Prévia do material em texto
Artigo 171, CP “Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, a Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. § 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art. 155, § 2º § 2º - Nas mesmas penas incorre quem: Disposição de coisa alheia como própria I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria; Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prom prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias; Defraudação de penhor III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do Fraude na entrega de coisa IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém; Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as conseqüências da lesã valor de seguro; Fraude no pagamento por meio de cheque VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento. § 3º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de eco Estelionato contra idoso § 4 Aplica-se a pena em dobro se o crime for cometido contra idoso.” (acrescido pela Lei 13.228, de 28.12.2015) § 5º Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima for: I - a Administração Pública, direta ou indireta; II - criança ou IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz.” (acrescido pela Lei 13.964, de 24.12.2019)”. Nomen juris: Estelionato Elementos do tipo O capítulo VI, do título II, da parte especial do CP dispõe acerca dos crimes em que o agente utiliza do engodo, da trapaça, da ast nos crimes precedentes, em que a violência, grave ameaça e clandestinidade imperavam. - obter: é o elemento objetivo - significa conseguir. O verbo indica a necessidade de se obter o fim colimado, ou seja, a vantagem - para si ou para outrem: é o elemento subjetivo do tipo, ou seja, o fim colimado pelo agente (conseguir a coisa para si ou para ou - prejuízo alheio: é o elemento normativo do tipo - o prejuízo não pode ser próprio, mas de outrem; - vantagem: é o objeto material, ou seja, qualquer utilidade em favor do agente ou de terceiro; - ilícita: é o segundo elemento subjetivo do tipo, ou seja, é necessário que o agente tenha consciência da ilicitude da vantagem qu consciência, o fato é atípico - Nelson Hungria cita como exemplo a situação do agente que supõe ser credor de determinada pesso dinheiro que julgar ser seu de direito. Neste caso, não haveria estelionato, mas somente art. 345, pois o agente não agiu com dolo afasta o dolo e, como o estelionato não admite a culta, torna o fato atípico); - induzindo: significa levando, ou seja, a fraude é que levará a vítima em erro; - mantendo: significa que a vítima foi levada a erro não provocado, mas quando o agente percebe tal fato, emprega esforço para m - erro: é a falsa percepção da realidade; - mediante artifício: emprego de aparato material para enganar a vítima Ex/ disfarce, cheque falsificado, conto do bilhete premiado - mediante ardil: é a simples conversa enganosa; - mediante qualquer meio fraudulento: o legislador se utiliza da interpretação analógica, ou seja, após o emprego de uma fórmula fórmula pode-se incluir, por ex., o silêncio. Objetividade jurídica tutelada A inviolabilidade patrimonial. Sujeito ativo Qualquer pessoa. Trata-se de crime comum que pode ser praticado por qualquer pessoa. É comum que este crime seja cometido e responsabilizados por estelionato. Sujeito passivo Quem sofre o prejuízo patrimonial. Atenção: a pessoa enganada pode ser diversa daquela que sobre a lesão patrimonial. Neste cas a que sofreu a lesão patrimonial, pois o tipo diz: induzir ou manter em erro alguém, em prejuízo alheio. O meio fraudulento deve ser idôneo a enganar a vítima? Sim, mas o meio para se aferir é que pode gerar discussões. São três as fórmulas: deve ser levada em consideração a prudência o discernimento da vítima em cada caso em concreto. A jurisprudência posicionou-se no sentido de que deva ser analisado o discern vista as condições da vítima. Entretanto, deve-se observar que haverá crime impossível, por absoluta ineficácia do meio, quando o Tipo subjetivo O tipo subjetivo é o dolo, ou seja, o querer ou assumir o risco de produzir um resultado naturalístico. O dolo deve ser precedente, empregar fraude. Finalmente, como já foi exposto, o dolo deve ser de obter vantagem ilícita. Consumação Com a obtenção da vantagem ilícita patrimonial. Trata-se de crime material em que o alcance do resultado é indispensável para a Tentativa A tentativa deve ser analisada em dois momentos: - quando o agente emprega a fraude, mas não engana a vítima. Neste caso, deverá ser analisada se a fraude tinha ou não potenci das circunstâncias da vítima no caso concreto), haverá tentativa. Se não tinha, o crime será impossível, aplicando-se a regra do ar - o agente emprega a fraude, engana a vítima, mas não obtém a vantagem ilícita por circunstâncias alheias à sua vontade. Estelionato privilegiado (artigo 171, § 1º, CP) Sendo o réu primário e de pequeno valor o prejuízo, a pena poderá ser reduzida de 1/3 a 2/3 ou substituída pela de multa. A lei nã que deverá ser de pequena monta, até um salário mínimo. O prejuízo deverá ser aferido no momento da consumação. Havendo re acarretará na incidência da circunstância atenuante do artigo 65, III, b, CP. Caso a reparação do dano ocorra antes do ofereciment 16, CP. A figura do privilégio estende-se ao parágrafo segundo, muito embora a posição dos artigos não leve a esta conclusão, pois mesmas penas. 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 1/14 Formas equiparadas (§ 2º) I - dá-se nos casos daquele que vende, permuta ou dá em pagamento coisa alheia como própria. Ex: nos casos de alienação fiduc (fiduciário) aliena-o, sem levar em consideração que pertence ao fiduciante. II - alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria. Neste caso, tal qual no anterior, é vedada a alienação, permuta ou dação e bens próprios inalienáveis, gravados de ônus, litigioso ou que prometeu vender a terceiro. Coisa inalienável é a aquela que não po testamentária ou por convenção. Coisas gravadas com ônus são aquelas sobre as quais pesam direitos reais em razão de lei ou de hipoteca etc). Coisa litigiosa é aquela que é objeto de discussão em juízo (a coisa litigiosa pode ser alienada, desde que o comprad crime em tela). III - defraudação de penhor. Constitui na alienação de crédito pignoratício sobre o qual exerce a posse direta sem o consentimento IV - Fraude na entrega de coisa. É a alteração ou troca fraudulenta sobre a essência (ex/ entrega de objeto