Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 1-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
A saúde digital no processo de trabalho das agentes 
comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
Digital health in the work process of community health 
agents during the covid-19 pandemic
La salud digital en el proceso de trabajo de los agentes 
comunitarios de salud en la pandemia de covid-19
Camila de Jesus França 1,a | milajfranca@gmail.com
Romário Correia dos Santos 2,a | romario.correia@outlook.com
Ana Luiza Queiroz Vilasbôas 1,b | analuvilas@gmail.com
Rosana Aquino 1,b | aquino@ufba.br
Liliana Santos 1,b | lilianapsico@gmail.com
Nilia Maria de Brito Lima Prado 3,b | nilia.ufba@gmail.com
1 Universidade Federal da Bahia, Instituto de Saúde Coletiva. Salvador, BA, Brasil.
2 Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Aggeu Magalhães. Recife, PE, Brasil. 
3 Universidade Federal da Bahia, Instituto Multidisciplinar em Saúde. Vitória da Conquista, BA, Brasil.
a Mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia. 
b Doutorado em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia.
RESUMO
As agentes comunitárias de saúde se posicionaram como uma força de trabalho essencial em resposta à 
pandemia de covid-19 na atenção primária à saúde, com uso intensivo de recursos digitais no seu processo 
de trabalho. Este estudo analisa como a saúde digital incidiu no processo de trabalho dessas agentes 
durante a pandemia. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa desenvolvido em três municípios do 
Nordeste brasileiro. Realizaram-se entrevistas e pesquisa documental, com posterior análise e interpretação 
dos resultados à luz da teoria do processo de trabalho em saúde. Compreende-se que tal conjuntura foi 
disparadora de novas conformações no processo de trabalho e que a saúde digital se refletiu de forma 
contraditória no trabalho das agentes comunitárias de saúde, por um lado, demarcando um cenário de 
precarização do trabalho; por outro, ressignificando a forma como o trabalho vivo e em ato acontece, sendo 
ARTIGOS ORIGINAIS https://doi.org/10.29397/reciis.v20.4595
https://orcid.org/0000-0002-0822-9411
http://lattes.cnpq.br/5883358342194247
https://orcid.org/0000-0002-4973-123X
http://lattes.cnpq.br/9539488521821531
https://orcid.org/0000-0002-5566-8337
http://lattes.cnpq.br/5439818234915983
https://orcid.org/0000-0003-3906-5170
http://lattes.cnpq.br/9452483360320568
https://orcid.org/0000-0002-8958-4094
http://lattes.cnpq.br/1751069530384176
https://orcid.org/0000-0001-8243-5662
http://lattes.cnpq.br/3948105360171918
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 2-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
mediado por recursos digitais.
Palavras-chave: Atenção primária à saúde; Agentes comunitários de saúde; Covid-19; Saúde digital; 
Tecnologias da informação e comunicação.
ABSTRACT
Community health workers have positioned themselves as an essential workforce in response to the covid-19 
pandemic in Primary Health Care, with intensive use of digital resources in their work process. This study 
analyzed how digital health impacted the work process of community health workers during the pandemic. 
It is a qualitative study developed in three municipalities in Northeastern Region of Brazil. Interviews and 
documentary research were conducted, with subsequent analysis and interpretation of the results in light 
of the theory of the health work process. This situation triggered new configurations in the work process 
and the digital health had contradictory effects on the work of community health workers, demarcating a 
scenario of precarious work, on the one hand, and redefining the way in which live and active work takes 
place, on the other hand, being mediated by digital resources.
Keywords: Primary Health Care; Community health workers; Covid-19; Digital health; Information and 
communication technology.
RESUMEN
Los agentes comunitarios de salud se han posicionado como una fuerza laboral esencial ante la pandemia 
de covid-19 en la Atención Primaria de Salud, con un uso intensivo de recursos digitales en su proceso de 
trabajo. Este estudio analizó cómo la salud digital impactó el proceso de trabajo de los agentes comunitarios 
de salud durante la pandemia. Se trata de un estudio cualitativo realizado en tres municipios del Nordeste 
de Brasil. Se realizaron entrevistas e investigación documental, con posterior análisis e interpretación de los 
resultados a la luz de la teoría del proceso de trabajo en salud. Se entiende que esta situación desencadenó 
nuevas conformaciones en el proceso de trabajo y que la salud digital se reflejó de manera contradictoria en 
el trabajo de los agentes comunitarios de salud, por un lado demarcando un escenario de trabajo precario; 
por el otro, dando nuevos significados a la forma en que se produce el trabajo vivo y activo, mediado por 
recursos digitales.
Palabras clave: Atención Primaria de Salud; Agentes comunitários de salud; Covid-19; Salud digital; 
Tecnología de la información y de la comunicación.
INTRODUÇÃO
Os diferentes sistemas de saúde no mundo enfrentaram desafios e limitações significativos para a 
manutenção da oferta do cuidado, frente ao impacto da pandemia de covid-19 (Iserson, 2020). No Brasil, 
os desdobramentos da pandemia resultaram em 36.331.281 casos acumulados, dos quais 693.853 chegaram 
a óbito, entre 2020 e 2022, anos que apresentaram as maiores ondas da doença no país (Brasil, 2024).
Entre os profissionais da linha de enfrentamento, as agentes comunitárias de saúde (ACS) 
emergiram como trabalhadoras essenciais para a resposta à pandemia na atenção primária à saúde 
(APS), desempenhando um papel crucial na prevenção, rastreio de casos, controle e acompanhamento 
dos casos de covid-19 e de outras doenças de interesse epidemiológico, nos territórios sob sua 
responsabilidade (França et al., 2023; Méllo; Santos; Albuquerque, 2022a). Salienta-se que, no Brasil, as 
ACS representam uma das maiores forças de trabalho do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo em sua 
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 3-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
maioria mulheres e, por isso, optamos por denominar essa categoria no feminino (Durão, 2021; Méllo; 
Santos; Albuquerque, 2022b). 
O período pandêmico forçou mudanças no modelo de atendimento rotineiro das unidades de saúde. 
Os profissionais renunciaram ou reduziram o tradicional cuidado presencial e tiveram que investir em 
respostas tecnológicas para a manutenção do acompanhamento não presencial dos usuários, encarando 
desafios quanto à aquisição de conhecimentos sobre a nova doença, ao mesmo tempo que ajustavam a 
oferta do cuidado a um novo contexto. Salienta-se que a saúde digital ganhou destaque na APS, para além 
das funções tradicionalmente conhecidas pelos profissionais de ensino superior, se capilarizando, também, 
para aqueles de nível médio e técnico, possibilitando telemonitoramento, televigilância, teleducação entre 
outras (Moura Júnior, 2021).
A saúde digital é entendida neste artigo como um novo paradigma de cuidado em saúde que “emprega 
novas tecnologias, como é o caso da inteligência artificial, big data, dispositivos móveis e vestíveis, 
bem como processos interconectados à distância” (Rachid et al., 2023, p. 2144), complementares para a 
assistência, vigilância e educação em saúde (Santos et al., 2023). 
O avanço das tecnologias digitais em saúde pode ser uma alternativa satisfatória e segura para manter 
o contato entre os usuários e os profissionais da saúde (Celuppiet al., 2021) e as ACS, por sua familiaridade 
com o território e a relação contínua que estabelecem com a comunidade e as equipes de APS, assumem 
um papel central nesta interlocução, com o desenvolvimento de intervenções de engajamento social de 
forma resolutivas, viáveis e aceitáveis para subsidiar as respostas comunitárias à pandemia, mesmo com 
o uso das tecnologias digitais (Gilmore et al., 2020).
