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Modos de Transporte: Aquaviário, Aéreo e Transporte Multimodal Nesta aula, última da nossa Unidade, falaremos sobre os modos aquaviário, aéreo e transporte multimodal. Continue os estudos desta disciplina e boa aula! O modo aquaviário é aquele que, por meio de barcos, navios ou balsas e sobre um corpo d’água (rios, canais, lagos, mares e oceanos), realiza o transporte de cargas e passageiros. Este modo pode ser dividido em transporte marítimo e transporte hidroviário. Transporte Marítimo é o transporte realizado em mares e oceanos por navios de grande porte e é a forma predominante do modo aquaviário. Esse tipo de transporte é essencial para movimentação comercial entre países, sendo responsável por cerca de 90% do transporte internacional (importações e exportações). Essa forma de transporte possui alta eficiência energética e elevada economia de escala para grandes volumes de cargas em longas distâncias. É capaz de transportar diferentes quantidades de cargas e de diversos tipos, além de passageiros. Aula 04 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-1/aula4 1/11 Ainda assim, esse tipo de transporte apresenta algumas desvantagens, quais sejam: movimento lento; necessidade de integração modal, contribuindo para demora na entrega à locais interiores ao continente; carece existência de infraestrutura portuária; tem alto investimento inicial e custo operacional. Sistema Marítimo Via À exceção de acesso a alguns terminais portuários, não existe uma via material delimitada para deslocamento dos veículos. O movimento ocorre segundo uma rota, ou seja, linha determinada para ser seguida pela embarcação. Podendo ser: i) de longo curso: navegação internacional de longas distâncias; ii) de cabotagem: navegação nacional ao longo da costa, também denominado transporte costeiro. Veículo O veículo apropriado para deslocamentos em mares e oceanos é o navio. Os navios podem ter diferentes tipos, tamanhos e características a depender da finalidade e especificidade do transporte. O sistema de propulsão é de motores de grande potência, capazes de impulsionar e locomover até centenas de milhares de toneladas a uma velocidade média de 21 nós (38,89 km/h) ou de 26 nós (48,15 km/h) em navios mais velozes. Na Figura 12 está apresentado um modelo de navio e numeração associada a cada parte dele. Os componentes, conforme a Figura 12 e Pereira e Lendzion (2013), são: 1. proa: frente do navio; Figura 12. Elementos de um navio típico. Fonte: http://tinyurl.com/yd2wjr7r 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-1/aula4 2/11 2. bulbo de proa: protuberância na proa que deve estar submersa na água; 3. âncora: instrumento náutico pesado capaz de fixar temporariamente o navio ao fundo, ou seja, fundear o navio; 4. casco: estrutura de flutuação que suporta o navio; 5. hélice: transforma a energia gerada pelos motores para impulsionar o casco; 6. popa: traseira do navio; 7. chaminé: responsável pela expulsão de gases gerados na produção de energia do motor; 8. ponte: centro de comando de navegação; 9. convés: parte superior do navio que fecha o casco. Outros elementos importantes do navio são: 1. comprimento: distância entre o espelho da popa (parte traseira) ao bico de proa (parte dianteira); 2. boca ou beam: maior distância entre as laterais do navio; 3. pontal ou deck: altura fixa entre o fundo do navio e seu convés principal; 4. calado ou depth: distância vertical entre a superfície da água (linha de flutuação ou linha d’água) e parte mais baixa da embarcação. Quanto à atividade mercantil, os navios podem ser: de carga, de passageiros ou misto. É importante referir que os países costeiros têm direito a um Zona Econômica Exclusiva (ZEE), cuja delimitação é dada por uma linha imaginária a 200 milhas da costa, separando as águas nacionais das internacionais ou comuns e possibilitando o direito de exploração dos recursos marítimos e controle da zona. Em termos de capacidade de carga dos navios, tem-se as seguintes conceituações: deslocamento bruto ou gross