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Curso:
O PAPEL DO PROFISSIONAL
DO SUSP NA PROTEÇÃO
DA MULHER TURISTA
Créditos
Presidência da República
Luiz Inácio Lula da Silva
Ministério da Justiça e Segurança Pública
Ricardo Lewandovisk
Secretaria Nacional de Segurança Pública
Mario Luiz Sarrubbo
Diretoria de Ensino e Pesquisa
Michele Gonçalves dos Ramos
Coordenação-Geral de Ensino
Marcia Alencar Machado da Silva 
Coordenação Pedagógica
Joyce Cristine da Silva Carvalho
Coordenação de Ensino a Distância
Tainara Leiria da Silveira
Gerente de Curso
Danilo Bruno Moreira
Conteudistas
Elisselia Keila Ramos Leão Paes
Georgia de Castro Machado Ferreira
Juliana Viegas pinto Vaz dos Santos
Luci Mônica Moura Ribeiro Rabêlo
Sandra Mara Tabosa de Oliveira
Revisão Técnica
Danilo Bruno Moreira
Renata Guilhões Barros Santos
Revisão Textual
Maria Aparecida de Barros
Revisão Pedagógica
Evania Santos Assunção Motta
Programação e Edição
Erick Tiêgo de Araújo Pessoa
Atila Vinicius Oliveira Rocha
Design Gráfico e Instrucional 
Sabrina da Silva Carneiro
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
Sumário
MÓDULO 1: Turismo, que setor é esse?
MÓDULO 2: Mulheres, segurança e turismo: uma relação virtuosa
MÓDULO 3: Direito das mulheres, direito para mulheres
APRESENTAÇÃO
Objetivos do Curso
Estrutura do Curso
Aula 1 - As interfaces do turismo no Brasil e no mundo
Aula 1 - Segurança turística - um conceito
Aula 1 - Refletindo sobre o conceito de violência
Aula 2 - Policiamento orientado para o turismo
Aula 2 - Mulheres e viajantes: questões de segurança
Aula 2 - Gênero e sexo: qual a diferença?
Aula 3 - A polícia do turista
Aula 3 - A violência de gênero na agenda global
Aula 4 - A pauta local: normalizações nacionais
Aula 5 - Feminícidio no Brasil
p 05
p 10
p 12
p 32
p 56
p 82
p 57
p 65
p 70
p 83
p 87
p 90
p 94
p 99
p 09
p 09
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
Sumário
MÓDULO 4: Técnicas de entrevista e abordagem: melhores práticas
Aula 1 - Importância e características de uma entrevista investigativa
Aula 3 - Organizando uma entrevista investigativa
Aula 2 - O papel da memória: recuperação, contaminação e processos
de escuta e condução da entrevista
Aula 4 - A entrevista investigativa do início ao fim
Aula 5 - Um retrato da violência contra a mulher no Brasil e a
abordagem de turistas mulheres
REFERÊNCIAS
PORTAIS PARA CONSULTA
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
p 106
p 108
p 115
p 132
p 137
p 142
p 147
p 153
“Sentir medo antes de viajar sozinha sendo mulher é quase que um sentimento obrigatório. O mundo não
é um lugar muito divertido para ser mulher. É impossível não ter medo. Eu não lembro de ter feito alguma
viagem que eu não senti um pouco de medo e insegurança, porque a gente tem exemplos no dia a dia que
mostram que é muito perigoso.”
(Camille Carboni, de 26 anos)
Apresentação
Sejam bem-vindos(as) ao curso que irá discutir “O Papel do Profissional do Susp na
Proteção da Mulher Turista”. Este curso possui 60 horas, divididas em 4 módulos. 
Antes de iniciar os estudos, leia o depoimento a seguir:
O trecho acima¹ reflete um sentimento que aflige grande parte das mulheres turistas ao
redor do mundo e, no Brasil, essa preocupação assume contornos ainda mais
preocupantes. (A reportagem completa você confere aqui: )
Infelizmente, denúncias envolvendo crimes praticados contra mulheres que viajam
sozinhas, ou acompanhadas de outras mulheres, no Brasil não são raras e revelam um
triste cenário.
O medo e a violência nesse contexto geram consequências que ultrapassam a fronteira
da segurança pública e impactam a imagem do país, prejudicando negócios e
investimentos, podendo afetar, inclusive, a relação do Brasil com outras nações. 
¹ A reportagem completa você confere aqui: bit.ly/3XCYpEU (Caroline Oliveira - Brasil de Fato | São Paulo -SP | 12 de
janeiro de 2024 às 17:44)
Figura 1: Os perigos para a mulher turista no Brasil
Fonte: Brasil de Fato (2024)
bit.ly/3XCYpEU
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
05
A partir do que foi apresentado, responda: você compartilha da sensação de insegurança
ao viajar pelo Brasil desacompanhada(o) ou na presença de pessoas do mesmo sexo?
Inclua em sua reflexão o seguinte questionamento:
Homens e mulheres sentem as mesmas preocupações e correm os mesmos riscos ao
realizar viagens nas mesmas condições?
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
06
Figura 2: Turismo e Segurança de Mulheres no Brasil
Fonte: O Globo (2024)
Abaixo, mais uma reportagem que pode auxiliar na busca por respostas às questões
apresentadas.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
07
Figura 3: Turista estrangeira denuncia estupro coletivo
Fonte: Agência Brasil (2024)
Diante dos casos apresentados, pergunta-se:
Estão os agentes de segurança pública preparados para atuar na proteção 
das mulheres turistas no Brasil?
O Brasil, em termos de segurança e proteção de turistas, ocupa a 124ª posição nos
Índices de Competitividade Mundiais sobre Segurança (T&T), dado do Fórum Econômico
Mundial de 2019. Ou seja, é um requisito indispensável para a ampliação e melhoria das
atividades turísticas no país e essa preocupação ganha ainda mais relevância quando
envolve turistas mulheres, quer sejam acompanhadas ou sozinhas.
Pesquisa realizada pela Global Solo Trave Study, apontou que 80% de todas as decisões
em relação a viagens, como planejar e reservar, são tomadas pelas mulheres. A
consulta ainda indicou que, por ano, elas representam mais de 60% dos viajantes em
todo o mundo. Além disso, apontou que a maior plataforma de reserva de hotéis online
no país destacou que mais de 20% das vendas realizadas no período do carnaval em
2023 foram para mulheres viajando sozinhas.
O ranking Women’s Danger Index (Índice de Perigo para as Mulheres) divulgado em 2019,
pelo blog Asher & Lyrics, identificou os países mais perigosos para mulheres que viajam
sozinhas, considerando 50 dos países que mais recebem turistas internacionais.
Nesse cenário, o Brasil foi classificado como o segundo país mais inseguro do mundo,
ficando atrás apenas da África do Sul. O ranking desenvolvido pelo blog utilizou 8
fatores, aplicando maior relevância aos índices de “Segurança para caminhar na rua à
noite” e “Intenção de homicídios para mulheres”, dois quesitos em que o Brasil ficou
expressivamente mal posicionado.
Além da capacidade de prevenir crimes e a possibilidade de uma pronta-reação frente a
ocorrências contra viajantes, a conscientização e qualificação dos agentes estatais
podem determinar a escolha do destino, principalmente entre turistas mulheres e, nesse
sentido, dispor de instituições capacitadas para atender as necessidades desse público,
evitando e mitigando os danos decorrentes de tais práticas é fundamental para a
expansão do turismo no país.
Dessa forma, em busca de promover uma segurança qualificada, com foco na proteção
da mulher turista e na identificação de lacunas que permitam o aprimoramento do
profissional do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), o Ministério da Justiça e
Segurança Pública (MJSP) oferta em parceria com a Agência Brasileira de Promoção
Internacional do Turismo (Embratur) a presente capacitação, que possui carga-horária de
60 horas e busca fortalecer as instituições de segurança pública, ampliando os meios de
enfrentamento à violência de gênero no país.
Vamos nessa?! 
Bons Estudos!
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
08
A cada 24 horas, ao menos 8 mulheres são vítimas de violência no Brasil². O
número é surpreendente e pode ser ainda maior, o que torna evidente que se trata
de um grupo que requer medidas urgentes de proteção. 
A segurança à mulher viajante assume papel de destaque no turismo, sobretudo
entre aquelas que provêm de outros países, sendo, por vezes, considerado fator
crucial para a escolha do destino.
Visto isso, o que os dados acimaNós argumentamos que esse não
seria o caso porque estávamos obedecendo o horário previsto e iniciou-se uma discussão verbal. O guia
enraivecido partiu para cima de mim e desferiu vários tapas e ainda, nós ouvimos dizer que ele iria pegar
uma arma, fato que não ocorreu e nós saímos correndo do hotel, com medo, e registramos a ocorrência
na Delegacia de Polícia.”
(Josefa Monteiro)
Do relato acima, qual a reflexão que você faz a respeito? Na sua opinião, o que
faltou para que essa ocorrência não acontecesse e dentro do que você já estudou
nesse curso? Quais as medidas o agente de segurança deveria proceder ao tomar
conhecimento desse caso?
Apropriação Indébita: A apropriação indébita ocorre, por exemplo, quando a turista
desembolsa o valor da viagem antecipadamente, e por alguma razão não pode realizar a
viagem e ao solicitar o reembolso, dentro da previsão contratual estipulada, não recebe o
valor estipulado e pago, ou ainda quando, por exemplo, a agência de viagem recebe o
dinheiro das pessoas que irão viajar em excursão e por alguma razão a excursão não
ocorre e a mesma não reembolsa o valor pago pelas pessoas que contrataram o serviço,
observando o que foi estipulado contratualmente entre as partes.
Extorsão: No que diz respeito ao crime de extorsão, veja a matéria que foi publicada no
dia 25/01/ 2024, no qual a PF e a PRF identificaram suspeitos de extorsão a turistas.
Segundo a referida matéria, suspeitos se passaram por falsos guias de turismo ou por
representantes de estabelecimentos comerciais, para abordar turistas na entrada e saída
do país. Os turistas foram vítimas de extorsão quando regressavam do Paraguai. Ao
passar pela aduana, foram abordados por motociclistas, que se passavam como guias,
perdendo todo dinheiro que possuíam.
Link da matéria PF e PRF identificam suspeitos de extorsão a turistas:
Matéria
PF e PRF
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
53
Assédio: Frequentemente, chegam às Delegacias Especializadas de Proteção ao Turista
a notícia de reclamação dos mesmos em relação ao assédio praticados tanto por guias
turísticos, como por ambulantes e demais vendedores das diversas localidades.
O Ministério da Defesa define assédio sexual toda conduta indesejada de caráter sexual
que restrinja a liberdade sexual da vítima. Nesse sentido, pode ser manifesta
fisicamente, por palavras, gestos ou outros meios, propostas ou impostas a pessoas,
contra a sua vontade, causando-lhe constrangimento e violando a sua liberdade sexual.
De acordo com o Código Penal Brasileiro, art. 216-A, o assédio sexual é o crime de
constranger alguém com intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual,
prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência
inerentes ao exercício de cargo, emprego ou profissão. 
Com relação às mulheres turistas, não raramente há ocorrências relacionadas ao
assédio sofrido pelas mesmas e é preciso deixar claro que não é necessário que a
conduta tenha sido reiterada, para ser configurado o assédio sexual, haja vista, que um
único ato pode ser suficientemente grave para atingir a honra, a dignidade e a moral da
mulher.
art. 216-A
Insinuações explícitas ou veladas de caráter sexual;
Gestos ou palavras escritas ou faladas de duplo sentido que constranjam
sexualmente outra pessoa;
Conversas indesejadas, impertinentes e ofensivas de conteúdo sexual; 
Narração de piadas ou uso de expressões impertinentes de conteúdo sexual
que ofendam a dignidade; 
Contato físico de forma não razoável, que tenha cunho sexual; 
Convites impertinentes e desarrazoados; 
Solicitações de favores sexuais, entre outros.
Condutas que podem ser classificadas como assédio sexual:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
54
Acesse a matéria:
SAIBA MAIS
Assédio Sexual
Diante disso, inserem-se os comentários de cunho sexual, os avanços físicos, a
“brincadeira” que invade a intimidade, a perseguição, tudo isso gera insegurança nas
mulheres turistas e demonstram que é preciso que políticas públicas de orientação,
claras e eficazes, como propagandas instrutivas e mesmo as ações dos agentes de
segurança que se deparam com esse tipo de ocorrência, que tais medidas sejam
tomadas com eficiência para que tais ocorrências sejam menos frequentes.
O assédio tem efeitos devastadores, causa danos psicológicos e pode gerar depressão,
ansiedade e estresse. É importante que o agente Susp esteja preparado para oferecer
apoio emocional e saiba encaminhar tais denúncias para as autoridades legais
responsáveis.
Veja o caso ocorrido em Mato Grosso do Sul, onde um guia foi preso, após a
turista denunciar abuso sexual em passeio turístico. Segundo a jovem turista, o
guia tocou em suas partes íntimas durante o passeio de flutuação em rio e ele foi
preso em flagrante.
Matéria G1
Matéria Band
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
55
É importante destacar o papel da denúncia como meio de proteção e repressão ao
crime de assédio sexual praticado em face da turista mulher.
O assédio também pode se manifestar, não apenas de forma sexual, mas também
referente à invasão de privacidade das mulheres turistas, através das abordagens
excessivas dos ambulantes para venda de seus produtos, gerando desconforto nas
mulheres que se sentem, por vezes, invadidas em seu espaço e coagidas a comprarem,
mesmo sem querer, o que lhes é ofertado.
Acompanhe a matéria que saiu na Band Bahia Oficial. Assédio a turistas: insistência de
ambulante incomoda – Band Cidade, (clique no link a seguir):
Em sua opinião, como deve proceder o policiamento turístico no caso de uma
turista denunciar assédio sexual?
Ao ver a matéria acima, você se sentiria incomodado/a com o assédio dos
ambulantes e vendedores? De que forma tal fato poderia ser evitado? 
Em sua opinião, você acha que essa é uma questão regional ou acontece em todo
país?
PARA REFLETIR
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
56
MÓDULO 2
Mulheres, segurança e turismo: uma relação
virtuosa
Esse módulo possuirá uma dinâmica diferente. E explicaremos as razões. Durante toda a
caminhada empreendida até agora, você teve a oportunidade de discutir questões
referentes ao turismo, gênero, violência e mulheres, nas atividades online.
Sendo assim, apresentaremos a você a relação existente entre turismo e segurança, já
que este último abordará os critérios de seleção dos destinos pelas viajantes. A
sensação de segurança exerce, portanto, papel importante nessa decisão, ainda mais,
quando pensamos em mulheres. Em mulheres que viajam sozinhas.
Contudo, apesar dos tempos terem passado, algumas mulheres, que resolveram viajar
sozinhas, sofreram abusos, foram mortas e foram, inclusive, culpabilizadas por tais
situações. São esses aspectos que iremos refletir nesse módulo. Pensar sobre a mulher,
independente intelectual e financeiramente, que viaja e precisa ter sua segurança
assegurada. 
Por esse motivo, abordaremos o papel da segurança pública nesse cenário. Mas, para
tanto, faremos isso, recorrendo a estudos de caso que permitem refletir sobre as ações
que podem/devem ser adotadas diante de ocorrências envolvendo mulheres turistas.
Isso porque, conforme orienta a Matriz Curricular Nacional para Ações Formativas dos
Profissionais de Segurança Pública, precisamos aplicar práticas didático-pedagógicas
que impulsionem a formação do profissional reflexivo, capaz de exercitar a meta-reflexão
de suas próprias ações.
Pedimos ainda que esteja muito atento aos aspectos doutrinários adotados por cada
ente de sua federação uma vez que, cada um estabelece seu próprio manual de
policiamento. Essa foi, por certo, uma das razões que nos levou a pensar de forma
genérica, trabalhando com estudo de caso, sugerindo leituras e dialogando com as
ideias.
Esse empoderamento não é algo tão novo. Lembremos, então, da viajante Maria
Grahan (1782-1842), que em seu diário de bordo descreveu a descoberta do Brasil
e a personagem Maria Quitéria. Ela viajou, atravessou os mares em um períodomarcado pela posse de terras e expansão territorial.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
57
Após esses esclarecimentos, podemos iniciar o módulo. Vamos lá, então?
Bons Estudos!
Compreender o conceito de segurança turística e sua importância no turismo;
Explicar a interligação existente entre o turismo a e segurança no processo de
planejamento e gestão turística;
Identificar percepções de medo, insegurança e vulnerabilidade das mulheres e
suas implicações para o turismo;
Discutir os fatores que influenciam o medo e a insegurança de mulheres que
viajam sozinhas e (ou) acompanhadas;
Aplicar estratégias de segurança para atender às necessidades das mulheres
no turismo;
Promover uma atitude proativa na criação de ambientes turísticos seguros para
mulheres;
Fomentar a empatia e compreensão sobre as experiências de medo e
insegurança enfrentadas por mulheres no turismo.
OBJETIVOS DO MÓDULO
Este módulo está dividido em duas aulas:
Aula 1 - Segurança Turística - um conceito
Aula 2 – Mulheres e Segurança Turística
Aula 3 – A Polícia do Turista
ESTRUTURA DO MÓDULO
AULA 1 
Segurança turística - um conceito
Visando uma melhor apresentação sobre a temática, partiremos do conceito de
segurança.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
58
Quando pensamos em turismo, o quesito segurança aparece como aspecto
determinante na escolha do produto e do destino turístico (BARRETO, 2005; TARLOW,
2002). Rejowski (1998) nos esclarece que
Vemos, portanto, que temas como estabilidade e segurança interferem na imagem do
destino, ocasionando uma forte retração turística (BENI, 2004), inibidores do turismo. Em
casos delitivos recorrentes, um destino turístico poderá ser considerado inseguro. Por
outro lado, é sabido que lugares isentos de práticas terroristas, surtos de epidemias e
conflitos belicosos prosperam nessa atividade. De certo modo, a constatação desses
fatores influi diretamente nos fluxos e ciclos das demandas turísticas.
Para você, caro cursista, o que significa segurança?
Diante disso, na sua percepção, o que torna um destino seguro? 
De que forma a sensação de segurança interfere na escolha do destino?
Semanticamente, segurança pode ser compreendida com o ato ou efeito de afastar todo o perigo, segurar,
garantir, confiança, tranquilidade de espírito por não haver perigo, indivíduo encarregado da proteção de
bens, pessoas, locais públicos e privados. (Michaelis, 2021)
a imagem negativa gerada pelos altos índices de violência e
instabilidade social costuma influenciar na escolha do destino
turístico, levando as agências e os consumidores a evitarem
determinados lugares considerados como inseguros.
Lembremos o episódio da queda das Torres Gêmeas, em 11
de setembro de 2001, na cidade de New York e os atentados
ocorridos em Madri, em 11 de março de 2004. Esses
eventos revelaram que, mesmo aqueles destinos turísticos
tradicionais, detentores até mesmo, de um sistema de
segurança avançado, estariam sujeitos às interferências
que fogem ao controle.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
59
Os primeiros estudos na área da segurança turística datam do início da década de
90 e ficaram registados numa edição coordenada por Pizam e Mansfeld (1996),
intitulada Tourism, Crime and Security Issues. Nesta compilação, os diferentes
artigos assinalavam principalmente incidentes ocorridos no Médio Oriente,
América Central e do Sul e ainda em alguns países africanos. Estes últimos,
centravam-se sobretudo na ocorrência de uma elevada taxa de criminalidade
contra turistas. (BRÁS, 2012, p. 73)
SAIBA MAIS
Sendo assim, é muito pouco provável, a existência de ambientes perfeitamente seguros,
ainda mais, quando nos referimos a destinos turísticos. Mesmo que existam controles
rígidos de entradas e saídas e o estabelecimento de regras e ações de cunho preventivo
e/ou repressivo. Sendo assim, a segurança se tornou cada vez mais importante, tanto
para comunidade em geral, quanto para os turistas e/ou viajantes, uma vez que, é uma
necessidade básica em todas as atividades humanas, incluindo o turismo.
Esta preocupação está ainda bem expressa no intenso debate que envolve o conceito de
segurança na contemporaneidade devido a sua amplitude e não unanimidade na
significação. Com o mundo em constante mutação, “[....] o conceito de segurança e a
forma de a providenciá-la ao nível internacional, nacional e local, tem procurado moldar-
se a esta realidade” (ELIAS, 2012, p. 2), já que a Organização Mundial do Turismo (OMT),
em 2001, sugeriu que o poder público deve estar orientado para proporcionar o máximo
de bem-estar a seus cidadãos, independente de regimes ou das estruturas econômica,
política e social.
Porém, evidencia-se que a preocupação com a segurança deixou de
ser apenas do visitante, do país acolhedor e passou a ser de um
conjunto de atores, quer públicos, quer privados. O país que acolhe,
acima de tudo, anseia por uma satisfação global dos serviços
prestados. O viajante/turista, por sua vez, deseja preservar a sua
integridade, e para isso, efetua uma análise e escolha criteriosa do
seu destino (PIZAM; MANSFELD, 1996).
 CURIOSIDADE
Qual a diferença entre TURISTA e VIAJANTE? 
O TURISTA possui um roteiro programado durante a sua viagem. Um cronograma
de atividades definidas.
?
Diferença entre turista e viajantes
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
60
Já o VIAJANTE não possui um roteiro pré-definida estando sempre à disposição
para experiências inusitadas em suas viagens.
Para mais detalhes acesse:
SAIBA MAIS
De acordo com Águas e Brás (2007), o conceito de segurança ampliado ao turismo
enquadra-se nos aspetos relacionados com a proteção da vida, saúde e integridade
física, psicológica e econômica dos turistas e dos agentes envolvidos na prestação de
serviços a esse grupo.
Segundo Grunewald (2003), segurança turística refere-se à proteção da vida, da saúde,
da integridade física, psicológica e econômica dos visitantes, prestadores de serviço e
membros das comunidades receptoras.
Atrativos de qualidade infraestrutura;
Desenvolvimento tecnológico global;
Segurança;
Promoções;
Distância entre núcleo emissor e receptor;
Hospitalidade do núcleo receptor;
Política de preços ao turista que evite a exploração.
(BARRETO, 1995, p. 68).
a) segurança social, assegurando ao turista o direito ao deslocamento sendo
protegido contra os problemas sociais, tais como greve, invasões e
manifestações;
Fatores que motivam o turista a decidir pela 
escolha de um destino turístico:
Fatores que motivam o turista a decidir pela Nesse sentido, conforme 
esclarece o mencionado autor, esse conceito em uma comunidade envolveria:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
61
b) segurança médica, assegurando proteção médica durante as viagens e sua
permanência no destino;
c) segurança informativa, fornecendo informações sobre o destino inclusive,
ofertas no/do país;
d) segurança econômica, prevenindo riscos de esfera econômica;
e) segurança na recreação e em eventos, assegurando proteção que viabilize sua
participação em atividades de cunho recreativo ou em eventos programados no
destino; 
f) segurança viária e de transportes, deslocamento seguro entre o local de
destino e passeios;
g) segurança ambiental, garantindo segurança nos espaços naturais e contra
acidentes de ordem climatológica; 
h) segurança contra incêndios, prevenindo e orientando as pessoas em caso de
sinistros;
i) segurança contra o terrorismo, estabelecendo planos de contingência e
emergência em situações de ameaças consideradas excepcionais;
j) segurança dos serviços turísticos, protegendo-os em diversos
estabelecimentos; e
k) segurança pública, fomentando um sistema que permita o visitante deslocar-se
livremente pelo seu destino, com a minimização das possibilidades de conflito
principalmente o envolvimento com os delitos ou acidentes.
Nesse momento, faremos uma reflexão: Turistas e/ou viajantes possuem direitos,certamente. Mas, será que possuem deveres? 
Conhecer os costumes locais, procurar informações a respeito das regras e
proibições do local a ser visitado, são deveres que os competem.
PARA REFLETIR
Fonte
Fonte
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
62
A insegurança no turismo não é um fenômeno recente. Citamos como exemplo, o
atentado nas Olimpíadas de Munique, em 1972. O grupo palestino Setembro Negro
promoveu um ataque contra a delegação israelense na Vila Olímpica
Podemos citar outro exemplo: o ataque promovido contra turistas, independente da
nacionalidade, perpetrado pelo grupo Al-Gama’a al-Islamiya, no Egito, em 1997. O
fato ocorreu no templo da rainha faraó Hatshepsut e culminou com a morte de 58
turistas, 3 policiais e 1 guia.
VOCÊ SABIA?
Tanto que, o Ministério do Turismo (MTur), para os anos de 2022 e 2023, lançou, o
programa Turismo Seguro, traçando as diretrizes daquele Ministério, em parceria com
outros órgãos, no que diz respeito às ações de segurança no âmbito das atividades
turísticas, apontando como eixo a segurança pública. Além disso, conforme quadro
abaixo, apresentou um planejamento do seu programa de segurança turística:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
63
Fonte: Programa Turismo Seguro (pg.45)
Desta maneira, não podemos perder de vista a amplitude desse conceito, pois ele
perpassa por diversas questões que dizem respeito à locomoção, a segurança pública, à
infância protegida, à igualdade gênero, integridade física, à alimentação. 
Por isso, deve ser compreendido de forma ampla, englobando a segurança dos turistas,
dos prestadores de serviços, dos profissionais do turismo e da comunidade local
receptora, bem como o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e
adolescentes na atividade turística.
RIO GRANDE DO SUL – Em Porto Alegre (RS), o projeto “RS Seguro” tem como
pilares a integração, a inteligência e o investimento qualificado. Estruturada em
eixos a ação busca combater o crime; criar políticas sociais preventivas e
transversais; qualificar os trabalhadores para um melhor atendimento ao cliente e
trabalhar no sistema prisional, tudo isso com foco no turismo.
Exemplos de boas práticas:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
64
SANTA CATARINA – Em Florianópolis, está garantido um “Verão Mais Seguro”. A
cidade reforça a segurança dos turistas no verão por meio de diretrizes de
segurança, disposição de cartilhas de orientação para os turistas, folhetos
turísticos, mapas das regiões turísticas e informações de proteção e defesa civil.
O objetivo é agregar conhecimento e segurança para quem visita e para quem
mora na capital do estado.
RIO DE JANEIRO – No Rio de Janeiro (RJ), o “Programa Expresso Turístico” tem
como meta fortalecer o planejamento de segurança em corredores turísticos.
Para isso, o programa vai contar com 20 motocicletas e uma equipe de 30
policiais especializados. O trabalho será direcionado a fazer o patrulhamento
motorizado na principal via de acesso ao Aeroporto Internacional Tom Jobim
(Galeão), e áreas do entorno.
MINAS GERAIS – Em Belo Horizonte, o programa “Revive Turismo” conta com
ações integradas para propiciar ambientes seguros, valorizando e fortalecendo o
turismo e a cultura da região. A intenção do trabalho é mobilizar atores envolvidos
com o turismo para que juntos tragam soluções que melhorem a segurança e a
qualidade de vida no setor.
GOIÁS – Caldas Novas criou a primeira “Delegacia Especializada no Atendimento
ao Turista (Detur)” com atuação nas regiões de Caldas Novas e Rio Quente. A
delegacia especializada investiga infrações penais em que a vítima é o turista,
com exceção de crimes de homicídio. O local também vai desenvolver serviços
preventivos e educativos junto ao setor hoteleiro.
DISTRITO FEDERAL – Em Brasília, o “Programa Brasília Turismo Acessível” tem
como objetivo transformar o Planalto Central em uma referência acessível para
todo território nacional. O programa nasceu da ideia de integração com os
estados da federação, buscando ligar o país e as pessoas por meio da promoção
de espaços mais livres, permeáveis e acessíveis. A ideia é contar com roteiro
arquitetônico de turismo acessível e guia religioso de turismo acessível.
MARANHÃO – A cidade de Barreirinhas desenvolveu o “Curso de Boas Práticas
de Segurança no Turismo (Projeto Turismo Seguro)”. A iniciativa visa capacitar
profissionais empreendedores e agentes que atuam na cadeia produtiva do
turismo da região dos Lençóis Maranhenses, com foco na segurança turística
como critério de qualidade do destino.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
65
CEARÁ – Em Fortaleza, as “Células de Proteção Comunitária” são torres de
reconhecimento que auxiliam na preservação e proteção para o enfretamento da
violência e insegurança. As torres são responsáveis pelo videomonitoramento
com drone e telas com acesso a câmeras instaladas em vários bairros da cidade,
causando a ampliação da segurança do turista na região.
MANAUS – “Prevenção ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e
Adolescentes” é uma das bandeiras carregadas em Manaus para promover um
turismo mais seguro. Por lá, são desenvolvidas campanhas para alertar a prática
do turismo legal como forma de combater a rede de exploração e abuso de
crianças e jovens.
Fonte: Segurança Turistica 
AULA 2
Mulheres e viajantes: questões de segurança
Iniciamos essa aula, compartilhando narrativa ocorrida em agosto de 2011,
Em Salta, província do norte da Argentina duas turistas francesas, Moumni Houria
e Bouvier Cassandre, foram violentadas e mortas, durante suas estadias em Salta,
na Argentina. O crime ficou conhecido como o “caso das turistas francesas”. 
