Prévia do material em texto
PROBLEMA 3 Nos primeiros dias de Janeiro, Fat e Slim, resolveram iniciar o ano novo com uma vida nova. Fat comenta então com Slim que suas colegas de sala na medicina estão usando cápsulas de ômega 3. Segundo Fat, elas disseram ter perdido peso, além de reduzirem as concentrações sanguíneas de triglicérides. Disse ainda que uma de suas colegas, além de usar ômega, começou a treinar CrossFit e que agora está com os músculos iguais ao de Usain Bolt, além de muita resistência aeróbica. OBJETIVO 1 ● DESCREVER A PRODUÇÃODE ENERGIA PORMEIO DA OXIDAÇÃO DE LIPÍDIOS (LIPÓLISE, TRANSPORTE,ENTRADANAMITOCÔNDRIA…) Os lipídios são compostos que podem ser armazenados no corpo humano e podem fornecer uma energia 2,5 vezes maior do que a produzida por polissacarídeos, devido à capacidade de armazená-los na forma anidra. Há três fontes para obter lipídeos: - Gorduras consumidas na dieta - Gorduras armazenadas nas células como gotículas de lipídios - Gorduras sintetizadas em um órgão para exportação a outro Os triglicerídeos são lipídios dietéticos que armazenam todo excesso de nutrientes, sejam eles de lipídios, de carboidratos ou de proteínas. São acumulados no citosol dos adipócitos do tecido adiposo branco. ➢ Há dois tipos de tecido adiposo: o Branco e o Marrom. O primeiro é especializado em armazenamento de triglicérides, sem que afete a célula. O segundo é utilizado para a termogênese, garantindo o aquecimento do corpo. O tecido adiposo marrom é escasso em adultos e predominante em recém nascidos e fetos. Fonte: Artigo: O Tecido Adiposo Como Centro Regulador do Metabolismo Dentro dos adipócitos, os triglicérides formam gotas que ocupam 95% do volume celular. Além da degradação desses triglicérides, o tecido adiposo branco também é um sintetizador de hormônios como a leptina. Degradação de triglicérides Os triglicérides são degradados por meio de três enzimas que no fim formam ácido graxo e glicerol. As enzimas referidas são denominadas lipases, mais especificamente são as lipases de triacilglicerois do adiposo (ATGL), lipase hormônio-sensível (HSL) e a monoacilglicerol lipase (MAGL). Os produtos dessa degradação são oxidados. O glicerol é pouco aproveitado, sendo na maioria das vezes liberado na circulação e entrando na via glicolíticas ou gliconeogênicas. Somente no fígado e rins ele é transformado em um intermediário da glicólise (di-hidroxiacetona fosfato). Etapa da glicólise onde há dihidroxiacetona fosfato Marzzoco, A. **Bioquímica Básica**. 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. Já os ácidos graxos são transportados no sangue por meio da albumina(proteína) e são levados para o interior das células para serem transformados em energia. Essa energia é usada por diversos órgãos exceto nervos e hemácias. Esses ácidos são levados à matriz mitocondrial, onde serão oxidados: 1) ácido graxo acil-CoA→ enzima: acil-CoA sintetase Essa reação ocorre na membrana externa da proteína e é irreversível. O acil-CoA é uma molécula armazenadora de energia 2) grupo acila + carnitina acilcarnitina↔ enzima: carnitina -acil transferase I e II Essa reação ocorre para colocar o grupo acil na membrana interna da mitocôndria, visto que essa é permeável ao acil-CoA. Há quatro etapas para isso ocorrer: https://www.scielo.br/j/abem/a/htcRSX7FjpchRd4gHNkg7VR/?format=pdf https://www.scielo.br/j/abem/a/htcRSX7FjpchRd4gHNkg7VR/?format=pdf a) retirada da CoA e inserção na carnitina no grupo acil pela enzima carnitina -acil transferase I b) Transporte da acil-carnitina para a membrana interna pela enzima carnitina-translocase c) retirada da carnitina e inserção da CoA no grupo acil pela enzima acil-transferase II d) retorno da carnitina para o citosol por meio da carnitina-translocase No fim dos dois processos, a molécula de acil-CoA estará dentro damitocôndria para