novo por antiguidade), quilates) e quantidade da coisa (ex/ entrega de 1kg quando deveria ser entregue 1,25 Kg). V - fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro. Ocorre este crime quando o agente destrói ou oculta coisa própria seguro. É indispensável o contrato de seguro. Se a conduta causar perigo comum, o agente responderá pelo artigo 250 ou 251, po da vantagem pecuniária Ex/ se o indivíduo põe fogo na própria casa para receber o dinheiro do seguro, responderá somente pelo i VI - fraude no pagamento por meio de cheque. Comete estelionato quem emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em pod pode ser pratica por intermédio de duas condutas: - emitir cheque sem suficiente provisão de fundos (nesta, o agente coloca em circulação a cártula, para pronto pagamento, sem qu - frustrar o pagamento de cheque (nesta, o agente tinha saldo quando da emissão da cártula,porém, antes do pagamento, retira pagamento ou, ainda, dá outro cheque que sabe será cobrado antes do pagamento do sujeito passivo). Elementos do subtipo - emitir: significa colocar o cheque em circulação (não basta o mero preenchimento, sendo necessária a efetiva colocação em circu - frustrar: significa enganar, defraudar; Deve-se ressaltar que o cheque é um título extrajudicial para pagamento à vista. Assim, quando for emitido para pagamento futur cártula foi dada como garantia de dívida e não como ordem de pagamento à vista, surtindo, então, os mesmos efeitos da nota pro Não há delito quando o cheque é emitido para a substituição de nota promissória vencida e não paga. No cheque visado (o sacado designa data para o pagamento do título) o emitente não poderá frustar o pagamento, por este motivo não poderá ser responsabil valor do crédito contratado, conforme posição do STJ, responderá por esta modalidade de estelionato. Tipo subjetivo Dolo. Assim, é necessário o agente queira emitir cheque sem fundos ou frustrar o seu pagamento. Além disto, é necessária a incid haver má-fé por parte do agente - a intenção de cometer fraude - Isto se extrai do entendimento da Súmula 246 do STF - “Compr de emissão de cheque sem fundos”. Consumação: Três posições: - Basileu Garcia: entende que é um crime formal e por este motivo a consumação se daria no momento da emissão; - Nelson Hungria: entende que a consumação ocorre quando o título é colocado em circulação; - Magalhães Noronha: entende que é um crime material e, por este motivo, a consumação só ocorreria no momento em que a cárt pagamento pela inexistência de fundos ou em razão de contraordem. O STF, por meio da Súmula 521, adotou a posição de Noronha, sendo o foro competente o do local onde se deu a recusa do pagam competente será do banco sacado, ou seja, São Paulo. Tentativa Admissível, mas rara. Ex: emissão: quando o banco sacado honra o pagamento do cheque ou quando terceiro deposita o valor nec escrito e esta for extraviada. Pagamento antes e após o oferecimento da denúncia Conforme posicionamento do STF, exposto na Súmula 534, o pagamento de cheque sem fundos, antes do oferecimento da denúnc para o oferecimento da ação (extingue a punibilidade). Deve-se observar que, com a reforma da parte geral do CP em 1984, foi cr tornar sem eficácia a Súmula, porém o Pretório Excelso reexaminando a questão, manteve o entendimento anterior, constituindo a ocorra após o oferecimento da denúncia, isto resultará somente na incidência da circunstância atenuante prevista no artigo 65, III título vencido por cheque sem fundos não caracteriza o crime. Da mesma forma, se a dívida precede a cheque, com o advento des Em razão disto, emite um cheque que, ao ser descontado, retorna por insuficiência de fundos - Não haverá crime, porque o prejuíz melhorou, pois antes não tinha qualquer garantia e agora passou a ter um título. Responsabilização pelo “caput” no uso de cheque sem fundos - pagamento de dívida com cheque sem fundos emitido por terceiro, sabendo o agente dessa circunstância; - emissão sobre conta que o agente sabe estar encerrada; - emissão com nome falso; - emissão sobre conta aberta com dados falsos; - o endossante de cheque sem fundos não é responsabilizado pelo § 2º, VI, mas pelo “caput” (esta é a posição de Damásio e Frag - comunicação falsa de furto de talonário para posterior emissão dos mesmos. A responsabilização se dará nos moldes do caput. Artigo 171, § 3º, CP Aplica-se a causa de aumento de pena (de 1/3) quando o sujeito passivo for a Administração Direta (União, Estados, DF e Municíp Sociedades de Economia Mista e Fundações Públicas), Institutos de Economia Popular, Assistência Social ou Beneficência. Pena Figura simples (caput) e figuras equiparadas (§ 2º): reclusão de 1 a 5 anos , e multa. Circunstância privilegiadora (§ 1º): substituição da pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de 1 a 2/3, ou aplicar somente a Causa de aumento da pena (§ 3º e 4º): aumento de 1/3; ou aumenta em dobro. Ação Penal A Lei 13.964, de 24.12.2019 (com vigência a partir de 23.01.2020) trouxe alteração quanto a ação penal fixando a regra da ação Excepcionou esta regra, determinando que a ação será pública incondicionada quando o ofendido tratar-se de: I. Administração Pú - pessoa com deficiência mental; ou IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz.”. Art. 172, CP “Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao serviço Pena - detenção, de dois a quatro anos, e multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquele que falsificar ou adulterar a escrituração do Livro de Registro de Duplicatas.” Nomen juris: Duplicata Simulada 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 2/14 Objetividade Jurídica Tutela-se o patrimônio. Sujeitos do delito Sujeito ativo: aquele que emitiu a fatura, duplicata ou nota de venda. Trata-se de crime próprio, o praticam o comerciante ou o pr Sujeito passivo: o recebedor, aquele que desconta a duplicata, bem como o terceiro de boa fé contra o qual é sacada a duplicata, e Elemento Objetivo O verbo, a conduta prevista é “emitir”, que significa por em circulação a fatura, duplicata ou nota de venda, que não corresponda a quanto ao serviço prestado. O legislador exige uma relação mercantil, ou seja, uma mercadoria vendida. No caso de fatura, duplic (venda ou serviço inexistente), pode a conduta se amoldar ao estelionato (art. 171 CP). Vejamos estes três objetos materiais do c 1. fatura: é a nota descritiva das mercadorias, objeto do contrato, ao serem entregues ou expedidas, com indicação da quantidade vendedor. é uma prova do contrato de compra e venda. 