Cassandre Bouvier, de 29 anos, e Houria Mumni, de 24 anos, foram encontradas
mortas na última sexta-feira, em uma área de trekking no Monte de San Lorenzo, a
1.600 km de Buenos Aires.
A polícia argentina, inicialmente, fez a detenção de um único suspeito - Daniel Vilte,
que foi preso na noite de segunda para terça-feira e a única ligação aparente do
suspeito com o crime era a compra de uma arma calibre 22, similar à utilizada
contra as francesas.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
66
Segundo os resultados da autópsia, quando foram encontradas, as jovens já
estavam mortas há 48 ou 72 horas. Os investigadores contam com fios de cabelo
e amostras de esperma encontrados no local do crime para poder identificar os
autores do crime.
As primeiras pistas indicavam que Cassadre Bouvier foi violentada antes de ser
assassinada com uma bala na cabeça. A outra jovem, Houria Mumni, teria
conseguido resistir à tentativa de estupro e escapar dos agressores, mas acabou
sendo abatida com uma bala nas costas. Ela teria agonizado durante horas, antes
de falecer.
Os familiares das vítimas viajaram para Salta, a fim de conversarem com os
responsáveis pelas investigações. Ao mesmo tempo, a embaixada francesa emitiu
uma notificação exigindo que as autoridades argentinas empreendessem esforços
para finalizar as investigações.
Jean Michel Bouvier, pai de uma das turistas francesas mortas na Argentina em
julho desse ano, disse ter certeza de que sua filha sofreu o que se pode chamar de
"massacre".
Bouvier se encontrou com a presidente Cristina Kirchner, a quem pediu para
pressionar a justiça argentina a não esquecer o crime. Em Paris, ele publicou uma
carta no jornal "Le Monde" pedindo ao governo que elevasse o crime contra mulher
ao mesmo nível de crimes contra a humanidade, pelo que ele chamou de
"feminicídio".
Com o avanço das apurações três residentes e guias foram detidos e privados de
liberdade. Durante o transcurso das investigações, especialistas passaram a
frequentar diferentes programas para falarem sobre o vínculo necessário entre
proteção, risco e turismo, alertando sobre a obrigação do Estado em oferecer
segurança aos viajantes estrangeiros.
Até pouco tempo, para grande parte da sociedade, a ideia de mulheres viajaremsozinhas
era praticamente impensável. No histórico social feminino, muitas mulheres foram
condicionadas a se comportarem conforme os posicionamentos dos homens e, até hoje,
a liberdade da mulher gera reações negativas. O preconceito apontado para o gênero
feminino é gerado pelo sistema patriarcal que ainda reforça os estereótipos com base na
raça, cultura, religião ou padrão social.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
67
Segundo Perrot (1991), durante todo o século XVIII, foi se operando
uma distinção forte entre o que pertencia à esfera pública e à
privada. Com o decorrer da história, marcada por revoluções, essa
distinção transformou-se em uma definição de papéis sociais,
atreladas ao sexo, que atribuiu funções para homens e mulheres, ou
seja, espaço público e doméstico, respectivamente.
A valorização da família, centrada da figura do homem, foi
importantíssima para este processo, pois a sociedade encontrou
nesta organização uma forma de manter a mulher no espaço
privado. Hunt (1991) afirma que ao final do século XVIII a mulher é
representada como o inverso do homem e passa a ser identificada
por sua sexualidade: “O útero define a mulher e determina seu
comportamento emocional e moral. Na época, pensava-se que o
sistema reprodutor feminino era particularmente sensível, e que
essa sensibilidade era ainda maior devido à debilidade intelectual”
(HUNT, 1991, p. 50).
O discurso dos médicos se uniria ao dos políticos e no início do século XIX as mulheres
estariam totalmente relegadas à esfera privada, ao doméstico, tornando-se símbolo da
fragilidade que precisava ser protegida e guardada. Outra aliada fortíssima para a
consolidação destes ideais foi a religião que, segundo Hall (1991), por meio de vários
movimentos em prol da família cristã, elegeu a mulher como célula base do lar. As
mulheres estariam condicionadas ao cuidado do lar e dos filhos, protegidas e longe do
mundo, visto como perigoso.
Você sabia que uma das reinvindicações feministas foi a adoção do policiamento
feminino? Tanto que em 1955, na cidade de São Paulo, na gestão de Jânio
Quadros, ingressam na atividade policial as primeiras mulheres. 
E qual seria o papel delas? Acolher, assistir e orientar as crianças, idosos, mulheres
e aqueles em situação de vulnerabilidade. Segundo Hilda Macedo, a primeira e
única comandante daquele grupamento, as mulheres naquele período eram presas
devido a prostituição, infanticídio e furtos. Sendo assim, as mulheres contribuiriam
para a manutenção da moral. 
Sugerimos a leitura de referenciais como Rosemeri Moreira (2017), Andréa
Schactae (2006), Marcos Souza (2014), Geórgia Ferreira (2023). 
VOCÊ SABIA?
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
68
As conquistas alçadas pelo movimento feminista fizeram com que as mulheres
adquirissem direitos, não ficando mais submetidas ao pátrio poder que as subjugava ao
poder do pai, marido e irmãos. Diante do empoderamento feminino, elas passaram a
viajar sozinhas, tanto para lazer, quanto para trabalho. Sendo a segurança turística uma
das questões observadas por elas.
Cabe aqui trazer um caso emblemático, que ganhou visibilidade internacional e
impulsionou o debate sobre a violência de gênero contra mulheres que viajam sem a
companhia de homens. As argentinas Maria José Coni, de 22 anos, e Marina Menegazzo,
de 21, iniciaram um mochilão pela América do Sul, mas foram assassinadas no Balneário
de Montanhita, no Equador. O caso veio à tona em fevereiro de 2016, quando os corpos
foram encontrados depois que elas ficaram desaparecidas por alguns dias sem contato
com os familiares.
O episódio ganhou repercussão em todo o continente e, com a forte pressão social, os
assassinos confessaram o crime e foram condenados a 40 (quarenta) anos de prisão,
em julgamento ocorrido em agosto do mesmo ano. Os dois homens drogaram,
violentaram e mataram as jovens. 
A cobertura inicial da imprensa na época e a postura das autoridades tanto no Equador
quanto na Argentina traziam uma abordagem que buscava culpabilizar as vítimas,
justamente por elas terem se aventurado sem a companhia masculina para “protegê-las”.
Isto gerou uma hashtag que foi traduzida e ganhou força em países de língua inglesa
(#ITravelAlone) e francesa (#JeVoyageSeule). No Brasil, ocorreram mobilizações com a
hashtag #QueroViajarSozinhaSemMedo.
O mundo é perigoso para as mulheres viajantes/turistas? Ou seria perigoso para as
mulheres em qualquer situação, inclusive dentro de casa ao lado de pessoas
conhecidas?
PARA REFLETIR
Turista Argentinas Mortas
As vítimas foram culpabilizadas por terem se aventurado sem uma companhia
masculina para protegê-las, trouxe a reportagem sobre o caso. 
Discorram sobre essa afirmação.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
69
Temos claro que a violência de gênero, o feminicídio, a cultura do estupro e outros
tantos conceitos que perpassam a autonomia de corpos das mulheres são
problemas extremamente complexos e que estão presentes em todos os
ambientes (doméstico, trabalho, lazer etc.). De igual modo, também temos claro
que existem abordagens que se desdobram, quando trazemos para o foco da
reflexão outros elementos como o status social, raça/etnia, que interpolam a
violência de gênero para novas perspectivas. A questão de segurança para as
mulheres, de maneira geral, é quase uma só: a diferença de gênero.
*IMEI é o código de identificação do celular. Com ele em mãos, é possível acessar as
configurações do aparelho de forma remota e resolver uma série de problemas com o
fabricante ou a operadora. Você também consegue bloquear o smartphone em caso de
roubo, furto ou perda e comprovar a propriedade do celular na hora de registrar um
boletim de ocorrência.
Sendo assim, é importante que nos questionemos quais são as orientações
básicas de segurança pública para as mulheres que pretendem viajar?
Sempre estar atenta aos pertences pessoais, observando se bolsa, celulares,
tablets e outros pertences estão no campo de visão; 
Ao transportar dinheiro ter bastante cuidado e levar consigo apenas a
quantidade que pretende gastar no passeio, evitando levar grandes quantias e
preferindo usar cartões de crédito, débito ou mesmo o pix;
Ter cuidado com os cartões por aproximação, em festas onde há grande
quantidade de pessoas, e antes de sair para as tais festividades copie o
número do IMEI* do celular e deixe no hotel ou onde estiver hospedada;
Se for pegar algum aplicativo, verificar a rota e se puder compartilhar com
alguém conhecido também, será interessante, atinando ainda para a placa e o
nome do motorista; 
Procurar empresas que sejam cadastradas para os pacotes turísticos ou
reserva de hospedagem, antes de viajar; 
Procurar caminhar por lugares iluminados e de grande ou média
movimentação e não reagir em caso de assalto;
Se for estrangeira, trocar as moedas em casas de câmbio oficiais; 
Ao sair para os bares e festas locais, ficar atenta ao copo de bebida, não o
deixando exposto; 
Não deixar seus filhos afastarem-se do campo de visão.
Aqui elencaremos algumas orientações preventivas importantes, exemplificando:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
70
Entretanto, muitas pessoas ainda não sabem como acessar o IMEI e é isso que nós
vamos explicar neste artigo! Continue lendo e confira o passo a passo. Como consultar o
IMEI do celular? Existem muitas maneiras diferentes de consultar o IMEI do seu celular,
mas a mais simples delas é através do código universal. Basta abrir o teclado do seu
aparelho, como se fosse fazer uma ligação, e digitar *#06#. O código vai aparecer
automaticamente na tela. Conseguiu? Agora é só anotar o código em um lugar seguro!
Você também pode acessar o IMEI diretamente pelo menu do celular. Mais
informações? Clique aqui: https://blog.portoseguro.com.br/imei-o-que-e 
AULA 3
A polícia do turista
Você está iniciando a última aula do módulo e estudará questões relativas à POLÍCIA DO
TURISTA.
As autoridades públicas e turismólogos têm manifestadogrande preocupação com o
quesito segurança, que passou a ser considerado um aspecto fundamental para o ramo
do turismo. Infelizmente, a delinquência tem se aproveitado do fato de que o turista, para
sua comodidade, e prática intensa das atividades inerentes à busca do conhecimento e
do lazer, sempre leva consigo quantias elevadas em espécie e equipamentos valiosos,
como celulares.
Em regra, nos crimes contra turistas verifica-se que é uma vítima acidental que se
encontra “no local errado, à hora errada”, constituindo um alvo fácil.
Os turistas são um alvo preferencial porque, de um modo geral,
andam com grandes quantias em dinheiro ou outro tipo de valores;
são mais vulneráveis no espaço físico e social que não é o seu, com
atitudes que o denunciam enquanto turista (ter um carro alugado,
usar permanentemente a máquina fotográfica, celulares, consultar
mapas, entre outros); apresentam menor probabilidade de
reportarem o crime na polícia local; ignoram as precauções normais
de segurança; têm dificuldade em identificar os assaltantes ou
agressores e raramente regressam para testemunhar em caso de
julgamento (OCHRYM, 1990).
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
71
A escolha dos locais que visita conduz a uma maior probabilidade
de crime (por exemplo, saídas noturnas para áreas mais
movimentadas ou menos policiadas) ligada ao fato de a indústria
turística, na forma como se organiza, acaba por criar situações em
que os aspetos de segurança são relegados para segundo plano. Os
turistas são atualmente alvos preferenciais de grupos,
nomeadamente, terroristas, pela representação social e cultural que
fazem do país de origem (BRÁS; ÁGUAS, 2007; GLENSOR; PEAK,
2004).
O aumento da criminalidade, em alguns destinos está, de uma forma
mais profunda, ligado a fatores que se prendem com elevados níveis
de desemprego, a falta de qualificação profissional e de
oportunidades no mercado de trabalho, ao que se junta a
necessidade de manter um status social que se materializa na
posse de bens socialmente importantes (roupas de marca, joias,
celulares) ou com o consumo de drogas (GRINOLS et al, 2009).
Qual o papel da polícia na punição e prevenção à violência contra a mulher?
A principal porta de entrada das mulheres vítimas de violências ainda é a Delegacia
de Polícia, embora o contato inicial se dê, em sua grande maioria, com a Polícia
Militar, pelo telefone 190 ou em casos de prisão em flagrante do agressor. Por isso,
as polícias civil e militar possuem papel fundamental na rede de enfrentamento,
proteção e punição à violência contra a mulher. 
Elas devem atuar não só na punição do agressor, mas, principalmente, na
prevenção à violência contra a mulher. Somente por meio da educação e da
interação das polícias com as comunidades é que será possível desconstituir a
cultura da desigualdade do gênero.
Como vimos, investir em segurança pública pode aumentar o número de visitantes para
os destinos turísticos, pois acredita-se que os turistas antes de visitarem um
determinado destino, pesquisam sobre várias questões e entre elas, está: a qualidade da
segurança pública, se o índice de criminalidade for alto, os turistas poderão ficar
receosos e procurarão outros destinos para visitarem.
Prevenção à violência contra a mulher
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
72
A percepção dos turistas nas localidades pode fazer com que eles
sintam a necessidade de mais segurança, pois se sabe que, se
sentir seguro é uma questão que envolve o nosso psicológico. Se
visivelmente as pessoas presenciarem lugares pintados por
vândalos, patrimônios públicos degradados sejam ruas, praças e
outros bens públicos em má conservação, despertará
psicologicamente que é um lugar propício para alojamento de
pessoas usuários de drogas e outros delinquentes, pode até ser um
local seguro, mas, infelizmente os turistas evitarão visitar, com
medo de ser um local perigoso (FERNANDES; LACAY; GANDARA,
2014, p. 4).
Sobre os questionamentos acima, é importante destacar que o papel da gestão no
planejamento do policiamento de áreas turísticas deve ser realizado de forma
intencional, baseado em dados e evidências, utilizando-se da cooperação interagências e
da mobilização comunitária.
Ademais, é certo que o policiamento de uma área histórica, urbana e com infraestrutura
desenvolvida é distinto daquele a ser realizado em praias, ao longo do litoral ou em
zonas de mangue, por exemplo.
Cada localidade possui sua especificidade e, dessa forma, diferentes modalidades de
patrulhamento devem ser desenvolvidas.
Portanto, seja ao planejar uma operação, designar o efetivo ou prever um tipo de
policiamento, o gestor de segurança deve conhecer o seu público, a origem, os
interesses e suas necessidades. Por exemplo: a origem de turistas que viajam para a
3.1 O planejamento do policiamento turístico
Como o policiamento turístico deve ser planejado?
Você é capaz de identificar as necessidades de policiamento de acordo com a
realidade da sua região? Como tem sido a distribuição do efetivo nos pontos
turísticos locais? 
Você consegue identificar as estratégias de policiamento adotadas pela gestão?
Como tem sido o emprego dos recursos ao longo dos dias e horários da semana? 
Existem alternativas e planos de ação para cada época do ano?
PARA REFLETIR
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
73
Amazônia, bem como o idioma nativo e o modal utilizado para chegada, são distintos
daqueles utilizados pelos turistas que chegam à Bahia, por exemplo.
Capacitar policiais para identificar demandas típicas do turista europeu ou norte-
americano, por exemplo, é qualificar o atendimento ao turista, contribuindo para a
sensação de segurança local e permitir uma proximidade do agente com o viajante. 
Escolher policiais com fluência em determinados idiomas para o atendimento a turistas
que são mais frequentes na localidade, bem como preparar materiais orientativos em
língua que seja mais comum dentre os turistas é uma forma de otimizar recursos e
tornar a comunicação mais eficiente.
Observe que, de acordo com o perfil e época do ano, o gestor poderá adotar um
policiamento mais adequado, alinhado à realidade local.
Uma das formas de identificar o perfil do turista e as diversas variáveis que o
acompanham (idioma, período de viagem, nacionalidade, modal utilizando para chegada
– se aéreo ou marítimo, por exemplo) é utilizar o painel de dados disponibilizado pela
EMBRATUR.
Você sabia que a Embratur tem um portal de dados com informações abrangentes
sobre a entrada de turistas internacionais no país?
A nacionalidade dos turistas que viajam às Cataratas do Iguaçu, na fronteira
brasileira, é diferente do perfil daquele turista que vai ao Rio de Janeiro, em pleno
verão.
Você é capaz de identificar essas variáveis em sua região? Qual o perfil do turista
que chega em sua cidade? Ele é o mesmo ao longo de todo o ano ou varia de
acordo com o mês analisado? E o que isso tem a ver com a segurança pública?
PARA REFLETIR
É por isso que conhecer os dados relacionados ao turismo 
em sua região é importante!
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
74
A ferramenta disponibiliza levantamentos, com filtros por estado, que informam a
antecedência de compra de passagens, a motivação das viagens, o tempo de
permanência, aeroporto que foi o portão de entrada e número de conexões até o destino
final.
A plataforma tem reconhecimento internacional e fornece informações para instituições
como a Organização Mundial do Turismo (OMT), a World Travel & Tourism Council e
países como Alemanha, Inglaterra, Portugal, República Dominicana e Tailândia.
Cada localidade tem suas ações de promoção de destinos e, com esses dados, podem
melhorar o planejamento e o resultado das campanhas.
Com o painel, a Embratur passa a fornecer informações para que os governos
estaduais planejem campanhas mais eficientes de atração de turistas, além de os
dados alimentarem o fomento de políticas da própriaAgência para promover o
Brasil no exterior.
Vejamos, por exemplo, o turismo analisado com os dados coletados por aqueles
viajam ao Ceará.
Segundo o painel, no primeiro semestre deste ano, 18,38% dos turistas
internacionais que viajaram para o estado nordestino compraram a passagem com
antecedência de 60 a 89 dias, e apenas 2,87% emitiram os bilhetes faltando quatro
dias para o embarque. Além disso, dos turistas que visitaram o estado entre janeiro
e junho, 25,32% ficaram de nove a 13 noites. Também são maioria os que voltam
para casa após esse prazo: 25,25%. Foi possível saber ainda que 24,53% passaram
um total de mais de 22 noites no Brasil, estendendo a viagem para outros destinos. 
Já em relação às conexões, 34,5% fizeram um voo direto de seus destinos para o
estado. E um grupo de 33,15% fizeram uma conexão. Muito provavelmente por
Guarulhos (SP) ou Galeão (RJ), que recebem a maioria dos passageiros nesses
casos. 
Turistas internacionais que visitaram o Ceará, este ano, viajaram para o destino a
lazer; outros 19,14% foram se encontrar com familiares e amigos; 11,59%
estiveram no estado em viagens de negócios e mais 5,93% viajaram com grupos de
excursão.
Fonte: Chegadas Internacionais
Acesse o portal com dados dos turistas no Brasil, onde você poderá consultar os
informações de todos os estados para apresentar documentos de inteligência,
planejamento de ações e painéis informativos:
Painel de Chegadas
https://dados.embratur.com.br/
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
75
SAIBA MAIS
3.2 Atendimento policial no setor turístico
Existe uma polícia voltada para atender os turistas? Existe sim. Em diversos locais,
há os chamados Batalhões de Policiamento Turísticos, atrelados às Polícias
Militares e as Delegacias de Atendimento ao Turista - DELTUR, ligada a Polícia Civil.
As delegacias atuam apurando e reprimindo infrações penais praticadas contra turistas.
Por sua vez, os batalhões ou polícia turística são unidades preventivas voltadas para
atender o turista nacional e estrangeiro, em ocorrências de roubo ou furto, ou até mesmo
repassar informações de serviços e produtos relacionados ao turismo, como atrativos
turísticos, hospedagens, transportes, bares e restaurantes, entre outros, devido ao
crescimento do potencial turístico e ao aumento dos investimentos da iniciativa privada
e pública em equipamentos turísticos.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
76
No caso das polícias militares ou guardas municipais, a sua atuação é baseada nos
preceitos da prevenção, ou seja, trabalham na garantia da ordem pública, realizando o
policiamento ostensivo, principalmente nos pontos turísticos da capital e interior dos
respectivos Estados. Sua atuação peculiar é na administração de ocorrências onde
estejam envolvidos turistas nacionais e estrangeiros, trabalhando ostensivamente para
prevenir possíveis delitos, e atuando também como agentes de informações turísticas,
pelo fato de falarem outras línguas. Para isto, a Polícia Turística mantém sempre seus
policiais capacitados, com domínio de línguas estrangeiras e conhecimentos técnicos
específicos para tal fim.
Vimos até agora que essas especializadas cuidam do policiamento voltado para o
turista. Os militares e guardas municipais prestam informações e orientações, realizam
encaminhamento em casos de furtos e assaltos, e/ou acidentes. Na maioria das
ocorrências levam para a delegacia especializada ou central de flagrantes, em finais de
semana, para o desfecho ou registro.
Nesse contexto, é relevante refletirmos sobre o perfil dos agentes de Segurança Pública
que atuam no atendimento ao turista e em especial à mulher turista:
Sabemos que é necessário um olhar diferenciado do profissional de Segurança Pública
quando o assunto é abordagem e investigação afeta aos turistas. 
De uma forma genérica, o atendimento ao turista difere dos demais porque sabemos que
ele não irá permanecer por muito tempo na localidade e por isso requer uma ação rápida,
eficaz e com uso da inteligência policial, utilizando os indicadores de segurança pública
como foco de prevenção e ação direcionada. 
Importante ressaltar ainda, que saber mais de que a língua “mater” poderá ajudar o
profissional de segurança na comunicação com o turista estrangeiro. O profissional
bilíngue será útil para trabalhar em postos turísticos ou delegacias especializadas de
atendimento ao turista, tanto para fornecer informações relevantes, como para dar os
encaminhamentos necessários, aos consulados, embaixadas e auxiliar o turista na parte
penal também, caso tenha ocorrido algum crime.
É necessário ainda que esse profissional esteja preparado para uma abordagem
eficiente, no sentido de que se houver algum crime em andamento, sejam movidas as
forças de segurança locais para o atendimento rápido, a fim de equacionar a situação e
garantir que o criminoso não se evada do local do crime, ainda tendo o olhar e a
Atuação: prevenção à delitos envolvendo turistas e atividades de apoio as
Unidades Policiais localizadas em áreas turísticas, incluindo aeroportos e em
alguns locais, as rodoviárias.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
77
paciência para ouvir a situação relatada pelo turista e dar à mesma a devida importância,
encaminhando a situação para a Delegacia a fim de que sejam tomadas as ações
investigativas pertinentes. O investimento em um policiamento preventivo de qualidade,
com fardamento próprio e veículos caracterizados e condizentes com a localidade
turística, como jet skis, quadriciclos, bicicletas, triciclos, além de outros, o investimento
em cursos de aperfeiçoamento ao atendimento ao turista, o investimento em cursos de
línguas, todas essas ações associadas ao aperfeiçoamento constante da força
preventiva de segurança auxiliam o melhor atendimento ao turista. 
No decorrer de atendimentos, deve-se atentar para as diferenças culturais, normas locais
e práticas costumeiras que influenciam na segurança e no atendimento às mulheres
turistas.
A Instrução nº 3.03.13/2023/CG que regula a atuação da Polícia Militar de Minas Gerais
no Policiamento Ostensivo em Áreas Turísticas define como missão geral desses
profissionais, proporcionar serviço de segurança Pública a todas as pessoas que visitam,
frequentam ou circulam nas áreas de especial interesse turístico, suprindo os anseios
apresentados pela população de um policiamento ostensivo qualificado, equipado, e
capaz de atender as necessidades desse público, atuando diretamente na prevenção de
crimes relacionados a eventos turísticos, em especial crimes contra a pessoa e
patrimônio e priorizando as ações de caráter preventivo, de acordo com a filosofia dos
direitos humanos, do policiamento comunitário e da especialização no policiamento
turístico.
Na realização do policiamento de áreas turísticas não deve haver
favoritismos, de forma que a execução do policiamento deverá cumprir rotas,
consubstanciadas em base estatística de criminalidade e fluxo de pessoas,
com vistas a atender toda população envolvida no turismo local, sem qualquer
distinção;
Em municípios turísticos o policiamento será realizado por policiais militares
capacitados e treinados a interagir com o público local e visitante, de forma a
promover as liberdades e direitos fundamentais; 
Em cada viatura policial trabalhará uma guarnição com no mínimo dois
policiais, devendo eles estarem aptos a prestar informações, de forma
hospitaleira sob pontos turísticos, rede hoteleira, transportes, alimentação,
dentre outros, conforme prescreve a diretriz que regula o assunto. 
Quanto à execução da atuação do Policiamento Ostensivo Turístico, o referido
manual preleciona dentre outras ações que:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
78
Link do Manual sobre Policiamento Ostensivo Turístico
Manual sobre Policiamento
Mas, voltando a problemática inicial do curso, perguntamos, o que fazer quando a
vítima é turista e mulher? Por certo, os encaminhamentosserão os mesmos:
atendimento, esclarecimento e registro de ocorrências. Mas, quando for violência?
O que fazer? Vamos refletir sobre um caso?
História da Débora 
“Eu tinha saído de casa para visitar uma amiga na Central do Brasil. Era 14h. Eu já estava dentro do vagão
do metrô quando um homem entrou e parou na minha frente. Minutos depois ele começou a me encarar.
Me encarou tanto que eu fiquei constrangida e me senti invadida. 
De tempo em tempo, eu o olhava e todas as vezes os meus olhos cruzavam com os dele. Comecei a sentir
calafrios. Uma colega entrou no mesmo vagão. Logo me levantei, fui ao lado dela e começamos a
conversar. Neste momento, consegui deixar de prestar atenção naquele homem. 
Achei que tivesse passado. Senti alívio. Chegou a hora de descer. Ele desceu na mesma estação, atrás de
mim. Eu parei, fingi que pegava alguma coisa na bolsa, li as placas de saída do metrô (que eu sabia de
cor), até que ele passou por mim e começou a subir as escadas rolantes. Tomei outro caminho. 
Para o meu espanto, ele estava na saída que eu tinha escolhido. Neste momento percebi que poderia ser
muito sério. Na tentativa de não cruzar com ele, entrei em uma farmácia. A fila estava enorme, peguei um
remédio qualquer. Imaginei que, com mais de 10 minutos na fila, ele iria embora. 
Eu o vi subir a escada rolante. Dois minutos depois ele estava descendo as escadas e passou ao lado da
farmácia. Neste momento, eu estava calma por fora, pensando em estratégias para me livrar dele e em
pânico por dentro. Enrolei o quanto pude dentro da farmácia até que ele se distraiu. Eu saí andando rápido
e mais rápido ainda subi as escadas rolantes. 
Saí da estação de metrô e encontrei dois guardas municipais. Felizmente uma era mulher e me deu apoio.
Pediu que eu ficasse com ela até me acalmar. Eu chorei de nervoso e pânico. Aquele homem sumiu ileso
na multidão”.
Fonte: Formação de Policiais
Manual de capacitação
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
79
Mas, e quando, a vítima é alvo de violência sexual?
E quanto aos crimes cometidos por turistas?
Durante a chamada telefônica para a Central 190 - Ao responder a uma
chamada - na residência da vítima ou em qualquer outro lugar?
Transportando a vítima - Levando a vítima para prestar testemunho na
delegacia?
Examinando a vítima no Instituto Médico Legal? 
Mantendo a vítima segura e reduzindo o trauma após o evento?
Que tipo de perguntas à polícia deve fazer? 
Que tipo de evidência é importante reunir e como?
Que outras maneiras a polícia poderia ser mais sensível a vítima 
nas etapas de assistência?
Acesse e leia:
SUGESTÃO DE LEITURA
Bem, em casos que tais, deve-se de igual forma seguir os parâmetros da legislação penal
e processual vigente em nosso país, respeitando o princípio constitucional da dignidade
da pessoa humana. 
Em caso de turista estrangeiro, deve-se observar, a princípio o que dispõe o art. 5º do
Código Penal Brasileiro, o qual diz que se aplica a Lei Brasileira aos crimes cometidos
em território nacional, sem prejuízo de Convenções, Tratados e regras de Direito
Internacional. 
Para efeitos penais da lei vigente em nosso país, consideram-se como extensão do
território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a
serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e
embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem
respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto mar. 
Aplica-se ainda a Lei Brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou
embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se em pouso no território
nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, ou em porto ou mar territorial do
Brasil.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
80
Desta forma, caso um estrangeiro cometa um crime em território nacional, ou em uma de
suas extensões, ele deverá ser julgado no nosso país e pela lei brasileira. Tal regra tem
as exceções previstas no art. 5º do CPB, quais sejam, as Convenções, Tratados e regras
de Direito Internacional).
O policial do Susp, ao se deparar um uma situação de crime praticado por estrangeiro,
deve imediatamente encaminhar a situação à Delegacia de Polícia, a qual tomará as
providências devidas e os encaminhamentos necessários.
Para finalizamos o módulo, leia o relato abaixo:
Matéria Jusbrasil
Para saber mais sobre o assunto, acesse:
SAIBA MAIS
Turista americana é vítima de estupro coletivo na Índia
A mulher de 30 anos foi estuprada por um caminhoneiro e outros dois homens no norte do país
Nova Délhi - Uma turista americana foi estuprada por um caminhoneiro e outros dois homens em
um estado do norte da Índia, anunciou a polícia local.
