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Brasília, v. 21, n. 3, p. 315-325, 2026
https://doi.org/10.33240/rba.v21i3.61044
Como citar: Vieira, Diego D. et al. Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável (CAERDES): 
pesquisa, desenvolvimento e inovação. Revista Brasileira de Agroecologia, v. 21, n. 3, p. 315-325, 2026.
Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento 
Sustentável (CAERDES): pesquisa, desenvolvimento e inovação
Center for Agroecology, Renewable Energies and Sustainable Development (CAERDES): research, 
development and innovation 
Centro de Agroecología, Energías Renovables y Desarrollo Sostenible (CAERDES): investigación, 
desarrollo e innovación
Diego Daltro Vieira¹, Ana Karolina Leite Pais2, Emanuel Ernesto Fernandes Santos3, Maria 
Herbênia Lima Cruz Santos4
1Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental da Universidade do Estado da Bahia. 
Juazeiro, Brasil. Orcid: 0000-0001-9206-2302. E-mail: diego_osdaltro@hotmail.com 
2Doutora em Fitopatologia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, Brasil. Orcid: 0000-0003-4058-6678. E-mail: 
karolinapais@gmail.com 
³Professor titular no departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS) da Universidade do Estado da Bahia, Campus III. 
Doutor em Agronomia (Horticultura) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Juazeiro, Brasil. Orcid: 0000-
0002-2271-0375. E-mail: eefsantos@uneb.br 
4Coordenadora do Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável (CAERDES); professora plena no 
departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS) da Universidade do Estado da Bahia, Campus III. Doutora em Agronomia 
(Horticultura) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Juazeiro, Brasil. Orcid: 0000-0002-8453-5242. E-mail: 
mhlsantos@uneb.br
Recebido em: 06 jan 2026 - Aceito em: 09 abr 2026 – Publicado em: 01 jul 2026
Resumo
Este estudo apresenta as ações do Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável 
(CAERDES), da Uneb em Juazeiro-BA, destacando sua contribuição para práticas agrícolas sustentáveis no bioma 
Caatinga. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, tipo estudo de caso, que combina revisão bibliográfica com dados 
empíricos obtidos por observação direta e registros fotográficos. Os resultados mostram que o centro promove 
formação de profissionais e agricultores por meio de cursos, publicações e experimentos agroecológicos, como 
sistemas agroflorestais, produção orgânica, compostagem, vermicompostagem e cultivo de PANCs. Também realiza 
reflorestamento e educação ambiental, valorizando saberes populares, como o projeto do relógio de plantas 
medicinais. Conclui-se que o CAERDES integra ensino, pesquisa e extensão, fortalecendo o desenvolvimento 
socioambiental e demonstrando a viabilidade da Agroecologia no semiárido brasileiro.
Palavras-chave: Agroecologia, Sustentabilidade, Agricultura Familiar, Educação Ambiental, Semiárido.
Abstract
This study presents the actions of the Center for Agroecology, Renewable Energies and Sustainable Development 
(CAERDES), at Uneb in Juazeiro-BA, highlighting its contribution to sustainable agricultural practices in the 
Caatinga biome. It is a qualitative case study that combines bibliographic review with empirical data obtained 
through direct observation and photographic records. Results show that the center trains professionals and farmers 
through courses, publications, and agroecological experiments such as agroforestry systems, organic production, 
composting, vermicomposting, and the cultivation of non-conventional edible plants (PANCs). It also carries out 
reforestation and environmental education, valuing traditional knowledge, such as the medicinal plant clock project. 
The study concludes that CAERDES integrates teaching, research, and extension, strengthening socio-environmental 
development and demonstrating the feasibility of Agroecology in the Brazilian semi-arid region.
Keywords: Agroecology, Sustainability, Family Farming, Environmental Education, Semi-arid region.