Todavia, embora a saúde digital tenha sido considerada uma ferramenta promissora para enfrentar os 
desafios impostos pela pandemia da covid-19, não foi consenso o seu uso no processo de trabalho das ACS 
no Brasil, impondo um novo lócus de pesquisas que possa dar subsídios à decisão de incorporação ou não 
da saúde digital por esta força de trabalho (Santos et al., 2023).
Existe uma farta literatura sobre o trabalho das ACS durante a pandemia de covid-19 no Brasil (França 
et al., 2023; Malinverni et al., 2023), porém há uma escassez de pesquisas que se ocuparam em entender 
como a saúde digital foi operacionalizada nas práticas profissionais destas trabalhadoras na conjuntura 
da pandemia, podendo implicar em: i) uma absorção tecnológica acrítica e ii) transformar a finalidade do 
trabalho das ACS, que passa essencialmente de uma atenção à saúde comunitária e territorializada, para 
uma atenção à saúde individual e despersonalizada, em detrimento das competências cultural, familiar e 
territorial (Santos et al., 2024).
Dadas as ampliações recentes de programas nacionais de agentes comunitárias de saúde em países 
de baixa, média e alta renda, que apontam para uma centralidade das ACS no acesso universal à saúde 
(Méllo; Santos; Albuquerque, 2022b; Santos et al., 2023) e as recentes recomendações internacionais sobre 
a necessidade de otimizar o trabalho das ACS, com o apoio da tecnologia digital para garantir uma resposta 
adequada às futuras pandemias, mas cujo cenário ainda precisa ser melhor compreendido (Feroz; Khoja; 
Saleem, 2021), este artigo tem por objetivo analisar como a saúde digital incidiu no processo de trabalho 
das ACS durante a pandemia de covid-19. 
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, que buscou compreender os sentidos, as vivências 
e percepções de mundo das agentes comunitárias de saúde em três municípios do Nordeste brasileiro 
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 4-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
acerca da realidade social das reconfigurações dos processos de trabalho, diante do uso da saúde digital no 
contexto da pandemia da covid-19. Os dados da pesquisa foram produzidos do período compreendido de 
janeiro de 2020 a agosto de 2021.
Este trabalho faz parte da pesquisa “Análise de modelos e estratégias de vigilância em saúde da 
pandemia da covid-19 (2020-2022)”, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Saúde 
Coletiva da Universidade Federal da Bahia. O estudo obedeceu às exigências conforme as resoluções CNS/
MS nº 466/12 e nº 510/16.
Locais do estudo 
Para o local da pesquisa foram escolhidos os três maiores municípios de um estado brasileiro, 
denominados aqui como C1, C2 e C3, apresentando as seguintes características conforme Tabela 1.
Tabela 1 – Perfil dos municípios do estudo
Município IDHMi
2010
Cobertura da ABii 
para o ano de 2020
Cobertura da ESFiii 
para o ano de 2020
Cobertura de ACSiv 
para o ano de 2020
C1 0,759 45,31% 34,71% 26%
C2 0,678 59,24% 48,48% 89%
C3 0,712 77,93% 67,33% 68%
Fonte: e-gestor, dados de janeiro de 2020.
Notas: i IDHM: índice de desenvolvimento humano municipal; iiAB: atenção básica; iiiESF: estratégia de saúde da família; 
ivACS: agente comunitário de saúde.
A cobertura municipal dos serviços de atenção básica, no período estudado, apresentou variações 
significativas entre os municípios. No município C1 no ano de 2020, período de início da pesquisa, houve 
uma cobertura da atenção básica de 45,31% e de 34,71% da estratégia de saúde da família. Este município 
apresentava uma organização administrativa da Secretaria Municipal de Saúde, com 12 distritos sanitários. 
Em 2020, havia cinco equipes de consultório na rua (CR), 155 unidades de atenção primária à saúde, 46 
unidades básicas de saúde da família (USF) e 109 unidades básicas de saúde (UBS) com estratégia de saúde 
da família (ESF), constituída por 102 equipes de saúde da família. 
O município C2, enquanto referência para a macrorregião de saúde, apresentava uma ampla rede de 
serviços que abrange os diferentes níveis de atenção à saúde. Em 2020, apresentava uma cobertura de 
59,24% da atenção básica e 48,48% de estratégia de saúde da família. O município contava com o número 
de 12 equipes de saúde da família (EqSF), distribuídas em 33 UBS.
O município C3, em 2020, contava com uma cobertura de 77,93% da atenção básica e 67,33% de 
estratégia de saúde da família. Vale destacar que esse município congrega cinco regiões de saúde e no 
período contava com 17 EqSF, distribuídas em 33 UBS.
Quanto à taxa de cobertura de ACS em 2020, o município C1 variou de 24,96% para 26,90% (não 
necessariamente em ordem crescente). Em C2 variou de 87,19% a 90,39%. E, em C3, oscilou entre 60,88% e 
75,47% (não necessariamente em ordem crescente). 
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 5-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
Caracterização geral das participantes da pesquisa 
Para a seleção das participantes, foram considerados os seguintes critérios de inclusão: atuar nos 
distritos que compõem o cenário do estudo, não estar de férias ou de licença no período de investigação. 
Apesar de tratar a categoria de ACS no gênero feminino, houve a participação de homens na pesquisa. 
Assim, o gênero masculino não se constituiu como um critério de exclusão.
Foram entrevistadas 17 agentes comunitárias de saúde, das quais foram selecionadas 11 no município 
C1; três do gênero masculino no município C2 lotados em duas USF da zona rural e um em uma USF da zona 
urbana; e três no município C3, distribuídos em duas USF da zona rural e uma de USF/US na zona urbana. 
As ACS, em sua grande maioria, eram do gênero feminino, com raça/cor preta, escolaridade distribuída 
de maneira uniforme entre ensino médio e superior, e atuavam em unidades de saúde da família. A maior 
parcela tem variação de tempo de serviço entre 15 e 20 anos, conforme descrito na Tabela 2
Tabela 2 – Características gerais das entrevistadas nos três municípios estudados
(continua)
Agentes comunitárias de saúde
Variáveis
Municípios n (%)
C1 (11) C2 (3) C3 (3) 17 (100%)
Gênero
Feminino 9 2 3 14(83,3%)
Masculino 2 1 0 3 (16,7%)
Raça/cor
Preta 10 2 2 14 (83,3%)
Parda 1 1 1 3 (16,7%)
Branca 0 0 0 0
Idade
20-29 anos 0 0 0 0
30-39 anos 2 2 1 5 (24,4%)
40-49 anos 4 1 1 6 (35,3%)
50-59 anos 5 0 1 6 (35,3%)
Escolaridade
Ensino fundamental 0 0 0 0
Ensino médio 6 2 1 9 (53%)
Ensino superior 5 1 2 8 (47%)
Serviço de saúde em que atua
Unidade Básica de Saúde 1 0 0 1 (5,9%)
Unidade de Saúde da Família 10 3 3 16 (94,1%)
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 6-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
Tempo de atuação
Menos de 5 anos 0 0 0 0
Entre 5 e 10 anos 1 0 1 2 (12%)
Entre 10 e 15 anos 0 3 1 4 (23,5%)
Entre 15 e 20 anos 7 0 1 8 (47%)
Acima de 20 anos 3 0 0 3 (16,7)
Fonte: Os autores.
Produção dos dados
A produção dos dados foi realizada mediante entrevistas semiestruturadas, a partir de um roteiro que 
abordava os seguintes aspectos: disponibilidade de equipamentos eletrônicos (celular, tablet, computador, 
telefone fixo); acesso àinternet; uso do telefone celular pessoal para contato com usuários e tipos de 
atividades exercidas com estes instrumentos; alterações na organização do processo de trabalho.