"A mulher de 30 anos foi violentada na segunda-feira à noite por alguns homens em um caminhão.
Eles ofereceram carona e ela aceitou", afirmou à AFP Abhimanyu Kumar, policial do estado
Himachal Pradesh. O crime aconteceu em Manali, uma localidade ao pé do Himalaia e a 500 km
de Nova Délhi.
A vítima passou por exames médicos que confirmaram o estupro, segundo Kumar, e a polícia
procura os criminosos.
"A mulher não memorizou a placa do caminhão e não entendia o que os suspeitos falavam.
Circularam até um local isolado e a estupraram durante quase uma hora", afirmou o policial. Todos
os caminhoneiros de Manali receberam a ordem de comparecer à delegacia local.
O estupro foi revelado um dia depois da polícia de Calcutá (leste) ter anunciado a detenção de um
empresário local como suspeito de ter drogado e violentado uma irlandesa de 21 anos que
trabalhava para uma associação de caridade.
Violência Sexual
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
81
No dia 16 de dezembro, cinco homens e um menor de 17 anos estupraram, agrediram e
torturaram uma estudante de 23 anos em um ônibus. A vítima e o namorado foram jogados do
veículo após os crimes. Levada para um hospital de Cingapura depois de passar por várias
cirurgias na Índia, a estudante faleceu em 29 de dezembro. O caso provocou uma profunda
comoção na Índia.
Fonte: Turista americana é vítima de estupro na índia
Pensando numa ocorrência policial, em nosso país, se a vítima chegasse até você
e relatasse que havia sido vítima de violência, o que faria?
PARA REFLETIR
Finalizamos esse módulo, fazendo as seguintes pontuações:
Em casos de vítimas de violência sexual, em especial mulheres, alguns
cuidados precisam ser tomados: não julgar a vítima, já traumatizada pelo ato de
violência sofrido, é um deles. Questioná-la sobre as roupas que usava ou o
porquê do local que frequentava, soa como uma justificativa para aquilo que
sofreu. Crimes sexuais traumatizam físico e psicologicamente.
Sabemos que existem protocolos e procedimentos para a atuação policial.
Esses protocolos devem ser seguidos.
Sigam aquilo que é previsto: encaminhar para hospitais e delegacias. Como dica
de leitura, sugerimos: Violência Sexual: Revitimização no âmbito policial. 
2
1
3
Para saber mais sobre o assunto, acesse:
Neste módulo, você aprendeu sobre:
O papel da polícia turística;
O conceito de segurança turística;
O preconceito sobre as vítimas de violência sexual e o impacto na prática policial. 
SAIBA MAIS
SÍNTESE
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
82
MÓDULO 3
Direito das mulheres, direito para mulheres
O tema que iremos abordar nas próximas aulas é de suma importância para todos os
agentes de segurança pública que lidam diariamente com mulheres viajantes, e que
muitas vezes, não se atentam às questões relacionadas ao gênero e a necessidade de
assistência a esse grupo. 
Independentes, financeira, emocional e politicamente, as mulheres têm rompido com as
ideias que permeavam o discurso patriarcal que as consideravam como incapazes
intelectual e juridicamente, passando a viajar sozinhas. 
Queremos, portanto, refletir nesse módulo, sobre a violência que é motivada pela
concepção de gênero.
As informações aqui apresentadas trazempara os profissionais do Susp os subsídios
básicos para a compreensão das relações de gênero e violência. Essa percepção será
importante para o acompanhamento dos casos afetos a segurança turística da mulher.
Por meio da leitura deste módulo e das sugestões de vídeos e outros estudos,
procuramos contribuir para que você juntamente com a sua equipe possa atuar na
identificação das questões de gênero envolvidas nos casos de violência contra as
mulheres turistas. 
Além das leituras aqui indicadas, bem como das atividades propostas, você poderá
recorrer a outras fontes disponíveis para construção do seu conhecimento. Entretanto,
pedimos a você que se lembre de discutir com os seus colegas de curso, no ambiente
virtual de aprendizagem, pois no processo de aprendizado, quanto mais se compartilha,
mais se aprende.
Bons estudos!
Compreender os diferentes conceitos de violência, especialmente no contexto
de gênero.
Diferenciar os conceitos de gênero e sexo, e entender suas implicações sociais
e legais.
OBJETIVOS DO MÓDULO
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
83
Desenvolver habilidades para discutir e argumentar sobre as diferenças entre
gênero e sexo.
Analisar a inserção da violência de gênero nas agendas globais de direitos
humanos.
Conhecer as normatizações nacionais que abordam a violência de gênero.
Aplicar conceitos de violência de gênero em estudos de caso.
Estudar o fenômeno do feminicídio no Brasil, suas causas e consequências
legais e sociais.
Incentivar o compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e a
erradicação da violência de gênero.
Este módulo compreende as seguintes aulas:
Aula 1 - Refletindo sobre o conceito de violência 
Aula 2 - Gênero e sexo: qual a diferença
Aula 3 - Violência de gênero na agenda global
Aula 4 - A pauta local: normatizações nacionais
Aula 5 - Feminicídio no Brasil
ESTRUTURA DO MÓDULO
AULA 1 
Refletindo sobre o conceito de violência
Iniciaremos esse módulo com a discussão acerca do conceito de violência.
O conceito de violência é ambíguo, complexo, implica em vários elementos e correntes
teóricas. As suas formas são tão numerosas, que por vezes é difícil, elencá-las de modo
satisfatório.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
84
Diversos profissionais, em especial os atores midiáticos,
manifestam-se sobre elas, oferecem até alternativas de solução;
todavia, a violência surge na sociedade de modo novo e ninguém
consegue evitá-la por completo. A complexidade da violência
aparece na polissemia do seu conceito (HAYECK, 2009).
Por esta razão, é necessário tomar cuidado na exposição desse conceito, pois ele pode
ter vários sentidos: ataque físico, ameaça, uso da força física, seriam alguns desses
sentidos. O vocábulo VIOLÊNCIA gera diversos efeitos de sentido, significações.
Dicionário Houais: “Violência. s.f. (sxiv cf. Fich IVPM) 1. qualidade do que é
violento 2. ação ou efeito de violentar, de empregar força física (contra alguém
ou algo) ou intimidação moral contra (alguém); ato violento, crueldade, força 3.
exercício injusto ou discricionário, ger. ilegal, de força ou de poder 3.1
cerceamento da justiça e do direito, coação, opressão, tirania 4. força súbita que
se faz sentir com intensidade; fúria, veemência 5. dano causado por uma
distorção ou alteração não autorizada 6. o gênio irascível de quem se encoleriza
facilmente, e o demonstra com palavras e/ou ações 7. JUR. Constrangimento
físico ou moral exercido sobre alguém, para obrigá-lo a submeter-se à vontade
de outrem; coação. 
Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa – Houaiss, Villar e Franco (2004).
Novo Aurélio século XXI:
“Violência. [Do lat. violentia] S.f. 1. Qualidade de violento. 2. Ato violento. 3.
Ato de violentar. 4. Jur. Constrangimento físico ou moral; uso da força;
coação”.
Novo Aurélio século XXI: o dicionário da língua portuguesa – Aurélio Buarque de
Holanda Ferreira (1999).
SAIBA MAIS
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
Interessante comentar que, a violência não está ligada somente a criminalidade. Quando
analisamos unicamente esta dimensão, permanecemos apenas na aparência da
questão, conforme nos alertou Pierre de Bourdieu. 
Segundo Bourdieu, a violência encontra-se das diferentes relações interpessoais, entre
indivíduos e instituições, nas práticas repressivas do Estado, em tempos de crise, nos
movimentos sociais. Elaborou, então, o conceito de violência simbólica, processo em
que se perpetuam e se impõem determinados valores culturais, se diferenciando da
violência física, apesar de poder, se expressar, em última instância sobre esta forma.
85
Etimologicamente, o vocábulo violência deriva do latim violentia e se
refere àquele que age pela força, que é impetuoso e está
relacionado a violare, “tratar com violência”, desonrar. Por certo, o
termo indica algo que está fora do natural, algo ligado à força, ao
ímpeto, ao comportamento que produz danos físicos. Em outras
palavras, “[...] a prática de violência expressa atos contrários à
liberdade e à vontade de alguém e reside nisso sua dimensão moral
e ética” (PAVIANI, 2016, p. 08).
“A violência simbólica é uma violência que se exerce com a cumplicidade tácita daqueles que a sofrem e,
frequentemente, daqueles que a exercem na medida em que uns e outros são inconscientes de a exercer
ou a sofrer” (Bourdieu, 1996: 16).
Acesse e assista o vídeo abaixo:
SAIBA MAIS
Violência Simbólica
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
86
Você consegue perceber a relação entre violência simbólica e mulheres?
Nota!
Independentemente da palestrante ser religiosa, nosso objetivo aqui é analisar a sua fala. A
definição de comportamentos ditos de mulheres e homens e tentam refletir, o impacto dessa
padronização de papéis para as mulheres.
Ademais, a violência pode ser compreendida como um problema de
saúde pública e, portanto, pode ser definida como qualquer ato
intencional, perpetrada por indivíduo, grupo, instituição, classes ou
nações dirigidas a outrem, que cause prejuízos, danos físicos,
sociais, psicológicos e (ou) espirituais (MINAYO; SOUZA, 1998).
Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), há uma clara relação entre o ato violento e
a intenção de quem o pratica, independentemente dos resultados produzidos, tanto que
definiu violência como 
[...] o uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio,
contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha
grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de
desenvolvimento ou privação (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2022, p. 5).
Segundo Krug et al (2002), a OMS ainda esclarece que, a violência pode ser
caracterizada em 3 (três) tipos, que variam de acordo as características de quem as
comete. Seriam elas: violência auto infligida, violência interpessoal e violência coletiva.
Violência auto infligida pode ser dividida em comportamentos suicidas
(contempla o suicídio, ideação suicida e tentativas de suicídio) e os auto abusos
(agressões a si próprias e a automutilações);
Violência interpessoal subdivide-se em comunitária e familiar, aquela perpetrada
pelo próprio parceiro, o abuso infantil e contra idosos. Ressalta-se que nos casos
de violência comunitária incluem-se atos aleatórios de violência, o estupro e
ataque sexual a estranhos, bem como atos violentos praticados contra grupos
institucionais, a exemplo de escolas. 
Violência coletiva, a que englobe atos violentos que acometem âmbitos
macrossociais, políticos e econômicos.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
87
De qualquer sorte, sabemos que, as características gerais desse conceito variam no
tempo e no espaço, seguindo os padrões culturais de cada grupo ou época e ilustram
bem as dificuldades semânticas desse conceito. Temos como exemplo, a realidade
social e histórica do casamento da mulher que, por tantas vezes, em determinadas
sociedades, foi submetida a imposições, que em outra, eramconsideradas como
inadequadas. Enfim, é um exemplo que aponta as relações entre a violência e a ordem
social e cultural. 
Por certo, as ciências partem de diferentes definições de violência, a partir do seu
método e objeto de investigação. Sendo assim, a violência pode ser descrita, analisada e
interpretada por diversas áreas do conhecimento, tais como a filosofia, a ética, a
psicologia, a psicanálise, o direito, a biologia, a antropologia. Independentemente da área
do conhecimento, atualmente, o termo violência está na ordem do dia. Ele frequenta a
mídia, está nas ruas e na internet.
De que forma a violência se relaciona a gênero? Esses conceitos se relacionariam
com a atividade de segurança pública? Afetaria ou não a prática policial? É sobre
tais aspectos que iremos refletir mais a frente porque, no momento iremos
responder aos exercícios de fixação.
PARA REFLETIR
AULA 2
Gênero e sexo: qual a diferença?
Primeiramente, vamos entender o que é gênero. Para tanto, iremos recorrer aos
apontamentos da filósofa Judith Butler. Em uma de suas obras, Problemas de gênero:
feminino e subversão da identidade (2003), a autora afirma que não é possível existir
uma identidade conforme preconizado pela metafisica ocidental bem como, que o sexo
e a sexualidade seriam “convenções sociais” quanto o gênero, sendo então categorias
constituídas a partir da prática, da perfomatividade e não, o oposto. Nessa linha, Butler
defendia que gênero e sexo seriam construções culturais e sociais.
[...] a ideia de que o gênero é construído sugere um certo determinismo de significados do gênero,
inscritos em corpos anatomicamente diferenciados, sendo esses corpos compreendidos como recipientes
passivos de uma lei cultural inevitável. Quando a ‘cultura’ relevante que ‘constrói’ o gênero é
compreendida nos termos dessa lei ou conjunto de leis, tem-se a impressão de que o gênero é tão
determinado e tão fixo quanto na formulação de que a biologia é o destino. Nesse caso, não a biologia,
mas a cultura se torna o destino. (BUTLER, 2003, p.26, grifo nosso).
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
88
O conceito de gênero surgiria então, para afirmar, que as diferenças sexuais não são por
si só determinantes das diferenças sociais entre homens e mulheres, mas são
significadas e valorizadas pela cultura, de forma a produzir diferenças que são
ideologicamente afirmadas como naturais. 
Nas palavras de Dias (2015, p. 49):
A definição de gênero relaciona-se, portanto, com
características da cultura atribuídas a cada um dos
sexos, baseando-se em uma construção cultural para a
definição de ser homem e ser mulher em uma
determinada sociedade. O que é estabelecido pela
cultura como masculino só pode ser aferido partindo-
se do feminino, e vice-versa, determinando-se os
modelos de masculinidade e feminilidade que seriam
adotados como padrão dentro de uma sociedade. O
que legitimaria essa diferenciação de papéis no gênero
seriam os valores associados à divisão sexual nas
esferas pública e privada (DIAS, 2015).
O gênero, enquanto construção social, estabeleceria o conjunto de comportamentos
esperados para homens e mulheres a partir do sexo atribuídos a cada um deles no
nascimento, predefinindo os seus respectivos papéis. Por exemplo, para meninas e
mulheres espera-se que brinquem com bonecas, sejam delicadas, sensíveis e
preparadas para o casamento e a maternidade. Já para os meninos, as brincadeiras
estariam relacionadas aos carrinhos, lutas, força física, competitividade, virilidade, o
provedor do lar.
Ressaltamos que, o conceito de gênero não pode ser confundido ou ser considerado
sinônimo de mulher. Esta confusão, de certo modo, sempre existiu porque a noção de
gênero por muito tempo foi relacionado ou substituiu a palavra mulher. Para Joan Scott
(1990, p. 05), gênero é “um elemento constitutivo de relações sociais fundadas sobre as
diferenças percebidas entre os sexos, e o gênero é um primeiro modo de dar significado
às relações de poder”.
[…] distinção entre sexo e gênero é inciativa. Sexo está ligado a condição biológica do homem e da mulher,
perceptível quando do nascimento pelas características genitais. Gênero é uma construção social, que
identifica papéis sociais de natureza cultural, e que levam a aquisição da masculinidade e da feminilidade.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
89
Dicas:
SAIBA MAIS
Nesse contexto, violência de gênero é fruto de um processo histórico, que possui como
origem as categorias de gênero, classe, raça e suas relações com o poder.
De todo modo, a violência de gênero continua existindo como uma explícita
manifestação da discriminação de gênero. Ela acomete milhares de crianças, jovens e
mulheres prioritariamente no ambiente doméstico, mas também no espaço público. 
A despeito de todos os avanços e conquistas das mulheres na direção da equidade de
gênero, persiste entre nós essa forma perversa de manifestação do poder masculino por
meio da expressão da violência física, sexual ou psicológica, que agride, amedronta e
submete não só as mulheres, mas também os homens que não se comportam segundo
os rígidos padrões da masculinidade dominante.
O conceito de violência de gênero perpassa por toda e qualquer conduta baseada
no gênero, que cause ou que seja passível de causar morte, dano ou sofrimento.
Tal conduta pode ser tanto no âmbito físico, sexual, bem como no psicológico,
tanto na esfera pública como na privada.
Apesar de algumas mudanças na sociedade brasileira, como a rejeição da tese da
legítima defesa da honra, na metade final do século XX não foram raras às vezes
em que as vítimas de violência se viram responsabilizadas pelo que sofreram. 
Em casos como o estupro de uma mulher, o assassinato de uma travesti ou de um
gay, é comum surgirem perguntas como: 
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
90
O que a vítima estaria fazendo naquele local e naquele horário? Como se vestia?
Estaria acompanhada ou só? Dançando, bebendo, divertindo-se? 
Muito frequentes nos inquéritos policiais, nos processos judiciais, nas matérias de
jornal e nas conversas informais, essas indagações ou comentários nos indicam
como a discriminação social por gênero ou por orientação sexual ainda pune, na
maioria das vezes, as vítimas de agressões com xingamentos, insultos, difamação
e abusos sexuais.
Assim, chegamos ao final da nossa aula e aprendemos a diferença entre gênero e
violência. Vimos o que significa violência de gênero e a sua relação com a mulher. 
Para as próximas leituras, ampliaremos nossos conhecimentos. Iremos trabalhar, de
forma sucinta, com os instrumentos internacionais e nacionais, nas aulas 03 e 04, sejam
eles, leis, dispositivos convenções, que foram estipuladas para tutelar o direito da
mulher.
AULA 3
A violência de gênero na agenda global
Na Cidade do México, no ano de 1975, ocorreu a Conferência Mundial do Ano
Internacional da Mulher, considerada um marco processual na construção dos direitos
das mulheres na agenda mundial. Tanto que, a este evento, seguiram-se a Década da
Mulher, realizada pela Organização das Nações Unidas – ONU, no período de 1975-1985
e aprovação da Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação
contra a Mulher – CEDAW, em 1979. Para alguns autores, foi com a CEDAW que a
violência contra as mulheres passou a ser reconhecida oficialmente como um crime
contra a humanidade, além de, a partir de então, influenciar quase todas as políticas e
iniciativas internacionais sob uma perspectiva de gender mainstreaming .
Em seu primeiro artigo, a CEDAW definiu que a expressão “discriminação contra a
mulher” significaria:
6
6 Pode ser entendido como um processo que visa incorporar e transversalizar a perspectiva de gênero na elaboração,
implementação e avaliação de políticas públicas. Traduzem-se num instrumento no qual, de um lado as instituições do
Estado promovem e incluem a temática na agenda governamental a partir do diálogo com os grupos representante da
sociedade civile por outro, a sensibilização desses gestores para tal perspectiva.
 https://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/discrimulher.htm 7
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
91
 https://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/discrimulher.htm 
 https://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/discrimulher.htm 
7
8
[...] toda distinção, exclusão ou restrição baseada no sexo e que
tenha por objeto ou resultado prejudicar ou anular o
reconhecimento, gozo ou exercício pela mulher, independentemente
de seu estado civil, com base na igualdade do homem e da mulher,
dos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos
político, econômico, social, cultural e civil ou em qualquer outro
campo .7
No decorrer do texto, a CEDAW apresenta diversas medidas a serem adotadas pelos
Estados signatários com o objetivo de se efetivar a igualdade de gênero e erradicar a
discriminação contra a mulher, como a garantia constitucional de igualdade entre
homens e mulheres. Importante lembrar que o Brasil é signatário da CEDAW, com a
assinatura em 1981, incorporando-a em seu ordenamento pátrio em 1984, por meio do
decreto n.º 89.460/84 , todavia com ressalvas no que tange a parte do casamento civil e
os direitos dos cônjuges, o que espelha a situação da sociedade à época.
8
Nas décadas seguintes, observamos que, temáticas como a discriminação, a
vulnerabilidade, o risco e as violências que submetem as mulheres e as afetam de forma
diferenciada em razão da desigualdade de gênero, foram paulatinamente colocadas em
discussão nos contextos locais e global e incluídas, nas agendas mundiais e nacionais
de direitos humanos, em especial, das mulheres.
 Neste contexto, um significativo conjunto de compromissos e obrigações foi firmado
entre as Nações Unidas e os Estados-Membros visando ampliar a participação política,
social e econômica das mulheres e a promoção e efetividade de seus direitos.
[....] há, portanto, um rosto feminino do direito e haverá um rosto feminino, mas
não há direitos diferentes, na minha opinião, para homens e mulheres; a maior
parte dos pobres do mundo são mulheres; a maior parte dos analfabetos são
mulheres; a maior parte dos crimes sexuais são praticados contra mulheres; as
mulheres e jovens são a maior parte das pessoas traficadas e exploradas
sexualmente; quem mais sofre as consequências da falta de assistência e de
cuidados na saúde sexual e reprodutiva são as mulheres e as adolescentes e,
por fim, a maior parte dos refugiados e deslocados em situação de guerra e
conflitos armados, externos e internos, são as mulheres e as crianças (LOPES,
2005, p. 162).
O que mudou?
SAIBA MAIS
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
92
Entre os instrumentos internacionais que abordam a violência contra as
mulheres, destacamos:
Recomendação nº 19, de janeiro de 1992, que incluiu na Convenção pela
Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, a violência
como a expressão máxima da discriminação contra as mulheres.
Declaração sobre Eliminação da Violência contra as Mulheres (1993), que
estabelece que a violência contra a mulher é “qualquer ato de violência
baseada no gênero que resulte, ou possa resultar, dano ou sofrimento físico,
sexual ou psicológico para as mulheres, incluindo ameaças de prática de tais
atos, a coerção ou a privação arbitrária da liberdade, que ocorra na vida
pública ou privada (art. 1º)”.
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra
a Mulher (Convenção de Belém do Pará) , ocorrida em 1994, que definiu como
violência contra a mulher “[...] qualquer ato ou conduta baseada no gênero,
que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher,
tanto na esfera pública como na esfera privada (art. 1º). 
Entende-se que a violência contra a mulher abrange a violência física, sexual e
psicológica (art. 2º):
a) ocorrida no âmbito da família ou unidade doméstica ou em qualquer relação
interpessoal, quer o agressor compartilhe, tenha compartilhado ou não sua
residência, incluindo-se, entre outras formas, estupro, maus-tratos e abuso sexual;
b) ocorrida na comunidade e cometida por qualquer pessoa, incluindo, entre
outras formas, o estupro, abuso sexual, tortura, tráfico de mulheres, prostituição
forçada, sequestro e assédio sexual no local de trabalho, bem como em
instituições educacionais, serviços de saúde ou qualquer outro local; e 
c) perpetrada ou tolerada pelo Estado ou por seus agentes, onde quer que ocorra."
9
Toda mulher tem direito a ser livre de violência, tanto na
esfera pública como na esfera privada.
A compreensão do enfrentamento da violência como uma questão de saúde pública
também se justifica porque, por definição, a saúde pública não diz respeito aos
indivíduos, mas sim à melhoria das condições de vida para o maior número de pessoas,
sendo que sua preocupação é a prevenção dos problemas de saúde e a ampliação de 
Convenção do Belém do Pará
 https://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/discrimulher.htm 9
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
93
melhores cuidados e segurança para as populações, atuando por meio da ação coletiva
de maneira intersetorial (saúde, direitos e justiça, segurança, educação e assistência
social, etc.).
O exemplo do caso brasileiro pode ser emblemático deste movimento, o caso Maria da
Penha.
A violência passou a ser considerada, portanto, uma doença social.
Neste sentido, e como destacado por esse último documento citado,
o enfrentamento de todas as formas de violência contra as
mulheres pode ter sua eficácia aumentada quando as políticas e
planos de ações com caráter universalista são debatidos e
desenvolvidos numa perspectiva culturalista ou local (FERREIRA,
2005; VICENTE; 2000).7
 CURIOSIDADE
Você sabia que após a repercussão do caso conhecido como Campo Algodoeiro,
ocorrido na Cidade de Juarez no México, e julgado pela Corte Interamericana de
Direitos Humanos que o conceito de feminicídio ganhou maior expressão
internacional, prioritariamente nos países da América Latina e Caribe? 
O caso foi apresentado junto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos em
2002, após a morte de três jovens na Cidade de Juarez no México, que tiveram
seus corpos encontrados junto a uma plantação de algodão. Vale dizer que a
investigação feita internamente ocorreu sem que se respeitassem os direitos
inerentes às vítimas e seus familiares, razão pela qual se levou a apresentação da
petição destinada a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. 
Somente em 2007 o caso foi levado pela Comissão para apreciação da Corte
Interamericana de Direitos Humanos, com os pedidos de condenação do Estado
Mexicano por violação dos direitos garantidos nos artigos 04 (direito à vida),
?
Gonzàles e Outras
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
94
 05 (Direito à integridade pessoal), 08 (Garantias judiciais), 19 (Direito da criança) e
25 (Proteção judicial) da Convenção, também conhecida como Pacto San José da
Costa Rica, bem como das obrigações dos artigos 1.1 (Obrigação de respeitar os
direitos) e 2 (Dever de adotar disposições de direito interno) da mesma e para
além disso, o artigo 07 da Convenção de Belém do Pará, que trata de medidas a
serem tomadas pelos Estados para erradicar a violência contra a mulher. 
O termo Feminicídio se tornou latente visto que na sentença, a Corte
Interamericana de Direitos Humanos reforçou o aspecto estrutural da violência de
gênero, compreendendo a responsabilidade do Estado, justamente.
Para mais detalhes acesse:
AULA 4
A pauta local: normalizações nacionais
O espaço que a mulher ocupa hoje na sociedade brasileira, e até mesmo o respaldo
legal que a protege, foram conquistados com muito esforço destacando, o
empreendimento do movimento feminista. Percebemos que as mulheres adentraram ao
mercado de trabalho, engajaram-setendem a revelar?
² Fonte: Agência Brasil (2024) – Pesquisa da Rede de Observatórios de Segurança. Disponível em: 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2024-03/cada-24-horas-ao-menos-oito-mulheres-
s%C3%A3o-vitimas-de-violencia#:~:text=No%20ano%20de%202023%2C%20ao,PI%2C%20RJ%2C%20SP).
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
09
Objetivos do Curso
Estrutura do Curso
Objetivo geral:
O objetivo deste curso é capacitar os profissionais do Susp para o atendimento à mulher
turista (nacional e não nacional), visando assegurar direitos, bem como garantir a
segurança, a acolhida e o respeito na estadia em destinos turísticos brasileiros.
Objetivos específicos:
Compreender os desafios enfrentados pelas mulheres turistas em termos de
segurança, bem como o papel do profissional do Susp na proteção e prevenção da
violência contra elas;
Reconhecer a importância da atividade turística para o Brasil nos âmbitos social,
econômico, ambiental e cultural;
Identificar as diferenças culturais, normas e práticas que podem afetar a segurança e
o atendimento às mulheres turistas;
Aplicar técnicas de investigação e comunicação com abordagem centrada na vítima;
Sensibilizar os profissionais do Susp a desenvolverem estratégias para acolhê-las
adequadamente, em ocorrências policiais.
Este curso, de 60 horas, compreende os seguintes módulos:
Módulo 1 - Turismo, que setor é esse? 
Módulo 2 – Mulheres, Segurança e Turismo: Uma relação virtuosa
Módulo 3 – Direito das Mulheres, Direito para as Mulheres
Módulo 4 – Técnicas de entrevista e abordagem: melhores práticas
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
10
MÓDULO 1
Turismo, que setor é esse?
O turismo é uma atividade econômica, social e cultural de grande importância e consiste
no deslocamento de pessoas com o objetivo de conhecer novos lugares, culturas e
experiências. Sobre a relevância econômica do segmento, observe:
Perceba que a expressividade dos dados apresentados denota a importância econômica
do turismo para o desenvolvimento de qualquer país.
Além do impacto na economia local, a atividade pode trazer importantes avanços
sociais, ambientais e tecnológicos mediante o aprimoramento de setores relacionados
ao comércio, indústria e serviços. Não é à toa que a atividade também é conhecida como
“indústria do turismo” e isto se deve ao fato de envolver uma complexa cadeia de
insumos, mão de obra e processos.
O Brasil, apesar de se beneficiar com uma fatia importante do segmento, tem condições
de receber um maior número de visitantes e usufruir de uma parcela bem mais
significativa desse mercado. Todavia, a expansão do turismo, envolve uma série de
fatores, que variam de acordo com a infraestrutura local, perfil do viajante e o interesse
de cada envolvido. 
Certamente, você é capaz de enumerar os principais pontos que influenciam na escolha
de um destino pelos viajantes! 
É provável que você tenha pensado em aspectos relacionados ao custo-benefício, ao
conforto, atrativos, e/ou segurança do destino, correto? 
A contribuição do Turismo para o PIB global em 2019 correspondeu a US$9.6
trilhões (10.3%), de acordo com o relatório Travel & Tourism Economic Impact
2022 – Global Trends.
No Brasil, neste mesmo ano, a contribuição do turismo foi de R$ 270,8 bilhões, em
torno de 8,3% do PIB doméstico, segundo o IBGE.
Os valores são importantes, não?
Faça um rápido exercício mental e busque elencar alguns desses fatores...
Sendo assim, considerando que a segurança é um importante fator para
a escolha de um destino turístico, como ela influencia a decisão de
homens e mulheres?1
No seu ponto de vista, como o Brasil é percebido por turistas
estrangeiros, principalmente entre as mulheres nesse quesito? 2
Por fim, o que você PODE e o que você DEVE fazer, enquanto cidadão e
profissional da segurança pública para a expansão do turismo em sua
região?3
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
11
Perceba que esses itens possuem pesos diferentes para cada roteiro e cada viajante.