2. duplicata: é o título de crédito que emerge de uma compra e venda ou prestação de serviços, sacado com correspondência à fat fatura), visando uma compra e venda à prazo. 3. Nota de venda: documento emitido por comerciantes para atender ao fisco, especificando a quantidade, qualidade, procedência transação mercantil. Neste crime do art. 172 CP, o sujeito ativo altera nestes documentos: 1. quantidade: por exemplo, vende 100 objetos e inscreve vendido 1.000; 2. qualidade: vende cobre e faz constar ouro; 3. o serviço prestado: altera significativamente o que fez. Elemento Subjetivo Trata-se de crime doloso, consistente na vontade livre e consciente de emitir a fatura, duplicata ou nota de venda que não corresp vendida, ou ao serviço prestado. Para a doutrina, trata-se de dolo genérico, ou seja, não há um fim específico do agente. Comprov tipo não é punido na modalidade culposa. Figuras equiparadas (parágrafo único) Segundo este parágrafo, responderá pelas mesmas penas aquele que falsificar ou adulterar a escrituração do Livro de Registro de significa alterar ou modificar fraudulentamente (é a falsidade ideológica – art. 299 CP - neste contexto); 2. adulterar: mudar ou vi pelo incorreto. Livro de Registro de Duplicatas trata-se de livro contábil obrigatório do comerciante, onde deve escriturar em ordem dados que as possam identificar com perfeição. Consumação e Tentativa O tipo penal trouxe a simples conduta de “emitir”, ou seja, basta a mera emissão da fatura, duplicata ou nota de venda que não co se disto que independe de prejuízo (resultado naturalístico), bastando a mera circulação do documento, logo, trata-se de crime for se impossível falar em tentativa. Ação Penal A ação penal é pública incondicionada. Pena Detenção de 2 a 4 anos, e multa. Art. 173, CP “Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ou inexperiência de menor, ou da alienação ou debilidade mental d suscetível de produzir efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.” Nome juris: Abuso de incapazes Objetividade Jurídica Tutela-se o patrimônio. Sujeitos do delito Sujeito ativo: trata-se de crime comum, qualquer pessoa o pratica. Sujeitopassivo: há sujeito passivo próprio, que nesta hipótese confunde-se com o objeto material do crime, que é a pessoa ludibr ser vítima terceira pessoa que teve prejuízo patrimonial em razão do ato praticado pelo menor, alienado ou débil mental. 1. menor: aquele que não completou 18 anos; 2. alienado mental: é o louco, inimputável, totalmente incapaz (vide art. 26, caput CP) 3. débil mental: deficiente psíquico, relativamente incapaz (vide art. 26, § único CP). Elemento Objetivo A conduta, o núcleo do tipo é “abusar” que significa exorbitar, exagerar. O agente abusa do ofendido, exigindo a lei um contexto de (concordância) do ofendido, deve haver persuasão, inspiração por parte do sujeito ativo: 1. da necessidade, paixão ou inexperiência do menor: necessidade é aquilo que é essencial para a pessoa. Paixão significa a emoç razão. Inexperiência é a falta de prática de vida ou de habilidade em determinada função. 2. do estado mental do alienado ou débil: vide acima. 3. à prática de ato suscetível de produzir efeito jurídico: significa a prática de qualquer conduta suficiente a gerar efeitos danosos a comprar um bem inexistente. Caso contrário, não gerando efeitos patrimoniais, a conduta é atípica. Elemento Subjetivo O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de induzir, abusando da condição do ofendido. Há dolo específico, que (patrimonial). Consumação e Tentativa O tipo trouxe o abuso exigindo a indução. Assim o crime apenas se consumará quando comprovada a ocorrência do induzimento d de produzir prejuízos à vítima, independentemente do agente obter algum proveito. Trata-se de crime formal (não exige resultado comprovação do êxito na indução. Assim, admite-se a tentativa se, por circunstâncias alheias a vontade do agente não consegue o praticado o ato. Ação Penal Trata-se de ação penal pública incondicionada. Pena Reclusão, de 2 a 6 anos, e multa. 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 3/14 Art. 174 CP “Abusar, em proveito próprio ou alheio, da inexperiência ou da simplicidade ou inferioridade mental de outrem, induzindo-o à práti mercadorias, sabendo ou devendo saber que a operação é ruinosa: Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.” Nomen juris: Induzimento à Especulação Objetividade Jurídica Tutela-se o patrimônio. Sujeitos do delito Sujeito ativo: trata-se de crime comum, qualquer pessoa o pratica. Sujeito passivo: há sujeito passivo próprio, confundindo-se com o objeto material do crime, que é a pessoa ludibriada. O sujeito se 1. inexperiência: falta de vivência, seja de pessoas de pouca idade, ou de pessoas ingênuas. 2. simplicidade: caracteriza-se pela franqueza, sinceridade e falta de malícia nas atitudes, pessoas crédulas e confiantes nas atitud 3. inferioridade mental: são as pessoas portadoras de algum tipo de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou reta Elemento Objetivo A conduta, o núcleo do tipo é “abusar” que significa exorbitar, exagerar. O agente abusa do ofendido, exigindo a lei um contexto de (concordância) do ofendido, deve haver persuasão, inspiração por parte do sujeito ativo à: 1. prática de jogo ou aposta: claro que o contexto exigido diz respeito à práticas de jogos de azar ou apostas que se referem à sor 2. especulação com títulos ou mercadorias: especular é explorar ou auferir vantagens aproveitando-se de determinada condição ou caso o legislador exigiu que o sujeito ativo saiba (dolo direto) ou deva saber (dolo eventual) que a operação é ruinosa, ou seja, qu Elemento Subjetivo O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de induzir, abusando. Há dolo específico, que é o fim especial de conse na especulação, o legislador expressamente exigiu dolo direto (sabe ruinosa) ou eventual (deva saber ruinosa). Consumação e Tentativa O tipo trouxe o abuso exigindo a indução. Assim o crime apenas se consumará quando comprovada a ocorrência do induzimento d de produzir prejuízos à vítima, independentemente do agente obter algum proveito. Trata-se de crime formal (não exige resultado comprovação do êxito na indução. Com base nisto, a maioria dos doutrinadores afirmam que no caso de especulação, mesmo que só indução à ruína basta. Discordamos, pois nunca se provará no caso concreto que a especulação praticada pelo sujeito ativo era a operação era ruinosa. Afinal, quantos casos são conhecidos de pessoas que especulam no mercado, e acabam auferindo lucro. S investir para inexperientes! Admite-se a tentativa se, por circunstâncias alheias a vontade do agente não consegue obter o proveit Ação Penal Trata-se de ação penal pública incondicionada. Pena Reclusão, de 1 a 3 anos, e multa. Art. 175, CP “Enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou consumidor: I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada; II - entregando uma mercadoria por outra. Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. § 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade ou o peso de metal ou substituir, no mesmo caso, pedra verdadeira por por verdadeira; vender, como precioso, metal de ou outra qualidade: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. § 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º.” Nomen juris: Fraude no Comércio Objetividade Jurídica Tutela-se o patrimônio. Sujeitos do delito Sujeito ativo: trata-se de crime próprio, só o pratica o comerciante ou comerciário. Sujeito passivo: qualquer pessoa, mas deve ser determinada, pois se exige uma relação comercial, logo, há como se determinar o Elemento Objetivo As condutas que recaem sobre a mercadoria (objeto material do crime) são: 1.enganar (caput), que significa iludir, ludibriar; 2.alterar (§ 1º), que significa modificar ou transformar; 3. substituir (§ 1º), que significa trocar por outro; 4. vender(§ 1º) que significa alienar. Elemento Subjetivo O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de enganar (dolo específico). Empregando o termo enganar somente é vendedor saiba que a mercadoria é falsificada ou deteriorada, ou que esteja alterada, sob pena de excluir-se qualquer responsabili Modalidades de fraude no comércio As espécies previstas são: forma simples (caput), qualificada (§ 1º) e privilegiada (§ 2º). Interessante analisar que em ambas con as condutas que conformam o crime, logo, trata-se de crime de forma vinculada. Fraude simples (caput) É a forma base, o tipo simples, raiz, com pena abstrata de detenção de 6 meses a 2 anos, ou multa. Consiste na conduta de engan especificou as únicas duas formas (por isso, crime de forma vinculada). a) vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada (I): como o legislador se utilizou da expressão ve (entrega gratuita), não haverá este crime (afinal, a forma é vinculada). Mercadoria compreende qualquer coisa móvel apropriável possuem tipificação especial (Princípio da Especialidade), como os delitos contra a saúde pública como o que cuida de venda de pr terapêuticos ou medicinais (art. 273 CP) etc. Falsificada é aquela que imita o original. Deterioradasignifica arruinada, estragada. b) entregando uma mercadoria por outra: trata-se da substituição maliciosa de uma determinada mercadoria pelo comerciante, po causando prejuízo patrimonial ao adquirente. 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 4/14 Fraude qualificada (§ 1º) Como sabido, qualificadora é a circunstância entendeu o legislador ser mais reprovável, merecendo uma pena maior que o tipo rai 1 a 5 anos, e multa, caso o vendedor: 1. alterar (modificar, transformar) em obra que lhe é encomendada a qualidade ou peso de metal: via de regra é a atividade típica a) modificando a qualidade do metal: retira parte valiosa e insere material menos valioso; b) retirando parte do peso. 2. substituir (trocar por outro) em obra encomendada pedra verdadeirapor falsa ou outra de menor valor: é o trabalho de quem lh recebe uma tarefa específica com jóia alheia e substitui por uma falsa ou menos valiosa. 3. vender (alienar): neste caso o comerciante aliena: a) pedra falsa por verdadeira: sujeito aliena pedra brilhante e bem lapidada como se fosse brilhante. b) como precioso metal de outra qualidade: para uma venda de metal específico, o sujeito aliena metal de qualidade inferior e sem Figura privilegiada (§ 2º) Conforme já verificamos anteriormente (art. 155, § 2º CP), cujo remetemos aos comentários quando do estudo daquele crime, se pode o juiz: a) substituir a pena de reclusão pela de detenção; b) diminuí-la de 1 a 2/3. c) aplicar somente a pena de multa. Consumação e Tentativa Trata-se de crime material, ou seja, exige resultado naturalístico consistente na diminuição do patrimônio da vítima, cujo se dará c enganada. Admite a tentativa, v.g., vítima verifica mercadoria deteriorada, ou joalheiro entrega a peça e ofendido rapidamente des Ação Penal Trata-se de ação penal pública incondicionada. Pena Forma simples (caput): detenção de 6 meses a 2 anos, ou multa. Forma qualificada (§ 1º): reclusão de 1 a 5 anos, e multa. Figura privilegiada: (§ 2º): a) substituir a pena de reclusão pela de detenção; b) diminuí-la de 1 a 2/3; c) aplicar somente a pena Art. 176, CP “Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor de recursos para efetuar o pag Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa. Parágrafo único - Somente se procede mediante representação, e o juiz pode, conforme as circunstâncias, deixar de aplicar a pena Nomen juris: Outras Fraudes Objetividade Jurídica Tutela-se o patrimônio. Sujeitos do delito Sujeito ativo: trata-se de crime comum, qualquer pessoa o pratica. Sujeito passivo: há sujeito passivo determinado que precisa ser um prestador de serviço da área da alimentação, hospedagem ou Elemento Objetivo Os verbos, os núcleos do tipo são: 1. tomar (refeição): significa comer ou beber em restaurante, almoçando, jantando ou lanchando; 2. alojar-se (em hotel): significa hospedar-se mediante pagamento de preço calculado em diárias; 3. utilizar-se (de meio de transporte): é empregar um deslocamento pago de um lugar para outro. Apesar de aparentar um tipo misto alternativo (aquele tipo que prevê várias condutas alternativamente, E mesmo praticando mais tráfico de drogas – art. 33, L. 11.343/06, receptação – art. 180 CP etc.), tal não é correto, pois se o sujeito praticar cada uma des três crimes por haver três patrimônios distintos, devendo responder por três delitos em concurso material (art. 69 CP). Restaurante: local onde se serve comida e bebida. Em tese não seria possível se estender tal conceito para lugares diversos como quartéis, trailler de lanches, carrinho de pastel, boates, etc., cujo, tal ocorrendo, a conduta tecnicamente se amoldaria ao esteliona muito maior que deste crime (reclusão