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SEE/MG - Certificação de Diretores de Escola Estadual 2026 | Apostila de Estudos APOSTILA TEÓRICA DE ESTUDOS Certificação Ocupacional de Diretores de Escola Estadual Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais — SEE/MG (2026) Um material didático completo com resumos teóricos fundamentais das principais legislações e obras de referência exigidas no Anexo III do Edital SEE nº 09/2026. Belo Horizonte — MG Versão de Estudos Ampliada SUMÁRIO (Nota: O sumário acima será preenchido automaticamente pelo Microsoft Word ou Google Docs assim que o documento for aberto e atualizado). Capítulo 1 — Gestão Democrática e Autonomia Escolar na LDB A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - Lei Federal nº 9.394/1996) estabelece os pilares legais para a gestão escolar participativa no Brasil. Para a prova de Certificação Ocupacional, os artigos 14 e 15 são de extrema relevância, pois definem a obrigatoriedade de se implementar a Gestão Democrática nas escolas públicas do país. LDB - Artigo 14 (Princípios Fundamentais) Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I - Participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II - Participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Na perspectiva do Artigo 14, a gestão democrática fundamenta-se na corresponsabilização de todos os agentes que compõem a escola: professores, especialistas, pais, alunos e funcionários administrativos. O legislador garantiu ampla autonomia jurídica para que os Estados e Municípios estabeleçam suas normas próprias, mas os dois incisos do artigo são requisitos nacionais unificados. O Projeto Político-Pedagógico (PPP) é citado diretamente como o objeto primeiro da participação pedagógica dos professores, e os Conselhos Escolares (ou Colegiados, em Minas Gerais) como o canal oficial de participação comunitária. LDB - Artigo 15 (Eixos de Autonomia Escolar) Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas de direito financeiro público. Aplicação Prática da LDB no Cotidiano do Diretor: Autonomia Pedagógica: O Diretor deve coordenar a elaboração, implementação e constante revisão do PPP de forma coletiva, garantindo que o plano curricular atenda às especificidades locais e às diretrizes do Currículo Referência de Minas Gerais (CRMG). Autonomia Administrativa: Capacidade da escola de planejar seu quadro de pessoal, organizar turmas, gerenciar rotinas diárias de funcionamento e criar o seu calendário escolar, respeitando as cargas horárias mínimas nacionais. Gestão Financeira: O repasse direto de recursos federais (PDDE) e estaduais (como os Termos de Compromisso e Manutenção Predial de MG) para as Caixas Escolares confere ao Diretor, em conjunto com o Colegiado Escolar, o dever de gerir as verbas públicas e realizar a devida prestação de contas no âmbito do direito financeiro público. Capítulo 2 — Base Nacional Comum de Competências do Diretor Escolar (BNC-Diretor) Aprovada pelo Conselho Nacional de Educação por meio da Resolução CNE/CP nº 4/2021, a Matriz Nacional Comum de Competências do Diretor Escolar (BNC-Diretor Escolar) formaliza o perfil do gestor contemporâneo. O trabalho é dividido estruturalmente em 4 Dimensões fundamentais, desdobradas em 17 Competências e 95 Atribuições de atuação prática. Compreender cada dimensão é indispensável para responder às questões de eixos gerenciais e pedagógicos: 1. Dimensão Político-Institucional Envolve a liderança estratégica do diretor no engajamento da comunidade escolar e local e na implementação da gestão democrática. Espera-se que o gestor atue como articulador entre a unidade de ensino e a Secretaria/SRE, assumindo a responsabilidade pela organização global da escola e pelo desenvolvimento de uma visão sistêmica sobre as políticas educacionais públicas. 2. Dimensão Pedagógica Foca no compromisso ético e profissional com o ensino e com a aprendizagem integral de todos os estudantes. O diretor deve conduzir e supervisionar o planejamento pedagógico, dar suporte metodológico direto aos professores e especialistas, assegurar a coordenação curricular e as avaliações internas/externas, construindo um clima escolar que estimule o desenvolvimento e a inclusão educativa. 