Além disso, outros elementos devem ser considerados, como o tipo de turismo, as
companhias envolvidas e o orçamento disponível.
Nesse ponto, alcançamos os 3 principais pontos de discussão que orientarão este e os
próximos módulos:
Por fim, as informações apresentadas neste módulo fornecerão aos profissionais do
Susp os fundamentos necessários para compreender o turismo e suas especificidades,
de modo que possam atuar efetivamente na proteção e nos casos de violência contra
mulheres turistas.
Bons Estudos!
Identificar as principais interfaces do turismo no Brasil e no mundo;
Reconhecer os impactos econômico, social e ambiental do turismo;
Conceituar turismo, governança, política e governança;
Descrever os fatores motivadores na escolha do destino turístico;
Comparar os tipos de turismo e a sua relação com a cultura;
Explicar como a segurança pode ter um impacto significativo na motivação
turística;
Enumerar os principais desafios e vulnerabilidades enfrentados pelas mulheres
que viajam;
Analisar as interfaces do turismo e seus impactos em diferentes contextos; e
Desenvolver empatia e compreensão pelas experiências das mulheres turistas.
OBJETIVOS DO MÓDULO
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
12
Este módulo está dividido em duas aulas:
Aula 1 - As interfaces do Turismo no Brasil e no Mundo 
Aula 2 – Policiamento Orientado para o Turismo
ESTRUTURA DO MÓDULO
AULA 1 
As interfaces do turismo no Brasil e no mundo
Segundo Dias (2005), foi no início do século XIX que as palavras turismo e turista
começaram a ser utilizadas no sentido como as conhecemos. Enquanto a primeira
estava relacionada à teoria e prática de viajar por prazer, a última referia-se à pessoa que
realizava uma ou mais excursões. Os termos, porém, evoluíram e sofreram alterações ao
longo de sua história, com registros de viagens realizadas por motivos diversos.
Figura 3: Turista estrangeira denuncia estupro coletivo
Fonte: Museu Municipal de Espinho
Em outras palavras, o turismo envolve as interações e experiências dos turistas durante
suas viagens temporárias, seja por lazer, negócios ou outros propósitos, desde que não
envolvam trabalho remunerado no destino.
No Brasil, o turismo possui uma grande importância. O país é conhecido por sua
diversidade natural e cultural, com destinos turísticos que vão desde praias paradisíacas
até a Floresta Amazônica, contribuindo para a geração de empregos e movimentando a
economia, especialmente no setor terciário.
O setor primário reúne as atividades agropecuárias e extrativas,
produzindo, assim, matérias-primas e produtos in natura. O setor
secundário abarca as indústrias de ramos produtivos diversos. O
setor terciário é composto pelos serviços prestados e pelo
comércio essencialmente.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
13
Beni (2007, p.57) conceitua turismo como:
"a soma dos fenômenos e das relações resultantes da viagem e da permanência de
não residentes, na medida em que não levam a atividades remuneradas no local
visitado".
Existem diferentes tipos de turismo, como o de lazer, de negócios, turismo cultural, de
aventura, gastronômico, entre outros. Cada um deles oferece experiências únicas e atrai
diferentes perfis de viajantes.
Além do impacto econômico expressivo, o turismo se constitui em uma verdadeira
indústria global que se relaciona com inúmeros setores, como hospedagem, transporte,
alimentação e comércio local.
Nesse sentido, Moesch (2002) destaca que o turismo é um fenômeno social complexo e
multidimensional, que deve ser compreendido não somente como uma atividade
econômica, mas também como uma prática social que envolve interações entre turistas,
comunidades locais, o ambiente natural e cultural.
Dessa forma, o atrativo turístico não é suficiente para alavancar a atividade turística de
determinada localidade. Esta por sua vez, necessita de uma infraestrutura geral como
hospitais, farmácias, abastecimentoem questões afetas ao gênero, e passaram a ter voz
ativa perante a família e sua própria vida.
Sabemos que a legislação é um espelho social, evidenciando os
costumes e ideias que prevaleciam na sociedade à época. Nesse
sentido, o Código Civil de 1916, que só foi modificado em 2002,
trazia o pensamento patriarcal em seu bojo, com a defesa da
submissão e dependência das mulheres aos seus maridos, onde “na
classificação dos direitos e deveres de cada cônjuge, a diferença de
tratamento entre o marido, chefe da sociedade conjugal, e a mulher,
sua colaboradora, ficava evidente" (SAAD, 2010, p. 27).
7
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
95
As decisões familiares ficavam a cargo do marido, o chefe da sociedade conjugal,
cabendo-lhe a decisões referentes à criação dos filhos, o sustento e o zelo pela família.
Às mulheres só restava o casamento. Consideradas incapazes, eram equiparadas aos
menores, pródigos e silvícolas, como demonstrava o art. 6º, do código de 1916. Em
poucas palavras, as mulheres e os homens não usufruíam dos mesmos direitos. O
assassinato de mulheres em defesa da honra era defendido e tinha amparo legal.
Dona Teffé, Ângela Diniz, Elisa Samúdio, dentre outros, mulheres que foram vítimas de
crimes passionais e desaparecimento sem razões.
Porém, não se pode dizer que o Código Civil de 2002 inovou, pois tais alterações já
haviam aparecido em outras leis no decorrer dos quase 100 anos. 
Um dos exemplos é a Constituição Federal,, que apresentou um importante passo no que
diz respeito à isonomia entre os sexos. Assim, diz-se que o Código Civil foi importante
para compilar as regras atualizadas, que estavam aceitas pela sociedade naquele
momento.
Código Civil de 2002
Constituição Federal
Código Civil
Todavia, a sociedade brasileira passou por mudanças.
De 1916 a 2002, são quase cem anos. O pátrio poder
passa a ser questionado. E, às mulheres, são
concedidos direitos: votar e ser votada, não usar o
sobrenome do marido, estudar, colaborar com as
decisões familiares. E, consequentemente, dispositivos
que visavam proteger as mulheres após os casos de
grande vulto:
Movimentos sociais de liberação de costumes e de defesa dos
direitos civis das mulheres contribuíram substancialmente para
transformar a família e o casamento, antes destinos certos da
mulher, agora um de seus projetos de vida, planejado, adiado e
concretizado como decorrência de seu livre arbítrio, ao lado da
carreira profissional e da opção pela maternidade (SAAD, 2010, p.
20).
[...] Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta
Constituição. [...] 
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
96
Destacamos, então, dois dispositivos que visam coibir a violência 
contra as mulheres:
Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), que cria mecanismos para coibir a
violência doméstica e familiar contra a mulher; 
Lei 13.104/2015, que altera o art. 121 do Decreto-lei nº 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 (Código Penal), para prever o feminicídio como
circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o art. 1º da Lei nº 8.072,
de 25 de julho de 1990, para incluir o feminicídio no rol dos crimes hediondos.
A Lei Maria da Penha tornou-se um caso duplamente emblemático.
Inicialmente, por ter sido o primeiro caso de violência doméstica que
levou à condenação um país no âmbito interamericano de proteção
dos direitos humanos. Tanto que, numa decisão inédita, o Estado
brasileiro foi condenado pela Comissão Interamericana por
negligência e omissão em relação à violência doméstica,
recomendando que o supramencionado Estado, dentre outras
medidas, “[...] intensificar processo de reforma, a fim de romper com
a tolerância estatal e o tratamento discriminatório com respeito a
violência doméstica contra as mulheres no Brasil” (PIOVISAN;
PIMENTEL, 2011, p. 110).
Segundo, porque, a partir dessa decisão, iniciou-se o movimento que
resultaria na aprovação da Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006,
nomeada Lei Maria da Penha, cujo texto trouxe grandes avanços,
colocando à disposição das vítimas, instrumentos eficazes na busca
da redução da violência contra as mulheres baseada no gênero
(BARSTED, 2011; PIOVESAN; PIMENTEL, 2011).
Quem foi Maria da Penha?
Nascida do Ceará. Biofarmacêutica. No ano de 1983, o seu então marido,
disparou contra ela um tiro de espingarda. Ele tentou matá-la. Maria da Penha
foi alvejada. Esse tiro a deixou paraplégica. Após tratamento no hospital,
retornou para casa. Quando retornou, sofreu mais outra tentativa de
assassinato: o marido tentou eletrocutá-la no banheiro.
SAIBA MAIS
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
97
Ela denunciou seu agressor. Contudo, se deparou com um cenário: a
incredulidade, a falta de apoio da justiça brasileira para os crimes passionais, os
crimes em defesa da honra como argumento para a liberdade dos réus. 
Em 1994, Maria lançou o livro – Sobrevivi....posso contar- onde narrou todos os
tipos de violência vivenciado por ela e suas filhas. O seu texto teve uma ampla
repercussão, o que a levou a acionar o Comitê Latino-Americano e do Caribe
para a Defesa das Mulheres. Esse órgão encaminhou seu caso para a Comissão
Interamericana em 1998.
Em 2002, os organismos internacionais condenaram o nosso país por omissão
e negligência determinando, assim, que reformulássemos nossas leis e políticas
em relação a violência doméstica. Nasceria assim, a Lei Maria da Penha.
Este dispositivo foi nomeado em homenagem ao emblemático caso de Maria da
Penha Fernandes, ocorrido em 1983. Porém, o autor só foi preso em 2002, seis
meses antes da prescrição do crime.
Lei Maria da Penha - Lei n. 14.310 de 08 de março de 2022, alterou a Lei Maria
da Penha para determinar o registro imediato, pela autoridade judicial, das
medidas protetivas de urgência deferidas em favor da mulher em situação de
violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes.
Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340, 2006). A lei tem o objetivo de criar
mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher de
forma a prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher; tipifica 5 tipos de
violência: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104, 2015). A legislação altera o Código Penal e
estabelece o feminicídio como circunstância que qualifica o crime de
homicídio, quando uma mulher é morta em decorrência de violência doméstica
e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher, fica
caracterizado o feminicídio, sendo considerado um crime hediondo em que a
pena pode chegar a 30 anos de reclusão.
Lei do Minuto Seguinte (Lei nº 12.845/2013). Oferece atendimento imediato
pelo SUS, amparo médico, psicológico e social, exames preventivos e o
fornecimento de informações sobre os direitos legais das vítimas. 
ANOTA AÍ
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
98
Lei nº 13.718/2018, tipifica os crimes de importunação sexual de divulgação
de cena de estupro, alterando o Código Penal para tipificar os crimes de
importunação sexual e de divulgação de cena de estupro, tornar pública
incondicionada a natureza da ação penal dos crimes contra a liberdade sexual
e dos crimes sexuais contra vulneráveis; estabelece aumento de pena e define
como causas para aumento de pena o estupro coletivo e o estupro corretivo.
Lei nº 13.642/2018, atribui à Polícia Federal atribuição para investigação de
crimes praticados na rede mundial de computadores, que difundam conteúdo
misógino definidos como aqueles que propagam ódio ou aversão às mulheres.
Lei nº 13.931/2019, dispõe sobre a notificação compulsória dos casos de
indícios ou confirmação de violência contra a mulher, atendida em serviços de
saúde públicos e privados, determinandoa comunicação à autoridade policial,
no prazo de 24h, para providências cabíveis e fins estatísticos.
Lei Carolina Dieckmann (Lei nº 12.737/2012). A lei definiu crimes cibernéticos
no Brasil. Ela recebeu este nome, pois na época que o projeto tramitava a atriz
teve o computador invadido e fotos pessoais divulgadas sem autorização por
hackers. A legislação classifica como crime justamente casos como estes:
invasão de computadores, tablets, smartphones, conectados ou não à internet,
que resulte na obtenção, adulteração ou destruição dos dados e informações.
Lei Joana Maranhão (Lei nº 12.650/2015). A lei alterou os prazos quanto à
prescrição (prazo) contra abusos sexuais cometidos contra crianças e
adolescentes, de forma que a prescrição só passou a valer após a vítima
completar 18 anos e o prazo para denúncia aumentou para 20 anos. O nome é
uma referência à nadadora brasileira que foi abusada sexualmente aos nove
anos de idade, pelo seu treinador. A denúncia feita por ela resultou na lei que
garante às vítimas mais tempo para denunciar e punir seus abusadores.
Lei Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica (Lei nº 14.188/2021) - define
o programa de cooperação Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica como
uma das medidas de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a
mulher, altera a modalidade da pena da lesão corporal simples cometida contra
a mulher por razões da condição do sexo feminino e cria o tipo penal de
violência psicológica contra a mulher. 
Garante atendimento emergencial, integral e gratuito às vítimas. Importante
ressaltar que não há necessidade de apresentar boletim de ocorrência ou
qualquer outro tipo de prova do abuso sofrido - a palavra da vítima basta para
que o acolhimento seja feito pelo hospital.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
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Lei nº 14.192/2021, estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a
violência política contra a mulher, para dispor sobre os crimes de divulgação de
fato ou vídeo com conteúdo inverídico no período de campanha eleitoral, para
criminalizar a violência política contra a mulher e para assegurar a participação
de mulheres em debates eleitorais proporcionalmente ao número de
candidatas às eleições proporcionais.Lei nº 14.324/2022, institui o dia 13 de
março como Dia Nacional de Luta contra a Endometriose. A norma, publicada
no Diário Oficial da União desta quarta-feira (13), também estabelece a Semana
Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose.
Lei nº 14.326/2022, altera a Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de
Execução Penal), para assegurar à mulher presa gestante ou puérpera
tratamento humanitário antes e durante o trabalho de parto e no período de
puerpério, bem como assistência integral à sua saúde e à do recém-nascido
Leis Nacionais
Disponível em:
AULA 5
Feminícidio no Brasil
Feminicídio é o homicídio doloso praticado contra a mulher por “razões da condição de
sexo feminino”, cuja definição jurídica encontra-se no art. 121, § 2º, VI, do Código Penal
Brasileiro que foi alterado pela Lei 13.104/15.
A referida lei dispõe (Lei 13.104/15):
[...] § 7o A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime
for praticado: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015).
O que é feminicidio?
Acesse e leia:
SUGESTÃO DE LEITURA
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
100
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; (Incluído pela Lei nº
13.104, de 2015).
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com
deficiência ou portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou
de vulnerabilidade física ou mental; (Redação dada pela Lei nº 13.771, de 2018).
III - na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima; (Redação
dada pela Lei nº 13.771, de 2018).
IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e
III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. (Incluído pela Lei nº
13.771, de 2018). (BRASIL, 2015, Art. 121).
Logo, no sistema penal brasileiro o feminicídio não é um tipo penal próprio ou possui lei
especial, sendo uma qualificadora do homicídio, quando o comportamento do agente se
situar dentro das hipóteses previstas no §2º-A. Nessa lógica, cabe observar que as
condutas sobre as quais incide o feminicídio possuem características objetivas e
subjetivas, tendo em vista que por um lado se tem o feminicídio íntimo previsto no inciso
I, com caráter mais objetivo e de outro plano tem se a expressão “menosprezo ou
discriminação à condição de mulher” que implica em uma análise altamente subjetiva da
conduta do agente a fim de se atingir ao que se pretende com tal expressão.
Um crime de feminicídio deve ser entendido como uma manifestação de violência
extrema que termina na morte de uma ou várias mulheres e constitui uma violação aos
seus direitos humanos. 
Mas, afinal, o que são razões de condição do sexo feminino? 
Para o legislador, há “razões de condição do sexo feminino” quando o crime
envolve - violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à
condição de mulher. Nesse sentido, a mulher deveria ser tutelada pelo Estado em
razão da sua suposta fragilidade?
Por vezes, ouvimos os vocábulos feminicídio ou femicídio?
Existem diferenças entre eles?
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
101
Um crime de feminicídio não constitui um evento isolado, repentino nem inesperado, ao
contrário, faz parte de um processo contínuo de violências, cujas raízes misóginas se
caracterizam pelo uso de violência extrema; inclui uma vasta gama de abusos verbais,
físicos e sexuais, e diversas formas de mutilação e de barbárie.
Desde o seu surgimento, o termo passou a ser utilizado e, acabou se popularizando,
porque denuncia a manifestação violenta da misoginia que resulta em morte de
mulheres. Já no âmbito acadêmico, político, ou na literatura, passou a ser utilizado para
denunciar as formas de violência letal contra as mulheres e meninas, o que levou a sua
legitimação.
Os feminicídios são resultado de múltiplas, crescentes e contínuas
manifestações de violência, que estão enraizadas historicamente
nas relações desiguais de poder entre homens e mulheres e na
discriminação sistêmica do gênero feminino, o que é sustentado por
valores sociais, religiosos, econômicos, assim como por práticas
culturais (ELLSBERG et al., 2000).
A palavra femicídio foi usado pela vez em um tribunal de crimes
contra mulheres que ocorreu em Bruxelas, no ano de 1976, com o
objetivo de mostrar que as diferenças existentes entre os
homicídios femininos e masculinos. Para Diana Russel, o termo
corresponderia ao ponto final de um contínuo de violência que teria
como consequência a morte das mulheres afetadas (RUSSEL;
RADFORD, 1992).
O termo é desafiador. Inicialmente atribuído exclusivamente a
assassinatos de homens contra mulheres em razão do gênero,
posteriormente passou a contemplar em razão do seu gênero
(RUSSELL; RADFORD, 1992; RUSSELL, 2011), contemplou crimes
cometidos por mulheres em prol do interesse de um ou vários
homens (IRANZO, 2015; GRZYB et al., 2018), e foi aplicado à
totalidade das mortes de mulheres independentemente do motivo
ou status do perpetrador (CAMPBELL; RUNYAN, 1998).
O que é misoginia? 
Etimologicamente, misoginia deriva do grego misogynia, que significa “ódio contra
mulher”. Miseó = ódio e gyné = mulher. 
No Cambridge Dictionary Online (2018), misoginia significa “[...] crença de que os
homens são muito melhores que as mulheres”.
Fonte: Para entender misoginia
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
102
A Organização das Nações Unidas (ONU) define femicídio como:
A tradução literal do termo Femicide é Femicídio, no entanto, foi adaptada para o
espanhol e português como feminicídio e é utilizada em vários países da América Latina
para caracterizar os casos nas legislações. A diferença dos termos resulta em que
feminicídiofoi usado para declarar a responsabilidade do Estado na perpetração de
crimes de femicídio.
Antes da Lei n.º 13.104/2015, não havia nenhuma punição especial pelo fato de o
homicídio ser praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. Em
outras palavras, o feminicídio era punido, de forma genérica, como sendo homicídio (art.
121 do CP).
Lei n.º 13.104/2015
(art.
121 do CP)121 CP)
10
O assassinato de mulheres e meninas devido ao seu gênero, que
pode assumir a forma de: 1. o assassinato de mulheres como
resultado de violência praticada pelo parceiro íntimo; 2. a tortura e
assassinato misógino de mulheres 3. assassinato de mulheres e
meninas em nome da ‘honra’; 4. assassinato seletivo de mulheres e
meninas no contexto de um conflito armado; 5. assassinatos de
mulheres relacionados com o dote; 6. assassinato de mulheres e
meninas por causa de sua orientação sexual e identidade de gênero;
7. assassinato de mulheres e meninas aborígenes e indígenas por
causa de seu gênero; 8. infanticídio feminino e feticídio de seleção
com base no sexo; 9. mortes relacionadas à mutilação genital; 10.
acusações de feitiçaria que causam a morte da julgada; e 11. outros
femicídios relacionados a gangues, crime organizado, traficantes de
drogas, tráfico de pessoas e proliferação de armas pequenas
(UNITED NATIONS AND ECONOMIC AND SOCIAL COUNCIL, 2013).
A criação de um termo “feminino” específico, diferente do homicídio,
respondeu à necessidade de dar visibilidade às mortes das
mulheres que são proporcionalmente menores quando comparadas
às dos homens e ressaltar as particularidades dessas mortes. A
palavra feminicídio tem uma dimensão política e de gênero, se
opondo a homicídio, que é descrita como palavra neutra (LAGARDE,
2008). É importante notar que os estudos sobre esse tipo de crime
têm sido originariamente realizados desde as ciências sociais e a
antropologia, motivo pelo qual a adaptação a áreas como o direito é
desafiadora (TOLEDO, 2016).
Todos os homicídios femininos são feminicídios?
PARA REFLETIR
 https://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/discrimulher.htm 10
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
103
A depender do caso concreto, o feminicídio (mesmo sem ter ainda este nome) poderia
ser enquadrado como sendo homicídio qualificado por motivo torpe (inciso I do § 2º do
art. 121) ou fútil (inciso II) ou, ainda, em virtude de dificuldade da vítima de se defender
(inciso IV). No entanto, o certo é que não existia a previsão de uma pena maior para o
fato de o crime ser cometido contra a mulher por razões de gênero.
A Lei n.º 13.104/2015 veio alterar esse panorama e previu, expressamente, que o
feminicídio, deve agora ser punido como homicídio qualificado.
Femicídio - significa praticar homicídio contra mulher (matar mulher).
Feminicídio - significa praticar homicídio contra mulher por “razões da condição
de sexo feminino”.
A nova Lei trata sobre FEMINICÍDIO, ou seja, pune mais gravemente aquele que
mata mulher por “razões da condição de sexo feminino” (por razões de gênero). Não
basta a vítima ser mulher.
A Lei Maria da Penha já não punia isso?
Não. 
A Lei Maria da Penha não traz um rol de crimes em seu texto. Esse não foi seu
objetivo. A Lei n.º 11.340/2006 trouxe regras processuais instituídas para proteger
a mulher vítima de violência doméstica, mas sem tipificar novas condutas, salvo
uma pequena alteração feita no art. 129 do CP.
Desse modo, o chamado feminicídio não era previsto na Lei n.º 11.340/2006,
apesar de a Sra. Maria da Penha Maia Fernandes, que deu nome à Lei, ter sido
vítima de feminicídio duas vezes (tentado).
Vale ressaltar que as medidas protetivas da Lei Maria da Penha poderão ser
aplicadas à vítima do feminicídio (obviamente, desde que na modalidade tentada).
Feminicídio (art. 121, § 2º, VI, do CP)
Violência de gênero (PDF)
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
104
Para aprofundar seus conhecimentos sobre a temática, acesse o SAIBA MAIS!!
Turista brasileira é estuprada em jardim da Torre Eiffel
Itamaraty informou que prestará auxílio jurídico e psicológico para a vítima e a
irmã dela, que também teria sofrido uma agressão sexual
Uma turista brasileira denunciou ter sido estuprada nos jardins da Torre Eiffel, em
Paris, na madrugada de domingo (5). A vítima estava acompanhada da irmã mais
velha quando ocorreu o crime. Elas registraram boletim de ocorrência sobre o
caso. As informações são do portal UOL, com base em reportagem do jornal
francês Le Parisien.
À polícia, as irmãs contaram que tinham conhecido dois homens na noite de
sábado (4) e consumido bebidas alcoólicas. Elas ainda relataram que, no início,
os dois indivíduos pareciam gentis, mas no fim da madrugada se tornaram
"libidinosos".
Quando o crime aconteceu, as duas irmãs estavam separadas. Segundo a mais
velha, um dos homens passou as mãos nas nádegas dela. Ela o repeliu e ele
fugiu. A moça então partiu em busca da irmã mais nova e a encontrou alguns
metros adiante, com o outro homem sobre ela, de calças abaixadas. A chegada
da mais velha fez o suspeito fugir correndo na direção de um carro preto.
A polícia chegou até as turistas brasileiras por volta das 5h30min e relata que
elas estavam em estado de choque, segundo o jornal francês. Aos prantos e se
expressando com dificuldade em francês, elas foram levadas para a delegacia,
onde denunciaram o crime de estupro.
O caso está sendo investigado pela 3ª circunscrição da Direção de Polícia
Judiciária de Paris.
Auxílio do Itamaraty
O Consulado brasileiro em Paris confirmou que duas brasileiras receberam apoio
jurídico e psicológico. "Vamos atuar nesse caso dentro dos limites da legislação
francesa e dos acordos assinados pelos dois países", informou o cônsul adjunto
Ruy Ciarlini.
SAIBA MAIS
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
105
Notícia
"Hoje mesmo nossas assessorias jurídica e psicológica entraram em contato
com elas para oferecer os dois serviços. E tudo vai depender do que elas
precisarem, do que elas desejarem. O que elas necessitarem, vamos acompanhá-
las e daremos todo o apoio que elas precisarem," completou.
Casos semelhantes ocorreram no mesmo local
O caso das turistas brasileiras não é exceção nos arredores do ponto turístico da
capital francesa, segundo o Le Parisien. Em setembro de 2022, uma turista
canadense foi sequestrada e estuprada por um jovem de 19 anos na mesma
região.
Em 2016, três homens foram presos suspeitos de um estupro coletivo também
próximo à Torre Eiffel, em Paris, segundo o jornal britânico The Independent.
Disponível em:
A partir dessa leitura, perguntamos:
Como o agente de segurança pública deveria agir?
Como deveria ser o processo de escuta, tendo em vista, a barreira da língua?
PARA REFLETIR
Iremos refletir sobre essas questões no módulo seguinte. Vamos lá?
Neste módulo, você aprendeu:
O conceito de violência;
As suas tipologias de violências elencadas pela Organização Mundial de Saúde;
A representação da violência simbólica nas relações;
Os instrumentos legais que protegem as mulheres.
SÍNTESE
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
106
MÓDULO 4
Técnicas de entrevista e abordagem: melhores
práticas
Chegamos à reta final do nosso curso! Neste módulo serão apresentadas 5 aulas, que
abordarão técnicas de entrevista que poderão ser utilizadas por profissionais do Susp
em situações que demandem o levantamento de informações dentre vítimas e suspeitos
no contexto do turismo.
O material foi pensado e estruturado sob formato de orientações que poderão ser
aplicadas em diferentes protocolos. Nele, você irá aprender desde o planejamento até a
execução de uma entrevista, incluindo as técnicas de abordagem, comunicação
assertiva com vítimas e testemunhas, ademais, pretende-se apresentar aspectos
relacionados à linguagem corporal, sempre observando o recorte de gênero proposto
para este curso.
Encontrar informações específicas sobre entrevista investigativacom mulheres turistas
é uma missão mais desafiadora, pois este é um tema bastante específico, portanto
menos abordado na literatura. No entanto, as informações aqui apresentadas destacam
os principais aspectos relacionados à entrevista investigativa e as habilidades e
protocolos aplicados durante o processo de coleta de declarações.
 
No decorrer dos seus estudos do módulo, lembre-se que, a entrevista investigativa em
caso de violência contra a mulher deve ser conduzida com empatia e sensibilidade,
levando em consideração as necessidades da vítima a fim de garantir sua segurança
emocional. 
Existem abordagens que podem ser utilizadas especificamente na condução de
entrevistas investigativas com mulheres vítimas de violência, contudo todas levam em
consideração a sensibilidade necessária durante todo o processo, desde a definição do
entrevistador(a), passando pela escolha e preparação do ambiente, até a realização e
finalização da entrevista.
Outro aspecto a ser destacado é que este módulo não se aplica à oitiva de menores de
idade, visto que para este público específico existem normativas e legislação própria,
também nomeada de escuta especial, realizada para crianças e adolescentes.
Entretanto, como já mencionado, a metodologia aqui apresentada ajudará no
direcionamento de procedimentos adequados nas entrevistas investigativas realizadas
com vítimas e testemunhas.
Bons Estudos!
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
107
Este módulo tem como objetivos: 
Compreender a importância e as características essenciais de uma entrevista
investigativa;
Entender o papel da memória na recuperação de informações, os riscos de
contaminação e os processos de escuta ativa;
Conhecer todas as etapas de uma entrevista investigativa, desde o início até a
conclusão;
Analisar a situação da violência contra a mulher no Brasil e as melhores
práticas para abordar turistas mulheres;
Aplicar técnicas adequadas para conduzir entrevistas investigativas com
precisão e sensibilidade;
Desenvolver abordagens apropriadas para lidar com casos de violência contra
a mulher e turistas mulheres;
Promover a escuta ativa e a sensibilidade ao lidar com informações sensíveis
durante entrevistas.
OBJETIVOS DO MÓDULO
Este módulo compreende as seguintes aulas:
Aula 1 - Importância e características de uma entrevista investigativa;
Aula 2 - O papel da memória: recuperação, contaminação e processos de escuta
Aula 3 - Organizando uma entrevista investigativa; 
Aula 4 - A entrevista investigativa do início ao fim;
Aula 5 - Um retrato da violência contra a mulher no Brasil e a abordagem de
turistas mulheres.
ESTRUTURA DO MÓDULO
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
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AULA 1 
Importância e características de uma entrevista
investigativa
Na entrevista investigativa, os
protagonistas são as vítimas e
testemunhas. Essa é uma das principais
características que distinguem a
entrevista investigativa de outras técnicas
destinadas a inquirição de testemunhas.
Dito isso, as condições físicas e
emocionais das testemunhas ou vítimas
são essenciais para a obtenção de um
relato fiel do evento ocorrido, ou seja, o
estabelecimento de um relacionamento
interpessoal positivo e assertivo entre o
entrevistador e a declarante configura
como fator primordial para este tipo de
entrevista.