ser oxidada -Oxidação Processo no qual a acil-CoA é oxidada aβ acetil-CoA. Possui esse nome visto que ocorre a oxidação do carbono do ácido graxo. Também éβ chamado de ciclo de lynen O processo ocorre por meio de 4 reações: a) acil-CoA acil-CoA -insaturada→ β enzima: acil-CoA desidrogenase libera um FADH2 b) trans-enoil-CoA -hidroxiacil-CoA→ β enzima: enoil-CoA desidrogenase hidratação da insaturação c) -hidroxiacil-CoA -cetoacil-CoAβ → β enzima: -hidroxiacil-CoA desidrogenaseβ oxidação do grupo hidroxila a carbonila liberação de um NADH d) -cetoacil-CoA acetil-CoA + acil-CoAβ → enzima: tiolase o acil-CoA formado possui somente dois carbonos, o que é alterado para refazer o ciclo até ser convertido totalmente em acetil-CoA saldo final: 1 FADH2, 1 NADH, 1 acetil-CoA e 1 acil-CoA Quando há um ácido graxo com número de carbonos para o ciclo se inicia com um acil-CoA de quatro carbonos e, ao final, são produzidas 2 acetil-CoA . O número de ciclos realizados depende do número de carbonos do ácido graxo inicial. Após o fim do ciclo os produtos seguem no processo do ciclo de krebs Todos esses processos são regulados por meio de hormônios que aceleram ou inibem a ação das lipases(enzima da lipólise). Durante a atividade física a concentração desses hormônios aumentam para suprir a energia necessária para a musculatura esquelética. A adenosina 3'5'-monofosfato cíclico(cAMP) ativa a lipase sensível aos hormônios. ➢ A insulina inibe a ativação do AMP cíclico visto que ela detecta a presença de glicose no sangue, fazendo a energia proveniente dos ácidos graxos desnecessária. As mudanças bioquímicas e vasculares de um atleta aceleram a utilização de ácidos graxos para obter energia durante atividade moderada Regulação da via metabólica de triglicérides e ácidos graxos Os principais hormônios que regulam o metabolismo de lipídios são o glucagon e a adrenalina, que estimulam, e a insulina, que inibe. As gotas de lipídios presentes nos adipócitos ficam envoltos pela proteína perilipina 1 e os hormônios fazem a alteração dessa estrutura para agir. As perilipinas impedem que as lipases interajam com os triglicérides, mas quando fosforiladas pela proteínas quinase dependente de cAMP elas permitem essa interação. Portanto, os hormônios glucagon e adrenalina agem de forma a ativar essa proteína quinase dependente de cAMP, que fosforila as perilipinas permitindo a interação das lipases com o triglicérides. Já a insulina promove a desfosforilação das perilipinas e permite com que essa bloqueie a interação entre as lipases e as perilipinas. Além dos hormônios referidos, vários outros hormônios possuem receptores nos adipócitos e suas funções são variadas, observe: Nogueira, L. P., Costa, D. F. A., Freitas, J. A., et al. (2014). Molecular Pathways Activated by Oxidized Lipids in Atherosclerosis: Pathophysiological and Therapeutic Aspects. *Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 58*(7), 733-742. Retrieved from https://www.scielo.br/j/abem/a/htcRSX7FjpchRd4gHNkg7VR/?format=pdf Resumindo… OBJETIVO 2 ● DESCREVER A PRODUÇÃODE ENERGIA PORMEIO DACADEIA RESPIRATÓRIA Até o momento, os processos energéticos realizados (glicólise e ciclo de krebs) tiveram um saldo energético de 4 ATP 's, 10 NADH e 2 FADH2. Para a produção de mais ATP 's, as coenzimas reduzidas até então devem ser oxidadas. Deve haver uma transferência de elétrons das coenzimas para o oxigênio, portanto, o oxigênio é o aceptor final de elétrons. Além disso, o oxigênio se junta a um próton e forma água. Para não se tornar uma energia dissipada em forma de calor, essa transferência é feita de forma gradual. Esse processo ocorre na membrana interna da mitocôndria onde há quatro complexos enzimáticos pelos quais passam os elétrons e estes são organizados de acordo com um potencial crescente de redução por meio da coenzimaQ e