As entrevistas foram realizadas de forma presencial nos municípios C1 e C3, e de forma remota no 
município C2, por meio do software Skype. As entrevistas foram gravadas, transcritas e revisadas, com 
processamento em uma planilha para codificação e, posteriormente, o agrupamento dos excertos 
textuais. À medida que os dados se apresentaram de forma redundante entre os sujeitos entrevistados, foi 
suspensa a necessidade de novas coletas por considerar ter atingido a saturação teórica dos sentidos das 
falas (Minayo, 2004).
A pesquisa documental (Minayo, 2004) foi outra abordagem utilizada para a produção de dados de 
modo a obter identificação e compreensão das recomendações, orientações, notas técnicas e/ou planos 
emitidos pelos três municípios, além de recomendações da Secretaria de Atenção Primária à Saúde 
(SAPS), por meio do Ministério da Saúde (MS), durante o período analisado, cujo conteúdo relacionava-se 
às ações desenvolvidas pelas ACS mediadas pelas tecnologias digitais, para a reorganização de atividades 
específicas no âmbito da APS.
Os dados produzidos foram sistematizados e organizados pela análise de conteúdo em três etapas: 
pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados com sua organização temática (Minayo, 
2004), emergindo as seguintes categorias: a) invisibilidade do trabalho das ACS nos documentos 
orientadores; b) instrumentos materiais e imateriais para o trabalho na saúde digital; e c) trabalho 
mediado por tecnologia. Posteriormente, a interpretação dos achados deu-se pela teoria do processo de 
trabalho em saúde (Ayres; Santos, 2017). 
A teoria do processo de trabalho em saúde (Ayres; Santos, 2017) compreende o trabalho em saúde como 
parte da relação entre capital e trabalho, considerando a complexidade dos contextos de saúde, doença e 
cuidado a partir de sua localização histórica e societária. Este processo é referenciado por disputas em 
relação aos objetos de trabalho, seus meios, finalidades e instrumentos, pautados em necessidades da 
sociedade, do capital, do Estado e da classe trabalhadora, nem sempre explícitas, nem sempre nítidas. 
De forma didática, os objetos (focos sobre os quais incide o trabalho) são as necessidades de saúde, 
circunscritas em contextos amplos e evidenciadas em demandas ou carecimentos; os instrumentos, 
subdivididos em materiais (celular, tablet, internet), ou imateriais (conhecimentos formal ou informal 
(conclusão)
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 7-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
relacionado ao trabalho), agente (o trabalhador que operacionaliza o trabalho); e as condições de trabalho 
(configurações objetivas e subjetivas que imprimem ou não um grau de precarização do trabalho).
Salientamos que, para a apresentação dos resultados nas categorias temáticas, foram selecionados os 
trechos mais expressivos que representavam as proposições e o conjunto de dados.
RESULTADOS
Entre o prescrito e o real: o trabalho das ACS com a saúde digital sob a escassez 
orientativa institucional 
Entre os documentos analisados (Quadro 1), identificaram-se apenas dois no âmbito federal, uma nota 
técnica dos municípios C1 e C2 e nenhuma referência no município C3.
Sumário do conteúdo propositivo quanto ao trabalho das ACS com referência ao uso 
das tecnologias digitais, em normativas do Ministério da Saúde e dos municípios de 
janeiro de 2020 a agosto de 2021
Local Fonte de evidências Processo de trabalho com o uso das TICsi
Secretaria 
de Atenção 
Primária à 
Saúde do 
Ministério 
da Saúde
Recomendações para adequação das 
ações dos agentes comunitários de saúde 
frente à atual situação epidemiológica 
referente à covid-19 - 1 versão (Brasil, 
2020b).
- Reforçar as orientações e auxiliar a equipe no 
monitoramento dos pacientes em isolamento, 
preferencialmente por telefone.
Orientações gerais sobre a atuação dos 
ACSii frente à pandemia de covid-19 e os 
registros a serem realizados no e-SUSiv 
APSiii (Brasil, 2020a).
- Registro da ficha de visita domiciliar e a de cadastro 
individual in loco.
C1
Nota Técnica-Novo Coronavírus. Nº 
009/2020, de junho de 2020 - Orientações 
para a reorganização do processo de 
trabalho da Atenção Primária à Saúde 
no enfrentamento do Novo Coronavírus 
(covid-19) (Salvador, 2020).
- Uso de tablet para realizar cadastramento dos pacientes por 
meio de aplicativo de mensagens de texto, por meio da oferta 
de chip específico para essa finalidade.
- Uso de canais de comunicação (telefone, e-mail, aplicativo 
de mensagens e outros) para repassar informações de 
cancelamento de consulta, reagendamento, visita.
- Realizar telecadastramento.
- Cumprir a maior parte de sua carga horária de trabalho 
dentro da unidade de saúde, contribuindo com o 
planejamento da equipe, organização das agendas, 
atendimento telefônico e respondendo aplicativo de 
mensagens, além de acolhimento e busca ativa de maneira 
remota.
C2 Nota técnica emitida em julho de 2021 
(Vitória da Conquista, 2020). - Digitação da ficha de notificação do sistema covid.
C3 Plano Municipal de Contingência. - Não faz referência ao trabalho das ACSii
Fonte: Os autores, com base em documentos da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde e aqueles 
disponibilizados em sites municipais.
Nota: i TICS: Tecnologias de informação e comunicação; iiACS: Agente Comunitário de Saúde; iiiAPS: Atenção Primária à Saúde; 
ivSUS: Sistema Único de Saúde.
Quadro 1 − 
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 8-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
Ressalta-se que, nos documentos examinados em âmbito federal, quanto às recomendações e 
orientações para o trabalho das agentes com o uso da tecnologia, não há um direcionamento claro que 
fortaleça e apoie seus esforços frente à pandemia. O mesmo aconteceu para todos os municípios analisados. 
O processo de trabalho das ACS se mostrou pouco visível em tais documentos, o que forçou ajustes de 
forma experimental pelas trabalhadoras na rotina do trabalho ao longo de todo período pandêmico. 
Ainda que o município C1 tenha apresentado orientações para a reorganização do processo de trabalho 
com a utilização das ferramentas digitais, elas não foram suficientes para apoiar as novas condições da 
realidade digital e da covid-19, pois não contemplam um conjunto de atribuições que as ACS realizam e 
as deficiências estruturais inseridas nos territórios. O município C2 com apenas uma menção quanto ao 
trabalho mediado pela tecnologia digital, se aproxima mais de uma visão instrumental de indicadores em 
saúde do que do trabalho na pandemia. 
De modo geral, para o Governo Federal e os municípios C1 e C2, observam-se normativas sobre os 
sistemas de informação, digitalização dos dados, telemonitoramento ou uso de aplicativos de mensagens. 
Contudo, de forma superficial, que não orienta para uma reorganização do trabalho de modo a garantir 
um cuidado centrado no usuário, segundo as necessidades territoriais. 
Já no município C3, não houve documentos que nortearam o trabalho dos ACS, para nenhuma 
dimensão, o que de forma objetiva posiciona o trabalho das ACS em um trabalho sem normatização e 
orientação junto a gestão, o que pode ter levado a impactos negativos na rotina de trabalho. 
Assim, como observado, os materiais prescritos apontam para uma invisibilidade do trabalho das ACS 
nos documentos institucionais analisados, o que pode ter gerado uma capacidade de adaptação, ou não, 
no trabalho real, como será discutido abaixo.
Instrumentos materiais eimateriais para o trabalho na saúde digital
Quanto aos instrumentos materiais para desempenhar suas atividades, ressalta-se a pouca ou 
nenhuma garantia de equipamentos digitais para o trabalho das ACS, o que resultou na interrupção do 
trabalho durante um certo período da pandemia nos três municípios analisados. 