O relato de testemunhas é de modo geral o meio mais utilizado para elucidação de
crimes, o que reforça a necessidade da capacitação de profissionais que aplicam a
entrevista investigativa, independente da sua área de atuação no contexto da segurança
pública. 
A tomada de declaração de uma testemunha ou vítima que presenciou um determinado
evento é antes de tudo colaborativa e contribui para a elucidação de crimes cometidos
contra mulheres turistas (vítimas), foco deste curso.
Importa ressaltar que não serão abordadas aqui as chamadas Técnicas de interrogatório,
as quais se aplicam à inquirição de suspeitos, visto que este procedimento está mais
relacionado ao procedimento acusatório. O foco deste módulo está relacionado à
tomada de declaração de vítimas e testemunhas para compreender o ocorrido.
Observe, no quadro abaixo, onde você pode identificar as principais diferenças entre as
duas técnicas:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
109
Tabela 1 - Diferença entre entrevista investigativa e interrogatório policial
Fonte - Autoras (2023)
O termo “declarante” quando mencionado no decorrer do módulo, engloba tanto a
vítima como a testemunha.
ANOTA AÍ
1.1 Tipos de Testemunha
Testemunha ocular 
Testemunha de “canonização”
Testemunha de “ouvir dizer”
De acordo com o livro Guia de Entrevista Investigativa (2020), no âmbito da entrevista
investigativa é necessária a compreensão dos diferentes tipos de testemunhas. Aqui
você entenderá sobre os três tipos que merecem especial atenção do entrevistador
investigativo:
A testemunha ocular é aquela que presenciou o acontecido e por isso pode prestar
esclarecimentos a respeito dos fatos. Os outros dois tipos de testemunhas, embora não
estivessem presentes podem se voluntariar ou serem indicadas a prestar declarações.
No caso da testemunha de “canonização”, percebe-se que o intuito é de favorecer algum
suspeito ou envolvido no evento, criando uma imagem positiva, este caso merece
especial atenção do entrevistador, pois tal depoimento pode contaminar a declaração,
direcionando o resultado da apuração. A testemunha chamada de “ouvir dizer” não
presenciou o evento, portanto sua declaração não colabora muito com a apuração dos
fatos.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
110
O processo para identificação dessas testemunhas também passa pela realização de
entrevistas preliminares, etapa indicada durante o processo de compreensão do evento
ocorrido, onde o entrevistador poderá encontrar informações que o levem a testemunhas
mais apropriadas para elucidação do caso.
 
Vale destacar que o processo de escuta de várias testemunhas deve seguir uma ordem
lógica que favoreça o entendimento do caso, esta ordem se baseia em ouvir inicialmente
as testemunhas que estejam mais distanciadas do objeto da investigação, e dessa forma
percorrer um caminho que leve à principal testemunha, que deve ser a última a ser
entrevistada. Este procedimento possibilita ao investigador recolher o maior volume de
informações que permitam uma maior compreensão dos fatos.
Com relação à investigação, mister se faz que a equipe de atendimento ao turista esteja
pronta para tomar as primeiras medidas necessárias, quais sejam, ouvir com paciência o
relato do turista, se ocorreu algum ato criminoso, elaborar o boletim de ocorrência, tomar
de imediato as primeiras medidas com fito de elucidar o crime, como tomar o
depoimento do turista imediatamente, se possível for, ir ao local do fato, colher
testemunhos, verificar se há imagens de câmeras de vídeo de segurança na localidade a
fim de auxiliar a investigação, fazer os ofícios pertinentes, se tiver que ser feita a perícia,
que a mesma seja providenciada de pronto, para que a materialidade delituosa seja
resguardada. Tratando especificamente das mulheres e a depender do fato criminoso
aventado, encaminhar para que para que seja feito o exame de corpo de delito e outros
exames que se fizerem necessários.
E mais, é muito importante também que o profissional de segurança pública saiba que
mormente tenha efetuado ações preventivas e investigativas preliminares, o trabalho
para a conclusão da investigação afeta ao turista não finda com seu retorno ao país ou
cidade de origem, mas ele segue em frente, com persistência até o relatório final ou
mesmo a prisão do infrator e a conclusão das investigações, de forma que o turista saiba
que a polícia continuou os trabalhos até que a peça investigativa seja remetida ao
Ministério Público e ao Juízo e assim, o processo penal siga seu curso natural.
Sendo assim, percebe-se que há a necessidade da visão de ação policial rápida, usando
as informações dos setores deinteligência no sentido de elucidar os casos afetos aos
turistas. 
Outras fontes de informação, como processos, denúncias, registros, fotos,
vídeos, reportagens, também fazem parte do arcabouço documental utilizado
durante um processo investigativo. Porém, devem ser usados com cuidado
durante a entrevista investigativa, evitando a contaminação do relato.
Mala Furtada em Aeroporto
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
111
Veja o caso da ação interestadual para elucidação do furto de uma mala
praticado no Aeroporto de Florianópolis/SC e foi recuperada em Maceió/AL, fruto
de uma investigação célere exitosa da Polícia Civil dos respectivos estados. 
Acesse a matéria:
SAIBA MAIS
1.2 O entrevistador e sua equipe
O trabalho desenvolvido na entrevista
investigativa, é sem dúvida um trabalho em
equipe, por isso o ideal é a participação de
mais de um profissional para a realização de
entrevistas. Normalmente aconselha-se que a
equipe seja composta por homens e mulheres
de diferentes idades, raças e origens, dessa
forma pode se garantir uma diversidade que
contribui para o desenvolvimento do trabalho
e da toda equipe.
Entretanto, no caso particular da segurança de mulheres turistas, recomenda-se um
maior número de mulheres envolvidas, em especial no processo de escuta e
acolhimento. Apesar de não haver uma comprovação baseada em evidências que possa
definir tal recomendação, nota-se, de forma empírica, a diferença no que se refere a
testemunhos de declarantes e vítimas mulheres, em processos investigatórios
conduzidos e acompanhados por profissionais de segurança mulheres. 
Utilizando como exemplo uma situação ideal, uma equipe de entrevista deve ser
composta por: um chefe, um entrevistador principal, um assistente e demais auxiliares
que variam de acordo com a necessidade do caso investigado.
ANOTA AÍ
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
112
Todos os envolvidos devem estar cientes de suas responsabilidades e atribuições. Para
tanto, o chefe da equipe deve elaborar um checklist definindo atividades, prazos e
responsabilidades.
O Chefe de equipe - gerencia todo o processo, realiza o planejamento e
elabora o relatório final;
O entrevistador principal e assistente - executam a entrevista e colaboram
com o planejamento geral; 
Os auxiliares - todos os demais envolvidos, como motoristas, operador de
áudio e vídeo, intérprete, tradutor, garçons etc.
Em relação às atribuições, podemos afirmar que:
A equipe recomendada foi pensada com objetivo de apresentar para você o ideal
no processo de entrevista investigativa, mesmo sabendo que em muitos casos,
dependendo da realidade do setor, ela necessite ser adaptada.
Tabela 2 - Modelo de checklist
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
113
Fonte - Autoras (2023)
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
114
Um ponto importante a ser ressaltado no que se refere ao papel do entrevistador
investigativo é apresentado a seguir:
Os autores abordam a especial atenção que deve ser direcionada ao tema do evento
investigado e ao perfil da testemunha para a melhor seleção do entrevistador, ou seja,
deve-se analisar a sensibilidade do tema em questão, quanto mais sensível ele for, mais
experiente deve ser o entrevistador.
No caso de vítimas/testemunhas mulheres é normal que elas se sintam mais calmas e
confortáveis quando são recebidas e entrevistadas por outras mulheres, especialmente
quando o evento ocorrido seja um crime sexual. Ao entrevistar uma vítima de violência
sexual, evite fazer com que ela relate o fato ocorrido mais de uma vez para que não
ocorra a revitimização, de forma indireta ou secundária.
É muito comum a revitimização institucional, quando o sistema legal e/ou a polícia
tratam a vítima de forma insensível ou inadequada, fazenintérdo com que a vítima se
sinta novamente traumatizada ao buscar justiça. A revitimização pode ter efeitos graves
sobre a saúde mental e emocional da vítima, além de dificultar sua recuperação. Caso
fique com alguma dúvida sobre o relato, peça que a vítima se coloque na perspectiva de
outra pessoa, alguma testemunha, por exemplo, para responder à pergunta.
Por isso, é tão importante que o especialista identifique o perfil da testemunha, o tema
investigado e estude as informações sobre o caso e se muna de todos os
conhecimentos necessários para melhor condução da entrevista, inclusive no que se
refere ao vocabulário que será empregado na declaração. 
Todos esses aspectos abordados nesta aula corroboram para o estabelecimento do
rapport, ou seja, criar uma conexão emocional positiva entre o declarante e o
entrevistador.
“Quando se planeja uma entrevista investigativa deve-se procurar encontrar um entrevistador que possua
características capazes de potencializar a técnica empregada e não de prejudicar a sua aplicação. Essa
escolha deve levar em consideração vários aspectos, tais como o tema que norteia o fato em apuração e
os perfis na testemunha e do entrevistador. (MAURMANN E PINTO,2020).
ANOTA AÍ
O termo “rapport” vem do francês e significa “relação” ou “conexão”. Quando aplicado em
entrevistas, isso significa criar uma relação de confiança e empatia, proporcionando um
sentimento de conforto e segurança em relação ao entrevistador.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
115
Na próxima aula, você vai aprimorar ainda mais seus conhecimentos sobre as técnicas
de entrevista investigativa, entender sobre o processo de escuta em silêncio e com plena
atenção na testemunha.
 
Dessa forma, irá construir uma linha de raciocínio entre o que estudou na primeira aula,
relacionando os conhecimentos aprendidos sobre a importância de se atentar para as
condições físicas e emocionais da declarante, os tipos de testemunha, perfil e
atribuições de uma equipe de investigação e perfil da testemunha.
AULA 2
O papel da memória: recuperação, contaminação e
processos de escuta e condução da entrevista
Um rolo de filme que, ao ser projetado, segue
uma ordem cronológica e, quando pausado,
volta a reproduzir as imagens de onde parou.
Assim imaginamos que funciona a memória e
esta ideia é um dos maiores equívocos da
entrevista investigativa. Como a memória é “a
matéria prima a partir da qual será construído o
relato da testemunha” (PINTO, MAURMANN,
2022, p.22) precisamos entender bem seu
conceito, tipos, como ela funciona e técnicas
para preservá-la e recuperá-la.
Neste capítulo, serão explorados o papel central da memória na entrevista investigativa,
os desafios da contaminação, a relevância da escuta ativa e a aplicação de técnica para
uma Comunicação não violenta (CNV) ao ouvir declarantes.
2.1 A influência da memória na prova testemunhal e
os diferentes tipos de memória
A memória é uma capacidade cognitiva fundamental que permite ao ser humano
registrar, armazenar, recuperar e utilizar informações adquiridas ao longo do tempo. Ao
contrário do que idealizamos, ela não funciona como um filme. Parece mais à Wikipedia,
podendo ser editada e sujeita a falhas no processo de recuperação. Isso pode levar a
lacunas e distorções no relato, especialmente quando há estímulos que afetam a
lembrança exata dos fatos. Por isso, é importante entender como as recordações são
formadas.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
116
O processo envolve vários estágios, desde a percepção inicial até a recuperação
posterior da informação armazenada. Estudo conduzido pelo Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (MIT) e publicado na revista Science em 2017 (MOURA, 2017) revelam
que a formação da memória não é um processo passivo de armazenamento, mas sim
um processo ativo de construção e reconstrução. Isso significa que nossas memórias
são influenciadas por nossas experiências passadas, nossas expectativas e nossos
objetivos futuros.
A memória se inicia com o registro de estímulos capturados pelos nossos sentidos
(como visão, audição, tato, cheiro e paladar) que ficam gravados por umafração de
segundos e podem ser descartados ou armazenados. Uma vez registradas, as
informações são armazenadas em diferentes tipos de memória, como a:
As memórias declarativas, um dos tipos de memória de longo prazo, estão diretamente
relacionadas à entrevista investigativa. Elas são a base a partir da qual as testemunhas
elaboram suas declarações sobre os assuntos, sejam recentes ou que tenham
presenciado no passado. A memória declarativa pode ser classificada como episódica,
quando envolve capacidade de lembrar de eventos específicos e experiências pessoais,
como o que você fez nas suas últimas férias ou semântica, que compreende a
recordação referente ao conhecimento geral e conceitual que acumulamos ao longo da
vida. Os dois tipos de memórias resultam em diferentes tipos de relatos.
Durante a entrevista investigativa, é essencial a colaboração da testemunha a partir de
sua memória episódica. Referenciar as memórias episódicas ajuda na obtenção de
informações mais detalhadas e precisas, pois é caracterizada pela descrição de uma
experiência pessoal concreta. Essa forma de memória é fundamental em investigações
criminais, pois permite que as testemunhas relatem o que viram, ouviram ou
experimentaram em um determinado incidente.
Memória de curto prazo - é usada para reter informações temporariamente, por
exemplo, guardar um número de telefone para ligar e, em seguida, esquecê-lo.
Memória de longo prazo - na memória de longo prazo, as informações
importantes e significativas são mantidas por um período indefinido. O
significado que atribuímos a um registro é o que faz ele permanecer na memória
de longo prazo.
ATENÇÃO
A memória humana pode ser dividida em vários tipos distintos, cada um desempenhando
um papel específico. A mais utilizada na entrevista investigativa visando o relato preciso
dos fatos é a memória de longo prazo episódica.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
117
Seguem algumas orientações de como podemos usar a memória episódica na obtenção
de informações em investigações criminais após o uso da narrativa livre (deixar sempre
as perguntas para o final, o conceito será mais bem apresentado na aula 4):
Os entrevistadores devem compreender os princípios da memória episódica e adotar
abordagens sensíveis e eficazes para coletar depoimentos detalhados e confiáveis das
testemunhas, contribuindo assim para o esclarecimento de eventos e a melhor apuração
dos fatos. Ainda assim, devem estar cientes de que a recuperação da memória está
sujeita a lacunas e falhas que podem comprometer a qualidade do relato.
A memória episódica é responsável por reter detalhes específicos de um evento,
como quem estava presente, onde e quando ocorreu, o que foi dito e feito.
Solicite que a testemunha descreva o ambiente, as pessoas presentes e os
eventos anteriores e posteriores ao incidente. Isso pode ajudar a reativar a
memória episódica e recuperar detalhes importantes.
Faça perguntas que ajudem a testemunha a relembrar os eventos em uma
sequência lógica e detalhada, de acordo com a linha do tempo.
Testemunhas que experimentaram eventos traumáticos podem ter memórias
episódicas impactadas pelo estresse. É importante que os entrevistadores sejam
sensíveis a essas emoções e forneçam um ambiente de apoio para a recuperação
de memórias precisas destes fatos. Caso a declarante tenha dificuldade de relatar
estes fatos, solicitar a ela que faça um desenho pode facilitar muito o seu relato.
Detalhes
Uso de Pistas Mnemônicas
Entrevista Sensível ao Tempo
Sensibilidade às Emoções e Trauma
2.2 Contaminação e falhas no processo de
recuperação da memória
Investigadores iniciantes podem cometer o erro de acreditar que uma declaração é
verdadeira apenas se todos os fatos correspondem ao episódio. Da mesma forma,
podem invalidar completamente um relato se não corresponder exatamente ao que se
sabe do assunto. No entanto, é importante evitar os extremos e entender que as
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
118
testemunhas, especialmente em casos de fatos antigos, podem distorcer seu
testemunho e incorporar fatos posteriores a ele. Quando, apesar dos erros causados
pelo esquecimento ou distorção de suas memórias, a testemunha tende a manter a
congruência dos fatos, isso denota falha no processo de recuperação da memória, não
falso testemunho.
A sugestão pode levar à formação de falsas memórias, especialmente em memórias
antigas que são mais suscetíveis à contaminação, fenômeno que ocorre quando uma
pessoa é exposta a informações falsas ou enganosas que afetam a sua capacidade de
lembrar de eventos com precisão. Na ótica da entrevista investigativa, a contaminação
de memória pode ocorrer quando o entrevistador faz perguntas sugestivas ou pressiona
o entrevistado para fornecer uma resposta específica.
É fundamental evitar declarações sugestivas durante uma entrevista investigativa, a fim
de evitar a formação de falsas memórias na mente da testemunha. A contaminação
pode ocasionar uma acusação injusta ou uma condenação errônea, por isso deve ser
combatida durante todo o processo de apuração. Uma pergunta mal formulada ou uma
palavra mal escolhida podem induzir uma mudança na resposta.
1- Procure adotar uma postura cuidadosa e abstenha-se de declarações/
perguntas sugestivas; exemplificar fatos, sugerir palavras, completar frases.
2- Prefira perguntas abertas e não sugestivas. Em vez de: Você estava na praia na
hora do crime, pergunte: “Você consegue descrever o ambiente em que se
encontrava na hora do crime?”; 
3- Peça à entrevistada que descreva os eventos em ordem cronológica inversa;
4- Solicite à declarante que mude a perspectiva, tente narrar os fatos do ponto de
vista de outra pessoa.
5- Não deixe duas testemunhas compartilharem a mesma sala de espera, na troca
de percepções sobre o fato apurado, uma pode acabar tendo sua memória
contaminada pela outra.
6- Seja sensível aos efeitos do estresse na memória, pois ele pode provocar
lapsos e apagões.
Seguem algumas dicas para evitar a contaminação durante uma
entrevista e garantir a precisão dos relatos:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
119
7- Deixe a vaidade de lado e não transmita falta de preparo e nervosismo, isso faz
com que você queira ser o protagonista na entrevista, pressione ou deixe a
declarante insegura.
8- Respeite os silêncios e as pausas. Por mais incômodo que eles possam gerar, é
necessário para a declarante construir seu relato. Caso o silêncio dure muito
tempo, você pode estimular a retomada da descrição com frases como: “e
então?”
Alguns exemplos de perguntas sugestivas, a serem evitadas em uma entrevista
investigativa:
“Você não viu o suspeito no aeroporto com um boné verde?”
“Você não se lembra de ter visto um carro branco na cena do crime?”
"Você concorda que o suspeito tinha um comportamento agressivo naquela
situação?"
Na entrevista investigativa, o foco está na testemunha e não no entrevistador. Não
tente conduzir o relato pois, quanto mais livre for a narrativa, melhor. Deixe as
perguntas para o final e evite perguntas sugestivas ao longo do relato. Empenhe-se
para preservar as memórias originais da declarante.
PARA LEMBRAR
2.3 Estratégias para a recuperação de memórias
1- Recriar mentalmente o contexto: iniciar a entrevista orientando a declarante a
recriar mentalmente os estados cognitivos e emocionais que existiam no
momento do evento a ser narrado. 
2- Narrativa Livre: Inicialmente, permita que o declarante narre livremente sua
versão dos eventos, minimizando influências externas que podem afetar a
memória. Uma estratégia pode ser pedir que ela feche os olhos e retorne ao lugar
do fato apurado.
Seguem algumas dicas para recuperação da memória durante a
entrevista investigativa:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
120
3- Perguntas Abertas: O uso de perguntas abertas encoraja a declarante a
descrever eventos em detalhes, o que pode ajudar a acessar informações
cruciais.4- Reformulação: Repetir ou reformular as informações fornecidas pelo
declarante pode ajudar a confirmar ou esclarecer detalhes, fortalecendo a
memória.
5- Apresentação de Evidências: Apresentar evidências coletadas durante a
investigação pode auxiliar na recuperação de memórias, mas deve ser feito com
cautela para evitar contaminação, de preferência, após o final da narração livre.
6- Anote as dúvidas para o final: ao longo da narração, anote em um papel as
incoerências, dúvidas, fatos que precisam de um maior detalhamento. Somente
após o término da narração, faça as perguntas.
O papel do entrevistador, então, é ajudar a testemunha a vasculhar a mente em
busca desta rota.
Existem dois processos que podem levar a testemunha a não conseguir acessar suas
memórias:
Indisponibilidade, quando aquele registro não existe mais devido a algum trauma ou a 
Inacessibilidade, quando o registro ainda existe, mas a declarante não consegue
recordá-lo. Neste segundo caso, é possível encontrar novos caminhos que conduzam o
declarante para essa memória.
A estratégia utilizada será a recriação de memória direcionada para o fato que se deseja
acessar. Vamos utilizar como exemplo o caso de uma turista que é abusada
sexualmente durante um grande festival de música. O entrevistador precisa saber se,
depois do crime, o suspeito entrou no banheiro. A testemunha, amiga da turista, afirma
não recordar deste detalhe, apesar de estar perto da vítima quando o fato aconteceu.
Como saber deste detalhe influencia na elucidação dos fatos, a entrevistadora adota a
estratégia de recuperação de memória. Segue o diálogo abaixo:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
121
- (Nome da testemunha), eu gostaria que você se concentrasse novamente quando o suspeito fugiu.
- Tudo bem - responde a declarante
- Certo! Se você estiver à vontade, vou pedir que feche os olhos.
- Ok.
- (Nome da testemunha), a partir de agora, escute apenas a minha voz e siga as minhas instruções.
Confirme com a cabeça caso tenha entendido.
Continue, em caso de confirmação, sempre com um intervalo de alguns segundos entre as instruções
(adaptação de diálogo, p.110, VIEGAS, MAURMANN, 2020):
- Concentre-se no que você viu quando o suspeito saiu de cena.
- Recrie em sua mente toda a cena que você presenciou
- Visualize os detalhes do local.
- Visualize as pessoas que estavam no local
- Lembre-se dos sons que você ouviu.
- Lembre-se do que você fez logo em seguida.
- Recorde-se do caminho que você percorreu até encontrar a sua amiga.
- Recrie esse caminho em sua mente.
- Recorde-se do momento em que você chegou na sua amiga.
- Lembre-se do momento em que a acolheu.
- Muito bem, (nome da testemunha). Agora vou pedir que você descreva da melhor maneira possível,
como o suspeito fugiu.
- Agora me lembrei! Quando encontrei a minha amiga, ele correu para a porta principal, não entrou no
banheiro - afirma a testemunha.
Caso esta estratégia não funcione, solicite que a testemunha narre os fatos na ordem
inversa daquela que tenha relatado anteriormente. A última estratégia recomendada é a
mudança de perspectiva, onde a declarante observa o fato a partir de outro ângulo de
visualização. Qualquer estratégia adotada só deve ser aplicada com o consentimento da
testemunha e uma única vez.
Outra técnica utilizada para a recuperação da memória em entrevistas investigativas é a
de terapia cognitivo comportamental (TCC), (PERGHER, STEIN, 2005).
A TCC é uma abordagem terapêutica que se concentra na identificação e alteração de
padrões de pensamento disfuncionais e pode ajudar os indivíduos a recuperar memórias
reprimidas ou esquecidas por meio da identificação e correção de pensamentos
negativos ou distorcidos que possam estar impedindo a recuperação dessas memórias.
de terapia cognitivo comportamental (TCC), (PERGHER, STEIN, 2005)
Para saber mais informações sobre a Terapia Cognitivo Comportamental acesse:
SAIBA MAIS
Entrevista Cognitiva
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
122
2.4 Aprenda a escutar
Investigadores iniciantes podem cometer o erro de acreditar que uma declaração é
verdadeira apenas se todos os fatos correspondem ao episódio. Da mesma forma,
podem invalidar completamente um relato se não corresponder exatamente ao que se
sabe do assunto. No entanto, é importante evitar os extremos e entender que as
Como mencionamos anteriormente, o sucesso da entrevista investigativa está na
capacidade de escuta ativa do investigador, renunciando ao controle no processo. É
essencial que o entrevistador se preocupe com a saúde emocional da testemunha e
avalie se ela está em condições físicas e emocionais para relatar o ocorrido.
A escuta ativa é uma habilidade que precisa ser aprendida e treinada, muito além do
ambiente investigativo. Inicie a prática nas conversas com pessoas próximas. Quando
alguém lhe relatar um fato qualquer, observe como fica a sua mente. Você consegue se
conectar com o que ela está dizendo, ou, ao longo da fala, automaticamente vai
formulando a resposta, julgando os acontecimentos, pensando em conselho, ou
trazendo exemplos de sua vida relacionados ao fato narrado? Quando seu interlocutor
acaba de falar você procura saber se a conversa era apenas um desabafo ou se ele
esperava alguma opinião sua? A resposta, geralmente, é não.
Na sua próxima conversa, faça um exercício: experimente ouvir, sem interromper, fazer
comentários ou emitir julgamentos. Esteja presente na escuta, silencie as vozes
interiores que lhe desconectam do que está sendo dito e das necessidades expressas
nesta fala. Essa é uma das práticas sugeridas pela Comunicação Não Violenta (CNV),
uma abordagem de comunicação proposta por Marshall Rosenberg (2006) que visa
melhorar a qualidade da comunicação interpessoal, promover a empatia e resolver
conflitos de maneira construtiva. A CNV é baseada em um conjunto de princípios e
técnicas que enfatizam a conexão e o entendimento mútuo entre as pessoas e pode
auxiliar na recuperação de memórias durante uma entrevista investiga
“O caminho para escutar é o parar de falar. Uma razão de não conseguirmos ouvir é que as vozes dos
outros são abafadas por nossas vozes internas.”
Adam Kahane
O uso de técnicas de escuta ativa e a criação de um vínculo de confiança fazem
com que o entrevistador estabeleça um ambiente de bem-estar, deixando a
declarante segura e tranquila para narrar os fatos.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
123
Estes são alguns fundamentos da CNV:
1. Observação: ações concretas que estamos observando e que afetam nosso
bem-estar.
2. Sentimento: como nos sentimos em relação ao que estamos observando.
3. Necessidades: necessidades, valores, desejos etc. que estão gerando nossos
sentimentos
4. Pedido: ações concretas que pedimos para enriquecer nossa vida.
Seguem outras práticas/ fundamentos da CNV que podem favorecer o processo
de escuta ativa:
Não importa que palavras as pessoas usem para se expressar, procuramos
escutar suas observações, sentimentos e necessidades,
Abdicar de todas as opiniões e julgamentos 
Empatia e presença, ouvir sem intenção 
Não faça nada, simplesmente esteja presente 
Na empatia saímos de “nossa casa” 
A CNV é 80% não verbal
Para apoiar o processo de escuta de uma entrevista sugerimos a adoção da Escuta
Empática, prática da CNV, na qual as pessoas se concentram nas palavras e
sentimentos do interlocutor, buscando compreendê-lo profundamente, sem julgamento.
Além disso, o respeito pela autonomia, outra prática da CNV, que visa o não controle e
manipulação dos outros e sim a criação de conexões reais também deve ser adotada,
especialmente na escuta de testemunhas mulheres. Segundo Rosemberg, “a empatia é a
compreensão respeitosa do que os outros estão vivendo.” (2006).
Integrar as técnicas de CNV em uma entrevista investigativa pode contribuir para a
obtenção de informações mais precisas e confiáveis, pois ajuda a testemunha a se
sentir respeitada, ouvida e compreendida. Assim, cria-se um ambientepropício para a
recuperação de memórias detalhadas e objetivas.
Ao adotar algumas práticas da CNV nas entrevistas investigativas estamos contribuindo
para:
Onde a testemunha se sinta à vontade para compartilhar suas lembranças sem
medo de críticas, julgamento ou retaliação.
A Criação de um Ambiente Seguro
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
124
A CNV recomenda o uso de perguntas abertas e neutras, que não contenham
suposições ou sugestões. Isso permite que a testemunha relate suas memórias
da maneira mais objetiva possível, minimizando a contaminação da memória.
A técnica de repetir e reformular o que a testemunha diz pode ajudar a esclarecer
informações e garantir que os detalhes sejam compreendidos corretamente. Isso
também mostra à testemunha que o entrevistador está se esforçando para
entender com precisão. Só faça esta intervenção em casos de silêncio
prolongado, sem interromper a declarante e tomando os devidos cuidados para
evitar a contaminação.
Reconhecer e validar as emoções da testemunha é uma parte fundamental da
CNV. Isso pode ser útil quando as emoções estão ligadas às lembranças. Quando
uma testemunha sente que suas emoções são compreendidas e validadas, ela
tende a compartilhar mais detalhes de sua memória.
A CNV incentiva os entrevistadores a, ao fazer declarações, falar na primeira
pessoa, comunicando suas próprias observações, pensamentos e sentimentos,
em vez de fazer acusações ou atribuir intenções a terceiros.
Uso de perguntas Abertas e Neutras
Repetição e Reformulação
Validação das Emoções
Uso de Declarações "Eu"
Repetição e Reformulação - Exemplo:
Fonte - Autoras (2023)
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
125
Saber escutar não se resume a não interromper o relato e a ficar em silêncio. Vai além,
vai até a capacidade de se conectar com o que a pessoa está dizendo e, assim,
incentivá-la a seguir falando. Você deve se mostrar realmente interessado no que a
testemunha relata, atento e responsivo o tempo todo, seja por pequenas intervenções
(interjeições, repetir algumas palavras ditas), pela linguagem corporal (balançar de
cabeça, se posicionar de frente) e, principalmente, pelo contato visual. 
Em resumo, a memória desempenha um papel crítico na entrevista investigativa em
contextos de segurança pública. Para otimizar a recuperação de informações precisas, é
essencial compreender a memória, aplicar técnicas apropriadas, evitar contaminação,
promover a escuta ativa e utilizar abordagens de comunicação não violenta.