displacement: peso total que pode ser deslocado pelo navio, incluindo o peso próprio do navio (casco, motor e equipamentos), a tripulação e bagagens, o combustível e a carga; deslocamento líquido ou net displacement: peso total deslocado somente pelo navio (casco, motor e equipamentos); toneladas de porte bruto: diferença entre o deslocamento bruto e o líquido; toneladas de porte líquido: peso da carga que pode ser transportada (peso máximo de carga ou passageiros); tonelagem de porte operacional: diferença entre a tonelagem de porte bruto e a de porte líquido. Os principais tipos de navios são: navio de carga geral (convencionais destinados ao deslocamento de carga geral seca), navio porta contêiner (especializado no transporte de contêineres), navio frigorífico (adequadamente equipado com sistema de refrigeração de carga), 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-1/aula4 3/11 navio graneleiro (especializado em transporte de carga sólida a granel), navio tanque (especializado em transporte de carga líquida a granel), navio Roll-On Roll-Off (RoRo, próprio para transporte de veículos), navio multicarga (versáteis e compatíveis com diversos tipos de carga), navio porta barcaças/chatas (especializado no transporte de barcaças ou chatas). Terminal Portuário Os portos são elementos de infraestrutura essenciais para o transporte marítimo, devendo primar pelo abrigo das embarcações (proteção de ventos, ondas e correntes; condições de atracação) e condições compatíveis de acessibilidade e profundidade (compatibilidade do canal de acesso, bacias portuárias e berços de acostagem com as dimensões das embarcações: comprimento, boca e calado). Um terminal portuário é constituído por: anteporto, porto e retroporto. O anteporto corresponde ao canal de acesso (via que permite o tráfego de embarcações desde o alto mar até as instalações portuárias) e fundeadouros de espera (local onde os navios devem fundear – lançar âncora – para aguardar liberação de entrada no porto). O porto é formado pela bacia de evolução (área fronteiriça às instalações de acostagem, reservada para as manobras necessárias à atracação e desatracação dos navios), cais com berços de atracação (locais de atracação e movimentação de cargas a serem embarcadas ou desembarcadas) e faixa de movimentação terrestre e, estação de serviços. Por fim, o retroporto é entendido como as áreas terrestres próprias para movimentação de cargas, sendo elas: acessos terrestres, armazenagem, prédio terminal de passageiros, instalações auxiliares e administração. Figura 13. Exemplos de elementos de anteporto e porto. Fonte: Gonçalves et al. (2015) 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-1/aula4 4/11 Transporte Hidroviário: É o transporte realizado em lagos e rios navegáveis para a movimentação de pessoas e/ou cargas. Apresenta as mesmas vantagens e desvantagens do transporte marítimo, sendo ainda limitado à existência de vias navegáveis, as hidrovias. Dada a movimentação interna de cargas e pessoas no país, esse tipo de transporte é estratégico para o desenvolvimento nacional. Sistema Hidroviário Via Hidrovia pode ser entendida como um curso d’água navegável que possua carta de navegação, requisitos de balizamento, sinalização e serviços de dragagem e transposição. Existem dois tipos de hidrovia: as artificiais e as melhoradas. As hidrovias artificias são aqueles cursos d’água que não possuíam condições de navegação, mas adquiriram essas condições mediante obras de engenharia. As hidrovias melhoradas, por sua vez, são aquelasque tiveram ampliação nas condições de navegação. Segundo o Ministério dos Transportes (BRASIL, 2014), o Brasil possui uma rede hidroviária economicamente navegada de 22.037 km. A hidrovia deve atender ao calado máximo das embarcações que a utilizam, largura da rota de navegação, raios de curva, declividade e velocidade da água. Além disso, o corpo d’água, em geral rio, pode ser estável ou errante. 