Embora no município C1 houvesse a menção pelas entrevistadas da aquisição de equipamentos, 
se mostraram insuficientes os quantitativos de aparelhos telefônicos, computadores ou tablets para 
comunicação remota com usuários. Cabe ressaltar que os tablets foram adquiridos antes do período 
pandêmico, provavelmente em outro contexto de digitalização da APS. Nos documentos analisados, C1 foi 
o município que apresentou maiores recomendações quanto ao uso da tecnologia para apoiar o trabalho 
das ACS, conforme apresentado no Quadro 1.
O município C2, apesar de possuir um documento que faz menção a atribuições com o uso de 
equipamento tecnológico, nas entrevistas não é possível captar a referência de aquisição de materiais 
ou conexões (telefônicas e internet) para a sua realização. Ainda que o município C3 não tenha emitido 
documentos que fizessem referência ao trabalho das ACS durante o período pandêmico, também não há 
menção, por parte das entrevistadas, à aquisição de equipamentos tecnológicos ou ao restabelecimento 
de conexões. 
Essas condições acarretaram no uso de equipamentos pessoais para o cumprimento das atribuições 
nos três municípios estudados, bem como evidenciam um contexto de precariedade digital das unidades:
“[...] sempre uso meu telefone pessoal, tanto que nossas visitas hoje ainda continuam sendo restritas 
e aí a maioria delas é feita com telefone e pelo WhatsApp [...]” (ACS1C1).
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 9-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
“[...] Até que recebemos um aparelho em meados do ano passado que seria utilizado para isso, mas 
o aparelho não durou muito tempo na unidade” (ACS4C2).
“[...] Inclusive na unidade nem tem telefone fixo, que está quebrado e aqui não tem sistema 
eletrônico, a gente não tem disponibilidade de sistema. Só os ACS têm o trabalho com os tablets; 
tirando essa parte a gente não tem. A unidade não dispõe de sistema para atender os usuários. No 
caso, imprimir um cartão do SUS, a gente tem que ir pra Secretaria de Saúde ou uma policlínica. 
No caso de lançar os dados aqui da unidade, os dados dos trabalhadores, as fichas são digitadas 
na Secretaria de Saúde, aqui na unidade não tem como digitar” (ACS5C3).
Quanto ao acesso e à qualidade da internet, que são essenciais para a operacionalização das atividades 
na saúde digital, percebe-se uma fragilidade na aquisição, na disponibilidade e na qualidade do acesso, 
destaque nas entrevistas nos municípios C1 e C3. 
“[...] Não tem internet, não tem internet disponível na USF” (ACS6C1)
“[...] Bem ruim. Tem internet, mas o sinal nem todo dia funciona” (ACS3C3).
Os discursos apontam também para um cenário de intensificação do trabalho mediado pela saúde 
digital, bem como o não reconhecimento das novas atribuições e das horas extras trabalhadas pela gestão, 
devido ao uso rotineiro do aparelho telefônico de uso pessoal. 
“[...] eu sento em frente ao computador às 8 da manhã e só saio às 12 horas para almoçar. Sento à 1 
hora, só saio às 4 horas. Muitas vezes é cansativo com a gente, porque nós não fomos treinados, quer 
dizer não fomos contratados para isso. E a questão do sindicato é desvio de função, mas a prefeitura 
não está nem aí. [...] Eu não faço as mesmas funções, eu estou fazendo outras funções, entendeu? Mas 
com a mesma carga horária. [...] é uma sobrecarga, está todo mundo sobrecarregado” (ACS7C1).
“[...] Houve nesse sentido de que hoje a gente não tem um horário fixo. No início você me perguntou 
qual a minha carga horária, e eu lhe disse que são 40 horas, eu brinco com os meninos lá no posto 
que não são 40, são 24 horas por dia. Porque hoje, com acesso ao WhatsApp, a gente não tem mais 
horário determinado. A gente não tem mais horário pré-definido. Paciente manda mensagem às 6 
horas da manhã, e 11 horas da noite. Sábados, domingos e feriados [...]” (ACS4C2).
Trabalho mediado por tecnologia e o futuro da profissão ACS: entre o agente, o objeto 
e as novas finalidades
A pandemia de covid-19 parece ter causado rupturas e avanços no trabalho das ACS, que o desloca de 
sua finalidade última, que é estar no território em contato presencial com os usuários, servindo como elo 
de ligação entre comunidade e equipe de saúde. Ao mesmo tempo que suas atividades foram reduzidas ou 
canceladas, foram acrescidos novos arranjos para viabilizar o contato entre o usuário e a equipe de saúde 
das unidades de APS, por meio das tecnologias digitais. O que se percebe nos municípios estudados é que 
a pandemia fez emergir atribuições associadas às tecnologias digitais até então pouco debatidas no esteio 
da APS para as ACS. 
Todavia, alguns desafios, relativos à viabilidade e aceitabilidade da utilização de ferramentas digitais 
para as ACS durante a pandemia de covid-19, condizem por um lado com uma preocupação quanto à 
ampliação de acesso em tempo real à equipe de saúde da família pelos usuários, sendo este um objeto 
nuclear do ser ACS. Ora, sendo esta uma das suas principais atribuições territoriais, o elo entre comunidade 
e Estado; por outro, expõe as ACS em uma realidade digital não esperada na origem do seu trabalho, 
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 10-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
ressoando em questionamentos como: qual o futuro da minha profissão? Estas questões são destaque nas 
entrevistas do município C1.
"[...] tinha pacientes que a gente sabia que não estavam bem e pacientes que tiveram covid que 
os médicos monitoravam com a videochamada pelo tablet. E foi adotado também o sistema de 
marcação, um telessaúde para que nossos pacientes não ficassem aglomerados no pátio da unidade, 
esperando para agendar consulta, para limitar esse contato; aí foi criado um WhatsApp, que é o 
teleatendimento. Por ele, o paciente, ele sinaliza, por escrito, qual é o tipo de serviço de que ele está 
precisando, se o atendimento é com médico ou enfermeira [...]" (ACS7C1).
"[...] o trabalho do ACS está cada vez mais ficando meio que para escanteio, porque, por exemplo, 
colocar, eu sei que o WhatsApp é uma ferramenta que facilita, né? Mas, por exemplo, se ele já tem 
essa interação de poder conversar com o médico, com a enfermeira, a função nossa agora, neste 
momento, não é? Que função a gente tem, né? Qual é o papel da gente agora, né? Já que ele já tem 
uma interlocução, um WhatsApp que dá essa interlocução com ele, com o médico, pra entender...é 
bom, é positivo, né? Porque às vezes você quer tirar uma dúvida, né, é interessante, mas sim e aí o 
nosso papel agora, nesse momento, nessa conjuntura, qual é, né? [...] Então eu acho que cada vez 
mais o nosso trabalho vai perdendo um pouco assim da característica que é o essencial, né? [...]" 
(ACS8C1).
Os discursos acima acionam sentidos e símbolos da transformação do trabalho de ACS que convergem 
para uma nova organização de controle dos seus saberes e fazeres. A saúde digital provoca o surgimento de 
um trabalho que passa a ser mediado por tecnologia não apenas para a produção de indicadores, como o 
tablet se mostrava outrora, mas para a concretização do trabalho territorial e nos domicílios dos usuários, 
em novas possibilidades de cuidado em saúde com telemonitoramento, televigilância e teleconsulta. 
"[...] eu fui uma das responsáveis pela manutenção do grupo do WhatsApp e pela cobrança dos 
monitoramentos dos colegas. Eu fui responsável também,por coletar as informações dos colegas e 
alimentar o sistema. Então, assim, foram ampliadas atribuições nesse sentido” (ACS9C1).