Resumen
Este estudio presenta las acciones del Centro de Agroecología, Energías Renovables y Desarrollo Sostenible 
(CAERDES), de la Uneb en Juazeiro-BA, destacando su contribución a las prácticas agrícolas sostenibles en el bioma 
Caatinga. Se trata de una investigación cualitativa, tipo estudio de caso, que combina revisión bibliográfica con datos 
empíricos obtenidos mediante observación directa y registros fotográficos. Los resultados muestran que el centro 
forma profesionales y agricultores a través de cursos, publicaciones y experimentos agroecológicos, como sistemas 
agroforestales, producción orgánica, compostaje, vermicompostaje y cultivo de Plantas Alimenticias No 
Convencionales (PANCs). También realiza reforestación y educación ambiental, valorizando saberes populares, 
como el proyecto del reloj de plantas medicinales. Se concluye que el CAERDES integra enseñanza, investigación y 
extensión, fortaleciendo el desarrollo socioambiental y demostrando la viabilidad de la Agroecología en el semiárido 
brasileño.
Palabras-clave: Agroecología, Sostenibilidad, Agricultura Familiar, Educación Ambiental, Región Semiárida.
https://doi.org/10.33240/rba.v21i3.61044
Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável 
(CAERDES): pesquisa, desenvolvimento e inovação. 
Vieira, Diego D. et al.
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A criação da agricultura representou um marco decisivo na história da humanidade, 
caracterizada pela domesticação de plantas e animais com vistas à segurança alimentar 
das comunidades humanas (Pereira; Cordeiro; Araujo, 2016). Durante milênios, essa 
atividade esteve baseada em uma base húmica, na qual a fertilidade do solo era mantida, 
sobretudo, por meio do manejo da biomassa e da matéria orgânica. Contudo, com a 
evolução das sociedades, a divisão de classes e a consolidação do sistema capitalista, a 
agricultura passou por um processo de intensificação do uso do solo, orientado pela 
lógica da acumulação e do aumento da produtividade (Ribeiro et al., 2017).
Esse processo atingiu seu ápice com a chamada Revolução Verde, a partir da década de 
1960, marcada pela incorporação de inovações tecnológicas, pela mecanização, pelo uso 
intensivo de fertilizantes sintéticos e agrotóxicos, além da expansão das monoculturas 
(Campagnolla; Macêdo, 2022). Embora tenha promovido expressivo crescimento da 
produção agrícola em escala global, esse modelo também desencadeou impactos 
socioambientais significativos, como a degradação dos solos, a contaminação dos 
recursos hídricos, a perda da biodiversidade e a crescente dependência de insumos 
externos (Altieri, 2004). Além disso, as transformações nos sistemas de cultivo e 
criação repercutiram diretamente nas estruturas políticas, econômicas e sociais, 
provocando mudanças no modo de vida das populações rurais (Vieira et al., 2020).
Em resposta a essas contradições, emergiram propostas de agricultura sustentável e de 
práticas agroecológicas, que buscam conciliar a produção de alimentos, a conservação 
ambiental e a justiça social. A agricultura sustentável configura-se como um sistema de 
produção não convencional, comprometido com princípios éticos, sociais e ecológicos, 
inspirando diferentes movimentos e correntes, como a agricultura orgânica, biológica, 
natural, biodinâmica, permacultura e os sistemas agroflorestais (Penteado, 2001).
O termo Agroecologia surgiu na Europa na década de 1920, mas foi, sobretudo entre as 
décadas de 1970 e 1980, que ganhou maior destaque, ao se consolidar como uma 
alternativacrítica ao modelo do agronegócio convencional. Conforme Altieri (2004), a 
Agroecologia constitui uma ciência multidisciplinar que integra conhecimentos da 
agronomia, da ecologia e das ciências sociais, aplicando princípios ecológicos à gestão 
de sistemas alimentares sustentáveis. No Brasil, suas origens estão associadas às 
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agriculturas alternativas e aos movimentos contraculturais e ecológicos da década de 
1970, fortalecidos pela expansão do ensino superior e pelo debate crítico acerca da 
modernização agrícola (Vailati; Carvalho, 2021). Nesse contexto, a Agroecologia se 
expressa simultaneamente como prática agrícola, campo científico e movimento social, 
sendo marcada por uma pluralidade de concepções que, longe de fragilizá-la, 
contribuem para o avanço do debate científico.