do citocromo c Disposição dos Complexos I, II, III e IV, transportadores de elétrons, na membrana interna da mitocôndria. As setas indicam a trajetória dos elétrons provenientes do NADH ou do succinato até o oxigênio. C = citocromo c; Q = coenzima Q. MARZOCO; TORRES, 2017, p. 136) Há alguns tipos de moléculas carreadoras de elétrons: - NAD - Flavoproteínas -Ubiquinona (CoQ) - Citocromos - Proteínas ferro-enxofre Cadeia de transporte de elétrons 1) Reações do complexo I: oxidação do NADH O resultado é a entrada de elétrons na membrana interna da mitocôndria e saída de prótons(H+)da matriz devido às reduções dos transportadores de elétrons NADH + (matriz) + 4 (matriz) +CoQ NAD +𝐻+ 𝐻+ → 𝐻+ (espaço intermembranas) + CoQH2 https://www.scielo.br/j/abem/a/htcRSX7FjpchRd4gHNkg7VR/?format=pdf 2) Reação do complexo II: oxidação do succinato A oxidação do succinato a fumarato doa prótons e elétrons para o FAD. Os 2 não podem ser carreados𝐻+ pela proteína ferro-sulfato e são dispensados para dentro da matriz, não colaborando para a criação de um gradiente de prótons. A CoQ recebe elétrons complexo I e II. Succinato + CoQ Fumarato + CoQH2→ 3)Reação do complexo III: Transferência de elétrons daCoQ para o citocromo c e bombeamento de prótons O elétrons transportados serão direcionados cada um para uma via(ciclo Q): - o primeiro irá ser transportado pela proteína ferro-sulfato e com isso terá a saída de um para o espaço𝐻+ intermembranas - o segundo irá ser transportado pelo citocromo c (composto pela hemeBL e hemeBH) Assim, ocorre a oxidação da CoQ e redução do citocromo c, o que promove a retirada de dois da matriz e𝐻+ bombeamento de 4 para o espaço intermembrana, colaborando para a criação do gradiente de prótons.𝐻+ 4)Reações do complexo IV: Catalisa a redução do oxigênio a água e bombeia prótons Os elétrons transportados pelo citocromo c são aceptados pelo complexo CuA/CuB, transferidos a grupos heme e passado ao O2 onde ele se reduz a água. Nesse processo 4 são utilizados para a𝐻+ formação de água e 2 são bombeados para o𝐻+ espaço intermembranas(figura está incorreta) para contribuir com a criação do gradiente de prótons 4 cit c2+ + 4H+ (matriz) + O2 + 4H+ (matriz)→ 4 cit c3+ + 2H2O + 4H+ (espaço intermembranas) FosforilaçãoOxidativa A transferência de prótons que ocorreu na etapa anterior cria um gradiente de prótons e um gradiente elétrico, gerado pela membrana interna negativa o que resulta no que é denominado de força próton-motriz O retorno espontâneo dos prótons, a favor do gradiente, gera energia para a síntese de atp. Porém esse retorno não é realizado diretamente na membrana, visto que a membrana interna é impermeável a prótons. Esse transporte ocorre por meio da ATP sintase 1 NAD = 2.5 ATP's São jogados 10 para o espaço intermembranas que𝐻+ formam 2,5 ATP's (4 do complexo I + 4 do𝐻+ 𝐻+ complexo III + 2 do complexo IV)𝐻+ ATP sintase É uma enzima que possui dois complexos de proteínas: o F0, que cruza a membrana interna da mitocôndria e o F1 que se projeta para dentro da matriz mitocondrial. A passagem de força a rotação do anel C de F0 que𝐻+ causa alteraçòes conformacionais nas subunidades β permitindo que o ADP e Pi sejam ligados nesse complexo e fosforilados. Uma rotação completa do anel é impulsionada por oito H+ (prótons) movendo-se por meio do domínio F • As alterações conformacionais resultantes nas três subunidades do domínio F1 permitem a fosforilação de 1 três moléculas deβ difosfato de adenosina FERRIER, Denise R. Bioquímica ilustrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. ➢ Proteínas desacopladoras Essas proteínas criam um vazamento de prótons, ou seja, permitem que os prótons retornem à matriz mitocondrial sem que a energia seja capturada como ATP. A energia é liberada na forma de calor, sendo denominado Termogênese Sem Tremor – só tá presente