"[...] no início, a gente ficou um pouco sem fazer a visita domiciliar direta com o paciente, adentrando 
a casa tal, mas em alguns casos específicos a gente tinha que fazer por conta da necessidade do 
paciente. Então se paramentava com aqueles negócios todos e a gente ia com o celular [...] fazia 
uma videochamada né, para o médico que estava na unidade e de acordo com o que o médico via no 
ambiente, a gente filmava tudo, o paciente, as condições, o que a pessoa cuidava do paciente dizia 
sobre o paciente e aí dependendo da necessidade teve casos que o médico também teve que se deslocar 
para poder ir [...]" (ACS10C2).
"[...] Esse atendimento remoto, esse grupo de WhatsApp, essas informações via status, via Facebook, 
eu acho que é algo que a gente construiu durante a pandemia e a gente provavelmente não vai perder 
nunca mais" (ACS8C1).
DISCUSSÃO
Os resultados desta pesquisa apontam a historicidade do trabalho em saúde que precisa se adaptar às 
necessidades de saúde dos usuários que também são históricos (Ayres; Santos, 2017). Estudos apontam 
que a pandemia de covid-19 foi disruptiva para os usos das ferramentas da saúde digital na APS do Brasil, 
com incidência significativa, sobretudo, no trabalho das ACS que tiveram que adaptar seu trabalho para 
uma realidade digital, de forma experimental, sem orientações dos gestores públicos (Celuppi et al., 
2021; Modolo; Carvalho; Dias, 2023). Assim, compreende-se que tal conjuntura foi disparadora de novas 
conformações do processo de trabalho das ACS, perpassando todos os seus elementos constituintes: agente, 
objeto, instrumentos, finalidade e condições de trabalho (Ayres; Santos, 2027; Feroz; Khoja; Saleem, 2021).
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 11-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
Quanto aos instrumentos para o trabalho, a pouca disponibilidade dos materiais tecnológicos, com 
qualidade e eficiência é reveladora de uma saúde digital ainda pouco amadurecida nos serviços que 
compõem a APS. Apesar das políticas públicas anteriores terem caminhado para a informatização da 
saúde nesse nível de atenção, o fomento à informatização estrutural, pouco avançou na digitalização 
dos processos de trabalho (Bender et al., 2024; Gontijo et al., 2021). Como consequência, o resultado 
é a precarização das condições de trabalho sob a égide do “pagar para trabalhar” quando os próprios 
trabalhadores assumem os custos associados ao seu processo de trabalho, como utilizar celular e internet 
pessoal para desenvolver ações relacionadas ao telemonitoramento e televigilância (Gontijo et al., 2021; 
Santos et al., 2024). 
Adicionalmente, o amplo acesso das tecnologias digitais móveis reforça a linha do trabalho 
ininterrupto, característico tanto de uma intensificação do trabalho quanto por novas demandas, em que 
o cenário pandêmico fez emergir atribuições associadas às tecnologias digitais sem o aporte crítico para o 
trabalho comunitário e territorial das ACS. Tal fato chama atenção para uma descaracterização da prática 
rotineira das atribuições das ACS com a interrupção das ações comunitárias, como a de visita domiciliar e 
territorialização, em favor de atividades administrativas, como marcação de consultas, coleta de dados e 
repasse de informações (França et al., 2023).
Assim, percebe-se que o processo de trabalho das ACS buscou não apenas responder com resiliências 
novas necessidades em saúde, mas provocou o surgimento de novas necessidades para o seu trabalho 
dentro de uma lógica utilitarista do modelo capital-trabalho aqui entendendo os referenciais de consumo, 
geração de valor e trocas materiais e imateriais (Ayres; Santos, 2017) . 
O uso intensivo de aparelhos tecnológicos condiciona uma nova implicação para a qualidade de vida 
das agentes que pode ter reflexos negativos sobre o prazer e um aumento da carga de trabalho (Lima, 
2022). Haja vista que, além das ACS morarem na comunidade em que trabalham, sendo interceptadas 
pelos moradores em qualquer espaço do território, a saúde digital amplia a possibilidade de interceptação 
por mensagens a qualquer momento.
Chama atenção que o uso da saúde digital na pandemia da covid-19 não foi associado à necessária 
educação permanente das ACS, que possibilitasse adquirirem competências digitais e cognitivas, ou 
seja, imateriais, para fundamentar a reorganização do seu processo de atuação nos territórios (Ayres; 
Santos, 2017) da APS (Méllo et al., 2021; Farias; Trott; Viola, 2023), o que pode ter gerado prejuízos para 
o seu trabalho e baixo interesse no uso da ferramenta. Essa ausência contribui para o desenvolvimento 
de práticas desarticuladas o que, consequentemente, interfere na efetividade das suas atividades em 
torno do seu objeto de trabalho, que são as necessidades de saúde da população (Ayres; Santos, 2017) . A 
introdução de novos dispositivos requer treinamento adequado para garantir competência tecnológica 
suficiente para seu uso e manuseio com responsabilidade, criticidade e eficiência, como demonstrado por 
outros autores (Blondino et al., 2024). 
Por outro lado, cabe destacar uma preocupação quanto ao deslocamento da mediação presencial do 
trabalho para o virtual (Santos et al., 2023), com implicações para o vínculo comunitário. Os atributos de 
competência cultural, orientação comunitária e a construção de vínculos, inerentes aos saberes e fazeres 
das ACS, são imprescindíveis para a efetiva mudança nos processos do cuidado, prevenção e promoção 
da saúde da população (Giovanella; Mendonça, 2014). Segundo o estudo de Abreu e colaboradores (2020), 
fazem-se necessárias recomendações que não apenas validem o seu uso, mas que se comprometam com a 
equidade, sustentabilidade e avaliação das ações apoiadas pela tecnologia.
Os resultados aqui discutidos, enquanto avanços no cenário de pandemia da covid-19 para o trabalho 
das ACS com a saúde digital, dão pistas sobre uma nova morfologia do trabalho dessas trabalhadoras 
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 12-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
que se insere em uma nova realidade digital. Percebe-se, nos discursos, a possibilidade de ampliação 
da cobertura assistencial e as alternativas à educação em saúde dos usuários, demonstrando ganhos 
potenciais para o sistema de saúde (Santos et al., 2023). 
No entanto, no processo de trabalho das ACS também houve rupturas. O contato próximo e relacional 
que as ACS têm com a comunidade em seus territórios reconfigurados para um contato remoto acarretou 
dúvidas sobre o futuro desta profissão no SUS, que precisa ser melhor compreendida por outras análises. 
As ACS estão atravessadas por tensões sociais sobre os rumos do seu trabalho, que é questionado por 
uma ala conservadora da gestão, inclusive vislumbrando cenários de inexistência dessa profissão (Méllo; 
Santos; Alburquerque, 2023). Assim, é estratégico reconhecer quais oportunidades se abrem em torno 
desse trabalho com a saúde digital e quais riscos se impõem não apenas para os atributos da APS, e 
princípios do SUS, mas para a própria sustentabilidade da profissão (Santos et al., 2023).
De modo geral, frente aos desafios impostos pela pandemia, a saúde digital, ainda que reconhecida 
como uma ferramenta importante para a manutenção das atividades, revelou fragilidades na sua 
operacionalização para o processo de trabalho das ACS, nos três municípios estudados. 