3. Dimensão Administrativo-Financeira Contempla a organização das rotinas administrativas internas, a coordenação das equipes de apoio (inspetores, secretários, auxiliares de serviços) e a zeladoria do patrimônio público escolar. No eixo financeiro, o diretor atua em copropriedade com as instâncias constituídas (Caixa Escolar, Colegiado) para gerir, aplicar, fiscalizar e prestar contas de todos os repasses e recursos financeiros da unidade. 4. Dimensão Pessoal e Relacional Trabalha com o aspecto humano da gestão. Envolve apoiar e zelar pelo bem-estar e saúde emocional dos servidores e alunos, gerenciar a resolução pacífica de conflitos no dia a dia, comunicar-se de forma assertiva e empática com as famílias e comprometer-se constantemente com o seu próprio desenvolvimento pessoal e formação profissional continuada. Capítulo 3 — Projeto Político-Pedagógico (PPP) na visão de Ilma Veiga Para a autora de referência Ilma Passos Alencastro Veiga, o Projeto Político-Pedagógico da escola não é um mero relatório administrativo ou um documento formal que se guarda em uma gaveta. O PPP é um processo de planejamento dinâmico e contínuo que 'projeta o futuro desejado para a escola pública'. Ele traz em seus próprios termos duas forças complementares: Dimensão Política: O PPP é político porque está irremediavelmente comprometido com a formação de cidadãos conscientes, críticos e participativos, aptos a atuar de forma livre na sociedade. Ele define as opções sociais e filosóficas da escola diante do seu contexto comunitário. Dimensão Pedagógica: O PPP é pedagógico porque explicita as opções metodológicas, didáticas e avaliativas da equipe de ensino, organizando as ações e intencionalidades que garantem que o aprendizado ocorra de forma efetiva dentro da sala de aula. Tese Central - Ilma Passos Veiga "A construção do PPP exige uma ruptura com os modelos burocráticos e centralizadores de planejamento. Ela requer um processo coletivo de debates, descentralização e real autonomia de decisões das escolas, em que toda a comunidade escolar seja coautora das metas estabelecidas." Os Princípios Norteadores do PPP segundo a autora são fundamentais para responder questões discursivas: 1. Igualdade: Garantia de igualdade de condições para acesso e, principalmente, permanência com sucesso de todos os alunos na escola. 2. Qualidade: Busca pela excelência no ensino para todos os segmentos, rompendo com visões elitistas de educação. 3. Gestão Democrática: Superação da lógica burocrática e centralizadora por meio do colegiado e do engajamento mútuo. 4. Liberdade: Direito de aprender, ensinar, pesquisar, criar e expressar de maneira plural as ideias e concepções pedagógicas. 5. Valorização do Magistério: Compreensão de que a formação contínua e as condições dignas de trabalho dos professores são base para o desenvolvimento escolar. Capítulo 4 — Dimensões da Gestão Escolar de Heloísa Lück Heloísa Lück analisa a gestão escolar de forma sistêmica, definindo a escola como uma 'comunidade social de aprendizagem'. Para a autora, a gestão não pode ser fatiada em gavetas isoladas, mas deve ser entendida como um fluxo interligado de dimensões pedagógicas, administrativas, financeiras, de clima e relações interpessoais. Os Conceitos Críticos de Liderança: Para garantir o alcance dos resultados e afastar o desperdício de esforços educacionais, Lück defende que o diretor deve atuar de forma a incentivar a descentralização de poder através de dois conceitos centrais: Liderança Compartilhadae Coliderança • Liderança Compartilhada: tomada de decisões e atuação coletiva por consenso, onde todos os integrantes da equipe têm voz, escuta e espaço efetivo para influenciar os rumos e condições do desenvolvimento da unidade escolar. • Coliderança: atuação articulada de influência mútua sobre os rumos e destinos da escola, realizada de forma solidária e intercomplementar entre todos os membros da equipe de gestão (Diretor, Vice-diretor e Coordenadores Pedagógicos). Dessa forma, a liderança deixa de ser um privilégio centralizado no cargo de diretor e passa a ser uma competência e cultura espalhada por todos os setores, fortalecendo a corresponsabilidade social pela aprendizagem efetiva do estudante. Capítulo 5 — Proteção de Crianças e Adolescentes: A Lei da Escuta Protegida A Lei