Profissionais de segurança pública que dominam essas técnicas podem melhorar a
qualidade das informações coletadas, contribuindo para investigações mais eficazes e
justiça em casos de segurança pública.
2.5 Interpretando os sinais
A prática de escuta ativa envolve observar os
sinais não verbais da testemunha enquanto ela
fala (gestos, posturas, expressões faciais), o que
pode ajudar os entrevistadores a ajustar suas
abordagens e perguntas para obter respostas mais
precisas, além de informações adicionais e
contextuais que complementam as respostas
verbais. A interpretação destes sinais não verbais
desempenha um papel importante em uma
entrevista investigativa para avaliar o grau de
ansiedade da testemunha.
Assim que a declarante se apresenta, o ideal é realizar o que é chamado de “linha de
base”, identificar o comportamento padrão (verbal e não verbal) que uma pessoa
apresenta quando não se encontra em situação de estresse. Observe, logo da chegada
da declarante, como é a sua postura, como se senta, quais gestos utiliza e se consegue
tanger o contato visual. A partir deste marcador, podemos comparar os indicadores não
verbais ao longo da entrevista, percebendo desconfortos em relação ao fato relatado.
Seguem abaixo, alguns sinais e suas possíveis interpretações para auxiliá-lo durante a
entrevista investigativa, lembrando que as pessoas são diferentes, não se pode afirmar
que um gesto é um indicador seguro de uma situação emocional específica:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
126
Fonte - Autoras (2023)
*
*Tamborilar: Imitar o rufo do tambor, batendo com os dedos, ou com um objeto qualquer, sobre uma superfície;
batucar: tamborilar sobre a mesa. Produzir ruído semelhante ao do rufar do tambor: a chuva tamborila nos vidros.
Caso perceba algum destes sinais deverá checar o que está causando a inquietação na
testemunha. Experimente fazer uma pergunta sobre outro tema, para identificar se o
depoimento de forma geral a está deixando tensa, ou apenas um fato dentro dele. Não
existe um sinal universal absoluto, uma prova definitiva. As expressões acima podem
representar indícios de desconforto que devem ser avaliados ao longo da entrevista.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
127
Caso perceba algum destes sinais deverá checar o que está causando a inquietação na
testemunha. Experimente fazer uma pergunta sobre outro tema, para identificar se o
depoimento de forma geral a está deixando tensa, ou apenas um fato dentro dele. Não
existe um sinal universal absoluto, uma prova definitiva. As expressões acima podem
representar indícios de desconforto que devem ser avaliados ao longo da entrevista.
Podem revelar emoções e reações da testemunha em relação às
perguntas ou tópicos discutidos. Um sorriso, franzir a testa, olhos
lacrimejantes, entre outros, podem indicar sentimentos de alegria,
preocupação, tristeza ou desconforto. No livro “Desvendando os Segredos
da Linguagem Corporal” (PEASE, 2005), os autores abordam de forma
minuciosa cada parte do rosto e seus significados e destacam que colocar
as mãos no rosto é base dos gestos humanos para enganar, quando
dissemos ou ouvimos uma mentira, frequentemente tentamos tapar os
olhos, a boca ou os ouvidos com as mãos, esses gestos devem ser
analisados de forma agrupada, ou seja, observando todo o contexto
ambiental e corporal, não podem ser analisados isoladamente. Os autores
também chamam a atenção para a importância do olhar, pois a
comunicação ocular é possivelmente a mais sutil da comunicação
corporal.
 Os gestos e postura corporal da testemunha podem fornecer pistas
sobre sua confiança, ansiedade ou hesitação. Por exemplo, uma
testemunha que cruza os braços pode parecer defensiva, na tentativa
de proteção, além disso, manter os braços cruzados faz com que a
declarante preste menos atenção no que está falando, os
investigadores experientes sabem que este gesto demonstra a
necessidade urgente de “quebrar o gelo” enquanto alguém que faz
contato visual direto e relaxa os ombros pode parecer mais confiável.
O tom de voz da testemunha, incluindo a velocidade, o volume e a
entonação, pode transmitir emoções e intensidade. Um tom de voz
trêmulo pode indicar nervosismo, enquanto um tom firme pode indicar
confiança.
É importante observar se os sinais não verbais da testemunha são
coerentes com suas palavras. Se houver uma disparidade, pode ser um
sinal de que a testemunha não está sendo completamente sincera ou
está ocultando informações.
Expressões
Faciais
Linguagem
Corporal
Tom de Voz
Coerência
com a
Linguagem
Verbal
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
128
Observar as reações da testemunha a perguntas específicas pode
fornecer pistas sobre a relevância ou a sensibilidade do tópico. Uma
reação emocional a uma pergunta específica pode indicar que esse
tópico é importante.
A observação do conforto da testemunha no ambiente da entrevista é
crucial. Se a testemunha parece desconfortável, isso pode afetar a sua
disposição em compartilhar informações.
Reações à
Pergunta
Específica
Conforto no
Ambiente
É importante ressaltar que a interpretação de sinais não verbais deve ser feita com
cautela e não deve ser usada como prova definitiva. Os sinais não verbais podem ser
influenciados por vários fatores, como nervosismo, cultura, personalidade e até mesmo
gênero. Por exemplo, o ato de cruzar as pernas, entre as mulheres quando estão
sentadas, é na maioriadas vezes, uma repetição do que foram ensinadas ainda quando
crianças sobre a forma adequada de se sentar. 
Portanto, é importante combinar a interpretação dos sinais não verbais com outras
evidências e informações para obter uma imagem mais completa e precisa durante uma
entrevista investigativa.
No podcast “O Mito do Nariz de Pinóquio”, com os autores do livro “Guia de
Entrevista Investigativa”, André Paulo Maurmann e Maurício Viegas conversam
com a psicóloga Lívia Borges sobre detector de mentira, se a memória é
incontestável e como o entrevistador pode influenciar a testemunha. O mito do
Pinóquio é quando se acredita que exista um sinal absoluto que se manifeste
sempre que uma pessoa minta.
SAIBA MAIS
PodCast
2.6 Situações inusitadas
Além de estar preparado para interpretar a linguagem não verbal, o entrevistador tem
que saber lidar com situações inusitadas ao longo do depoimento. Seguem dicas de
como lidar com algumas circunstâncias, a princípio, desconfortáveis e/ ou
constrangedoras.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
129
2.7 O método PEACE para a coleta de informações
O modelo de framework PEACE é uma das estratégias frequentemente utilizadas em
entrevistas investigativas para orientar o processo de coleta de informações de
testemunhas e suspeitos. Este modelo é uma abordagem sistemática que visa garantir a
obtenção de informações precisas e confiáveis, enquanto respeita os direitos dos
entrevistados e mantém a integridade da investigação. 
O termo "PEACE" é um acrônimo que representa cinco fases distintas do processo de
entrevista:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
130
1. Preparação (Planning and Preparation)
Nesta fase, os entrevistadores investigativos devem preparar-se adequadamente
para a entrevista. Isso envolve a revisão de informações disponíveis sobre o caso,
o estabelecimento de metas e objetivos claros para a entrevista e a determinação
de uma abordagem apropriada com base nas circunstâncias do caso.
 2. Explicação (Engage and Explain):
 Durante esta fase, o entrevistador deve estabelecer uma relação de confiança com
o entrevistado, explicar o propósito da entrevista e as regras que regem o
processo. O objetivo é criar um ambiente no qual o entrevistado se sinta
confortável para cooperar.
3. Contas (Account):
Nesta fase, o entrevistado é convidado a dar sua versão dos eventos. O
entrevistador faz perguntas abertas, após a narrativa livre, para permitir que o
entrevistado narre sua história sem interrupções, com o objetivo de obter uma
descrição completa e precisa dos acontecimentos.
4. Corroboração (Closure and Challenge):
O entrevistador, nesta fase, verifica a consistência das informações fornecidas
pelo entrevistado e faz perguntas para esclarecer quaisquer contradições ou
lacunas. Pode-se também apresentar evidências para confrontar o entrevistado
com informações contraditórias, caso existam.
5. Avaliação (Evaluate):
Na última fase, o entrevistador avalia a qualidade das informações obtidas e
decide quais passos adicionais podem ser necessários na investigação. Isso pode
incluir a identificação de outras testemunhas a serem entrevistadas, a solicitação
de documentação adicional ou a tomada de medidas legais.
O modelo de framework PEACE é especialmente relevante em investigações criminais e
entrevistas com testemunhas, vítimas e suspeitos, uma vez que busca obter
informações de maneira imparcial e eficaz, minimizando o risco de contaminação ou
coerção. Além disso, ele se alinha com princípios de direitos humanos e proporciona
uma abordagem mais ética e legalmente defensável para a obtenção de informações.
Vídeo Podcast
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
131
No entanto, é importante notar que a aplicação bem-sucedida do modelo PEACE requer
treinamento e habilidades específicas por parte dos entrevistadores. Além disso, a
estrutura pode ser adaptada para se adequar a circunstâncias específicas de diferentes
casos. Em resumo, o modelo PEACE é uma ferramenta valiosa para entrevistas
investigativas que buscam garantir a precisão e a justiça no processo de coleta de
informações em contextos legais.
Nas próximas aulas você irá conhecer o passo a passo para organizar uma entrevista
investigativa, iniciando pela atenção na escolha do local, passando por todo o processo
de realização de uma entrevista, assim como sua finalização adequada.
Nos materiais abaixo, Yuri Camilo, do Projeto Investigador Forense discorre sobre
o método PEACE:
SAIBA MAIS
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
132
AULA 3
Organizando uma entrevista investigativa
O processo de organização de uma entrevista
investigativa, passa por algumas etapas
fundamentais para que você consiga obter
sucesso na atividade. 
Nesta aula, você vai conhecer e compreender
todos os passos que compõem esta trilha
investigativa.
O espaço adequado para uma entrevista investigativa
Recomenda-se iniciar o processo definindo em seu órgão de trabalho o melhor espaço
para realização da entrevista, entende-se como espaço adequado, uma sala que tenha
um bom isolamento acústico, que não seja local de passagem de pessoas que não estão
envolvidas na atividade, um espaço climatizado de forma que ofereça um conforto
térmico, especialmente para a testemunha. Será necessário dispor de
cadeiras/poltronas e mesas laterais, não utilize mesas entre você e a declarante,
conforme você estudou na aula anterior, tais utensílios dificultam o estabelecimento do
rapport entre entrevistador e testemunha. O local não deve dispor de decoração em
excesso, muitos elementos geram distração e prejudicam a concentração necessária
para o momento.
Disponha as cadeiras/poltronas de costas para a janela, outro elemento que
desconcentra a testemunha. Em caso de entrevista com gravação de vídeo, a câmera
deve ficar posicionada de forma que todo o corpo da testemunha seja gravado, isto
facilita a leitura da linguagem corporal, posterior a entrevista. 
Providencie água e café, esses itens transmitem conforto a todos os presentes, assim
como papel e caneta, que ajudam na demonstração gráfica de fatos ocorridos no evento.
 
A adequada organização do espaço, proporciona uma bem-sucedida entrevista
investigativa, inclusive, no que diz respeito ao resgate de memórias e a construção de
um bom relacionamento entre a testemunha e o entrevistador.
ANOTA AÍ
Essa organização do espaço, deve ser planejada e providenciada com antecedência e
precisa ser registrada no checklist conforme exemplificado na aula 1, desta unidade.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
133
Momento da entrevista: quem deve ficar presente na sala?
Após organizado adequadamente o espaço, onde ocorrerá a entrevista, é necessário
definir quem e quantas são as pessoas que estarão presentes na sala da entrevista.
Neste tópico você vai conhecer algumas variáveis que determinam a configuração
conforme algumas necessidades da testemunha ou do entrevistador: 
Em relação à testemunha, as principais variáveis são: 
necessidade de um acompanhante, familiar ou amigo; 
necessidade de levar filhos pequenos; 
necessidade de um tradutor de idiomas ou intérprete de língua de sinais. 
Essas são algumas das situações que fazem com que o condutor da entrevista autorize
a participação de mais de uma pessoa na atividade, no primeiro caso “necessidade de
um acompanhante, familiar ou amigo” nesse caso a solicitação parte da testemunha e
ocorre por não se sentir à vontade para ficar sozinha no momento da entrevista. O
entrevistador deve tentar fazer com que a declarante adquira confiança suficiente,
porém se não obter sucesso, é importante explicar que o acompanhante não deve se
pronunciar de forma alguma e o mesmo deve ficar posicionado fora do campo de visão
da declarante. 
No que se refere à segunda necessidade, quando a testemunha tem filhos pequenos e
precisa levá-los para a entrevista, o ideal é organizar uma equipe de apoio que
permaneçaem uma sala próxima com os filhos menores, para evitar distrações durante
a atividade. No caso de crianças muito pequenas, provavelmente será necessário ficar
na mesma sala, porém sempre com uma equipe de apoio e, de preferência, atrás da
declarante. 
E por fim, a última necessidade, se refere ao idioma falado pela declarante e a
necessidade de uma pessoa para fazer a tradução, neste caso o tradutor precisa ficar
dentro do campo de visão para garantir uma tradução mais eficaz, em especial se for um
tradutor de língua de sinais, se a testemunha seja uma pessoa com deficiência auditiva,
deve-se ter no mínimo dois intérpretes de Libras que possam revezar, durante todo o
período da entrevista. 
Contudo, registra-se que o ideal é estar presente o mínimo possível de pessoas, somente
as que realmente são necessárias para o desenvolvimento da entrevista, isso garante
uma melhor qualidade dos fatos relatados.
ANOTA AÍ
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
134
Gravação da entrevista
Recepção da testemunha
Para que se possa garantir um registro adequado da entrevista é essencial que seja
realizada a gravação dela, que pode ser executada somente em áudio ou em áudio e
vídeo, sendo que a gravação em áudio e vídeo é considerada ideal, visto que a imagem
permite a análise de expressões não verbais, essenciais para o processo investigativo.
Para além disso, observa-se que a gravação garante um registro que ultrapassa a
barreira do tempo, reduzindo sobremaneira a necessidade da tomada de novos
depoimentos. 
Importa registrar que nem todas as pessoas se sentem confortáveis com a gravação de
sua imagem, dessa forma, torna-se necessário que o entrevistador seja convincente e
apresente todos os benefícios da realização do registro em áudio e vídeo. 
Outro ponto importante de ser registrado é a necessidade do preenchimento do termo de
consentimento para realização do registro da entrevista, esta autorização deve ser feita
por escrito e no início da gravação.
O momento inicial de recepção da testemunha, impacta no desenvolvimento de toda a
entrevista, isto ocorre porque o bom relacionamento é construído a partir da primeira
impressão.
Em alguns casos a gravação é obrigatória por determinação legal. Mesmo neste caso,
recomenda-se que seja feita a declaração prévia da testemunha para gravação de suas
declarações.
ATENÇÃO
Cuidado para não usar vestimentas que possam constranger a testemunha ou passar uma
ideia de superioridade.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
135
1) Seja pontual
A equipe responsável pela entrevista precisa estar presente no local com no
mínimo 1 hora de antecedência.
2) Seja gentil e cortês
Receba a testemunha com tranquilidade, segurança e aperto de mão, pergunte
como ela prefere ser chamada, se apresente nome/função. 
3) Ofereça água e café 
Esses dois itens transmitem uma sensação de conforto.
4) Mantenha uma postura corporal adequada 
 Sente-se numa distância que não seja tão próxima, nem distante da testemunha,
mantenha o espaço entre vocês livre, sem mesas ou outro obstáculo, o corpo
deve ficar levemente inclinado na direção da declarante. 
5) Crie um contato ocular 
Esse vínculo estabelecido pelo olhar deve ser pensado durante toda a entrevista,
o contato ocular constante, pode gerar um certo constrangimento, sendo assim,
alterne o olhar, não fixe de forma a deixar a declarante inibida, porém lembre-se
de demonstrar atenção constante. 
6) Reduza a ansiedade da testemunha 
Inicie a conversa de forma mais informal, falando sobre o clima ou outros
assuntos que não se relacionem diretamente com os fatos que são objeto do
depoimento. 
7) Motive a testemunha 
Explique a importância da sua participação na entrevista para o esclarecimento
de todos os aspectos do evento.
Sendo assim, algumas estratégias podem ser tomadas para garantir
uma boa impressão entre a testemunha, o entrevistador e sua equipe:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
136
Tabela 2 - Resumo de variáveis em uma entrevista
Fonte - Autoras (2023)
ATENÇÃO
Para se estabelecer uma boa relação com a testemunha, é necessário identificar o perfil
dela, a partir dessa pesquisa, você conseguirá se planejar desde a recepção até a
conclusão da entrevista investigativa.
Na próxima aula, você irá estudar sobre os diferentes tipos de perguntas e perceber a
importância das mesmas durante a entrevista, o momento certo para realizá-las, como
também a relação do tipo de pergunta com o sucesso ou não da entrevista. A aula 4
também relata o momento do encerramento da entrevista e os procedimentos
necessários para manter um canal de comunicação aberto com as vítimas e
testemunhas.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
137
AULA 4
A entrevista investigativa do início ao fim
Com o decorrer das aulas, você aprendeu que o objetivo da entrevista investigativa é
obter o relato mais completo possível dos fatos, esse relato só é possível com o resgate
das memórias das vítimas e testemunhas, e é por isso, que se reforça durante o curso,
diversas técnicas e ferramentas que auxiliam na reconstrução das lembranças. 
Para tanto, a narrativa livre é essencial para entrevista investigativa, ou seja, o declarante
tem o controle da fala e a condução do entrevistador deve ser com o mínimo de
interrupções, conferindo ao declarante o tempo necessário para construção do
pensamento e resgate das memórias sobre o evento.
As perguntas realizadas, devem ter como foco principal o esclarecimento de falas
obscuras ou ambíguas, evitando uma má interpretação do relato, sempre com o objetivo
de deixar o mais claro possível o que está sendo dito, e devem ser realizadas em um
momento à posteriori, destinado a realização de perguntas, nunca durante a narrativa
livre. 
O papel do entrevistador é incentivar a testemunha a fazer uma narrativa livre,
conduzindo inicialmente a mesma a uma recriação mental do contexto, a partir de
lembranças como o que estava fazendo naquele momento, quais as pessoas que
estavam no local, lembrar dos detalhes que observou, inclusive do que estava pensando
e sentido no momento. 
Realizado este momento inicial, o entrevistador deve adotar uma postura de escuta ativa,
utilizando principalmente elementos não verbais durante a fala da declarante. Na
psicologia cognitiva, a reconstrução de memória através da [re] contextualização dos
fatos vivenciados originalmente é considerada mais eficaz do que outras técnicas. Se
um registro está inacessível pela trilha da mente que normalmente seria percorrida, é
necessário recorrer a outro caminho
Como iniciar a entrevista e incentivar a narrativa livre: 
(Nome da testemunha) é muito importante que você relate todos os detalhes, mesmo
aqueles que pareçam sem importância. Não vou te perguntar nada, vou apenas te ouvir.
Pode falar tudo o que vier à sua mente, sem se preocupar com a ordem dos fatos. Não
temos pressa, você pode utilizar o tempo que for necessário.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
138
Para a recriação mental, experimente o seguinte exercício:
- Antes que você comece seu relato, gostaria de convidá-la a fazer um pequeno
exercício. Podemos tentar?
- Sim - afirma a testemunha.
- Caso se sinta à vontade, pode ficar de olhos fechados… vou pedir que você se
concentre e retorne no tempo para o dia em que (ocorrência investigada) ...
(pausa)... recorde o que estava fazendo naquele momento, das pessoas que
estavam no local. Deixe que toda a cena se forme em sua mente… (pausa)...lembre-
se de tudo que observou naquele momento, o que as pessoas estavam fazendo.
Recorde o que você estava pensando naquele momento… (pausa). Quando você
achar que essas memórias já estão claras na sua mente, me avise para
começarmos seu depoimento. (VIEGAS, MAURMANN, 2020).
Passado o momento da narrativa livre, o entrevistador deve procurar esclarecer
todos os trechos da entrevista que por algum motivo não ficaram claros, para tanto
elabora perguntas, essasde água, luz, postos de combustíveis,
supermercado, segurança pública, vias de acesso, terminais de passageiros, dentre
outros. Também se faz necessária uma infraestrutura específica, como hotéis, agências
de viagens, atrativos turísticos entre outros para que a engrenagem do turismo funcione
adequadamente.
O epicentro do fenômeno turístico é de caráter humano, uma vez que
são estes que se deslocam e, ao fazerem isso, entram em contato com
outros homens. Dessa forma, é de fundamental importância considerar
outros elementos além dos econômicos, priorizando a percepção do
homem dentro do processo histórico, político e social inerente à
experiência turística (MOESCH, 2002).
Assim, a atividade turística deve ser concebida como um sistema, que
se desenvolve como uma engrenagem, trata-se, pois de um sistema
aberto, no qual um elemento depende do outro, sendo eles
interdependentes e nunca autossuficientes (BENI, 2000).
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
14
Trata-se, portanto, de uma atividade complexa e interdisciplinar, que se conecta a
diversas áreas e setores, com impactos significativos em diferentes aspectos da
sociedade. 
Ressalta-se, ainda, de acordo com Petrocchi (2001, p. 15) que
“[...] a visão sistêmica preocupa-se com a soma desses valores e com cada uma
das partes, pois cada um dos subsistemas afeta o resultado do todo”.
A seguir, reportagem que elenca os principais fatores que tendem a prejudicar o turismo
no Brasil. Clique e leia a reportagem completa! 
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
15
Fonte: BBC News, Brasil (2022)
Exploraremos, a partir dessa concepção, as conexões da atividade turística, discutindo
essas interfaces e relacionando-as à segurança pública.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
16
Figura 4: As interfaces do Turismo
Fonte: Conteudistas adaptado pela COED (2024)
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
17
1.1 Turismo, tecnologia e as interfaces digitais
Enquanto sistema, a atividade turística deve dispor de uma boa gestão local. O seu
desenvolvimento exige planejamento, controle e aprimoramento - funções básicas da
Administração.
Dentre os múltiplos fatores e dimensões que impactam a atividade, destaca-se o avanço
das tecnologias, geralmente voltadas para o conforto e a segurança dos viajantes.
Nesse quesito, as soluções e inovações tecnológicas oferecem benefícios, tanto para o
viajante, quanto para os gestores do turismo e da segurança pública.
Turistas fazem uso das tecnologias há algum tempo e seu emprego pode ser
percebido em aplicativos e dispositivos eletrônicos que auxiliam na orientação,
dicas de roteiros e pontos de interesse, por exemplo. O emprego desses recursos
começa antes mesmo do potencial turista definir o destino, buscando informações
relativas à hospedagem, reservas aéreas e câmbio, sendo realizada com o apoio
de aplicativos de viagens, redes sociais e experiências compartilhadas por outros
usuários em blogs e sites especializados.
Figura: Aplicativos e soluções digitais para o viajante
Fonte: Wert Garantie (2024)
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
18
As interfaces digitais no turismo também têm impactos significativos nos negócios e na
gestão do setor. Elas permitem que as empresas de turismo gerenciem suas operações
de forma mais eficiente, automatizem processos, coletem e analisem dados para tomar
decisões estratégicas, e se comuniquem de forma mais eficaz com os clientes.
Essas interfaces digitais permitem aos viajantes pesquisar e comparar opções, fazer
reservas, obter informações em tempo real, interagir com outros viajantes e compartilhar
experiências. Além disso, as tecnologias digitais também têm sido aplicadas em áreas
como realidade virtual e aumentada, além da inteligência artificial, proporcionando
experiências imersivas e personalizadas aos turistas.
De igual modo, a tecnologia tem condições de promover a colaboração e a integração
entre os diferentes atores do setor do turismo, como agências de viagens, hotéis,
companhias aéreas, restaurantes e destinos turísticos. Por exemplo, plataformas de
reserva online podem conectar fornecedores de serviços turísticos a clientes em
potencial, facilitando a movimentação e a distribuição de produtos turísticos.
Na segurança pública, como veremos adiante, as possibilidades de uso pelas
instituições são inúmeras e abrangem desde o uso de câmeras para o monitoramento
de regiões com maior fluxo de pessoas, até o desenvolvimento de aplicativos para o
registro de demandas e suporte aos turistas.
Você acredita que o acesso à internet, a qualidade da conexão local e a existência
de serviços públicos digitais disponibilizados pelo poder público são capazes de
influenciar a decisão de viajantes? Como esses recursos impactam a sensação de
segurança do turista?
A existência de aplicativo, por exemplo, que dê suporte para o turista estrangeiro se
comunicar em tempo real, no idioma de origem e com informações básicas acerca
da região, poderia auxiliar na escolha do destino de alguém que esteja em dúvidas
sobre a segurança de determinada localidade?
PARA REFLETIR
A tecnologia tem desempenhado um papel cada vez mais importante no setor do
turismo, transformando a forma como as pessoas planejam, reservam e vivenciam
suas viagens. As interfaces digitais, como sites, aplicativos móveis e sistemas de
reserva online, facilitam o acesso à informação sobre destinos, segurança,
atividades e serviços turísticos.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
19
Nos últimos dois anos, a prestação de serviços digitais no país e a população conectada
às redes registraram crescimento em todas as esferas do setor público brasileiro.
Estudo recente do Comitê Gestor da Internet no Brasil trouxe números importantes e
considerações acerca do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs),
tanto sobre a prestação de serviços públicos ofertados remotamente no país, quanto
aos hábitos do brasileiro, de acesso à internet.
Abaixo, um trecho do curso de TECNOLOGIAS APLICADAS À SEGURANÇA
PÚBLICA, disponível na Rede EaD Senasp, que discute as soluções digitais e
emprego pelos agentes de segurança no Brasil.
 SEGURANÇA PÚBLICA E TECNOLOGIA
Figura 2: Domicílios com acesso à Internet, por região – 2021
Fonte: CGI.BR (2022).
Em 2022, três de cada quatro órgãos federais (75%) declararam disponibilizar de forma
digital o serviço público mais procurado pelos cidadãos, cenário bem diferente daquele
obtido em 2019, quando pouco mais da metade desses órgãos afirmaram a intenção de
utilizar os serviços em formato online.
Nas entidades estaduais, a oferta pela Internet do serviço mais procurado cresceu de
31%, em 2019, para 45%, em 2021. Observou-se ainda uma diminuição de órgãos
públicos que reportaram não oferecer o serviço mais buscado pela internet, como
nos órgãos federais (de 8% para 2%) e estaduais (de 20% para 13%).
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
20
A pesquisa demonstra um aumento na adoção de chats em websites, seja com
atendentes humanos ou de forma automatizada. No âmbito federal, o uso de chats com
atendentes em tempo real passou de 8%, em 2019, para 30%, em 2021. Nos órgãos
estaduais, o uso que era de 5% em 2019 alcançou 18% em 2021 (CGI.Br, 2022). 
De acordo com o estudo, a adoção de soluções tecnológicas ainda ocorre de forma
tímida no setor público brasileiro e, entre as iniciativas pesquisadas, as tecnologias
ligadas à Inteligência Artificial (IA) apareceram como as mais utilizadas (no entanto
representando uma pequena quantidade no país). Já a Internet das Coisas (IoT) e o
blockchain foram soluções empregadas por menos de 20% das organizações federais e
estaduais dos Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público.
Gráfico 1: Perfis dos usuários de internet que recorrem aos serviços 
públicos nos últimos 12 meses (%)
Fonte: CGI.br (2022). Pesquisa sobre o uso dasperguntas segundo (MAURMANN e PINTO, 2000) podem
ser classificadas por sua amplitude (abertas ou fechadas) ou pelo assunto tratado
(primárias ou de sondagem).
 Exemplos de perguntas abertas e fechadas:
Fonte - Autoras (2023)
Observe que, quanto menos fechada for a pergunta, mais opções de resposta existirão,
permitindo que a testemunha relate mais sobre o assunto abordado, por outro lado as
perguntas fechadas exigem que a pessoa assuma um posicionamento, o que pode ser o
objetivo do entrevistador em determinadas situações. 
Em relação à pergunta primária e à pergunta de sondagem, a principal diferença é que a
pergunta primária muda o foco do que está sendo tratado, enquanto a pergunta de
sondagem complementa algum aspecto do mesmo assunto.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
139
Tabela 4 - Exemplo de pergunta primária
Fonte - Autoras (2023)
Após o entendimento sobre a pergunta primária, passa-se para a pergunta de
sondagem, que são divididas em cinco categorias: sondagem em silêncio, sondagem de
confirmação, sondagem para esclarecimento, sondagem informacional e sondagem
reflexiva.
1) Sondagem em silêncio 
É demonstrada pela linguagem não verbal, ou seja, as demonstrações de
consentimento, podendo ser através de um balanço de cabeça, inclinação
corporal, mudança no olhar, ou por frases curtas quando ocorrer pausas na fala
da declarante como “continue” “compreendo”.
2) Sondagem de confirmação 
Esse tipo de pergunta pretende despertar na declarante a vontade de acrescentar
mais alguma informação ao relato. 
3) Sondagem de esclarecimento
Pergunta que se destina a esclarecer algum trecho do relato, podendo ser aberta
ou fechada. 