A adoção da saúde digital no contexto da APS no Brasil é um processo complexo e de grande magnitude, 
pois exige investimento por parte dos gestores, desde recursos tecnológicos atéprocessos permanentes 
de educação para o desenvolvimento de competências e habilidades no uso dessas ferramentas para 
o trabalho (Silva et al., 2018). A recente criação de uma Secretaria de Informação e Saúde Digital no 
Ministério da Saúde, bem como o lançamento do programa de transformação digital do SUS, sinaliza uma 
continuidade nas transformações do trabalho em saúde das ACS. Todavia, questões importantes precisam 
ser normatizadas e regulamentadas pelos governos com aporte logístico, financeiro e político para a 
efetivação da saúde digital (Santos et al., 2024) na APS, que permita o desenvolvimento de um trabalho 
digno e decente, e que garanta acima de tudo, ações humanizadas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados deste estudo demonstram avanços, rupturas e continuidades provocadas pela saúde 
digital no processo de trabalho das ACS no contexto de pandemia da covid-19. Por um lado, pode ser 
percebida como uma ferramenta importante para potencializar o conhecimento das ACS sobre seu 
território e a sua capacidade de conexão com a comunidade. Mas, por outro, pode revestir as agentes 
comunitárias de uma nova morfologia de precarização do trabalho.
Aponta-se que o processo de trabalho das ACS sofreu reconfigurações na pandemia de covid-19 na 
medida em que se intensificou o uso das ferramentas digitais. As péssimas condições de trabalho em 
torno das tecnologias e a ausência da educação permanente das ACS para seu uso foram os principais 
condicionantes dessa conjuntura que pode ter incidido de forma negativa não apenas nos cuidados em 
saúde, mas na própria segurança e legitimidade social da categoria. 
Futuros esforços de investigação e diálogo político devem ser direcionados para explorar a prontidão do 
sistema de saúde para formar as ACS em soluções básicas de saúde digital, melhorar o fluxo de trabalhos 
e o desempenho destes em resposta às futuras pandemias.
Quanto às limitações do estudo, cabe destacar que os achados aqui estão concentrados em um único 
estado do Nordeste, com pouca variabilidade dos municípios incluídos, sendo os três de grande porte. Mas, 
considera-se que esta pesquisa seja um disparador para futuras análises, que comportem a complexidade 
territorial e geográfica do Brasil.
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 13-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
REFERÊNCIAS
ABREU, Francisco Douglas Lima et al. Percepções dos agentes comunitários de saúde sobre as tecnologias 
de informação e comunicação na atenção primária à saúde: uma pesquisa exploratória. Humanidades 
& Inovação, Palmas, v. 7, n. 5, p. 32-45, 2020. Disponível em: https://revista.unitins.br/index.php/
humanidadeseinovacao/article/view/2720. Acesso em: 30 jan. 2026. 
AYRES, José Ricardo; SANTOS, Liliana. Saúde, sociedade e história: Ricardo Bruno Mendes-Gonçalves. Porto 
Alegre: Rede Unida, 2017.
BENDER, Janaína Duarte et al. O uso de Tecnologias de Informação e Comunicação em Saúde na Atenção 
Primária à Saúde no Brasil, de 2014 a 2018. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 29, n. 1, p. e19882022, 
2024. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232024291.19882022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/
csc/a/RMGFtwjzx55kFM4fNNZtgCy/?lang=pt. Acesso em: 5 maio 2024.
BLONDINO, Courtney T. et al. The use and potential impact of digital health tools at the community level: 
results from a multi-country survey of community health workers. BMC Public Health, London, v. 24, n. 1, 
p. 650, 2024. DOI: https://doi.org/10.1186/s12889-024-18062-3. Disponível em: https://link.springer.com/
article/10.1186/s12889-024-18062-3. Acesso em: 30 jan. 2026. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Covid-19 no Brasil. Brasília, DF: Ministério da Saúde, c2024. Disponível em: 
https://infoms.saude.gov.br/extensions/covid-19_html/covid-19_html.html. Acesso em: 30 mar. 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Orientações gerais sobre a atuação do ACS frente à pandemia de covid-19 
e os registros a serem realizados no e-SUS APS. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020a. Disponível em: 
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/esus/Orientacoes_ACS_COVID_19.pdf/. Acesso em: 
4 maio 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Recomendações para adequação das ações dos agentes comunitários de saúde 
frente à atual situação epidemiológica referente à covid-19. Brasília, DF: Secretaria de Atenção Primária, 
2020b. Disponível em: https://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/files/Recomenda%20ACS%20COVID19.
pdf. Acesso em: 4 maio 2024.
CELUPPI, Ianka Cristina et al. Uma análise sobre o desenvolvimento de tecnologias digitais em saúde para o 
enfrentamento da covid-19 no Brasil e no mundo. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 37, n. 3, p. 
e00243220, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311X00243220. Disponível em: https://www.scielo.br/j/
csp/a/rvdKVpTJq8PqTk5MgTYTz3x/. Acesso em: 2 maio 2024.
DURÃO, Anna Violeta. A naturalização do feminino no programa de agentes comunitários de saúde no 
Brasil. Revista Trabalho Necessário, Niterói, v. 19, n. 38, p. 176-195, 2021. DOI: https://doi.org/10.22409/
tn.v19i38.47128. Disponível em: https://periodicos.uff.br/trabalhonecessario/article/view/47128. Acesso em: 
22 jan. 2026.
FARIAS, Hannah Shiva Ludgero; TROTT, Luna Cassel; VIOLA, Bárbara Magalhães. O agente comunitário de 
saúde na covid-19: análise dos planos de contingência da região Nordeste do Brasil. Trabalho, Educação e 
Saúde, Rio de Janeiro, v. 21, p. e02163225, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-7746-ojs2163. Disponível 
em: https://www.scielo.br/j/tes/a/V45hTRmhkr54PwLkCfTxvTq/?lang=pt. Acesso em: 6 maio 2024.
FEROZ, Anam Shahil; KHOJA, Adeel; SALEEM, Sarah. Equipping community health workers with digital 
tools for pandemic response in LMICs. Archives of Public Health, London, v. 79, p. 1-4, 2021. DOI: https://
doi.org/10.1186/s13690-020-00513-z. Disponível em: https://archpublichealth.biomedcentral.com/
articles/10.1186/s13690-020-00513-z. Acesso em: 05 maio 2024.
FRANÇA, Camila de Jesus et al. Características do trabalho do agente comunitário de saúde na pandemia de 
covid-19 em municípios do Nordeste brasileiro. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 28, p. 1399-1412, 
2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232023285.18422022. Disponível em: https://www.scielosp.org/
article/csc/2023.v28n5/1399-1412/. Acesso em: 5 maio 2024.
GILMORE, Brynne et al. Community engagement for covid-19 prevention and control: a rapid evidence 
synthesis. BMJ Global Health, London, v. 5, n. 10, p. e003188, 2020. DOI: https://doi.org/10.1136/
bmjgh-2020-003188. Disponível em: https://gh.bmj.com/content/5/10/e003188. Acesso em: 28 abr. 2024.