Nas últimas décadas, diferentes atores sociais passaram a defender a ideia de 
convivência com o semiárido, em substituição à antiga visão de “combate à seca”. Essa 
perspectiva reconhece que é possível viver e produzir no semiárido por meio de práticas 
adaptadas às condições locais, valorizando o conhecimento popular, a educação 
contextualizada, a Agroecologia e o protagonismo das comunidades. Entre as principais 
estratégias estão a captação e o armazenamento de água, o cultivo de espécies 
resistentes, a criação de animais adaptados, a conservação da Caatinga e o 
fortalecimento da assistência técnica agroecológica. Essas ações contribuem para 
melhorar a qualidade de vida das famílias agricultoras e reforçam a necessidade de 
políticas públicas voltadas à convivência com o semiárido (Baptista; Campos, 2014).
Em contraposição, o município de Juazeiro-BA destaca-se nacionalmente pela 
expressiva produção agrícola voltada ao agronegócio. Em 2022, o volume 
comercializado de frutas e hortaliças alcançou 719.456.610 kg, posicionando o 
município como o segundo maior do país em valor e volume de hortifrutigranjeiros 
(Mercado, 2023). Apesar da relevância econômica desses dados, tal desempenho está 
associado a um modelo baseado em monoculturas para exportação, que contrasta com a 
produção diversificada, de base agroecológica, desenvolvida pela agricultura familiar, 
voltada prioritariamente ao abastecimento local e à sustentabilidade socioambiental.
Diante desse contexto, o Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e 
Desenvolvimento Sustentável (CAERDES), localizado em Juazeiro-BA, configura-se 
como um espaço estratégico para a produção, difusão e aplicação de conhecimentos 
agroecológicos. Sua atuação integra o processo de institucionalização da Agroecologia 
nas instituições de ensino, pesquisa e extensão, marcado por avanços, mas também por 
ameaças, como a descontinuidade de políticas públicas e a hegemonia do modelo 
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agrícola convencional. Ainda assim, esse processo abre oportunidades para o 
fortalecimento de práticas pedagógicas críticas, do diálogo entre saberes e de ações de 
extensão voltadas às especificidades do semiárido. Assim, esta pesquisa tem como 
objetivo relatar as atividades desenvolvidas no CAERDES, evidenciando sua relevância 
para a promoção da Agroecologia e do desenvolvimento sustentável regional.
O Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável foi 
idealizado em 2009 e criado pela Resolução n.º 823/2011, publicada em 24/04/2011 do 
Diário Oficial do Estado da Bahia e inaugurado em 28 de novembro de 2011, sendo 
vinculado ao Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais do Campus III da 
Universidade do Estado da Bahia (Uneb) em Juazeiro (BA).
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa, do tipo 
estudo de caso, tendo como objeto o Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e 
Desenvolvimento Sustentável (CAERDES). Segundo Gil (2019), o estudo de caso 
consiste na análise aprofundada de um objeto específico, permitindo a compreensão 
detalhada de suas práticas e contextos. Inicialmente, foi realizada uma revisão 
bibliográfica sobre as práticas agroecológicas e as ações extensionistas e didático-
pedagógicas do centro, reunindo e discutindo informações produzidas na área. 
Paralelamente, o trabalho incorpora dados empíricos obtidos por meio da observação 
direta das atividades desenvolvidas no CAERDES, bem como registros fotográficos 
produzidos pelos próprios autores, o que possibilitou a descrição e análise das práticas 
apresentadas. Dessa forma, a pesquisa articula referencial teórico e evidências de 
campo, conferindo maior consistência à análise e adequação entre os procedimentos 
metodológicos e os resultados expostos.
O Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável 
(CAERDES) está localizado no Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais 
(DTCS) da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Juazeiro-BA, abrangendo uma 
área total de 5 hectares, dos quais 2,3 ha são agricultáveis e 2,7 ha destinam-se a áreas 
de preservação. O CAERDES tem como papel fundamental o desenvolvimento de 
estudos e pesquisas; a promoção de ações de extensão e capacitação; e fomento nos 
estudantes, técnicos, empresários e agricultores, do conceito de agricultura 
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agroecológica e orgânica, estimulando aos leitores a livre circulação dos textos 
publicados por meio dos trabalhos realizados, capaz de dar suporte ao ensino, pesquisa, 
extensão e programas de pós-graduação lato e strictu sensu, formando recursos 
humanos de alto nível e comprometidos com a execução de estudos para o 
desenvolvimento socioambiental e agroeconômico, produzindo conhecimento 
sustentável (Pacheco et al., 2021).
Desde a sua fundação, em 2011, o CAERDES tem atuado na região, produzindo e 
disponibilizando cartilhas sobre os temas diversos, como: meio ambiente; recursos 
hídricos; resíduos sólidos; fundamentos e aplicações práticas da Agroecologia; canais 
alternativos de comercialização; manejo ecológico do solo e da água; sistema 
simplificado de irrigação; utilização de fontes alternativas de adubos orgânicos e 
minerais naturais; rochagem na agricultura agroecológica; produção de biofertilizante 
líquido; obtençãode mudas para a produção de hortícolas, práticas e uso da adubação 
verde, formulações de defensivos naturais (Araújo, 2015a, 2015b).
Com uma infraestrutura voltada para atividades de formação profissional, o CAERDES 
(Figura 1) conta com secretaria, dois escritórios, sala de reuniões, laboratório de 
informática, sala de aula, auditório, laboratórios, acervo bibliográfico, copa e banheiros. 
Essa estrutura foi projetada para atender às demandas de professores, pesquisadores, 
estudantes, estagiários e visitantes, permitindo a realização de visitas técnicas que 
demonstram as práticas agroecológicas desenvolvidas pelo centro. Além disso, suas 
iniciativas incluem educação ambiental para a comunidade local e orientação técnica 
para agricultores familiares, oferecendo aconselhamento sobre manejo sustentável do 
solo, compostagem, vermicompostagem e sistemas agroflorestais. Assim, o CAERDES 
promove intercâmbios de conhecimento que fortalecem a produção de alimentos 
sustentáveis e a preservação ambiental na Caatinga.
No que se refere ao alcance das ações desenvolvidas pelo CAERDES, observa-se a 
participação de diferentes públicos ao longo de sua atuação. Estima-se que o centro 
atenda aproximadamente 50 agricultores familiares por meio de ações de extensão, 
capacitações e orientações técnicas voltadas ao manejo agroecológico. Além disso, 
cerca de 100 estudantes, oriundos de cursos técnicos, de graduação e de pós-graduação, 
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participam anualmente de atividades como estágios, aulas e projetos de pesquisa, 
utilizando o espaço como ambiente de formação teórica e prática.
Figura 1. Fotos realizadas no CAERDES /Uneb, Juazeiro-BA. A) Vista aérea geral do CAERDES;. B) 
Aula teórica; C) Consórcio Coffea arabica-Moringa oleifera-Musa acuminata; D) Plantio de Punica 
granatum (romã); E) Musa acuminata (banana); F) Ficus carica (figueiras); G) Ipomoea batatas (batata-
doce); H) Cereus jamacaru (mandacaru).
Fonte: Autores, 13 de junho de 2023.
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 Em relação à produção, destacam-se cultivos como banana, com rendimento médio de 
1 a 5 cachos por semana; acerola, com produção estimada de 10 a 40 litros semanais; 
pinha, com produção de 5 a 10 litros por semana; e mamão, com cerca de 10 litros 
semanais. Quanto à produção de insumos, a minhocultura apresenta rendimento entre 
300 e 700 litros de húmus por retirada, com periodicidade variável. Esses dados 
evidenciam a relevância produtiva, formativa e extensionista do CAERDES, reforçando 
sua contribuição para o desenvolvimento sustentável no semiárido.