4) Sondagem informacional
Neste caso, por mais que a informação tenha sido feita de forma clara, o
entrevistador percebe que algum detalhe complementar pode auxiliar no
entendimento dos fatos. 
5) Sondagem reflexiva 
Convidam a testemunha a refletir sobre o conteúdo de suas declarações.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
140
 Exemplos de perguntas abertas e fechadas:
Tipos de perguntas sugestivas
Fonte - Autoras (2023)
Fonte - Autoras (2023)
ATENÇÃO
Muito cuidado com perguntas sugestivas, pois elas podem induzir determinadas respostas
e contaminar o relato.
Saber utilizar cada tipo de pergunta, nos momentos adequados, faz toda a diferença em
uma entrevista investigativa. Alternar entre perguntas abertas, fechadas, primárias e de
sondagem também enriquecem o relato da testemunha, conferindo ao momento da
entrevista maiores possibilidades para resgate das lembranças dos fatos. Ressalta-se
que o momento das perguntas, não deve ocorrer antes da narrativa livre, sob pena de
contaminar e induzir o relato da testemunha.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
141
Por fim, mas não menos importante, destaca-se a possibilidade de realização de
entrevista investigativa em formato virtual, nesta modalidade, também devem ser
considerados os passos relatados neste módulo, com as respectivas adaptações
necessárias para realização de uma entrevista à distância com auxílio de ferramentas
de tecnologia.
Importa registrar: 
preferencialmente chamada de vídeo; 
conexão cabeada, ao invés sem fio; 
computador ou notebook, ao invés de celulares. 
Encerrando a entrevista: 
No encerramento da entrevista, sugere-se que sejam retomados alguns assuntos
mais suaves, assim como foi realizado no início da entrevista, tendo em vista que
durante o depoimento geralmente são abordados temas sensíveis e desconfortáveis,
dessa forma, ao se finalizar uma entrevista de forma amena o declarante ficará com
a última impressão mais leve do processo. 
Também se recomenda que seja lido em voz alta e de forma pausada o resumo das
declarações que foram prestadas, informando a testemunha que qualquer diferença
que ela perceba entre o que foi registrado e sua declaração, deve ser corrigido
durante a leitura final e que mesmo após o término da entrevista, caso tenha alguma
recordação de novos elementos, a testemunha pode contatar novamente. 
Por fim, é muito importante finalizar registrando a importância da colaboração da
declarante, agradecendo a disponibilidade em participar e contribuir com todos os
esclarecimentos realizados.
Procure deixar o canal de comunicação aberto, pois não é raro que sejam
necessários novos esclarecimentos, tanto por parte da testemunha, quando por
parte do entrevistador, inclusive em casos de aparecimento de novas evidências
que podem alterar o curso da investigação.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
142
AULA 5
Um retrato da violência contra a mulher no Brasil e
a abordagem de turistas mulheres
“Duas mulheres ficaram feridas após um assalto na areia da praia de Copacabana, zona sul do Rio,
na manhã desta quarta-feira (21). As vítimas, identificadas como Katarina, 43, e Viktoria, de 21, são
turistas da Eslováquia e caminhavam pela orla quando foram abordadas por dois adolescentes de
17 anos, que foram apreendidos. O crime aconteceu por volta das 6h, na Avenida Atlântica, na altura
do posto 4. Katarina Novakova, 43, e Viktória Bartkova, 21, tiveram os celulares roubados e foram
brutalmente agredidas com socos pelos assaltantes...
…Assim que as vítimas foram liberadas do hospital, elas foram encaminhadas para a delegacia,
onde irão prestar depoimento. 
Em nota enviada ao UOL, o Consulado Honorário da Eslováquia RJ e a Embaixada informaram que
tomaram conhecimento do caso e as medidas cabíveis já foram efetuadas”
Fonte: UOL, 2022
Conforme estudado no Módulo 2, a violência contra as mulheres é um grave problema
social e de saúde pública que atinge proporções epidêmicas no Brasil. Ela se manifesta
nas interações sociais entre homens e mulheres, influenciada por construções sociais
dos papéis de gênero. É importante destacar que esse problema não se restringe a
determinados grupos; ele permeia toda a sociedade, afetando indivíduos de diferentes
origens e classes sociais. Não seria diferente com turistas mulheres.
O crime relatado acima, de duas turistas espancadas à luz do dia, em Copacabana,
bairro turístico do Rio de Janeiro, infelizmente, não é exceção. Em 2022, mesmo ano
deste fato, 3,4 mil turistas estrangeiros foram vítimas de violência no Rio de Janeiro,
segundo a Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) da polícia fluminense. São,
em média, 9,5 visitantes internacionais vítimas de violência por dia, no topo da lista, está
o bairro de Copacabana.
Como antecipado em nosso primeiro módulo, o índice Women’s Danger Index, criado
pelos jornalistas Asher e Lyric Ferguson, detectou que o Brasil é o segundo país mais
perigoso do mundo para mulheres. O estudo classifica 50 países mais populares para o
turismo com base em oito fatores relacionados à segurança das mulheres, incluindo
violência sexual, homicídio intencional, discriminação legal e desigualdade de gênero.
Women’s Danger Index
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
143
No Brasil, de acordo com o índice, apenas 28% das mulheres se sentem seguras ao
caminhar sozinhas à noite. O país também tem a terceira maior taxa de homicídio
intencional de mulheres e a sexta maior porcentagem de mulheres que sofreram
violência física ou sexual de seus parceiros íntimos. Os problemas identificados no
Brasil incluem altas taxas de violência doméstica, feminicídios e violência sexual.
A pesquisa destaca a necessidade de medidas para abordar esses problemas e melhorar
a segurança das mulheres no Brasil, como campanhas de conscientização, treinamento
para profissionais e ações legais mais eficazes. No país, mais de 18 milhões de
mulheres sofreram violência em 2022, segundo a pesquisa Visível e Invisível: a
Vitimização de Mulheres no Brasil, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 
A pesquisa entrevistou 2.017 pessoas, entre homens e mulheres, em 126 municípios
brasileiros e revelou que uma em cada três brasileiras com mais de 16 anos sofreu
violência físicae sexual provocada por parceiro íntimo ao longo da vida. São mais de
21,5 milhões de mulheres vítimas de violência física ou sexual por parte de parceiros
íntimos ou ex companheiros, representando 33,4% da população feminina do país, mais
de 6% acima da média global da Organização Mundial da Saúde, de 27%.
Estes dados demonstram a vulnerabilidade do público abordado neste curso. Se a
intenção é preparar profissionais da segurança pública para abordar mulheres turistas e
apoiar na investigação criminal de ocorrências contra elas, é necessário entender o
cenário de violência contra a mulher no Brasil. Não há dados específicos sobre a
violência à qual mulheres viajantes são submetidas no Brasil, mas pelos dados gerais, há
como se ter uma visão do estado da arte. A violência de gênero contra mulheres turistas
estrangeiras é uma questão complexa que exige uma abordagem multidimensional, que
vai desde a conscientização e a educação até a implementação de medidas de
segurança e preparo da força policial para o devido atendimento.
Utilizando os conhecimentos adquiridos neste curso, qual seria a sua abordagem se
fosse o policial a atender as turistas eslovacas da matéria acima? O primeiro passo é
levar em consideração a sensibilidade, empatia e respeito necessários para lidar com
mulheres vítimas deste crime. Caso a turista tenha sofrido algum tipo de violência sexual
ou esteja machucada, ela deve ser encaminhada ao Hospital mais próximo para pronto
atendimento.
No Brasil, ao chegar no hospital, há uma série de protocolos (em um cenário ideal) de
abordagem à mulher vítima de violência. Estes protocolos visam garantir o atendimento
adequado, o apoio emocional e a coleta de evidências em casos de violência sexual.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
144
1) Atendimento Médico de Emergência: O primeiro passo é fornecer atendimento
médico de emergência, caso a vítima tenha ferimentos físicos que necessitem de
tratamento imediato. A prioridade é garantir a segurança e a integridade física da
vítima.
2) Apoio Psicológico e Social: Às vítimas de violência recebem apoio psicológico e
social, geralmente por meio de equipes de psicólogos, assistentes sociais ou
profissionais de saúde mental. Isso é fundamental para ajudar a vítima a lidar com o
trauma e a tomar decisões sobre seu atendimento e apoio subsequente.
 
3) Coleta de Evidências: Em casos de violência sexual, os profissionais de saúde são
treinados para coletar evidências forenses de forma sensível e respeitosa. Isso inclui a
coleta de amostras de DNA, fotografias de lesões e a documentação detalhada do
histórico da agressão.
4) Notificação às Autoridades: Caso a vítima deseje denunciar o crime, a equipe
médica auxilia na notificação das autoridades competentes, como a polícia, para
garantir que o caso seja investigado adequadamente.
5) Acesso a Serviços de Saúde Reprodutiva: Em casos de violência sexual, a vítima
tem acesso a serviços de saúde reprodutiva, incluindo informações sobre
contracepção de emergência e profilaxia pós-exposição (PEP) para prevenir infecções
sexualmente transmissíveis, como o HIV.
6) Orientação sobre Direitos: A vítima recebe informações sobre seus direitos legais e
as opções disponíveis, como solicitar medidas protetivas, entrar com ações legais
contra o agressor e acessar serviços de apoio psicológico e social.
7) Confidencialidade e Sigilo: É essencial garantir a confidencialidade e o sigilo das
informações da vítima, a menos que haja risco iminente à sua segurança.
8) Entrevista Investigativa: A vítima deve ser encorajada a relatar o incidente à polícia
e a entrevista investigativa é o melhor método para a escuta deste depoimento.
9) Contato com consulado/ embaixada: Se a vítima for uma cidadã estrangeira, entre
em contato com a embaixada ou consulado do país dela no Brasil. Eles podem
oferecer assistência consular, como fornecer informações sobre direitos legais, ajudar
com documentação e comunicar com a família da vítima, se necessário.
10) Apoio na Partida ou Continuação da Viagem: Dependendo da gravidade do
incidente, a vítima pode precisar de assistência para decidir se deseja continuar a
viagem ou voltar para casa. Indique alguém que possa fornecer suporte logístico,
como o reagendamento de voos, transporte e acomodação, se necessário.
Aqui estão seguem algumas sugestões de abordagem:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
145
É importante ressaltar que a abordagem à mulher vítima de violência no Brasil deve ser
realizada de forma empática, respeitosa e centrada na vítima, com foco na segurança e
no bem-estar da pessoa agredida. Há leis e regulamentos específicos que regem a
atenção à violência de gênero, conforme foi explicado no Módulo 3 e as instituições de
saúde têm a responsabilidade de cumprir essas diretrizes.
Para finalizar, a pesquisa Women’s Danger Index, destaca a necessidade de medidas
para abordar esses problemas e melhorar a segurança das mulheres no Brasil, como
campanhas de conscientização, treinamento para profissionais e ações legais mais
eficazes. É fundamental que as autoridades brasileiras e a indústria do turismo
trabalhem em conjunto para criar um ambiente seguro e acolhedor para turistas
estrangeiras. A segurança dos visitantes é um fator-chave na promoção do turismo no
país e na construção de uma reputação positiva no cenário global. Espera-se, com esta
publicação, contribuir neste processo de posicionamento do Brasil como uma potência
turística.
Em linhas gerais, quando tais crimes ocorrem, as mulheres recorrem às unidades de
apoio policial próximas ao fato, as quais fazem os encaminhamentos devidos.
No entanto, seria importante a existência de uma rede de apoio a essas mulheres e por
esta, se entende um atendimento não só no eixo policial, mas também todo um aparato
articulado de atuação entre as instituições/ serviços governamentais, não
governamentais e a comunidade visando ao desenvolvimento de estratégias efetivas de
prevenção e de políticas públicas que garantam o empoderamento e a construção da
autonomia das mulheres, os seus direitos humanos, a responsabilização dos agressores
e a assistência qualificada às mulheres em situação de violência, tendo por objetivo
efetivar os quatro eixos previstos na Política Nacional de Enfrentamento à Violência
contra as Mulheres – combate, prevenção, assistência e garantia de direitos – e dar
conta da complexidade do fenômeno da violência contra as mulheres.
É preciso o olhar diferenciado para a questão da mulher turista vítima de crime, haja vista
que a mesma não está normalmente perto de seus entes queridos, encontra-se fora da
cidade onde habita de seus costumes e conhecimentos locais, sente-se muitas vezes
sozinha e sem, saber a quem recorrer no momento de perigo, sofrem por vezes o
Women’s Danger Index
ATENÇÃO
Ressalte- se a necessidade veemente de uma rede de proteção às turistas vítimas de
crime.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
146
machismo e preconceito e é necessário que uma rede de proteção acolha essa mulher e
a trate com o devido respeito auxiliando, inclusive, na questão psicológica que envolve
ser vítima de um ato criminoso.
Enfrentamento à Violência contra as Mulheres
Acesse e leia a matéria:
Neste módulo, você aprendeu:
A entrevista investigativa tem caráter colaborativo e não objetiva o confronto e por
isso é fundamental para o sucesso da investigação; 
Existem diferenças claras entre a entrevista investigativa e o interrogatório policial; 
A entrevista investigativa possui características e protocolos específicos e suas
abordagens devem seguir um planejamento minucioso. 
Existem vários tipos de perguntas, e a escolha de como realizá-las interfere na
declaração da testemunha; 
Os protocolos e habilidades do(a) entrevistador(a) investigativo(a quando se trata de
uma mulher turista, perpassam pela sensibilidade na aplicação das técnicas; 
O processo de organização da entrevista investigativa leva em consideraçãodiversos
fatores internos e externos; 
É possível recuperar memórias não acessadas pela testemunha.
Para realizar uma entrevista investigativa exitosa é importante utlizar a escuta
empática e ativa, além de saber interpretar a linguagem não verbal.
No Brasil, a violência contra a mulher atinge índices maiores que os da média global,
ou seja, isso inclui as mulheres viajantes. O atendimento a este público deve ter um
olhar diferenciado e especial.
SAIBA MAIS
SÍNTESE
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
147
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AMORIM*, G. Mala furtada no Aeroporto de Florianópolis é recuperada em Maceió;
veja imagens e valor dos pertences. Disponível em:
. Acesso em: 7
mar. 2024.; 
O que é Assédio Sexual? Disponível em: https://www.gov.br/defesa/pt-br/acesso-
a-informacao/governanca-e-gestao/portal-da-integridade-unindo-forcas-em-prol-
da-integridade/assedio-sexual-e-crime-voce-sabe-como-identifica-lo-3;
 Portal de Dados. Disponível em: . Acesso em: 8
mar. 2024.
Portal de dados da Embratur ganha painel para acompanhar turistas
internacionais, Disponível em: .
Acesso em: 8 mar. 2024.
https://www.gov.br/turismo/pt-br/centrais-de-conteudo-/publicacoes/guias-para-
atendimento-aos-turistastecnologias de informação e comunicação nos
domicílios brasileiros – TIC Domicílios 2021.
Em se tratando da segurança pública, os serviços ofertados remotamente
alcançaram apenas 14% das instituições analisadas:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
21
Diante dessa porcentagem - abaixo da média obtida em 
outros segmentos, reflita:
Gráfico 2: Tipos de Informações referentes a serviços públicos procuradas 
ou serviços públicos realizados em 2021.
Fonte: CGI.Br (2022).
Em sua opinião, quais fatores contribuem para esse cenário? 
Por que o número de serviços ofertados digitalmente na segurança pública é
menor que nos demais setores? Você acredita que há espaço para crescimento?
Na sua instituição, o registro de ocorrências, o atendimento aos cidadãos e
acompanhamento de processos poderiam, em determinados casos, ser ofertados
remotamente?
PARA REFLETIR
Verifica-se na segurança pública que as TICs ainda são pouco exploradas, revelando
inúmeras alternativas para a aplicação. 
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
22
Como você acredita que essa realidade possa ser transformada?
Para mais informações sobre o tema, faça o curso TECNOLOGIAS APLICADAS À
SEGURANÇA PÚBLICA da Rede EaD Senasp.
O turismo é composto por diversos atores que fazem parte do poder público e da
iniciativa privada. Esses atores são como as engrenagens do turismo e precisam de uma
gestão ou governança para que seu desenvolvimento seja representativo para todos os
envolvidos.
Nesse sentido, a política e a governança estão interligadas e desempenham um papel
fundamental no desenvolvimento e na gestão do setor. Logo, a política e a governança
são responsáveis por estabelecer diretrizes, regulamentações e estratégias para o
turismo, promovendo a promoção de um desenvolvimento sustentável, equitativo e
responsável.
A política de turismo envolve a formulação e implementação de medidas e ações
governamentais para promover o turismo como um setor econômico importante. Isso
inclui a criação de políticas de incentivo, atração de investimentos, promoção de
destinos, desenvolvimento de infraestrutura turística e estabelecimento de marcos
regulatórios. Para Mastrocinque (2015, p.141):
Para a autora, governança eficaz do turismo envolve a criação de parcerias e redes de
cooperação entre os diferentes atores, a promoção da participação da comunidade
local na tomada de decisões, a gestão sustentável dos recursos naturais e culturais, a
proteção dos direitos dos trabalhadores do setor turístico e a promoção da qualidade e
segurança dos serviços turísticos.
1.2 Turismo, gestão, política e governança
A governança do turismo refere-se aos mecanismos e processos de
tomada de decisão, cooperativa e gestão do setor turístico. Isso envolve
a participação de diferentes atores, como governos, empresas do setor
privado, organizações da sociedade civil e comunidades locais. A busca
por governança garante a colaboração, a transparência, a
responsabilidade e a participação de todos os envolvidos no
planejamento e na gestão do turismo.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
23
Além disso, a política e a governança do turismo devem levar em consideração os
princípios do turismo sustentável, minimizando os impactos negativos no meio
ambiente, na cultura local e nas comunidades, ao mesmo tempo, em que maximizam os
benefícios econômicos e sociais.
Essa complexidade entre sujeitos, tempo e espaços, e os antagonismos expressados
nas práticas discursivas políticas e sociais, podem ser traduzidos em uma das principais
questões desse fenômeno social que é a sustentabilidade dos recursos naturais e
culturais dos locais turísticos para as futuras gerações.
Todos esses aspectos são intrínsecos à oferta e demanda turística, bem como possuem
relações diretas com as motivações sentidas pelas pessoas para visitarem os diferentes
produtos turísticos do Brasil.
Amplia-se, assim, os fatores que impactam a gestão do turismo, devendo-se considerar
variáveis como infraestrutura, segurança e meio ambiente, mas não apenas! A
concepção moderna de turismo deve, sobretudo, focar no desenvolvimento do setor de
forma sustentável, isto é, aquele dito “turismo responsável”, o qual possui bases
comunitárias, que respeita os objetivos e diretrizes traçados pela própria comunidade.
O turismo atrai o interesse público e privado devido aos impactos econômicos e
sociais. Segundo Krippendorf (1989), geralmente os dois impactos, positivos e
negativos, estão presentes em qualquer local que atrai fluxos turísticos. O ganho
está em analisar constantemente se há mais custos ou benefícios para o local e
os sujeitos, moradores ou turista.
a participação das comunidades nos processos decisórios da gestão do
turismo; 
a gestão e transparências das informações; 
a distribuição dos benefícios gerados pelo turismo para as comunidades; 
a valorização e a promoção da cultura e do modo de vida local;
a responsabilidade socioambiental; e 
a promoção de relações interculturais entre visitantes e comunidades
anfitriãs.
O Turismo de Base Comunitária, portanto, propõe, de maneira construtiva,
inclusiva, democrática e de base endógena, atingir os seguintes objetivos:
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
24
Recomenda-se, portanto a definição de políticas sustentáveis e execução de planos de
ação estruturados na participação social e dos demais interessados. As medidas de
desenvolvimento devem se basear na realidade vivenciada e nas oportunidades locais
existentes. Para o desenho de um plano coerente, é importante identificar potenciais
ambientes, infraestrutura, meios de transporte utilizados pelos visitantes, a origem
(nacionalidade e rotas), os principais interesses e as atrações que concentram grande
procura.
As instituições de segurança, de defesa civil e de emergência, nesse contexto, devem
contribuir para o progresso do turismo, em prol das políticas desenhadas
democraticamente e de acordo com os anseios da comunidade. 
A definição de políticas públicas para o desenvolvimento e a organização do turismo são
essenciais para a efetivação desse fenômeno, econômico, social, cultural e ambiental, e
amparam todos os deslocamentos de pessoas no e para o país.
As políticas públicas para a entrada de estrangeiros no país, como as leis de trânsito,
marinha, segurança pública, paz interna, saneamento básico, medidas sanitárias, meios
de comunicação, tecnologias, uso do solo, questões ambientais, trabalhistas e incentivo
ao empreendedorismo, são exemplos de como o fenômeno turístico é complexo e
sensível. O turismo lida com a experiência de vida das pessoas fora do seu entorno
habitual, ao longo de seus ciclos de vida, desde a infância, passando pela juventude até o
envelhecimento.
Nesse sentido, são instrumentos de uma política de turismo orientada para o
desenvolvimento comunitário: a participação, a autogestão, integração e
cooperação entre os atores envolvidos nos núcleos turísticos, tais como iniciativas
públicas, privadas, sociedade civil, organizada e organismos internacionais.
Identificar pontos fortes e fraquezas locais são etapas que antecedem a elaboração
de estratégias e alternativas locais de desenvolvimento para o turismo. 
Estabelecer metas, responsabilidades e prazos é fundamental para a sistematização
de um bom plano e exige uma análise do perfil turístico da região, necessidades,
recursos e atores envolvidos. 
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
25
Para que essa experiência aconteça, há uma série de ofertas turísticas usadas pelos
turistas, internos e externos. O Brasil, de grandes dimensões geográficas, e diferenças
sociais, é marcado por diversificada oferta turística, sobretudo em seus recursos
naturais e culturais.
De acordo com Oliveira (2002)
As principais motivações turísticas são descritas da seguinte forma:
turismo de lazer ou de sol e praia, turismo de eventos, águas termais,
desporto, religioso, juventude, social,cultural, ecoturismo, compras,
aventura, gastronômico, incentivo, terceira idade, rural, cruzeiros
marítimos, negócios, LGBTQIA+ e saúde.
Figura: Tipos de turismo
Fonte: Elaborado pelas conteudistas (2024).
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
26
1.3 Turismo e cultura
Cultura e turismo se relacionam mutuamente em um constante processo de
transformação. 
O Brasil é marcado por sua rica diversidade cultural, erigida historicamente e localmente
com a participação de diferentes povos e nações. Fatos históricos, elementos étnicos,
sociais, econômicos e geográficos moldam a identidade do povo brasileiro e contribuem
para a formação de suas tradições, valores e comportamentos.
Diversas culturas e povos de diferentes nacionalidades contribuíram para a formação
da(s) identidade(s) brasileira(s), cada uma trazendo consigo aspectos culturais,
comportamentais quem influenciam e sofrem influência das novas gerações, onde cada
interação contribui de maneira significativa no processo de identificação e
transformação cultural.
Cultura é um conceito complexo das áreas da Antropologia e Sociologia e pode
ser considerada como uma construção socioambiental, a partir de sua história, e,
como consequência de suas manifestações identitárias, comportamentos e
tradições. Possui relação direta com costumes, normas e experiências
repassadas de geração a geração. Trata-se de um processo dinâmico e sinérgico.
Em que pese a amplitude e dinamismo, algumas características 
são largamente reconhecidas:
O Brasil é conhecido por sua diversidade cultural, resultado da mistura
de diferentes grupos étnicos, como indígenas, africanos, europeus e
asiáticos. Essa diversidade se reflete nas tradições, na música, na
dança, na culinária e nas festas populares do país.
O Brasil é um país onde diferentes religiões coexistem e se influenciam
mutuamente. O sincretismo religioso é uma característica marcante,
com a combinação de elementos do catolicismo, do candomblé, da
umbanda e de outras religiões.
Diversidade
Cultural
Sincretismo
Religioso
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
27
A cultura popular brasileira é rica e variada, com manifestações como o
samba, o frevo, o forró, o maracatu, o bumba-meu-boi, o carnaval e o
futebol. Essas expressões culturais desempenham um papel
importante na identidade nacional e na coesão social.
O povo brasileiro é conhecido por sua hospitalidade, energia, calor humano;
receptividade e acolhimento com os visitantes.
As festas e comemorações têm um papel importante na cultura brasileira. O
carnaval, por exemplo, é uma das festas mais famosas do país, caracterizada por
desfiles de escolas de samba, música, dança e fantasias extravagantes.
As relações sociais no Brasil são marcadas pela informalidade e pela importância
da família e dos amigos. O convívio social é valorizado, e as pessoas tendem a
ser extrovertidas e expressivas.
O futebol é uma paixão nacional no Brasil. O esporte é amplamente praticado e
seguido, e os jogos de futebol são eventos sociais que reúnem pessoas de
diferentes idades e classes sociais.
A culinária brasileira é diversificada e reflete a influência de diferentes
culturas. Pratos como feijoada, acarajé, churrasco, moqueca e
brigadeiro são exemplos da variedade gastronômica do país.
Cultura
Popular
Hospitalidade
Festividades
Relações Sociais
Futebol
Gastronomia
Alguns aspectos Comportamentais de nossa cultura:
É importante ressaltar que esses aspectos culturais e comportamentais podem variar
em diferentes regiões do Brasil, devido à sua extensão territorial e diversidade regional.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
28
Sobre os aspectos comportamentais dos brasileiros, brasileiras e turistas, esses, se
baseiam também, por seus valores individuais, sociais e culturais, como abordado
anteriormente.
Os aspectos culturais e comportamentais do Brasil são influenciados por sua
diversidade étnica, histórica e social. Tradições, valores, religião, música, dança e
gastronomia, contribuem para a formação da identidade nacional.
Figura: Diversidade cultural, valores e comportamentos
Fonte: A12 (2024)
É importante perceber que ora você será a (o) turista, ora será a (o) profissional
que irá atendê-la (o) e acolhê-la (o). 
Identificar-se e reconhecer a cultura, a política e o papel do agente público no
desenvolvimento do turismo é fundamental para o progresso do setor.
Ademais, refletir sobre questões relativas à diversidade de culturas e valores é
uma forma de revisitar as atitudes que você deve tomar para assumir uma postura
compatível com a sociedade que queremos construir – plural e isonômica. Para
isso, é relevante pensar em instrumentos que proporcionem a criação de
ambientes onde todos possam conviver de forma harmônica e sustentável,
orientados para o aprendizado coletivo e intencionalmente responsável.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
29
Cuidar dos espaços, dos recursos naturais e das pessoas, sobretudo da parcela em
situação de vulnerabilidade é papel do profissional de segurança pública e,
culturalmente, há evidente herança histórica de desigualdades, que marginaliza e exclui
parte da população de uma série de direitos e garantias fundamentais. O cenário de
vulnerabilidade é realidade de grande parte das mulheres no país, sejam residentes ou
em trânsito (visitantes), sujeitas a um número maior e mais frequente de agressões,
como o assédio moral, sexual, o feminicídio, o abuso e a exploração, a ameaça, o furto, o
roubo e o estelionato, para citar os mais comuns.
Nesse processo de conquista por direitos, as mulheres têm alterado significativamente
seu papel e espaço. Gerações mais novas, inclusive, têm desafiado os padrões, dito
tradicionais, de comportamento em busca de maior autonomia e igualdade de gênero.
É importante ressaltar, por fim, que existem desafios a serem enfrentados. A
desigualdade de gênero persiste em diversos aspectos da sociedade brasileira. A
violência de gênero é alarmante, a disparidade de salários e a sub-representação das
mulheres em cargos de liderança são alguns desses obstáculos.
As lutas travadas por direitos e a democratização dos espaços públicos têm
permitido às mulheres a condução de trilhas autônomas de formação, marcadas pela
independência e titularidade do ser, possibilitando o compartilhamento de
experiências individuais, coletivas, sociais, profissionais e afetivas. Ressignificando
temas como emancipação política e econômica, lazer, relações afetivas e
constituição familiar.
Lidar com diferentes públicos e atender demandas legítimas da sociedade exige, por
parte do servidor público, a compreensão de que a diversidade é a regra e a diferença é o
que marca o convívio social. 
Valores distintos daqueles que adotamos, por exemplo, estarão presentes em toda
atuação do profissional da segurança pública. Ser contradito e questionado é próprio da
cidadania.
O espaço democrático é plural e assim deve ser. A exclusão de qualquer segmento
enfraquece os laços comunitários e corroem as bases que legitimam as
instituições. Portanto, dar voz, garantir o exercício de direitos e proteger os desiguais 
1.4 Turismo e segurança pública
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
30
é essencialmente o que aproxima a segurança pública do cidadão e confere autonomia e
pertencimento ao indivíduo.
Portanto, esteja preparado para atuar e atender aquele que você considera diferente,
esteja apto a conviver, respeitar culturas diversas e comportamentos distintos.
Assim, ao agente público não compete julgar crenças, valores e comportamentos legais,
ele deve agir de forma imparcial enquanto se aproxima e assegura a integridade e
liberdade individual. Desse modo, no policiamento turístico, assim como na atuação
diária do agente de segurança, é fundamental o desempenho ético, legal e efetivo.