GIOVANELLA, Lígia; MENDONÇA, Maria Helena Magalhães de. Atenção primária à saúde. In: GIOVANELLA, 
Lígia et al. (org.). Políticas e sistema de saúde no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2014. p. 493-545.
https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/2720
https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/2720
https://doi.org/10.1590/1413-81232024291.19882022
https://www.scielo.br/j/csc/a/RMGFtwjzx55kFM4fNNZtgCy/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/csc/a/RMGFtwjzx55kFM4fNNZtgCy/?lang=pt
https://doi.org/10.1186/s12889-024-18062-3
https://link.springer.com/article/10.1186/s12889-024-18062-3
https://link.springer.com/article/10.1186/s12889-024-18062-3
https://infoms.saude.gov.br/extensions/covid-19_html/covid-19_html.html
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/esus/Orientacoes_ACS_COVID_19.pdf/
https://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/files/Recomenda%20ACS%20COVID19.pdf
https://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/files/Recomenda%20ACS%20COVID19.pdf
https://doi.org/10.1590/0102-311X00243220
https://www.scielo.br/j/csp/a/rvdKVpTJq8PqTk5MgTYTz3x/
https://www.scielo.br/j/csp/a/rvdKVpTJq8PqTk5MgTYTz3x/
https://doi.org/10.22409/tn.v19i38.47128https://doi.org/10.22409/tn.v19i38.47128
https://periodicos.uff.br/trabalhonecessario/article/view/47128
https://doi.org/10.1590/1981-7746-ojs2163
https://www.scielo.br/j/tes/a/V45hTRmhkr54PwLkCfTxvTq/?lang=pt
https://doi.org/10.1186/s13690-020-00513-z
https://doi.org/10.1186/s13690-020-00513-z
https://archpublichealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s13690-020-00513-z
https://archpublichealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s13690-020-00513-z
https://doi.org/10.1590/1413-81232023285.18422022
https://www.scielosp.org/article/csc/2023.v28n5/1399-1412/
https://www.scielosp.org/article/csc/2023.v28n5/1399-1412/
https://doi.org/10.1136/bmjgh-2020-003188
https://doi.org/10.1136/bmjgh-2020-003188
ttps://gh.bmj.com/content/5/10/e003188
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 14-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
GONÇALVES, Ricardo Bruno. Mendes. Práticas de Saúde: processos de trabalho e necessidades. São Paulo: 
Centro de Formação dos Trabalhadores em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde, 1992. (Cadernos Cefor - 
Textos, 1).
GONTIJO, Tarcísio Laerte et al. Computerization of primary health care: the manager as a change 
agent. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, DF, v. 74, n. 2, p. e20180855, 2021. DOI: https://doi.
org/10.1590/0034-7167-2018-0855. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/Z7HYpNdyGkssm9mWrd
m9Ryx/?lang=en. Acesso em: 5 maio 2024.
ISERSON, Kenneth V. Augmenting the disaster healthcare workforce. Western Journal of Emergency Medicine, 
Irvine, v. 21, n. 3, p. 490-496, 2020. DOI: https://doi.org/10.5811/westjem.2020.4.47553. Disponível em: https://
www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7234719/. Acesso em: 05 maio 2024.
LIMA, Monica Silva de. Tecnologia e precarização da saúde do trabalhador: uma coexistência na era digital. 
Serviço Social & Sociedade, São Paulo, n. 144, p. 153-172, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/0101-6628.285. 
Disponível em: https://www.scielo.br/j/sssoc/a/Ct3tfjQXHZYHWyjwxQ5hXTt/. Acesso em: 12 maio 2024.
MALINVERNI, Cláudia et al. O papel dos agentes comunitários de saúde no enfrentamento da pandemia de 
covid-19: o caso de Peruíbe, São Paulo, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 28, p. 3543-3552, 
2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-812320232812.06212023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/
csc/a/sCPfYx3y56NqMhJzsRcBPFy/. Acesso em: 02 maio 2024.
MÉLLO, Lívia Milena Barbosa de Deus e et al. Agentes comunitárias de saúde: práticas, legitimidade e 
formação profissional em tempos de pandemia de covid-19 no Brasil. Interface – Comunicação, Saúde, 
Educação, Botucatu, v. 25, supl. 1, p. e210306, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/interface.210306. Disponível 
em: https://www.scielo.br/j/icse/a/F8wfx8yHPyYnQYfcG69zKxf/. Acesso em: 28 abr. 2024.
MÉLLO, Lívia Milena Barbosa de Deus e; SANTOS, Romário Correia dos; ALBUQUERQUE, Paulette Cavalcanti 
de. Agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19: scoping review. Saúde em Debate, Rio de 
Janeiro, v. 46, n. spe1, p. 368-384, 2022a. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-11042022E125. Disponível em: 
https://www.scielo.br/j/sdeb/a/CVbMJsGSNHnMKbSBTX6LL8L. Acesso em: 5 maio 2024.
MÉLLO, Lívia Milena Barbosa de Deus e; SANTOS, Romário Correia dos; ALBUQUERQUE, Paulette Cavalcanti 
de. Agentes comunitárias de saúde com ensino superior: normas, saberes e currículo. Trabalho, Educação e 
Saúde, Rio de Janeiro, v. 20, p. e00517188, 2022b. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-7746-ojs517. Disponível 
em: https://www.scielo.br/j/tes/a/SVbhqv5XCktLhtpHbzrQvLQ/. Acesso em: 28 abr. 2024. 
MÉLLO, Lívia Milena Barbosa de Deus e; SANTOS, Romário Correia dos; ALBUQUERQUE, Paulette Cavalcanti 
de. Agentes comunitárias de saúde e a busca do ensino superior: motivações e implicações para a profissão. 
Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 33, p. e33083, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-
7331202333083. Disponível em: https://www.scielo.br/j/physis/a/dhf9QdnHVxjZGSFDDn4Vcwk/?lang=pt. 
Acesso em: 6 maio 2024.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8. ed. São Paulo: 
Hucitec, 2004.
MODOLO, Leandro; CARVALHO, Sergio; DIAS, Thais. Questões da saúde digital para o SUS: a “saúde móvel” e 
a automação algorítmica do saber-poder da medicina. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 32, n. 3, p. e220245pt, 
2023. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-12902023220245pt. Disponível em: https://www.scielo.br/j/
sausoc/a/vHxpLt6LR6MDxJW3yCdrRwt/?lang=pt. Acesso em: 5 maio 2024.
MOURA JÚNIOR, Lincoln de Assis. A Estratégia de saúde digital para o Brasil 2020-2028. Journal of Health 
Informatics, São Paulo, v. 13, n. 1, p. 1-2, 2021. Disponível em: https://www.jhi.sbis.org.br/index.php/jhi-sbis/
article/view/878. Acesso em: 2 jun. 2024.
RACHID, Raquel et al. Saúde digital e a plataformização do Estado brasileiro. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de 
Janeiro, v. 28, n. 7, p. 2143-2153, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232023287.14302022. Disponível 
em: https://www.scielosp.org/article/csc/2023.v28n7/2143-2153/. Acesso em: 2 jun. 2024.
SANTOS, Romário Correia dos et al. Condições de trabalho dos agentes comunitários de saúde em um 
contexto de saúde digital: velhos e novos desafios. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, v. 
28, p. e230548, 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/interface.230548. Disponível em: https://www.scielosp.org/
article/icse/2024.v28/e230548/. Acesso em: 2 maio 2024.
https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0855
https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0855
https://www.scielo.br/j/reben/a/Z7HYpNdyGkssm9mWrdm9Ryx/?lang=en
https://www.scielo.br/j/reben/a/Z7HYpNdyGkssm9mWrdm9Ryx/?lang=en
https://doi.org/10.5811/westjem.2020.4.47553
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7234719/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7234719/
https://doi.org/10.1590/0101-6628.285
https://www.scielo.br/j/sssoc/a/Ct3tfjQXHZYHWyjwxQ5hXTt/
https://doi.org/10.1590/1413-812320232812.06212023
https://www.scielo.br/j/csc/a/sCPfYx3y56NqMhJzsRcBPFy/
https://www.scielo.br/j/csc/a/sCPfYx3y56NqMhJzsRcBPFy/
https://doi.org/10.1590/interface.210306
https://www.scielo.br/j/icse/a/F8wfx8yHPyYnQYfcG69zKxf/
https://doi.org/10.1590/0103-11042022E125
https://www.scielo.br/j/sdeb/a/CVbMJsGSNHnMKbSBTX6LL8L
https://doi.org/10.1590/1981-7746-ojs517
https://www.scielo.br/j/tes/a/SVbhqv5XCktLhtpHbzrQvLQ/
https://doi.org/10.1590/S0103-7331202333083
https://doi.org/10.1590/S0103-7331202333083
https://www.scielo.br/j/physis/a/dhf9QdnHVxjZGSFDDn4Vcwk/?lang=pt
https://doi.org/10.1590/S0104-12902023220245pt
https://www.scielo.br/j/sausoc/a/vHxpLt6LR6MDxJW3yCdrRwt/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/sausoc/a/vHxpLt6LR6MDxJW3yCdrRwt/?lang=pt
https://www.jhi.sbis.org.br/index.php/jhi-sbis/article/view/878
https://www.jhi.sbis.org.br/index.php/jhi-sbis/article/view/878
https://doi.org/10.1590/1413-81232023287.14302022
https://www.scielosp.org/article/csc/2023.v28n7/2143-2153/
https://doi.org/10.1590/interface.230548
https://www.scielosp.org/article/icse/2024.v28/e230548/
https://www.scielosp.org/article/icse/2024.v28/e230548/
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 15-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
SANTOS, Romário Correia dos et al. O uso de tecnologias digitais nas práticas de trabalhadores comunitários 
de saúde: uma revisão internacional de escopo. Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v. 21, p. 
