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ARTIGO TÉCNICO Curvas Características de Geradores Síncronos: Curvas V e de Capabilidade - Julho 2013 Curvas Características dos Geradores Síncronos: Curvas de Capabilidade e V Elissa Soares de Carvalho WEG Brasil elissac@weg.net Resumo – Com a produção de energia tornando-se cada vez mais distribuída, geradores síncronos que fornecem energia para o sistema não são mais exclusivos de grandes plantas produtoras, hoje eles estão em todos os setores: industriais, comerciais, residenciais e agrícolas. Do mesmo modo, a necessidade de informação sobre estas máquinas tornou-se mais frequente. As curvas características introduzem os conceitos de funcionamento do gerador síncrono ao apresentá-los de forma concisa em uma determinada condição de operação, além disto, conhecendo-se os meios pelos quais as curvas são construídas, é permitida uma análise crítica das características da máquina síncrona e a identificação de algumas de suas particularidades. Neste primeiro artigo da série “Curvas Características de Máquinas Síncronas” serão explorados os fundamentos da curva de capabilidade e da curva V para os geradores, assim como sua utilização. 1 INTRODUÇÃO Os geradores síncronos produzem energia elétrica por meio da transformação de energia mecânica. Utilizando um campo girante alimentado por corrente contínua, localizado no rotor, é induzida uma corrente alternada em um estator bobinado também chamado de armadura. Geralmente são reconhecidos pela aplicação: turbogeradores, hidrogeradores e aerogeradores, já que cada um deles possui características próprias, como por exemplo, o número de polos e o formato do rotor (liso ou com polos salientes) que são levados em consideração durante o projeto da máquina. Utilizando-se as curvas do gerador síncrono apresentadas neste artigo, é possível entender o comportamento dessas máquinas em regime estando conectadas ao sistema e reconhecer algumas de suas características, uma vez que são utilizados conceitos básicos para construí-las. São duas as curvas exibidas, ambas partindo do diagrama fasorial da máquina: A curva de capabilidade, que fornece o limite de operação no qual a máquina opera com segurança e que é apresentado através da relação entre potência ativa e potência reativa do gerador, geralmente em pu. A curva V, que ordena a corrente de armadura pela corrente de excitação da máquina por meio da relação entre o campo fornecido pela excitação da máquina e a corrente nominal do gerador para uma carga constante. 2 DIAGRAMA FASORIAL DO GERADOR SÍNCRONO Os conceitos necessários para se entender a construção e análise das curvas V e de capabilidade derivam do modelo do gerador síncrono em regime e de seus diagramas fasoriais. Sendo uma ferramenta visual, as diferenças entre os geradores de polos lisos e salientes além da forma de operação do gerador (subexcitado e sobrexcitado) são expostas de forma clara e acessível. 2.1 DIAGRAMA FASORIAL DO GERADOR SÍNCRONO DE POLOS LISOS O gerador de polos lisos operando em carga pode ser representado por meio do circuito equivalente mostrado na Figura 01. Figura 1: Modelo de um gerador síncrono de polos lisos em regime ARTIGO TÉCNICO Curvas Características de Geradores Síncronos: Curvas V e de Capabilidade - Julho 2013 Onde: 푬 Força Eletromotriz Induzida 푼 Tensão nos Terminais do Gerador 푰 Corrente de Armadura 푋 = 푋 = 푋 Reatância Síncrona 푅 Resistência da Armadura O seu respectivo diagrama fasorial é mostrado na Figura 2, onde, para simplificar a apresentação, a resistência da armadura é desconsiderada. Esta aproximação é plenamente válida [1,2], até mesmo para a realização dos cálculos, já que o valor da resistência em comparação com o valor das reatâncias de saturação e dispersão é na maioria das vezes desprezível. Figura 2: Diagrama fasorial de tensão simplificado do gerador síncrono de polos lisos sobrexcitado Na representação mostrada na Figura 2, é considerado o gerador suprindo uma carga reativa, indicando que o gerador está operando sobre-excitado. Grande parte dos geradores trabalha nesta condição, provendo a quantidade de reativos necessária para sua própria planta, evitando assim um fator de potência indutivo que normalmente leva a alguma taxação por parte da concessionária. Figura 3: Diagrama Fasorial do gerador síncrono de polos lisos consumindo potência reativa da rede. A Figura 3 mostra o diagrama para o gerador operando na região subexcitada. Comparando-se os dois casos verifica-se claramente a relação entre o fator de potência, a corrente de armadura, o campo e o ângulo de potência. Tal relação será importante ao se explicar tanto a capabilidade como a curva V. 2.2 DIAGRAMA FASORIAL DO GERADOR SÍNCRONO DE POLOS SALIENTES As características do diagrama fasorial do rotor de polos salientes são afetadas pela diferença entre as reatâncias do eixo em quadratura e do eixo direto, decorrente da saliência entre os polos. Pode-se afirmar que o diagrama dos geradores com rotores de polos lisos é um caso particular deste, em que as reatâncias do eixo direto e do eixo em quadratura são iguais, Xd = Xq. Figura 4 Diagrama fasorial do gerador de polos salientes na condição sobrexcitada. 