Dito isso, apresentamos como essa divisão tem sido comumente adotada por
especialistas.Observe, no entanto, que as datas podem sofrer alterações de acordo com
o estudo analisado.
Vale frisar: ao cidadão é lícito o exercício de tudo aquilo que não é proibido, logo
proteger esse direito é princípio básico da democracia.
Culturalmente, as transformações vivenciadas pelo agente de segurança pública
podem ser percebidas mais facilmente quando analisadas sob a ótica geracional.
Os nascidos a partir de 2000, por exemplo, tendem a possuir crenças,
comportamentos e orientações distintas do grupo de pessoas nascidas na década
de 80.
Fonte: Infogram (Comunicação Pontotel)
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
31
Logo, espera-se que o profissional da segurança pública seja capaz de administrar
os embates geracionais de forma cooperativa, compreendendo os modos diversos
como as pessoas se autodeterminam.
Nesse contexto, as novas gerações de mulheres, por exemplo, têm buscado participar
cada vez mais, tanto em quantidade como em qualidade, do mercado de trabalho,
atingindo posições de destaque em diversas áreas profissionais. 
Elas têm se destacado pela busca de independência financeira, pela quebra de
estereótipos de gênero, pela busca por igualdade salarial e de oportunidades.
Algumas das características e comportamentos observados nessas gerações:
As novas gerações de mulheres cresceram em um ambiente altamente
conectado e são nativas digitais. Elas estão constantemente conectadas às redes
sociais, utilizam smartphones e têm acesso fácil à informação. Essa
conectividade influencia sua forma de se comunicar, buscar informações e se
relacionar com o mundo.
As novas gerações de mulheres têm se engajado em movimentos feministas e
lutado por igualdade de gênero. Elas buscam maior representatividade e
igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, na política e em outras
esferas da sociedade. Essas gerações têm se posicionado contra o machismo e a
discriminação de gênero.
As novas gerações de mulheres valorizam marcas e empresas que compartilham
de seus valores e têm um propósito claro. Elas buscam consumir de forma
consciente, levando em consideração questões sociais, ambientais e éticas.
Essas gerações têm uma preocupação maior com a sustentabilidade e a
responsabilidade social.
Conectividade e uso da tecnologia
Empoderamento e igualdade de gênero
Busca por propósito e valores
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
32
As novas gerações de mulheres têm buscado um equilíbrio entre suas carreiras e
suas vidas pessoais. Elas valorizam a flexibilidade no trabalho, buscam por
ambientes que promovam o bem-estar e a qualidade de vida, e têm uma visão
mais holística do sucesso, que não se limita apenas ao âmbito profissional.
Busca por equilíbrio entre vida pessoal e profissional
As novas gerações de mulheres têm mostrado um interesse crescente pelo
empreendedorismo e pela busca de autonomia. Elas têm procurado criar seus
próprios negócios e projetos, aproveitando as oportunidades oferecidas pela
tecnologia e pelas redes sociais. Essas gerações têm uma mentalidade mais
empreendedora e estão dispostas a correr riscos para alcançar seus objetivos.
Empoderamento e igualdade de gênero
É importante ressaltar que essas características podem variar de acordo com o
contexto social, cultural e econômico em que as mulheres estão inseridas. Nem
todas as mulheres das novas gerações se encaixam nessas características, e é
importante evitar generalizações. No entanto, essas são algumas tendências
observadas nas gerações de mulheres mais jovens.
IMPORTANTEi
AULA 2
Policiamento orientado para o turismo
Com a massificação da internet e dos dispositivos de comunicação e interatividade,
basta que uma notícia negativa acerca de determinada prática ou de uma localidade
provoque centenas ou até milhares de cancelamentos de viagens por parte dos turistas.
Práticas discriminatórias ou abusivas, desvios éticos e legais, atuações dolosas ou até
mesmo negligentes podem facilmente “viralizar” nas redes sociais e trazer
consequências maiores que aquelas registradas em épocas passadas. O dano
ocasionado por uma abordagem mal sucedida ou no atendimento de uma ocorrência,
por exemplo, podem prejudicar toda uma comunidade.
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
33
A segurança e a qualificação dos agentes que lidam diretamente com o turista
devem ganhar espaço na agenda dos gestores da segurança pública. A
responsabilidade é grande e os prejuízos decorrentes exigirão muito mais energia e
recursos para sua correção que aqueles necessários para preveni-los.
PARA LEMBRAR
É por isso que diversos países, de distintas regiões do mundo, adotaram unidades
policiais especializadas em turismo (Wallace, 2020), sendo comum a utilização do
policiamento orientado para o turismo (MAWBY ET AL., 2015; PAYAM, 2016). 
Segundo a definição de Hunter (citado em Wallace, 2020):
Estas unidades especializadas prestam um serviço direcionado, destacando-se as
seguintes competências (Payam, 2016):
Uma segurança orientada para o turismo deve ser compreendida de forma ampla, ou
seja, as propostas que impactarão na segurança do turista permeiam diversos setores,
além daqueles tipicamente relacionados à atividade-fim do profissional de segurança
pública. A estruturação de bases de policiamento, projetos de monitoramento e 
Policiamento Orientado para o Turismo é uma filosofia de policiamento
baseada no conceito de que agentes policiais especialmente treinados,
trabalhando estreitamente com líderes empresariais, autoridades
aeroportuárias, empresas de apoio ao turismo e cidadãos privados
podem ajudar a prevenir ou reduzir tremendamente os problemas
turísticos relacionados com a criminalidade, o medo do crime, e a
decadência dos bairros através dos quais os turistas viajam
frequentemente. (p. 160)
Reforçar a prevenção e facilitar a repressão criminais e a subsequente
ação judicial.
Zelar pela segurança e prestar assistência e informação ao turista.
Apoiar e sensibilizar os operadores, turistas e comunidade na adoção de
medidas de segurança³.
2
1
3
³ https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/37090/1/TIF-Intendente%20Loureiro.pdf
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
34
patrulhamento orientado para áreas de maior movimento tendem a repercutir na
prevenção criminal de forma muito menos efetiva que o desenvolvimento dessas ações
aliadas à reestruturação ambiental.
Dito de outra forma, é possível afirmar que a segurança turística é exercida por ações
que transcendem as atividades de polícia. Investimento social, na infraestrutura e
revitalização urbana são medidas de promoção da segurança. É preciso compreender
que o investimento em iluminação, limpeza, manutenção, roçagem de lotes, o cuidado
com espaços públicos e alternativas de lazer para crianças e jovens têm condições de
prevenir ocorrências e diminuir a criminalidade.
Sabe-se que os investimentos em prevenção são muito mais eficazes e permitem
resultados mais sólidos do que aqueles derivados da repressão e da persecução
criminal .
Por isso, não há qualquer possibilidade de se pensar “Segurança Pública” no mundo
moderno se continuamos lidando, isoladamente, com o trabalho policial e se nós
concentramos nele todos os investimentos e toda a expectativa por resultados. 
As polícias são e continuarão sendo muito importantes para a Segurança Pública. É
dever da União e dos Estados aperfeiçoá-las e capacitá-las para que estejam à altura de
sua missão de fazer cumprir a Lei e é dever dos cidadãos colaborar ativamente com as
forças policiais de forma a torná-las mais eficientes. 
Ocorre que uma política de segurança deve envolver também outras agências, públicas e
privadas, capazes de desenvolver e apoiar políticas da prevenção. Assim, é preciso
estruturar uma atividade em rede, que envolva as polícias e muitas outras instituições
em um trabalho racional, no qual o esforço de cada um possa complementar o esforço
dos demais e não concorrer com ele.Um trabalho onde, ao mesmo tempo, as
comunidades passem a desempenhar um verdadeiro protagonismo.
4
U
A ideia de “Segurança Pública” pressupõe uma realidade complexa e deve abarcar
um conjunto de providências e de programas que podem manter pouca ou
nenhuma relação com o trabalho das polícias.
 Perry Project - Para cada dólar investido em prevenção ao crime, a sociedade economizaria 7 dólares a longo prazo.
Estudo de Sansfaçon e Welsh (1999) calculou que os benefícios derivados de investimentos que estimulem o
desenvolvimento das crianças e dos jovens e que amparem as famílias na redução do crime variam de $ 1.06 a $ 7.16
para cada dólar gasto. Demonstraram, também, que as ações direcionadas à redução das oportunidades de
vitimização produzem um retorno entre $ 1.83 a $ 7.14 para cada dólar investido. Disponível em:
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/Senasp-1/guiapreven__o2005.pdf (pag. 8)
4
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
35
É um erro acreditar que as principais “ferramentas” para fazer cumprir a lei são as
armas e as algemas, quando deve ser uma boa comunicação, pois tendo em conta
que a violência e a força física fazem parte da atividade de todos os agentes de
autoridade, as situações perigosas podem ser contidas ou até prevenidas pelos
mesmos através do uso cuidado e eficiente de técnicas de comunicação, até
porque os cidadãos respondem muito melhor a uma atuação respeitosa do que à
demonstração de força ou domínio, pois o nível de respeito que se demonstra
afeta diretamente o nível de respeito que se recebe, e isso só é possível quando
efetivamente é usada a comunicação.
“A capacidade de se comunicar efetivamente, portanto, está no cerne de muito
trabalho policial, e o polícia atual precisa de uma caixa de ferramentas de
estratégias de comunicação que possam ser adaptadas para atender às inúmeras
situações que enfrentam ” (Ainsworth, 2002, p. 68).5
Paralelamente, é importante compreender que a desigualdade no acesso a direitos
alimenta a violência.
As comunidades mais afetadas pela violência têm em comum uma
superposição de carências.
Fonte: Mapa da Desigualdade (Abrahão, 2020)
 DUARTE. Carla Sofia Miranda Figueiredo. Competências comunicacionais – Um desafio à atuação policial. Lisboa,
2019. Disponível em: 
https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/34851/1/Compet%C3%AAncias%20Comunicacionais%20-
%20Um%20desafio%20%C3%A0%20atua%C3%A7%C3%A3o%20policial.pdf 
5
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
36
Estes e outros fatores fazem com que estas regiões sejam muito mais violentas do que
os bairros de classe média, por exemplo.
As regiões mais abandonadas pelo Poder Público, onde residem as
pessoas em situação de vulnerabilidade social, serão aquelas onde,
tendencialmente, se encontrarão as maiores taxas de desemprego, a
maior frequência de abuso de álcool e de drogas ilícitas, os indicadores
mais altos de mau êxito e evasão escolar, a maior incidência de casos
de gravidez precoce e de negligência dos pais no cuidado e
monitoramento de seus filhos etc. Costumam ser, também, as regiões
menos policiadas (ALVES e BUENO, 2023).
Fonte: G1 (2018)
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
37
Viver em uma região com estas características sociais podem implicar, então, em riscos
significativos para a vitimização por homicídio, por exemplo, ou estupro. Riscos que
serão ainda maiores nesta mesma região para os moradores jovens e adolescentes.
Fonte: G1 (2017)
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
38
As degradações das cidades e da qualidade de vida de seus habitantes estimulam o
aumento dos deslocamentos a locais que despertam motivações turísticas fora de seu
entorno habitual. Além disso, a influência da mídia na comunicação, divulgação, nos
deslocamentos e a globalização que enfraquece as fronteiras entre local, regional,
nacional e internacional também reforçam esse trânsito.
A discussão sobre a violência e sua relação com a manutenção
(crescimento) da desigualdade teria que incorporar o papel que a falta
de resposta do poder público desempenha na manutenção dos altos
índices de violência. Não se trata aqui de pensar apenas o papel dos
agentes encarregados de aplicar as leis, mas de todos aqueles setores
que deveriam garantir que a população tenha uma vida digna. Os dados
apresentados reforçam que violência e insegurança caminham junto
com pouca qualidade de vida, com ausência de política habitacional,
com a implementação deficitária de serviços que podem provocar mais
competição entre a população que se deseja, em tese, atender e
proteger. (CARDIA e SCHIFFER, 2014)
Fonte: Núcleo de Estudos da Violência / USP
Acesse o mapa interativo, elaborado pelo Instituto Cidades Sustentáveis que traz
análise de cada um dos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU para
agenda 2030:
IDSC - BR 
Índice de Desenvolvimento 
Sustentável das Cidades – Brasil
A evolução das 5.570 cidades brasileiras em direção a Agenda 2030 da ONU.
SAIBA MAIS
Índice de Desenvolvimento 
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
39
SAIBA MAIS
Ao garantir a segurança dos turistas, os destinos podem colher os benefícios
econômicos de forma mais sustentável. Quando não há segurança turística, a economia
local pode ser afetada de várias maneiras negativas. Aqui estão alguns dos possíveis
impactos, conforme infográfico:
2.1 Segurança, turismo e os impactos na economia
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
40
Portanto, é crucial que as autoridades locais e os envolvidos no setor priorizem a
segurança turística para proteger a economia. Isso pode envolver a implementação de
medidas de segurança, o treinamento adequado para profissionais, a cooperação entre
as autoridades locais e a conscientização dos turistas sobre as medidas de segurança
existentes. A seguir, reportagem sobre o tema:
Fonte: Elaborado pelas autoras, 2024
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
41
Figura: Reportagem sobre os impactos da violência no setor de turismo no RJ
Fonte: Veja (2024)
Quando se fala em segurança turística com foco nas
mulheres, agir para beneficiar os aspectos sociais e
econômicos irá envolver medidas específicas para garantir a
segurança e o bem-estar.
Diversas iniciativas exigirão a atuação coordenada de setores distintos do poder público
municipal e estadual. Portanto, dispor de espaço colaborativo, preferencialmente
integrado por multiagências, poderá auxiliar a divisão de tarefas e o trabalho conjunto. A
seguir, listam-se ações que podem ser adotadas:
2.2 Segurança pública orientada para a mulher
turista
É importante garantir que as áreas turísticas sejam bem iluminadas e tenham
presença policial adequada. Isso pode ajudar a prevenir crimes e aumentar a
sensação de segurança das mulheres turistas, encorajando-as a visitar e gastar
dinheiro no destino.
Policiamento e iluminação eficiente
Transporte seguro
Treinamento de profissionais do setor
Promoção de destinos seguros para mulheres
Informação e orientação
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
42
É fundamental garantir que o transporte público e privado seja seguro para as
mulheres turistas. Isso pode incluir a implementação de medidas de segurança
nos transportes, como câmeras de segurança, presença de funcionários de
segurança e sistemas de comunicação eficazes.
É importante fornecer treinamento adequado para profissionais do setor turístico,
como funcionários de hotéis, guias turísticos e motoristas de táxi, sobre como
lidar com situações de segurança e como oferecer um ambiente acolhedor e
seguro para mulheres turistas.
Trabalhar em parceria com organizações locais que promovam a segurança e os
direitos das mulheres pode ser uma estratégia eficaz. Essas organizações podem
fornecer orientação e apoio às mulheres turistas, além de ajudar a identificar
áreas de melhoria em termosde segurança.
Fornecer informações claras e precisas sobre a segurança do destino, incluindo
áreas a serem evitadas e números de emergência, pode ajudar as mulheres
turistas a se sentirem mais seguras. Além disso, oferecer orientação sobre
comportamentos seguros e práticas de viagem pode ser útil.
Por meio de campanhas de marketing e promoção, os destinos podem destacar
suas medidas de segurança específicas para mulheres turistas. Isso pode atrair
mais mulheres viajantes, aumentando o número de visitantes e beneficiando a
economia local.
Parcerias com organizações locais
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
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Ao implementar essas ações, os destinos podem criar um ambiente seguro e acolhedor
para as mulheres turistas, o que pode resultar em um aumento no número de visitantes
do sexo feminino.
A importância de pensar no turismo na segurança turística das mulheres reside no fato
de que as mulheres podem enfrentar desafios e riscos adicionais ao viajar, como assédio
sexual, violência de gênero e discriminação. Esses problemas podem afetar
características da experiência de viagem das mulheres e até mesmo desencorajá-las a
viajar.
Ao considerar a segurança turística das mulheres, é necessário implementar medidas e
políticas que promovam um ambiente seguro e inclusivo para as mulheres. Isso pode
incluir a presença de policiamento adequado, iluminação adequada nas áreas turísticas,
transporte seguro, treinamento de funcionários do setor turístico sobre questões de
gênero e sensibilização da comunidade local sobre a importância de conformidade e
proteção das mulheres turistas.
Além disso, é essencial envolver as mulheres na tomada de decisões e no planejamento
do turismo, para que suas vozes sejam ouvidas e suas necessidades sejam atendidas.
Isso pode ser feito por meio da participação de mulheres em cargos de liderança no
setor turístico, consultas públicas e programas de capacitação para mulheres
empreendedoras no turismo.
Ao promover a segurança turística das mulheres, não apenas se garante uma experiência
de viagem positiva para elas, mas também se contribui para a igualdade de gênero e
para a promoção de um turismo mais inclusivo e sustentável. A reflexão sobre políticas
públicas para a segurança das mulheres turistas é essencial, pois asseguram proteção e
bem-estar para mulheres viajantes.
A segurança turística de mulheres é de extrema relevância no contexto do turismo.
É fundamental que o turismo seja planejado e gerenciado levando em
consideração as necessidades e preocupações específicas das mulheres, a fim de
garantir que elas se sintam seguras e protegidas durante suas viagens.
As políticas públicas desempenham um papel fundamental na criação de um
ambiente seguro e inclusivo para as mulheres no setor do turismo.
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As políticas públicas podem abordar questões como a implementação de barreiras e
dispositivos de segurança, treinamento de funcionários do setor turístico sobre questões
de gênero, conscientização da comunidade local acerca do respeito às normas de
proteção às mulheres turistas, a criação de mecanismos de denúncia e apoio para
mulheres que enfrentam assédio ou violência durante suas viagens.
Além disso, podem promover a participação ativa das mulheres na tomada de decisões e
no planejamento do turismo, garantindo que suas vozes sejam ouvidas e que suas
necessidades sejam atendidas. Isso pode incluir a promoção do empreendedorismo
feminino no setor do turismo e a criação de oportunidades de liderança para as
mulheres.
É importante, portanto, que elas sejam desenvolvidas em colaboração com as partes
interessadas relevantes, incluindo organizações de mulheres, agências de turismo,
autoridades locais e organizações da sociedade civil. Essa abordagem colaborativa pode
garantir que as políticas sejam eficazes, abrangentes e sensíveis às necessidades das
mulheres. 
E quando falamos no recorte das mulheres turistas, há uma preocupação com a
segurança dessas mulheres no destino escolhido, haja vista que a divulgação de fatos
negativos tende a diminuir toda uma demanda turística e que há uma preocupação
evidente com a busca de informação se o local escolhido para a viagem é um local
seguro. 
Acompanhe o depoimento a seguir:
Moro em Portugal e sempre tive muita vontade de conhecer o Nordeste
brasileiro. Estava me programando para ir ao Nordeste e já havia
juntado grande soma em dinheiro para isso e comprado roupas e
acessórios que combinassem com o clima tropical e alegre daquela
região. Ocorre que, ao ver uma notícia sobre um crime de maior
potencial ofensivo ocorrido em outra região do país, tendo essa notícia
sido veiculada nos principais jornais e redes sociais de Portugal e
sabendo que viajaria sozinha, pensei se não seria perigoso visitar o
Brasil pelos riscos na segurança pública e comecei a ponderar ir para
outra localidade. Por sorte, encontrei uma amiga brasileira, que estava
visitando Portugal, e ela me explicou que o Brasil era seguro sim, viajar,
e que (se) eu tomasse as medidas de segurança normais, a viagem
seria maravilhosa e eu conseguiria viajar para o Brasil, que sempre foi
meu sonho. Eu ouvi a minha amiga e viajei para o Brasil tendo visitado
não só o Nordeste, mas também várias regiões lindas brasileiras e a
viagem foi inesquecível. Mas eu quase havia desistido do destino por
conta da negativa notícia de crime que havia circulado em Portugal.
(crédito: pessoal)
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As graves consequências provocadas pela violência contra as mulheres
ultrapassam os dramas pessoais e as perdas não se restringem aos núcleos
familiares, reverberam em âmbito cultural, econômico e social - de forma local e
global.
Você consegue estimar os impactos econômicos decorrentes da prática da violência
contra a mulher na economia global? E a violência doméstica? Como ela pode
prejudicar a economia do Brasil?
SAIBA MAIS
A seguir, você poderá acessar dois estudos que abordam essa questão.
Estudo 1
Estudo 2
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
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As reuniões entre os gestores estaduais, bem como outros atores, como o Poder
Judiciário, o Ministério Público e, eventualmente, os setores privados, têm se tornado
cada vez mais frequentes para discutir novas estratégias de prevenção e enfrentamento
à violência. Nessas reuniões, as autoridades analisam o cenário atual da segurança
pública, identificam os focos de criminalidade, o horário, o dia da semana, a comparação
entre meses e anos, os tipos mais frequentes de crimes e ocorrências policiais e a
infraestrutura local. Dessa forma, são criadas estratégias e, em conjunto, são elaborados
planos de ação que visam prevenir e combater a criminalidade.
Veja as seguintes matérias sobre as reuniões entre os gestores da Segurança
Pública:
SAIBA MAIS
Reunião de trabalho com a cúpula de Segurança Pública
Segurança pública 
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
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Trazendo tal metodologia ao turismo, as reuniões com gestores de segurança pública e
atores da iniciativa privada que trabalham o turismo local, podem sim ser de grande valia
para reduzir a criminalidade local, tendo em vista a ação integrada das forças de
segurança e a participação social das representatividades locais.
Nesse aspecto, seriam estudadas estratégias de ação a partir dos dados estatísticos
afetos à localidade como quais as ocorrências frequentes aos turistas, os dias da
semana que mais ocorrem tais crimes ou ocorrências, os locais e suas geografias, quais
as dificuldades enfrentadas pelos agentes de segurança naquelas regiões, as situações
mais corriqueiras e com base nessa discussão ampla e com a participação também das
lideranças locais seriam elaborados planos de ação e algumas dificuldades enfrentadas
como a questão da má iluminação que dificulta a ação policial e até outras questões
poderiam ser solucionadas a partir dessas discussões e as forçasde segurança, por
conseguinte, trabalharem exatamente no foco da criminalidade.
Para muitas pessoas viajar significa baixar a guarda, descansar, relaxar total, conhecer
outras culturas e ficar distante de preocupações. Exatamente por nutrirem esse tipo de
pensamento é que os turistas se tornam alvo fácil para a ação de criminosos. 
Dentre as ocorrências mais comuns afetas aos turistas estão a perda ou extravio de
documentos e os crimes que são considerados não violentos como furto, fraudes,
estelionatos, apropriações indébitas. Dentre os crimes considerados violentos, os mais
comuns são roubos, extorsões e lesões corporais.
As operações policiais em áreas turísticas são de suma importância para a prevenção de
delitos. Durante as operações em aeroportos, rodoviárias, praias, campos e outros locais
de grande circulação de turistas, os agentes de segurança pública alertam e orientam
sobre temas relevantes, supervisionam a área turística, coíbem atos de vandalismo e
outros delitos, inclusive, intervindo de forma infiltrada. Em geral, essas operações são
exitosas e trazem um resultado satisfatório para toda população e especialmente os
turistas.
“Um Aliado no Turismo Seguro em Alagoas”. Acesse a reportagem:
SAIBA MAIS
Reportagem
E quais seriam as ocorrências mais comuns que afetam os turistas? 
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
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Leia a matéria completa abaixo:
A estratégia utilizada pela Segurança Pública de São Paulo de colocar policiais
fantasiados e dessa forma passarem despercebidos pela população no meio dos foliões
foi um recurso utilizado que permitiu que a população e os turistas estivessem mais
seguros naquela festividade.
Recentemente, em São Paulo, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP),
policiais fantasiados auxiliaram na Operação Carnaval de 2024, ação que
proporcionou números satisfatórios na redução de roubos e furtos de celulares no
período, os registros desses delitos caíram quase 50% em relação ao ano anterior.
Fonte: ABC em Off (2024)
Você consegue perceber a importância das operações policiais estratégicas na
prevenção e repressão desse tipo de crime?
PARA REFLETIR
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Dentre as ocorrências mais frequentes que afetam aos turistas está a perda ou extravio
de documentos. O agente de segurança que se deparar com tal narrativa deve orientar o
turista a registrar a ocorrência policial o mais rápido possível.
 
Para registrar uma ocorrência policial afeta à vítima turista mulher basta comparecer a
uma Unidade Policial mais próxima e/ou nos lugares que tiverem Delegacias
Especializadas de Atendimento ou Proteção ao Turista e fazer o registro da ocorrência.
Há, em muitos estados brasileiros, a figura do Boletim de Ocorrência on-line em que a
vítima pode registrar, de seu próprio aparelho celular, a ocorrência policial a qual foi
acometida.
Pois bem, tais aeroportos possuem profissionais qualificados para atender às demandas
afetas aos turistas e eles são especialistas no tema, possuindo, quase sempre, cursos de
policiamento turístico para ingresso desses policiais nessas unidades investigativas. 
O trabalho das Delegacias de Atendimento/ Proteção ao Turista e das Unidades Policiais
nos aeroportos brasileiros em muito contribuem para a prevenção e redução da
criminalidade.
Os tipos penais mais frequentes acometidos às mulheres turistas são:
Furto: crime previsto no art. 155 do Código Penal Brasileiro, que consiste na
subtração de coisa alheia móvel para si ou para outrem, com o fim de apoderamento
definitivo;
Estelionato: crime previsto no art. 171 do Código Penal Brasileiro, que consiste em
obter para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou
mantendo alguém em erro, mediante artifício ou ardil, ou qualquer outro meio
fraudulento;
Você sabia que em muitos aeroportos do Brasil existem Delegacias de Proteção
ao Turista, com profissionais preparados e equipados para atender as
ocorrências policiais?
art. 155
art. 171
O Papel do Profissional do SUSP na Proteção da Mulher Turista
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Roubo: crime previsto no art. 157 do Código Penal Brasileiro, que consiste em
subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou
violência a pessoa, ou depois de havê-la por qualquer meio, reduzido à
impossibilidade de resistência;
Apropriação Indébita: crime previsto no art. 169 do Código Penal Brasileiro que
consiste em apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso
fortuito ou força da natureza;
Lesão Corporal: crime previsto no art. 129 do Código Penal Brasileiro que consiste
em ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem;
Extorsão: crime previsto no art. 158 do Código Penal Brasileiro que consiste em
constranger alguém a fazer, tolerar ou deixar de fazer algo sob violência ou grave
ameaça, com objetivo de obter vantagem indevida.
art. 157
art. 169
art. 129
art. 158
Pela importância do tema, faz-se relevante entendermos alguns aspectos principais dos
crimes abaixo citados:
Furto e Roubo: As ocorrências mais comuns indicam os furtos e roubos, especialmente,
de pertences pessoais, incluindo aparelhos celulares. Normalmente, ocorre em festas
com grande quantidade de pessoas, a exemplo de réveillon, carnaval etc., ou mesmo em
circulação pela cidade visitada.
Estelionato e outras fraudes: Quanto às supostas ocorrências de estelionato e outras
fraudes, as frequentes ocorrências dizem respeito, por exemplo, à venda de pacotes
turísticos aos quais não correspondem à realidade; à venda de hotéis sem a devida
lotação, no qual a turista chega à cidade e não tem lugar para ficar; à venda de Airbnb
Art. 158. Caput.: Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de
corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.
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sem aclarar no contrato o que realmente contém o local, gerando insatisfação por parte
da turista que contratou o serviço, dentre outros casos.
É muito importante que no contrato firmado para a locação do Airbnb tenha as
especificações do que tem dentro do imóvel, para que não ocorram surpresas indevidas,
gerando processo para quem realizou a locação.
Lesão Corporal: Em relação à lesão corporal, as ocorrências dizem normalmente
respeito a uma discussão inicialmente verbal sobre algum ponto mal esclarecido da
viagem e que finda em agressão física, ou ainda, há relatos de agressões em festas onde
há grande concentração de pessoas. É importante que tão logo a autoridade policial
tome conhecimento do caso de uma possível lesão corporal, que a vítima seja
imediatamente encaminhada para o Exame Pericial de Corpo de Delito, no qual será
comprovada a materialidade delituosa.
Veja o que dispõe o caput do artigo 158 do Código de Processo Penal:
Por vestígios entende-se que são as pegadas, rastros, indícios, sinais. A principal
finalidade do exame de corpo de delito é a de comprovar que o crime de fato ocorreu.
Segundo dispõe o art. 6º, I, II e III e IV do Código de Processo Penal:
Veja esse relato de um fato ocorrido com uma turista:
logo que tiver conhecimento da prática de infração pena, a autoridade
policial deverá dirigir-se ao local, providenciando para que não se
alterem o estado das coisas, até a chegada dos peritos criminais;
apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados
pelos peritos criminais; determinar, se for o caso, que se proceda a
exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias.
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“Estava visitando uma cidade brasileira e paguei o pacote com o guia turístico para o Day use do hotel,
sendo que ele me disse que o Day use acabaria às 16h30 e, por conta disso, eu e minha amiga fomos
aproveitar a piscina do hotel. Às 15h30, o guia turístico chegou no hotel gritando conosco e, aos berros,
ele dizia que nós estávamos atrasadas e fazendo isso de propósito.

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