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-1/aula4 5/11 O primeiro é pouco sujeito à erosão e tem pequena declividade, enquanto o segundo, também chamado de divagante, apresenta alteração na posição do leito. Recomenda-se que a largura mínima do canal de navegação seja de 2,2 vezes a largura da embarcação, em vias de mão simples e 4,4 vezes, em vias de mão dupla. Em termos de melhoramento dos cursos d’água para navegação, pode-se destacar: melhoramentos gerais ou normalização (limitação do leito de inundação, por meio de diques ou muros; remoção de obstáculos), obras de dragagem (remoção de sedimentos do fundo da hidrovia de forma a garantir a profundidade mínima de navegação; pode ser realizado com equipamento mecânico ou hidráulico), proteção das margens (revestimento das margens com material resistente ou obras a curta distância das margens), canalização (obras que criam série de patamares na hidrovia, por meio de barragens e cujos desníveis são vencidos por obras de transposição). As obras de transposição de desníveis promovem a integração de bacias. Podem ser sistemas mecânicos (elevadores verticais, elevadores de plano inclinado e rampa hidráulica) ou sistemas hidráulicos (eclusas). Fonte: http://tinyurl.com/yc2puto5 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-1/aula4 6/11 Veículo As embarcações fluviais devem ter calado e dimensões compatíveis com a hidrovia. Além disso, devem ter boa manobrabilidade, ampla visibilidade, capacidade de armazenamento de combustível e recursos de desencalhe. Também são itens indispensáveis: radar, holofote e ecobatímetro (equipamento de determinação de profundidade). É o sistema formado por aerovias que são conectadas aos terminais, por meio de aeronaves, para o transporte de passageiros e cargas. O modo aéreo tem como principais vantagens: rapidez, confiabilidade e eficiência. Por seu deslocamento ocorrer nos ares, consegue atingir locais inacessíveis por outros modais. Mas, embora seja possível transportar qualquer tipo de mercadoria (que não ofereça risco à aeronave, passageiros, operadores, cargas), é limitado a cargas de pouco pesadas e de pequeno volume. Via Nesse tipo de transporte, as aerovias são constituídas pelas rotas – localizadas por meio de satélites – e regras de navegação, tais como horários, altura de voo e faixas de largura delimitadas. Veículo VÍDEO Olá, estudante! Para assistir a esse vídeo, acesse a versão web do seu material didático. 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-1/aula4 7/11 Existem diversos tipos de aeronaves, que se enquadram em três categorias: militar, geral ou comercial. E, de acordo com sua configuração e utilização, os aviões podem ser enquadrados em três tipos: 1. avião de passageiro (full pax) – aeronaves exclusivas para o transporte de passageiros, possuindo um andar superior para os passageiros e um andar inferior para alocação de bagagens e pacotes. Capacidade de carga média de até 23 toneladas; 2. avião misto (combi) – aeronaves utilizadas para transporte de pessoas e cargas, compostas por dois andares, o inferior para cargas e o superior para passageiros. Capacidade de carga média de até 44 toneladas; 3. avião de carga (all cargo ou full cargo) – aeronaves exclusivas para o transporte de cargas, sendo um avião de grande capacidade: de até 120 toneladas. Terminal Os terminais deste modo de transporte são os aeroportos. É importante, portanto, entender melhor os conceitos relacionados, quais sejam: Figura 14. Sistema aéreo Fonte: http://tinyurl.com/y7sznnsw 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-1/aula4 8/11 • Aeródromo – toda área destinada a pouso, decolagem e movimentação de aeronaves. • Aeródromo Civil – aeródromo destinado, em princípio, ao uso de aeronaves civis. • Aeródromo Militar – aeródromo destinado, em princípio, ao uso de aeronaves militares. • Aeródromo Privado – aeródromo civil que só poderá ser utilizado com permissão de seu proprietário, sendo vedada exploração comercial. • Aeródromo Público – aeródromo civil destinado ao tráfego de aeronaves em geral. • Aeroporto – todo aeródromo público dotado de instalações e facilidades para apoio de operações de