de 1 a 5 anos), não seria justo, um que não pagou o restaurante receber uma pena de mul meses, ou multa), enquanto que aquele que não pagou a cantina receberia a pena do estelionato (reclusão). Portanto, os tribunais abrandar disparidades deste tipo, abrangendo todos os estabelecimentos que servirem comida e bebida. Porém, não se admite tal como ocorre nas entregas delivery, tratando-se, neste caso, de estelionato se o sujeito não paga a entrega. Hotel: local onde se alugam quartos por períodos pré determinados, normalmente estabelecidos por diárias (preço por um dia). Oc lógica alguma punir quem se aloja no hotel por um dia e não paga com uma pena de multa (ou até perdoado – parágrafo único), e horas, seria aplicada pena de reclusão e multa do estelionato (art. 171 CP). Logo, haverá também a extensão a todo lugar que se Meio de transporte: aquele utilizado para conduzir para conduzir pessoa de um determinado local a outro mediante remuneração. transporte cujo de praxe o pagamento se faz após o percurso, como no caso dos taxis. No caso de avião, como a passagem é sem nunca se conforma. Claro que, no caso de pagamento da passagem de avião com cheque cujo não é compensando por falta de fun § 2º, VI CP). Idem se no caso da corrida do taxi, o agente paga com cheque onde o taxista o descobre sem fundos, haverá estelio que representa o dinheiro é que era imprestável para solver o débito. Elemento Subjetivo O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de tomar refeição, alojar-se ou utilizar-se de transporte sem recursos p uma vontade especial, tratando-se de dolo genérico. Sem dispor de recursos Para configuração deste crime, é crucial que o agente não possua recursos para realizar o pagamento. Qualquer fato diverso disso discorde da conta que lhe foi apresentada, ou que acreditava que poderia pagar com cartão de crédito ou cheque cujo gerente neg diversa da insuficiência do pagamento da conta, não haverá crime. Claro, no caso concreto é preciso verificar se o sujeito alega dis qual pretende. Perdão judicial (parágrafo único) O perdão judicial trata-se de uma causa de extingue a punibilidade do agente (art. 109, IX), ou seja, o sujeito é processado e cond deixa de aplicar a pena. Trata-se de uma clemência (perdão) específico do Estado, que, no caso deste crime, será aplicado “confor legislador não estipulou quais são os requisitos para aplicação do perdão judicial, buscamos os requisitos na doutrina e jurisprudên 1. pequeno prejuízo para o ofendido; 2. réu primário e de bons antecedentes; 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 5/14 3. personalidade não voltada ao crime; 4. estado de penúria: trata-se de pessoa pobre. Não se trata de estado de necessidade (art. 24 CP), onde, se comprovado que o s não haverá crime por exclusão da antijuridicidade da sua conduta. Na penúria, apesar de parcos recursos, a pessoa não está em e Pendura Por tradição, os acadêmicos de direito costumam comemorar a instalação dos cursos jurídicos no Brasil (11 de agosto) dando pend o devido pagamento. A jurisprudência tem entendido não estar configurado este crime pois, em sua grande maioria os estudantes fazê-lo pela “tradição” animados pelo chamado animus jocandi (vontade de diversão). Assim, tratar-se-ia de mero ilícito civil. Poré tem nítido ardil e não mais o pendura é diplomático onde previamente era declarada a intenção ao comerciante, e nem se pode olv do país tem de ser levada em consideração. Portanto, o comerciante ludibriado por estudantes que não desejem simplesmente com e de valor razoável, mas sim causar prejuízo de monta através de fraude, como forma de demonstrar poder e esperteza nos meios estelionato (art. 171 CP). Consumação e Tentativa É crime material, exigindo resultado naturalístico, que consiste no prejuízo da vítima. Aliás, os verbos indicam exatamente o result remonta ao serviço efetivamente realizado pelo ofendido. Admite a tentativa, v.g., tão logo o taxista inicia a corrida, o sujeito deix dinheiro para realizar o pagamento. Ação Penal (parágrafo único) Trata-se de ação penal pública condicionada a representação, ou seja, comete a vítima agir para o Ministério Público poder denunc Pena Detenção de 15 dias a 2 meses ou multa. Art. 177, CP “Promover a fundação de sociedade por ações, fazendo, em prospecto ou em comunicação ao público ou à assembléia, afirmação f fraudulentamente fato a ela relativo: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, se o fato não constitui crime contra a economia popular. § 1º - Incorrem na mesma pena, se o fato não constitui crime contra a economia popular: I - o diretor, o gerente ou o fiscal de sociedade por ações, que, em prospecto, relatório, parecer, balanço ou comunicação ao públic condições econômicas da sociedade, ou oculta fraudulentamente, no todo ou em parte, fato a elas relativo; II - o diretor, o gerente ou o fiscal que promove, por qualquer artifício, falsa cotação das ações ou de outros títulosda sociedade; III - o diretor ou o gerente que toma empréstimo à sociedade ou usa, em proveito próprio ou de terceiro, dos bens ou haveres soc IV - o diretor ou o gerente que compra ou vende, por conta da sociedade, ações por ela emitidas, salvo quando a lei o permite; V - o diretor ou o gerente que, como garantia de crédito social, aceita em penhor ou em caução ações da própria sociedade; VI - o diretor ou o gerente que, na falta de balanço, em desacordo com este, ou mediante balanço falso, distribui lucros ou dividen VII - o diretor, o gerente ou o fiscal que, por interposta pessoa, ou conluiado com acionista, consegue a aprovação de conta ou par VIII - o liquidante, nos casos dos ns. I, II, III, IV, V e VII; IX - o representante da sociedade anônima estrangeira, autorizada a funcionar no País, que pratica os atos mencionados nos ns. I § 2º - Incorre na pena de detenção, de seis meses a dois anos, e multa, o acionista que, a fim de obter vantagem para si ou para geral.” Nomen juris: Fraudes e abusos na fundação ou administração de sociedade por ações Subsidiariedade Todas as figuras criminosas arroladas por este dispositivo são subsidiárias por força expressa (subsidiariedade expressa) do precei economia popular”, não se aplica o artigo 177 CP. Os crimes contra economia popular estão catalogados na L. 1.521/51, e ocorrerã em risco as economias de indefinido número de pessoas, e não de algumas ou poucas. Objetividade Jurídica Tutela-se o patrimônio. Sujeitos do delito Sujeito