Com relação à Agrofloresta ou Sistema Agroflorestal (SAF) que integra o cultivo de 
plantas agrícolas com árvores e outras espécies vegetais. Essa técnica proporciona maior 
diversidade vegetal na mesma área, menor dependência de insumos externos e maior 
segurança alimentar e econômica para agricultores e consumidores (Armando et al., 
2002). No CAERDES, o modelo implantado reúne Coffea arabica-Moringa oleifera-
Musa acuminata (figura 1C). Neste consórcio a moringa cria um conforto ambiental, 
fertiliza o solo com a serapilheira e filtra a água, já a banana protege o solo e nutre-o 
com potássio, e o café se beneficia com os nutrientes disponibilizados pelo consórcio. 
Pacheco et al. (2021) afirma que os maiores desafios desse tipo de cultivo na região são 
a alta temperatura, a incidência de luz solar e a baixa umidade. Além de aumentar a 
fertilidade do solo, o consórcio moringa/banana e café minimiza os efeitos do clima, 
criando um microclima específico para o desenvolvimento do café no Submédio São 
Francisco.
No CAERDES, todos os experimentos utilizam os princípios da agricultura orgânica. 
De acordo com Lei Federal n.º 10.831, de 23 de dezembro 2003, a produção orgânica é 
fruto do conjunto das agriculturas de base ecológica que busca conciliar autonomia 
alimentar e renda, com o respeito aos limites do meio natural ou ecológico, e se propõe 
a resgatar e a redefinir o patrimônio cultural das comunidades locais, orientando a 
produção para múltiplos mercados que inclui formas inovadoras de relação entre 
produtores e consumidores (Brasil, 2023).
Desta maneira, a figura 1 (D-H) mostra plantios de Punica granatum L. (romã), Musa 
acuminata Colla (banana), Ficus carica L. (figo), Ipomoea batatas (L.) Lam. (batata-
doce), Nopalea cochenillifera (L.) A.Lyons (palma), Cereus jamacaru DC. 
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(mandacaru), Annona muricata L. (pinha), Carica papaya L. (mamão), Manihot 
esculenta Crantz (macaxeira) e Persea americana Mill. (abacate).
O manejo das culturas produzidas no centro não emprega produtos sintéticos, somente é 
administrado o uso de biofertilizantes e compostos orgânicos naturais. Barros (2021) 
define biofertilizante como um subproduto obtido a partir da fermentação anaeróbica de 
resíduos da lavoura ou dejetos de animais na produção de biogás. Na sua forma líquida 
contém diversos nutrientes, sobretudo nitrogênio e fósforo, e pode atuar também como 
defensivo agrícola. Como exemplos de alguns compostos naturais produzidos e 
utilizados no CAERDES têm-se óleo de mamona, óleo de alecrim, óleo de alho e óleo 
de nim.
Duas práticas desenvolvidas que tem auxiliado bastante na correção e na adubação dos 
solos do CAERDES são a compostagem e a produção de húmus de minhoca. Para Vital 
et al. (2012) a compostagem é um processo de decomposição, por processos físico-
químicos e biológicos, da matéria orgânica no qual a quantidade de nutrientes 
disponíveis nos restos retornam para auxiliar na nutrição das plantas. Já a minhocultura 
recicla os resíduos orgânicos por meio da criação de minhocas com o intuito de produzir 
o húmus (Schiedeck; Gonçalves; Schwengber, 2006).