em tecido adiposo marrom ➢ Ubiquinona é um fármaco que se liga o domínio Fo fechando o canal de H + impedindo retorno de prótons à matriz mitocondrial, prevenindo assim a fosforilação do ADP em ATP. Já que os gradientes de Ph e elétrico não podem ser dissipados na presença desse fármaco, o transporte de elétrons cessa, devido a dificuldade de bombear mais prótons contra gradiente. OBJETIVO 3 ● CARACTERIZAR OS TIPOS DE FIBRAS MUSCULARES ESQUELÉTICAS (TIPO DE NUTRIENTE USADO, TIPO DE PROCESSO ENERGÉTICO PREDOMINANTE…) Há dois tipos de fibras: as rápidas e as lentas. Normalmente, há uma quantidade igual de fibras rápidas e lentas em um mesmo músculo e essa proporção é determinada por fatores genéticos, níveis hormonais e pela prática de exercícios físicos As características bioquímicas que determinam as diferenças dessas fibras são: - a capacidade oxidativa do músculo (número de mitocôndrias, número de capilares e concentração de mioglobina) - atividade da ATPase (velocidade de degradação do ATP) As características funcionais que determinam as diferenças das fibras são: - produção de força ( quanta força se produz/unidade de área da fibra) - velocidade de contração (determinada pela velocidade que encurta a fibra) - eficiência da fibra (ATP utilizado/ quantidade de força produzida) Fibras Lentas ou fibras tipo I: Alta capacidade metabólica aeróbica e alta resistência à fadiga número demitocôndrias elevado resistência à fadiga elevada sistema energético predominante aeróbico atividade da ATPase baixa Velocidade de contração baixa eficiência da fibra elevada produção de força moderada Fibras rápidas ou tipo IIx ou IIa Fibras IIx: Baixa capacidade metabólica aeróbica mas alta velocidade da via glicolítica, ou seja, alta capacidade metabólica anaeróbia. Atividade da ATPase extremamente rápida, o que culmina na baixa eficiência. número demitocôndrias baixo resistência à fadiga baixa sistema energético predominante anaeróbico atividade da ATPase muito elevada Velocidade de contração muito elevada eficiência da fibra baixa produção de força elevada Fibras IIa: São fibras intermediárias. Também são chamadas de fibras glicolíticas oxidativas rápidas. Por serem uma mistura das fibras tipo I e da IIx possuem uma capacidade alta de adaptação. número demitocôndrias moderado resistência à fadiga moderado sistema energético predominante combinação atividade da ATPase elevada Velocidade de contração intermediária eficiência da fibra moderada produção de força elevada Influência do exercício físico nas fibras A longo prazo pode haver a conversão de fibras, observe: Efeitos de dez semanas de treinamento físico de resistência (-75% do \/0 máx) sobre os tipos de fibras musculares esqueléticas. Observe que o desvio de fibras rápidas para fibras lentas induzido pelo treinamento físico das fibras musculares esqueléticas segue um padrão dose-resposta. Isto é, o aumento da duração diária do treinamento físico aumenta a magnitude da transformação de fibras rápidas em fibras lentas nos músculos. Os dados são de Demirel et a/. (26). Observe que esses dados são do músculo extensor longo dos dedos de ratos, o qual contém três tipos de fibras musculares rápidas (llb, lia e llx). OBJETIVO 4 ● CARACTERIZARO SISTEMAATP FOSFOCREATINA A fosfocreatina(PCr) é uma molécula que quando clivada libera alta energia. A sua clivagem é catalisada pela enzima creatinoquinase e essa molécula é armazenada na célula numa concentração de 4 a 6 vezes maior que a de ATP. Além de doar energia, a PCr doa também seu grupo Pi para fazer com que o ADP se torne ATP A PCr, portanto, funciona como um reservatório de energia. ➢ O aumento na CKMB(creatina quinase específica do músculo cardíaco) pode ser um indicador de infarto do miocárdio visto que a morte das células lesadas neste músculo libera essa enzima na corrente sanguínea.