ativo: trata-se de crime próprio, o pratica o fundador da sociedade por ações no caput, havendo, em cada uma das figuras próprio (crime próprio). Sujeito passivo: qualquer pessoa que subscreva o capital e a própria sociedade como um todo vez que todos estão sujeitos à comu figura equiparada prevista no § 1º, inciso IX, figura como vítima o próprio Estado (“falsa informação ao governo”). Elemento Objetivo O verbo, o núcleo do tipo na conduta fundamental ou raiz (caput) é “promover” (fundação de sociedade por ações) que significa pr pode se dar mediante uma afirmação falsa (crime comissivo – ação) ou ocultação fraudulenta (crime omissivo – inação). Assim o s prospecto ou a comunicação ao público ou assembleia. Sociedade por ações: aquela cujo capital (investimento) é dividido em frações, representada por títulos que são chamados de açõe (material impresso) ou comunicação (qualquer meio de transmissão da mensagem, escrito ou falado). Público: são as pessoas que poderão subscrever o capital social. Assembleia: é o agrupamento de pessoas que já está formando a sociedade. Não obstante, várias são as figuras equiparadas previstas no parágrafo primeiro, cujas condutas eleitas (verbos) pelo legislador m I. “afirmar” ou “ocultar”: trata-se do mesmo núcleo do caput. II. “promover” falsa cotação: significa gerar ou dar causa à uma irreal visualização do preço. III. “tomar” empréstimo ou “usar” bens ou haveres sociais: é tanto conseguir um empréstimo à sociedade como servir-se de seu p autorização. IV. “comprar” ou “vender” ações emitidas pela própria sociedade: é adquirir ou alienar ações emitidas pela sociedade em nome da veda expressamente a negociação com próprias ações, apenas permitindo algumas operações, como: resgate, reembolso ou amor expedidas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão criado para disciplinar e fiscalizar o mercado de ações. V. “aceitar” em penhor ou caução como garantia da própria sociedade: quando se vende ações de uma sociedade é imprescindível ainda que o próprio acionista. Aceitar ações da própria sociedade para garantir créditos da própria sociedade é nitidamente fraudu credora e garantidora do crédito. Penhor é um direito real que vincula uma coisa a uma dívida, tornando-se a coisa garantia da dív uma obrigação assumida. VI. “distribuir”: é entregar, atribuir ou colocar à disposição lucros ou dividendos fictícios, ou seja, que não correspondam à realidad VII. “conseguir” aprovação de conta ou parecer: o sujeito obtém aprovação das contas se valendo de terceira pessoa que surge na habilitado a fazê-lo, ou então, a pessoa é acionista que está macomunado (cooperando - concurso de agentes) com o sujeito ativo VIII. liquidante que pratica as condutas anteriores: dissolvida a sociedade judicialmente, é nomeado uma pessoa que deve pratica 1.102 e seguintes do CC - pagamento de contas e regularização de procedimentos etc.). Assim, o liquidante também pode praticar 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 6/14 IX. representante da sociedade anônima estrangeira que pratica dos fatos do inciso I e II, ou “dar” falsa informação ao governo: ta diferenciando apenas o sujeito ativo bem como acrescentando como ofendido o próprio Estado (falsa informação ao governo). Elemento Subjetivo O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de afirmar ou ocultar dado relevante (caput), com consciência da falsid (§ 1º). Há dolo genérico, ou seja, não trouxe o legislador um especial fim de agir do agente, contentando-se para conformação do Formas equiparadas (§ 1º) O legislador previu algumas condutas que se equiparam ao tipo fundamental (caput), inclusive, prevendo às condutas previstas no tipo quanto a subsidiariedade expressa - “se o fato não constitui crime contra economia popular.” Como as figuras previstas neste assemelha, razão pela qual apenas pontuaremos os dados diferenciadores em cada uma das condutas equiparadas (já analisadas q quanto ao mais, aquilo falado quanto ao caput se aplica. Forma privilegiada (§ 2º) Na maioria dos crimes estudados, quando verificamos haver uma circunstância privilegiadora esta se apresenta na forma de uma r da pena aplicada no tipo simples ou mesmo na forma qualificada. Neste caso, a circunstância privilegiadora se apresenta na forma multa), que, pode-se afirmar ser privilegiada em relação à pena aplicada ao tipo fundamental (caput) e suas formas equiparadas ( anos, e multa. Tipo objetivo: a conduta é “negociar”, que significa ajustar, o comercializar, a compra e venda de voto nas deliberações da assemb para receber um retorno qualquer. Observe-se que a L. 6.404/76 prevê a possibilidade de acordo de acionistas, inclusive quanto ao quando a negociação não estiver revestida das formalidades legais ou contrariar dispositivo expresso em lei. Tipo subjetivo: a conduta é dolosa, consistente na vontade de negociar o voto para obter vantagem para si ou outrem (dolo espec Sujeitos do delito: sujeito ativo somente pode ser o acionista (crime próprio); sujeito passivo são os demais acionistas e a própria Consumação: com a só negociação do voto, independentemente do seu próprio pronunciamento na assembleia, pois o tipo tem a l esta não é exigida. Há apenas que ressaltar que a L. 6.404/76 autoriza o acordo de acionistas e a tutela penal apenas recairá quan específico, conforme observado acima. Consumação e Tentativa Tanto a forma simples prevista no caput, como as figuras equiparadas (§ 1º) e a privilegiada (§ 2º) se tratam de crime formal, con uma das figuras, independentemente de qualquer resultado lesivo. Ação Penal Trata-se de ação penal pública incondicionada. Pena Forma simples (caput) e equiparada (§ 1º): reclusão de 1 a 4 anos, e multa. Forma privilegiada (§ 2º): detenção de 6 meses a 2 anos, e multa. Art. 178, CP “Emitir conhecimento de depósito ou warrant, em desacordo com disposição legal: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.” Nomen juris: Emissão irregular de conhecimento de depósito ou warrant Objetividade Jurídica Tutela-se o patrimônio. Sujeitos do delito Sujeito ativo: trata-se de crime próprio, o pratica somente o depositário das mercadorias, obrigado a emitir os títulos de crédito de Sujeito passivo: a pessoa detentora do título, o portador ou endossatário dos títulos, que foi lesada por conta da emissão irregular Elemento Objetivo A conduta, o verbo é “emitir”, que significa pôr em circulação o título. Conhecimentode depósito e warrant são elementos normati (precisam de complemento), pois a forma de sua emissão é disposta pelo Decreto 1.102/1903. Ambos são os chamados títulos arm Armazéns gerais e entregues ao depositante, que com eles fica habilitado a negociar as mercadorias em depósito, passando assim representam. Nos primórdios, bastava a simples locação dos armazéns para o proprietário das mercadorias deixar com o proprietá relação meramente locatício cedeu lugar à “mobilidade” das mercadorias em depósito, de modo a se emitir títulos que representas Conhecimento do depósito é um título de representação e legitimação daquelas mercadorias, ou seja, representa a mercadoria e le proprietário das mercadorias tem um recibo de depósito de guarda nos armazéns derivado do contrato de depósito, que atesta não recibo é suscetível de transferência (endosso) que é feito mediante o conhecimento do depósito e warrant. Warrant: enquanto o conhecimento do depósito incorpora o direito de propriedade sobre as mercadorias depositadas, o warrant re título de crédito que constitui uma promessa de pagamento, ou seja, o subscritor ao mesmo tempo se obriga a pagar certa soma e portadores sucessivos um penhor sobre as mercadorias depositadas. Ou seja, um descreve as mercadorias e seu proprietário; out garantia de pagamento no negócio (pois serve como penhor). Portanto, estes títulos andam juntos, mas podem ser negociados sep mãos, o depositante de mercadorias em um armazém pode negociá-los livremente, bastando endossar o título. Caso queira um fin como garantia, de forma que endossa o warrant. Elemento Subjetivo O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de emitir os títulos, ciente da sua irregularidade (dolo direto). Não há genérico. Consumação e Tentativa Com a circulação dos títulos, independentemente de efetivo prejuízo. Trata-se, por isso, de crime formal, pois não há necessidade conduta é meramente “emitir”). Exatamente por isso a tentativa torna-se inadmissível, ou coloca o título em circulação, havendo c Ação Penal Trata-se de ação penal pública incondicionada. Pena Reclusão de 1 a 4 anos, e multa. Art. 179, CP “Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando bens, ou simulando dívidas: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. Parágrafo único - Somente se procede mediante queixa.” 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 7/14 Nomen juris: Fraude à execução Diferença da fraude contra credores O CP não pune neste dispositivo a fraude contra credores, cuja diferença buscamos em Humberto Theodoro Jr.: “a) a fraude contra insolvência e ocorre antes que os credores tenham ingressado em juízo para cobrar seus créditos; é causa de anulação do ato de d execução não depende, necessariamente, do estado de insolvência do devedor e só ocorre no curso de ação judicial contra o aliena Theodoro Jr, RT, CPP Comentado, 2002, p. 101, neste sentido Nelson Nery Jr., CPC Comentado, RT, 2006, p. 849). Objetividade Jurídica Tutela-se o patrimônio. O sujeito passa a se desfazer de seus bens visando que o credor no processo cível, não consiga encontrar v Sujeitos do delito Sujeito ativo: trata-se de crime próprio, o pratica o devedor demandado judicialmente por dívida (executado). Sujeito passivo: o credor que aciona o devedor (exequente). Elemento Objetivo O núcleo do tipo, o verbo é “fraudar” que significa lesar, iludir ou enganar com o fito de obter proveito. O agente frustra a execuçã inexistência (real ou simulada) de bens que a garantam. Execução (ou Liquidação de sentença) é o processo instaurado onde se vi legislador taxou as formas como o sujeito frustra a execução, tratando-se de um crime misto alternativo, ou seja, apenas uma das 1. alienando: onerando, vendendo o bem. 2. desviando: mudar o lugar ou a posição de, deslocar. 3. destruindo: significa extinguir, eliminar os bens. 4. danificando: significa arruinar, estragar os bens. 5. simulando dívidas: o sujeito inventa dívidas com terceiras pessoas dando seus bens como forma de pagamento dessas dívidas, “suposto” credor destas dívidas, onde os contratos ou títulos que representam tais dívidas são fruto de fraude visando frustrar o pa Lei especial Tratando-se de devedor comerciante, poderá tipificar o crime de Fraude contra credores (art. 168) ou Favorecimento de credores ( 11.101/05. Elemento Subjetivo O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de fraudar a execução, praticando as condutas arroladas pelo legislado garantir a dívida. Há dolo específico, que é o fim especial de conseguir proveito próprio (frustrar já significa tirar proveito), impedin consequentemente, que o credor receba o que de direito. Não existe forma culposa. Ciência da ação Para que o crime de conforme, há necessidade que o sujeito saiba da ação judicial em execução e que a diminuição de seu patrimô crime exige dolo específico, não sabendo da ação, não há como se cogitar em frustração de algo que não se tem ciência. Não obst patrimônio maior que a dívida e suficiente para saldá-la, logo, nada o impede de desfazer-se de parte deste patrimônio, desde que outros ônus que impeçam servir de garantia da dívida. A mera propositura de uma ação não pode tornar indisponível todo o patrim a 10 mil reais, e o sujeito possui três imóveis de alto valor, nada impede de vender um destes imóveis. No tocante à chamada cita ficta pois o devedor não foi encontrado, há uma ficção jurídica onde acredita-se que aquele sujeito citado por edital leu o edital e s má fé, ou seja, que passou a desfazer-se do patrimônio dolosamente. Isso porque o direito penal não pode valer-se de presunções alguma pessoa, há que se ter prova do dolo do agente no sentido de frustrar propositadamente a dívida. Consumação e Tentativa Trata-se de crime material. É exigível o resultado que consiste na diminuição do patrimônio a que tem direito o credor. Logo, a con crédito torna-se irrealizável, através da alienação, desvio, destruição, danificação ou simulação de dívidas. Ação Penal (parágrafo único) Trata-se de ação penal privada, mediante interposição de queixa crime. Entretanto, caso a vítima (exequente no processo cível) se incondicionada por força do art. 24, § 2º do C.P.P. Pena Detenção de 6 meses a 2 anos, e multa. Exercício 1: São crimes contra o patrimônio: A) roubo, furto, estelionato e lesão corporal B) roubo, furto, estelionato e usurpação de águas C) roubo, furto, estelionato e peculato D) 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 8/14 roubo, furto, estelionato e