais para o controle da unidade geradora, bem como funções específicas como o sincronismo automático (Figura 14). Controle de tensão no gerador síncrono14 Figura 14. Ligação do relé multifunção ao sistema. Fonte: Adaptada de Schweitzer Engineering Laboratories (2018). Portanto, fica evidente o papel e a importância do AVR na operação e na estabilidade do gerador síncrono, tanto na etapa de sincronização desse gerador quanto na operação com carga alimentada diretamente ou conectada ao barramento infinito. As alterações no valor da corrente de campo (If) irão gerar alterações no valor da tensão terminal caso esteja operando de forma isolada, ou na potência reativa caso o gerador síncrono esteja operando de forma interligada ao barramento infinito; os blocos de controle empregados são parte de destaque nesse contexto. Referências AUTOMATRONIC. ARVTi2000: regulador de velocidade e tensão integrado: revisão 05 de 02/08/2010. Guaramirim: Automatronic, 2010. 80 p. Disponível em: http://automatronic. com.br/uploads/manuais/1361305575-manual-arvti-2000.pdf. Acesso em: 24 abr. 2021. AZZOUZ, E.; ELASSAL, A.; ELSEDAWI, I. Effects of AVR systems on the performance of synchronous generators. In: CANADIAN CONFERENCE ON ELECTRICAL AND COMPUTER ENGINEERING. ENGINEERING INNOVATION: VOYAGE OF DISCOVERY, 1997, St. John's. Pro- ceedings […]. Piscataway: IEEE, 1997. p. 47–50. BENMOUYAL, G. O impacto do sistema de excitação dos geradores síncronos nos relés e sistemas de proteção. 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Submódulo 2.9 – requisitos mínimos de qualidade de energia elétrica para acesso ou integração à rede básica: revisão 2020.12. Rio de Janeiro: ONS, 2020b. 15 p. Disponível em: http://apps08.ons.org.br/ONS.Sintegre. Proxy/ecmprsite/ecmfragmentsdocuments/Subm%C3%B3dulo%202.9-RQ_2020.12. pdf. Acesso em: 24 abr. 2021. RODRIGUEZ, P. et al. Decoupled double synchronous reference frame PLL for power converters control. IEEE Transactions on PowerElectronics, Piscataway, v. 22, n. 2, p. 584–592, Mar. 2007. SCHWEITZER ENGINEERING LABORATORIES. SEL-300G: generator relay. Pullman: Schweit- zer Engineering Laboratories, 2020. 20 p. Disponível em: https://cms-cdn.selinc. com/assets/Literature/Product%20Literature/Data%20Sheets/300G_DS_20200624. pdf?v=20200707-170009. Acesso em: 24 abr. 2021. SCHWEITZER ENGINEERING LABORATORIES. SEL-700G: relé de proteção de gerador. Cam- pinas: Schweitzer Engineering Laboratories, 2018. 16 p. Disponível em: https://cms-cdn. selinc.com/assets/Literature/Product%20Literature/Flyers/700G_PF00211PT_20180925. pdf?v=20191016-151345. Acesso em: 24 abr. 2021. Leituras recomendadas HENDERSON, D. An advanced electronic load governor for control of micro hydroe- lectric generation. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON POWER ELECTRONICS, DRIVES AND ENERGY SYSTEMS FOR INDUSTRIAL GROWTH, 1996, New Delhi. Proceedings […]. Piscataway: IEEE, 1996. p. 997–1001. MONTICELLI, A. J. Fluxo de cargas em redes de energia elétrica. São Paulo: Edgard Blücher, 1983. 164 p. Controle de tensão no gerador síncrono16 Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Controle de tensão no gerador síncrono 17