Federal nº 13.431/2017 (conhecida como Lei da Escuta Protegida) e o Guia Prático de Convivência SEE/MG de 2025 são essenciais para resguardar os estudantes do trauma adicional causado pelo próprio sistema estatal. O foco central desta legislação é coibir e combater a chamada revitimização ou violência institucional nas escolas públicas. Conceito Crítico para a Prova Revitimização / Violência Institucional: ocorre quando a criança ou adolescente vítima de violência física, psicológica ou sexual é forçada a relatar o trauma sofrido repetidas vezes, ou quando é atendida em ambientes de rede frios, inadequados ou sem o preparo e a capacitação adequada dos profissionais envolvidos. A lei divide as conversas formais com as crianças em dois ritos distintos de competência bem definida: Escuta Especializada (Ação da Escola e Rede) Depoimento Especial (Ação Judicial) Realizada nos serviços de saúde, assistência social e educação (pelas equipes escolares, assistentes e psicólogos) no início do acolhimento. Realizado de forma estritamente judicial perante um juiz, conduzido por profissional capacitado em ambiente reservado com gravação de vídeo. Foco no acolhimento, proteção e direcionamento da assistência de que a criança necessita. É vedado inquirir a vítima sobre fatos do crime ou as circunstâncias para evitar produção de prova e revitimização. Foco em colher o relato e produzir a prova testemunhal para fins de processo e responsabilização criminal do agressor, ocorrendo apenas uma vez. Capítulo 6 — Estágio Probatório e Projeto "Ser Docente" O Estágio Probatório na Administração Pública de Minas Gerais é regulamentado pelo Decreto nº 45.851/2011, compreendendo um período obrigatório de 1.095 dias de exercício efetivo (3 anos). Nesse prazo, o servidor recém-nomeado por concurso é submetido a avaliações periódicas especiais de desempenho pedagógico e técnico para confirmação no cargo. O Projeto "Ser Docente" (Resolução SEE nº 5.264/2026): Buscando acolher e preparar melhor estes novos profissionais recém-nomeados para os desafios práticos da sala de aula, a SEE/MG instituiu o Projeto de Formação Continuada — Ser Docente, voltado especificamente para professores de educação básica em período probatório. O programa é estruturado em três figuras principais de cooperação: 1. Mentorados: Os próprios professores em estágio probatório (ingressantes via concurso a partir de 2023) submetidos ao ciclo de avaliações de aptidão pedagógica do estado. 2. Mentores: Professores regentes de educação básica, experientes, efetivos e estáveis da própria rede que acompanham, auxiliam e dão suporte metodológico direto aos novos professores no cotidiano prático. 3. Tutores: Professores ou especialistas de educação básica estáveis, que exercem um papel de orientação macro, coordenando o andamento das dinâmicas das mentorias e apoiando a execução das atividades formativas do programa. Anexo — Regras Críticas e Prazos do Processo de Certificação 2026 Para garantir a sua participação correta e evitar a desclassificação ou anulação por erros regimentais simples, estude atentamente estes pontos de segurança previstos no Edital SEE nº 09/2026: Correção da Discursiva: Apenas os candidatos que alcançarem no mínimo 60% de rendimento na prova objetiva (ou seja, pelo menos 18 das 30 questões objetivas) terão a prova de redação/discursiva corrigida pela banca. Regra das Canetas: Apenas são permitidas canetas de tinta azul ou preta de ponta grossa fabricadas em material transparente para preenchimento de folha de respostas e redação discursiva. Nota Zero na Redação: Leva a nota zero imediata a redação que: (1) não atinja o mínimo de 20 linhas de texto coeso e coerente; (2) transborde as margens ou linhas delimitadoras da folha de resposta; (3) apresente qualquer assinatura, rubrica, nome ou marca de identificação (a folha é totalmente cega); (4) contiver linguagem chula ou ofensiva. Regra dos Eletrônicos: É proibido o porte e uso de qualquer celular, relógio ou chaves com alarme. Se qualquer dispositivo eletrônico emitir vibração ou alarme sonoro, mesmo desligado e acondicionado dentro do porta-objetos lacrado sob a carteira, o candidato será eliminado imediatamente do certame. Apostila Teórica para Concurso de Certificação Ocupacional - Página