moeda falsa E) roubo, furto, estelionato e injúria O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B) Exercício 2: Paulo havia trabalhado como cobrador no asilo Alpha e, por isso, conhecia a lista das pessoas que contribuíam através de donativo referido emprego, Paulo procurou uma dessas pessoas e, dizendo-se funcionário do asilo Alpha, recebeu donativo de R$ 1.000, Nesse caso, Paulo responderá por crime de: A) furto simples B) furto qualificado pela fraude C) apropriação indébita D) estelionato E) extorsão O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D) Exercício 3: Pedro ateou fogo em sua loja de tecidos, com a finalidade de obter o respectivo seguro, colocando em risco os imóveis vizinhos. E A) perigo para a vida ou saúde de outrem B) incêndio culposo C) estelionato qualificado pela fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro D) incêndio doloso qualificado pelo intuito de obter vantagem econômica em proveito próprio 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 9/14 E) estelionato simples. O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D) Exercício 4: Paulo postou-se em frente a um restaurantee apresentou- se como manobrista a um freguês que chegou para jantar. Entregou-lh o veículo, do qual se apossou, fugindo do local. Paulo responderá por crime de: A) apropriação indébita; B) estelionato; C) furto qualificado pela fraude; D) furto simples; E) furto com abuso de confiança. O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B) Exercício 5: Segundo entendimento sumulado do Superior Tribunal de Justiça, se o agente, para obter vantagem ilícita em prejuízo alheio, falsifica documento público, responder A) estelionato B) estelionato e falsificação de documento público, em concurso material C) falsificação de documento público D) estelionato e falsificação de documento público, em concurso formal E) estelionato e falsificação de documento público, em continuidade delitiva O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A) 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 10/14 Exercício 6: B sempre deixa seu carro no mesmo estacionamento. C, querendo apossar-se do automóvel, vai a esse estacionamento e diz a manobrista lhe entrega o veículo; C assume a direção e deixa o local. Sobre a conduta de C, é correto afirmar tratar-se de: A) estelionato B) furto mediante fraude C) apropriação indébita D) furto qualificado pelo abuso de confiança E) apropriação de coisa havida por erro. O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A) Exercício 7: O motorista e o estoquista de um depósito de bebidas resolvem, de comum acordo, cometer delito contra a empresa. Para tanto que o fiscal entregue ao motorista do caminhão mercadorias a mais, que não constavam do pedido original. Ao final do expe anteriormente combinado com seu colega de trabalho. Nesse caso, A) ambos cometem crime de furto qualificado pelo abuso de confiança B) o motorista comete crime de apropriação indébita qualificada e o estoquista de estelionato C) ambos cometem crime de apropriação indébita qualificada D) o motorista comete crime de apropriação indébita e o estoquista de furto qualificado E) ambos cometem crime de estelionato O aluno respondeu e acertou. Alternativa(E) Exercício 8: Considere as afirmações relativas ao artigo171, CP: I – a vantagem pode ser lícita ou ilícita II – ardil é o emprego de aparato material para enganar a vítima, enquanto que artifício é a conversa enganosa 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 11/14 III – por ser crime formal, a consumação ocorre com a obtenção da vantagem patrimonial Diante das as assertivas, é certo afirmar: Para consulta: “ Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraud Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis. § 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art. 155, § 2º. § 2º - Nas mesmas penas incorre quem: Disposição de coisa alheia como própria I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria; Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria II vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagam Defraudação de penhor III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado; Fraude na entrega de coisa IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém; Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as consequências da lesão ou doença, com o intuito de haver Fraude no pagamento por meio de cheque VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento. § 3º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou Estelionato contra idoso § 4o Aplica-se a pena em dobro se o crime for cometido contra idoso”. (Incluído pela Lei nº 13.228, de 2015) A) somente a I é correta B) somente a II é correta C) somente a III é correta D) todas são corretas E) todas são incorretas O aluno respondeu e acertou. Alternativa(E) Exercício 9: Qual é a ação penal cabível no estelionato ? 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 12/14 Para consulta: Art. 171, CP - "Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, media fraudulento". A) Pública Condicionada à Representação B) Pública Condicionada à Requisição do Ministro da Justiça C) Pública Incondicionada D) Privada Personalíssima E) Privada Propriamente Dita O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C) Exercício 10: Qual é a pena do estelionato ? Para consulta: Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante a A) Reclusão, de 01 a 04 anos, e multa B) Reclusão, de 01 a 04 anos C) Reclusão, de 01 a 05 anos, e multa D) Reclusão, de 02 a 06 anos, e multa E) Reclusão, de 02 a 06 anos. O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C) Exercício 11: Dentre os meios de execução descritos na construção típica, qual se vale da interpretação analógica ? Para consulta: Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante a A) 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 13/14 Mediante ardil B) Mediante artifício C) Mediante concupiscência D) Mediante qualquer outro meio fraudulento E) Mediante torpeza O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D) Exercício 12: No que tange o momento consumativo, estelionato é classificado: A) Crime formal B) Crime permanente C) Crime material D) Crime vago E) Crime de próprio O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C) 06/03/2026, 16:09 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos. https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 14/14