Recentemente, foi implantado um relógio de plantas medicinais, uma ferramenta 
didática, que busca resgatar e valorizar os saberes populares sobre o uso das plantas 
medicinais. Essa metodologia é importante para o CAERDES, pois:
Promove a educação em saúde e meio-ambiente, preservação ambiental e 
alimentação saudável através de atividades específicas sobre o funcionamento 
dos órgãos do corpo humano, fazendo assim uma reflexão sobre os hábitos 
alimentares, as escolhas comportamentais e os cuidados básicos de saúde, 
utilizando e identificando as plantas medicinais com segurança (Melo et al. 
2017, p. 75)
AlgumasPlantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs), como Pereskia aculeata 
Mill. (ora-pro-nóbis) e Hylocereus undatus Britton & Rose (pitaia). As Pancs são 
espécies vegetais pouco consumidas, mas que possuem valor nutritivo. O consumo 
dessas plantas pode ser uma estratégia para manter a diversificação alimentar, 
estimulando a manutenção da mata nativa (Barreira et al., 2015).
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O viveiro de mudas, além de produzir oleaginosas, frutíferas, hortaliças, medicinais e 
Pancs, atua também na produção de espécies nativas da Caatinga. Atualmente, o viveiro 
produz mudas de Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan (angico), Schinopsis 
brasiliensis Engl. (baraúna), Myracrodruon urundeuva Allemão (aroeira), Ziziphus 
joazeiro Mart. (juazeiro), Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L.P.Queiroz (pau-ferro), 
Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & Hook.f. ex S.Moore (caraibeira), Enterolobium 
contortisiliqua (Vell.) Morong e Cenostigma pyramidale (Tul.) Gagnon & G.P.Lewis 
(catingueira). Por meio da produção e doação dessas mudas o CAERDES tem atuado na 
recomposição das áreas afetadas pela agricultura e com o enriquecimento da Área de 
Proteção Permanente (APP) (mata ciliar) da região.
A institucionalização da Agroecologia nas instituições de ensino, pesquisa e extensão 
emerge como um processo estratégico, marcado por avanços significativos, mas 
também por desafios e ameaças que exigem atenção contínua. Os dados apresentados 
neste estudo evidenciam a viabilidade de agriculturas mais sustentáveis no semiárido, 
mesmo diante das adversidades impostas pelo bioma Caatinga, como as altas 
temperaturas, a baixa pluviosidade e a irregularidade das chuvas. Tais resultados 
demonstram que, quando há o envolvimento articulado entre instituições e comunidade 
local, a Agroecologia se consolida como uma alternativa concreta e possível para a 
região. As práticas experimentais desenvolvidas no âmbito do CAERDES contribuíram 
de forma significativa para o esclarecimento de dúvidas relacionadas à produção de base 
agroecológica, tanto para agricultores quanto para visitantes, fortalecendo processos 
formativos e de troca de saberes. 
Assim, o CAERDES se configura como um relevante centro de estudo, pesquisa, 
extensão e inovação, ao dispor de infraestrutura adequada para a realização de 
atividades teóricas e práticas, bem como para o desenvolvimento de projetos 
interdisciplinares. Tal experiência evidencia oportunidades para o fortalecimento da 
Agroecologia no campo educacional e produtivo, ao mesmo tempo em que sinaliza a 
necessidade de políticas públicas e de apoio institucional contínuos para garantir sua 
permanência e expansão frente às ameaças estruturais e conjunturais.
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Copyright (©) 2026 - Diego Daltro Vieira, Ana Karolina Leite Pais, Emanuel Ernesto 
Fernandes Santos, Maria Herbênia Lima Cruz Santos.
REFERÊNCIAS
ALTIERI, Miguel. Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. 4.ed. Porto Alegre: 
Editora da UFRGS, 2004. 120 p.
ARAÚJO, Jairton F. (org). Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (cartilhas). Juazeiro: 
Eduneb, 2015a. 
ARAÚJO, Jairton F. (org). Agroecologia (cartilhas). Juazeiro: Eduneb, 2015b. 
ARMANDO, Márcio S. et al. Agrofloresta para Agricultura Familiar (circular técnica). Brasília: 
EMBRAPA, 2002. 11 p.
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