aeronaves, embarque e desembarque de pessoas e cargas. (BRASIL, 1987, p. 1) Conforme Goldner (2012), o aeroporto pode ser encarado como possuindo o “Lado ar” e o “Lado terra”, conforme pode ser visto na Figura 15. Incluem-se no lado ar: torre de controle e núcleo de proteção ao voo (responsável pelo controle de todo tráfego de aeronaves no espaço aéreo do entorno do aeroporto e também dos movimentos de obstáculos móveis – aeronaves, outras veículos e pessoas – na superfície do aeródromo), pátio de aeronaves (região de um aeródromo terrestre onde as aeronaves procedem ao embarque e desembarque de passageiros e cargas, reabastecimento, estacionamento e serviços de manutenção), pista de pouso e decolagem (elemento de infraestrutura mais importante do aeroporto, devendo ser adequada e longa o suficiente para que sejam executadas operações seguras de pouso e decolagem) e pistas de táxi e saídas de pistas (possibilitam o deslocamento das aeronaves do deslocamento para as cabeceiras ativas de decolagem ou a condução de aeronaves que concluíram o pouso e saíram das pistas). O lado terra é constituído pelo acesso viário (compreende a infraestrutura de acesso ao aeroporto, em geral, rodoviária e ferroviária), meio-fio (área de integração do terminal rodoviário com os transportes de acesso) e TPS (terminal de passageiros), incluindo o sistema de processamento do passageiro e equipamentos das empresas para operações aeroportuárias; é a interface entre o “lado ar” e “lado terra”, fazendo a ligação entre o modo terrestre e o modo aéreo. Nele, ocorrem fluxos de embarque –saguão de embarque, balcões de atendimento, pré-embarque, pré-embarque internacional, triagem e despacho de bagagens –, desembarque – saguão de desembarque, desembarque internacional, restituição de bagagens, recepção de bagagens – e trânsito – área de trânsito. No caso de terminais de logística de carga existe o TECA (terminal de cargas), que são pátios e edificações destinados ao recebimento, tratamento, armazenamento e transferência de cargas (GOLDNER, 2012). 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-1/aula4 9/11 Transporte multimodal é aquele em que há a integração de dois ou mais modos de transporte para que pessoas ou cargas sejam deslocadas do destino à origem, tendo em conta a impossibilidade ou inviabilidade de atingir determinado local recorrendo a apenas um modo de transporte. O conceito é aplicável tanto à deslocamentos internos em um país como em transporte internacional. VÍDEO Olá, estudante! Para assistir a esse vídeo, acesse a versão web do seu material didático. Figura 16. Lado terrestre e lado aéreo de aeroporto de passageiros. Fonte: Goldner (2012) 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-1/aula4 10/11 Outra característica importante da multimodalidade é que, a mercadoria (oupassageiro) é transportada por mais de um modo de transporte sob responsabilidade de um único transportador ou operador de transporte multimodal (OTM), sendo regido por um contrato de transporte único, e que tem vigência e cobertura em todos os trajetos efetuados. Dessa forma, este tipo de transporte possibilita que haja um único responsável pelo transporte da carga (ou passageiros) desde a origem até o destino final. Outro conceito associado é o de transporte intermodal que, assim como a multimodalidade, utiliza de duas ou mais modalidades de transporte para movimentar carga (ou passageiro) entre os pontos de origem e destino. A diferença entre essas duas formas de transporte é forma de contratação. Enquanto no transporte multimodal tem-se um contrato único, na intermodalidade são emitidos documentos individuais de transporte para cada modo, existindo ainda a divisão de responsabilidades entre os transportadores. Em outras palavras, no transporte intermodal cada transportador assume responsabilidade sobre seu transporte (PEREIRA; LENDZION, 2013). Figura 17. Transporte multimodal. Fonte: http://tinyurl.com/yakgfw2x 23/04/2025, 16:56 Sumário Unidade1 https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG619/unidade-1/aula4 11/11