3 CURVAS DE CAPABILIDADE E CURVA V Algumas vezes mencionada como carta de capacidade, a curva de capabilidade estabelece os limites térmicos, eletromagnéticos e mecânicos para a operação segura do gerador síncrono em uma condição com tensão e frequência fixas, ou seja, com o gerador conectado à rede. Utilizada para parametrizar o regulador de tensão, a curva pode ser usada para a compreensão geral do funcionamento da máquina síncrona à medida que ela é construída a partir dos diagramas fasoriais das Figuras 2 e 4. De forma similar à curva de capabilidade, a curva V somente é válida para uma dada tensão ARTIGO TÉCNICO Curvas Características de Geradores Síncronos: Curvas V e de Capabilidade - Julho 2013 constante e também é levantada utilizando-se os diagramas fasoriais discutidos previamente, fixando as potências ativas em 0%, 25%, 50%. 75% e 100%. Seu nome deve-se ao formato em V característico e é construída relacionando-se a corrente de excitação e a corrente de armadura. 3.1 LIMITES DE OPERAÇÃO DO GERADOR SÍNCRONO – LIMITES TÉRMICOS A partir dos diagramas fasoriais mostrados nas figuras 2 e 4, é possível estabelecer os limites térmicos da armadura e do campo, utilizando respectivamente os valores absolutos máximos dos fasores 푬 e 푰 ∙ 푋 para traçar um círculo com centro em suas origens, conforme ilustrado na Figura 5. O círculo percorrido por |푬| , cujo valor é proporcional à corrente de campo, define o limite térmico do rotor, um dos fatores restritivos e mais críticos de uma máquina síncrona. Enquanto o círculo descrito por |푰 ∙ 푋 | , mostrado na Figura 6 traça o limite térmico da armadura. Figura 5: Limites térmicos do rotor do gerador síncrono Figura 6: Limites térmicos da armadura do gerador síncrono Estes são os primeiros limites da curva de capabilidade. 3.2 LIMITES DE OPERAÇÃO DO GERADOR SÍNCRONO – LIMITES DE POTÊNCIA Mesmo que o diagrama de fasores possa ser utilizado para descrever os limites de operação, tanto a definição de estabilidade como a definição do limite máximo imposto pela máquina acionante ou estão em termos de potência, ou precisa de alguma definição relacionada à ela. Portanto torna-se útil e prático a utilização do diagrama fasorial de tensão modificado para diagrama de potência. A partir do diagrama de tensão para geradores de polos salientes, e considerando-se o diagrama de polos lisos como um caso especial em que 푋 = 푋 , modifica-se o diagrama de fasores simplificado da Figura 04 para um diagrama de potências, multiplicando-se os módulos de tensão por 3∙|V|e dividindo-os por Xd [3], conforme ilustrado na Figura 7. Figura 7: Diagrama de potências Substituindo-se a seguir as tensões 푽 e 푬 pelos valores de linha: 푽 = √ Equação 1 푬 = √ Equação 2 Obtém-se o diagrama da Figura 8. Figura 8: Diagrama de potências, utilizando tensões de linha ARTIGO TÉCNICO Curvas Características de Geradores Síncronos: Curvas V e de Capabilidade - Julho 2013 3.2.1 Limite de Estabilidade Considerando-se as equações para as potências ativa e reativa: 푃 = √3 ∙ 푉 ∙ 퐼 ∙ 푐표푠휑 Equação 3 푄 = √3 ∙ 푉 ∙ 퐼 ∙ 푠푒푛휑 Equação 4 E desenvolvendo as Equações 3 e 4 por meio de relações trigonométricas com base no diagrama da Figura 8, obtemos: 푃 = 퐸 ∙푉 푋 ∙ 푠푒푛훿 + 푉 2 ∙ 1 푋 − 1 푋 ∙ 푠푒푛2훿 Equação 5 푄 = 퐸 ∙푉 푋 ∙ 푐표푠훿 − 푉 2푋 푋 ∙ 푋 + 푋 − 푋 − 푋 ∙ 푐표푠2훿 Equação 6 A estabilidade estática teórica é definida como a capacidade do gerador de permanecer em sincronismo diante de pequenas variações de potência ativa [1]. Ela se baseia no equilíbrio existente entre a potência mecânica injetada pela máquina acionante e a potência elétrica. Por definição, o gerador síncrono estará estaticamente estável se: > 0 Equação 7 Ou seja: 퐸 ∙푉 푋 ∙ 푐표푠훿 − 푉 ∙ 1 푋 − 1 푋 ∙ 푐표푠2훿 > 0 Equação 8 Graficamente: Figura 9: Curva P x δ - Estabilidade Para geradores de polos lisos este limite ocorre quando a máquina opera subexcitado em um ângulo de carga δ ≈ 90°, para geradores de polos salientes a perda de estabilidade ocorre em um ânguloAparente 5 REFERÊNCIAS [1] Boldea, I; Synchronous Generators; Volume I; Taylor & Francis Group, LLC, 2006. [2] Jain, G.C., DR. -Ing; Design, Operation and Testing of Synchronous Machines. New York, Asia Publishing House, 1961. 676 p. [3] Hermeto, A. E., A Máquina Síncrona, Universidade Federal de Itajubá, Apostila com Notas de Aula, 102p. [4] Guimarães, C.H.C., Rangel, R.D., Diagramas Operacionais de Unidades Geradoras In: Simpósio de Especialistas em Planejamento de Operação e Expansão Elétrica, X, 2006. Florianópolis. [5] da Costa Jr., P, Nunes de Souza, P.S., do Cogo Castanho, J. E., A Visual Tool for Building Synchronous Generator Capability Curves, Southeastcon, 2012 Proceedings of IEEE.