e02146220, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-7746-ojs2146. Disponível em: https://www.scielo.br/j/
tes/a/zPLgc86qj6bLNMd8Vn9Xn6M/. Acesso em: 28 abr. 2024.
SALVADOR. Secretaria Municipal de Saúde. Notas Técnicas. SMS, Salvador, c2020. Disponível em: http://www.
saude.salvador.ba.gov.br/covid/notas-tecnicas/.Acesso em: 4 maio 2024.
SILVA, Talita Ingrid Magalhães et al. Difusão da inovação e-SUS Atenção Básica em Equipes de Saúde 
da Família. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, DF, v. 71, p. 2945-2952, 2018. DOI: https://doi.
org/10.1590/0034-7167-2018-0053. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/R5RGqg3rJJ3ZHxp9Bc95
Nwt/?lang=pt. Acesso em: 6 maio 2024.
VITÓRIA DA CONQUISTA. Plano Municipal de Contingência para Enfrentamento da Infecção Humana pelo 
Novo Coronavírus. Vitória da Conquista: Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, 2020. Disponível 
em: https://sapl.vitoriadaconquista.ba.leg.br/media/sapl/public/documentoacessorio/2020/13141/plano_
municipal_de_contingencia_para_enfrentamento_da_infeccao.pdf. Acesso em: 4 maio 2024.
INFORMAÇÕES EDITORIAIS 
Contribuição dos autores: 
Concepção e desenho do estudo: Camila de Jesus França e Romário Correia dos Santos.
Coleta de dados: Camila de Jesus França e Romário Correia dos Santos.
Análise de dados: Camila de Jesus França, Romário Correia dos Santos, Nilia Maria de Brito Lima Prado, Liliana Santos, Ana Luiza 
Queiroz Vilasbôas e Rosana Aquino.
Revisão crítica do conteúdo intelectual: Camila de Jesus França, Romário Correia dos Santos, Nilia Maria de Brito Lima Prado, Liliana 
Santos, Ana Luiza Queiroz Vilasbôas e Rosana Aquino.
Todos os autores são responsáveis pela redação e revisão crítica do conteúdo intelectual do texto, pela versão final publicada e por 
todos os aspectos legais e científicos relacionados à exatidão e à integridade do estudo.
Declaração de conflito de interesses: os autores declaram que não há conflito de interesse. 
Fontes de financiamento: Este estudo foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), 
por meio da chamada MCTIC/CNPq/FNDCT/MS/SCTIE/Decit nº 07/2020, como parte da pesquisa “Análise de modelos e estratégias 
de vigilância em saúde da pandemia da COVID-19 (2020-2022)”. Além disso, foi concedida bolsa de estudo pela Coordenação de 
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para a autora principal, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde 
Coletiva do Instituto Multidisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia (PPGSC-IMS/UFBA).
Considerações éticas: Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal 
da Bahia, parecer 4.281.848 de 16 de setembro de 2020. 
Agradecimentos/Contribuições adicionais: agradecemos ao grupo de pesquisa do Programa Integrado para Formação e Avaliação 
da Atenção Básica (GRAB) do Instituto em Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, pelo apoio na organização e no 
processamento do corpus analítico. 
Histórico: submetido: 5 jan. 2024 | aceito: 16 maio 2025 | publicado: 27 abr. 2026. 
Processo de avaliação: revisão por pares duplo-cega.
Apresentação anterior: Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) do Instituto Multidisciplinar 
em Saúde da Universidade Federal da Bahia (IMS/UFBA), Defesa: 2023. 
Como citar (ABNT 6023/2018): FRANÇA, Camila de Jesus et al. A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de 
saúde na pandemia de covid-19. RECIIS, Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026. DOI: https://doi.org/10.29397/reciis.v20.4595. Disponível 
em: https://www.reciis.icict.fiocruz.br/index.php/reciis/article/view/4701. Acesso em: [dia mês ano].
Verificação de similaridade: este artigo foi submetido a uma verificação de similaridade 
utilizando o software de detecção de texto iThenticate da Turnitin, através do serviço Similarity 
Check da Crossref.
https://doi.org/10.1590/1981-7746-ojs2146
https://www.scielo.br/j/tes/a/zPLgc86qj6bLNMd8Vn9Xn6M/
https://www.scielo.br/j/tes/a/zPLgc86qj6bLNMd8Vn9Xn6M/
http://www.saude.salvador.ba.gov.br/covid/notas-tecnicas/
http://www.saude.salvador.ba.gov.br/covid/notas-tecnicas/
https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0053
https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0053
https://www.scielo.br/j/reben/a/R5RGqg3rJJ3ZHxp9Bc95Nwt/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/reben/a/R5RGqg3rJJ3ZHxp9Bc95Nwt/?lang=pt
https://sapl.vitoriadaconquista.ba.leg.br/media/sapl/public/documentoacessorio/2020/13141/plano_municipal_de_contingencia_para_enfrentamento_da_infeccao.pdf
https://sapl.vitoriadaconquista.ba.leg.br/media/sapl/public/documentoacessorio/2020/13141/plano_municipal_de_contingencia_para_enfrentamento_da_infeccao.pdf
https://doi.org/10.29397/reciis.v20.4595
https://www.reciis.icict.fiocruz.br/index.php/reciis/article/view/4701
RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4595, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 16-16
FRANÇA, Camila de Jesus et al.
Artigo original | A saúde digital no processo de trabalho das agentes comunitárias de saúde na pandemia de covid-19
Acesso aberto: Este periódico segue o modelo de acesso aberto (Open Acess) e está de acordo 
com a Política de Acesso Aberto ao Conhecimento da Fiocruz. Acesso aberto refere-se a um amplo 
movimento internacional que busca eliminar barreiras financeiras, legais ou técnicas para o acesso 
online gratuito e aberto à literatura de caráter acadêmico ou científico de modo que qualquer 
pessoa possa ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, pesquisar, referenciar ou usar o texto integral 
dos documentos para fins educacionais ou de qualquer outra natureza dentro dos acordos legais. 
Todos os textos constantes da RECIIS são publicados sem cobrança de taxas de submissão ou 
processamento de artigo dos autores (Article Processing Charges – APCs).
Licença de uso: Licença CC BY-NC atribuição não comercial. Com essa licença é permitido acessar, 
baixar (download), copiar, imprimir, compartilhar, reutilizar e distribuir os artigos, desde que para 
uso não comercial e com a citação da fonte, conferindo os devidos créditos de autoria e menção 
à RECIIS. Nesses casos, nenhuma permissão é necessária por parte dos autores ou dos editores.
https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/

Mais conteúdos dessa disciplina